Reformas e movimentos reformistas na Igreja na Idade Média

Sum√°rio

1 Introdução

2 O Renascimento Carolíngeo: antecedentes

2.1 Coroação de Carlos Magno e a Renovatio Imperii

2.2 A Reforma Carolíngea

3 Antecedentes à Reforma Gregoriana

3.1 A Reforma Gregoriana

4 Contestadores, hereges e ortodoxos nos século XI-XIII: Contexto

4.1 Ortodoxos

4.2 Hereges

4.2.1 Valdenses

4.2.2 C√°taros

5 Mendicantes

5.1 Franciscanos

5.2 Dominicanos

5.3 Originalidade de Francisco e Domingos

6 Referências Bibliográficas

1 Introdução

Desde sua origem, a Igreja foi marcada por momentos de crise que demandaram esfor√ßos de reforma. O conhecido ep√≠teto Ecclesia semper refomanda est sintetiza esta afirma√ß√£o. No s√©culo VIII, com a ascens√£o dos francos, e em virtude da estreita uni√£o entre os poderes, o governante toma a iniciativa da reforma. Carlos Magno √© o protagonista daquele que ficou conhecido como o renascimento carol√≠ngeo. A decad√™ncia do imp√©rio, a partir de meados do s√©culo IX, atinge tamb√©m a Igreja. A partir do s√©culo X, um anseio por renova√ß√£o, vindo de v√°rios setores, principalmente da vida mon√°stica, vai desembocar naquela que ser√° conhecida como a reforma gregoriana. Entre os s√©culos XI e XIII, leigos, cl√©rigos, ortodoxos e hereges, movidos pelas complexas transforma√ß√Ķes que marcaram a sociedade medieval, far√£o ressoar seus clamores por reformas na Igreja e na sociedade. Os mendicantes ser√£o uma resposta eficaz a esse clamor.

2 O Renascimento Carolíngio: antecedentes

Nas transforma√ß√Ķes causadas pelas invas√Ķes no Ocidente a partir do s√©culo VI, muitos bispos passaram a ser chefes polivalentes, aliando √† fun√ß√£o religiosa fun√ß√Ķes pol√≠ticas e sociais, al√©m de fazer alian√ßas com os novos ‚Äúdonos do poder‚ÄĚ. Eram os primeiros ensaios daquela que viria a ser a ‚Äúcristandade medieval‚ÄĚ (LE GOFF, 1983, p.60). O batismo de Cl√≥vis (496), marca o in√≠cio da ascens√£o dos francos no Ocidente. A Igreja vislumbrou, nessa alian√ßa, a possibilidade da cria√ß√£o do Reino de Deus na terra, inspirada na Civitas Dei de Agostinho. A atua√ß√£o de Carlos Magno (747-814), rei dos francos a partir de 768, foi marcada por uma s√©rie de reformas pol√≠ticas, culturais e religiosas, denominadas renascimento carol√≠ngeo. Tais reformas t√™m que ser entendidas √† luz desta estreita rela√ß√£o entre a Igreja de Roma e os governantes francos que, sob o cetro de Carlos, atinge seu √°pice.

O rei franco Carlomanno e o bispo Bonif√°cio, em sintonia com o bispo de Roma, Zacarias (741-752), haviam empreendido uma reforma na Igreja no reino, combatendo abusos e zelando pela reta observ√Ęncia dos preceitos crist√£os. Numa sociedade ainda muito ligada a ritos pag√£os, esperava-se do rei que, tal qual um sacerdote, zelasse pela salva√ß√£o do povo a ele confiado. Desde Pepino, o Breve, bispos e abades, com os nobres leigos, ocupavam lugar de destaque na administra√ß√£o real. Um ‚ÄúConc√≠lio Germ√Ęnico‚ÄĚ foi realizado em 742 ou 743, ‚Äúvisando a salva√ß√£o do povo de Deus‚ÄĚ. A efic√°cia dessa salva√ß√£o dependia da sintonia dos governantes com a S√© de Pedro.

