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{"id":287,"date":"2015-01-02T08:10:37","date_gmt":"2015-01-02T10:10:37","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=287"},"modified":"2016-04-10T09:12:51","modified_gmt":"2016-04-10T12:12:51","slug":"a-eclesialidade-dos-sacramentos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=287","title":{"rendered":"A eclesialidade dos sacramentos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 A Igreja faz os sacramentos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Os sacramentos fazem a Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Os sacramentos irrepet\u00edveis como constituintes da Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que caracteriza a autocomunica\u00e7\u00e3o de Deus atrav\u00e9s dos sacramentos \u00e9 sua dimens\u00e3o eclesial. Deus \u00e9 soberanamente livre para se autocomunicar por vias s\u00f3 por ele conhecidas, pois \u201co Esp\u00edrito sopra onde quer\u201d (Jo 3,8). Mas, na din\u00e2mica encarnat\u00f3ria pr\u00f3pria \u00e0 revela\u00e7\u00e3o, Deus se comunica em sinais sens\u00edveis. Primeiramente atrav\u00e9s do Verbo feito carne e, em continuidade com ele, atrav\u00e9s da Igreja, corpo de Cristo, e dos gestos e ritos em que ela se realiza como ve\u00edculo da gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre Igreja e sacramentos \u00e9 m\u00fatua: a Igreja faz os sacramentos e, por sua vez, esses a criam e constituem como corpo de Cristo com a diferen\u00e7a de fun\u00e7\u00f5es entre seus membros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 A Igreja faz os sacramentos <\/strong>(TABORDA, 1998, 145-50)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda celebra\u00e7\u00e3o sup\u00f5e uma comunidade que se re\u00fane para celebrar, porque compreende o sentido da celebra\u00e7\u00e3o e comunga com seu conte\u00fado. No caso dos sacramentos, em cujo n\u00facleo est\u00e1 a atualiza\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio de Cristo, a celebra\u00e7\u00e3o sup\u00f5e a comunidade de f\u00e9, que \u00e9 a Igreja. Somente nela, na comunh\u00e3o com os que nos precederam na f\u00e9 (dimens\u00e3o diacr\u00f4nica) e com os que conosco aceitam a f\u00e9 (dimens\u00e3o sincr\u00f4nica), \u00e9 poss\u00edvel fazer \u201cmem\u00f3ria da paix\u00e3o e da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor\u201d, porque a Igreja n\u00e3o \u00e9 uma realidade extr\u00ednseca ao Mist\u00e9rio Pascal de Cristo que se lhe acrescente posteriormente, quase como por acidente. N\u00e3o. A comunidade dos que creem no Ressuscitado \u00e9 uma dimens\u00e3o intr\u00ednseca \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Sem Igreja, n\u00e3o tem sentido a ressurrei\u00e7\u00e3o, como vice-versa: sem a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o h\u00e1 Igreja. Ressuscitando Jesus, o Pai d\u00e1 origem \u00e0 Igreja como Corpo do Ressuscitado, comunidade suscitada e reunida pelo Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ressurrei\u00e7\u00e3o veio confirmar, da parte de Deus, que a vida e morte de Jesus revelam quem \u00e9 Deus. A ressurrei\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o importa s\u00f3 a Jesus, que assim supera a morte. Importa igualmente a toda a humanidade, a que Deus, desta forma, manifesta quem Ele \u00e9: o Deus dos pobres e n\u00e3o o Deus do poder (religioso e pol\u00edtico) que condenou Jesus, considerando-o indigno de viver. Ora, se ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 a autorrevela\u00e7\u00e3o de Deus \u00e0 humanidade, se por ela Deus mostra quem Ele \u00e9, de nada adiantaria Jesus ter ressurgido, se nenhum ser humano tomasse conhecimento desse fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suponhamos, por absurdo, que Jesus tivesse ressuscitado, mas