História da Catequese no Brasil

Sum√°rio

Introdução

1 A catequese no Brasil Colonial

2 As interven√ß√Ķes de Marqu√™s de Pombal, expuls√£o dos Jesu√≠tas e suas consequ√™ncias

3 Catequese brasileira no século XIX: os bispos reformadores

4 A catequese no Brasil no período pré-conciliar

5 Do Vaticano II (1962-1965) ao final do século XX

6 A catequese a serviço da Iniciação à Vida Cristã: dimensão catecumenal

7 Um panorama fecundo de eventos e atividades catequéticas

Referências

Introdução

A história da catequese no Brasil[1], diferentemente da antiga cristandade europeia, possui pouco mais que cinco séculos. No entanto, não podemos considerá-la desligada de sua matriz. Igualmente, além de relatar a linha do tempo, dos acontecimentos e seus protagonistas, é necessário situá-la no próprio contexto cultural, político e eclesial dentro do qual se desenvolveram práticas, conceitos e tendências teológicas que subjazem aos fatos. No entanto, esse olhar sociohistórico é acompanhado da visão da fé cristã, particularmente católica.

O Diretório Nacional de Catequese (DNC), de 2006, assim se expressa:

A hist√≥ria √© lugar da caminhada de Deus com seu povo e do povo com Deus. Nela e por ela Deus se revela e manifesta o que Ele quer ensinar e o que espera da humanidade. Jesus Cristo, o Filho de Deus, encarnou-se na realidade humana e num determinado contexto hist√≥rico, que condicionou sua vida, ensinamento e miss√£o. Viveu, ensinou e nos salvou a partir da hist√≥ria e do que ela comporta. A hist√≥ria faz parte do conte√ļdo da catequese. O fiel, iniciado no mist√©rio da Salva√ß√£o, √© chamado a assumir a miss√£o de ajudar a construir a hist√≥ria hoje, segundo o Reino de Deus (DNC, 2006, n¬ļ 60).

Cam√Ķes, com a vis√£o de cristandade vigente em seu tempo, afirma nos Lus√≠adas que os portugueses se lan√ßaram aos mares buscando “dilatar a f√© e o imp√©rio” (Canto 1, estrofe 2). Entretanto, antes mesmo que na Am√©rica chegassem portugueses ou espanh√≥is, como afirmam os bispos do CELAM, em Puebla, ‚Äúo Esp√≠rito que encheu o mundo assumiu tamb√©m o que havia de bom nas culturas pr√©-colombianas. Ele pr√≥prio as ajudou a receber o Evangelho” (DP 201). Sem d√ļvida essas “Sementes do Verbo” presentes nestas culturas (DP 401, 403), foram cultivadas e incrementadas pela evangeliza√ß√£o e catequese da Igreja. De fato, como reconhecem os mesmos bispos em Santo Domingo, “as Sementes do Verbo, presentes no profundo sentido religioso das culturas pr√©-colombianas, esperavam o orvalho fecundante do Esp√≠rito” (SD 17). Essas considera√ß√Ķes teol√≥gicas permitem-nos avan√ßar no tempo e espa√ßo para a√≠ analisar a hist√≥ria da catequese no Brasil.

1 A catequese no Brasil colonial

Uma vez introduzido na história ocidental e aberto para o mundo desenvolvido de então pela presença e ação dos portugueses, a história do Brasil se entrelaça com a história da evangelização e catequese. Em 1503 chegaram os dois primeiros missionários franciscanos, na expedição de Gonçalo Coelho, em Porto Seguro, seguidos mais tarde por outros frades. Em 1532 fundaram-se as primeiras paróquias, e de 1538 a 1541 a primeira missão formal instalou-se em Santa Catarina por obra dos mesmos franciscanos.

Os jesuítas chegaram com o primeiro governador geral Tomé de Souza, em 1549. Sua existência também se confunde com história do Brasil, tornando-se os protagonistas principais que acompanharam de perto o crescimento e desenvolvimento brasileiro. Nascidos pouco antes dentro do espírito da Reforma, e com um enorme impulso missionário, transmitiram a fé cristã aos indígenas, sobretudo os que habitavam fora dos centros urbanos.

Com eles come√ßou-se a implanta√ß√£o de uma catequese mais organizada para os colonizadores portugueses, seguindo o modelo tridentino; e para os ind√≠genas, uma catequese mais mission√°ria, bastante criativa e com esfor√ßos para atingir aquilo que hoje chamamos de incultura√ß√£o. De fato, ap√≥s as primeiras tentativas de catequizar os ind√≠genas atrav√©s de int√©rpretes, os mission√°rios aprenderam a l√≠ngua local[2], escreveram catecismos nestas l√≠nguas e usaram a m√ļsica, o teatro, a poesia, os autos e a dan√ßa ritual para a obra evangelizadora. Tanto nos col√©gios como na catequese ind√≠gena predominava a metodologia da tradi√ß√£o oral: uma memoriza√ß√£o da doutrina mais mec√Ęnica e menos assimilada. Ali√°s, para os mission√°rios ‚Äúa quest√£o da convers√£o dos √≠ndios n√£o era doutrin√°ria, mas uma quest√£o de costumes‚ÄĚ, no dizer do Pe. S√£o Jos√© de Anchieta (Leite, 1923, p. 12; Anchieta, 1933, p. 419 e 435).

Dentre os missionários distinguiram-se o Pe. Manoel da Nóbrega, provincial, e o Pe. São José de Anchieta, que veio como noviço e se formou no Colégio da Baia, desenvolvendo uma atividade que o coloca entre os gigantes da primeira evangelização latino-americana. Fundou colégios (como o de São Paulo, que originou a atual metrópole), escreveu textos catequéticos, peças de teatro, gramáticas e poemas em quatro línguas: latim, português, castelhano e tupi-guarani. Ao mesmo tempo foi evangelizador, catequista, médico, artífice, pacificador, taumaturgo, mestre-escola, arquiteto: um missionário completo.

Novas levas de mission√°rios jesu√≠tas chegaram ao Brasil nos anos seguintes, tendo no Pe. Ant√īnio Vieira (1608-1697) uma figura √≠mpar. Realizaram ‚Äúuma obra sem exemplo na hist√≥ria‚ÄĚ, na express√£o do historiador Capistrano de Abreu (Abreu, 1945, p. 105). Tamb√©m outras ordens religiosas, al√©m dos franciscanos e jesu√≠tas (capuchinhos, beneditinos, carmelitas, merced√°rios) se associaram √† obra empreendida por eles na extraordin√°ria tarefa da forma√ß√£o crist√£ do Brasil. Todos os mission√°rios enfrentavam in√ļmeras dificuldades por causa da ambi√ß√£o colonizadora da pol√≠tica mercantilista, a ponto de o Papa Urbano VIII ter que escrever a bula Comissum nobis, em 1638, em defesa dos √≠ndios, mantendo as disposi√ß√Ķes de seu predecessor Paulo III: ‚Äúproibiu e ordenou que as autoridades tamb√©m proibissem escraviz√°-los e priv√°-los de seus bens‚ÄĚ, sob pena de excomunh√£o latae sententiae, reservada ao Pont√≠fice.

Apesar dessas dificuldades, os missionários se preocupavam não somente com novos métodos e técnicas, mas também com a superação da simples catequese doutrinal ou instrução (embora os textos vão muito nesta linha). Estavam muito atentos àquilo que hoje chamamos de promoção humana e social do indígena dentro de um contexto hostil e avesso a um tipo de atividade deste gênero. Com menos intensidade, mas igual zelo apostólico, fizeram esforços na evangelização dos negros que, numa atitude anti-humana, sofriam a escravidão. Entretanto não tiveram voz para se opor a tão execrável instituição escravagista.

Este gigantesco trabalho evangelizador não pode ser atribuído só aos missionários, despojados, abertos à cultura indígena e com uma alta consciência evangélica. Também os leigos, especialmente mulheres, tiveram papel importante, infelizmente esquecido pela história: estiveram sempre ao lado dos missionários, ora assumindo mesmo a direção das aldeias, ora fazendo parte integrante do processo catequizador. Ficou célebre a presença do negro José Lopes Espínola, missionário leigo no Amazonas no fim do século XVII, a quem o próprio Conselho Ultramarino de Portugal sugeriu uma medalha de ouro pelo seu trabalho de catequese (cf. Vilela, 1998, p. 289).

Para a organiza√ß√£o da Igreja e principalmente para a hist√≥ria da catequese no Brasil, √© de suma import√Ęncia a promulga√ß√£o, j√° nos in√≠cios do s√©culo XVIII, das Constitui√ß√Ķes do Arcebispado da Bahia, capital e sede do arcebispo primaz do Brasil, na √©poca D. Sebasti√£o Monteiro da Vide. Tais Constitui√ß√Ķes (1707) orientaram a ordena√ß√£o jur√≠dico-teol√≥gico-catequ√©tica na Igreja do Brasil durante dois s√©culos. Elas se comp√Ķem de 5 livros: no primeiro deles se trata da obriga√ß√£o de ensinar a doutrina crist√£. O breve catecismo que lhe √© incorporado traz os tra√ßos dos catecismos doutrinais europeus. A import√Ęncia catequ√©tica deste documento √© assim ressaltada:

As Constitui√ß√Ķes da Bahia trazem √† mem√≥ria dos p√°rocos, dos mestres-escolas e dos pais de fam√≠lia a obriga√ß√£o de ensinarem crian√ßas e escravos, seguindo √† risca as normas do Conc√≠lio de Trento; oferecem ainda aos catequistas um catecismo abreviado para a instru√ß√£o, que denominam de Forma da doutrina crist√£, e tamb√©m um formul√°rio mais resumido ainda e adaptado para os escravos (Lustosa, 1992,59).

