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{"id":473,"date":"2015-01-23T14:09:16","date_gmt":"2015-01-23T16:09:16","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=473"},"modified":"2016-04-09T16:38:46","modified_gmt":"2016-04-09T19:38:46","slug":"mediacoes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=473","title":{"rendered":"Media\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Religi\u00f5es<\/p>\n<p>2 S\u00edmbolo e linguagem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Escrituras<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Igrejas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Magist\u00e9rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 inconceb\u00edvel ao pensamento racional humano decifrar de vez a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e mundo. Como suportar um suposto contato direto com Deus? O que captar? Da\u00ed ser inevit\u00e1vel intuir intermedi\u00e1rios e\/ou caminhos (<em>methodos<\/em>) que viabilizem a ponte entre, de um lado, o Todo, o Absoluto, o <em>Ein-Sof<\/em>, Brahman, o Supremo, o Tetragrama, e, de outro lado, tudo o que, analogicamente, pode ser chamado de \u201coutro lado\u201d. Outra maneira de conceber a ousadia desta reflex\u00e3o \u00e9 supor que seja o Mundo a ponte que medeia a desejada comunica\u00e7\u00e3o entre Eu e Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as religi\u00f5es sempre souberam que tinham de dar conta dessa ponte inter-realidades. As hierarquias celestiais previstas pela angelologia s\u00e3o disso um exemplo conhecido pelas teologias monote\u00edstas. O cristianismo moderno lida mal com esses temas, embora sejam cl\u00e1ssicos na hist\u00f3ria das religi\u00f5es e na teologia crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas se n\u00e3o h\u00e1 conex\u00e3o imediata nem, muito menos, identifica\u00e7\u00e3o plena entre o Todo e tudo, entre o Criador e \u201ctoda carne\u201d (Is 40ss), a categoria \u201cmedia\u00e7\u00e3o\u201d talvez seja o principal vetor ou mesmo a \u201ccondi\u00e7\u00e3o de possibilidade\u201d para que haja teologia sobre qualquer tema. Ent\u00e3o, se penso a rela\u00e7\u00e3o entre eu e o Outro, no meio est\u00e3o os outros. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, no trajeto do ser humano para Deus a ponte\/o atalho \u00e9 acolher o pobre. O pobre faz a conex\u00e3o entre o que ainda n\u00e3o \u00e9 amor e o Amor. Em igual medida, a mente faz a liga\u00e7\u00e3o entre o meu corpo e Deus, ou seja entre a consci\u00eancia e o que ainda n\u00e3o \u00e9 consciente. A Palavra est\u00e1 no meio, entre o som e o que ainda se guarda em sil\u00eancio. A imagem, quando maturada, se faz Arte, e liga as coisas vis\u00edveis \u00e0s invis\u00edveis. A lei (<em>torah<\/em>) define o estabelecido, as regras do jogo, e assim possibilita que a criatividade invente\/improvise dentro dos limites dados. O dogma outra coisa n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a \u201cpontua\u00e7\u00e3o\u201d (SEGUNDO, 2000) que demarca o que j\u00e1 sabemos e aponta a dire\u00e7\u00e3o para mais saber. Por detr\u00e1s dele, a constru\u00ed-lo e proteg\u00ea-lo, est\u00e1 a comunidade, o \u00e2mbito da comunh\u00e3o que acontece no meio do caminho. E que nada alcan\u00e7a sem a media\u00e7\u00e3o de amigos espirituais, o maior de todos sendo aquele que os crist\u00e3os chamam de Jesus, vendo nele o ponto de conex\u00e3o entre o Deus intang\u00edvel e a Cria\u00e7\u00e3o em evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A no\u00e7\u00e3o de revela\u00e7\u00e3o ratificada no Conc\u00edlio Vaticano II (<em>Dei Verbum<\/em>) assume um pressuposto caro a te\u00f3logos cat\u00f3licos como Karl Rahner e outros: a revela\u00e7\u00e3o como autocomunica\u00e7\u00e3o divina, ou seja, uma comunica\u00e7\u00e3o interpessoal e n\u00e3o uma colet\u00e2nea ou lista de afirma\u00e7\u00f5es doutrinais. N\u00e3o como mero dep\u00f3sito de informa\u00e7\u00f5es corretas, e sim como caminho (pedagogia divina: <em>DV<\/em> 15) em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade \u00a0final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendida como educa\u00e7\u00e3o, a concep\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de revela\u00e7\u00e3o parece soprar que, mais importante do que o conte\u00fado ou o resultado final da a\u00e7\u00e3o, interessam os caminhos que efetivamente cada ser humano trilha em sua busca de sentido para a exist\u00eancia. Veremos a seguir algumas categorias da\u00ed decorrentes e implicadas na convic\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de que o Deus mist\u00e9rio trino revelou-se aos que criou por amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Religi\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito usual de religi\u00e3o traz sua dose de pol\u00eamica (PASSOS; USARSKI, 