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{"id":2763,"date":"2022-12-30T11:32:38","date_gmt":"2022-12-30T14:32:38","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2763"},"modified":"2023-02-12T15:38:34","modified_gmt":"2023-02-12T18:38:34","slug":"sociedade-da-informacao-ou-sociedade-do-controle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2763","title":{"rendered":"Sociedade da informa\u00e7\u00e3o ou sociedade do controle?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Uma nova era<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Uma in\u00e9dita interpreta\u00e7\u00e3o da realidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Novas potencialidades<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Informa\u00e7\u00e3o ou controle?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Sustentabilidade digital<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 O pontificado de Francisco<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil passar em revista as novidades do mundo digital e os desafios que ele representa para a consci\u00eancia e a liberdade. A transforma\u00e7\u00e3o, cuja omnipresen\u00e7a e poder transformador todos n\u00f3s percebemos hoje, especialmente depois da pandemia, ainda n\u00e3o revelou completamente seu alcance. Entretanto, a fim de esclarecer a magnitude destes processos, proporemos um itiner\u00e1rio dividido em v\u00e1rios momentos. Come\u00e7aremos descrevendo o que aconteceu (<em>Uma nova era<\/em>) e depois tentaremos trazer \u00e0 tona as principais caracter\u00edsticas da Era Digital (<em>Uma in\u00e9dita interpreta\u00e7\u00e3o da realidade<\/em>). As perspectivas de nossa an\u00e1lise nos levar\u00e3o ent\u00e3o a delinear as potencialidades (<em>Novas potencialidades<\/em>) e limites (<em>Informa\u00e7\u00e3o ou controle?<\/em>) dessas transforma\u00e7\u00f5es. Indicaremos em seguida o que poderia ser um rem\u00e9dio para tornar o sistema mais sustent\u00e1vel (<em>Sustentabilidade Digital<\/em>), al\u00e9m de apontar as pistas dadas pelo magist\u00e9rio de Francisco (<em>O pontificado de Francisco<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Uma nova era<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A evolu\u00e7\u00e3o do computador influenciou profundamente todas as tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que abra\u00e7ou todo o seu potencial. No in\u00edcio, o computador parecia ser uma ferramenta reservada \u00e0s grandes organiza\u00e7\u00f5es e administra\u00e7\u00f5es, \u00e0 pesquisa cient\u00edfica e aos comandos militares. A partir dos anos 1970, a tecnologia de microprocessadores, o constante desenvolvimento de <em>software<\/em> de f\u00e1cil utiliza\u00e7\u00e3o e, nos anos 1990, a r\u00e1pida expans\u00e3o da rede, transformaram-na em uma m\u00e1quina acess\u00edvel a todos, como qualquer outro eletrodom\u00e9stico. Para entender essa mudan\u00e7a, precisamos nos concentrar na principal caracter\u00edstica desta nova forma de comunica\u00e7\u00e3o: a digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em inform\u00e1tica e eletr\u00f4nica, <em>digital<\/em> refere-se ao fato de que toda informa\u00e7\u00e3o \u00e9 representada por n\u00fameros ou que \u00e9 manipulada por n\u00fameros (o termo \u00e9 derivado do ingl\u00eas <em>digit<\/em>, que significa cifra). Um determinado conjunto de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 representado em formato digital, ou seja, como uma sequ\u00eancia de n\u00fameros tomados de um conjunto de valores discretos, ou seja, pertencentes ao mesmo conjunto bem definido e circunscrito. Atualmente, <em>digital<\/em> pode ser considerado como sin\u00f4nimo de <em>num\u00e9rico<\/em> e se op\u00f5e \u00e0 forma de representa\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o chamada de <em>anal\u00f3gica<\/em>. O que \u00e9 digital se op\u00f5e ao que \u00e9 anal\u00f3gico, ou seja, n\u00e3o numer\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Digital, portanto, refere-se \u00e0 matem\u00e1tica do discreto, que trabalha com um conjunto finito de elementos, enquanto o anal\u00f3gico \u00e9 modelado com a matem\u00e1tica do cont\u00ednuo, que lida com um infinito (numer\u00e1vel ou n\u00e3o numer\u00e1vel) de elementos. Um objeto \u00e9 digitalizado, ou seja, tornado digital, se seu estado original (anal\u00f3gico) for <em>traduzido<\/em> e representado por meio de um conjunto num\u00e9rico de elementos. Por exemplo, uma foto, normalmente composta por um n\u00famero infinito de pontos, cada um dos quais \u00e9 composto por uma gama infinita de cores, \u00e9 digitalizada, e assim traduzida em uma foto digital, quando sua superf\u00edcie \u00e9 representada como sendo subdividida em um n\u00famero discreto de <em>pontos<\/em> (geralmente pequenos quadrados ou ret\u00e2ngulos chamados <em>pixels<\/em>), cada um dos quais \u00e9 composto por uma cor representada, por sua vez, por um n\u00famero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a comunica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, por um lado, contribui para o enfraquecimento da institui\u00e7\u00e3o do livro como fonte e ferramenta de informa\u00e7\u00e3o e cultura; por outro lado, de novas maneiras, ela continua e expande seu servi\u00e7o (como, por exemplo, acontece com o <em>ebook<\/em>). Al\u00e9m disso, se a impressora permitiu um uso diferente da mem\u00f3ria, o computador hoje em dia aumenta ainda mais esta mudan\u00e7a, dotado como est\u00e1 de uma vasta capacidade de gerenciamento de dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Justamente porque processa a linguagem de todos os outros meios em formato digital, o computador tornou-se o meio por excel\u00eancia do s\u00e9culo XXI. Em particular, \u00e9 uma ferramenta de escritura para todos: jornalistas, escritores, cientistas, engenheiros, poetas e artistas. Ela modificou em grande parte as t\u00e9cnicas tradicionais de escrita, como fez para a edi\u00e7\u00e3o, a fotocomposi\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria impress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a comunidade humana estava ligada pelo tel\u00e9grafo e depois pelo telefone. Hoje, as conex\u00f5es globais s\u00e3o feitas pelo computador: a troca de dinheiro e mercadoria na bolsa de valores, o tr\u00e1fego a\u00e9reo e ferrovi\u00e1rio etc. s\u00e3o controlados de maneira inform\u00e1tica. A mesma maneira permite que milh\u00f5es de pessoas troquem mensagens sem limites de tempo ou de espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Uma in\u00e9dita interpreta\u00e7\u00e3o da realidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revolu\u00e7\u00e3o na ci\u00eancia e na tecnologia trazida pelos computadores e pela tecnologia da informa\u00e7\u00e3o foi habilmente descrita por Naief Yehya: \u201cCom um computador podemos transformar quase qualquer problema humano em estat\u00edsticas, gr\u00e1ficos, equa\u00e7\u00f5es. O realmente perturbador, por\u00e9m, \u00e9 que, ao faz\u00ea-lo, criamos a ilus\u00e3o de que estes problemas sejam resolv\u00edveis com os computadores\u201d (YEHYA, 2005, p. 15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chris Anderson, o editor-chefe da <em>Wired<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, resume o que a <em>revolu\u00e7\u00e3o digital<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> significa para o mundo cient\u00edfico:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cientistas sempre se basearam em hip\u00f3teses e experimentos. [&#8230;] Diante da disponibilidade de enormes quantidades de dados, esta abordagem \u2013 hip\u00f3tese, modelo te\u00f3rico e teste \u2013 torna-se obsoleta. [&#8230;] Agora h\u00e1 uma maneira melhor. Os <em>petabytes<\/em> nos permitem dizer: &#8220;a correla\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente&#8221;. Podemos deixar de procurar modelos te\u00f3ricos. Podemos analisar os dados sem nenhuma suposi\u00e7\u00e3o sobre o que os dados poderiam mostrar. Podemos enviar os n\u00fameros para o maior conjunto de computadores [<em>clusters<\/em>] que o mundo j\u00e1 viu e deixar que os algoritmos estat\u00edsticos encontrem modelos [estat\u00edsticos] onde a ci\u00eancia n\u00e3o pode. [&#8230;] Aprender a usar um computador desta escala pode ser um desafio. Mas a oportunidade \u00e9 grande: a nova disponibilidade de uma enorme quantidade de dados, combinada com as ferramentas estat\u00edsticas para process\u00e1-los, oferece uma maneira totalmente nova de entender o mundo. A correla\u00e7\u00e3o substitui a causalidade, e as ci\u00eancias podem avan\u00e7ar mesmo sem modelos te\u00f3ricos coerentes, teorias unificadas ou algum tipo de explica\u00e7\u00e3o mecanicista. (ANDERSON, 2008, p. 