Padres Capadócios

Sum√°rio

Introdução

1 Quem são os Padres Capadócios?

2 Por que s√£o t√£o importantes?

3 Principais contribui√ß√Ķes teol√≥gicas

3.1 O fim da controvérsia ariana

3.2 Contribui√ß√Ķes para a Cristologia

3.3 A contribuição à mística

3.4 Exegese

4 Homens de Igreja

5 O monaquismo

Conclus√Ķes

Referências

Introdução

O presente texto prop√Ķe uma inicia√ß√£o geral aos Padres Capad√≥cios. Come√ßa com uma breve apresenta√ß√£o biogr√°fica sobre cada um, indica, em seguida, por que eles s√£o importantes no conjunto da Igreja e da teologia crist√£, tanto no Oriente quanto no Ocidente. Num terceiro momento, s√£o apresentadas as contribui√ß√Ķes teol√≥gicas de cada um, tanto na controv√©rsia que se seguiu √† solu√ß√£o de Niceia ao problema do arianismo, quanto na elucida√ß√£o de quest√Ķes cristol√≥gicas, na reflex√£o sobre a m√≠stica crist√£ e no desenvolvimento da exegese. Num quarto momento, √© indicada a contribui√ß√£o dos tr√™s Capad√≥cios na organiza√ß√£o da Igreja e, no quinto, ao monaquismo.

1 Quem são os Padres Capadócios?

Com o termo ‚ÄúPadres Capad√≥cios‚ÄĚ indicam-se tr√™s bispos do s√©c. IV: Bas√≠lio de Cesareia (da Capad√≥cia) (‚Ć379), tamb√©m conhecido como Bas√≠lio Magno; seu amigo Greg√≥rio de Nazianzo (‚Ć389), conhecido no Oriente crist√£o pelo apodo de ‚Äúo Te√≥logo‚ÄĚ; e o irm√£o de Bas√≠lio, Greg√≥rio de Nissa (‚Ć depois 394). O termo ‚Äúcapad√≥cios‚ÄĚ se refere √† regi√£o de onde eram origin√°rios, a Capad√≥cia, regi√£o oriental da pen√≠nsula da Anat√≥lia, a atual Turquia. O costume de mencion√°-los juntos testemunha a percep√ß√£o que a Igreja sempre teve de sua uni√£o e unidade de a√ß√£o, seja no campo teol√≥gico, seja no da a√ß√£o pol√≠tica eclesi√°stica de enfrentamento das fases finais da controv√©rsia ariana. Depois da reforma conciliar, a liturgia latina celebra Bas√≠lio e Greg√≥rio Nazianzeno num √ļnico dia, 2 de janeiro, enquanto o nome de Greg√≥rio de Nissa se encontra no Martirol√≥gio Romano no dia 10 de janeiro, onde, ali√°s, se encontrava tamb√©m no Martirol√≥gio antes da Reforma. √Č a mesma data do calend√°rio bizantino. Note-se que no calend√°rio bizantino (gregoriano) Bas√≠lio e Greg√≥rio Nazianzeno, al√©m de sua festa espec√≠fica (respectivamente 1¬ļ de janeiro e 25 de janeiro) s√£o celebrados tamb√©m na festa dos Tr√™s Santos Doutores, dia 30 de janeiro, juntamente com Jo√£o Cris√≥stomo. O culto lit√ļrgico do Nisseno aparece mais tarde em rela√ß√£o ao de seu irm√£o e do Nazianzeno: a men√ß√£o mais antiga que conhecemos est√° na vers√£o georgiana do Lecion√°rio de Jerusal√©m (s√©c. VII), no dia 23 de agosto. Provavelmente n√£o se podem excluir como causa algumas posi√ß√Ķes teol√≥gicas de Greg√≥rio de Nissa, que pareciam demasiado origenianas (mesmo que se discuta sobre qual a real ideia nissena a respeito da apocat√°stase). Tamb√©m a condena√ß√£o de Or√≠genes, em 553, provavelmente ter√° influenciado no tardio surgimento do culto lit√ļrgico do Nisseno.

2 Por que s√£o t√£o importantes?

A import√Ęncia dessas tr√™s figuras para a hist√≥ria da Igreja e da teologia dificilmente pode ser subvalorizada. Assim escreve M. Simonetti:

Com Basílio, Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa a fusão entre profundo sentir cristão e paideia grega fica completa e se realiza no nível mais alto, seja da espiritualidade cristã, seja da formação clássica. De alta extração social, educados do modo mais tradicionalmente refinado e completo e, ao mesmo tempo, crescidos em ambientes profundamente cristãos, eles realizaram o ideal de um cristianismo culto, que soube aceitar tudo o que havia de válido no helenismo, sem desfigurar as linhas mestras da mensagem cristã, numa síntese que haveria de permanecer paradigmática para a cristandade oriental. (SIMONETTI, 1990, p. 89)

