
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":43,"date":"2014-10-13T00:22:24","date_gmt":"2014-10-13T00:22:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:8200\/theologica\/?p=43"},"modified":"2023-04-06T18:20:14","modified_gmt":"2023-04-06T21:20:14","slug":"verbete-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=43","title":{"rendered":"Ecumenismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 O significado do termo \u201cecumenismo\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 A hist\u00f3ria do movimento ecum\u00eanico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 Associa\u00e7\u00f5es crist\u00e3s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 A miss\u00e3o em perspectiva ecum\u00eanica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3 Dois movimentos da unidade crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.4 O Conselho Mundial de Igrejas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.5 As assembleias do Conselho Mundial de Igrejas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 As Igrejas e o movimento ecum\u00eanico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 O ecumenismo no\u00a0Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 O Decreto <em>Unitatis redintegratio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 O Diret\u00f3rio ecum\u00eanico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.3 As estruturas ecum\u00eanicas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 O ecumenismo na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Frutos do ecumenismo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Desafios para o ecumenismo na atualidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>1 O significado do termo \u201cecumenismo\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo \u201cecumenismo\u201d, tradu\u00e7\u00e3o portuguesa do conceito grego <em>oikoumene, <\/em>\u00e9 encontrado pela primeira vez em Her\u00f3doto (s\u00e9c. V). Designa a \u201cterra habitada\u201d, no sentido geogr\u00e1fico. Desse sentido, passa-se ao de \u201chabitantes da terra\u201d<em>,<\/em> indicando toda a humanidade. Para os gregos, o elemento que unifica a <em>oikoumene <\/em>\u00e9 a cultura hel\u00eanica. Os romanos traduzem esse termo como <em>ecumene, <\/em>colocando como elemento unitivo a ordem jur\u00eddica, a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da <em>orbis romanus<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste sentido profano que se encontra o termo \u201cecumenismo\u201d na b\u00edblia. Na tradu\u00e7\u00e3o dos LXX, ele est\u00e1, sobretudo, nos salmos e no livro de Isa\u00edas. No segundo testamento, <em>oikoumene <\/em>aparece 15 vezes: com o sentido de \u201ca terra habitada\u201d (Mt 24,14; Lc 4,5; 21,26; Rm 10,18; Hb 1,6), \u201cos habitantes da terra\u201d (At 17,31; 19,27; Ap 12,9), e em rela\u00e7\u00e3o com a <em>orbis romanus <\/em>(Lc 2,1; At 24,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na b\u00edblia, \u201cecumenismo\u201d ganha tamb\u00e9m um sentido religioso, indicando o mundo inteiro e que tudo o que esse possui recebeu de Deus criador e a Deus pertence: \u201ca mim pertence o mundo e o que ele cont\u00e9m\u201d (Sl 49,12; tamb\u00e9m Is 10,14). A <em>oikoumene<\/em>\/mundo \u00e9 onde se realiza a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, onde acontece o pecado, a a\u00e7\u00e3o dos profetas, a encarna\u00e7\u00e3o. Deus julgar\u00e1 o mundo (Is 10,14-23; Lc 21,6; Ap 3,10; At 17,31); envia os profetas e os ap\u00f3stolos para mostrar o caminho da salva\u00e7\u00e3o (Sl 48,2; Mt 24,14); o mundo ser\u00e1 salvo, enfim, por Cristo que o glorificar\u00e1 (Hb 2,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na patr\u00edstica, ecumenismo ganha sentido eclesiol\u00f3gico, associado com frequ\u00eancia \u00e0 Igreja cat\u00f3lica espalhada por toda a terra. Os termos \u201ccat\u00f3lico\u201d e <em>ecumene<\/em> se justap\u00f5e: a Igreja \u00e9 cat\u00f3lica, isto \u00e9, espalhada por toda a terra (<em>oikoumene<\/em>). Or\u00edgenes entende que a doutrina e a piedade crist\u00e3s encheram a terra (<em>De principiis, <\/em>L. IV, n.5) e trata dos que habitam a <em>oikoumene<\/em> da Igreja de Deus (<em>Ps., <\/em>XXXII, 8). Para Bas\u00edlio, a Igreja deve ser difundida por toda a terra e chegar a todas as pessoas, agrupando nela a diversidade das condi\u00e7\u00f5es humanas (<em>Homilia in Ps., 48<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo da hist\u00f3ria do cristianismo, o termo ecumenismo foi considerado como express\u00e3o de comunh\u00e3o na f\u00e9 pela ades\u00e3o \u00e0s doutrinas definidas nos \u201cconc\u00edlios ecum\u00eanicos\u201d. Com a divis\u00e3o dos crist\u00e3os, sobretudo a partir do s\u00e9culo XVI, o ecumenismo vai ganhando o sentido de esfor\u00e7o para restabelecer a unidade rompida. \u00c9 nesse sentido que, a partir do s\u00e9culo XIX, surgem iniciativas de di\u00e1logo entre Igrejas separadas, dando origem ao atual \u201cmovimento ecum\u00eanico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 A hist\u00f3ria do movimento ecum\u00eanico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u00a02.1 Associa\u00e7\u00f5es crist\u00e3s<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do s\u00e9culo XVIII, surgiram na Europa fen\u00f4menos pol\u00edticos, sociais e culturais como a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, o racionalismo, a revolu\u00e7\u00e3o industrial, o capitalismo e o socialismo, o liberalismo, que exigiram um posicionamento das Igrejas. Esse posicionamento foi diferenciado conforme cada igreja, entre o fechamento e a condena\u00e7\u00e3o da realidade social, de um lado, e a integra\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo com essa realidade, de outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto surgiram v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, que influenciariam decisivamente no futuro movimento ecum\u00eanico. Destacam-se: a Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Jovens (1844) e Associa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Mulheres Jovens (1854), a Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Estudantes Crist\u00e3os (1895). A preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era, na verdade, aproximar as Igrejas mas evangelizar a sociedade e os meios universit\u00e1rios, buscando a \u201camplia\u00e7\u00e3o do Reino de Deus entre a juventude\u201d (NEILL, p.327-9). Entretanto, essas associa\u00e7\u00f5es favoreceram as rela\u00e7\u00f5es e interc\u00e2mbios entre as Igrejas. Tr\u00eas elementos contribu\u00edram para isso: 1) o internacionalismo das associa\u00e7\u00f5es, que fundam novas sedes e isso exige um contato estreito com as Igrejas; 2) a compet\u00eancia para organizar eventos internacionais, que torna seus l\u00edderes peritos das futuras assembleias ecum\u00eanicas; 3) a preocupa\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, com interesse sobretudo pelas \u201cigrejas jovens\u201d da \u00c1sia e da \u00c1frica, ajudando as demais Igrejas a uma unidade na miss\u00e3o (NAVARRO, p.121).