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{"id":2767,"date":"2022-12-30T11:35:27","date_gmt":"2022-12-30T14:35:27","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2767"},"modified":"2024-01-03T15:10:43","modified_gmt":"2024-01-03T18:10:43","slug":"mistica-e-padres-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2767","title":{"rendered":"M\u00edstica e Padres da Igreja"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Breve <em>status quaestionis<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 De que m\u00edstica falamos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Particularidades do per\u00edodo patr\u00edstico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 A consci\u00eancia m\u00edstica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 No\u00e7\u00f5es fundamentais para uma busca \u201cm\u00edstica\u201d de Deus no per\u00edodo patr\u00edstico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Breve <em>status quaestionis<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo deste texto \u00e9 oferecer ao leitor interessado na rela\u00e7\u00e3o entre M\u00edstica e Padres da Igreja uma esp\u00e9cie de mapa do territ\u00f3rio, para que possa ter uma primeira ideia geral das caracter\u00edsticas espec\u00edficas da quest\u00e3o e possa assim orientar-se num assunto nada f\u00e1cil de ser enquadrado no quadro de uma unidade estruturada. Por motivos que ficar\u00e3o claros no decorrer de nossa exposi\u00e7\u00e3o, provavelmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dar a resposta completa que talvez o leitor esperaria. Mas \u2013 outro lado da moeda \u2013 trata-se de uma \u00e1rea que ainda comportaria muitas pesquisas, para podermos chegar a uma vis\u00e3o de conjunto mais completa, que no atual estado da quest\u00e3o, ainda n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das evid\u00eancias do que estamos dizendo \u00e9 o fato de que n\u00e3o existe at\u00e9 hoje uma obra que aborde diretamente a quest\u00e3o da m\u00edstica nos Padres. Quanto sabemos h\u00e1 dois verbetes espec\u00edficos, o verbete \u201cPadres\u201d, no <em>Dicion\u00e1rio de M\u00edstica <\/em>(PASQUATO, 1998) e o verbete \u201cM\u00edstica\u201d, no <em>Nuovo Dizionario di Patristica e Antichit\u00e0 cristiane <\/em>(MORESCHINI, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00faltimo verbete aponta fundamentalmente para a linha alexandrina (Fil\u00e3o, Clemente, Or\u00edgenes, Ev\u00e1grio e o Ps. Dion\u00edsio) apresentando brevemente alguns aspectos gerais. O verbete escrito por Pasquato, substancialmente, articula as indica\u00e7\u00f5es do fundamental artigo de L. Bouyer (BOUYER, 1949) sobre a hist\u00f3ria do uso antigo do termo <em>m\u00edstica\/m\u00edstico<\/em>, acrescentando a men\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel da quest\u00e3o do <em>mist\u00e9rio<\/em>, como, ali\u00e1s, tamb\u00e9m Moreschini o faz. Em nossa opini\u00e3o, apesar de sua necess\u00e1ria brevidade, fornece as coordenadas essenciais para abordar a quest\u00e3o, como mostraremos mais adiante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras informa\u00e7\u00f5es encontram-se na parte \u201chist\u00f3rica\u201d dos verbetes de dicion\u00e1rio ou de obras que tratam de m\u00edstica. Mas as refer\u00eancias aos Padres s\u00e3o sempre muito gen\u00e9ricas: ou acolhem as conclus\u00f5es do artigo de Bouyer, ou praticamente ignoram os Padres, como, por exemplo, o verbete \u201cMysticism\u201d, da <em>Encyclopedia Britannica<\/em>. \u00c9 emblem\u00e1tico o caso do conceituado <em>Dictionnaire de Spiritualit\u00e9<\/em>. Na parte hist\u00f3rica do verbete \u201cMystique\u201d (SOLIGNAC, 1980), n\u00e3o se abordam nem o NT nem os Padres, mas se remete ao verbete \u201cMyst\u00e8re\u201d do mesmo dicion\u00e1rio, e \u00e0 sec\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do verbete \u201cContemplation\u201d; mas no verbete \u201cMystique\u201d o itiner\u00e1rio hist\u00f3rico da m\u00edstica inicia com a Idade M\u00e9dia. Depois, dedica-se \u00e0 m\u00edstica e aos Padres uma breve sec\u00e7\u00e3o dentro da subdivis\u00e3o \u201cMystique. III. La vie mystique chr\u00e9tienne\u201d (AGAESSE-SALES, 1980), quando aborda o per\u00edodo patr\u00edstico. Os autores que escrevem sobre m\u00edstica crist\u00e3 t\u00eam em geral uma parte hist\u00f3rica, mas, dependendo da defini\u00e7\u00e3o, impl\u00edcita ou expl\u00edcita, que t\u00eam de m\u00edstica, consideram os Padres na medida em que t\u00eam ou n\u00e3o <em>aquela<\/em> ideia de m\u00edstica. \u00c9, por exemplo, o caso de VANNINI (2018). N\u00e3o existe, pois, uma obra que pesquise <em>positivamente<\/em> a quest\u00e3o da m\u00edstica nos Padres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira obra que pareceria ter abordado a quest\u00e3o de modo direto \u00e9 o famoso livro <em>Ascetica e m\u00edstica nella patristica. <\/em><em>Un compendio della spiritualit\u00e0 cristiana antica<\/em> (VILLER-RAHNER, 1991). O original \u00e9 de 1939 e, apesar da contribui\u00e7\u00e3o decisiva de K. Rahner, o texto ainda se ressente, talvez, de uma ideia \u201ccl\u00e1ssica\u201d de m\u00edstica e ascese. Al\u00e9m disso, persiste uma ambiguidade entre espiritualidade e m\u00edstica, que encontramos tamb\u00e9m em outros autores (cf. as observa\u00e7\u00f5es de MCGINN, 2008, especialmente p. 44-45). A obra faz uma apresenta\u00e7\u00e3o de cada autor, como recortes no fundo aut\u00f4nomos, nos quais se ressaltam os elementos \u201cm\u00edsticos\u201d, mas