ningu\u00e9m o tivesse encontrado nem crido nele. Nesse caso, Deus n\u00e3o se teria manifestado em Jesus, mas no Sin\u00e9drio e em Pilatos. Pois o Sin\u00e9drio que condenou Jesus \u00e0 morte e o entregou aos romanos dizia agir em nome de Deus. Conseguindo acabar com Jesus, que se pretendia Filho de Deus, estava em quest\u00e3o de que lado Deus estava: com o Sin\u00e9drio vitorioso ou com Jesus vencido, abandonado por Deus. Como ambos os lados se invocavam de Deus, a vit\u00f3ria de um deles mostraria com quem Deus estava. Se ningu\u00e9m ficasse sabendo da ressurrei\u00e7\u00e3o, Jesus teria ressuscitado em v\u00e3o, pois a conc1us\u00e3o l\u00f3gica da hist\u00f3ria de Jesus teria sido: \u00e9 mais um fan\u00e1tico idealista que morre a morte que merece. Ningu\u00e9m hoje saberia nada de Jesus, a n\u00e3o ser talvez algum pesquisador ultraespecializado em Oriente Pr\u00f3ximo antigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus pertence, portanto, a exist\u00eancia de testemunhas e de quem aceite seu testemunho e transmita esse testemunho \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras (RAHNER; TH\u00dcSING, 1975, p.43-4). Se a constitui\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 momento intr\u00ednseco \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, ent\u00e3o s\u00f3 na comunh\u00e3o da Igreja \u00e9 poss\u00edvel fazer mem\u00f3ria de Jesus como o Cristo, o Filho do Deus vivo. S\u00f3 a comunidade de f\u00e9, a Igreja, \u00e9 capaz de celebrar os sacramentos que s\u00e3o sempre memorial do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja \u00e9, portanto, o sujeito atuante dos sacramentos. Mas n\u00e3o como mero aglomerado de pessoas. Por ela e nela atua o pr\u00f3prio Senhor Ressuscitado, do qual a Igreja \u00e9 o Corpo. Esse o sentido mais profundo da afirma\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a din\u00e2mica de Cristo nos sacramentos (cf. <em>SC<\/em> 7). Qualquer que seja a comunidade eclesial celebrante, qualquer que seja o ministro que a preside, \u00e9 Cristo mesmo quem neles atua pelo Esp\u00edrito Santo. Por isso o ministro pode ser indigno, n\u00e3o viver o que os sacramentos cont\u00eam e anunciam e, no entanto, sob sua presid\u00eancia se comunica a n\u00f3s participa\u00e7\u00e3o no mist\u00e9rio pascal de Cristo. Pois o ministro n\u00e3o os preside como indiv\u00edduo, dotado de m\u00e9ritos pessoais, mas como algu\u00e9m com a fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de presidir a comunidade de f\u00e9. N\u00e3o atua por sua virtude, como tampouco a Igreja atua por pr\u00f3pria for\u00e7a, mas pela presen\u00e7a perene de Cristo, que pelo Esp\u00edrito Santo a cria e recria constantemente e assim a institui e com ela d\u00e1 origem aos sacramentos (Sacramentos: 1 Institui\u00e7\u00e3o dos sacramentos por Cristo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a de Cristo na Igreja \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo. O Cristo ressuscitado \u00e9 o Cristo vivificado pelo Esp\u00edrito (cf. 2Cor 3,17), que transmite o Esp\u00edrito a seus disc\u00edpulos. O dom do Esp\u00edrito pertence como momento interno ao mist\u00e9rio pascal de Cristo (TABORDA, 2012, p.100-4). O Esp\u00edrito suscita testemunhas, abre os olhos aos disc\u00edpulos. Se h\u00e1 uma comunidade de f\u00e9, resulta da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo que desperta a f\u00e9. Nesse sentido, a Igreja, Corpo do Ressuscitado, \u00e9 vivificada e animada pelo Esp\u00edrito. Mais: \u00e9 sacramento do Esp\u00edrito Santo, visibiliza\u00e7\u00e3o do mesmo. Nela se manifesta o pr\u00f3prio da miss\u00e3o do Esp\u00edrito: unir a pluralidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sujeito dos sacramentos, aquele que os realiza \u00e9, pois, a Igreja, a comunidade