2 As interven√ß√Ķes de Marqu√™s de Pombal, expuls√£o dos Jesu√≠tas e suas consequ√™ncias

As ideias que transformavam a Europa no s√©culo XVIII tinham sua repercuss√£o no Brasil: o iluminismo, os ideais da Revolu√ß√£o francesa, o mercantilismo, o despotismo esclarecido. Este √ļltimo movimento teve enorme influ√™ncia no Brasil, atrav√©s de Sebasti√£o Jos√© de Carvalho e Melo, Marqu√™s de Pombal. Nomeado primeiro-ministro de D. Jos√© II, de Portugal, suas medidas pol√≠ticas afetaram profundamente a a√ß√£o da Igreja, particularmente por causa da expuls√£o dos jesu√≠tas (1759, reabilitados por Pio VII, em 1814). Consequentemente perdeu for√ßas a rede de escolas que eles mantinham ao longo do territ√≥rio nacional. Atitude igualmente danosa √† Igreja foi a imposi√ß√£o do catecismo jansenista, chamado tamb√©m de Catecismo de Montpellier (1702, traduzido em portugu√™s em 1765). Apesar de ter sido condenado e colocado no Index, em 1721, sob acusa√ß√£o de jansenismo e de tend√™ncias galicanas, o livro foi imposto pelo governo portugu√™s, com decreto r√©gio de 30 de setembro de 1770 como texto oficial nas escolas do Reino portugu√™s e Col√īnias. Foi considerado o texto da educa√ß√£o da f√© no territ√≥rio brasileiro, na segunda metade do s√©culo XVIII e in√≠cio do XIX. Pombal n√£o estava interessado nas quest√Ķes teol√≥gicas desse catecismo, mas em seu aspecto pol√≠tico, pois o jansenismo via com maus olhos o poder central da Igreja (Papa, C√ļria Romana); e era isso que lhe interessava: minar o poder e a autoridade de Roma.

Muitos bispos brasileiros protestaram diante de tal imposi√ß√£o, mas inutilmente; outros, ao inv√©s, oficializaram o texto em suas dioceses. Foi divulgado por toda parte, influenciando tremendamente a catequese no Brasil at√© o in√≠cio do per√≠odo imperial. Mais do que o jansenismo dogm√°tico, teve grande influ√™ncia na forma√ß√£o religiosa brasileira o jansenismo moral, com seu rigorismo asc√©tico fanaticamente exacerbado, a busca da pureza legal sem limites, a luta indiscriminada contra o esp√≠rito de toler√Ęncia e o laxismo, vis√£o negativa da sexualidade e a divulga√ß√£o de um cristianismo triste (cf. Lustosa, 1992, p. 67).

Desenvolveram-se, ent√£o formas novas que vieram substituir a catequese oficial que, com essas medidas pombalinas foi-se definhando. Assim pode ser considerada a catequese popular que tinha essas caracter√≠sticas: simplicidade, sem aprofundamento doutrinal, conhecimento daquilo que √© mais importante para um crist√£o, pr√°tica de um catolicismo bem popular e sem a linguagem e f√≥rmulas eclesi√°sticas. Do ponto de vista moral, emergiam costumes e pr√°ticas austeras centradas no essencial, e carregadas de devocionismo, heran√ßa portuguesa e medieval, quase que colocando a media√ß√£o dos santos acima do cristocentrismo evang√©lico. Tal catequese tornava a transmiss√£o da f√© uma tarefa familiar, que facilmente, e sem contesta√ß√Ķes ou dificuldades, era praticada.

O cristianismo era transmitido ao lado dos valores humanos, impregnados dos valores evang√©licos. Inevitavelmente era forte e vigorosa a influ√™ncia de elementos religiosos ind√≠genas e africanos na vida crist√£. Tal mistura sincr√©tica (diferente da t√£o proposta e desejada incultura√ß√£o) ainda hoje √© vis√≠vel e palp√°vel em diferentes ambientes brasileiros[3]. Nascia assim o fen√īmeno da religiosidade popular, sempre se firmando e crescendo. Ela gerou consequentemente uma transmiss√£o da f√© sem estruturas e formalidades. Era conduzida pelo povo: pais e m√£es de fam√≠lia, pessoas simples sem grande instru√ß√£o, pregadores do povo, puxadores de ter√ßos e novenas, benzedeiras, rezadores, beatas e devotos, carolas e ermit√Ķes. Nesse ambiente de cristianismo simples, mas v√°lido e sincero, tais figuras se destacavam e muitas vezes assumiam a lideran√ßa nas comunidades.

Crescia concomitantemente express√Ķes rituais e celebrativas, bem diferentes dos livros lit√ļrgicos oficiais, ora√ß√Ķes, mesmo num latim estropiado, adulterado e n√£o poucas vezes com ressaibos de supersti√ß√£o. A popularidade dessas figuras da religiosidade popular era tal que a seu redor se juntavam multid√Ķes de seguidores, l√≠deres que ditavam costumes e pr√°ticas religiosas populares. Sobreviveram e se multiplicaram at√© hoje, manifestando, de um modo concreto junto √†s pessoas mais simples, um modo concreto de sentir e viver a Igreja nas bases e no ch√£o do povo, marcando nossa cultura e folclore religioso.

3 Catequese brasileira no século XIX: os bispos reformadores

O per√≠odo imperial no Brasil nasceu com a vinda da fam√≠lia real, em 1808, para o Rio de Janeiro. √Č marcado pela reforma cat√≥lica, conduzida pelos bispos chamados reformadores[4]. Eles pretendiam alinhar a Igreja do Brasil com o j√° long√≠nquo Conc√≠lio de Trento, ainda pouco vivenciado em Portugal e nas col√īnias. Com isso, tamb√©m ganha a pastoral catequ√©tica. Como em toda grande reforma na Igreja, ela come√ßa pelo clero, encaminhando-se depois para a instru√ß√£o crist√£ do povo, promovendo a renova√ß√£o do ensino da doutrina. Tal renova√ß√£o torna-se ferramenta importe para a implanta√ß√£o da reforma. Al√©m de suas Cartas Pastorais, predecessoras dos atuais Documentos da CNBB, que tra√ßavam diretrizes e orienta√ß√Ķes, as visitas pastorais eram ocasi√Ķes de os bispos realizarem suas catequeses mais ortodoxas do que o Catecismo de Montpellier, imposto por Pombal. Igualmente as Par√≥quias adotavam uma catequese, sempre de cunho doutrinal, por√©m mais conforme o Conc√≠lio de Trento.

Novos catecismos come√ßam a surgir, sinal de vitalidade da renova√ß√£o catequ√©tica a partir de 1840: s√£o marcados pela dimens√£o doutrinal e as diretrizes tridentinas. Eram traduzidos de edi√ß√Ķes europeias, sobretudo francesas, ou elaborados e adaptados pelos pr√≥prios bispos brasileiros. Foi a √©poca √°urea dos Catecismos da doutrina crist√£ ou Catecismos teol√≥gicos. A multiplica√ß√£o de tais textos prepara o ensaio de busca por um texto √ļnico para todo o Brasil, no in√≠cio do s√©culo XX. Al√©m da caracter√≠stica doutrinal, possu√≠am tamb√©m o vi√©s apolog√©tico: combatem os erros do jansenismo, do galicanismo e do liberalismo; s√£o carregados do tom antiprotestante da reforma tridentina, da qual a nossa reforma era tribut√°ria. Desde 1810, devido √†s cl√°usulas favor√°veis √† liberdade religiosa dos anglicanos, contidas no Tratado do Com√©rcio e Navega√ß√£o¬†com a Inglaterra, inicia-se no Brasil a implanta√ß√£o de igrejas n√£o cat√≥licas. Al√©m dos anglicanos, v√°rios pastores protestantes e imigrantes norte-americanos aportam no pa√≠s, vindos da guerra de secess√£o daquele pa√≠s. Alguns fundam importantes escolas, como o col√©gio e a universidade Mackenzie de S√£o Paulo.

Como no per√≠odo anterior, al√©m da catequese paroquial, mais formal e baseada em textos de catecismos doutrinais, tamb√©m ministrada em col√©gios cat√≥licos, h√° ainda uma significativa atividade mais mission√°ria, de car√°ter popular, que mantinha e alimentava a f√© das fam√≠lias; eram os pregadores leigos populares, que marcaram √©poca, como: Ant√īnio Vicente Mendes Maciel (Ant√īnio Conselheiro), l√≠der religioso-pol√≠tico da revolu√ß√£o de Canudos (1897); ‚ÄúS√£o‚ÄĚ Jo√£o Maria, nome m√≠tico que engloba v√°rios personagens envolvidos em prega√ß√Ķes messi√Ęnicas, medicina popular e pol√≠tica, na guerra do Contestado (Santa Catarina-Paran√°); Pedro Batista, na regi√£o de Paulo Afonso (Bahia), Ir. Jos√© da Cruz (Rio Juru√° no Acre) e Jacobina Meurer (Nova Hamburgo, RS). Junto com os textos de catequese eram tamb√©m amplamente difundidos os devocion√°rios, manuais de ora√ß√£o, noven√°rios, livros de piedade, ter√ßos, horas marianas, miss√£o abreviada (textos para a continuidade das santas Miss√Ķes) etc.