2.1 Coroação de Carlos Magno e a Renovatio Imperii

O advento de Carlos Magno consolidava o longo processo de ‚Äúsubstitui√ß√£o‚ÄĚ da dinastia merov√≠ngia pela carol√≠ngia, mas seu horizonte de atua√ß√£o era a restaura√ß√£o do Imp√©rio no Ocidente. Para isso, era fundamental a alian√ßa do trono com o altar. Sua coroa√ß√£o em Roma como ‚Äúrei dos romanos‚ÄĚ, pelo papa Le√£o III, na noite de natal de 800, simbolizava o renascimento do antigo Imp√©rio. A coroa√ß√£o tinha a forma de uma consagra√ß√£o episcopal. Ungido com o mesmo ‚Äú√≥leo sagrado‚ÄĚ que, segundo a tradi√ß√£o, ungira Cl√≥vis, Carlos considerava-se um novo Constantino e o seu seria o novo Imp√©rio Romano. Diante dos protestos dos orientais, cujo trono no ano 800 era ocupado por uma mulher, os sucessores de Carlos v√£o reivindicar para o imp√©rio carol√≠ngio ‚Äúa plena legitimidade de proclamar-se imp√©rio romano, baseando-se no conceito da translatio do poder imperial dos Romanos aos Francos‚ÄĚ (GASPARRI, SALVO & SIMONI, 1992, p.378). Na concep√ß√£o carol√≠ngia de poder, Igreja e Estado n√£o eram realidades separadas. Agindo como chefe do reino e da Igreja, Carlos sentia-se, de fato, rei e sacerdote, Vig√°rio de Cristo tal como o Papa. Nas assembleias do reino, autoridades civis e religiosas discutiam assuntos pol√≠ticos e eclesi√°sticos. As resolu√ß√Ķes sobre a liturgia, a moral, educa√ß√£o e disciplina do clero, nomea√ß√£o de bispos e abades eram transformadas em leis do imp√©rio.

2.2 A Reforma Carolíngea

Carlos continuou o projeto de Pepino, mas foi al√©m, ao conceber um plano que iria remodelar a cultura, a religi√£o e os saberes. Para isso, contou com os maiores expoentes da cultura do Ocidente. O pal√°cio em Aquisgrana tornou-se a sede do saber carol√≠ngio e dos ‚Äús√°bios palatinos‚ÄĚ, poetas, escritores, cientistas, historiadores, homens c√©lebres pelo seu conhecimento e intelig√™ncia, nas mais variadas √°reas: Paulo Di√°cono, o leigo Eginardo, Teodolfo de √ďrleans, Pedro de Pisa, eram alguns destes homens. O ingl√™s Alcu√≠no, monge de York, um dos homens mais cultos de seu tempo, colocado √† frente da escola palatina, tornou-se o principal mentor da reforma (GARCIA-VILLOSLADA, 1986, p.262-8).

Em 789, com a Admonitio Generalis, conjunto de normas elaboradas por Alcu√≠no em vista da reforma, Carlos ordena a abertura de escolas em todo o reino, nos mosteiros, bispados e nas zonas rurais. O objetivo das reformas era, a princ√≠pio, preparar os pastores para que pudessem bem instruir o povo, mas tamb√©m para benef√≠cio da nobreza carol√≠ngia, formada nessas escolas. Os cl√©rigos deveriam aprender o latim, para celebrar corretamente a liturgia; deveriam saber de mem√≥ria ao menos o Credo e o Pai-Nosso, deveriam entender as ora√ß√Ķes da missa e os salmos, saber ‚Äúler‚ÄĚ as homilias e algumas partes das Escrituras. Aqueles que n√£o se mostrassem suficientemente instru√≠dos seriam depostos. O clero deveria ser instru√≠do, mas tamb√©m virtuoso: que fossem celibat√°rios, n√£o participassem de ca√ßadas ou guerras (GATTO, 1995, p.153-6.) Numa carta dirigida ao abade de Fulda, Carlos afirmava que recebia dos monges cartas cheias de devo√ß√£o, mas ‚Äúnum estilo grosseiro e cheias de erros, por causa da sua neglig√™ncia para instruir-se‚ÄĚ. Afirmava tamb√©m que precisava de homens que tivessem ao mesmo tempo ‚Äúvontade e poder de se instruir e a vontade de instruir os outros. N√≥s desejamos que v√≥s sejais, como conv√©m aos soldados da Igreja, primeiro devotos e depois s√°bios‚ÄĚ (Pedrero-S√°nchez, 1999, p.170-1).

Alcu√≠no elaborou um curr√≠culo para as escolas dos mosteiros e catedrais, propondo o estudo das artes liberais como proped√™utico ao estudo da B√≠blia. A ileg√≠vel escrita merov√≠ngia foi substitu√≠da pela min√ļscula carol√≠ngia. Os mosteiros transformaram-se em importantes centros de cultura. Al√©m do ensino, nos scriptoria eram copiados c√≥dices antigos, com miniaturas e iluminuras. Carlos tamb√©m incentivou a ado√ß√£o da Regra de S√£o Bento para os monges, e a vida can√īnica para os sacerdotes seculares. A liturgia romana tornou-se a refer√™ncia para as celebra√ß√Ķes no reino. Carlos conseguiu do papa Adriano (772-795) um sacrament√°rio gregoriano como modelo para a liturgia. Seus melhores cantores foram enviados √† capela papal, em Roma, para aprenderem o canto gregoriano, e difundi-lo no reino.