n\u00e3o se aborda a quest\u00e3o do per\u00edodo patr\u00edstico como tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma reviravolta not\u00e1vel foi dada para a hist\u00f3ria da m\u00edstica ocidental de B. McGinn (MCGINN, 1991). Este autor tem o m\u00e9rito de dar uma defini\u00e7\u00e3o extremamente necess\u00e1ria de m\u00edstica, como veremos em breve, sem a qual \u00e9 dif\u00edcil avan\u00e7ar nesse campo. O primeiro volume, al\u00e9m da not\u00e1vel introdu\u00e7\u00e3o e de um rico ap\u00eandice sobre a quest\u00e3o de como evolu\u00edram a hist\u00f3ria e os fundamentos te\u00f3ricos dos estudos sobre a m\u00edstica, \u00e9 dedicado \u00e0s ra\u00edzes e, dir\u00edamos, \u00e0s formas seminais do que depois se desenvolver\u00e1 a seguir. Todo o primeiro volume, com exce\u00e7\u00e3o do Ap\u00eandice final, \u00e9 na pr\u00e1tica um tratado sobre os Padres. A \u00fanica limita\u00e7\u00e3o, declarada, \u00e9 que trata s\u00f3 dos Padres orientais que tenham tido influ\u00eancia na m\u00edstica ocidental, e na medida em que a tenham tido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de ter apresentado a tr\u00edplice raiz que deve ser considerada como influenciadora da m\u00edstica crist\u00e3, a saber: a apocal\u00edptica do judaismo do Segundo Templo, a m\u00edstica filos\u00f3fica pag\u00e3, sobretudo das v\u00e1rias formas de platonismo, e as origens crist\u00e3s do tempo neotestament\u00e1rio e da \u00e9poca que se indica tradicionalmente como \u201capost\u00f3lica\u201d (da metade do s\u00e9c. I \u00e0 metade do s\u00e9c. II), tamb\u00e9m McGinn leva adiante sua exposi\u00e7\u00e3o apresentando cada autor individualmente, mas o que faz dessa obra um passo indispens\u00e1vel para quem quiser ocupar-se hoje deste tema, \u00e9 que os autores n\u00e3o s\u00e3o tratados como \u201crecortes\u201d isolados, mas seu estudo \u00e9 conduzido na esteira de sua defini\u00e7\u00e3o, ampla e heur\u00edstica, de m\u00edstica (que veremos em seguida). Atualmente, a obra de McGinn \u00e9, em nossa opini\u00e3o, o instrumento mais \u00fatil que temos para abordar a quest\u00e3o da m\u00edstica nos Padres. Deveria ser completada com a tradi\u00e7\u00e3o m\u00edstica oriental, sobretudo com os Padres de l\u00edngua sir\u00edaca (especialmente os m\u00edsticos siro-orientais dos s\u00e9cs. VII-VIII), que foram deixados programaticamente fora do plano de trabalho de McGinn.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 De que m\u00edstica falamos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A breve resenha precedente torna, pois, evidente que para poder abordar a quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre m\u00edstica e Padres, \u00e9 natural que a primeira coisa a fazer seja esclarecer o que se entende por m\u00edstica. Isso se revela necess\u00e1rio por se tratar de um termo sobre o qual n\u00e3o h\u00e1 um consenso geral nem uma defini\u00e7\u00e3o clara aceita por todos. Este esclarecimento, que se tornou na pr\u00e1tica um <em>topos<\/em>, quando se fala de m\u00edstica, \u00e9 ainda mais necess\u00e1rio, quando se fala de m\u00edstica crist\u00e3. O que se deve pensar a prop\u00f3sito da m\u00edstica quando se aborda o per\u00edodo patr\u00edstico?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro ponto fundamental que deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o \u00e9 o n\u00facleo da religi\u00e3o crist\u00e3: o Verbo de Deus, que se fez homem em Cristo \u00e9 o caminho para chegar, no Esp\u00edrito Santo, a Deus Pai. Sem essa premissa \u00e9 imposs\u00edvel compreender realmente a dimens\u00e3o m\u00edstica nos Padres. O hiato ontol\u00f3gico nas tradi\u00e7\u00f5es religiosas que veem uma absoluta e insuper\u00e1vel transcend\u00eancia entre Deus e o mundo, no cristianismo foi superado em Cristo. A dimens\u00e3o pante\u00edsta de outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas n\u00e3o est\u00e1 presente no cristianismo, porque permanece sempre vigente a distin\u00e7\u00e3o ontol\u00f3gica entre Deus e a criatura. As consequ\u00eancias s\u00e3o \u00f3bvias: uma ideia de m\u00edstica que \u201cpasse ao largo\u201d a media\u00e7\u00e3o de Cristo ou que considere qualquer fus\u00e3o indiferenciada com o divino, n\u00e3o pode ser acolhida no cristianismo e \u2013 ainda mais importante para nosso assunto \u2013 \u00e9 absolutamente alheia ao per\u00edodo patr\u00edstico. Por isso, pesquisando os Padres, dever-se-\u00e1 falar, sem sombra de d\u00favida, de <em>m\u00edstica crist\u00e3<\/em>, reivindicando para ela uma especificidade irredut\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o a qualquer tentativa de coloc\u00e1-la dentro de uma categoria mais geral, como, por exemplo, um caso de g\u00eanero e esp\u00e9cie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve-se, pois, considerar tamb\u00e9m que, mesmo no contexto do cristianismo, a compreens\u00e3o do termo mudou no decorrer dos s\u00e9culos. Ali\u00e1s, sabemos que <em>m\u00edstica<\/em> na origem era adjetivo; como substantivo, e, portanto, o desenvolvimento de uma ci\u00eancia relativa a este <em>quid<\/em>, \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o relativamente recente. Como \u00e9 sabido, um dos catalisadores principais da retomada do interesse pela m\u00edstica por parte do mundo acad\u00eamico foi um trabalho sobre Jo\u00e3o da Cruz (BARUZI, 1924), al\u00e9m de outras situa\u00e7\u00f5es contingentes referentes ao clima cultural dos in\u00edcios do s\u00e9c. XX, n\u00e3o por \u00faltimo, a guerra