Novo Testamento (NT)

Sum√°rio

1 Novo Testamento

2 Contexto sociohistórico e cultural

3 Documentação

4 Autoria

5 Evangelhos e Atos dos Apóstolos

6 Cartas paulinas (“Corpus paulinum”)

7 Cartas católicas ou gerais

8 O Apocalipse 

9 C√Ęnon do Novo Testamento e ap√≥crifos

9.1 O NT can√īnico

9.2 Textos extracan√īnicos ou ap√≥crifos do NT

10 Import√Ęncia e atualidade no Novo Testamento

10.1 A origem do fato crist√£o

10.2 A pessoa e a mensagem de Jesus de Nazaré

11 Referências

1 ‚ÄúNovo Testamento‚ÄĚ

¬†O Novo Testamento (NT) √© a parte da B√≠blia crist√£ que conserva por escrito o testemunho a respeito de Jesus de Nazar√©, testemunho do √Ęmbito dos ap√≥stolos de Jesus, que a Igreja, guiada pelo Esp√≠rito, reteve como refer√™ncia e express√£o fundamental da revela√ß√£o de Deus em Jesus de Nazar√©. S√£o os documentos que testemunham o momento fundador do ‚Äúfato crist√£o‚ÄĚ.

O nome ‚ÄúNovo Testamento‚ÄĚ (ou Pacto, Alian√ßa) remonta ao conceito hebraico ber√ģt (‚Äúalian√ßa, pacto atestado‚ÄĚ) e aponta para a interpreta√ß√£o da a√ß√£o de Jesus de Nazar√© ‚Äď especialmente o sacrif√≠cio de sua vida ‚Äď como cumprimento da profecia da ‚Äúnova alian√ßa‚ÄĚ segundo Jr 31,31-33 e textos an√°logos do Antigo Testamento (AT). No NT, a express√£o ocorre em rela√ß√£o √† √ļltima ceia de Jesus em Lc 22,20 (Mt 26,28; Mc 14,24) e 1Cor 11,25; e ainda em 2Cor 3,6; Hb 8,8; 9,15; 12,24.

O NT pode ser considerado um ‚Äúreposicionamento‚ÄĚ do marco referencial da tradi√ß√£o escritural de Israel (o AT), do √™xodo do Egito, evento fundador da consci√™ncia israelita, para a atividade de Jesus Cristo, evento fundador do cristianismo. Nesse reposicionamento, as Escrituras de Israel n√£o perderam sua validade, mas foram lidas na perspectiva do novo evento fundador.

O AT √© antigo no sentido de ‚Äúprimordial‚ÄĚ (h√° quem o chame de ‚Äúprimeiro Testamento‚ÄĚ). Sem ele, o NT seria impens√°vel. √Č por isso que a Igreja incluiu, nas suas Escrituras, as de Israel[2]. Jesus falava a linguagem religiosa de seu povo, portanto, do AT. Rezava os Salmos, livro de ora√ß√£o e louvor do AT. Discutia com os escribas sobre como interpretar a Tor√°: em nome da justi√ßa e do amor, relativizava as prescri√ß√Ķes rituais (ex: Mc 2,21‚Äď3,6; 7,1-23) e radicalizava as exig√™ncias √©ticas, acentuando seu embasamento no interior do cora√ß√£o e seu car√°ter universal, sem discrimina√ß√£o (ex: Mt 5,17-48).

Para a conserva√ß√£o do AT na B√≠blia foi fundamental o fato de ali se encontrarem as profecias, fatos ou figuras do AT que podem ser interpretadas como prefigura√ß√£o de Jesus, cuja obra ent√£o aparece como a plenitude das Escrituras[3]. Por isso, o crist√£o procura ler, no AT, aquilo que ‚Äúfaz surgir Jesus‚ÄĚ[4]. Mas, para encontrar isso, √© preciso conhecer bem o AT (‚Äúas coisas novas e as antigas‚ÄĚ, Mt 13,52) e tornar-se ‚Äújudeu com os judeus‚ÄĚ (1Cor 9,20), especialmente, com o judeu Jesus de Nazar√©.

O NT √© o mais antigo testemunho da cristaliza√ß√£o da f√© em Jesus como Cristo (Messias), Filho de Deus e Salvador do mundo. N√£o cont√©m uma teologia sistem√°tica como se desenvolveu nos s√©culos ulteriores, sobretudo a partir dos grandes conc√≠lios ecum√™nicos dos s√©culos IV e V. √Č, antes, uma cole√ß√£o de testemunhos, extremamente diversificados conforme os ambientes e as personalidades que os produziram.

