
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":2777,"date":"2022-12-30T11:41:04","date_gmt":"2022-12-30T14:41:04","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2777"},"modified":"2024-01-03T14:57:47","modified_gmt":"2024-01-03T17:57:47","slug":"paradigmas-de-la-etica-teologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2777","title":{"rendered":"Paradigmas da \u00c9tica Teol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1Paradigma \u00e9tico do cristianismo nascente<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Paradigma apontado pelo Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Paradigma da intersubjetividade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Paradigma para uma nova mudan\u00e7a epocal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar de paradigmas \u00e9 referir-se a princ\u00edpios que norteiam pensamentos e a\u00e7\u00f5es ou a modelos ou padr\u00f5es que s\u00e3o estabelecidos para indicar um poss\u00edvel conjunto de respostas ou solu\u00e7\u00f5es concretas a perguntas ou problemas que surgem em determinado momento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de paradigma est\u00e1, na verdade, muito associado ao mundo da ci\u00eancia e aos nomes de Thomas Kuhn e Karl Popper, e suas tentativas de compreens\u00e3o do modo como funciona o conhecimento cient\u00edfico. Kuhn indicou que paradigmas s\u00e3o \u201cas realiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e solu\u00e7\u00f5es modelares para uma comunidade de praticantes de uma ci\u00eancia\u201d (KUHN, 1991, p.13). Assim, os paradigmas surgem da concord\u00e2ncia sobre determinados pontos de vista e se configuram como um marco conceitual que possibilita a formula\u00e7\u00e3o de uma determinada teoria que responda a perguntas que s\u00e3o feitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e9tica, reconhecida como ci\u00eancia que investiga atos, atitudes, costumes e valores do ser humano, aqui pensada \u00e0 luz da teologia, tamb\u00e9m se deixou guiar por paradigmas ou modelos de pensamento que se firmaram ao longo da hist\u00f3ria do Ocidente crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta aqui assumida \u00e9 apontar os paradigmas que nortearam e norteiam a constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e pr\u00e1tica da \u00e9tica teol\u00f3gica no passado e no presente, e verificar a crise contempor\u00e2nea desses paradigmas que, de alguma forma, apontam para caminhos ainda n\u00e3o desvendados. Por essa raz\u00e3o, uma breve passagem pela hist\u00f3ria da \u00e9tica teol\u00f3gica se far\u00e1 necess\u00e1ria, mesmo sabendo que contar essa hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o principal desse texto e que um outro verbete poder\u00e1 faz\u00ea-lo mais adequadamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, apontaremos os paradigmas que marcaram alguns tempos espec\u00edficos da hist\u00f3ria da humanidade no Ocidente crist\u00e3o, recordando que cada paradigma \u00e9 um modelo de pensamento que, por sua vez, suscita diferentes modos, m\u00e9todos e sistemas de se fazer teologia moral em cada contexto, gerando atitudes e perspectivas que marcaram a \u00e9tica teol\u00f3gica e a vida dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Paradigma \u00e9tico do cristianismo nascente <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro paradigma a ser recordado \u00e9 o paradigma \u00e9tico do cristianismo primitivo, que nasce com a encarna\u00e7\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9, o Filho de Deus feito Homem. No entanto, \u00e9 preciso lembrar que Jesus, sendo judeu, nasceu em um tempo e em uma cultura determinada, j\u00e1 constitu\u00edda, com valores, normas e costumes consagrados. Temos, nas Sagradas Escrituras, o Antigo ou Primeiro Testamento, com textos que narram o in\u00edcio da Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o que coincide com a hist\u00f3ria do povo judeu. O que nos interessa aqui \u00e9 afirmar, a partir desse texto revelado, que o ethos judeu se ancorava em uma \u00e9tica fundada no \u201c<em>paradigma da Lei<\/em>\u201d: a lei do Sinai, recebida por Mois\u00e9s, os assim chamados dez mandamentos, que foram ampliados para in\u00fameras outras leis, postas com a inten\u00e7\u00e3o de interpretar e detalhar o que precisava ser observado e cumprido pelo povo da Alian\u00e7a. Jesus, como bom judeu, n\u00e3o nega a lei de Mois\u00e9s, mas a atualiza e a amplia, paradoxalmente simplificando-a. Reduz os dez mandamentos e as 613 leis descritas no Pentateuco a duas, que no final se resumem em uma s\u00f3: a lei do amor. Assim, do juda\u00edsmo para Jesus pode-se pensar em uma primeira mudan\u00e7a de paradigma \u00e9tico. Essa mudan\u00e7a, do paradigma da Lei para o \u201c<em>paradigma do Amor<\/em>\u201d, \u00e9 muito importante para que se possa compreender o que se passou depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem no in\u00edcio do cristianismo, quando ainda n\u00e3o existiam formula\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas consistentes e o agir humano era orientado pela tradi\u00e7\u00e3o oral, que traduzia e interpretava os ensinamentos de Jesus, a \u00e9tica que regia as primeiras comunidades crist\u00e3s contemplava as atitudes que mais se aproximavam das palavras e a\u00e7\u00f5es do Mestre Jesus. O paradigma do Amor fundamentava o ethos crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, j\u00e1 no s\u00e9culo I, come\u00e7aram a surgir escritos, que mais tarde foram denominados de Novo ou Segundo Testamento, na composi\u00e7\u00e3o das Sagradas Escrituras. Esses escritos, que trazem os quatro Evangelhos, os Atos dos ap\u00f3stolos e as Cartas, enviadas \u00e0s comunidades crist\u00e3s por Paulo e outros ap\u00f3stolos, s\u00e3o considerados como Revela\u00e7\u00e3o e, por essa raz\u00e3o, fontais e paradigm\u00e1ticos para toda a \u00e9tica que se diz crist\u00e3. Bernhard H\u00e4ring fala de um \u201c<em>Paradigma da Fidelidade Criativa<\/em>\u201d na Igreja apost\u00f3lica, exemplificando-o por fatos descritos sobretudo nos Atos dos Ap\u00f3stolos, quando os disc\u00edpulos de Jesus foram chamados a solucionar conflitos surgidos em raz\u00e3o das diferen\u00e7as culturais