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{"id":2781,"date":"2022-12-30T11:44:00","date_gmt":"2022-12-30T14:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2781"},"modified":"2022-12-30T11:44:00","modified_gmt":"2022-12-30T14:44:00","slug":"mistica-interreligiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2781","title":{"rendered":"M\u00edstica Interreligiosa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>1 A revela\u00e7\u00e3o de Deus<\/p>\n<p>2 O di\u00e1logo inter-religioso<\/p>\n<p>3 A m\u00edstica inter-religiosa<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em um contexto fragmentado e diverso, que marca as sociedades contempor\u00e2neas, percebe-se um forte pluralismo religioso que desafia as diferentes tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Entretanto, essa realidade cria a oportunidade para que essas tradi\u00e7\u00f5es possam chegar a uma maior profundidade, assumindo sua real voca\u00e7\u00e3o: a de ser caminho para que o ser humano, no mais \u00edntimo de si, entre em contato com a Realidade \u00daltima, Deus.<\/p>\n<p>Nesse sentido, os estudos de religi\u00e3o evidenciam que o cultivo da verdadeira experi\u00eancia religiosa amplia as possibilidades da raz\u00e3o humana, al\u00e9m de permitir e favorecer em seu exerc\u00edcio, dentro do marco insubstitu\u00edvel da finitude que lhe \u00e9 consubstancial, a felicidade da pessoa religiosa.<\/p>\n<p>Logo, torna-se favor\u00e1vel pensar em uma m\u00edstica inter-religiosa que seja capaz de impulsionar o di\u00e1logo entre as religi\u00f5es para al\u00e9m de uma simples troca de ideias, conhecimento conceitual ou formula\u00e7\u00f5es de verdades.<\/p>\n<p>Em vista disso, abordaremos, em seguida, alguns temas que podem contribuir na constru\u00e7\u00e3o de uma m\u00edstica inter-religiosa: a revela\u00e7\u00e3o de Deus, a partir da perspectiva da mai\u00eautica hist\u00f3rica, como a prop\u00f5e Andr\u00e9s Torres Queiruga, e o di\u00e1logo inter-religioso, impulsionado pela experi\u00eancia religiosa. Finalizaremos apontando a sua import\u00e2ncia para a pr\u00f3pria experi\u00eancia religiosa, para a rela\u00e7\u00e3o entre os religiosos e religiosas das mais diversas experi\u00eancias de f\u00e9 e para a conviv\u00eancia harmoniosa na sociedade.<\/p>\n<p><strong>1 A revela\u00e7\u00e3o de Deus <\/strong><\/p>\n<p>A partir do entendimento de que \u00e9 comum para muitas religi\u00f5es a convic\u00e7\u00e3o de terem sua origem numa revela\u00e7\u00e3o divina, \u00e9 poss\u00edvel pensar que \u201ca revela\u00e7\u00e3o \u00e9 um dado constitutivo da estrutura mesma da religi\u00e3o\u201d (QUEIRUGA, 1995a, p. 20).\u00a0 Desse modo, caminhos para a comunica\u00e7\u00e3o entre as diferentes tradi\u00e7\u00f5es religiosas podem ser abertos por causa de uma maior tematiza\u00e7\u00e3o da autocomunica\u00e7\u00e3o divina, pois \u00e9 Deus que insiste em querer revelar-se a todos e de modos sempre novos: \u201cDeus \u00e9 livre para revelar-se quando e como quer\u201d (QUEIRUGA, 1995b.\u00a0 p. 102).<\/p>\n<p>Ampliar a concep\u00e7\u00e3o de Deus presente nas tradi\u00e7\u00f5es religiosas permite contemplar com mais profundidade seu mist\u00e9rio, \u00e9 o que prop\u00f5e o te\u00f3logo Andr\u00e9s Torres Queiruga quando alarga a compreens\u00e3o sobre a revela\u00e7\u00e3o de Deus. Ele utiliza a intui\u00e7\u00e3o de S\u00f3crates sobre o termo \u2018mai\u00eautica\u2019, \u2018dar-\u00e0-luz\u2019, e resguarda a import\u00e2ncia do mediador (<em>maieuta<\/em> = parteiro), para com a sua comunidade. Assim sendo, \u201co mediador, com sua palavra e seu gesto, faz os demais descobrirem a realidade em que j\u00e1 est\u00e3o colocados, diante da presen\u00e7a que j\u00e1 os estava acompanhando, a verdade que, vinda de Deus, j\u00e1 era ou est\u00e1 sendo\u201d (QUEIRUGA, 1995a, p. 113).