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{"id":2712,"date":"2022-12-30T10:48:56","date_gmt":"2022-12-30T13:48:56","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2712"},"modified":"2024-01-03T15:39:08","modified_gmt":"2024-01-03T18:39:08","slug":"historia-da-catequese-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2712","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Catequese no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 A catequese no Brasil Colonial<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 As interven\u00e7\u00f5es de Marqu\u00eas de Pombal, expuls\u00e3o dos Jesu\u00edtas e suas consequ\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Catequese brasileira no s\u00e9culo XIX: os bispos reformadores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 A catequese no Brasil no per\u00edodo pr\u00e9-conciliar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Do Vaticano II (1962-1965) ao final do s\u00e9culo XX<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 A catequese a servi\u00e7o da Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3: dimens\u00e3o catecumenal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Um panorama fecundo de eventos e atividades catequ\u00e9ticas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria da catequese no Brasil<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, diferentemente da antiga cristandade europeia, possui pouco mais que cinco s\u00e9culos. No entanto, n\u00e3o podemos consider\u00e1-la desligada de sua matriz. Igualmente, al\u00e9m de relatar a linha do tempo, dos acontecimentos e seus protagonistas, \u00e9 necess\u00e1rio situ\u00e1-la no pr\u00f3prio contexto cultural, pol\u00edtico e eclesial dentro do qual se desenvolveram pr\u00e1ticas, conceitos e tend\u00eancias teol\u00f3gicas que subjazem aos fatos. No entanto, esse olhar sociohist\u00f3rico \u00e9 acompanhado da vis\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3, particularmente cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>Diret\u00f3rio Nacional de Catequese <\/em>(DNC)<em>,<\/em> de 2006, assim se expressa:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria \u00e9 lugar da caminhada de Deus com seu povo e do povo com Deus. Nela e por ela Deus se revela e manifesta o que Ele quer ensinar e o que espera da humanidade. Jesus Cristo, o Filho de Deus, encarnou-se na realidade humana e num determinado contexto hist\u00f3rico, que condicionou sua vida, ensinamento e miss\u00e3o. Viveu, ensinou e nos salvou a partir da hist\u00f3ria e do que ela comporta. A hist\u00f3ria faz parte do conte\u00fado da catequese. O fiel, iniciado no mist\u00e9rio da Salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 chamado a assumir a miss\u00e3o de ajudar a construir a hist\u00f3ria hoje, segundo o Reino de Deus (DNC, 2006, n\u00ba 60).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cam\u00f5es, com a vis\u00e3o de cristandade vigente em seu tempo, afirma nos <em>Lus\u00edadas<\/em> que os portugueses se lan\u00e7aram aos mares buscando &#8220;dilatar a f\u00e9 e o imp\u00e9rio&#8221; (Canto 1, estrofe 2). Entretanto, antes mesmo que na Am\u00e9rica chegassem portugueses ou espanh\u00f3is, como afirmam os bispos do CELAM, em Puebla, \u201co Esp\u00edrito que encheu o mundo assumiu tamb\u00e9m o que havia de bom nas culturas pr\u00e9-colombianas. Ele pr\u00f3prio as ajudou a receber o Evangelho&#8221; (DP 201). Sem d\u00favida essas &#8220;Sementes do Verbo&#8221; presentes nestas culturas (DP 401, 403), foram cultivadas e incrementadas pela evangeliza\u00e7\u00e3o e catequese da Igreja. De fato, como reconhecem os mesmos bispos em Santo Domingo, &#8220;as <em>Sementes do Verbo<\/em>, presentes no profundo sentido religioso das culturas pr\u00e9-colombianas, esperavam o orvalho fecundante do Esp\u00edrito&#8221; (SD 17). Essas considera\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas permitem-nos avan\u00e7ar no tempo e espa\u00e7o para a\u00ed analisar a <em>hist\u00f3ria da catequese no Brasil<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 A catequese no Brasil colonial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez introduzido na hist\u00f3ria ocidental e aberto para o mundo desenvolvido de ent\u00e3o pela presen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o dos portugueses, a hist\u00f3ria do Brasil se entrela\u00e7a com a hist\u00f3ria da evangeliza\u00e7\u00e3o e catequese. Em 1503 chegaram os dois primeiros mission\u00e1rios franciscanos, na expedi\u00e7\u00e3o de Gon\u00e7alo Coelho, em Porto Seguro, seguidos mais tarde por outros frades. Em 1532 fundaram-se as primeiras par\u00f3quias, e de 1538 a 1541 a primeira miss\u00e3o formal instalou-se em Santa Catarina por obra dos mesmos franciscanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os jesu\u00edtas chegaram com o primeiro governador geral Tom\u00e9 de Souza, em 1549. Sua exist\u00eancia tamb\u00e9m se confunde com hist\u00f3ria do Brasil, tornando-se os protagonistas principais que acompanharam de perto o crescimento e desenvolvimento brasileiro. Nascidos pouco antes dentro do esp\u00edrito da Reforma, e com um enorme impulso mission\u00e1rio, transmitiram a f\u00e9 crist\u00e3 aos ind\u00edgenas, sobretudo os que habitavam fora dos centros urbanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com eles come\u00e7ou-se a implanta\u00e7\u00e3o de uma <em>catequese mais organizada <\/em>para os colonizadores portugueses, seguindo o modelo tridentino; e para os ind\u00edgenas, uma <em>catequese<\/em> mais <em>mission\u00e1ria<\/em>, bastante criativa e com esfor\u00e7os para atingir aquilo que hoje chamamos de <em>incultura\u00e7\u00e3o<\/em>. De fato, ap\u00f3s as primeiras tentativas de catequizar os ind\u00edgenas atrav\u00e9s de <em>int\u00e9rpretes<\/em>, os mission\u00e1rios aprenderam a l\u00edngua local<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, escreveram catecismos nestas l\u00ednguas e usaram a m\u00fasica, o teatro, a poesia, os autos e a dan\u00e7a ritual para a obra evangelizadora. Tanto nos col\u00e9gios como na catequese ind\u00edgena predominava a metodologia da <em>tradi\u00e7\u00e3o oral<\/em>: uma memoriza\u00e7\u00e3o da <em>doutrina<\/em> mais mec\u00e2nica e menos assimilada. Ali\u00e1s, para os mission\u00e1rios \u201ca quest\u00e3o da convers\u00e3o dos \u00edndios n\u00e3o era doutrin\u00e1ria, mas uma quest\u00e3o de <em>costumes<\/em>\u201d, no dizer do Pe. S\u00e3o Jos\u00e9 de Anchieta (Leite, 1923, p. 12; Anchieta, 1933, p. 419 e 435).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os mission\u00e1rios distinguiram-se o Pe. Manoel da N\u00f3brega, provincial, e o Pe. S\u00e3o Jos\u00e9 de Anchieta, que veio como novi\u00e7o e se formou no <em>Col\u00e9gio da Baia<\/em>, desenvolvendo uma atividade que o coloca entre os gigantes da primeira evangeliza\u00e7\u00e3o latino-americana. Fundou col\u00e9gios (como o de S\u00e3o Paulo, que originou a atual metr\u00f3pole), escreveu textos catequ\u00e9ticos, pe\u00e7as de teatro, gram\u00e1ticas e poemas em quatro l\u00ednguas: latim, portugu\u00eas, castelhano e tupi-guarani. Ao mesmo tempo foi evangelizador, catequista, m\u00e9dico, art\u00edfice, pacificador, taumaturgo, mestre-escola, arquiteto: um mission\u00e1rio completo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novas levas de mission\u00e1rios jesu\u00edtas chegaram ao Brasil nos anos seguintes, tendo no Pe. Ant\u00f4nio Vieira (1608-1697) uma figura \u00edmpar. Realizaram \u201cuma obra sem exemplo na hist\u00f3ria\u201d, na express\u00e3o do historiador Capistrano de Abreu (Abreu, 1945, p. 105). Tamb\u00e9m outras ordens religiosas, al\u00e9m dos franciscanos e jesu\u00edtas (capuchinhos, beneditinos, carmelitas, merced\u00e1rios) se associaram \u00e0 obra empreendida por eles na extraordin\u00e1ria tarefa da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do Brasil. Todos os mission\u00e1rios enfrentavam in\u00fameras dificuldades por causa da ambi\u00e7\u00e3o colonizadora da pol\u00edtica mercantilista, a ponto de o Papa Urbano VIII ter que escrever a bula <em>Comissum nobis, <\/em>em 1638, em defesa dos \u00edndios, mantendo as disposi\u00e7\u00f5es de seu predecessor Paulo III: \u201cproibiu e ordenou que as autoridades tamb\u00e9m proibissem escraviz\u00e1-los e priv\u00e1-los de seus bens\u201d, sob pena de excomunh\u00e3o <em>latae sententiae,<\/em> reservada ao Pont\u00edfice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dessas dificuldades, os mission\u00e1rios se preocupavam n\u00e3o somente com novos m\u00e9todos e t\u00e9cnicas, mas tamb\u00e9m com a supera\u00e7\u00e3o da simples catequese doutrinal ou instru\u00e7\u00e3o (embora os textos v\u00e3o muito nesta linha). Estavam muito atentos \u00e0quilo que hoje chamamos de <em>promo\u00e7\u00e3o humana e social<\/em> do ind\u00edgena dentro de um contexto hostil e avesso a um tipo de atividade deste g\u00eanero. Com menos intensidade, mas igual zelo apost\u00f3lico, fizeram esfor\u00e7os na evangeliza\u00e7\u00e3o dos negros que, numa atitude anti-humana, sofriam a escravid\u00e3o. Entretanto n\u00e3o tiveram voz para se opor a t\u00e3o execr\u00e1vel institui\u00e7\u00e3o escravagista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este gigantesco trabalho evangelizador n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo s\u00f3 aos mission\u00e1rios, despojados, abertos \u00e0 cultura ind\u00edgena e com uma alta consci\u00eancia evang\u00e9lica. Tamb\u00e9m os <em>leigos<\/em>, especialmente <em>mulheres<\/em>, tiveram papel importante, infelizmente esquecido pela hist\u00f3ria: estiveram sempre ao lado dos mission\u00e1rios, ora assumindo mesmo a dire\u00e7\u00e3o das aldeias, ora fazendo parte integrante do processo catequizador. Ficou c\u00e9lebre a presen\u00e7a do negro Jos\u00e9 Lopes Esp\u00ednola, mission\u00e1rio leigo no Amazonas no fim do s\u00e9culo XVII, a quem o pr\u00f3prio Conselho Ultramarino de Portugal sugeriu uma medalha de ouro pelo seu trabalho de catequese (cf. Vilela, 1998, p. 289).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a organiza\u00e7\u00e3o da Igreja e principalmente para a hist\u00f3ria da catequese no Brasil, \u00e9 de suma import\u00e2ncia a promulga\u00e7\u00e3o, j\u00e1 nos in\u00edcios do s\u00e9culo XVIII, das <em>Constitui\u00e7\u00f5es do Arcebispado da Bahia<\/em>, capital e sede do arcebispo primaz do Brasil, na \u00e9poca D. Sebasti\u00e3o Monteiro da Vide. Tais <em>Constitui\u00e7\u00f5es <\/em>(1707) orientaram a ordena\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-teol\u00f3gico-catequ\u00e9tica na Igreja do Brasil durante dois s\u00e9culos. Elas se comp\u00f5em de 5 livros: no primeiro deles se trata da obriga\u00e7\u00e3o de ensinar a doutrina crist\u00e3. O <em>breve catecismo<\/em> que lhe \u00e9 incorporado traz os tra\u00e7os dos catecismos doutrinais europeus. A import\u00e2ncia catequ\u00e9tica deste documento \u00e9 assim ressaltada:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As <em>Constitui\u00e7\u00f5es da Bahia<\/em> trazem \u00e0 mem\u00f3ria dos p\u00e1rocos, dos mestres-escolas e dos pais de fam\u00edlia a obriga\u00e7\u00e3o de ensinarem crian\u00e7as e <em>escravos<\/em>, seguindo \u00e0 risca as normas do Conc\u00edlio de Trento; oferecem ainda aos catequistas um catecismo abreviado para a instru\u00e7\u00e3o, que denominam de <em>Forma da doutrina crist\u00e3<\/em>, e tamb\u00e9m um formul\u00e1rio mais resumido ainda e adaptado para os <em>escravos <\/em>(Lustosa, 1992,59).