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{"id":2698,"date":"2022-12-30T08:52:30","date_gmt":"2022-12-30T11:52:30","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2698"},"modified":"2023-02-19T18:05:10","modified_gmt":"2023-02-19T21:05:10","slug":"biblia-e-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2698","title":{"rendered":"B\u00edblia e Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Dos prim\u00f3rdios \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 A revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e a Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Quest\u00f5es contempor\u00e2neas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 crist\u00e3, cujo livro sagrado \u00e9 a B\u00edblia, e a ci\u00eancia convivem no Ocidente h\u00e1 20 s\u00e9culos. A f\u00e9 quer dar uma resposta abrangente ao sentido da vida e do mundo a partir da Revela\u00e7\u00e3o divina. A ci\u00eancia quer conhecer toda a realidade segundo a raz\u00e3o que analisa e demonstra. O sujeito humano que cr\u00ea e conhece \u00e9 o mesmo. Ele n\u00e3o pode se fragmentar nem renunciar \u00e0 possibilidade de crer e de conhecer, ou mesmo de conhecer pela f\u00e9 e pela raz\u00e3o cient\u00edfica que analisa e demonstra. No passado, estes dois dom\u00ednios n\u00e3o eram separados ou independentes. A teologia, a filosofia e as diversas ci\u00eancias estavam profundamente interligadas, em uma interdepend\u00eancia hier\u00e1rquica. A modernidade operou uma separa\u00e7\u00e3o entre estes saberes, dando-lhes autonomia. Eles passam a coexistir, n\u00e3o sem estranhamentos e conflitos. Na hist\u00f3ria da Igreja, se nota uma rela\u00e7\u00e3o bastante complexa, que vai do est\u00edmulo \u00e0 avers\u00e3o, da toler\u00e2ncia \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o violenta, da conviv\u00eancia fecunda \u00e0 m\u00fatua exclus\u00e3o, conforme a s\u00edntese do historiador Georges Minois utilizada neste verbete (MINOIS, 1992, p. 2-33). Os conflitos entre f\u00e9 crist\u00e3 e ci\u00eancia sempre envolvem a maneira de se entender e de se interpretar a B\u00edblia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965) afirma que a pesquisa em todos os campos do saber, conduzida de um modo verdadeiramente cient\u00edfico e segundo as normas morais, nunca se op\u00f5e \u00e0 f\u00e9, j\u00e1 que as realidades profanas e as da f\u00e9 t\u00eam origem no mesmo Deus. Pelo contr\u00e1rio, quem se esfor\u00e7a com humildade e const\u00e2ncia por perscrutar os segredos da natureza \u00e9, de certo modo, conduzido pela m\u00e3o de Deus, mesmo sem se dar conta, pois Deus sustenta todas as coisas e as faz ser o que s\u00e3o. E o Conc\u00edlio tamb\u00e9m deplora certas atitudes de crist\u00e3os por n\u00e3o reconhecerem suficientemente a leg\u00edtima autonomia da ci\u00eancia, e pelas disputas e controv\u00e9rsias a que deram origem, levando muitos a pensarem que a f\u00e9 e a ci\u00eancia eram incompat\u00edveis. Como exemplo desse desacerto, \u00e9 citado o caso de Galileu Galilei (GS, n. 36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso Galileu se tornou um emblema do conflito. Antes e depois dele, h\u00e1 outros conflitos e igualmente intera\u00e7\u00f5es positivas. Vale a pena conhecer algo dessa hist\u00f3ria que revela bastante sobre a f\u00e9 crist\u00e3, o Ocidente e os percursos que d\u00e3o origem \u00e0 modernidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Dos prim\u00f3rdios \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A bem da verdade, h\u00e1 textos b\u00edblicos muito favor\u00e1veis \u00e0 ci\u00eancia. Os livros dos Prov\u00e9rbios, Salmos, Sabedoria e Eclesi\u00e1stico abundam em louvores ao saber, ao estudo e \u00e0 pesquisa: \u201ca ci\u00eancia \u00e9 a coroa das pessoas prudentes\u201d (Pr 14,18); \u201c\u00e9 o Senhor que d\u00e1 a sabedoria, e de sua boca vem o conhecimento e a raz\u00e3o\u201d (Pr 2,6). A ci\u00eancia \u00e9 um dom de Deus, e o livro da Sabedoria \u00e9 um verdadeiro hino ao saber cient\u00edfico. Na pr\u00e1tica, entretanto, havia um conhecimento bastante limitado. Na cosmologia b\u00edblica, o mundo foi feito em seis dias. A terra \u00e9 o primeiro astro do universo, surgida antes do sol e das estrelas. Ela \u00e9 im\u00f3vel e tem o formato de um prato. As montanhas da terra sustentam a ab\u00f3bada celeste. Esta ab\u00f3boda \u00e9 uma placa s\u00f3lida, o firmamento, onde os astros est\u00e3o pendurados. Acima do firmamento, h\u00e1 um reservat\u00f3rio de \u00e1guas de onde vem a chuva. Basta que as suas comportas se abram, que a chuva cai. Acima de tudo est\u00e1 o trono de Deus, que v\u00ea os homens pelas aberturas do firmamento. Esta era a cosmologia no VI s\u00e9culo antes de Cristo, que serviu de base para as narrativas da cria\u00e7\u00e3o do livro do G\u00eanesis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Novo Testamento, Paulo n\u00e3o coloca diretamente o problema da ci\u00eancia, mas da evangeliza\u00e7\u00e3o e das resist\u00eancias enfrentadas por ele no an\u00fancio do Evangelho. Para ele: \u201ca ci\u00eancia infla, mas o amor edifica\u201d (1Cor 8,1); e \u201cmesmo que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mist\u00e9rios e toda a ci\u00eancia&#8230; se me falta o amor, eu nada sou\u201d (1Cor 13,2). A oposi\u00e7\u00e3o entre a \u201cloucura da cruz\u201d e a \u201csabedoria do mundo\u201d est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do ensinamento de Paulo, que enfrentou a rejei\u00e7\u00e3o do Evangelho pelos s\u00e1bios gregos. Ele interroga: \u201cDeus n\u00e3o converteu em loucura a sabedoria deste mundo\u201d? (1Cor 1,20). Esses ensinamentos n\u00e3o s\u00e3o estimulantes para a ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal desconfian\u00e7a foi herdada pelos Padres da Igreja e por Santo Agostinho: \u201c\u00e9 in\u00fatil perscrutar profundamente o que sustenta a natureza das coisas, como fazem os fil\u00f3sofos gregos chamados f\u00edsicos [&#8230;] eles preveem a eclipse do sol, mas n\u00e3o se d\u00e3o conta do que sustenta todas as coisas\u201d (AGOSTINHO apud MINOIS, 1990, p. 120). Havia tamb\u00e9m uma expectativa iminente da vinda gloriosa de Cristo e do fim do mundo, que durou at\u00e9 o s\u00e9culo XVII. Para alguns Padres da Igreja, a ci\u00eancia era in\u00fatil: por que estudar a estrutura de um mundo destinado a desaparecer brevemente? Al\u00e9m disso, ela tornava os homens orgulhosos. Mesmo assim, a ci\u00eancia era poss\u00edvel e era um meio de se conhecer a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem disp\u00f5e de dois caminhos para o conhecimento da verdade: a f\u00e9 e o estudo racional da natureza. Para cada um havia um manual: o livro da Revela\u00e7\u00e3o, a Sagrada Escritura, na qual Deus confiou os seus segredos \u00e0 humanidade, e o \u201clivro da natureza\u201d (<em>liber naturae<\/em>), o universo no qual vivemos, a cria\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m vem de Deus. Cada livro tem uma chave de leitura: a f\u00e9 para as Escrituras e a raz\u00e3o para a natureza. E cada livro tem o seu leitor autorizado: os te\u00f3logos e os cientistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o sobre certos pontos entre te\u00f3logos e cientistas, \u00e9 porque um ou outro se enganou, e conv\u00e9m revisar suas interpreta\u00e7\u00f5es. Se uma verdade cient\u00edfica \u00e9 provada, declara Santo Agostinho, compete aos exegetas e te\u00f3logos reverem suas interpreta\u00e7\u00f5es, pois nada \u00e9 mais danoso \u00e0 religi\u00e3o do que crist\u00e3os sustentando erros cient\u00edficos em nome da B\u00edblia (AGOSTINHO, 1972, p. 615-616). Dessa maneira se arru\u00edna toda a credibilidade da Escritura. Estas intui\u00e7\u00f5es de Santo Agostinho s\u00e3o v\u00e1lidas hoje e permitem dirimir grandes conflitos, ainda que ele n\u00e3o aceitasse plenamente a autonomia da ci\u00eancia. Para Santo Agostinho, a autoridade da Escritura era superior \u00e0 das ci\u00eancias. Diante de hip\u00f3teses contradit\u00f3rias da ci\u00eancia, o te\u00f3logo \u00e9 que deve escolher a hip\u00f3tese mais plaus\u00edvel, em fun\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias da f\u00e9. Por exemplo: est\u00e1 dito no G\u00eanesis que Deus separou as \u00e1guas superiores das \u00e1guas inferiores. Eis uma verdade de f\u00e9. O papel da ci\u00eancia \u00e9 explicar como isso \u00e9 poss\u00edvel. Ora, entre as teorias cient\u00edficas gregas, h\u00e1 uma que afirma a presen\u00e7a de cavidades situadas na ab\u00f3bada celeste que s\u00e3o pr\u00f3prias para reter \u00e1gua: eis a\u00ed uma boa teoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Ocidente, a ci\u00eancia esteve a servi\u00e7o da f\u00e9 na Idade M\u00e9dia e assim se desenvolveu. No ano 990 foi criada em Chartres uma escola episcopal, que ficou conhecida como a Escola de Chartres. Ela foi dirigida de 1006 a 1028 pelo bispo Fulbert e ganhou tal prest\u00edgio que se tornou o principal centro cient\u00edfico