A fam√≠lia de Bas√≠lio e de Greg√≥rio Nisseno √© efetivamente um dos primeiros exemplos de fam√≠lias j√° crist√£s desde algumas gera√ß√Ķes, de grande cabedal econ√īmico e cultural e que participaram da hist√≥ria da evangeliza√ß√£o da pr√≥pria regi√£o, dando inclusive testemunho pessoal no decorrer das persegui√ß√Ķes. Sua teologia, portanto, reveste-se de particular interesse, entre outras raz√Ķes, porque se trata de um dos primeiros produtos de pessoas educadas na mais cl√°ssica paideia grega, mas, ao mesmo tempo, formadas j√° em ambiente que havia tempo era crist√£o. Bas√≠lio e Greg√≥rio de Nazianzo estudaram juntos em Atenas, que ainda era a capital da cultura dessa √©poca. Bas√≠lio se mudou depois para Constantinopla, onde, segundo o testemunho do Nisseno, foi disc√≠pulo do famoso r√©tor Lib√Ęnio. Bas√≠lio nos deixar√° uma obra importante, conhecida sob v√°rios nomes, sendo o mais comum Discurso aos jovens, em que mostra como o estudo dos cl√°ssicos, feito cum grano salis certamente, n√£o s√≥ n√£o √© perigoso para a f√©, mas se torna at√© mesmo proped√™utico para o subsequente estudo da Sagrada Escritura e da teologia. Greg√≥rio de Nazianzo √© um fin√≠ssimo literato e um r√©tor muito capaz, e suas obras, tanto teol√≥gicas como liter√°rias, mostram sua cultura e seu apurado gosto liter√°rio cl√°ssico.

Al√©m de ser ligada √† evangeliza√ß√£o da Capad√≥cia, a fam√≠lia de Bas√≠lio e do Nisseno √© tamb√©m uma fam√≠lia que deu √† Igreja um n√ļmero impressionante de santos. A av√≥ de Bas√≠lio, Macrina Senior, foi disc√≠pula de Greg√≥rio Taumaturgo (m√°rtir, celebrado a 2 de mar√ßo) que fora, por sua vez, disc√≠pulo de Or√≠genes e se conta entre os evangelizadores da Capad√≥cia. No Martirol√≥gio romano antes da Reforma, Macrina Senior era recordada dia 14 janeiro (na reforma lit√ļrgica seu nome foi omitido). Os pais de Bas√≠lio s√£o igualmente mencionados no Martirol√≥gio (seja no antigo como no reformado) no dia 30 de maio. Al√©m da av√≥ e dos pais de Bas√≠lio e Greg√≥rio Nisseno, essa fam√≠lia inclui ainda dois santos: um outro irm√£o de Bas√≠lio e Greg√≥rio, Pedro, bispo de Sebaste (que era celebrado no dia 9 de janeiro, mas hoje √© mencionado no dia 26 de mar√ßo) e a irm√£ Macrina J√ļnior (cuja mem√≥ria lit√ļrgica, em ambos os calend√°rios, permanece no dia 19 de julho). Macrina ter√° uma influ√™ncia muito digna de nota sobre Greg√≥rio de Nissa, que a recordar√° com acentos comoventes em uma carta (Ep. 19) e √† qual dedicar√° uma obra importante, o De Anima et resurrectione, definido por alguns como o F√©don crist√£o, em que o di√°logo sobre a morte e a ressurrei√ß√£o se desenrola entre Greg√≥rio e sua irm√£ no leito de morte, desempenhando a irm√£ o papel ‚Äúsocr√°tico‚ÄĚ. N√£o se pode n√£o notar qu√£o importante tenha sido a presen√ßa feminina na transmiss√£o e na viv√™ncia pessoal de Bas√≠lio e do Nisseno (PAMPALONI, 2003; SUNBERG, 2017). As persegui√ß√Ķes enfrentadas pela fam√≠lia foram, sem d√ļvida, uma das fontes que deram a Bas√≠lio aquela peculiar energia com que soube opor-se a tudo que impedisse a liberdade da Igreja. Tamb√©m a fam√≠lia de origem de Greg√≥rio de Nazianzo se localizava mais ou menos nas mesmas coordenadas. Era uma fam√≠lia aristocr√°tica e abastada, seu pai (conhecido como Greg√≥rio, o Velho), depois da convers√£o do paganismo, tornou-se bispo de Nazianzo e sua m√£e, chamada Nona, tamb√©m recordada no Martirol√≥gio romano (5 de agosto), exerceu um papel importante seja na convers√£o do marido como na educa√ß√£o do filho, que dedicou √† m√£e uma comovente lembran√ßa num de seus discursos (Orat. 18).