entre aqueles que aderiram \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3. Alguns rompimentos criativos que desafiavam a Igreja estabelecida, naquele momento, colocava os ap\u00f3stolos na fidelidade a Jesus e \u00e0 sua proposta evang\u00e9lica (H\u00c4ERING, 1979, p. 36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgiram, no entanto, outros textos entre os s\u00e9culos I e IV. Entre eles se destacam a <em>Didaqu\u00e9<\/em>, os evangelhos chamados ap\u00f3crifos e as homilias e escritos dos Padres da Igreja. Todos esses escritos continham ensinamentos pr\u00e1ticos que indicavam como os crist\u00e3os deviam ser e agir. Pode-se dizer que o paradigma, o modelo ou fundamento, nesse contexto, era tamb\u00e9m o da fidelidade criativa a Jesus e aos valores do Reino por ele anunciado, embora j\u00e1 come\u00e7asse a aparecer aqui, uma certa influ\u00eancia do mundo hel\u00eanico na elabora\u00e7\u00e3o dos textos dedicados \u00e0 exorta\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fil\u00f3sofos como Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles foram fundamentais para uma s\u00edntese entre cristianismo e filosofia grega e para a introdu\u00e7\u00e3o de um novo paradigma que sustentou a \u00e9tica teol\u00f3gica. Santo Agostinho, do s\u00e9culo IV, considerado o maior pensador da antiguidade crist\u00e3 latina, tem seus escritos fortemente marcados pela s\u00edntese feita a partir do encontro do cristianismo com o platonismo. Santo Tom\u00e1s de Aquino, j\u00e1 no s\u00e9culo XIII, utiliza as categorias aristot\u00e9licas na explicita\u00e7\u00e3o de sua teologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O te\u00f3logo Jos\u00e9 Roque Junges (2004) prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre os paradigmas do pensamento que podem ajudar a pensar seu impacto na formula\u00e7\u00e3o de paradigmas \u00e9ticos. Segundo ele, a hist\u00f3ria do pensamento ocidental pode ser vista e estudada a partir de tr\u00eas paradigmas: o <em>\u201cparadigma do ser\u201d, <\/em>o<em> \u201cparadigma da consci\u00eancia\u201d <\/em>e o<em> \u201cparadigma da linguagem\u201d.<\/em> Cada um desses paradigmas se apresenta como um quadro referencial, uma l\u00f3gica que rege a reflex\u00e3o e a vida, correspondendo a um discurso \u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo sua reflex\u00e3o, pode-se compreender que o \u201c<em>Paradigma do Ser<\/em>\u201d, tamb\u00e9m considerado como o \u201c<em>paradigma da natureza<\/em>\u201d, \u00e9 aquele que se fez presente na Antiguidade e na Idade M\u00e9dia, e que tem como ci\u00eancia de fundo a metaf\u00edsica. Seu \u201cobjetivo b\u00e1sico \u00e9 a explicita\u00e7\u00e3o do ser de todas as coisas\u201d e, para isso, busca uma aproxima\u00e7\u00e3o com a natureza das coisas. Esse paradigma tem a pretens\u00e3o, na verdade, de \u201ccaptar o que \u00e9 permanente na apar\u00eancia passageira da realidade e tornar claro qual o princ\u00edpio explicativo ou a ess\u00eancia que serve de suporte \u00e0 exist\u00eancia das coisas\u201d (JUNGES, 2004, p. 11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A antiguidade crist\u00e3, como sabido, sofreu uma forte influ\u00eancia do paradigma plat\u00f4nico, que pode ser considerado idealista ou essencialista, pois aposta em um mundo onde as ideias existem em si e por si e s\u00e3o consideradas realidades universais, eternas e imut\u00e1veis. S\u00e3o essas ideias que sustentam, como modelo, a exist\u00eancia das coisas no mundo sens\u00edvel, do qual o ser humano participa. A \u00e9tica crist\u00e3, que se delineia sob esse paradigma, sobretudo a partir dos escritos de Santo Agostinho, sabidamente plat\u00f4nico, \u00e9 uma \u00e9tica idealista, que despreza o mundo real, \u00e9 dualista, pois considera o ser humano fraturado sob a \u00f3tica da oposi\u00e7\u00e3o\/exclus\u00e3o entre corpo e alma, e pessimista em rela\u00e7\u00e3o a esse ser humano e sua hist\u00f3ria, pois na participa\u00e7\u00e3o do mundo sens\u00edvel ele \u00e9 apenas uma c\u00f3pia imperfeita do que deveria ser e por isso n\u00e3o consegue realizar o bem que almeja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo medieval, sobretudo no contexto escol\u00e1stico, a influ\u00eancia \u00e9 de Arist\u00f3teles. O paradigma aristot\u00e9lico \u00e9 empirista e realista, pois tem como base a realidade do mundo habitado. Tom\u00e1s de Aquino retoma o aristotelismo, que apresenta a lei natural como aquela que define o ser humano, o qual, em sua ess\u00eancia, \u00e9 um ser racional. Assim, a reta raz\u00e3o se dedica a descobrir e a explicitar as inclina\u00e7\u00f5es da natureza humana, que tende a buscar a felicidade. Essa felicidade s\u00f3 pode ser encontrada na pr\u00e1tica do bem agir, que s\u00f3 acontece se o agir for virtuoso. Assim, \u201ca moral, neste paradigma, \u00e9 essencialmente uma moral de conte\u00fados que conduzem \u00e0 felicidade e s\u00e3o descobertos pela reta raz\u00e3o, explicitados no ethos e interiorizados pela virtude\u201d (JUNGES, 2004, p. 11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marciano Vidal, em seu intento de reconstituir e classificar os modelos da \u00e9tica teol\u00f3gica, fala de quatro \u00e9pocas, pensadas a partir de alguns pontos nevr\u00e1lgicos que, segundo ele, oferecem base para a constru\u00e7\u00e3o dos modelos morais. S\u00e3o elas: a patr\u00edstica, a medieval, configurada, sobretudo, pela pr\u00e1xis penitencial, a do renascimento tomista e a da casu\u00edstica, etapa essa que j\u00e1 estava presente nos tempos modernos, come\u00e7ando no Conc\u00edlio de Trento e terminando no Conc\u00edlio Vaticano II (VIDAL, 1986, p. 99).