Exéquias

Sum√°rio

1 A morte faz parte da vida

2 Celebrar por ocasião da morte: uma tradição da Igreja

2.1 Rituais de exéquias da Igreja latina

2.2 Considera√ß√Ķes acerca do ritual de ex√©quias de 1969

3 Para melhor celebrar por ocasi√£o da morte: sugest√Ķes pastorais

Referências

1 A morte faz parte da vida           

Francisco de Assis conclui o c√©lebre ‚ÄúC√Ęntico das criaturas‚ÄĚ louvando a ‚Äúirm√£ morte‚ÄĚ: ‚ÄúLouvado sejas, meu Senhor, pela nossa irm√£, a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar. […] Bem-aventurados os que ela encontrar na tua sant√≠ssima vontade, porque a morte segunda n√£o lhes far√° mal‚ÄĚ. O santo de Assis foi coerente com esse motivo inusitado de louvor. Seus bi√≥grafos relatam que, no momento extremo de sua vida, ele entoou o salmo 141, juntamente com os irm√£os que o acercavam. Ali√°s, o momento da morte de s√£o Francisco foi t√£o expressivo que, at√© nossos dias, a fam√≠lia franciscana se re√ļne, a cada ano, na v√©spera de sua festa, √† noite, para celebrar o transitus do ser√°fico pai.

A morte faz parte da vida. N√£o por acaso, em diversas culturas e religi√Ķes, s√£o celebrados ritos f√ļnebres, no intento de honrar, reverenciar, agradecer, despedir-se, ‚Äúrecomendar‚ÄĚ o ente querido √† prote√ß√£o da divindade. Trata-se de uma esp√©cie de conclus√£o dos ‚Äúritos de passagem‚ÄĚ. Esses ritos abarcam est√°gios significativos da vida humana, como: o nascimento, a inf√Ęncia, a idade adulta, a inicia√ß√£o religiosa etc. Os ritos f√ļnebres evidenciam, por um lado, a despedida do defunto deste mundo terrestre e, por outro, buscam reintegr√°-lo em outro lugar, que √© o da mem√≥ria. S√£o igualmente importantes no processo de luto, pois, al√©m de ‚Äúhomenagearem‚ÄĚ o defunto, exercem um efeito restaurador nas pessoas que deles participam, ou seja: refor√ßam a comunh√£o, estreitam os la√ßos de solidariedade, de cumplicidade e de compaix√£o m√ļtuas.

Contudo, nos tempos atuais, √© percept√≠vel o paradoxo da nega√ß√£o e da banaliza√ß√£o da morte. Ao mesmo tempo que se oculta a realidade da morte, s√£o veiculadas nos meios de comunica√ß√£o not√≠cias com excessivas doses de sensacionalismo, dando-nos a impress√£o de estarmos assistindo a um aterrorizante espet√°culo. E, para agravar a situa√ß√£o, o mundo inteiro, a partir do final do ano de 2019, se viu mergulhado num oceano de tormentas, provocado pela pandemia do Sars-CoV-2. Mesmo sabendo que o isolamento social tem sido um dos meios mais seguros para conter a propaga√ß√£o do v√≠rus, igualmente se constata que essa medida preventiva provocou graves efeitos colaterais em boa parte da popula√ß√£o do planeta. A impossibilidade de as pessoas visitarem seus parentes e amigos enfermos e de celebrarem dignamente os ritos f√ļnebres, em mem√≥ria de seus entes queridos falecidos, tem causado danos irrepar√°veis em muitas pessoas.

O alto √≠ndice de patologias oriundas de um ‚Äúluto complicado‚ÄĚ, nesses tempos de pandemia, tem despertado a aten√ß√£o de psic√≥logos e psiquiatras, ‚Äúpor se tratar de uma situa√ß√£o adversa, na qual muitos est√£o perdendo muitas coisas, n√£o s√≥ pessoas, o tempo da elabora√ß√£o desse momento poder√° ser ainda mais longo e lento, e em esfera coletiva, j√° que toda a sociedade est√° sofrendo‚ÄĚ (MELO, 2020, p. 1). O c√©lebre te√≥logo portugu√™s J. Tolentino Mendon√ßa aponta as principais fases que devem ser respeitadas no trabalho de luto, nestes termos:

Precisar√≠amos primeiro chorar a nossa impossibilidade de consola√ß√£o (extraordin√°ria frase do Antigo Testamento em que S√£o Mateus recupera, para seu Evangelho, a cena da morte dos inocentes: ‚ÄúOuviu-se uma voz em Ram√°, uma lamenta√ß√£o e um grande pranto: √© Raquel que chora os seus filhos e n√£o quer ser consolada‚ÄĚ ‚Äď Mt 2,18). Precisar√≠amos depois chorar e ser consolados, em pequenos passos. E integrar ent√£o, progressivamente, a aus√™ncia numa nova compreens√£o desse mist√©rio que √© a presen√ßa dos outros na nossa vida. (MENDON√áA, 2016, p. 16-17)

√Č consenso que a pandemia tenha colocado a popula√ß√£o mundial numa enigm√°tica encruzilhada. O importante √© que se decida por um caminho por onde o trabalho de luto seja menos traum√°tico.