dos s\u00e9culos XI e XII, com a ambi\u00e7\u00e3o de realizar a s\u00edntese entre f\u00e9 e ci\u00eancia. L\u00e1, muitos homens de Igreja se lan\u00e7aram com entusiasmo no estudo das ci\u00eancias, que revelavam as maravilhas de Deus. Confiantes na racionalidade do mundo, cuja garantia era Deus, eles se propuseram a explicar as Escrituras. Tudo poderia ser explicado pela f\u00edsica e pela matem\u00e1tica, e um homem como Thierry de Chartres teve a ambi\u00e7\u00e3o de descrever os seis dias da cria\u00e7\u00e3o nos termos da f\u00edsica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato mais curioso dessa \u00e9poca \u00e9 o papa do ano 1000, Gerbert, eleito com o nome de Silvestre ll. Com ele, a ci\u00eancia tomou posse da s\u00e9 de Pedro. Gerbert foi um grande cientista do seu tempo, provavelmente o melhor matem\u00e1tico e astr\u00f4nomo, e tinha um vasto conhecimento de f\u00edsica, qu\u00edmica, medicina, zoologia e bot\u00e2nica. Um homem enciclop\u00e9dico <em>avant la lettre<\/em>, antes que esse termo existisse. Pode-se imaginar uma consagra\u00e7\u00e3o mais radiante do matrim\u00f4nio entre Igreja e ci\u00eancia? Ele foi professor do bispo Fulbert e um dos maiores entusiastas da s\u00edntese entre f\u00e9 e ci\u00eancia. Esta incipiente ci\u00eancia medieval, hoje em grande parte ultrapassada, levantou problemas e foi precursora da ci\u00eancia moderna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XIV, surgiu o nominalismo, uma corrente filos\u00f3fica que operou uma desconstru\u00e7\u00e3o e uma reelabora\u00e7\u00e3o do saber at\u00e9 ent\u00e3o existente. O seu principal expoente \u00e9 o franciscano Guilherme de Ockham. Para ele, o mundo \u00e9 uma multiplicidade de seres individuais, absolutamente contingentes, sem rela\u00e7\u00e3o de nexos imut\u00e1veis e necess\u00e1rios, sem uma natureza ou ess\u00eancia. Os seres individuais s\u00e3o puro ato da vontade divina criadora, resultantes de uma escolha que, sendo divina, n\u00e3o \u00e9 limitada ou constrangida por nexos imut\u00e1veis e necess\u00e1rios, decorrentes da natureza, da causalidade ou de outra raz\u00e3o metaf\u00edsica. Nominalismo vem de nome. O conhecimento humano se limita ao nome que atribu\u00edmos aos seres. N\u00e3o h\u00e1 natureza ou ess\u00eancia, elementos que as coisas possam ter em comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Ockham, o conhecimento que podemos ter do mundo \u00e9 um conhecimento prov\u00e1vel, baseado em repetidas experi\u00eancias, pois aquilo que aconteceu no passado tem uma grande probabilidade de acontecer no futuro. Com isso, o pensamento nominalista rompeu com a estrutura conceitual-especulativa precedente, incluindo a cosmologia antiga, e favoreceu a tradi\u00e7\u00e3o experimental. Com essa ruptura, ele abriu caminho para a ci\u00eancia moderna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disc\u00edpulos de Ockham come\u00e7aram a colocar em xeque o geocentrismo e afirmar o movimento parcial da Terra. Foi sugerida a hip\u00f3tese de que alguns planetas giravam em torno do Sol. Em 1377, o te\u00f3logo e astr\u00f4nomo franc\u00eas Nicolau Oresmo mostrou que seria muito mais simples explicar o movimento celeste se fosse a Terra que se movesse, e declarou que as passagens da B\u00edblia que falavam do movimento do Sol n\u00e3o s\u00e3o, sen\u00e3o, imagens, maneiras de falar, \u201ccomo l\u00e1 onde est\u00e1 escrito que Deus se arrependeu, se encolerizou, se acalmou e outras coisas que n\u00e3o s\u00e3o literais\u201d (ORESMO apud MINOIS, 1992, p. 12). Oresmo foi feito bispo de Lisieux e em nenhum momento foi importunado pelas suas audaciosas hip\u00f3teses. No s\u00e9culo XV, o fil\u00f3sofo e cardeal Nicolau de Cuza tamb\u00e9m divulgou ideias audaciosas, dizendo que o universo n\u00e3o tem centro, que a Terra se move e que os planetas s\u00e3o povoados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao se tratar da ci\u00eancia no Ocidente, n\u00e3o se pretende desvalorizar outras civiliza\u00e7\u00f5es que t\u00eam sua originalidade e que tamb\u00e9m fazem parte do patrim\u00f4nio comum da humanidade, assim como a civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Esta se beneficiou de contribui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas gregas, judaicas e isl\u00e2micas. No final do primeiro mil\u00eanio e in\u00edcio do segundo, as maiores bibliotecas do mundo estavam no mundo isl\u00e2mico. Obras cl\u00e1ssicas gregas foram traduzidas para o \u00e1rabe. A medicina e a astronomia \u00e1rabes eram not\u00e1veis. \u00c9 desta civiliza\u00e7\u00e3o que vieram o \u00e1lcool, a \u00e1lgebra e o algarismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 A revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e a Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um marco fundamental no pensamento ocidental e na hist\u00f3ria humana foi a revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Com ela, a ci\u00eancia se separa da filosofia e da religi\u00e3o, e ganha autonomia. A qu\u00edmica se separa da alquimia, a medicina da magia e a astronomia da astrologia. Surge um novo paradigma, uma nova forma de pensar e uma nova vis\u00e3o de mundo que marcaram definitivamente a cultura moderna. Tudo passou a ser questionado pela ci\u00eancia e o seu dom\u00ednio se estendeu depois \u00e0 psique, \u00e0 sociedade, \u00e0 economia, e outros \u00e2mbitos da realidade. Os demais saberes tiveram que se repensar e v\u00e1rias certezas inabal\u00e1veis se desfizeram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00f4nego e canonista polon\u00eas Nicolau Cop\u00e9rnico retomou as teorias sobre o movimento da terra e comp\u00f4s a teoria helioc\u00eantrica, embasada em observa\u00e7\u00f5es e c\u00e1lculos matem\u00e1ticos. Ele mostrou que o movimento da terra \u00e9 suficiente para explicar todas as desigualdades que aparecem no c\u00e9u. Estava convencido de que a fun\u00e7\u00e3o do estudioso \u00e9 a de procurar a verdade em todas as coisas, at\u00e9 o limite concedido por Deus \u00e0 raz\u00e3o humana. A sua grande obra <em>De revolutionibus orbium coeslestium<\/em> (Das Revolu\u00e7\u00f5es das Esferas Celestes) foi publicada em 1534 e teve uma repercuss\u00e3o muito grande. Deslocando a terra do centro do universo, Cop\u00e9rnico mudou tamb\u00e9m o lugar do homem no cosmo. A revolu\u00e7\u00e3o astron\u00f4mica implicou tamb\u00e9m uma revolu\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o historiador da ci\u00eancia Thomas S. Kuhn:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Homens que acreditavam que sua morada terrestre fosse apenas um planeta, girando cegamente em torno de uma entre bilh\u00f5es de estrelas, come\u00e7avam a avaliar a sua posi\u00e7\u00e3o no esquema c\u00f3smico de modo bem diferente dos seus antecessores, que viam a Terra como o \u00fanico centro focal da cria\u00e7\u00e3o divina. (KUHN apud REALE; ANTISERI, 1990, p. 212)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de Cop\u00e9rnico, os astr\u00f4nomos passaram a viver em um mundo diferente. Ele foi o autor de uma revolu\u00e7\u00e3o que levou o seu nome: a Revolu\u00e7\u00e3o Copernicana. No fluxo desta revolu\u00e7\u00e3o intelectual surgiram outros nomes como Johannes Kepler, em fins do s\u00e9culo XVI e in\u00edcio do s\u00e9culo XVII. Ele descobriu as \u00f3rbitas el\u00edpticas dos planetas e o seu tempo de revolu\u00e7\u00e3o em torno do sol, relacionando-os com as respectivas dist\u00e2ncias. As suas descobertas muito originais foram movidas por uma f\u00e9 no sistema copernicano, que se vinculava \u00e0 f\u00e9 plat\u00f4nica de que uma raz\u00e3o matem\u00e1tica divina presidiu a cria\u00e7\u00e3o do mundo. A sua vida de cientista, de expectativas alegres e amargas desilus\u00f5es, de reiterados esfor\u00e7os e sucessivos fracassos, os becos sem sa\u00edda em que se coloca, a tenacidade com que empreende o desenvolvimento de dif\u00edceis c\u00e1lculo, a const\u00e2ncia e perseveran\u00e7a na busca de uma ordem, devem-se \u00e0 f\u00e9 de que ela existe e foi Deus que a criou. Vemos em sua vida uma verdadeira luta com o Anjo, que no fim n\u00e3o lhe nega a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o (KUHN apud REALE; ANTISERI, 1990, p. 246).