Em rela√ß√£o aos fi√©is, exigia-se o pagamento do d√≠zimo, a frequ√™ncia √† missa dominical, o repouso dominical, a frequ√™ncia aos sacramentos, principalmente a Eucaristia em algumas √©pocas do ano. Isso exigiu uma melhor organiza√ß√£o das par√≥quias e dioceses. Peregrina√ß√Ķes, culto √†s rel√≠quias e aos santos aos poucos foram sendo incrementadas. O esp√≠rito de reforma vai influenciar tamb√©m a pintura, a arquitetura, as artes decorativas. A catedral de Aquisgrana √© um testemunho do alto esp√≠rito art√≠stico que marcou esse per√≠odo.

O renascimento carol√≠ngio marca o √°pice na aproxima√ß√£o entre a Igreja de Roma e os soberanos francos. Carlos Magno vai sintetizar o modelo do rei-sacerdote. As reformas ser√£o continuadas por seu sucessor, Lu√≠s, o Piedoso, estendendo por todo o Ocidente um renovamento cultural baseado na mentalidade crist√£. O surgimento das Universidades, a melhora no n√≠vel intelectual e moral do clero e religiosos, a preserva√ß√£o do rico patrim√īnio liter√°rio do mundo greco-romano, ser√£o alguns dos frutos deste renascimento. A partir do s√©culo XI uma nova consci√™ncia acerca da natureza e identidade da Igreja, diferente dos poderes temporais, come√ßa a surgir e a ganhar terreno, principalmente nos mosteiros, dando origem √†quela que ser√° conhecida como a reforma gregoriana.

3 Antecedentes à Reforma Gregoriana

A express√£o ‚Äúreforma gregoriana‚ÄĚ, que deve seu nome ao papa Greg√≥rio VII (1073-1085), tornou-se, a partir de meados do s√©culo XX, objeto de uma verdadeira ‚Äúrevis√£o historiogr√°fica‚ÄĚ, tal a riqueza de nuances que este per√≠odo hist√≥rico oferece ao estudioso (Rust, Silva & FRAZ√ÉO, 2009, p.135-52; RUST, 2014). Turbul√™ncias pol√≠ticas, invas√Ķes e novas demandas sociais marcaram o Ocidente a partir de meados do s√©culo IX. Em 962, a coroa√ß√£o do imperador Ot√£o I pelo papa traz um novo impulso √†s institui√ß√Ķes pol√≠ticas e eclesi√°sticas, √†s atividades intelectuais e culturais, a ponto de esse per√≠odo ser denominado de ‚Äúnovo renascimento‚ÄĚ (Verger, 1997, p.13-26; LE GOFF, 1983, p.53).

Com o advento de Ot√£o, a alian√ßa entre o poder pol√≠tico e o clero se fortalece. O soberano tinha o direito de investir os cl√©rigos e conceder-lhe benef√≠cios. N√£o se tratava de uma ordena√ß√£o sacerdotal, mas o imperador, atrav√©s da ‚Äúinvestidura‚ÄĚ, conferia ao eleito o cargo civil e religioso, simbolizados pela entrega do anel e do b√°culo. No fim do s√©culo X, os bispos-condes e abades gozavam de imenso poder, verdadeiros senhores feudais, cujo cargo n√£o era conferido pelos dotes morais, mas somente pela fidelidade ao soberano. Isto dava origem a abusos. Os problemas mais graves eram o nicola√≠smo (clero casado ou em concubinato, com filhos), e a simonia, quando bispados, mosteiros e abadias (os benef√≠cios eclesi√°sticos), eram concedidos mediante pagamento. Em Roma, a situa√ß√£o n√£o era muito diferente, com nobres romanos disputando com viol√™ncia a S√© de Pedro.

No século XI, sinais de contestação a esse modelo político eclesiástico começam a surgir. Os mosteiros, por sofrerem menos as investidas do poder temporal, são o meio privilegiado onde se reflete sobre a necessidade de reforma. Cluny (910), Brogne (929), Gorze (933), são apenas alguns destes mosteiros, que primavam pela severa disciplina e a seriedade no seguimento da Regra de São Bento e que, com excelentes abades, tiveram efeitos benéficos sobre toda a Igreja. Gregório VII (1073-1085), principal nome da reforma gregoriana, era próximo dos cluniacenses. Urbano II (1088-1099), um dos maiores papas medievais, saiu das fileiras de Cluny. Pedro, o Venerável, e o monge e cardeal Humberto, conselheiros dos papas, eram monges cluniacenses.