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A confer\u00eancia para a paz, celebrada em Haia (1907), deu origem \u00e0 <em>Alian\u00e7a Mundial para a Amizade Internacional<\/em>, congregando as Igrejas para, na imin\u00eancia da Guerra Mundial, atuarem na promo\u00e7\u00e3o da paz. Uma confer\u00eancia protestante realizada em Lausanne e outra cat\u00f3lica em Lieja, ambas em agosto de 1914,\u00a0 redigiram resolu\u00e7\u00f5es em favor da paz. N\u00e3o evitaram a guerra, mas desenvolveram a coopera\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica em favor da paz e do atendimento aos atingidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2 A miss\u00e3o em perspectiva ecum\u00eanica<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais iniciativas prepararam o terreno para as Igrejas realizarem debates sobre a rela\u00e7\u00e3o entre miss\u00e3o e unidade (Londres, 1888; Nova Iorque, 1890). Sentia-se a necessidade da coopera\u00e7\u00e3o, do testemunho comum, da intera\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica nos projetos mission\u00e1rios confessionais. Chegou-se, assim, ao grande evento que marca, de fato, a origem do movimento ecum\u00eanico moderno, a Confer\u00eancia Mission\u00e1ria Internacional, realizada em Edimburgo, em 1910. Participaram dessa Confer\u00eancia 1.200 delegados de 159 sociedades mission\u00e1rias. O tema da Confer\u00eancia foi \u201cProblemas que surgem no confronto entre miss\u00f5es crist\u00e3s e religi\u00f5es n\u00e3o-crist\u00e3s\u201d<em>. <\/em>Dessa Confer\u00eancia surge, em 1921, o Conselho Mission\u00e1rio Internacional (Lake Mohonk, EUA), que se integrar\u00e1 ao Conselho Mundial de Igrejas na Assembleia Geral em Nova Delhi (1961).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.3 Dois movimentos da unidade crist\u00e3<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois outros movimentos s\u00e3o criados para fortalecerem a aspira\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica manifestada em Edimburgo: 1) <em>Vida e A\u00e7\u00e3o, <\/em>que busca unir as Igrejas em projetos de a\u00e7\u00e3o social. A inspira\u00e7\u00e3o foi do arcebispo luterano da Su\u00e9cia, Nathan Soderblom (1866-1931), que buscava unir as hierarquias eclesi\u00e1sticas dos pa\u00edses em guerra. Em 1920, Soderblom convocou uma confer\u00eancia mundial com o nome de Vida e A\u00e7\u00e3o, que se realizou em Estocolmo, em 1925, tratando de quest\u00f5es sociais como a economia, a moral, as rela\u00e7\u00f5es internacionais, a educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, os m\u00e9todos de coopera\u00e7\u00e3o e federa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se tratou de quest\u00f5es dogm\u00e1ticas, por entender-se que \u201ca doutrina divide, a a\u00e7\u00e3o une\u201d. Em 1937, foi realizada uma segunda confer\u00eancia em Oxford, refletindo sobre \u201cIgreja, Na\u00e7\u00e3o, Estado\u201d<em>, <\/em>condenando o fascismo e o Estado transformado em \u00eddolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) O segundo movimento \u00e9 F\u00e9 e Constitui\u00e7\u00e3o, que surgiu por iniciativa do bispo anglicano\u00a0Charles H. Brent (1862-1929), na Confer\u00eancia realizada em Lausanne, em 1927, debatendo quest\u00f5es doutrinais como a unidade, a evangeliza\u00e7\u00e3o, a natureza da Igreja, a confiss\u00e3o da f\u00e9, o minist\u00e9rio, os sacramentos. Uma segunda confer\u00eancia\u00a0realizada em Edimburgo, em 1937, refletiu sobre a gra\u00e7a de Jesus Cristo, a Igreja de Cristo e a palavra de Deus, a comunh\u00e3o dos santos, a Igreja, o minist\u00e9rio e os sacramentos, a unidade da Igreja na vida e no culto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.4 O Conselho Mundial de Igrejas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois movimentos vistos acima tentaram formar um Conselho Mundial de Igrejas numa reuni\u00e3o em Utrecht, em 1938. Mas isso s\u00f3 aconteceu de fato em 1948, em Amsterd\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conselho Mundial de Igrejas \u00e9 o fruto mais maduro da aspira\u00e7\u00e3o pela supera\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o dos crist\u00e3os. Ele \u00e9 hoje composto por 349 Igrejas de todas as tradi\u00e7\u00f5es eclesiais, exceto o catolicismo, e busca manter entre as igrejas-membros um di\u00e1logo est\u00e1vel e projetos de coopera\u00e7\u00e3o que fortale\u00e7am as rela\u00e7\u00f5es fraternais. A ideia de um conselho de Igrejas se manifestava com frequ\u00eancia desde a Confer\u00eancia de Edimburgo (1910). Foi proposta pelo patriarcado de Constantinopla em 1920 como uma <em>liga de igrejas<\/em>, e pelos bispos anglicanos na Confer\u00eancia de Lambeth (1920), al\u00e9m da tentativa dos movimentos Vida e A\u00e7\u00e3o e F\u00e9 e Constitui\u00e7\u00e3o, em Utrech (1937). Dessa \u00faltima tentativa, surgiu o \u201cComit\u00ea dos Quatorze\u201d, que em 1938 reuniu-se novamente em Utrech e criou um comit\u00ea provis\u00f3rio para pensar a cria\u00e7\u00e3o de um Conselho de Igrejas. Ap\u00f3s duas reuni\u00f5es desse comit\u00ea (Clarens, na Su\u00ed\u00e7a, em 1938 e Saint-Germain, na Fran\u00e7a, em 1939), os trabalhos foram dificultados por causa da Guerra, at\u00e9 1948, quando se realizou a assembleia de funda\u00e7\u00e3o do Conselho Mundial