<\/p>\n<p>A pessoa religiosa, quando se deixar interpelar por esta Presen\u00e7a, apreende a profundidade de sua realidade, abre-se a uma experi\u00eancia singular da revela\u00e7\u00e3o e se descobre no pr\u00f3prio ser a partir de Deus, no mundo. Essa a\u00e7\u00e3o parte sempre de Deus, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa. Quando este acolhe a presen\u00e7a reveladora de Deus permite, por meio desse seu ato, uma abertura ao seu pr\u00f3prio crescimento, \u00e0 sua realiza\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Ou seja, na revela\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o se manifesta o que o homem \u00e9 por si mesmo, e sim o que come\u00e7a a ser por livre iniciativa divina. N\u00e3o se trata de um desdobrar imanente de sua ess\u00eancia, mas de uma determina\u00e7\u00e3o realizada por Deus na hist\u00f3ria\u201d (QUEIRUGA, 1995a, p.115). Nesse sentido, para Queiruga, a revela\u00e7\u00e3o se d\u00e1 maieuticamente na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Como mai\u00eautica hist\u00f3rica, a revela\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o consiste num est\u00e1tico sempre a\u00ed, sen\u00e3o em um \u2018sempre a\u00ed\u2019 din\u00e2mico, que se atualiza constantemente no novo de sua realiza\u00e7\u00e3o mediante a liberdade do homem e de sua hist\u00f3ria\u201d (QUEIRUGA, 1995a, p.195).\u00a0 Ela tem seu aspecto mai\u00eautico na fun\u00e7\u00e3o da palavra, pois possibilita o novo, \u2018traz \u00e0 luz\u2019; n\u00e3o leva para fora de si, nem fala de coisas estranhas, mas devolve ao ser humano \u00e0 sua mais radical autenticidade. A revela\u00e7\u00e3o de Deus ao ser humano implica um intenso encontro consigo mesmo, que se desdobra numa maior percep\u00e7\u00e3o sobre a vida e numa melhor contribui\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Desse modo, como um dado constitutivo de toda religi\u00e3o &#8211; por ter em sua estrutura o ser humano como seu lugar privilegiado &#8211; nenhuma delas pode exaurir a riqueza do Mist\u00e9rio divino. O cristianismo, por exemplo, diante dessa constata\u00e7\u00e3o, n\u00e3o deve renunciar \u00e0 experi\u00eancia da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 como manifesta\u00e7\u00e3o plena e universal de Deus em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o, que aconteceu de maneira insuper\u00e1vel em Jesus, possibilitou o rompimento de toda particularidade. Foi em Jesus que Deus encontrou a oportunidade de entregar-se totalmente \u00e0 humanidade. Logo, a universalidade do cristianismo se concretiza no estilo de vida e na pr\u00e1xis do crist\u00e3o, na sua experi\u00eancia de f\u00e9 e de religiosidade, porque em Jesus Cristo a universalidade se d\u00e1 no pr\u00f3prio dinamismo de sua revela\u00e7\u00e3o para toda a humanidade.<\/p>\n<p>Nesse sentido, esta Presen\u00e7a consegue ser mais bem percebida por meio de uma experi\u00eancia religiosa, em que o sujeito religioso vive, nas diferentes tradi\u00e7\u00f5es religiosas, nas mais variadas formas.\u00a0 Experi\u00eancia esta que conduz o ser humano ao encontro com Deus e, ao mesmo tempo, a voltar-se aos demais e auxiliar os que est\u00e3o em busca de tal caminho. Afirma ainda Queiruga que esse \u201cn\u00e3o faz mais que iluminar, na consci\u00eancia, a experi\u00eancia transcendental da pr\u00f3pria realidade j\u00e1 agraciada pelo Esp\u00edrito\u201d (QUEIRUGA, 1995a<em>, <\/em>p. 1224).<\/p>\n<p>Essa revela\u00e7\u00e3o ao ser humano implica para este em um intenso encontro consigo mesmo, em uma maior percep\u00e7\u00e3o sobre a vida e uma melhor contribui\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria rica em significado para si e para a sociedade. Nessa perspectiva, a partir da revela\u00e7\u00e3o acontecendo maieuticamente na hist\u00f3ria, d\u00e1-se a realiza\u00e7\u00e3o do ser humano, pois, \u201cna resposta \u00e0 revela\u00e7\u00e3o, o homem est\u00e1 se realizando a si mesmo: est\u00e1 construindo, desde a \u00faltima radicalidade, a hist\u00f3ria de seu ser\u201d (QUEIRUGA, 1994a, p. 200).<\/p>\n<p>Deus que n\u00e3o cessa de querer revelar-se, nunca deixa de insinuar-se \u00e0 humanidade por desejar a liberta\u00e7\u00e3o e a felicidade do ser humano.\u00a0 Esta \u00e9 a maior express\u00e3o do seu amor: o fato de se dar a conhecer. O sujeito, quando acolhe essa Presen\u00e7a, passa a ser constru\u00eddo desde a sua profundidade, e realiza-se como pessoa. Apenas nesta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aos seres humanos compreender esse amor de Deus como possibilidade de ser a sua aut\u00eantica realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante do desejo de Deus em querer revelar-se e ser para o ser humano a possibilidade de sua realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender que, para um sadio pluralismo religioso, imp\u00f5e-se \u00e0s religi\u00f5es superar suas tend\u00eancias \u00e0 exclus\u00e3o rec\u00edproca; que isso seja a oportunidade para o exerc\u00edcio da compaix\u00e3o, da miseric\u00f3rdia e da hospitalidade inter-religiosa.