106-107)<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O advento da pesquisa digital, onde tudo se transforma em dados num\u00e9ricos, leva \u00e0 capacidade de estudar o mundo de acordo com novos paradigmas gnoseol\u00f3gicos: o que conta \u00e9 apenas a correla\u00e7\u00e3o entre duas quantidades de dados e n\u00e3o mais uma teoria coerente que explica esta correla\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Praticamente hoje estamos assistindo a desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos (capacidade de fazer) que n\u00e3o correspondem a nenhum desenvolvimento cient\u00edfico (capacidade de conhecer e explicar): hoje a correla\u00e7\u00e3o \u00e9 usada para prever com precis\u00e3o suficiente, ainda que n\u00e3o exista uma teoria cient\u00edfica que a sustente, o risco de impacto de asteroides, mesmo desconhecidos, em v\u00e1rios lugares da Terra, os locais institucionais sujeitos a ataques terroristas, o voto de cidad\u00e3os individuais nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais americanas, a tend\u00eancia de curto prazo do mercado de a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso de computadores e da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o no desenvolvimento tecnol\u00f3gico destacou um desafio lingu\u00edstico que ocorre na fronteira entre homem e m\u00e1quina: no processo de questionamento m\u00fatuo entre homem e m\u00e1quina, surgem proje\u00e7\u00f5es e trocas at\u00e9 ent\u00e3o inimagin\u00e1veis, e a m\u00e1quina se torna n\u00e3o menos humana do que o homem se torna m\u00e1quina (BENANTI, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Novas potencialidades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O efeito da digitaliza\u00e7\u00e3o exponencial da comunica\u00e7\u00e3o e da sociedade est\u00e1 levando, de acordo com Marc Prensky (PRENSKY, 2001a, p. 1-6; PRENSKY, 2001b, p. 1-6), a uma verdadeira transforma\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica: o advento dos nativos digitais. <em>Nativo digital<\/em> (em ingl\u00eas <em>digital native<\/em>) \u00e9 uma express\u00e3o aplicada a uma pessoa que cresceu com tecnologias digitais como computadores, internet, telefones celulares e MP3. A express\u00e3o \u00e9 usada para se referir a um grupo novo e in\u00e9dito de alunos que est\u00e3o entrando no sistema educacional. Os nativos digitais surgiram em paralelo com a difus\u00e3o em massa dos computadores com interface gr\u00e1fica em 1985 e dos sistemas operacionais por janelas em 1996. O nativo digital cresce em uma sociedade de m\u00faltiplas telas e considera as tecnologias como um elemento natural sem sentir nenhum desconforto em manipul\u00e1-las e interagir com elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contraste, Prensky cunhou a express\u00e3o imigrante digital (<em>digital immigrant<\/em>) para indicar uma pessoa que cresceu antes das tecnologias digitais e as adotou mais tarde. Uma das diferen\u00e7as entre estes indiv\u00edduos \u00e9 a diferente abordagem mental que eles t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novas tecnologias: por exemplo, um nativo digital falar\u00e1 sobre sua nova c\u00e2mera (sem definir seu tipo tecnol\u00f3gico) enquanto um imigrante digital falar\u00e1 sobre sua nova c\u00e2mera digital, ao contr\u00e1rio da c\u00e2mera de filme qu\u00edmico que ele usava antes. Um nativo digital, de acordo com Prensky, \u00e9 moldado pela dieta de m\u00eddia a que \u00e9 submetido: em cinco anos, por exemplo, ele ou ela passa 10.000 horas jogando videogames, troca pelo menos 200.000 e-mails, passa 10.000 horas no telefone celular, passa 20.000 horas em frente \u00e0 televis\u00e3o assistindo pelo menos 500.000 comerciais, mas dedica apenas 5.000 horas \u00e0 leitura. Esta dieta de m\u00eddia produz, segundo Prensky, uma nova linguagem, uma nova maneira de organizar o pensamento que mudar\u00e1 a estrutura cerebral dos nativos digitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Multitarefa, hipertextualidade e interatividade s\u00e3o, para Prensky, apenas algumas caracter\u00edsticas do que parece ser uma etapa nova e sem precedentes na evolu\u00e7\u00e3o humana. Al\u00e9m disso, segundo o autor, embora erraticamente e \u00e0 nossa pr\u00f3pria velocidade, estamos todos caminhando para um aprimoramento digital que inclui atividades cognitivas. De fato, diz ele, as ferramentas digitais j\u00e1 ampliam e enriquecem nossas capacidades cognitivas de muitas maneiras. A tecnologia digital melhora a mem\u00f3ria, por exemplo, atrav\u00e9s de ferramentas de aquisi\u00e7\u00e3o, armazenamento e recupera\u00e7\u00e3o de dados. A coleta de dados digitais e as ferramentas de apoio \u00e0 decis\u00e3o melhoram a escolha, permitindo-nos coletar mais dados e verificar todas as implica\u00e7\u00f5es daquela quest\u00e3o. A melhoria cognitiva digital, possibilitada por laptops, bancos de dados on-line, simula\u00e7\u00f5es virtuais tridimensionais, ferramentas colaborativas on-line, port\u00e1teis e uma s\u00e9rie de outras ferramentas espec\u00edficas do contexto, \u00e9 agora uma realidade para em muitas profiss\u00f5es, mesmo em campos n\u00e3o t\u00e9cnicos, como o direito e as humanidades. Por isso, ao inv\u00e9s de \u201ccapacita\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica\u201d, Presky prefere falar de \u201ccapacita\u00e7\u00e3o digital\u201d, por tr\u00eas raz\u00f5es: 1. Porque hoje quase toda a tecnologia \u00e9 digital ou suportada por ferramentas digitais; 2. A tecnologia digital difere de outras tecnologias por ser program\u00e1vel, ou seja, \u00e9 capaz de ser induzida a fazer, em n\u00edveis cada vez mais precisos, exatamente o que se quer (esta capacidade de personaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o digital); 3. A tecnologia digital investe cada vez mais energia em vers\u00f5es cada vez menores de microprocessadores, que, por sua vez, constituem o n\u00facleo de grande parte da tecnologia capaz de melhorar a cogni\u00e7\u00e3o. Esta miniaturiza\u00e7\u00e3o, juntamente com custos cada vez menores, \u00e9 a que tornar\u00e1 a tecnologia digital dispon\u00edvel para todos, embora a taxas diferentes e em locais diferentes (PRENSKY, 2009)<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Informa\u00e7\u00e3o ou controle?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivemos em uma sociedade e tempo digitais, a Era Digital, um per\u00edodo complexo por causa das profundas mudan\u00e7as que essas tecnologias est\u00e3o produzindo. A pandemia de Covid-19 acelerou uma s\u00e9rie de processos que h\u00e1 algum tempo vinham mudando radicalmente a sociedade porque era poss\u00edvel dissociar conte\u00fado, conhecimento, de seu suporte<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. A mudan\u00e7a de \u00e9poca que estamos atravessando \u00e9 produzida pela tecnologia digital e seu impacto em nosso modo de entender a n\u00f3s mesmos e a realidade ao nosso redor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para compreender este desafio, precisamos voltar ao in\u00edcio desta transforma\u00e7\u00e3o. Em um document\u00e1rio granulado filmado em 1952, nos Laborat\u00f3rios Bell, o matem\u00e1tico e pesquisador dos Laborat\u00f3rios Bell, Claude Shannon, est\u00e1 ao lado de uma m\u00e1quina que ele construiu. Constru\u00eddo em 1950, foi um dos primeiros exemplos de aprendizagem autom\u00e1tica do mundo: um rato rob\u00f3tico que resolve labirintos, conhecido como <em>Theseus<\/em>. O Teseu da mitologia grega antiga navegou no labirinto de um minotauro e escapou seguindo um fio que ele usava para marcar seu caminho. Mas o brinquedo eletromec\u00e2nico de Shannon foi capaz de &#8220;lembrar&#8221; a rota com a ajuda de interruptores de rel\u00e9 telef\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1948, Shannon introduzira o conceito de teoria da informa\u00e7\u00e3o em <em>A Mathematical Theory of Communication<\/em> (Teoria Matem\u00e1tica da Comunica\u00e7\u00e3o), um documento que fornece a prova matem\u00e1tica de que toda comunica\u00e7\u00e3o pode ser expressa digitalmente. Claude Shannon mostrou que as mensagens podiam ser tratadas puramente como uma quest\u00e3o de engenharia. A teoria matem\u00e1tica e n\u00e3o sem\u00e2ntica da comunica\u00e7\u00e3o de Shannon abstrai o significado de uma mensagem e a presen\u00e7a de um remetente ou destinat\u00e1rio humano; uma mensagem, deste esse ponto de vista, \u00e9 uma s\u00e9rie de fen\u00f4menos transmiss\u00edveis aos quais uma determinada m\u00e9trica pode ser aplicada (POLT, 2015, p. 181).