2 Contexto sociohistórico e cultural

¬†O tempo ao qual se refere o NT comporta menos de um s√©culo: desde o nascimento de Jesus at√© o fim do s√©culo I. Mas √© um tempo de grandes mudan√ßas. A Palestina, como era chamada a terra de Jesus desde Alexandre Magno (330 a.C.), depois da relativa autonomia sob os hasmoneus (164-63 a.C.), tinha sido incorporada ao Imp√©rio romano, que nomeara como autoridade local, primeiro, Ant√≠pater e, depois, o ‚Äúrei‚ÄĚ Herodes Magno. Esse foi sucedido, em 4 a.C., por seus filhos, os ‚Äútetrarcas‚ÄĚ, Herodes Filipe (Gol√£), Arquelau (Judeia e Samaria) e Herodes Antipas (Galileia e Perea). Em 6 d.C., Arquelau foi substitu√≠do por um governador romano. Durante a vida p√ļblica de Jesus, por volta de 30 d.C., a Galileia era governada pelo ‚Äúrei‚ÄĚ Herodes Antipas e a Judeia pelo governador romano P√īncio Pilatos. Mais tarde, aparecer√£o como autoridades locais os ‚Äúreis‚ÄĚ Agripa I e II, tamb√©m do cl√£ de Herodes.

O espa√ßo do NT √© em primeiro lugar a terra de Jesus, a Palestina (Judeia, Samaria, Galileia). Depois de Jesus, o cen√°rio se deslocar√° para as regi√Ķes na bacia oriental do mar Meditarr√Ęneo, como se pode ver nos Atos dos Ap√≥stolos.

O cen√°rio sociopol√≠tico √© determinado pelo Imp√©rio romano, onipresente por sua administra√ß√£o e seu ex√©rcito. A pol√≠tica se fazia na base do clientelismo e do favoritismo: os¬† herodianos na Palestina eram ‚Äúclientes‚ÄĚ do Imperador (o ‚ÄúCesar‚ÄĚ) de Roma, o √ļnico que podia usar o t√≠tulo de rei (os herodianos tinham esse t√≠tulo por concess√£o; os romanos executaram Jesus por causa da acusa√ß√£o de se ter proclamado rei). As autoridades locais deviam recolher os pesados impostos que o Imp√©rio exigia. Certo poder na vida cotidiana e na comunidade religiosa (que era tamb√©m pol√≠tica) era atribu√≠do √†s autoridades da comunidade judaica, os sumos sacerdotes e o Sin√©drio. A economia, tradicionalmente rural, tornava-se sempre mais citadina e mercantil, enquanto os pequenos propriet√°rios, muitas vezes, n√£o conseguiam entregar os elevados tributos e se tornavam arrendat√°rios ou, mesmo, escravos rurais. Para o tempo depois de Jesus √© importante conhecer a situa√ß√£o urbana na di√°spora fora da Palestina, onde os judeus (e, portanto, os primeiros crist√£os) viviam em guetos sem direito de cidadania (Paulo era uma exce√ß√£o: At 16,37-38; 22,25-28). Contrariamente aos costumes greco-romanos, os crist√£os acolhiam os escravos nas suas comunidades.

Quanto √† cultura, deve-se distinguir entre o ambiente judaico tradicional, que reinava em Jerusal√©m e na Baixa Galileia (Cafarnaum), e a cultura helenizada ‚Äúglobal‚ÄĚ, presente nos pa√≠ses vizinhos e, tamb√©m, em grandes partes da Palestina (Samaria, Dec√°pole e, mesmo, Jerusal√©m). No ambiente judaico, o culto era celebrado em hebraico e a l√≠ngua cotidiana eram os dialetos aramaico-hebraicos. Nos ambientes helenizados (ex√©rcito, com√©rcio) falava-se grego (inclusive em certos ambientes em Jerusal√©m; cf. At At 6,9 ‚Äď a sinagoga dos Libertos ‚Äď e 21,37). A l√≠ngua administrativa era o latim (cf. Jo 19,20). Para ler o NT √© preciso ter consci√™ncia do pluralismo cultural at√© nas imedia√ß√Ķes de Jesus (a mulher samaritana, a siro-fen√≠cia, Jesus na Dec√°pole, o centuri√£o de Cafarnaum etc.).

3 Documentação

N√£o temos nenhum documento ‚Äúaut√≥grafo‚ÄĚ do NT (da m√£o do pr√≥prio autor). As ‚Äútestemunhas textuais‚ÄĚ mais pr√≥ximas dos originais s√£o os documentos escritos em papiro (material usado at√© os s√©culos III-IV d.C.), com fragmentos de praticamente todas as partes do NT. Muitas vezes unem diversos escritos em um s√≥ documento (os evangelhos, as cartas paulinas ou at√© todo o NT), atestando, assim, n√£o apenas a antiguidade dos escritos individuais, mas tamb√©m sua integra√ß√£o num c√Ęnon das Escrituras. H√° casos privilegiados, como o pap. 66 (Bodmer II), datado por volta de 200 d.C., que conserva consider√°veis partes do evangelho de Jo√£o, que, segundo o consenso geral, teria recebido sua forma final pouco antes de 100 d.C. Trata-se, pois, de uma testemunha extremamente valiosa, distante um s√©culo apenas da escrita original, caso rar√≠ssimo para escritos da Antiguidade.

