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{"id":598,"date":"2015-02-25T21:57:18","date_gmt":"2015-02-26T00:57:18","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=598"},"modified":"2016-03-31T21:32:45","modified_gmt":"2016-04-01T00:32:45","slug":"patristica-patrologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=598","title":{"rendered":"Patr\u00edstica &#8211; Patrologia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Nomenclatura<\/p>\n<p>2 Classifica\u00e7\u00e3o e tend\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Hermen\u00eautica Patr\u00edstica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O interesse pelos ensinamentos dos Padres da Igreja marca os tempos atuais com o retorno \u00e0s fontes originais do cristianismo. Como antecedente determinante juntamente com o movimento lit\u00fargico, o movimento patr\u00edstico foi fundamental para a convoca\u00e7\u00e3o e a celebra\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, que n\u00e3o cessou de afirmar o valor inquestion\u00e1vel dos Padres da Igreja para a renova\u00e7\u00e3o da f\u00e9 nos dias atuais. Ao lado da hist\u00f3ria dos dogmas, a Igreja acredita na contribui\u00e7\u00e3o dos Padres da Igreja para \u201ca interpreta\u00e7\u00e3o e a\u00a0 transmiss\u00e3o fiel de cada uma das verdades da Revela\u00e7\u00e3o\u201d (cf. <em>Optatam Totius<\/em> n.16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Nomenclatura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os avan\u00e7os da pesquisa teol\u00f3gica, as terminologias elementares relacionadas \u00e0s Ci\u00eancias Patr\u00edsticas se multiplicaram e se diversificaram, de maneira que a concess\u00e3o dos conceitos acabou por ser redefinida, fazendo com que o termo \u201cpatr\u00edstica\u201d reunisse elementos conceituais mais abrangentes. At\u00e9 ent\u00e3o, era comum dizer que a patr\u00edstica era o estudo que se ocupava do pensamento teol\u00f3gico dos padres da Igreja, enquanto <em>patrologia<\/em> se mantinha na perspectiva da pesquisa sobre a vida e os escritos dos mesmos autores (cf. Cong. Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, 1990, n.49). Desta forma, patr\u00edstica se redefine como termo t\u00e9cnico utilizado para determinar a ci\u00eancia respons\u00e1vel por analisar e interpretar o conjunto dos documentos antigos entre o s\u00e9culo I A.D. e os primeiros sinais claros da metodologia medieval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralela \u00e0s fontes b\u00edblicas que comp\u00f5em o material de uma ci\u00eancia pr\u00f3pria para o estudo das Sagradas Escrituras, a documenta\u00e7\u00e3o desta fase patr\u00edstica tamb\u00e9m pode ser classificada como <em>fontes patr<\/em><em>\u00edsticas<\/em>, o que ser\u00e1 estabelecido pelo material liter\u00e1rio, iconogr\u00e1fico, topogr\u00e1fico, epigr\u00e1fico ou arqueol\u00f3gico quando essas informa\u00e7\u00f5es se relacionarem e representarem elementos que elucidem a realidade social ou religiosa daquele per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por defini\u00e7\u00e3o, cabe \u00e0 <em>arqueologia crist\u00e3<\/em> identificar, decifrar e explicar as fontes crist\u00e3s mais antigas encontradas, por exemplo, nos sarc\u00f3fagos, nas catacumbas, quando essas come\u00e7am a identificar a presen\u00e7a do fen\u00f4meno religioso crist\u00e3o, nas est\u00e1tuas, em objetos comuns \u00e0 vida antiga e, em grande escala, na fun\u00e7\u00e3o que as diversas edifica\u00e7\u00f5es possu\u00edam para culto, domic\u00edlio, administra\u00e7\u00e3o, caridade social, entre outros. A l\u00e1pide f\u00fanebre de Ab\u00e9rcio se associa aos mais