de Igrejas, em Amsterd\u00e3, com a presen\u00e7a de 147 Igrejas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conselho Mundial de Igrejas n\u00e3o \u00e9 uma \u201csuper Igreja\u201d, nem a Igreja universal, nem a <em>Una Sancta<\/em>. Ele n\u00e3o toma decis\u00f5es em nome das Igrejas e a sua teologia n\u00e3o expressa uma concep\u00e7\u00e3o particular de igreja confessional, como tamb\u00e9m as Igrejas n\u00e3o consideram relativas suas eclesiologias por causa de sua perten\u00e7a ao Conselho (Wisser\u00b4t Hooft, p.278). Para ser membro do Conselho \u00e9 necess\u00e1rio aceitar a base doutrinal aprovada na Assembleia em Nova Delhi (1961):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">(&#8230;) o Conselho Mundial de Igrejas \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o fraternal de Igrejas que creem em Nosso Senhor Jesus Cristo como Deus e Salvador segundo as Escrituras e se esfor\u00e7am por responder conjuntamente \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o comum para a gl\u00f3ria do \u00fanico Deus, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo (Nouvelle-Delhi, 1961, Rapport de la Troisi\u00e8me \u00a0Assembl\u00e9e &#8211; Delaxaus et Niestl\u00e9, Neuch\u00e2tel, 1962, 147-148).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2<\/em><em>.5 As assembleias do Conselho Mundial de Igrejas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em>O Conselho Mundial de Igrejas desenvolve suas atividades por muitas formas e atrav\u00e9s de diferentes meios, como o Instituto Ecum\u00eanico de Bossey, o escrit\u00f3rio do Conselho em Nova Iorque, o departamento de comunica\u00e7\u00f5es, com seus boletins, revistas, livros e grava\u00e7\u00f5es em diferentes l\u00ednguas, bem como a biblioteca que possui em sua sede em Genebra. Mas o trabalho de articula\u00e7\u00e3o maior entre as Igrejas acontece nas Assembleias Gerais, dez j\u00e1 realizadas ao longo de sua hist\u00f3ria. A saber:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Amsterd\u00e3, 1948<em> \u2013 <\/em>participam 147 Igrejas de 44 pa\u00edses. O tema geral foi \u201cA desordem do homem e o des\u00edgnio de Deus\u201d<em>; <\/em>2)\u00a0Evanston, 1954<em> \u2013<\/em> participaram 162 Igrejas, tendo como\u00a0tema geral \u201cCristo, \u00fanica esperan\u00e7a do mundo\u201d; 3) New Delhi, 1961, com a presen\u00e7a de 198 Igrejas crist\u00e3s e o tema geral \u201cCristo, luz do mundo\u201d; 4)\u00a0Upsala, 1968 \u2013 o tema foi \u201cEu torno novas todas as coisas\u201d; 5)\u00a0Nair\u00f3bi, 1975<em> \u2013 <\/em>contou com 286 Igrejas-membros e refletiu sobre o tema \u201cJesus Cristo liberta e une\u201d; 6)\u00a0Vancouver, 1983<em> \u2013 <\/em>teve como tema geral \u201cJesus Cristo, vida do mundos\u201d; 7) Camberra, 1991 &#8211; \u00a0participaram 317 Igrejas e o tema geral foi \u201cVem, Esp\u00edrito Santo, renova toda a cria\u00e7\u00e3o\u201d; \u00a08) Harare (Zimbabwe)<em>,<\/em> 1998, com o tema \u201cBuscar a Deus com a alegria da esperan\u00e7a\u201d; 9) Porto Alegre, 2006, com o tema \u201cDeus, em tua gra\u00e7a transforma o mundo\u201d; 10) Busan (Coreia do Sul), 2013, com o tema: \u201cSenhor da vida, conduz-nos \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 paz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 As Igrejas e o movimento ecum\u00eanico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As diferentes tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s logo se integraram no movimento ecum\u00eanico, desde suas origens. Nas associa\u00e7\u00f5es e no movimento mission\u00e1rio, havia representantes de praticamente todas as Igrejas do protestantismo, do anglicanismo e das tradi\u00e7\u00f5es ortodoxas. Os crist\u00e3os protestantes s\u00e3o pioneiros das iniciativas ecum\u00eanicas. Dentre eles destacam-se o metodista John Mott (1865-1955), o luterano Nathan Soderblon (1866-1931), o reformado holand\u00eas Willem Adolf Visser&#8217;t Hooft (1901-1985), os metodistas Philip Potter (1921) e Em\u00edlio Castro (1927-2013). Esses, entre muitos outros, contribu\u00edram significativamente para que as Igrejas luteranas, reformadas e metodistas aderissem ao movimento ecum\u00eanico desde suas origens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os anglicanos foram impulsionados ao di\u00e1logo ecum\u00eanico pelo Movimento de Oxford (1833-1845), que buscava recuperar as tradi\u00e7\u00f5es primitivas do cristianismo, que muito favoreceu para o di\u00e1logo com a Igreja cat\u00f3lica, sobretudo pelos esfor\u00e7os de Henry Newmann (1801-1890). Esse di\u00e1logo foi fortalecido pelas <em>Conversa\u00e7\u00f5es de Malinas <\/em>(1921- 1926), junto com o padre Portal e o cardeal Mercier.\u00a0 A Confer\u00eancia de Lambeth, em 1920, apresentou quatro elementos fundamentais para a reconstitui\u00e7\u00e3o da unidade da Igreja: as Escrituras, o S\u00edmbolo de Niceia e dos Ap\u00f3stolos, os sacramentos e os minist\u00e9rios. Com rela\u00e7\u00e3o aos ortodoxos, ainda em 1902, o patriarca Joaquim III de Constantinopla publicou uma enc\u00edclica que muito incentiva o ecumenismo. Em 1920, os doze metropolitas do S\u00ednodo de Constantinopla tamb\u00e9m publicaram uma carta enc\u00edclica propondo a cria\u00e7\u00e3o de uma <em>liga das igrejas<\/em> e apresentando elementos pastorais para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja cat\u00f3lica teve duas posi\u00e7\u00f5es frente ao movimento ecum\u00eanico: a) <em>resist\u00eancia ao di\u00e1logo<\/em> \u2013 reiteradas vezes as autoridades cat\u00f3licas recusaram o convite para participarem das iniciativas ecum\u00eanicas. Entre outras: em 1910, pela ocasi\u00e3o da Confer\u00eancia de Edimburgo; em 1925, na cria\u00e7\u00e3o do Movimento Vida e A\u00e7\u00e3o; em 1927, na cria\u00e7\u00e3o do Movimento F\u00e9 e Constitui\u00e7\u00e3o; em 1948, na assembleia de funda\u00e7\u00e3o do Conselho Mundial de Igrejas. A primeira vez que a Igreja romana enviou delegados oficiais em um encontro ecum\u00eanico foi em 1961, na assembleia do Conselho Mundial de Igrejas, em Nova Delhi. \u00a0b) <em>integra\u00e7\u00e3o na caminhada ecum\u00eanica<\/em>: a abertura para o ecumenismo na Igreja cat\u00f3lica surge apenas em meados do