
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":2720,"date":"2022-12-30T10:54:08","date_gmt":"2022-12-30T13:54:08","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2720"},"modified":"2024-01-03T15:29:37","modified_gmt":"2024-01-03T18:29:37","slug":"infalibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2720","title":{"rendered":"Infalibilidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 A partir do Vaticano I<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Virada latino-americana<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Um conceito renovado de revela\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Um conceito renovado de magist\u00e9rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 A infalibilidade como convic\u00e7\u00e3o fundamental<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dogma da infalibilidade da Igreja tem uma conota\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e outra pr\u00e1tica. Na atualidade, torna-se dif\u00edcil aceitar que um Papa tenha autoridade para fazer pronunciamentos infal\u00edveis, ainda quando se deve considerar que o bispo de Roma somente poderia faz\u00ea-los a respeito de temas religiosos. N\u00e3o deveria exigir-se a ades\u00e3o a tais pronunciamentos pelos que n\u00e3o professam a f\u00e9 cat\u00f3lica. Por outra parte, em virtude de seu aspecto pr\u00e1tico, a infalibilidade constitui uma <em>convic\u00e7\u00e3o<\/em> <em>fundamental<\/em> que, em perspectiva pastoral, convida aos que n\u00e3o partilham a f\u00e9 a convergirem numa pr\u00e1xis perfeitamente intelig\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 A partir do Vaticano I<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A infalibilidade (i) como assunto teol\u00f3gico \u00e9 t\u00e3o antiga como o Novo Testamento, ainda que, ao longo da hist\u00f3ria da Igreja, tenha experimentado varia\u00e7\u00f5es enquanto ao seu objeto e ao seu sujeito. No Novo Testamento, a (i) est\u00e1 relacionada com a responsabilidade da Igreja em custodiar a revela\u00e7\u00e3o acontecida em Jesus Cristo. A pr\u00f3pria Igreja se considera coluna e fundamento da verdade (1Tm 3,15). Jesus deu aos disc\u00edpulos e ap\u00f3stolos autoridade para ensinar (Lc 10,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O termo (i) foi utilizado para se referir a um saber te\u00f3rico sobre o que \u00e9 revelado; entretanto, em \u00faltima inst\u00e2ncia, trata-se de assuntos te\u00f3ricos que demandam uma pr\u00e1xis crente no Deus que exige fidelidade, porque ele mesmo n\u00e3o falha com as\/os crist\u00e3\/os. O Conc\u00edlio Vaticano I (1870) teve especial import\u00e2ncia na delimita\u00e7\u00e3o do conceito (DH 3073-3074). O Conc\u00edlio entende a (i) como uma doutrina sobre a revela\u00e7\u00e3o preservada nas Sagradas Escrituras e na tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, que deve propagar-se a todos os povos da terra e que, consequentemente, deve ser precavida de todo tipo de erros (DH 3069). A constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica <em>Pastor eternus<\/em> atribui a (i) ao Pont\u00edfice Romano no uso da suprema potestade do magist\u00e9rio, nas ocasi\u00f5es em que ele se pronuncia <em>ex cathedra<\/em>, exercendo seu cargo de pastor e doutor de todos os crist\u00e3os, em mat\u00e9ria de f\u00e9 e de costumes (DH 3074). Al\u00e9m disso, exige da Igreja universal acatamento do magist\u00e9rio que cumpra essas caracter\u00edsticas. Segundo o Vaticano I, a (i) \u00e9 um dom de Cristo \u00e0 sua Igreja, mas seu exerc\u00edcio aut\u00eantico \u00e9 potestade exclusiva do Pont\u00edfice Romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Vaticano II ratificou a doutrina do Vaticano I. Confirmou, \u201cpara ser firmemente acreditada por todos os fi\u00e9is, esta doutrina sobre a institui\u00e7\u00e3o, perpetuidade, alcance e natureza do sagrado primado do Pont\u00edfice romano e do seu magist\u00e9rio infal\u00edvel\u201d (LG 18). Por sua parte, introduziu duas importantes precis\u00f5es. Tratou da (i) como um aspecto do