Trabalho

Sum√°rio

1 Definição

2 O contexto do mundo do trabalho

3 Doutrina Social da Igreja

4 América Latina

5 Sistematização

6 Referências bibliográficas

1 Definição

O trabalho √© o √Ęmbito da exist√™ncia em que a pessoa se depara com todos os aspectos que marcam sua identidade como indiv√≠duo e como ser social. O verbo trabalhar vem do latim tripaliare (torturar), derivado de tripalium, uma esp√©cie de instrumento de tortura composto de tres e palus. Em quase todos os idiomas, se utiliza esse verbo para expressar ideia de fadiga. O conceito alem√£o arbeit se usa com um significado equivalente. No idioma portugu√™s e no espanhol, √© derivado de tripalium, assim como travailler, em franc√™s significou ‚Äúsofrer‚ÄĚ pelo menos at√© o s√©culo XVI.

Na hist√≥ria do Ocidente, o sentido do trabalho sofre muta√ß√Ķes segundo os contextos hist√≥ricos (cf. MERCURE e SPURK, 2005). Na civiliza√ß√£o greco-romana, estruturada sobre o modo de produ√ß√£o escravista, o trabalho n√£o era um elemento da vida boa. Em Hist√≥rias, Her√≥doto registra que os trabalhos manuais (cheirotecnai) eram rejeitados pelos homens livres. Fil√≥sofos como Plat√£o ensinavam que tanto os cheirotecnai como o trabalho artesanal (banausia) eram atividades inferiores. C√≠cero classificava o trabalho manual no n√≠vel mais baixo da hierarquia dos valores. O trabalho para a sobreviv√™ncia era identificado √† palavra neg√≥cio, literalmente, ‚Äúnega√ß√£o do √≥cio‚ÄĚ. O √≥cio era a forma nobre de ocupar o tempo com a arte do governo da p√≥lis (pol√≠tica) e com a filosofia (contempla√ß√£o das ideias). As atividades relacionadas com a sobreviv√™ncia material ficavam a cargo dos servos, escravos e camponeses, pessoas de segunda categoria (ARENAS POSADAS, 2003).

O Cristianismo inaugura uma lenta e progressiva mudan√ßa de perspectiva. Nela, os monges tiveram influ√™ncia inquestion√°vel. S√£o Bas√≠lio (330-379) ensinava que ‚Äúsobram palavras para mostrar os males da ociosidade, como ensina o Ap√≥stolo: ‚ÄėAquele que n√£o trabalha que n√£o coma‚Äô (2Tes 3,10). Do mesmo modo que cada um tem necessidade do alimento, assim tamb√©m deve trabalhar segundo suas for√ßas‚ÄĚ (BAS√ćLIO, 1857-1866, p.37).

Os monges n√£o estavam submetidos a crit√©rios econ√īmicos, mas √† espiritualidade. Isso explica sua preocupa√ß√£o com as distra√ß√Ķes da vida contemplativa: ‚ÄúOcupa-te em algum trabalho, de modo que o diabo te encontre sempre com as m√£os na obra‚ÄĚ, exortava S√£o Jer√īnimo (347-420). A senten√ßa ora et labora, da Regra de S√£o Bento (s√©culo VI), √© origem da moderna √©tica do trabalho. A regra sobre o trabalho manual – De opere manuum Quotidiano – instrui que a ociosidade √© inimiga da alma; por isso, em determinados tempos, os monges ocupem-se dele. Os monges que se ocupavam em fazer cestas para romp√™-las em seguida e refaz√™-las tinham como fim ‚Äújuntar tesouros no c√©u‚ÄĚ (Mt 6,20). O trabalho era motivado pela caridade. A preocupa√ß√£o em garantir o sustento estava acompanhada pelo socorro aos necessitados (JACCARD, 1971).

Santo Agostinho (354-430) aprofunda esta vincula√ß√£o entre trabalho, ora√ß√£o e caridade. Em seu estado original, o trabalho era agrad√°vel ao corpo e √† mente, um livre exerc√≠cio da raz√£o e uma forma de louvar a Deus. O cansa√ßo √© uma consequ√™ncia da finitude humana e uma recorda√ß√£o da primitiva infidelidade. Seu extremo √© a ociosidade. Monges de Cartago defendiam a ren√ļncia ao trabalho manual para dedicar-se totalmente √† contempla√ß√£o. Em resposta, Agostinho escreveu o livro De Opere monachorum. A raz√£o fundamental para o trabalho, sem d√ļvida, √© a edifica√ß√£o da cidade de Deus, concretizando o conceito crist√£o de charitas na hist√≥ria da humanidade. O trabalho e os bens materiais bem ordenados ajudam a edificar a cidade de Deus ‚Äď n√ļcleo da inten√ß√£o bem ordenada (AGOSTINHO, Cidade de Deus).

A tradição escolástico-tomista acentuou novos sentidos ao trabalho. Na Suma Teológica, de Tomás de Aquino (1225-1274), o trabalho é abordado a partir do princípio universal da preservação da vida. A necessidade de sobrevivência é sua primeira razão. O trabalho pertence à ordem da matéria e não se deve buscar mais do que o sustento. Outro critério é o da utilidade comum. O valor de uma coisa depende da sua utilidade para a comunidade (ST II-II q.179-189).