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com Junges \u00e9 poss\u00edvel afirmar que o paradigma tradicional, aqui apresentado como o \u201c<em>Paradigma do Ser\u201d<\/em><strong>,<\/strong> n\u00e3o responde aos novos desafios trazidos pelo sujeito moderno, marcado pela perspectiva hist\u00f3rica, e que seus pressupostos obedeciam a um modo de pensar superado e incompreens\u00edvel aos homens e mulheres da \u00e9poca em que surgiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma dire\u00e7\u00e3o, Marciano Vidal fala de \u201cfundamenta\u00e7\u00f5es insuficientes da \u00e9tica crist\u00e3\u201d, que geraram \u201cformas incorretas de viv\u00eancia moral\u201d (VIDAL, 1986, p. 179). Ele apresenta em dois grupos os modelos que denomina incorretos ou insuficientes, com os quais se formulou e se viveu a \u00e9tica crist\u00e3: os modelos baseados na heteronomia e os modelos baseados na natureza humana normativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vidal descreve da seguinte maneira os modelos \u00e9ticos baseados na heteronomia: s\u00e3o modelos morais baseados na \u201cproibi\u00e7\u00e3o\u201d, no tabu (fundamenta\u00e7\u00e3o m\u00e1gico-tabu); no mito (com uma fundamenta\u00e7\u00e3o m\u00edtico-ritualista); na \u201cobriga\u00e7\u00e3o extr\u00ednseca\u201d (de car\u00e1ter voluntarista, que destaca duas formas mediadoras da moral: o voluntarismo nominalista e o casu\u00edsmo); no \u201cestabelecido\u201d (fundamenta\u00e7\u00e3o no positivismo sociol\u00f3gico) e na \u201cutilidade\u201d (fundamenta\u00e7\u00e3o utilitarista).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda segundo Vidal, os modelos \u00e9ticos baseados na \u201cnatureza humana normativa\u201d s\u00e3o os de car\u00e1ter ontol\u00f3gico-abstrato, baseados na ideia de \u201clei natural\u201d, e os de inspira\u00e7\u00e3o f\u00edsico-biol\u00f3gica, baseados na ideia de \u201cordem natural\u201d (VIDAL, 1986, p. 180-197).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bernhard H\u00e4ring tamb\u00e9m aponta a insufici\u00eancia desse paradigma \u201ctradicional\u201d. Segundo ele, uma teologia moral desse tipo (de tend\u00eancia legalista e orientada para a solu\u00e7\u00e3o de casos no confession\u00e1rio), que acabou produzindo sistemas morais como o tuciorismo, o rigorismo, o probabiliorismo, o probabilismo e o laxismo, \u201cn\u00e3o mais podia favorecer os exemplos de discipulado, daquela justi\u00e7a que prov\u00e9m da a\u00e7\u00e3o justificadora de Deus e da resposta de amor ao seu chamado, para que a pessoa se torne cada vez mais a imagem e semelhan\u00e7a de sua pr\u00f3pria miseric\u00f3rdia\u201d (H\u00c4ERING, 1979, p. 50-51).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se dizer ent\u00e3o, que h\u00e1 um certo consenso entre os te\u00f3logos moralistas de que o paradigma metaf\u00edsico n\u00e3o mais respondia \u00e0s quest\u00f5es trazidas pela modernidade e que um novo paradigma que sustentasse a \u00e9tica crist\u00e3 precisaria ser encontrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Paradigma apontado pelo Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltando a Junges, vamos verificar o segundo paradigma do pensamento moral proposto por sua leitura o da <em>\u201cConsci\u00eancia ou do sujeito\u201d.<\/em> Esse paradigma se firma em fun\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a epocal que acaba por separar o tempo anterior de um novo tempo, denominado pelos autores de Modernidade. Nesse tempo deu-se a virada antropoc\u00eantrica que trouxe o sujeito para o centro de todas as reflex\u00f5es e da elabora\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o do mundo e dos valores. N\u00e3o mais Deus, nem o cosmos, mas o ser humano, \u00e9 agora considerado o principal figurante de um mundo a ser ordenado, manipulado e constru\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, \u201ca cr\u00edtica do conhecimento ocupa o lugar da metaf\u00edsica como ci\u00eancia mestra. O \u00fanico conhecimento verdadeiro aceit\u00e1vel pela cr\u00edtica \u00e9 o adquirido pelo m\u00e9todo da ci\u00eancia\u201d, que, n\u00e3o por acaso, \u00e9 feita pelo sujeito pensante (JUNGES, 2004, p. 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A modernidade, portanto, significou a supera\u00e7\u00e3o do paradigma da heteronomia e da determina\u00e7\u00e3o da natureza e trouxe a introdu\u00e7\u00e3o do contrato social, baseado n\u00e3o mais numa lei universal, mas na \u201clei constitu\u00edda pela vontade geral\u201d. A lei, assim, n\u00e3o \u00e9 mais resultante de uma imposi\u00e7\u00e3o heter\u00f4noma, mas da aceita\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma das consci\u00eancias que pensam e decidem por sua pr\u00f3pria conta. A a\u00e7\u00e3o moral considerada boa \u00e9 aquela que corresponde \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o positiva das consci\u00eancias aut\u00f4nomas que assim a decidiram. Segundo Junges, estamos diante de uma \u201c\u00e9tica da consci\u00eancia aut\u00f4noma como base para a obrigatoriedade da lei\u201d (JUNGES, 2004, p. 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito cat\u00f3lico, o Conc\u00edlio Vaticano II foi o principal respons\u00e1vel pela introdu\u00e7\u00e3o desse modo de ser e pensar na reflex\u00e3o \u00e9tica. Ele compreende a mudan\u00e7a epocal que desemboca na modernidade e coloca a escuta dos \u201csinais dos tempos\u201d como m\u00e9todo imprescind\u00edvel para se fazer teologia e viver a f\u00e9. Desse modo, a partir da observa\u00e7\u00e3o de novos tempos e costumes, a \u00e9tica teol\u00f3gica precisou ser repensada, longe dos pressupostos metaf\u00edsicos, do legalismo, do juridicismo, do rigorismo e da casu\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante lembrar que, mesmo antes do Conc\u00edlio, as intui\u00e7\u00f5es que nele foram expressas j\u00e1 se faziam presentes e foram afirmadas por grandes te\u00f3logos. Como exemplo podemos citar os te\u00f3logos jesu\u00edtas que, segundo H\u00e4ring, \u201cpercebiam, com grande perspic\u00e1cia, que um n\u00famero demasiado grande de leis e de san\u00e7\u00f5es sufocava a liberdade e a criatividade do fiel\u201d. Tamb\u00e9m Santo Afonso de Lig\u00f3rio, continua o grande te\u00f3logo moralista da \u00e9poca do Conc\u00edlio, ao trazer o equiprobabilismo como alternativa aos sistemas morais anteriores, apontava para o seguinte:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">quando uma consci\u00eancia reta tem uma quantidade igual ou quase igual de boas raz\u00f5es para o uso criativo da liberdade, visando a necessidades presentes, ela n\u00e3o est\u00e1 obrigada pela lei que, em si mesma ou em sua aplica\u00e7\u00e3o concreta, \u00e9 duvidosa (H\u00c4ERING, 1979, p. 53).