Aos poucos foi crescendo a percep√ß√£o de que simonia, nicola√≠smo e investiduras leigas eram quest√Ķes intr√≠nsecamente conexas, condicionando e limitando a atua√ß√£o da Igreja, desfigurando assim sua verdadeira fisionomia. Antes da irrup√ß√£o de Greg√≥rio VII, v√°rios bispos e papas atuaram no combate a esses males.¬† Cercando-se de colaboradores entusiastas da reforma, convocavam s√≠nodos, visitavam as dioceses, onde defendiam a autonomia e a liberdade da Igreja.

3.1 O Cisma de 1054

O per√≠odo da Reforma Gregoriana √© marcado tamb√©m pela cis√£o entre a Igreja do Oriente e do Ocidente, conhecida como o Cisma de 1054. Com o advento de Miguel Celur√°rio como Patriarca de Constantinopla (1043-1054), e com as reformas no Ocidente, principalmente em rela√ß√£o ao celibato, as diferen√ßas entre latinos e gregos, latentes desde o s√©culo VIII, se acentuaram. Ap√≥s medidas repressoras contra os crist√£os latinos por parte de Miguel, incluindo o fechamento de igrejas, o cardeal Humberto da Silva C√Ęndida elaborou o op√ļsculo Adversus graecorum calumnias, assinado pelo papa Le√£o IX (1049-1054). Em tom pol√™mico, o escrito defendia o Primado papal, argumentando com a Donatio Constantini, desconhecida dos gregos. A pedido do Imperador Bizantino, uma delega√ß√£o romana foi a Constantinopla para entabular um di√°logo. O cardeal Humberto, no entanto, chefe da delega√ß√£o, agiu mais como juiz do que como portador da paz. Seu tom duro e amea√ßador fez com que Miguel Celur√°rio se recusasse a participar das discuss√Ķes. Depois de alguns meses, Humberto e os demais, tendo recebido a not√≠cia da morte de Le√£o IX, antes de partir, no dia 16 de julho de 1054, depositaram no altar da igreja de Santa Sofia uma bula de excomunh√£o contra o Patriarca e seus seguidores. Esse, por sua vez, convocou um S√≠nodo para a mesma igreja, e no dia 24 de julho tamb√©m excomungou o cardeal Humberto e os demais delegados, queimando a bula. Embora as diferen√ßas dogm√°ticas e disciplinares fossem s√©rias, o tr√°gico desfecho foi tamb√©m resultado ¬†de um longo processo de distanciamento cultural, al√©m do esp√≠rito intransigente dos dois principais protagonistas.

3.2 A Reforma Gregoriana

Em 1049, um s√≠nodo na cidade de Reims, promovido pelo papa Le√£o IX (1049-1054) condenava duramente a investidura leiga. Em 1059, Humberto da Silva C√Ęndida na obra Adversus Simoniacos, tamb√©m negava aos reis o direito de investidura. Aos poucos se impunha um novo conceito na rela√ß√£o entre a Igreja e o imp√©rio, que indicava para uma nova defini√ß√£o do pr√≥prio conceito de Igreja, de separa√ß√£o entre a sacralidade do clero e a secularidade dos leigos. Esses √ļltimos deveriam ser exclu√≠dos de qualquer interven√ß√£o direta na esfera eclesi√°stica. Na verdade, esta concep√ß√£o fundava-se na ideia de que o Sumo Pont√≠fice deveria estar no topo da sociedade, e n√£o o imperador.

Logo que assumiu, Greg√≥rio VII reafirmou as medidas de reforma. Seu Dictatus Papae, verdadeiro libelo reformador, deixava clara sua concep√ß√£o sobre a natureza da Igreja: o papa, enquanto m√°xima autoridade, podia depor o imperador, atrav√©s da excomunh√£o. Podia tamb√©m desligar os s√ļditos de seu juramento de fidelidade a um soberano injusto (Pedrero-S√°nchez, 1999, p.128-9).