Al√©m dos mais de cem papiros valiosos, dispomos dos c√≥dices, ou seja, volumes encadernados, escritos em pergaminho, que se tornam a forma normal de transmiss√£o do NT a partir do s√©culo IV d.C., tempo dos grandes conc√≠lios. Os mais antigos, chamados ‚Äúunciais‚ÄĚ, s√£o escritos s√≥ com mai√ļsculas e praticamente sem sinais de pontua√ß√£o, o que suscita problemas de interpreta√ß√£o. Os manuscritos unciais mais famosos s√£o o Codex Sinaiticus, encontrado no mosteiro dos monges greco-ortodoxos do monte Sinai, e o Codex Vaticanus, guardado no Vaticano. Ambos prov√™m da cuidadosa recens√£o (= restaura√ß√£o do texto) alexandrina (dos crist√£os de Alexandria do Egito), considerada como altamente confi√°vel[5].

Mais tarde, o texto grego (na l√≠ngua original) continuou sendo copiado na Igreja greco-oriental, em letras cursivas min√ļsculas e com pontua√ß√£o, na forma padronizada que se tornou conhecida tamb√©m no Ocidente, no in√≠cio da Era Moderna, quando se come√ßou a imprimir a B√≠blia. Ganhou o nome de textus receptus e √©, ainda hoje, adotado como base em algumas tradu√ß√Ķes da B√≠blia, at√© de divulga√ß√£o mundial[6]. Mas as edi√ß√Ķes e tradu√ß√Ķes mais cr√≠ticas preferem basear-se nos documentos mais pr√≥ximos dos originais, sobretudo os papiros.

Al√©m destas testemunhas em grego, os estudiosos recorrem tamb√©m √†s tradu√ß√Ķes em diversas l√≠nguas antigas, principalmente em sir√≠aco (pr√≥xima do aramaico) e em latim (√Āfrica do Norte, It√°lia, G√°lia). Estas tradu√ß√Ķes remontam, √†s vezes, a formas do texto original anteriores aos documentos gregos hoje conhecidos; por isso s√£o importantes para a cr√≠tica textual (busca da forma mais original do texto).

4 Autoria

A respeito dos autores do NT temos apenas certeza relativa. Os estudos cr√≠ticos reconhecem Paulo como autor de suas ‚Äúcartas aut√™nticas‚ÄĚ (cf. ¬ß 6), e h√° bastante unanimidade em reconhecer Lucas como o autor do evangelho que leva seu nome e dos Atos dos Ap√≥stolos. Quanto aos outros escritos, nem sempre a autoria tradicionalmente aceita resiste aos questionamentos hist√≥ricos. As cartas de Paulo mostram que ele se servia de secret√°rios (em Cl 4,18, ele d√° a entender que a carta foi escrita por um secret√°rio, enquanto ele acrescentou a sauda√ß√£o ‚Äúde pr√≥prio punho‚ÄĚ). Esse foi certamente tamb√©m o caso dos outros ap√≥stolos. Em alguns casos, provavelmente, os escritos foram redigidos por disc√≠pulos para conservar a prega√ß√£o de um ap√≥stolo moribundo ou j√° falecido. O ap√≥stolo ou evangelista √© antes a ‚Äúautoridade‚ÄĚ do que o escritor no sentido moderno da palavra. Tamb√©m as datas exatas em que os textos foram redigidos continuam objeto de pesquisa hist√≥rica e n√£o s√£o conhecidas de modo definitivo.

A inspira√ß√£o e a verdade salv√≠fica dos escritos n√£o dependem da identidade do escritor, mas de seu valor como testemunho dos prim√≥rdios da f√©. A inspira√ß√£o n√£o se situa no ato mec√Ęnico do escrever, mas na f√© que a comunidade recebe e transmite por a√ß√£o do Esp√≠rito Santo. Por isso, segundo a Igreja cat√≥lica, o principal autor das Escrituras √© o pr√≥prio Deus, servindo-se de autores humanos, que redigem os textos conforme os procedimentos v√°lidos para toda literatura (cf. Conc√≠lio Vaticano II, Dei Verbum n.11).

5 Evangelhos e Atos dos Apóstolos

Embora os primeiros escritos do NT sejam as cartas paulinas (cf. ¬ß 6), o NT lhes antep√Ķe os Evangelhos e os Atos dos Ap√≥stolos, porque esses cont√™m a narrativa a respeito de Jesus, de seus seguidores e das primeiras comunidades, ou seja, a tradi√ß√£o das origens pressuposta para os demais escritos do NT.

Os evangelhos apresentam a narrativa da atividade de Jesus, sua mensagem e impacto; alimentam a pregação que é levada adiante por seus seguidores. Todos eles seguem o mesmo esquema fundamental: atividade de João Batista, pregação inicial de Jesus e, a partir de certo momento, o atrito com os mestres e chefes judaicos, culminando no conflito final, morte e ressurreição em Jerusalém.