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas intui\u00e7\u00f5es deram origem a uma nova vis\u00e3o transdisciplinar da realidade: a cibern\u00e9tica de Norbert Wiener. Para Wiener, a teoria da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma poderosa de conceber a pr\u00f3pria natureza. Enquanto o universo est\u00e1 ganhando entropia, de acordo com a segunda lei da termodin\u00e2mica \u2013 ou seja, sua distribui\u00e7\u00e3o de energia est\u00e1 se tornando menos diferenciada e mais uniforme \u2013, existem sistemas locais contraentr\u00f3picos. Esses sistemas s\u00e3o os organismos vivos e as m\u00e1quinas de processamento de informa\u00e7\u00f5es que constru\u00edmos. Esses sistemas se diferenciam e se organizam: eles geram informa\u00e7\u00f5es (POLT, 2015, p. 181). O privil\u00e9gio desta abordagem \u00e9 o de permitir \u00e0 cibern\u00e9tica exercer um controle seguro sobre o campo interdisciplinar que ela gera e trata: \u201ca cibern\u00e9tica j\u00e1 pode ter certeza de sua \u2018coisa\u2019, ou seja, de calcular tudo em termos de um processo controlado\u201d (HEIDEGGER; FABRIS, 1988, p. 34-35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7ando na d\u00e9cada anterior \u00e0 Segunda Grande Guerra, e acelerando durante e depois da guerra, os cientistas projetaram sistemas mec\u00e2nicos e el\u00e9tricos cada vez mais sofisticados que permitiam que suas m\u00e1quinas agissem como se tivessem um prop\u00f3sito. Este trabalho se cruzou com outros trabalhos sobre cogni\u00e7\u00e3o em animais e trabalhos precoces em computa\u00e7\u00e3o. O que surgiu foi uma nova maneira de ver os sistemas, n\u00e3o apenas mec\u00e2nicos e el\u00e9tricos, mas tamb\u00e9m biol\u00f3gicos e sociais: uma teoria unificadora dos sistemas e sua rela\u00e7\u00e3o com o meio ambiente. Esse movimento em dire\u00e7\u00e3o a \u201csistemas inteiros\u201d e \u201cpensamento de sistema\u201d ficou conhecido como cibern\u00e9tica. A cibern\u00e9tica enquadra o mundo em termos de sistemas e seus objetivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a cibern\u00e9tica, os sistemas atingem seus objetivos atrav\u00e9s de processos iterativos ou ciclos de \u201cfeedback\u201d. De repente, os principais cientistas do p\u00f3s-guerra estavam falando seriamente sobre a causalidade circular (A causa B, B causa C e, finalmente, C causa A). Olhando mais de perto, os cientistas viram a dificuldade de separar o observador do sistema. Na verdade, o sistema parecia ser uma constru\u00e7\u00e3o do observador. O papel do observador \u00e9 fornecer uma descri\u00e7\u00e3o do sistema, que \u00e9 dada a outro observador. A descri\u00e7\u00e3o requer um idioma. E o processo de observar, criar linguagem e compartilhar descri\u00e7\u00f5es cria uma sociedade. Desde o final dos anos 40, o mundo da pesquisa mais avan\u00e7ada come\u00e7ou a olhar para a subjetividade \u2013 da linguagem, da conversa\u00e7\u00e3o e da \u00e9tica \u2013 e para a sua rela\u00e7\u00e3o com sistemas e design. Diferentes disciplinas estavam colaborando para estudar a \u201ccolabora\u00e7\u00e3o\u201d como uma categoria de controle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 ent\u00e3o, os f\u00edsicos haviam descrito o mundo em termos de mat\u00e9ria e energia. A comunidade cibern\u00e9tica prop\u00f4s uma nova vis\u00e3o do mundo atrav\u00e9s da lente da informa\u00e7\u00e3o, dos canais de comunica\u00e7\u00e3o e de sua organiza\u00e7\u00e3o. Desta forma, a cibern\u00e9tica nasceu no alvorecer da era da informa\u00e7\u00e3o, nas comunica\u00e7\u00f5es pr\u00e9-digitais e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, fazendo a ponte entre a forma como os humanos interagem com m\u00e1quinas, sistemas e uns com os outros. A cibern\u00e9tica se concentra no uso do feedback para corrigir erros e atingir objetivos: a cibern\u00e9tica faz da m\u00e1quina e do ser humano uma esp\u00e9cie de mouse da Shannon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 neste n\u00edvel que precisamos olhar mais de perto os efeitos que isto pode ter sobre a compreens\u00e3o \u2013 de si e dos outros \u2013 do ser humano e sobre a liberdade. Na medida que as discuss\u00f5es amadureceram, os objetivos da comunidade cibern\u00e9tica se expandiram. Em 1968, Margaret Mead estava contemplando a aplica\u00e7\u00e3o da cibern\u00e9tica aos problemas sociais:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que o cen\u00e1rio mundial se amplia, existe a possibilidade cont\u00ednua de usar a cibern\u00e9tica como forma de comunica\u00e7\u00e3o em um mundo de crescente especializa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. [&#8230;] dever\u00edamos olhar muito seriamente para a situa\u00e7\u00e3o atual da sociedade americana, dentro da qual esperamos desenvolver estas formas muito sofisticadas de lidar com sistemas que precisam desesperadamente de aten\u00e7\u00e3o. Problemas das \u00e1reas metropolitanas, [&#8230;]. As interrela\u00e7\u00f5es entre diferentes n\u00edveis de governo, a redistribui\u00e7\u00e3o da renda, [&#8230;] as liga\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias entre partes de grandes complexos industriais&#8230; (MEAD, 1968, p. 45)<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abordagem cibern\u00e9tica, como destacaria Martin Heidegger em sua releitura de Wiener e o trabalho dos cibern\u00e9ticos, \u201creduz\u201d a pr\u00f3pria atividade humana, na pluralidade de suas configura\u00e7\u00f5es, a algo funcional e control\u00e1vel pela m\u00e1quina: \u201co pr\u00f3prio homem torna-se \u2018algo planejado, isto \u00e9, control\u00e1vel\u2019 <em>e<\/em>, se tal redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o for poss\u00edvel, ele \u00e9 colocado entre par\u00eanteses como \u2018fator perturbador\u2019 no c\u00e1lculo cibern\u00e9tico\u201d (HEIDEGGER; FABRIS, 1988, p. 10). De fato, Fabris observa que:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua an\u00e1lise do fen\u00f4meno cibern\u00e9tico, Heidegger mant\u00e9m constantemente em mente a matriz grega da palavra e privilegia este aspecto, em vez de \u2013 por exemplo \u2013 a no\u00e7\u00e3o central de feedback, como um fio condutor para entender e explicar as caracter\u00edsticas de tal \u201cdisciplina n\u00e3o disciplina\u201d. Na leitura Heideggeriana, a cibern\u00e9tica indica o advento de um processo de controle e informa\u00e7\u00e3o dentro das diferentes esferas tem\u00e1ticas das diversas ci\u00eancias. Do ponto de vista hermen\u00eautico, comando e controle (la <em>Steuerung<\/em>) s\u00e3o entendidos antes de tudo, do ponto de vista hermen\u00eautico, como a perspectiva dentro da qual as rela\u00e7\u00f5es do homem com o mundo s\u00e3o reguladas. (FABRIS, 1988, p. 11)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabris observa que<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">a cibern\u00e9tica \u00e9 vista por Heidegger como o momento mais avan\u00e7ado, o resultado mais evidente daquele dom\u00ednio da t\u00e9cnica para o qual toda a metaf\u00edsica ocidental flui. A hist\u00f3ria do ser \u2013 como emerge dos cursos universit\u00e1rios sobre Nietzsche nos anos 30 \u2013 tem de fato seu ponto de chegada no evento da t\u00e9cnica, no qual a vontade de poder (vontade de vontade) que determina a a\u00e7\u00e3o humana e se estende a todas as esferas da realidade, encontra plena manifesta\u00e7\u00e3o. Dentro desse processo de autorrefer\u00eancia da vontade, o projeto cibern\u00e9tico recebe sua pr\u00f3pria justifica\u00e7\u00e3o e define suas rela\u00e7\u00f5es com a filosofia, assumindo algumas de suas tarefas e assumindo suas prerrogativas tradicionais. (FABRIS, 1988, p. 11)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cora\u00e7\u00e3o dos cibern\u00e9ticos, ou seja, daqueles estudiosos que s\u00e3o os pais da sociedade inform\u00e1tica, das intelig\u00eancias artificiais e de todos esses impressionantes desenvolvimentos que o digital est\u00e1 realizando em nossas vidas, entretanto, pode ter havido a promessa de um prop\u00f3sito ainda maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gregory Bateson, o primeiro marido de Margaret Mead, disse em uma famosa entrevista que o que o excitava nas discuss\u00f5es sobre cibern\u00e9tica era isto: \u201cFoi uma solu\u00e7\u00e3o para o problema do escopo. A partir de Arist\u00f3teles, a causa final sempre foi o mist\u00e9rio. Isso veio \u00e0 tona ent\u00e3o. N\u00e3o perceb\u00edamos ent\u00e3o (pelo menos eu n\u00e3o percebi, embora McCulloch possa ter percebido) que toda a l\u00f3gica teria que ser reconstru\u00edda para a recursividade\u201d (BRAND, 1976, p. 32-34)<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Sustentabilidade digital<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a sociedade da informa\u00e7\u00e3o pode de fato, por meio de a\u00e7\u00f5es de <em>feedback<\/em> digital, colocar o homem em uma condi\u00e7\u00e3o