<\/p>\n<p><strong>2 O di\u00e1logo inter-religioso<\/strong><\/p>\n<p>Refletindo sobre o ser humano e Deus, percebemos que o problema n\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o, mas a dificuldade de viv\u00ea-la \u00e0 altura que exige. Isto \u00e9, que a experi\u00eancia religiosa seja a express\u00e3o de quem acolheu a revela\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a misteriosa que nela habita; quando, portanto, os religiosos e as religiosas puderem dizer \u2018Deus\u2019, n\u00e3o apenas por ouvir dizer, mas pela experi\u00eancia realizada no mais \u00edntimo de si, uma experi\u00eancia pessoal de transcend\u00eancia, de realiza\u00e7\u00e3o humana, de consentimento a sua presen\u00e7a amorosa.<\/p>\n<p>Por consequ\u00eancia, o di\u00e1logo inter-religioso poder\u00e1 ter melhor resultado se ele atingir um n\u00edvel mais profundo, a comunh\u00e3o para al\u00e9m das palavras e de todos os conceitos, na experi\u00eancia mais profunda de todo ser religioso. Em um lugar que possa entrar em comunh\u00e3o com o diferente, com o inef\u00e1vel, com o Absoluto.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965) deu um grande salto com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras religi\u00f5es. Seu ensino sobre as religi\u00f5es se caracterizou por uma atitude positiva diante das demais, iniciando uma abertura sem precedentes nos posicionamentos oficiais da Igreja em sua rela\u00e7\u00e3o com os n\u00e3o crist\u00e3os. Em seguida, grandes avan\u00e7os foram feitos, no entanto, todos os paradigmas apresentados se mostraram insuficientes para resolver o desafio da rela\u00e7\u00e3o do cristianismo com as outras religi\u00f5es (DUPUIS,1999, p. 106-107).<\/p>\n<p>Diante de tantos modelos que procuraram preservar a identidade crist\u00e3, sem se fechar \u00e0 novidade proposta por outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas, reconhecendo-as em sua alteridade, talvez uma madura experi\u00eancia crist\u00e3 de Deus pode ser para os crist\u00e3os a possibilidade de encontro com religiosos de outras religi\u00f5es. \u00c9 certo que, mesmo que a pretens\u00e3o de unicidade e universalidade da salva\u00e7\u00e3o crist\u00e3 apresente dificuldades para o di\u00e1logo inter-religioso, n\u00e3o podem ser desprezadas as afirma\u00e7\u00f5es do Novo Testamento e de toda a tradi\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias crist\u00e3s sobre a revela\u00e7\u00e3o divina decisiva e definitiva em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias de m\u00edsticos como Thomas Merton e Raimon Panikkar s\u00e3o testemunhos que se caracterizam pelo esfor\u00e7o em aprofundar, no reconhecimento da especificidade e singularidade, sua pr\u00f3pria experi\u00eancia crist\u00e3 de Deus, a partir de sua f\u00e9, no di\u00e1logo com outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>Assim, o pluralismo religioso sugere mergulhar nas ra\u00edzes da profundidade do pr\u00f3prio Mist\u00e9rio divino pelo qual o religioso se torna capaz de encontrar em si mesmo, n\u00e3o somente quem ele \u00e9, mas a Deus. Lembremos que a experi\u00eancia religiosa faz parte da experi\u00eancia humana. Segundo Panikkar, a experi\u00eancia de Deus \u201cn\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, como tamb\u00e9m necess\u00e1ria para que todo ser humano chegue \u00e0 consci\u00eancia de sua pr\u00f3pria identidade\u201d (PANIKKAR, 1998a).<\/p>\n<p>Cada religi\u00e3o \u00e9 um canal especial em dire\u00e7\u00e3o ao Absoluto. N\u00e3o obstante, por detr\u00e1s e mais al\u00e9m das caracter\u00edsticas externas, como o credo, os ritos etc., pelas quais \u00e9 reconhecida e por meio das quais \u00e9 transmitida. Elas cont\u00eam em seu interior um chamado fundamental para que o religioso e a religiosa possam ir mais al\u00e9m de si mesmos, na medida em que t\u00eam por ess\u00eancia ser um sinal do Absoluto (MELLONI, 2008, p. 229). Essa realidade contribuir\u00e1 para o di\u00e1logo inter-religioso n\u00e3o se deter \u201cnas diferen\u00e7as, \u00e0s vezes profundas, mas confiar-se com humildade e confian\u00e7a a Deus, que \u00e9 maior do que o nosso cora\u00e7\u00e3o\u201d (Di\u00e1logo e An\u00fancio, 1996, n. 35).