Na modernidade ocorre uma mudan√ßa radical no conceito de trabalho (D√ćEZ, 2001). Abandona-se o sentido religioso em favor de fins primordialmente materiais. A revolu√ß√£o industrial ir√° solidificar este processo de mudan√ßa. John Locke, um dos pais da economia pol√≠tica do liberalismo, v√™ no trabalho a origem da propriedade privada (LOCKE, 1990). Adam Smith, fundador da moderna ci√™ncia econ√īmica, v√™ no trabalho a principal origem da riqueza das na√ß√Ķes (SMITH, 1996). Com a consolida√ß√£o do capitalismo, o trabalho na ind√ļstria e a rela√ß√£o salarial passam a definir todas as demais rela√ß√Ķes sociais (PARIAS, 1965). O processo de proletariza√ß√£o √© um acontecimento nuclear da consolida√ß√£o da modernidade ocidental. Na economia de mercado, o valor dos bens √© estabelecido pela lei da oferta e da procura. O sal√°rio √© o pre√ßo da mercadoria trabalho (POLANYI, 2000). O indiv√≠duo configura sua personalidade atrav√©s do trabalho. Os ‚Äúmelhores‚ÄĚ trabalhos s√£o os mais bem remunerados e prestigiados. Max Weber (1864-1920), ao investigar as origens do racionalismo ocidental do Capitalismo, conclui que a espiritualidade do trabalho da Reforma Protestante impulsionou uma √©tica profissional (WEBER, 2004). A teoria da predestina√ß√£o individual do calvinismo ampliou o conceito de voca√ß√£o a todas as profiss√Ķes honestas. O homem deve agradar a Deus com seu trabalho.

Para Karl Marx, o trabalho √©, primeiramente, uma categoria antropol√≥gica, pois se trata de uma atividade essencial da natureza humana. O progresso econ√īmico e cultural acontece em torno do aperfei√ßoamento dos meios de trabalho (MARX, 2013). O trabalho livre √© a ess√™ncia do homem e o motor da hist√≥ria das civiliza√ß√Ķes. A hist√≥ria universal √© a cria√ß√£o do homem pelo trabalho (cf. MARX, 2007). Contudo, a economia pol√≠tica o conduziu ao processo de degrada√ß√£o traduzido pelo conceito de¬†aliena√ß√£o. O trabalhador foi convertido em uma besta de trabalho, cujas exig√™ncias s√£o reduzidas a necessidades f√≠sicas essenciais dos animais (MARX, 2004). O mecanismo da mais-valia e a propriedade privada reduziram o trabalhador a esta condi√ß√£o (MARX, 2013). O trabalho alienado representa uma verdadeira mutila√ß√£o da humanidade e uma nova forma de escravid√£o (cf. MARX, 2004). Aqui est√° a origem do conflito entre trabalho e capital, a luta de classes (cf. MARX, 2007).

 2 Mundo do trabalho em contexto

Desemprego e precariedade, capitalismo neoliberal globalizado e economia financeirizada, novas tecnologias e competitividade s√£o conceitos que trazem nova maneira de compreender o trabalho. A converg√™ncia entre desenvolvimento tecnol√≥gico e informa√ß√£o produziu uma muta√ß√£o profunda. As tecnologias ¬†ajustam o ser humano ao mercado e o trabalhador √†s m√°quinas. O trabalho no ch√£o da f√°brica perde espa√ßo para o trabalho imaterial, aquele que cria bens como o conhecimento, a informa√ß√£o, o design, a imagem, emo√ß√Ķes e ideias (G√ďRZ, 2005). As novas tecnologias refor√ßaram a capacidade de expans√£o do sistema financeiro. Enquanto a parte do capital aplicada √† produ√ß√£o de bens e servi√ßos diminui, aumenta o valor do capital aplicado √†s finan√ßas. Empregos desaparecem na mesma velocidade do crescimento das finan√ßas. O estatuto do trabalhador √© substitu√≠do por contratos tempor√°rios (CASTEL, 1998). As pol√≠ticas de terceiriza√ß√£o eliminam os direitos garantidos em lei. Os sindicatos perdem capacidade de negocia√ß√£o. A classe trabalhadora tem um perfil mais heterog√™neo, fragmentado e empobrecido. O trabalho em regime de escravid√£o √© uma realidade.

O crescimento populacional inunda o mercado de trabalho com milh√Ķes de pessoas; o agroneg√≥cio expulsa os pequenos agricultores para as cidades, convertendo-os em reserva de m√£o de obra barata. Conflitos religiosos, pol√≠ticos e econ√īmicos e desastres ambientais for√ßam milhares de pessoas a se deslocarem em busca de sobreviv√™ncia, ficando expostas a uma situa√ß√£o de fragilidade que pode conduzi-las para a explora√ß√£o.

A discriminação racial e de gênero é outra das características do mundo do trabalho. Negros e mulheres ganham proporcionalmente menos que homens brancos. O desemprego atinge de forma mais intensa a população negra. As mulheres negras são duplamente discriminadas, pela raça e sexo. A mulher vem ocupando espaços no mercado. Entretanto, essa incorporação tem sido desigual em relação ao homem. Os contratos costumam ser de curta duração e os salários inferiores. Muitas mulheres têm dupla jornada, ou seja, realizam o trabalho doméstico e na empresa. Mantém-se a divisão sexual do trabalho.

