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{"id":2944,"date":"2023-12-31T16:54:41","date_gmt":"2023-12-31T19:54:41","guid":{"rendered":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2944"},"modified":"2024-01-03T15:34:20","modified_gmt":"2024-01-03T18:34:20","slug":"lugar-teologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2944","title":{"rendered":"Lugar teol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Express\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 Melchor Cano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 Renova\u00e7\u00e3o conciliar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.3 Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Relev\u00e2ncia teol\u00f3gica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 Epistemologia teol\u00f3gica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 Renova\u00e7\u00e3o da teologia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 <em>Status quaestionis<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 A express\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o na teologia e ganhou muita relev\u00e2ncia no contexto da renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica (p\u00f3s)conciliar, particularmente na teologia da liberta\u00e7\u00e3o latino-americana. Essa relev\u00e2ncia foi tamanha que acabou extrapolando seu campo sem\u00e2ntico tradicional, embora essa muta\u00e7\u00e3o\/amplia\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica nem sempre tenha sido explicitamente tematizada e assimilada, nem muito menos formulada de modo adequado e suficiente. E isso n\u00e3o deixa de gerar ambiguidades e tens\u00f5es te\u00f3ricas que produzem ou contribuem para incompreens\u00f5es, acusa\u00e7\u00f5es e at\u00e9 condena\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas. Da\u00ed a import\u00e2ncia de come\u00e7armos nosso estudo retomando o sentido cl\u00e1ssico dessa express\u00e3o com Melchor Cano e os novos sentidos que ela foi adquirindo no contexto da renova\u00e7\u00e3o conciliar e latino-americana da teologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.1 Melchor Cano<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sentido cl\u00e1ssico da express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d na teologia cat\u00f3lico-romana est\u00e1 ligado \u00e0 obra do te\u00f3logo dominicano Melchor Cano <em>De locis theologicis<\/em> (1563). Inserida no contexto de crise da escol\u00e1stica decadente e da reforma protestante, bem como dos intentos de renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica em curso, a obra de Cano aparece como fruto maduro da reforma teol\u00f3gica preconizada e desenvolvida pela Escola de Salamanca (BELDA PLANS, 2000) e \u201cconstitui possivelmente a obra metodol\u00f3gica mais importante da teologia moderna\u201d (BELDA PLANS, 2006, p. XCI). Ela teve uma influ\u00eancia decisiva na renova\u00e7\u00e3o da teologia escol\u00e1stica e no movimento da contrarreforma, desencadeado sobretudo a partir do Conc\u00edlio de Trento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cano n\u00e3o foi o \u00fanico nem sequer o primeiro te\u00f3logo a tratar desse assunto. Tampouco sua compreens\u00e3o e abordagem do tema eram as \u00fanicas e as mais comuns em sua \u00e9poca. J\u00e1 em 1521, Philipp Melanchthon, o grande te\u00f3logo sistem\u00e1tico da reforma, havia publicado <em>Loci communes<\/em> (MELANCHTHON, 1993), onde trata dos \u201clugares comuns\u201d ou \u201ctemas fundamentais\u201d da doutrina crist\u00e3. Assim como toda ci\u00eancia tem certos \u201cpontos fundamentais\u201d que abarcam e resumem a totalidade dessa ci\u00eancia e ao mesmo tempo funcionam como objetivo ou meta que a direciona e a corrige, diz ele, tamb\u00e9m a teologia tem seus \u201clugares comuns\u201d sobre os quais est\u00e1 constru\u00edda e dos quais depende (MELANCHTHON, 1993, n. 0,1-4). O pr\u00f3prio Cano se refere a essa concep\u00e7\u00e3o no in\u00edcio de sua obra, ao explicar que n\u00e3o pretende disputar sobre os chamados \u201clugares comuns\u201d que tratam de \u201cqualquer mat\u00e9ria\u201d ou dos \u201ctemas principiais\u201d da teologia (justifica\u00e7\u00e3o, gra\u00e7a, pecado, f\u00e9 e outras quest\u00f5es do g\u00eanero), \u201ccomo fizeram muitos dos nossos e, entre os luteranos, Felipe Melanchthon e Calvino\u201d (CANO, 2006, p. 8-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inspirado em Tom\u00e1s de Aquino (<em>STh<\/em> I, q.1, a.8), Cano parte da distin\u00e7\u00e3o entre \u201cargumentos de raz\u00e3o\u201d e \u201cargumentos de autoridade\u201d e da afirma\u00e7\u00e3o do primado da autoridade sobre a raz\u00e3o na teologia (CANO, 2006, p. 7-8). E, baseando-se nos <em>T\u00f3picos<\/em> de Arist\u00f3teles, compreende e prop\u00f5e os \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d, n\u00e3o como \u201clugares comuns\u201d, mas como \u201cfontes\u201d ou \u201cdomic\u00edlios\u201d de argumentos teol\u00f3gicos:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como Arist\u00f3teles prop\u00f4s em seus <em>T\u00f3picos<\/em> uns lugares-comuns como sedes e sinais de argumentos, de onde se pudesse extrair toda argumenta\u00e7\u00e3o para qualquer classe de disputa, de maneira an\u00e1loga, n\u00f3s propomos tamb\u00e9m certos lugares pr\u00f3prios da teologia como domic\u00edlios de todos os argumentos teol\u00f3gicos, de onde os te\u00f3logos podem sacar seus argumentos ou para provar ou para refutar (CANO, 2006, p. 9).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora reconhecendo que n\u00e3o haja consenso quanto ao \u201cn\u00famero\u201d, Cano estabelece dez lugares teol\u00f3gicos: autoridade da Sagrada Escritura, autoridade das Tradi\u00e7\u00f5es de Cristo e dos Ap\u00f3stolos, autoridade da Igreja Cat\u00f3lica, autoridade dos Conc\u00edlios, autoridade da Igreja Romana, autoridade dos Santos Padres, autoridade dos Te\u00f3logos Escol\u00e1sticos e dos Canonistas, Raz\u00e3o Natural, autoridade dos Fil\u00f3sofos e autoridade da Hist\u00f3ria Humana (CANO, 2006, p. 9-10). Os argumentos que se extraem dos sete primeiros lugares s\u00e3o argumentos \u201cinteiramente pr\u00f3prios\u201d da teologia, enquanto os que se extraem dos tr\u00eas \u00faltimos lugares s\u00e3o argumentos \u201cadscritos e como que mendigados do alheio\u201d (CANO, 2006, p. 10). Dos dez lugares teol\u00f3gicos, diz o te\u00f3logo salmantino, \u201cos dois primeiros cont\u00eam os \u2018princ\u00edpios pr\u00f3prios e leg\u00edtimos\u2019 da teologia, enquanto os tr\u00eas \u00faltimos cont\u00eam os \u2018princ\u00edpios externos e alheios\u2019, pois os cinco intermedi\u00e1rios cont\u00eam ou a interpreta\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios pr\u00f3prios ou essas conclus\u00f5es que nasceram e sa\u00edram deles\u201d (CANO, 2006, p. 692).