<\/p>\n<p>Assim sendo, a m\u00edstica \u00e9 a possibilidade para que as religi\u00f5es se descubram, por meio de seus m\u00edsticos junto com outros crentes e n\u00e3o crentes, o sinal da presen\u00e7a e condi\u00e7\u00e3o da perman\u00eancia da f\u00e9. Ou seja, deve-se evitar no di\u00e1logo inter-religioso o dogmatismo e a indiferen\u00e7a. E, nenhum sujeito religioso est\u00e1 mais bem preparado contra esses perigos que o sujeito m\u00edstico, por se encontrar na uni\u00e3o com Deus; por viver uma experi\u00eancia de f\u00e9 na mais absoluta confian\u00e7a.<\/p>\n<p>S\u00e3o os m\u00edsticos, nas religi\u00f5es, os primeiros a reconhecerem que a revela\u00e7\u00e3o de Deus tem se dado por muitas media\u00e7\u00f5es, pois eles conseguem \u201cver na hist\u00f3ria e em todas as articula\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia humana este fio condutor divino que tudo une, tudo ordena e tudo eleva\u201d (BOFF, 1983, p. 15).<\/p>\n<p>Esses reafirmam que a aut\u00eantica fonte das religi\u00f5es se encontra na experi\u00eancia m\u00edstica, pois todas fazem a mesma experi\u00eancia de ser; por\u00e9m a expressam segundo a \u00e9poca, cultura, educa\u00e7\u00e3o e religi\u00e3o que vivenciam (MELLONI, 2008, p. 173). Sem desaparecerem as diferen\u00e7as entre as tradi\u00e7\u00f5es religiosas, diz Amaladoss, que \u201celas vivenciam o mesmo Deus. Mas n\u00e3o t\u00eam a mesma experi\u00eancia\u201d (AMALADOSS, 1996. p. 88).<\/p>\n<p>Por conseguinte, os crentes de cada tradi\u00e7\u00e3o, quando assumem sua verdadeira identidade religiosa, s\u00e3o capazes de reconhecer e acolher o outro em sua diferen\u00e7a sem negar a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia. Logo, \u201ca m\u00edstica \u00e9 a ou-topia, o \u2018n\u00e3o-lugar\u2019, das religi\u00f5es e de todo di\u00e1logo, na medida em que aponta um campo de a\u00e7\u00e3o que est\u00e1 mais al\u00e9m de toda media\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, \u00e9 o lugar mais essencial e origin\u00e1rio das diversas cren\u00e7as e caminhos\u201d (MELLONI, 2008, p. 09).<\/p>\n<p>Desse modo, a autocompreens\u00e3o do crist\u00e3o de sua real voca\u00e7\u00e3o o abre \u00e0s demais tradi\u00e7\u00f5es religiosas (QUEIRUGA, 1999, p. 296). Uma vez que a experi\u00eancia de Deus, que se d\u00e1 por meio da experi\u00eancia de f\u00e9, impulsiona o sujeito \u00e0 acolhida, \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o e ao seu reconhecimento com consci\u00eancia de que esse contato o coloca diante de uma Presen\u00e7a que j\u00e1 existe.<\/p>\n<p>Mesmo que o di\u00e1logo inter-religioso tenha se chocado permanentemente com o dogmatismo e com o relativismo indiferente, o cultivo da dimens\u00e3o m\u00edstica pode eficazmente ajudar a evitar esses obst\u00e1culos, pois a experi\u00eancia m\u00edstica permite captar o \u00edntimo parentesco de todas as religi\u00f5es ao p\u00f4r em contato quem a vive com a raiz de onde todas elas procedem.<\/p>\n<p><strong>3 A m\u00edstica inter-religiosa<\/strong><\/p>\n<p>Para o psic\u00f3logo William James, a raiz e o centro da religi\u00e3o pessoal encontram-se nos estados de consci\u00eancia m\u00edstica (JAMES, 1996, p. 285-287).\u00a0 Sendo esta regi\u00e3o o lugar do seu nascedouro \u00e9, tamb\u00e9m, o lugar em que podem se encontrar para aprender a escutar-se e a respeitar-se e, assim, colaborarem juntas na transforma\u00e7\u00e3o do humano, da sociedade.<\/p>\n<p>Nessa experi\u00eancia, o ser humano \u00e9 provocado a um aprofundamento de si e, nesse encontro consigo, descobre-se no desapego que o impulsiona para o exerc\u00edcio da alteridade (BINGEMER, 2013, p. 82-84). Ou seja, para a descoberta do outro, pois a experi\u00eancia m\u00edstica n\u00e3o se fecha no encontro amoroso do fiel com Deus. Ao contr\u00e1rio, \u201cDeus vem a ele e ele quer perder-se em Deus. E Deus sempre o reenvia ao outro homem\u201d (CATTIN, 1994, p. 30.) Esta \u00e9 a raz\u00e3o de ser das religi\u00f5es serem capazes de indicar caminhos para a Vida (MELLONI, 2008, p. 239). Por isso, todas incidem nas tr\u00eas dimens\u00f5es que constituem o ser humano: sua afetividade, sua capacidade cognitiva e sua a\u00e7\u00e3o no mundo (PANIKKAR, 1999).