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 As interven\u00e7\u00f5es de Marqu\u00eas de Pombal, expuls\u00e3o dos Jesu\u00edtas e suas consequ\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As ideias que transformavam a Europa no s\u00e9culo XVIII tinham sua repercuss\u00e3o no Brasil: o <em>iluminismo<\/em>, os ideais da <em>Revolu\u00e7\u00e3o francesa<\/em>, o <em>mercantilismo<\/em>, o <em>despotismo<\/em> <em>esclarecido<\/em>. Este \u00faltimo movimento teve enorme influ\u00eancia no Brasil, atrav\u00e9s de Sebasti\u00e3o Jos\u00e9 de Carvalho e Melo, Marqu\u00eas de Pombal. Nomeado primeiro-ministro de D. Jos\u00e9 II, de Portugal, suas medidas pol\u00edticas afetaram profundamente a a\u00e7\u00e3o da Igreja, particularmente por causa da expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas (1759, reabilitados por Pio VII, em 1814). Consequentemente perdeu for\u00e7as a rede de escolas que eles mantinham ao longo do territ\u00f3rio nacional. Atitude igualmente danosa \u00e0 Igreja foi a imposi\u00e7\u00e3o do <em>catecismo jansenista<\/em>, chamado tamb\u00e9m de <em>Catecismo de Montpellier <\/em>(1702, traduzido em portugu\u00eas em 1765). Apesar de ter sido condenado e colocado no <em>Index,<\/em> em 1721, sob acusa\u00e7\u00e3o de jansenismo e de tend\u00eancias galicanas, o livro foi imposto pelo governo portugu\u00eas, com decreto r\u00e9gio de 30 de setembro de 1770 como texto oficial nas escolas do Reino portugu\u00eas e Col\u00f4nias. Foi considerado o texto da educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 no territ\u00f3rio brasileiro, na segunda metade do s\u00e9culo XVIII e in\u00edcio do XIX. Pombal n\u00e3o estava interessado nas quest\u00f5es teol\u00f3gicas desse catecismo, mas em seu aspecto pol\u00edtico, pois o jansenismo via com maus olhos o poder central da Igreja (Papa, C\u00faria Romana); e era isso que lhe interessava: minar o poder e a autoridade de Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos bispos brasileiros protestaram diante de tal imposi\u00e7\u00e3o, mas inutilmente; outros, ao inv\u00e9s, oficializaram o texto em suas dioceses. Foi divulgado por toda parte, influenciando tremendamente a catequese no Brasil at\u00e9 o in\u00edcio do per\u00edodo imperial. Mais do que o <em>jansenismo<\/em> <em>dogm\u00e1tico<\/em>, teve grande influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o religiosa brasileira o <em>jansenismo moral,<\/em> com seu rigorismo asc\u00e9tico fanaticamente exacerbado, a busca da pureza legal sem limites, a luta indiscriminada contra o esp\u00edrito de toler\u00e2ncia e o laxismo, vis\u00e3o negativa da sexualidade e a divulga\u00e7\u00e3o de um cristianismo triste (cf. Lustosa, 1992, p. 67).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenvolveram-se, ent\u00e3o formas novas que vieram substituir a catequese oficial que, com essas medidas pombalinas foi-se definhando. Assim pode ser considerada a <em>catequese popular<\/em> que tinha essas caracter\u00edsticas: simplicidade, sem aprofundamento doutrinal, conhecimento daquilo que \u00e9 mais importante para um crist\u00e3o, pr\u00e1tica de um catolicismo bem popular e sem a linguagem e f\u00f3rmulas eclesi\u00e1sticas. Do ponto de vista moral, emergiam costumes e pr\u00e1ticas austeras centradas no essencial, e carregadas de devocionismo, heran\u00e7a portuguesa e medieval, quase que colocando a media\u00e7\u00e3o dos santos acima do cristocentrismo evang\u00e9lico. Tal catequese tornava a transmiss\u00e3o da f\u00e9 uma tarefa familiar, que facilmente, e sem contesta\u00e7\u00f5es ou dificuldades, era praticada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cristianismo era transmitido ao lado dos valores humanos, impregnados dos valores evang\u00e9licos. Inevitavelmente era forte e vigorosa a influ\u00eancia de elementos religiosos ind\u00edgenas e africanos na vida crist\u00e3. Tal mistura sincr\u00e9tica (diferente da t\u00e3o proposta e desejada <em>incultura\u00e7\u00e3o<\/em>) ainda hoje \u00e9 vis\u00edvel e palp\u00e1vel em diferentes ambientes brasileiros<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Nascia assim o fen\u00f4meno da religiosidade popular, sempre se firmando e crescendo. Ela gerou consequentemente uma transmiss\u00e3o da f\u00e9 sem estruturas e formalidades. Era conduzida pelo povo: pais e m\u00e3es de fam\u00edlia, pessoas simples sem grande instru\u00e7\u00e3o, pregadores do povo, puxadores de ter\u00e7os e novenas, benzedeiras, rezadores, beatas e devotos, carolas e ermit\u00f5es. Nesse ambiente de cristianismo simples, mas v\u00e1lido e sincero, tais figuras se destacavam e muitas vezes assumiam a lideran\u00e7a nas comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crescia concomitantemente express\u00f5es rituais e celebrativas, bem diferentes dos livros lit\u00fargicos oficiais, ora\u00e7\u00f5es, mesmo num latim estropiado, adulterado e n\u00e3o poucas vezes com ressaibos de supersti\u00e7\u00e3o. A popularidade dessas figuras da religiosidade popular era tal que a seu redor se juntavam multid\u00f5es de seguidores, l\u00edderes que ditavam costumes e pr\u00e1ticas religiosas populares. Sobreviveram e se multiplicaram at\u00e9 hoje, manifestando, de um modo concreto junto \u00e0s pessoas mais simples, um modo concreto de sentir e viver a Igreja nas bases e no ch\u00e3o do povo, marcando nossa cultura e folclore religioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Catequese brasileira no s\u00e9culo XIX: os bispos reformadores<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O per\u00edodo imperial no Brasil nasceu com a vinda da fam\u00edlia real, em 1808, para o Rio de Janeiro. \u00c9 marcado pela <em>reforma cat\u00f3lica<\/em>, conduzida pelos bispos chamados reformadores<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Eles pretendiam alinhar a Igreja do Brasil com o j\u00e1 long\u00ednquo Conc\u00edlio de Trento, ainda pouco vivenciado em Portugal e nas col\u00f4nias. Com isso, tamb\u00e9m ganha a pastoral catequ\u00e9tica. Como em toda grande reforma na Igreja, ela come\u00e7a pelo clero, encaminhando-se depois para a instru\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do povo, promovendo a renova\u00e7\u00e3o do <em>ensino da doutrina<\/em>. Tal renova\u00e7\u00e3o torna-se ferramenta importe para a implanta\u00e7\u00e3o da reforma. Al\u00e9m de suas <em>Cartas Pastorais<\/em>, predecessoras dos atuais <em>Documentos da CNBB<\/em>, que tra\u00e7avam diretrizes e orienta\u00e7\u00f5es, as visitas pastorais eram ocasi\u00f5es de os bispos realizarem suas catequeses mais ortodoxas do que o <em>Catecismo de Montpellier<\/em>, imposto por Pombal. Igualmente as Par\u00f3quias adotavam uma catequese, sempre de cunho doutrinal, por\u00e9m mais conforme o Conc\u00edlio de Trento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novos catecismos come\u00e7am a surgir, sinal de vitalidade da renova\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica a partir de 1840: s\u00e3o marcados pela dimens\u00e3o doutrinal e as diretrizes tridentinas. Eram traduzidos de edi\u00e7\u00f5es europeias, sobretudo francesas, ou elaborados e adaptados pelos pr\u00f3prios bispos brasileiros. Foi a \u00e9poca \u00e1urea dos <em>Catecismos da doutrina crist\u00e3<\/em> ou <em>Catecismos teol\u00f3gicos<\/em>. A multiplica\u00e7\u00e3o de tais textos prepara o ensaio de busca por um texto \u00fanico para todo o Brasil, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Al\u00e9m da caracter\u00edstica doutrinal, possu\u00edam tamb\u00e9m o vi\u00e9s apolog\u00e9tico: combatem os erros do jansenismo, do galicanismo e do liberalismo; s\u00e3o carregados do tom antiprotestante da reforma tridentina, da qual a nossa reforma era tribut\u00e1ria. Desde 1810, devido \u00e0s cl\u00e1usulas favor\u00e1veis \u00e0 liberdade religiosa dos anglicanos, contidas no <em>Tratado do Com\u00e9rcio<\/em> <em>e Navega\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0com a Inglaterra, inicia-se no Brasil a implanta\u00e7\u00e3o de igrejas n\u00e3o cat\u00f3licas. Al\u00e9m dos anglicanos, v\u00e1rios pastores protestantes e imigrantes norte-americanos aportam no pa\u00eds, vindos da guerra de secess\u00e3o daquele pa\u00eds. Alguns fundam importantes escolas, como o col\u00e9gio e a universidade Mackenzie de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como no per\u00edodo anterior, al\u00e9m da catequese paroquial, mais formal e baseada em textos de catecismos doutrinais, tamb\u00e9m ministrada em col\u00e9gios cat\u00f3licos, h\u00e1 ainda uma significativa atividade mais mission\u00e1ria, de car\u00e1ter popular, que mantinha e alimentava a f\u00e9 das fam\u00edlias; eram os <em>pregadores leigos populares<\/em>, que marcaram \u00e9poca, como: Ant\u00f4nio Vicente Mendes Maciel (Ant\u00f4nio Conselheiro), l\u00edder religioso-pol\u00edtico da revolu\u00e7\u00e3o de Canudos (1897); \u201cS\u00e3o\u201d Jo\u00e3o Maria, nome m\u00edtico que engloba v\u00e1rios personagens envolvidos em prega\u00e7\u00f5es messi\u00e2nicas, medicina popular e pol\u00edtica, na guerra do Contestado (Santa Catarina-Paran\u00e1); Pedro Batista, na regi\u00e3o de Paulo Afonso (Bahia), Ir. Jos\u00e9 da Cruz (Rio Juru\u00e1 no Acre) e Jacobina Meurer (Nova Hamburgo, RS). Junto com os textos de catequese eram tamb\u00e9m amplamente difundidos os devocion\u00e1rios, manuais de ora\u00e7\u00e3o, noven\u00e1rios, livros de piedade, ter\u00e7os, horas marianas, miss\u00e3o abreviada (textos para a continuidade das santas Miss\u00f5es) etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX realizaram-se alguns esfor\u00e7os de articula\u00e7\u00e3o pastoral. D. Ant\u00f4nio Macedo Costa, bispo de Bel\u00e9m do Par\u00e1, nomeado depois Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, conseguiu, pela primeira vez na hist\u00f3ria da Igreja brasileira, reunir o episcopado em mar\u00e7o de 1890 (eram poucas as dioceses), discutir e promulgar a <em>Pastoral Coletiva do Episcopado Brasileiro.