2 Celebrar por ocasião da morte: uma tradição da Igreja 

No √Ęmbito da f√© crist√£, a morte √© tida como coroamento de uma experi√™ncia pascal da vida. Os sacramentos de inicia√ß√£o crist√£, sobretudo o batismo, inserem a pessoa nessa experi√™ncia. Nas √°guas do batismo, se d√°, sacramentalmente, a passagem da morte √† vida, da sepultura √† ressurrei√ß√£o:

Pelo batismo, fomos sepultados juntamente com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos por meio da glória do Pai, assim também nós caminhemos em uma vida nova. Com efeito, se nos tornamos unidos a ele por uma morte semelhante à sua, seremos semelhantes a ele também pela ressurreição. (Rm 6,4-6)

A vida crist√£ consiste numa progressiva configura√ß√£o a Cristo, como bem expressa o Ap√≥stolo: ‚ÄúCristo ser√° engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Para mim, o viver √© Cristo e o morrer, lucro‚ÄĚ (Fl 1,20-21). Nesse dinamismo pascal, a morte corporal √© encarada como plenitude da vida. Uma vez incorporado √† comunidade dos que renasceram pelas √°guas batismais, o crist√£o n√£o vive mais para si mesmo, mas para aquele que o livrou das trevas e o transferiu para o reino do Filho amado (cf. Cl 1,13). Assim, momentos marcantes da vida da comunidade, como a morte de um irm√£o ou irm√£, s√£o celebrados por toda a Igreja, o corpo vivo de Cristo.

√Č sabido que os crist√£os dos primeiros s√©culos incorporaram, nas celebra√ß√Ķes lit√ļrgicas, diversos elementos da cultura dos povos da √©poca. Em outras palavras, os ritos crist√£os s√£o fruto de uma sadia ‚Äúincultura√ß√£o‚ÄĚ, ou seja, da m√ļtua fecunda√ß√£o de elementos pr√≥prios da cultura com a f√© crist√£. No caso dos ritos relacionados com a morte, costumes ‚Äúpag√£os‚ÄĚ foram adaptados pelos crist√£os, por exemplo: a) o vi√°tico (comunh√£o oferecida ao moribundo para fortalec√™-lo na ‚Äú√ļltima viagem‚ÄĚ) substitui a moeda que gregos e romanos punham na boca do defunto, para que este pudesse pagar o ‚Äúped√°gio‚ÄĚ da sua viagem para o al√©m; b) os salmos substituem as lamenta√ß√Ķes, comuns no mundo romano; c) o refrigerium (refei√ß√£o f√ļnebre ‚Äúpag√£‚ÄĚ que se realizava sobre o t√ļmulo do defunto, no terceiro, s√©timo, trig√©simo dia e no anivers√°rio depois da morte) fez com que alguns crist√£os celebrassem a eucaristia junto ao t√ļmulo de seus entes queridos. Tal pr√°tica, pouco a pouco, foi transferida para os espa√ßos das igrejas, dando origem √†s ‚Äúmissas pelos fi√©is defuntos‚ÄĚ.

2.1 Rituais de exéquias da Igreja latina

Num breve percurso, ser√£o apontadas algumas caracter√≠sticas teol√≥gico-lit√ļrgicas extra√≠das dos principais rituais de ex√©quias da Igreja latina, a saber: o ritual romano do s√©culo VII, os rituais romano-galicanos dos s√©culos VIII-IX, o ritual romano de 1614 e o ritual romano de 1969 (cf. ROUILLARD, 1993, p. 237-242).

O ritual romano do s√©culo VII √© tido como o mais antigo e, por isso, merece uma aten√ß√£o especial. Aqui, se encontra um itiner√°rio sucinto sobre os procedimentos dispensados ao moribundo, no seu leito de morte, bem como as orienta√ß√Ķes para a celebra√ß√£o das ex√©quias. Eis o texto (com tradu√ß√£o nossa) do ‚ÄúOrdin√°rio de como agir em favor dos defuntos‚ÄĚ:

1. Logo que o vejas aproximar-se da morte, o doente deverá comungar do santo sacrifício, mesmo que tenha comido naquele dia, pois a comunhão será para ele uma ajuda e defesa na ressurreição dos justos. Ela o ressuscitará.

2. Após receber a comunhão, será lida por um presbítero ou diácono a Paixão do Senhor diante do corpo de enfermo, até quando a alma sair do corpo.

3. Antes, por√©m, que a alma tenha sa√≠do do corpo, diz-se: R/. ‚ÄúSantos de Deus, socorrei-o. V/. Acolha-te Cristo‚ÄĚ. Salmo 113 (Quando o povo de Israel saiu do Egito). Ant√≠fona: ‚ÄúO coro dos anjos te acolha‚ÄĚ. O sacerdote diz a ora√ß√£o como nos sacramentos.