No final do s√©culo XIX e in√≠cio do XX realizaram-se alguns esfor√ßos de articula√ß√£o pastoral. D. Ant√īnio Macedo Costa, bispo de Bel√©m do Par√°, nomeado depois Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, conseguiu, pela primeira vez na hist√≥ria da Igreja brasileira, reunir o episcopado em mar√ßo de 1890 (eram poucas as dioceses), discutir e promulgar a Pastoral Coletiva do Episcopado Brasileiro. Combate pretensos erros do momento, marcado pelo positivismo e pela presen√ßa maci√ßa de membros da ma√ßonaria na nascente Rep√ļblica, contra a qual se posiciona, assim como contra a Constitui√ß√£o, Estado laico e liberdade religiosa.

Acontecimentos importantes desse movimento de romaniza√ß√£o foram o Conc√≠lio Plen√°rio Latino-americano (1899, em Roma!) e o Conc√≠lio Plen√°rio Brasileiro (1939), primeiro c√≥digo jur√≠dico-eclesi√°stico-pastoral exclusivo para o Brasil. Entre esses dois acontecimentos realizaram-se outras assembleias como o Conc√≠lio das Prov√≠ncias Eclesi√°sticas do Sul, em Nova Friburgo (RJ) de 12 a 17 de janeiro de 1915. Sua documenta√ß√£o aponta para o esfor√ßo da constru√ß√£o de uma Igreja Cat√≥lica Romana no Brasil, ap√≥s a separa√ß√£o do Estado. Publica uma c√©lebre Pastoral Coletiva e o Catecismo da Doutrina Crist√£, cujas ra√≠zes remontam aos bispos ‚Äúreformadores‚ÄĚ do final do s√©culo anterior.

Esse importante Catecismo teve sua primeira edi√ß√£o em 1903, com grande aceita√ß√£o e edi√ß√Ķes sucessivas, espalhou-se n√£o s√≥ pelo Sul, mas tamb√©m por todo o territ√≥rio brasileiro. Trata-se de um catecismo doutrinal-teol√≥gico, com f√≥rmulas precisas e ao mesmo tempo simples, dentro do padr√£o doutrinal, e por isso mesmo, memoriz√°vel. Chegou-se a afirmar que, dentro de seu estilo e caracter√≠sticas pr√≥prias ele supera at√© o famoso Catecismo de Pio XI, publicado em seguida. Na verdade, era um catecismo em quatro n√≠veis: Resumo da Doutrina Crist√£ (extrato da doutrina elementar); Primeiro Catecismo da Doutrina Crist√£ (catecismo elementar destinado aos principiantes); Segundo Catecismo (catecismo b√°sico); Terceiro Catecismo (de n√≠vel avan√ßado).

Imp√īs-se em todo o territ√≥rio nacional, perdurando suas edi√ß√Ķes sucessivas at√© os dias de hoje, com muito sucesso. Milh√Ķes de crist√£os a partir de 1903 at√© √†s v√©speras do Vaticano II, bem ou mal, foram formados tendo como texto-base esses Catecismos da Doutrina Crist√£. Eram considerados por muitos o catecismo por antonom√°sia. De um modo especial nos col√©gios, suas respostas eram memorizadas, enquanto se adotavam outros textos, menos doutrinais e mais did√°ticos, para a explica√ß√£o daqueles formul√°rios. As c√©lebres maratonas ou certames promulgados oficialmente tinham, em geral, como base, os textos do Catecismo da Doutrina Crist√£.

4 A catequese no Brasil no período pré-conciliar

O séc. XX foi o século da renovação catequética em todos os sentidos, dando início ao movimento catequético sob a influência do desenvolvimento da Psicologia e da Pedagogia, ao mesmo tempo em que teologicamente a Igreja caminhava em direção do Vaticano II. Esta renovação pedagógica, unida às descobertas da psicologia científica, desemboca, em termos de catequese, nos Congressos de Viena (1912) e de Munique (1928). O método psicológico de Munique propunha partir de um episódio bíblico, explicar a verdade aí contida e aplicá-la à vida. Dá-se grande valor à liturgia e à bíblia: é o incipiente método querigmático. Na França Joseph Colomb, François Coudreau, Françoise Derkene e Maria Tecla Montessori assimilaram e aperfeiçoaram tais tendências, divulgando-as pelo mundo, inclusive no Brasil.

O Papa S√£o Pio X publicou a enc√≠clica Acerbo Nimis (1905) e o decreto Quam Singulari (1910), em pol√™mica com o jansenismo, abrindo √†s crian√ßas, a partir dos 7 anos, o acesso √† Comunh√£o Eucar√≠stica. Ao fazer isso, muito impulsionou a catequese infantil, quase fixando nessa idade os destinat√°rios principais da catequese, embora prescrevesse tamb√©m a catequese de adultos. Seu Catecismo, diferentemente do movimento catequ√©tico europeu, prossegue a tradi√ß√£o de prefer√™ncia √† dimens√£o doutrinal, mas inova e avan√ßa na dimens√£o organizacional da catequese. De fato, institui as Congrega√ß√Ķes da Doutrina Crist√£, destinadas a zelar, estimular e apoiar a catequese em todas as Par√≥quias. Tais orienta√ß√Ķes tiveram boa repercuss√£o, aceita√ß√£o e influxo na organiza√ß√£o da catequese no Brasil, mais do que seu Catecismo (1905, 1912), feito originalmente para a Diocese de Roma, espalhando-se depois pela It√°lia e por todo o mundo cat√≥lico, sem tra√ßos de um catecismo universal. Ali√°s, no Brasil, j√° havia, como dito acima, um excelente Catecismo da doutrina crist√£ desde 1901.

A partir da enc√≠clica Acerbo Nimis, os leigos que no Brasil sempre tiveram uma presen√ßa significativa na catequese, ser√£o valorizados mais ainda. Os p√°rocos, que eram cada vez mais conclamados a desempenharem com responsabilidade suas graves obriga√ß√Ķes com rela√ß√£o √† catequese, buscam seus leigos auxiliares para o trabalho catequ√©tico entre os membros das v√°rias associa√ß√Ķes paroquiais (Apostolado da Ora√ß√£o, Congrega√ß√Ķes Marianas, Vicentinos, Filhas de Maria, Corte de S√£o Jos√© etc.). Esta abertura em favor da participa√ß√£o das/os leigos/as foi reflexo tamb√©m do surgimento da A√ß√£o Cat√≥lica na Europa e que se desenvolveu muito no Brasil. A falta de clero obrigou os bispos e padres a recorrerem cada vez mais aos leigos. Com isso, as/os catequistas receberam uma forma√ß√£o mais s√≥lida e profunda. Por tudo isso, S√£o Pio X, papa da catequese, em alguns pa√≠ses √© padroeiro dos catequistas. No Brasil, foi proclamado padroeiro dos catequistas S√£o Jos√© de Anchieta.

Desde o final do s√©culo XIX o chamado dos Bispos para uma maior aten√ß√£o √† catequese vinha da constata√ß√£o da crescente ignor√Ęncia religiosa do povo, o que j√° apontava tamb√©m para uma op√ß√£o doutrinal da mesma. Por outro lado, pessoas atentas √† efic√°cia da pedagogia da f√© come√ßaram a criticar os catecismos doutrinais, √† base de perguntas e respostas, privilegiando a memoriza√ß√£o das f√≥rmulas concentradas da doutrina crist√£. O progresso das ci√™ncias pedag√≥gicas e a evolu√ß√£o do movimento catequ√©tico europeu, j√° nas d√©cadas de 1920 e 1930, mostraram as fraquezas destes textos. A primeira renova√ß√£o significativa veio pela A√ß√£o Cat√≥lica, sob o pontificado de Pio XI. No Brasil, ela teve um enorme raio de a√ß√£o, cujos efeitos continuaram posteriormente, na virada antropol√≥gica, sobretudo a aten√ß√£o aos graves problemas sociais. Sem o trabalho eficaz e organizado da A√ß√£o Cat√≥lica, certamente n√£o haveria clima para o surgimento das teologias da liberta√ß√£o na Am√©rica Latina, sobretudo no Brasil.

Seus cursos de cultura religiosa primavam pelo aprofundamento da f√©, fugindo, contudo, daquele nocionismo que caracterizava a catequese tradicional como doutrina. Leigos bem formados pela A√ß√£o Cat√≥lica assumiam a voca√ß√£o de catequistas, alterando um pouco o monop√≥lio da catequese por parte do clero. Eles descobriam e viviam sua voca√ß√£o crist√£ como leigos, marcando uma presen√ßa muito grande de um modo especial na catequese. No entanto, o avan√ßad√≠ssimo pensamento social crist√£o que permeava a A√ß√£o Cat√≥lica e que ir√° influir significativamente na sua milit√Ęncia concreta, n√£o conseguiu mudar muito o conte√ļdo da catequese tradicional. Este ser√° um trabalho para o movimento catequ√©tico ap√≥s o Vaticano II, mas aqui j√° est√£o suas sementes e bases.