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que essa concep\u00e7\u00e3o de \u201clugar teol\u00f3gico\u201d j\u00e1 tenha sido esbo\u00e7ada por Tom\u00e1s de Aquino (CANO, 2006, p. 679) e retomada por te\u00f3logos contempor\u00e2neos a Cano, como Francisco de Vit\u00f3ria, Domingo de Soto e Bartolomeu de Carranza (BELDA PLANS, 2006, p. LXVII), \u201cat\u00e9 o momento ningu\u00e9m havia se proposto a escrever um tratado cient\u00edfico completo e refletido sobre os <em>loci theologici<\/em> como o m\u00e9todo pr\u00f3prio de argumenta\u00e7\u00e3o em teologia\u201d (BELDA PLANS, 2006, p. LXVII). O pr\u00f3prio Cano chega a dizer explicitamente: \u201cNem Santo Tom\u00e1s nem nenhum outro \u2013 que eu saiba \u2013 intentou explicar o m\u00e9todo para fazer uso dos lugares mesmos\u201d (CANO, 2006, p. 679).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.2 Renova\u00e7\u00e3o conciliar<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra de Melchor Cano exerceu um papel fundamental no contexto da contrarreforma cat\u00f3lica: frente ao princ\u00edpio <em>sola Scriptura,<\/em> da obra de Melanchthon (<em>Loci communes<\/em>), propunha dez \u201cfontes\u201d ou \u201cdomic\u00edlios\u201d de argumentos teol\u00f3gicos (<em>De locis theologicis<\/em>). Paradoxalmente, ela foi sendo submetida pelo mesmo contexto e esp\u00edrito de contrarreforma a um reducionismo magisterial, que culminou no que se convencionou chamar \u201cteologia do Denzinger\u201d ou \u201cteologia de enc\u00edclica\u201d. O confronto com o biblicismo (protestante) desembocou n\u00e3o raras vezes numa esp\u00e9cie de papismo (romano). A supera\u00e7\u00e3o desse reducionismo teol\u00f3gico, preparada por uma s\u00e9rie de movimentos de renova\u00e7\u00e3o eclesial (LIBANIO, 2005, p. 21-48), que culminaram no Conc\u00edlio Vaticano II, implicou numa retomada e atualiza\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios lugares teol\u00f3gicos e acabou produzindo uma amplia\u00e7\u00e3o e tens\u00e3o sem\u00e2nticas na pr\u00f3pria express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das contribui\u00e7\u00f5es mais importantes e mais destacadas do Conc\u00edlio Vaticano II para a renova\u00e7\u00e3o da teologia cat\u00f3lica foi a retomada das v\u00e1rias fontes da teologia. Isso foi se dando atrav\u00e9s dos movimentos de renova\u00e7\u00e3o eclesial (\u201cvolta \u00e0s fontes\u201d) que culminaram no Conc\u00edlio Vaticano II e aparece explicitamente no Decreto <em>Optatam Totius<\/em> sobre a forma\u00e7\u00e3o sacerdotal (OT 16). Como bem afirma Joseph Ratzinger, \u201co conc\u00edlio muito contribuiu para que se alargassem os horizontes teol\u00f3gicos e para que na Igreja toda se passasse para al\u00e9m de uma \u2018teologia de enc\u00edclica\u2019\u201d, isto \u00e9, \u201cum tipo de teologia que se restringia cada vez mais a escutar e analisar as declara\u00e7\u00f5es e os documentos papais\u201d (RATZINGER, 1974, p. 267). De fato, diz ele, a) \u201co conc\u00edlio conseguiu que a teologia voltasse novamente a considerar todas as fontes e em toda a sua integridade\u201d; b) \u201cmostrou tamb\u00e9m que a teologia n\u00e3o deve considerar todas as fontes apenas atrav\u00e9s do filtro da interpreta\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio dos \u00faltimos cem anos, mas deve ler e procurar compreend\u00ea-las como s\u00e3o em si mesmas\u201d; c) \u201cexpressou, inclusive, o desejo de n\u00e3o dar aten\u00e7\u00e3o apenas \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, como de estudar tamb\u00e9m seriamente o desenvolvimento da teologia de outras Igrejas e de outras denomina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s\u201d; e) \u201cconsiderou de import\u00e2ncia a aten\u00e7\u00e3o que deve ser dada aos problemas do homem de hoje\u201d (RATZINGER, 1974, p. 267). A indica\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o das diversas fontes da teologia, o acr\u00e9scimo de novas fontes e a compreens\u00e3o atual dessas v\u00e1rias fontes significaram uma verdadeira retomada e atualiza\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d, mesmo quando Cano e sua obra n\u00e3o s\u00e3o explicitamente referidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, al\u00e9m de retomar, atualizar e at\u00e9 ampliar as \u201cfontes\u201d ou os \u201cdomic\u00edlios\u201d de argumentos teol\u00f3gicos, a renova\u00e7\u00e3o conciliar da teologia acabou extrapolando o sentido cl\u00e1ssico da express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d. A insist\u00eancia no car\u00e1ter hist\u00f3rico da revela\u00e7\u00e3o (DV), na Igreja como sacramento de salva\u00e7\u00e3o (LG), na liturgia como fonte e cume da vida crist\u00e3 (SC), na import\u00e2ncia dos \u201csinais dos tempos\u201d (GS), no ecumenismo como obra do Esp\u00edrito (UR), nas \u201csementes do Verbo\u201d presentes nas culturas e religi\u00f5es (AG, NA), dentre outros temas, levou \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da densidade e do valor epistemol\u00f3gicos dessas realidades. E isso foi sendo expresso, de modo um tanto espont\u00e2neo, em termos de novos lugares teol\u00f3gicos\u201d. Vai se tornando muito comum falar da Igreja, da liturgia, do \u201cmundo ou dos sinais dos tempos como \u201clugar teol\u00f3gico\u201d (SCHILLEBEECX, 1968, 189-92; TABORDA, 2009, p. 31-37; GUTI\u00c9RREZ, 2000, p. 63, 69; RITO, 1998, p. 123-128; WICKS, 1999, p. 22; H\u00dcNERMANN, 2014, p. 263-291), como se fosse uma mera amplia\u00e7\u00e3o das \u201cfontes\u201d ou dos \u201cdomic\u00edlios\u201d de argumentos teol\u00f3gicos. Curiosamente, poucos percebem que a