toda em sua unidade e pluralidade, onde cada um atua conforme a fun\u00e7\u00e3o que o Esp\u00edrito Santo lhe deu (cf. <em>SC<\/em> 28). Mas, na Igreja e atrav\u00e9s da Igreja, \u00e9 Cristo mesmo por seu Esp\u00edrito que nos aproxima do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja, comunidade dos que aderiram visivelmente a Cristo e vivem assim sua f\u00e9, faz os sacramentos. Exc1uem-se deles, portanto, os n\u00e3o queiram assumir o seguimento de Jesus. Mas a exc1us\u00e3o dos sacramentos n\u00e3o significa a exc1us\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o. Deus pode salvar e salva tamb\u00e9m os que n\u00e3o pertencem visivelmente \u00e0 Igreja. Da\u00ed pode nascer a d\u00favida sobre a necessidade dos sacramentos. Para que sacramentos, se a gra\u00e7a de Deus \u00e9 mais ampla que sua visibiliza\u00e7\u00e3o eclesial? Essa quest\u00e3o permite perceber a indispens\u00e1vel dimens\u00e3o eclesial como caracter\u00edstica essencial dos sacramentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para dar conta da re1a\u00e7\u00e3o entre a salva\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o conhecem a Cristo e a dos que a ele aderiram na Igreja, \u00e9 preciso distinguir entre o <em>processo da salva\u00e7\u00e3o<\/em> e a <em>media\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o<\/em> (RAHNER, 1966, p.55-61). O processo da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o universal. Onde quer que algu\u00e9m realize o bem, a justi\u00e7a, o amor, a fraternidade, enfim, os bens do Reino, est\u00e1 Deus atuando sobre ele com seu Esp\u00edrito. Toda pessoa que aceita a salva\u00e7\u00e3o que Deus assim lhe oferece, atrav\u00e9s de sua consci\u00eancia, de seus semelhantes, de sua cultura, de sua religi\u00e3o, est\u00e1 dentro do processo da salva\u00e7\u00e3o, acolheu a salva\u00e7\u00e3o oferecida por Deus, quer essa pessoa conhe\u00e7a a Cristo, quer n\u00e3o tenha jamais ouvido falar dele. Assim, todo o bem que qualquer pessoa pratica, creia ou n\u00e3o em Deus e em Cristo, \u00e9 fruto da gra\u00e7a, presen\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o. <em>\u00c9 salva\u00e7\u00e3o como processo e em processo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem por isso a Igreja ou os sacramentos se tornam sup\u00e9rfluos. Esses s\u00e3o necess\u00e1rios, t\u00e3o necess\u00e1rios como aquela. Para quem considera a Igreja com olhos de f\u00e9, n\u00e3o como mera organiza\u00e7\u00e3o religiosa de iniciativa humana, mas como Corpo do Ressuscitado, dimens\u00e3o intr\u00ednseca da pr\u00f3pria ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, negar a necessidade da Igreja para a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 negar a necessidade de Cristo e da revela\u00e7\u00e3o de Deus. Pois s\u00f3 pela comunidade dos que creem no Ressuscitado, a vida e morte de Cristo revelam o Deus verdadeiro. A necessidade da Igreja, no entanto, n\u00e3o se situa no \u00e2mbito do processo da salva\u00e7\u00e3o, mas no \u00e2mbito da media\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o. <em>A media\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o designa a presen\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o na dimens\u00e3o hist\u00f3rica e palp\u00e1vel da Igreja<\/em>, no conhecimento e reconhecimento expl\u00edcito de Cristo como revela\u00e7\u00e3o do Pai. A media\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o \u00e9, pois, mais restrita que o processo salv\u00edfico. O processo salv\u00edfico \u00e9, sim, mediado por Cristo, mas nem sempre as pessoas que nele est\u00e3o envolvidas tomam conhecimento dessa media\u00e7\u00e3o ou a reconhecem. E, no entanto, explicitar essa media\u00e7\u00e3o \u00e9 o termo a que tende a salva\u00e7\u00e3o como processo, pois o que