Com a A√ß√£o Cat√≥lica a catequese se beneficiou com um valioso instrumento metodol√≥gico: a maneira de proceder atrav√©s da trilogia: ver, julgar e agir. Timidamente praticado nos in√≠cios, desenvolveu-se sempre mais, sob a influ√™ncia do pensamento de Josef-L√©on Cardjin e Jacques Maritain, tornando-se depois n√£o s√≥ metodologia da catequese, mas de toda a pastoral. Hoje o DNC prop√Ķe a terminologia: ver-iluminar-agir (DNC 157-162).

Muito contribuiu para a evolu√ß√£o da catequese no Brasil o movimento querigm√°tico, tamb√©m de origem europeia. A catequese querigm√°tica, pedagogicamente constru√≠da a partir de unidades did√°ticas, tem como espinha dorsal de seu conte√ļdo a Hist√≥ria da Salva√ß√£o, cujo centro √© Jesus Cristo, com um grande uso da B√≠blia, particularmente os Evangelhos, como tamb√©m da Liturgia. √Č fruto da converg√™ncia na catequese dos avan√ßos dos movimentos b√≠blico, lit√ļrgico, da renova√ß√£o da teologia querigm√°tica, da escola ativa, e de toda a efervesc√™ncia pastoral que acontecia na Igreja √†s v√©speras do Vaticano II.

Entre os grandes animadores brasileiros da catequese do per√≠odo pr√©-conciliar, destaca-se o Pe. √Ālvaro Pereira de Albuquerque Negromonte (1901-1964). Sobre ele assim se expressa O. Lustosa:

Reconhecido na vida como ‚Äúmentor do catecismo no Brasil‚ÄĚ e ‚Äúum mestre brasileiro de pedagogia do catecismo‚ÄĚ, o Pe. √Ālvaro Negromonte foi lentamente esquecido ap√≥s sua morte (1964). Sua obra catequ√©tica merece, n√£o apenas os agradecimentos dos catequistas, mas um estudo s√©rio de sua import√Ęncia e de sua influ√™ncia nos 30 anos de atua√ß√£o (Lustosa, 1992, p. 113; cf. 120).

Criou e difundiu no Brasil o chamado m√©todo integral de catequese: tinha como objetivo ‚Äúformar o crist√£o √≠ntegro, firme na f√©, forte no amor e pleno de esperan√ßa‚ÄĚ (CR 22). Entretanto os poucos autores que tratam da catequese no Brasil, colocam-no em primeiro plano, como renovador da catequese, ap√≥s a era dos catecismos teol√≥gicos e com o advento da renova√ß√£o querigm√°tica. Depois de intensa atividade em Belo Horizonte, de onde praticamente dirigia a catequese em n√≠vel nacional, e no Rio de Janeiro, juntou-se a Dom Helder C√Ęmara, na funda√ß√£o do Instituto Superior de Pastoral Catequ√©tica nacional (ISPAC) e na publica√ß√£o da Revista Catequ√©tica, editada durante 8 anos (1949-1956). Nessa ocasi√£o foi o primeiro assessor nacional para a catequese da nascente CNBB (1952), cujo departamento catequ√©tico se intitulava Secretariado Nacional do Ensino de Religi√£o (SNER)[5]. Deixou in√ļmeras publica√ß√Ķes, entre as quais se sobressai sua Pedagogia do Catecismo (1937), sendo que as outras s√£o obras mais did√°ticas, no estilo renovado dos textos de catequese, cujo conte√ļdo e estilo renovou radicalmente.

Em muitas partes do mundo cristão realizavam-se Congressos Catequéticos ou Semanas Internacionais de Catequese (seis ao todo) sempre em vista de uma revitalização e novas perspectivas, levadas adiante pelo jesuíta Pe. Johannes Hofinger (1903-1984), incansável apóstolo da renovação catequética em base à teologia querigmática e o nascente conceito de inculturação da fé, do qual foi um pioneiro. Pe. Pedro Arrupe SJ, usou-o pela primeira vez oficialmente no Sínodo da Catequese (1977) e depois São João Paulo II, também pela primeira vez usa-o na Exortação Apostólica Catechesi Tradendae (CT).

Concluindo esse per√≠odo pr√©-conciliar no Brasil, √© obrigat√≥rio referir-se √† Confer√™ncia Nacional dos Bispos do Brasil, fundada sob a lideran√ßa de D. Helder C√Ęmara, ent√£o simples padre e Assistente Eclesi√°stico da A√ß√£o Cat√≥lica, em cuja organiza√ß√£o e espiritualidade se inspirou para estruturar a CNBB. A partir de tal funda√ß√£o trouxe nova coordena√ß√£o tanto paroquial como diocesana √† catequese, dando-lhe vigor e levando-a a um crescimento.

Em 1961 D. Jos√© Costa Campos, Bispo de Valen√ßa (RJ), √© nomeado presidente do SNER. Seu dinamismo, capacidade de organiza√ß√£o e lideran√ßa imprimiu um novo vigor ao movimento catequ√©tico brasileiro, com in√ļmeras iniciativas. Reorganizou o SNER e convocou o Pe. Hugo Paiva, (CM, padres da Miss√£o), formado em catequ√©tica no Institut Catholique de Paris, como assessor nacional. O novo assessor logo elaborou um plano de reorganiza√ß√£o da catequese no Brasil, cujas medidas mais urgentes seriam a organiza√ß√£o do ISPAC (Instituto Superior de Pastoral Catequ√©tica) e a cria√ß√£o de um Centro de Informa√ß√£o e Documenta√ß√£o. Criou ainda uma equipe nacional de assessoria que atuou em territ√≥rio nacional, principalmente com cursos e acompanhando o andamento das atividades do SNER.

5 Do Vaticano II (1962-1965) ao final do século XX

Os grandes movimentos de renova√ß√£o da primeira metade do s√©culo XX, como o movimento b√≠blico, patr√≠stico, lit√ļrgico, querigm√°tico e catequ√©tico do final do s√©c. XIX e in√≠cio do XX, incluindo a√≠ a A√ß√£o Cat√≥lica, renovam a Igreja e provocam o Conc√≠lio Vaticano II com grande ganho para a catequese. O Conc√≠lio n√£o quis um Catecismo Universal ou Catecismo Fonte, atribuindo aos bispos a responsabilidade pelos catecismos locais (cf. CD 14), mas fez publicar o Diret√≥rio Catequ√©tico Geral (1971). Precedido tamb√©m por grandes movimentos, como a A√ß√£o Cat√≥lica, a Igreja se abre ao mundo moderno, √†s quest√Ķes sociais e √† a√ß√£o dos leigos. O m√©todo ver, julgar e agir, da A√ß√£o Cat√≥lica, domina a pastoral no Brasil. Desde 1962. Durante o Conc√≠lio, a CNBB publica um plano org√Ęnico de pastoral de 4 em 4 anos, as Diretrizes Gerais da A√ß√£o Pastoral da Igreja (mudado depois para A√ß√£o Evangelizadora). Nas Diretrizes, a dimens√£o catequ√©tica sempre teve grande destaque, situando-a sempre mais no grande objetivo da evangeliza√ß√£o cujas caracter√≠sticas marcam sempre mais o conceito de catequese.

O Vaticano II ficou sendo inicialmente conhecido e veiculado no Brasil, atrav√©s, principalmente, da reflex√£o catequ√©tica, muito fecunda nos anos 60 e 70, destacando-se o ISPAC. Criado nos moldes do Institut Cat√©ch√®tique de Paris, o ISPAC do Rio de Janeiro durou pouco (1963-1969), mas formou a gera√ß√£o de catequetas que impulsionaram a catequese nos anos 60 at√© o in√≠cio do mil√™nio…. Publicou v√°rias obras, em geral traduzidas do franc√™s, que muito refletiam o pensamento catequ√©tico alem√£o, e era o que havia na √©poca de mais avan√ßado em termos de catequese. Al√©m desse ISPAC nacional, foram fundados outros ISPACs em n√≠vel regional (Curitiba, Salvador, S√£o Paulo, Porto Alegre…).

Com a crise desses cursos, somente em 1982 ir√° aparecer, em S√£o Paulo, no Instituto Pio XI, dos salesianos, um Curso Superior de Pastoral Catequ√©tica (CSPC). O curso durou 16 anos, at√© 1997, sendo, em seguida, substitu√≠do pelos cursos de P√≥s-Gradua√ß√£o, com reconhecimento do MEC. Em outras cidades tamb√©m se abriram cursos de p√≥s-gradua√ß√Ķes lato sensu: Curitiba, Goi√°s, S√£o Paulo, Porto Velho, Salvador, Cuiab√°, Sinop, Florian√≥polis, Castanhal (Norte II), IRPAC (Leste II), Dourados, Mar√≠lia, Lages… Tais cursos elevaram muito o n√≠vel dos coordenadores de Catequese e dos pr√≥prios catequistas de base.