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os grandes nomes da revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, Galileu Galilei (1564-1642) \u00e9 considerado o fundador da ci\u00eancia moderna, por ter teorizado o m\u00e9todo cient\u00edfico e a autonomia da pesquisa cient\u00edfica. Matem\u00e1tico e astr\u00f4nomo, ele se utilizou de uma descoberta ent\u00e3o recente, a luneta, aperfei\u00e7oou-a e a apontou para o c\u00e9u. A partir da\u00ed fez not\u00e1veis inova\u00e7\u00f5es, viu coisas que ningu\u00e9m tinha visto antes, e tirou conclus\u00f5es inusitadas. Viu que a lua n\u00e3o \u00e9, em absoluto, feita de uma superf\u00edcie lisa e polida, mas \u00e1spera e desigual. E, da mesma forma, que a face da terra possui grande parte coberta de proemin\u00eancias, vales e sinuosidades. Com esta constata\u00e7\u00e3o, golpeia-se a distin\u00e7\u00e3o entre corpos terrestres e celestes, pilar de sustenta\u00e7\u00e3o da cosmologia de Arist\u00f3teles e de Ptolomeu. Tamb\u00e9m Galileu estava convencido de que os conhecimentos geom\u00e9tricos e matem\u00e1ticos s\u00e3o definitivos, necess\u00e1rios e seguros, pois a natureza est\u00e1 escrita em linguagem geom\u00e9trica e matem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na f\u00edsica, ele comp\u00f4s leis do movimento, e na astronomia, retomou o sistema copernicano, enriquecido de novas observa\u00e7\u00f5es e c\u00e1lculos, tornando-o quase irrefut\u00e1vel. Diante do conflito com as Escrituras, prop\u00f4s uma nova interpreta\u00e7\u00e3o e uma nova rela\u00e7\u00e3o do livro sagrado com a ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Galileu, erram aqueles que pretendem se deter sempre no puro significado das palavras, pois ent\u00e3o na Escritura apareceriam n\u00e3o somente diversas contradi\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m graves heresias e blasf\u00eamias, j\u00e1 que seria necess\u00e1rio ver em Deus p\u00e9s, m\u00e3os e olhos, bem como efeitos corporais e humanos, como os de ira, de arrependimento, de \u00f3dio e at\u00e9, por vezes, de esquecimento das coisas passadas e de ignor\u00e2ncia das futuras. Ci\u00eancia e f\u00e9 para ele, em s\u00edntese, situam-se e relacionam-se da seguinte maneira: 1) A Escritura \u00e9 necess\u00e1ria para a salva\u00e7\u00e3o do homem; 2) Os \u201cartigos relativos \u00e0 salva\u00e7\u00e3o e ao estabelecimento da f\u00e9\u201d s\u00e3o t\u00e3o firmes que contra eles \u201cn\u00e3o h\u00e1 qualquer perigo de que possa se insurgir nunca alguma doutrina v\u00e1lida e eficaz\u201d; 3) Devido \u00e0s suas finalidades, a Escritura n\u00e3o tem nenhuma autoridade no que se refere a todos aqueles conhecimentos que podem ser estabelecidos por meio de \u201csensatas experi\u00eancias e necess\u00e1rias demonstra\u00e7\u00f5es\u201d; 4) Quando fala sobre aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio para a nossa salva\u00e7\u00e3o (ou sobre coisas n\u00e3o cognosc\u00edveis por outro meio ou por outra ci\u00eancia), a Escritura n\u00e3o pode ser desmentida; 5) Entretanto, na medida em que os escritores sacros dirigiam-se ao \u201cvulgo rude e indisciplinado\u201d, em muitas passagens a Escritura necessita de interpreta\u00e7\u00e3o; 6) A ci\u00eancia pode constituir um meio pra interpreta\u00e7\u00f5es corretas; 7) Nem todos os int\u00e9rpretes da Escritura s\u00e3o infal\u00edveis; 8) N\u00e3o se pode comprometer a Escritura em coisas que o homem pode conhecer com sua raz\u00e3o; 9) A ci\u00eancia \u00e9 aut\u00f4noma: suas verdades s\u00e3o estabelecidas com sensatas experi\u00eancias e demonstra\u00e7\u00f5es certas, e n\u00e3o com base na autoridade da Escritura; 10) Nas quest\u00f5es naturais, a Escritura vem em \u00faltimo lugar (GALILEU apud REALE; ANTISERI, 1990, p. 264-266).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se concluir, portanto, que na opini\u00e3o de Galileu a ci\u00eancia e a f\u00e9 s\u00e3o compat\u00edveis. A ci\u00eancia nos diz \u201ccomo vai o c\u00e9u\u201d e a f\u00e9 nos diz \u201ccomo se vai ao c\u00e9u\u201d. E quando surgem aparentes contradi\u00e7\u00f5es, deve-se suspeitar logo que o cientista se transformou em metaf\u00edsico, ou ent\u00e3o que o religioso transformou o texto sacro em um tratado de f\u00edsica ou de biologia. As afirma\u00e7\u00f5es de Galileu, com esta hermen\u00eautica inovadora, d\u00e3o um novo lugar \u00e0 B\u00edblia na configura\u00e7\u00e3o do conhecimento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas de suas posi\u00e7\u00f5es j\u00e1 tinham sido, de alguma maneira, defendidas por Nicolau Oresmo no s\u00e9culo XIV. Por que ent\u00e3o Galileu foi condenado? Por causa da Contrarreforma. A Igreja Cat\u00f3lica, ciosa do combate ao protestantismo, assume uma postura bastante defensiva em rela\u00e7\u00e3o a novidades. O Conc\u00edlio de Trento pro\u00edbe que se interpretem as Escrituras contra o consenso un\u00e2nime dos Padres da Igreja (DENZIGER; H\u00dcNERMANN, 2007, n. 1507). Naquele tempo, n\u00e3o se poderia admitir que um fiel crist\u00e3o qualquer \u2013 mesmo um grande cientista &#8211; estabelecesse princ\u00edpios hermen\u00eauticos de interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, e propusesse interpreta\u00e7\u00f5es deste ou daquele trecho. A\u00ed est\u00e1 a raiz do choque entre Galileu e a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um te\u00f3logo jesu\u00edta, o cardeal Belarmino, com o intuito de salvar o magist\u00e9rio da Igreja, afirmava que o sistema copernicano dava conta de explicar as apar\u00eancias da observa\u00e7\u00e3o e dos c\u00e1lculos matem\u00e1ticos, mas n\u00e3o correspondia \u00e0 realidade. Tanto Cop\u00e9rnico quanto Galileu estavam convencidos do contr\u00e1rio, ou seja, de que o movimento da terra \u00e9 real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo protestante, a teoria de Cop\u00e9rnico tamb\u00e9m foi hostilizada.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus Discursos \u00e0 Mesa, Lutero parece ter afirmado (1539): \u201cAs pessoas deram ouvidos a um astr\u00f3logo de dois vint\u00e9ns, que procurou demonstrar que \u00e9 a Terra que gira e n\u00e3o os c\u00e9us e o firmamento, o sol e a lua [&#8230;]. Esse insensato pretende subverter toda a ci\u00eancia astron\u00f4mica. Mas a Sagrada Escritura nos diz que Josu\u00e9 ordenou ao sol \u2013 e n\u00e3o \u00e0 terra \u2013 que se detivesse\u201d. No seu Coment\u00e1rio ao G\u00eanesis, Calvino cita o vers\u00edculo inicial do Salmo 93, que diz: \u201cSim, o mundo est\u00e1 firme, jamais tremer\u00e1\u201d. E se pergunta: \u201cQuem ter\u00e1 a ousadia de antepor a autoridade de Cop\u00e9rnico \u00e0 do Esp\u00edrito Santo\u201d? (REALE; ANTISERI, 1990, p. 259)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Contrarreforma, a Igreja Cat\u00f3lica criou instrumentos de prote\u00e7\u00e3o de sua f\u00e9 e de combate ao protestantismo. Um deles foi a Inquisi\u00e7\u00e3o Romana, constitu\u00edda pelo papa Paulo III, em 1542, dirigida por uma comiss\u00e3o permanente de cardeais para lutar contra a heresia. Tal institui\u00e7\u00e3o logo tomou o nome de Congrega\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio. Ela estava encarregada de lutar contra todos os desvios doutrinais e morais, e n\u00e3o hesitou em condenar severamente as teses que lhe pareciam perigosas ou contr\u00e1rias \u00e0 pureza da f\u00e9, bem como as pessoas que as defendiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1600, o dominicano Giordano Bruno foi queimado vivo em Roma por decis\u00e3o do Santo Of\u00edcio. Em seus escritos, mais po\u00e9ticos que rigorosos, perpassados de hermetismo m\u00e1gico, ele afirmava que: o universo era infinito e eterno, composto de uma infinidade de corpos min\u00fasculos, os \u00e1tomos; ele possui uma multid\u00e3o de mundos iguais ao nosso; as estrelas s\u00e3o enormes bolas de fogo; o sol n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma estrela, e a terra \u00e9 um ponto min\u00fasculo que se move no espa\u00e7o. Este universo \u00e9 tudo, e Deus n\u00e3o \u00e9 separ\u00e1vel do mundo. Com esta concep\u00e7\u00e3o pante\u00edsta, Bruno negava a doutrina da Sant\u00edssima Trindade. O motivo de sua condena\u00e7\u00e3o foram suas afirma\u00e7\u00f5es religiosas, e n\u00e3o suas concep\u00e7\u00f5es sobre o cosmo. Mas, posteriormente, ele foi erroneamente considerado o primeiro m\u00e1rtir da ci\u00eancia (NUMBERS, 2012, p. 79-88).