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{"id":2742,"date":"2022-12-30T11:20:08","date_gmt":"2022-12-30T14:20:08","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2742"},"modified":"2023-01-28T18:48:36","modified_gmt":"2023-01-28T21:48:36","slug":"as-origens-do-messianismo-davidico-na-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2742","title":{"rendered":"As origens do messianismo dav\u00eddico na B\u00edblia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Messianismo: sem\u00e2ntica e modalidades<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Messianismo pr\u00e9-ex\u00edlico: ponto de partida de uma longa tradi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Messianismo p\u00f3s-ex\u00edlico: uma tradi\u00e7\u00e3o em cont\u00ednuo desdobramento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os temas complexos dos estudos b\u00edblicos, encontra-se o messianismo. Muito se escreveu e, ainda, se escrever\u00e1 sobre ele. Na raiz do problema, est\u00e1 a impossibilidade de se resgatar o passado de Israel e recuperar sua hist\u00f3ria, no sentido moderno, de modo a se obter evid\u00eancias seguras. Os textos b\u00edblicos, no seu conjunto, s\u00e3o de car\u00e1ter narrativo-teol\u00f3gico. Est\u00e3o enraizados em contextos hist\u00f3rico-geogr\u00e1ficos bem precisos, e respondem \u00e0s muitas crises de f\u00e9 do povo de Israel, para as quais pretendem oferecer uma chave de compreens\u00e3o. A teologia narrativa, com a qual s\u00e3o revestidos, preocupa-se com o presente e se reporta ao passado na estrita medida em que se pode conectar ao momento dos narradores, em vista de descortinar um futuro. Portanto, seria equivocada a pretens\u00e3o de reconstruir a hist\u00f3ria de Israel, com textos cuja pretens\u00e3o \u00fanica foi a de narrar a hist\u00f3ria de YHWH com seu povo. Igualmente, quando se trata do messianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A complexidade agrava-se, ainda mais, quando se sabe que muitos estudiosos se deixam enredar por suas op\u00e7\u00f5es religiosas e ideol\u00f3gicas, defendidas a ferro e fogo. Passando \u00e0 margem de uma leitura honesta do texto b\u00edblico, com os m\u00e9todos apropriados, cultivam posturas intolerantes e belicosas, quando se esperava que buscassem consensos, na pluralidade de abordagens, por se trabalhar a mesma tradi\u00e7\u00e3o escritur\u00edstico-teol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso objetivo consiste em mostrar como as narrativas hist\u00f3rico-b\u00edblicas, de modo especial a Historiografia Deuteronomista, descrevem o nascimento do messianismo dav\u00eddico, que foi tomando corpo na tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e prof\u00e9tica de Israel, bem como, nos salmos, at\u00e9 o ponto de, no p\u00f3s-ex\u00edlio, n\u00e3o mais se esperar um rei pessoal, e sim um davidida escatol\u00f3gico e, mais difusamente, um tempo messi\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O messianismo desdobrou-se de variadas formas, \u201cmas reteve ao mesmo tempo alguns tra\u00e7os caracter\u00edsticos comuns\u201d (SOUSA, 2009, p. 10). Entre eles: os messias apresentam-se como libertadores, enviados por YHWH, com uma miss\u00e3o junto ao povo; uma de suas principais tarefas consiste em restaurar o Reino de Davi, nos limites geogr\u00e1ficos e com a grandeza de outrora; reerguer\u00e3o o Templo de Jerusal\u00e9m; restabelecer\u00e3o a unidade das tribos dispersas pelo ex\u00edlio babil\u00f4nico e, por fim, far\u00e3o com que a Tor\u00e1 recupere sua centralidade na vida do povo por se tratar do querer de YHWH (SILVA; SILVA, 2017, p. 252). Cada messias tem a pretens\u00e3o de ser \u201co\u201d Messias!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O messianismo b\u00edblico assumiu duas distintas conota\u00e7\u00f5es. Antes do ex\u00edlio, refere-se ao rei em exerc\u00edcio ou, caso se tratasse de um rei \u00edmpio, do rei justo esperado. Quando Jeremias denuncia a impiedade do rei Joaquim (609-597 aC), em seu horizonte est\u00e1 o desejo de que lhe suceda um rei justo (Jr 22,13-19). Depois do ex\u00edlio babil\u00f4nico, em face da impossibilidade de se restaurar a dinastia dav\u00eddica, dificultada pelos dominadores persas, as esperan\u00e7as messi\u00e2nicas ser\u00e3o sempre mais postergadas, at\u00e9 assumirem dimens\u00f5es escatol\u00f3gicas. Assim se deve entender que \u201cas sementes do messianismo estavam presentes no pensamento israelita desde tempos muito mais primitivos, embora n\u00e3o tenham brotado e florescido antes do per\u00edodo p\u00f3s-ex\u00edlico\u201d (BARTON, 2005, p. 387).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nosso percurso se deter\u00e1 nos albores do p\u00f3s-ex\u00edlio, quando os retornados da Babil\u00f4nia fazem um discreto ensaio de confiar a lideran\u00e7a dos juda\u00edtas, em fase de reconstru\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de Israel, a um davidida nascido entre os exilados. Muita \u00e1gua passou debaixo da ponte, na sequ\u00eancia da hist\u00f3ria, dando origem a uma enorme gama de tradi\u00e7\u00f5es messi\u00e2nicas, tanto em Qumran, no juda\u00edsmo rab\u00ednico, na di\u00e1spora alexandrina, bem como no \u00e2mbito do que se convencionou chamar Novo Testamento, com a figura de Jesus de Nazar\u00e9 transformado por seus disc\u00edpulos em Messias: Jesus Cristo (FABRY; SCHOLTISSEK, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ideais messi\u00e2nicos, dos mais diferentes naipes, ultrapassam o mundo da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica e se fazem presentes, de maneira t\u00e1cita, nas esperan\u00e7as cultivadas pelos seres humanos. Aqui e acol\u00e1, surgem personalidades, mormente pol\u00edticas e religiosas, em quem s\u00e3o depositadas expectativas de colora\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica, como acontecia, outrora, com o esperado messias, tanto no pr\u00e9 quanto no p\u00f3s-ex\u00edlio. A leitura discernida dos textos b\u00edblico-messi\u00e2nicos recomenda-se, quando se trata de avaliar os candidatos a messias de todos os tempos, com aspira\u00e7\u00f5es de salvadores, quais enviados da divindade para iniciar um novo tempo, como se fora uma era escatol\u00f3gica. Os tempos de crise s\u00e3o prop\u00edcios para o surgimento de messias, em contexto de anseios de salva\u00e7\u00e3o presentes nos cora\u00e7\u00f5es humanos, encarnados em lutas sociopol\u00edticas de liberta\u00e7\u00e3o, com motiva\u00e7\u00f5es religiosas ou n\u00e3o, \u00e0s vezes, de cunho nacionalista. Nesse sentido, pode-se falar de um messianismo de cunho ateu, por vezes n\u00e3o menos militante que os messianismos de car\u00e1ter religioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pano de fundo dos messianismos apresenta-se como uma utopia, nunca totalmente alcan\u00e7ada, por se descortinarem sempre novos horizontes na medida em que se vai progredindo. Seria razo\u00e1vel dizer que nenhum ser humano ou comunidade seria capaz de viver, com dignidade, se abrisse m\u00e3o de cultivar ideais messi\u00e2nicos ao logo da caminhada. A experi\u00eancia b\u00edblico-crist\u00e3 constitui-se num excelente paradigma!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Messianismo: sem\u00e2ntica e modalidades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra messianismo, que n\u00e3o ocorre no texto b\u00edblico, reporta-se \u00e0 raiz verbal hebraica <em>mashah,<\/em> com o significado de ungir. No \u00e2mbito da B\u00edblia, aponta para quem foi escolhido por Deus \u2013 <em>hamashiah<\/em> \u2013 para assumir tarefas bem concretas e especiais, em conson\u00e2ncia com a pr\u00e1tica das monarquias no Antigo Oriente Pr\u00f3ximo, adaptada ao javismo israelita. \u201cMesmo sendo devedor de religi\u00f5es anteriores, como eg\u00edpcia, babil\u00f4nica e zoroastrismo, o messianismo, no antigo Israel, adquiriu contornos \u00fanicos e definidos\u201d (SILVA; SILVA, 2017, p. 250).