Bas√≠lio e os dois Greg√≥rios representam um caso praticamente √ļnico na hist√≥ria da teologia. Antes de tudo pela amizade entre eles, especialmente entre Bas√≠lio e o Nazianzeno, embora nos √ļltimos anos a amizade entre Greg√≥rio e Bas√≠lio provavelmente tenha sido submetida a dura prova e talvez tenha, de algum modo, experimentado certo arrefecimento. Em segundo lugar, pela colabora√ß√£o que souberam manter, embora n√£o sem dificuldades, devido aos diferentes temperamentos dos tr√™s e uma certa ‚Äúexuber√Ęncia‚ÄĚ na lideran√ßa por parte de Bas√≠lio em rela√ß√£o ao irm√£o e ao amigo durante a luta contra o imperador Valente. Mas foi, sobretudo, uma uni√£o peculiar no esfor√ßo comum no campo da teologia, em que cada um fez frutificar as pr√≥prias capacidades de um modo sinerg√©tico. A profundidade teol√≥gica e a vis√£o geral dos problemas da Igreja de Bas√≠lio, a sensibilidade teol√≥gica e liter√°ria do Nazianzeno, unida √† sua habilidade de r√©tor, os dons de especula√ß√£o filos√≥fica e a experi√™ncia m√≠stica do Nisseno imprimiram uma marca indel√©vel na hist√≥ria do desenvolvimento da teologia. Verificar a possibilidade de explicitar seu m√©todo de fazer teologia ‚Äújuntos‚ÄĚ seria um tema que mereceria aprofundamento. Depois da morte de Bas√≠lio, que, segundo a maior parte dos pesquisadores, ocorreu em 379, o amigo e o irm√£o recolheram sua heran√ßa. Os tumultuosos acontecimentos que implicaram Greg√≥rio de Nazianzo em Constantinopla e depois no conc√≠lio que Teod√≥sio quis fosse realizado na capital em 381, n√£o impediram que esse conc√≠lio e o papel que nele desempenharam os dois Greg√≥rios representassem a vit√≥ria decisiva da teologia dos tr√™s Capad√≥cios sobre o perigo ariano.

3 Principais contribui√ß√Ķes teol√≥gicas

3.1 O fim da controvérsia ariana

A contribui√ß√£o teol√≥gica dos Capad√≥cios se situa na fase final da controv√©rsia ariana e, sem d√ļvida alguma, foi de impacto decisivo para sua cessa√ß√£o. O conc√≠lio de Niceia, com a afirma√ß√£o do termo homoousios, tinha certamente cortado pela raiz toda possibilidade de exist√™ncia da posi√ß√£o de √Ārio, mas, j√° que o termo ousia n√£o era percebido como claramente distinto de hypostasis, os bispos orientais, que desde sempre tinham sustentado uma teologia trinit√°ria tripost√°tica (ou seja: que sublinhava a distin√ß√£o das tr√™s hip√≥stases divinas) viam no termo homoousios o perigo de negar uma distin√ß√£o real entre o Pai e Filho, j√° que afirmar a mesma subst√Ęncia teria podido entender-se tamb√©m como afirmar a mesma hip√≥stase. O temor n√£o era infundado, pois em Niceia, entre os apoiadores de Atan√°sio e do homoousios, estava tamb√©m Marcelo de Ancira, cuja posi√ß√£o monarquiana radical era conhecida e por ela haveria de ser condenado pouco depois. Marcelo negava a distin√ß√£o das hip√≥stases na Trindade, pois, para ele, isso significaria afirmar tr√™s deuses distintos, e propunha uma modalidade puramente econ√īmica da distin√ß√£o entre o Pai, o Filho e o Esp√≠rito Santo, que seriam, em √ļltima an√°lise, uma s√≥ ‚Äúpessoa‚ÄĚ. A aceita√ß√£o das conclus√Ķes do conc√≠lio da parte dos bispos orientais foi obtida sob ineg√°vel press√£o de Constantino, que desejava encerrar rapidamente a quest√£o por motivos de natureza pol√≠tica e estrat√©gica, depois da ainda recente derrota de Lic√≠nio (324) e de ter-se tornado assim o √ļnico imperador. Mas uma converg√™ncia teol√≥gica n√£o foi de fato alcan√ßada, e esse fato causar√° a tens√£o interna que deflagrou imediatamente depois, levando a um vint√™nio de tumultuoso suceder-se de s√≠nodos e propostas de f√≥rmulas de f√©, j√° a partir do importante s√≠nodo de Antioquia de 341 (para essas f√≥rmulas, em KELLY, 1989).