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da Inquisi\u00e7\u00e3o, outro instrumento de controle foi criado pela Igreja: o <em>Index librorum <\/em><em>prohibitorum <\/em>(\u00cdndice de Livros Proibidos), ou simplesmente o <em>Index<\/em>. Foi obra do Papa Paulo lV, em 1559, que consistia numa lista constantemente atualizada de obras proibidas, julgadas contr\u00e1rias \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 moral, cuja leitura era proibida aos fi\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1616, o Santo Of\u00edcio condenou a doutrina de Cop\u00e9rnico e transmitiu a senten\u00e7a \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o do Index. Galileu foi advertido para que abandonasse a ideia copernicana e n\u00e3o mais a ensinasse, sob pena de pris\u00e3o. Como continuou a ensinar a doutrina proibida, ele sofreu um novo processo da Inquisi\u00e7\u00e3o. Em 1633, Galileu foi condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua em regime domiciliar e a abjurar diante do tribunal suas ideias. Estes s\u00e3o os termos da condena\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizemos, pronunciamos, sentenciamos e declaramos que tu, o referido Galileu, pelas coisas aduzidas em processo e por ti confessadas como referidas acima, te tornaste para este Santo Of\u00edcio veementemente suspeito de heresia, isto \u00e9, de haver mantido e crido em doutrina falsa e contr\u00e1ria \u00e0s sagradas e divinas escrituras, que o sol seja o centro da terra e que n\u00e3o se mova do Oriente para o Ocidente, ao passo que a Terra se mova e n\u00e3o esteja no centro do mundo, al\u00e9m de que se pode manter e defender como prov\u00e1vel uma opini\u00e3o depois de ela ter sido declarada e definida como contr\u00e1ria \u00e0 Sagrada Escritura. E, consequentemente, est\u00e1s incurso em todas as censuras e penas dos c\u00e2nones sagrados e outras constitui\u00e7\u00f5es gerais e particulares impostas e promulgadas contra semelhantes delinquentes. E pelas quais nos contentaremos se, em termos absolutos, mais que antes, maldigas e detestes os referidos erros e heresias, bem como qualquer outro erro e heresia contr\u00e1rios \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica e Apost\u00f3lica, do modo e na forma que por n\u00f3s te ser\u00e3o dados. (SANTO OF\u00cdCIO apud REALE; ANTISERI, 1990, p. 273)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A interpreta\u00e7\u00e3o tradicional da B\u00edblia prevaleceu sobre a interpreta\u00e7\u00e3o inovadora do cientista. E Galileu abjurou:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu, Galileu, filho daquele Vicente Galileu de Floren\u00e7a, nesta minha idade de setenta anos, constitu\u00eddo pessoalmente em ju\u00edzo e ajoelhado diante de v\u00f3s, eminent\u00edssimos e reverend\u00edssimos cardeais, inquisidores gerais em toda a rep\u00fablica crist\u00e3 contra a her\u00e9tica maldade, e tendo diante de meus olhos os sacrossantos Evangelhos, que toco com as pr\u00f3prias m\u00e3os, juro que sempre acreditei, acredito agora e, com a ajuda de Deus, acreditarei tamb\u00e9m no futuro em tudo aquilo que a Santa Igreja Cat\u00f3lica e Apost\u00f3lica mant\u00e9m, prega e ensina [&#8230;]. Portanto, querendo eu retirar da mente das emin\u00eancias reverend\u00edssimas e de todo fiel crist\u00e3o essa veemente suspei\u00e7\u00e3o, justamente concebida em rela\u00e7\u00e3o a mim, com cora\u00e7\u00e3o sincero e f\u00e9 n\u00e3o fingida, abjuro, maldigo e detesto os referidos erros e heresias e, em geral, todo e qualquer outro erro, heresia e seita contr\u00e1rias \u00e0 Santa Igreja. E juro que, para o futuro, nunca mais direi nem admitirei, por voz ou por escrito, coisas tais pelas quais se possa ter de mim semelhante suspeita. E, se conhecer algum her\u00e9tico ou suspeito de heresia, o denunciarei a este Santo Of\u00edcio, ao inquisidor ou ordin\u00e1rio do local onde me encontrar. (GALILEU apud REALE; ANTISERI, 1990, p. 274)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja da Contrarreforma e do medo condenou Galileu. E o ano de 1633 foi emblem\u00e1tico na hist\u00f3ria das ideias e no conflito entre f\u00e9 e ci\u00eancia. Descartes se surpreendeu com a condena\u00e7\u00e3o de Galileu, por ser ele \u201citaliano e amigo do papa\u201d. Somente em 1820 a Igreja permitiu a publica\u00e7\u00e3o de livros que ensinavam o movimento da Terra, com o <em>imprimatur<\/em> concedido \u00e0 obra do c\u00f4nego Settele. E somente em 1846 as obras de Cop\u00e9rnico e Galileu foram retiradas do <em>Index<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante as severas restri\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas, o processo da revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o se interrompeu. Outro grande nome desta transforma\u00e7\u00e3o intelectual \u00e9 o f\u00edsico ingl\u00eas Isaac Newton, autor da obra <em>Plilosophiae naturalis principia mathematica<\/em> (Princ\u00edpios Matem\u00e1ticos da Filosofia Natural), publicada em 1688. A sua obra exp\u00f5e o que hoje se chama f\u00edsica cl\u00e1ssica, com as leis do movimento, da gravidade, da acelera\u00e7\u00e3o e da \u00f3tica. Ele formulou os postulados da simplicidade e da uniformidade da natureza. A natureza \u00e9 simples de tal maneira que n\u00e3o devemos atribuir aos fen\u00f4menos mais causas do que as suficientes para explic\u00e1-los. A natureza \u00e9 uniforme: o que acontece com a luz e a gravidade na terra, acontece tamb\u00e9m em qualquer outro planeta. Da obra de Newton resultou um quadro unit\u00e1rio do mundo, e uma efetiva e s\u00f3lida reuni\u00e3o da f\u00edsica terrestre e da f\u00edsica celeste. Este quadro unit\u00e1rio p\u00f4s fim \u00e0 cren\u00e7a oriunda da Antiguidade grega de uma diferen\u00e7a essencial entre os c\u00e9us e a terra, entre o mundo supralunar e o mundo sublunar, entre a mec\u00e2nica e a astronomia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outros campos da ci\u00eancia, conv\u00e9m lembrar o fil\u00f3sofo e matem\u00e1tico Gottfried Leibniz, um dos autores do c\u00e1lculo infinitesimal, e William Harvey, m\u00e9dico e descobridor da circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea. Os cientistas fundaram suas academias para a promo\u00e7\u00e3o dos conhecimentos naturais, como a Royal Society of London for the Promotion of Natural Knowledge, em 1662; e a Acad\u00e9mie Royale des Sciences, em 1666, no reinado de Lu\u00eds XIV. A institui\u00e7\u00e3o inglesa tinha como lema: <em>Nullius in verba<\/em>, expressando que n\u00e3o \u00e9 preciso basear-se na palavra de ningu\u00e9m. A frase \u00e9 extra\u00edda de um poema de Hor\u00e1cio: <em>Nullius addictus iurare in verba magistri,<\/em> <em>\/ quo me cumque rapit tempestas, deferor hospes<\/em>; que quer dizer: \u201csem ser obrigado a defender sob juramento as palavras de um mestre, deixo-me levar de bom grado onde me arrastar a tormenta\u201d. Ou seja, na ci\u00eancia n\u00e3o vale o argumento de autoridade, mas sim o que pode ser demonstrado. Era a autonomia da ci\u00eancia que se configurava. E tudo isso para gl\u00f3ria de Deus, \u201ca honra e o benef\u00edcio deste Reino\u201d e o bem universal da humanidade (REALE; ANTISERI, 1990, p. 218).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cristandade cat\u00f3lica, junto com os avan\u00e7os tamb\u00e9m s\u00e3o feitas outras restri\u00e7\u00f5es. J\u00e1 no s\u00e9culo XVII, a teoria dos \u00e1tomos \u00e9 formalmente proscrita pelos jesu\u00edtas e proibida de ser ensinada em seus col\u00e9gios, pois era considerada incompat\u00edvel com o dogma da transubstancia\u00e7\u00e3o. As obras cient\u00edficas de Descartes s\u00e3o postas no <em>Index<\/em> em 1664. A teoria da circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea de Harvey \u00e9 contestada porque contradiz Arist\u00f3teles e Galeno. Em 1751, o naturalista e matem\u00e1tico Georges de Buffon \u00e9 repreendido, a pedido da faculdade de teologia de Paris, por afirmar em sua Hist\u00f3ria Natural que o relevo terrestre foi modelado pelo mar, que a terra era originalmente um peda\u00e7o de estrela incandescente, e que o sol se extinguiria por falta de combust\u00edvel. Tais afirma\u00e7\u00f5es eram consideradas \u201cprinc\u00edpios e m\u00e1ximas que n\u00e3o s\u00e3o conforme a religi\u00e3o\u201d (MINOIS, 1992, p. 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XVIII surgem teorias geol\u00f3gicas que negam o dil\u00favio universal, afirmando que a apari\u00e7\u00e3o do homem remonta h\u00e1 centenas de milhares de anos, e que a Terra tem mais de seis mil anos. S\u00e3o posi\u00e7\u00f5es que contradizem a letra da Sagrada Escritura, e a Igreja Cat\u00f3lica as condena \u00e0 medida que aparecem. Em 1784, o abade Giraud-Soulavie, cujo trabalho \u00e9 a base da geologia moderna, \u00e9 obrigado a renunciar \u00e0s suas atividades cient\u00edficas, e a Igreja pro\u00edbe a publica\u00e7\u00e3o dos dois volumes de sua <em>Hist\u00f3ria Natural da Fran\u00e7a Meridional<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a situa\u00e7\u00e3o era complexa porque a Igreja Cat\u00f3lica estava longe de ser um bloco unido. Enquanto uma ordem religiosa condenava certa doutrina, outra doutrina contestada era tolerada. Um parlamento proibia certo livro, mas tal bispo o admitia. O Santo Of\u00edcio proibia certa opini\u00e3o, mas tal universidade a ensinava. Isto tornava poss\u00edvel diversas interpreta\u00e7\u00f5es, formando-se fendas na cristandade que permitiam o avan\u00e7o cient\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do s\u00e9culo XIX, a Igreja Cat\u00f3lica atua no mundo cient\u00edfico com um prop\u00f3sito apolog\u00e9tico: defender as verdades da f\u00e9 amea\u00e7adas pela ci\u00eancia, distinguir a \u201cfalsa\u201d da \u201cverdadeira\u201d ci\u00eancia, e criar a \u201cci\u00eancia cat\u00f3lica\u201d. Esta tem por finalidade principal, como escreve o abade Jauge:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defesa da f\u00e9 no terreno cient\u00edfico. Ela se prop\u00f5e a recolher, em meio ao clero e aos cat\u00f3licos instru\u00eddos, o conhecimento das respostas dadas hoje em dia pelos te\u00f3logos e pela ci\u00eancia profana \u00e0s numerosas obje\u00e7\u00f5es que, acobertadas por uma