 3 Doutrina social da Igreja

a) Rerum novarum

O ponto de partida da consci√™ncia eclesial sobre a explora√ß√£o do trabalhador imposta pelo capitalismo √© a enc√≠clica Rerum novarum (RN) de Le√£o XIII (1878-1903). A condi√ß√£o dos oper√°rios foi a raz√£o da publica√ß√£o da primeira enc√≠clica social da DSI (GASDA, 2011). Os oper√°rios foram jogados em uma situa√ß√£o de infort√ļnio e de mis√©ria imerecida e terr√≠vel (RN n.1). A ideia do trabalho como mercadoria √© rejeitada pela Igreja: ‚Äú√Č vergonhoso e desumano usar dos homens como de vis instrumentos de lucro, e n√£o os estimar sen√£o na propor√ß√£o do vigor dos seus bra√ßos‚ÄĚ (RN n.10). O trabalho √© um direito natural, √© pessoal e necess√°rio (RN n.32) e ao trabalhador correspondem os frutos do seu trabalho, ou seja, d√° o direito de propriedade (RN n.3, 33). Pio XI, em 1931, faz eco dessas palavras: ‚ÄúO trabalho n√£o √© um simples produto comercial, mas deve reconhecer-se nele a dignidade humana do oper√°rio, e n√£o pode permutar-se como qualquer mercadoria‚ÄĚ (Quadragesimo anno n.5).

b) Concílio Vaticano II

O elemento teol√≥gico do trabalho humano √© destacado no Conc√≠lio Vaticano II. Todo trabalho realizado para conseguir melhores condi√ß√Ķes de vida contribui de alguma forma na constru√ß√£o do Reino de Deus. A pergunta sobre o sentido da atividade humana (GS n.33) tamb√©m √© dirigida ao trabalho: ‚ÄúA atividade humana individual e coletiva, aquele imenso esfor√ßo com que os homens, no decurso dos s√©culos, tentaram melhorar as condi√ß√Ķes de vida, corresponde √† vontade de Deus‚ÄĚ (GS n.34). O trabalho pode ser uma coparticipa√ß√£o na obra da Cria√ß√£o:

Os homens e as mulheres que, ao ganhar o sustento para si e suas famílias, de tal modo exercem a própria atividade que prestam conveniente serviço à sociedade, com razão podem considerar que prolongam com o seu trabalho a obra do Criador, ajudam os seus irmãos e dão uma contribuição pessoal para a realização dos desígnios de Deus na história (GS n.34).

√Č apontado o crescimento pessoal como um aspecto importante: ‚ÄúQuando age, o homem n√£o transforma apenas as coisas e a sociedade, mas realiza-se a si mesmo (…). Este desenvolvimento, bem compreendido, vale mais do que os bens externos que se possam conseguir‚ÄĚ (GS n.35). √Ä luz da Revela√ß√£o, o valor do trabalho √© esclarecido plenamente em Cristo: ‚Äúoferecendo a Deus o seu trabalho, o homem se associa √† obra redentora de Cristo, o qual conferiu ao trabalho uma dignidade sublime, trabalhando com as suas pr√≥prias m√£os em Nazar√©” (GS n.67). O trabalho √© um esfor√ßo temporal que interessa em grande medida ao Reino de Deus‚ÄĚ (GS n.39).

Na vida socioecon√īmica (GS n.63-72), o trabalho √© enquadrado no √Ęmbito do princ√≠pio da dignidade humana: ‚Äúo homem √© o autor, o centro e o fim da vida socioecon√īmica‚ÄĚ (GS n.63). Portanto, o trabalho √© muito superior aos outros elementos da economia, uma vez que estes n√£o t√™m outra fun√ß√£o que a de instrumentos (GS n.67). N√£o h√° trabalho sem descanso. O esfor√ßo respons√°vel e √°rduo dedicado ao trabalho deve ser seguido por ‚Äútempo de repouso e descanso que permita cultivar a vida familiar, cultural e religiosa. Ainda mais, que seja capaz de desenvolver livremente energia e qualidades, que no trabalho profissional apenas √© poss√≠vel preservar‚ÄĚ (GS n.67).

c) Laborem exercens

A enc√≠clica Laborem exercens (1981), de Jo√£o Paulo II, √© o texto mais importante da DSI neste tema. Nela, ‚Äúa quest√£o dos oper√°rios deixou de ser um problema de classe, e deve ser tomado em considera√ß√£o no √Ęmbito mundial das desigualdades e das injusti√ßas‚ÄĚ (LE n.2). O documento identifica a quest√£o antropol√≥gica que est√° origem dos conflitos sociais. Trata-se de uma invers√£o na ordem dos conceitos, isto √©, a primazia do ‚Äúcapital‚ÄĚ sobre o ‚Äútrabalho‚ÄĚ que resulta na aliena√ß√£o da pessoa (GASDA, 2011b). O capital transformou o trabalho em instrumento de acumula√ß√£o material (cf. LE n.13). √Č frente a esta invers√£o, que provoca a explora√ß√£o, a escravid√£o e a aliena√ß√£o que o primado do trabalho sobre o capital deve ser reafirmado (LE n.11). O valor primordial do trabalho est√° vinculado ao fato que quem o executa √© uma pessoa criada √† imagem e semelhan√ßa de Deus (LE n.4). ‚ÄúAntes de tudo o trabalho √© para o homem e n√£o o homem para o trabalho‚ÄĚ (LE n.6).