A fase seguinte, que podemos fazer iniciar com a morte de Constantino e a divis√£o do imp√©rio entre seus filhos, viu o imperador Const√Ęncio impor, para a paz religiosa do imp√©rio ‚Äď do qual, depois da morte de seu irm√£o Constante (350) e da derrota do usurpador Magn√™ncio (353), ele se tinha tornado o √ļnico imperador ‚Äď, uma f√≥rmula de f√© que pudesse satisfazer a todas as partes, mas que na realidade resultava inaceit√°vel tanto para os bispos orientais, como, naturalmente, para os mais fi√©is a Atan√°sio, pois acolhia express√Ķes de claro sentido ariano. Os adeptos da nova f√≥rmula s√£o chamados homeusianos, do termo homoiousios, ‚Äúsemelhante‚ÄĚ ao Pai, proposta para dizer o que teriam pretendido Atan√°sio e os outros nicenos, sem usar, no entanto, o termo discutido. Por esse motivo, o termo ‚Äúsemiariano‚ÄĚ para essa posi√ß√£o √© hoje inaceit√°vel. Const√Ęncio conseguiu, contudo, obter, pela for√ßa e coer√ß√£o, a assinatura de quase todos os bispos, quer do Oriente quer do Ocidente. Isso foi obtido atrav√©s da celebra√ß√£o simult√Ęnea de dois conc√≠lios distintos, um em Sel√™ucia Is√°urica, outro em Rimini, nos quais o imperador tinha separado os orientais, mais divididos entre si, dos ocidentais, muito mais unidos na fidelidade nicena. Mas a aclama√ß√£o a imperador de Flavio Claudio Juliano (conhecido como O Ap√≥stata), por parte das legi√Ķes estacionadas na G√°lia, em 360, e a morte de Const√Ęncio no ano seguinte, frearam a consolida√ß√£o da pax religiosa sonhada por ele. Depois da morte de Juliano na luta contra os Sass√Ęnidas, em 363, coube a Valente subir ao trono da parte oriental do imp√©rio. Sendo ele simp√°tico aos arianos, o projeto foi retomado com vigor. Ficou, por√©m, dessa vez limitado s√≥ ao Oriente, uma vez que seu irm√£o Valentiniano, imperador no Ocidente que o tinha nomeado para governar a parte oriental do imp√©rio, era niceno.

Este √© o momento mais importante em que se encontram em a√ß√£o os Capad√≥cios, sobretudo Bas√≠lio. Ele teve o m√©rito de ter compreendido que, contrariamente ao que tinha pensado a corrente homeusiana, na qual se reconhecia o imperador Const√Ęncio, uma solu√ß√£o pol√≠tica a um problema teol√≥gico n√£o pode funcionar (e o mesmo se verificar√° tamb√©m um s√©culo depois com a recep√ß√£o do conc√≠lio de Calced√īnia e o fracasso do Henotikon). Ent√£o, al√©m da cuidadosa pol√≠tica eclesi√°stica de defesa da Igreja em face da hostilidade de Valente, Bas√≠lio elaborou uma solu√ß√£o que resultaria definitiva ao problema da distin√ß√£o entre ousia e hypostasis, baseando-se numa distin√ß√£o aristot√©lica entre ‚Äúousia primeira‚ÄĚ e ‚Äúousia segunda‚ÄĚ, uma que indica a subst√Ęncia em geral e a outra a subst√Ęncia individual, ou a hip√≥stase (para o caminho que levou Bas√≠lio a tal resultado, em SIMONETTI, 2006). Assim, consagrou-se a f√≥rmula trinit√°ria uma s√≥ ousia e tr√™s hip√≥stases. A outra contribui√ß√£o decisiva, sempre decorrente da pol√™mica com os arianos, foi a respeito da divindade do Esp√≠rito Santo, tema que se tornou central nas discuss√Ķes teol√≥gicas a partir, sobretudo, de 370, e sobre a qual Bas√≠lio escreveu uma obra famosa (De Spiritu Sancto), de grande interesse tamb√©m porque Bas√≠lio a√≠ apela √† lex orandi como fonte da teologia.

Uma das evolu√ß√Ķes do pensamento ariano, muito al√©m das pr√≥prias posi√ß√Ķes de √Ārio, foi a que se tornou conhecida como anomea, para a qual a diferen√ßa entre o Pai e o Verbo era absolutamente radical. Um dos representantes teol√≥gicos mais famosos dessa corrente foi sem d√ļvida Eun√īmio, bastante ativo na segunda fase da controv√©rsia ariana. Seu racionalismo teol√≥gico radical foi refutado em duas obras, uma de Bas√≠lio e outra de seu irm√£o Greg√≥rio, talvez a mais c√©lebre. Contra a teologia anomea s√£o tamb√©m os c√©lebres cinco discursos teol√≥gicos de Greg√≥rio de Nazianzo, pronunciados em 380, em Constantinopla.