ci\u00eancia enganosa, s\u00e3o dirigidas contra as verdades crist\u00e3s. (MINOIS, 1992, p. 23)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este prop\u00f3sito \u00e9 bem compreens\u00edvel naquele contexto em que cientistas endurecidos e sarc\u00e1sticos pensavam que a verdadeira ci\u00eancia conduz ao materialismo e ao ate\u00edsmo. A ci\u00eancia cat\u00f3lica fracassou porque a sua pr\u00f3pria perspectiva de defesa da religi\u00e3o, situando a pesquisa cient\u00edfica num contexto de luta, era contr\u00e1ria \u00e0 pr\u00f3pria ideia de pesquisa cient\u00edfica, que deve visar unicamente o conhecimento e n\u00e3o justificar esta ou aquela filosofia ou religi\u00e3o. Entretanto, no pr\u00f3prio movimento da ci\u00eancia cat\u00f3lica surgiram vozes que denunciaram a defasagem da Igreja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia. Em 1897, no Congresso da Ci\u00eancia Cat\u00f3lica realizado em Friburgo, na Su\u00ed\u00e7a, o abade Boulay acusou a hierarquia cat\u00f3lica de impor erros cient\u00edficos no Catecismo em nome da f\u00e9:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um grande n\u00famero de catecismos de perseveran\u00e7a, destinados a adolescentes de doze a quinze anos, cont\u00e9m verdadeiras heresias cient\u00edficas, erros positivos confundidos com os ensinamentos das verdades mais essenciais da religi\u00e3o. Os adolescentes e jovens que leem, que estudam esses manuais com toda confian\u00e7a, s\u00e3o incapazes de fazer uma triagem necess\u00e1ria. Ensinar-lhes a cria\u00e7\u00e3o do mundo em seis dias, continuar a enquadrar todos os acontecimentos b\u00edblicos na cronologia vulgar de 4000 anos antes da era crist\u00e3, n\u00e3o \u00e9 enganar conscientemente suas jovens intelig\u00eancias? N\u00e3o \u00e9 exp\u00f4-los \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do esc\u00e2ndalo e da d\u00favida, uma vez que depois eles descobrir\u00e3o os erros destes ensinamentos que lhes foram transmitidos em nome de uma autoridade dogm\u00e1tica e infal\u00edvel? (BOULAY apud MINOIS, 1991, p. 257)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este alerta tem uma validade extraordin\u00e1ria ainda hoje, diante da difus\u00e3o de um fundamentalismo religioso. Naquela \u00e9poca, entretanto, prevaleceu na doutrina cat\u00f3lica a leitura literal dos tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos do G\u00eanesis, conforme a determina\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9 de 1909 (DENZIGER; H\u00dcNERMANN, 2007, n. 3512-3514). Apesar disto, a S\u00e9 romana teve iniciativas positivas no campo cient\u00edfico, como a cria\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio Astron\u00f4mico do Vaticano, em Castel Gandolfo, e da Pontif\u00edcia Academia de Ci\u00eancias, que tempos depois foi presidida pelo m\u00e9dico brasileiro Carlos Chagas Filho, entre 1972 e 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XX, um dos nomes mais importantes do di\u00e1logo entre f\u00e9 e ci\u00eancia \u00e9 o do paleont\u00f3logo e te\u00f3logo jesu\u00edta Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955). Sua obra \u00e9 considerada a mais sedutora e audaciosa tentativa de s\u00edntese entre a ci\u00eancia moderna e a f\u00e9. Suas principais publica\u00e7\u00f5es s\u00e3o <em>O Meio Divino<\/em> (1927), <em>O Fen\u00f4meno Humano<\/em> (1940), <em>O Cora\u00e7\u00e3o da Mat\u00e9ria<\/em> (1950) e <em>O Cr\u00edstico <\/em>(1955), que expressam uma grandiosa vis\u00e3o baseada na \u201cevolu\u00e7\u00e3o aplicada ao cosmos e ao esp\u00edrito\u201d. Partindo da cria\u00e7\u00e3o, ele v\u00ea o universo realizando um vasto movimento de complexifica\u00e7\u00e3o que, atrav\u00e9s de muitas muta\u00e7\u00f5es, permite a emerg\u00eancia do esp\u00edrito e da consci\u00eancia a partir da mat\u00e9ria, rumo \u00e0 plenitude que \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do Cristo c\u00f3smico, o \u00d4mega. Este processo diz respeito a todos os seres humanos. Cada um est\u00e1 inserido no movimento da realiza\u00e7\u00e3o do Cristo, por amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As ideias de Teilhard de Chardin foram mal-recebidas pelas autoridades eclesi\u00e1sticas, sofrendo muitas censuras e proibi\u00e7\u00f5es que ilustram a dificuldade do di\u00e1logo entre a Igreja e a ci\u00eancia ainda no s\u00e9culo XX. As consequ\u00eancias teol\u00f3gicas dessa s\u00edntese lhe causaram problemas. Reprovaram suas ideias por terem escamoteado o pecado original e o mal, e com isto a reden\u00e7\u00e3o; por n\u00e3o terem dado o devido valor \u00e0 transcend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao mundo material, e \u00e0 especificidade do esp\u00edrito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mat\u00e9ria. Teilhard morreu no anonimato, exilado pelas autoridades romanas. Ap\u00f3s sua morte, seus livros foram publicados por editoras n\u00e3o cat\u00f3licas, e sua venda foi proibida nas livrarias cat\u00f3licas em 1957. No entanto, o seu pensamento \u00e9 bem vivo e influenciou o Conc\u00edlio Vaticano II. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ele foi elogiado pelos papas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio \u00e0s controv\u00e9rsias entre f\u00e9 e ci\u00eancia, desde o final do s\u00e9culo XIX os estudos b\u00edblicos no mundo cat\u00f3lico come\u00e7am a progredir para al\u00e9m do sentido literal (LE\u00c3O XIII, 1893, n. 39).\u00a0 No pontificado de Pio XII (1939-1958), uma enc\u00edclica trata dos \u201cg\u00eaneros liter\u00e1rios\u201d na B\u00edblia. O que os autores sagrados exprimem n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o claro como nos escritores do nosso tempo, diz o papa. O seu significado n\u00e3o se pode determinar s\u00f3 pelas regras da gram\u00e1tica e da filologia, mas tamb\u00e9m pelo contexto mais amplo dos tempos antigos do Oriente. O int\u00e9rprete atual deve se servir da hist\u00f3ria, da arqueologia, da etnologia e das outras ci\u00eancias para examinar e distinguir claramente que g\u00eaneros liter\u00e1rios empregaram de fato os escritores daquelas \u00e9pocas remotas. Com um justo conceito da inspira\u00e7\u00e3o b\u00edblica, n\u00e3o se deve estranhar que nos autores sagrados, como tamb\u00e9m em seus contempor\u00e2neos, encontrem-se certos modos de expor e contar, certas particularidades idiom\u00e1ticas, especialmente das l\u00ednguas sem\u00edticas, certas express\u00f5es aproximativas ou hiperb\u00f3licas, talvez paradoxais, que servem para gravar as coisas mais firmemente na mem\u00f3ria. Nenhum dos modos de falar dos antigos, especialmente entre os orientais, \u00e9 incompat\u00edvel com as Sagradas Escrituras, uma vez que o g\u00eanero adotado n\u00e3o repugna \u00e0 santidade e verdade de Deus (PIO XII, 1943, n. 20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a incorpora\u00e7\u00e3o de elementos hist\u00f3rico-cr\u00edticos na interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia, passou-se a admitir, ainda que com restri\u00e7\u00f5es, a teoria da evolu\u00e7\u00e3o. Pio XII afirmou que \u00e9 l\u00edcito supor a origem do corpo humano na mat\u00e9ria viva pr\u00e9-existente. No entanto, ele condenou o poligenismo, a teoria de uma origem m\u00faltipla da humanidade admitindo-se nela indiv\u00edduos que n\u00e3o descendem do primeiro homem, Ad\u00e3o. Para o papa, isto contraria a doutrina do pecado original, cometido por ele e transmitido a todos os demais pela gera\u00e7\u00e3o, junto com as suas consequ\u00eancias, tornando-se pecado pr\u00f3prio de cada ser humano. N\u00e3o se deve proceder como se nada houvesse nas fontes da Revela\u00e7\u00e3o a exigir nesta mat\u00e9ria cient\u00edfica a m\u00e1xima modera\u00e7\u00e3o e cautela (PIO XII, 1950, n. 35-37). H\u00e1 um progresso consider\u00e1vel, n\u00e3o resta d\u00favida, mas permanece a tutela religiosa sobre a ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965), houve um grande encontro da Igreja com o mundo moderno, permitindo a resolu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios problemas e a supera\u00e7\u00e3o de muito mal-estar. A Igreja Cat\u00f3lica, ap\u00f3s s\u00e9culos de relut\u00e2ncia, aceitou a liberdade de consci\u00eancia e a liberdade religiosa, com a \u201cjusta autonomia das realidades terrestres\u201d, que incluem a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, e a autonomia da ci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 B\u00edblia, a Revela\u00e7\u00e3o divina nela transmitida \u00e9 entendida como autocomunica\u00e7\u00e3o de Deus ao ser humano, que alcan\u00e7a a sua plenitude em Jesus Cristo (DV, n.2). A \u00eanfase est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o interpessoal, e n\u00e3o na transmiss\u00e3o de um conjunto de enunciados imut\u00e1veis com um sentido un\u00edvoco. O m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico \u00e9 assumido pelo Conc\u00edlio e bem sintetizado: o leitor contempor\u00e2neo deve buscar o sentido que os autores sagrados em determinadas circunst\u00e2ncias, segundo as condi\u00e7\u00f5es do seu tempo e da sua cultura, pretenderam exprimir servindo-se dos g\u00eaneros liter\u00e1rios ent\u00e3o usados. Devem-se levar em conta as maneiras pr\u00f3prias de sentir, dizer ou narrar em uso no tempo deles, como tamb\u00e9m os modos que se empregavam frequentemente nas rela\u00e7\u00f5es entre os homens daquela \u00e9poca (DV, n. 