magist\u00e9rio do col\u00e9gio episcopal a servi\u00e7o de sua miss\u00e3o de anunciar o Evangelho. O magist\u00e9rio dos bispos pode ser considerado infal\u00edvel nas circunst\u00e2ncias em que \u00e9 exercido em comunh\u00e3o com o sucessor de Pedro, ainda quando o pratiquem bispos dispersos pelo mundo. Por outro lado, o Vaticano II afirma, com mais claridade que o conc\u00edlio anterior, que a (i) corresponde fundamentalmente \u00e0 Igreja: \u201cA totalidade dos fi\u00e9is que receberam a un\u00e7\u00e3o do Santo (cf. Jo 2,20 e 27), n\u00e3o pode enganar-se na f\u00e9\u201d (LG 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, o Vaticano II mant\u00e9m a problem\u00e1tica afirma\u00e7\u00e3o sobre a irreformabilidade de uma doutrina declarada infal\u00edvel pelo Pont\u00edfice Romano (<em>ex sese, et non ex consensu Ecclesiae<\/em>) (LG 25). Neste caso, cabe perguntar pela validade de um ensinamento magisterial que n\u00e3o seja recebido pelo Povo de Deus. Tal situa\u00e7\u00e3o exigiria algum tipo de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pio IX, mesmo antes do Conc\u00edlio Vaticano I, declarou a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o de Maria como dogma da Igreja (1854). A defini\u00e7\u00e3o cumpre com as caracter\u00edsticas que deveria ter uma afirma\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica segundo o conc\u00edlio seguinte, presidido pelo pr\u00f3prio Pio IX (\u201c<em>declaramus, pronuntiamus e definimus<\/em>\u201d). Praticamente um s\u00e9culo depois, Pio XII proclamou o dogma da Assun\u00e7\u00e3o (1950), sendo essa a primeira e \u00faltima defini\u00e7\u00e3o infal\u00edvel formulada ap\u00f3s o Vaticano I. Tamb\u00e9m a respeito da Virgem Maria, fracassou a solicita\u00e7\u00e3o de numerosos <em>consiglia et vota<\/em>, pr\u00e9vios ao Vaticano II, de declarar Maria mediadora universal da salva\u00e7\u00e3o. A <em>Lumen gentium<\/em> esclarece que Jesus Cristo \u00e9 o \u00fanico mediador entre Deus e os seres humanos (LG 60-62). Em todo caso, deve-se considerar que, antes da defini\u00e7\u00e3o do dogma da Imaculada, Pio IX realizou uma extensa consulta; Pio XII, por sua vez, assegurou o dogma da Assun\u00e7\u00e3o como resposta a numerosas peti\u00e7\u00f5es. Ambos quiseram auscultar a f\u00e9 das\/os crist\u00e3s\/os. Nos dois casos, deve-se insistir, a (i) recaiu sobre assuntos pertinentes \u00e0 f\u00e9 das batizadas e batizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema da (i) foi abordado em suas \u00faltimas manifesta\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 enc\u00edclica <em>Humanae vitae<\/em> (1968). Hans K\u00fcng se posicionou contra os que puderam tomar as afirma\u00e7\u00f5es sobre o controle de natalidade como doutrina infal\u00edvel, considerando-a equivocada, assim como uma enorme quantidade de proposi\u00e7\u00f5es doutrinais magisteriais anteriores na hist\u00f3ria da Igreja. Em vez de infalibilidade, K\u00fcng prop\u00f4s falar de \u201cindefectibilidade\u201d (inalterabilidade, estabilidade) e de \u201cperenidade\u201d (indestrutibilidade, perdurabilidade). Karl Rahner se op\u00f4s a K\u00fcng, fazendo ver que s\u00e3o poss\u00edveis afirma\u00e7\u00f5es magisteriais infal\u00edveis e verdadeiras. De acordo com Rahner, o te\u00f3logo su\u00ed\u00e7o opunha verdade a erro, sendo que a infalibilidade de uma doutrina n\u00e3o excluiria a perfectibilidade de sua formula\u00e7\u00e3o e inclusive a cr\u00edtica a ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros assuntos que, nos anos sucessivos, suscitaram debate sobre o tema da infalibilidade foram o da contracep\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e o da ordena\u00e7\u00e3o presbiteral das mulheres (Jo\u00e3o Paulo II,<em> Ordenatio Sacerdotalis<\/em>, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Virada latino-americana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A doutrina sobre a (i), discutida desde sua proclama\u00e7\u00e3o, chegou a se converter em impopular. A esse respeito, Bernard Sesbo\u00fc\u00e9 diz: \u201cO termo (i) \u00e9 hoje particularmente mal-recebido na cultura do nosso mundo. Sua pretens\u00e3o se interpreta de maneira negativa e se considera que a hist\u00f3ria contradiz tal doutrina\u201d (SESBOU\u00c9, 2014, p. 318). Ao que parece, no entanto, conservando a inten\u00e7\u00e3o do dogma, a (i) pode ser considerada em outro tipo de express\u00f5es. O pr\u00f3prio Sesbo\u00fc\u00e9 recomenda usar alguma \u201cexpress\u00e3o dotada de grande valor pastoral que expresse o carisma da Igreja, guardado como dom a servi\u00e7o da verdade salv\u00edfica at\u00e9 o fim dos tempos\u201d (SESBOU\u00c9, 2014, p. 319).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esse respeito, a Igreja latino-americana e caribenha n\u00e3o utilizou a express\u00e3o (i). Nem o magist\u00e9rio nem os te\u00f3logos, salvo alguma exce\u00e7\u00e3o, a mencionam. A Igreja do continente n\u00e3o se preocupou tanto em salvaguardar a doutrina, mas em impulsionar a pr\u00e1xis crist\u00e3. Se, no s\u00e9culo XIX, a Igreja europeia teve que fazer uma formula\u00e7\u00e3o expressa do dogma da (i) diante do ass\u00e9dio de advers\u00e1rios hist\u00f3ricos, como o racionalismo e os inimigos pol\u00edticos, a Igreja latino-americana procurou discernir na hist\u00f3ria a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Sua atitude diante da hist\u00f3ria, depois do Vaticano II, foi positiva, mesmo quando, nessa hist\u00f3ria, descobriu, por exemplo, enormes injusti\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa virada na valoriza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria foi apreciada e impulsionada pela teologia latino-americana. Os te\u00f3logos usaram a express\u00e3o \u201clugar teol\u00f3gico\u201d para assegurar que a hist\u00f3ria atual \u00e9 fonte de conhecimento de Deus (Carlos Mesters, Elsa T\u00e1mez, Jon Sobrino, Jes\u00fas Aceves Herrera, Agenor Brighenti e outros). Eles costumam dizer que os pobres, as mulheres, os povos origin\u00e1rios e outros coletivos oprimidos constituem um lugar teol\u00f3gico atrav\u00e9s do qual o pr\u00f3prio Deus se manifesta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, pode-se dizer que a Igreja \u00e9 infal\u00edvel quando opta pelos pobres, pois Deus opta por eles (TRIGO, 2020, p. 187). E tamb\u00e9m poderiam chegar a s\u00ea-lo outras convic\u00e7\u00f5es fundamentais que ela descubra na sua experi\u00eancia hist\u00f3rica e espiritual. A Igreja latino-americana, como a Igreja em outros lugares do planeta, pode chegar a amadurecer outras convic\u00e7\u00f5es infal\u00edveis a prop\u00f3sito, por exemplo, da crise socioambiental atual. Seria fundamental, em todos os casos, que qualquer dessas convic\u00e7\u00f5es encontre fundamento nas Sagradas Escrituras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Um conceito renovado de revela\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que foi dito anteriormente permite entender que a teologia latino-americana compreendeu que a ortopr\u00e1xis \u00e9 mais importante que a ortodoxia. Ou seja, que a fidelidade da Igreja \u00e0 pr\u00e1xis de Jesus \u00e9 superior \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o enquanto crit\u00e9rio (<em>fides quae creditur<\/em>) para discernir, no presente, o que pode significar essa pr\u00e1xis (<em>fides qua creditur<\/em>). E vice-versa: a teologia latino-americana viu que este mesmo seguimento (espiritual) de Cristo \u00e9 fundamental para compreender em que consiste a revela\u00e7\u00e3o e a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. O Esp\u00edrito que guiou Jesus, que inspirou os hagi\u00f3grafos e que, ao longo dos s\u00e9culos, capacitou a Igreja para transmitir o Evangelho \u00e9 o mesmo Esp\u00edrito que faz compreender a Palavra nos acontecimentos atuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os episcopados e as\/os te\u00f3logas\/os da Am\u00e9rica Latina e do Caribe recorreram ao m\u00e9todo (europeu) ver-julgar-agir para perceber a vontade de Deus no presente e para coloc\u00e1-la em pr\u00e1tica. Nisso imitaram o uso que a <em>Gaudium et spes<\/em> fez desse m\u00e9todo.