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas e outras intui\u00e7\u00f5es, apresentadas no s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, associadas \u00e0s mudan\u00e7as civilizat\u00f3rias, deram ao Conc\u00edlio a base para suas reflex\u00f5es e propostas. Nesse sentido, a recomenda\u00e7\u00e3o conciliar de \u201cvolta \u00e0s fontes\u201d, era um apelo a que a \u00e9tica teol\u00f3gica tivesse como fundamento principal a Sagrada Escritura e n\u00e3o mais o Direito. Isso para que os crist\u00e3os pudessem revelar ao mundo e no mundo sua ades\u00e3o a Jesus Cristo e \u00e0 sua proposta de implanta\u00e7\u00e3o do Reino de amor. No Decreto <em>Optatam Totius,<\/em> do Conc\u00edlio, pode ser encontrada essa recomenda\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ponha-se especial cuidado em aperfei\u00e7oar a teologia moral, cuja exposi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, <em>mais alimentada pela Sagrada Escritura<\/em>, deve revelar a grandeza da voca\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is em Cristo e a sua obriga\u00e7\u00e3o de dar frutos na caridade para vida do mundo (OT 16, grifo nosso).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A import\u00e2ncia da ci\u00eancia e a for\u00e7a da autonomia do sujeito pensante tamb\u00e9m foram reconhecidas, fazendo com que a \u00e9tica crist\u00e3 assumisse, como lugar teol\u00f3gico, a consci\u00eancia individual e a reciprocidade das consci\u00eancias. A Constitui\u00e7\u00e3o pastoral <em>Gaudium et Spes<\/em>, tamb\u00e9m do Conc\u00edlio, traz um par\u00e1grafo fundamental para a compreens\u00e3o desse paradigma. Na retomada de um pequeno trecho pode-se perceber sua import\u00e2ncia e alcance:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">[&#8230;] A consci\u00eancia \u00e9 o centro mais secreto e o santu\u00e1rio do homem, no qual se encontra a s\u00f3s com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser. Gra\u00e7as \u00e0 consci\u00eancia, revela-se de modo admir\u00e1vel aquela lei que se realiza no amor de Deus e do pr\u00f3ximo. Pela fidelidade \u00e0 voz da consci\u00eancia, os crist\u00e3os est\u00e3o unidos aos demais homens, no dever de buscar a verdade e de nela resolver tantos problemas morais que surgem na vida individual e social [&#8230;] (GS 16).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio provoca, ent\u00e3o, um exame autocr\u00edtico dos princ\u00edpios norteadores da \u00e9tica teol\u00f3gica e faz alguns deslocamentos: da perspectiva \u201cest\u00e1tica para a din\u00e2mica, da teoria para a pr\u00e1tica, da lei para a consci\u00eancia\u201d (ORDU\u00d1A; ASPITARTE; BASTERRA, 1980, p. 91). Segundo esses autores, o que se verifica \u00e9 uma \u201creconvers\u00e3o a Cristo, como princ\u00edpio entitativo, \u00e0 Sagrada Escritura, como princ\u00edpio primordial de conhecimento, e \u00e0 Caridade, como princ\u00edpio operativo da conduta moral\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bernhard H\u00e4ring, padre conciliar, teve uma grande influ\u00eancia nas reflex\u00f5es que aconteceram em torno do Vaticano II e prop\u00f5e, nesse contexto, para a \u00e9tica teol\u00f3gica, o <em>\u201cparadigma personalista B\u00edblico-Crist\u00e3o\u201d. <\/em>Esse paradigma tem a caracter\u00edstica de trazer para o centro da reflex\u00e3o \u00e9tica a pessoa de Jesus Cristo, Deus e homem. Como bem expressa H\u00e4ring, retomando Bonhoeffer, \u201co ponto de partida para a \u00e9tica crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 a realidade de nosso pr\u00f3prio ser, nem \u00e9 a realidade dos padr\u00f5es e dos valores. \u00c9 a realidade de Deus, como ele se revelou em Jesus Cristo\u201d (H\u00c4ERING, 1979, p. 62). Jesus \u00e9 o prot\u00f3tipo do que devemos ser, da resposta que devemos dar a Deus que nos chama \u00e0 vida. Suas palavras e a\u00e7\u00f5es devem guiar o agir de cada pessoa no espa\u00e7o que habita e no tempo em que vive. Assim, para esse paradigma, o antropocentrismo gira em torno de Jesus de Nazar\u00e9, o homem exemplar, a revela\u00e7\u00e3o da humanidade em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante tamb\u00e9m lembrar que o <a href=\"https:\/\/conceitos.com\/movimento\/\">paradigma<\/a>\u00a0personalista do s\u00e9culo XX teve sua inspira\u00e7\u00e3o em Tom\u00e1s de Aquino, que tem uma importante reflex\u00e3o sobre a no\u00e7\u00e3o de pessoa. Como ele concebe a natureza humana como racional e afirma que cada indiv\u00edduo \u00e9 uma pessoa, seu pensamento permite considerar o ser humano\u00a0como um ser criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, \u00e9tico e livre, que pode distinguir entre o bem e o mal e decidir o rumo de sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o personalismo proposto por H\u00e4ring traz \u00e0 tona quatro palavras indispens\u00e1veis: liberdade, fidelidade, responsabilidade e criatividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dessas palavras, o autor prop\u00f5e algumas passagens importantes que aconteceram nessa mudan\u00e7a de paradigma, como por exemplo: da elei\u00e7\u00e3o como prest\u00edgio ao chamado para ser sinal; da idolatria \u00e0 fidelidade \u00e0 verdade; da escravid\u00e3o das normas \u00e0 liberdade da Lei do amor; da obedi\u00eancia cega \u00e0 responsabilidade criativa; do casu\u00edsmo legalista \u00e0 moralidade da Alian\u00e7a e das Bem-aventuran\u00e7as (MILLEN, 2005, p. 135-188).