de controle pela m\u00e1quina (seja eletr\u00f4nica ou algor\u00edtmica), e se a rela\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica em sua forma mais radical de realiza\u00e7\u00e3o da simbiose homem-m\u00e1quina pode, de fato, negar a necessidade de se colocar a hip\u00f3tese de causas finais para a a\u00e7\u00e3o, um horizonte dist\u00f3pico aparece no horizonte em que a sociedade da informa\u00e7\u00e3o inevitavelmente colapsa em uma sociedade de controle. A an\u00e1lise da sociedade digital nos permite refletir sobre a liga\u00e7\u00e3o entre causas, necessidade e liberdade, que o digital realiza em sua forma de implementa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: ela p\u00f5e em quest\u00e3o a pr\u00f3pria exist\u00eancia de um destino do homem que dependa de seu livre arb\u00edtrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta forma de digitaliza\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica, que eu definiria aqui como \u201cforte\u201d, a fim de sublinhar como esta \u00e9 uma forma poss\u00edvel de sociedade se n\u00e3o forem criadas formas de sustentabilidade digital (BENANTI; MAFFETTONE, 2021), corre o risco de eliminar a pr\u00f3pria possibilidade de uma liberdade positiva. Em linguagem pol\u00edtica, esse termo, como diz Bobbio, significa<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">a situa\u00e7\u00e3o em que uma pessoa tem a possibilidade de dirigir sua vontade em dire\u00e7\u00e3o a um objetivo, de tomar decis\u00f5es, sem ser determinado pela vontade de outros\u201d. Esta forma de liberdade tamb\u00e9m \u00e9 chamada \u201cautodetermina\u00e7\u00e3o\u201d ou, ainda mais apropriadamente, \u201cautonomia\u201d. [&#8230;] A defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de liberdade positiva foi dada por Rousseau, para quem a liberdade no estado civil consiste no fato de que ali o homem, como parte do todo social, como membro do \u201ceu comum\u201d, n\u00e3o obedece a ningu\u00e9m al\u00e9m de si mesmo, ou seja, \u00e9 aut\u00f4nomo no sentido preciso da palavra, no sentido de que d\u00e1 leis para si mesmo e n\u00e3o obedece a nenhuma outra lei al\u00e9m daquelas que ele mesmo se deu: \u201cA obedi\u00eancia \u00e0 lei que prescrevemos para n\u00f3s mesmos \u00e9 liberdade\u201d (<em>Contrato social<\/em>, I, 8). Este conceito de liberdade foi assumido, sob a influ\u00eancia direta de Rousseau, por Kant, [&#8230;] na <em>Metaf\u00edsica dos Costumes<\/em>, onde a liberdade legal \u00e9 definida como \u201ca faculdade de n\u00e3o obedecer a nenhuma lei que n\u00e3o aquela \u00e0 qual os cidad\u00e3os deram seu consentimento\u201d (II, 46). [&#8230;] As liberdades civis, o prot\u00f3tipo das liberdades negativas, s\u00e3o liberdades individuais, ou seja, inerentes ao indiv\u00edduo singular: historicamente, de fato, s\u00e3o produto das lutas para defender o indiv\u00edduo considerado ou como pessoa moral e, portanto, tendo um valor em si mesmo, ou como sujeito de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, contra a intrus\u00e3o de entidades coletivas como a Igreja e o Estado [&#8230;]. A liberdade como autodetermina\u00e7\u00e3o, por outro lado, \u00e9 geralmente referida, na teoria pol\u00edtica, a uma vontade coletiva, seja essa vontade aquela do povo ou da comunidade ou da na\u00e7\u00e3o ou do grupo \u00e9tnico ou da p\u00e1tria. (BOBBIO, 1978)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 luz destas breves reflex\u00f5es, parece-nos que podemos enfatizar que a matriz epistemol\u00f3gica do controle inerente ao desenvolvimento do digital como cultura de informa\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica ainda reside impl\u00edcita e irrefletidamente dentro das aplica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas da sociedade da informa\u00e7\u00e3o. Cabe \u00e0 sociedade civil criar um debate para que os processos de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica digital sejam desafiados.\u00a0 Entretanto, o mundo da tecnologia \u00e9 hoje descrito pela categoria de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se continuarmos a olhar a tecnologia apenas como uma inova\u00e7\u00e3o, corremos o risco de n\u00e3o perceber seu escopo de transforma\u00e7\u00e3o social e, portanto, de ser incapazes de direcionar seus efeitos para o bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para poder falar de inova\u00e7\u00e3o como um bem, e para poder orient\u00e1-la para o bem comum, precisamos de uma qualifica\u00e7\u00e3o capaz de descrever como e quais caracter\u00edsticas do progresso contribuem para o bem dos indiv\u00edduos e da sociedade. \u00c9 por isso que, com Sebastiano Maffettone, decidimos adotar a categoria de sustentabilidade digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de sustentabilidade digital chama a aten\u00e7\u00e3o para um conceito amplo, incluindo a expans\u00e3o duradoura das possibilidades de escolha dos indiv\u00edduos e a melhoria equitativa de suas perspectivas de bem-estar. Falar de sustentabilidade digital significa n\u00e3o colocar a capacidade t\u00e9cnica no centro das aten\u00e7\u00f5es, mas manter o ser humano no centro do pensamento e como o fim que qualifica o progresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Usar a tecnologia digital eticamente hoje, respeitar a <em>ecologia humana<\/em>, significa tentar transformar a inova\u00e7\u00e3o em um mundo <em>digital sustent\u00e1vel<\/em>. Significa direcionar a tecnologia rumo e para o desenvolvimento humano, e n\u00e3o simplesmente buscar o progresso como um fim em si mesmo. Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel pensar e implementar tecnologia sem formas espec\u00edficas de racionalidade (o pensamento t\u00e9cnico e cient\u00edfico), colocar a sustentabilidade digital no centro do interesse significa dizer que o pensamento t\u00e9cnico e cient\u00edfico n\u00e3o \u00e9 suficiente<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que haja liberdade, precisamos que a consci\u00eancia e as consci\u00eancias questionem a t\u00e9cnica, direcionando seu desenvolvimento para o bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 O pontificado de Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostar\u00edamos, nesta \u00faltima parte do texto, de apresentar a grande sensibilidade que o pont\u00edfice demonstra em rela\u00e7\u00e3o ao tema tecnol\u00f3gico e \u00e0 presen\u00e7a inovadora do digital como forma dominante de tecnologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao ler a enc\u00edclica <em>Laudato Si\u2019<\/em> encontramos vinte refer\u00eancias expl\u00edcitas \u00e0 tecnologia. A palavra <em>tecnologia<\/em> volta primeiro na parte inicial do texto, onde nos debru\u00e7amos sobre a an\u00e1lise do problema ecol\u00f3gico para entender <em>o que est\u00e1 acontecendo com nossa casa<\/em> (n. 16, 20, 34 \u2013 2 vezes, 54 \u2013 2 vezes); em seguida, no terceiro cap\u00edtulo, onde se busca a raiz humana do problema ecol\u00f3gico (n. 102 \u2013 3 vezes, 104 \u2013 2 vezes, 105, 106 \u2013 2 vezes, 109, 110, 113, 114 e 132); e apenas uma vez no cap\u00edtulo que trata de oferecer algumas linhas de orienta\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o (n. 165). Duas vezes (n. 103 e 107) prefere-se usar o termo <em>tecnoci\u00eancia<\/em> em vez de tecnologia. Entretanto, nossa investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o estaria completa se n\u00e3o mencion\u00e1ssemos como o pont\u00edfice, conectando agir humano, tecnologia e problema ecol\u00f3gico, justap\u00f5e ao substantivo tecnologia o adjetivo tecnocr\u00e1tico, que ocorre sete vezes \u2013 todas no terceiro cap\u00edtulo \u2013, que descreve uma certa atitude interior do ser humano e sua intencionalidade no relacionar-se com a tecnologia em tons escuros e negativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A an\u00e1lise que a <em>Laudato Si\u2019<\/em> oferece da tecnologia reflete a ambiguidade da ferramenta t\u00e9cnica que surgiu na interse\u00e7\u00e3o da ecologia e da tecnologia. Devemos reconhecer que<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A humanidade entrou numa nova era, em que o poder da tecnologia nos p\u00f5e diante duma encruzilhada. Somos herdeiros de dois s\u00e9culos de ondas enormes de mudan\u00e7as [&#8230;]. \u00c9 justo que nos alegremos com esses progressos e nos entusiasmemos \u00e0 vista das amplas possibilidades que nos abrem essas novidades incessantes, porque \u201ca ci\u00eancia e a tecnologia s\u00e3o um produto estupendo da criatividade humana que Deus nos deu\u201d. A transforma\u00e7\u00e3o da natureza para fins \u00fateis \u00e9 uma caracter\u00edstica do g\u00eanero humano, desde os seus prim\u00f3rdios; e