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O messianismo n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o presente no Antigo Testamento como acontece no Novo Testamento.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Antigo Testamento, encontram-se trinta e nove usos da palavra <em>mashiah<\/em>. Na maioria das vezes, designam o rei. N\u00e3o se deve admirar que se encontrem essencialmente no livro de Samuel (quinze ocorr\u00eancias), onde a un\u00e7\u00e3o dispensada pelo profeta sucessivamente a Saul, depois a Davi, tem sua import\u00e2ncia por se tratar da consagra\u00e7\u00e3o dos primeiros reis. Para o Segundo Isa\u00edas (45,12), o \u201cungido\u201d \u00e9 um soberano estrangeiro, o conquistador persa Ciro, que permite aos exilados de Jud\u00e1 voltarem a Jerusal\u00e9m. (HADAS-LEBEL, 2006, p. 53)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rei, de modo muito particular, recebe a un\u00e7\u00e3o como forma de consagra\u00e7\u00e3o para a tarefa que lhe compete. \u201cA un\u00e7\u00e3o \u00e9 um rito religioso. Est\u00e1 acompanhada de uma vinda do Esp\u00edrito. Dir\u00edamos que ela confere uma gra\u00e7a\u201d, eis porque \u201co rei, pessoa consagrada, participa assim da santidade de Deus. Ele \u00e9 inviol\u00e1vel\u201d (DE VAUX, 1982, p. 161). Pode-se dizer que todo rei, por ser ungido, ao subir ao trono, torna-se messias, considerando-se a etimologia da palavra. Todos quantos recebem a un\u00e7\u00e3o s\u00e3o revestidos de identidade messi\u00e2nica! Entretanto, a un\u00e7\u00e3o dos reis, no contexto b\u00edblico, tem relev\u00e2ncia especial. Fala-se da un\u00e7\u00e3o de Saul (1Sm 10,1; 24,7), Davi (1Sm 16,12-13), Salom\u00e3o (1Rs 1,34-40), Hazael (1Rs 19,15), Je\u00fa (1Rs 19,16; 2Rs 9,6), Jo\u00e1s (2Rs 11,12) e Joacaz (2Rs 23,30) (FABRY; SCHOLTISSEK, 2008, p. 23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando desaparece a monarquia em Israel, os sumos-sacerdotes recebem a un\u00e7\u00e3o; mais tarde, todos os sacerdotes (DE LA POTTERIE, 1977, col. 1049). Quanto aos profetas, s\u00f3 se fala de Elias recebendo a ordem divina de ungir Eliseu como seu sucessor (1Rs 19,16). Sir 48,8 recorda esse fato, ao exaltar o profeta Elias: \u201cungiste reis como vingadores e profetas para suceder-te\u201d. Por sua vez, Is 61,1 \u2013 \u201cYHWH me ungiu\u201d \u2013 alude \u00e0 un\u00e7\u00e3o do profeta an\u00f4nimo do ex\u00edlio, no in\u00edcio do minist\u00e9rio. Todavia, se trata de un\u00e7\u00e3o com car\u00e1ter simb\u00f3lico-espiritual, n\u00e3o propriamente f\u00edsica. \u201cO Messias aparece na maioria dos casos como um rei, geralmente de ascend\u00eancia dav\u00eddica, com influ\u00eancia na esfera pol\u00edtica e religiosa (indissoluvelmente unidas)\u201d; no Antigo Testamento, a palavra jamais \u00e9 usada \u201ccomo t\u00edtulo para referir-se a \u2018um rei salvador dos \u00faltimos tempos\u2019\u201d (SICRE, 1995, p. 17,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rito da un\u00e7\u00e3o dos novos reis indica o poder que YHWH lhes concede em vista de uma miss\u00e3o (1Sm 10,1-10; 16,13). Pode, igualmente, ser entendido como uma forma de ado\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cTu \u00e9s meu filho, eu hoje te gerei\u201d (Sl 2,7) \u2013, que os reveste de grandeza especial e de inviolabilidade (1Cr 16,22; 2Cr 6,42; Sl 105[104],15), a ponto de poderem ser considerados presen\u00e7a de Deus ou, pelo menos, seu lugar-tenente no meio do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sentido espec\u00edfico do voc\u00e1bulo messianismo aponta para a expectativa da chegada do Messias (em grego, <em>christ\u00f3s<\/em>; em portugu\u00eas, ungido) que, revestido de autoridade divina, apresenta-se como portador de salva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica para o povo, em tempos dif\u00edceis de opress\u00e3o. Portanto, tem conota\u00e7\u00f5es positivas de esperan\u00e7a ao descortinar um tempo alvissareiro, no qual ter\u00e3o fim a dor, o sofrimento e toda sorte de viol\u00eancia, pela interven\u00e7\u00e3o divina por meio do ungido por YHWH. \u201cNo sentido judaico estrito, o messianismo \u00e9 a expectativa de um descendente do rei Davi (um davidida) para o final dos tempos\u201d (FABRY; SCHOLTISSEK, 2008, p. 13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Antigo Testamento, o voc\u00e1bulo <em>messias<\/em> ocorre, mormente, em 1 e 2Sm (15 vezes), referido \u00e0 un\u00e7\u00e3o dos primeiros reis de Israel, Saul e Davi. Is 45,1 aplica-o a Ciro, conquistador persa que haveria de permitir o retorno dos israelitas exilados a Jerusal\u00e9m. Lv 4,3.5.16; 6,15 refere-se ao sumo-sacerdote como messias. Em Hab 3,13 e Sl 28,8, trata-se do povo de Israel. As alus\u00f5es ao messias dav\u00eddico, em Sl 2,2; 18[17],51; 20[19],7; 105[104],15, apontam para a esperan\u00e7a colocada em um rei humano, sem conota\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica. Em momento algum se pensa em uma figura que descortinaria uma era de salva\u00e7\u00e3o, como ocorrer\u00e1 nas expectativas messi\u00e2nicas forjadas ao longo da hist\u00f3ria do juda\u00edsmo. Embora servindo-se de media\u00e7\u00f5es humanas, em \u00faltima an\u00e1lise, YHWH apresenta-se como o autor da salva\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio do seu povo. Se algo aconteceu ou acontecer\u00e1, a ele se deve atribuir a autoria. YHWH apresenta-se como o realizador da salva\u00e7\u00e3o-liberta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o messias, embora esse possa ser o anunciador da obra divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num sentido aberto, o messianismo relaciona-se com a escatologia, a consuma\u00e7\u00e3o dos tempos, onde a figura do Messias assume um lugar secund\u00e1rio num \u201cmessianismo sem messias\u201d, por se visar um tempo novo na caminhada da humanidade, para al\u00e9m dos tormentos do presente. \u201c\u2018Messianismo\u2019 se tornou desse modo um conceito geral para muitas representa\u00e7\u00f5es escatol\u00f3gicas e apocal\u00edpticas que tinham diferentes origens e fun\u00e7\u00f5es\u201d (FABRY; SCHOLTISSEK, 2008, p. 18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, o Messias assumiu tr\u00eas modalidades: rei, profeta e Filho do Homem, cada qual sublinhando um elemento de sua a\u00e7\u00e3o e de sua identidade. O messias rei foca a dimens\u00e3o pol\u00edtico-social (Is 11,1-9). O messias profeta tem uma palavra da parte de YHWH, no sentido de chamar o povo \u00e0 convers\u00e3o e disp\u00f4-lo para agir em conformidade com o querer divino (Jr 7,1-15). O Filho do Homem assume uma dimens\u00e3o celeste, pois desce do c\u00e9u para instaurar o projeto de Deus na hist\u00f3ria (Dn 7,13-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Messianismo pr\u00e9-ex\u00edlico: ponto de partida de uma longa tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na origem do messianismo b\u00edblico est\u00e1 a ideia do messias rei, ligada \u00e0 casa de Davi, cuja eternidade foi garantida por YWHW: \u201ca tua casa e a tua realeza subsistir\u00e3o para sempre diante de ti, e o seu trono se estabelecer\u00e1 para sempre\u201d (2Sm 7,16). De fato, \u201cno Antigo Testamento, a ideologia r\u00e9gia \u00e9 a principal respons\u00e1vel pela posterior elabora\u00e7\u00e3o da expectativa messi\u00e2nica\u201d (FABRY; SCHOLTISSEK, 2008, p. 33). \u201cSe Israel n\u00e3o tivesse tido reis, nunca teria chegado a formular a ideia messi\u00e2nica. Ainda que tivesse havido reis, sem a figura de Davi e a promessa de uma dinastia eterna tampouco teria surgido o messianismo em Israel\u201d (SICRE, 1995, p. 18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Davi foi ungido por Samuel, em conformidade com o mandado divino: \u201cYHWH disse-lhe: \u2018Levanta-te e unge-o: \u00e9 ele!