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas teses de doutoramento foram feitas e muitas obras foram escritas a partir do pensamento de H\u00e4ring, que trabalhou exaustivamente para que esse novo paradigma \u00e9tico, atento \u00e0s necessidades dos novos tempos e, ao mesmo tempo, atento \u00e0s ra\u00edzes crist\u00e3s mais origin\u00e1rias, pudesse ser implementado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de trazer uma mudan\u00e7a necess\u00e1ria e frut\u00edfera, o paradigma personalista, que deu ensejo \u00e0 chamada Moral Renovada, foi considerado, por alguns te\u00f3logos, como insuficiente (VIDAL, 1986, p. 200). Roque Junges prefere falar em lacunas e n\u00e3o em insufici\u00eancias. Segundo ele, a Moral Renovada, fundada em uma \u00e9tica personalista,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">apresenta uma vis\u00e3o ing\u00eanua e simplista da sociedade moderna, n\u00e3o dando aten\u00e7\u00e3o ao conflito e \u00e0 injusti\u00e7a, n\u00e3o levando em considera\u00e7\u00e3o a complexidade da realidade atual. Caracteriza-se, igualmente, por uma concep\u00e7\u00e3o otimista do mundo, olvidando a realidade do mal e do pecado e desconhecendo as din\u00e2micas culturais que movem os processos sociais e pol\u00edticos [&#8230;] n\u00e3o consegue captar a complexidade da a\u00e7\u00e3o humana contextualizada. [&#8230;] Parte de um ser humano fora do seu contexto sociocultural. N\u00e3o tem uma perspectiva social que pensa com base nas maiorias marginalizadas. Os ouvidos n\u00e3o est\u00e3o abertos ao grito dos pobres que se torna sempre mais ensurdecedor. Por isso n\u00e3o consegue captar a complexidade da a\u00e7\u00e3o humana contextualizada (JUNGES, 2005, p. 21).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em raz\u00e3o dessas cr\u00edticas e do apontamento das lacunas e insufici\u00eancias, surgiram, em alguns contextos, sobretudo onde as desigualdades e injusti\u00e7as produziram pobrezas e sofrimentos eticamente inaceit\u00e1veis, outros modos de se fazer teologia, outras correntes teol\u00f3gicas, como por exemplo a Teologia do Povo e a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, geradas na Am\u00e9rica Latina, a Teologia Feminista e as quest\u00f5es de g\u00eanero, a Ecoteologia, entre outras. Esses modelos teol\u00f3gicos trazem uma metodologia baseada no ver, julgar e agir, que muito ajuda na compreens\u00e3o do ethos dos povos e da din\u00e2mica da vida que sustenta projetos sociais e pol\u00edticos. Assim sendo, influenciaram na reflex\u00e3o \u00e9tica e na moral a ser vivida, mas, por raz\u00f5es a serem revisitadas, n\u00e3o foram bem compreendidos por alguns e em certos contextos at\u00e9 rejeitados. \u00c9 poss\u00edvel dizer que eles tamb\u00e9m s\u00e3o frutos da reflex\u00e3o conciliar, mais subliminar, menos publicizada e vivida, e que se inserem no terceiro paradigma da \u00e9tica teol\u00f3gica no mundo cat\u00f3lico, denominado por Roque Junges como o <em>da Linguagem ou da Intersubjetividade.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Paradigma da intersubjetividade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse paradigma introduz a perspectiva intersubjetiva e por isso rompe com a tend\u00eancia antropoc\u00eantrica e individualista do paradigma anterior. A linguagem, como meio de express\u00e3o de nossas viv\u00eancias, se torna um mecanismo b\u00e1sico para o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Assim, a comunica\u00e7\u00e3o pela linguagem, fundamentada entre sujeitos que refletem, passa a ser o eixo sobre o qual se constr\u00f3i o pensamento. J\u00fcrgen Habermas \u00e9 um dos autores que corroboram esse paradigma. Ele traz uma \u00c9tica do Discurso, cujo eixo \u00e9 a Teoria da A\u00e7\u00e3o Comunicativa. Essa teoria prop\u00f5e que se escolha valores e se busque a verdade a partir de uma l\u00f3gica racional intersubjetiva que trabalha com a suposi\u00e7\u00e3o de que existem normas racionalmente valid\u00e1veis (HABERMAS, 2012). \u201cA verdade passa a ser, ent\u00e3o, fruto de um consenso constru\u00eddo pela comunidade de comunica\u00e7\u00e3o onde todos t\u00eam a priori acesso \u00e0 palavra\u201d (JUNGES, 2005, p. 13). Nesse contexto, consensos, que podem ser m\u00ednimos ou at\u00e9 provis\u00f3rios, s\u00e3o buscados e aceitos e se apresentam como necess\u00e1rios \u00e0 vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se pode esquecer aqui tamb\u00e9m a contribui\u00e7\u00e3o de L\u00e9vinas, que traz para a reflex\u00e3o a quest\u00e3o da alteridade. Seu pensamento est\u00e1 organizado em torno de uma \u00e9tica dial\u00f3gica, que se contrap\u00f5e ao paradigma puramente personalista, que \u00e9 monol\u00f3gico, autocentrado.\u00a0Para L\u00e9vinas, quando o outro \u00e9 percebido como Alteridade, se torna fonte das grandes experi\u00eancias de vida e base genu\u00edna da \u00e9tica. Assim, a \u00e9tica, no horizonte da alteridade, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais pensada em fun\u00e7\u00e3o do protagonismo do sujeito pensante, mas da sua rela\u00e7\u00e3o com um outro, com um rosto que convoca, que pede uma resposta (LEVINAS, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da import\u00e2ncia e da atualidade desse paradigma, que traz para o centro a intersubjetividade, o que se pode perceber \u00e9 que a contemporaneidade vive um momento \u00edmpar, marcado por uma crise de sentido que est\u00e1 a suscitar uma outra mudan\u00e7a epocal. \u00a0Essa mudan\u00e7a se encontra em plena realiza\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o conclu\u00edda e provisoriamente nomeada por alguns de p\u00f3s-modernidade ou modernidade tardia. Estamos em plena crise civilizat\u00f3ria. As transforma\u00e7\u00f5es observadas nos \u00faltimos sessenta anos correspondem a uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o do conhecimento e de sua aplicabilidade, com perspectivas in\u00e9ditas ainda a serem implementadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vive-se hoje, entre outras, uma crise da raz\u00e3o que atinge a ci\u00eancia, a concep\u00e7\u00e3o de conhecimento e de mundo. A constata\u00e7\u00e3o da complexidade de todas as coisas exigiu que se trabalhasse a partir de especializa\u00e7\u00f5es que, pela redu\u00e7\u00e3o, separaram para conhecer melhor e, por isso, trouxeram uma vis\u00e3o simplificadora da realidade e uma dilui\u00e7\u00e3o do todo. A vis\u00e3o de conjunto ficou rarefeita e as rela\u00e7\u00f5es que intercorrem entre os diferentes elementos que comp\u00f5em a realidade ficaram obscurecidas. Assim, a fragilidade do pensamento fragmentado, a desconfian\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o aos sistemas institu\u00eddos, o cansa\u00e7o, a apatia, a desilus\u00e3o e a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o perten\u00e7a e de impot\u00eancia diante da vida s\u00e3o sentimentos generalizados que passam a moldar um novo ethos, que reclama uma nova \u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A contemporaneidade tem sido descrita por muitos autores atrav\u00e9s