se vive exige ser explicitado, para que se viva mais intensa e conscientemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sacramentos s\u00e3o necess\u00e1rios como celebra\u00e7\u00e3o da Igreja, que, por sua vez, \u00e9 necess\u00e1ria, como Cristo \u00e9 necess\u00e1rio \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. A necessidade salv\u00edfica dos sacramentos n\u00e3o significa que sem eles Deus n\u00e3o se autocomunique ao ser humano em gra\u00e7a, mas sim que os sacramentos s\u00e3o necess\u00e1rios como celebra\u00e7\u00e3o expl\u00edcita da gratuidade do dom de Deus em Cristo que o Esp\u00edrito faz presente em todo bem que qualquer pessoa faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja \u00e9 assim <em>sacramento-raiz ou sacramento fundamental<\/em>, porque toda gra\u00e7a sacramental \u00e9 mediada pela Igreja. Nela se enra\u00edzam os sacramentos, como manifesta\u00e7\u00f5es da gra\u00e7a de Deus atuando por Cristo no Esp\u00edrito Santo na vida das pessoas. Enquanto sacramento-raiz, a Igreja constitui e faz os sacramentos. Dela brotam os sacramentos, como os ramos de um arbusto s\u00e3o sustentados por sua raiz. Mas vale tamb\u00e9m o inverso: a Igreja \u00e9 feita pelos sacramentos, como a raiz necessita dos ramos para ter sentido e ser fonte de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Os sacramentos fazem a Igreja<\/strong> (TABORDA, 1998, p.150-6)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o \u201csacramento-raiz\u201d referida \u00e0 Igreja quer tamb\u00e9m designar este segundo aspecto da rela\u00e7\u00e3o Igreja-sacramento. A raiz deixada na terra, sem tronco e sem ramos, perde seu sentido e acaba apodrecendo. Se os ramos vivem da raiz, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que a raiz vive dos ramos. Sacramento-raiz, a Igreja precisa dos sacramentos que a tornam part\u00edcipes do Mist\u00e9rio Pascal de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sacramentos, portanto, fazem a Igreja. O batismo e a confirma\u00e7\u00e3o agregam \u00e0 Igreja. A penit\u00eancia reconcilia o crist\u00e3o pecador com a Igreja. A un\u00e7\u00e3o dos enfermos une o crist\u00e3o enfermo \u00e0 Igreja atrav\u00e9s da intercess\u00e3o da comunidade. O matrim\u00f4nio constitui homem e mulher em \u201cecles\u00edola\u201d dom\u00e9stica, cria uma fam\u00edlia no seio da comunidade. A ordem designa uma pessoa para o servi\u00e7o da unidade da comunidade eclesial. A eucaristia torna vis\u00edvel o que \u00e9 ser Igreja: comunh\u00e3o fraterna em torno ao Cristo presente e a partir dele. Pelos sacramentos a Igreja \u00e9 constantemente edificada por Cristo, que atua nos sacramentos na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. Os sacramentos constroem a Igreja exatamente por serem a\u00e7\u00f5es de Cristo, a\u00e7\u00f5es cuja meta \u00e9 sempre o relacionamento com o Pai no Esp\u00edrito Santo por meio de Cristo. A rela\u00e7\u00e3o com a Igreja \u00e9 de media\u00e7\u00e3o; o ato terminal \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com Cristo e, por isso, os sacramentos fazem a Igreja, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 feitos por ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, os sacramentos criam e recriam a comunidade eclesial. Neles, em especial na eucaristia, o sacramento central, a Igreja encontra sua identidade: comunidade criada pela presen\u00e7a do Senhor Ressuscitado que, na diferencia\u00e7\u00e3o de suas fun\u00e7\u00f5es e carismas, oferece ao Pai, unida a Cristo no Esp\u00edrito Santo, o memorial do \u00fanico sacrif\u00edcio de Cristo e une a ele sua vida no seguimento de Jesus, que \u00e9 o culto \u201cem esp\u00edrito e verdade\u201d (Jo 4,24; cf. TABORDA, 2012, p.242-5). Mas tamb\u00e9m em cada um dos outros sacramentos aparece a identidade