Desta ess√™ncia do trabalho emergem seu sentido objetivo e o seu sentido subjetivo. O¬†sentido objetivo refere-se ao conjunto de atividades, recursos, instrumentos, t√©cnicas, formas de gest√£o e tecnologias. S√£o fatores contingentes que variam nas suas modalidades com a mudan√ßa das condi√ß√Ķes t√©cnicas, culturais, sociais e pol√≠ticas (LE n.5). Em sentido subjetivo, √© o agir humano enquanto leva a cabo as a√ß√Ķes que pertencem ao processo do trabalho e correspondem √† sua voca√ß√£o. O trabalho procede das pessoas criadas √† imagem e semelhan√ßa de Deus, chamadas a prolongar, ajudando-se mutuamente, a obra da Cria√ß√£o (LE n.6). A subjetividade impede considerar o trabalho como simples mercadoria. O trabalho √© superior a todo e qualquer outro elemento da economia (LE n.10). Este princ√≠pio vale, em particular, no que tange ao capital (LE n.12). Tamb√©m o capital √© fruto do trabalho. Trata-se da ‚Äútradu√ß√£o, em termos econ√īmicos, do princ√≠pio √©tico do primado das pessoas sobre as coisas‚ÄĚ (LE n.12). A propriedade dos meios de produ√ß√£o deve estar a servi√ßo do trabalho (LE n.14). A Laborem exercens insere os direitos trabalhistas no conjunto dos Direitos Humanos (LE n.16). Tais direitos se baseiam na natureza humana. Os sindicatos e as organiza√ß√Ķes de trabalhadores s√£o expoentes da luta pela justi√ßa social (LE n.20).

O sentido subjetivo do trabalho revela a dimens√£o espiritual da pessoa humana, sua abertura √† transcend√™ncia, ou seja, a espiritualidade do trabalho. Jo√£o Paulo II recupera os elementos teol√≥gicos desenvolvidos principalmente na GS em forma de s√≠ntese, nos quatro √ļltimos par√°grafos da enc√≠clica (cf. LE n.25-27): o homem, criado √† imagem e semelhan√ßa de Deus, participa de sua obra criadora; tem em Cristo, o homem do trabalho e anunciador do Reino, seu ponto de refer√™ncia. O mundo do trabalho √© um lugar imprescind√≠vel para assumir este compromisso com a transforma√ß√£o da sociedade √† luz do Reino (cf. LE n.27). Considerar o trabalho unicamente em seu sentido econ√īmico √© mutil√°-lo em sua ess√™ncia e reduzi-lo a uma tarefa mec√Ęnica. Deve-se pensar um trabalho que liberte as potencialidades para o cuidado e cultivo da Cria√ß√£o (Gn 2, 15).

d) Bento XVI e o trabalho decente

Bento XVI, em sintonia com a OIT (Organiza√ß√£o Internacional do Trabalho), insere os direitos trabalhistas no marco dos direitos humanos. Atualmente o Programa Trabalho Decente √© o ponto de converg√™ncia das propostas e conven√ß√Ķes da OIT. A qualidade do emprego √© t√£o importante quanto a quantidade.

Bento XVI explica a palavra decência ao trabalho:

Significa um trabalho que, em cada sociedade, seja a expressão da dignidade essencial de todo o homem e mulher: um trabalho escolhido livremente, que associe eficazmente os trabalhadores, homens e mulheres, ao desenvolvimento da sua comunidade; um trabalho que, deste modo, permita aos trabalhadores serem respeitados sem qualquer discriminação; um trabalho que consinta satisfazer as necessidades das famílias e dar a escolaridade aos filhos, sem que estes sejam constrangidos a trabalhar; um trabalho que permita aos trabalhadores organizarem-se livremente e fazerem ouvir a sua voz; um trabalho que deixe espaço suficiente para reencontrar as próprias raízes a nível pessoal familiar e espiritual; um trabalho que assegure aos trabalhadores aposentados uma condição decorosa (CV n.63).

O conceito inclui todas as pessoas que vivem do seu trabalho. Por princípio, todo trabalho humano deveria ser decente, gerador de valores relacionais, éticos e espirituais.

A implementa√ß√£o do Programa Trabalho Decente depende da articula√ß√£o dos pr√≥prios trabalhadores. A Igreja expressa seu apoio ao movimento sindical (RN n.34.39-40; GS n.68; CDSI, n.305-309). Os sindicatos enfrentam o desafio de redefinir-se diante das reconfigura√ß√Ķes do mercado de trabalho (ANTUNES, 2005; GORZ, 1982). Bento XVI reconhece que ‚Äúo conjunto de mudan√ßas sociais e econ√īmicas cria grandes dificuldades para as organiza√ß√Ķes sindicais no cumprimento de seu papel de representar os interesses dos trabalhadores‚ÄĚ (CV n.25). Embora o movimento sindical lute pelos interesses da categoria, n√£o pode ignorar os problemas de toda a sociedade (SANTANA e RAMALHO, 2003): ‚Äúa sociedade civil √©, de fato, o lugar mais apropriado para uma a√ß√£o em defesa do trabalho, especialmente em favor dos trabalhadores explorados e sem representatividade, cuja amarga condi√ß√£o passa despercebida aos olhos distra√≠dos da sociedade‚ÄĚ (CV n.64).

e) Papa Francisco

Papa Francisco, na Laudato si (LS), articula a ecologia integral ao trabalho decente, √† sustentabilidade e √† justi√ßa social: ‚Äúuma ecologia integral exige que se leve em conta o valor subjetivo do trabalho aliado ao esfor√ßo de se prover acesso ao trabalho est√°vel e digno para todos‚ÄĚ (LS n.191).¬†A ecologia integral envolve dois aspectos: a dignidade do trabalhador e o cuidado com o meio ambiente.