de met\u00e1foras e express\u00f5es que retratam o vivido. Entre outras temos a de \u201cmundo l\u00edquido\u201d (BAUMAN, 2001), \u201csociedade do cansa\u00e7o\u201d (HAN, 2017), \u201cmundo da p\u00f3s-verdade\u201d, do \u201cp\u00f3s-humano\u201d. Essas met\u00e1foras e express\u00f5es sugerem a necessidade de novos paradigmas para se pensar a vida e o agir. Talvez o que possa fazer jus a esse tempo ainda incompreendido, seja o \u201c<em>Paradigma da Complexidade<\/em>\u201d, trazido por Edgard Morin. Os desafios desse modelo de pensamento est\u00e3o bem explicitados em seu livro <em>Ci\u00eancia com consci\u00eancia<\/em> (MORIN, 2005) e sintetizados por Roque Junges (JUNGES, 2005, p. 22-23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse paradigma coloca o ser humano diante de um mundo plural, n\u00e3o compreens\u00edvel atrav\u00e9s de um \u00fanico eixo de pensamento. Coloca-o diante do imprevis\u00edvel, do caminho que deve ser feito ao caminhar e n\u00e3o daquele dado antecipadamente; coloca-o diante de si mesmo e de sua impot\u00eancia e vulnerabilidade; coloca-o diante da constata\u00e7\u00e3o de um mundo interligado, interconectado e, por isso, talvez seja esse o paradigma que a \u00c9tica Teol\u00f3gica tenha que assumir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Paradigma para uma nova mudan\u00e7a epocal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Propor um novo paradigma \u00e9tico em um tempo t\u00e3o complexo, n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil, mas alguns aportes podem ser \u00fateis para que aos poucos se possa sair dessa situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica para um tempo em que o complicado possa ser harmonizado e a vida se apresente mais venturosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo Junges,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atual complexidade do contexto sociocultural e do agir dos indiv\u00edduos exige um novo paradigma de compreens\u00e3o da pr\u00f3pria \u00e9tica teol\u00f3gica, se a mensagem crist\u00e3 quiser continuar a ter alguma incid\u00eancia no cotidiano das pessoas e na realidade social. O paradigma da complexidade organiza o conhecimento em novos moldes mais adequados para entender situa\u00e7\u00f5es complexas, frutos de multivariadas inter\/retrorela\u00e7\u00f5es. Ele ajuda a superar uma vis\u00e3o manique\u00edsta que n\u00e3o sabe levar em considera\u00e7\u00e3o essa variedade de elementos e dimens\u00f5es, englobando a pr\u00f3pria desordem na ordem, o desequil\u00edbrio no equil\u00edbrio. A \u00e9tica teol\u00f3gica necessita de um choque epistemol\u00f3gico (JUNGES, 2005, p. 27).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse choque epistemol\u00f3gico pode ajudar na revisita\u00e7\u00e3o da novidade do pr\u00f3prio cristianismo que, deturpado por interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas e por acr\u00e9scimos indevidos, serviu e ainda serve para justificar modelos \u00e9ticos que n\u00e3o conseguem mais responder \u00e0s perguntas de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, propor um paradigma \u00e9tico para esse tempo complexo e mutante se faz necess\u00e1rio e o \u201c<em>Paradigma do Cuidado<\/em>\u201d pode ser uma aposta plaus\u00edvel. Esse paradigma, explicitado por Leonardo Boff no livro <em>Saber cuidar.<\/em> \u00c9tica do humano \u2013 compaix\u00e3o pela terra, permite a apreens\u00e3o da complexidade do ser humano, como ser vivo em rela\u00e7\u00e3o com todos os outros seres criados. Permite tamb\u00e9m o reconhecimento da complexidade do agir humano, levando em conta as circunst\u00e2ncias existenciais e a conex\u00e3o entre tudo o que existe, e permite ainda a constru\u00e7\u00e3o de um caminho \u00e9tico que contemple a volta \u00e0 Lei do amor, proposta l\u00e1 no in\u00edcio por Jesus de Nazar\u00e9. O paradigma do cuidado traz como eixo a corresponsabilidade terna e cuidadosa pela vida de todos e todas e por toda a vida que existe, na din\u00e2mica da paraclese, que se funda no Esp\u00edrito que cuida, consola, sustenta, inspira e nos leva a esperan\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um mundo desagregado e desorientado por in\u00fameras guerras e polariza\u00e7\u00f5es, pela indiferen\u00e7a que fere, pela competi\u00e7\u00e3o que exclui o outro, pela depreda\u00e7\u00e3o da casa que \u00e9 comum a todos e que constitui a \u00fanica possibilidade de sobreviv\u00eancia para a esp\u00e9cie humana e para toda a cria\u00e7\u00e3o, mais que nunca a corresponsabilidade solid\u00e1ria e a fraternidade universais s\u00e3o urgentes. Assim, a \u00e9tica crist\u00e3 n\u00e3o se configura mais como aquela que deve garantir determinadas condutas ditadas por regras fixadas desde sempre, mas como aquela capaz de buscar a experi\u00eancia do amor, reinventado e recriando de novo, a cada vez. \u00c9 o amor que possibilita o sentimento de irmandade universal, proposto por Francisco de Assis e por Francisco de Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco diz assim:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fratelli tutti:\u00a0escrevia S\u00e3o Francisco de Assis, dirigindo-se a seus irm\u00e3os e irm\u00e3s para lhes propor uma forma de vida com sabor a Evangelho. Destes conselhos, quero destacar o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espa\u00e7o; nele declara feliz quem ama o outro, \u201co seu irm\u00e3o, tanto quando est\u00e1 longe, como quando est\u00e1 junto de si\u201d.\u00a0Com poucas e simples palavras, explicou o essencial de uma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade f\u00edsica, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita (FT 1).