Os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas s√£o t√£o semelhantes que se deixam comparar em tr√™s colunas paralelas, numa sinopse. Por isso s√£o chamados ‚Äúsin√≥pticos‚ÄĚ, e a compara√ß√£o entre eles chama-se a ‚Äúquest√£o sin√≥ptica‚ÄĚ. Hoje em dia, geralmente, aceita-se a seguinte hip√≥tese:

1) Mateus e Lucas adotaram Marcos como narrativa básica (daí o acordo Mt = Mc = Lc).

2) Mateus e Lucas inseriram nessa narrativa uma cole√ß√£o de palavras de Jesus, ausente em Marcos, e que os estudiosos chamam de ‚ÄúQ‚ÄĚ (do alem√£o Quelle = ‚Äúfonte‚ÄĚ), hoje perdida; da√≠ o acordo Mt = Lt (sem Mc). Mas esse acordo √© relativo, porque Mateus e Lucas executaram essa opera√ß√£o de modo independente, inserindo as mat√©rias de Q em lugares diferentes no roteiro dos seus respectivos evangelhos. Mesmo assim, o observador atento descobre relativa coincid√™ncia de ordem nas mat√©rias de Q usadas por Mateus e Lucas.

Evidentemente, Mateus e Lucas integraram nos seus escritos tamb√©m suas respectivas tradi√ß√Ķes particulares (p.ex. os ‚Äúevangelhos da inf√Ęncia de Jesus‚ÄĚ, que s√£o diferentes em Mateus e em Lucas e n√£o prov√™m nem de Marcos, nem de Q).

30-50: dC el Evangelio transmitido en la predicación apostólica oral

51-52: primeiras cartas de Paulo

50-60: coleção escrita das palavras de Jesus (Q)

65-70: Evangelho de Marcos

70: destruição do templo de Jerusalém

¬Ī 80 Mateus e Lucas

Pregação apostólica.

Tradi√ß√Ķes diversas

‚Äútripla‚ÄĚ: Marcos¬†¬† ‚Äúdupla‚ÄĚ: Q

particular                                         particular

 

 

Mateus                                   Lucas

O quarto evangelho can√īnico, intitulado ‚Äúsegundo Jo√£o‚ÄĚ, segue o esquema narrativo fundamental dos tr√™s primeiros, mas com numerosas diferen√ßas no modo de organizar a mat√©ria (ordem diferente, sele√ß√£o muito restrita dos gestos de Jesus) e no estilo (grandes di√°logos e discursos em vez de breves par√°bolas).

Os Atos dos Ap√≥stolos constituem a continua√ß√£o do Evangelho de Lucas (cf. At 1,1-2). Descrevem o an√ļncio universal da salva√ß√£o segundo o mandato de Jesus ressuscitado (At 1,8, cf. Lc 24,48) ‚Äď o que √© considerado devidamente encaminhado quando Paulo, mission√°rio por excel√™ncia, chega a Roma, centro do mundo conhecido (At 28,16-31).

6 Cartas paulinas (‚ÄúCorpus paulinum‚ÄĚ)

Os primeiros escritos do NT s√£o as cartas do ap√≥stolo Paulo, escritas aproximadamente entre 50 d.C. e a morte de Paulo, em 64 (ou 67) d.C. A ordem can√īnica (como aparece na B√≠blia o NT) n√£o √© necessariamente a ordem cronol√≥gica. Algumas, inclusive, podem ter sido publicadas depois de sua morte pelos disc√≠pulos (as d√™utero e tritopaulinas).

Ordem can√īnica na B√≠blia

Provável ordem cronológica e autenticidade
grandes cartas: Rm, 1 e 2Cor, Gl;

cartas do cativeiro: Ef, Fl, Cl;

primeiras cartas: 1 e 2 Ts;

cartas pastorais: 1e 2Tm, Tt e Fm;

carta aos Hebreus (Hb).

protopaulinas: 1Ts, 1 e 2Cor , Gl , Rm, Fl,  Fm, e talvez Cl;

deuteropaulinas: Ef, 2Ts;

tritopaulinas: as cartas pastorais 1 e 2 Tm, Tt;

atribuída a Paulo: Hb

1Tessalonicenses √©, sem d√ļvida, a primeira carta de Paulo, banhada na espera da vinda gloriosa de Cristo para breve (‚Äúparusia iminente‚ÄĚ). 2Tessalonicenses data de v√°rios anos depois e reinterpreta essa perspectiva.

Entre as grandes cartas, costuma-se tomar 1Cor√≠ntios como porta de entrada no pensamento paulino, por causa de seu car√°ter bem concreto. O mesmo se diga da carta aos G√°latas, que op√Ķe em tom pol√™mico a salva√ß√£o pela gra√ßa de Cristo (a justifica√ß√£o pela gra√ßa) √† confian√ßa nas obras da Lei judaica, que Paulo considera v√°lida para o passado judaico, mas inadequada para os n√£o judeus que entram na comunidade crist√£. A carta aos Romanos, √†s vezes chamada ‚Äúo Evangelho de Paulo‚ÄĚ, exp√Ķe a mesma ideia de modo mais sistem√°tico e extenso. 2Cor√≠ntios √© uma cole√ß√£o de diversas cartas ulteriores, valiosa, sobretudo, por deixar transparecer a personalidade de Paulo. Tal acesso direto √† pessoa de Paulo encontra-se tamb√©m na carta aos Filipenses e no bilhete a Fil√™mon.