s\u00e9culo XX, com a instru\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio<em> Ecclesia Catholica <\/em>(conhecida como <em>De motione oecumenica<\/em>), de 20 de dezembro de 1949, reconhecendo a import\u00e2ncia do movimento ecum\u00eanico e apresentando os crit\u00e9rios para os cat\u00f3licos dele participarem. Trata-se do <em>primeiro<\/em> pronunciamento oficial da Igreja Cat\u00f3lica Romana que valoriza o movimento ecum\u00eanico, entendendo-o como uma \u201cinspira\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho da Igreja cat\u00f3lica para o ecumenismo foi aberto\u00a0em cinco dire\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) na teologia \u2013 as primeiras intui\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas no meio cat\u00f3lico s\u00e3o encontradas em te\u00f3logos do s\u00e9culo XIX, sobretudo\u00a0Johann Adam M\u00f6hler (1796-1838) e John Henry Newmann (1801-1890), que propunham uma concep\u00e7\u00e3o de unidade eclesial que supera a perspectiva institucionalista, juridicista e visibilista, pr\u00f3pria da eclesiologia da \u201csociedade perfeita\u201d de ent\u00e3o. Mas os esfor\u00e7os mais consequentes surgem mesmo no s\u00e9culo\u00a0 XX, tendo como marco a obra de Y. M. J. Congar, <em>Chr\u00e9tiens D\u00e9sunis. Principes d\u00b4un <\/em>oecum\u00e9nisme<em> catholique <\/em>(1937). Na mesma dire\u00e7\u00e3o est\u00e3o K. Rahner, H. Urs Von Balthasar e J. Danielou, apenas para citar os que mais influ\u00eancia tiveram no Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2)<\/em> na espiritualidade \u2013 o Papa Le\u00e3o XIII, no seu <em>Breve Providae Matris <\/em>(1865), <em>\u00a0<\/em>recomendou uma Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os na primeira semana de Pentecostes. Em 1867, escreve, na Carta Enc\u00edclica <em>Divinum illud m\u00fanus, <\/em>sobre o valor da ora\u00e7\u00e3o em que se pede que o bem da unidade dos crist\u00e3os possa amadurecer. A Semana de Ora\u00e7\u00e3o ganha for\u00e7a originalmente no meio protestante e anglicano, a partir de 1908. Quando a <em>Society of the Atonement <\/em>se tornou corporativamente membro da Igreja cat\u00f3lica, o Papa Pio X concedeu, em 1909, a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o oficial \u00e0 Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os no m\u00eas de janeiro. Mas foi Bento XV que a introduziu de maneira definitiva na Igreja cat\u00f3lica. Em 1937, o padre Paul Couturier (1881-1953), junto com Paul Wattson (1863-1940), fortaleceram ainda mais a Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade, integrando decididamente as comunidades cat\u00f3licas. \u00c9 significativo o fato de o papa Jo\u00e3o XXIII ter anunciado a realiza\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II no dia 25 de janeiro de 1959, encerramento da Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) na cria\u00e7\u00e3o de organismos ecum\u00eanicos \u2013 o monge beneditino Lambert Beauduin (1873-1960) fundou, em 1925, os \u201cmonges da uni\u00e3o\u201d, na B\u00e9lgica, e, em 1939, a revista <em>Irenikon, <\/em>ainda hoje uma das principais nos meios ecum\u00eanicos. Uma s\u00e9rie de outros organismos ecum\u00eanicos v\u00e3o surgindo pela iniciativa de cat\u00f3licos romanos, como o Centro <em>Istina <\/em>(Paris), o movimento <em>Una Sancta<\/em> (Alemanha), o <em>Centro Pro Unione <\/em>(Roma).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4<em>)<\/em> na busca do di\u00e1logo est\u00e1vel \u2013 entre os anos 1921 e 1925, um grupo de te\u00f3logos anglicanos e cat\u00f3licos romanos desenvolveram conversa\u00e7\u00f5es doutrinais (<em>Malines<\/em>) de fundamental import\u00e2ncia para a unidade das duas Igrejas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5<em>) <\/em>na <em>a\u00e7\u00e3o social<\/em> \u2013 crist\u00e3os de diferentes igrejas solidarizaram-se nos esfor\u00e7os pela promo\u00e7\u00e3o humana, sobretudo durante os dois grandes conflitos mundiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 O ecumenismo no\u00a0Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965) teve como um dos seus principais objetivos promover a unidade dos crist\u00e3os (<em>Unitatis redintegratio, <\/em>n.1). Na inten\u00e7\u00e3o do papa Jo\u00e3o XXIII, o ecumenismo n\u00e3o era um tema de segunda import\u00e2ncia, mas um dos elementos que configuram a Igreja conciliar, em seu ser e em seu agir. E para se fortalecer como um objetivo do Vaticano II, o ecumenismo perpassa a teologia, a espiritualidade, a eclesiologia, a missiologia do conc\u00edlio. Tornou-se <em>uma perspectiva<\/em> da discuss\u00e3o dos padres conciliares em praticamente todos os 16 documentos conclusivos do conc\u00edlio, tendo como passagens mais significativas: LG 8.13.15; CD 16; OT 16; DV 22; AA 27; GS 92; PO 9; AG 6.15.29.36.39.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Vaticano II foi um fato ecum\u00eanico. Mostram isso o seu objetivo, a explicita\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o ecum\u00eanica das diferentes tem\u00e1ticas do conc\u00edlio, a presen\u00e7a dos observadores crist\u00e3os n\u00e3o cat\u00f3licos romanos na Assembleia dos padres conciliares.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> A publica\u00e7\u00e3o do Decreto sobre o Ecumenismo, <em>Unitatis Redintegratio<\/em>, em 21 de novembro de 1964, foi a express\u00e3o maior da convic\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica da Igreja conciliar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.1 O Decreto Unitatis redintegratio\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Decreto sobre o <em>De oecumenismo <\/em>foi tratado nos tr\u00eas per\u00edodos do conc\u00edlio. Isso serviu como atualiza\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica aos padres conciliares, o que possibilitou o documento final, em tr\u00eas cap\u00edtulos: princ\u00edpios do ecumenismo (cap. I), a pr\u00e1tica do ecumenismo (cap. II) e a rela\u00e7\u00e3o com as tradi\u00e7\u00f5es eclesiais do Oriente e do Ocidente, considerando as especificidades de cada uma (cap. III).