O trabalho sustent√°vel passa por garantir acesso universal ao trabalho decente e ao fomento da sa√ļde. Prover cada ser humano de educa√ß√£o e de recursos para assegurar uma condi√ß√£o de trabalho seguro. Incluir os vulner√°veis habilitando-os a desenvolverem suas capacidades. Para se conseguir continuar a dar emprego, √© indispens√°vel promover uma economia que favore√ßa a diversifica√ß√£o produtiva e a criatividade empresarial (LS n.129).

O trabalho sustent√°vel implica o cuidado com o meio ambiente.

Da relação entre natureza, trabalho e capital depende o futuro da espécie humana. O mundo do trabalho é parte da solução da crise ambiental.

Em qualquer abordagem de ecologia integral que não exclua o ser humano, é indispensável incluir o valor do trabalho. Na narração bíblica da criação, Deus colocou o ser humano no jardim recém-criado (cf. Gn 2, 15), não só para cuidar do existente (guardar), mas também para trabalhar nele a fim de que produzisse frutos (cultivar) (LS n.124).

Papa Francisco tem sido enf√°tico na defesa dos trabalhadores: ‚ÄúTerra, teto e trabalho ‚Äď isso pelo que voc√™s lutam ‚Äď s√£o direitos sagrados. Reivindicar isso √© a Doutrina Social da Igreja… N√£o existe pior pobreza material do que a que n√£o permite ganhar o p√£o e priva da dignidade do trabalho‚ÄĚ (Encontro Mundial de Movimentos Populares, Roma, 2014).

4 América Latina

O mundo do trabalho foi abordado nas Conferências do CELAM (Conselho Episcopal Latino-americano). Reunidos em Medellín, os bispos dirigiram-se

a todos aqueles que, com o esfor√ßo di√°rio, v√£o criando os bens e servi√ßos que permitem a exist√™ncia e o desenvolvimento da vida humana. Pensamos muito especialmente nos milh√Ķes de homens e mulheres latino-americanos que constituem o setor campon√™s e oper√°rio. Eles, na sua maioria, sofrem, esperam e se esfor√ßam por uma mudan√ßa que humanize e dignifique seu trabalho. Sem desconhecer a totalidade do significado humano do trabalho, aqui o consideramos como estrutura intermedi√°ria, enquanto constitui a fun√ß√£o que d√° origem √† organiza√ß√£o profissional no campo da produ√ß√£o (Doc. Justi√ßa).

Em Santo Domingo, o tema foi tratado de forma mais sistemática no item n.2.2.5 РTrabalho). Uma das realidades que mais preocupa a Igreja em sua ação pastoral

√© o mundo do trabalho, por sua significa√ß√£o humanizadora e salv√≠fica, que tem sua origem na voca√ß√£o cocriadora do homem como ‚Äúfilho de Deus‚ÄĚ (Gn 1,26) e que foi resgatado e elevado por Jesus, trabalhador e ‚Äúfilho de carpinteiro‚ÄĚ (Mt 13,55 e Mc 6,3). A Igreja, como deposit√°ria e servidora da mensagem de Jesus, v√™ o homem como sujeito que dignifica o trabalho realizando-se a si mesmo e aperfei√ßoando a obra de Deus, para fazer dela um louvor ao Criador e um servi√ßo aos irm√£os (Santo Domingo n.182).

O mundo do trabalho é campo pastoral, por isso

alerta-se para uma deteriora√ß√£o em suas condi√ß√Ķes de vida e no respeito aos seus direitos; um escasso ou nulo cumprimento de normas estabelecidas para os setores mais d√©beis; uma perda de autonomia por parte das organiza√ß√Ķes de trabalhadores devido a depend√™ncias ou autodepend√™ncias de diversos g√™neros; abuso do capital que desconhece ou nega a primazia do trabalho; poucas ou nulas oportunidades de trabalho para os jovens. Alerta-se para a alarmante falta de trabalho ou desemprego com toda a inseguran√ßa econ√īmica e social que isso implica (Santo Domingo n.183).

Diante desta dura realidade, a defesa intransigente dos direitos do trabalho imp√Ķe-se como o desafio mais importante: ‚ÄúOs direitos do trabalhador s√£o um patrim√īnio moral da sociedade que deve ser tutelado por uma adequada legisla√ß√£o social e sua necess√°ria inst√Ęncia judicial, que assegure a continuidade confi√°vel nas rela√ß√Ķes de trabalho‚ÄĚ (Santo Domingo n.184). S√£o propostas tr√™s linhas pastorais: impulsionar e sustentar uma pastoral do trabalho em todas as nossas dioceses, a fim de promover e defender o valor humano do trabalho; apoiar as organiza√ß√Ķes pr√≥prias dos homens do trabalho para a defesa de seus leg√≠timos direitos, em especial de um sal√°rio suficiente e de uma justa prote√ß√£o social para a velhice, a doen√ßa e o desemprego; favorecer a forma√ß√£o de trabalhadores, empres√°rios e gover¬≠nantes em seus direitos e em seus deveres, e propiciar espa√ßos de encontro e m√ļtua colabora√ß√£o (Santo Domingo n.185).