importantes achados arqueol\u00f3gicos de todos os tempos e lidera a lista dos documentos mais valiosos para o cristianismo (MORESCHINI, 1995, p.307). O Bispo de Hier\u00e1polis morreu em 216 dC. Tr\u00eas anos antes de sua morte, ele mandou construir a pr\u00f3pria inscri\u00e7\u00e3o mortu\u00e1ria, enriquecendo-a de alus\u00f5es cristol\u00f3gicas e eclesiol\u00f3gicas, transmitindo um sentimento claro de devo\u00e7\u00e3o das igrejas espalhadas pelo mundo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 igreja romana, discursando sobre a eucaristia e sobre um poss\u00edvel grupo homog\u00eaneo de escritos paulinos e, por fim, datando-a e assinando-a. Por isso, a l\u00e1pide de Ab\u00e9rcio tamb\u00e9m \u00e9 chamada de <em>Regina Scriptarum<\/em>, encontrando-se no acervo permanente do museu paleocrist\u00e3o do Vaticano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, o conceito \u201cpatrologia\u201d deve ser entendido como o produto dogm\u00e1tico e o conte\u00fado ortodoxo presente nos ensinamentos dos escritores antigos, independente da sua fun\u00e7\u00e3o dentro ou fora do \u00e2mbito eclesi\u00e1stico. Por outro lado, face aos movimentos inovadores e her\u00e9ticos que estabeleceram uma releitura independente, distorcida e falsa do ensinamento que Jesus e os Ap\u00f3stolos tinham institu\u00eddo, a comunidade dos fi\u00e9is crist\u00e3os entendeu que o crit\u00e9rio de autenticidade incontest\u00e1vel a ser seguido era o crit\u00e9rio \u201cantiguidade crist\u00e3\u201d, cuja aplica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se baseava tanto em aspectos temporais, sen\u00e3o nos elementos fundamentais da verdade doutrinal estabelecida pelas ra\u00edzes judaicas e crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a terminologia \u201cPadres da Igreja\u201d fora cunhada pela primeira vez em contexto protestante, pelo te\u00f3logo alem\u00e3o Johann Gerhard no ano de 1637, com a finalidade de defender uma pressuposta antiguidade dos conceitos teol\u00f3gicos dos Reformadores contra os dogmas cat\u00f3licos. Reavaliando este conceito a partir do crit\u00e9rio de antiguidade crist\u00e3, a Igreja Cat\u00f3lica o incorporou ao seu linguajar teol\u00f3gico, para indicar a autenticidade da f\u00e9 crist\u00e3 verificada no desenvolvimento da doutrina cat\u00f3lica. No Brasil, Padres da Igreja se tornou a tradu\u00e7\u00e3o utilizada com mais frequ\u00eancia pelas editoras e autores cat\u00f3licos, ao passo que os livros e artigos protestantes tendem a traduzir o mesmo termo por \u201cPais da Igreja\u201d<em>.<\/em> Compreende-se \u201cHist\u00f3ria da Igreja\u201d como a forma de reconstru\u00e7\u00e3o aproximativa dos eventos da antiguidade crist\u00e3 cujas men\u00e7\u00f5es se fundamentam em dados liter\u00e1rios presentes em documentos antigos. Todavia, essa reconstru\u00e7\u00e3o patr\u00edstica exige cautela para que os conceitos antigos n\u00e3o sejam mal interpretados ou sejam aplicados \u00e0s situa\u00e7\u00f5es hodiernas como regras gerais, j\u00e1 que o acesso dos mesmos eventos hist\u00f3ricos atrav\u00e9s da literatura se limita a basear-se em aproximadamente vinte por cento dos documentos cujos t\u00edtulos foram citados nos livros dos Padres da Igreja, o que quer dizer que oitenta por cento dos livros citados pelos escritores antigos n\u00e3o chegaram at\u00e9 n\u00f3s (GRECH, 2005, p.37). Alguns erros se tornam comuns na avalia\u00e7\u00e3o das fontes patr\u00edsticas, seja pelo anacronismo, quando o ju\u00edzo \u00e9 feito fora do contexto em que o texto foi escrito,\u00a0 seja quando um dado do passado \u00e9 proposto de maneira arbitr\u00e1ria pelo fundamentalismo