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Decreto entende que a divis\u00e3o dos crist\u00e3os \u201ccontradiz abertamente a vontade de Cristo\u201d, \u00e9 \u201cesc\u00e2ndalo\u201d e prejudica a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho (<em>UR<\/em> n.1). Para mudar essa realidade surge o movimento ecum\u00eanico, por mo\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, como uma \u201cdivina voca\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cgra\u00e7a\u201d a todos os crist\u00e3os. Dentre os princ\u00edpios que orientam a a\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica, o conc\u00edlio destaca: o entendimento que a Igreja de Cristo \u00e9 una e \u00fanica, pois sendo Cristo um s\u00f3, uma s\u00f3 \u00e9 a comunidade que Ele quer para todos seus disc\u00edpulos (Jo 17,21); a unidade crist\u00e3 \u00e9 significada e realizada na Eucaristia; tem como princ\u00edpio o Esp\u00edrito Santo e como modelo a Trindade; \u00e9 vivida em uma s\u00f3 f\u00e9, num mesmo culto e na fraterna conc\u00f3rdia; e se organiza na hist\u00f3ria em fidelidade aos Doze, tendo Pedro \u00e0 sua frente (<em>UR<\/em> n.2). \u00c9 reconhecida a eclesialidade das Igrejas oriundas das reformas dos s\u00e9culos XVI-XVIII, conferida pelos elementos ou bens da Igreja de Cristo nelas presente, como a Palavra de Deus, a vida da gra\u00e7a, a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade (<em>UR<\/em> n.3; <em>LG<\/em> n.15). Por esses elementos, \u201co Esp\u00edrito de Cristo n\u00e3o recusa a servir-se delas como meios de salva\u00e7\u00e3o\u201d (<em>UR<\/em> n.3).\u00a0 <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas orienta\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para a a\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica, o Decreto destaca: os esfor\u00e7os por eliminar palavras, ju\u00edzos e a\u00e7\u00f5es que separam os crist\u00e3os (<em>UR<\/em> n.4). E enfatiza: o\u00a0ecumenismo deve interessar a todos, fi\u00e9is e pastores (<em>UR<\/em> n.5); ele possibilita a renova\u00e7\u00e3o da Igreja e a fidelidade \u00e0 sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o (<em>UR<\/em> n.6); exige a convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e da mente, a humildade e a generosidade para com os outros (<em>UR<\/em> n.7); se fortalece na ora\u00e7\u00e3o comum, \u201calma de todo o movimento ecum\u00eanico\u201d (<em>UR<\/em> n.8); \u00e9 fundamental o conhecimento m\u00fatuo, pelo estudo das doutrinas, espiritualidades e costumes das tradi\u00e7\u00f5es eclesiais (<em>UR<\/em> n.9), bem como a forma\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica (<em>UR<\/em> n.10); prop\u00f5e\u00a0um m\u00e9todo na exposi\u00e7\u00e3o da doutrina que considere a hierarquia das verdades (<em>UR<\/em> n.11); incentiva a\u00a0 coopera\u00e7\u00e3o das Igrejas na a\u00e7\u00e3o social (<em>UR<\/em> n.12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.2 O Diret\u00f3rio ecum\u00eanico \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir das orienta\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas do Conc\u00edlio Vaticano II, o ent\u00e3o Secretariado para a Unidade dos Crist\u00e3os emanou normas e crit\u00e9rios para a atua\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica dos crist\u00e3os cat\u00f3licos. O principal documento \u00e9\u00a0o <em>Diret\u00f3rio para a aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios e normas sobre o ecumenismo, <\/em>publicado em etapas: em 1967, tratando das comiss\u00f5es ecum\u00eanicas diocesanas e nacionais, o m\u00fatuo reconhecimento do batismo, e a comunh\u00e3o nas coisas espirituais; em 1970, apresentando os princ\u00edpios e a pr\u00e1tica ecum\u00eanica na forma\u00e7\u00e3o em col\u00e9gios, universidades e semin\u00e1rios; e em 1993, atualizando as mudan\u00e7as ocorridas no C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico (1983).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>Diret\u00f3rio ecum\u00eanico<\/em> visa \u201cfornecer normas gerais universalmente aplic\u00e1veis para orientar a participa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica na atividade ecum\u00eanica\u201d (n.7). \u00c9 composto por cinco cap\u00edtulos: as raz\u00f5es da busca da unidade dos crist\u00e3os; a organiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o da unidade no interior da Igreja romana; a forma\u00e7\u00e3o para o ecumenismo; a comunh\u00e3o de vida e de atividade espiritual entre os batizados; e a coopera\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica, o di\u00e1logo e o testemunho comum. Esses temas s\u00e3o apresentados \u00e0 luz do Conc\u00edlio, buscando \u201crefor\u00e7ar as estruturas que foram j\u00e1 preparadas para manter e orientar a atividade ecum\u00eanica a todos os n\u00edveis da Igreja\u201d (n.6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.3 As estruturas ecum\u00eanicas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A realiza\u00e7\u00e3o do ideal da unidade exige condi\u00e7\u00f5es estruturais que possibilitem sua concretude, destacando-se:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>a) Conselho Pontif\u00edcio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 5 de junho de 1960, o papa Jo\u00e3o XXIII instituiu o Secretariado para a Unidade dos Crist\u00e3os para ajudar a Igreja cat\u00f3lica a melhor integrar-se no movimento ecum\u00eanico, contribuindo para que todos os crist\u00e3os encontrem \u201cmais facilmente a estrada para alcan\u00e7ar aquela unidade pela qual Cristo rezou\u201d. A atua\u00e7\u00e3o do Secretariado foi fundamental para colocar o ecumenismo em foco no Conc\u00edlio. Ele foi respons\u00e1vel pelas conversa\u00e7\u00f5es com as Igrejas para que enviassem seus representantes no Conc\u00edlio e para que enviassem tamb\u00e9m suas observa\u00e7\u00f5es sobre os temas a serem estudados.