<\/em> Combate pretensos erros do momento, marcado pelo positivismo e pela presen\u00e7a maci\u00e7a de membros da ma\u00e7onaria na nascente Rep\u00fablica, contra a qual se posiciona, assim como contra a Constitui\u00e7\u00e3o, Estado laico e liberdade religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acontecimentos importantes desse movimento de <em>romaniza\u00e7\u00e3o <\/em>foram o <em>Conc\u00edlio Plen\u00e1rio Latino-americano<\/em> (1899, em Roma!) e o <em>Conc\u00edlio Plen\u00e1rio Brasileiro <\/em>(1939), primeiro c\u00f3digo jur\u00eddico-eclesi\u00e1stico-pastoral exclusivo para o Brasil. Entre esses dois acontecimentos realizaram-se outras assembleias como o <em>Conc\u00edlio das Prov\u00edncias Eclesi\u00e1sticas do Sul<\/em>, em Nova Friburgo (RJ) de 12 a 17 de janeiro de 1915. Sua documenta\u00e7\u00e3o aponta para o esfor\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o de uma Igreja Cat\u00f3lica Romana no Brasil, ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o do Estado. Publica uma c\u00e9lebre <em>Pastoral Coletiva <\/em>e o<em> Catecismo da Doutrina Crist\u00e3<\/em>, cujas ra\u00edzes remontam aos bispos \u201creformadores\u201d do final do s\u00e9culo anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse importante <em>Catecismo <\/em>teve sua primeira edi\u00e7\u00e3o em 1903, com grande aceita\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00f5es sucessivas, espalhou-se n\u00e3o s\u00f3 pelo Sul, mas tamb\u00e9m por todo o territ\u00f3rio brasileiro. Trata-se de um catecismo doutrinal-teol\u00f3gico, com f\u00f3rmulas precisas e ao mesmo tempo simples, dentro do padr\u00e3o doutrinal, e por isso mesmo, memoriz\u00e1vel. Chegou-se a afirmar que, dentro de seu estilo e caracter\u00edsticas pr\u00f3prias ele supera at\u00e9 o famoso <em>Catecismo de Pio XI, <\/em>publicado em seguida. Na verdade, era um catecismo <em>em quatro n\u00edveis<\/em>: <em>Resumo da Doutrina Crist\u00e3<\/em> (extrato da doutrina elementar); <em>Primeiro Catecismo da Doutrina Crist\u00e3<\/em> (catecismo elementar destinado aos principiantes); <em>Segundo Catecismo<\/em> (catecismo b\u00e1sico); <em>Terceiro Catecismo<\/em> (de n\u00edvel avan\u00e7ado).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imp\u00f4s-se em todo o territ\u00f3rio nacional, perdurando suas edi\u00e7\u00f5es sucessivas at\u00e9 os dias de hoje, com muito sucesso. Milh\u00f5es de crist\u00e3os a partir de 1903 at\u00e9 \u00e0s v\u00e9speras do Vaticano II, bem ou mal, foram formados tendo como texto-base esses <em>Catecismos da Doutrina Crist\u00e3<\/em>. Eram considerados por muitos o <em>catecismo<\/em> por antonom\u00e1sia. De um modo especial nos col\u00e9gios, suas respostas eram memorizadas, enquanto se adotavam outros textos, menos doutrinais e mais did\u00e1ticos, para a explica\u00e7\u00e3o daqueles formul\u00e1rios. As c\u00e9lebres maratonas ou certames promulgados oficialmente tinham, em geral, como base, os textos do <em>Catecismo da Doutrina Crist\u00e3<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 A catequese no Brasil no per\u00edodo pr\u00e9-conciliar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00e9c. XX foi o s\u00e9culo da renova\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica em todos os sentidos, dando in\u00edcio ao movimento catequ\u00e9tico sob a influ\u00eancia do desenvolvimento da Psicologia e da Pedagogia, ao mesmo tempo em que teologicamente a Igreja caminhava em dire\u00e7\u00e3o do Vaticano II. Esta renova\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, unida \u00e0s descobertas da <em>psicologia<\/em> <em>cient\u00edfica,<\/em> desemboca, em termos de catequese, nos Congressos de Viena (1912) e de Munique (1928). O m\u00e9todo psicol\u00f3gico de Munique propunha partir de um <em>epis\u00f3dio b\u00edblico<\/em>, explicar a <em>verdade<\/em> a\u00ed contida e <em>aplic\u00e1-la<\/em> \u00e0 vida. D\u00e1-se grande valor \u00e0 liturgia e \u00e0 b\u00edblia: \u00e9 o incipiente m\u00e9todo querigm\u00e1tico. Na Fran\u00e7a Joseph Colomb, Fran\u00e7ois Coudreau, Fran\u00e7oise Derkene e Maria Tecla Montessori assimilaram e aperfei\u00e7oaram tais tend\u00eancias, divulgando-as pelo mundo, inclusive no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa S\u00e3o Pio X publicou a enc\u00edclica <em>Acerbo Nimis<\/em> (1905) e o decreto <em>Quam Singulari <\/em>(1910), em pol\u00eamica com o jansenismo, abrindo \u00e0s crian\u00e7as, a partir dos 7 anos, o acesso \u00e0 Comunh\u00e3o Eucar\u00edstica. Ao fazer isso, muito impulsionou a catequese infantil, quase fixando nessa idade os destinat\u00e1rios principais da catequese, embora prescrevesse tamb\u00e9m a <em>catequese de adultos<\/em>. Seu <em>Catecismo<\/em>, diferentemente do movimento catequ\u00e9tico europeu, prossegue a tradi\u00e7\u00e3o de prefer\u00eancia \u00e0 dimens\u00e3o doutrinal, mas inova e avan\u00e7a na dimens\u00e3o organizacional da catequese. De fato, institui as <em>Congrega\u00e7\u00f5es da Doutrina Crist\u00e3,<\/em> destinadas a zelar, estimular e apoiar a catequese em todas as Par\u00f3quias. Tais orienta\u00e7\u00f5es tiveram boa repercuss\u00e3o, aceita\u00e7\u00e3o e influxo na organiza\u00e7\u00e3o da catequese no Brasil, mais do que seu <em>Catecismo <\/em>(1905, 1912), feito originalmente para a Diocese de Roma, espalhando-se depois pela It\u00e1lia e por todo o mundo cat\u00f3lico, sem tra\u00e7os de um <em>catecismo universal. <\/em>Ali\u00e1s, no Brasil, j\u00e1 havia, como dito acima, um excelente <em>Catecismo da doutrina crist\u00e3 <\/em>desde 1901.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da enc\u00edclica <em>Acerbo Nimis<\/em>, os leigos que no Brasil sempre tiveram uma presen\u00e7a significativa na catequese, ser\u00e3o valorizados mais ainda. Os p\u00e1rocos, que eram cada vez mais conclamados a desempenharem com responsabilidade suas graves obriga\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 catequese, buscam seus leigos auxiliares para o trabalho catequ\u00e9tico entre os membros das v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es paroquiais (Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o, Congrega\u00e7\u00f5es Marianas, Vicentinos, Filhas de Maria, Corte de S\u00e3o Jos\u00e9 etc.). Esta abertura em favor da participa\u00e7\u00e3o das\/os leigos\/as foi reflexo tamb\u00e9m do surgimento da <em>A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica<\/em> na Europa e que se desenvolveu muito no Brasil. A falta de clero obrigou os bispos e padres a recorrerem cada vez mais aos leigos. Com isso, as\/os catequistas receberam uma forma\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida e profunda. Por tudo isso, S\u00e3o Pio X, papa da catequese, em alguns pa\u00edses \u00e9 padroeiro dos catequistas. No Brasil, foi proclamado padroeiro dos catequistas S\u00e3o Jos\u00e9 de Anchieta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o final do s\u00e9culo XIX o chamado dos Bispos para uma maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 catequese vinha da constata\u00e7\u00e3o da crescente <em>ignor\u00e2ncia religiosa <\/em>do povo, o que j\u00e1 apontava tamb\u00e9m para uma op\u00e7\u00e3o <em>doutrinal <\/em>da mesma. Por outro lado, pessoas atentas \u00e0 efic\u00e1cia da pedagogia da f\u00e9 come\u00e7aram a criticar os catecismos doutrinais, \u00e0 base de perguntas e respostas, privilegiando a memoriza\u00e7\u00e3o das f\u00f3rmulas concentradas da doutrina crist\u00e3. O progresso das ci\u00eancias pedag\u00f3gicas e a evolu\u00e7\u00e3o do movimento catequ\u00e9tico europeu, j\u00e1 nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930, mostraram as fraquezas destes textos. A primeira renova\u00e7\u00e3o significativa veio pela <em>A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica<\/em>, sob o pontificado de Pio XI. No Brasil, ela teve um enorme raio de a\u00e7\u00e3o, cujos efeitos continuaram posteriormente, na virada antropol\u00f3gica, sobretudo a aten\u00e7\u00e3o aos graves problemas sociais. Sem o trabalho eficaz e organizado da <em>A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, <\/em>certamente n\u00e3o haveria clima para o surgimento das teologias da liberta\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, sobretudo no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus <em>cursos de cultura religiosa<\/em> primavam pelo aprofundamento da f\u00e9, fugindo, contudo, daquele <em>n<strong>o<\/strong>cionismo<\/em> que caracterizava a catequese tradicional como doutrina. Leigos bem formados pela <em>A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica<\/em> assumiam a voca\u00e7\u00e3o de catequistas, alterando um pouco o monop\u00f3lio da catequese por parte do clero. Eles descobriam e viviam sua voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 como leigos, marcando uma presen\u00e7a muito grande de um modo especial na catequese. No entanto, o avan\u00e7ad\u00edssimo pensamento social crist\u00e3o que permeava a <em>A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica<\/em> e que ir\u00e1 influir significativamente na sua milit\u00e2ncia concreta, n\u00e3o conseguiu mudar muito o <em>conte\u00fado<\/em> da catequese tradicional. Este ser\u00e1 um trabalho para o <em>movimento catequ\u00e9tico<\/em> ap\u00f3s o Vaticano II, mas aqui j\u00e1 est\u00e3o suas sementes e bases.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a <em>A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica<\/em> a catequese se beneficiou com um valioso instrumento metodol\u00f3gico: a maneira de proceder atrav\u00e9s da trilogia: <em>ver, julgar e agir<\/em>. Timidamente praticado nos in\u00edcios, desenvolveu-se sempre mais, sob a influ\u00eancia do pensamento de Josef-L\u00e9on Cardjin e Jacques Maritain, tornando-se depois n\u00e3o s\u00f3 metodologia da catequese, mas de toda a pastoral. Hoje o <em>DNC <\/em>prop\u00f5e a terminologia: <em>ver-iluminar-agir<\/em> (DNC 157-162).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito contribuiu para a evolu\u00e7\u00e3o da catequese no Brasil o movimento querigm\u00e1tico, tamb\u00e9m de origem europeia. A <em>catequese querigm\u00e1tica<\/em>, pedagogicamente constru\u00edda a partir de unidades did\u00e1ticas, tem como espinha dorsal de seu conte\u00fado a <em>Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o<\/em>, cujo centro \u00e9 Jesus Cristo, com um grande uso da B\u00edblia, particularmente os Evangelhos, como tamb\u00e9m da <em>Liturgia<\/em>. \u00c9 fruto da converg\u00eancia na catequese dos avan\u00e7os dos <em>movimentos b\u00edblico, lit\u00fargico, da renova\u00e7\u00e3o da teologia querigm\u00e1tica<\/em>, da escola ativa, e de toda a efervesc\u00eancia pastoral que acontecia na Igreja \u00e0s v\u00e9speras do Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os grandes animadores brasileiros da catequese do per\u00edodo pr\u00e9-conciliar, destaca-se o Pe. \u00c1lvaro Pereira de Albuquerque Negromonte (1901-1964). Sobre ele assim se expressa O. Lustosa:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconhecido na vida como \u201cmentor do catecismo no Brasil\u201d e \u201cum mestre brasileiro de pedagogia do catecismo\u201d, o Pe. \u00c1lvaro Negromonte foi lentamente esquecido ap\u00f3s sua morte (1964). Sua obra catequ\u00e9tica merece, n\u00e3o apenas os agradecimentos dos catequistas, mas um estudo s\u00e9rio de sua import\u00e2ncia e de sua influ\u00eancia nos 30 anos de atua\u00e7\u00e3o (Lustosa, 1992, p. 113; cf. 120).