de 1914-1918. A partir dos anos 50 aparece uma s\u00e9rie de publica\u00e7\u00f5es de textos de m\u00edsticos e de estudos hist\u00f3ricos sobre o fen\u00f4meno, que \u201cressaltaram a personalidade dos autores m\u00edsticos, a diversidade de suas experi\u00eancias e de seus itiner\u00e1rios, a tal ponto que a hist\u00f3ria da m\u00edstica prevaleceu sobre uma teoria geral da m\u00edstica\u201d (SOLIGNAC, 1980, col.1891). Mas o modelo dos m\u00edsticos dos s\u00e9culos XVI-XVII, tornado uma esp\u00e9cie de <em>princeps analogatum<\/em>, \u00e9 inaplic\u00e1vel, obviamente, aos Padres. A quest\u00e3o \u00e9 que muitas dessas defini\u00e7\u00f5es que se d\u00e3o, trazem consigo algumas premissas que permanecem mais ou menos ocultas, entre as quais uma das mais comuns \u00e9 a ideia de <em>experi\u00eancia<\/em> \u2013 ideia de forma nenhuma un\u00edvoca, sobre a qual remetemos \u00e0s observa\u00e7\u00f5es do artigo de B. McGinn (MCGINN, 2008, p. 45-47).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nossa opini\u00e3o, e n\u00e3o s\u00f3 nossa (cf. ZARRABIZADEH, 2008, p. 86), a proposta que \u00e9 mais \u00fatil para abordar a quest\u00e3o \u00e9 a de McGinn. A diferen\u00e7a fundamental entre McGinn e as outras defini\u00e7\u00f5es \u00e9 que a de McGinn \u00e9, antes de tudo, heur\u00edstica, ou seja, uma hip\u00f3tese de trabalho que serve para dar uma dire\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa, mas que \u00e9 esclarecida gradualmente pelos resultados alcan\u00e7ados. Al\u00e9m disso, sua \u201camplid\u00e3o\u201d (\u201co encontro entre Deus e a pessoa, tudo que leva a esse encontro e que o prepara e tudo que dele decorre\u201d, ZARRABIZADEH, 2008, p. 86) permite incluir todas as dimens\u00f5es e aspectos que habitualmente resistem a defini\u00e7\u00f5es mais estritas. Ela, de fato, permite cortar o n\u00f3 g\u00f3rdio do enorme n\u00famero de aspectos que a quest\u00e3o m\u00edstica traz consigo, como os fen\u00f4menos \u201cextraordin\u00e1rios\u201d (\u00eaxtases, vis\u00f5es, locu\u00e7\u00f5es etc.) ou ainda o inextric\u00e1vel emaranhado das rela\u00e7\u00f5es entre contempla\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia m\u00edstica, ora\u00e7\u00e3o de simplicidade, noite e\/ou trevas, luz\/luz incriada, diviniza\u00e7\u00e3o e assim por diante, que se apresentam todas elas como um <em>mare magnum<\/em> de quest\u00f5es que restringem o caminho do pesquisador que queira entrar no assunto com um pouco de clareza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o per\u00edodo patr\u00edstico isso \u00e9 ainda mais importante, porque procuramos algo que \u00e9 delineado (e ainda com dificuldade, como dissemos) do ponto de vista \u201cte\u00f3rico\u201d s\u00f3 um milhar de anos depois. O cora\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o de McGinn \u00e9 sua considera\u00e7\u00e3o da m\u00edstica como certa <em>tentativa de expressar uma consci\u00eancia direta da presen\u00e7a de Deus<\/em> (cf. MCGINN, 1991, p. xv-xvi; mas tamb\u00e9m MCGINN, 2008). O ponto chave, que permite superar todas as ambiguidades ligadas \u00e0 quest\u00e3o da <em>experi\u00eancia<\/em> \u00e9 a abordagem da <em>consci\u00eancia<\/em> m\u00edstica. Inspirando-se na <em>metaconsci\u00eancia<\/em> de que fala T. Merton (MERTON, 1972, p. 99-101), ele rel\u00ea a no\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia a partir de B.\u00a0Lonergan. Ser\u00e1, pois, essa a perspectiva segundo a qual leremos o per\u00edodo patr\u00edstico e proporemos, como j\u00e1 dito, algumas indica\u00e7\u00f5es \u00e0 maneira de proleg\u00f4menos necess\u00e1rios para um futuro trabalho sobre este tema, em especial para os padres orientais, sobretudo sir\u00edacos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Particularidades do per\u00edodo patr\u00edstico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como se devem considerar as particularidades que o termo m\u00edstica deve ter em conta quando se trata dos Padres, da mesma forma tamb\u00e9m deve ficar claro o que se entende aqui com per\u00edodo patr\u00edstico. Para nosso tema, a defini\u00e7\u00e3o de Padre da Igreja n\u00e3o pode ser a cl\u00e1ssica que se usa, ou se usava, em patrologia, a saber: um autor eclesi\u00e1stico que satisfa\u00e7a os quatro requisitos de <em>antiguidade<\/em> (s\u00e9c. VII para o Ocidente, s\u00e9c. VIII para o Oriente), <em>santidade de vida<\/em>, <em>reconhecimento da Igreja <\/em>e <em>ortodoxia<\/em>. Essa defini\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 limitante tamb\u00e9m para a patrologia, pois, a rigor, sobretudo para a quest\u00e3o da ortodoxia, ficariam fora autores como Tertuliano, Or\u00edgenes, Teodoro de Mopsu\u00e9stia, s\u00f3 para citar os mais famosos. Pois bem, se por uma quest\u00e3o de ortodoxia em teologia, entendida em sentido bastante restritivo, se poderia at\u00e9 compreender \u2013 ainda que n\u00e3o aceitar \u2013 o porqu\u00ea de sua exclus\u00e3o em alguns \u00e2mbitos da reflex\u00e3o, para o nosso caso seria absolutamente equivocado. Por isso, quando indicamos os Padres neste texto entendemos todos os autores crist\u00e3os dos primeiros sete-oito s\u00e9culos que deixaram escritos nos quais seja poss\u00edvel reconhecer uma busca do contato com Deus. Para o per\u00edodo hist\u00f3rico, no entanto, ficamos na compreens\u00e3o cl\u00e1ssica, enquanto ela tem valor intr\u00ednseco e plausibilidade: no Ocidente o s\u00e9c. VII e no Oriente o s\u00e9c. VIII. Tomam-se como limite simb\u00f3lico Isidoro de Sevilha, que morreu em 636, e Jo\u00e3o Damasceno, morto por volta de 750, respectivamente como \u00faltimo padre latino e \u00faltimo padre grego. Depois dessas duas datas foi interrompida a unidade cultural, em sentido lato, da antiguidade: no Ocidente ao estabelecerem-se reinos romano-b\u00e1rbaros e no Oriente com a consolida\u00e7\u00e3o definitiva do isl\u00e3 nos territ\u00f3rios outrora crist\u00e3os (cf. RATZINGER, 1971).