da Igreja: ela vive e cresce pela convers\u00e3o (batismo-crisma); santa e pecadora, sempre de novo precisa aceitar a reconcilia\u00e7\u00e3o oferecida pelo Pai (penit\u00eancia); a exemplo de Jesus, volta-se aos enfermos e fracos levando-lhes solidariedade e consolo (un\u00e7\u00e3o dos enfermos); manifesta o amor de Deus aos humanos no amor conjugal (matrim\u00f4nio); constitui-se na diferen\u00e7a de fun\u00e7\u00f5es dadas por Deus como gra\u00e7a (ordem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santa e pecadora, a Igreja nos sacramentos \u00e9 confrontada com a sua origem e o seu sentido, fazendo mem\u00f3ria do Senhor Ressuscitado. Nessa confronta\u00e7\u00e3o, seu agir \u00e9 questionado pelo Cristo presente e atuante que exige que ela corresponda, na vida, ao que celebra nos gestos. A\u00ed ela encontra legitima\u00e7\u00e3o para sua exist\u00eancia: o exemplo e a for\u00e7a de Cristo atuante no sacramento renovam o \u00e2nimo para o seguimento hist\u00f3rico de Jesus e justificam a ousadia de pretender um relacionamento fraterno num mundo de \u00f3dio e de construir o Reino no aqui e agora do mundo pecador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, os sacramentos organizam a Igreja tanto no plano espiritual como no plano da organicidade: a humilde atitude de constante convers\u00e3o unida \u00e0 imensa dignidade de membros do Corpo de Cristo (batismo-crisma); o reconhecimento do pecado e a aceita\u00e7\u00e3o do perd\u00e3o de Deus e dos irm\u00e3os e irm\u00e3s (reconcilia\u00e7\u00e3o ou penit\u00eancia); a acolhida e o amor preferencial ao irm\u00e3o enfermo, bem como a visibiliza\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo entre o enfermo e a comunidade eclesial (un\u00e7\u00e3o dos enfermos); o reconhecimento de que no amor mais profundamente humano, o amor conjugal, est\u00e1 presente o sentido de todo amor: presen\u00e7a do amor de Deus \u00e0 humanidade (matrim\u00f4nio); a vis\u00e3o do minist\u00e9rio eclesial como servi\u00e7o aos demais em favor da unidade da Igreja (ordem); e principalmente o reconhecimento de que \u00e9 na partilha, no dar a vida pelo outro, que se fundamenta toda organiza\u00e7\u00e3o e toda autoridade (eucaristia). Tudo isso reestrutura a Igreja no Esp\u00edrito de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os sacramentos h\u00e1 tr\u00eas que marcam a organicidade da comunh\u00e3o eclesial e a constituem como Corpo de Cristo uno e diferenciado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Os sacramentos irrepet\u00edveis como constituintes da Igreja<\/strong> (TABORDA, 1998, p.156-61; TABORDA, 2012, p.228-30; 241-7)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tr\u00eas sacramentos que estruturam a comunidade eclesial s\u00e3o, por sua constitui\u00e7\u00e3o, irrepet\u00edveis. Costumam ser chamados de sacramentos caracterizantes, por imprimirem car\u00e1ter. A doutrina do car\u00e1ter \u00e9 um <em>teolog\u00famenon<\/em> para explicar por que n\u00e3o se repetem esses tr\u00eas sacramentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A origem da doutrina do car\u00e1ter est\u00e1 em Agostinho, em sua luta contra o rebatismo dos que, batizados numa seita her\u00e9tica, vinham para o seio da Igreja cat\u00f3lica. Na discuss\u00e3o de Agostinho com os rebatistas, ambos partiam de um pressuposto comum: ningu\u00e9m d\u00e1 o que n\u00e3o tem. Os hereges n\u00e3o podem dar o Esp\u00edrito Santo, porque n\u00e3o o t\u00eam. Surge ent\u00e3o a quest\u00e3o: se o batismo dos hereges n\u00e3o d\u00e1 a vida do Esp\u00edrito, por que a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja n\u00e3o permite rebatizar? Para explic\u00e1-lo, Agostinho recorre \u00e0 met\u00e1fora do car\u00e1ter, tatuagem ou marca a ferro e fogo recebida pelos soldados do ex\u00e9rcito