Em 1075, Henrique IV (1050-1106), antes de ser coroado imperador, nomeara o bispo para a sede de Mil√£o, embora esta n√£o estivesse vacante. Amea√ßado de excomunh√£o, Henrique reagiu, nomeando outros tr√™s bispos, e declarou que Greg√≥rio, ‚Äúfalso monge‚ÄĚ, estava deposto. Greg√≥rio o excomungou. Sucederam-se duros libelos de ambas as partes. Os vassalos de Henrique, aproveitando da situa√ß√£o, abandonaram-no. Isolado, o rei dirigiu-se a Canossa, onde encontrava-se o papa, em viagem √† Alemanha. Ali, em 1077, depois de penitenciar-se, pediu e recebeu o perd√£o papal. De volta √† Alemanha, acalmados os √Ęnimos, Henrique convocou um conc√≠lio em 1080, onde reafirmou as prerrogativas imperiais em rela√ß√£o √†s investiduras leigas, e nomeou o antipapa, Guilberto, arcebispo de Ravena (Clemente III – 1080-1100). Em seguida, invadiu Roma. Greg√≥rio VII refugiou-se em Salerno, onde morreu em 1085.

A pol√™mica ocupou os canonistas, que buscavam solu√ß√Ķes ao impasse. Os sucessores de Greg√≥rio continuaram no caminho da reforma, mas foram mais realistas e abertos ao di√°logo. O papa Pascal II buscou um acordo com Henrique V, por ocasi√£o de sua coroa√ß√£o, em 1111, mas o futuro imperador encarcerou o papa e alguns cardeais, e conseguiu arrancar deles o direito de investidura com anel e b√°culo, al√©m da coroa√ß√£o. Henrique V foi excomungado, mas o caminho para a solu√ß√£o estava aberto.

A Concordata de Worms (1122) vai propor a solu√ß√£o √† controv√©rsia. Com a entrega do anel e do b√°culo, a Igreja investia o eleito nos cargos eclesi√°sticos. A nomea√ß√£o, no entato, deveria ser feita na presen√ßa do imperador ou de seu representante. Esse, por sua vez, atribu√≠a ao escolhido o poder temporal, com a entrega do cetro (Pedrero-S√°nchez, 1999, p.132). No 1¬ļ Conc√≠lio do Latr√£o, em 1123, a Concordata de Worms foi reconfirmada. A Concordata n√£o p√īs fim aos conflitos entre a Igreja e imp√©rio, mas foram colocadas as bases jur√≠dicas para a delimita√ß√£o dos poderes temporal e espiritual. Por outro lado, passou-se a identificar cada vez mais a Igreja com o clero e o papa, enquanto os poderes laicos assumiram, paulatinamente, a consci√™ncia da pr√≥pria autonomia.

4 Contestadores, hereges e ortodoxos nos séculos XI-XIII: Contexto

A partir de fins do s√©culo XI at√© meados do s√©culo XIII apareceram, por todo o Ocidente, monges, leigos, cl√©rigos, que, com um zelo e vigor renovados, propunham o retorno ao Evangelho e √† Igreja primitiva. O esfor√ßo de ‚Äúnus seguir o Cristo nu‚ÄĚ era expresso atrav√©s da vida comunit√°ria, da prega√ß√£o e pobreza volunt√°ria. ‚ÄúA ren√ļncia ao mundo, seguida pelo isolamento numa vida de ora√ß√£o, deixou de ser o √ļnico caminho para a salva√ß√£o‚ÄĚ (Bolton, 1986, p.14). Alguns destes grupos, a princ√≠pio suspeitos de heresia, conseguiram inserir-se na Igreja, renovando-a a partir de dentro. Outros, mais radicais, colocavam em xeque a doutrina, e acabaram sendo perseguidos e eliminados. A prega√ß√£o, proibida aos leigos, era o ponto principal de conflito. Um terceiro grupo defendia teses essencialmente her√©ticas, e desde o princ√≠pio foram combatidos pela Igreja. A bula Ad Abolendam, de 1184, prescrevia a excomunh√£o a ‚Äúcondes, bar√Ķes, reitores e c√īnsules, das cidades e outros lugares‚ÄĚ, que n√£o se empenhassem na repress√£o √† heresia. Suas terras seriam colocadas sob interdi√ß√£o (Merlo, 1989, p.86)

O surgimento desses movimentos deve-se a uma s√©rie de fatores, entre eles o el√£ reformador da reforma gregoriana, a urbaniza√ß√£o incipiente, o surgimento da burguesia e do com√©rcio, com maior circula√ß√£o de riqueza, e o acentuar-se dos problemas sociais, que colocava em xeque o antigo sistema feudal. No campo cultural tamb√©m h√° novo florescimento, com o surgimento das universidades e a circula√ß√£o de novas ideias, al√©m da amplia√ß√£o dos horizontes, com as peregrina√ß√Ķes e cruzadas. Jacques Verger afirma que ‚Äú√© incontest√°vel que o s√©culo XII foi, com maior ou menor precocidade e intensidade, (…) praticamente em todo o Ocidente, um tempo de muta√ß√£o e de impulso no plano cultural‚ÄĚ (VERGER, 2001, p. 17). Estes s√£o ¬†apenas alguns elementos de contexto que constitu√≠ram o terreno fecundo para o surgimento destes grupos contestat√≥rios. Some-se a isso o fato de que, em contraposi√ß√£o a um grupo de pessoas que ansiava por uma vida evang√©lica e crist√£ exemplar, havia uma Igreja poderosa, rica e mundana, incapaz de corresponder aos anseios destes setores (Falbel, 1976, p.14-5).