hist\u00f3rico daqueles que tentam retomar situa\u00e7\u00f5es passadas j\u00e1 obsoletas ou estruturas caducas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fala-se ainda de \u201cLiteratura patr\u00edstica\u201d para designar as formas liter\u00e1rias pesquisadas por aqueles que procuram entender as regras da tipologia, das alegorias, da ret\u00f3rica e da pedagogia que ampliam e possibilitam maior entendimento daquilo que os escritores antigos queriam dizer ao redigir seus textos. Obras originais e tradu\u00e7\u00f5es valios\u00edssimas enriquecem o conjunto da Literatura patr\u00edstrica num cen\u00e1rio lingu\u00edstico t\u00e3o vasto como os limites geogr\u00e1ficos do cristianismo antigo. Essas obras foram produzidas nas seguintes l\u00ednguas: grego, latim, sir\u00edaco, copto, arm\u00eanio, et\u00edope, georgiano, \u00e1rabe e paleoeslavo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Classifica<\/strong><strong>\u00e7\u00e3o e t<\/strong><strong>end\u00ea<\/strong><strong>ncias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, os crit\u00e9rios para se identificar um Padre da Igreja s\u00e3o antiguidade, aprova\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, santidade de vida e ortodoxia (SANTINELLO, 1973, p.6). A princ\u00edpio, os limites do per\u00edodo patr\u00edstico eram estabelecidos at\u00e9 Isidoro de Sevilha (\u0085636) para o ocidente e at\u00e9 Jo\u00e3o Damasceno (\u0085749) para o Oriente. No entanto, ao perceber a continuidade e a evid\u00eancia da metodologia patr\u00edstica em per\u00edodos que alcan\u00e7am a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria da corte de Carlos Magno, estudos recentes revisam esses limites, propondo-os at\u00e9 o s\u00e9culo IX (LUISELLI, 2003, p.9-17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Padres Apost\u00f3licos s\u00e3o os primeiros personagens da patr\u00edstica, assim denominados porque eram disc\u00edpulos dos Ap\u00f3stolos de Cristo. As principais e mais antigas obras s\u00e3o: \u201cA Carta de Barnab\u00e9\u201d, \u201cO Pastor de Hermas\u201d, as cartas de Clemente de Roma, o epistol\u00e1rio em sete obras de In\u00e1cio de Antioquia, as cartas de Policarpo de Esmirna, \u201cPapias\u201d e a \u201cDidaqu\u00e9\u201d, tamb\u00e9m conhecida como a \u201cDoutrina dos Ap\u00f3stolos\u201d. Destaca-se, assim, o enfoque dado \u00e0s estruturas e \u00e0s reflex\u00f5es eclesi\u00e1sticas destes textos, dos quais podem ser extra\u00eddas informa\u00e7\u00f5es importantes sobre os aspectos sociais que envolviam as reuni\u00f5es dos crist\u00e3os em suas celebra\u00e7\u00f5es domiciliares e o vasto cen\u00e1rio dos minist\u00e9rios exercidos nessas celebra\u00e7\u00f5es. O tema da import\u00e2ncia irrefut\u00e1vel do episcopado aparece constantemente tratado nestas obras. Assim, nos escritos dos Padres Apost\u00f3licos nota-se aquilo que os estudiosos normalmente chamam de autoconsci\u00eancia crist\u00e3, ou seja, o modo pelo qual os crist\u00e3os se distanciavam das pr\u00e1ticas religiosas do paganismo, do gnosticismo e do juda\u00edsmo, formando assim uma religi\u00e3o com elementos claramente distintos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gera\u00e7\u00e3o sucessiva enfrentou as grandes persegui\u00e7\u00f5es do Imp\u00e9rio Romano no segundo s\u00e9culo, enquanto os crist\u00e3os eram acusados de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem p\u00fablica (<em>pax deorum<\/em>), j\u00e1 que os fi\u00e9is da Igreja se opunham a oferecer sacrif\u00edcios aos deuses pag\u00e3os, recusando-se a observar os princ\u00edpios governamentais por meio dos quais se acreditava que