\u2019 Samuel apanhou o vaso de azeite e ungiu-o na presen\u00e7a dos seus irm\u00e3os. O esp\u00edrito de YHWH precipitou-se sobre Davi a partir desse dia e tamb\u00e9m depois\u201d (1Sm 16,13). Davi era ainda menino, sem qualquer peso social. Mais tarde, as tribos de Israel, reunidas em Hebron, \u201cungiram Davi como rei em Israel\u201d (2Sm 5,5) de modo a confirmar o gesto de Samuel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, alus\u00f5es \u00e0 realeza em Israel poderiam j\u00e1 ocorrer em Gn 49,10, mesmo sem a ocorr\u00eancia da palavra messias: \u201co cetro n\u00e3o se afastar\u00e1 de Jud\u00e1, nem o bast\u00e3o de chefe de entre seus p\u00e9s\u201d, e Nm 24,7.17: \u201cum her\u00f3i surge na sua descend\u00eancia, e domina sobre muitos povos. Seu rei \u00e9 maior que Agag, seu reinado se exalta. [&#8230;] Um astro procedente de Jac\u00f3 se torna chefe, um cetro se levanta, procedente de Israel\u201d (COPPENS, 1967, p. 153-179). No per\u00edodo dos ju\u00edzes, Abimelec foi \u201cproclamado rei perto do carvalho da estela que est\u00e1 em Siqu\u00e9m\u201d (Jz 9,6), numa tentativa de introduzir um novo modelo de lideran\u00e7a das tribos. Seu irm\u00e3o Joat\u00e3o denunciou a loucura da op\u00e7\u00e3o por meio de uma f\u00e1bula (Jz 9,7-15) que descreve uma assembleia de \u00e1rvores para escolher quem haveria de lider\u00e1-las (Jz 9,16-21). Uma escolha equivocada tem s\u00e9rias consequ\u00eancias!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As lideran\u00e7as das tribos pressionaram Samuel para lhes conceder um rei, qui\u00e7\u00e1 descontentes com a maneira prec\u00e1ria como se exercia a lideran\u00e7a entre elas: \u201cagora, portanto, constitui sobre n\u00f3s um rei, que exer\u00e7a a justi\u00e7a entre n\u00f3s, como acontece em todas as na\u00e7\u00f5es\u201d (1Sm 8,5). O pedido e a motiva\u00e7\u00e3o desagradaram a Samuel (1Sm 8,6). Por um lado, YHWH era o rei de Israel; por outro, Israel n\u00e3o era um povo como os outros e sim o povo escolhido por Deus. Pedir um rei significava rebelar-se contra YHWH e recusar a se deixar guiar por ele. Todavia, uma ordem divina orientou Samuel a atender o pedido do povo. YHWH revelou o verdadeiro sentido do que se passava: \u201cn\u00e3o \u00e9 a ti que eles rejeitam, mas \u00e9 a mim que rejeitam, porque n\u00e3o querem mais que eu reine sobre eles\u201d (1Sm 7,7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">YHWH consente em atender o desejo do povo. Entretanto, ordena a Samuel: \u201cmas, solenemente, lembra-lhes e explica-lhes o direito do rei (<em>mishpat hamelek<\/em>) que reinar\u00e1 sobre eles\u201d (1Sm 8,9). Samuel o faz, descrevendo o rei com tintas carregadas (1Sm 8,11-17) e alertando para a inconveni\u00eancia de terem se colocado na contram\u00e3o de YHWH, o verdadeiro Rei de Israel. \u201cEnt\u00e3o, naquele dia, clamareis contra o rei que v\u00f3s mesmos tiverdes escolhido, mas YHWH n\u00e3o vos responder\u00e1 naquele dia\u201d (1Sm 8,18). Mesmo assim, o povo permaneceu irredut\u00edvel no seu intento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">YHWH ordena, ent\u00e3o, a Samuel: \u201cescuta a voz deles e faze reinar sobre eles um rei\u201d (1Sm 8,22). Come\u00e7a, pois, uma nova etapa na vida do povo de Israel, com a novidade de terem um rei (<em>melek<\/em>) \u00e0 sua frente, de modo a obscurecer a lideran\u00e7a divina. \u201cDe agora em diante, ser\u00e1 o rei quem marchar\u00e1 \u00e0 vossa frente\u201d (1Sm 12,2). Em outras palavras, um <em>messias<\/em> seria o rei de Israel. Davi se refere a Saul como <em>messias <\/em>(1Sm 24,7.11; 26,16); e pune com morte o estrangeiro amalecita que deu o golpe de miseric\u00f3rdia no moribundo Saul, \u201cungido de YHWH\u201d, a pedido dele mesmo (2Sm 1,14.16). Abisai prop\u00f5e a pena de morte para Semei, que amaldi\u00e7oou Davi, o \u201cungido de YHWH\u201d (2Sm 16,5-14; 19,22). O t\u00edtulo \u00e9 aplicado a Davi, tamb\u00e9m, com a express\u00e3o \u201cungido do Deus de Jac\u00f3\u201d (2Sm 23,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A un\u00e7\u00e3o de Saul, o primeiro rei, aconteceu por iniciativa de Samuel, orientado pela \u201cpalavra de YHWH\u201d, como se o pr\u00f3prio YHWH o estivesse ungindo. Por\u00e9m, o narrador n\u00e3o se refere a Saul como rei (<em>melek<\/em>), consequentemente ungido, e sim como comandante (<em>nagid<\/em>) (1Sm 9,27\u201310,1). Chamando-o de <em>nagid<\/em>, de certo modo, o narrador b\u00edblico passa a impress\u00e3o de n\u00e3o o considerar um aut\u00eantico \u201cmessias\u201d, dignidade reservada a Davi. No per\u00edodo pr\u00e9-mon\u00e1rquico, os l\u00edderes das tribos, chamados de <em>ju\u00edzes <\/em>(<em>sofetim<\/em>), recebiam a voca\u00e7\u00e3o divina e passavam \u00e0 a\u00e7\u00e3o sem o rito da un\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Davi, por sua vez, foi ungido por Samuel quando ainda era crian\u00e7a, pois YHWH se arrependera de ter institu\u00eddo Saul como rei (1Sm 15,11) e j\u00e1 havia encontrado \u201cum homem conforme ao seu cora\u00e7\u00e3o, e o instituiu como comandante (<em>nagid<\/em>) do seu povo\u201d (1Sm 13,14). O pequeno Davi foi chamado \u00e0s pressas, num momento em que cuidava do rebanho de seu pai, tendo sido rejeitados seus sete irm\u00e3os adultos (1Sm 16,10). Ao chegar, YHWH disse a Samuel: \u201clevanta-te e unge-o, pois \u00e9 ele!\u201d Ent\u00e3o, \u201cSamuel apanhou o vaso de azeite e o ungiu na presen\u00e7a de seus irm\u00e3os. O esp\u00edrito de YHWH precipitou-se sobre Davi a partir desse dia e tamb\u00e9m depois\u201d (1Sm 16,12-13). No come\u00e7o efetivo de sua miss\u00e3o, Davi, adulto, recebe uma segunda un\u00e7\u00e3o: \u201cvieram os homens de Jud\u00e1 e ali ungiram Davi como rei (<em>melek<\/em>) sobre a casa de Jud\u00e1\u201d (2Sm 2,4). Recebe, ainda, uma terceira un\u00e7\u00e3o, que faz dele rei sobre todas as tribos de Israel: \u201ctodos os anci\u00e3os de Israel vieram, pois, at\u00e9 o rei (<em>melek<\/em>), em Hebron, e o rei Davi concluiu com eles um pacto em Hebron, na presen\u00e7a de YHWH, e eles ungiram Davi como rei em Israel\u201d (2Sm 5,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O narrador b\u00edblico considera Davi, de fato, o primeiro rei em Israel. A tr\u00edplice un\u00e7\u00e3o, n\u00e3o repetida para nenhum outro rei, aponta nessa dire\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a forma como descreve o personagem Saul, reduzindo-o em import\u00e2ncia, d\u00e1 a impress\u00e3o de que, afinal, foi uma esp\u00e9cie de meio-termo entre os ju\u00edzes e o rei Davi. A profecia de Natan (2Sm 7,4-17), anunciadora da perpetuidade da realeza em Israel, de fato, refere-se a Davi e \u00e0 sua descend\u00eancia, ao declarar: \u201cquando os teus dias estiverem completos e vier a dormir com teus pais, farei permanecer a tua linha ap\u00f3s ti, aquele que ter\u00e1 sa\u00eddo das tuas entranhas e firmarei a sua realeza\u201d (2Sm 7,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A un\u00e7\u00e3o de Salom\u00e3o, realizada num contexto de intriga palaciana, d\u00e1 sequ\u00eancia \u00e0 s\u00e9rie de un\u00e7\u00e3o dos reis de Israel. O poder come\u00e7ou a escapar da m\u00e3o de Davi, j\u00e1 \u201cvelho e com idade avan\u00e7ada\u201d (1Rs 1,1). Dois partidos entram em conflito para tom\u00e1-lo. De um lado, est\u00e1 Adonias, filho do rei, que se gabava, juntamente com seus partid\u00e1rios, dizendo: \u201csou eu que vou reinar (<em>malak)<\/em>!