4.1 Ortodoxos

Entre os protagonistas da reforma encontram-se v√°rios membros do clero. Vital de Savigny (+1123), Bernardo de Tiron (1046-1117), Estev√£o de Muret (1045¬Ī-1124), Roberto de Arbrissel (1047-1117), Norberto de Xanten (1080¬Ī-1134), entre outros, tinham em comum o fato de, renunciando a uma vida c√īmoda e bem sucedida, deixarem tudo e passarem a viver uma vida austera de pobreza, ora√ß√£o e penit√™ncia. Al√©m disso, eram grandes pregadores, e atra√≠am seguidores. Apesar de conflitos com as autoridades eclesi√°sticas, continuaram na Igreja e promoveram a reforma, fundando mosteiros que se tornaram grandes centros irradiadores de espiritualidade.

Alguns movimentos de reforma de origem laical também conseguiram se inserir na Igreja. Dentre eles destacam-se os humilhados da Lombardia, do norte da Itália, divididos em três grupos: comunidade de homens, outra de mulheres, e pessoas vivendo com suas famílias. Viviam do trabalho das próprias mãos e se propunham a observar à risca os preceitos evangélicos e a pobreza voluntária. Os que viviam em comunidade deveriam observar também a castidade. Cuidavam dos doentes e pobres, e também exerciam a pregação. Condenados em 1184, recorreram a Inocêncio III e, após redigirem uma breve regra, este os aprovou em 1201.

4.2 Hereges

Na Idade Média, a linha que separa a contestação dentro dos limites da ortodoxia e a heresia é muito tênue. Alguns pregadores, no anseio da reforma, avançavam doutrinas novas e radicais, não necessariamente heréticas, mas acabavam entrando em confronto com as autoridades. Nos inícios do século XII, destaca-se o eremita Henrique de Lousanne. Convidado a pregar pelo bispo de Mans, em 1116, incitou de tal modo os ouvintes que atacaram o clero. Expulso pelo bispo, continuou a pregação itinerante. Preso em 1135, enviado a Cluny, fugiu, mas acabou preso e morreu na prisão, depois de 1145.

Pedro de Bruys foi outro pregador itinerante, que, com radicalismo e viol√™ncia, negava toda a materialidade da religi√£o, em favor de uma Igreja espiritual. Incitava seus ouvintes a atacar os sacerdotes, profanar igrejas, tirar crucifixos e queim√°-los. Em 1132, uma rea√ß√£o popular o queimou numa fogueira que ele mesmo havia aceso. Outros cl√©rigos que lideraram movimentos de contesta√ß√£o poderiam ser citados, como Tanquelmo, assassinado em 1115 por um outro sacerdote, Eon de Stela, morto na pris√£o em 1150; ou o c√īnego Arnaldo de Brescia, que pregava uma Igreja pobre e peregrina, e acabou enforcado e queimado em¬† Roma em 1155.