2013). Alguns, na esteira de M. Eliade, querem ver no fen\u00f4meno religioso algo <em>sui generis<\/em>, definido de uma vez por todas, bastando apenas ao estudioso seguir checando na realidade social quando e sob quais condi\u00e7\u00f5es e circunst\u00e2ncias (vari\u00e1veis), o fen\u00f4meno \u00e9 reencontr\u00e1vel. De outra parte est\u00e3o os que, como Russel McCutcheon, defendem a defini\u00e7\u00e3o do que venha a (e possa) ser religi\u00e3o somente ap\u00f3s o necess\u00e1rio mergulho na realidade sociocultural pesquisada. H\u00e1 ainda quem prefira uma terceira posi\u00e7\u00e3o, e entenda ser religi\u00e3o aquilo que determinada autoridade institucional estabele\u00e7a, em dada configura\u00e7\u00e3o social, o que ali ser\u00e1 o religioso \u2013 \u00e9 a dimens\u00e3o pol\u00edtica do conceito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo sem precisar tomar partido por nenhuma das tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es, \u00e9 \u00fatil constatar \u2013 para nosso escopo nesta reflex\u00e3o \u2013 que todas as tr\u00eas reconhecem ser a religi\u00e3o uma companhia rotineira de nossas inven\u00e7\u00f5es sociais. Toda religi\u00e3o move-se na argamassa de uma constru\u00e7\u00e3o social (comunit\u00e1ria e\/ou coletiva) que vai sendo modelada ao longo de vastos espa\u00e7os de tempo. Como fato social, a religi\u00e3o subsiste porque consegue se manter presente gra\u00e7as a seus ritos, mitos, doutrinas e comportamentos adquiridos por seus membros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais: como tomada de consci\u00eancia da presen\u00e7a do mundo espiritual no mundo vis\u00edvel, o conjunto de experi\u00eancias que resultam no que se costuma chamar de religi\u00e3o \u00e9 sempre algo sentido como receptor do que nos transcende e que, bem por isso, nos explicaria quem somos e de onde viemos. Quem entra em contato com essas supostas respostas n\u00e3o consegue guard\u00e1-las para si e sente uma necessidade intr\u00ednseca de proteg\u00ea-las e divulg\u00e1-las aos demais, gerando grupos comunit\u00e1rios em torno deste novo achado significativo. Esse \u00e9 o ber\u00e7o comum das religi\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum ser humano vem ao mundo partindo de um ponto zero cultural. Ele nasce j\u00e1 inserido em um contexto, em uma hist\u00f3ria e durante muitos anos n\u00e3o far\u00e1 muito mais do que absorver qual esponja a linguagem, as estruturas de pensamento, os valores, os condicionamentos, a sensibilidade, enfim, a tradi\u00e7\u00e3o cultural-religiosa em que foi socialmente inserido. Da\u00ed brotar\u00e3o, ainda que parcialmente, suas premissas epistemol\u00f3gicas e ontol\u00f3gicas (BATESON, 1997), ou seja, os mecanismos pelos quais conseguir\u00e1 compreender, julgar e interferir na realidade. Em suma: sem media\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 autocompreens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o temos aqui perfeita sinon\u00edmia com a no\u00e7\u00e3o de \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d, conceito, por sua vez, vital em tradi\u00e7\u00f5es como o cristianismo, qualquer que seja o vi\u00e9s e a \u00eanfase que ela venha a receber ao longo dos s\u00e9culos e das sucessivas teologias. Mas qualquer religi\u00e3o pressup\u00f5e, de algum modo, o que chamamos de revela\u00e7\u00e3o, na medida em que considera a si mesma como obra divina e n\u00e3o mera cria\u00e7\u00e3o humana (TORRES QUEIRUGA, 2010). Se toda religi\u00e3o vem a ser a tomada de consci\u00eancia da presen\u00e7a do divino no mundo \u2013 ou, pelo menos, o desejo infinito de que haja tal presen\u00e7a \u2013, essa experi\u00eancia (religiosa) ser\u00e1 sempre sentida como receptora do Transcendente, ou seja, a descoberta do divino que se manifesta na vida humana pela media\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conceito correlato est\u00e1 no termo \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d, que traduz tudo o que foi sendo religiosamente vivido e guardado ao longo de mil\u00eanios por determinados grupos sociais no que diz respeito \u00e0 maneira como se entendia sua rela\u00e7\u00e3o com as divindades e com o mundo espiritual em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Referindo-se especialmente aos antecedentes da religi\u00e3o crist\u00e3, J. L. Segundo afirmava que \u201cas mais profundas tradi\u00e7\u00f5es espirituais da humanidade s\u00e3o justamente esta s\u00e9rie de tentativas que, pouco a pouco, oferecem \u00e0 exist\u00eancia um sentido que n\u00e3o possa ser desmentido pela realidade total\u201d, a saber, s\u00e3o dados transcendentes que consistem \u201cnessas novas redes jogadas sobre os acontecimentos para torn\u00e1-los compat\u00edveis com a vit\u00f3ria final de certos valores\u201d (SEGUNDO, 1984, p.290-1). Semelhante