fosse preservado o bem-estar dos cidad\u00e3os. A apolog\u00e9tica crist\u00e3 nasce da necessidade de defender os acusados de cristianismo nos tribunais da persegui\u00e7\u00e3o. Quanto aos autores apologetas ou apologistas, citam-se s\u00e3o Justino, Taciano, Aten\u00e1goras, Melit\u00e3o de Sardes, Irineu de Li\u00e3o, Hip\u00f3lito de Roma, Or\u00edgenes, Tertuliano, Cipriano, Lact\u00e2ncio, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o per\u00edodo mais duro das persegui\u00e7\u00f5es por volta do final do terceiro s\u00e9culo, a comunidade primitiva teve que se preocupar em salvaguardar a f\u00e9 face \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es teol\u00f3gicas e pol\u00edticas. Ora, Or\u00edgenes e Clemente de Alexandria promovem as suas obras no Oriente, enquanto do Ocidente, j\u00e1 latinizado, surgem importantes obras como as redigidas por Tertuliano. Muitas quest\u00f5es permanecem em aberto dada a dificuldade e a obscuridade para as quais os textos b\u00edblicos n\u00e3o ofereciam maiores explica\u00e7\u00f5es. Destarte, a tipologia, enquanto antecipa\u00e7\u00e3o dos eventos hist\u00f3ricos, e a alegoria, enquanto significado dos elementos dos textos (SIMONETTI, 1985, 14), mostram, por exemplo, que Jesus morre com a coroa de espinhos, como fora antecipado tipologicamente pelo cordeiro que aparece preso aos arbustos no sacrif\u00edcio de Isaac, ou que o cord\u00e3o \u2013 toalha ou pano para Clemente de Roma e outros \u2013 de cor vermelha que Raab pendurara sobre sua janela representaria a alegoria do sangue de Cristo para a salva\u00e7\u00e3o dos pecadores. Nem todos os termos b\u00edblicos, todavia, compreendem o vasto conte\u00fado do mist\u00e9rio revelado por Cristo \u00e0 sua Igreja, como pode ser observado durante a pol\u00eamica ariana, motivo pelo qual o Conc\u00edlio de Niceia foi proclamado pelo Imperador Constantino em 325. A quest\u00e3o que colocou \u00c1rio e os crist\u00e3os de doutrina ortodoxa uns contra os outros versava sobre a divindade e sobre a proced\u00eancia de Jesus Cristo do Pai, em forma de insuficiente terminologia b\u00edblica que os opositores apresentavam para defender a sua opini\u00e3o. Para os padres conciliares de Niceia, a melhor forma de resolver aquele impasse foi a promulga\u00e7\u00e3o de um s\u00edmbolo de f\u00e9, ou seja, a produ\u00e7\u00e3o de diretrizes que esclarecessem o modo ortodoxo de se crer e de se ensinar a f\u00e9 da Igreja. Todos os esfor\u00e7os dos padres conciliares trouxeram \u00e0 luz o termo \u201cconsubstancial\u201d, que n\u00e3o se encontrava na B\u00edblia, mas se prestava para ajudar no discernimento da verdade que a Igreja sempre tinha pregado sobre a divindade do Filho de Deus. Entre os Padres mais famosos deste per\u00edodo, destacam-se Eus\u00e9bio de Cesareia, Atan\u00e1sio e Hil\u00e1rio de Poitiers.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Not\u00e1veis tamb\u00e9m foram os Padres da Capad\u00f3cia &#8211; Bas\u00edlio Magno, Greg\u00f3rio de Nissa, Greg\u00f3rio Nazianzeno e Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo \u2013 que exerceram um papel fundamental para o entendimento da f\u00e9 trinit\u00e1ria na segunda metade do s\u00e9culo IV. De fato, na obra \u201cContra Eun\u00f4mio\u201d, de s\u00e3o Bas\u00edlio, aparece claramente a quest\u00e3o sobre a divindade do Esp\u00edrito Santo, contra cuja vis\u00e3o os hereges estabeleciam que, assim como o Filho, o Esp\u00edrito Santo tamb\u00e9m era uma criatura da divindade. Os capad\u00f3cios responderam \u00e0s amea\u00e7as contra o Esp\u00edrito Santo e se tornaram refer\u00eancias essenciais para o Conc\u00edlio de