\u00a0 A ele coube a responsabilidade dos documentos promulgados pelo Conc\u00edlio sobre ecumenismo, liberdade religiosa (<em>Dignitatis Humanae<\/em>), rela\u00e7\u00f5es da Igreja com as religi\u00f5es (<em>Nostra Aetate<\/em>) e divina revela\u00e7\u00e3o (<em>Dei Verbum)<\/em>, este \u00faltimo preparado conjuntamente com a comiss\u00e3o teol\u00f3gica. O Secretariado foi tamb\u00e9m respons\u00e1vel pelas rela\u00e7\u00f5es religiosas da Santa S\u00e9 com os hebreus, criando o comit\u00ea internacional de rela\u00e7\u00f5es entre cat\u00f3licos e hebreus. Ap\u00f3s o Conc\u00edlio, em 3 de janeiro de 1966, o papa Paulo VI confirmou o Secretariado como institui\u00e7\u00e3o permanente da C\u00faria Romana, especificando sua estrutura e compet\u00eancias. Esse organismo continua como\u00a0o respons\u00e1vel, no \u00e2mbito universal, pela orienta\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica dos crist\u00e3os cat\u00f3licos e a articula\u00e7\u00e3o do\u00a0 di\u00e1logo da Igreja cat\u00f3lica com as outras Igrejas e organiza\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas. Em 1989, o papa Jo\u00e3o Paulo II reestruturou o Secretariado dando-lhe o nome de Conselho Pontif\u00edcio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>b) As comiss\u00f5es de di\u00e1logo bilateral e multilateral<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir das rela\u00e7\u00f5es oficiais estabelecidas com as Igrejas, formaram-se comiss\u00f5es (bilaterais e multilaterais) de di\u00e1logo com organismos representantes das mais diferentes tradi\u00e7\u00f5es eclesiais. Em nossos dias, consolidou-se, no n\u00edvel nacional e internacional, uma vasta rede de di\u00e1logos bilaterais e multilaterais, envolvendo quase todas as Igrejas. Esses di\u00e1logos s\u00e3o oficiais, porque autorizados pelas respectivas autoridades eclesi\u00e1sticas, que nomeiam delegados para tratarem de quest\u00f5es doutrinais, buscando superar as diverg\u00eancias na compreens\u00e3o e viv\u00eancia da f\u00e9 no Evangelho e na Igreja. Atualmente, a Igreja cat\u00f3lica participa de 70 dos 120 Conselhos de Igrejas existentes no mundo; em 14 Conselhos Nacionais e em 3 dos 7 Conselhos Regionais. Al\u00e9m disso, ela comp\u00f5e 16 comiss\u00f5es de di\u00e1logo bilateral tratando das mais variadas quest\u00f5es, como autoridade na Igreja, Eucaristia, minist\u00e9rios, eclesiologia, etc.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>c) As comiss\u00f5es nacionais e diocesanas para o ecumenismo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que as orienta\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas do Vaticano II cheguem \u00e0s igrejas diocesanas e \u00e0s comunidades paroquiais, o Conc\u00edlio Vaticano II confiou o trabalho ecum\u00eanico especialmente \u201caos Bispos de todo o mundo, para que o promovam e orientem com discernimento\u201d. Esta diretiva, muitas vezes aplicada individualmente por Bispos, por S\u00ednodos das Igrejas Orientais Cat\u00f3licas ou por Confer\u00eancias Episcopais, foi inclu\u00edda nos C\u00f3digos de Direito Can\u00f4nico (can.755). Mais, orienta-se que em cada confer\u00eancia episcopal exista alguma organiza\u00e7\u00e3o, comiss\u00e3o ou setor, que motive a recep\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia das orienta\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas do Conc\u00edlio. A eles cabe incentivar para que tamb\u00e9m nas dioceses exista alguma estrutura que motive a a\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica da igreja local, fun\u00e7\u00e3o desenvolvida pelo delegado e uma comiss\u00e3o diocesana para o ecumenismo (Diret\u00f3rio, n. 44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 O ecumenismo na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto de partida do movimento ecum\u00eanico na Am\u00e9rica Latina pode ser encontrado no descontentamento dos mission\u00e1rios latino-americanos sobre a forma como a Confer\u00eancia Mission\u00e1ria, realizada em Edimburgo (1910), desconsiderou a Am\u00e9rica Latina de suas preocupa\u00e7\u00f5es. Esses realizaram uma reuni\u00e3o em Nova Iorque (1913) onde criaram um Comit\u00ea de Coopera\u00e7\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina. O Comit\u00ea realizou o Congresso da A\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 na Am\u00e9rica Latina, no Panam\u00e1 (1916) \u2013 primeiro evento ecum\u00eanico latino-americano \u2013 com o objetivo de compreender os desafios para a miss\u00e3o no continente e estabelecer pistas de coopera\u00e7\u00e3o intereclesial. Outros congressos semelhantes foram realizados, como Montevid\u00e9u (1925) e La Habana (1929), at\u00e9 se chegar a realiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias Confer\u00eancias Evang\u00e9licas Latino-Americanas &#8211; CELA (Argentina, 1949; Peru, 1961; Buenos Aires, 1969, entre outras). Essas confer\u00eancias deixaram clara a necessidade de se dar uma express\u00e3o org\u00e2nica aos anseios de um maior interc\u00e2mbio, coopera\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es intereclesiais, o que deu origem \u00e0 Unidade Evang\u00e9lica Latino-Americana &#8211; UNELAM (Campinas, 1969). Essas iniciativas possibilitaram desenvolvimento da consci\u00eancia ecum\u00eanica numa significativa parte do mundo evang\u00e9lico latino-americano, e logo sentiu-se a necessidade de um novo\u00a0organismo que possibilitasse a afirma\u00e7\u00e3o do projeto ecum\u00eanico na regi\u00e3o, frente aos novos desafios que emergiam, tanto do interior das Igrejas quanto da realidade social a partir dos anos 70 do s\u00e9culo XX. Surgiu, assim, o Conselho Latino-Americano de Igrejas &#8211; CLAI (Peru, 1982), principal organismo ecum\u00eanico no \u00e2mbito evang\u00e9lico no continente na atualidade, constitu\u00eddo por cerca de 150 Igrejas batistas, congregacionais, episcopais, evang\u00e9licas unidas, luteranas, mor\u00e1vias, menonitas, metodistas, nazarenas, ortodoxas, pentecostais, presbiterais, reformadas, valdenses, assim como organismos crist\u00e3os especializados em \u00e1reas de pastoral da juventude, educa\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, em 21 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CLAI tem como objetivos principais: promover a unidade entre as Igrejas; apoiar a tarefa evangelizadora de seus membros; promover a reflex\u00e3o e o di\u00e1logo sobre a miss\u00e3o e o testemunho crist\u00e3o no continente. Assim, o CLAI se prop\u00f5e como espa\u00e7o de encontro, forma\u00e7\u00e3o, di\u00e1logo, coopera\u00e7\u00e3o, incid\u00eancia p\u00fablica e articula\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o a processos, dentro do universo ecum\u00eanico, inter-religioso e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade civil e aos organismos multilaterais. Est\u00e1 estruturado em cinco Secretarias Regionais: M\u00e9xico e Mesoam\u00e9rica (Man\u00e1gua, Nicar\u00e1gua), Caribe e Gr\u00e3-Col\u00f4mbia (Barranquillla, Col\u00f4mbia); Andina (Santiago, Chile); Rio da Prata (Buenos Aires, Argentina) e Brasil (Londrina).