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O per\u00edodo patr\u00edstico sempre teve uma import\u00e2ncia especial para a Igreja, sobretudo pelo fato de ter sido o tempo em que se formaram o c\u00e2non das Escrituras, as f\u00f3rmulas de f\u00e9, a liturgia, a op\u00e7\u00e3o pelo uso da raz\u00e3o ao pensar a f\u00e9 (cf. RATZINGER, 1971). S\u00e3o todos elementos que constituem, como veremos, a estrutura da busca de Deus que, na perspectiva de McGinn, \u00e9 a vida m\u00edstica. O per\u00edodo patr\u00edstico, por conseguinte, \u00e9 tamb\u00e9m o per\u00edodo do desenvolvimento daquele caminho que ser\u00e1 depois pensado como <em>m\u00edstica<\/em>. E \u00e9 importante observar que, tamb\u00e9m se n\u00e3o havia o termo e ainda n\u00e3o havia uma consci\u00eancia clara sobre o que depois seria entendido como m\u00edstica, n\u00e3o se pode por certo pensar que n\u00e3o existisse a <em>res<\/em>, a saber: a consci\u00eancia da presen\u00e7a de Deus, buscada, isso sim, de uma maneira diferente de como acontecer\u00e1 a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 A consci\u00eancia m\u00edstica <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para compreender plenamente a fecundidade da defini\u00e7\u00e3o de McGinn aplicada ao per\u00edodo patr\u00edstico, se deveria considerar o movimento de diferencia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia teol\u00f3gica desde as origens at\u00e9 Niceia, estudado por B. Lonergan (LONERGAN, 1982) e sua continua\u00e7\u00e3o at\u00e9 o s\u00e9c. V, com Calced\u00f4nia (PAMPALONI, 2015). Aqui podemos sintetizar dizendo que, para chegar \u00e0 \u201creviravolta interior\u201d de Agostinho, o \u201cpai fundador\u201d da m\u00edstica ocidental, segundo McGinn, a consci\u00eancia eclesial teve de passar por um processo de diferencia\u00e7\u00e3o, como aconteceu tamb\u00e9m com o desenvolvimento da consci\u00eancia teol\u00f3gica eclesial. A consci\u00eancia teol\u00f3gica eclesial indiferenciada dos primeiros s\u00e9culos, foi provocada em sua primeira diferencia\u00e7\u00e3o sobretudo por dois grandes desafios, o do gnosticismo, sobretudo no s\u00e9c. II, e o do arianismo no s\u00e9c. IV, que obrigaram a Igreja a desenvolver uma nova linguagem e um pensamento que respondesse a quest\u00f5es de tipo diferente em compara\u00e7\u00e3o com aquelas para as quais era suficiente a Sagrada Escritura. Concomitante ao desafio ariano e com um papel n\u00e3o negligenci\u00e1vel na luta contra ele, surge o fen\u00f4meno do monaquismo, que, para o desenvolvimento da m\u00edstica, representou a reviravolta em fun\u00e7\u00e3o da interioridade. Se no Ocidente o \u201cpai fundador\u201d foi Agostinho, no Oriente, sem d\u00favida alguma, o padre que mais teve esse papel, na perspectiva mais pr\u00f3xima \u00e0 delineada por McGinn, foi Greg\u00f3rio de Nissa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para aprofundar a quest\u00e3o da <em>consci\u00eancia m\u00edstica<\/em>, al\u00e9m de MCGINN (1991), remetemos a MCGINN (2008, 47-53).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5<\/strong> <strong>No\u00e7\u00f5es fundamentais para uma busca \u201cm\u00edstica\u201d de Deus no per\u00edodo patr\u00edstico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Feitas as devidas premissas, passamos agora a apresentar aquelas no\u00e7\u00f5es que consideramos fundamentais a ter em considera\u00e7\u00e3o no momento em que se queira considerar a quest\u00e3o da m\u00edstica no per\u00edodo patr\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mist\u00e9rio<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessas no\u00e7\u00f5es, a primeira \u00e9 a de <em>mist\u00e9rio<\/em>. Ch.\u00a0Andr\u00e9\u00a0Bernard, um dos maiores estudiosos de m\u00edstica, depois de ter reconhecido, como todos, a dificuldade de estabelecer um sentido preciso aos termos em causa, falando de m\u00edstica, faz uma observa\u00e7\u00e3o util\u00edssima. Hoje \u201cpara n\u00f3s a conota\u00e7\u00e3o dessas express\u00f5es remete a uma experi\u00eancia psicol\u00f3gica particular; para os Antigos a uma realidade oculta\u201d (BERNARD, 1994, p. 187). Aqui reside o ponto chave para entender nossa quest\u00e3o. Para os Padres, sobretudo at\u00e9 o s\u00e9c. IV, essa \u201crealidade oculta\u201d \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de <em>mist\u00e9rio<\/em>, e \u00e9 fundamental. A centralidade da pessoa de Cristo nos Padres assume imediatamente as dimens\u00f5es do <em>mist\u00e9rio<\/em>, termo do qual, portanto, n\u00e3o se pode prescindir para falar da m\u00edstica neste per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m para falar de <em>mist\u00e9rio <\/em>devemos fazer uma observa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. Quase invariavelmente, faz-se demasiado rapidamente a aproxima\u00e7\u00e3o entre o termo <em>mysterion<\/em> (e, portanto, partindo da raiz do termo grego se chega \u00e0 m\u00edstica) e o mundo dos mist\u00e9rios helen\u00edsticos, com a dedu\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de consequ\u00eancias suscet\u00edveis