Memorial

Sum√°rio

1 O conceito bíblico de memorial

1.1 Memorial: no Antigo Testamento

1.2 Memorial: no Novo Testamento

2 O memorial eucarístico

2.1 O memorial e a compreensão mistérico-sacramental da eucaristia

2.2 A eucaristia, sacrifício memorial

2.3 No memorial vivemos o ‚Äútempo sacramental‚ÄĚ ou ‚Äútempo redimido‚ÄĚ

1 O conceito bíblico de memorial (cf. CHENDERLIN, 1982; NEUNHEUSER, 1992)

A import√Ęncia teol√≥gica do conceito de ‚Äúmemorial‚ÄĚ tem sua raiz na ordem de Jesus na √ļltima ceia, ao instituir a eucaristia: ‚ÄúFazei isto como meu memorial‚ÄĚ (cf. 1Cor 11,24-25; Lc 22,19). Jesus o diz em seu contexto hist√≥rico e cultural, a partir do horizonte veterotestament√°rio e judaico que lhe √© pr√≥prio. Cabe, pois, voltar √†s ra√≠zes b√≠blicas de memorial/an√°mnesis/zikkaron.

‚ÄúMemorial‚ÄĚ ‚Äď e n√£o mem√≥ria ‚Äď √© a melhor tradu√ß√£o do grego an√°mnesis que ocorre nas palavras de Jesus na √ļltima ceia ao instituir a eucaristia e expressa o que ele mandou fazer todas as vezes que comemos do p√£o e bebemos do vinho eucaristizados (cf. 1Co 11,24-25). A palavra grega, por sua vez, traduz o hebraico zikkaron que se encontra, por exemplo, em Ex 12,14, na narrativa da institui√ß√£o da ceia pascal judaica.

1.1 Memorial: no Antigo Testamento (cf. EISING, 1977)

O primeiro a dizer √© que zakar (qal), mimneiskomai (‚Äúlembrar/lembrar-se‚ÄĚ), na B√≠blia, n√£o √© mera a√ß√£o de uma subjetividade que se aferra ao passado. N√£o √© retrospec√ß√£o hist√≥rica ou psicol√≥gica. Poderia dizer-se que ‚Äúlembrar‚ÄĚ √© um verbo performativo, realiza algo, expressa uma a√ß√£o com consequ√™ncias para o presente e o futuro e, com isso, uma a√ß√£o que, desde o passado, irrompe no presente, abrindo futuro. Para tomar um caso profano, n√£o lit√ļrgico, pense-se na ‚Äúrecorda√ß√£o‚ÄĚ do copeiro do Fara√≥ em Gn 40,14.23 e 41,9. ‚ÄúLembrar-se‚ÄĚ de Jos√© √© intervir em favor dele. Quando o mesmo verbo aparece no contexto religioso do culto ou da ora√ß√£o, sua dimens√£o performativa se refor√ßa, pois, quando Deus ‚Äúse recorda‚ÄĚ, atua salvificamente de acordo com suas promessas. Basta considerar que, em 68 ocorr√™ncias veterotestament√°rias do verbo zakar em qal (um dos modos da conjuga√ß√£o verbal do hebraico), Deus √© o sujeito do ‚Äúlembrar-se‚ÄĚ e o objeto √© sua a√ß√£o em prol da humanidade, e quando o sujeito de zakar √© o ser humano, 69 vezes o objeto do ponto de vista gramatical √© Deus ou sua a√ß√£o salv√≠fica. Essa men√ß√£o significa que o passado recordado se torna atuante, cheio de efic√°cia de salva√ß√£o. Tal perspectiva √© comprovada pelo oposto, quando se considera um texto como Sl 34,17 ou 9,7: Deus apaga a lembran√ßa do √≠mpio. Seu desaparecimento, como se nunca tivesse sido, √© atribu√≠do a Deus. De onde se deduz que o ‚Äúrecordar-se‚ÄĚ de algu√©m, por parte de Deus, √© algo que pertence, por assim dizer, √† ordem ontol√≥gica, √© existir diante de Deus e pela a√ß√£o de Deus. ‚ÄúO ser humano vive, porque Deus se lembra dele e este tem o dever de louvar a Deus, lembrando suas maravilhas‚ÄĚ (EISING, 1977, p.586). Por parte de Deus zakar √© uma a√ß√£o criadora em favor de seu povo (cf. EISING, 1977, p.591). O ‚Äúlembrar(-se)‚ÄĚ √©, pois, eficaz, produz efeito.