Constantinopla em 381, no qual foi proclamado o s\u00edmbolo que at\u00e9 hoje \u00e9 conhecido como credo niceno-constantinopolitano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois dos conc\u00edlios de Niceia e Constantinopla, celebrou-se em\u00a0\u00c9feso\u00a0o conc\u00edlio que p\u00f4s em discuss\u00e3o, entre outros temas, o dogma da <em>theot<\/em><em>\u00f3<\/em><em>kos<\/em>, sobre <em>Maria, M<\/em><em>\u00e3<\/em><em>e de Deus<\/em> no ano de 431. Com isso, o cristianismo ficou dividido entre aqueles que aceitavam a interpreta\u00e7\u00e3o ortodoxa de\u00a0Cirilo de Alexandria, pela qual o conc\u00edlio de \u00c9feso declarou que Maria \u00e9\u00a0a\u00a0m\u00e3e de Deus, e a postura her\u00e9tica de\u00a0Nest\u00f3rio,<strong>\u00a0<\/strong>que insistia em negar a maternidade de Maria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 divindade de Cristo, por isso, a Virgem s\u00f3 deveria ser conhecida como \u201cm\u00e3e de Cristo\u201d na opini\u00e3o dos hereges. Os problemas teol\u00f3gicos inerentes a essa quest\u00e3o eram tipicamente cristol\u00f3gicos, enquanto o entendimento dos nestorianos promovia grandes obst\u00e1culos para a compreens\u00e3o da verdadeira divindade de Cristo, repetindo assim os erros do arianismo e do sabelianismo. Vencido pelos argumentos de Cirilo, Nest\u00f3rio foi deposto da sede de Constantinopla. Infelizmente, o nestorianismo\u00a0recebeu diversos adeptos por toda a antiguidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na aurora do quinto s\u00e9culo, a literatura latina da Igreja \u00e9 enriquecida pelas obras de\u00a0Ambr\u00f3sio, Agostinho e Jer\u00f4nimo.<strong>\u00a0<\/strong>\u00c9 a fase em que as autoridades eclesi\u00e1sticas, ou seja, os bispos, se deparam com situa\u00e7\u00f5es sociais importantes para a contextualiza\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento da vida da Igreja:\u00a0a)\u00a0o Imp\u00e9rio Romano organiza a sua administra\u00e7\u00e3o governamental a partir dos princ\u00edpios crist\u00e3os estabelecidos pelo edito de Teod\u00f3sio, em 380, que institu\u00eda definitivamente o cristianismo como religi\u00e3o oficial do Imp\u00e9rio. Ali\u00e1s, a despeito da import\u00e2ncia dada ao edito de Mil\u00e3o decretado pelo Imperador Constantino, em 313, n\u00e3o se pode esquecer que\u00a0esse edito previa apenas a\u00a0liceidade\u00a0do cristianismo\u00a0at\u00e9 aquele momento. O edito de Mil\u00e3o prescrevia ser l\u00edcita a religi\u00e3o crist\u00e3, enquanto o edito de Teod\u00f3sio tornava-a oficial para o cidad\u00e3o romano. b) refor\u00e7a-se a devo\u00e7\u00e3o aos m\u00e1rtires com a regulariza\u00e7\u00e3o promovida pelos bispos, quando as suas rel\u00edquias s\u00e3o transferidas das catacumbas para os altares das Igrejas, instituindo assim o culto de devo\u00e7\u00e3o aos santos, a partir da perspectiva de quem tinha vivido a integridade da f\u00e9 crist\u00e3 em todas as suas exig\u00eancias. c) em 410, os b\u00e1rbaros chegaram a Roma e determinaram assim, com o seu deslocamento, uma nova forma para as cidades do Imp\u00e9rio Romano. Com isso, as necessidades pastorais e teol\u00f3gicas v\u00e3o sofrer\u00a0consequ\u00eancias\u00a0essenciais que v\u00e3o determinar o caminho que a Igreja escolher\u00e1 para a sua miss\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De suma import\u00e2ncia foi o Conc\u00edlio de Calced\u00f4nia, em 451, que defendeu, contra os monofisitas, a f\u00e9 em Jesus Cristo por meio da qual se\u00a0definia a uni\u00e3o das duas naturezas (humana e divina) em uma s\u00f3 pessoa, esclarecendo assim o que a Igreja ensina sobre a uni\u00e3o hipost\u00e1tica. S\u00e9culos \u00e0 frente, em 681, com o Conc\u00edlio de Constantinopla III, p\u00f4s-se fim \u00e0s dificuldades do monotelismo e do\u00a0monoenergismo. Multiplicaram-se, por fim, as grandes homilias e tratados teol\u00f3gicos produzidos pelos santos padres sob a luz da gra\u00e7a, da vida moral e sacramental. Neste sentido, Pasc\u00e1sio Radberto se insere entre os autores do fechamento do per\u00edodo patr\u00edstico com a sua grandiosa e importante obra sobre a eucaristia intitulada <em>De Corpore et Sanguine Domini<\/em> em 831.