3.2 Contribui√ß√Ķes para a cristologia

A subdivis√£o cl√°ssica da manual√≠stica caracteriza o s√©c. IV como o s√©culo das controv√©rsias trinit√°rias e o s√©c. V como o das controv√©rsias cristol√≥gicas. Na realidade, em nossa opini√£o, n√£o √© de fato incorreto considerar tamb√©m a quest√£o ariana como, no fundo, cristol√≥gica, enquanto se interrogava sobre a natureza divina do Verbo. E a quest√£o sobre sua encarna√ß√£o, embora, com efeito, tematizada plenamente no s√©c. V, n√£o estava ausente nos s√©culos precedentes. Sem voltar ao s√©c. III com o que se poderia chamar, em jarg√£o cinematogr√°fico, um trailer das controv√©rsias do s√©c. V, ou seja, a famosa disputa que implicou, em Antioquia, Paulo de Samosata e o sacerdote Malqui√£o (NAVASCU√ČS 2004), sem d√ļvida tamb√©m a segunda metade do s√©c. IV reconheceu a plena atualidade da quest√£o, gra√ßas √† figura de Apolin√°rio de Laodiceia, contra o qual se movimentaram as mentes teol√≥gicas mais atentas do tempo, entre as quais os Capad√≥cios (BELLINI, 1978). Num primeiro momento, Bas√≠lio tinha Apolin√°rio em boa considera√ß√£o, n√£o o conhecendo pessoalmente, mas s√≥ de fama, como sendo, entre outras coisas, um f√©rvido apoiador de Atan√°sio e do conc√≠lio de Niceia (LIENHARD, 2006). Chegou mesmo a consult√°-lo sobre algumas quest√Ķes (o epistol√°rio basiliano). Durante seu magist√©rio em Antioquia, no fim do s√©c. IV, Apolin√°rio teve entre seus alunos tamb√©m Jer√īnimo. Mas, quando sua cristologia come√ßou a ser mais bem conhecida, imediatamente n√£o s√≥ os Capad√≥cios tomaram dist√Ęncia, mas formou-se outra linha de frente teol√≥gica a favor dos dois Greg√≥rios (nesse meio tempo, Bas√≠lio j√° tinha falecido). Segundo Apolin√°rio, na encarna√ß√£o, o Verbo teria assumido o lugar (e, portanto, exercido as fun√ß√Ķes) do nous humano (no modelo tripartido cl√°ssico, nous, psychńď e sŇćma) ou da alma (no modelo bipartido anima/corpus), ambos os modelos se encontram nos seus escritos √°rio. Se deste modo, na inten√ß√£o de Apolin√°rio, que queria assim refutar arianos e sabelianos (MCCARTHY SPOERL, 1993; MCCARTHY SPOERL, 1994), a realidade da encarna√ß√£o ficava claramente afirmada, o resultado que derivava da√≠ era, por√©m, inaceit√°vel, uma vez que, se o nous, a parte que no homem especifica a humanidade, em Cristo n√£o era humano mas era o mesmo Logos, resultavam pelo menos duas consequ√™ncias absurdas: que Cristo n√£o teria sido plenamente humano e que na pr√°tica se negava a transcend√™ncia divina, reduzida a uma das ‚Äúfun√ß√Ķes‚ÄĚ humanas. Greg√≥rio de Nazianzo salientou isso com for√ßa, fazendo seu o famoso ad√°gio ‚Äúo que n√£o foi assumido pelo Verbo n√£o foi salvo‚ÄĚ. Tamb√©m Greg√≥rio de Nissa escrever√° uma obra inteira contra Apolin√°rio. Em pol√™mica, enfim, muito provavelmente com te√≥logos antioquenos (BEELEY, 2011), Greg√≥rio de Nazianzo usar√° uma c√©lebre express√£o que esclarece sua vis√£o: em Cristo, as duas naturezas n√£o s√£o allos/allos, mas allo/allo, utilizando uma distin√ß√£o permitida pela l√≠ngua grega e que na pr√°tica significa que em Cristo n√£o h√° dois sujeitos, mas duas naturezas distintas. Na resposta a Apolin√°rio, aparece um aspecto peculiar da cristologia de Greg√≥rio de Nissa, (chamada tamb√©m ‚Äúcristologia de transforma√ß√£o‚ÄĚ DALEY, 2002), que se encontra profundamente relacionada com o conceito, peculiarmente nisseno, de epektasis e com uma concep√ß√£o positiva da mudan√ßa (tropńď) (DANI√ČLOU, 1970).

3.3 A contribuição à mística

Entre os pesquisadores modernos, Jean Dani√©lou foi um dos primeiros que intu√≠ram a import√Ęncia da dimens√£o m√≠stica de Greg√≥rio de Nissa. Por muitos aspectos, Greg√≥rio foi considerado, ali√°s, o ‚Äúpai‚ÄĚ da m√≠stica crist√£, sobretudo a partir da Vida de Mois√©s e de suas Homilias sobre o C√Ęntico dos C√Ęnticos, que retomam a heran√ßa origeniana com especificidades pr√≥prias, como precisamente a ideia de progresso infinito (PAMPALONI, 2010) e a que foi chamada a m√≠stica das trevas (PONTE, 2013). O pensamento de Greg√≥rio influenciou os m√≠sticos tanto do Oriente como do Ocidente. No Oriente, para al√©m do √Ęmbito de l√≠ngua grega, deve-se mencionar a figura do m√≠stico sir√≠aco Jo√£o de Dalyatha (PUGLIESE, 2020), enquanto, no Ocidente, certamente se deve citar o nome de Guilherme de Saint-Thierry e sua influ√™ncia sobre a m√≠stica cisterciense do s√©c. XII.

3.4 Exegese

N√£o se pode deixar de acenar √† exegese desses Padres. De Bas√≠lio temos o primeiro Hexaemeron de que temos conhecimento, e representar√° um g√™nero liter√°rio de enorme sucesso, sobretudo na Idade M√©dia. A exegese do Nazianzeno e do Nisseno em geral tem muita influ√™ncia de Or√≠genes, mas sem se prestar √†s acusa√ß√Ķes de alegorismo radical. Um magn√≠fico exemplo de resposta √†s acusa√ß√Ķes de alegorismo √© dado exatamente por Greg√≥rio de Nissa, que, para responder √†s cr√≠ticas de que negava um real conte√ļdo cognoscitivo √† exegese aleg√≥rica, escreveu sua Vida de Mois√©s em duas partes. Na primeira, apresenta a vida de Mois√©s mediante uma exegese literal e, na segunda, o faz por meio da exegese espiritual, ou seja, aleg√≥rica, mostrando assim que uma n√£o exclui a outra.