express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d j\u00e1 n\u00e3o se refere aqui, como na obra de Cano, a \u201cfontes\u201d ou \u201cdomic\u00edlios\u201d de <em>argumentos teol\u00f3gicos<\/em>, mas a <em>realidades teologais<\/em>, nas quais Deus se faz presente de um modo muito particular (densidade teologal) e pode ser encontrado e mais bem conhecido (densidade teol\u00f3gica). A express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d j\u00e1 n\u00e3o significa aqui uma esp\u00e9cie de \u201c\u00e1reas de documenta\u00e7\u00e3o\u201d (WICKS, 1999, p. 20), mas se refere a realidades ou acontecimentos. Como bem adverte Max Seckler, n\u00e3o se pode falar de \u201catualidade\u201d, de \u201cliturgia\u201d ou de \u201cIgreja\u201d como novos \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d no sentido de Melchor Cano (SECKLER, 1987, p. 44, nota 11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa destacar aqui que a renova\u00e7\u00e3o conciliar da teologia n\u00e3o apenas retoma, atualiza e amplia os \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d como <em>fontes ou domic\u00edlios de argumentos teol\u00f3gicos<\/em>, mas, extrapolando esse sentido cl\u00e1ssico, usa a express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d para se referir tamb\u00e9m a <em>realidades teologais<\/em>. E importa tamb\u00e9m chamar aten\u00e7\u00e3o para o fato curioso de que essa nova acep\u00e7\u00e3o da express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d (realidades ou acontecimentos teologais) tenha sido tomada e continue sendo tomada em grande medida ainda hoje no sentido de Cano (fontes ou domic\u00edlios de argumentos teol\u00f3gicos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.3 Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teologia da liberta\u00e7\u00e3o nasce no contexto da renova\u00e7\u00e3o conciliar da Igreja e, mais concretamente, no contexto da \u201crecep\u00e7\u00e3o criativa\u201d do Conc\u00edlio na Am\u00e9rica Latina. Ela \u00e9 fruto e express\u00e3o do processo de renova\u00e7\u00e3o eclesial latino-americana, que tem na Confer\u00eancia de Medell\u00edn (1968) um marco hist\u00f3rico fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fiel \u00e0 intui\u00e7\u00e3o e ao prop\u00f3sito originais de Jo\u00e3o XXIII, de abertura, di\u00e1logo e coopera\u00e7\u00e3o da Igreja como o mundo, que encontram na Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et Spes<\/em> e sua incipiente teologia dos \u201csinais dos tempos\u201d sua melhor express\u00e3o, Medell\u00edn inaugura uma nova etapa na vida da Igreja do continente, marcada por uma aut\u00eantica inser\u00e7\u00e3o na realidade latino-americana e por um compromisso cada vez mais intenso com os pobres e marginalizados e suas lutas por liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso j\u00e1 aparece explicitamente no <em>Tema<\/em> da Confer\u00eancia: \u201cPresen\u00e7a da Igreja na atual transforma\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina\u201d. E \u00e9 afirmado com muita for\u00e7a na <em>Introdu\u00e7\u00e3o<\/em> do Documento Final: a) come\u00e7a dizendo que \u201ca Igreja latino-americana, reunida na II Confer\u00eancia Geral de seu Episcopado, situou no centro de sua aten\u00e7\u00e3o o homem deste continente que vive um momento decisivo de seu processo hist\u00f3rico\u201d; b) fala do \u201cmomento hist\u00f3rico\u201d vivido na Am\u00e9rica Latina (anseio de emancipa\u00e7\u00e3o e de liberta\u00e7\u00e3o) como um \u201cevidente signo do Esp\u00edrito\u201d; c) termina reafirmando que toda \u201creflex\u00e3o [da confer\u00eancia] orientou-se para a busca de forma de presen\u00e7a mais intensa e renovada da Igreja na atual transforma\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina\u201d (CELAM, 1987, p. 5-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa perspectiva da Confer\u00eancia de Medell\u00edn, que ser\u00e1 decisiva para a recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio na Am\u00e9rica Latina, diferente de sua recep\u00e7\u00e3o em outros continentes, ajuda a compreender o sentido e a import\u00e2ncia da express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d na teologia latino-americana. \u00c9 verdade que essa teologia reproduz aquela ambiguidade e tens\u00e3o sem\u00e2nticas evocadas no item anterior. \u00c9 comum usar a express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d para se referir tanto \u00e0s <em>fontes ou domic\u00edlios de argumentos teol\u00f3gicos<\/em> (Melchor Cano), quanto a <em>realidades ou acontecimentos teologais<\/em> (renova\u00e7\u00e3o conciliar). Mas, na linha aberta pela renova\u00e7\u00e3o conciliar e desenvolvendo uma intui\u00e7\u00e3o j\u00e1 presente no Conc\u00edlio (LG 8), vai insistir sobretudo na tese dos <em>pobres e marginalizados<\/em> como lugar teol\u00f3gico ou mesmo como lugar teol\u00f3gico fundamental (contribui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e peculiar) (ELLACURIA, 2000, p. 139-161; SOBRINO, 1996, p. 42-61; SUSIN, 2008, p. 151-180; AQUINO J\u00daNIOR, 2010, p. 265-318; 2017, p. 97-116; COSTADOAT, 2015, p. 179-202; 2018, p. 19-40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que \u201co uso da terminologia dos \u2018lugares teol\u00f3gicos\u2019 \u00e9 err\u00e1tico entre os te\u00f3logos da liberta\u00e7\u00e3o\u201d (COSTADOAT, 2018, p. 34). \u00c9 verdade tamb\u00e9m que essa express\u00e3o, com raras exce\u00e7\u00f5es, \u00e9 mais afirmada que problematizada, como se fosse algo evidente e tranquilo. E \u00e9 verdade ainda que n\u00e3o se alcan\u00e7ou um n\u00edvel de elabora\u00e7\u00e3o que supere as ambiguidades te\u00f3rico-teol\u00f3gicas e favore\u00e7a um consenso mais amplo sobre a tese dos pobres e marginalizados como lugar teol\u00f3gico. Em todo caso, conv\u00e9m destacar aqui dois aspectos da reflex\u00e3o teol\u00f3gica desenvolvida na Am\u00e9rica Latina que permitem e favorecem uma elabora\u00e7\u00e3o mais ampla, mais precisa e mais convincente da afirma\u00e7\u00e3o dos pobres e marginalizados como \u201clugar teol\u00f3gico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de tudo, \u00e9 preciso advertir e insistir que a express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d