Em Aparecida, os bispos estimularam os empres√°rios, os agentes econ√īmicos da gest√£o produtiva e comercial, tanto da ordem privada quanto comunit√°ria, a serem criadores de riqueza em nossas na√ß√Ķes, quando se esfor√ßam em gerar emprego digno. Igualmente, estimularam ‚Äúos que n√£o investem seu capital em a√ß√£o especulativa, mas em criar fontes de trabalho, preocupando-se com os trabalhadores, considerando-os ‚Äėa eles e a suas fam√≠lias‚Äô‚ÄĚ (DAp n.404). Um dos maiores desafios consiste em

formar na √©tica crist√£ que estabelece como desafio a conquista do bem comum a cria√ß√£o de oportunidades para todos, a luta contra a corrup√ß√£o, a vig√™ncia dos direitos do trabalho e sindicais; √© necess√°rio colocar como prioridade a cria√ß√£o de oportunidades econ√īmicas para setores da popula√ß√£o tradicionalmente marginalizados, como as mulheres e os jovens, a partir do reconhecimento de sua dignidade. Por isso, √© necess√°rio trabalhar por uma cultura da responsabilidade em todo n√≠vel que envolva pessoas, empresas, governos e o pr√≥prio sistema internacional (DAp n.406).

Foram indicadas duas linhas de a√ß√£o voltadas para categorias sociais que mais sofrem no mundo do trabalho, os jovens e as mulheres: √© imperativa a capacita√ß√£o dos jovens para que tenham oportunidades no mundo do trabalho e evitar que caiam na droga e na viol√™ncia (DAp n.446); promover o di√°logo com autoridade para a elabora√ß√£o de programas, leis e pol√≠ticas p√ļblicas que permitam harmonizar a vida de trabalho da mulher com seus deveres de m√£e de fam√≠lia (DAp n.458). Em Aparecida, levantou-se um desafio in√©dito: ‚Äúa forma√ß√£o de pensadores e formadores opini√£o no mundo do trabalho, dirigentes sindicais, cooperativos e comunit√°rios‚ÄĚ (DAp n.492).

 5 Sistematização

A complexidade do mundo do trabalho envolve a antropologia, a pol√≠tica, o direito, a cultura, a economia e a filosofia. A rela√ß√£o do ser humano com Deus √© a perspectiva do pensamento teol√≥gico sobre o trabalho. Qualquer reflex√£o sobre o trabalho deve ter como refer√™ncia o princ√≠pio da dignidade humana. Cada pessoa, independentemente da idade, condi√ß√£o ou capacidade, √© uma imagem de Deus e, portanto, dotada de um valor irredut√≠vel. Cada pessoa √© um fim em si, nunca um instrumento valorizado pela sua utilidade. O reconhecimento desta dignidade √© o primeiro crit√©rio para avaliar modelos econ√īmicos e a organiza√ß√£o da divis√£o do trabalho. Seu estatuto est√° consolidado na Declara√ß√£o Universal dos Direitos Humanos da ONU.

O trabalho humano √© uma atividade geradora de rela√ß√Ķes sociais. Em virtude da imago Dei, os seres individuais s√£o tamb√©m seres relacionais. Individualidade e sociabilidade se objetivam em estruturas e rela√ß√Ķes. O sentido do trabalho n√£o se esgota no sucesso profissional. Minha rela√ß√£o no trabalho diz quem eu sou para outro. ‚ÄúO princ√≠pio, o sujeito e o fim de todas as institui√ß√Ķes sociais s√£o e devem ser a pessoa humana, a qual, por sua mesma natureza, tem absoluta necessidade da vida social‚ÄĚ (GS n.25).

Colocar o trabalho a servi√ßo da dignidade humana √© ter como meta o bem comum (GS n.27). Nenhum grupo social, indiv√≠duo, empresa ou estado pode desentender-se do bem comum. O trabalho humano est√° na origem da empresa como organiza√ß√£o de pessoas. Por meio do trabalho, as empresas produzem muitas das condi√ß√Ķes importantes que contribuem para o bem comum da sociedade. A cria√ß√£o de postos de trabalho √© um aspecto imprescind√≠vel para alcan√ßar o bem comum. N√£o se entende o trabalho humano desconectado do descanso. Neste sentido, o

√°pice do ensinamento b√≠blico sobre o trabalho √© o mandamento do repouso sab√°tico. A mem√≥ria e a experi√™ncia do s√°bado constituem um baluarte contra a escraviza√ß√£o do homem ao trabalho, volunt√°rio ou imposto, contra toda forma de explora√ß√£o, larvada ou manifesta. O repouso sab√°tico, de fato, mais que para consentir a participa√ß√£o no culto de Deus, foi institu√≠do em defesa do pobre; tem tamb√©m uma fun√ß√£o liberat√≥ria das degenera√ß√Ķes antissociais do trabalho humano (CDSI n.258).