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criou e difundiu no Brasil o chamado <em>m\u00e9todo integral de catequese<\/em>: tinha como objetivo \u201cformar o crist\u00e3o \u00edntegro, firme na f\u00e9, forte no amor e pleno de esperan\u00e7a\u201d (<em>CR<\/em> 22). Entretanto os poucos autores que tratam da catequese no Brasil, colocam-no em primeiro plano, como renovador da catequese, ap\u00f3s a era dos <em>catecismos teol\u00f3gicos<\/em> e com o advento da renova\u00e7\u00e3o querigm\u00e1tica. Depois de intensa atividade em Belo Horizonte, de onde praticamente dirigia a catequese em n\u00edvel nacional, e no Rio de Janeiro, juntou-se a Dom Helder C\u00e2mara, na funda\u00e7\u00e3o do <em>Instituto Superior de Pastoral Catequ\u00e9tica <\/em>nacional (ISPAC) e na publica\u00e7\u00e3o da <em>Revista Catequ\u00e9tica<\/em>, editada durante 8 anos (1949-1956). Nessa ocasi\u00e3o foi o primeiro <em>assessor nacional <\/em>para a catequese da nascente CNBB (1952), cujo departamento catequ\u00e9tico se intitulava<em> Secretariado Nacional do Ensino de Religi\u00e3o<\/em> (SNER)<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><em>. <\/em>Deixou in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es, entre as quais se sobressai sua <em>Pedagogia do Catecismo <\/em>(1937)<em>, <\/em>sendo que as outras s\u00e3o obras mais did\u00e1ticas, no estilo renovado dos textos de catequese, cujo conte\u00fado e estilo renovou radicalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em muitas partes do mundo crist\u00e3o realizavam-se Congressos Catequ\u00e9ticos ou Semanas Internacionais de Catequese (seis ao todo) sempre em vista de uma revitaliza\u00e7\u00e3o e novas perspectivas, levadas adiante pelo jesu\u00edta Pe. Johannes Hofinger (1903-1984), incans\u00e1vel ap\u00f3stolo da renova\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica em base \u00e0 teologia querigm\u00e1tica e o nascente conceito de <em>incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, <\/em>do qual foi um pioneiro. Pe. Pedro Arrupe SJ, usou-o pela primeira vez oficialmente no S\u00ednodo da Catequese (1977) e depois S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, tamb\u00e9m pela primeira vez usa-o na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Catechesi Tradendae <\/em>(CT).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concluindo esse per\u00edodo pr\u00e9-conciliar no Brasil, \u00e9 obrigat\u00f3rio referir-se \u00e0 Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, fundada sob a lideran\u00e7a de D. Helder C\u00e2mara, ent\u00e3o simples padre e <em>Assistente Eclesi\u00e1stico da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica<\/em>, em cuja organiza\u00e7\u00e3o e espiritualidade se inspirou para estruturar a CNBB. A partir de tal funda\u00e7\u00e3o trouxe nova coordena\u00e7\u00e3o tanto paroquial como diocesana \u00e0 catequese, dando-lhe vigor e levando-a a um crescimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1961 D. Jos\u00e9 Costa Campos, Bispo de Valen\u00e7a (RJ), \u00e9 nomeado presidente do SNER. Seu dinamismo, capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7a imprimiu um novo vigor ao movimento catequ\u00e9tico brasileiro, com in\u00fameras iniciativas. Reorganizou o SNER e convocou o Pe. Hugo Paiva, (CM, padres da Miss\u00e3o), formado em catequ\u00e9tica no <em>Institut Catholique de Paris,<\/em> como assessor nacional. O novo assessor logo elaborou um plano de reorganiza\u00e7\u00e3o da catequese no Brasil, cujas medidas mais urgentes seriam a organiza\u00e7\u00e3o do ISPAC (Instituto Superior de Pastoral Catequ\u00e9tica) e a cria\u00e7\u00e3o de um <em>Centro de Informa\u00e7\u00e3o e Documenta\u00e7\u00e3o<\/em>. Criou ainda uma equipe nacional de assessoria que atuou em territ\u00f3rio nacional, principalmente com cursos e acompanhando o andamento das atividades do SNER.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Do Vaticano II (1962-1965) ao final do s\u00e9culo XX<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os grandes movimentos de renova\u00e7\u00e3o da primeira metade do s\u00e9culo XX, como o movimento b\u00edblico, patr\u00edstico, lit\u00fargico, querigm\u00e1tico e catequ\u00e9tico do final do s\u00e9c. XIX e in\u00edcio do XX, incluindo a\u00ed a <em>A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica<\/em>, renovam a Igreja e provocam o Conc\u00edlio Vaticano II com grande ganho para a catequese. O Conc\u00edlio n\u00e3o quis um <em>Catecismo Universal <\/em>ou <em>Catecismo Fonte<\/em>, atribuindo aos bispos a responsabilidade pelos <em>catecismos locais <\/em>(cf. CD 14)<em>,<\/em> mas fez publicar o <em>Diret\u00f3rio Catequ\u00e9tico Geral <\/em>(1971)<em>.<\/em> Precedido tamb\u00e9m por grandes movimentos, como a <em>A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica,<\/em> a Igreja se abre ao mundo moderno, \u00e0s quest\u00f5es sociais e \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos leigos. O m\u00e9todo <em>ver, julgar e agir,<\/em> da A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, domina a pastoral no Brasil. Desde 1962. Durante o Conc\u00edlio, a CNBB publica um plano org\u00e2nico de pastoral de 4 em 4 anos, as <em>Diretrizes Gerais da A\u00e7\u00e3o Pastoral da Igreja <\/em>(mudado depois para <em>A\u00e7\u00e3o Evangelizadora<\/em>). Nas <em>Diretrizes<\/em>, a dimens\u00e3o catequ\u00e9tica sempre teve grande destaque, situando-a sempre mais no grande objetivo da <em>evangeliza\u00e7\u00e3o <\/em>cujas caracter\u00edsticas marcam sempre mais o conceito de catequese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Vaticano II ficou sendo inicialmente conhecido e veiculado no Brasil, atrav\u00e9s, principalmente, da reflex\u00e3o catequ\u00e9tica, muito fecunda nos anos 60 e 70, destacando-se o ISPAC. Criado nos moldes do <em>Institut Cat\u00e9ch\u00e8tique de Paris<\/em>, o ISPAC do Rio de Janeiro durou pouco (1963-1969), mas formou a gera\u00e7\u00e3o de catequetas que impulsionaram a catequese nos anos 60 at\u00e9 o in\u00edcio do mil\u00eanio&#8230;. Publicou v\u00e1rias obras, em geral traduzidas do franc\u00eas, que muito refletiam o pensamento catequ\u00e9tico alem\u00e3o, e era o que havia na \u00e9poca de mais avan\u00e7ado em termos de catequese. Al\u00e9m desse ISPAC nacional, foram fundados outros ISPACs em <em>n\u00edvel regional<\/em> (Curitiba, Salvador, S\u00e3o Paulo, Porto Alegre&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a crise desses cursos, somente em 1982 ir\u00e1 aparecer, em S\u00e3o Paulo, no Instituto Pio XI, dos salesianos, um <em>Curso Superior de Pastoral Catequ\u00e9tica <\/em>(CSPC). O curso durou 16 anos, at\u00e9 1997, sendo, em seguida, substitu\u00eddo pelos cursos de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o, com reconhecimento do MEC. Em outras cidades tamb\u00e9m se abriram cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es <em>lato sensu<\/em>: Curitiba, Goi\u00e1s, S\u00e3o Paulo, Porto Velho, Salvador, Cuiab\u00e1, Sinop, Florian\u00f3polis, Castanhal (Norte II), IRPAC (Leste II), Dourados, Mar\u00edlia, Lages&#8230; Tais cursos elevaram muito o n\u00edvel dos coordenadores de Catequese e dos pr\u00f3prios catequistas de base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Am\u00e9rica Latina, a renova\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica se deu, sobretudo, atrav\u00e9s da <em>Semana Internacional de Catequese<\/em> de Medell\u00edn (agosto de 1968), na qual os catequetas brasileiros tiveram grande atua\u00e7\u00e3o. Foi seguida imediatamente da II Assembleia do CELAM, na mesma cidade, em setembro de 1968. A situa\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica exigia da Igreja e da catequese, naquele momento hist\u00f3rico, uma resposta \u00e0s in\u00fameras <em>injusti\u00e7as institucionalizadas <\/em>(express\u00e3o usada por um dos documentos de Medell\u00edn). Nascia assim a <em>op\u00e7\u00e3o pelos pobres<\/em>, os germens da <em>teologia da liberta\u00e7\u00e3o<\/em>, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e a consequente <em>catequese libertadora e transformadora<\/em>. Esta corrente catequ\u00e9tica se consolidou nos documentos da CNBB: <em>Catequese Renovada: Orienta\u00e7\u00f5es e Conte\u00fado<\/em> (CR, 1983), e outros textos produzidos pelo <em>Grupo Nacional de Reflex\u00e3o Catequ\u00e9tica<\/em> (GRECAT<strong>)<\/strong> <a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, com intensa participa\u00e7\u00e3o de muitos especialistas e dos catequistas em geral. Esse grupo, fundado no mesmo ano de 1983, por ocasi\u00e3o da confec\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o do documento CR, tem como finalidade acompanhar e assessorar a Dimens\u00e3o B\u00edblico-Catequ\u00e9tica da CNBB, animar e impulsionar a catequese em n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1978 foi fundada <em>a Revista de Catequese,<\/em> pelo Pe. Ralfy Mendes de Oliveira (1917 -2008), com o apoio da Prov\u00edncia Salesiana de S\u00e3o Paulo e da Editora Salesiana Dom Bosco. Apesar das grandes dificuldades, ela se mant\u00e9m at\u00e9 hoje como publica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica do Centro UNISAL &#8211; Pio XI, de S\u00e3o Paulo. As quatro semanas brasileiras de catequese (1986, 2001, 2009, 2018) t\u00eam sido momentos culminantes da hist\u00f3ria recente da catequese no Brasil. \u00c9 importante citar ainda as Assembleias do CELAM de <em>Puebla<\/em> (1979), <em>Santo Domingo<\/em> (1992), <em>Aparecida<\/em> (2007) e o documento <em>Catequese na Am\u00e9rica Latina<\/em> (1985; 1999), publicado pelo CELAM para os pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos de Igreja mundial, esse per\u00edodo p\u00f3s-conciliar foi igualmente riqu\u00edssimo de orienta\u00e7\u00f5es, publica\u00e7\u00f5es, documentos, subs\u00eddios com estimulante aceita\u00e7\u00e3o e repercuss\u00e3o na catequese brasileira. Embora algumas obras apresentadas a seguir n\u00e3o sejam temas propriamente de <em>Hist\u00f3ria da Catequese no Brasil, <\/em>\u00e9 importante cit\u00e1-las devido ao grande influxo que suscitaram. Geralmente elas surgiram de uma pr\u00e1tica j\u00e1 existente, ou da grande Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, mas ao mesmo tempo abriram novos horizontes e caminhos, conforme as necessidades do momento. Assim, foi publicado em 1971, como j\u00e1 foi dito, o primeiro <em>Diret\u00f3rio Catequ\u00e9tico Geral<\/em>, que entre outras coisas, insistia na necessidade de volta aos <em>adultos <\/em>como interlocutores ou destinat\u00e1rios primeiros da pastoral catequ\u00e9tica e, como objetivo da catequese, a <em>maturidade da f\u00e9<\/em>. A IV Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos (27 de setembro a 26 de outubro de 1977) foi dedicada \u00e0 catequese: uma longa e profunda an\u00e1lise, seguida das oportunas reflex\u00f5es e tomadas de decis\u00e3o, nunca realizada na Igreja com tal amplitude e participa\u00e7\u00e3o. Logo depois, S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II escreveu a Exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal <em>Catequese Tradendae<\/em> (<em>CT<\/em>, 1979), de tempestiva repercuss\u00e3o em toda a Igreja, abordando propriamente todos os principais temas da pastoral catequ\u00e9tica. Ele tamb\u00e9m fez publicar o <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em> (<em>CaIC<\/em>), em 1992, modificando o mandato conciliar que n\u00e3o prescrevia um texto <em>universal <\/em>de catequese. Pode-se dizer que esse volumoso e oportuno texto, que expressa o aut\u00eantico conte\u00fado da catequese doutrinal, conforme o atual magist\u00e9rio da Igreja, \u00e9 um l\u00eddimo fruto do longo pontificado do Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, embora de v\u00e1rias partes houvesse sua solicita\u00e7\u00e3o, sobretudo dos pa\u00edses \u201cde