de induzirem a erro. \u00c9 verdade que o termo origin\u00e1rio do paganismo entra no vocabul\u00e1rio crist\u00e3o, mas isso, como sempre aconteceu na pr\u00e1tica, sofre uma tor\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica para adaptar-se ao novo contexto. Sobretudo, \u201cos \u201cmist\u00e9rios\u201d s\u00e3o, em sentido pr\u00f3prio, \u201critos sagrados\u201d que s\u00f3 se revelam aos iniciados, [e] \u00e9 depois do in\u00edcio do cristianismo, no hermetismo alexandrino (s\u00e9c. II-III), que se come\u00e7a a transferir a terminologia mist\u00e9rica para indicar uma filosofia religiosa\u00bb (PASQUATO, 2003, p. 817). Fundamentalmente, o termo n\u00e3o teve jamais um sentido religioso ou sacral antes de seu uso no cristianismo. Nesse sentido, \u00e9 clar\u00edssima e ainda n\u00e3o refutada a an\u00e1lise de BOUYER (1949). \u00c9 interessante notar que este artigo \u00e9 sempre citado, mas, no momento de tirar as conclus\u00f5es, a julgar pelo que sempre se repete, surge a d\u00favida se ele foi lido realmente. Segundo Bouyer, \u00e9 a) imposs\u00edvel apresentar a m\u00edstica crist\u00e3 como elemento importado do neoplatonismo; b) as conex\u00f5es do pseudo-Dion\u00edsio, autor considerado o \u201cm\u00edstico\u201d por excel\u00eancia, com o neoplatonismo s\u00e3o ineg\u00e1veis. Mas o que o pr\u00f3prio pseudo-Dion\u00edsio chama m\u00edstica <em>n\u00e3o \u00e9<\/em> aquela experi\u00eancia que se quer reconhecer em Plotino; c) ao contr\u00e1rio, encontramo-nos no cruzamento de toda uma tradi\u00e7\u00e3o espiritual especificamente crist\u00e3 de interpreta\u00e7\u00e3o escritur\u00edstica e de experi\u00eancia lit\u00fargica na Igreja (cf. BOUYER, 1949, p. 23). Por conseguinte, o peso da religi\u00e3o dos mist\u00e9rios na forma\u00e7\u00e3o da m\u00edstica crist\u00e3 n\u00e3o pode absolutamente ser sobrevalorizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lugar escritur\u00edstico (n\u00e3o o \u00fanico, no entanto) que, por todos os autores que se ocuparam de nosso tema, \u00e9 considerado como basilar para a compreens\u00e3o de <em>mysterion<\/em> no cristianismo (aqui sim, com reincid\u00eancia na quest\u00e3o da m\u00edstica crist\u00e3) \u00e9 1Cor 2, 6-10 (para um quadro geral do termo em Paulo, cf. BORNKAMM, 1971, col. 692-700). Segundo Solignac, essa concep\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio, escondido em Deus e depois revelado em Jesus Cristo, a cujo conhecimento todos os membros da Igreja s\u00e3o chamados (e cujo conhecimento n\u00e3o \u00e9 nocional, mas uma experi\u00eancia interior no Esp\u00edrito Santo (cf. SOLIGNAC, 1980, col. 1862), implica uma <em>m\u00edstica<\/em>: \u201cO mist\u00e9rio produz naquele que cr\u00ea uma luz e uma for\u00e7a que o afetam, o envolvem, o superam, mas tamb\u00e9m o introduzem num movimento de reconhecimento e de amor afetivo a exemplo de Cristo e em comunh\u00e3o com ele\u201d (SOLIGNAC, 1980, col.1862). Cristo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o revelador do mist\u00e9rio, mas o <em>lugar<\/em> onde se realiza a salva\u00e7\u00e3o naqueles que creem. O espec\u00edfico da m\u00edstica crist\u00e3 est\u00e1 totalmente nesse movimento descrito por Paulo. \u201cInicialmente se trata de uma experi\u00eancia ordin\u00e1ria, de uma a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito que transforma o homem interior, levando Cristo a habitar nos cora\u00e7\u00f5es, enraizando-os no amor\u201d (cf. Ef 3,16-17)\u201d (PASQUATO, 2003, p. 817).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma busca \u201cobjetiva\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta \u00e9: como se encontra essa realidade oculta? Ou, dito em outras palavras, como posso entrar em contato com Cristo, mist\u00e9rio oculto? Os \u00e2mbitos de significado do termo <em>mysterion<\/em>, identificados pela profunda an\u00e1lise de Bouyer, fazem emergir os \u201clugares\u201d onde os Padres buscavam esse contato. Eis, portanto, a caracter\u00edstica fundamental que torna o per\u00edodo patr\u00edstico completamente especial no tocante \u00e0 m\u00edstica, a saber: que o contato com Deus \u00e9 buscado, de algum modo, \u201cfora\u201d: na Sagrada Escritura, na liturgia e sacramentos e na vida espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Lugares patr\u00edsticos da busca<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca de Deus na Escritura, heran\u00e7a judaica e da cultura alexandrina, \u00e9 o primeiro lugar onde se busca o mist\u00e9rio. A pr\u00e1xis sacramental e as catequeses pr\u00e9-batismais e mistag\u00f3gicas fazem emergir uma ulterior dimens\u00e3o de uma uni\u00e3o em que tamb\u00e9m o corpo participa, e aqui a Eucaristia desempenha papel fundamental. O monaquismo permite fazer uma s\u00edntese tanto no plano da ascese como da experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o rumo ao \u201clugar\u201d do homem onde tudo isso ressoa. Com Ev\u00e1grio, sobretudo, e sua consider\u00e1vel influ\u00eancia sobre o monaquismo, o que especifica o homem \u00e9 o <em>nous <\/em>e, por isso, a atividade mais elevada ser\u00e1 a <em>theoria<\/em>, a contempla\u00e7\u00e3o. E um <em>nous<\/em> purificado por meio da ascese, estar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de alcan\u00e7ar a <em>theoria divina<\/em>, ou seja, a <em>theologia<\/em>. Com Agostinho se ter\u00e1 o primeiro amadurecimento para a reviravolta totalmente consciente rumo \u00e0 interioridade como lugar onde encontrar a Deus, embora com