Na Am√©rica Latina, a renova√ß√£o catequ√©tica se deu, sobretudo, atrav√©s da Semana Internacional de Catequese de Medell√≠n (agosto de 1968), na qual os catequetas brasileiros tiveram grande atua√ß√£o. Foi seguida imediatamente da II Assembleia do CELAM, na mesma cidade, em setembro de 1968. A situa√ß√£o sociopol√≠tica exigia da Igreja e da catequese, naquele momento hist√≥rico, uma resposta √†s in√ļmeras injusti√ßas institucionalizadas (express√£o usada por um dos documentos de Medell√≠n). Nascia assim a op√ß√£o pelos pobres, os germens da teologia da liberta√ß√£o, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e a consequente catequese libertadora e transformadora. Esta corrente catequ√©tica se consolidou nos documentos da CNBB: Catequese Renovada: Orienta√ß√Ķes e Conte√ļdo (CR, 1983), e outros textos produzidos pelo Grupo Nacional de Reflex√£o Catequ√©tica (GRECAT) [6], com intensa participa√ß√£o de muitos especialistas e dos catequistas em geral. Esse grupo, fundado no mesmo ano de 1983, por ocasi√£o da confec√ß√£o e publica√ß√£o do documento CR, tem como finalidade acompanhar e assessorar a Dimens√£o B√≠blico-Catequ√©tica da CNBB, animar e impulsionar a catequese em n√≠vel nacional.

Em 1978 foi fundada a Revista de Catequese, pelo Pe. Ralfy Mendes de Oliveira (1917 -2008), com o apoio da Prov√≠ncia Salesiana de S√£o Paulo e da Editora Salesiana Dom Bosco. Apesar das grandes dificuldades, ela se mant√©m at√© hoje como publica√ß√£o acad√™mica do Centro UNISAL – Pio XI, de S√£o Paulo. As quatro semanas brasileiras de catequese (1986, 2001, 2009, 2018) t√™m sido momentos culminantes da hist√≥ria recente da catequese no Brasil. √Č importante citar ainda as Assembleias do CELAM de Puebla (1979), Santo Domingo (1992), Aparecida (2007) e o documento Catequese na Am√©rica Latina (1985; 1999), publicado pelo CELAM para os pa√≠ses latino-americanos.

Em termos de Igreja mundial, esse per√≠odo p√≥s-conciliar foi igualmente riqu√≠ssimo de orienta√ß√Ķes, publica√ß√Ķes, documentos, subs√≠dios com estimulante aceita√ß√£o e repercuss√£o na catequese brasileira. Embora algumas obras apresentadas a seguir n√£o sejam temas propriamente de Hist√≥ria da Catequese no Brasil, √© importante cit√°-las devido ao grande influxo que suscitaram. Geralmente elas surgiram de uma pr√°tica j√° existente, ou da grande Tradi√ß√£o da Igreja, mas ao mesmo tempo abriram novos horizontes e caminhos, conforme as necessidades do momento. Assim, foi publicado em 1971, como j√° foi dito, o primeiro Diret√≥rio Catequ√©tico Geral, que entre outras coisas, insistia na necessidade de volta aos adultos como interlocutores ou destinat√°rios primeiros da pastoral catequ√©tica e, como objetivo da catequese, a maturidade da f√©. A IV Assembleia Geral Ordin√°ria do S√≠nodo dos Bispos (27 de setembro a 26 de outubro de 1977) foi dedicada √† catequese: uma longa e profunda an√°lise, seguida das oportunas reflex√Ķes e tomadas de decis√£o, nunca realizada na Igreja com tal amplitude e participa√ß√£o. Logo depois, S√£o Jo√£o Paulo II escreveu a Exorta√ß√£o p√≥s-sinodal Catequese Tradendae (CT, 1979), de tempestiva repercuss√£o em toda a Igreja, abordando propriamente todos os principais temas da pastoral catequ√©tica. Ele tamb√©m fez publicar o Catecismo da Igreja Cat√≥lica (CaIC), em 1992, modificando o mandato conciliar que n√£o prescrevia um texto universal de catequese. Pode-se dizer que esse volumoso e oportuno texto, que expressa o aut√™ntico conte√ļdo da catequese doutrinal, conforme o atual magist√©rio da Igreja, √© um l√≠dimo fruto do longo pontificado do Papa S√£o Jo√£o Paulo II, embora de v√°rias partes houvesse sua solicita√ß√£o, sobretudo dos pa√≠ses ‚Äúde miss√£o‚ÄĚ. De fato, ele se coloca entre as iniciativas do Papa WojtyŇāa de prover a Igreja com os instrumentos aptos para uma nova evangeliza√ß√£o do mundo de hoje.

Muito ligado ao CaIC, foi promulgado tamb√©m o Diret√≥rio Geral para a Catequese (DGC) em sua 2¬™. edi√ß√£o (1997). √Č talvez o mais completo e profundo dos textos j√° produzidos pela Igreja em favor da catequese. Como instru√ß√£o, a catequese √©, muito corretamente, considerada em sua dimens√£o evangelizadora. Isso sup√Ķe que ela seja sempre precedida pelo urgente primeiro an√ļncio, como a ess√™ncia e o resumo de todo Evangelho. Deste modo, um segundo momento catequ√©tico poder√° ampliar e consolidar a ades√£o a Jesus Cristo, usando, para isso, a doutrina cat√≥lica, que tanto caracterizou a catequese no passado e para o qual foi criado o CaIC. Hoje, num mundo em processos de descristianiza√ß√£o, devemos, antes da catequese, fazer valer esse primeiro momento querigm√°tico do primeiro an√ļncio.

O Congresso Internacional de Catequese (08-12 de outubro de 2002), comemorando os 10 anos do CaIC acentuou a import√Ęncia desse texto e dos catecismos nacionais, refor√ßando a necessidade de se dar maior import√Ęncia √† dimens√£o intelectual e sistem√°tica na educa√ß√£o da f√©: da√≠ se explica por que a Congrega√ß√£o da Doutrina da F√© foi a autora e promotora principal do Catecismo. Esta tend√™ncia doutrin√°ria ganhou maior import√Ęncia com o Comp√™ndio do Catecismo da Igreja Cat√≥lica, querido por Jo√£o Paulo II e publicado por Bento XVI (29-06-05), um resumo em perguntas e respostas, acentuando mais ainda apenas a dimens√£o doutrinal! No entanto, tal dimens√£o intelectual, sempre necess√°ria na catequese, deve estar integrada e equilibrada com os outros aspectos da educa√ß√£o da f√©, como bem demonstrou todo o movimento catequ√©tico do final do s√©c. XX, cujo √°pice foi o DGC.

Como sintetizar o n√ļcleo desta renova√ß√£o catequ√©tica sob o impacto do Vaticano II? Poder√≠amos relevar esses aspectos: a comunidade de f√© como principal lugar de catequese; o valor da B√≠blia como texto principal da educa√ß√£o da f√©, acompanhado da centralidade da Liturgia; o princ√≠pio de intera√ß√£o entre f√© e vida, relevando o m√ļtuo influxo entre mensagem evang√©lica e situa√ß√Ķes concretas da vida; a necessidade de incultura√ß√£o das f√≥rmulas (ou enunciados, doutrinas) da f√©; a import√Ęncia da pessoa do catequista, como testemunha viva do que anuncia e considerado como mistagogo (que conduz ao mist√©rio de Cristo e da Igreja) e sua esmerada forma√ß√£o; por fim, a recupera√ß√£o da dimens√£o catecumenal da catequese, que recebeu no per√≠odo seguinte toda a aten√ß√£o e maior desenvolvimento.

6 A catequese a serviço da Iniciação à Vida Cristã: dimensão catecumenal

O in√≠cio do s√©culo XXI √© marcado no Brasil, pela aten√ß√£o e reflex√£o sobre os adultos, com a reda√ß√£o e publica√ß√£o do Estudo da CNBB: Com adultos catequese adulta, fruto da 2a. Semana Brasileira de Catequese (outubro de 2001). Nesse sentido, houve v√°rias iniciativas em todo o pa√≠s. √Č t√≠pico do Brasil afirmar a ‚Äúcatequese com adultos‚ÄĚ e n√£o ‚Äúde adultos‚ÄĚ, para refor√ßar a ideia de que eles s√£o, mais que destinat√°rios, interlocutores da catequese. Se isso vale para todo tipo de catequese, muito mais para a catequese realizada com pessoas adultas.

Outro tema que ocupou seriamente a Igreja nesse in√≠cio de mil√™nio foi a catequese considerada como processo de Inicia√ß√£o √† Vida Crist√£ (IVC). Sobre essa express√£o deve-se considerar que a tradi√ß√£o hist√≥rica, tanto teol√≥gica como lit√ļrgica, sempre usou a express√£o ‚Äúinicia√ß√£o crist√£‚ÄĚ para indicar os processos pelos quais a pessoa ‚Äútorna-se crist√£‚ÄĚ, usando a express√£o de Tertuliano (s√©culo II): ‚Äúas pessoas se tornam, n√£o nascem crist√£s!‚ÄĚ (fiunt non nascuntur christiani: Apologia, XVIII, 4). No Brasil e em alguns pa√≠ses latino-americanos, usa-se a express√£o ‚Äúinicia√ß√£o √† vida crist√£‚ÄĚ, para indicar que n√£o se trata de algo somente m√≠stico e espiritual, mas deve tocar as ra√≠zes da exist√™ncia, de um modo muito experiencial, sobretudo no que se refere aos graves problemas sociais do Brasil.