O povo de Israel, que começou com aquela experiência de libertação de um grupo de trabalhadores submetidos ao trabalho forçado, se alimenta do cumprimento da promessa da plena libertação, a irrupção do Reino e o descanso em Deus (cf. Hb 4,10-11). Na legislação de Israel, a instituição do sábado como memorial do êxodo da alienação do trabalho, é o alicerce que sustenta os seis dias restantes.

O Filho de Deus, ao assumir a condi√ß√£o de trabalhador bra√ßal, redimensiona o sentido do trabalho. O mundo do trabalho √© lugar de irrup√ß√£o do Reino de Deus e sua justi√ßa (Mt 6,33). Para os crist√£os, o verdadeiro s√°bado √© Cristo, celebrado no domingo. √Č ele o Senhor do s√°bado (Mc 2,27) que inaugurou o s√°bado eterno (Hb 4,10) j√° prefigurado no s√©timo dia da cria√ß√£o (Gn 2,1-3). O domingo revela a dimens√£o escatol√≥gica do trabalho. O descanso √© identificado com a situa√ß√£o da cria√ß√£o de Deus (Gn 2, citado em Hb 4,4). O domingo √© uma prefigura√ß√£o deste descanso, n√£o √© apenas uma pausa do trabalho. A autorrealiza√ß√£o alcan√ßada no trabalho sempre √© pen√ļltima. O trabalho √© uma forma de express√£o da identidade humana, mas n√£o de toda a identidade.

A natureza também precisa descansar. O sétimo dia representa um limite ao poder transformador do trabalho humano entendido como proteção e cultivo da criação. No trabalho, a pessoa descobre-se criadora, mas também como criatura frágil. A humanidade, irmanada em sua capacidade de trabalho, também está irmanada em sua debilidade e nos limites da natureza.

Pio XI afirmou que o maior esc√Ęndalo do s√©culo XIX foi a Igreja ter perdido a classe oper√°ria. Para que este esc√Ęndalo n√£o volte a repetir-se no s√©culo XXI, n√£o basta acumular documentos e declara√ß√Ķes de boas inten√ß√Ķes. A solidariedade com os trabalhadores √© uma maneira de concretizar a op√ß√£o preferencial pelos pobres. ‚ÄúOs pobres aparecem, em muitos casos, como resultado da viola√ß√£o da dignidade do trabalho humano‚ÄĚ (Laborem exercens, n.8). A partir da Revolu√ß√£o Industrial, a realidade dos pobres e o mundo do trabalho est√£o interconectados. A constitui√ß√£o de uma pastoral oper√°ria libertadora √© o principal desafio para os crist√£os na Am√©rica Latina. O compromisso de libertar o trabalho de uma ‚Äúeconomia que mata‚ÄĚ (papa Francisco) e emancipar os trabalhadores est√° impl√≠cito na pr√°xis dos crist√£os. Libertar o trabalho dos interesses financeiros, da competitividade desenfreada e da obsess√£o pela riqueza. Resgatar a economia como instrumento a servi√ßo da vida.

¬†√Člio Gasda, SJ. FAJE, Belo Horizonte, Brasil.¬†Texto original em portugu√™s.

 6 Referências bibliográficas

ANTUNES, R. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. S√£o Paulo: Cortez, 2003.

  _______. O caracol e sua concha. Ensaios sobre a nova morfologia do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2005.

ARENAS POSADAS, C. Historia económica del trabajo. Madrid: Tecnos, 2003.

BENTO XVI. Caritas in Veritate. Sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade, 2009.

CASTEL, R. Metamorfose da quest√£o social: uma cr√īnica do sal√°rio. Petr√≥polis: Vozes, 1998.

CONC√ćLIO ECUM√äNICO VATICANO II. Constitui√ß√£o Pastoral Gaudium et Spes. Sobre a Igreja no Mundo de Hoje, 1965.

CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. Conclus√Ķes da II Confer√™ncia Geral do Episcopado Latino-americano. Documento de Medell√≠n, 1968.

______. Conclus√Ķes da III Confer√™ncia Geral do Episcopado Latino-americano. Documento de Puebla, 1979.

______. Conclus√Ķes da IV Confer√™ncia Geral do Episcopado Latino-americano. Documento de Santo Domingo, 1979.

______. Conclus√Ķes da V Confer√™ncia Geral do Episcopado Latino-americano. Documento de Aparecida, 2007.

D√ćEZ, F. Utilidad, deseo y virtud. La formaci√≥n de la idea moderna de trabajo. Barcelona: Pen√≠nsula, 2001.

FRANCISCO. Laudato Si’. Sobre o cuidado da casa comum, 2015.

GASDA, E. Trabalho e capitalismo global: atualidade da doutrina social da Igreja. S√£o Paulo: Paulinas, 2011.

______. O trabalho aos olhos de Deus: Laborem exercens faz 30 anos. Pistis Praxis, v.3, n 2, 2011b, p.653-669.

G√ďRZ, A. O Imaterial. Conhecimento, valor e capital. S√£o Paulo: Annablume, 2005.

 JACCARD, P. Historia social del trabajo. Barcelona: Plaza y Janés, 1971.