miss\u00e3o\u201d. De fato, ele se coloca entre as iniciativas do Papa Wojty\u0142a de prover a Igreja com os instrumentos aptos para uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o do mundo de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito ligado ao <em>CaIC, <\/em>foi promulgado tamb\u00e9m o <em>Diret\u00f3rio Geral para a Cateques<\/em>e (<em>DGC<\/em>) em sua 2\u00aa. edi\u00e7\u00e3o (1997). \u00c9 talvez o mais completo e profundo dos textos j\u00e1 produzidos pela Igreja em favor da catequese. Como instru\u00e7\u00e3o, a catequese \u00e9, muito corretamente, considerada em sua dimens\u00e3o evangelizadora. Isso sup\u00f5e que ela seja sempre precedida pelo urgente <em>primeiro an\u00fancio<\/em>, como a ess\u00eancia e o resumo de todo Evangelho. Deste modo, um segundo momento catequ\u00e9tico poder\u00e1 ampliar e consolidar a ades\u00e3o a Jesus Cristo, usando, para isso, a doutrina cat\u00f3lica, que tanto caracterizou a catequese no passado e para o qual foi criado o <em>CaIC. <\/em>Hoje, num mundo em processos de descristianiza\u00e7\u00e3o, devemos, antes da catequese, fazer valer esse primeiro momento <em>querigm\u00e1tico<\/em> do primeiro an\u00fancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Congresso Internacional de Catequese (08-12 de outubro de 2002), comemorando os 10 anos do <em>CaIC<\/em> acentuou a import\u00e2ncia desse texto e dos catecismos nacionais, refor\u00e7ando a necessidade de se dar maior import\u00e2ncia \u00e0 <em>dimens\u00e3o intelectual e sistem\u00e1tica<\/em> na educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9: da\u00ed se explica por que a <em>Congrega\u00e7\u00e3o da Doutrina da F\u00e9<\/em> foi a autora e promotora principal do <em>Catecismo<\/em>. Esta tend\u00eancia doutrin\u00e1ria ganhou maior import\u00e2ncia com o <em>Comp\u00eandio do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, querido por Jo\u00e3o Paulo II e publicado por Bento XVI (29-06-05), um resumo em perguntas e respostas, acentuando mais ainda apenas a <em>dimens\u00e3o doutrinal<\/em>! No entanto, tal dimens\u00e3o intelectual, sempre necess\u00e1ria na catequese, deve estar integrada e equilibrada com os outros aspectos da educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9, como bem demonstrou todo o movimento catequ\u00e9tico do final do s\u00e9c. XX, cujo \u00e1pice foi o <em>DGC.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como sintetizar o n\u00facleo desta renova\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica sob o impacto do Vaticano II? Poder\u00edamos relevar esses aspectos: a comunidade de f\u00e9 como principal <em>lugar<\/em> de catequese; o valor da B\u00edblia como <em>texto principal da educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9,<\/em> acompanhado da centralidade da Liturgia; o princ\u00edpio de <em>intera\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 e vida<\/em>, relevando o m\u00fatuo influxo entre mensagem evang\u00e9lica e situa\u00e7\u00f5es concretas da vida; a necessidade de incultura\u00e7\u00e3o das f\u00f3rmulas (ou enunciados, doutrinas) da f\u00e9; a import\u00e2ncia da pessoa do catequista, como testemunha viva do que anuncia e considerado como mistagogo (que conduz ao <em>mist\u00e9rio de Cristo e da Igreja<\/em>) e sua esmerada forma\u00e7\u00e3o; por fim, a recupera\u00e7\u00e3o da <em>dimens\u00e3o catecumenal da catequese<\/em>, que recebeu no per\u00edodo seguinte toda a aten\u00e7\u00e3o e maior desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 A catequese a servi\u00e7o da Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3: dimens\u00e3o catecumenal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O in\u00edcio do s\u00e9culo XXI \u00e9 marcado no Brasil, pela aten\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre os adultos, com a reda\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o do Estudo da CNBB: <em>Com adultos catequese adulta,<\/em> fruto da <em>2<sup>a<\/sup>. Semana Brasileira de Catequese<\/em> (outubro de 2001). Nesse sentido, houve v\u00e1rias iniciativas em todo o pa\u00eds. \u00c9 t\u00edpico do Brasil afirmar a \u201ccatequese<em> com<\/em> adultos\u201d e n\u00e3o \u201c<em>de<\/em> adultos\u201d, para refor\u00e7ar a ideia de que eles s\u00e3o, mais que destinat\u00e1rios, interlocutores da catequese. Se isso vale para todo tipo de catequese, muito mais para a catequese realizada com pessoas adultas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro tema que ocupou seriamente a Igreja nesse in\u00edcio de mil\u00eanio foi a catequese considerada como processo de <em>Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3 <\/em>(<em>IVC<\/em>)<em>. <\/em>Sobre essa express\u00e3o deve-se considerar que a tradi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, tanto teol\u00f3gica como lit\u00fargica, sempre usou a express\u00e3o \u201cinicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3\u201d para indicar os processos pelos quais a pessoa \u201ctorna-se crist\u00e3\u201d, usando a express\u00e3o de Tertuliano (s\u00e9culo II): \u201cas pessoas se tornam, n\u00e3o nascem crist\u00e3s!\u201d (<em>fiunt non nascuntur christiani<\/em>: <em>Apologia<\/em>, XVIII, 4). No Brasil e em alguns pa\u00edses latino-americanos, usa-se a express\u00e3o \u201cinicia\u00e7\u00e3o \u00e0 <em>vida<\/em> crist\u00e3\u201d, para indicar que n\u00e3o se trata de algo somente m\u00edstico e espiritual, mas deve tocar as ra\u00edzes da exist\u00eancia, de um modo muito experiencial, sobretudo no que se refere aos graves problemas sociais do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como haviam determinado os documentos conciliares <em>Christus Dominus<\/em> (13, 14 c), <em>Ad Gentes <\/em>(14-15,17) e <em>Sacrosanctum Concilium <\/em>(64), o <em>Diret\u00f3rio Catequ\u00e9tico Geral <\/em>da S\u00e9 Apost\u00f3lica (1971) j\u00e1 estabelecera que \u201ca institui\u00e7\u00e3o dos catec\u00famenos adultos fosse restabelecida\u201d (20b; cf. 19 b, c). Como fruto da Reforma Lit\u00fargica do Conc\u00edlio, foi publicado, em 1971, o <em>Ritual de Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Adultos <\/em>(<em>RICA<\/em>), important\u00edssimo para a catequese inici\u00e1tica, mas ficara um texto desconhecido e pouco usado. Somente no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI \u00e9 que, em \u00e2mbito latino-americano e depois brasileiro, come\u00e7ou-se a descobri-lo e estud\u00e1-lo, suscitando inclusive, no Brasil, uma nova edi\u00e7\u00e3o, com diagrama\u00e7\u00e3o que melhor facilitasse seu uso nos <em>ritos de inicia\u00e7\u00e3o <\/em>(2001)<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, foi em sua segunda edi\u00e7\u00e3o, de 1997, que o <em>DGC<\/em> refor\u00e7ou, na catequese, a restaura\u00e7\u00e3o do <em>catecumenato, <\/em>uma vez que agora ela \u00e9 considerada dentro do quadro maior da <em>evangeliza\u00e7\u00e3o<\/em>. Assim, a catequese retorna a seu lugar original, nascida, de fato, dentro dos processos de <em>IVC<\/em> (catecumenato), como nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente de certa concep\u00e7\u00e3o tradicional de catequese, em que era privilegiado quase que somente o conte\u00fado doutrinal, o catecumenato, segundo <em>AG, <\/em>\u201cn\u00e3o \u00e9 mera exposi\u00e7\u00e3o de dogmas e preceitos, mas uma educa\u00e7\u00e3o de toda a vida crist\u00e3 e um tiroc\u00ednio de certa dura\u00e7\u00e3o com o fim de unir os disc\u00edpulos com Cristo, seu Mestre\u201d (14a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse processo de inicia\u00e7\u00e3o \u00e9 assim descrito: \u201csejam os catec\u00famenos convenientemente iniciados no mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s da pr\u00e1tica dos costumes evang\u00e9licos e pelos ritos sagrados que se celebram em tempos sucessivos, sejam introduzidos [iniciados!] na vida da f\u00e9, da liturgia e da caridade do Povo de Deus\u201d (<em>AG <\/em>14a). Seguem-se outras disposi\u00e7\u00f5es (14b-e) que, no seu conjunto foram assumidas e ampliadas no livro lit\u00fargico <em>Rito de Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Adultos <\/em>(<em>RICA<\/em>, 1972).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais reflex\u00f5es conflu\u00edram no documento da CNBB <em>Diret\u00f3rio Nacional de Catequese <\/em>(<em>DNC<\/em>). No in\u00edcio do mil\u00eanio, ao inv\u00e9s de se fazer uma nova edi\u00e7\u00e3o atualizada de <em>CR <\/em>optou-se por publicar esse <em>Diret\u00f3rio<\/em>, em continuidade com <em>CR<\/em> e sem rupturas. Tal projeto vinha atender tamb\u00e9m a um pedido da Santa S\u00e9 a todas as Confer\u00eancias Episcopais, atrav\u00e9s do <em>DGC <\/em>(cf. n\u00ba. 9, 11, 139, 166 e 171). Foi um longo processo de reflex\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o que durou de maio de 2002 a outubro de 2006, quando foi aprovado e publicado, depois de tr\u00eas Assembleias Gerais do episcopado e de dois <em>Instrumentos de Trabalho.<\/em> Muitos catequistas, catequetas, biblistas, te\u00f3logos, liturgistas e outros estudiosos foram envolvidos no processo de elabora\u00e7\u00e3o deste <em>DNC<\/em>. Ele trouxe novo impulso e anima\u00e7\u00e3o na pastoral catequ\u00e9tica, um verdadeiro marco na hist\u00f3ria da catequese brasileira. Propondo uma <em>catequese com dimens\u00e3o catecumenal<\/em>, intimamente ligada \u00e0 Liturgia, o <em>DNC <\/em>apresenta um novo paradigma de catequese. Tal tend\u00eancia foi uma antecipa\u00e7\u00e3o do que seria refletido e proposto para toda a Am\u00e9rica Latina atrav\u00e9s da V Confer\u00eancia do CELAM, em Aparecida. Esse <em>DNC<\/em>, ao permitir a conferi\u00e7\u00e3o do <em>Minist\u00e9rio do Catequista <\/em>para leigos, adiantou de 15 anos o Motu Proprio <em>Antiquum Ministerium, <\/em>do Papa Francisco, que o ir\u00e1 instituir em 10 de maio de 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em vista da magna assembleia da V CELAM, em Aparecida (SP), a Sec\u00e7\u00e3o de Catequese do mesmo CELAM reuniu em Bogot\u00e1 de 01 a 05 de 2006 a <em>III Semana Latino-Americana de Catequese,<\/em> com cerca de 50 especialistas, entre os quais muitos brasileiros, para dar contribui\u00e7\u00f5es a partir da catequese. Foi um importante momento catequ\u00e9tico latino-americano, liderado por Dom Jos\u00e9 Lu\u00eds Ch\u00e1vez Botello, respons\u00e1vel pela catequese no continente e seus assessores. Como fruto dessa <em>III SLAC <\/em>foi publicado um documento em quatro cap\u00edtulos<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, que acentua, sobretudo, os processos de <em>inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/em> e a <em>dimens\u00e3o catecumenal<\/em> da catequese. Tal contribui\u00e7\u00e3o, embora de maneira muito sucinta, faz parte do Documento de Aparecida, que assume o catecumenato (286-300) realizado nos processos de IVC para a forma\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos mission\u00e1rios, grande perspectiva dessa V Assembleia Continental (cf. n\u00ba. 284-285).