assim a t\u00e9cnica \u201cexprime a tens\u00e3o do \u00e2nimo humano para uma gradual supera\u00e7\u00e3o de certos condicionamentos materiais\u201d. A tecnologia deu rem\u00e9dio a in\u00fameros males, que afligiam e limitavam o ser humano [&#8230;]. (LS n. 102)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, n\u00e3o podemos ignorar o fato de que as habilidades que adquirimos<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">nos d\u00e3o um poder tremendo. Ou melhor: d\u00e3o, \u00e0queles que det\u00eam o conhecimento e sobretudo o poder econ\u00f4mico para o desfrutar, um dom\u00ednio impressionante sobre o conjunto do g\u00eanero humano e do mundo inteiro. Nunca a humanidade teve tanto poder sobre si mesma, e nada garante que o utilizar\u00e1 bem, sobretudo se se considera a maneira como o est\u00e1 a fazer. (LS n. 104)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema da tecnologia \u00e9 um problema dos fins a serem escolhidos para orientar o uso dos meios t\u00e9cnicos. Somente se a tecnologia for orientada para a realiza\u00e7\u00e3o de valores humanamente qualificados e humanizadores seu uso ser\u00e1 respeitoso com o homem e o meio ambiente. Os fins servidos pelos meios tecnol\u00f3gicos s\u00e3o os \u00fanicos capazes de justificar eticamente os meios t\u00e9cnicos e sua utiliza\u00e7\u00e3o (LS n. 103). No entanto, n\u00e3o \u00e9 raro testemunharmos uma busca pelo poder t\u00e9cnico que parece ser assimilado ao pr\u00f3prio poder: quando o progresso t\u00e9cnico n\u00e3o \u00e9 animado pela busca do bem comum e pela realiza\u00e7\u00e3o de valores moralmente qualificados, ele dificilmente se torna desenvolvimento, expondo a humanidade \u00e0 arbitrariedade cega (LS n. 105).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste n\u00edvel, tra\u00e7ar o desenvolvimento da <em>Laudato Si\u2019<\/em> revela a verdadeira natureza do problema tecnol\u00f3gico:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema fundamental \u00e9 outro e ainda mais profundo: o modo como realmente a humanidade assumiu a tecnologia e o seu desenvolvimento<em>\u00a0juntamente com um paradigma homog\u00eaneo e unidimensional<\/em>. Neste paradigma, sobressai uma concep\u00e7\u00e3o do sujeito que progressivamente, no processo l\u00f3gico-racional, compreende e assim se apropria do objeto que se encontra fora. Um tal sujeito desenvolve-se ao estabelecer o m\u00e9todo cient\u00edfico com a sua experimenta\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 \u00e9 explicitamente uma t\u00e9cnica de posse, dom\u00ednio e transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se o sujeito tivesse \u00e0 sua frente a realidade informe totalmente dispon\u00edvel para a manipula\u00e7\u00e3o. Sempre se verificou a interven\u00e7\u00e3o do ser humano sobre a natureza, mas durante muito tempo teve a caracter\u00edstica de acompanhar, secundar as possibilidades oferecidas pelas pr\u00f3prias coisas; tratava-se de receber o que a realidade natural por si permitia, como que estendendo a m\u00e3o. Mas, agora, o que interessa \u00e9 extrair o m\u00e1ximo poss\u00edvel das coisas por imposi\u00e7\u00e3o da m\u00e3o humana, que tende a ignorar ou esquecer a realidade pr\u00f3pria do que tem \u00e0 sua frente. Por isso, o ser humano e as coisas deixaram de se dar amigavelmente a m\u00e3o, tornando-se contendentes. Daqui passa-se facilmente \u00e0 ideia de um crescimento infinito ou ilimitado, que tanto entusiasmou os economistas, os te\u00f3ricos da finan\u00e7a e da tecnologia. Isto sup\u00f5e a mentira da disponibilidade infinita dos bens do planeta, que leva a \u201cesprem\u00ea-lo\u201d at\u00e9 ao limite e para al\u00e9m do mesmo. Trata-se do falso pressuposto de que \u201cexiste uma quantidade ilimitada de energia e de recursos a serem utilizados, que a sua regenera\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel de imediato e que os efeitos negativos das manipula\u00e7\u00f5es da ordem natural podem ser facilmente absorvidos. (LS n. 106)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema, continua o documento, \u00e9 a mentalidade tecnocr\u00e1tica dominante, que concebe toda a realidade como um objeto que pode ser manipulado sem limites. Este \u00e9 um reducionismo que envolve todas as dimens\u00f5es da vida. A tecnologia n\u00e3o \u00e9 neutra: ela faz \u201cop\u00e7\u00f5es sobre o tipo de vida social que se pretende desenvolver\u201d (LS n. 107). O paradigma tecnocr\u00e1tico tamb\u00e9m domina a economia e a pol\u00edtica; em particular, \u201cA economia assume todo o desenvolvimento tecnol\u00f3gico em fun\u00e7\u00e3o do lucro. [&#8230;] Mas o mercado, por si mesmo, n\u00e3o garante o desenvolvimento humano integral nem a inclus\u00e3o social\u201d (LS n. 109). Confiar unicamente na tecnologia para resolver cada problema significa \u201cesconder os problemas verdadeiros e mais profundos do sistema mundial\u201d (LS n. 111), dado que \u201co progresso da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica n\u00e3o equivale ao progresso da humanidade e da hist\u00f3ria\u201d (LS n. 113).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, parece haver a necessidade de uma \u201ccorajosa revolu\u00e7\u00e3o cultural\u201d (LS n. 114) para recuperar os valores e a percep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 importante no processo de transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Quando a tecnologia se torna um instrumento para a implementa\u00e7\u00e3o do pensamento \u00fanico, do que o pont\u00edfice define como <em>pensamento tecnocr\u00e1tico<\/em>, ent\u00e3o sua natureza se perverte e se torna um instrumento de desumaniza\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o do lar comum, pilhando-o, danificando-o irremediavelmente e tornando-se uma implementa\u00e7\u00e3o altamente eficiente dos danos ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta leitura da <em>Laudato Si\u2019<\/em> emerge como o texto magisterial faz sua a tens\u00e3o interna do mundo da tecnologia. A resposta que o pont\u00edfice oferece aos crist\u00e3os e aos homens de boa vontade para se encarregarem da gest\u00e3o e do uso da tecnologia \u00e9 sob a forma de discernimento e di\u00e1logo. O magist\u00e9rio de Francisco n\u00e3o pretende resolver essas tens\u00f5es dando linhas ou diretrizes a serem seguidas em virtude do papel ou princ\u00edpio de autoridade, mas assume a complexidade do problema indicando a necessidade de uma comunh\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es e di\u00e1logo para encontrar solu\u00e7\u00f5es compartilhadas e capazes de orientar a tecnologia e seu progresso em dire\u00e7\u00e3o ao bem comum em formas de aut\u00eantico desenvolvimento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m destas linhas, vale ressaltar que foi a Pontif\u00edcia Academia para a Vida que trouxe a fronteira da reflex\u00e3o para o mundo digital. Em um palco dominado pela palavra renAIssance (um jogo de palavras entre renascimento e intelig\u00eancia artificial \u2013 AI \u2013), a Roma Call for na AI Ethics (Apelo de Roma para uma \u00c9tica da IA) foi assinada em 28 de fevereiro de 2020. Uma chamada aberta que parte da Pontif\u00edcia Academia da Vida e que, envolvendo ind\u00fastrias, sociedade civil e institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, visa apoiar uma abordagem \u00e9tica e humanista da Intelig\u00eancia Artificial. A ideia deste \u201cchamado\u201d para proteger a dignidade da pessoa humana e do lar comum decorre dos di\u00e1logos que ocorreram nos \u00faltimos dois anos entre a Academia e alguns de seus membros e parte do mundo tecnol\u00f3gico e industrial. A ideia de n\u00e3o elaborar um texto unilateral ou diretamente normativo est\u00e1 ligada ao profundo desejo de promover, entre organiza\u00e7\u00f5es, governos e institui\u00e7\u00f5es, um senso de responsabilidade compartilhada com o objetivo de garantir um futuro no qual a inova\u00e7\u00e3o digital e o progresso tecnol\u00f3gico estejam a servi\u00e7o do g\u00eanio e da criatividade humana e n\u00e3o de sua substitui\u00e7\u00e3o gradual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento foi assinado pelas seguintes institui\u00e7\u00f5es: a Pontif\u00edcia Academia pela Vida e seu presidente, Mons. Vincenzo Paglia, a Microsoft e seu presidente Brad Smith, a IBM e seu vice-presidente John E. Kelly III, a FAO e seu diretor geral, QU Dongyu, e o governo italiano e sua ministra da Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica e da Digitaliza\u00e7\u00e3o, Paola Pisano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do Apelo est\u00e1 dividido em tr\u00eas partes: \u00e9tica, educa\u00e7\u00e3o e direitos, e est\u00e1 dispon\u00edvel na internet em um site espec\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito \u00e0 \u00e9tica, o Apelo parte da considera\u00e7\u00e3o de que \u201ctodos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Eles s\u00e3o dotados de raz\u00e3o e consci\u00eancia e devem agir uns para com os outros num esp\u00edrito de fraternidade\u201d, como diz o Artigo 1 da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. Partindo desta pedra angular, que hoje pode ser considerada como uma esp\u00e9cie de gram\u00e1tica universal, um elemento limiar, em uma comunidade global e plural, as primeiras condi\u00e7\u00f5es fundamentais que a pessoa deve usufruir, liberdade e dignidade, devem ser protegidas e garantidas na produ\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas de intelig\u00eancia artificial (a partir de agora IA).