O sujeito da a√ß√£o de ‚Äúrecordar-se‚ÄĚ pode ser Deus ou o ser humano, mas o complemento, quando em contexto religioso, √© a alian√ßa, a√ß√£o salv√≠fica de Deus, e a resposta humana positiva ou negativa.

Desta forma, o grupo sem√Ęntico em torno √† palavra ‚Äúmemorial‚ÄĚ n√£o deve ser estreitado s√≥ para um lado, como se um aspecto exclu√≠sse o outro. Ao afirmar que o memorial visa a lembrar a Deus, n√£o se exclui que vise tamb√©m a lembrar ao ser humano e vice-versa.

No contexto da alian√ßa, o grupo de palavras evoca o modo de peti√ß√£o persistente e espalhado, acoplado com a a√ß√£o de gra√ßas, no qual se pede a Deus pelo povo […] para que ‚Äúse lembre de suas promessas de alian√ßa‚ÄĚ, uma pr√°tica que, simultaneamente, sublinha que os pedintes est√£o eles mesmos lembrando-se delas (CHENDERLIN: 1982, p. 216-217, ¬ß 448).

Com o conceito de zikkaron √† ideia de ‚Äúlembrar(-se)‚ÄĚ se acrescenta a de sinal e, por isso, √© muitas vezes ligada a ‚Äė√īt, sinal (cf. Js 4,6.7; Ex 13,9; Nm 17,3.5; Ex 12,13-14). E esse sinal pode ser tanto para Deus, como para o ser humano. E, portanto, ter a finalidade de lembrar a Deus como a de lembrar ao ser humano.

‚ÄúLembrar‚ÄĚ aparece, pois, como uma refer√™ncia ao passado que se faz no presente. Mas √© preciso acrescentar tamb√©m sua intencionalidade com rela√ß√£o ao futuro. Is 47,7 e Qo 11,8, por exemplo, mostram como tamb√©m o futuro pode ser objeto do ‚Äúlembrar-se‚ÄĚ. O futuro pode ser lembrado porque vir√°, com toda a certeza, e ter√° consequ√™ncias que se podem prever. Ou ainda, porque nele se realizar√£o as promessas de Deus, j√° conhecidas. Ao presentificar culticamente a passada a√ß√£o salv√≠fica de Deus, atualiza-se a promessa de salva√ß√£o ligada ao evento e assim j√° acontece salva√ß√£o. Lan√ßar a Deus um clamor que recorda suas promessas desperta a esperan√ßa: elas h√£o de cumprir-se. Dizer ao ser humano que se ‚Äúlembre‚ÄĚ das a√ß√Ķes de Deus na hist√≥ria incita √† obedi√™ncia, √† observ√Ęncia dos mandamentos e, consequentemente, a acolher a salva√ß√£o de Deus.

A anamnese √© assim um ‚Äúlembrar-se‚ÄĚ da origem que permanece decisiva para o presente e para o futuro. Lembra-se o passado para interpretar o presente e possibilitar o futuro (cf. FABRY, 1993, p. 590). O culto de Israel √© sempre uma anamnese. As festas ‚Äď muitas delas ou at√© mesmo todas ‚Äď origin√°rias de uma religi√£o da natureza s√£o historizadas, tornam-se no Antigo Testamento anamnese dos grandes feitos de Deus: a liberta√ß√£o do Egito (P√°scoa), a concess√£o da Tor√° (Pentecostes), a estadia do povo no deserto (Festa das Tendas). Desta maneira as festas testemunham a presen√ßa permanente de Deus na hist√≥ria, conjugando recorda√ß√£o do passado, significado permanente e perspectiva escatol√≥gica. Assim se v√™ que n√£o se trata de puro girar em torno a algo que se foi e n√£o volta mais e est√° cada vez mais long√≠nquo, mas √† anamnese √© pr√≥pria uma for√ßa atualizante que revela que a a√ß√£o de Deus se mant√©m no presente. Recordar √© uma media√ß√£o entre a a√ß√£o de Deus no passado que, como tal, permanece no passado e n√£o se repete, e a significa√ß√£o permanente dessa mesma a√ß√£o que tem suas ra√≠zes e origens naquele passado que se evoca na anamnese e √© mediada para o hoje atrav√©s de uma celebra√ß√£o ou de determinado gesto lit√ļrgico, como a realiza√ß√£o da ceia pascal cada ano.