4 Homens de Igreja

De quanto dissemos por ocasi√£o da descri√ß√£o do quadro em que se desenvolveu a contribui√ß√£o teol√≥gica dos Capad√≥cios emerge a dimens√£o de Bas√≠lio como homem de a√ß√£o capaz e decisivo na luta em favor da liberdade da Igreja, em oposi√ß√£o √†s manobras do imperador Valente. Nessa luta, atuam tamb√©m os dois Greg√≥rios como protagonistas ‚Äď poder√≠amos dizer ‚Äď apesar deles. Quando Valente dividiu a Capad√≥cia em duas prov√≠ncias (Capad√≥cia I, com a capital em Cesareia, e Capad√≥cia II, com a capital em Tiana) ‚Äď segundo alguns pesquisadores para redimensionar o poder de Bas√≠lio, ent√£o bispo de Cesareia e metropolita da Capad√≥cia; segundo outros simplesmente por motivos fiscais ‚Äď Bas√≠lio reagiu pronta e decididamente. Para neutralizar tal plano e a ambi√ß√£o do bispo (ariano) √āntimo de Tiana, que teria querido ter de volta os direitos de metropolita da Capad√≥cia II, Bas√≠lio defende a tese de que n√£o devia haver coincid√™ncia entre circunscri√ß√Ķes eclesi√°sticas e circunscri√ß√Ķes civis. Um conc√≠lio realizado em 372 decidiu nesse sentido (DI BERARDINO, 2006) e Bas√≠lio aproveitou para criar novas dioceses na Capad√≥cia II, nomeando bispos amigos, entre os quais o amigo Greg√≥rio, na pequena localidade de S√°sima. Greg√≥rio recusou-se a ir para l√°, provocando uma rea√ß√£o bastante dura do amigo, o que parece ter estremecido a rela√ß√£o entre eles. Enquanto seus pais viveram, Greg√≥rio permaneceu em Nazianzo, para depois dedicar-se, de 374 at√© a morte de Bas√≠lio, a uma vida retirada, como sempre tinha querido fazer. Bas√≠lio, com o mesmo m√©todo, nomeou tamb√©m seu irm√£o Greg√≥rio para a s√© de Nissa, mas as capacidades administrativas do Nisseno n√£o eram equipar√°veis √†s filos√≥ficas, e foi logo facilmente contestado e, por fim, deposto por um conc√≠lio ariano, em 376. Tamb√©m algumas de suas decis√Ķes foram fortemente criticadas por Bas√≠lio, que n√£o poupou cr√≠ticas ao irm√£o em algumas de suas cartas a outros bispos. Mais acertada foi a escolha de Anfil√≥quio, primo do Nazianzeno, para a s√© de Ic√īnio, e a rela√ß√£o com ele permanecer√° sempre de grande amizade, cordialidade e respeito, diferentemente da rela√ß√£o com seu irm√£o e o amigo Greg√≥rio, e a Anfil√≥quio dedicar√° o j√° citato tratado sobre o Esp√≠rito Santo.

Outro campo em que Bas√≠lio se empenhou com paix√£o foi o apoio a Mel√©cio, nos acontecimentos que se seguiram ao cisma de Antioquia. Procurou de todos os modos, como mostra sua correspond√™ncia com o papa D√Ęmaso, convencer o Ocidente da necessidade de unir os esfor√ßos para derrotar Valente, e que, para esse fim, era preciso o apoio dos ‚Äúocidentais‚ÄĚ (inclusive de Atan√°sio). Parte desse esfor√ßo consistiu em convencer os nicenos radicais, por meio de sua intensa atividade epistolar e de contatos, que as posi√ß√Ķes homeusianas de Mel√©cio, e a sua pr√≥pria, eram perfeitamente ortodoxas com a f√© de Niceia.