compreens\u00e3o das religi\u00f5es implica, para a teologia crist\u00e3, numa revis\u00e3o da no\u00e7\u00e3o tradicional de revela\u00e7\u00e3o, em benef\u00edcio de outra que contemple a autocomunica\u00e7\u00e3o divina aos humanos como processo hist\u00f3rico, com a consequente aten\u00e7\u00e3o ao nascimento e defini\u00e7\u00e3o de outra media\u00e7\u00e3o decisiva: o c\u00e2non b\u00edblico, pe\u00e7a-chave na configura\u00e7\u00e3o das chamadas religi\u00f5es do Livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como religi\u00e3o revelada que se autocompreende como hist\u00f3rica, o cristianismo reenvia seus fi\u00e9is a eventos que se pressup\u00f5em acontecidos no passado e, especificamente, ao ensinamento, \u00e0s a\u00e7\u00f5es, \u00e0 vida, \u00e0 morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Esses dados s\u00f3 podem ser recebidos por fi\u00e9is de todas as \u00e9pocas e lugares porque foram transmitidos por testemunhas autorizadas, ou seja, cridas como suficientemente qualificadas para servir de refer\u00eancia \u00e0s gera\u00e7\u00f5es posteriores. No caso crist\u00e3o, media\u00e7\u00e3o decisiva teve a comunidade dos primeiros ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 S\u00edmbolo e linguagem<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 estranha a no\u00e7\u00e3o de media\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica quando o assunto \u00e9 religi\u00e3o e\/ou revela\u00e7\u00e3o. No entanto, a capacidade humana de simbolizar \u00e9 muito mais vasta e transborda os limites do estritamente religioso. O s\u00edmbolo se confunde com a inven\u00e7\u00e3o da linguagem e com nossa at\u00e1vica necessidade de sobreviv\u00eancia. Tinha raz\u00e3o P. Val\u00e9ry ao sugerir que nada somos sem o aux\u00edlio daquilo que inexiste. Nenhuma vida social se sustenta no longo prazo se as pessoas n\u00e3o pressupuserem que h\u00e1 luz no fim do t\u00fanel e ordem detr\u00e1s do caos. Qualquer institui\u00e7\u00e3o social b\u00e1sica depende desse postulado, \u201ca despeito da renovada intrus\u00e3o na experi\u00eancia individual e coletiva dos fen\u00f4menos an\u00f4micos (ou, se se prefere, denomizante) do sofrimento, do mal e, sobretudo, da morte\u201d (BERGER, 1985, p.65). Por\u00e9m, mais que superadas, tais \u201canomalias\u201d precisam ser explicadas de forma a serem acomodadas na ordem presumida. Qualquer esfor\u00e7o nessa dire\u00e7\u00e3o pode chamar-se teodiceia (Ibidem). Uma religi\u00e3o que se queira realmente convincente dever\u00e1 chegar \u00e0s pessoas em um condu\u00edte flex\u00edvel e eficiente o bastante para cativar, motivar e direcionar. E esse \u00e9 a linguagem simb\u00f3lica ou ic\u00f4nica (BATESON, 1976).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A linguagem simb\u00f3lica n\u00e3o substitui a observa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nem a especula\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, mas, de certa maneira, as inclui e ultrapassa, na medida em que nomeia seus postulados indemonstr\u00e1veis. Da\u00ed vem sua for\u00e7a como ducto de teodiceias, pois se h\u00e1 uma \u00e1rea de nossas preocupa\u00e7\u00f5es em que a explica\u00e7\u00e3o do problema conta mais que sua eventual resolu\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o, \u00e9 exatamente esta. E j\u00e1 que n\u00e3o chegamos \u00e0 realidade existencial e hist\u00f3rica com a simples especula\u00e7\u00e3o, precisamos ter contato com a experi\u00eancia mesma, que se expressa nos s\u00edmbolos e nos mitos (e nos ritos e nos credos&#8230;). A reflex\u00e3o precisa beber dessas palavras primordiais se quiser encontrar a experi\u00eancia e poder pens\u00e1-la filosoficamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afirmar a relev\u00e2ncia do simb\u00f3lico perante o cient\u00edfico pressup\u00f5e checar o primeiro com crit\u00e9rios de verificabilidade distintos do segundo. G. Bateson esclarece os tr\u00eas tipos ou n\u00edveis de verificabilidade da linguagem conotativa ao explicar que esta \u00e9 primariamente composta de conota\u00e7\u00f5es afetivas. \u00c9 este valor, e n\u00e3o outro, que provoca em mim sinaliza\u00e7\u00f5es positivas (alegria, seguran\u00e7a, esperan\u00e7a&#8230;). Assim, posso ser tocado por um conto, uma m\u00fasica, um recanto ou uma pessoa rec\u00e9m-conhecida. Algo nessa pessoa ou nesses objetos\/lugares me afeta. Em seguida, essa primeira experi\u00eancia me levar\u00e1 a discernir e a comprometer-me para que tais sinaliza\u00e7\u00f5es se repitam. Essa segunda consequ\u00eancia, \u00e9tico-existencial, des\u00e1gua numa terceira: a repeti\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria; isto \u00e9, eu pretendo que tamb\u00e9m os demais se apercebam da razoabilidade de minha escolha. A dificuldade, nesse n\u00edvel, \u00e9 que n\u00e3o se trata de um