romano. O <em>car\u00e1ter<\/em> (marca) era uma exig\u00eancia permanente a que o desertor voltasse ao ex\u00e9rcito. Assim tamb\u00e9m o batismo nos marca com a exig\u00eancia permanente de seguir Cristo e pertencer \u00e0 sua Igreja. Mesmo que o batismo dos hereges n\u00e3o d\u00ea o Esp\u00edrito Santo, ele d\u00e1 o <em>car\u00e1ter<\/em>, a exig\u00eancia de perten\u00e7a a Cristo na Igreja. O sentido de falar em <em>car\u00e1ter<\/em> era explicar por que determinados sacramentos nunca se repetiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Escol\u00e1stica assumiu a doutrina agostiniana e trabalhou-a no contexto de sua sistematiza\u00e7\u00e3o. Os sacramentos irrepet\u00edveis, dentro da explica\u00e7\u00e3o agostiniana, por um lado produzem certo efeito (o car\u00e1ter), mas n\u00e3o seu efeito pleno. O car\u00e1ter, por sua vez, pela pr\u00f3pria met\u00e1fora que o sust\u00e9m, possui a propriedade de ser um sinal. Ora, a met\u00e1fora, dentro do pensamento coisista da Escol\u00e1stica, s\u00f3 pode ser entendida no sentido de que tais sacramentos imprimem um sinal na alma. A propriedade dessa constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 questionada. N\u00e3o ocorre perguntar, por exemplo, como algo espiritual pode ser ainda chamado de sinal. Enfim, a mesma mentalidade coisista faz inverter o sentido da met\u00e1fora do car\u00e1ter: de explica\u00e7\u00e3o da irrepetibilidade dos tr\u00eas sacramentos, passa a fundamentar por que alguns sacramentos n\u00e3o podem ser repetidos. A rela\u00e7\u00e3o gnosiol\u00f3gica entre irrepetibilidade e car\u00e1ter \u00e9 perdida de vista e fica a rela\u00e7\u00e3o onto1\u00f3gica que, com base no car\u00e1ter, afirma a irrepetibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao definir a quest\u00e3o contra os Reformadores, o Conc\u00edlio de Trento descreve o car\u00e1ter como \u201csinal espiritual e indel\u00e9vel\u201d (<em>DH<\/em> 1609). Afirmar o car\u00e1ter como um \u201csinal espiritual\u201d parece contradi\u00e7\u00e3o: se \u00e9 sinal deve ser vis\u00edvel e n\u00e3o pode ser espiritual, ainda mais \u201cimpresso na alma\u201d que tampouco se v\u00ea. Se se compreende o car\u00e1ter de maneira ontol\u00f3gico-substancialista, n\u00e3o h\u00e1, no entanto, como entender diferentemente. \u00c9 poss\u00edvel, entretanto, interpretar a express\u00e3o numa perspectiva hist\u00f3rico-relacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 acontecimentos que <em>marcam<\/em> o sujeito, sem que com isso se afirme uma marca vis\u00edvel, mas, no fundo, um \u201csinal espiritual\u201d. Na vida de cada um h\u00e1 acontecimentos decisivos, fatos marcantes. Fatos que conformam indelevelmente a personalidade de quem o viveu. O sujeito o carrega por toda a vida, determinando suas atitudes e decis\u00f5es. Fatos que o deixam <em>marcado<\/em> perante a sociedade. Podem inclusive originar um apelido ou apodo que o acompanha pela vida afora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais fatos constituem o novo termo de compara\u00e7\u00e3o para compreender a irrepetibilidade de certos sacramentos e o car\u00e1ter sacramental. H\u00e1 sacramentos irrepet\u00edveis, porque d\u00e3o ao sujeito uma fun\u00e7\u00e3o, uma posi\u00e7\u00e3o determinada na constitui\u00e7\u00e3o da Igreja. <em>Marcam<\/em> o sujeito para sua fun\u00e7\u00e3o na comunidade. A <em>marca<\/em> \u00e9 invis\u00edvel, porque se d\u00e1 no \u00e2mbito existencial e intersubjetivo. No \u00e2mbito existencial, porque o sujeito aceitou assumir a condi\u00e7\u00e3o de membro<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> ou a fun\u00e7\u00e3o de ministro da comunidade eclesial. No \u00e2mbito intersubjetivo ou relacional, porque o fez diante de Deus e da comunidade, da Igreja presente na assembleia