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os processos de <em>IVC<\/em>, conforme o <em>RICA,<\/em> s\u00e3o compostos de <em>quatro tempos<\/em> e <em>tr\u00eas etapas<\/em>. Os tempos s\u00e3o: <em>pr\u00e9-catecumenato<\/em> (primeiro an\u00fancio), <em>catecumenato propriamente dito<\/em> (instru\u00e7\u00e3o, <em>catequese, <\/em>convers\u00e3o), <em>ilumina\u00e7\u00e3o-purifica\u00e7\u00e3o<\/em> (tempo quaresmal-pascal) e <em>mistagogia<\/em> (catequese ap\u00f3s o recebimento dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o, pr\u00f3pria do tempo pascal). As etapas s\u00e3o as grandes celebra\u00e7\u00f5es: entrada no catecumenato, purifica\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o (ritos de entregas, escrut\u00ednios e outros) e celebra\u00e7\u00e3o sacramental do Batismo, Crisma e Eucaristia. Esse ritual deixa grande possibilidade de estrutura\u00e7\u00e3o, nova organiza\u00e7\u00e3o e, sobretudo, incultura\u00e7\u00e3o dos ritos catecumenais. Por\u00e9m, as experi\u00eancias e propostas em geral s\u00e3o baseadas nos ritos tradicionais do mesmo <em>RICA<\/em>. Conforme o <em>DGC, <\/em>da S\u00e9 Apost\u00f3lica, e o <em>DNC, <\/em>da CNBB (2006), o <em>RICA<\/em> d\u00e1 o ritmo dos ritos e celebra\u00e7\u00f5es que devem acompanhar a catequese entendida como educa\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o na f\u00e9. <em>Ad Gentes <\/em>(<em>AG<\/em>) releva ainda a grande import\u00e2ncia da comunidade no processo catecumenal: \u201ca inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 apenas tarefa dos catequistas e sacerdotes, mas de toda a comunidade dos fi\u00e9is, de modo especial, dos padrinhos\u201d (14d; cf. <em>PO<\/em> 6d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, como na Am\u00e9rica Latina, essa guinada em busca de uma catequese de \u00edndole catecumenal \u00e9 bem recebida, inicialmente entre os orientadores da catequese e os ambientes acad\u00eamicos, para em seguida ser entusiasticamente acolhida pela maioria dos catequistas de base. Cresce o interesse pela restaura\u00e7\u00e3o do catecumenato, pois \u00e9 nele, ou seja, dentro do processo de IVC que a catequese encontra seu h\u00famus e lugar onde melhor exercer sua miss\u00e3o mistag\u00f3gica e inici\u00e1tico-pedag\u00f3gica. Apesar dos in\u00fameros cursos de atualiza\u00e7\u00e3o ou assembleias para o clero sobre a IVC, proporcionados pela maioria das dioceses, do ponto de vista pr\u00e1tico, a instaura\u00e7\u00e3o desse novo paradigma catequ\u00e9tico-catecumenal encontra resist\u00eancias e questionamentos por parte daqueles que justamente deveriam liderar tal renova\u00e7\u00e3o: os p\u00e1rocos! Muitos o julgam complicado, trabalhoso e preferem manter a toada tradicional da catequese, apenas com alguma maquiagem nos subs\u00eddios e m\u00e9todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um acontecimento de grande impacto na catequese no Brasil e demais setores da Igreja, sem d\u00favida, foi a elei\u00e7\u00e3o do Papa Bergoglio. O nome escolhido, <em>Francisco,<\/em> j\u00e1 indica uma forte tend\u00eancia de seu pontificado: surpreendeu o mundo com gestos de simplicidade, pobreza, apelo \u00e0 miseric\u00f3rdia, reforma nas estruturas eclesiais e o retorno ao n\u00facleo central do Evangelho. Invej\u00e1vel \u00e9 tamb\u00e9m a lista de seus escritos: al\u00e9m de uma enc\u00edclica sobre a F\u00e9, <em>Lumen Fidei, <\/em>que muito tem a ver com a catequese, escreveu quase que de pr\u00f3prio punho a exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Evangelii Gaudium <\/em>(a alegria do Evangelho), important\u00edssima para a evangeliza\u00e7\u00e3o e catequese, recolhendo os frutos principais do S\u00ednodo dos Bispos, de 2012. Outros grandes documentos seus: <em>Laudato s\u00ec,<\/em> <em>Amoris Laetitia, Querida Amazonia, Fratelli tutti. <\/em>Proclamou 2016 como <em>Ano da Miseric\u00f3rdia, c<\/em>onvocou o S\u00ednodo de 2018: <em>os jovens e a f\u00e9, <\/em>e sua respectiva exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Christus vivit<\/em>. Ele mesmo, em suas catequeses, \u00e9 um exemplo vivo de como fazer catequese hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 Um panorama fecundo de eventos e atividades catequ\u00e9ticas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 2012-2022, podemos elencar onze acontecimentos e documentos em torno da <em>IVC<\/em>. Eles marcam a hist\u00f3ria recente e apontam para esse novo paradigma catequ\u00e9tico. N\u00e3o se trata apenas de nomes e din\u00e2micas inovadoras, mas constitui-se tamb\u00e9m como que um novo caminho, que n\u00e3o tem retorno, para o futuro da catequese no Brasil:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1<strong>. <\/strong>O S\u00ednodo dos Bispos para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o realizado, em outubro de 2012, com o tema <em>A Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o para a transmiss\u00e3o da f\u00e9<\/em>, no marco dos 50 anos do Vaticano II e 20 do <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>. Reafirmou a import\u00e2ncia da catequese para a <em>nova evangeliza\u00e7\u00e3o, <\/em>sublinhando seu car\u00e1ter catecumenal e a prioridade dos adultos. Pediu que fosse revista a sequ\u00eancia da recep\u00e7\u00e3o dos <em>Sacramentos da Inicia\u00e7\u00e3o<\/em>, propondo: Batismo, Crisma, Eucaristia, para que esse Sant\u00edssimo Sacramento se torne o \u00e1pice da inicia\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o a confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. O <em>III Congresso Internacional sobre o Catecumenato<\/em>, realizado em Santiago do Chile (20-25 de julho de 2014) sobre a <em>IVC e a mudan\u00e7a de \u00e9poca<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. O <em>Semin\u00e1rio Nacional sobre Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3, <\/em>em S\u00e3o Caetano (SP), de 07 a 09 de novembro de 2014: avalia\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias realizadas e prospectivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Publica\u00e7\u00e3o pelo Celam do texto: <em>A alegria de iniciar disc\u00edpulos mission\u00e1rios numa mudan\u00e7a de \u00e9poca. <\/em>Novas perspectivas para a catequese na Am\u00e9rica Latina e Caribe<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. \u00c9 um texto breve, denso e provocativo; apresenta-se com uma linguagem simples; sem ser acad\u00eamica ou erudita, \u00e9 profunda, compreens\u00edvel por um catequista de cultura m\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Lan\u00e7amento, pela Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a Anima\u00e7\u00e3o B\u00edblico-Catequ\u00e9tica, da CNBB, do <em>Itiner\u00e1rio Catequ\u00e9tico<\/em>: inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3 \u2013 um processo de inspira\u00e7\u00e3o catecumenal (Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB 2016, 3\u00aa. ed.). Nele, de maneira muito esquem\u00e1tica, h\u00e1 itiner\u00e1rios de IVC para 4 idades: adultos n\u00e3o batizados, adultos batizados, crian\u00e7as, adolescentes e jovens, sempre a partir do RICA e integrando os tr\u00eas grandes livros da IVC: <em>B\u00edblia<\/em>, <em>CaIC<\/em>, <em>RICA<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Reuni\u00e3o do Pontif\u00edcio Conselho para Promo\u00e7\u00e3o da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o com os 18 Regionais da CNBB, para conhecimento direto da catequese no Brasil por parte desse organismo romano, realizado de 02 a 04 de setembro de 2015, em Aparecida (SP): foi a primeira vez que um \u00f3rg\u00e3o da C\u00faria Romana se interessou por um maior conhecimento, <em>in loco<\/em>, da nossa realidade catequ\u00e9tica brasileira. Estabeleceu-se um di\u00e1logo muito fecundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. Aprova\u00e7\u00e3o, pela 55\u00aa. Assembleia Geral da CNBB, em 2017, do Documento 107, <em>Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3: <\/em>itiner\u00e1rio para formar disc\u00edpulos mission\u00e1rios (Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2017). \u00c9 o documento oficial mais importante da Confer\u00eancia Episcopal brasileira para a IVC, dentro da qual se situa a catequese. S\u00e3o 4 cap\u00edtulos densos de doutrina e hist\u00f3ria: depois de um <em>primeiro cap\u00edtulo,<\/em> em que apresenta o \u00edcone da IVC no epis\u00f3dio de <em>Jesus e a Samaritana<\/em>, o <em>segundo<\/em> \u00e9 um duplo olhar: para o passado (a hist\u00f3ria da IVC) e para o presente (as necessidades atuais); s\u00f3 ent\u00e3o, no <em>terceiro cap\u00edtulo, <\/em>procede-se a uma grande reflex\u00e3o teol\u00f3gico-pastoral sobre a IVC, tratando temas como mergulho no mist\u00e9rio de Deus e de Cristo mediante o mist\u00e9rio da Igreja, contemplada como comunidade querigm\u00e1tica e mission\u00e1ria, mistag\u00f3gica e materna; reflex\u00e3o sobre o RICA e os sacramentos da IVC, concluindo com a vis\u00e3o da vida crist\u00e3 como fruto da Inicia\u00e7\u00e3o. Por fim, no <em>quarto<\/em> e maior cap\u00edtulo, h\u00e1 a proposta de caminhos metodol\u00f3gicos: o projeto diocesano respons\u00e1vel por todo o \u00eaxito dessa pr\u00e1tica pastoral-catequ\u00e9tica, o querigma, o catecumenato com seus tempos e etapas, orienta\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o inici\u00e1tica e sobre os principais atores da IVC, concluindo com encaminhamentos para a revis\u00e3o da ordem dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o: Batismo, Crisma e Eucaristia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. Promovido pelo Pontif\u00edcio Conselho para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, realizou-se no Vaticano, de 20 a 23 de setembro de 2018, o <em>II Congresso Internacional de Catequese, <\/em>com o tema: <em>O Catequista, testemunha do Mist\u00e9rio<\/em>. Teve o car\u00e1ter mais de festa e celebra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m momentos de reflex\u00e3o sobre o catequista testemunha e anunciador do mist\u00e9rio crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>9. IV Semana Brasileira de Catequese,<\/em> de 14 a 18 novembro de 2018, em Itaici (SP), com o tema <em>A Catequese a servi\u00e7o da<\/em> <em>IVC<\/em>. Foi preparada com um subs\u00eddio pr\u00f3prio pelas duas comiss\u00f5es episcopais: da Catequese e da Liturgia. O evento teve como lema \u201cN\u00f3s ouvimos e sabemos que Ele \u00e9 Salvador do mundo\u201d (Jo 4,42), contando com mais de quatrocentos participantes de todo Brasil, com a totalidade da lideran\u00e7a catequ\u00e9tica brasileira e representantes da maioria das 278 dioceses e outras circunscri\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. Publica\u00e7\u00e3o do novo <em>Diret\u00f3rio para a Catequese <\/em>(<em>DpC<\/em>), pelo Pontif\u00edcio Conselho para a Promo\u00e7\u00e3o da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o e apresentado em 25 de junho de 2020. Repete as grandes intui\u00e7\u00f5es e perspectivas do <em>Diret\u00f3rio Geral para a Catequese <\/em>anterior, e integra os ensinamentos dos Papas Bento XVI e Francisco. Retorna a falar de <em>catequese escolar <\/em>para atender a necessidades das Igrejas do Leste Europeu, que muito valorizam a escola para evangelizar (no Brasil se faz a distin\u00e7\u00e3o entre <em>Catequese <\/em>e <em>Ensino Religioso Escolar<\/em>). Com rela\u00e7\u00e3o ao <em>Diret\u00f3rio <\/em>anterior, inova acrescentando a dimens\u00e3o midi\u00e1tica da catequese, muito bem desenvolvida no item <em>Catequese e cultura digital <\/em>(n\u00ba. 359-372): caracter\u00edsticas gerais, transforma\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica, cultura digital como fen\u00f4meno religioso, cultura digital e quest\u00f5es educativas, an\u00fancio e catequese na era digital. Para a Am\u00e9rica Latina, que j\u00e1 possui o grande documento de <em>Aparecida<\/em>, com significativo avan\u00e7o na <em>IVC<\/em>, o novo <em>Diret\u00f3rio<\/em> n\u00e3o trouxe grandes novidades. Entretanto, para a Europa e outros continentes, ele relembrou as conquistas da catequese nesse \u00faltimo s\u00e9culo e nem sempre colocadas em pr\u00e1tica no antigo continente. Sua <em>receptio <\/em>(recep\u00e7\u00e3o) foi intensa e calorosa, dada a facilidade das redes sociais, em fazer <em>lives, <\/em>semin\u00e1rios, confer\u00eancias, cursos. Grandes estudiosos, tanto da Am\u00e9rica Latina, como da Europa, deram suas contribui\u00e7\u00f5es apresentando o texto e relevando sua grande contribui\u00e7\u00e3o para a catequese hoje e no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11. Esse <em>DpC,<\/em> de 2020, n\u00e3o reconhece oficialmente o <em>Minist\u00e9rio institu\u00eddo do Catequista<\/em>; na verdade, nem \u00e9 nomeado. De fato, h\u00e1 pessoas, tamb\u00e9m da Hierarquia da Igreja, que n\u00e3o concordam com essa ideia, afirmando que oficialmente o termo <em>Minist\u00e9rio <\/em>se aplica somente aos membros do clero. Mas, o Papa Francisco, em 10 de maio do ano seguinte (2021), enfrentando oposi\u00e7\u00f5es, colocou um ponto final nessa discuss\u00e3o e, por pr\u00f3pria iniciativa (<em>motu pr\u00f3prio<\/em>), <strong>i<\/strong>nstituiu formalmente o <em>Minist\u00e9rio Leigo da\/o Catequista, <\/em>atrav\u00e9s do <em>Motu Proprio Antiquum Ministerium<\/em> (<em>AM<\/em>). \u00c9 um grande reconhecimento da Igreja pelo trabalho \u00e1rduo, cansativo, penoso dos catequistas. Embora j\u00e1 haja um <em>Rito da CNBB <\/em>para a <em>institui\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio do\/a catequista<\/em>, (Cnbb, <em>Minist\u00e9rio do Catequista<\/em>. Cole\u00e7\u00e3o <em>Estudos da CNBB <\/em>95. Paulus: 2007) a Confer\u00eancia Episcopal, obedecendo ao mandato do Papa em <em>AM, <\/em>publicou tamb\u00e9m o <em>Ritual<\/em> para a institui\u00e7\u00e3o o Minist\u00e9rio Leigo da\/o catequista <a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Hist\u00f3ria da catequese na Igreja mostra que em seus in\u00edcios ela nasceu inserida no processo maior de <em>Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, <\/em>codificado numa das maiores organiza\u00e7\u00f5es que a Igreja j\u00e1 instituiu, o Catecumenato. A instru\u00e7\u00e3o e o ensino da doutrina crist\u00e3 estavam inseridos num \u00e2mbito maior que implicava celebra\u00e7\u00f5es, entregas, provas de convers\u00e3o crist\u00e3, escrut\u00ednios, acompanhamento de toda comunidade&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o avan\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o e a hegemonia do cristianismo no ambiente cultural ocidental, a catequese ficou quase que reduzida \u00e0 transmiss\u00e3o da doutrina, ou seja, no seu aspecto mais intelectual e reflexivo, doutrinal, especulativo e n\u00e3o tanto experiencial, como no catecumenato. No Brasil, pela intensa atividade mission\u00e1ria dos Jesu\u00edtas, predominou esse tipo doutrinal da catequese, por\u00e9m com grandes esfor\u00e7os daquilo que hoje chamamos de incultura\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o humana. Nenhuma tentativa houve que se aproximasse do antigo catecumenato, como acontecia em outras regi\u00f5es. O golpe desferido por Pombal com a expuls\u00e3o dos Jesu\u00edtas, n\u00e3o conseguiu erradicar o cristianismo, muito embora ele tenha imposto o <em>Catecismo Jansenista <\/em>(ou <em>Catecismo de Montpellier<\/em>)<em>. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 mantida no meio do povo, por leigos e associa\u00e7\u00f5es religiosas, manteve acesa a f\u00e9.\u00a0 Entretanto, somente com os <em>Bispos Reformadores<\/em>, o Conc\u00edlio de Trento come\u00e7ou a ser implantado no Brasil, nascendo assim a \u201cera dos catecismos doutrinais\u201d (1850-1950), muitos deles, como o <em>Catecismo da doutrina Crist\u00e3 <\/em>(1901), verdadeiras p\u00e9rolas de formula\u00e7\u00e3o doutrinal, dentro do estilo da \u00e9poca. Esse esfor\u00e7o de alinhar a Igreja do Brasil com o centro da Igreja romana, teve seu ponto alto nos <em>Conc\u00edlio Plen\u00e1rio Latino-americano<\/em> (1899, em Roma!) e o <em>Conc\u00edlio Plen\u00e1rio Brasileiro <\/em>(1939), que muito prescreveram sobre a catequese doutrinal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que o <em>movimento de renova\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica <\/em>surgia na Europa nos in\u00edcios do s\u00e9culo XX, ia sendo conhecido tamb\u00e9m no Brasil, embora com atrasos, por obra sobretudo do Pe. \u00c1lvaro Negromonte. Permanecia ainda com o forte car\u00e1ter doutrinal e mnem\u00f4nico herdado de tempos imemoriais. A influ\u00eancia da psicologia, sociologia, e de outras ci\u00eancias humanas, alavancavam o progresso tamb\u00e9m do ensino catequ\u00e9tico. Teologicamente, muito contribuiu o movimento querigm\u00e1tico, no esfor\u00e7o de um cristocentrismo renovador na catequese. Finalmente, o Conc\u00edlio Vaticano II e seu poder renovador, acelerou a verdadeira renova\u00e7\u00e3o da catequese, sobretudo sua nova <em>eclesiologia<\/em>, <em>cristologia<\/em> e renovada concep\u00e7\u00e3o da <em>Revela\u00e7\u00e3o Divina.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>Semana Internacional de Catequese <\/em>e a <em>II CELAM <\/em>(Confer\u00eancia Episcopal Latino-americana) ambas em <em>Medell\u00edn<\/em> (Col\u00f4mbia), no m\u00eas de agosto de 1968, representaram mudan\u00e7as significativas para a catequese: a preocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o era somente com a <em>correta doutrina, <\/em>mas tamb\u00e9m com a situa\u00e7\u00e3o, em geral de grande pobreza, dos catequizandos, trazendo-lhes, em nome do Evangelho, melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e promo\u00e7\u00e3o humana. Essa dimens\u00e3o sociopol\u00edtica foi mitigada posteriormente pelos movimentos que acentuavam mais o car\u00e1ter espiritual, mistag\u00f3gico, lit\u00fargico e orante da mensagem crist\u00e3. Entre idas e vindas, a Igreja, sobretudo no Brasil e na A. Latina, encaminhou-se a largos passos, j\u00e1 no s\u00e9culo XXI, para a compreens\u00e3o original da catequese, ou seja: ela est\u00e1 a servi\u00e7o dos processos de <em>Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3<\/em> (DGC 63-68; DNC 35-38), retornando, assim, a seus in\u00edcios nos s\u00e9culos II-IV. Fecha-se, assim, o ciclo hist\u00f3rico com a volta \u00e0s origens, adaptada \u00e0 novas situa\u00e7\u00f5es para a proclama\u00e7\u00e3o da Boa Nova de Jesus Cristo e seu Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Pe. Dr. Luiz Alves de Lima, sdb. UNISAL &#8211; Centro Universit\u00e1rio Salesiano de S\u00e3o Paulo. Texto original portugu\u00eas. Enviado em 20\/02\/2023; aprovado em 20\/10\/2023; postado 31\/12\/2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ABREU, Capistrano de. <em>Hist\u00f3ria da Col\u00f4nia<\/em>. Rio de Janeiro: 1945, 4a. ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, Luiz Alves de. Catequese in Passos J. D\u00e9cio-Wagner Lopez Sanchez, <em>Dicion\u00e1rio do Conc\u00edlio Vaticano II<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus-Paulinas 2015, pp. 86-91.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, Luiz Alves de. <em>A Catequese do Vaticano II aos nossos dias<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>LIMA, Luiz Alves de. A face brasileira da catequese: um estudo hist\u00f3rico-pastoral do movimento catequ\u00e9tico brasileiro das origens ao diret\u00f3rio \u201ccatequese renovada\u201d<\/em>. Faculdade de Teologia da Universidade Pontif\u00edcia Salesiana, Tese de doutorado n\u00ba 346. Roma: 1995, edi\u00e7\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>LIMA, Luiz Alves de. Diret\u00f3rio Nacional de Catequese: entrevista<\/em> in <em>Revista de Catequese<\/em> 28 (2005) outubro-dezembro, n\u00ba. 112, pp. 62-65.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, Luiz Alves de. <em>G\u00eanese e desenvolvimento do <\/em>Diret\u00f3rio Nacional de Catequese in <em>Revista de Catequese <\/em>29 (2006) n\u00ba 116, outubro-dezembro, pp. 06-25.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, Luiz Alves de. Hist\u00f3ria da Catequese no Brasil. In Belinquete Jos\u00e9, <em>Hist\u00f3ria da Catequese<\/em> <em>nos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa<\/em>. Lisboa: Gr\u00e1fica Coimbra 2011. Vol. II, pp. 1443 -1505.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, Luiz Alves de.\u00a0 Medell\u00edn e a Renova\u00e7\u00e3o da Catequese na A. Latina in Ney Souza de \u2013 Sbardelotti Emerson (Org), <em>Medell\u00edn: Mem\u00f3ria, profetismo e esperan\u00e7a na Am\u00e9rica Latina. Petr\u00f3polis<\/em>: Vozes, 2018, pp. 257-273.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, Luiz Alves de. <em>Novos paradigmas para a catequese hoje <\/em>in <em>Revista de Catequese <\/em>30 (2007) n\u00ba 117, janeiro-mar\u00e7o, pp. 06-17.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, Luiz Alves de. Paisagem, g\u00eanese e significado do documento <em>Catequese Renovada<\/em> in Passos Mauro. <em>Uma hist\u00f3ria no Plural. <\/em>S\u00e3o Paulo: Vozes. 1999, pp. 115-174.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ANCHIETA. Jos\u00e9 de. <em>Di\u00e1logos da F\u00e9<\/em>, edi\u00e7\u00e3o fac-s\u00edmile e cr\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ANCHIETA, Jos\u00e9 de. <em>Cartas, Informa\u00e7\u00f5es<\/em>. Rio de Janeiro, Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira 1933.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AUTORES V\u00c1RIOS. <em>Dicion\u00e1rio de Catequ\u00e9tica.<\/em> Paulus: 2004, v\u00e1rios verbetes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BELINQUETE, Jos\u00e9, <em>Hist\u00f3ria da Catequese<\/em> <em>nos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa<\/em>. Lisboa: Gr\u00e1fica Coimbra 2011, 2 volumes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BIANCARDI, G. \u2013 U. Gianetto, <em>Storia della Catechesi.<\/em> 4\u00b0. Volume. Roma: LAS 2015, 820.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRAGA, Ant\u00f4nio M. da Costa. <em>Padre C\u00edcero: sociologia de um Padre, antropologia de um Santo<\/em>. Bauru: EDUSC 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRAIDO, Pietro. <em>Storia della Catechesi.