<\/p>\n<p>As tradi\u00e7\u00f5es religiosas oferecem um modo de trabalhar sobre estas tr\u00eas dimens\u00f5es, de um jeito que se v\u00e1 dando forma \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o que tem que fazer continuamente. Essa experi\u00eancia acontece a partir da purifica\u00e7\u00e3o dos afetos e a ilumina\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia para que a a\u00e7\u00e3o de cada pessoa sobre o mundo seja a mais transparente, pura e desinteressada poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Esta experi\u00eancia provoca a transforma\u00e7\u00e3o da vida, que, no lugar de estar centrada na ang\u00fastia pela sobreviv\u00eancia, torna-se gozo e oferenda, com a certeza de formar parte de uma totalidade infinita que \u00e9 pura celebra\u00e7\u00e3o. Isso acontece por permitir a quem vive perceber a presen\u00e7a do mist\u00e9rio em toda parte, pois \u201cDeus conhece todas as l\u00ednguas e compreende o suspiro silencioso exalado pelo cora\u00e7\u00e3o de um amoroso\u201d (TEIXEIRA, 2004. p. 28.)<\/p>\n<p>Por conseguinte, todas as tradi\u00e7\u00f5es entendem a Vida como via, como caminho, at\u00e9 essa progressiva abertura ao Absoluto. De diversos modos, cont\u00e9m uma progress\u00e3o em tr\u00eas tempos que, no cristianismo, tomando-os do neoplatonismo, conhece-se como as vias purificativas, iluminativa e unitiva. A progress\u00e3o no caminho \u00e9 uma experi\u00eancia humana universal (MELLONI, 2008, p. 241).<\/p>\n<p>Melloni sugere a aplica\u00e7\u00e3o dessas tr\u00eas etapas ao encontro inter-religioso. Para ele, a etapa purificativa encontra-se na convers\u00e3o que sup\u00f5e reinterpretar as pr\u00f3prias cren\u00e7as, ler os textos sagrados e praticar os pr\u00f3prios ritos de um modo que n\u00e3o seja exclusivista. A etapa iluminativa vai aparecendo quando vai-se passando do primeiro estranhamento e de uma informa\u00e7\u00e3o superficial sobre o outro ao conhecimento e compreens\u00e3o dessa alteridade, isto \u00e9, quando se come\u00e7a a compreender os textos alheios a partir deles mesmos, ou seja, capt\u00e1-los com o cora\u00e7\u00e3o, entendendo por cora\u00e7\u00e3o a sede mais profunda e receptiva do ser humano.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, a via unitiva do di\u00e1logo inter-religioso \u00e9 assint\u00f3tica, pois se sustenta no paradoxo de uma uni\u00e3o que celebra e venera a diferen\u00e7a. Esta uni\u00e3o a-dual entre as religi\u00f5es \u00e9 a mesma que acontece no interior de cada caminho entre o Todo e a parte, entre Deus e a criatura, entre <em>samsara <\/em>e nirvana (MELLONI, 2008, p. 244). Esta uni\u00e3o \u00e9 o n\u00e3o-lugar comum das religi\u00f5es na medida em que cada uma vai desprezando seu centro em favor do absoluto de Deus.<\/p>\n<p>Alguns s\u00e3o os sinais para que uma religi\u00e3o possa chegar a ir al\u00e9m de si mesma, assimilando um Mist\u00e9rio sempre maior, provocando o \u201cenriquecimento rec\u00edproco e a coopera\u00e7\u00e3o fecunda na promo\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o dos valores e dos ideais espirituais mais altos do homem\u201d (Di\u00e1logo e An\u00fancio, 1996, n. 35), a que \u201cchamamos nosso ser mais profundo, o divino em n\u00f3s e em tudo o que existe\u201d (MELLONI, 2008, p. 178). Pois \u00e9 certo que apenas um cora\u00e7\u00e3o transformado pela experi\u00eancia de Deus, saber\u00e1 dialogar e conviver com o diferente. Um cora\u00e7\u00e3o assim n\u00e3o falar\u00e1 de ouvido, nem com s\u00e1bias palavras, por\u00e9m vazias; falar\u00e1 desde o vivido, desde a experi\u00eancia, raiz e meta de todo aut\u00eantico di\u00e1logo, colocando em comum suas experi\u00eancias do divino (MELLONI, 2008, p. 190).<\/p>\n<p>A m\u00edstica inter-religiosa, tendo como exemplo a experi\u00eancia crist\u00e3 de intimidade com Deus, provoca no interior do religioso o desvelamento da verdadeira imagem de Deus em que foi criado. De um Deus que \u00e9 amor. Essa experi\u00eancia torna-se para os demais religiosos de outras tradi\u00e7\u00f5es uma manifesta\u00e7\u00e3o desse amor.