n\u00e3o \u00e9 tomada aqui no sentido cl\u00e1ssico de \u201cfontes ou domic\u00edlios de argumentos teol\u00f3gicos\u201d, mas, na nova acep\u00e7\u00e3o que adquiriu no contexto da renova\u00e7\u00e3o conciliar da teologia, como \u201crealidades ou acontecimentos teologais\u201d. N\u00e3o se trata, portanto, de \u201ctextos\u201d (de onde se extraem argumentos teol\u00f3gicos), mas de \u201crealidades\u201d (nas quais Deus est\u00e1 presente e pode ser mais bem conhecido) (SOBRINO, 1996, p. 48; SUSIN, 2008, p. 170; AQUINO J\u00daNIOR, 2010, p. 287s). Isso \u00e9 fundamental para se compreender adequadamente em que sentido se fala dos pobres e marginalizados como \u201clugar teol\u00f3gico\u201d. E ser\u00e1 fundamental para se estabelecer adequadamente o estatuto teol\u00f3gico dessa afirma\u00e7\u00e3o no contexto mais amplo da epistemologia teol\u00f3gica como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 igualmente importante indicar, ainda que em grandes linhas e em forma de teses, como se entende a afirma\u00e7\u00e3o dos \u201cpobres e marginalizados como lugar teol\u00f3gico\u201d. Embora se possa recorrer aqui a muitos autores, os elementos fundamentais dessa reflex\u00e3o foram esbo\u00e7ados de modo sistem\u00e1tico por Ignacio Ellacur\u00eda, por mais que se possa discutir os termos de sua formula\u00e7\u00e3o e se deva avan\u00e7ar em sua elabora\u00e7\u00e3o. Para ele, \u201cos pobres s\u00e3o lugar teol\u00f3gico enquanto constituem a m\u00e1xima e escandalosa presen\u00e7a prof\u00e9tica e apocal\u00edptica do Deus crist\u00e3o e, consequentemente, o lugar privilegiado da pr\u00e1xis e da reflex\u00e3o crist\u00e3\u201d (ELLACUR\u00cdA, 2000, p. 148). Ao mesmo tempo em que indica v\u00e1rias raz\u00f5es que justificam essa afirma\u00e7\u00e3o, Ellacur\u00eda destaca distintos aspectos ou matizes nela implicados: 1) s\u00e3o \u201co lugar onde o Deus de Jesus se manifesta de modo especial\u201d; 2) s\u00e3o \u201co lugar mais apto para a viv\u00eancia da f\u00e9 em Jesus e para a correspondente pr\u00e1xis do seguimento\u201d; 3) s\u00e3o \u201co lugar mais pr\u00f3prio para fazer a reflex\u00e3o sobre a f\u00e9, para fazer teologia crist\u00e3\u201d (ELLACURIA, 2000, p. 149-153). Em s\u00edntese: s\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d enquanto lugar da <em>revela\u00e7\u00e3o<\/em> e, consequentemente, lugar da <em>f\u00e9<\/em> e da <em>teologia<\/em>. Esses tr\u00eas aspectos precisam ser tomados em sua irredutibilidade e inseparabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Relev\u00e2ncia teol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d est\u00e1 muito ligada \u00e0 problem\u00e1tica da epistemologia teol\u00f3gica. E, tanto no seu desenvolvimento com Melchor Cano no \u00e9culo XVI, como no contexto da renova\u00e7\u00e3o conciliar e latino-americana no s\u00e9culo XX, desempenhou um papel fundamental na renova\u00e7\u00e3o da teologia. Nesse sentido, conv\u00e9m situar a problem\u00e1tica do \u201clugar teol\u00f3gico\u201d no contexto mais amplo da epistemologia teol\u00f3gica e destacar sua import\u00e2ncia nos processos de renova\u00e7\u00e3o da teologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.1 Epistemologia teol\u00f3gica<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que a quest\u00e3o dos \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d seja decisiva para a compreens\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o dos diversos temas ou conte\u00fados da teologia, sua tematiza\u00e7\u00e3o e seu desenvolvimento est\u00e3o sempre ligados \u00e0 problem\u00e1tica da epistemologia teol\u00f3gica: seja no sentido mais fundamental dos seus pressupostos te\u00f3ricos (no\u00e7\u00e3o, possibilidades e limites do conhecimento teol\u00f3gico), seja no sentido mais operativo de seu desenvolvimento concreto (elementos, passos, procedimentos). Est\u00e1 em jogo aqui a problem\u00e1tica do m\u00e9todo teol\u00f3gico no seu duplo aspecto de pressupostos te\u00f3ricos (m\u00e9todo fundamental) e de procedimentos operativos (m\u00e9todo concreto). E isso se pode verificar sem maiores dificuldades na hist\u00f3ria da teologia, particularmente naqueles contextos espec\u00edficos a que nos referimos no item anterior, nos quais a express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d desempenha um papel fundamental na problematiza\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o do fazer teol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>a. Melchor Cano<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 se pode compreender adequadamente a obra de Cano <em>De locis theologicis<\/em> no contexto de crise e busca de renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica do s\u00e9culo XVI. Por mais que se deva destacar sua transcend\u00eancia hist\u00f3rica, n\u00e3o se pode jamais perder de vista seu contexto e seu prop\u00f3sito originais. Cano \u201cteve a perspic\u00e1cia e a genialidade de recolher com toda seriedade essa preocupa\u00e7\u00e3o geracional acerca da reforma e do m\u00e9todo da teologia e dar-lhe uma solu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica profunda e acabada\u201d (BELDA PLANS, 2006, p. LXVII).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3prio Cano fala explicitamente disso no <em>Pr\u00f3logo Geral<\/em>, ao apresentar como motiva\u00e7\u00e3o e prop\u00f3sito fundamentais de sua obra o desejo de articular a \u201cerudi\u00e7\u00e3o dos antigos\u201d (\u201cabund\u00e2ncia de conte\u00fado\u201d) como a \u201cclareza dos modernos\u201d (\u201cordem, disposi\u00e7\u00e3o e clareza\u201d), tomando de uns \u201ccomo que a mat\u00e9ria\u201d e de outros \u201ccomo que a forma\u201d da disserta\u00e7\u00e3o para \u201cexortar na s\u00e3 doutrina\u201d e para \u201carguir a quem a contradiga\u201d: \u201cO desejo de explicar isso moveu-me inteiramente a propor uma discuss\u00e3o sobre os lugares teol\u00f3gicos\u201d (CANO, 2002, p. 