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, os sistemas de IA devem ser concebidos, projetados e implementados para servir e proteger o ser humano e o meio ambiente em que ele vive. Isto \u00e9 para permitir que o progresso tecnol\u00f3gico seja uma ferramenta para o desenvolvimento da fam\u00edlia humana, ao mesmo tempo em que permite o respeito pelo planeta, o lar comum. Para que isso aconte\u00e7a, seguindo o Apelo, tr\u00eas requisitos devem ser atendidos, a IA deve incluir todo ser humano, n\u00e3o discriminando ningu\u00e9m; deve ter o bem da humanidade e o bem de todo ser humano em seu n\u00facleo; deve ser desenvolvida de forma consciente da complexa realidade de nosso ecossistema e ser caracterizada pela forma como cuida e protege o planeta com uma abordagem altamente sustent\u00e1vel, que inclui tamb\u00e9m o uso de intelig\u00eancia artificial para garantir sistemas alimentares sustent\u00e1veis no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia do usu\u00e1rio ao interagir com a m\u00e1quina, o Apelo enfatiza a primazia do ser humano: cada pessoa deve estar ciente de que est\u00e1 interagindo com uma m\u00e1quina e n\u00e3o pode ser enganada por interfaces que disfar\u00e7am a m\u00e1quina, dando-lhe apar\u00eancias humanas. A tecnologia de intelig\u00eancia artificial nunca deve ser usada para explorar pessoas de qualquer forma, especialmente as mais vulner\u00e1veis (particularmente as crian\u00e7as e os idosos). Em vez disso, deve ser usada para ajudar as pessoas a desenvolver suas capacidades e para sustentar nosso planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os desafios \u00e9ticos tornam-se ent\u00e3o desafios educacionais. Transformar o mundo atrav\u00e9s da inova\u00e7\u00e3o da IA significa comprometer-se a construir um futuro para e com a gera\u00e7\u00e3o mais jovem. Este compromisso deve se traduzir em um engajamento com a educa\u00e7\u00e3o, desenvolvendo curr\u00edculos espec\u00edficos que aprofundem as diferentes disciplinas, desde as humanidades \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 tecnologia, para educar a gera\u00e7\u00e3o mais jovem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es mais jovens, portanto, precisa de um compromisso renovado e de uma qualidade cada vez maior: ela deve ser oferecida com m\u00e9todos acess\u00edveis a todos, que n\u00e3o discriminem e que possam oferecer igualdade de oportunidades e de tratamento. O acesso \u00e0 aprendizagem tamb\u00e9m deve ser garantido aos idosos, aos quais deve ser oferecida a possibilidade de acesso a servi\u00e7os inovadores, de forma compat\u00edvel com a esta\u00e7\u00e3o de suas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nestas considera\u00e7\u00f5es, o Apelo observa que essas tecnologias podem ser extremamente \u00fateis para ajudar as pessoas com defici\u00eancias a aprender e se tornar mais independentes, oferecendo ajuda e oportunidades de participa\u00e7\u00e3o social (por exemplo, trabalho \u00e0 dist\u00e2ncia para aqueles com mobilidade limitada, apoio tecnol\u00f3gico para aqueles com defici\u00eancias cognitivas etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para garantir que as exig\u00eancias \u00e9ticas e a urg\u00eancia educativa n\u00e3o permane\u00e7am uma mera voz, o Apelo delineia alguns elementos que poderiam gerar uma nova \u00e9poca do direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento da IA a servi\u00e7o da humanidade e do planeta requer regulamenta\u00e7\u00f5es e princ\u00edpios que protejam as pessoas \u2013 especialmente os fracos e os menos afortunados \u2013 e os meios ambientes naturais. A prote\u00e7\u00e3o dos direitos humanos na era digital deve ser colocada no centro do debate p\u00fablico para que a IA possa atuar como uma ferramenta para o bem da humanidade e do planeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m ser\u00e1 essencial considerar um m\u00e9todo para tornar compreens\u00edveis n\u00e3o apenas os crit\u00e9rios de decis\u00e3o dos agentes algor\u00edtmicos baseados na IA, mas tamb\u00e9m seu prop\u00f3sito e objetivos. Isto aumentar\u00e1 a transpar\u00eancia, a rastreabilidade e a responsabilidade, tornando mais v\u00e1lidas as tomadas de decis\u00e3o assistidas pelo computador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Projetar e planejar sistemas de intelig\u00eancia artificial que possam ser confi\u00e1veis implica promover a implementa\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos \u00e9ticos que saibam chegar ao cora\u00e7\u00e3o dos algoritmos, o motor desses sistemas digitais. Para isso, o Apelo fala de \u201calgor\u00e9tica\u201d, ou seja, de princ\u00edpios, uma esp\u00e9cie de barreira de prote\u00e7\u00e3o \u00e9tica, que, expressos por aqueles que desenvolvem esses sistemas, tornem-se operativos na execu\u00e7\u00e3o do software. O Apelo enumera assim os primeiros princ\u00edpios algor\u00e9ticos que s\u00e3o reconhecidos como fundamentais para o desenvolvimento correto da IA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso de IA deve, portanto, seguir os seguintes princ\u00edpios:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Transpar\u00eancia<\/strong>: em princ\u00edpio, os sistemas de IA devem ser compreens\u00edveis;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inclus\u00e3o<\/strong>: as necessidades de todos os seres humanos devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o para que todos possam se beneficiar e todos os indiv\u00edduos possam receber as melhores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para se expressarem e se desenvolverem;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Responsabilidade<\/strong>: quem projeta e implementa solu\u00e7\u00f5es de Intelig\u00eancia Artificial deve proceder com responsabilidade e transpar\u00eancia;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imparcialidade<\/strong>: n\u00e3o criar ou agir de acordo com preconceitos, salvaguardando assim a justi\u00e7a e a dignidade humana;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confiabilidade<\/strong>: os sistemas de Intelig\u00eancia Artificial devem ser capazes de funcionar de forma confi\u00e1vel;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seguran\u00e7a e privacidade<\/strong>: os sistemas de intelig\u00eancia artificial devem funcionar com seguran\u00e7a e respeitar a privacidade dos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ludwig Wittgenstein, no <em>Tractatus Logico-Philosophicus<\/em>, escreveu: \u201cos limites da minha linguagem s\u00e3o os limites do meu mundo\u201d. Parafraseando o fil\u00f3sofo do s\u00e9culo passado, ent\u00e3o, podemos dizer que, para n\u00e3o sermos exclu\u00eddos do mundo das m\u00e1quinas, a fim de n\u00e3o criarmos um mundo algor\u00edtmico desprovido de significado humano, devemos expandir nossa linguagem \u00e9tica para que ela contamine e determine o funcionamento desses sistemas chamados \u201cinteligentes\u201d. A inova\u00e7\u00e3o, nunca mais do que hoje, precisa de um rico entendimento antropol\u00f3gico para se tornar uma aut\u00eantica fonte de desenvolvimento humano. Em seu discurso na Assembleia Plen\u00e1ria da mesma Academia, o papa Francisco respondeu a estas inst\u00e2ncias quando falou das tecnologias digitais: \u201cElas podem dar frutos de bem\u201d, mas \u201cuma a\u00e7\u00e3o educacional mais ampla\u201d \u00e9 necess\u00e1ria. E os perigos \u201cn\u00e3o devem esconder de n\u00f3s o grande potencial dessas ferramentas\u201d (FRANCISCO, 2020, p. 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de nosso percurso, gostar\u00edamos de nos concentrar nos desafios enfrentados pelas primeiras gera\u00e7\u00f5es desta nova era.