\u201d (1Rs 1,5). Doutro lado, o profeta Nat\u00e3 com Betsabeia, m\u00e3e de Salom\u00e3o, articula-se para frustrar os planos de Adonias e obter o trono para Salom\u00e3o. A artimanha consistiu em cobrar do decr\u00e9pito Davi uma suposta promessa feita a Betsabeia: \u201cteu filho Salom\u00e3o reinar\u00e1 depois de mim e \u00e9 ele quem se sentar\u00e1 no meu trono\u201d (1Rs 1,19). Por\u00e9m, nenhuma informa\u00e7\u00e3o se d\u00e1 ao leitor da exist\u00eancia de tal promessa e seu contexto. O rei deixa-se convencer, ordenando: \u201ccomo te jurei por YHWH, Deus de Israel, que teu filho Salom\u00e3o haveria de reinar (<em>malak) <\/em>depois de mim e se sentaria em meu lugar no trono, assim o farei hoje mesmo\u201d (1Rs 1,30). Ato cont\u00ednuo, determina a un\u00e7\u00e3o real de Salom\u00e3o, a ser realizada pelo sacerdote Sadoc, acompanhado pelo profeta Nat\u00e3 e pelo general Bana\u00edas: \u201co sacerdote Sadoc apanhou na Tenda o chifre de \u00f3leo e ungiu Salom\u00e3o. Soaram a trombeta e todo o povo gritou: \u2018viva o rei Salom\u00e3o\u2019\u201d (1Rs 1,39).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo recebido o reino de m\u00e3o beijada, Salom\u00e3o se mostra extremamente ativo, seja eliminando os cabe\u00e7as do partido contr\u00e1rio (1Rs 2,26-46a), de modo que \u201ca realeza se consolidou em suas m\u00e3os\u201d (1Rs 2,46b), seja dando mostras de esperteza pol\u00edtica (1Rs 1,1\u20132,46), de ser amigo de Deus (1Rs 3,1-15; 8,14-61; 9,1-9), de ter senso de justi\u00e7a (1Rs 3,16-28), de ser s\u00e1bio (1Rs 5,9-14; 10,1-13), de ser ex\u00edmio construtor (1 Rs 5,15\u20136,14) e de ser um rico comerciante (1Rs 10,14-29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, um passo em falso levou-o \u00e0 ru\u00edna. A grandeza de seu reino resultou de uma extensa pol\u00edtica de alian\u00e7as, que o texto b\u00edblico indica quando se refere ao seu hiperb\u00f3lico har\u00e9m: \u201cteve setecentas mulheres princesas e trezentas concubinas, e suas mulheres desviaram seu cora\u00e7\u00e3o\u201d (1Rs 11,3). Construiu templos para as divindades nacionais de suas mulheres e concubinas, chegando ao c\u00famulo de prestar-lhes culto (1Rs 11,5-8). YHWH irrita-se com tal desvio de conduta (1Rs 11,9-10) e decide: \u201cvou tirar-te o reino e d\u00e1-lo a um de teus servos\u201d (1Rs 11,11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem, ent\u00e3o, in\u00edcio a derrocada do Reino de Israel, j\u00e1 nos seus albores, por infidelidade de seu <em>messias<\/em>. O narrador b\u00edblico conta com detalhes uma hist\u00f3ria que culminou na deporta\u00e7\u00e3o do rei Joaquin (597 aC) para a Babil\u00f4nia, juntamente com \u201ctodos os dignit\u00e1rios e todos os not\u00e1veis, dez mil exilados, e todos os ferreiros e art\u00edfices, s\u00f3 deixando a popula\u00e7\u00e3o mais pobre da terra\u201d [&#8230;] \u201ctodos os homens valentes, em n\u00famero de sete mil, e todos os homens capazes de empunhar armas\u201d, levando, tamb\u00e9m, \u201cos tesouros do Templo de YHWH e os tesouros do pal\u00e1cio real, al\u00e9m de quebrar todos os objetos de ouro que Salom\u00e3o, rei de Israel, havia fabricado para o Templo de YHWH, como YHWH havia anunciado\u201d (2Rs 24,13-17). Um <em>messias<\/em> esp\u00fario, Sedecias, foi colocado no lugar do rei exilado (2Rs 24,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia dos fatos, acontece uma segunda deporta\u00e7\u00e3o (587 aC) \u2013 \u201cJud\u00e1 foi exilado para longe de sua terra\u201d (2Rs 25,21b) \u2013, no rastro do saque e da destrui\u00e7\u00e3o do Templo de YHWH (2Rs 25,13-17) e da matan\u00e7a dos assessores da corte (2Rs 25,18-21a). Quanto ao rei Sedecias, imposto pelos dominadores, foi agarrado e levado a Rebla, onde estava o quartel general dos babil\u00f4nios, \u00e0 presen\u00e7a de Nabucodonosor, que o submeteu a julgamento. \u201cMandaram degolar os filhos de Sedecias na presen\u00e7a dele, depois Nabucodonosor furou os olhos de Sedecias, algemou-o e o conduziu para a Babil\u00f4nia\u201d (2Rs 25,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa que vai do Livro de Josu\u00e9 at\u00e9 o Segundo Livro dos Reis, conhecida como Historiografia Deuteronomista, conclui-se com uma cena intrigante. O rei babil\u00f4nico Evil-Merodac, quando subiu ao trono, anistiou Joaquin, o rei de Israel exilado, tirando-o da pris\u00e3o. \u201cFalou-lhe benignamente e deu-lhe um trono mais alto que o dos outros reis que estavam com ele na Babil\u00f4nia. Jeconias (Joaquin, 2Rs 24,6.8) deixou suas vestes de prisioneiro e passou a comer sempre na mesa do rei, por toda a vida. Seu sustento foi garantido constantemente pelo rei, dia ap\u00f3s dia, enquanto viveu\u201d (2Rs 25,29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joaquin, na convic\u00e7\u00e3o do povo, era o aut\u00eantico rei de Israel, o <em>messias<\/em>, por Sedecias carecer de legitimidade. Sua sobreviv\u00eancia, em terras estrangeiras, apontava para a esperan\u00e7a da restaura\u00e7\u00e3o da realeza dav\u00eddica, na linha da profecia de Nat\u00e3 (2Sm 7,1-17), onde YHWH declara a eternidade da casa de Davi, v. 16: \u201ca tua casa e a tua realeza subsistir\u00e3o para sempre diante de ti, e o seu trono se estabelecer\u00e1 para sempre\u201d (Sl 18[17],51).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esperan\u00e7a \u00e9 simbolizada, na Historiografia Deuteronomista, com uma l\u00e2mpada (<em>ner<\/em>) que n\u00e3o deve se apagar. Tal l\u00e2mpada seria o rei, <em>messias<\/em>, de Israel (2Sm 21,17; 1Rs 11,36; 1Rs 15,4; 2Rs 8,19; cf. 2Cr 21,7; Sl 132[131],17). A sobreviv\u00eancia de Joaquin pode ser entendida como a conserva\u00e7\u00e3o da lampadazinha de Israel, que haveria de voltar a brilhar em todo seu esplendor. Afinal, a profecia de Nat\u00e3 comportava uma cl\u00e1usula importante, no tocante \u00e0 eventual infidelidade do rei-<em>messias<\/em>, v\u00e1lida tanto para Salom\u00e3o quanto para seus sucessores: \u201cse ele fizer o mal eu o corrigirei com varas e golpes humanos, por\u00e9m n\u00e3o romperei minha alian\u00e7a com ele. [&#8230;] Tua casa e teu reino permanecer\u00e3o para sempre na minha presen\u00e7a; teu trono durar\u00e1 eternamente\u201d (2Sm 7,14-16; Sl 89[88],29-38) (ALVES, 2015, p. 67-84).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Messianismo p\u00f3s-ex\u00edlico: uma tradi\u00e7\u00e3o em cont\u00ednuo desdobramento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A profecia de Nat\u00e3 est\u00e1 na origem da continuidade do messianismo dav\u00eddico no p\u00f3s-ex\u00edlio. A certeza de que a realeza correspondia ao projeto de YHWH motivou os israelitas a buscarem os meios de restaur\u00e1-la ap\u00f3s a trag\u00e9dia do ex\u00edlio babil\u00f4nico. \u201cSe nunca tivesse havido monarquia em Israel, e se ela n\u00e3o tivesse assumido a alta posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que, com frequ\u00eancia, os profetas de fato criticavam, dificilmente o messianismo teria criado ra\u00edzes\u201d (BARTON, 2004, p. 389).