Na carta aos Colossenses aparece uma linguagem diferente, dialogando com o pensamento helenístico-gnóstico. Por isso questiona-se que seja do próprio Paulo, mas nada exclui essa possibilidade. Efésios é uma carta circular que amplia Colossenses (que se destinava a diversas comunidades, como mostra Cl 4,16).

Quanto √†s cartas pastorais, que j√° sup√Ķem certa organiza√ß√£o das igrejas e s√£o dirigidas n√£o √†s comunidades, mas a seus chefes, a segunda carta a Tim√≥teo tem maiores chances de ser de Paulo mesmo, j√° no fim de seu percurso; 1Tim√≥teo e Tito (que repete 1Tm) parecem ser posteriores.

A carta aos Hebreus deve, por causa do tema e linguagem, ser atribuída a outro autor, provavelmente pertencente a uma comunidade paulina, o que explica sua conservação no Corpus Paulinum.

7 Cartas católicas ou gerais

A Carta de Tiago (Tg), as duas cartas com o nome de Pedro (1-2Pd), as tr√™s cartas de Jo√£o (1-3Jo) e a Carta de Judas (Jd) s√£o chamadas ‚Äúcat√≥licas‚ÄĚ ou ‚Äúgerais‚ÄĚ (significado do termo grego katholik√≥s), √† diferen√ßa das cartas de Paulo, destinadas (normalmente) a uma igreja particular. Mas essa diferen√ßa √© relativa, pois tamb√©m algumas cartas paulinas s√£o ‚Äúgerais‚ÄĚ (Cl, Ef, cartas pastorais). As Cartas Cat√≥licas, junto com a Carta aos Hebreus, nos mostram algo da enorme diversidade teol√≥gica existente nas primeiras comunidades crist√£s.

8 O Apocalipse

O √ļltimo livro do NT, conhecido como Apocalipse ou Livro da Revela√ß√£o, traz o nome de seu autor: Jo√£o (Ap 1,4.9), mas n√£o existe acordo sobre qual seja esse Jo√£o. √Č um escrito do g√™nero apocal√≠ptico, ou seja, de vis√Ķes de revela√ß√£o. Encerra o Novo Testamento, n√£o s√≥ por causa de sua data tardia (cerca de 100 d.C.), mas sobretudo por causa de sua mensagem de esperan√ßa e sua grandiosa vis√£o final, a nova Cria√ß√£o e a Jerusal√©m celeste (formando uma inclus√£o com o in√≠cio da B√≠blia, Gn 1-2).

9 C√Ęnon do Novo Testamento e ap√≥crifos

Reconhecendo nos textos anteriormente descritos os fundamentos de sua f√©, a Igreja estabeleceu desde cedo o c√Ęnon, lista dos escritos que fazem parte do NT. Eles s√£o refer√™ncia e norma de nossa f√©, mas n√£o necessariamente ‚Äúao p√© da letra‚ÄĚ. Como a B√≠blia inteira, tamb√©m o NT deve ser entendido conforme o g√™nero e a finalidade de cada texto, dentro do esp√≠rito da comunidade de f√©, que, fiel √†s suas origens, faz comungar seus membros na compreens√£o global e sempre atualizada da Palavra de Deus.

¬†9.1 O NT can√īnico

A canoniza√ß√£o se deu pela recep√ß√£o dos escritos nas comunidades (com a chancela dos seus pastores). O c√Ęnon (= lista, regra) surgiu como rea√ß√£o contra a prolifera√ß√£o incontrol√°vel de escritos, e tamb√©m contra a restri√ß√£o proposta pelo gn√≥stico Marci√£o, que aceitava s√≥ dez cartas paulinas (devidamente expurgadas) e o evangelho ‚Äúpaulino‚ÄĚ de Lucas, banindo as escrituras judaicas e tudo o que, no NT, soava judaico. Grande influ√™ncia na progressiva canoniza√ß√£o teve Irineu de Li√£o, que combateu os gn√≥sticos e seus escritos, mostrando que o elitismo e a mente complicada deles se opunham diametralmente √† proposta de Jesus.