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um novo tom, muito mais positivo, no sentido de confian\u00e7a e de colabora\u00e7\u00e3o. O Conc\u00edlio reconhece que as pesquisas recentes e as descobertas das ci\u00eancias, da hist\u00f3ria e da filosofia, levantam novos problemas, que implicam consequ\u00eancias para a vida e exigem novos estudos dos te\u00f3logos. Na a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja, devem ser conhecidos e aplicados n\u00e3o apenas os princ\u00edpios teol\u00f3gicos, mas tamb\u00e9m os dados das ci\u00eancias profanas, especialmente da psicologia e da sociologia, para que os fi\u00e9is sejam conduzidos a uma vida de f\u00e9 mais pura e adulta. Os fi\u00e9is s\u00e3o exortados a viverem em estreita uni\u00e3o com os outros homens do seu tempo, e a compreenderem bem o seu modo de pensar e sentir, que se exprime atrav\u00e9s da cultura. Que eles saibam conciliar os novos conhecimentos cient\u00edficos e suas \u00faltimas descobertas, com os costumes e a doutrina crist\u00e3. Que a pr\u00e1tica religiosa e a retid\u00e3o moral acompanhem nos fi\u00e9is o conhecimento cient\u00edfico e o progresso t\u00e9cnico, de modo que eles sejam capazes de apreciar e interpretar todas as coisas com aut\u00eantico sentido crist\u00e3o (GS, n. 62).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Na mensagem final do Conc\u00edlio, os homens dedicados ao pensamento e \u00e0 ci\u00eancia s\u00e3o exortados a considerarem que talvez nunca como hoje, por gra\u00e7a de Deus, foi t\u00e3o bem-vinda a possibilidade de um profundo acordo entre a verdadeira ci\u00eancia e a verdadeira f\u00e9, servindo uma e outra \u00e0 \u00fanica verdade. Que n\u00e3o se impe\u00e7a este precioso encontro (PAULO VI, 1965).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conv\u00e9m observar que, ao se reconhecer nas ci\u00eancias profanas um importante aux\u00edlio para uma vida de f\u00e9 mais pura e adulta, fica impl\u00edcito o risco de neglig\u00eancia dessas ci\u00eancias, contribuindo para uma f\u00e9 menos pura e menos adulta. Com os novos ventos conciliares de reaproxima\u00e7\u00e3o e de reconcilia\u00e7\u00e3o, Paulo VI, em 1966, p\u00f4s fim ao \u00cdndice de Livros Proibidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos depois, no pontificado de Jo\u00e3o Paulo II, foi dado um consider\u00e1vel apoio \u00e0s pesquisas cient\u00edficas, sobretudo pelas visitas feitas a centros de pesquisa e pelos pronunciamentos dirigidos aos cientistas. O mais importante deles \u00e9 uma carta escrita em 1988 ao diretor do observat\u00f3rio astron\u00f4mico do Vaticano, o jesu\u00edta George Coyne, por ocasi\u00e3o dos trezentos anos da publica\u00e7\u00e3o da <em>Philosophiae Naturalis Principia Mathematica<\/em>, de Newton.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa diz que \u00e9 necess\u00e1rio que o cristianismo, as grandes religi\u00f5es e a comunidade cient\u00edfica se empenhem num di\u00e1logo que supere a fragmenta\u00e7\u00e3o da cultura moderna, rumo a uma vis\u00e3o unificada. Esta unidade \u00e9 o que permite dar sentido \u00e0 realidade e \u00e0 vida. Ele enfatiza que ci\u00eancia \u00e9 ci\u00eancia, e religi\u00e3o \u00e9 religi\u00e3o, cada qual com seus princ\u00edpios e procedimentos. Que a teologia n\u00e3o professe uma pseudoci\u00eancia, e que a ci\u00eancia n\u00e3o seja inconscientemente uma teologia. O cristianismo possui em si mesmo as suas pr\u00f3prias fontes de justifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o espera que a ci\u00eancia seja a sua base apolog\u00e9tica. E adverte os te\u00f3logos contra o uso apressado de teorias cient\u00edficas com finalidade apolog\u00e9tica. A ci\u00eancia est\u00e1 a\u00ed, interpela a teologia, e a sua vis\u00e3o de mundo inevitavelmente \u00e9 assimilada pelos crist\u00e3os, constata Jo\u00e3o Paulo II. Que eles o fa\u00e7am com profundidade e discernimento, e n\u00e3o de modo acr\u00edtico e superficial, de modo a humilhar o evangelho e envergonhar os crist\u00e3os diante da hist\u00f3ria. A ci\u00eancia pode purificar a religi\u00e3o do erro e da supersti\u00e7\u00e3o, e a religi\u00e3o pode purificar a ci\u00eancia da idolatria e dos falsos absolutos (JO\u00c3O PAULO II, 1988).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O isolamento de ambas, portanto, \u00e9 mutuamente prejudicial. O uso da ci\u00eancia pode ser massivamente destrutivo, e as posi\u00e7\u00f5es da religi\u00e3o podem ser obscurantistas e est\u00e9reis. Cada uma pode trazer \u00e0 outra um horizonte mais amplo, para o bem de todos. Outra importante contribui\u00e7\u00e3o desse papa foi um documento da C\u00faria Romana sobre a interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia. Nele se refuta, com sabedoria e firmeza, a leitura fundamentalista da Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa leitura parte do princ\u00edpio de que a B\u00edblia, sendo Palavra de Deus inspirada e isenta de erro, deve ser lida e interpretada literalmente em todos os seus detalhes, excluindo toda a compreens\u00e3o que leve em conta o crescimento hist\u00f3rico e o desenvolvimento do texto b\u00edblico. Ela se op\u00f5e assim \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico, como de qualquer outro m\u00e9todo cient\u00edfico. O fundamentalismo, com ra\u00edzes no princ\u00edpio de Lutero da <em>sola Scriptura <\/em>(somente a Escritura), foi organizado posteriormente por um amplo segmento protestante que se opunha \u00e0 exegese liberal. O nome deste movimento reativo est\u00e1 diretamente ligado ao Congresso B\u00edblico Americano, realizado em 1895. Os princ\u00edpios do fundamentalismo s\u00e3o: a inerr\u00e2ncia verbal da Escritura, a divindade de Cristo, seu nascimento virginal, a doutrina da expia\u00e7\u00e3o vic\u00e1ria e a ressurrei\u00e7\u00e3o corporal na segunda vinda de Cristo. Esta leitura se difundiu muito em outros Continentes, influenciando tamb\u00e9m os cat\u00f3licos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abordagem fundamentalista tende a tratar o texto b\u00edblico como se ele fosse ditado pelo Esp\u00edrito Santo, palavra por palavra. Esta abordagem \u00e9 perigosa, adverte o documento, pois ela \u00e9 atraente para pessoas que procuram respostas b\u00edblicas para seus problemas da vida. Ao inv\u00e9s de lhes dizer que a B\u00edblia n\u00e3o cont\u00e9m necessariamente uma resposta imediata a cada um desses problemas, esta abordagem pode engan\u00e1-las oferecendo-lhes interpreta\u00e7\u00f5es piedosas, mas ilus\u00f3rias. O fundamentalismo convida, sem dizer, a uma esp\u00e9cie de \u201csuic\u00eddio do pensamento\u201d. Ele coloca na vida uma falsa certeza, pois confunde inconscientemente as limita\u00e7\u00f5es humanas da mensagem b\u00edblica com a subst\u00e2ncia divina dessa mensagem (PCB, 1993, I. F).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo documento romano avalia o uso do m\u00e9todo hist\u00f3rico-cr\u00edtico, que coloca em evid\u00eancia de maneira sobretudo diacr\u00f4nica o sentido expresso por autores e redatores da B\u00edblia. Este m\u00e9todo possui limites, pois se restringe \u00e0 procura do sentido do texto b\u00edblico nas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas de sua produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se interessa por outras potencialidades de sentido, que se manifestaram no decorrer de \u00e9pocas posteriores da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica e da hist\u00f3ria da Igreja. No entanto, o m\u00e9todo contribuiu para a produ\u00e7\u00e3o de obras de exegese e de teologia b\u00edblica de grande valor. Com a ajuda de outros m\u00e9todos e abordagens, ele abre ao leitor moderno o acesso ao significado do texto da B\u00edblia, tal como se pode ter (PCB, 1993, I. A).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O di\u00e1logo entre f\u00e9 e ci\u00eancia prossegue com o papa Bento XVI. Ele se empenhou no aprofundamento e na releitura do conceito de lei natural que, segundo a tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, est\u00e1 \u201cinscrita no cora\u00e7\u00e3o do homem\u201d e orienta os seus ju\u00edzos \u00e9ticos (Rm 2, 14-16), indicando o bem a ser feito e o mal a ser evitado. Para o Papa, a contribui\u00e7\u00e3o dos cientistas deve ser maior do que possibilitar o dom\u00ednio humano sobre a natureza. Eles devem ajudar a compreender a responsabilidade do ser humano pelo seu semelhante e pela natureza que lhe \u00e9 confiada. Assim, \u00e9 poss\u00edvel desenvolver um \u201cdi\u00e1logo fecundo entre crentes e n\u00e3o crentes; entre fil\u00f3sofos, juristas e homens de ci\u00eancia\u201d. Este di\u00e1logo pode tamb\u00e9m oferecer ao legislador um material precioso para a vida pessoal e coletiva (BENTO XVI, 2007).