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma esperan\u00e7a despontou no horizonte, quando o rei persa, Ciro, venceu os babil\u00f4nios, em 539 aC, e, no ano seguinte, publicou o \u00c9dito em que permitia a volta dos exilados (Esd 1,1-11). Esse expediente corresponde ao modelo persa de domina\u00e7\u00e3o que consistia em captar a benevol\u00eancia dos povos vassalos, agindo com viol\u00eancia apenas em caso de insubordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, ao retornar \u00e0 terra, n\u00e3o foi dado aos exilados o direito de restabelecer a realeza, com a indica\u00e7\u00e3o de um rei para o trono de Davi, de certo modo, vago desde a deporta\u00e7\u00e3o de Joaquin. No relato b\u00edblico, Ciro se reconhece encarregado pelo pr\u00f3prio YHWH para construir um templo ao \u201cDeus de Israel\u201d (Esd 1,3). Da\u00ed ter promovido uma coleta de fundos para levar a cabo a obra: \u201cque todos os sobreviventes, em toda parte, a popula\u00e7\u00e3o dos lugares onde eles moram tragam uma ajuda em prata, ouro, bens, animais e donativos espont\u00e2neos para o Templo de Deus que est\u00e1 em Jerusal\u00e9m\u201d (Esd 1,4). Nada se diz a respeito de quem haver\u00e1 de liderar o trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o, com a possibilidade de ser considerado rei-<em>messias<\/em>. No entanto, a chama do messianismo permanece viva como brasas escondidas sob as cinzas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00f3s-ex\u00edlio abre novas perspectivas para o messianismo em Israel (CARVALHO, 2000, p. 33-37). Os olhares se voltam para Zorobabel, neto de Joaquin, o rei que morreu no cativeiro. 1Cro 3,17-19 elenca, entre os \u201cfilhos de Jeconias, o cativo: Salatiel, seu filho\u201d, pai de Fada\u00edas, pai de Zorobabel. Todavia, a tradi\u00e7\u00e3o mais difundida fala de Zorobabel, filho de Salatiel (Esd 3,2; Ag 1,1; Ne 12,1; Mt 1,12; Lc 3,27). A etimologia do nome, \u201cbroto de Babel\u201d, d\u00e1 a entender que nasceu durante o cativeiro na Babil\u00f4nia. \u201cFoi celebrado como o rei salv\u00edfico esperado\u201d (FABRY; SCHOLTISSEK, 2008, p. 45). De fato, tratava-se de um davidida aut\u00eantico, motivo pelo qual, \u201csem d\u00favida, os persas, segundo o seu costume, o constitu\u00edram governador\u201d (VAN DEN BORN, 1977, col. 1580). Dt 17,14-20, a lei do rei, pode ser entendido como baliza para a a\u00e7\u00e3o do novo davidida a ocupar o trono, praticamente vacante desde o ex\u00edlio de Joaquin. A submiss\u00e3o \u00e0 Lei mosaica (Dt 17,18-20), em vista de se evitarem futuros desastres, haveria de ser a marca registrada do <em>ethos<\/em> do novo monarca de Israel (Ez 34,23-24; 37,24-25), sempre se recordando que YHWH haveria de ser o verdadeiro rei de Israel!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Ageu d\u00e1-se conta de que os olhares de YHWH se voltam para ele: \u201cnaquele dia, or\u00e1culo de YHWH dos Ex\u00e9rcitos, eu tomarei Zorobabel, filho de Salatiel, meu servo, or\u00e1culo de YHWH, e farei de ti como um sinete (<em>hotam<\/em>). Porque foi a ti que eu escolhi, or\u00e1culo de YHWH dos Ex\u00e9rcitos\u201d (Ag 2,23). Cabia-lhe um papel indispens\u00e1vel na nova realidade pol\u00edtica que estava para despontar em Israel, j\u00e1 que reunia em si duas qualidades essenciais: era membro da dinastia dav\u00eddica, al\u00e9m de ser credenciado pelas autoridades persas. Uma esperan\u00e7a messi\u00e2nica real se apodera do povo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Zacarias aplica a Zorobabel o t\u00edtulo de \u201crebento\u201d (<em>simhah<\/em>), que \u201ccarregar\u00e1 ins\u00edgnias reais, sentar\u00e1 em seu trono e dominar\u00e1. Haver\u00e1 um sacerdote \u00e0 sua direita. Entre os dois haver\u00e1 perfeita paz\u201d (Zc 6,13) (RINALDI, 1966). Em Zc 3,8, o mesmo t\u00edtulo j\u00e1 lhe havia sido atribu\u00eddo: \u201ceis que vou introduzir o meu servo \u2018Rebento\u2019\u201d, cuja origem remonta a Jr 23,5: \u201ceis que dias vir\u00e3o, or\u00e1culo e YHWH, em que suscitarei a Davi um rebento justo. Um rei reinar\u00e1 e agir\u00e1 com intelig\u00eancia e exercer\u00e1 na terra o direito e a justi\u00e7a\u201d. Essa afirma\u00e7\u00e3o repete-se em Jr 33,15 (Is 4,2; 11,1). O rei-messias far\u00e1 sua entrada triunfal em Jerusal\u00e9m entre gritos de alegria, \u201cjusto e vitorioso, humilde, montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho da jumenta\u201d (Zc 9,9; Gn 49,11; Jz 5,10; 10,4; 12,14; 2Sm 19,27), com a tarefa de suplantar a guerra e \u201canunciar o <em>shalom<\/em> \u00e0s na\u00e7\u00f5es\u201d, em seu dom\u00ednio que \u201cir\u00e1 de mar a mar e do rio \u00e0s extremidades da terra\u201d (Zc 9,10); em termos geogr\u00e1ficos, o espa\u00e7o que vai do mar Mediterr\u00e2neo ao rio Eufrates.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Ageu reconhece Zorobabel como \u201cgovernador de Jud\u00e1\u201d (<em>pehah yehudah \u2013 <\/em>Ag 1,1.14; 2,2.21). N\u00e3o poderia cham\u00e1-lo de rei (<em>melek<\/em>), pelas circunst\u00e2ncias, apesar de desempenhar fun\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de quem det\u00e9m o poder real. A tarefa principal que lhe foi conferida, bem como a Josu\u00e9, sumo-sacerdote, pelo or\u00e1culo do profeta Ageu, dizia respeito \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o do Templo, reduzido a ru\u00ednas pelos babil\u00f4nios (Ag 1,3-11). A ordem divina foi prontamente obedecida, de modo que \u201celes vieram e se entregaram ao trabalho no Templo de YHWH dos Ex\u00e9rcitos, seu Deus\u201d (Ag 1,14). A preocupa\u00e7\u00e3o com a reconstru\u00e7\u00e3o do Templo tem a ver com um desejo dos retornados do ex\u00edlio, com recomenda\u00e7\u00f5es expressas da autoridade persa para faz\u00ea-lo (Esd 1,3-4), e com a press\u00e3o do sumo-sacerdote Josu\u00e9, companheiro de Zorobabel. Por\u00e9m, pode-se suspeitar tratar-se de uma estrat\u00e9gia de Zorobabel para engajar o povo numa tarefa comum, um grande mutir\u00e3o, capaz de arrefecer os conflitos entre os que voltaram do ex\u00edlio e queriam se impor e os que permaneceram na terra, padecendo as agruras de viver em meio a ru\u00ednas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo passou e n\u00e3o se conseguia restaurar a realeza nos moldes dav\u00eddicos. Depois de Zorobabel, n\u00e3o houve quem assumisse a lideran\u00e7a de Jud\u00e1 enquanto descendente de Davi, dando ao cargo colorido real. Por sua vez, o Templo passou a ocupar o lugar outrora reservado ao pal\u00e1cio real. Em consequ\u00eancia, o sumo-sacerdote, bem como sua fam\u00edlia, destacou-se sempre mais, de modo a relegar ao segundo plano a esperan\u00e7a, para breve, da ascens\u00e3o de um davidida que se assentasse no trono vacante, desde que o \u00faltimo rei leg\u00edtimo, Joaquin, fora levado \u00e0 for\u00e7a para a Babil\u00f4nia, onde morreu.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o ex\u00edlio, a linha dos davididas foi interrompida, e a un\u00e7\u00e3o, por consequ\u00eancia, suspensa. Mas, apesar das experi\u00eancias negativas com a monarquia, permaneceu a lembran\u00e7a positiva, que foi reformada como uma boa expectativa do rei, a qual pareceu se realizar inicialmente sob Zorobabel, sendo em seguida frustrada e transformada numa expectativa indeterminada de um Davi <em>redivivus<\/em>. No in\u00edcio, essa expectativa n\u00e3o era messi\u00e2nica, na medida em que n\u00e3o prognosticava nada sen\u00e3o que o sistema hierocr\u00e1tico p\u00f3s-ex\u00edlico seria sucedido pela tomada de poder de um davidida. (FABRY; SCHOLTISSEK, 2008, p. 30)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascem daqui duas vertentes de esperan\u00e7a. Na vertente apocal\u00edptica, passou-se a esperar a volta de Davi. Jr 30,8-9, uma glosa, aponta nessa dire\u00e7\u00e3o: \u201cneste dia \u2013 or\u00e1culo de YHWH dos Ex\u00e9rcitos \u2013, [&#8230;] Israel e Jud\u00e1 servir\u00e3o YHWH, seu Deus, e a Davi, o rei (<em>melek<\/em>) que suscitarei para eles\u201d; bem como Ez 34,23-34: \u201csuscitarei para eles um pastor que os apascentar\u00e1, a saber, o meu servo Davi: ele os apascentar\u00e1, ele lhes servir\u00e1 de pastor. E eu, YHWH, serei o seu Deus e meu servo Davi ser\u00e1 pr\u00edncipe (<em>nashi\u2019<\/em>) entre eles\u201d; Os 3,5: \u201cdepois disso, os israelitas voltar\u00e3o e procurar\u00e3o YHWH, seu Deus, e a Davi, seu rei (<em>melek<\/em>). Voltar\u00e3o tremendo a YHWH e a seus bens no fim dos dias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vertente escatol\u00f3gica, foi dada ao <em>messias<\/em> uma proje\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do tempo e do espa\u00e7o, ao se falar da situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica de \u201cYHWH e seu <em>messias<\/em>\u201d, \u00e0s voltas com conspira\u00e7\u00f5es perpetradas pelos povos (Sl 2,2). YHWH, no entanto, mant\u00e9m-se firme na prote\u00e7\u00e3o de seu eleito: \u201cfui eu que consagrei o meu rei (<em>melek<\/em>), sobre Si\u00e3o, minha montanha sagrada!