<\/p>\n<p>Aqui est\u00e1 a import\u00e2ncia para o melhor desenvolvimento do di\u00e1logo entre as religi\u00f5es: aprofundar, por meio da f\u00e9, a experi\u00eancia de encontro com Deus; descobrir-se e assumir no encontro com outros religiosos que est\u00e1 destinado a viver em harmonia com Deus.<\/p>\n<p>Logo, partindo da presen\u00e7a de Deus no \u2018eu\u2019 interior, no exerc\u00edcio de sua capacidade de amar, o crist\u00e3o torna-se capaz de encontrar Deus nos outros, encontrando a Cristo no lugar antes ocupado por sua individualidade. Para isso, faz-se necess\u00e1rio se desfazer de toda falsa imagem de Deus, a romper com um tipo de experi\u00eancia de Deus que em muitos momentos comprova uma defici\u00eancia, como nos lembra o livro de J\u00f3: \u201ceu te conhecia s\u00f3 de ouvir. Agora, por\u00e9m, os meus olhos te veem\u201d (J\u00f3 42,5).<\/p>\n<p>Isso significa se livrar de todo tipo de formalismo mec\u00e2nico e compulsivo para poder despertar o fervor interior e espont\u00e2neo do cora\u00e7\u00e3o. E, desse modo, restaurar a orienta\u00e7\u00e3o profundamente interior da atividade religiosa, almejar a renova\u00e7\u00e3o e a purifica\u00e7\u00e3o da vida interior. Por conseguinte, deixar-se surpreender pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, a partir de uma experi\u00eancia de profundidade no &#8216;eu&#8217; mais profundo que, quando desperta, encontra-se na presen\u00e7a de quem \u00e9 imagem, Deus.<\/p>\n<p>Portanto, a experi\u00eancia do Mist\u00e9rio, como centro, pode valorizar a vida religiosa, seja qual for o lugar em que ela flores\u00e7a, superando a tenta\u00e7\u00e3o de absolutismo e exclusivismo, bem como o perigo do indiferentismo. Nesse sentido, o caminho para o di\u00e1logo inter-religioso deve ser perpassado pela experi\u00eancia de profundidade desse Mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Nesta experi\u00eancia de mergulho, a pessoa religiosa se torna capaz de interiorizar e de contemplar, de entrar em si, orar e reconhecer em seu interior a presen\u00e7a silenciosa e amorosa de Deus; de deter-se diante da natureza e do cosmos e descobrir neles a presen\u00e7a do Deus vivo, de reconhecer na hist\u00f3ria, nos seres humanos a manifesta\u00e7\u00e3o de Deus; de viver e experimentar que, quanto mais unido a Ele, mais seu semelhante pode ser.<\/p>\n<p>Percebe-se que o contexto de pluralismo religioso indica onde s\u00e3o necess\u00e1rias as transforma\u00e7\u00f5es: nas formas de pr\u00e1tica religiosa, na procura por viver em profundidade, na recupera\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o da experi\u00eancia \u00edntima do mist\u00e9rio de Deus e da experi\u00eancia da unidade com ela.<\/p>\n<p>Entre os n\u00edveis de encontro com suas respectivas formas de di\u00e1logo que o cristianismo tem buscado concretizar, acredita-se que a experi\u00eancia de Deus \u00e9 o que alcan\u00e7a o n\u00edvel mais profundo. Deve-se estar convicto de que a presen\u00e7a de Deus n\u00e3o \u00e9 algo exterior \u00e0 pessoa, que Ele n\u00e3o est\u00e1 fora, mas no pr\u00f3prio interior, na pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>De acordo com o monge Thomas Merton, o auge da vida interior \u00e9 a contempla\u00e7\u00e3o; a experi\u00eancia de Deus em profundidade, a m\u00edstica (MERTON, 2007, p. 76). Logo, torna-se importante para a experi\u00eancia crist\u00e3 n\u00e3o apenas a consci\u00eancia do eu interior, mas tamb\u00e9m, pela f\u00e9, uma apreens\u00e3o exterior de Deus, na medida em que ele se faz presente em seu eu interior.<\/p>\n<p>Nesse mesmo sentido, para Raimon Panikkar a Realidade \u00e9 totalmente relacional. (PANIKKAR, 1998b<em>,<\/em> p. 135). O ser humano n\u00e3o \u00e9 um ser isolado, seu v\u00ednculo com o corporal e o divino lhe \u00e9 constitutivo. A m\u00edstica \u00e9 uma experi\u00eancia humana em sua plenitude, permitindo com que o ser humano fa\u00e7a a experi\u00eancia do seu \u00faltimo fundamento, do que realmente \u00e9. Assim sendo, \u00e9 uma experi\u00eancia necess\u00e1ria para que todo ser humano chegue \u00e0 consci\u00eancia de sua pr\u00f3pria identidade. O requisito indispens\u00e1vel para acolher a experi\u00eancia de Deus \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o do interior humano. Logo, o ser humano deve estar em harmonia consigo mesmo e com o universo. Harmonia entre ele e a sua &#8220;casa&#8221;, entre Deus e os seres humanos, entre contempla\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o, entre tudo o que vive e tudo o que morre, entre a ren\u00fancia e a conquista de si mesmo.