Como haviam determinado os documentos conciliares Christus Dominus (13, 14 c), Ad Gentes (14-15,17) e Sacrosanctum Concilium (64), o Diret√≥rio Catequ√©tico Geral da S√© Apost√≥lica (1971) j√° estabelecera que ‚Äúa institui√ß√£o dos catec√ļmenos adultos fosse restabelecida‚ÄĚ (20b; cf. 19 b, c). Como fruto da Reforma Lit√ļrgica do Conc√≠lio, foi publicado, em 1971, o Ritual de Inicia√ß√£o Crist√£ de Adultos (RICA), important√≠ssimo para a catequese inici√°tica, mas ficara um texto desconhecido e pouco usado. Somente no in√≠cio do s√©culo XXI √© que, em √Ęmbito latino-americano e depois brasileiro, come√ßou-se a descobri-lo e estud√°-lo, suscitando inclusive, no Brasil, uma nova edi√ß√£o, com diagrama√ß√£o que melhor facilitasse seu uso nos ritos de inicia√ß√£o (2001).

Entretanto, foi em sua segunda edição, de 1997, que o DGC reforçou, na catequese, a restauração do catecumenato, uma vez que agora ela é considerada dentro do quadro maior da evangelização. Assim, a catequese retorna a seu lugar original, nascida, de fato, dentro dos processos de IVC (catecumenato), como nos primeiros séculos do cristianismo.

Diferentemente de certa concep√ß√£o tradicional de catequese, em que era privilegiado quase que somente o conte√ļdo doutrinal, o catecumenato, segundo AG, ‚Äún√£o √© mera exposi√ß√£o de dogmas e preceitos, mas uma educa√ß√£o de toda a vida crist√£ e um tiroc√≠nio de certa dura√ß√£o com o fim de unir os disc√≠pulos com Cristo, seu Mestre‚ÄĚ (14a).

Esse processo de inicia√ß√£o √© assim descrito: ‚Äúsejam os catec√ļmenos convenientemente iniciados no mist√©rio da salva√ß√£o. Atrav√©s da pr√°tica dos costumes evang√©licos e pelos ritos sagrados que se celebram em tempos sucessivos, sejam introduzidos [iniciados!] na vida da f√©, da liturgia e da caridade do Povo de Deus‚ÄĚ (AG 14a). Seguem-se outras disposi√ß√Ķes (14b-e) que, no seu conjunto foram assumidas e ampliadas no livro lit√ļrgico Rito de Inicia√ß√£o Crist√£ de Adultos (RICA, 1972).

Tais reflex√Ķes conflu√≠ram no documento da CNBB Diret√≥rio Nacional de Catequese (DNC). No in√≠cio do mil√™nio, ao inv√©s de se fazer uma nova edi√ß√£o atualizada de CR optou-se por publicar esse Diret√≥rio, em continuidade com CR e sem rupturas. Tal projeto vinha atender tamb√©m a um pedido da Santa S√© a todas as Confer√™ncias Episcopais, atrav√©s do DGC (cf. n¬ļ. 9, 11, 139, 166 e 171). Foi um longo processo de reflex√£o e reda√ß√£o que durou de maio de 2002 a outubro de 2006, quando foi aprovado e publicado, depois de tr√™s Assembleias Gerais do episcopado e de dois Instrumentos de Trabalho. Muitos catequistas, catequetas, biblistas, te√≥logos, liturgistas e outros estudiosos foram envolvidos no processo de elabora√ß√£o deste DNC. Ele trouxe novo impulso e anima√ß√£o na pastoral catequ√©tica, um verdadeiro marco na hist√≥ria da catequese brasileira. Propondo uma catequese com dimens√£o catecumenal, intimamente ligada √† Liturgia, o DNC apresenta um novo paradigma de catequese. Tal tend√™ncia foi uma antecipa√ß√£o do que seria refletido e proposto para toda a Am√©rica Latina atrav√©s da V Confer√™ncia do CELAM, em Aparecida. Esse DNC, ao permitir a conferi√ß√£o do Minist√©rio do Catequista para leigos, adiantou de 15 anos o Motu Proprio Antiquum Ministerium, do Papa Francisco, que o ir√° instituir em 10 de maio de 2021.

Em vista da magna assembleia da V CELAM, em Aparecida (SP), a Sec√ß√£o de Catequese do mesmo CELAM reuniu em Bogot√° de 01 a 05 de 2006 a III Semana Latino-Americana de Catequese, com cerca de 50 especialistas, entre os quais muitos brasileiros, para dar contribui√ß√Ķes a partir da catequese. Foi um importante momento catequ√©tico latino-americano, liderado por Dom Jos√© Lu√≠s Ch√°vez Botello, respons√°vel pela catequese no continente e seus assessores. Como fruto dessa III SLAC foi publicado um documento em quatro cap√≠tulos[7], que acentua, sobretudo, os processos de inicia√ß√£o crist√£ e a dimens√£o catecumenal da catequese. Tal contribui√ß√£o, embora de maneira muito sucinta, faz parte do Documento de Aparecida, que assume o catecumenato (286-300) realizado nos processos de IVC para a forma√ß√£o dos disc√≠pulos mission√°rios, grande perspectiva dessa V Assembleia Continental (cf. n¬ļ. 284-285).

Os processos de IVC, conforme o RICA, s√£o compostos de quatro tempos e tr√™s etapas. Os tempos s√£o: pr√©-catecumenato (primeiro an√ļncio), catecumenato propriamente dito (instru√ß√£o, catequese, convers√£o), ilumina√ß√£o-purifica√ß√£o (tempo quaresmal-pascal) e mistagogia (catequese ap√≥s o recebimento dos sacramentos da inicia√ß√£o, pr√≥pria do tempo pascal). As etapas s√£o as grandes celebra√ß√Ķes: entrada no catecumenato, purifica√ß√£o e ilumina√ß√£o (ritos de entregas, escrut√≠nios e outros) e celebra√ß√£o sacramental do Batismo, Crisma e Eucaristia. Esse ritual deixa grande possibilidade de estrutura√ß√£o, nova organiza√ß√£o e, sobretudo, incultura√ß√£o dos ritos catecumenais. Por√©m, as experi√™ncias e propostas em geral s√£o baseadas nos ritos tradicionais do mesmo RICA. Conforme o DGC, da S√© Apost√≥lica, e o DNC, da CNBB (2006), o RICA d√° o ritmo dos ritos e celebra√ß√Ķes que devem acompanhar a catequese entendida como educa√ß√£o e instru√ß√£o na f√©. Ad Gentes (AG) releva ainda a grande import√Ęncia da comunidade no processo catecumenal: ‚Äúa inicia√ß√£o crist√£ n√£o √© apenas tarefa dos catequistas e sacerdotes, mas de toda a comunidade dos fi√©is, de modo especial, dos padrinhos‚ÄĚ (14d; cf. PO 6d).

No Brasil, como na Am√©rica Latina, essa guinada em busca de uma catequese de √≠ndole catecumenal √© bem recebida, inicialmente entre os orientadores da catequese e os ambientes acad√™micos, para em seguida ser entusiasticamente acolhida pela maioria dos catequistas de base. Cresce o interesse pela restaura√ß√£o do catecumenato, pois √© nele, ou seja, dentro do processo de IVC que a catequese encontra seu h√ļmus e lugar onde melhor exercer sua miss√£o mistag√≥gica e inici√°tico-pedag√≥gica. Apesar dos in√ļmeros cursos de atualiza√ß√£o ou assembleias para o clero sobre a IVC, proporcionados pela maioria das dioceses, do ponto de vista pr√°tico, a instaura√ß√£o desse novo paradigma catequ√©tico-catecumenal encontra resist√™ncias e questionamentos por parte daqueles que justamente deveriam liderar tal renova√ß√£o: os p√°rocos! Muitos o julgam complicado, trabalhoso e preferem manter a toada tradicional da catequese, apenas com alguma maquiagem nos subs√≠dios e m√©todos.

Um acontecimento de grande impacto na catequese no Brasil e demais setores da Igreja, sem d√ļvida, foi a elei√ß√£o do Papa Bergoglio. O nome escolhido, Francisco, j√° indica uma forte tend√™ncia de seu pontificado: surpreendeu o mundo com gestos de simplicidade, pobreza, apelo √† miseric√≥rdia, reforma nas estruturas eclesiais e o retorno ao n√ļcleo central do Evangelho. Invej√°vel √© tamb√©m a lista de seus escritos: al√©m de uma enc√≠clica sobre a F√©, Lumen Fidei, que muito tem a ver com a catequese, escreveu quase que de pr√≥prio punho a exorta√ß√£o apost√≥lica Evangelii Gaudium (a alegria do Evangelho), important√≠ssima para a evangeliza√ß√£o e catequese, recolhendo os frutos principais do S√≠nodo dos Bispos, de 2012. Outros grandes documentos seus: Laudato s√¨, Amoris Laetitia, Querida Amazonia, Fratelli tutti. Proclamou 2016 como Ano da Miseric√≥rdia, convocou o S√≠nodo de 2018: os jovens e a f√©, e sua respectiva exorta√ß√£o Apost√≥lica Christus vivit. Ele mesmo, em suas catequeses, √© um exemplo vivo de como fazer catequese hoje.