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor \u00e9 cuidadoso, n\u00e3o aceita a viol\u00eancia e \u00e9 caminho seguro para a cura e a paz. Esse \u00e9, portanto, um paradigma terap\u00eautico, t\u00e3o necess\u00e1rio a um mundo adoecido e fraco na esperan\u00e7a, a um mundo que passa por turbul\u00eancias e gera pessoas enfermas e desoladas. Boff diz que a categoria \u201ccuidado\u201d \u00e9 um modo de ser que mostra como funciona bem o ser humano enquanto tal, diferentemente das m\u00e1quinas. E esse modo n\u00e3o vem da raz\u00e3o, das estruturas de compreens\u00e3o, mas do sentimento, da capacidade de ternura, de compaix\u00e3o, de empatia, de dedica\u00e7\u00e3o, de comunh\u00e3o com o diferente (BOFF, 1999, 2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez n\u00e3o fosse importante pensar agora em paradigmas do pensamento, embora eles tenham seu lugar e tenham sido extremamente \u00fateis para nortear o que se viveu at\u00e9 aqui, mas pensar e assumir os paradigmas do cora\u00e7\u00e3o, paradigmas que tenham como eixo n\u00e3o o <em>logos, mas <\/em>o <em>pathos<\/em>, o sentimento cordial que nos constitui humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u201c<em>paradigma do cuidado\u201d <\/em>nos possibilita olhar para v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es do tempo presente que clamam por solu\u00e7\u00f5es mais justas. Uma delas \u00e9 a urgente necessidade da retomada de uma \u00e9tica ecol\u00f3gica que resgate os valores necess\u00e1rios \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o da casa comum, da m\u00e3e terra, t\u00e3o desgastada e depredada pelo consumismo e pela gan\u00e2ncia sem limites. O planeta terra est\u00e1 esgotado e dando mostras de que n\u00e3o suporta mais ser espoliado. A consci\u00eancia de que seus recursos n\u00e3o s\u00e3o infinitos ainda n\u00e3o \u00e9 uma aquisi\u00e7\u00e3o de todos, por isso a educa\u00e7\u00e3o ambiental precisa ser assumida para ajudar no crescimento da consci\u00eancia do bem comum, da solidariedade, da responsabilidade de cada um e de todos por tudo aquilo que diz respeito \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da vida na terra. O Papa Francisco vai al\u00e9m. Ele nos prop\u00f5e uma ecologia integral, aquela que assume o cuidado para com tudo o que \u00e9 fr\u00e1gil, aquela que olha para as necessidades da terra, mas tamb\u00e9m para as de todos que a habitam. Ele nos conclama a encontrar solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 t\u00e9cnicas, racionais, mas aquelas que contemplem as mudan\u00e7as que precisam acontecer no ser humano, mudan\u00e7as de mentalidade, mudan\u00e7as de h\u00e1bitos, mudan\u00e7as na l\u00f3gica do viver. H\u00e1 necessidade de um processo educativo que nos leve a isso. Um pequeno trecho de sua Enc\u00edclica <em>Laudato si <\/em>nos ajuda<em>:<\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o ambiental tem vindo ampliar os seus objetivos. Se, no come\u00e7o, estava muito centrada na informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e na conscientiza\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o dos riscos ambientais, agora tende a incluir uma cr\u00edtica dos \u201cmitos\u201d da modernidade baseados na raz\u00e3o instrumental (individualismo, progresso ilimitado, concorr\u00eancia, consumismo, mercado sem regras) e tende tamb\u00e9m a recuperar os distintos n\u00edveis de equil\u00edbrio ecol\u00f3gico: o interior consigo mesmo, o solid\u00e1rio com os outros, o natural com todos os seres vivos, o espiritual com Deus. A educa\u00e7\u00e3o ambiental deveria predispor-nos para dar este salto para o Mist\u00e9rio, do qual uma \u00e9tica ecol\u00f3gica recebe o seu sentido mais profundo. Al\u00e9m disso, h\u00e1 educadores capazes de reordenar os itiner\u00e1rios pedag\u00f3gicos duma \u00e9tica ecol\u00f3gica, de modo que ajudem efetivamente a crescer na solidariedade, na responsabilidade e no cuidado assente na compaix\u00e3o (LS 210)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim pode-se dizer que o <em>paradigma do cuidado<\/em> aponta para essa nova l\u00f3gica, para uma \u00e9tica ampliada, que contempla outros sujeitos e permite um modo novo de estar no mundo diante dos outros humanos, diante da natureza e diante de Deus, sonhando com um mundo modificado, mais acolhedor e mais saud\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma outra situa\u00e7\u00e3o do nosso tempo, que n\u00e3o pode ser olvidada, \u00e9 a passagem da era anal\u00f3gica para a digital, uma passagem ainda n\u00e3o assimilada nas suas consequ\u00eancias tanto positivas quanto negativas. A tecnologia digital nos moveu para um outro universo do conhecimento, que traz a m\u00e1quina \u201cinteligente\u201d para o centro da reflex\u00e3o. Isso exige um repensamento do lugar do ser humano no mundo atual. Paolo Benanti nos diz que o ser humano n\u00e3o est\u00e1 se transformando, mas o que est\u00e1 mudando \u00e9 o modo como o ser humano se v\u00ea e se descreve e que ainda \u00e9 preciso estabelecer uma diferen\u00e7a entre a m\u00e1quina, que funciona e o ser humano, que existe. Isso n\u00e3o \u00e9 pouco. Diz ele:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos chamados a nos perguntar sobre como nos valer da m\u00e1quina para que o humano seja cada vez mais humano, para que o cuidado do pr\u00f3ximo, sobretudo do \u00faltimo, do fr\u00e1gil e do fraco, ocorra da melhor maneira poss\u00edvel e para que o bem, buscado com livre determina\u00e7\u00e3o, seja verdadeiro (BENANTI, 2000).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante desse horizonte, somos chamados a recuperar o sentido profundo de existirmos como sujeitos \u00e9ticos, seres humanos conscientes do bem e do mal e capazes de escolher o bem. As palavras que aparecem quando se junta \u00e9tica e mundo digital s\u00e3o: dignidade humana, justi\u00e7a equitativa, responsabilidade, transpar\u00eancia, inclus\u00e3o, seguran\u00e7a e solidariedade. O <em>Paradigma do Cuidado<\/em> consegue dar conta dessa tarefa. O cuidado com o que existe em um mundo onde o que vale \u00e9 o que funciona se torna cada vez mais necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do exposto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel elaborar uma conclus\u00e3o. Tudo est\u00e1 em aberto, tudo pode ser repensado, a partir de uma \u2018cultura do encontro\u2019, do di\u00e1logo entre humanos que se tratem n\u00e3o como s\u00f3cios, mas como irm\u00e3os, respeitando as diferen\u00e7as e renunciando a compreender de modo fixista e monol\u00edtico a realidade dada. O convite que fica \u00e9 que a reflex\u00e3o continue, sem deixar que se perca o fundamento da proposta inicial feita por Jesus de Nazar\u00e9 e que a crise atual possa ser momento prop\u00edcio