<\/p>\n<p>Por ser uma experi\u00eancia de profundidade, o ser humano descobre em si mesmo e nos outros seres a dimens\u00e3o de profundidade, de infinito que existe em tudo. Esta experi\u00eancia concede humildade e, ao mesmo tempo, liberdade.<\/p>\n<p>Diante disso, \u00e9 imprescind\u00edvel que os religiosos e as religiosas se conscientizem de que a m\u00edstica n\u00e3o distrai o ser humano do cotidiano. Pelo contr\u00e1rio, o coloca em aten\u00e7\u00e3o diante dos desafios e necessidades de seu tempo. A experi\u00eancia m\u00edstica n\u00e3o separa o amor de Deus do amor ao pr\u00f3ximo. O amor a Deus e ao pr\u00f3ximo s\u00e3o um s\u00f3 amor. \u00c9 o amor que se faz humano atrav\u00e9s de Deus que leva o ser humano \u00e0 sua plenitude.<\/p>\n<p>Torna-se necess\u00e1ria uma experi\u00eancia de Deus insepar\u00e1vel de uma experi\u00eancia de amor. O ser humano que alcan\u00e7a a integra\u00e7\u00e3o do seu ser, n\u00e3o mais se encontra limitado pela cultura em que est\u00e1 inserido. Aceita a humanidade toda. Quem se abre a essa experi\u00eancia transcende as divis\u00f5es para alcan\u00e7ar uma unidade por cima de qualquer divis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><a name=\"_Toc225750041\"><\/a><a name=\"_Toc225750925\"><\/a><a name=\"_Toc226267945\"><\/a><a name=\"_Toc226268478\"><\/a><a name=\"_Toc248392301\"><\/a><a name=\"_Toc248392452\"><\/a>O fen\u00f4meno m\u00edstico e religioso adquire, nesse contexto plural, um privilegiado lugar de escuta e de resposta. De escuta, porque diante de todos os desafios enfrentados pelas religi\u00f5es, compreendem a necessidade de retornarem \u00e0 sua ess\u00eancia para atingir o cora\u00e7\u00e3o e despertar a convers\u00e3o. Isso significa conduzir seus fi\u00e9is \u00e0 verdadeira experi\u00eancia de Deus, visto que este \u00e9 o desejo que move o cora\u00e7\u00e3o do ser humano, que, indefeso, procura realiz\u00e1-lo independentemente de qualquer tradi\u00e7\u00e3o religiosa.<a name=\"_Toc223431859\"><\/a><a name=\"_Toc212457798\"><\/a><a name=\"_Toc212572366\"><\/a><a name=\"_Toc212575706\"><\/a><a name=\"_Toc225750042\"><\/a><a name=\"_Toc225750926\"><\/a><a name=\"_Toc226267946\"><\/a><a name=\"_Toc226268479\"><\/a><a name=\"_Toc248392302\"><\/a><a name=\"_Toc248392453\"><\/a><\/p>\n<p>Sobre a resposta, esta se encontra na experi\u00eancia de intimidade que o religioso e a religiosa vivem quando cada uma das religi\u00f5es se move para o absoluto de Deus, voltados para um Mist\u00e9rio que sempre ser\u00e1 para todos maior. Por consequ\u00eancia, \u201ca m\u00edstica \u00e9 sempre religiosa e a religi\u00e3o \u00e9 sempre m\u00edstica\u201d (VELASCO, 1999, p. 31).<\/p>\n<p>Em toda experi\u00eancia religiosa, encontram-se elementos m\u00edsticos e em todas as pessoas existe uma predisposi\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica e psicol\u00f3gica para algo que a experi\u00eancia m\u00edstica assegura desenvolver em plenitude. E \u00e9, ent\u00e3o, nesta abertura ao infinito, base do elemento m\u00edstico em que se conserva a origem na presen\u00e7a ontol\u00f3gica de Deus no sujeito, que se d\u00e1 o encontro pela f\u00e9.<\/p>\n<p>A m\u00edstica \u00e9 um baluarte frente aos reducionismos antropol\u00f3gicos de nossa sociedade e cultura, que solicita uma transforma\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o que passe da \u00eanfase no exterior ao interior. Esse giro requer um salto na consci\u00eancia religiosa, mais l\u00facida e desperta, pede hoje uma transforma\u00e7\u00e3o profunda at\u00e9 o Mist\u00e9rio que a envolve e a sustenta.\u00a0 Nesse sentindo, para todas as tradi\u00e7\u00f5es religiosas se aproxima um largu\u00edssimo e frut\u00edfero caminho quando conduz seus fi\u00e9is a uma experi\u00eancia que os levem ao mais \u00edntimo de si, ao encontro com a Realidade \u00daltima.