Os primeiros ind√≠cios de recep√ß√£o pela comunidade encontram-se ainda na fase da tradi√ß√£o oral: a constitui√ß√£o de cole√ß√Ķes de senten√ßas e feitos de Jesus e, sobretudo, do relato de sua paix√£o, morte e ressurrei√ß√£o, para o qual aponta j√° o ap√≥stolo Paulo, por volta de 52 d.C., em 1Cor 15,3-5 e 11,23-25. Por volta do ano 70, o evangelho de Marcos e a cole√ß√£o de senten√ßas de Jesus (Q) s√£o utilizados por dois escritos ulteriores, Mateus e Lucas. Todavia, existiam d√ļvidas em rela√ß√£o a muita coisa que se escrevia a respeito de Jesus, como mostram as observa√ß√Ķes cr√≠ticas em Lc 1,1.

N√£o s√≥ as tradi√ß√Ķes orais e escritas a respeito de Jesus, mas tamb√©m os escritos do ap√≥stolo Paulo gozaram de r√°pido reconhecimento, como mostra 2Pd 3,15-16, recomendando a leitura das cartas de Paulo ao lado das ‚Äúdemais Escrituras‚ÄĚ (= o AT). As cartas de Paulo eram, de fato, lidas em assembleia (1Ts 5,27) e permutadas (cf. Cl 4,16) ou passadas para outras igrejas (√© o caso de Ef, derivada de Cl). Outras cartas eram escritas diretamente para v√°rias igrejas (as ‚Äúcartas cat√≥licas‚ÄĚ, acima, ¬ß 6), recebendo r√°pida ‚Äúcanoniza√ß√£o oficiosa‚ÄĚ.

A constitui√ß√£o do c√Ęnon do NT n√£o foi totalmente livre de percal√ßos. Na igreja da S√≠ria adotou-se, no fim do s√©c. II, um evangelho que fundia os quatro evangelhos can√īnicos em um s√≥, o Diatessaron (= quatro-em-um) de Taciano. Este fato mostra que os quatro ainda n√£o tinham o peso que receberiam ulteriormente. Mas a Igreja percebeu que reduzir os quatro evangelhos a um s√≥ seria uma grande perda.

O primeiro elenco dos livros do NT que conhecemos √© o ‚Äúc√Ęnon de Muratori‚ÄĚ, texto do s√©c. II, descoberto pelo pesquisador Muratori, em 1740. Faltando a parte inicial, que certamente mencionava Mateus e Marcos, esse documento comenta Lucas, Jo√£o, Atos, as cartas de Paulo, as cartas cat√≥licas e o Apocalipse. Faltam Hebreus e 2 Pedro, e de Jo√£o s√£o mencionadas apenas duas cartas em vez de tr√™s.

Uma distin√ß√£o clara entre os escritos can√īnicos e os ap√≥crifos/extracan√īnicos aparece na lista de Eus√©bio de Cesareia, no in√≠cio do s√©c. IV. Deixa, por√©m, transparecer a d√ļvida que existe em torno do Apocalipse, que naquele momento ainda era recusado por bom n√ļmero de te√≥logos. Atan√°sio, no fim do s√©c. IV, conseguiu romper as resist√™ncias a esse livro.

A canoniza√ß√£o do NT acompanhou a da B√≠blia inteira, no Conc√≠lio regional de Hipona (√Āfrica do Norte), em 393, no Conc√≠lio de Cartago, em 419, no Conc√≠lio ‚Äúin Trullo‚ÄĚ, em 692, e no Conc√≠lio de Floren√ßa, em 1441. Lutero mostrava reservas em rela√ß√£o a Hb, Tg, Jd e Ap, mas n√£o chegou a exclu√≠-los. Embora o c√Ęnon existisse de facto anteriormente, a proclama√ß√£o oficial do c√Ęnon b√≠blico pelo magist√©rio cat√≥lico s√≥ ocorreu no Conc√≠lio de Trento, em 1546, elencando Mt, Mc, Lc, Jo, At, Rm, 1 e 2Cor, Gl, Ef, Fl, Cl, 1 e 2Ts, 1 e 2Tm, Tt, Fm, Hb, Tg, 1 e 2Pd, 1, 2 e 3Jo, Jd, Ap. As igrejas orientais e protestantes aceitam o mesmo c√Ęnon para o NT.

9.2 Textos extracan√īnicos ou ap√≥crifos do NT

Existem uns cinquenta livros dos primeiros s√©culos crist√£os que se apresentam como evangelhos ou escritos dos ap√≥stolos, mas n√£o foram admitidos no c√Ęnon. S√£o comumente chamados de ap√≥crifos. As raz√Ķes de sua n√£o aceita√ß√£o podem ser diversas. Alguns desses livros surgiram muito depois do tempo apost√≥lico, mas outros s√£o quase contempor√Ęneos do NT (at√© o s√©culo II-III d.C.): Protoevangelho de Tiago, Evangelho de Pedro, Evangelho de Maria, Evangelho de Tom√©… Nesse caso, n√£o basta levarem o nome de algum ap√≥stolo; a comunidade deve reconhecer nos escritos sua experi√™ncia de Deus em Jesus Cristo. Ilustra isso o seguinte exemplo. O Evangelho de Tom√©, conservado em l√≠ngua eg√≠pcia antiga, pode ser quase contempor√Ęneo de 2Pd. Por√©m, n√£o possui o esp√≠rito leg√≠timo do evangelho de Jesus, como aparece nesta compara√ß√£o da par√°bola do bom pastor em Mateus e no Evangelho de Tom√© (os grifos s√£o nossos):