celebrante. Uma realidade existencial e relacional n\u00e3o \u00e9 irreal ou menos real, como poderia parecer \u00e0 mentalidade objetivista ou coisista. \u00c9 t\u00e3o real como a a\u00e7\u00e3o de Deus, a mem\u00f3ria do sujeito e a mem\u00f3ria hist\u00f3rica da comunidade. \u00c9 t\u00e3o real como o pr\u00f3prio sujeito que num dado momento foi determinantemente constitu\u00eddo por esse fato. A pessoa que recebeu os sacramentos irrepet\u00edveis est\u00e1 numa rela\u00e7\u00e3o, com os outros membros da Igreja, que \u00e9 espec\u00edfica do sacramento recebido. Essa rela\u00e7\u00e3o <em>marca<\/em> a pessoa, e <em>marca-a<\/em> no sentido de que a comunidade eclesial exige e espera dela uma determinada a\u00e7\u00e3o e atitude. \u00c9 um \u201csinal espiritual\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato hist\u00f3rico, vis\u00edvel, social de receber os sacramentos caracterizantes \u00e9, enquanto fato hist\u00f3rico, irrevers\u00edvel. O sujeito pode arrepender-se de t\u00ea-los recebido, pode voltar atr\u00e1s em suas atitudes, apostatar, mas ele ser\u00e1 sempre algu\u00e9m que recebeu o sacramento em quest\u00e3o e, como tal, aquele fato o <em>marcou<\/em> indelevelmente, de maneira indestrut\u00edvel (\u201csinal espiritual e indel\u00e9vel\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas isso acontece com qualquer fato hist\u00f3rico. N\u00f3s carregamos sempre conosco tudo o que nos aconteceu, ainda que seja nas profundezas do subconsciente e do inconsciente. A diferen\u00e7a est\u00e1 em que o fato hist\u00f3rico de receber um sacramento irrepet\u00edvel \u00e9 um compromisso assumido. Todo compromisso tem dimens\u00e3o social, \u00e9 relacionado a outros, depende tamb\u00e9m dos outros. Mesmo que algu\u00e9m se desdiga do compromisso assumido com Deus e com a Igreja num sacramento caracterizante, esse compromisso continua a significar rela\u00e7\u00e3o com Deus e com a Igreja e essa, em seu car\u00e1ter de realidade escatol\u00f3gica, continuar\u00e1, em nome de Deus, a exigir o exerc\u00edcio daquela fun\u00e7\u00e3o. Os sacramentos caracterizantes s\u00e3o constitutivos da Igreja como comunidade (batismo e confirma\u00e7\u00e3o) e como comunidade diferenciada internamente por fun\u00e7\u00f5es (ordem). Ora, como comunidade escatol\u00f3gica, corpo do Ressuscitado, ela permanecer\u00e1 para sempre at\u00e9 o fim dos tempos. Por isso mesmo n\u00e3o pode abrir m\u00e3o do compromisso daqueles que receberam um sacramento que lhe \u00e9 constitutivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1ter sacramental \u00e9, pois, um relacionamento vis\u00edvel e permanente com a Igreja. Ora, essa \u00e9, no mais \u00edntimo de seu ser, sacramento da gra\u00e7a. Por isso o car\u00e1ter n\u00e3o exige s\u00f3 uma fun\u00e7\u00e3o exterior, mas a assimila\u00e7\u00e3o pessoal diante de Deus dessa fun\u00e7\u00e3o. De fato, uma Igreja cujos membros n\u00e3o vivessem no seguimento de Cristo acabaria esboroando-se. Por isso, \u00e0 promessa divina de indefectibilidade pertence a garantia de que sempre haver\u00e1 batizados e crismados que vivam efetivamente no seguimento de Cristo. Isto significa que a exig\u00eancia pr\u00f3pria ao car\u00e1ter sacramental n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 externa, mas atinge a pessoa internamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algo an\u00e1logo deve ser dito do sacramento (respectivamente, do car\u00e1ter) da ordem: uma hierarquia que, em bloco, n\u00e3o vivesse a f\u00e9, n\u00e3o seguisse Cristo na vida, acabaria por destruir a Igreja, pois terminaria por n\u00e3o ver mais sentido em presidir uma comunidade reunida por uma Palavra em que n\u00e3o cr\u00ea e visibilizada em sacramentos que considera vazios de sentido. Em consequ\u00eancia, deixaria de faz\u00ea-lo. Ora, a