\u201d (Sl 2,6), na condi\u00e7\u00e3o de filho (<em>ben<\/em>): \u201cpublicarei o decreto de YHWH, que me disse: \u2018Tu \u00e9s meu filho, eu hoje te gerei. Pede e te darei as na\u00e7\u00f5es como heran\u00e7a, os confins da terra como propriedade. Tu as quebrar\u00e1s como um cetro de ferro. Como um vaso de oleiro as despeda\u00e7ar\u00e1s\u2019\u201d (Sl 2,7-9). O Sl 72[71], por sua vez, prospectando o futuro rei, pede a YHWH: \u201cconcede ao rei (<em>melek) <\/em>teu julgamento e a tua justi\u00e7a ao filho do rei; que ele governe teu povo com justi\u00e7a, e teus pobres conforme o direito [&#8230;] com justi\u00e7a, julgue os pobres do povo, salve os filhos do indigente e esmague seus opressores\u201d (v. 1-3), de modo a serem evitados os equ\u00edvocos dos reis de outrora. Em alus\u00e3o a 2Sm 7,4-17, pede-se: \u201cque seu nome permane\u00e7a para sempre, e sua fama dure sob o sol\u201d (Sl 72[71], 17). O Sl 110[109] retoma o tema do messianismo, agora, com uma conota\u00e7\u00e3o sacerdotal, ao declarar: \u201ctu \u00e9s sacerdote (<em>kohen<\/em>) para sempre segundo a ordem de Melquisedeque\u201d (v. 4). Esse, referido em Gn 14,18-20, apresenta-se como sacerdote sem genealogia, embora seja \u201csacerdote do Deus alt\u00edssimo\u201d, bem como \u201crei de Sal\u00e9m\u201d (Jerusal\u00e9m?) (v. 18). Logo, o rei futuro n\u00e3o ser\u00e1 da estirpe dav\u00eddica, embora sua entroniza\u00e7\u00e3o seja \u201cpara sempre\u201d e sua base de a\u00e7\u00e3o seja Jerusal\u00e9m-Si\u00e3o: \u201cde Si\u00e3o, YHWH estende teu cetro poderoso (<em>mateh \u2018oz<\/em>) e dominas (<em>radah<\/em>) em meio aos teus inimigos\u201d (v. 2). A refer\u00eancia ao rei-sacerdote Melquiseque, no Salmo, chama a aten\u00e7\u00e3o para as tarefas cultuais exercidas pelos reis de outrora (2Sm 6,17; 1Rs 8,62-63; 12,32-33; 2Rs 16,12-13).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em virtude de sua posi\u00e7\u00e3o especial diante de Iahweh [&#8230;] decorrente da natureza sagrada de sua realeza; [&#8230;] para o rei, n\u00e3o h\u00e1 como fugir \u00e0 responsabilidade da media\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como escolher n\u00e3o ser sacerdote ou n\u00e3o desempenhar deveres sacerdotais. (ROOKE, 2005, p. 201.206)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">De certa forma, o messias davidida ser\u00e1 um rei original, que descortinar\u00e1 um tempo novo para o Povo de Israel. O Sl 110[109],3 sublinha a voca\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica do novo rei, chamado para tal miss\u00e3o desde os albores de sua exist\u00eancia: \u201ca ti o poder (<em>hayil<\/em>) desde o nascimento, as honras sagradas desde o seio (<em>m<sup>e<\/sup>roham<\/em>), desde a aurora da tua juventude\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m, Is 8,23b\u20139,6 serve de chave para compreender o messianismo r\u00e9gio que surgiria das cinzas do ex\u00edlio babil\u00f4nico (VIT\u00d3RIO, 2015, p. 27-34). As expectativas recaem sobre um rec\u00e9m-nascido, a quem cabe dar continuidade \u00e0 dinastia davidida: \u201cum menino (<em>yeled<\/em>) nos nasceu, um filho (<em>ben<\/em>) nos foi dado. Ele recebeu o poder (<em>misrah<\/em>) sobre seus ombros\u201d (Is 9,4), para reinar \u201csobre o trono de Davi e sobre o seu reino\u201d, a fim de \u201cfirm\u00e1-lo e consolid\u00e1-lo sobre o direito e sobre a justi\u00e7a\u201d (9,6bc). Uma s\u00e9rie de t\u00edtulos capacitam-no para o exerc\u00edcio de sua miss\u00e3o: \u201cconselheiro admir\u00e1vel, Deus forte, Pai eterno e pr\u00edncipe da paz\u201d (9,5b). Volta o tema da eternidade, na afirma\u00e7\u00e3o: \u201cdesde agora (<em>me\u2019atah<\/em>) e para sempre (<em>`ad `olam<\/em>), o amor ciumento de YHWH dos Ex\u00e9rcitos far\u00e1 isso\u201d (9,6d). \u201cNum rei humano o profeta deposita sua esperan\u00e7a de que ele governe o povo de modo admir\u00e1vel, o acolha com afeto de pai, o defenda corajosamente, instaure uma \u00e9poca de paz e bem-estar\u201d (SICRE D\u00cdAZ, 2012, p. 432).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Is 11,1-9 pode ser lido na perspectiva dessa esperan\u00e7a messi\u00e2nica, em face do fracasso dos reis de Israel, cuja linha sucess\u00f3ria foi suspensa por ocasi\u00e3o do ex\u00edlio babil\u00f4nico. \u201cA esperan\u00e7a de restaura\u00e7\u00e3o talvez tenha sido formulada durante o ex\u00edlio ou nos anos finais do s\u00e9culo VI, durante o governo de Zorobabel\u201d (SICRE D\u00cdAZ, 2012, p. 435). O profeta tem em mente a met\u00e1fora de uma \u00e1rvore cujo tronco foi cortado, de modo a sobrar, apenas, um toco do qual nasce um pequeno broto. A declara\u00e7\u00e3o \u201cum ramo sair\u00e1 do tronco de Jess\u00e9, um rebento brotar\u00e1 de suas ra\u00edzes\u201d (v. 1) liga o renascimento da realeza em Israel com o tronco dav\u00eddico ancestral, embora sendo uma novidade. Na sequ\u00eancia, o profeta descreve a identidade carism\u00e1tica do rei-messias (v. 2-3a), seu modo de atua\u00e7\u00e3o (v. 3b-5), bem como o resultado em forma de uma sociedade onde a solidariedade seja a marca das rela\u00e7\u00f5es interpessoais, na busca de entendimento entre partes contrapostas (v. 6-9a). A\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica do rei-messias se difundir\u00e1 para al\u00e9m dos limites de Israel e seu povo, para atingir a terra inteira: \u201ca terra ficar\u00e1 cheia do conhecimento de YHWH, como as \u00e1guas enchem o mar\u201d (v. 9b). \u201cEm nenhum destes textos se utiliza o termo <em>Messias<\/em>, mas as refer\u00eancias \u00e0 casa de David e ao seu papel de lideran\u00e7a constituem sempre a pedra fundamental sobre a qual se edifica a esperan\u00e7a\u201d (CARVALHO, 2000, p. 33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A profecia isaiana refere-se, ainda, ao messianismo dav\u00eddico: \u201co trono se firmar\u00e1 sobre a miseric\u00f3rdia, e sobre ele, na tenda de Davi, sentar-se-\u00e1 um juiz (<em>sofet<\/em>) fiel, que buscar\u00e1 o direito e zelar\u00e1 pela justi\u00e7a\u201d (Is 16,5). Como se v\u00ea, o juiz exercer\u00e1 as fun\u00e7\u00f5es de um rei, \u201cquando a opress\u00e3o tiver cessado, a devasta\u00e7\u00e3o tiver terminado e os que espezinham a terra tiverem desaparecido\u201d (Is 16,4b). Is 32,1-5, ao declarar que \u201cum rei reinar\u00e1 de acordo com a justi\u00e7a\u201d, pode ser lido numa perspectiva messi\u00e2nica (BARTON, 2005, p. 389). Is 55,3b faz uma alus\u00e3o \u00e0 perpetuidade da dinastia dav\u00eddica, conforme as promessas de 2Sm 7,4-17, a \u00fanica refer\u00eancia no D\u00eautero-Isa\u00edas que jamais se refere \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o da monarquia: \u201cfarei convosco uma alian\u00e7a eterna (<em>berit olam<\/em>), assegurando-vos as gra\u00e7as prometidas a