fen\u00f4meno f\u00edsico cuja hip\u00f3tese, cedo ou tarde, ser\u00e1 cientificamente confirmada ou n\u00e3o. Nesta sede n\u00e3o h\u00e1 uma teoria submetida \u00e0 realidade; antes, \u00e9 a premissa que vigora soberana, exigindo minha <em>f\u00e9<\/em>. Esse terceiro grau de verificabilidade apela, de um ou de outro modo, a uma experi\u00eancia escatol\u00f3gica. E pede, da parte de meu interlocutor, o exerc\u00edcio muito humano da f\u00e9. Ele precisa apostar que, no futuro, ficar\u00e1 evidente, que eu tinha raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A explica\u00e7\u00e3o de Bateson esclarece, em primeiro lugar, que a linguagem simb\u00f3lica entra em rela\u00e7\u00e3o com a problem\u00e1tica existencial do ser humano. Ela alude inequivocamente, na mesma express\u00e3o da resposta, \u00e0quilo que incomoda o leitor\/ouvinte\/espectador e autoriza\/recupera a emo\u00e7\u00e3o que gerou tais questionamentos. Em segundo lugar, a narra\u00e7\u00e3o (e a arte em geral) torna cr\u00edveis os postulados que d\u00e3o sentido \u00e0 comunidade religiosa envolvida nesses enredos e faz com que se <em>veja<\/em> a racionalidade subjacente a esta ou aquela realidade. Essa comunh\u00e3o de sentimentos em torno dos valores que nos afetaram nos relatos gera, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a cultura \u2013 e haver\u00e1 tantas culturas quantas forem as varia\u00e7\u00f5es nessas cria\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Escrituras<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teologia fundamental sabe que a afirma\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica da f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 pouco incidente se n\u00e3o leva em conta os caminhos realmente humanos da acolhida da mensagem crist\u00e3. E uma pergunta que cedo ou tarde ter\u00e1 de ser respondida \u00e9 aquela deparada por Kierkegaard (2007): existem, na comunidade crist\u00e3, disc\u00edpulos de segunda classe? Em outros termos, n\u00e3o haveria um privil\u00e9gio invenc\u00edvel dos disc\u00edpulos que conheceram Jesus pessoalmente, em preju\u00edzo daqueles que tiveram e t\u00eam de se contentar com material de segunda \u2013 ou seja, os textos escritos e os antigos costumes que s\u00e3o oferecidos como aut\u00eantica continua\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do Mestre atrav\u00e9s dos s\u00e9culos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma das maneiras de se colocar o que h\u00e1 de inevit\u00e1vel e simultaneamente o que h\u00e1 de controvertido no apelo a Escrituras oficiais \u2013 isto \u00e9, reconhecidas como aut\u00eanticas pelo magist\u00e9rio eclesial \u2013 como \u201cprova\u201d e caminho de acesso \u00e0 experi\u00eancia fundante da chamada igreja das origens. Desafio semelhante se encontra nas comunidades do Antigo Israel, onde parece haver clareza, na maior parte do tempo, da necessidade de se combinarem textos escritos com a constru\u00e7\u00e3o de uma tradi\u00e7\u00e3o complementar de rituais e coment\u00e1rios escritur\u00edsticos. A composi\u00e7\u00e3o lenta da Tor\u00e1 (Pentateuco) nunca exclui sua releitura em diferentes circunst\u00e2ncias, ensejando a cole\u00e7\u00e3o de livros atribu\u00edda a videntes deambulantes conhecidos como <em>nebiim<\/em> (profetas) e, mais tarde, em novos contextos e problem\u00e1ticas, enriquecendo a cole\u00e7\u00e3o com obras sapienciais inovadoras para o pensamento hebraico antigo (<em>ketuvim<\/em>). Dessa forma, o judeu b\u00edblico pode continuar sentindo-se pertencente \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do Deus de Abra\u00e3o, de Isaac e de Jac\u00f3, embora j\u00e1 n\u00e3o viva nem repita ao p\u00e9 da letra o estilo de vida de seus ilustres antepassados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda \u00e9 comum entre os crist\u00e3os atribuir a no\u00e7\u00e3o de \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d ao conjunto do material consignado nas Escrituras. Mas se nos imaginamos vivendo aqueles tempos com nossos antepassados semitas, o que as pessoas de ent\u00e3o experimentavam era a consci\u00eancia de que todos os instantes de sua vida eram tocados ou atravessados pelo mundo espiritual. \u00c9tica, culto e religiosidade eram um bloco s\u00f3, embora se admitissem momentos e\/ou circunst\u00e2ncias em que o portal com o mundo invis\u00edvel se mostrasse menos opaco. Essa consci\u00eancia \u00e9 t\u00e3o certa e t\u00e3o evidente que a B\u00edblia nem mesmo se preocupa em estabelecer uma palavra paradigm\u00e1tica para designar nosso conceito moderno de revela\u00e7\u00e3o. O fato\/acontecimento fala por si mesmo, seja ele um epis\u00f3dio recontado, no qual se viu a m\u00e3o do divino, seja ele t\u00e9cnicas m\u00e1gicas, tais como sonhos, adivinha\u00e7\u00f5es, necromancias, or\u00e1culos, sa\u00eddas do