7 Um panorama fecundo de eventos e atividades catequéticas

Entre 2012-2022, podemos elencar onze acontecimentos e documentos em torno da IVC. Eles marcam a hist√≥ria recente e apontam para esse novo paradigma catequ√©tico. N√£o se trata apenas de nomes e din√Ęmicas inovadoras, mas constitui-se tamb√©m como que um novo caminho, que n√£o tem retorno, para o futuro da catequese no Brasil:

1. O S√≠nodo dos Bispos para a Nova Evangeliza√ß√£o realizado, em outubro de 2012, com o tema A Nova Evangeliza√ß√£o para a transmiss√£o da f√©, no marco dos 50 anos do Vaticano II e 20 do Catecismo da Igreja Cat√≥lica. Reafirmou a import√Ęncia da catequese para a nova evangeliza√ß√£o, sublinhando seu car√°ter catecumenal e a prioridade dos adultos. Pediu que fosse revista a sequ√™ncia da recep√ß√£o dos Sacramentos da Inicia√ß√£o, propondo: Batismo, Crisma, Eucaristia, para que esse Sant√≠ssimo Sacramento se torne o √°pice da inicia√ß√£o, e n√£o a confirma√ß√£o.

2. O III Congresso Internacional sobre o Catecumenato, realizado em Santiago do Chile (20-25 de julho de 2014) sobre a IVC e a mudança de época.

3. O Seminário Nacional sobre Iniciação à Vida Cristã, em São Caetano (SP), de 07 a 09 de novembro de 2014: avaliação de experiências realizadas e prospectivas.

4. Publica√ß√£o pelo Celam do texto: A alegria de iniciar disc√≠pulos mission√°rios numa mudan√ßa de √©poca. Novas perspectivas para a catequese na Am√©rica Latina e Caribe[8]. √Č um texto breve, denso e provocativo; apresenta-se com uma linguagem simples; sem ser acad√™mica ou erudita, √© profunda, compreens√≠vel por um catequista de cultura m√©dia.

5. Lan√ßamento, pela Comiss√£o Episcopal Pastoral para a Anima√ß√£o B√≠blico-Catequ√©tica, da CNBB, do Itiner√°rio Catequ√©tico: inicia√ß√£o √† vida crist√£ ‚Äď um processo de inspira√ß√£o catecumenal (Bras√≠lia: Edi√ß√Ķes CNBB 2016, 3¬™. ed.). Nele, de maneira muito esquem√°tica, h√° itiner√°rios de IVC para 4 idades: adultos n√£o batizados, adultos batizados, crian√ßas, adolescentes e jovens, sempre a partir do RICA e integrando os tr√™s grandes livros da IVC: B√≠blia, CaIC, RICA.

6. Reuni√£o do Pontif√≠cio Conselho para Promo√ß√£o da Nova Evangeliza√ß√£o com os 18 Regionais da CNBB, para conhecimento direto da catequese no Brasil por parte desse organismo romano, realizado de 02 a 04 de setembro de 2015, em Aparecida (SP): foi a primeira vez que um √≥rg√£o da C√ļria Romana se interessou por um maior conhecimento, in loco, da nossa realidade catequ√©tica brasileira. Estabeleceu-se um di√°logo muito fecundo.

7. Aprova√ß√£o, pela 55¬™. Assembleia Geral da CNBB, em 2017, do Documento 107, Inicia√ß√£o √† Vida Crist√£: itiner√°rio para formar disc√≠pulos mission√°rios (Bras√≠lia: Edi√ß√Ķes CNBB, 2017). √Č o documento oficial mais importante da Confer√™ncia Episcopal brasileira para a IVC, dentro da qual se situa a catequese. S√£o 4 cap√≠tulos densos de doutrina e hist√≥ria: depois de um primeiro cap√≠tulo, em que apresenta o √≠cone da IVC no epis√≥dio de Jesus e a Samaritana, o segundo √© um duplo olhar: para o passado (a hist√≥ria da IVC) e para o presente (as necessidades atuais); s√≥ ent√£o, no terceiro cap√≠tulo, procede-se a uma grande reflex√£o teol√≥gico-pastoral sobre a IVC, tratando temas como mergulho no mist√©rio de Deus e de Cristo mediante o mist√©rio da Igreja, contemplada como comunidade querigm√°tica e mission√°ria, mistag√≥gica e materna; reflex√£o sobre o RICA e os sacramentos da IVC, concluindo com a vis√£o da vida crist√£ como fruto da Inicia√ß√£o. Por fim, no quarto e maior cap√≠tulo, h√° a proposta de caminhos metodol√≥gicos: o projeto diocesano respons√°vel por todo o √™xito dessa pr√°tica pastoral-catequ√©tica, o querigma, o catecumenato com seus tempos e etapas, orienta√ß√Ķes para a forma√ß√£o inici√°tica e sobre os principais atores da IVC, concluindo com encaminhamentos para a revis√£o da ordem dos sacramentos da inicia√ß√£o: Batismo, Crisma e Eucaristia.

8. Promovido pelo Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, realizou-se no Vaticano, de 20 a 23 de setembro de 2018, o II Congresso Internacional de Catequese, com o tema: O Catequista, testemunha do Mistério. Teve o caráter mais de festa e celebração, mas também momentos de reflexão sobre o catequista testemunha e anunciador do mistério cristão.

9. IV Semana Brasileira de Catequese, de 14 a 18 novembro de 2018, em Itaici (SP), com o tema A Catequese a servi√ßo da IVC. Foi preparada com um subs√≠dio pr√≥prio pelas duas comiss√Ķes episcopais: da Catequese e da Liturgia. O evento teve como lema ‚ÄúN√≥s ouvimos e sabemos que Ele √© Salvador do mundo‚ÄĚ (Jo 4,42), contando com mais de quatrocentos participantes de todo Brasil, com a totalidade da lideran√ßa catequ√©tica brasileira e representantes da maioria das 278 dioceses e outras circunscri√ß√Ķes eclesi√°sticas.

10. Publica√ß√£o do novo Diret√≥rio para a Catequese (DpC), pelo Pontif√≠cio Conselho para a Promo√ß√£o da Nova Evangeliza√ß√£o e apresentado em 25 de junho de 2020. Repete as grandes intui√ß√Ķes e perspectivas do Diret√≥rio Geral para a Catequese anterior, e integra os ensinamentos dos Papas Bento XVI e Francisco. Retorna a falar de catequese escolar para atender a necessidades das Igrejas do Leste Europeu, que muito valorizam a escola para evangelizar (no Brasil se faz a distin√ß√£o entre Catequese e Ensino Religioso Escolar). Com rela√ß√£o ao Diret√≥rio anterior, inova acrescentando a dimens√£o midi√°tica da catequese, muito bem desenvolvida no item Catequese e cultura digital (n¬ļ. 359-372): caracter√≠sticas gerais, transforma√ß√£o antropol√≥gica, cultura digital como fen√īmeno religioso, cultura digital e quest√Ķes educativas, an√ļncio e catequese na era digital. Para a Am√©rica Latina, que j√° possui o grande documento de Aparecida, com significativo avan√ßo na IVC, o novo Diret√≥rio n√£o trouxe grandes novidades. Entretanto, para a Europa e outros continentes, ele relembrou as conquistas da catequese nesse √ļltimo s√©culo e nem sempre colocadas em pr√°tica no antigo continente. Sua receptio (recep√ß√£o) foi intensa e calorosa, dada a facilidade das redes sociais, em fazer lives, semin√°rios, confer√™ncias, cursos. Grandes estudiosos, tanto da Am√©rica Latina, como da Europa, deram suas contribui√ß√Ķes apresentando o texto e relevando sua grande contribui√ß√£o para a catequese hoje e no futuro.

11. Esse DpC, de 2020, n√£o reconhece oficialmente o Minist√©rio institu√≠do do Catequista; na verdade, nem √© nomeado. De fato, h√° pessoas, tamb√©m da Hierarquia da Igreja, que n√£o concordam com essa ideia, afirmando que oficialmente o termo Minist√©rio se aplica somente aos membros do clero. Mas, o Papa Francisco, em 10 de maio do ano seguinte (2021), enfrentando oposi√ß√Ķes, colocou um ponto final nessa discuss√£o e, por pr√≥pria iniciativa (motu pr√≥prio), instituiu formalmente o Minist√©rio Leigo da/o Catequista, atrav√©s do Motu Proprio Antiquum Ministerium (AM). √Č um grande reconhecimento da Igreja pelo trabalho √°rduo, cansativo, penoso dos catequistas. Embora j√° haja um Rito da CNBB para a institui√ß√£o do minist√©rio do/a catequista, (Cnbb, Minist√©rio do Catequista. Cole√ß√£o Estudos da CNBB 95. Paulus: 2007) a Confer√™ncia Episcopal, obedecendo ao mandato do Papa em AM, publicou tamb√©m o Ritual para a institui√ß√£o o Minist√©rio Leigo da/o catequista [9].