Mt 18,12-14 Ev. Tomé, 107
Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, n√£o deixar√° ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou? E quando a encontrar, em verdade vos digo que sentir√° maior alegria por causa desta, do que pelas noventa e nove que n√£o se extraviaram. Assim, pois, n√£o √© da vontade de vosso Pai celeste que pere√ßa um s√≥ destes pequeninos. O reino √© semelhante a um pastor que tem cem ovelhas. Uma delas, a maior, se desgarrou. Ele deixou as noventa e nove e procurou at√© encontr√°-la. Cansado, disse √† ovelha: ‚ÄúEu te amo mais do que √†s noventa e nove‚ÄĚ.

O texto de Mateus (igual ao de Lc 15,4-6) acentua a universalidade do amor de Deus, especialmente para com os pequeninos. Qualquer filho pródigo, ao ser reencontrado, completa a alegria de Deus. Mas no evangelho de Tomé, trata-se da ovelha maior e mais bonita: é uma leitura elitista da parábola original de Jesus.

Observe-se, por√©m, que alguns escritos extra-can√īnicos n√£o foram rejeitados t√£o radicalmente. Aqueles que contavam hist√≥rias populares e piedosas a respeito de Jesus, Maria, os anjos, Ad√£o e Eva, entre outros, penetraram na catequese popular e continuam influenciando-a at√© hoje ‚Äď n√£o sem problemas, pois muitas vezes veiculam o dualismo e o antijuda√≠smo, al√©m de real√ßarem quest√Ķes perif√©ricas, que com o essencial da f√© pouco t√™m a ver. H√° o perigo de privilegiar tudo o que parece estranho e curioso, acima da verdadeira f√© crist√£.

10 Import√Ęncia e atualidade do Novo Testamento

10.1 A origem do fato crist√£o

O NT nos faz assistir √† origem da f√© dos primeiros disc√≠pulos e das primeiras comunidades crist√£s em Jesus de Nazar√©. Essas origens est√£o inseparavelmente ligadas a um determinado contexto cultural e hist√≥rico, que para a tradi√ß√£o crist√£ faz parte da ‚Äúencarna√ß√£o‚ÄĚ, ou seja, da verdadeira humanidade de Jesus n√£o s√≥ biologicamente, mas, sobretudo, hist√≥rica, social e culturalmente. O cristianismo n√£o √©, em primeiro lugar, um conjunto de simbolismos religiosos e/ou de m√°ximas de sabedoria universais e supratemporais, mas um evento situado na hist√≥ria e ‚Äúc√ļmplice‚ÄĚ desta! Por isso, os escritos fundamentais do NT (e da tradi√ß√£o crist√£) s√£o narrativas da atua√ß√£o e da prega√ß√£o de Jesus de Nazar√©, cada uma a seu modo. Na realidade, narram a chegada ao mundo de um novo paradigma, que podemos chamar o ‚Äúfato crist√£o‚ÄĚ, uma nova maneira mental e pr√°tica de considerar o mundo e de viver e organizar-se nele, em abertura a uma transcend√™ncia na qual se v√™ em Jesus a revela√ß√£o indicativa: ‚ÄúEu sou o caminho‚ÄĚ (Jo 14,6).

10.2 A pessoa e a mensagem de Jesus de Nazaré

Segundo o NT, sobretudo segundo os quatro evangelhos can√īnicos[7], a atua√ß√£o de Jesus de Nazar√© consistiu fundamentalmente em anunciar a chegada do Reino de Deus (Mc 1,14-15 paral.), ou seja, de uma nova realidade, n√£o mais dominada pelos interesses religiosos e pol√≠ticos vigentes, mas pelo projeto do amor de Deus para com todos os seres humanos (cf. Mt 5,45-48), realizando a esperan√ßa de paz e fraternidade do tempo final (ver escatologia). Na sua express√£o concreta em palavras e gestos, essa mensagem destoou, por um lado, das estruturas estabelecidas, e tamb√©m, por outro lado, de certas expectativas messi√Ęnicas inadequadas que reinavam entre o povo (cf. Mc 8,27-33). Por isso, Jesus teve de enfrentar uma bastante previs√≠vel oposi√ß√£o, a ponto de ser condenado pelas pr√≥prias lideran√ßas do povo, em conluio com a pot√™ncia imperial de Roma, que dominava a terra de Israel naqueles dias. Depois de sua morte, por√©m, Jesus apareceu, ressuscitado e vivo, aos seus seguidores, que, organizando-se em comunidades, se empenharam em guardar e levar adiante sua mensagem e seu modo de viver.