corpo (comuns entre os <em>nebiim<\/em>\/profetas antigos), e assim por diante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, evidentemente, nuances importantes entre os v\u00e1rios livros b\u00edblicos, escritos em distintas \u00e9pocas, a partir de renovadas compreens\u00f5es sobre a realidade e sobre a divindade que d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o a essa realidade (LATOURELLE, 1990, p.1015-21). \u00c9 diferente conceber um ser divino que se manifesta visitando-o em sua tenda e comendo de sua comida (Abra\u00e3o) e outro que, do alto de uma montanha, sequer se deixa ver e prescreve, no meio de raios e furac\u00f5es, leis a serem obedecidas sem discuss\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 o mesmo imaginar a divindade entrando em contato com o profeta via or\u00e1culos (ou seja, puxando o esp\u00edrito do sujeito para fora do corpo e, nesse plano de realidade, comunicando-lhe ensinamentos) e, s\u00e9culos depois, acolher o livro da Sabedoria ou o Eclesi\u00e1stico (claramente sapienciais, produzidos pela medita\u00e7\u00e3o atenta, e quase filos\u00f3ficos em sentido hel\u00eanico) como Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais marcante, por\u00e9m, nos exemplos b\u00edblicos, \u00e9 a experi\u00eancia central da divindade do \u00caxodo, que permeia, qual condu\u00edte, todas as narrativas, apontando para a rela\u00e7\u00e3o pessoal e sua consequ\u00eancia \u00e9tica (WIEDENHOFER, 1993, p.795-6). V\u00e1rios autores notaram a progressiva passagem de uma percep\u00e7\u00e3o imanente das for\u00e7as e mensageiros divinos para uma esp\u00e9cie de transcendentaliza\u00e7\u00e3o do encontro divino-humano, ainda nos textos veterotestament\u00e1rios. Com isso, tais encontros v\u00e3o se tornando mais raros. Esse processo tem sido chamado de \u201cverbaliza\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o\u201d (TORRES QUEIRUGA, 2010). N\u00f3s o vemos, por exemplo, na passagem de concep\u00e7\u00f5es claramente antropom\u00f3rficas (o anjo de Iahweh, os rostos de Iahweh, o nome de Iahweh) para formas mais refinadas (o Esp\u00edrito de Deus, a Sabedoria de Deus, a Palavra de Deus). Outra caracter\u00edstica dessa mudan\u00e7a \u00e9 que cada vez menos se estimula a experi\u00eancia direta (as profecias ou as viagens celestiais, por exemplo), \u2013 claramente entendidas como amb\u00edguas e perigosas \u2013 privilegiando-se, em seu lugar (principalmente ap\u00f3s a experi\u00eancia do chamado ex\u00edlio babil\u00f4nico), a leitura (sinagogal) dos recados que Deus j\u00e1 enviara no passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se f\u00f4ssemos usar o termo \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d nesses casos, dir\u00edamos que a revela\u00e7\u00e3o foi deixando de ser <em>algo<\/em> que costumava acontecer e passou a ser <em>algo<\/em> que, um dia, tinha acontecido. Em suma, chegou-se a uma esp\u00e9cie de redu\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o do di\u00e1logo entre Deus e a humanidade a uma ponte fixa, a saber, o texto escrito das Sagradas Escrituras. O mesmo fen\u00f4meno teria acontecido no cristianismo com o passar dos s\u00e9culos. No entanto, outros especialistas nos alertam para os in\u00fameros epis\u00f3dios que evidenciam uma maneira muito realista e prudente de retocar pontualmente a media\u00e7\u00e3o escritur\u00edstica quando surgiam problemas ainda sem solu\u00e7\u00e3o estabelecida. Sempre que uma situa\u00e7\u00e3o muito real e cr\u00edtica n\u00e3o encontrava as respostas adequadas nos seus escritos ou em suas narrativas orais paradigm\u00e1ticas, os s\u00e1bios israelitas n\u00e3o hesitavam em rel\u00ea-los acrescentando, confrontando, omitindo ou interpolando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C. Mesters insiste na necessidade de recuperar a relev\u00e2ncia do texto b\u00edblico \u201cn\u00e3o como um texto ca\u00eddo do c\u00e9u, mas antes como algo nascido de dentro da f\u00e9 do Povo de Deus, enquanto este tomava posi\u00e7\u00e3o em meio aos conflitos do caminho\u201d. Portanto, \u201ceste processo de leitura e releitura est\u00e1 na origem da B\u00edblia\u201d e continua ao longo da hist\u00f3ria da Igreja (MESTERS, 1989, p.461). Sendo assim, para a no\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de revela\u00e7\u00e3o, a media\u00e7\u00e3o da B\u00edblia \u00e9 evidentemente fundamental. Ao longo da hist\u00f3ria esse papel foi muitas vezes exagerado \u2013 como na perspectiva protestante (Lutero)\u00a0<em>sola Scriptura<\/em> \u2013 ou mesmo subestimado \u2013 como na t\u00e9cnica escol\u00e1stica pr\u00e9-moderna do <em>argumentum Scripturae<\/em> (que reduzia a consulta b\u00edblica a um mero levantamento de cita\u00e7\u00f5es ilustrativas das teses\/c\u00e2nones doutrinais\/dogm\u00e1ticos pr\u00e9-concebidos\/pr\u00e9-definidos). No entanto, essa experi\u00eancia central de toda religi\u00e3o est\u00e1 plenamente presente na B\u00edblia, com pontos em comum e tamb\u00e9m diferen\u00e7as significativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura oriental antiga na qual se banha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Igrejas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>N\u00e3o h\u00e1 texto a ser lido se n\u00e3o houver quem o escreva. E n\u00e3o adianta escrev\u00ea-lo se n\u00e3o houver quem, tendo-o lido, recomende sua leitura, o proteja e o divulgue. Estamos falando do papel insubstitu\u00edvel da comunidade de f\u00e9 \u2013 ou comunidade reunida em torno dos mesmos s\u00edmbolos e textos fundamentais. Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 nos habituamos a denomin\u00e1-la(s) de Igreja(s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No panorama cat\u00f3lico mais recente, a principal reformula\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de Igreja ocorreu no Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II. Os 45 par\u00e1grafos iniciais da Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral<em> Gaudium et Spes<\/em> (<em>GS<\/em>) sintetizam o que os padres conciliares entenderam ser a necess\u00e1ria fun\u00e7\u00e3o mediadora da Igreja. Tal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 condicionada pela seguinte exig\u00eancia: \u201cque no plano de salva\u00e7\u00e3o da humanidade, aqueles que conhecem o mist\u00e9rio do amor estejam no meio dos homens, e junto de todos, dialogando com quem, neste caminhar rumo ao Evangelho, trope\u00e7a com as exigentes interroga\u00e7\u00f5es do amor\u201d (SEGUNDO, 1978, p.78). J. L. Segundo oferece um sucinto roteiro da <em>GS<\/em> que iremos comentando na medida em que o transcrevemos (SEGUNDO, 1984, p.33, n.15):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201ca) O que vale para os crist\u00e3os, em ordem \u00e0 salva\u00e7\u00e3o, vale igualmente para todos os homens e mulheres de boa vontade (<em>GS<\/em> n.22e). Ou seja, todos os homens e mulheres est\u00e3o sujeitos aos mesmos crit\u00e9rios de julgamento em vista de sua plenitude espiritual e humana, n\u00e3o importando se s\u00e3o ou n\u00e3o crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) A \u00fanica diferen\u00e7a est\u00e1 em conhecer pela f\u00e9 o destino global que Deus confere ao ser humano (<em>GS<\/em>22f). Ent\u00e3o, crist\u00e3o \u00e9 quem \u2018sabe\u2019 que, no fundo, todos se salvam (se o querem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) Esta f\u00e9 destina-se a ajudar a humanidade a encontrar solu\u00e7\u00f5es mais humanas a seus problemas hist\u00f3ricos (<em>GS<\/em>11). Se assim \u00e9, que diferen\u00e7a faz ser ou n\u00e3o ser crist\u00e3o? A f\u00e9 \u00e9 dada para que este se coloque a servi\u00e7o do bem estar geral. N\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio nem lhe d\u00e1 algum tipo de garantia salv\u00edfica acima e\/ou al\u00e9m dos demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) T\u00eam raz\u00e3o as pessoas que, de boa f\u00e9, aceitam ou n\u00e3o a Deus e a seu evangelho, na medida em que os vejam traduzidos em solu\u00e7\u00f5es humanizadoras. Portanto, a Igreja compromete-se a averiguar com seriedade at\u00e9 onde as realiza\u00e7\u00f5es devidas a crist\u00e3os possam levar a uma nega\u00e7\u00e3o da f\u00e9 (<em>GS<\/em>19c, 21b.f). Portanto, o caminho da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 imediatamente compreens\u00edvel nem aceit\u00e1vel, mas passa pela media\u00e7\u00e3o do testemunho dos j\u00e1 iniciados. Da\u00ed que \u2018os homens devam comunicar reciprocamente, de modo amplo, lento e profundo, os seus respectivos mundos de valores e iniciar um discurso sobre a partilha ou n\u00e3o de uma mesma f\u00e9 religiosa\u2019 (SEGUNDO,1984, p.16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e) O crist\u00e3o deve, portanto, se unir aos demais homens e mulheres na busca da verdade, j\u00e1 que a verdade revelada s\u00f3 pode ser cumprida ao se tornar verdade humanizadora (<em>GS<\/em>16). O crist\u00e3o n\u00e3o det\u00e9m nenhum tipo de verdade est\u00e1tica, definitiva, que o dispense de construir, juntamente com os demais semelhantes, uma verdade de fato humanizadora. A verdade da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 hist\u00f3rica e s\u00f3 pode ser compreens\u00edvel na medida em que for continuamente reinserida na (ambival\u00eancia da) hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse exemplo ajuda a compreender como o pensamento cat\u00f3lico entende a fun\u00e7\u00e3o da comunidade eclesial, condicionada pela seguinte exig\u00eancia: \u2018que no plano de salva\u00e7\u00e3o da humanidade, aqueles que conhecem o mist\u00e9rio do amor estejam no meio dos homens, e junto de todos, dialogando com quem, neste caminhar rumo ao Evangelho, trope\u00e7a com as exigentes interroga\u00e7\u00f5es do amor\u2019 (SEGUNDO, 1978, p.78).