Conclus√£o

A Hist√≥ria da catequese na Igreja mostra que em seus in√≠cios ela nasceu inserida no processo maior de Inicia√ß√£o Crist√£, codificado numa das maiores organiza√ß√Ķes que a Igreja j√° instituiu, o Catecumenato. A instru√ß√£o e o ensino da doutrina crist√£ estavam inseridos num √Ęmbito maior que implicava celebra√ß√Ķes, entregas, provas de convers√£o crist√£, escrut√≠nios, acompanhamento de toda comunidade…

Com o avan√ßo da evangeliza√ß√£o e a hegemonia do cristianismo no ambiente cultural ocidental, a catequese ficou quase que reduzida √† transmiss√£o da doutrina, ou seja, no seu aspecto mais intelectual e reflexivo, doutrinal, especulativo e n√£o tanto experiencial, como no catecumenato. No Brasil, pela intensa atividade mission√°ria dos Jesu√≠tas, predominou esse tipo doutrinal da catequese, por√©m com grandes esfor√ßos daquilo que hoje chamamos de incultura√ß√£o e promo√ß√£o humana. Nenhuma tentativa houve que se aproximasse do antigo catecumenato, como acontecia em outras regi√Ķes. O golpe desferido por Pombal com a expuls√£o dos Jesu√≠tas, n√£o conseguiu erradicar o cristianismo, muito embora ele tenha imposto o Catecismo Jansenista (ou Catecismo de Montpellier).

A f√© mantida no meio do povo, por leigos e associa√ß√Ķes religiosas, manteve acesa a f√©.¬† Entretanto, somente com os Bispos Reformadores, o Conc√≠lio de Trento come√ßou a ser implantado no Brasil, nascendo assim a ‚Äúera dos catecismos doutrinais‚ÄĚ (1850-1950), muitos deles, como o Catecismo da doutrina Crist√£ (1901), verdadeiras p√©rolas de formula√ß√£o doutrinal, dentro do estilo da √©poca. Esse esfor√ßo de alinhar a Igreja do Brasil com o centro da Igreja romana, teve seu ponto alto nos Conc√≠lio Plen√°rio Latino-americano (1899, em Roma!) e o Conc√≠lio Plen√°rio Brasileiro (1939), que muito prescreveram sobre a catequese doutrinal.

√Ä medida que o movimento de renova√ß√£o catequ√©tica surgia na Europa nos in√≠cios do s√©culo XX, ia sendo conhecido tamb√©m no Brasil, embora com atrasos, por obra sobretudo do Pe. √Ālvaro Negromonte. Permanecia ainda com o forte car√°ter doutrinal e mnem√īnico herdado de tempos imemoriais. A influ√™ncia da psicologia, sociologia, e de outras ci√™ncias humanas, alavancavam o progresso tamb√©m do ensino catequ√©tico. Teologicamente, muito contribuiu o movimento querigm√°tico, no esfor√ßo de um cristocentrismo renovador na catequese. Finalmente, o Conc√≠lio Vaticano II e seu poder renovador, acelerou a verdadeira renova√ß√£o da catequese, sobretudo sua nova eclesiologia, cristologia e renovada concep√ß√£o da Revela√ß√£o Divina.

A Semana Internacional de Catequese e a II CELAM (Confer√™ncia Episcopal Latino-americana) ambas em Medell√≠n (Col√īmbia), no m√™s de agosto de 1968, representaram mudan√ßas significativas para a catequese: a preocupa√ß√£o j√° n√£o era somente com a correta doutrina, mas tamb√©m com a situa√ß√£o, em geral de grande pobreza, dos catequizandos, trazendo-lhes, em nome do Evangelho, melhores condi√ß√Ķes de vida e promo√ß√£o humana. Essa dimens√£o sociopol√≠tica foi mitigada posteriormente pelos movimentos que acentuavam mais o car√°ter espiritual, mistag√≥gico, lit√ļrgico e orante da mensagem crist√£. Entre idas e vindas, a Igreja, sobretudo no Brasil e na A. Latina, encaminhou-se a largos passos, j√° no s√©culo XXI, para a compreens√£o original da catequese, ou seja: ela est√° a servi√ßo dos processos de Inicia√ß√£o Crist√£ (DGC 63-68; DNC 35-38), retornando, assim, a seus in√≠cios nos s√©culos II-IV. Fecha-se, assim, o ciclo hist√≥rico com a volta √†s origens, adaptada √† novas situa√ß√Ķes para a proclama√ß√£o da Boa Nova de Jesus Cristo e seu Evangelho.

Pe. Dr. Luiz Alves de Lima, sdb. UNISAL РCentro Universitário Salesiano de São Paulo. Texto original português. Enviado em 20/02/2023; aprovado em 20/10/2023; postado 31/12/2023.

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[1] Siglas usadas nessa matéria: AG = Ad Gentes; AM = Antiquum Ministerium; DAp = Documento de Aparecida (CELAM: 2007);  CaIC = Catecismo da Igreja Católica; CD = Christus Dominus; CM = Congregação da Missão (vicentinos); CR = Documento Catequese Renovada; CT = Catechesi Tradendae; DGC = Diretório Geral para a Catequese (1997; DNC = Diretório Nacional de Catequese (2006); ISPAC = Instituto Superior de Pastoral Catequética; IVC = Iniciação à Vida Cristã; PO = Presbiterorum Ordinis; DM = Documento de Medellín (CELAM, 1968); DP = Documento de Puebla (CELAM: 1979); RICA = Ritual de Iniciação Cristã de Adultos; SD = Documento de Santo Domingo (CELAM: 1992); SC = Sacrosanctum Concilium; SLAC = III Semana Latino-Americana de Catequese.

[2] As Regras comuns dos jesu√≠tas impunham a grave obriga√ß√£o de conhecer e usar bem as l√≠nguas ind√≠genas, a ponto de poderem escrever livros e explicar a doutrina crist√£; era uma das condi√ß√Ķes para ser ordenado sacerdote. Muitas eram as l√≠nguas faladas no Brasil, mas havia uma l√≠ngua geral, dos tupinamb√°s (nheengatu), mais ou menos falado por todos.

[3] Sobre os valores indígenas e africanos assimilados no catolicismo popular pela catequese nesta época, cf. Cansi, 1993, p. 195-201.

[4] Podem ser citados: D. Ant√īnio Vi√ßoso (Mariana), D. Ant√īnio Joaquim de Melo (S√£o Paulo), D. Ant√īnio Macedo Costa (Par√°), D. Joaquim Manoel da Silveira (Maranh√£o), D. Pedro Maria de Lacerda (Rio de Janeiro), D. Romualdo de Souza Coelho e outros. Alguns autores chamam tal reforma de romaniza√ß√£o, pois se pretendia superar o tradicional catolicismo portugu√™s, de raiz medieval, sob o esp√≠rito tridentino romano.

[5] √Č preciso notar que, no Brasil, n√£o havia muita distin√ß√£o entre Catequese, como atividade paroquial em vista do crescimento da f√©, pr√≥pria da Comunidade Eclesial (par√≥quia) e o Ensino Religioso Escolar, pr√≥prio da Escola, como educa√ß√£o da religiosidade. Pe. √Ālvaro Negromonte sempre trabalhou e escreveu sobre ambos. Tal distin√ß√£o vai se acentuar e ser esclarecida somente mais tarde com o documento Catequese Renovada (1983).

[6] S√£o muitos. Os mais importantes: Textos e Manuais de Catequese: orienta√ß√Ķes para sua elabora√ß√£o, an√°lise e avalia√ß√£o = Estudos da CNBB 53, 1987; Forma√ß√£o de Catequistas: crit√©rios pastorais = Estudos da CNBB 59, 1990; Orienta√ß√Ķes para a catequese de crisma = Estudos da CNBB 61, 1991; Catequese para um mundo em mudan√ßa = Estudos da CNBB 73, 1994; O hoje de Deus em nosso ch√£o = Estudos da CNBB 78, 1998; Com adultos catequese adulta = Estudos da CNBB 80, 2001; Crescer na Leitura da B√≠blia = Estudos da CNBB 86, Paulus 2003; Ler a B√≠blia com a Igreja: coment√°rio did√°tico popular √† Constitui√ß√£o dogm√°tica Dei Verbum = Projeto Nacional de Evangeliza√ß√£o ‚ÄúQueremos ver Jesus…‚ÄĚ n¬ļ 11, 2004, etc.

[7] Celam ‚Äď Sec√ß√£o de Catequese, A caminho de um novo paradigma para a Catequese. III SLAC. Bras√≠lia: Edi√ß√Ķes CNBB, 2007.

[8] Celam. A alegria de iniciar disc√≠pulos mission√°rios numa √©poca de mudan√ßas. Bras√≠lia: Edi√ß√Ķes CNBB, 2016.

[9] Cnbb, Crit√©rios e Itiner√°rios para a Institui√ß√£o do Minist√©rio de Catequista. Bras√≠lia: Edi√ß√Ķes CNBB, 2022.