As comunidades conservaram tamb√©m testemunhos do modo como assumiram o caminho de Jesus de Nazar√©. Tal testemunho nos foi legado em forma narrativa por Lucas, no livro dos Atos (cf. a comunidade como ‚Äúo caminho‚ÄĚ, At 9,2; 19,5; 22,4; 24,14.22), mas tamb√©m em forma de instru√ß√Ķes, nas cartas de Paulo e dos demais mestres das comunidades, inclusive no Apocalipse de Jo√£o, que inicia com uma avalia√ß√£o cr√≠tica das sete igrejas da regi√£o de √Čfeso (Ap 1-3).

Este ‚Äúcaminho‚ÄĚ n√£o estancou quando as primeiras comunidades findaram, e o pr√≥prio fato de elas terem transmitido os testemunhos daqueles momentos iniciais prova que o ‚Äúcaminho‚ÄĚ, ou o ‚Äúfato crist√£o‚ÄĚ, continua at√© hoje. Ele passa, por√©m, por cont√≠nuas reconfigura√ß√Ķes e, em fun√ß√£o disso, por cont√≠nuas releituras dos escritos fundadores, enriquecidas n√£o s√≥ pela sucess√£o temporal, mas tamb√©m pela pluralidade simult√Ęnea de diversas interpreta√ß√Ķes.

Este dinamismo faz com que o NT não possa ser considerado como testemunho de um passado morto, mas se apresenta como inspiração de um caminho vivo e continuamente reinventado, sem perder sua identidade, como o mar, que é sempre diferente e sempre o mesmo.

Da√≠ que, para o crist√£o crente, o NT n√£o √© apenas um documento arqueol√≥gico das origens de sua tradi√ß√£o religiosa, mas a refer√™ncia permanente e sempre de novo inspiradora para sua exist√™ncia e pr√°xis hist√≥rica. Ser fiel significa: fazer acontecer, sempre de novo e em constela√ß√Ķes hist√≥ricas novas, o ‚Äúevento Jesus‚ÄĚ de que o NT d√° um testemunho √ļnico e insubstitu√≠vel.

Johan Konings, SJ, FAJE, Brasil. Texto original português. Submetido em 25/06/2014; aprovado em 20/08/2014; publicado em 13/10/2014.

Referências

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BROWN, Raymond E. Introdução ao Novo Testamento. 2.ed. São Paulo: Paulinas, 2012.

MAINVILLE, Odete (org). Escritos e ambiente do Novo Testamento: uma introdução. Petrópolis: Vozes, 2002.

GILBERT, Pierre. Como a Bíblia foi escrita: introdução ao Antigo Testamento e ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1999.

KOESTER, Helmut. Introdução ao Novo Testamento: historia, cultura e religião do período helenístico. São Paulo: Paulus, 2005. 2v.

KONINGS, Johan. A Bíblia, sua origem e sua leitura. 7.ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

KÜMMEL, Wener Georg. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1982.

LOHSE, Eduard. Introdução ao Novo Testamento. 3.ed. São Leopoldo: Sinodal, 1980.

SCHNELLE, Udo. Introdução à exegese do Novo Testamento. São Paulo: Loyola, 2004.

STOTT, John. Homens com uma mensagem: uma introdução ao Novo Testamento e seus escritores. Campinas: Cristã Unida, [1996].

VIELHAUER, Philipp. História da literatura cristã primitiva: introdução ao Novo Testamento, aos apócrifos e aos pais apostólicos. São Paulo: Academia Cristã, 2005. (Historia de la literatura cristiana primitiva: introducción al Nuevo Testamento, los apócrifos y los padres apostólicos. Salamanca: Sigueme, 1991.)

[1] Para as abrevia√ß√Ķes dos livros b√≠blicos, ver Abrevia√ß√Ķes b√≠blicas.

[2] Contrariamente à posição do teólogo herege Marcião (séc. II).

[3] Acerca do uso do AT no Novo, leia-se: DODD, C. H. Segundo as Escrituras: estrutura fundamental do Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1979.

[4] Cf. Martinho Lutero: ‚Äúwas Christum treibt‚ÄĚ (Tischreden, Weimarer Ausgabe 38, 364, 25-27).

[5] Al√©m de Alexandria houve outros centros de recens√£o do texto do NT, principalmente em Cesareia da Palestina e em Biz√Ęncio.

[6] Isso explica, entre n√≥s, a diferen√ßa entre as diversas edi√ß√Ķes da tradu√ß√£o de Jo√£o Ferreira de Almeida (s√©c. XVII, continuada nos s√©culos ulteriores): a ‚Äúcorrigida e fiel‚ÄĚ (ACF) e a ‚Äúrevista e corrigida‚ÄĚ (ARC), que t√™m por base o textus receptus, e a ‚Äúrevista e atualizada‚ÄĚ (ARA), que adota o ‚Äútexto cr√≠tico‚ÄĚ, isto √©, atualizado com base nas recentes descobertas de antigos documentos. Todas elas publicadas pela Sociedade B√≠blica Brasileira.

[7] A respeito dos evangelhos ap√≥crifos, ver Textos extracan√īnicos.