\u00a0 A Igreja latino-americana e caribenha prestou aten\u00e7\u00e3o aos sinais dos tempos. A partir de seu contexto, quis compreender a Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Um conceito renovado de magist\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>Lumen gentium<\/em> contribuiu para conceber a Igreja e o magist\u00e9rio de uma maneira nova. A no\u00e7\u00e3o da Igreja como Povo de Deus permitiu que a Igreja latino-americana se enra\u00edze mais profundamente na sua respectiva hist\u00f3ria, reconhecendo a dignidade de sujeitos hist\u00f3ricos socialmente desconsiderados e fazendo caminho junto a outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas e filos\u00f3ficas. O compromisso de cat\u00f3licos e n\u00e3o cat\u00f3licos a favor dos pobres facilita pensar que a Igreja, enraizada em uma mesma hist\u00f3ria configurada por todos os seres humanos, constitui um <em>locus theologicus <\/em>que \u00e9 simultaneamente <em>alienus et proprius. <\/em>Ela, em cada \u00e9poca, deve mediar f\u00e9 e raz\u00e3o, atrav\u00e9s de um di\u00e1logo entre f\u00e9 e ci\u00eancias, f\u00e9 e cultura, e f\u00e9 e justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, esse modo de ser Igreja se expressa em um renovado modo de entender o magist\u00e9rio. At\u00e9 antes do Conc\u00edlio, o magist\u00e9rio latino-americano foi, na realidade, praticamente europeu. A partir da Confer\u00eancia de Medell\u00edn, a Igreja continental \u2013 de um modo semelhante a uma pessoa que alcan\u00e7a a maioridade \u2013 p\u00f4de comprovar na pr\u00e1tica que sua a\u00e7\u00e3o evangelizadora corresponde \u00e0 aten\u00e7\u00e3o que ela p\u00f4s no discernimento contextual dos sinais de seu tempo. Nessa II Confer\u00eancia Episcopal, bispos e te\u00f3logos chegaram a resultados semelhantes sobre a necessidade de realizar mudan\u00e7as sociais mais significativas. A terceira Confer\u00eancia, realizada em Puebla (1979), sublinhou a import\u00e2ncia da evangeliza\u00e7\u00e3o da Igreja feita pelos pr\u00f3prios pobres. Nessa Igreja, chegou a ser poss\u00edvel falar de um <em>magisterium<\/em><em> pauperum<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja da Am\u00e9rica Latina e do Caribe descobriu por experi\u00eancia pr\u00f3pria que Deus opta pelos pobres e que, para ser crist\u00e3, ela deve fazer o mesmo. As quatro \u00faltimas confer\u00eancias episcopais insistiram que essa op\u00e7\u00e3o tem sua raiz na revela\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas papas tamb\u00e9m compartilharam e ratificaram o magist\u00e9rio do episcopado do continente. Jo\u00e3o Paulo II confirmou, ao longo de todos os seus anos de pontificado, a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres; Bento XVI, em Aparecida, sublinhou sua \u00edndole cristol\u00f3gica; e Francisco, o primeiro papa latino-americano, insistiu na op\u00e7\u00e3o pelos pobres com mais for\u00e7a que seus antecessores, seja com seu magist\u00e9rio, seja com seus gestos. Na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, valoriza-se que o magist\u00e9rio episcopal favor\u00e1vel aos pobres e \u00e0s v\u00edtimas foi referendado por m\u00e1rtires como o santo Oscar Arnulfo Romero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 A infalibilidade como <em>convic\u00e7\u00e3o fundamental<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A (i) encontra sustenta\u00e7\u00e3o na Escritura. Nela se revela, atrav\u00e9s dos seres humanos que praticam a fidelidade uns com outros, a infalibilidade do Deus fiel com a humanidade e com a cria\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a verdade mais profunda da (i) de Deus. Por\u00e9m, assim como a verdade sobre Deus excede as f\u00f3rmulas dogm\u00e1ticas e o pr\u00f3prio magist\u00e9rio, seu amor \u00e9 maior que a pr\u00e1xis das crist\u00e3s e dos crist\u00e3os. Esses n\u00e3o podem saber com certeza se sua pr\u00e1xis, mesmo quando quer ser seguimento de Cristo, \u00e9 correta. Sempre \u00e9 poss\u00edvel uma