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3<\/strong> <strong>Hermen\u00eautica Patr\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Padres da Igreja reconheciam de forma un\u00e2nime as dificuldades que surgiam da leitura das Sagradas Escrituras e acabaram tra\u00e7ando sendas pelas quais acreditavam que essas dificuldades pudessem ser superadas. Para eles era fundamental respeitar as leis b\u00e1sicas de composi\u00e7\u00e3o para entender o verdadeiro sentido que o autor b\u00edblico teria dado ao seu texto. Por isso, em in\u00fameras vezes a solu\u00e7\u00e3o para as dificuldades b\u00edblicas se apoiava no entendimento b\u00e1sico que a gram\u00e1tica e a ret\u00f3rica davam aos mesmos textos. Embora as interpreta\u00e7\u00f5es b\u00edblicas sejam diversas, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exegese contempor\u00e2nea, desde os tempos remotos do cristianismo, os leitores das Sagradas Escrituras eram instru\u00eddos a se perguntar sobre o g\u00eanero liter\u00e1rio dos textos e a inten\u00e7\u00e3o dos autores ao escreverem. A base para a investiga\u00e7\u00e3o b\u00edblica dos primeiros s\u00e9culos \u2013 como demonstra Irineu de Li\u00e3o \u2013 estava na avalia\u00e7\u00e3o da veracidade do texto que os crist\u00e3os deveriam usar, j\u00e1 que se multiplicavam a pseudo literatura crist\u00e3 e os escritos ap\u00f3crifos. Entre outras determina\u00e7\u00f5es, a interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica neste momento n\u00e3o podia prescindir da regra de f\u00e9 da Igreja. Nenhuma proposta de interpreta\u00e7\u00e3o poderia ser considerada v\u00e1lida se contradissesse os ensinamentos da f\u00e9 crist\u00e3, transmitida por Cristo aos seus Ap\u00f3stolos e pelos Ap\u00f3stolos \u00e0s gera\u00e7\u00f5es sucessivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No terceiro s\u00e9culo, o leitor das Sagradas Escrituras \u00e9 convidado a ler uma mesma per\u00edcope progressivamente segundo o sentido liter\u00e1rio, que o alerta para as circunst\u00e2ncias materiais ali descritas; segundo o sentido \u00e9tico, que o coloca diante dos valores morais n\u00e3o necessariamente mencionados no texto; enfim, segundo o sentido espiritual, valor verdadeiro para onde o texto inspirado quer orientar cada homem. A escola de Alexandria \u2013 com Clemente e com Or\u00edgenes \u2013 foi a grande promotora deste m\u00e9todo hermen\u00eautico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as propostas hermen\u00eauticas patr\u00edsticas, destacam-se as regras de Tic\u00f4nio, corrigidas e explicadas por Agostinho no terceiro livro do <em>De Doctrina Christiana<\/em>, onde o santo hiponense admite ser necess\u00e1rio partir dos textos claros \u2013 cujo entendimento n\u00e3o deixa d\u00favida \u2013 para se entender os textos obscuros. Segundo Agostinho, n\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero algum entre os textos das Sagradas Escrituras. As dificuldades nascem da limita\u00e7\u00e3o da linguagem humana, pela qual Deus quis transmitir as suas verdades. Segundo Agostinho, o leitor atento considera, por exemplo, que