4. Em seguida, o corpo √© lavado e colocado no caix√£o. E depois que o corpo estiver no caix√£o, antes de sair da casa, se diz a ant√≠fona: ‚ÄúFormastes-me da terra e vestiste-me de carne, meu Redentor; ressuscitai-me no √ļltimo dia‚ÄĚ. Salmo 96 (O Senhor reinou).

5. Em seguida, o corpo √© colocado no interior da igreja. Diz-se: Ant√≠fona: ‚ÄúSenhor, ordenastes que eu nascesse‚ÄĚ. Salmo 41 (Como a cor√ßa suspira). Ant√≠fona: ‚ÄúOs anjos te levem ao para√≠so de Deus; na tua chegada, os m√°rtires te recebam, e te levem √† cidade santa de Jerusal√©m‚ÄĚ. Salmo 4 (Quando eu chamo, respondei-me!).

6. Enquanto √© levado para a sepultura: Ant√≠fona: ‚ÄúAquele que chamou a tua alma para a vida‚ÄĚ. Salmo 14 (Senhor, quem morar√°?). Ant√≠fona: ‚ÄúSenhor, que tomastes a alma do corpo, faze-a alegrar-se com vossos santos em vossa gl√≥ria‚ÄĚ. Salmo 50 (Tende piedade, √≥ meu Deus). Ant√≠fona: ‚ÄúVede, Senhor, a minha humildade e o meu sofrimento, perdoai todos os meus pecados‚ÄĚ. Salmo 24 (Senhor, meu Deus, a v√≥s elevo a minha alma). Ant√≠fona: ‚ÄúOs anjos te conduzam para o reino de Deus com gl√≥ria; os m√°rtires te recebam no vosso reino, Senhor. Da terra o moldastes e o revestistes de carne, meu Redentor, ressuscitai-o no √ļltimo dia. Salmo 50 (Tende piedade, √≥ meu Deus).

7. E quando for colocado na igreja, todos rezam por esta mesma alma sempre, sem parar, at√© que o corpo seja sepultado. Cantem salmos ou respons√≥rios, digam ora√ß√Ķes ou se fa√ßam leituras do livro de J√≥ e, quando chegar a hora das vig√≠lias, ao mesmo tempo, celebrem a vig√≠lia, digam salmos com as ant√≠fonas sem aleluia. O sacerdote, por√©m, diz a ora√ß√£o, enquanto cantam a ant√≠fona: ‚ÄúAbri-me as portas da justi√ßa e, entrando por elas, cantarei ao Senhor‚ÄĚ. Salmo 117 (Dai gra√ßas ao Senhor).

Num olhar panor√Ęmico sobre este Ordo do s√©culo VII, facilmente se percebe seu car√°ter pascal. Os salmos pascais 113 e 117 que emolduram o ritual deixam entrever que h√° uma correspond√™ncia tipol√≥gica entre as ex√©quias e o √™xodo, ou seja: ‚Äúo defunto experimenta a sua sa√≠da do Egito e o seu ingresso na terra prometida, onde √© acolhido pelos anjos e pelos santos‚ÄĚ (ROUILLARD, 1993, p. 239). Isso aparece expl√≠cito no rito descrito acima. O cortejo f√ļnebre ‚Äď da casa do defunto, passando pela igreja, at√© √† sepultura ‚Äď possui um sentido escatol√≥gico: a comunidade ‚Äúacompanha‚ÄĚ o ente querido, na ‚Äúviagem‚ÄĚ at√© sua morada definitiva, a ‚ÄúJerusal√©m celeste‚ÄĚ. Aqui, ser√£o acolhidos pelos habitantes do c√©u aqueles que ‚Äúvenceram a grande tribula√ß√£o‚ÄĚ (Ap 7,14). Enfim, no presente ritual, predomina a certeza de que o defunto entrar√° na gl√≥ria, sem maiores empecilhos.