<\/p>\n<p>Por conseguinte, para o di\u00e1logo e encontro inter-religioso, torna-se necess\u00e1ria uma m\u00edstica inter-religiosa e, nesse sentido, faz-se necess\u00e1rio manter e aprofundar o compromisso religioso \u00fanico que \u00e9 pr\u00f3prio para todos os crentes: recuperar a experi\u00eancia de profundo encontro com o absoluto, com Deus. Como afirma Velasco, a \u201cm\u00edstica \u00e9 sempre religiosa e a religi\u00e3o \u00e9 sempre m\u00edstica\u201d (VELASCO, 1999, p. 31.)<\/p>\n<p>Cada religi\u00e3o est\u00e1 em um \u2018entre\u2019: entre Aquele que o precede e Aquele para o que conduz. E cada tradi\u00e7\u00e3o recorre a este \u2018entre\u2019 de um modo diverso, proporcionando um acesso irrepet\u00edvel \u00e0 Realidade primeira e \u00faltima. Cada uma delas \u00e9 portadora de uma aurora \u00fanica, inegoci\u00e1vel e irredut\u00edvel que recorda o Mist\u00e9rio de uma forma insubstitu\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>AMALADOSS, M. <em>\u00a0Pela estrada da vida.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1996.<\/p>\n<p>BINGEMER, Maria C. <em>O mist\u00e9rio e o mundo.<\/em> Paix\u00e3o por Deus em tempos de descren\u00e7a. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.<\/p>\n<p>BOFF, Leonardo. <em>Mestre Eckhart: m\u00edstica de ser e de n\u00e3o ter.<\/em> Petr\u00f3polis: Vozes, 1983.<\/p>\n<p>CATTIN, Yves. <em>A regra crist\u00e3 da experi\u00eancia m\u00edstica. <\/em>In: Concilium 254, n. 4, 1994.<\/p>\n<p>DUPUIS, Jacques. <em>Rumo a uma teologia crist\u00e3 do pluralismo religioso<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1999.<\/p>\n<p>JAMES, William. <em>Las variedades de la vida religiosa. <\/em>Pen\u00ednsula: Barcelona, 1996.<\/p>\n<p>MELLONI, Javier. (org.). <em>El no-lugar del encontro religioso.<\/em> Madri: Trotta, 2008.<\/p>\n<p>MERTON, Thomas<em>. A experi\u00eancia interior:<\/em> notas sobre a contempla\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2007.<\/p>\n<p>PANIKKAR, Raimon.<em> Entre Dieu et le cosmos.<\/em> Entrevista com Gwendoline Jarczyk, Albin Michel: Paris, 1998b.<\/p>\n<p>PANIKKAR, Raimon. <em>Iconos del mist\u00e9rio<\/em>. La experi\u00eancia de Dios. Barcelona: Pen\u00ednsula, 1998a.<\/p>\n<p>PANIKKAR, Raimon. <em>La Trindad.<\/em> Una experi\u00eancia humana primordial. Madri: Siruela, 1999.<\/p>\n<p>PONTIF\u00cdCIO CONSELHO PARA O DI\u00c1LOGO INTER-RELIGIOSO. <em>Di\u00e1logo e An\u00fancio.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1996.<\/p>\n<p>QUEIRUGA, A. Torres. <em>\u00bfQu\u00e9 significa afirmar que Dios habla?<\/em> In: Selecciones de Teologia 34, n. 134, 1995b.<\/p>\n<p>QUEIRUGA, A. Torres. <em>A revela\u00e7\u00e3o de Deus na realiza\u00e7\u00e3o humana. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulus, 1995a.<\/p>\n<p>RONSI, Francilaide de Q.; BINGEMER, Maria Clara L.<em> A m\u00edstica crist\u00e3 e o di\u00e1logo inter-religioso em Thomas Merton e em Raimon Panikkar. Para uma maturidade crist\u00e3 e uma m\u00edstica inter-religiosa. <\/em>Rio de Janeiro, 2014. Tese de Doutorado. Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>TEIXEIRA, Faustino (org.). <em>No limiar do mist\u00e9rio.<\/em> M\u00edstica e religi\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2004.<\/p>\n<p>VELASCO, J. Martin. <em>El fen\u00f3meno m\u00edstico.<\/em> Estudio comparado. Madri: Trotta, 1999.<\/p>\n<p>VELASCO, J. Martin. <em>El malestar religioso de nuestra cultura<\/em>. 2\u00aa Ed. Madrid: Paulinas, 1993.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 A revela\u00e7\u00e3o de Deus 2 O di\u00e1logo inter-religioso 3 A m\u00edstica inter-religiosa Conclus\u00e3o Refer\u00eancias Introdu\u00e7\u00e3o Em um contexto fragmentado e diverso, que marca as sociedades contempor\u00e2neas, percebe-se um forte pluralismo religioso que desafia as diferentes tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Entretanto, essa realidade cria a oportunidade para que essas tradi\u00e7\u00f5es possam chegar a uma maior [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-2781","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2781"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2781\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2782,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2781\/revisions\/2782"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}