Greg\u00f3rio de Nissa, essa passagem, em nossa opini\u00e3o, j\u00e1 estava acontecendo, apesar de expressa com termos ainda \u201cobjetivos\u201d, mas j\u00e1 carregados de dimens\u00e3o interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora deve-se considerar um aspecto ulterior. Se \u00e9 verdade que a busca desse contato com Deus era \u201cexterna\u201d, a consci\u00eancia dessa presen\u00e7a era igualmente percebida. N\u00e3o se expressava com uma <em>linguagem<\/em> da interioridade, mas podemos reconhecer essa percep\u00e7\u00e3o nos autores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomemos a quest\u00e3o da busca de Deus na Escritura. A exegese dos Padres n\u00e3o \u00e9 por certo a do m\u00e9todo cr\u00edtico com a <em>Formgeschichte <\/em>ou a <em>Wirkungsgeschichte<\/em> etc. A Escritura \u00e9 um modo com que Deus fala a seu povo e \u00e0 pessoa que se dedica a seu estudo, ou seja, que a\u00ed contempla Sua presen\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 uma aplica\u00e7\u00e3o s\u00f3 intelectual, mas envolve o int\u00e9rprete na sua totalidade. E quanto mais ele cresce na familiaridade com a Escritura, tanto mais dentro dele cresce a uni\u00e3o com Deus, n\u00e3o poucas vezes (como o pr\u00f3prio Or\u00edgenes, por exemplo, deixa de vez em quando transparecer) experimentando ocasionalmente uma alegria e uma, dir\u00edamos em termos inacianos, consola\u00e7\u00e3o que nasce justamente dessa busca e quem a experimenta sabe que vem de \u201calhures\u201d. A dificuldade \u00e9 que, neste per\u00edodo, pelas raz\u00f5es de que j\u00e1 falamos, os autores raramente s\u00e3o \u201cautobiogr\u00e1ficos\u201d ao referir-se a suas experi\u00eancias. Preferem faz\u00ea-lo expressando-se por meio de <em>typoi<\/em> escritur\u00edsticos, como Mois\u00e9s ou a Esposa do <em>C\u00e2ntico<\/em>. Quando Greg\u00f3rio de Nissa fala do \u201csentimento da presen\u00e7a\u201d (<em>aisth\u0113sis t\u0113s parousias<\/em>), compara-o, por exemplo, ao perfume: sente-se, mas n\u00e3o se sabe de onde vem e n\u00e3o se pode \u201cpegar\u201d, conservar, delimitar, encerrar (PAMPALONI, 2011, p. 254-259). Se em vez de \u201cexperi\u00eancia espiritual\u201d, express\u00e3o vaga e problem\u00e1tica, lemos em Greg\u00f3rio de Nissa <em>a consci\u00eancia de uma presen\u00e7a<\/em>, estamos perfeitamente dentro do que McGinn entende por consci\u00eancia m\u00edstica, e podemos reconhecer isto em Greg\u00f3rio. Um dos textos mais belos das <em>Homilias sobre o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos<\/em>, de Greg\u00f3rio, mostra o que estamos dizendo: \u201cEmbora, com efeito, os po\u00e7os contenham \u00e1gua em seu bojo, s\u00f3 a esposa tem em si mesma uma \u00e1gua que flui continuamente, de modo que possui conjuntamente a profundidade do po\u00e7o e o movimento cont\u00ednuo do rio\u201d (GREGORIO DI NISSA, 1996, p. 208, tradu\u00e7\u00e3o levemente retocada). Eis um exemplo preclaro de uma linguagem \u201cobjetiva\u201d que, no entanto, se refere \u00e0 consci\u00eancia de algo interno ao sujeito. Nesse sentido, pessoalmente julgamos que Greg\u00f3rio de Nissa tenha tido uma consci\u00eancia muito mais diferenciada do que se possa pensar e, embora, talvez, n\u00e3o seja do n\u00edvel da de Agostinho, seu percurso \u00e9 not\u00e1vel, como propusemos em outro trabalho (PAMPALONI, 2011, p. 248-250). N\u00e3o julgamos, pois, arriscado considerar Greg\u00f3rio de Nissa como \u201cpai fundador\u201d da m\u00edstica oriental. McGinn o considera s\u00f3 na medida em que influenciou a m\u00edstica ocidental, mas seu papel na m\u00edstica oriental n\u00e3o pode ser subvalorizado (cf., por exemplo, PUGLIESE, 2020).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se depois nos detemos no segundo \u00e2mbito indicado por Bouyer, o lit\u00fargico sacramental, encontramos seja uma confirma\u00e7\u00e3o do que foi indicado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Escritura, seja um elemento a mais, ou seja, a participa\u00e7\u00e3o do corpo nessa busca. Nas catequeses pr\u00e9 e p\u00f3s batismais, o bispo devia <em>explicar<\/em> aos ne\u00f3fitos o que tinha acontecido na noite de P\u00e1scoa e de como o gesto <em>externo<\/em> repercutiu seus efeitos no <em>interior<\/em>. A comunh\u00e3o com Deus buscada na Escritura adquire aqui um sentido <em>concreto<\/em> de comunh\u00e3o. Pode haver acentos diversos: a tradi\u00e7\u00e3o alexandrina \u00e9 mais propensa a falar de <em>diviniza\u00e7\u00e3o <\/em>do fiel pela participa\u00e7\u00e3o \u00e0 divindade do Logos; a tradi\u00e7\u00e3o antioquena fala de uni\u00e3o \u00e0 humanidade de Cristo ressuscitado; Greg\u00f3rio de Nissa tem uma \u201ccristologia da transforma\u00e7\u00e3o\u201d que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, e assim por diante. Mas sublinha-se essa unidade, que \u00e9 real e efetiva gra\u00e7as ao Batismo, e, de modo ainda mais especial, com a Eucaristia. Portanto, podemos dizer, a uni\u00e3o <em>m\u00edstica<\/em> acontece em virtude do Batismo-Eucaristia. \u00c9 a <em>consci\u00eancia<\/em> dessa uni\u00e3o que se desenvolve na medida em que progride a reflex\u00e3o sobre tal consci\u00eancia. Por isso se poderia ter a impress\u00e3o de que a <em>m\u00edstica<\/em> n\u00e3o pertence ao per\u00edodo patr\u00edstico, enquanto, na verdade, simplesmente se expressa de maneira diversa, mas que aponta para uma dire\u00e7\u00e3o que leva ao que podemos considerar o fen\u00f4meno, segundo indicado por McGinn.