1.2 Memorial: no Novo Testamento (cf. MICHEL, 1942)

A complexidade dos termos memorial/an√°mnesis/zikkaron, lembrar/zakar/mimimneiskomai permanece presente no Novo Testamento. ‚ÄúA palavra de Jesus mostra sua for√ßa ao permanecer viva na lembran√ßa dos disc√≠pulos‚ÄĚ (MICHEL 1942, p. 681). Pedro se lembra da profecia de Jesus sobre sua nega√ß√£o e, por isso, chora amargamente (cf. Mc 14,72; Mt 26, 75; Lc 22,61-62). Mas √© especialmente depois da ressurrei√ß√£o que se manifesta a efic√°cia da ‚Äúlembran√ßa‚ÄĚ dos disc√≠pulos (cf. Lc 24,6.8). O Evangelho de Jo√£o insiste nesse aspecto como fonte de f√© e de conhecimento (cf. Jo 2,22 e 12,16). ‚ÄúRecordar-se‚ÄĚ √© verdadeiro conhecimento, porque resulta da a√ß√£o do Esp√≠rito (cf. Jo 14,26). ‚ÄúO Esp√≠rito Santo confirma, consolida, esclarece a obra de Jesus e assim traz consigo uma recorda√ß√£o definitiva, conclusiva‚ÄĚ (MICHEL 1942, p.681). A Tradi√ß√£o, no sentido teol√≥gico forte do termo, √© esse ‚Äúrecordar-se‚ÄĚ que se d√° pela a√ß√£o do Esp√≠rito Santo na transmiss√£o da Palavra, na conforma√ß√£o crist√£ da exist√™ncia atrav√©s do amor ao necessitado (cf. Hb 13,3), na celebra√ß√£o da liturgia. N√£o se trata de uma recorda√ß√£o historizante, nem intelectualista, nem doutrin√°ria, mas de uma vivifica√ß√£o pela Palavra numa viv√™ncia celebrada na liturgia sob a a√ß√£o do Esp√≠rito de Cristo. √Č fundamental para a compreens√£o do memorial/an√°mnesis/zikkaron no sentido neotestament√°rio essa afirma√ß√£o do Esp√≠rito Santo como fonte e penhor do realismo salv√≠fico que nela se opera.

Graças à atuação do Espírito Santo o memorial é eficaz, não corre o perigo de ser a nuda commemoratio que o Concílio de Trento excluiu como explicitação do que acontece na eucaristia (cf. DH n. 1753). Atuando o Espírito de Cristo, pode-se reconhecer a eficácia do memorial. Ele é capaz de tornar perene o sacrifício de Cristo e fazer de nós participantes de seu mistério salvífico.

No tocante √† temporalidade do memorial, o Novo Testamento acrescenta um aspecto novo e essencial. As promessas de Deus se cumpriram definitivamente em Jesus Cristo (ele √© o ‚Äúsim‚ÄĚ de Deus, cf. 2Co 1,20), chegaram os tempos escatol√≥gicos (cf. Hb 1,1), o futuro se torna presente, porque na ressurrei√ß√£o de Jesus os disc√≠pulos apalparam com as m√£os (cf. 1Jo 1,1) o futuro que nos cabe. A mem√≥ria √© assim tamb√©m ‚Äúmem√≥ria do futuro‚ÄĚ.

√Č tendo em mente toda essa riqueza sem√Ęntica do termo b√≠blico memorial/an√°mnesis/zikkaron que se deve entender a ordem com que Jesus estabeleceu a itera√ß√£o do rito criado por ele na √ļltima ceia. A interpreta√ß√£o da ordem de itera√ß√£o como ‚ÄúFazei isto para manter viva a minha mem√≥ria‚ÄĚ estreita e mesmo deturpa o sentido de ‚Äúmemorial‚ÄĚ. Primeiramente, porque entende ‚Äúmem√≥ria‚ÄĚ no sentido psicol√≥gico intimista. Se n√£o se repete sempre o que Jesus fez, ele cair√° no esquecimento. Dependeria da a√ß√£o humana o manter-se viva a lembran√ßa do Senhor e sua a√ß√£o salv√≠fica. Nesse caso, o memorial seria mera a√ß√£o humana e dependeria de nossa iniciativa a presentifica√ß√£o do mist√©rio pascal e nossa participa√ß√£o na salva√ß√£o que nos foi dada por Cristo. N√£o fazemos o memorial ‚Äúpara manter viva‚ÄĚ a mem√≥ria de Jesus, sen√£o que Deus mesmo nos convoca (como ekklesia) para celebrarmos o memorial e assim nos leva a ‚Äúmanter viva‚ÄĚ a mem√≥ria de Jesus.