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos pr\u00f3ximos vinte anos, a gera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as nascidas no terceiro mil\u00eanio enfrentar\u00e1 tr\u00eas quest\u00f5es fundamentais decorrentes da realidade digital e de sua onipresen\u00e7a. A resolu\u00e7\u00e3o destas quest\u00f5es descrever\u00e1, para o melhor ou para o pior, um mundo t\u00e3o profundamente diferente de tudo o que a humanidade experimentou que podemos realmente imaginar o fim de uma era e o nascimento de um novo mundo, um universo digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante disso, os r\u00f3tulos sociol\u00f3gicos tradicionais usados para classificar os jovens, como Gera\u00e7\u00e3o X, Y ou Z, n\u00e3o s\u00e3o suficientes. Parece-me que, devido \u00e0 qualidade e \u00e0s caracter\u00edsticas da realidade sint\u00e9tica que estamos produzindo, devemos entender esta gera\u00e7\u00e3o como uma <em>Gera\u00e7\u00e3o \u00d4mega<\/em>. Se considerarmos os desafios filos\u00f3ficos, \u00e9ticos e pr\u00e1ticos que a realidade sint\u00e9tica apresenta, penso que podemos concordar que esta gera\u00e7\u00e3o poderia ser a \u00faltima gera\u00e7\u00e3o humana como temos entendido este termo at\u00e9 agora \u2013 estou ciente de que a express\u00e3o \u00e9 forte e provocativa, mas espero nas p\u00e1ginas seguintes poder fazer justi\u00e7a a esta provoca\u00e7\u00e3o. O tema central \u00e9 se esta gera\u00e7\u00e3o conseguir\u00e1 colonizar e urbanizar este novo continente de realidade sint\u00e9tica, desejos m\u00edticos e potencial tecnol\u00f3gico quase ilimitado. O poder fazer desta gera\u00e7\u00e3o poderia transform\u00e1-la em algo muito diferente do que entendemos atualmente como humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que sabemos \u00e9 que a figura do homem que habitar\u00e1 nosso futuro \u00e9 a de um ser errante, que busca. Se ele for capaz de aceitar um chamado espiritual, ele voltar\u00e1 a ser um <em>viator<\/em> (viajante, n.d.t.), caso contr\u00e1rio se condenar\u00e1 a ser vagabundo e sem rumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, a <em>Gera\u00e7\u00e3o \u00d4mega<\/em> tem que responder, de uma forma que n\u00e3o pode mais ser atrasada, a algumas perguntas fundamentais sobre nossa natureza humana. Estas quest\u00f5es dizem respeito: \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da humanidade com seu meio ambiente; \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da humanidade com a tecnologia; e \u00e0 rela\u00e7\u00e3o da humanidade consigo mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja, especialista em humanidade, como Paulo VI a definiu, percebeu estas transforma\u00e7\u00f5es e est\u00e1 se tornando a companheira do homem nesta novidade do mundo digital, oferecendo n\u00e3o solu\u00e7\u00f5es abstratas e te\u00f3ricas, mas se permitindo ser questionada pelo que est\u00e1 acontecendo e se tornando a companheira do homem no caminho da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Transformar a inova\u00e7\u00e3o em desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constata\u00e7\u00e3o que emerge do percurso aqui proposto \u00e9 que o grande poder da tecnologia pode ser uma ferramenta formid\u00e1vel para ajudar a humanidade a fazer o bem cada vez mais efetivamente ou pode se tornar o instrumento mais eficaz de desumaniza\u00e7\u00e3o. O que permite a distin\u00e7\u00e3o entre estes dois resultados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mudan\u00e7a de \u00e9poca que estamos atravessando \u00e9 o produto da tecnologia e de seu impacto na forma como nos entendemos e compreendemos a realidade. Entretanto, o mundo da tecnologia \u00e9 hoje descrito pela categoria de inova\u00e7\u00e3o. Entretanto, se continuarmos a olhar a tecnologia apenas como inova\u00e7\u00e3o, corremos o risco de n\u00e3o perceber seu escopo de transforma\u00e7\u00e3o social e de direcionar seus efeitos para o bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inova\u00e7\u00e3o significa um avan\u00e7o ou transforma\u00e7\u00e3o gradual, marcado por um aumento cada vez maior da capacidade e do potencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma bomba at\u00f4mica comparada a uma clava \u00e9 um enorme avan\u00e7o (na capacidade de ofender). Mas podemos chamar este aumento de capacidade de uma coisa boa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do exemplo espec\u00edfico, a resposta correta, em geral, \u00e9 \u201cdepende\u201d. Nem todo progresso \u00e9 para o bem ou envolve apenas o bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para poder falar de inova\u00e7\u00e3o como um bem e poder orient\u00e1-la para o bem comum, precisamos de uma qualifica\u00e7\u00e3o capaz de descrever como e quais caracter\u00edsticas do progresso contribuem para o bem dos indiv\u00edduos e da sociedade. Para isso, utilizamos a categoria de desenvolvimento. A ideia de desenvolvimento humano chama a aten\u00e7\u00e3o para um conceito abrangente que se concentra nos processos que expandem as escolhas dos indiv\u00edduos e melhoram suas perspectivas de bem-estar, e que permitem que indiv\u00edduos e grupos se movam o mais rapidamente poss\u00edvel em dire\u00e7\u00e3o a seu empoderamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento humano deve, portanto, ser entendido como um fim e n\u00e3o como um meio que caracteriza o progresso atrav\u00e9s da defini\u00e7\u00e3o de prioridades e crit\u00e9rios. Falar de desenvolvimento significa, portanto, n\u00e3o colocar a capacidade t\u00e9cnica no centro das aten\u00e7\u00f5es, mas manter o homem no centro da reflex\u00e3o e como fim que qualifica o progresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Usar tecnologia eticamente hoje significa tentar transformar inova\u00e7\u00e3o em desenvolvimento. Significa direcionar a tecnologia rumo e para o desenvolvimento e n\u00e3o simplesmente buscar o progresso como um fim em si mesmo. Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel pensar e implementar a tecnologia sem formas espec\u00edficas de racionalidade (o pensamento t\u00e9cnico e cient\u00edfico), colocar o desenvolvimento no centro do interesse significa dizer que o pensamento t\u00e9cnico-cient\u00edfico n\u00e3o \u00e9 suficiente por si s\u00f3. S\u00e3o necess\u00e1rias diferentes abordagens, incluindo a abordagem humanista e a contribui\u00e7\u00e3o da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento necess\u00e1rio para enfrentar os desafios da era da mudan\u00e7a ter\u00e1 que ser:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Global<\/strong>, ou seja, para todas as mulheres e homens e n\u00e3o apenas para algumas pessoas ou alguns grupos privilegiados (distinguidos por g\u00eanero, l\u00edngua ou etnia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Integral<\/strong>, ou seja, de toda a mulher e de todo o homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Plural<\/strong>, ou seja, atentos ao contexto social em que vivemos, respeitosos da pluralidade humana e das diferentes culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fecundo<\/strong>, ou seja, capaz de lan\u00e7ar as bases para as gera\u00e7\u00f5es futuras, em vez de ser m\u00edope e orientado para a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos de hoje sem nunca olhar para o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gentil<\/strong>, ou seja, respeitador da terra que nos acolhe (a casa comum), dos recursos e de todas as esp\u00e9cies vivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a tecnologia e para nosso futuro, precisamos de um desenvolvimento que eu descreveria brevemente como gentil. Isso \u00e9 a \u00e9tica, e as escolhas \u00e9ticas s\u00e3o aquelas que v\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o de um desenvolvimento gentil.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Paolo Benanti. <\/em>Pontificia Universidade Gregoriana. Texto original, Italiano. Enviado em 12\/02\/2022. Aprovado em 30\/06\/2022. Publicado em 30\/12\/2022. Tradu\u00e7\u00e3o Paolo Brivio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">ANDERSON, C. The End of Theory. <em>Wired, <\/em>n.16, 2008.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BENANTI, P. <em>The Cyborg. <\/em>Corpo e corporeit\u00e0 nell\u2019epoca del postumano. Assisi: Cittadella, 2012.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BENANTI, P. <em>Digital Age. <\/em>Teoria del cambio d&#8217;epoca. Persona, famiglia e societ\u00e0. Cinisello Balsamo: San Paolo, 2020.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BENANTI, P.; MAFFETTONE, S. Intelligenza artificiale e la frontiera dei principi. <em>Corriere della Sera<\/em>, ed. 7 maio 2021. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.corriere.it\/opinioni\/21_maggio_17\/intelligenza-artificiale-frontiera-principi-697e5326-b71d-11eb-ba17-f6e1f3fff06b.shtml\">https:\/\/www.corriere.it\/opinioni\/21_maggio_17\/intelligenza-artificiale-frontiera-principi-697e5326-b71d-11eb-ba17-f6e1f3fff06b.shtml<\/a> Acesso em: 12 set 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BENANTI, P.; MAFFETTONE, S.