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro \u00e2mbito, o espiritual, podemos consider\u00e1-lo como a uni\u00e3o dos dois primeiros, o resultado a que leva o processo de desenvolvimento que delineamos, o \u00e2mbito em que os Padres usam <em>m\u00edstico<\/em> per falar de um conhecimento, diz Bouyer, como que experimental. O \u00e2mbito da Escritura, como para Or\u00edgenes e Greg\u00f3rio de Nissa, como vimos, e o lit\u00fargico sacramental, em que a busca da uni\u00e3o encontra como <em>medium<\/em> a corporeidade. A liturgia, especialmente a oriental, mas n\u00e3o s\u00f3, torna-se o lugar do encontro, da transforma\u00e7\u00e3o, da diviniza\u00e7\u00e3o, se falamos em termos alexandrinos; do enxerto na humanidade ressuscitada de Cristo, se estamos no \u00e2mbito antioqueno. A esse respeito, toda a obra do Pseudo Dion\u00edsio \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o desse entrela\u00e7amento fundamental, embora sua influ\u00eancia tenha sido sobretudo no Ocidente antes que no Oriente, aonde chegou \u201ctardiamente\u201d (HAUSHERR, 1935, p. 124-126) para significar uma influ\u00eancia que, pelo contr\u00e1rio, se deve reconhecer a Ev\u00e1grio P\u00f4ntico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pasquato, no artigo citado (PASQUATO, 2003) acrescenta uma quarta dimens\u00e3o, que na realidade \u00e9 uma esp\u00e9cie de s\u00edntese como a que inserimos na dimens\u00e3o espiritual: \u00e9 a m\u00edstico-divinizante. Meditando sobre o mist\u00e9rio na Escritura, contemplando-o e participando dele na liturgia, o mist\u00e9rio mesmo \u2013 a saber: Cristo \u2013 se realiza no fiel, que \u00e9 assim divinizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, notemos que, para os Padres, esta busca do <em>mist\u00e9rio<\/em>, que \u00e9 Cristo, conduzida na exegese e procurada na dimens\u00e3o lit\u00fargico-sacramental \u00e9 tarefa <em>eclesial<\/em>, s\u00e3o dimens\u00f5es que um autor dos primeiros sete a oito s\u00e9culos n\u00e3o teria jamais concebido fora do corpo de Cristo, que \u00e9 a Igreja. A dimens\u00e3o <em>individual<\/em> de uma experi\u00eancia m\u00edstica independente do \u00e2mbito da comunh\u00e3o eclesial \u00e9 estranha ao pensamento patr\u00edstico, tamb\u00e9m quando emerge a consci\u00eancia de um encontro pessoal. Essa \u00e9 o verdadeiro sentido de expressar a pr\u00f3pria consci\u00eancia da presen\u00e7a de Deus em termos de personagens b\u00edblicos exemplares: n\u00e3o somos \u00e1tomos na experi\u00eancia de Deus, estamos <em>dentro<\/em> do corpo de Cristo que \u00e9 a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim do percurso podemos sintetizar assim nossa exposi\u00e7\u00e3o. Depois de ter esclarecido alguns elementos metodol\u00f3gicos (a defini\u00e7\u00e3o de m\u00edstica que assumimos para poder falar do per\u00edodo patr\u00edstico, a saber: a de McGinn) e, em conformidade com tais crit\u00e9rios, algumas particularidades do per\u00edodo patr\u00edstico que devem ser consideradas para nosso tema, individuamos alguns aspectos que devem estar presentes quando se quer considerar a quest\u00e3o m\u00edstica nos Padres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro elemento que, a partir da defini\u00e7\u00e3o de McGinn, podemos considerar \u00e9 que realmente o s\u00e9c. IV parece ser o momento em que aparece uma <em>consci\u00eancia<\/em> da presen\u00e7a de Deus de modo expl\u00edcito. No Ocidente o pai fundador \u00e9 Agostinho, para o Oriente, pessoalmente, consideramos que esse t\u00edtulo compete a Greg\u00f3rio de Nissa. Por outro lado, tal defini\u00e7\u00e3o nos permite n\u00e3o privar de \u201cm\u00edstica\u201d os Padres precedentes, porque a busca da uni\u00e3o e do contato com Deus est\u00e1 desde sempre presente em toda a hist\u00f3ria do cristianismo. Esse \u201clugar\u201d de busca de tal contato e uni\u00e3o \u00e9 o <em>mist\u00e9rio<\/em>, no sentido paulino, a saber: Jesus Cristo, Verbo do Pai, encarnado, morto e ressuscitado. Nos primeiros s\u00e9culos, a busca desse mist\u00e9rio \u00e9 dirigida a algo \u201cexterior\u201d. Na Sagrada Escritura, com a exegese, especialmente aleg\u00f3rica, que busca esse contato. Na liturgia e nos sacramentos, onde esse contato passa pela media\u00e7\u00e3o, de algum modo, \u201cf\u00edsica\u201d e encontra a uni\u00e3o m\u00edstica por excel\u00eancia na Eucaristia. Por fim, na dimens\u00e3o espiritual, que \u00e9 o ponto para o qual a reviravolta agostiniano-nissena que abrir\u00e1 o caminho \u00e0 m\u00edstica como a entendemos com McGinn, provocada e acelerada pelo fen\u00f4meno mon\u00e1stico, onde as duas dimens\u00f5es precedentes se unem e permitem prestar aten\u00e7\u00e3o ao que acontece \u201cdentro\u201d, quando se l\u00ea a Escritura e quando se celebra a liturgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito, uma pesquisa sobre a m\u00edstica no tempo patr\u00edstico poderia ser geradora de grandes e salutares <em>insights<\/em> para viver por nossa vez essas dimens\u00f5es. Uma pesquisa sobre como os Padres procuravam essa uni\u00e3o com Deus, por meio da Escritura e da liturgia, n\u00e3o pode continuar s\u00f3 hist\u00f3ria da m\u00edstica. Em nossa opini\u00e3o, com uma consci\u00eancia diferenciada segundo a m\u00edstica, como podemos ter hoje depois dos progressos dos estudos, voltar a ler a Escritura e a viver a liturgia e os sacramentos numa perspectiva como a patr\u00edstica, n\u00e3o poderia mais que trazer novo oxig\u00eanio a nossa vida espiritual, frequentemente tentada a nivelar-se em dimens\u00f5es unicamente horizontais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gra\u00e7as \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de McGinn temos pistas que podemos aplicar ao estudo da m\u00edstica nos Padres. Resta ainda tudo por fazer, quando se trata de realizar trabalho semelhante aplicado aos Padres orientais.