<\/em> 3\u00b0. vol. Roma: Libreria Ateneo Salesiano (LAS), 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CANSI, Bernardo. Fragmentos de la historia de la catequesis en Brasil in <em>Actas del Congreso Internacional de Catequesis<\/em>: Del V\u00ba Centenario al III\u00ba Milenio. Madrid, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARDOSO, Armando. <em>Um carism\u00e1tico que fez hist\u00f3ria: vida do Pe. Jose de Anchieta<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus: 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COMISS\u00c3O EPISPOPAL PARA A ANIMA\u00c7\u00c3O B\u00cdBLICO-CATEQU\u00c9TICA. <em>\u00a0A Catequese no Brasil: mem\u00f3ria, celebra\u00e7\u00e3o e perspectivas <\/em>(celebrando os 40 anos do documento <em>Catequese Renovada<\/em> de 1983). Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CNBB. <em>Diret\u00f3rio Nacional de Catequese<\/em>. Instrumento de Trabalho I \u2013 Vers\u00e3o provis\u00f3ria. Bras\u00edlia: CPP, 2003, n\u00bas 92 a 128 (na edi\u00e7\u00e3o definitiva e oficial do <em>Diret\u00f3rio Nacional de Catequese <\/em>correspondem aos n\u00bas 59-83).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>CNBB. Diret\u00f3rio Nacional da Catequese,<\/em> Publica\u00e7\u00f5es da CNBB 1. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es da CNBB, 2006. Documento da CNBB 84. S\u00e3o Paulo: Paulinas 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>CNBB. Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3: um processo de inspira\u00e7\u00e3o catecumenal. <\/em>Cole\u00e7\u00e3o \u201cEstudos da CNBB 97\u201d. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>CNBB. Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3: itiner\u00e1rio para formar disc\u00edpulos mission\u00e1rios<\/em>. Documentos da CNBB 107. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>CNBB. Minist\u00e9rio do Catequista<\/em>. Cole\u00e7\u00e3o <em>Estudos da CNBB <\/em>95. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CNBB. Comiss\u00e3o episcopal pastoral para a anima\u00e7\u00e3o b\u00edblico-catequ\u00e9tica, <em>Itiner\u00e1rio catequ\u00e9tico<\/em>: <em>Itiner\u00e1rio Catequ\u00e9tico<\/em>: <em>inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3 \u2013 um processo de inspira\u00e7\u00e3o catecumenal<\/em>. 3\u00aa. Ed. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. <em>Conclus\u00f5es da III Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano<\/em>. Evangeliza\u00e7\u00e3o no presente e no futuro da Am\u00e9rica Latina. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1979. Aqui citado como <em>Puebla.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. <em>Conclus\u00f5es da IV Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano<\/em>. Nova evangeliza\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o humana e cultura crist\u00e3. S\u00e3o Paulo: Loyola 1992. Aqui citado como <em>Santo Domingo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FIGUEIREDO, An\u00edsia. Hist\u00f3ria do Ensino Religioso no Brasil in Belinquete Jos\u00e9, <em>Hist\u00f3ria da Catequese<\/em> <em>nos pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa<\/em>. Lisboa: Gr\u00e1fica Coimbra 2011. Vol. II, pp. 1507-1547.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRUEN, Wolfgang. <em>O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica e a nossa Catequese: perspectivas<\/em>. Petr\u00f3polis: \u00a0Vozes, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUEEURICKX, Jos\u00e9. <em>A catequese na comunidade crist\u00e3: pequena hist\u00f3ria da catequese<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEITE, Serafim. <em>Cartas do Brasil<\/em>. Coimbra 1955. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/270854155_Cartas_do_Brasil_e_mais_escritos_do_Pe_Manuel_da_Nobrega_Opera_Omnia\">https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/270854155_Cartas_do_Brasil_e_mais_escritos_do_Pe_Manuel_da_Nobrega_Opera_Omnia<\/a>. Acessados em 01 Agosto 2022. Tamb\u00e9m em <em>P\u00e1ginas de Hist\u00f3ria do Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia Editora Nacional, 1923, em <a href=\"https:\/\/bdor.sibi.ufrj.br\/bitstream\/doc\/175\/1\/93%20PDF%20-%20OCR%20-%20RED.pdf\">https:\/\/bdor.sibi.ufrj.br\/bitstream\/doc\/175\/1\/93%20PDF%20-%20OCR%20-%20RED.pdf<\/a>. Acessados em 01 Agosto 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LUSTOSA, Oscar. <em>Catequese Cat\u00f3lica no Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MENDES DE OLIVEIRA, Ralfy.<em> O movimento catequ\u00e9tico brasileiro no Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Salesiana D. Bosco, 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MIRA, Jo\u00e3o Manoel de Lima. <em>A Evangeliza\u00e7\u00e3o do Negro no per\u00edodo colonial brasileiro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola: 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MORAS, Francisco. <em>As correntes contempor\u00e2neas da catequese. <\/em>Petr\u00f3polis: Vozes 2004, 110 pp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NERY, Jos\u00e9 Israel. Hist\u00f3ria da Catequese no Brasil in <em>Dicion\u00e1rio de Catequ\u00e9tica.<\/em> Paulus: 2004, pp. 573-585.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAIVA, Jos\u00e9 Maria de. <em>Coloniza\u00e7\u00e3o e Catequese<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Cortez, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PASSOS, Mauro e outros. <em>Uma hist\u00f3ria no plural: 500 anos do movimento catequ\u00e9tico brasileiro<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SANTOS, Luiz Pereira dos. <em>Catequese ontem e hoje: dos prim\u00f3rdios a Medell\u00edn<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TERRA, Jo\u00e3o Evangelista. <em>Hist\u00f3ria da catequese<\/em>, Loyola 1982.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TERTULIANO, <em>Apologia<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 F. VIDAL e Luiz F. K. PASQUOTTO in https:\/\/docplayer.com.br\/39099334-Tertuliano-apologia.html . Acessado em 01\/08\/2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VILELA, Magno. <em>A tradi\u00e7\u00e3o da Catequese no Brasil <\/em>in Ant\u00f4nio Bollin\/Francesco Gasparini. <em>A catequese na vida da Igreja. Notas de Hist\u00f3ria. <\/em>S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1998, p. 259-327<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Siglas usadas nessa mat\u00e9ria: AG = Ad Gentes; AM = <em>Antiquum Ministerium; D<\/em>Ap = <em>Documento de Aparecida <\/em>(CELAM: 2007); <em>\u00a0<\/em>CaIC = <em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica; <\/em>CD = <em>Christus Dominus<\/em>; CM = Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o (vicentinos); CR = Documento <em>Catequese Renovada<\/em>; CT = <em>Catechesi Tradendae<\/em>; DGC = <em>Diret\u00f3rio Geral para a Catequese <\/em>(1997; DNC = <em>Diret\u00f3rio Nacional de Catequese <\/em>(2006); ISPAC = Instituto Superior de Pastoral Catequ\u00e9tica; IVC = Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Crist\u00e3; PO = <em>Presbiterorum Ordinis; <\/em>DM = Documento de Medell\u00edn (CELAM, 1968); DP = <em>Documento de Puebla <\/em>(CELAM: 1979); RICA = <em>Ritual de Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 de Adultos<\/em>; SD = <em>Documento de Santo Domingo<\/em> (CELAM: 1992); SC = <em>Sacrosanctum Concilium; <\/em>SLAC = III Semana Latino-Americana de Catequese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> As <em>Regras comuns<\/em> dos jesu\u00edtas impunham a grave obriga\u00e7\u00e3o de conhecer e usar bem as l\u00ednguas ind\u00edgenas, a ponto de poderem escrever livros e explicar a doutrina crist\u00e3; era uma das condi\u00e7\u00f5es para ser ordenado sacerdote. Muitas eram as l\u00ednguas faladas no Brasil, mas havia uma l\u00edngua geral, dos tupinamb\u00e1s (<em>nheengatu<\/em>), mais ou menos falado por todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Sobre os valores ind\u00edgenas e africanos assimilados no catolicismo popular pela catequese nesta \u00e9poca, cf. Cansi, 1993, p. 195-201.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Podem ser citados: D. Ant\u00f4nio Vi\u00e7oso (Mariana), D. Ant\u00f4nio Joaquim de Melo (S\u00e3o Paulo), D. Ant\u00f4nio Macedo Costa (Par\u00e1), D. Joaquim Manoel da Silveira (Maranh\u00e3o), D. Pedro Maria de Lacerda (Rio de Janeiro), D. Romualdo de Souza Coelho e outros. Alguns autores chamam tal reforma de <em>romaniza\u00e7\u00e3o<\/em>, pois se pretendia superar o tradicional catolicismo portugu\u00eas, de raiz medieval, sob o esp\u00edrito tridentino romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> \u00c9 preciso notar que, no Brasil, n\u00e3o havia muita distin\u00e7\u00e3o entre <em>Catequese<\/em>, como atividade paroquial em vista do crescimento da f\u00e9, pr\u00f3pria da Comunidade Eclesial (par\u00f3quia) e o <em>Ensino Religioso Escolar, <\/em>pr\u00f3prio da Escola, como educa\u00e7\u00e3o da religiosidade. Pe. \u00c1lvaro Negromonte sempre trabalhou e escreveu sobre ambos. Tal distin\u00e7\u00e3o vai se acentuar e ser esclarecida somente mais tarde com o documento <em>Catequese Renovada <\/em>(1983).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> S\u00e3o muitos. Os mais importantes: <em>Textos e Manuais de Catequese<\/em>: orienta\u00e7\u00f5es para sua elabora\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e avalia\u00e7\u00e3o = Estudos da CNBB 53, 1987; <em>Forma\u00e7\u00e3o de Catequistas<\/em>: crit\u00e9rios pastorais = Estudos da CNBB 59, 1990; <em>Orienta\u00e7\u00f5es para a catequese de crisma<\/em> = Estudos da CNBB 61, 1991; <em>Catequese para um mundo em mudan\u00e7a<\/em> = Estudos da CNBB 73, 1994; <em>O hoje de Deus em nosso ch\u00e3o<\/em> = Estudos da CNBB 78, 1998; <em>Com adultos catequese adulta<\/em> = Estudos da CNBB 80, 2001; <em>Crescer na Leitura da B\u00edblia<\/em> = Estudos da CNBB 86, Paulus 2003; <em>Ler a B\u00edblia com a Igreja:<\/em> coment\u00e1rio did\u00e1tico popular \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica <em>Dei Verbum <\/em>= Projeto Nacional de Evangeliza\u00e7\u00e3o \u201cQueremos ver Jesus&#8230;\u201d n\u00ba 11, 2004, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Celam \u2013 Sec\u00e7\u00e3o de Catequese, <em>A caminho de um novo paradigma para a Catequese<\/em>. III SLAC. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Celam. <em>A alegria de iniciar disc\u00edpulos mission\u00e1rios numa \u00e9poca de mudan\u00e7as.<\/em> Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Cnbb, Crit\u00e9rios e Itiner\u00e1rios para a Institui\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio de Catequista. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2022.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 A catequese no Brasil Colonial 2 As interven\u00e7\u00f5es de Marqu\u00eas de Pombal, expuls\u00e3o dos Jesu\u00edtas e suas consequ\u00eancias 3 Catequese brasileira no s\u00e9culo XIX: os bispos reformadores 4 A catequese no Brasil no per\u00edodo pr\u00e9-conciliar 5 Do Vaticano II (1962-1965) ao final do s\u00e9culo XX 6 A catequese a servi\u00e7o da Inicia\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2712","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-e-pratica-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2712"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2712\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3038,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2712\/revisions\/3038"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}