Nos rituais romano-galicanos dos s√©culos seguintes, a eucologia muda substancialmente. A mentalidade dos povos franco-germ√Ęnicos influenciou, de forma decisiva, no conte√ļdo das ora√ß√Ķes e moni√ß√Ķes, a saber: a) os insistentes pedidos da miseric√≥rdia e do perd√£o de Deus em favor do defunto, bem como a prote√ß√£o contra todos os perigos a que ele se acha exposto, na sua ‚Äúviagem‚ÄĚ para o al√©m; b) a inseguran√ßa da parte dos fi√©is quanto ao destino eterno da pessoa que acabou de falecer; c) a eucaristia, que passa a ocupar o lugar central nos funerais, e a consequente mentalidade de ‚Äúsacrif√≠cio de propicia√ß√£o e de sufr√°gio‚ÄĚ em favor dos defuntos. S√©culos mais tarde, o reducionismo chegar√° a tal ponto de, na missa de ex√©quias, os fi√©is n√£o comungarem, a fim de reverter ao defunto os ‚Äúm√©ritos‚ÄĚ obtidos com tal celebra√ß√£o; d) a falta de clareza na rela√ß√£o entre a morte do fiel e o mist√©rio pascal de Cristo. Ali√°s, Cristo e o Esp√≠rito Santo s√£o pouco mencionados, exceto na conclus√£o trinit√°ria das ora√ß√Ķes. As ora√ß√Ķes s√£o dirigidas a Deus, mas n√£o explicitam que ele enviou seu Filho para a salva√ß√£o dos humanos. ‚ÄúEm suma, esta teologia do al√©m parece quase toda inspirada no Antigo Testamento e pouco animada pela boa nova do Evangelho. […] N√£o √© nem cristol√≥gica nem pascal‚ÄĚ (ROUILLARD, 1993, p. 241).

O ritual romano de 1614 faz parte do conjunto de livros lit√ļrgicos promulgados pela Igreja, depois do Conc√≠lio de Trento. O desenrolar dos funerais obedece ao antigo costume processional, a saber: da casa do defunto at√© √† igreja; da igreja para o cemit√©rio. Quanto √† teologia, esse ritual traz no seu bojo influ√™ncias diretas dos rituais anteriores, sobretudo daqueles advindos do imp√©rio carol√≠ngio. Tais influ√™ncias s√£o percept√≠veis nas ambiguidades ali presentes: ao lado de uma eucologia, advinda dos antigos sacrament√°rios romanos, que revela a plena confian√ßa na ressurrei√ß√£o, convive outra, que expressa a incerteza e o terror diante da morte e do ‚Äúdestino da alma‚ÄĚ. A t√≠tulo de exemplo, vale citar o respons√≥rio que segue √† ora√ß√£o do Pai-nosso:

V/. E não nos deixes cair em tentação.

R/. Mas livra-nos do mal.

V/. Da porta do inferno.

R/. Arrebata, Senhor, a sua alma…

Como se pode observar, o texto sugere que todos os defuntos correm o perigo de confundir a ‚Äúporta‚ÄĚ do inferno com a do c√©u. Ali√°s, a concep√ß√£o atemorizante da morte e da d√ļvida quanto ao destino do defunto era largamente veiculada na reflex√£o e prega√ß√£o da Igreja, cujo √°pice se deu nos s√©culos XVI e XVII. Outros impasses teol√≥gicos s√£o percept√≠veis como: a) a inexpressiva refer√™ncia ao mist√©rio pascal; b) a aus√™ncia de v√≠nculo com o sacramento do batismo; c) uma eucologia exclusiva para o defunto. Nas ora√ß√Ķes, n√£o h√° qualquer men√ß√£o aos vivos que choram a perda de seus entes queridos; e) um ritual para ser executado exclusivamente pelo clero.

A m√ļsica ritual de ex√©quias √©, igualmente, pouco pascal. A sequ√™ncia ‚ÄúDies irae‚ÄĚ e o ‚ÄúOfert√≥rio‚ÄĚ da ‚ÄúMissa de R√©quiem‚ÄĚ s√£o bons exemplos disso. Nestas duas pe√ßas musicais, dentre outros aspectos, v√™m expressos o medo do inferno, o pessimismo diante da vida e a cren√ßa generalizada de que ‚Äúpoucos se salvam‚ÄĚ. H√° quem afirme que a ant√≠fona ‚ÄúDomine Jesu Christe‚ÄĚ (Ofert√≥rio) seja o texto mais enigm√°tico ‚Äď n√£o s√≥ da liturgia de ex√©quias como de toda a liturgia romana ‚Äď, devido ao pedido para que Cristo ‚Äúliberte as almas de todos os defuntos das penas do inferno‚ÄĚ. A rigor, trata-se de algo paradoxal, pelo fato de a teologia sustentar que √© imposs√≠vel passar do inferno ao para√≠so, portanto, um conflito com o princ√≠pio lex credendi lex suplicandi (cf. SORESSI, 1947, p. 245-252).

Passados quatro s√©culos de uso desse ritual pela Igreja latina, a Congrega√ß√£o para o Culto Divino publicou, em 1969, um novo ritual de ex√©quias. A Sacrosanctum Concilium havia pedido, expressamente, que o novo ritual de ex√©quias exprimisse com mais clareza a √≠ndole pascal da morte crist√£ e que melhor correspondesse √†s condi√ß√Ķes das diversas regi√Ķes, tamb√©m com rela√ß√£o √† cor lit√ļrgica e ao rito de ex√©quias de crian√ßas (cf. SC, n. 81-82).