Em outras palavras: o memorial √© dom. O memorial √© a√ß√£o do Esp√≠rito Santo em sacramento, em mist√©rio, em semelhan√ßa, segundo a din√Ęmica pr√≥pria da a√ß√£o sacramental (cf. GIRAUDO, 2003, p. 509-512). √Č primeiramente a√ß√£o de Deus que nos convoca (ek-kles√≠a) para, na for√ßa do Esp√≠rito Santo, realizarmos o sinal (√īt) que √© memorial (zikkaron) do mist√©rio de Cristo. O sinal √© o gesto de tomar p√£o e vinho conforme a ordem de Jesus. Ele se torna memorial quando pronunciamos sobre as oferendas a a√ß√£o de gra√ßas pela obra salv√≠fica consumada por Cristo. Memorial √© pura gra√ßa, porque obedi√™ncia √† ordem do Senhor. √Č Cristo quem age no Esp√≠rito Santo para tornar-nos ‚Äúcontempor√Ęneos‚ÄĚ do Calv√°rio e do sepulcro do Ressuscitado, comungando do p√£o que faz de n√≥s corpo de Cristo a ser entregue pelos demais.

O conceito de memorial/an√°mnesis/zikkaron n√£o corresponde, portanto, ao uso corriqueiro do vocabul√°rio de ‚Äúlembran√ßa, mem√≥ria‚ÄĚ que denota subjetivismo. Numa hora nost√°lgica volto meu pensamento ao passado e ‚Äúrecordo‚ÄĚ os momentos alegres ou as passagens dolorosas da vida. O passado permanece passado, o presente √© alimentado por uma recorda√ß√£o que desperta determinados sentimentos e a vida continua. √Č pura nostalgia. No contexto b√≠blico, lit√ļrgico, teol√≥gico, memorial √© muito mais; √© uma institui√ß√£o estabelecida por Deus que nos reporta ao passado, d√° sentido ao presente e nos abre para o futuro.

2 O memorial eucarístico

As ra√≠zes b√≠blicas e judaicas de ‚Äúmemorial‚ÄĚ e seu uso no contexto da institui√ß√£o da ceia pascal judaica (cf. Ex 12,14) iluminam a eucaristia como a p√°scoa crist√£, j√° que ela √© obedi√™ncia √† ordem de itera√ß√£o dada pelo Senhor na √ļltima ceia que os Evangelhos Sin√≥ticos identificam como uma ceia pascal (cf. GIRAUDO, 2003, p. 127-143. GIRAUDO, 1989, p. 162-186).

2.1 O memorial e a compreensão mistérico-sacramental da eucaristia

A compreens√£o judaica do memorial pascal fica muito clara a partir do dito atribu√≠do pela tradi√ß√£o talm√ļdica ao Rabi Gamaliel, que seria ou o pr√≥prio mestre de Paulo no juda√≠smo (cf. At 22,3), ou seu neto hom√īnimo. Ele resume de forma lapidar o que todo judeu piedoso vivia ao comer anualmente o cordeiro pascal, os p√£es √°zimos e as ervas amargas (cf. GIRAUDO, 2003, p. 112-115; GIRAUDO, 1989, p. 143-146):

Em toda gera√ß√£o e gera√ß√£o, cada um √© obrigado a ver-se a si pr√≥prio como tendo ele mesmo sa√≠do do Egito, como foi dito ‚ÄúE anunciar√°s a teu filho naquele dia, dizendo: √Č por causa disto que o Senhor fez por mim [o que ele fez], quando sa√≠ do Egito‚ÄĚ [Ex 13,8]. N√£o somente a nossos pais remiu o Santo ‚Äď bendito seja Ele! ‚Äď, mas tamb√©m a n√≥s remiu com eles, conforme est√° dito: ‚ÄúE nos fez sair de l√°, para nos fazer vir e dar-nos a terra que tinha jurado a nossos pais‚ÄĚ [Dt 6,23]. (GIRAUDO, 2003, 112s; negrito meu, it√°lico do autor)

Primeiro observe-se o que est√° em it√°lico, a saber: express√Ķes que incluem no evento fundante ‚Äď a liberta√ß√£o do Egito ‚Äď aquele que agora celebra a p√°scoa. N√£o foram eles s√≥, os nossos pais, mas n√≥s hoje que sa√≠mos do Egito, a n√≥s o Alt√≠ssimo redimiu. Essa perspectiva √© confirmada por outro momento do ritual de P√°scoa: a alegoria dos quatro filhos. O segundo filho, classificado como malvado, n√£o se inclui na salva√ß√£o operada na liberta√ß√£o do Egito e assim tampouco na comunidade de Israel, negando, portanto, suas ra√≠zes (cf. GIRAUDO, 1989, p. 137; GIRAUDO, 2003, p. 107).