Davi\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s profecias de Isa\u00edas soma-se uma profecia de Miqueias que fala, igualmente, de um rec\u00e9m-nascido destinado a exercer fun\u00e7\u00f5es r\u00e9gias (Mq 5,1-4a). Origin\u00e1rio de Bel\u00e9m-\u00c9frata, como o rei Davi, ter\u00e1 a fun\u00e7\u00e3o de governar (<em>masal<\/em>) Israel (v.1). Vale notar que n\u00e3o ter\u00e1 ra\u00edzes no davidismo de Jerusal\u00e9m, j\u00e1 que provir\u00e1 do interior, do \u201cmenor entre os cl\u00e3s de Jud\u00e1\u201d. Por outro lado, n\u00e3o ser\u00e1 conhecido como rei (<em>melek<\/em>) e sim como governante (<em>mosel<\/em>). Assim, ao mesmo tempo em que afirma a continuidade com a dinastia dav\u00eddica, \u201csuas origens s\u00e3o de tempos antigos, de dias imemor\u00e1veis\u201d (v. 5b), referindo-se \u201cao momento hist\u00f3rico de Davi, distante j\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos\u201d (SICRE D\u00cdAZ, 2012, p. 437), se estabelece uma ruptura para frisar a novidade de um novo come\u00e7o, por se assemelhar a um pastor que cuida do seu rebanho: \u201cele se erguer\u00e1 e apascentar\u00e1 o rebanho\u201d (v. 3a). Ser\u00e1 um rei-pastor! Como sempre aconteceu, em tudo, na hist\u00f3ria do Povo de Israel, o grande art\u00edfice da reviravolta hist\u00f3rica ser\u00e1 o seu Deus, pois tudo suceder\u00e1 \u201cpela for\u00e7a (<em>`oz<\/em>) de YHWH, pela gl\u00f3ria (<em>ga`on<\/em>) do nome de seu Deus\u201d (v. 3,b). A profecia de Miqueias, portanto, \u201canuncia a vinda de um verdadeiro chefe e pastor, id\u00eantico ao Davi idealizado e deformado pela tradi\u00e7\u00e3o, transformado numa figura quase m\u00edtica, muito distante da realidade hist\u00f3rica\u201d (SICRE D\u00cdAZ, 2012, p. 437).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A profecia de Jeremias comporta or\u00e1culos alusivos a uma restaura\u00e7\u00e3o atemporal da realeza em Israel, nos moldes dav\u00eddicos. Jr 33,14-16 declara:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">eis que vir\u00e3o dias, or\u00e1culo de YHWH, em que cumprirei a promessa que fiz \u00e0 casa de Israel e \u00e0 casa de Jud\u00e1. Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para Davi um germe de justi\u00e7a, que exercer\u00e1 o direito e a justi\u00e7a na terra. Naqueles dias, Jud\u00e1 ser\u00e1 salvo e Jerusal\u00e9m habitar\u00e1 em seguran\u00e7a. E este \u00e9 o nome com que a chamar\u00e3o \u201cYHWH, nossa Justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segue-se uma palavra calcada na profecia de Nat\u00e3 (2Sm 7,4-17): \u201cporque assim disse YHWH: n\u00e3o faltar\u00e1 a Davi um descendente que se sente no trono da casa de Israel\u201d. Jr 17,25 antev\u00ea que \u201centrar\u00e3o pelas portas desta cidade reis e pr\u00edncipes, que se sentar\u00e3o sobre o trono de Davi\u201d. Ou, ent\u00e3o, Jr 33,22: \u201ccomo o ex\u00e9rcito dos c\u00e9us que n\u00e3o pode ser enumerado, como a areia do mar que n\u00e3o pode ser contada, assim multiplicarei a posteridade de Davi, meu servo\u201d. Embora n\u00e3o seja poss\u00edvel precisar quando e quem, o refazimento da dinastia dav\u00eddica torna-se inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Ezequiel segue na mesma dire\u00e7\u00e3o, quando, ao prospectar a reunifica\u00e7\u00e3o dos reinos de Israel e de Jud\u00e1, anuncia que \u201chaver\u00e1 um s\u00f3 rei para ambos\u201d (Ez 37,22). E, mais, \u201co meu servo Davi ser\u00e1 rei sobre eles, e haver\u00e1 um s\u00f3 pastor para todos\u201d (Ez 33,24), como fora dito, anteriormente, \u201csuscitarei para eles um pastor que os apascentar\u00e1, a saber, o meu servo Davi que os apascentar\u00e1 e lhes servir\u00e1 de pastor. Eu, YHWH, serei o seu Deus e meu servo Davi ser\u00e1 pr\u00edncipe entre eles\u201d (Ez 34,23-24). A imagem do pastor servir\u00e1 para se compreender a rela\u00e7\u00e3o do rei com o povo, a exemplo de como YHWH cuidou com carinho de Israel, golpeado pelo ex\u00edlio e disperso entre os povos (Is 40,11; Jr 31,10; Ez 34,1-31). Imagem semelhante encontra-se em Jr 23,1-4; 31,10; 37,24, bem como no Sl 23[22]. Essa met\u00e1fora messi\u00e2nica ser\u00e1 retomada pelo evangelista Jo\u00e3o, ao falar de Jesus como pastor (Jo 10,1-21) que, pregado na cruz, foi declarado \u201co rei dos judeus\u201d (Jo 18,33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses e outros textos da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica de Israel, alusivos a um rei-messias e sua a\u00e7\u00e3o na total fidelidade a YHWH, quando o trono de Davi estava vacante, passaram a n\u00e3o visar mais uma pessoa concreta e imediata.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gradualmente, a cr\u00edtica tecida \u2013 principalmente pelos profetas \u2013 aos reis desembocou em uma expectativa de uma figura idealizada de um rei vindouro. A concretude das concep\u00e7\u00f5es iniciais de monarquia passa ent\u00e3o a se tornar cada vez mais ut\u00f3pica e investida de caracter\u00edsticas sobrenaturais e sobre-humanas. (SOUZA, 2009, p. 10)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio, o referencial era o rei efetivamente em exerc\u00edcio; j\u00e1 no p\u00f3s-ex\u00edlio, passou-se a focalizar um futuro monarca de tempos sempre mais distantes, at\u00e9 o final dos tempos. Com o passar do tempo, a vertente apocal\u00edtica e a vertente escatol\u00f3gica tomam corpo, j\u00e1 que n\u00e3o se vislumbra a possibilidade de, efetivamente, fazer subir ao trono de Jerusal\u00e9m um aut\u00eantico descendente de Davi. Assim, o messianismo hist\u00f3rico do pr\u00e9-ex\u00edlio, paulatinamente, tornou-se messianismo escatol\u00f3gico no p\u00f3s-ex\u00edlio. Quando se fala de messianismo, em geral, pensa-se no messianismo escatol\u00f3gico que chega a se converter em tempos messi\u00e2nicos, nos quais a figura-pessoa do messias torna-se secund\u00e1ria. Nesse sentido espec\u00edfico, \u201co termo <em>masiah\/christ\u00f3s <\/em>foi usado pela primeira vez como designa\u00e7\u00e3o do \u2018Messias\u2019 nos Salmos de Salom\u00e3o e no Novo Testamento\u201d (FABRY; SCHOLTISSEK, 2008, p. 25).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia do Messias [&#8230;] pressup\u00f5e que vir\u00e1 um dia em que Deus encontrar\u00e1 meios de intervir para instituir seus preceitos, e ele o far\u00e1 por via de um agente humano e, por isso, potencialmente pol\u00edtico. O Messias \u00e9 um ser humano no meio de outros: isso \u00e9 ressaltado at\u00e9 no tipo de juda\u00edsmo mais inclinado a crer na interven\u00e7\u00e3o pessoal de Deus. (BARTON, 2005, p. 390)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia dos fatos, na impossibilidade de se restaurar a realeza em Israel, o sumo-sacerdote e as fam\u00edlias sacerdotais, a partir de Jerusal\u00e9m e do Templo, assumem o protagonismo na condu\u00e7\u00e3o do povo de Israel, incluindo-se quem vivia na di\u00e1spora.