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">M\u00e1ssimo Pampaloni (Pont. Facolt\u00e1 Teologica dell\u2019Italia Meridionali). Texto original em italiano. Enviado 30\/09\/2022; aprovado: 30\/10\/2022; postado: 30\/12\/2022. Tradu\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas: Francisco de Assis Taborda<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGAESSE, Paul.; SALES, Michel., Mystique. III. La vie mystique chr\u00e9tienne, in: <em>Dictionnaire de Spiritualit\u00e9<\/em>, Paris: Beauchesne, 1980, v.\u00a010, p.\u00a01939\u20131984.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BERNARD, Charles Andr\u00e9. <em>Le Dieu des mistiques. Le voies de l\u2019interiorit\u00e9<\/em>. Paris: Cerf, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARUZI, Jean. <em>Saint Jean de la Croix et le Probl\u00e8me de l\u2019exp\u00e9rience mystique<\/em>. Paris: Alcan, 1924.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BORNKAMM, G\u00fcnther. \u03bc\u03c5\u03c3\u03c4\u03ae\u03c1\u03b9\u03bf\u03bd. Em: KITTEL, G.; FRIEDRICH, G. (Eds.). <em>Grande Lessico del Nuovo Testamento<\/em>. Vol. VII. Brescia: Paideia, 1971. coll. 645\u2013715.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOUYER, Louis., \u201cMystique\u201d. Essai sur l\u2019histoire d\u2019un mot., <em>Supplem\u00e9nt de La Vie Spirituelle<\/em>, v.\u00a09, p.\u00a03\u201323, 1949.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GREGORIO DI NISSA. <em>Omelie sul Cantico dei Cantici<\/em>. 2.\u00a0ed. Roma: Citt\u00e0 Nuova, 1996. (Collana di testi patristici, 72).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUERREIRO LOSSO, Eduardo; BINGEMER, Maria Clara; REIS PINHEIRO, Marcus (Orgs.). <em>A m\u00edstica e os m\u00edsticos<\/em>. Petropolis, RJ: Vozes, 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HAUSHERR, Ir\u00e9n\u00e9e. Les grands courants de la spiritualit\u00e9 orientale. <em>Orientalia Christiana Periodica<\/em>, v.\u00a01, p.\u00a0114\u2013138, 1935.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LONERGAN, Bernard J. F. <em>The Way to Nicea. The Dialectical Development of Trinitarian Theology.<\/em> London: [s.n.], 1982.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MCGINN, Bernard, <em>The Presence of God: A History of Western Christian Mysticism. Vol. 1 The Foundations of Mysticism<\/em>, New York: Crossroad, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MCGINN, Bernard. Mystical Consciousness: A Modest Proposal. <em>Spiritus: A Journal of Christian Spirituality<\/em>, v.\u00a08, p.\u00a044\u201363, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MERTON, Thomas. <em>El Zen y los pajaros del deseo<\/em>. Barcelona: Editorial Kair\u00f3s, 1972.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MORESCHINI, Claudio. Mistica. Em: <em>Nuovo Dizionario di Patristica e di Antichit\u00e0 cristiane<\/em>. 2.\u00a0ed. Roma: Marietti 1820, 2006, v.\u00a02, p.\u00a03306\u20133312. 3v.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAMPALONI, Massimo. Desiderio e presenza in Gregorio di Nissa come autotrascendenza e coscienza recettiva. In: MARTINELLI, P.; BIANCHI, L. (Orgs.). <em>In caritate veritas. Luigi Padovese. Vescovo cappuccino, Vicario Apostolico dell\u2019Anatolia. Scritti in memoria<\/em>. Bologna: [s.n.], 2011, p.\u00a0243\u2013267.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAMPALONI, Massimo. The Way to Chalcedon: An Unexpected Journey. There and Back Again. In: WHELAN, Gerard (Org.). <em>Lonergan\u2019s Anthropology revisited. The next fifty years of Vatican II<\/em>. [s.l.]: GBPress, 2015, p.\u00a0129\u2013179.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PASQUATO, Ottorino. Padres. Em: <em>Dicion\u00e1rio de m\u00edstica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus-Loyola, 2003. p. 817-823.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PUGLIESE, Paolo Raffaele. <em>L\u2019infinito giardino interiore. La mistica di Giovanni di Dalyatha e di Gregorio di Nissa. <\/em>Roma: Pontificio Istituto Orientale &#8211; Valore italiano Lilam\u00e9, 2020. (Editoria di Facolt\u00e0\/Faculty Publications, 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RATZINGER, Joseph. I Padri nella teologia contemporanea. Em: <em>Storia e dogma<\/em>. Milano: Jaca Book, 1971, p.\u00a049\u201370. (Teologia, 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOLIGNAC, Aim\u00e9. Mystique. Introduction. Em: <em>Dictionnaire de Spiritualit\u00e9<\/em>. Paris: Beauchesne, 1980. v. 10. coll. 1888\u20131893.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VANNINI, Marco. <em>Storia della mistica occidentale<\/em>. Firenze: Le Lettere, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VILLER, Marcel; RAHNER, Karl. <em>Ascetica e mistica nella patristica. Un compendio della spiritualit\u00e0 cristiana antica<\/em>. Brescia: Queriniana, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ZARRABIZADEH, Saeed, Defining Mysticism, A Survey of Main Definitions, <em>Transcendent Philosophy<\/em>, v.\u00a09, p.\u00a077\u201392, 2008<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Breve status quaestionis 2 De que m\u00edstica falamos? 3. 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