JOÃO PAULO II. Laborem Exercens. Sobre o trabalho humano, 1981.

LEÃO XIII. Rerum novarum, 1891.

LOCKE, J. Segundo Tratado del Gobierno Civil (1690). Madrid: Alianza, 1990.

MARX, K. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro 1: O processo de produção do capital (2013). Livro 2: O processo de circulação do capital (2014). São Paulo: Boitempo, 2014.

______. A ideologia alem√£. S√£o Paulo: Boitempo, 2007.

______. Manuscritos econ√īmico-filos√≥ficos. S√£o Paulo: Boitempo, 2004.

MERCURE, D.; SPURK, J. (orgs.) O Trabalho na história do pensamento ocidental. Petrópolis: Vozes, 2005.

PARIAS, L.-H.  (dir.) Historia general del trabajo. La era de las revoluciones (1760-1914). México: Grijalbo, 1965.

POLANYI, K. A grande transforma√ß√£o ‚Äď as origens de nossa √©poca. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

PONTIF√ćCIO CONSELHO DE JUSTI√áA E PAZ. Comp√™ndio da Doutrina Social da Igreja. S√£o Paulo: Paulinas, 2006. p.155-187.

S√ÉO BASILIO. ‚ÄúRegulae fusius tractatae‚ÄĚ. In: MIGNE, J. P. (ed.). Patrologia Graeca. Paris, 1857-1866, PG 31.

S√ÉO BENTO. ‚ÄúDe opere manuum Quotidiano‚ÄĚ. In: MIGNE, J. P. (ed.). Patrologia Latina. Paris, 1844-1855, PL 103.

SANTANA, M. A.; RAMALHO, J. R. (orgs.) Além da fábrica. Trabalhadores, sindicatos e a nova questão social. São Paulo: Boitempo, 2003.

SMITH, A. A riqueza das na√ß√Ķes: investiga√ß√£o sobre sua natureza e suas causas. S√£o Paulo: Nova Cultural, 1996. v.1.

WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Para saber mais

 ANTONCICH, R. Trabalho e liberdade. A Teologia da libertação e a Laborem exercens. São Paulo: Loyola, 1989.

ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense, 1993.

AZNAR, G. Trabajar menos para trabajar todos. Madrid: HOAC, 1994.

BECK, U. Un nuevo mundo feliz. La precariedad del trabajo en la era de la globalización. Barcelona: Paidós, 2000.

CAMPANINI, G. Trabajo. In: Diccionario enciclopédico de Teología Moral. Madrid: Paulinas, 1974, p.1094-1111.

CHENU, M-D. Hacia una teología del trabajo. Barcelona: Estela, 1965.

______. Trabajo. In: RAHNER, K. (dir.) Sacramentum Mundi.v.VI. Barcelona: Herder, 1974 p.671-684.

GASDA, E. Fe cristiana y sentido del trabajo. Madri: San Pablo, 2011.

______. Cristianismo e economia. Repensar o trabalho além do capitalismo. São Paulo: Paulinas, 2014.

COENEN, L.; BEYREUTHER, E.; BIETENHARD, H. Obra-trabajo. In: Diccionario teol√≥gico del Nuevo Testamento ‚Äď v.III. Salamanca: S√≠gueme, 1986. p.188-198.

DAVID, J. La fuerza creadora del hombre. Teología del trabajo y de la técnica. Misterium Salutis. v.II. Madri, 1969. p.881-899.

DUSSEL, E. √Čtica do trabalho. In: √Čtica comunit√°ria. Liberta o pobre! Petr√≥polis: Vozes, 1986. p.129-139.

ELLACUR√ćA, I. Conflicto entre capital y trabajo. Un punto clave de la Laborem exercens. Estudios Centroamericanos, n.37, 1982. p.1008-1024.

GORZ, A. Adeus ao proletariado. Rio de Janeiro: Forense-Universit√°ria, 1982.

______. Misérias do presente, riqueza do possível. São Paulo: Annablume, 2004.

HARVEY, D. Condi√ß√£o p√≥s-moderna ‚Äď uma pesquisa sobre as origens da mudan√ßa cultural. S√£o Paulo: Loyola, 1993.

LE√ďN-DUFOUR, X. Trabajo. In: ______. Vocabulario de teolog√≠a b√≠blica. Barcelona: Herder, 1967. p.796-800.

MATTOSO, J. A desordem do trabalho. S√£o Paulo: Scriptta, 1995.

MATTAI, G. Trabalho. In: Dicion√°rio de Teologia Moral. S√£o Paulo: Paulus, 1997. p.1218-1229.

PINTO, G. A. A Organização do trabalho no século 20. Taylorismo, gordismo e toyotismo. São Paulo: Expressão Popular, 2007.

SANSON, C. Trabalho e subjetividade: da sociedade industrial à sociedade pós-industrial. Cadernos IHU, Ano 8, n.32. São Leopoldo: Unisinos, 2010.

SENNET, R. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 1999.

SILVA, J. P. Trabalho, cidadania e reconhecimento. S√£o Paulo: Annablume, 2008.

SCHELKLE, K. H. Trabajo In: Teología del Nuevo Testamento. v.III: Moral. Barcelona: Herder, 1974. p.410-425.

TRUHLAR, K. Labor christianus. Madrid: Razón y Fe, 1963.