4.2.1 Valdenses

Por volta de 1175, ap√≥s uma crise religiosa, o pr√≥spero comerciante de Li√£o, Pedro Valdo (¬Ī1140-1217), conhecido tamb√©m como Valdo de Li√£o, conseguiu uma tradu√ß√£o dos Evangelhos e outros escritos¬† do Novo Testamento, abandonou a fam√≠lia, doou os bens aos pobres e tornou-se um pregador itinerante. Seus seguidores, conhecidos como valdenses ou os Pobres de Li√£o, viviam a pobreza, a vida em comum e a castidade. Pedro pregava o retorno ao Evangelho, mas tamb√©m criticava o clero indigno e algumas pr√°ticas da Igreja. Afirmava ainda que sua voca√ß√£o n√£o vinha da Igreja, mas do pr√≥prio Deus. Um contempor√Ęneo os descreve: ‚ÄúN√£o possuem casa pr√≥pria, caminhando em pares, com os p√©s descal√ßos, sem provis√Ķes; possuem tudo em comum, a exemplo dos ap√≥stolos, e seguem desnudos o Cristo desnudo‚ÄĚ (Falbel, 1977, p.106). Impedidos de pregar pelo bispo de Lion, recorreram a Roma, em 1179, onde se realizava o 3¬ļ Conc√≠lio do Latr√£o. O movimento foi aprovado, com a condi√ß√£o de que pedissem a autoriza√ß√£o dos bispos para pregar. Como os bispos negassem, e mesmo assim eles continuassem pregando, acabaram excomungados em 1184. A partir da√≠, o movimento assumiu contornos cada vez mais heterodoxos, com rela√ß√£o √† doutrina, com ataques mais duros contra as autoridades religiosas, e a cria√ß√£o de uma hierarquia pr√≥pria, com bispos, sacerdotes e di√°conos. Uma cis√£o no movimento ocorreu em 1210, acentuada ap√≥s a morte de Pedro, em 1217. Dois grupos reconciliaram-se com a Igreja: os Pobres Cat√≥licos, guiados por Durand de Huesca e o grupo liderado por Bernardo Prim (Bolton, 1986, p.66-70). Dos movimentos her√©ticos medievais, os valdenses foram o √ļnico que sobreviveu at√© os tempos modernos, aderindo, posteriormente, √† Reforma Protestante.

4.2.2 C√°taros

Os c√°taros (do grego katar√≥i, perfeitos) foram, desde o seu surgimento no s√©culo XI, identificados com a heresia (Falbel, 1976, p. 36-7). Eram conhecidos tamb√©m como albigenses, por sua forte presen√ßa na cidade de Albi, na Fran√ßa, e no Languedoc (THOUZELLIER, 1969). Al√©m dos elementos comuns aos demais movimentos her√©ticos, distinguiam-se por um acentuado dualismo, que os opunha radicalmente √† doutrina cat√≥lica: aceitavam s√≥ o Novo Testamento, negavam a humanidade de Cristo, negavam a Eucaristia. Eles mesmos aben√ßoavam o p√£o na ceia. Rejeitavam a evolu√ß√£o hist√≥rica da Igreja, considerando a Igreja primitiva a verdadeira Igreja. Os c√°taros tinham adeptos entre as elites senhorais e aos poucos foram ocupando importante espa√ßo na sociedade. Foram combatidos, a princ√≠pio, atrav√©s de debates p√ļblicos. S√£o Bernardo e S√£o Domingos foram os principais nomes da parte da Igreja, obtendo escasso sucesso. Foram condenados em 1184, pela bula Ad Abolendam, e em 1199, com a Vergentis in Senium. Em 1209, uma cruzada foi proclamada contra eles.

5 Os mendicantes

No contexto destes movimentos de reforma, surgiram alguns grupos que, por viverem de esmolas, foram denominados ‚Äúmendicantes‚ÄĚ. Dois destes se destacam como catalizadores de todo o anseio de renova√ß√£o expressos at√© ent√£o, tornando-se os mais importantes aliados do papado na conten√ß√£o da heresia e na difus√£o dos ideais reformadores: ‚ÄúNaquele tempo (…) no mundo que j√° envelhecia, nasceram na Igreja, cuja juventude se renova como a da √°guia, duas religi√Ķes (…) a dos Frades Menores e a dos Pregadores‚ÄĚ (TEIXEIRA, 2004, p. 1431).

5.1 Franciscanos

Filho de um rico mercador de Assis, Francisco (1181/2-1226) buscou o sucesso nas armas, mas, convertido, passou a viver a pobreza evang√©lica como penitente e pregador itinerante, e logo conseguiu adeptos. Francisco amava, sobretudo, a pobreza evang√©lica, mas a fraternidade tornou-se tamb√©m um diferencial de seu movimento: ‚ÄúE depois que o Senhor me deu irm√£os, (…) o alt√≠ssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do santo Evangelho‚ÄĚ (Teixeira, 2004, p.189). Seu modelo n√£o era a Igreja dos ap√≥stolos, mas o pr√≥prio Cristo. Por outro lado, n√£o atacava o clero e demonstrava um reverente respeito √† Igreja e √† hierarquia (BARROS, 2012, p.177). A coer√™ncia entre prega√ß√£o e vida atraiu seguidores. Nos in√≠cios de 1209, Francisco submeteu ao papa Inoc√™ncio III um programa de vida, que foi aprovado oralmente, permitindo-lhes exercer a prega√ß√£o exortativa: estava fundada a Ordem dos Frades Menores. Em 1212, a jovem Clara, de Assis, foi admitida ao grupo. As clarissas, vivendo em clausura, tornaram-se o ramo feminino do franciscanismo. Homens e mulheres, c√©libes e casados tamb√©m aderiram √† ‚Äúfraternidade‚ÄĚ, seguindo uma regra pr√≥pria. A regra definitiva dos franciscanos foi aprovada em 1223. Francisco enviou seus disc√≠pulos em miss√£o por todo o Ocidente, e surgiram os inevit√°veis problemas institucionais e disciplinares. Quando morreu, em 1226, a Ordem estava em franca expans√£o, mas os frades encontravam-se numa encruzilhada, entre manter-se fi√©is aos ideais do fundador e seus primeiros companheiros, ou assumir as miss√Ķes que a Igreja aos poucos lhes confiava. Assumindo os ‚Äúmenores‚ÄĚ posi√ß√Ķes de poder e comando, a ‚Äúsant√≠ssima pobreza‚ÄĚ inevitavelmente seria colocada em xeque. Por todo o s√©culo XIII e XIV, a Ordem vai passar por uma grande evolu√ß√£o, tornando-se um dos principais sustent√°culos da miss√£o da Igreja.