pr\u00e1tica crist\u00e3 ideol\u00f3gica. O ju\u00edzo \u00faltimo sobre sua qualidade \u00e9 escatol\u00f3gico. Entretanto, o magist\u00e9rio do bispo de Roma, em comunh\u00e3o com os demais bispos, cumpre um servi\u00e7o indispens\u00e1vel e insubstitu\u00edvel no discernimento da \u00edndole crist\u00e3 da pr\u00e1xis dos cat\u00f3licos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1ter principalmente pr\u00e1tico da (i) crist\u00e3 \u2013 ela mesma entendida como <em>convic\u00e7\u00e3o<\/em> b\u00e1sica da miseric\u00f3rdia e da justi\u00e7a de Deus \u2013 facilita a converg\u00eancia entre quem segue a Jesus e quem n\u00e3o cr\u00ea nele. Entre os disc\u00edpulos de Cristo e os que n\u00e3o o s\u00e3o h\u00e1 uma diferen\u00e7a religiosa importante, mas n\u00e3o decisiva. Isso porque esses podem n\u00e3o partilhar um credo, mas, na medida em que convergem em a\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao mundo e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o em geral, n\u00e3o se equivocam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa perspectiva, aborda-se tamb\u00e9m o di\u00e1logo ecum\u00eanico e inter-religioso. A abertura \u00e0 universalidade do amor de Deus obriga a considerar secund\u00e1rias as diferen\u00e7as religiosas. Isso porque a pr\u00e1xis que cumpre os requisitos desse amor subverte os ordenamentos sociais, pol\u00edticos, culturais e religiosos que dividem e excluem os seres humanos. Os males que afligem \u00e0 humanidade devem ser t\u00e3o ou mais preocupantes para a Igreja Cat\u00f3lica como os cismas e heresias que atentam contra sua unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Povo de Deus \u00e9 infal\u00edvel quando cr\u00ea (LG 12), segundo a compreens\u00e3o de que esse povo ensina (<em>docens<\/em>) porque aprende (<em>dicens<\/em>) de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia espiritual coletiva e hist\u00f3rica do Deus trino. Entretanto, n\u00e3o qualquer f\u00f3rmula que declare a (i) de algum assunto deveria ter a mesma autoridade. Somente o Pont\u00edfice Romano, em benef\u00edcio da unidade da Igreja, expressa autenticamente a (i) (DV 10b), movendo a Igreja a avan\u00e7ar por um mesmo caminho rumo \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica do Reino. Esse caminho proposto pelo papa pode ser percorrido com outros seres humanos e povos, pois tamb\u00e9m esses, ainda que n\u00e3o o saibam, podem chegar a participar do Reino na medida em que se deixam inspirar pelo Esp\u00edrito, que em Pentecostes foi derramado para dar continuidade \u00e0 obra de amor universal de Cristo morto e ressuscitado (LG 17a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que procede do magist\u00e9rio do Papa e dos bispos \u00e9 vinculante para o Povo de Deus. E o \u00e9, formalmente, pela investidura que lhes outorga a sucess\u00e3o apost\u00f3lica e, materialmente, pela autoridade que lhes confere a pr\u00e1tica milenar do amor misericordioso de Deus. Por sua vez, esse Povo deve submergir-se no conhecimento das fontes da revela\u00e7\u00e3o (<em>loci proprii<\/em>) e considerar a contribui\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o, da filosofia, das ci\u00eancias, das l\u00ednguas, da cultura e das religi\u00f5es (os <em>loci alieni<\/em>). A fonte primeira dessa articula\u00e7\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda pela Igreja em a\u00e7\u00e3o, ou seja, pela Igreja enraizada na hist\u00f3ria e no mundo, e n\u00e3o separada dele. Essa \u00e9 a Igreja que vive do amor fidedigno de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dogma da (i) foi discutido na Igreja desde sua formula\u00e7\u00e3o. Na atualidade, \u00e9 dif\u00edcil reconhecer que o Sumo Pont\u00edfice, e o episcopado em comunh\u00e3o com ele, tenha o poder de decidir o que as\/os crist\u00e3s\/os devem crer. Trata-se de uma doutrina impopular. No entanto, deve-se reconhecer nas autoridades da Igreja a potestade de guiar o Povo de Deus com convic\u00e7\u00e3o em mat\u00e9rias que pastoralmente tenham grande import\u00e2ncia. Elas