Esse ritual √© composto de uma introdu√ß√£o geral (Observa√ß√Ķes preliminares), em que s√£o apresentadas suas bases teol√≥gicas e pastorais e de oito cap√≠tulos, assim constitu√≠dos:

a) Vigília pelo defunto e oração quando o corpo é colocado no caixão (cap. I). Trata-se de uma celebração da Palavra de Deus, sob a presidência de um presbítero ou ministro(a) leigo(a). No momento da deposição do corpo no caixão, é previsto um breve rito constituído de salmos, leitura breve e oração conclusiva.

b) Primeiro tipo de ex√©quias: celebra√ß√Ķes na casa do defunto, na igreja e no cemit√©rio (cap. II). Aqui, conserva-se a tradi√ß√£o dos antigos rituais, com duas prociss√Ķes, interligando tr√™s esta√ß√Ķes, a saber: da casa do defunto at√© √† igreja, e desta ao cemit√©rio. Nesses tr√™s locais, est√£o previstas ora√ß√Ķes, salmos, respons√≥rios etc., e a eucaristia (na igreja).

c) Segundo tipo de ex√©quias: celebra√ß√Ķes na capela do cemit√©rio e junto √† sepultura (cap. III). Aqui, o ritual n√£o prev√™ a celebra√ß√£o da eucaristia. Na capela do cemit√©rio, celebra-se uma liturgia da Palavra de Deus, seguida da ‚Äúencomenda√ß√£o e despedida‚ÄĚ. Junto √† sepultura, rezam-se as ora√ß√Ķes indicadas e canta-se algum ‚Äúcanto apropriado‚ÄĚ.

d) Terceiro tipo de ex√©quias: celebra√ß√Ķes na casa do defunto (cap. IV). Esta terceira possibilidade de celebra√ß√£o √© similar √† da ‚ÄúVig√≠lia‚ÄĚ (cap. I), seguida da ‚Äúencomenda√ß√£o e despedida‚ÄĚ.

e) Ex√©quias para crian√ßas (cap. V). Para este tipo de ex√©quias, h√° textos pr√≥prios (ora√ß√Ķes e leituras b√≠blicas), al√©m da recomenda√ß√£o de que a cor lit√ļrgica seja ‚Äúfestiva e pascal‚ÄĚ.

f) Textos diversos: para exéquias de adultos (cap. VI), exéquias de crianças batizadas (cap. VII), exéquias de crianças não batizadas (cap. VIII).

2.2 Considera√ß√Ķes acerca do ritual de ex√©quias de 1969

Sem sombra de d√ļvidas, o novo ritual de ex√©quias constitui um expressivo avan√ßo frente ao antigo. A t√≠tulo de exemplo, podem-se destacar os seguintes pontos:

a) O restabelecimento da perspectiva pascal e eclesial. Essa perspectiva constitui o fio condutor de todo o ritual. J√° no in√≠cio das ‚ÄúObserva√ß√Ķes preliminares‚ÄĚ, lemos:

A Igreja celebra com profunda esperan√ßa o mist√©rio pascal de Cristo nas ex√©quias de seus filhos, para que eles, incorporados pelo batismo a Cristo defunto e ressuscitado, passem com ele da morte √† vida. […] Por isso a santa M√£e Igreja oferece o sacrif√≠cio eucar√≠stico da P√°scoa de Cristo e eleva a Deus suas ora√ß√Ķes e sufr√°gios pela salva√ß√£o de seus defuntos, para que, pela comunh√£o existente entre os membros de Cristo, o que para um serve de sufr√°gio a outros sirva de consolo e esperan√ßa. (n. 1)

Vê-se, com clareza, a íntima relação entre as exéquias e os sacramentos primordiais: o batismo e a eucaristia. Pode-se afirmar, igualmente, que a celebração das exéquias constitui o arremate de uma vida tecida no seio da comunidade eclesial e alimentada pelos sacramentos.

b) Uma eucologia mais abrangente. Vale destacar nas ora√ß√Ķes e nos pref√°cios a presen√ßa de diversos ‚Äútemas‚ÄĚ pouco explicitados no ritual tridentino, como: a esperan√ßa e a certeza da ressurrei√ß√£o, vinculadas √† P√°scoa de Cristo; o perd√£o e a miseric√≥rdia divina; o valor escatol√≥gico da eucaristia, definida como ‚Äúvi√°tico na peregrina√ß√£o terrena‚ÄĚ e ‚Äúpenhor da p√°scoa eterna do c√©u‚ÄĚ; a profiss√£o de f√© na vit√≥ria pascal de Cristo; maior aten√ß√£o aos enlutados etc.

c) Um amplo lecion√°rio. Assim como os demais livros lit√ļrgicos, elaborados p√≥s-Conc√≠lio Vaticano II, o ritual de ex√©quias traz um rico lecion√°rio. As ‚ÄúObserva√ß√Ķes preliminares‚ÄĚ apontam as raz√Ķes para tal, nestes termos:

Em todas as celebra√ß√Ķes pelos defuntos, tanto nas ex√©quias como nas outras, d√°-se muita import√Ęncia √† liturgia da Palavra de Deus. Estas leituras proclamam o mist√©rio pascal, despertam a esperan√ßa de um novo encontro no Reino de Deus, ensinam-nos uma atitude crist√£ para com os mortos e nos exortam a dar, por toda parte, o testemunho de uma vida crist√£. (n. 11)

O lecion√°rio contempla um significativo acervo de leituras do Antigo e do Novo Testamento. Os textos v√™m apresentados na ordem em que s√£o proclamados na a√ß√£o lit√ļrgica (primeira leitura ‚Äď salmo responsorial ‚Äď segunda leitura ‚Äď aclama√ß√£o ao evangelho ‚Äď evangelho), e v√™m distribu√≠dos em tr√™s se√ß√Ķes: ‚ÄúEx√©quias de adultos‚ÄĚ, ‚ÄúEx√©quias de crian√ßas batizadas‚ÄĚ e ‚ÄúEx√©quias de crian√ßas n√£o batizadas‚ÄĚ.

d) A amplia√ß√£o do acervo de salmos. O novo ritual resgata um expressivo repert√≥rio de salmos que remontam √† antiga tradi√ß√£o de celebra√ß√Ķes exequiais, sobretudo aqueles de conte√ļdo pascal e de confian√ßa. Afinal, a linguagem po√©tica, expressa nos diversos g√™neros dos salmos, propicia √† comunidade de f√© solidarizar-se com quem est√° enfermo, aflito, inseguro, abandonado etc.: ‚ÄúNa minha ang√ļstia eu clamei pelo Senhor, e o Senhor me atendeu e libertou! O Senhor severamente me provou, mas n√£o me abandonou √†s m√£os da morte‚ÄĚ (Sl 118/117, 5.18).

e) A revis√£o das ex√©quias de crian√ßas. O novo ritual contemplou o pedido da Sacrosanctum Concilium para que fossem revisadas as ex√©quias de crian√ßas, incluindo a cria√ß√£o de formul√°rio para uma ‚Äúmissa pr√≥pria‚ÄĚ (cf. SC n. 82). Tamb√©m foram elaborados textos para ex√©quias de crian√ßas n√£o batizadas, ou seja, daquelas cujos pais desejavam t√™-las batizadas, mas foram impedidos pela morte precoce. Uma caracter√≠stica da eucologia dessas celebra√ß√Ķes √© o fato de se confiar a crian√ßa (n√£o batizada) √† miseric√≥rdia divina, sem fazer men√ß√£o ao seu ingresso na gl√≥ria celeste; pede-se sobretudo pelos seus pais. Por tr√°s dessa ‚Äúomiss√£o‚ÄĚ, se esconde a controvertida quest√£o referente √† sorte das crian√ßas que morrem sem batismo. Vale recordar que, na ocasi√£o em que tais ora√ß√Ķes foram redigidas, predominava a doutrina comum de que as ‚Äúalmas‚ÄĚ das crian√ßas n√£o batizadas estavam impossibilitadas de desfrutar da ‚Äúvis√£o beat√≠fica‚ÄĚ de Deus. Essa quest√£o foi discutida, quatro d√©cadas depois, pela Comiss√£o Teol√≥gica Internacional. Em 2007, o papa Bento XVI aprovou e autorizou a publica√ß√£o do documento ‚ÄúA esperan√ßa da salva√ß√£o para as crian√ßas que morrem sem batismo‚ÄĚ, elaborado pela referida Comiss√£o. O estudo chega √† seguinte conclus√£o:

A nossa conclus√£o √© que os muitos fatores que antes consideramos oferecem s√©rias raz√Ķes teol√≥gicas e lit√ļrgicas para esperar que as crian√ßas que morrem sem batismo ser√£o salvas e poder√£o gozar da vis√£o beat√≠fica. Sublinhamos que se trata, aqui, de raz√Ķes de esperan√ßa na ora√ß√£o mais do que de conhecimento certo. Existem muitas coisas que simplesmente n√£o foram reveladas (cf. Jo 16,12). Vivemos na f√© e na esperan√ßa no Deus de miseric√≥rdia e de amor que nos foi revelado em Cristo, e o Esp√≠rito nos impele a orar em gratid√£o e alegria constantes (cf. 1Ts 5,18).

O que nos foi revelado √© que o caminho ordin√°rio de salva√ß√£o passa atrav√©s do sacramento do batismo. Nenhuma das considera√ß√Ķes expostas anteriormente pode ser adotada para minimizar a necessidade do batismo, nem para retardar a sua administra√ß√£o. Ainda mais, como queremos, aqui, reafirmar em conclus√£o, existem fortes raz√Ķes para esperar que Deus salvar√° essas crian√ßas, j√° que n√£o se pode fazer por elas o que se teria desejado fazer, isto √©, batiz√°-las na f√© e na vida da Igreja. (CTI, 2008, n. 102-103)

O ritual de ex√©quias de 1969 inova tamb√©m em outros aspectos, como: a admiss√£o √† crema√ß√£o (n. 15); o ministro das ex√©quias, excetuando a eucaristia, pode ser um leigo (n. 19); a sensibilidade ecum√™nica da parte de quem prepara e preside as ex√©quias, uma vez que √© comum nos vel√≥rios a presen√ßa de pessoas de outros credos ou mesmo sem nenhuma pr√°tica religiosa (n. 18); a possibilidade de adapta√ß√Ķes do ritual, pelas confer√™ncias episcopais (n. 21-22) etc.