\u00a0 \u201cSostenibilit\u00e0 D\u201d. Le conseguenze dela rivoluzione digitale nelle nostre vite. <em>Il Mulino<\/em>, n. 2, 2021.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BOBBIO, N. Libert\u00e0. In: <em>Enciclopedia del Novecento<\/em>, Treccani, 1978. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.treccani.it\/enciclopedia\/liberta_%28Enciclopedia-del-Novecento%29\/\">https:\/\/www.treccani.it\/enciclopedia\/liberta_%28Enciclopedia-del-Novecento%29\/<\/a>. Acesso em: 4 nov 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BRAND, S. For God\u2019s Sake, Margaret a conversation with Margaret Mead and Gregory Bateson. <em>CoEvolutionary Quarterly<\/em>, p. 32-44, 10-21 giugno 1976.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">FRANCISCO. <em>Discurso do Papa Franscisco aos participantes na plen\u00e1ria da Pontif\u00edcia Academia para a vida<\/em> <em>em 28 fev 2020<\/em>. Roma: Vatican, 2020. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2020\/february\/documents\/papa-francesco_20200228_accademia-perlavita.html\">https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2020\/february\/documents\/papa-francesco_20200228_accademia-perlavita.html<\/a>. Acesso em: 20 mai 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">FRANCISCO. <em>Carta enc\u00edclica Laudato Si\u2019<\/em>: sobre o cuidado da casa comum. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2015.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">HEIDEGGER, M.; FABRIS, A. (cur.). <em>Filosofia e cibern\u00e9tica<\/em>. ETS, 1988.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">MEAD, M. Cybernetics of Cybernetics. In: <em>\u00a0Purposive Systems:<\/em>\u00a0 <em>Proceedings of the First Annual Symposium of the American Society for Cybernetics<\/em>. VON FOERSTER, H. et al. New York: Spartan Books, 1968.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">POLT, R. A Heideggerian Critique of Cyberbeing. In: <em>Horizons of Authenticity in Phenomenology, Existentialism, and Moral Psychology<\/em>, a cura di H. Pedersen e M. Altman, Springer, Dordrecht, 2015, 181.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PRENSKY, M. Digital Natives, Digital Immigrants. <em>On the Horizon<\/em> v. 9, n. 5, p. 1-6, 2001a. Dispon\u00edvel em:\u00a0 <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.scribd.com\/doc\/9799\/Prensky-Digital-Natives-Digital-Immigrants-Part1\">http:\/\/www.scribd.com\/doc\/9799\/Prensky-Digital-Natives-Digital-Immigrants-Part1<\/a>. Acesso em: 4 fev 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PRENSKY, M. Digital Natives, Digital Immigrants, part 2: Do They Really Think Differently? <em>On the Horizon, <\/em>v.9, n.6), p. 1-6, 2001b. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.twitchspeed.com\/site\/Prensky%20-%20Digital%20Natives, %20Digital%20Immigrants %20-%20Part2.htm. Acesso: 10 jan 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PRENSKY, M. \u00a0H. Sapiens Digital: From Digital Immigrants and Digital Natives to Digital Wisdom. <em>Inovvate Journal of Online Education<\/em>, v. 5, n. 3, art. 1. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.innovateonline.info\/index.php?view=article&amp;id=705\">http:\/\/www.innovateonline.info\/index.php?view=article&amp;id=705<\/a>. Acesso: 3 jan 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">YEHYA, N. <em>Homo cyborg. Il corpo postumano tra realt\u00e0 e fantascienza<\/em>. Milano: Eleuthera, 2005.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> <em>Wired<\/em> \u00e9 uma revista mensal americana fundada em 1993 e sediada em S\u00e3o Francisco. Conhecida no setor como <em>A B\u00edblia de Internet<\/em>, foi fundada pelo \u00edtalo-americano Louis Rossetto, um dos principais especialistas em tecnologia e na assim chamada <em>revolu\u00e7\u00e3o digital<\/em>, juntamente com Nicholas Negroponte, um cientista inform\u00e1tico americano famoso por seus estudos inovadores no campo das interfaces homem-computador. Atualmente \u00e9 dirigida por Chris Anderson, que trabalhou anteriormente para <em>The Economist<\/em>, <em>Nature<\/em> e <em>Science<\/em>. <em>Wired<\/em> (que literalmente significa <em>conectado<\/em>) trata de quest\u00f5es tecnol\u00f3gicas e como elas influenciam a cultura, a economia e a pol\u00edtica. Desde fevereiro de 2009, ela \u00e9 tamb\u00e9m publicada na It\u00e1lia. No que diz respeito aos ciborgues, <em>Wired<\/em> \u00e9 uma das mais ricas fontes de material e reflex\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Com <em>revolu\u00e7\u00e3o digital<\/em> refere-se \u00e0 s\u00e9rie de enormes mudan\u00e7as no mundo da comunica\u00e7\u00e3o e na sociedade contempor\u00e2nea como um todo, causadas pela possibilidade de reduzir todo tipo de informa\u00e7\u00e3o a cadeias de <em>bits<\/em> e <em>bytes<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> O original est\u00e1 em ingl\u00eas, a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa. Os <em>petabytes<\/em> s\u00e3o uma medida da capacidade de mem\u00f3ria de um computador. Um <em>petabyte <\/em>\u00e8 igual a 2<sup>50<\/sup>, ou seja 1.125.899.906.842.624, <em>bytes <\/em>&#8211; um <em>byte <\/em>\u00e9 a unidade de medida para o c\u00e1lculo do armazenamento de massa. Retornaremos a este assunto em profundidade nos pr\u00f3ximos t\u00f3picos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Para se ter uma ideia de qu\u00e3o grande \u00e9 a quantidade de dados que somos capazes de processar hoje, basta dizer que os primeiros computadores dos anos sessenta como o ENIAC foram capazes de armazenar cerca de dez <em>bytes<\/em>, enquanto hoje, em m\u00e9dia, um usu\u00e1rio dom\u00e9stico tem uma capacidade de 1 <em>terabyte<\/em> (a mil\u00e9sima parte de um <em>petabyte<\/em>) em seu computador, 460 <em>terabytes<\/em> s\u00e3o todos os dados clim\u00e1ticos digitais da Terra, 530 <em>terabytes<\/em> s\u00e3o todos os v\u00eddeos contidos no sistema de transmiss\u00e3o internet <em>YouTube<\/em>, e 1 <em>petabyte<\/em> de dados \u00e9 processado a cada 72 minutos pelos server do <em>Google<\/em>, o popular mecanismo de busca da Internet (ANDERSON , 2008, p. 106).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> O assunto \u00e9 vasto e complexo para ser discutido em detalhe nesse texto. Para mais detalhes, ver BENANTI, 2020.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Pense em fen\u00f4menos como <em>fake news<\/em>, o surgimento do <em>sharp power<\/em>, os eventos no Capit\u00f3lio ou o Brexit, na esfera p\u00fablica, ou como o digital est\u00e1 moldando as expectativas e os modos de rela\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas com plataformas e modalidades nunca antes vistos, para citar apenas alguns exemplos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 minha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa. Arist\u00f3teles introduziu a teoria sobre as causas em <em>F\u00edsica<\/em> II 3-7, <em>Metaf\u00edsica<\/em> \u0394 2, <em>Metaf\u00edsica<\/em> A 3-10 e <em>Anal\u00edtica Posterior <\/em>II 111. Ela tem sido objeto de muito debate desde o in\u00edcio. A import\u00e2ncia da teoria de Arist\u00f3teles sobre as causas se deve principalmente ao fato de que, a partir dela, podemos falar de conhecimento quando podemos dar conta dos princ\u00edpios e causas que desempenharam um papel na ocorr\u00eancia de um determinado evento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> <\/span>Com Sebastiano Maffettone escrevemos um artigo sobre sustentabilidade digital, publicado em Il Mulino, v. 2, 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Uma nova era 2 Uma in\u00e9dita interpreta\u00e7\u00e3o da realidade 3 Novas potencialidades 4 Informa\u00e7\u00e3o ou controle? 5 Sustentabilidade digital 6 O pontificado de Francisco Conclus\u00e3o Introdu\u00e7\u00e3o N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil passar em revista as novidades do mundo digital e os desafios que ele representa para a consci\u00eancia e a liberdade. A transforma\u00e7\u00e3o, cuja [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-2763","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-moraletica-teologica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2763","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2763"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2763\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2824,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2763\/revisions\/2824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}