Morto Bas√≠lio em 379, os dois Greg√≥rios adquiriram luz pr√≥pria. Com a tr√°gica derrota de Adrian√≥polis contra os Godos e a morte de Valente em batalha, o imperador Graciano nomeia para o Oriente um de seus generais, Teod√≥sio, de comprovada f√© nicena. O clima pol√≠tico e religioso sofre, ent√£o, uma profunda mudan√ßa e Greg√≥rio de Nazianzo, gra√ßas √† posi√ß√£o eminente da irm√£ de Anfil√≥quio de Ic√īnio, Teod√≥sia, √© chamado em 379 a Constantinopla para reavivar a ex√≠gua minoria ortodoxa. Aceita deixar seu amado retiro em Is√°uria e se lan√ßa de novo √† miss√£o. Em Constantinopla, nenhuma igreja era concedida aos n√£o arianos, e Teod√≥sia p√Ķe √† disposi√ß√£o uma parte do seu pal√°cio para uma capela, que tomar√° o nome de An√°stasis, capela da Ressurrei√ß√£o, sobre a qual Greg√≥rio escrever√° alguns versos tocantes. Sua miss√£o n√£o resultou f√°cil e, na noite de P√°scoa de 379, houve at√© uma incurs√£o de arianos na capela, decididos a impedir que se celebrassem a√≠ os batismos e se pronunciasse o s√≠mbolo n√£o ariano. Os acontecimentos em Constantinopla se complicaram. Tendo a sede ficado vacante e considerando que Greg√≥rio n√£o tendo jamais tomado posse de S√°sima era um bispo ‚Äúlivre‚ÄĚ, foi ele escolhido para a sucess√£o na prestigiosa s√© da cidade imperial. Um usurpador chamado M√°ximo, com o apoio de Pedro, bispo de Alexandria, contestou sua elei√ß√£o, conseguindo cooptar para seu lado at√© mesmo Ambr√≥sio de Mil√£o e o papa D√Ęmaso, provocando assim uma grande amargura em Greg√≥rio. Empossado em Constantinopla, Teod√≥sio expulsou os arianos da cidade. Abriu-se ent√£o o conc√≠lio em 381. Com a morte inesperada de Mel√©cio de Antioquia, que presidia o conc√≠lio, a presid√™ncia foi oferecida a Greg√≥rio, que, por√©m, teve que sofrer os ataques dos bispos eg√≠pcios, de M√°ximo e dos delegados romanos, que o acusaram de n√£o poder ser bispo de Constantinopla por j√° ser titular de S√°sima. Greg√≥rio, em plena conson√Ęncia com seu car√°ter bastante sens√≠vel, n√£o escolhe o caminho da resist√™ncia, mas deixa tudo e vai embora, e em seu lugar √© consagrado Nect√°rio. Esse triste ep√≠logo deixar√° tra√ßos indel√©veis em Greg√≥rio, como se pode verificar em muitos de seus escritos subsequentes. Os √ļltimos anos v√™-lo-√£o finalmente bispo de Nazianzo, embora relutante, empenhado nos estudos, na pol√™mica antiapolinarista, na prega√ß√£o. Morre em 390.

O Nisseno, depois a morte de Bas√≠lio, come√ßou uma fecunda atividade na composi√ß√£o de obras, que s√≥ terminar√° com sua morte, que aconteceu depois de 394. Ele tamb√©m participou no conc√≠lio de Constantinopla e, depois que se retirou de cena seu amigo, tornou-se o mais autorizado representante da ortodoxia nicena, sendo enviado a algumas miss√Ķes que manifestam a grande autoridade, intelectual e eclesial que tinha alcan√ßado neste momento, embora n√£o todas essas miss√Ķes tenham sido conclu√≠das de modo positivo.

5 O monaquismo

Os tr√™s Capad√≥cios deixaram uma marca importante tamb√©m para o desenvolvimento do monaquismo, particularmente Bas√≠lio e sua experi√™ncia antes da ordena√ß√£o episcopal. Tal experi√™ncia, embora n√£o caiba nos c√Ęnones do monaquismo assim como o entendemos hoje, deixou, no entanto, vest√≠gios indel√©veis, sobretudo no monaquismo oriental. Bas√≠lio, voltando dos estudos no exterior, em 355, se encaminhou para uma vida crist√£ mais consciente, gra√ßas √† influ√™ncia de sua irm√£ Macrina, que sempre tinha manifestado grande inclina√ß√£o para a vida asc√©tica. A influ√™ncia da irm√£ nos √© relatada pelo Nisseno: alguns pesquisadores modernos sugerem a influ√™ncia de um asceta famoso naquele tempo, Eust√°cio de Sebaste, figura de qualquer forma importante para Bas√≠lio durante muito tempo, como detectamos por seu epistol√°rio. Empreendeu diversas viagens por regi√Ķes conhecidas pela presen√ßa de figuras que viviam certa vida que hoje chamar√≠amos mon√°stica, embora ainda carente das estruturas que atualmente associamos ao termo. Pelo fim de 357, recebeu o batismo (tamb√©m com uma profunda forma√ß√£o crist√£, o batismo naquele tempo ainda se recebia frequentemente quando adulto, como vemos no caso mais conhecido de Agostinho) e se retirou para a solid√£o numa propriedade da fam√≠lia em An√©si. De l√° enviou muitas cartas a Greg√≥rio para que se unisse a ele naquela vida. Por um certo tempo, o amigo foi a seu encontro em An√©si. Essa experi√™ncia de busca da solid√£o para estar em paz, estudar e meditar foi vivida no √Ęmbito do c√≠rculo familiar, nas suas propriedades (houve quem sugerisse um paralelo com o retiro de Cassiciacum, de Agostinho antes de seu batismo). Mais tarde, tendo passado tamb√©m um tempo com Eust√°cio de Sebaste, embora seu ascetismo fosse demasiado radical para Bas√≠lio, este, no curso do tempo, desenvolver√° uma forma de vida comum original em rela√ß√£o ao modelo anacor√©tico, cuja origem se conecta com Ant√£o do deserto, e ao cenob√≠tico, segundo o modelo de Pac√īmio. Quando era ainda presb√≠tero, cria uma verdadeira e singular pequena cidade para acolher os peregrinos, os estrangeiros e os doentes, conhecida como Basileide. Seus ensinamentos asc√©ticos s√£o evidentes, sobretudo, nas suas Regras (seja a cole√ß√£o chamada ‚Äúbreve‚ÄĚ como a ‚Äúlonga‚ÄĚ). Embora Bas√≠lio pensasse neste modo de vida para todos os crist√£os, suas Regras e seus escritos constituir√£o a base, ainda hoje s√≥lida, do monaquismo oriental, que, com exce√ß√£o do de origem estudita, pode chamar-se com raz√£o ‚Äúbasiliano‚ÄĚ.