√Č t√£o fundamental saber-se inclu√≠do na celebra√ß√£o da interven√ß√£o hist√≥rica e irrepet√≠vel de YHWH que n√£o faz√™-lo exclui do efeito salv√≠fico pr√≥prio √† a√ß√£o divina. Trata-se, pois, de uma compreens√£o mist√©rico-sacramental da ceia pascal, em que est√° em jogo a no√ß√£o de mem√≥ria sacramental. Este √© o primeiro ponto que √© preciso ter presente para compreender a eucaristia como memorial.

Um segundo ponto a observar na cl√°usula de Gamaliel √© o que est√° em negrito. Trata-se da interpreta√ß√£o de Ex 13,8. ‚Äú√Č por causa disto‚ÄĚ. Pode-se perguntar ‚Äúdisto‚ÄĚ qu√™? No caso da P√°scoa judaica: do cordeiro, do √°zimo e das ervas amargas (cf. Ex 12,1-14). Vale dizer: os elementos essenciais que n√£o podem faltar na ceia pascal judaica s√£o os sinais sacramentais que reportam figurativamente os participantes da ceia ao evento pascal da passagem do Mar Vermelho (cf. Ex 14,15-31), evento √ļnico e irrepet√≠vel. Os comensais de hoje se tornam presentes em mist√©rio ao evento fundador, s√£o transportados por esses sinais √† passagem do Mar que, como todo acontecimento hist√≥rico, n√£o se pode mais repetir. A P√°scoa de hoje √© a mesma P√°scoa dos pais. Sob o aspecto salv√≠fico, no plano mist√©rico-sacramental, n√£o h√° diferen√ßa entre o cordeiro, o √°zimo e a erva amarga daquela √ļltima ceia do Egito e os mesmos elementos da P√°scoa atual. E ‚Äú√© por causa disto‚ÄĚ (do cordeiro, do √°zimo, da erva amarga) que o Senhor nos remiu.

Essa perspectiva da ceia pascal judaica esclarece o sentido da eucaristia. Com a mesma intenção de instituir um zikkaron/memorial/anámnesis, Jesus partiu o pão e distribuiu o cálice. A perspectiva mistérico-sacramental herdada do judaísmo permite compreender o alcance do gesto de Jesus. Plagiando a admoestação de Gamaliel cabe dizer:

De gera√ß√£o em gera√ß√£o, cada um de n√≥s √© obrigado a ver-se a si pr√≥prio ‚Äď com os olhos penetrantes da f√© ‚Äď como tendo estado l√° no Calv√°rio na primeira Sexta-feira santa e diante da tumba vazia na manh√£ da ressurrei√ß√£o. Pois n√£o s√≥ nossos pais estavam l√°; mas tamb√©m n√≥s todos, reunidos hoje aqui para celebrar a eucaristia, est√°vamos l√° com eles, prestes a morrer na morte de Cristo e a ressurgir em sua ressurrei√ß√£o (GIRAUDO, 2003, p. 90; GIRAUDO, 1989, p. 116).

Nos sinais do p√£o e do vinho deixados por Jesus, n√≥s nos tornamos hoje salvificamente contempor√Ęneos do evento redentor da morte e ressurrei√ß√£o do Senhor. Em mist√©rio ou sacramento, participamos do acontecimento hist√≥rico √ļnico e irrepet√≠vel que trouxe a reden√ß√£o para n√≥s. Por este p√£o e este vinho sobre o qual se pronunciou a a√ß√£o de gra√ßas do memorial e para os quais se suplicou a vinda do Esp√≠rito Santo, somos realmente transportados ‚Äď na f√© ‚Äď ao evento fundador e participamos dele. ‚Äú√Č por causa disto‚ÄĚ (do sinal do p√£o e do vinho sobre os quais se pronunciou o memorial de a√ß√£o de gra√ßas) que somos remidos (cf. JO√ÉO PAULO II, 2003, n. 4; GIRAUDO, 2008, p. 51).

A transposi√ß√£o da mistagogia judaica para a eucaristia permite captar melhor o realismo da eucaristia: pelo memorial da entrega do Senhor sob os sinais do p√£o e do vinho n√≥s nos apropriamos da reden√ß√£o em Cristo e ele se torna presente, como o verdadeiro Cordeiro que tira o pecado do mundo. Tamb√©m n√≥s podemos dizer: este p√£o que agora partimos, √© aquele que Jesus partiu significando profeticamente seu corpo entregue por n√≥s; este vinho que est√° agora aqui no c√°lice √© aquele vinho que Jesus bebeu na √ļltima ceia, anunciando profeticamente seu sangue derramado (cf. GIRAUDO, 1989, p. 221-222. GIRAUDO, 2003, p. 168-169).