todos os textos b\u00edblicos tratem da unidade insepar\u00e1vel entre Cristo e a Igreja, achando nesta unidade a resposta \u00e0s dificuldades e \u00e0s aparentes contradi\u00e7\u00f5es b\u00edblicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No processo de instru\u00e7\u00e3o da f\u00e9, o mistagogo desempenha a fun\u00e7\u00e3o de revelar ao catec\u00fameno os mist\u00e9rios que esse deve abra\u00e7ar no momento do batismo. Dada as dificuldades acima mencionadas, o conte\u00fado da f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 considerado <em>arcano<\/em>, ou seja,\u00a0 a sua transmiss\u00e3o prev\u00ea o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es secretas (mist\u00e9rios), que apenas os iniciados, isto \u00e9, catec\u00famenos, poderiam receber. Vinte e quatro catequeses mistag\u00f3gicas de Cirilo de Jerusal\u00e9m (\u0085387) chegaram aos tempos hodiernos em grupos de textos que descreviam um per\u00edodo pr\u00e9-catequ\u00e9tico no qual os aspirantes eram chamados de \u2018iluminados\u2019 e se lhes oferecia uma introdu\u00e7\u00e3o ao batismo, transmitida em uma catequese. O grupo maior de textos, com 18 catequeses, era refer\u00eancia para os encontros que ocorriam durante a quaresma. Enfim, logo ap\u00f3s o batismo que era celebrado na noite de P\u00e1scoa, 5 catequeses eram destinadas aos ne\u00f3fitos na tentativa de expor-lhes o que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o eram capazes de entender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Andr<\/em><em>\u00e9 Luiz Rodrigues da Silva.<\/em> Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALTANER, B. <em>Patrologia: vida, obra e doutrina dos padres da Igreja<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA A EDUCA\u00c7\u00c3O CAT\u00d3LICA. <em>Instru<\/em><em>\u00e7\u00e3o sobre o estudo dos Padres da Igreja na forma\u00e7\u00e3<\/em><em>o sacerdotal<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONTRERAS, E.; PE\u00d1A, O. <em>Introducci\u00f3n al est\u00fadio de los Padres. <\/em>Per\u00edodo pre-niceno<em>. <\/em>Azul: Monast\u00e9rio Trapese de Azul, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DROBNER, H. R. <em>Patrologia<\/em>. 2.ed. Casale Monferrato: Piemme, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FLORIAMO, G; MENOZZI, D. <em>Storia del Cristianesimo. <\/em><em>L<\/em><em>\u2019<\/em><em>antichit<\/em><em>\u00e0<\/em><em>. <\/em>Bari: Laterza, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GOMES, C. F. <em>Antologia dos Santos Padres. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRECH, P. <em>Il messaggio b<\/em><em>\u00ed<\/em><em>blico e la sua interpretazione: saggi di ermeneutica, teologia ed esegesi. <\/em>Bologna: RevBSup, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GROSSI, V.; DIBERARDINO, A. <em>\u00a0La chiesa antica: ecclesiologia e istituzioni. <\/em>Roma: Borla, 1984.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HAMMAN, A. <em>Os padres da Igreja.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIVINGSTONE, E. A. <em>Studia Patr\u00edstica. <\/em>Vol. XXII: Cappadocian Fathers, Chrysostom and his greek contemporaries, Augustin, Donatism and Pelagianism<em>.<\/em> Leuven: Peeters, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LUISELLI, B. <em>La formazione della cultura europea occidentale. <\/em>Roma: Herder, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Storia culturale dei rapporti tra mondo romano e mondo germanico. <\/em>Roma: Herder, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">McGRATH, A. E.<em> Christian theology. <\/em>An introduction<em>.