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa discuss\u00e3o, Cano \u00e9 influenciado pela no\u00e7\u00e3o de <em>teologia<\/em> de Tom\u00e1s de Aquino e pela no\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica de <em>t\u00f3picos\/lugares<\/em> que recebeu do ambiente humanista e mais concretamente de Rodolfo Agr\u00edcola. De Tom\u00e1s, como se pode verificar no primeiro livro ou cap\u00edtulo da obra (CANO, 2006, p. 7-10), tomou a compreens\u00e3o de teologia como ci\u00eancia que \u201cprocede de princ\u00edpios conhecidos \u00e0 luz de uma ci\u00eancia superior\u201d (<em>STh<\/em> I, q. 2), seu modo de argumenta\u00e7\u00e3o (raz\u00e3o e autoridade, primado da autoridade) e o uso dos v\u00e1rios tipos de argumentos (estranhos e prov\u00e1veis, pr\u00f3prios e certos, pr\u00f3prios, mas prov\u00e1veis) (<em>STh I<\/em>, q. 1, a. 8). Dos humanistas, tomou uma forma did\u00e1tica de expor a doutrina crist\u00e3: \u201cordem, disposi\u00e7\u00e3o e clareza\u201d (CANO, 2006, p. 3) e, particularmente, a no\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica de lugares\/sedes de argumentos (CANO, 2006, p. 9). Essa dupla inspira\u00e7\u00e3o\/influ\u00eancia confere \u00e0 no\u00e7\u00e3o de \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d de Cano tanto um car\u00e1ter de \u201cjazidas de argumentos teol\u00f3gicos\u201d, quanto um car\u00e1ter de \u201cinst\u00e2ncias autoritativas de argumenta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica\u201d (KASPER, 2012, p. 88). E a insere explicitamente no contexto da problem\u00e1tica da epistemologia teol\u00f3gica, seja no que se refere \u00e0 no\u00e7\u00e3o de teologia, seja no que se refere ao modo concreto de proceder na elabora\u00e7\u00e3o e exposi\u00e7\u00e3o da doutrina crist\u00e3.<\/p>\n<p><strong>b. Renova\u00e7\u00e3o conciliar e latino-americana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como n\u00e3o se pode compreender a reflex\u00e3o de Cano sobre os lugares teol\u00f3gicos fora do contexto de crise e de renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica do s\u00e9culo XVI, tampouco se pode compreender a retomada dessa problem\u00e1tica e os novos desenvolvimentos que ela adquire ao longo do s\u00e9culo XX sem considerar o processo intenso de renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica que culmina no Conc\u00edlio Vaticano II e seus desdobramentos no processo de recep\u00e7\u00e3o conciliar, particularmente na Igreja latino-americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, a express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d reaparece com for\u00e7a e ganha bastante relev\u00e2ncia no s\u00e9culo XX no contexto de um novo processo de renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica (t\u00e3o intenso e fecundo como o que se deu no s\u00e9culo XVI) e, mais uma vez, aparece profundamente ligada \u00e0 problem\u00e1tica do fazer teol\u00f3gico: seja no sentido cl\u00e1ssico de <em>fontes ou domic\u00edlios de argumentos teol\u00f3gicos<\/em>, seja num sentido novo de <em>realidades ou acontecimentos teologais<\/em>. Em ambos os casos est\u00e1 sempre ligada a uma compreens\u00e3o de teologia e do fazer teol\u00f3gico, por mais que isso nem sempre seja tematizado e explicitado e por mais que esse duplo sentido da express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d produza ambiguidade e tens\u00e3o te\u00f3rico-teol\u00f3gicas, levando a um uso err\u00e1tico da express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por um lado, a express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d aparece na acep\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de \u201cfontes ou domic\u00edlios de argumentos teol\u00f3gicos\u201d, no duplo sentido de \u201cjazidas de argumentos teol\u00f3gicos\u201d e de \u201cinst\u00e2ncias autoritativas de argumenta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica\u201d (KASPER, 2012, p. 88). Essa concep\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto da genialidade de Cano no seu esfor\u00e7o de articular a sabedoria dos antigos e a concep\u00e7\u00e3o de teologia de Tom\u00e1s com a forma ordenada e clara de exposi\u00e7\u00e3o dos humanistas. A novidade aqui consiste na retomada das v\u00e1rias fontes de argumentos teol\u00f3gicos e mesmo em sua amplia\u00e7\u00e3o, bem como na nova compreens\u00e3o dessas fontes, possibilitada pela \u201cvolta \u00e0s fontes\u201d dos movimentos de renova\u00e7\u00e3o eclesial e pelo estado atual dos estudos dessas fontes. Ela se reflete tanto na orienta\u00e7\u00e3o conciliar para a forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica (OT 16), quanto no modo de exposi\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios temas teol\u00f3gicos no per\u00edodo p\u00f3s-conciliar: Escritura, padres, magist\u00e9rio, teologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d aparece num sentido novo e bem diferente (n\u00e3o contr\u00e1rio!) do sentido cl\u00e1ssico, referindo-se n\u00e3o a \u201cfontes ou domic\u00edlios de argumentos teol\u00f3gicos\u201d, mas a \u201crealidades ou acontecimentos teologais\u201d, nos quais Deus se faz presente e pode ser encontrado e mais bem conhecido. Isso pressup\u00f5e e\/ou implica uma nova concep\u00e7\u00e3o de teologia e do teologizar, nem sempre tematizada e assimilada, nem muito menos elaborada de modo adequado e suficiente. A complexidade e relev\u00e2ncia epistemol\u00f3gicas dessa quest\u00e3o se mostram particularmente nos debates acerca do estatuto teol\u00f3gico-epistemol\u00f3gico dos \u201csinais dos tempos\u201d e sobretudo dos pobres e marginalizados como lugar teol\u00f3gico (BOFF, 1979; H\u00dcNERMANN, 2014; AZCUY-GARCIA-SCHICKENDANTZ, 2017; SCHICKENDANTZ, 2018, p. 133-158). N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entrar aqui nesse debate, mas apenas situ\u00e1-lo no \u00e2mbito da epistemologia teol\u00f3gica, seja no sentido mais fundamental da concep\u00e7\u00e3o de teologia, seja no sentido mais operacional do fazer teol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa, aqui, em todo caso, insistir no car\u00e1ter estritamente epistemol\u00f3gico da problem\u00e1tica dos lugares teol\u00f3gicos. E importa tamb\u00e9m chamar a aten\u00e7\u00e3o para os sentidos e usos da express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d (fontes de argumentos teol\u00f3gicos e realidades teologais) e para a diferen\u00e7a e tens\u00e3o epistemol\u00f3gicas implicadas nesses diferentes sentidos e usos da express\u00e3o (compreens\u00e3o de teologia e do fazer teol\u00f3gico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.2 Renova\u00e7\u00e3o da teologia<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o sobre os lugares teol\u00f3gicos desempenhou um papel fundamental nos processos de renova\u00e7\u00e3o da teologia. Foi assim no s\u00e9culo XVI com Melchor Cano. Foi assim no s\u00e9culo XX com a teologia conciliar e latino-americana. Dois momentos particularmente criativos e fecundos de renova\u00e7\u00e3o da teologia cat\u00f3lico-romana. Embora j\u00e1 se tenha insistido nesse texto na import\u00e2ncia dessa problem\u00e1tica nos processos de renova\u00e7\u00e3o da teologia, ao apresentar os diferentes sentidos da express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d ao longo da hist\u00f3ria, conv\u00e9m voltar a essa quest\u00e3o, explicitando em que sentindo ou de que modo a discuss\u00e3o sobre os lugares teol\u00f3gicos n\u00e3o \u00e9 apenas um t\u00f3pico de epistemologia teol\u00f3gica, mas um fator de renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode esquecer que a obra de Cano se insere no contexto mais amplo de busca de renova\u00e7\u00e3o da teologia no s\u00e9culo XVI e, mais concretamente, no esfor\u00e7o de reforma teol\u00f3gica preconizada e desenvolvida pela Escola da Salamanca, da qual Cano \u00e9 herdeiro e express\u00e3o por excel\u00eancia: \u201cum exerc\u00edcio vigoroso da teologia positiva e especulativa ao mesmo tempo, com grande profiss\u00e3o no manejo da primeira, mas sem omitir o nervo especulativo\u201d e um \u201ccuidado extraordin\u00e1rio pela forma liter\u00e1ria latina, pr\u00f3prio da cultura humanista da \u00e9poca\u201d (BELDA PLANS, 2006, p. XXXIII). A obra de Cano representa o auge desse processo de reforma teol\u00f3gica e ter\u00e1 uma influ\u00eancia decisiva na renova\u00e7\u00e3o da teologia escol\u00e1stica no contexto do humanismo renascentista. Al\u00e9m do mais, no contexto da reforma e da contrarreforma, sua obra ser\u00e1 muito importante para explicitar e fundamentar a teologia cat\u00f3lico-romana. Enquanto Melanchthon, de acordo com o princ\u00edpio da sola<em> scriptura<\/em>, sistematiza e prop\u00f5e uma dogm\u00e1tica crist\u00e3 a partir dos temas ou pontos principais da Escritura (<em>lugares comuns<\/em>); Cano sistematiza e fundamenta o m\u00e9todo da teologia a partir dos v\u00e1rios lugares onde se podem encontrar os argumentos teol\u00f3gicos (<em>lugares teol\u00f3gicos<\/em>). Tudo isso mostra a import\u00e2ncia fundamental da problem\u00e1tica dos \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d na renova\u00e7\u00e3o da teologia no s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tampouco se pode desconsiderar a import\u00e2ncia fundamental da problem\u00e1tica dos lugares teol\u00f3gicos na renova\u00e7\u00e3o conciliar e latino-americana da teologia no s\u00e9culo XX. Seja no sentido da retomada, amplia\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o (compreens\u00e3o e uso) das v\u00e1rias \u201cfontes ou domic\u00edlios de argumentos teol\u00f3gicos\u201d, frente ao reducionismo magisterial do que se convencionou chamar \u201cteologia do Denzinger\u201d ou \u201cteologia de enc\u00edclica\u201d; seja, sobretudo, no sentido novo e revolucion\u00e1rio de \u201crealidades ou acontecimentos teologais\u201d, com os desconcertos e as transforma\u00e7\u00f5es epistemol\u00f3gicas que isso implica. Mais que mera retomada e atualiza\u00e7\u00e3o da teologia de Cano, isso significou uma crise e uma transforma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de teologia, por mais que o estatuto te\u00f3rico dessa nova concep\u00e7\u00e3o de teologia continue uma quest\u00e3o aberta e disputada. De uma forma ou de outra, a problem\u00e1tica dos lugares teol\u00f3gicos reaparece inserida num processo mais amplo de renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, ao mesmo tempo \u00e9 fator decisivo em seu desenvolvimento. A teologia (p\u00f3s)conciliar como um todo e a teologia latino-americana em particular s\u00e3o testemunhas da import\u00e2ncia fundamental da retomada das v\u00e1rias fontes de argumentos teol\u00f3gicos e do enfrentamento das realidades teologais para a renova\u00e7\u00e3o da teologia cat\u00f3lica no s\u00e9culo XX. Provavelmente, o processo de renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica mais fecundo e intenso da teologia cat\u00f3lica depois do s\u00e9culo de ouro da teologia espanhola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transforma\u00e7\u00f5es profundas nas ci\u00eancias em geral e na teologia em particular n\u00e3o \u00e9 algo muito comum e frequente. Em geral, a teologia vai retomando e reelaborando temas\/problemas antigos e abordando quest\u00f5es novas, mas dendro de uma compreens\u00e3o consolidada e amplamente compartilhada de teologia e do fazer teol\u00f3gico, sem maiores novidades. Raramente acontecem crises e, sobretudo, mudan\u00e7as mais profundas que tocam no pr\u00f3prio estatuto te\u00f3rico da teologia e do fazer teol\u00f3gico, como as que se deram nos primeiros s\u00e9culos com os Padres da Igreja, no s\u00e9culo XIII com Tom\u00e1s de Aquino, no s\u00e9culo XVI com Melchor Cano e no s\u00e9culo XX, com a renova\u00e7\u00e3o conciliar e a teologia latino-americana da liberta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o, com seus limites e suas ambiguidades, os per\u00edodos mais fecundos e criativos da teologia. No caso concreto da renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica nos s\u00e9culos XVI e XX, como foi indicado, a problem\u00e1tica dos \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d ocupa um lugar e desempenha um papel fundamentais. E isso n\u00e3o obstante sua ambiguidade sem\u00e2ntico-epistemol\u00f3gica e o car\u00e1ter inconcluso e aberto desse debate.