Rematando estas considera√ß√Ķes acerca do ritual de ex√©quias de 1969, √© pertinente tamb√©m apontar seus limites, como a exist√™ncia de vest√≠gios de uma escatologia dualista (corpo x alma) e a n√£o adapta√ß√£o do ritual da parte da maioria das confer√™ncias episcopais. Estas e outras arestas poder√£o ser aplainadas, √† medida que as igrejas se empenharem na elabora√ß√£o de rituais que, al√©m de uma boa teologia, levem em conta a realidade cultural das comunidades de f√©.

3 Para melhor celebrar por ocasi√£o da morte: sugest√Ķes pastorais

Como foi dito no in√≠cio deste texto, a Igreja, em sua solicitude pastoral, sempre buscou encorajar e consolar seus filhos e filhas no momento extremo da exist√™ncia, preparando-os para o √ļltimo e decisivo combate espiritual, travado entre a vida e a morte. Bons exemplos disso s√£o o rito da ‚Äúencomenda√ß√£o da alma‚ÄĚ (1614) e o da ‚Äúencomenda√ß√£o dos agonizantes‚ÄĚ (1969). Tais ritos ‚Äď compostos de ora√ß√Ķes, breves per√≠copes b√≠blicas, jaculat√≥rias, responsos etc. ‚Äď s√£o realizados junto ao moribundo no seu leito de morte. Uma vez acontecido o desenlace, celebram-se as ex√©quias.

Ao celebrar a ‚Äúp√°scoa‚ÄĚ de seus filhos e filhas, a Igreja continua sua nobre miss√£o de consolar e confortar os enlutados, como bem exorta o Ap√≥stolo: ‚ÄúSe cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos igualmente que Deus, por meio de Jesus, reunir√° consigo os que adormeceram. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras‚ÄĚ (1Ts 4,14.18). Nessa esteira de long√≠nqua tradi√ß√£o, √© urgente que a Igreja crie meios eficazes para a sedimenta√ß√£o de uma ‚Äúpastoral da esperan√ßa‚ÄĚ, que sirva de contraponto ao paradoxal fen√īmeno de camuflagem e/ou banaliza√ß√£o da morte, t√≠pico da sociedade hodierna.

Para maior efic√°cia dessa ‚Äúpastoral da esperan√ßa‚ÄĚ, dentre outras coisas, deve-se levar em conta:

a) Uma a√ß√£o conjunta com a ‚Äúpastoral da sa√ļde‚ÄĚ. O conforto espiritual dispensado ao enfermo, bem como √†s pessoas da fam√≠lia e a todos aqueles que se ocupam dos doentes, constitui um verdadeiro minist√©rio da consola√ß√£o. Esse ‚Äúminist√©rio‚ÄĚ tende a se potencializar na vida das pessoas, sobretudo quando estas t√™m de enfrentar a dor da morte do ente querido e o consequente trabalho de luto.

b) Uma adequada forma√ß√£o para agentes da ‚Äúpastoral da esperan√ßa‚ÄĚ. A celebra√ß√£o das ex√©quias e a consequente assist√™ncia espiritual √†s fam√≠lias enlutadas requerem cuidadosa prepara√ß√£o. Trata-se de um aprendizado que privilegiar√° a escuta da pessoa que sofre. Sem a cultura da escuta, torna-se imposs√≠vel a abertura do canal da consola√ß√£o.

Escutar significa dar a palavra, dar tempo e espaço ao outro, acolhê-lo também naquilo que ele recusa de si, dar-lhe direito de ser quem ele é e de sentir aquilo que sente e fornecer-lhe a possibilidade de se exprimir. Escutar é ato que humaniza o homem e que suscita a humanidade do outro. (MANICARDI, 2017, p. 15)

Nas ex√©quias e nas celebra√ß√Ķes de apoio √†s fam√≠lias enlutadas, a escuta tem espa√ßo privilegiado no momento da ‚Äúrecorda√ß√£o da vida‚ÄĚ. Aqui, as pessoas s√£o convidadas a expressar seus sentimentos e fazer a mem√≥ria da ‚Äúpassagem‚ÄĚ do ente querido, √† luz do mist√©rio pascal de Cristo. Fatos, palavras e a√ß√Ķes do(a) defunto(a) se convertem num verdadeiro ‚Äútestamento‚ÄĚ a ser cumprido por todos. Igualmente, a escuta da Palavra de Deus e sua vincula√ß√£o com o que foi dito na ‚Äúrecorda√ß√£o da vida‚ÄĚ se converter√£o em substancioso alimento para a vida e rem√©dio eficaz no combate da tristeza e da dor da separa√ß√£o.