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naturalmente, n\u00e3o s\u00e3o apenas as Igrejas evang\u00e9licas que realizam o ecumenismo na Am\u00e9rica Latina. As Igrejas anglicanas, ortodoxas e cat\u00f3lica romana tamb\u00e9m t\u00eam suas organiza\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas e tamb\u00e9m integram organismos ecum\u00eanicos com a presen\u00e7a de Igrejas evang\u00e9licas em cada na\u00e7\u00e3o, a exemplo do Conselho Nacional de Igrejas Crist\u00e3s do Brasil \u2013 CONIC (1982). Situam-se aqui, por exemplo, o setor de ecumenismo nas confer\u00eancias episcopais da Igreja cat\u00f3lica em cada pa\u00eds e o Departamento de Comunh\u00e3o Eclesial e Di\u00e1logo, do Conselho Episcopal Latino-Americano \u2013 CELAM (1955), que tem a responsabilidade de promover o ecumenismo nos meios cat\u00f3licos em todo o continente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 Frutos do ecumenismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus 100 anos de exist\u00eancia, o movimento ecum\u00eanico produziu significativos frutos nos esfor\u00e7os de aproxima\u00e7\u00e3o e unidade das Igrejas, nos campos da doutrina, da pastoral, da espiritualidade e da coopera\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o social. Os crist\u00e3os separados n\u00e3o mais se consideram estranhos, concorrentes ou inimigos, mas <em>irm\u00e3os<\/em> e <em>irm\u00e3s<\/em>, linguagem desconhecida at\u00e9 bem pouco tempo. Em sua enc\u00edclica sobre o ecumenismo, <em>Ut Unum Sint <\/em>(1995), o papa Jo\u00e3o Paulo II afirma que \u00e9 a \u201cprimeira vez na hist\u00f3ria que a a\u00e7\u00e3o em prol da unidade dos crist\u00e3os assumiu propor\u00e7\u00f5es t\u00e3o amplas e se estendeu a um \u00e2mbito t\u00e3o vasto\u201d (<em>UUS<\/em> n.41). O mesmo papa reconhece como <em>frutos do di\u00e1logo<\/em>: a fraternidade reencontrada pelo reconhecimento do \u00fanico Batismo e pela exig\u00eancia que Deus seja glorificado na sua obra; a solidariedade no servi\u00e7o \u00e0 humanidade; converg\u00eancias na palavra de Deus e no culto divino; o apre\u00e7o m\u00fatuo dos bens nas diferentes tradi\u00e7\u00f5es eclesiais; o reconhecimento de que \u201caquilo que une \u00e9 mais forte do que o que divide\u201d (<em>UUS<\/em> n.20.41-49).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses frutos permitem elencar cinco aspectos de crescimento nas rela\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas: a) nas rela\u00e7\u00f5es dos dirigentes das Igrejas, existe a localiza\u00e7\u00e3o de pontos de encontro e m\u00fatua procura de avizinhamento e di\u00e1logo; b) no n\u00edvel teol\u00f3gico-doutrinal, chegou-se a importantes converg\u00eancias e consensos sobre v\u00e1rios elementos da f\u00e9 crist\u00e3 e eclesial<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>; c) nas comunidades dos fi\u00e9is, cresce o conv\u00edvio entre crist\u00e3os de diferentes confiss\u00f5es, vencendo-se preconceitos e hostilidades; d) no campo pastoral, a coopera\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica \u00e9 realidade em muitos ambientes; e) cresce a sensibilidade ecum\u00eanica na espiritualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 Desafios para o ecumenismo na atualidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas permanecem s\u00e9rios desafios a serem superados na caminhada ecum\u00eanica. Verifica-se em nossos dias pouca disponibilidade ao di\u00e1logo em muitas inst\u00e2ncias das Igrejas, mesmo nas que prop\u00f5em o ecumenismo em seus documentos normativos. A tend\u00eancia \u00e9 o \u00a0recentramento identit\u00e1rio das Igrejas provocado, por um lado, pelo contexto plural que exige uma redefini\u00e7\u00e3o do seu ser e agir; por outro lado, por tens\u00f5es internas que tendem a fragilizar as convic\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas. Aumenta a tens\u00e3o entre o esp\u00edrito de abertura e di\u00e1logo e a necessidade de salvaguardar a pr\u00f3pria identidade. Em fun\u00e7\u00e3o disso, em alguns ambientes os fi\u00e9is sentem-se obrigados a caminhar de um jeito pr\u00f3prio, no ecumenismo popular, por vezes distanciando-se das orienta\u00e7\u00f5es oficiais. E as estruturas eclesiais tendem a voltar-se para si mesmas, sentindo-se amea\u00e7adas pelo dinamismo das iniciativas ecum\u00eanicas populares. A consequ\u00eancia \u00e9 que as convic\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas apresentadas nos documentos e nos pronunciamentos oficiais das Igrejas n\u00e3o se articulam com a vida concreta das comunidades dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, h\u00e1 um desencontro entre ecumenismo e Igreja, como se fossem realidades separadas ou que se tocam apenas superficialmente. Isso manifesta-se por uma setoriza\u00e7\u00e3o do compromisso ecum\u00eanico, quase exclusivo aos ambientes oficialmente vinculados \u00e0s rela\u00e7\u00f5es intereclesiais e n\u00e3o na comunidade eclesial como um todo; na car\u00eancia de estruturas, de pessoas e de recursos destinados ao trabalho ecum\u00eanico; na pouca forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e pastoral que priorize o di\u00e1logo como o jeito de ser e de agir da Igreja. Acresce-se a esses desafios a realidade social de divis\u00e3o e a pluralidade do campo religioso; a intensa pr\u00e1tica do proselitismo, o fundamentalismo e o conservadorismo; a perda de sentido da perten\u00e7a eclesial; a privatiza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de f\u00e9 dos crist\u00e3os; o tr\u00e2nsito dos crist\u00e3os de uma confiss\u00e3o para outra em busca de uma experi\u00eancia religiosa satisfat\u00f3ria; o hibridismo dos s\u00edmbolos religiosos.