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 <em>Status quaestionis<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de tudo, \u00e9 preciso reconhecer e destacar a import\u00e2ncia fundamental da discuss\u00e3o sobre os \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d: seja no que se refere \u00e0 problem\u00e1tica mais ampla da epistemologia teol\u00f3gica (no\u00e7\u00e3o de teologia e do fazer teol\u00f3gico); seja no que se refere aos processos de renova\u00e7\u00e3o da teologia no s\u00e9culo XVI, com Melchor Cano (di\u00e1logo com o humanismo renascentista e alternativa ao reducionismo da <em>sola scriptura<\/em>), e no s\u00e9culo XX ,com a teologia conciliar e latino-americana (supera\u00e7\u00e3o do reducionismo magisterial das \u201cfontes de argumentos teol\u00f3gicos\u201d, reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica de \u201crealidades ou acontecimentos teologais\u201d, densidade teologal e teol\u00f3gica dos pobres e marginalizados). Esse estudo sobre os v\u00e1rios sentidos e usos da express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d e sua relev\u00e2ncia teol\u00f3gica n\u00e3o deixa d\u00favidas sobre a import\u00e2ncia dessa problem\u00e1tica para a teologia e o fazer teol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 preciso reconhecer tamb\u00e9m uma ambiguidade e tens\u00e3o sem\u00e2ntico-epistemol\u00f3gicas na compreens\u00e3o e no uso da express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d: <em>sem\u00e2ntica<\/em>, na medida em que a express\u00e3o \u00e9 tomada tanto no sentido de \u201cfontes ou domic\u00edlios de argumentos teol\u00f3gicos\u201d, quanto no sentido de \u201crealidades ou acontecimentos teologais\u201d; <em>epistemol\u00f3gica<\/em>, na medida em que esses diferentes sentidos e usos da express\u00e3o pressup\u00f5em e\/ou implicam uma determinada compreens\u00e3o de teologia (aristot\u00e9lico-tom\u00e1sica, hermen\u00eautica, momento da pr\u00e1xis).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos autores, infelizmente, parecem n\u00e3o atentar para essa problem\u00e1tica. Falam da liturgia, da Igreja, dos sinais dos tempos e dos pobres como novos lugares teol\u00f3gicos, no sentido de mera amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero dos lugares teol\u00f3gicos indicados por Cano. N\u00e3o se d\u00e3o conta de aqui j\u00e1 n\u00e3o se trata de fontes ou domic\u00edlios de \u201cargumentos teol\u00f3gicos\u201d, mas de \u201crealidades teologais\u201d, nas quais Deus se faz presente e pode ser encontrado e mais bem conhecido. Tampouco percebem que esses diferentes sentidos e usos da express\u00e3o est\u00e3o ligados (pressup\u00f5em e\/ou implicam) a diferentes concep\u00e7\u00f5es de saber: a concep\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lico-tom\u00e1sica de ci\u00eancia que condiciona e determina a reflex\u00e3o de Cano sobre os lugares teol\u00f3gicos \u00e9 muito diferente das concep\u00e7\u00f5es de saber e de ci\u00eancia implicadas na compreens\u00e3o de realidades teologais como lugar teol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo quando se intui ou se percebe certa ambiguidade e tens\u00e3o te\u00f3ricas na compress\u00e3o e no uso da express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d, n\u00e3o se consegue avan\u00e7ar muito numa elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica que tome em s\u00e9rio as diferen\u00e7as, tens\u00f5es e rupturas implicadas nessa problem\u00e1tica. Um exemplo bastante emblem\u00e1tico aqui pode ser a reflex\u00e3o do grande te\u00f3logo alem\u00e3o Peter H\u00fcnermann. Ele n\u00e3o s\u00f3 reconhece que o Conc\u00edlio Vaticano II representa uma \u201cvirada na teologia do s\u00e9culo XX\u201d e que essa virada tem a ver com a \u201cirrup\u00e7\u00e3o do pensamento hist\u00f3rico\u201d (H\u00dcNERMANN, 2014, p. 41-70), mas se esfor\u00e7a por explicitar e fundamentar o estatuto te\u00f3rico-teol\u00f3gico das realidades ou dos acontecimentos hist\u00f3ricos. O problema \u00e9 que, ao fazer isso, apela para a doutrina dos \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d de Cano, como se bastasse um \u201cnovo acesso\u201d aos lugares j\u00e1 indicados e uma atualiza\u00e7\u00e3o da lista dos \u201clugares pr\u00f3prios\u201d e dos \u201clugares alheios\u201d (H\u00dcNERMANN, 2014, 260-291). A reflex\u00e3o de Carlos Schickendantz parece ir na mesma dire\u00e7\u00e3o, ao tomar, com H\u00fcnermann como refer\u00eancia, a obra de Cano e (propor) tratar os sinais dos tempos e os pobres como \u201clugares pr\u00f3prios\u201d da teologia (SCHICKENDANTZ, 2017, p. 33-69; 2018, p. 153-154).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante o m\u00e9rito indiscut\u00edvel de buscar explicitar e fundamentar a densidade teol\u00f3gica dessas realidades, esses intentos terminam fracassando ao n\u00e3o tomar em s\u00e9rio a diferen\u00e7a te\u00f3rico-epistemol\u00f3gica entre \u201cfontes ou domic\u00edlios de argumentos teol\u00f3gicos\u201d e \u201crealidades ou acontecimentos teologais\u201d. Ao formular a problem\u00e1tica, na linha de Melchor Cano, em termos de determina\u00e7\u00e3o da \u201cautoridade\u201d das \u201cinst\u00e2ncias de testemunho da f\u00e9\u201d (H\u00dcNERMANN, 2014, p. 272) ou de \u201creflex\u00f5es acerca da \u2018for\u00e7a argumentativa\u2019 da hist\u00f3rica humana na teologia\u201d (SCHICKENDANTZ, 2014, p. 157, 159), os dois te\u00f3logos parecem n\u00e3o perceber ou, em todo caso, n\u00e3o tomar em s\u00e9rio, como bem indica Max Seckler, que atualidade, liturgia, Igreja, sinais dos tempos n\u00e3o s\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d no sentido de Cano (SECKLER, 1987, p. 44, nota 11) e, portanto, n\u00e3o podem ser enquadrados em seu sistema de pensamento como se fossem mera amplia\u00e7\u00e3o ou atualiza\u00e7\u00e3o da lista de \u201cfontes ou domic\u00edlio de argumentos teol\u00f3gicos\u201d estabelecida por ele no s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso nos leva a concluir que, n\u00e3o obstante a import\u00e2ncia e relev\u00e2ncia fundamentais da problem\u00e1tica dos \u201clugares teol\u00f3gicos\u201d para a teologia e o fazer teol\u00f3gico, estamos diante uma quest\u00e3o \u201cinconclusa\u201d (SCHICKENDANTZ, 2014, p. 159, 161) e aberta que exige maiores desenvolvimentos ou memo novas abordagens em vista de uma elabora\u00e7\u00e3o mais precisa, mais profunda e mais ampla.