2.2 A eucaristia, sacrifício memorial

A partir do realismo salv√≠fico do memorial, pode-se reconhecer a eucaristia como sacrif√≠cio. Neste ponto, o primeiro a fazer √© sublinhar que o car√°ter sacrifical da eucaristia n√£o empana a unicidade do sacrif√≠cio de Cristo. Ele √© o sacerdote √ļnico da nova e eterna alian√ßa; seu sacrif√≠cio tamb√©m √© √ļnico, pois n√£o √© ritual, mas hist√≥rico, vivencial, existencial e, como todo fato hist√≥rico, irrepet√≠vel. Para express√°-lo, no entanto, o autor da Ep√≠stola aos Hebreus lan√ßa m√£o de vocabul√°rio cultual, ritual e sacerdotal, mas o transforma intrinsecamente, aplicando-o √† realidade profana da exist√™ncia hist√≥rica de Jesus. A constante refer√™ncia ao culto lev√≠tico serve para distanciar-se dele e mostr√°-lo superado pelo culto hist√≥rico realizado por Jesus, que culmina em sua morte de cruz. Como acontecimento hist√≥rico, com todos os horrores das torturas a que s√£o submetidas pessoas condenadas como malfeitores, o sacrif√≠cio de Cristo √© absolutamente irrepet√≠vel, aconteceu de uma vez para sempre (cf. Hb 9,12 e 26) e, com isso, aboliu todos os sacrif√≠cios. Destarte, Cristo √© o fim do sacerd√≥cio e dos sacrif√≠cios, como o √© da Lei (cf. Rm 10,4). Fim significa ao mesmo tempo ‚Äút√©rmino‚ÄĚ e ‚Äúmeta‚ÄĚ. Nesse sentido, Cristo √© o fim e a realiza√ß√£o de todo sacerd√≥cio, e sua vida, culminando na cruz e na ressurrei√ß√£o, √© o fim e a realiza√ß√£o de todo sacrif√≠cio. Nessa condi√ß√£o tornam-se desnecess√°rios ulteriores sacrif√≠cios, pois por sua vida realizou definitivamente, escatologicamente, a pretens√£o de todo ato sacrifical: apresentar-nos a Deus e ser acolhidos com um olhar ben√©volo.

A partir dessa afirma√ß√£o irredut√≠vel da unicidade do sacerd√≥cio e do sacrif√≠cio de Cristo ilumina-se o sentido da eucaristia e de seu car√°ter sacrifical. A eucaristia n√£o √© o pendant neotestament√°rio dos sacrif√≠cios do templo. No templo de Jerusal√©m (e nos sacrif√≠cios de todas as religi√Ķes), cada sacrif√≠cio √© um novo ato sacrifical, distinto do anterior, de forma que podem ser numerados, e trinta sacrif√≠cios valem mais do que dez. A eucaristia, ao contr√°rio, √© todo o Calv√°rio e nada mais que o Calv√°rio. E nada lhe acrescenta.

Para compreender como, apesar da unicidade e sufici√™ncia do sacrif√≠cio de Cristo, a eucaristia pode ser e √© ‚Äúsacrif√≠cio <no sentido> verdadeiro e pr√≥prio‚ÄĚ (DH n. 1751), vem em ajuda o conceito de memorial. Ele permite que se veja a eucaristia como totalmente relacional ao sacrif√≠cio da cruz. √Č sacrif√≠cio porque memorial; √© sacrif√≠cio porque sacramento do √ļnico sacrif√≠cio (cf. AVERBECK, 1967).

2.3 No memorial vivemos o ‚Äútempo sacramental‚ÄĚ ou ‚Äútempo redimido‚ÄĚ (PAMPALONI, 2008, p. 87-103)

Se o memorial nos torna contempor√Ęneos √† a√ß√£o hist√≥rica que √© a morte de Jesus e sua manifesta√ß√£o aos disc√≠pulos como Ressuscitado, pode-se explic√°-lo distinguindo entre ‚Äútempo f√≠sico‚ÄĚ e ‚Äútempo sacramental‚ÄĚ. Respondendo ao questionamento de Calvino que negava a presen√ßa de Cristo no p√£o eucar√≠stico, porque estando ele no c√©u, √† direita do Pai, n√£o poderia estar, ao mesmo tempo, na terra sob as esp√©cies de p√£o e de vinho, o Conc√≠lio de Trento faz uma importante distin√ß√£o entre ‚Äúespa√ßo f√≠sico‚ÄĚ e ‚Äúespa√ßo sacramental‚ÄĚ, declarando n√£o haver contradi√ß√£o entre ambos (cf. GIRAUDO, 2003, p.540). A presen√ßa de Cristo no c√©u, √† direita do Pai, n√£o obsta que ele esteja presente para n√≥s sacramentalmente em sua subst√Ęncia, em muitos outros lugares, ‚Äúsegundo um modo de exist√™ncia que, embora mal o possamos exprimir em palavras, podemos reconhecer pelo pensamento iluminado pela f√© como poss√≠vel para Deus e no qual devemos crer firmemente‚ÄĚ (DH n. 1636).