5.2 Dominicanos

Domingos de Gusm√£o (1175-1221), nobre cl√©rigo espanhol, depois de uma viagem √† Alemanha com seu bispo, Diego de Azeb√®s, ficou impressionado com o avan√ßo da heresia. No regresso √† Espanha, em 1206, admirados com a ostenta√ß√£o e o luxo exagerado dos legados papais, contrastando com a pobreza e frugalidade de vida dos hereges que tentavam, em v√£o, converter, comentaram com os legados: ‚ÄúN√£o √© este, irm√£os, a meu ver, n√£o √© este o caminho… com um espet√°culo contr√°rio edificareis pouco, destruireis muito e n√£o obtereis nada‚ÄĚ (GELABERT & MILAGRO, 1947, p.172-3) Os dois decidiram pregar em pobreza e itiner√Ęncia, na regi√£o do Languedoc, sul da Fran√ßa, famosa por ser um reduto de hereges. Em 1207, um grupo se converteu em Montreal. No mesmo ano, fundam uma comunidade em Prouille, para acolher mulheres c√°taras convertidas. Diego, por sua vez, conseguia uma importante vit√≥ria em Palmiers, com a convers√£o dos Pobres Cat√≥licos, valdenses guiados por Durand de Huesca. Ap√≥s a morte de Diego, Domingos criou uma pequena comunidade de pregadores que foi aprovada no IV Conc√≠lio do Latr√£o com o nome de Ordem dos Pregadores, seguindo a Regra de Santo Agostinho. Domingos concluiu as Constitui√ß√Ķes em 1221, acentuando a pobreza individual e em comum. Os Pregadores se dedicavam ao estudo em grandes centros universit√°rios, em vista da prega√ß√£o. A austeridade de vida e o ardor apost√≥lico atra√≠ram novos membros. Algumas comunidades femininas se juntaram √† Ordem. Quando Domingos morreu, em 1221, a Ordem estava em franco processo de expans√£o.

5.3 Originalidade de Francisco e Domingos

Domingos e Francisco conseguiram dar uma resposta ‚Äúcat√≥lica‚ÄĚ aos anseios de reforma que de toda a parte surgiam. Ao contr√°rio das ordens religiosas tradicionais, ambos mostraram uma abertura ao mundo que queriam evangelizar (LAWERENCE, 1998, p.9;¬† LITTLE, 1978, 168-9). A mobilidade era uma de suas principais caracter√≠sticas. Embora Francisco elabore uma regra original e Domingos seja obrigado a assumir a regra agostiniana, ambas as funda√ß√Ķes t√™m como alicerce o desejo de dedicar-se de corpo e alma √† salva√ß√£o dos crist√£os, atrav√©s da prega√ß√£o apost√≥lica, pobre, itinerante. Por isso, embora vivendo em comunidades, o ‚Äúmundo era o seu claustro‚ÄĚ. Diferentemente de Francisco, que demonstra reserva quanto aos estudos acad√™micos, Domingos exige de seus frades uma forma√ß√£o acad√™mica ideal, em vista da prega√ß√£o. Ainda durante a vida de Francisco, por√©m, seus frades v√£o come√ßar a inserir-se no mundo acad√™mico, e aos poucos os membros das duas Ordens v√£o estar lado a lado nas universidades, ora defendendo os mesmos ideais, ora em campos opostos, mas sempre buscando atender √†s urgentes necessidades da Igreja.

Frei Sandro Roberto da Costa, OFM. Instituto Teológico de Petrópolis, RJ. Texto original Português

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