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Francisco de Aquino J\u00fanior (Faculdade Cat\u00f3lica de Fortaleza e Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco). Texto enviado em 30\/05\/2023; aprovado: 30\/10\/2023; postado: 31\/12\/2023. Original portugu\u00eas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AQUINO J\u00daNIOR, Francisco. <em>A teologia como intelec\u00e7\u00e3o do reinado de Deus:<\/em> O m\u00e9todo da teologia da liberta\u00e7\u00e3o segundo Ignacio Ellacur\u00eda. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AQUINO J\u00daNIOR, Francisco. <em>O car\u00e1ter pr\u00e1xico-social da teologia<\/em>: T\u00f3picos fundamentais de epistemologia teol\u00f3gica. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AQUINO, Tom\u00e1s de. <em>Suma Teol\u00f3gica<\/em>. Parte I \u2013 Quest\u00f5es -43. Volume 1. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AZCUY, Virginia Raquel; GARC\u00cdA, Diego; SCHICKENDANTZ, Carlos (eds.). <em>Lugares e interpelaciones de Dios<\/em>: Discernir los signos de los tempos. Santiago de Chile: Universidad Alberto Hurtado, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BELDA PLANS, Juan. <em>La Escuela de Salamanca y la renovaci\u00f3n de la teolog\u00eda en siglo XVI<\/em>. Madrid: BAC, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BELDA PLANS, Juan. \u201cIntroducci\u00f3n general hist\u00f3rico-teol\u00f3gica\u201d. In: CANO, Melchor. <em>De Locis Theologicis<\/em>. Madrid: BAC, 2006, p. XXXIII-CXLI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOFF, Clodovis. <em>Sinais dos tempos<\/em>: Princ\u00edpios de leitura. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CELAM. <em>Conclus\u00f5es de Medell\u00edn<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CANO, Melchor. <em>De Locis Theologicis<\/em>. Madrid: BAC, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COMP\u00caNDIO DO VATICANO II. <em>Constitui\u00e7\u00f5es, decretos, declara\u00e7\u00f5es<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COSTADOAT, Jorge. \u201cLa hist\u00f3ria como \u2018lugar teol\u00f3gico\u2019 en la teolog\u00eda latino-americana de la liberaci\u00f3n\u201d. <em>Perspectiva Teol\u00f3gica<\/em> 132 (2015), p. 179-202.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COSTADOAT, Jorge. \u201cIdentidad de la teolog\u00eda latinoamericana de la Liberaci\u00f3n\u201d. <em>Perspectiva Teol\u00f3gica<\/em> 50\/1 (2018), p. 19-40.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ELLACUR\u00cdA, Ignacio. \u201cLos pobres, \u2018lugar teol\u00f3gico en Am\u00e9rica Latina\u201d. In. <em>Escritos Teol\u00f3gicos I<\/em>. San Salvador: UCA, 2000, p. 139-161.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUTI\u00c9RREZ, Gustavo. <em>Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/em>: Perspectivas. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00dcNERMANN, Peter. <em>El Vaticano II como software de la Iglesia actual<\/em>. Santiago de Chile: Universidad Alberto Hurtado, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KASPER, Walter. <em>A Igreja Cat\u00f3lica<\/em>: Ess\u00eancia, realidade, miss\u00e3o. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIBANIO, Jo\u00e3o Batista. <em>Conc\u00edlio Vaticano II<\/em>: Em busca de uma primeira compreens\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RATZINGER, Joseph. <em>O novo povo de Deus<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RITO, Hon\u00f3rio. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 teologia<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHICKENDANTZ, Carlos. \u201cAutoridad teol\u00f3gica de los acontecimientos hist\u00f3ricos. Perplejidades sobre un lugar teol\u00f3gico\u201d. <em>Teolog\u00eda<\/em> 115 (2014), p. 157-183.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHICKENDANTZ, Carlos. \u201cSignos de los tiempos. Articulaci\u00f3n entre princ\u00edpios teol\u00f3gicos y acontecimentos hist\u00f3ricos\u201d. In: AZCUY, Virginia Raquel; GARC\u00cdA, Diego; SCHICKENDANTZ, Carlos (eds.). <em>Lugares e interpelaciones de Dios<\/em>: Discernir los signos de los tempos. Santiago de Chile: Universidad Alberto Hurtado, 2017, p. 33-69.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHICKENDANTZ, Carlos. \u201cUn nuevo cap\u00edtulo de epistemolog\u00eda teol\u00f3gico-pastoral: Aportes a la comprensi\u00f3n de los signos de los tiempos\u201d. <em>Atualidade Teol\u00f3gica<\/em> 58 (2018), p. 133-588.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHILLEBEEECK, Edward. <em>Revela\u00e7\u00e3o e teologia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1968.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SECKLER, Max. \u201cDie ekklesiologische Bedeutung des Systems der \u2018loci theologici\u2019: Erkenntnistheoretische Katolizit\u00e4t und strukturale Weisheit. In: BAIER, Walter (hrsg.). <em>Weisheit Gottes, Weisheit der Welt<\/em>: Festschrift f\u00fcr Joseph Kardinal Ratzinger zum 60. Geburtstag. Band I. Sankt Ottilien: EOS, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOBRINO, Jon. <em>Jesus, o libertador<\/em>: A hist\u00f3ria de Jesus de Nazar\u00e9. Petr\u00f3polis: Vozes, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SUSIN, Luiz Carlos. \u201cOs pobres como \u2018lugar teol\u00f3gico\u2019: Uma quest\u00e3o hermen\u00eautica crucial de nosso tempo\u201d. In: SOTER. <em>Deus e vida<\/em>: Desafios, alternativas e o futuro da Am\u00e9rica Latina e Caribe. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2008, p. 151-180<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TABORDA, Francisco. <em>O memorial da P\u00e1scoa do Senhor<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WICKS, Jared. <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo teol\u00f3gico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1999.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Express\u00e3o 1.1 Melchor Cano 1.2 Renova\u00e7\u00e3o conciliar 1.3 Am\u00e9rica Latina 2 Relev\u00e2ncia teol\u00f3gica 2.1 Epistemologia teol\u00f3gica 2.2 Renova\u00e7\u00e3o da teologia 3 Status quaestionis Refer\u00eancias 1 A express\u00e3o A express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o na teologia e ganhou muita relev\u00e2ncia no contexto da renova\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica (p\u00f3s)conciliar, particularmente na teologia da liberta\u00e7\u00e3o latino-americana. 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