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">f) Os leigos protagonizam esta fun\u00e7\u00e3o eclesial sem buscar solu\u00e7\u00f5es prontas nas autoridades da Igreja, nem mesmo em assuntos graves, uma vez que esta n\u00e3o \u00e9 a miss\u00e3o delas (<em>GS<\/em>43b). Ao laicato cabe o protagonismo de mediar a presen\u00e7a da mensagem crist\u00e3 na sociedade. As autoridades eclesi\u00e1sticas n\u00e3o t\u00eam nenhuma prerrogativa especial que as torne infal\u00edveis quando se trata de encontrar solu\u00e7\u00f5es para problemas hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">g) A Igreja, nesta fun\u00e7\u00e3o de oferecer elementos humanizadores procedentes de sua f\u00e9, reconhece a d\u00edvida que tem para com o desenvolvimento da humanidade e ainda para com seus hist\u00f3ricos oponentes e perseguidores (<em>GS <\/em>44a.c)\u201d. O surpreendente aqui \u00e9 que uma das pontes entre o Evangelho crist\u00e3o e a sociedade s\u00e3o justamente os hist\u00f3ricos oponentes e perseguidores da Igreja vis\u00edvel. Uma evidente mudan\u00e7a de atitude que n\u00e3o deixou de surtir efeito nos anos que se seguiram ao Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Magist\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualquer grupo religioso organizado depender\u00e1, cedo ou tarde, de um sistema de preserva\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de sua mensagem e dos desdobramentos rotineiros dela decorrentes. Exemplo disso na tradi\u00e7\u00e3o judaica antiga \u00e9 detectado de forma bem did\u00e1tica por J. L. Segundo (2000) ao explicar que a comunidade sinagogal que l\u00ea os textos sagrados \u00e9 t\u00e3o inspirada quanto seus autores humanos. N\u00e3o \u00e9 diferente quando se considera a fun\u00e7\u00e3o mediadora da comunidade eclesial, pois ela tem indiscutivelmente a miss\u00e3o de ensinar, com seu testemunho ortopr\u00e1xico e doutrina ortodoxa, o caminho autenticamente evang\u00e9lico a ser percorrido pelos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II trouxe nesse campo contribui\u00e7\u00f5es importantes para a discuss\u00e3o do tema no catolicismo atual \u2013 de modo particular na Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica <em>Dei Verbum<\/em>. Ao falar da origem divina, da \u201cSagrada Tradi\u00e7\u00e3o e Sagrada Escritura\u201d, a <em>DV<\/em> n.9 diz que elas \u201cest\u00e3o estreitamente unidas e <em>comunicantes <\/em>(compenetradas) <em>entre si<\/em>\u201d. Mas acrescenta, no final do n.10, a tr\u00edade que nomeia, aparentemente em p\u00e9 de igualdade, o magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico, a \u201cSagrada Tradi\u00e7\u00e3o\u201d e a \u201cSagrada Escritura\u201d. No entanto, o contexto maior da <em>DV<\/em> n\u00e3o nos permite equiparar essas tr\u00eas dimens\u00f5es. Nenhum Conc\u00edlio ousaria dar o mesmo status ao magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico e \u00e0 B\u00edblia. O novo, em vez, \u00e9 a insist\u00eancia em dizer que elas \u201cse entrela\u00e7am e se associam entre si de tal forma que <em>uma n\u00e3o subsiste sem as outras<\/em>\u201d, pois dissolve qualquer pretens\u00e3o da Tradi\u00e7\u00e3o de se sustentar como material de f\u00e9 <em>independente<\/em> da Escritura. N\u00e3o sendo independente, n\u00e3o se v\u00ea como podem ser dogmas aqueles dados n\u00e3o contidos na Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A men\u00e7\u00e3o ao Magist\u00e9rio nesse trecho decisivo da <em>Dei Verbum<\/em> parece sugerir que os padres conciliares deram muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem hist\u00f3rica em que surgem e funcionam essas tr\u00eas dimens\u00f5es. Com efeito, a escritura\u00e7\u00e3o do Novo Testamento foi feita a partir da coleta e sele\u00e7\u00e3o da mensagem transmitida pelos ap\u00f3stolos, e precisou depois ser submetida \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o do corpo presbiteral para que pudesse seguir sendo lida\/celebrada na liturgia e, com o tempo, admitida no c\u00e2non. \u00c9 essa tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica que oferece os \u00f3culos com os quais ser\u00e1 poss\u00edvel ver, admirar e optar pela mensagem e valores de Jesus nos s\u00e9culos seguintes. Certamente outros desdobramentos suscitar\u00e3o revis\u00f5es na teologia da revela\u00e7\u00e3o e na eclesiologia crist\u00e3s. Um dos principais talvez seja a inclus\u00e3o positiva no servi\u00e7o magisterial da experi\u00eancia oriunda do <em>sensus fidei fidelium<\/em>. Para avaliar seus frutos teremos, por\u00e9m, de aguardar algumas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Afonso Maria Ligorio Soares.