<\/p>\n<p>Enfim, o <em>status quaestionis <\/em>da divis\u00e3o dos crist\u00e3os se configura atualmente em 6 principais horizontes: 1) <em>Teologia <\/em>\u2013 as Igrejas est\u00e3o divididas na interpreta\u00e7\u00e3o dos elementos que constituem a natureza e o conte\u00fado da f\u00e9 crist\u00e3, como a doutrina da gra\u00e7a os sacramentos, a natureza da Igreja e os minist\u00e9rios, entre outros; 2) <em>Estruturas eclesiais \u2013 <\/em>as Igrejas divergem tanto sobre os elementos estruturais da Igreja, quanto sobre a compreens\u00e3o teol\u00f3gica que se tem deles; 3) <em>Espiritualidade \u2013 <\/em>a compreens\u00e3o da f\u00e9 e a vida eclesial s\u00e3o alimentadas por espiritualidades diferentes no interior de cada tradi\u00e7\u00e3o eclesial. Esse fato \u2013 que poderia ser apenas manifesta\u00e7\u00e3o da diversidade da atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito \u2013 num contexto de divis\u00e3o manifesta tens\u00f5es e o distanciamento de uma tradi\u00e7\u00e3o eclesial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras; 4) <em>Pastoral \u2013 <\/em>as diverg\u00eancias nos t\u00f3picos anteriores leva as Igrejas a se dividirem quanto ao conte\u00fado e ao m\u00e9todo da evangeliza\u00e7\u00e3o; 5) <em>\u00c9tica<\/em> \u2013 existem tamb\u00e9m divis\u00f5es no horizonte da \u00e9tica e dos costumes, na sua origem, express\u00e3o e fundamenta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica; 6) <em>Quest\u00f5es sociopol\u00edticas \u2013<\/em> n\u00e3o h\u00e1 consenso entre as Igrejas na compreens\u00e3o da sociedade e no modo de situar-se nos conflitos que nela ocorrem.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Elias Wolff,<\/em> PUC Paran\u00e1. Texto original portugu\u00eas. Submetido em 20\/06\/2014; aprovado em 08\/08\/2014; publicado em 13\/10\/2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>8 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONSELHO Pontif\u00edcio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os. <em>Diret\u00f3rio para a Aplica\u00e7\u00e3o dos Princ\u00edpios e Normas sobre o Ecumenismo<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS. <em>Declara\u00e7\u00e3o de Toronto, <\/em>1950.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>_______<\/em>.<em> Nouvelle-Delhi, 1961, Rapport de la Troisi\u00e8me Assembl\u00e9e. <\/em>Neuch\u00e2tel: Delaxaus et Niestl\u00e9, 1962<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRATIEUX, A. <em>L\u00b4Amiti\u00e9 au servisse de l\u00b4union, Lord Halifax et l\u00b4abb\u00e9 Portal. <\/em>Paris: Bonne Presse, 1950.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JO\u00c3O PAULO II. <em>Ut Unum Sint. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NAVARRO, J. B. <em>Para Compreender o Ecumenismo. <\/em>S\u00e3o Paulo: Loyola, 1995. p.121.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROUSE, R. Voluntary Movements in the Second Half-Century<em>. <\/em>In: ______; NEILL, Stephen (eds.) <em>A History of the Ecumenical Movement (1517-1948). <\/em>Londres: SPCK, 1967.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">THILS, G. <em>Historia Doctrinal del Movimiento Ecumenico. <\/em>Madri: Ediciones Rialp, 1965.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VISSER\u00b4T HOOFT, W. A. Qu\u00b4est-ce que le Conseil Oecum\u00e9nique des \u00c9glise? In: <em>L\u00b4\u00c9glise Universelle dans le dessein de Dieu. <\/em>Neuch\u00e2tle: Delachaux et Niestl\u00e9, 1949.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>The Genesis and Formation of the World Council of Churches. <\/em>Genebra: WCC, 1982.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WOLFF, Elias. <em>Caminhos do Ecumenismo no Brasil. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>A Unidade da Igreja.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Vaticano II \u2013 50 Anos de ecumenismo na Igreja Cat\u00f3lica.\u00a0<\/em> S\u00e3o Paulo, Paulus, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Delegados das Igrejas que participaram do Conc\u00edlio: 1\u00aa sess\u00e3o: 49 delegados de 17 Igrejas; 2\u00aa sess\u00e3o: 66 delegados de 22 Igrejas; 3\u00aa sess\u00e3o: 76 delegados de 23 Igrejas; 4\u00aa sess\u00e3o: 103 delegados de 29 Igrejas. Cf. Bravo, Ernesto. \u201cAspectos hist\u00f3ricos do ecumenismo na Am\u00e9rica Latina\u201d. In: <em>Congresso Ibero Americano sobre la Nueva Evangelizacion y Ecumenismo.<\/em> Madrid: Gr\u00e1ficas Lormo, 1992. p.99-110.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Os resultados dos trabalhos das comiss\u00f5es, no n\u00edvel internacional, encontram-se em <em>Enchiridion Oecumenicum. <\/em>Bologna: EDB, vol. I, 1988; vol. III, 1995; vol. VII, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Exemplos: com os ortodoxos, foi alcan\u00e7ado um amplo consenso na doutrina trinit\u00e1ria (cristologia e pneumatologia); com a Comunh\u00e3o Anglicana avan\u00e7a o di\u00e1logo sobre a autoridade na Igreja; com os metodistas, foi alcan\u00e7ado um acordo sobre a tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica; com a Federa\u00e7\u00e3o Luterana Mundial, foi alcan\u00e7ado um\u00a0 \u201cconsenso diferenciado\u201d sobre a doutrina da justifica\u00e7\u00e3o. Em todas as Igrejas, atingiu-se um amplo consenso sobre a rela\u00e7\u00e3o entre ecumenismo e miss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 O significado do termo \u201cecumenismo\u201d 2 A hist\u00f3ria do movimento ecum\u00eanico 2.1 Associa\u00e7\u00f5es crist\u00e3s 2.2 A miss\u00e3o em perspectiva ecum\u00eanica 2.3 Dois movimentos da unidade crist\u00e3 2.4 O Conselho Mundial de Igrejas 2.5 As assembleias do Conselho Mundial de Igrejas 3 As Igrejas e o movimento ecum\u00eanico 4 O ecumenismo no\u00a0Conc\u00edlio Vaticano II [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-43","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-e-pratica-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=43"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2858,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/43\/revisions\/2858"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=43"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=43"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=43"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}