para crescimento e matura\u00e7\u00e3o na busca de caminhos que apontem sa\u00eddas promissoras e, talvez, outros paradigmas \u00e9ticos que deem conta de novas realidades ainda n\u00e3o compreendidas e integradas. A esperan\u00e7a n\u00e3o pode esmorecer e deixar que o pessimismo domine esse momento. Ela precisa ser a mola mestra a nos sustentar para que a \u00e9tica crist\u00e3 n\u00e3o permita que o cuidado, que nasce do amor, definhe ou fique em segundo plano em um mundo que privilegia a funcionalidade e a efic\u00e1cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Maria In\u00eas de Castro Millen (Centro de Estudos Superiores, Juiz de Fora). Texto submetido no dia 25\/08\/2022; aprovado no dia 30\/10\/2022; postado dia 30\/12\/2022. Original em portugu\u00eas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAUMAN, Zygmunt. <em>Modernidade l\u00edquida<\/em>. Rio de Janeiro, Zahar, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENANTI, Paolo. <em>Por uma intelig\u00eancia artificial human\u00edstica<\/em>. Entrevista com Paolo Benanti. IHU, 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/596566-paolo-benanti-o-chamado-da-pontificia-academia-para-a-vida-por-uma-inteligencia-artificial-humanistica\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/596566-paolo-benanti-o-chamado-da-pontificia-academia-para-a-vida-por-uma-inteligencia-artificial-humanistica<\/a>. Acesso em jan. 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENANTI, Paolo. <em>Bem-vindos \u00e0 era digital<\/em><strong>. <\/strong>Entrevista com Paolo Benanti. IHU, 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/605193-bem-vindos-a-era-digital-entrevista-com-paolo-benanti\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/categorias\/605193-bem-vindos-a-era-digital-entrevista-com-paolo-benanti<\/a>. Acesso em jan. 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOFF, Leonardo. <em>Saber cuidar<\/em>. \u00c9tica do humano \u2013 compaix\u00e3o pela terra. 2 ed. Petr\u00f3polis, Vozes, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOFF, Leonardo. <em>Cuidar da terra, proteger a vida.<\/em> Como evitar o fim do mundo. Rio de Janeiro: Record, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO VATICANO II. <em>Constitui\u00e7\u00e3o pastoral Gaudium et Spes. <\/em>Sobre a Igreja no mundo atual. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html\">https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html<\/a> . Acesso em mai. 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO VATICANO II. <em>Decreto Optatam Totius. S<\/em>obre a forma\u00e7\u00e3o sacerdotal. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decree_19651028_optatam-totius_po.html\">https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_decree_19651028_optatam-totius_po.html<\/a>. Acesso em mai. 2022<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO, Papa. <em>Carta Enc\u00edclica Fratelli Tutti<\/em>. Sobre a fraternidade<br \/>\ne a amizade Social. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\">https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html<\/a>. Acesso em jun. 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO, Papa. <em>Carta enc\u00edclica Laudato si\u2019. <\/em>Louvado sejas. Sobre o cuidado da casa comum. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html\">https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html<\/a>. Acesso em jan. 23.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HABERMAS, J\u00fcrgen. <em>Teoria do agir comunicativo:<\/em> Racionalidade da a\u00e7\u00e3o e racionaliza\u00e7\u00e3o social. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HAERING, Bernhard. <em>Livres e fi\u00e9is em Cristo<\/em>. Teologia moral para sacerdotes e leigos. Teologia moral geral. v. 1. S\u00e3o Paulo: EP, 1984.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HAN, Byung-Chul. <em>Sociedade do cansa\u00e7o.<\/em> Petr\u00f3polis: Vozes, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JUNGES. J, R. <em>Transforma\u00e7\u00f5es recentes e prospectivas de futuro para a \u00e9tica teol\u00f3gica<\/em>. In: IHU Cadernos de Teologia p\u00fablica n. 007. 2005. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/teopublica\/007cadernosteologiapublica.pdf\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/teopublica\/007cadernosteologiapublica.pdf<\/a> Acesso em abr. 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KUHN, Thomas S. <em>A estrutura das revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edficas<\/em>. 5. ed. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00c9VINAS, Emmanuel.\u00a0<em>Totalidade e Infinito<\/em>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MILLEN, M. I. C. <em>Os acordes de uma sinfonia.<\/em> A moral do di\u00e1logo na teologia de Bernhard H\u00e4ring. Juiz de Fora: Editar, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MORIN, Edgar. <em>Ci\u00eancia com consci\u00eancia.<\/em> 8 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ORDU\u00d1A, R. Ricon; BARTRES, G. Mora; AZPITARTE, E. Lopes. <em>Pr\u00e1xis crist\u00e3 1<\/em>. Moral fundamental. 2. ed, S\u00e3o Paulo: EP, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIDAL, Marciano. <em>Moral de atitudes I.<\/em> Moral fundamental. 2 ed. Aparecida-SP: Santu\u00e1rio, 1986.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1Paradigma \u00e9tico do cristianismo nascente 2 Paradigma apontado pelo Conc\u00edlio Vaticano II 3 Paradigma da intersubjetividade 4 Paradigma para uma nova mudan\u00e7a epocal Considera\u00e7\u00f5es finais Refer\u00eancias Introdu\u00e7\u00e3o Falar de paradigmas \u00e9 referir-se a princ\u00edpios que norteiam pensamentos e a\u00e7\u00f5es ou a modelos ou padr\u00f5es que s\u00e3o estabelecidos para indicar um poss\u00edvel conjunto de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-2777","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-moraletica-teologica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2777"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2777\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3023,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2777\/revisions\/3023"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}