Outros conte√ļdos estudados, ao longo do processo formativo, dever√£o corroborar tal ‚Äúescuta‚ÄĚ.

c) A cria√ß√£o de roteiros exequiais adaptados √†s necessidades pastorais de cada regi√£o. O ritual de ex√©quias de 1969 deixa ampla margem para que as confer√™ncias episcopais fa√ßam adapta√ß√Ķes, conforme as necessidades pastorais de cada regi√£o (cf. n. 21-22). Infelizmente, a grande maioria das confer√™ncias episcopais optou pela simples tradu√ß√£o do ritual. O liturgista Greg√≥rio Lutz ‚Äď de saudosa mem√≥ria ‚Äď, enquanto tecia considera√ß√Ķes sobre um novo ritual de ex√©quias para o Brasil, lamentou o fato de o ritual de 1969 ter sido apenas traduzido, sem qualquer adapta√ß√£o, nestes termos:

√Č verdade que ele exprime a f√© aut√™ntica crist√£ com respeito √† morte, mas esta f√© √© expressa numa linguagem que, aqui, dificilmente se entende. √Č por isso que este novo ritual n√£o foi t√£o bem aceito como o teria sido um ritual adaptado, eventualmente com sugest√Ķes diferentes para as regi√Ķes com as tradi√ß√Ķes pr√≥prias e para ambientes diversificados. (LUTZ, 1998, p. 33)

Essa opini√£o de Lutz pode ser aplicada a outros pa√≠ses da Am√©rica Latina. No caso do Brasil, o que tem acontecido, na pr√°tica, s√£o publica√ß√Ķes de subs√≠dios alternativos para celebra√ß√Ķes exequiais que s√£o adotadas em par√≥quias e dioceses. A t√≠tulo de exemplo, pode-se destacar: ‚ÄúNossa P√°scoa: subs√≠dios para a celebra√ß√£o da esperan√ßa‚ÄĚ e ‚ÄúCelebrando por ocasi√£o da morte: subs√≠dio para vel√≥rio, √ļltima encomenda√ß√£o e sepultamento‚ÄĚ. O primeiro foi preparado pela Comiss√£o Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB. Este subs√≠dio √© composto de quatro cap√≠tulos e dois ap√™ndices. O primeiro cap√≠tulo cont√©m tr√™s celebra√ß√Ķes da Palavra; o segundo traz uma celebra√ß√£o para a encomenda√ß√£o; o terceiro apresenta um rito pr√≥prio para o momento em que o corpo √© depositado na sepultura; o quarto traz uma proposta para celebra√ß√Ķes relacionadas com a crema√ß√£o (uma no cremat√≥rio e outra para a deposi√ß√£o da urna com as cinzas). No ap√™ndice I, se encontra um pequeno lecion√°rio, e no ap√™ndice II, uma colet√Ęnea de cantos apropriados.

O subs√≠dio ‚ÄúCelebrando por ocasi√£o da morte: subs√≠dio para vel√≥rio, √ļltima encomenda√ß√£o e sepultamento‚ÄĚ, por sua vez, comp√Ķe-se de seis roteiros. Cada roteiro contempla uma circunst√Ęncia diferente de morte, a saber: de um membro atuante na comunidade; de uma pessoa falecida ap√≥s longa enfermidade; de um(a) jovem; de um(a) religioso(a); de algu√©m v√≠tima da viol√™ncia; de uma crian√ßa. Cada um dos roteiros √© composto de tr√™s partes: a) ‚ÄúVel√≥rio‚ÄĚ (celebra√ß√£o no formato do Of√≠cio Divino das Comunidades: chegada, abertura, recorda√ß√£o da vida, salmo, leituras b√≠blicas, medita√ß√£o, preces, louva√ß√£o); b) ‚ÄúEncomenda√ß√£o e despedida‚ÄĚ; c) ‚ÄúSepultamento / crema√ß√£o‚ÄĚ. H√°, tamb√©m, dois pequenos ritos para o momento da crema√ß√£o e da deposi√ß√£o das cinzas, bem como um ‚ÄúOf√≠cio de apoio √†s fam√≠lias enlutadas‚ÄĚ.

Em suma, o que se espera √© que as diversas igrejas encontrem a melhor forma de celebrar a p√°scoa de seus filhos e filhas e que essas celebra√ß√Ķes sejam momentos privilegiados de proclamar a f√© no ‚ÄúCristo primog√™nito dentre os defuntos‚ÄĚ (Cl 1,18).

Joaquim Fonseca, OFM.  ISTA/FAJE. Texto original em português. Enviado: 08/12/2021. Aprovado: 20/12/2021. Publicado: 30/12/2021.

Referências

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