<\/em> PUC S\u00e3o Paulo, Brasil<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a06 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bateson, G. <em>Pasos hacia una ecolog\u00eda de la mente<\/em>: una aproximaci\u00f3n revolucionaria a la autocomprensi\u00f3n del hombre. B. Aires-Mexico: Carlos Lohl\u00e9, 1976.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Berger, P. L. <em>O dossel sagrado<\/em>: elementos para uma teoria sociol\u00f3gica da religi\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KIERKEGAARD,\u00a0S\u00f8ren. <em>Migajas filos\u00f3ficas o un poco de filosofia<\/em>. 5.ed. Madri: Trotta, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LATOURELLE, R. Rivelazione. In: ______; FISICHELLA, R. <em>Dizionario di Teologia Fondamentale<\/em>. Assisi: Cittadella, 1990. p.1013-66.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MESTERS, C. O Projeto Palavra-Vida: a leitura fiel da B\u00edblia de acordo com a Tradi\u00e7\u00e3o e o Magist\u00e9rio da Igreja. <em>Converg\u00eancia<\/em>, n.226, p. 451-67. 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PASSOS, J. D.; USARSKI, F. <em>Comp\u00eandio de ci\u00eancia da religi\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SEGUNDO, J. L. <em>Teologia aberta para o leigo adulto<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1978. v.1. Essa comunidade chamada Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>______. O homem de hoje diante de Jesus de Nazar\u00e9<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1985. v.1. F\u00e9 e Ideologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>_____<\/em>_.<em> O dogma que liberta<\/em>: f\u00e9, revela\u00e7\u00e3o e magist\u00e9rio dogm\u00e1tico. 2.ed. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TORRES QUEIRUGA, A. <em>Repensar a revela\u00e7\u00e3o:<\/em> a revela\u00e7\u00e3o divina na realiza\u00e7\u00e3o humana. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WIEDENHOFER, S. Revela\u00e7\u00e3o. In: EICHER, P. <em>Dicion\u00e1rio de Conceitos Fundamentais de Teologia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1993. p.792-800.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CROATTO, J. S. <em>As Linguagens da Experi\u00eancia Religiosa: <\/em>uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 fenomenologia da religi\u00e3o<em>. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DENZINGER, H; H\u00dcNERMANN, P. <em>Comp\u00eandio dos s\u00edmbolos, defini\u00e7\u00f5es e declara\u00e7\u00f5es de f\u00e9 e moral da Igreja cat\u00f3lica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas-Loyola, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ESP\u00cdN, O. <em>A f\u00e9 do povo<\/em>: reflex\u00f5es teol\u00f3gicas sobre o catolicismo popular. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ESTRADA, J. A. <em>Imagens de Deus<\/em>. A filosofia ante a linguagem religiosa. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LAFONT, G. <em>Hist\u00f3ria teol\u00f3gica da Igreja cat\u00f3lica<\/em>: itiner\u00e1rio e formas da teologia. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LURKER, M.<em> Dicion\u00e1rio de figuras e s\u00edmbolos b\u00edblicos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SEGUNDO, J. L. Di\u00e1logo e teologia fundamental<em>. Concilium<\/em>, n.6, p.91-101. 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOARES, A. M. L. <em>Interfaces da revela\u00e7\u00e3o<\/em>: pressupostos para uma teologia do sincretismo religioso no Brasil. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>No esp\u00edrito do Abb\u00e1<\/em>: f\u00e9, revela\u00e7\u00e3o e viv\u00eancias plurais. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Ecumenismo e Di\u00e1logo Inter-religioso no Vaticano II: sugest\u00e3o hermen\u00eautica para a releitura dos documentos conciliares. In: BORGES, R.; MIOTELLO, V. (org.). <em>O Conc\u00edlio Vaticano II como evento dial\u00f3gico<\/em>. S\u00e3o Carlos: Pedro &amp; Jo\u00e3o Ed., 2013. p.25-37.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Religi\u00f5es 2 S\u00edmbolo e linguagem 3 Escrituras 4 Igrejas 5 Magist\u00e9rio 6 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas \u00c9 inconceb\u00edvel ao pensamento racional humano decifrar de vez a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e mundo. Como suportar um suposto contato direto com Deus? O que captar? Da\u00ed ser inevit\u00e1vel intuir intermedi\u00e1rios e\/ou caminhos (methodos) que viabilizem a ponte entre, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-473","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-fundamental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=473"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1130,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/473\/revisions\/1130"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}