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele retoma o conceito patr\u00edstico de <em>liber naturae <\/em>(livro da natureza). A Igreja ensina que Deus, criando e conservando todas as coisas pelo Verbo, oferece aos homens um testemunho permanente de si mesmo na cria\u00e7\u00e3o. Como no centro da Revela\u00e7\u00e3o divina est\u00e1 o mist\u00e9rio de Cristo, \u00e9 preciso reconhecer que a pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o, livro da natureza, tamb\u00e9m constitui parte essencial de uma sinfonia de diversas vozes na qual o Verbo \u00fanico se exprime. A cria\u00e7\u00e3o nasce do <em>Logos<\/em>, trazendo o sinal indestrut\u00edvel da raz\u00e3o criadora que a regula e guia (BENTO XVI, 2010b, n. 7-9). Esta certeza est\u00e1 expressa nos Salmos: \u201cPela palavra do Senhor foram feitos os c\u00e9us; pelo sopro da sua boca, todos os seus ex\u00e9rcitos\u201d (Sl 33,6). O livro da natureza \u00e9 uno e indivis\u00edvel, seja a respeito do meio ambiente, seja a respeito da vida humana e do seu desenvolvimento integral (BENTO XVI, 2009, n. 51). O te\u00f3logo tamb\u00e9m tem um olhar sobre a natureza pesquisada pelo cientista, buscando a racionalidade e a unidade oriundas da raz\u00e3o criadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Quest\u00f5es contempor\u00e2neas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com todas as mudan\u00e7as ocorridas nos \u00faltimos cem anos, restam ainda quest\u00f5es conflitivas. Uma delas \u00e9 a doutrina do pecado original, baseada nos primeiros cap\u00edtulos da B\u00edblia. Ainda hoje se ensina que no in\u00edcio da hist\u00f3ria humana houve um homem e uma mulher criados em um estado de santidade, dispensados da morte e vivendo em harmonia com a natureza ambiente (CIC, 1992, n. 390 e 398-400), em um ambiente e em uma situa\u00e7\u00e3o tradicionalmente chamados de \u201cpara\u00edso terrestre\u201d. Esta doutrina se tornou inadmiss\u00edvel para a ci\u00eancia. Teilhard de Chardin, partindo de seus estudos paleontol\u00f3gicos, confidenciava j\u00e1 no in\u00edcio dos anos 1920:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto mais ressuscitamos cientificamente o passado, menos encontramos lugar para Ad\u00e3o e para o para\u00edso terrestre. [&#8230;] N\u00e3o h\u00e1 o menor vest\u00edgio no horizonte, n\u00e3o h\u00e1 a menor cicatriz, indicando as ru\u00ednas de uma idade do ouro ou a nossa amputa\u00e7\u00e3o de um mundo melhor. (CHARDIN, 1969, p. 62-63)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acesso \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 por parte de muitas pessoas \u00e9 bloqueado por causa do ensinamento sobre o pecado original. Um exemplo disto \u00e9 o fil\u00f3sofo do direito Norberto Bobbio, um dos mais importantes em sua \u00e1rea no s\u00e9culo XX. Ele era sens\u00edvel \u00e0 dimens\u00e3o religiosa do ser humano, que contempla e sente os pr\u00f3prios limites, sabendo que a raz\u00e3o humana \u00e9 uma pequena l\u00e2mpada iluminando um espa\u00e7o \u00ednfimo em compara\u00e7\u00e3o com a grandiosidade e a imensid\u00e3o do universo. Bobbio constatou que \u201cquanto mais sabemos, mais sabemos que n\u00e3o sabemos\u201d. Ampliou-se enormemente o espa\u00e7o da consci\u00eancia humana, mas quanto mais esse espa\u00e7o se alarga, mais a consci\u00eancia se d\u00e1 conta da vastid\u00e3o que desconhece. Mesmo se mantendo nos limites de sua pr\u00f3pria raz\u00e3o, Bobbio tem o \u201csenso do mist\u00e9rio\u201d, comum tanto ao homem da raz\u00e3o quanto ao homem de f\u00e9. A diferen\u00e7a, para ele, \u00e9 que o homem de f\u00e9 preenche este mist\u00e9rio com revela\u00e7\u00f5es e verdades vindas do alto, das quais Bobbio n\u00e3o consegue se convencer. Uma dessas verdades \u00e9 o pecado original, esta culpa origin\u00e1ria e coletiva transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Para ele, \u00e9 algo extremamente primitivo, ligado a uma concep\u00e7\u00e3o tribal (BOBBIO, 2000, p. 7-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O historiador Jean Delumeau, autor de vasta obra sobre o medo, a culpabiliza\u00e7\u00e3o no Ocidente e a ideia de para\u00edso, prop\u00f5e \u00e0s igrejas crist\u00e3s um urgente <em>aggiornamento<\/em> (atualiza\u00e7\u00e3o) a respeito do pecado original. Que seja reconsiderada a enormidade atribu\u00edda \u00e0 falta primeira \u2013 a condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte e a culpabilidade heredit\u00e1ria resultante. \u00c9 melhor se falar do \u201cpecado do mundo\u201d que Jesus vem \u201ctirar\u201d, conforme o Evangelho de Jo\u00e3o (1,29), para significar que todos n\u00f3s nascemos em um mundo no qual o pecado j\u00e1 existe. Um mundo no qual a maldade, o orgulho, a vontade de poder e a concupisc\u00eancia se acumularam desde o in\u00edcio da humanidade (DELUMEAU, 2007, p. 77-94).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar desta diverg\u00eancia, de um modo geral a atitude recente da Igreja Cat\u00f3lica diante do conhecimento cient\u00edfico \u00e9 de respeito \u00e0 sua autonomia, de encorajamento \u00e0 pesquisa e de maravilhamento diante das descobertas. A hostilidade e a desconfian\u00e7a do passado cederam lugar \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o din\u00e2mica. No entanto, nas ci\u00eancias aplicadas \u00e0 vida e \u00e0 sua transmiss\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 conflitiva por causa das interdi\u00e7\u00f5es da moral cat\u00f3lica. A oposi\u00e7\u00e3o da Igreja aos meios artificiais de contracep\u00e7\u00e3o, \u00e0 insemina\u00e7\u00e3o artificial e \u00e0 fecunda\u00e7\u00e3o <em>in vitro<\/em> n\u00e3o \u00e9 aceita pelos n\u00e3o cat\u00f3licos e nem mesmo por muitos fi\u00e9is cat\u00f3licos. Tamb\u00e9m na antropologia, h\u00e1 diverg\u00eancia sobre o entendimento da cria\u00e7\u00e3o do ser humano como homem e mulher, e a diversidade sexual e de g\u00eanero (LIMA, 2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia e a ci\u00eancia s\u00e3o diferentes n\u00edveis de saber. O livro sagrado dos crist\u00e3os \u00e9 fonte e alimento de sua pr\u00f3pria f\u00e9 e pode ser lido com proveito tamb\u00e9m por n\u00e3o crentes. O mundo em que os crist\u00e3os vivem \u00e9 profundamente marcado pela ci\u00eancia e por sua linguagem. N\u00e3o se pode ignor\u00e1-la, nem na compreens\u00e3o das Escrituras, nem na elabora\u00e7\u00e3o da teologia, nem no di\u00e1logo com a contemporaneidade, nem no engajamento em favor de um mundo mais justo e solid\u00e1rio. A ci\u00eancia sempre pode alertar a religi\u00e3o contra erros e supersti\u00e7\u00f5es, e a religi\u00e3o sempre pode alertar a ci\u00eancia contra idolatrias e falsos absolutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato cient\u00edfico sobre o ser humano permite perceber que a pessoa humana est\u00e1 profunda e intrinsecamente interligada \u00e0s outras criaturas do planeta, como filha da terra e filha do universo; e a pessoa humana tem a dignidade e a responsabilidade particular pelo fato de ser aquela criatura em que o universo chegou \u00e0 autoconsci\u00eancia (HAIGHT, 2012, p.17). Ci\u00eancia e f\u00e9 podem se unir na profunda admira\u00e7\u00e3o pela cria\u00e7\u00e3o e no ato de louvor ao Criador, conforme o exemplo do astrof\u00edsico contempor\u00e2neo Enrico Medi, cuja causa de beatifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 em processo. Ele escreveu:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00d3 v\u00f3s, misteriosa gal\u00e1xia [&#8230;] Eu vos vejo, calculo, entendo, estudo e descubro, penetro e recolho. De v\u00f3s eu tomo a luz e fa\u00e7o ci\u00eancia, tomo o movimento e o torno sabedoria, tomo o brilho das cores e o torno poesia; recolho-vos, estrelas, em minhas m\u00e3os e, tremendo na unidade do meu ser, levanto-vos acima de v\u00f3s mesmas e, em ora\u00e7\u00e3o, ofere\u00e7o-vos ao Criador, que somente por meu interm\u00e9dio v\u00f3s mesmas podeis adorar. (MEDI apud BENTO XVI, 2010a).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Lu\u00eds Corr\u00eaa Lima<\/em>, PUC-Rio. Texto original portugu\u00eas. Enviado: 25\/08\/2022; Aprovado: 30\/11\/202e; Publicado: 30\/12\/2022<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGOSTINHO. <em>Obras de San Augustin<\/em>: en edici\u00f3n bil\u00edngue. 41 v. Madri: Biblioteca de Autores Cristianos: 1972.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTO XVI. <em>Discurso do papa Bento XVI aos participantes no congresso sobre lei moral natural promovido pela Pontif\u00edcia Universidade Lateranense<\/em>. Roma, 12 fev 2007. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/speeches\/2007\/february\/documents\/hf_ben-xvi_spe_20070212_pul.html. Acesso em: 12 set 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTO XVI. <em>Carta enc\u00edclica<\/em> <em>Caritas<\/em> <em>in Veritate<\/em>. Roma, 2009. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate.html. Acesso em: 4 nov 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTO XVI. <em>Audi\u00eancia geral<\/em>: Santo Alberto Magno. Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro, 24 mar 2010a. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/audiences\/2010\/documents\/hf_ben-xvi_aud_20100324.html.\u00a0 Acesso em: 9 ago 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BENTO XVI. <em>Exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal<\/em> <em>Verbum Domini<\/em>. Roma, 2010b. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini.html\">https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_ben-xvi_exh_20100930_verbum-domini.html<\/a>. Acesso em: 4 fev 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOBBIO, N. Religione e religiosit\u00e0. In: <em>Micromega<\/em> 2 \u2013 Almanacco di filosofia. Roma: Gruppo Editoriale L&#8217;Espresso 2000, p.7-16.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BUTLER, J. <em>Problema de g\u00eanero<\/em>: feminismo e subvers\u00e3o da identidade. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHARDIN, P. T. de Chardin, P. <em>Comment je crois<\/em>. Paris: Seuil, 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CATECISMO DA IGREJA CAT\u00d3LICA (CIC). Roma: 1992. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/compendium_ccc\/documents\/archive_2005_compendium-ccc_po.html\">https:\/\/www.vatican.va\/archive\/compendium_ccc\/documents\/archive_2005_compendium-ccc_po.html<\/a>. Acesso em: 5 out 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO VATICANO II. <em>Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral<\/em> <em>Gaudium et Spes <\/em>(<em>GS<\/em>) sobre a Igreja no mundo atual. Roma, 1965. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html. Acesso em: 6 nov 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO VATICANO II. <em>Constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica<\/em> <em>Dei Verbum<\/em> (<em>DV<\/em>) sobre a revela\u00e7\u00e3o divin<span style=\"color: #000000;\">a. Roma, 1965. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html\">https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html<\/a>. Acesso em: 4 nov 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DELUMEAU, J. <em>\u00c0 espera da aurora:<\/em> um cristianismo para o amanh\u00e3. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DENZIGER, H.; H\u00dcNERMANN, P. <em>Comp\u00eandio dos s\u00edmbolos, defini\u00e7\u00f5es e declara\u00e7\u00f5es de f\u00e9 e moral.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas\/Loyola, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HAIGHT, R. <em>O seguimento de Cristo numa era cient\u00edfica<\/em>. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JO\u00c3O PAULO II. <em>Letter of his holiness John Paul II to reverend George V. Coyne, S.J.<\/em> Vaticano, 1\u00ba jun 1988. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/en\/letters\/1988\/documents\/hf_jp-ii_let_19880601_padre-coyne.html. Acesso em: 3 jan 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">LE\u00c3O XIII. <em>Providentissimus Deus<\/em>. Roma, 1893. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/es\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_18111893_providentissimus-deus.html\">https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiii\/es\/encyclicals\/documents\/hf_l-xiii_enc_18111893_providentissimus-deus.html<\/a>. Acesso em: 10 jan 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, L. G\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual. DE MORI, G. (Ed.). Theologica Latinoamericana Enciclop\u00e9dia Digital. FAJE, Belo Horizonte: 2019, s\/pag. Dispon\u00edvel em\u00a0: &lt;http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1786&gt;. Acesso em\u00a0: 19 fev 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MINOIS, G. <em>L\u2019\u00c9glise et la science: <\/em>histoire d\u2019un malentendu. v. I: De saint Augustin \u00e0 Galil\u00e9e. Paris: Fayard, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MINOIS, G. <em>L\u2019\u00c9glise et la science: <\/em>histoire d\u2019un malentendu. \u00a0v. II: De Galil\u00e9e a Jean-Paul II. Paris: Fayard, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MINOIS, G. L\u2019\u00c9glise et la science: histoire d\u2019un malentendu. <em>Fetes et Saisons<\/em>, n. 463, p.2-33. 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NUMBERS, R. (org.). <em>Galileu na pris\u00e3o<\/em>: e outros mitos sobre ci\u00eancia e religi\u00e3o. Lisboa: Gradiva, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PIO XII. <em>Divino Afflante Spiritu<\/em>. Roma, 1943. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-xii_enc_30091943_divino-afflante-spiritu.html . Acesso em: 2 set 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PIO XII. <em>Humani generis<\/em>. Roma, 1950. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-xii_enc_12081950_humani-generis.html\">https:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-xii_enc_12081950_humani-generis.html<\/a>. Acesso em: 1 set 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PONTIF\u00cdCIA COMISS\u00c3O B\u00cdBLICA (PCB). <em>A interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia na Igreja<\/em>. Roma, 1993. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/pcb_documents\/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html\"><span style=\"color: #000000;\">https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/pcb_documents\/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html<\/span><\/a><span style=\"color: #000000;\">. Acesso em: 22 jan 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REALE, G.; ANTISERI, D. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia<\/em>. v. II. S\u00e3o Paulo, Paulinas, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para aprofundar mais:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">ARNOULD, J. <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.livrariacultura.com.br\/scripts\/cultura\/resenha\/resenha.asp?nitem=249740&amp;sid=93822921011928390636131418&amp;k5=22CE5E4B&amp;uid=\"><em>Darwin, Teilhard de Chardin e Cia<\/em>. <\/a>S\u00e3o Paulo: Paulus, 1999.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONCILIUM (Revista Internacional de Teologia). <em>Evolu\u00e7\u00e3o e F\u00e9<\/em>, n. 284, 2000\/1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MALDAM\u00c9, J.-M. <em>O pecado original<\/em>: f\u00e9 crist\u00e3, mito e metaf\u00edsica. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PETERS, T; BENNETT, G. (org.). <em>Construindo pontes entre a ci\u00eancia e a religi\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola\/Unesp, 2003<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VAZ, H. <em>Universo cient\u00edfico e vis\u00e3o crist\u00e3 em Teilhard de Chardin<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1967.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NUMBERS, R. (org.). <em>Galileu na pris\u00e3o<\/em>: e outros mitos sobre ci\u00eancia e religi\u00e3o. Lisboa: Gradiva, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PIO XII. <em>Divino Afflante Spiritu<\/em>. Roma, 1943. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-xii_enc_30091943_divino-afflante-spiritu.html . Acesso em: 2 set 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PIO XII. <em>Humani generis<\/em>. Roma, 1950. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-xii_enc_12081950_humani-generis.html\">https:\/\/www.vatican.va\/content\/pius-xii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-xii_enc_12081950_humani-generis.html<\/a>. Acesso em: 1 set 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PONTIF\u00cdCIA COMISS\u00c3O B\u00cdBLICA (PCB). <em>A interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia na Igreja<\/em>. Roma, 1993. Dispo<span style=\"color: #000000;\">n\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/pcb_documents\/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html\">https:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/congregations\/cfaith\/pcb_documents\/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html<\/a>. Acesso em: 22 jan 2022.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REALE, G.; ANTISERI, D. <em>Hist\u00f3ria da Filosofia<\/em>. v. II. S\u00e3o Paulo, Paulinas, 1990.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Dos prim\u00f3rdios \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica 2 A revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e a Igreja 3 Quest\u00f5es contempor\u00e2neas Conclus\u00e3o Refer\u00eancias Introdu\u00e7\u00e3o A f\u00e9 crist\u00e3, cujo livro sagrado \u00e9 a B\u00edblia, e a ci\u00eancia convivem no Ocidente h\u00e1 20 s\u00e9culos. 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