Em outras palavras: n√£o h√° contradi√ß√£o entre a presen√ßa f√≠sica ‚Äď que, por defini√ß√£o √© √ļnica ‚Äď e a presen√ßa sacramental, m√ļltipla, em todas as eucaristias que se celebram na face da terra. Da mesma forma, deve ser poss√≠vel afirmar que n√£o h√° contradi√ß√£o entre o tempo f√≠sico em que se realizou o sacrif√≠cio do Calv√°rio e sua perpetua√ß√£o em cada ‚Äúhoje‚ÄĚ das celebra√ß√Ķes eucar√≠sticas. O conceito de ‚Äútempo sacramental‚ÄĚ √© muito feliz por evocar que √© em sacramento, em mist√©rio, que, pelas palavras de Cristo e a invoca√ß√£o do Esp√≠rito Santo (cf. CATECISMO DA IGREJA CAT√ďLICA, 2003, n. 1333; TABORDA, 2015, p. 287-309), nos tornamos aqui e agora contempor√Ęneos do evento do Calv√°rio e da experi√™ncia feita pelas mulheres na manh√£ do domingo junto √† tumba do Ressuscitado.

Massimo Pampaloni sugere que entendamos o ‚Äútempo sacramental‚ÄĚ como uma irrup√ß√£o de Deus no tempo cronol√≥gico, qualificando a este como ‚Äútempo redimido‚ÄĚ (PAMPALONI, 2004, p. 98-100; TABORDA, 2015, p. 79-84). Na liturgia vivemos imersos na antecipa√ß√£o sacramental do tempo redimido que √© o ‚Äútempo‚ÄĚ que experienciaremos na comunh√£o definitiva e escatol√≥gica com Deus. O tempo lit√ļrgico √©, pois, tempo redimido que n√£o vive a fragmenta√ß√£o do aqui-e-n√£o-l√°, do agora-e-n√£o-depois. A liturgia n√£o √© repeti√ß√£o do passado; mas, transportando-nos pela f√© e pelos sinais sacramentais ao evento fundador, √©, cada vez que se celebra, um passo ulterior em nossa caminhada rumo √† definitividade da uni√£o plena com o Senhor no corpo eclesial escatol√≥gico.

Nossa contemporaneidade com o passado e o futuro é possível graças à ressurreição de Cristo, porque, tendo subido aos céus, nele já se realiza essa junção. Poderíamos ilustrá-lo através de duas perspectivas bíblicas que se encontram, respectivamente, na Epístola aos Hebreus e no Apocalipse.

No Apocalipse o vidente v√™ o Cordeiro que est√° no centro do trono, de p√© e como que imolado (cf. Ap 5,6). O Cordeiro √© o Ressuscitado na gl√≥ria do Pai. Est√° de p√©, como um triunfador, como algu√©m que possui uma especial dignidade e pode ficar de p√© diante de Deus (cf. At 7,55). Mas ele est√° ‚Äúcomo que imolado‚ÄĚ, porque o Ressuscitado √© o Crucificado e Jesus est√° na gl√≥ria do Pai com toda sua hist√≥ria que culmina e se resume em sua morte. N√≥s ‚Äď cada um de n√≥s ‚Äď somos o que nos tornamos no decorrer de nossa hist√≥ria. Ningu√©m nasce pronto; fazemo-nos dia a dia, atrav√©s de nossas decis√Ķes em face aos embates que sofremos, diante das circunst√Ęncias em que transcorre nossa exist√™ncia, do cen√°rio em que vivemos. Fazemo-nos a n√≥s mesmos cada dia, e somente no momento da morte podemos dizer quem verdadeiramente somos, pois s√≥ ent√£o entramos na definitividade. Por isso Jesus, por ser verdadeiro homem, est√° junto do Pai com sua hist√≥ria, sua vida de entrega at√© √† cruz.