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora \u00e0s vezes se possa supor a forma mais antiga na un\u00e7\u00e3o sacerdotal, seus registros devem ser, quase sem exce\u00e7\u00e3o, datados tardiamente, de modo que a un\u00e7\u00e3o do sacerdote provavelmente se desenvolveu da un\u00e7\u00e3o do rei apenas no tempo ex\u00edlico\/p\u00f3s-ex\u00edlico, para legitimar teologicamente o sistema teocr\u00e1tico p\u00f3s-ex\u00edlico. (FABRY; SCHOLTISSEK, 2008, p. 30)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgir\u00e1 daqui um messianismo de car\u00e1ter sacerdotal, paralelo ao messianismo real dav\u00eddico que sobrevive at\u00e9 os nossos dias (ROOKE, 2005, p. 195-216). De fato, Zc 4,14, em contexto de vis\u00e3o, faz uma importante identifica\u00e7\u00e3o: \u201cestes s\u00e3o os dois ungidos (literalmente, filhos do \u00f3leo) que est\u00e3o de p\u00e9 diante do Senhor de toda a terra\u201d. Trata-se do sumo-sacerdote Josu\u00e9 e do governador davidida Zorobabel, colocados em p\u00e9 de igualdade. Entretanto, o messianismo sacerdotal careceu de f\u00f4lego no \u00e2mbito do juda\u00edsmo subsequente, embora uma teocracia tenha assumido o lugar da monarquia. E se impor\u00e1 o messianismo real, nos seguintes termos, embora n\u00e3o sendo o \u00fanico:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Messias \u00e9 o rei ideal dos tempos escatol\u00f3gicos, o soberano dos \u00faltimos tempos, ou seja, o \u00faltimo dos soberanos de origem dav\u00eddica, por cuja intermedia\u00e7\u00e3o as predi\u00e7\u00f5es prof\u00e9ticas, universalizadas e espiritualizadas, se realizar\u00e3o. Ele inaugurar\u00e1, por conseguinte, na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o uma nova era, que ser\u00e1 ao mesmo tempo a era definitiva, a era da salva\u00e7\u00e3o e das promessas salv\u00edficas realizadas. (COPPENS, 1967, p. 153)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As expectativas messi\u00e2nicas, em torno de Jesus de Nazar\u00e9, articularam-se a partir desse cen\u00e1rio, fazendo eco a uma larga tradi\u00e7\u00e3o que passou a acentuar \u201cos aspectos \u00e9tico, religioso, espiritual da figura do Messias e do seu reino\u201d, em correntes que faziam men\u00e7\u00e3o ao \u201cServo de YHWH\u201d, ao \u201cFilho do Homem\u201d e, at\u00e9 mesmo, ao \u201cAnjo de YHWH\u201d (COPPENS, 1968, p. 126), al\u00e9m de \u201calgum profeta\u201d (1Mc 4,46), \u201cum profeta fiel\u201d (1Mc 14,41), \u201co profeta Elias\u201d (Ml 3,23), \u201co Eleito\u201d (1Hen 48,3-6), \u201co Filho de Davi\u201d (Salmos de Salom\u00e3o XVII,21), \u201co Ungido\u201d (Salmos de Salom\u00e3o XVII,32; XVIII,5.7).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse momento, se come\u00e7a a sonhar com um aut\u00eantico descendente de Davi, justo e bondoso, como o conselheiro admir\u00e1vel de Is 11, humilde como o rei montado sobre o jumento de Zacarias 9. Como n\u00e3o se tem em vista nenhum descendente de Davi, passa-se a dizer que, com certeza, est\u00e1 oculto. (HADAS-LEBEL, 2006, p. 59)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o s\u00e9culo I at\u00e9 nossos dias, os ideais messi\u00e2nicos tomaram as mais diferentes formas e coloridos, dependendo dos momentos hist\u00f3ricos e das circunst\u00e2ncias particulares de cada comunidade de f\u00e9. S\u00e3o duas as vertentes principais assumidas pelo messianismo, ao largo do tempo: a vertente pol\u00edtica, que se inspira no rei Davi; e a vertente apocal\u00edtica voltada para a figura do Filho do Homem. \u201cA primeira atenderia mais \u00e0 expectativa das classes dominantes, a segunda mais \u00e0s classes pobres\u201d (SILVA; SILVA, 2017, p. 263).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, multiplicam-se as pessoas que se d\u00e3o ares de messias e se prop\u00f5em a realizar obras dignas das esperadas de um messias. Prud\u00eancia e discernimento se recomendam, quando se trata de avaliar a presen\u00e7a de expectativas messi\u00e2nicas na hist\u00f3ria (Mt 24,23-24; At 5,34-39)!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Jaldemir Vit\u00f3rio, SJ. Faculdade Jesu\u00edta de Filosofia e Teologia (FAJE). Texto original: portugu\u00eas. Enviado: 32\/05\/2022; Aprovado: 30\/10\/2022; Publicado: 30\/12\/2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALVES, H. Salmo 89 e 2 Sm 7,12-16: Uma Leitura Dav\u00eddico-Messi\u00e2nica. <em>Disdak\u00e1lia<\/em>, Lisboa, v. 45, n. 2, p. 67-84, jul.\/dez. 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARTON, J. O Messias na teologia do Antigo Testamento. In: DAY, J. (Org.) <em>Rei e Messias: <\/em>em Israel e no Antigo Oriente Pr\u00f3ximo. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2005, p. 379-393.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARVALHO, J. O. Origem e evolu\u00e7\u00e3o do Messianismo em Israel. <em>Didask\u00e1lia\u00b8 <\/em>Lisboa, v. 30, n. 1, p. 29-51, jan.\/jun. 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COPPENS, J. <em>Le messianisme royal<\/em>: ses origins, son d\u00e9veloppement, son accomplissement. Paris: Cerf, 1968.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COPPENS, J. Le pr\u00e9messianisme v\u00e9t\u00e9rotestamentaire. In: HAURET, Ch. et al. (Orgs.). <em>Aux grands carrefours de la r\u00e9v\u00e9lation et de l\u00b4ex\u00e9g\u00e8se de l\u00b4Ancien Testament. <\/em>Paris: Descl\u00e9e de Brouwer, 1967, p. 153-179.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DE LA POTTERIE, I. Un\u00e7\u00e3o. In: LEON-DUFOUR, X. <em>Vocabul\u00e1rio de Teologia B\u00edblica<\/em>. 2.ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1977, col. 1047-1050.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DE VAUX, R. <em>Les institutions de l\u00b4Ancient Testament<\/em>. v. 1. Paris: Cerf, 1982.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FABRY, H.-J.; SCHOLTISSEK, K. <em>O Messias.<\/em> S\u00e3o Paulo: Loyola, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HADAS-LEBEL, M. Depuis quand existe-t-il un messianisme juif? <em>Bulletin du Centre de recherche fran\u00e7ais \u00e0 J\u00e9rusalem, <\/em>Jerusal\u00e9m, v. 17, p. 52-64, nov. 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RINALDI, G. Il \u201cgermoglio\u201d messianico in Zaccaria 3,8; 6,12. In: ASSOCIAZIONE BIBLICA ITALIANA. <em>Il messianismo. <\/em>Atti della XVIII Settimana Biblica. Brescia: Paideia, 1966, p. 179-191.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROOKE, D. W. Realeza como sacerd\u00f3cio: o relacionamento entre o sumo sacerd\u00f3cio e a monarquia. In: DAY, J. (Org.) <em>Rei e Messias: <\/em>em Israel e no Antigo Oriente Pr\u00f3ximo. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2005, p. 195-216.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SICRE D\u00cdAZ, J. L. <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Profetismo B\u00edblico<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SICRE, J. L. <em>De Davi ao Messias: <\/em>textos b\u00e1sicos da esperan\u00e7a messi\u00e2nica. Petr\u00f3polis: Vozes, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, S. C. da; SILVA, V. da. O Messias no juda\u00edsmo e no cristianismo. <em>Caminhos<\/em>, Goi\u00e2nia, v. 15, n. 2, p. 249-267, jul.\/dez. 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOUSA, R. F. de O desenvolvimento hist\u00f3rico do messianismo no juda\u00edsmo antigo: diversidade e coer\u00eancia. <em>Revista USP<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 82, p. 8-15, junho\/agosto 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VAN DEN BORN, A. <em>Dicion\u00e1rio Enciclop\u00e9dico da B\u00edblia<\/em>. 2.ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIT\u00d3RIO, J. \u201cA justi\u00e7a ser\u00e1 o seu cintur\u00e3o\u201d (Is 11,5): esperan\u00e7a messi\u00e2nico-pol\u00edtica no profetismo b\u00edblico. In: ALVES, C. F.; SOUZA, R. S. R.; PENZIM, A. M. B. (Orgs.). <em>Igreja e Sociedade<\/em>: an\u00e1lises em perspectiva. Contagem: Fumarc, 2015, p. 25-53.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Messianismo: sem\u00e2ntica e modalidades 2 Messianismo pr\u00e9-ex\u00edlico: ponto de partida de uma longa tradi\u00e7\u00e3o 3 Messianismo p\u00f3s-ex\u00edlico: uma tradi\u00e7\u00e3o em cont\u00ednuo desdobramento Refer\u00eancias Introdu\u00e7\u00e3o Dentre os temas complexos dos estudos b\u00edblicos, encontra-se o messianismo. Muito se escreveu e, ainda, se escrever\u00e1 sobre ele. 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