Igreja \u00e9 constitu\u00edda pela Palavra e pelos sacramentos em vista do seguimento de Cristo. Assim tamb\u00e9m o car\u00e1ter sacramental \u00e9 essencialmente salv\u00edfico, diz respeito \u00e0 salva\u00e7\u00e3o ou perdi\u00e7\u00e3o da pessoa na comunidade e atrav\u00e9s da comunidade. O Esp\u00edrito Santo, que pelo sacramento constitui o sujeito como membro ou ministro da Igreja, \u00e9 o Esp\u00edrito santificador, o fogo devorador que n\u00e3o quer apenas tostar aquele a quem atinge, mas inflam\u00e1-lo totalmente. O car\u00e1ter sacramental exige que se viva o acontecimento que nos <em>marcou<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, mesmo que algu\u00e9m receba um sacramento caracterizante em contradi\u00e7\u00e3o com sua vida, \u00e9 membro\/ministro da Igreja e assim, pela for\u00e7a do sacramento, \u00e9 provocado a que fa\u00e7a sua vida corresponder \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o. Essa fun\u00e7\u00e3o ele possui, mesmo que a vida n\u00e3o corresponda a ela: o membro pecador da Igreja n\u00e3o precisa, ao reconciliar-se, ser batizado ou crismado novamente; o ministro pecador n\u00e3o precisa, ao arrepender-se, ser reordenado. Mas o pecado no membro ou no ministro da Igreja est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com o car\u00e1ter que recebeu e que leva pela vida afora. O car\u00e1ter tem tend\u00eancia inerente a que se realize salvificamente, para a salva\u00e7\u00e3o de quem recebeu o respectivo sacramento. Com o <em>teolog\u00famenon<\/em> car\u00e1ter expressa-se a exist\u00eancia de um pacto irrevog\u00e1vel que se fundamenta na fidelidade do Deus vivo, na a\u00e7\u00e3o de Deus pelo sacramento, mas que sup\u00f5e e exige a resposta do ser humano. N\u00e3o por coa\u00e7\u00e3o e sim por voca\u00e7\u00e3o e provoca\u00e7\u00e3o esta pessoa \u00e9 convidada a engajar-se na pr\u00f3pria obra de Cristo presente pelo Esp\u00edrito Santo na Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Francisco Taborda SJ,<\/em> FAJE, Brasil. Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAHNER, K. Heilsvermittlung und Heilsprozess. In: ARNOLD, F. X. et al. (ed.). <em>Handbuch der Pastoraltheologie<\/em>. v.II\/1. Freiburg\/Br: Herder, 1966. p.55-61.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAHNER, K.; TH\u00dcSING, W. <em>Cristolog\u00eda<\/em>: estudio sistem\u00e1tico y exeg\u00e9tico. Madrid: Cristiandad, 1975. Biblioteca Teol\u00f3gica Cristiandad, 3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TABORDA, F. <em>Sacramentos, pr\u00e1xis e festa<\/em>: para uma teologia latino-americana dos sacramentos. 4.ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TABORDA, F. <em>Nas fontes da vida crist\u00e3<\/em>: Uma teologia do batismo-crisma. 3.ed. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2012. Theologica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Pessoalmente ou atrav\u00e9s dos pais e padrinhos, no caso do batismo de crian\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 A Igreja faz os sacramentos 2 Os sacramentos fazem a Igreja 3 Os sacramentos irrepet\u00edveis como constituintes da Igreja 4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas O que caracteriza a autocomunica\u00e7\u00e3o de Deus atrav\u00e9s dos sacramentos \u00e9 sua dimens\u00e3o eclesial. Deus \u00e9 soberanamente livre para se autocomunicar por vias s\u00f3 por ele conhecidas, pois \u201co Esp\u00edrito sopra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-287","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=287"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/287\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1187,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/287\/revisions\/1187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}