Na Ep√≠stola aos Hebreus, Cristo √© apresentado como o verdadeiro sacerdote que supera e realiza o sacerd√≥cio lev√≠tico. Ponto de partida √© a liturgia do Dia do Perd√£o (Yom Kippur), o grande dia da expia√ß√£o, a festa m√°xima do templo de Jerusal√©m (cf. Lv 16,3-34). Nesse √ļnico dia do ano, o Sumo Sacerdote (e somente ele), para oferecer a Deus o sangue das v√≠timas, atravessava o v√©u que separava do olhar profano a parte mais sagrada do templo, o Santo dos Santos. Mas, para que pudesse ter acesso √† presen√ßa do Alt√≠ssimo, precisava purificar-se dos pr√≥prios pecados pelo sacrif√≠cio de novilhos e bodes.

O autor da Ep√≠stola aos Hebreus v√™ nessa liturgia do templo uma ‚Äúsombra dos bens futuros‚ÄĚ (Hb 10,1). O verdadeiro sacerdote √© Cristo que entrou de uma vez por todas no verdadeiro Santo dos Santos, o c√©u, sem precisar purificar-se previamente, porque feito semelhante a n√≥s em tudo, menos no pecado (cf. Hb 4,15). E ele entrou n√£o por um ato ritual, mas por um ato hist√≥rico, sua morte como condenado, posto para fora do lugar sagrado e mesmo da Cidade Santa, tendo que levar sobre si a ignom√≠nia da cruz (cf. Hb 13,12-13). Seu sacrif√≠cio √© ele pr√≥prio, sua vida, sua hist√≥ria. Por isso mesmo supera todo culto antigo e l√° est√°, junto do Pai, a interceder para sempre por n√≥s (cf. Hb 7,25), apresentando ao Pai sua vida desde a entrada no mundo (cf. Hb 10,5-7) at√© a morte na cruz (cf. Hb 13,12). Ele √©, como diz a liturgia, ‚Äúao mesmo tempo sacerdote, altar e cordeiro‚ÄĚ (MISSAL ROMANO, Pref√°cio da P√°scoa V).

Em vista dessas duas perspectivas b√≠blicas do Apocalipse e da Ep√≠stola aos Hebreus, houve quem postulasse a admiss√£o de um ‚Äúsacrif√≠cio celeste‚ÄĚ (LEPIN, 1926, p. 737-758). A hist√≥ria de cada um √© o que o identifica como esta pessoa (√© o ‚Äúcorpo‚ÄĚ da pessoa). Ora, na plenitude escatol√≥gica, n√£o perdemos nossa identidade; pelo contr√°rio, afirmamo-la, pois tamb√©m l√° ‚Äúcarregaremos‚ÄĚ ‚Äď para o bem e para o mal ‚Äď nossa pr√≥pria hist√≥ria, que √© a hist√≥ria de nossa liberdade. O mesmo vale do Cristo glorioso, de forma que o ‚Äúsacrif√≠cio celeste‚ÄĚ n√£o √© ‚Äúoutro sacrif√≠cio‚ÄĚ, ao qual se referiria a eucaristia, mas o mesmo sacrif√≠cio do Calv√°rio perenizado na gl√≥ria como ‚Äúsacrif√≠cio celeste‚ÄĚ que serve como media√ß√£o para que, celebrando a eucaristia, nos tornemos contempor√Ęneos do sacrif√≠cio da cruz perpetuado pela exist√™ncia de Cristo na eternidade, o vencedor da morte que porta em seu corpo as chagas do Crucificado (cf. Jo 20,20 e 27).

Em suma: o memorial eucar√≠stico faz Cristo presente e, com ele, sua vida, morte, ressurrei√ß√£o, manifesta√ß√£o no Esp√≠rito, parusia, porque em seu mist√©rio pascal Cristo redime o tempo. Pelo memorial, sob a a√ß√£o do Esp√≠rito Santo (epiclese), participamos desse ‚Äútempo redimido‚ÄĚ e, com isso, Cristo se torna presente a n√≥s e em n√≥s, transformando-nos, pela comunh√£o, em seu corpo eclesial. Por isso, na ora√ß√£o eucar√≠stica, depois de louvar o Pai, recordando (= memorial) o que fez por n√≥s em seu Filho Jesus e em vista dele, suplicamos que envie o Esp√≠rito com a dupla finalidade: transformar os dons do p√£o e do vinho no corpo e no sangue de Cristo, a fim de que, comungando, n√≥s possamos ser transformados no corpo eclesial (cf. GIRAUDO, 2003, p. 306-318; GIRAUDO, 1989,p. 436-439).

Francisco Taborda SJ ‚Äď Faculdade Jesu√≠ta de Filosofia e Teologia. Texto original portugu√™s. Postado em dezembro de 2020.

Referências

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