Conclus√£o

A partir desses poucos acenos, √© poss√≠vel compreender que o estudo dos Padres Capad√≥cios nos transporta ao cora√ß√£o do s√©c. IV, com suas dificuldades e seus esplendores. N√£o √© por acaso que o s√©c. IV √© chamado de ‚Äús√©culo √°ureo‚ÄĚ da patr√≠stica. √Č o tempo da forma√ß√£o da liturgia (a Igreja oriental conhece v√°rias an√°foras atribu√≠das a Bas√≠lio), do desenvolvimento da consci√™ncia da linguagem dogm√°tica, dos primeiros conc√≠lios ecum√™nicos. Em todo este per√≠odo fecund√≠ssimo est√£o presentes os Capad√≥cios. Ocupar-se com eles, portanto, se por um lado requer um esfor√ßo em grande escala porque se deve entrar na filosofia, na hist√≥ria, na teologia, na ret√≥rica cl√°ssica e em muitos outros √Ęmbitos, por outro, representa uma porta magn√≠fica para conhecer um dos per√≠odos mais fascinantes da Antiguidade Tardia, quando o perfume do mundo cl√°ssico ainda n√£o se havia desvanecido de todo, e a a√ß√£o cultural da Igreja, em seu empenho simult√Ęneo de incultura√ß√£o e de fecunda√ß√£o, estava em um de seus per√≠odos de maior esplendor. Os estudos sobre Bas√≠lio e sobre o Nazianzeno continuam sempre vivos, mas n√£o se pode n√£o reconhecer que dos tr√™s o que mais goza de interesse cont√≠nuo por parte dos pesquisadores, e n√£o s√≥ limitado ao c√≠rculo dos especialistas em Antiguidade, √© Greg√≥rio de Nissa, gra√ßas tamb√©m ao fato de que √© um dos poucos Padres de quem temos √† disposi√ß√£o a quase totalidade das obras em edi√ß√£o cr√≠tica, Gregorii Nysseni Opera (GNO), empreendimento monumental iniciado por W. Jaeger. Outro sinal de interesse √© que dispomos de um dicion√°rio dedicado a Greg√≥rio de Nissa, o que facilita bastante a pesquisa de temas espec√≠ficos na obra do Nisseno. Por fim, contribui muito para este atual ‚Äúsucesso‚ÄĚ de Greg√≥rio, tamb√©m por parte de autores n√£o diretamente interessados no aspecto teol√≥gico de seus escritos, o lado filos√≥fico e m√≠stico, que parece responder bem a uma pesquisa/interesse que parece sempre atual na presente conjuntura hist√≥rica.

Massimo Pampaloni SJ (professor visitante da FAJE). Texto original italiano. Enviado: 30/09/2022; Aprovado: 30/11/2022; Publicado: 30/12/2022. Tradução: Francisco Taborda SJ

 Referências

 No volume de Moreschini, que, na minha opinião, continua ainda hoje a melhor introdução aos Padres Capadócios (onde é tratado também Evágrio), encontra-se uma excelente bibliografia para cada um deles; por isso remetemos a ela. Aqui indicamos somente algumas obras que citamos no verbete e alguns textos em língua portuguesa.

Principais tradu√ß√Ķes em portugu√™s

BASILIO DE CESAR√ČIA. Homilia sobre Lucas 12; Homilias sobre a origem do homem; Tratado sobre o Esp√≠rito Santo. 2.ed. S√£o Paulo: Paulus, 2005.

GREGORIO DE NISSA. A criação do homem; A alma e a ressurreição; A grande catequese. São Paulo: Paulus, 2011.

GREG√ďRIO DE NISSA. Vida de Mois√©s. Campinas (SP): CEDET, 2018. (Nota: esta edi√ß√£o usa uma tradu√ß√£o que h√° muito tempo existe na internet. N√£o tem indica√ß√£o de quem traduziu e se a tradu√ß√£o foi feita do grego ou de uma tradu√ß√£o em outra l√≠ngua).

GREG√ďRIO DE NAZIANZO. Discursos teol√≥gicos. Petr√≥polis: Vozes, 1984.

Sugest√Ķes de leitura

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