devem auscultar a f\u00e9 da Igreja que se encontra nos batizados e nas batizadas. Esses, por sua vez, t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o e o direito de acolher indica\u00e7\u00f5es seguras de seus pastores sobre como viver seu cristianismo. Em todo caso, o exerc\u00edcio da (i) deveria cumprir com a exig\u00eancia de articular f\u00e9 e raz\u00e3o, imposta pelo pr\u00f3prio Conc\u00edlio Vaticano I (contra o fide\u00edsmo e o racionalismo). Desse modo, o que os fi\u00e9is dever\u00e3o assumir como um ensinamento revelado por parte do bispo de Roma e dos demais bispos teria que ser, de algum modo, intelig\u00edvel e pratic\u00e1vel por quem n\u00e3o partilha o credo da Igreja. A op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres formulada pela Igreja da Am\u00e9rica Latina e do Caribe constitui um exemplo de uma convic\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica fundamental que pode ser praticada por qualquer ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Jorge Costadoat. Centro Teol\u00f3gico Manuel Larra\u00edn. Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Chile. Universidade Alberto Hurtado. \u00a0Texto enviado: 30\/09\/2022; aprovado: 30\/10\/2022; publicado: 30\/12\/2022. Original espanhol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOARES, Afonso M. Ligorio. Dogma. In: PASSOS, Jo\u00e3o D\u00e9cio Passos; SANCHEZ, Wagner Lopes (Coord.). <em>Dicion\u00e1rio do Conc\u00edlio Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2015. p. 300-306.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRIGHENTI, Agenor. Magist\u00e9rio. In: PASSOS, Jo\u00e3o D\u00e9cio Passos; SANCHEZ, Wagner Lopes (Coord.). <em>Dicion\u00e1rio do Conc\u00edlio Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2015. p. 574-578.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00dcNERMANN, Peter.\u00a0<em>Fe, tradici\u00f3n y teolog\u00eda como acontecer de habla y verdad<\/em>, Barcelona: Herder, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">K\u00dcNG, Hans. <em>\u00bfInfalible? <\/em>Una pregunta. Buenos Aires: Herder, 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAHNER, Karl. <em>La infalibilidad de la Iglesia<\/em>. Madrid: BAC, 1978.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SESBO\u00dc\u00c9, Bernard. <em>La infalibilidad de la Iglesia<\/em>: Historia y teolog\u00eda. Malia\u00f1o: Sal Terrae, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, Joaqu\u00edn. <em>El Magisterio en la Iglesia cat\u00f3lica<\/em>. Santiago: Arzobispado de Santiago, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">THILS, Gustave. <em>L&#8217;infaillibilit\u00e9 pontificiale<\/em>: Source-Conditions-Limite. Gembloux: Duculot, 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TRIGO, Pedro. <em>Dios y Padre de nuestro Se\u00f1or Jesucristo en el cristianismo latinoamericano<\/em>. Malia\u00f1o: Sal Terrae, 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 A partir do Vaticano I 2 Virada latino-americana 3 Um conceito renovado de revela\u00e7\u00e3o 4 Um conceito renovado de magist\u00e9rio 5 A infalibilidade como convic\u00e7\u00e3o fundamental Conclus\u00e3o Refer\u00eancias Introdu\u00e7\u00e3o O dogma da infalibilidade da Igreja tem uma conota\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e outra pr\u00e1tica. Na atualidade, torna-se dif\u00edcil aceitar que um Papa tenha autoridade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-2720","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-fundamental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2720","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2720"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2720\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3032,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2720\/revisions\/3032"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2720"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2720"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2720"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}