<\/em> Oxford: Wiley-Blackwell, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MORESCHINI, C.; NORELLI, E. <em>Manuale di letteratura cristiana antica greca e latina.<\/em> Brescia: Morcelliana, 1999.<em>\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Hist\u00f3ria da literatura crist\u00e3 antiga grega e latina. <\/em>I: De Paulo \u00e0 era constantiniana<em>.<\/em> S\u00e3o Paulo: Loyola, 1995.<em>\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Storia della letteratura cristiana antica greca e latina. <\/em>II: Dal concilio di Nicea agli inizi del Medioevo. Brescia: Morcelliana, 1996.<em>\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ORBE, A. <em>La teologia dei secoli II e III: Il confronto della Grande Chiesa con lo gnosticismo. <\/em>Vol. 1: Temi veterotestamentari. Roma: Gregoriana, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>La teologia dei secoli II e III. <\/em>Vol. 2: Temi neotestamentari. Casale Monferrato: Piemme, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PADOVESE, L. <em>\u00a0Introdu<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o <\/em><em>\u00e0 teologia patr\u00ed<\/em><em>stica. <\/em>S\u00e3o Paulo: Loyola, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PENNA, R. <em>Le prime cominit\u00e0 cristiane. <\/em>Roma: Carocci, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SANTINELLO, G. <em>Storia del pensiero occidentale. <\/em>Vol. 2. Milano: Marzorati, 1973.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SESBOUE, B.; WOLINSKI, J. <em>O Deus da Revela\u00e7\u00e3<\/em><em>o.<\/em> S\u00e3o Paulo: Loyola, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SIMONETTI, M. <em>Lettera e\/o allegoria. <\/em>Un contributo alla storia dell\u2019esegesi patr\u00edstica<em>. <\/em>Roma: SEA, 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Letteratura Cristiana antica. <\/em>Testi originali a fronte. 3: La separazione fra Oriente e Occidente (dal quinto al settimo secolo)<em> . <\/em>Casale Monferrato: Piemme, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Letteratura Cristiana antica. <\/em>Testi originali a fronte. 2: Dall\u2019epoca costantiniana alla crisi del mondo antico (quarto secolo). Casale Monferrato: Piemme, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Letteratura Cristiana antica. <\/em>Testi originali a fronte. 1: Dalle origini al terzo secolo. Casale Monferrato: Piemme, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SIMONETTI, M.; PRINZIVALLI, E. <em>Letteratura Cristiana antica. <\/em>Profilo storico, antologia di testi e due saggi inediti in appendice. Casale Monferrato: Piemme, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Storia della letteratura Cristiana antica. <\/em>Casale Monferrato: Piemme, 2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Nomenclatura 2 Classifica\u00e7\u00e3o e tend\u00eancias 3 Hermen\u00eautica Patr\u00edstica 4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas &nbsp; O interesse pelos ensinamentos dos Padres da Igreja marca os tempos atuais com o retorno \u00e0s fontes originais do cristianismo. Como antecedente determinante juntamente com o movimento lit\u00fargico, o movimento patr\u00edstico foi fundamental para a convoca\u00e7\u00e3o e a celebra\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-598","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-da-teologia-e-do-cristianismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=598"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/598\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1094,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/598\/revisions\/1094"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}