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{"id":263,"date":"2014-12-28T19:00:00","date_gmt":"2014-12-28T21:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=263"},"modified":"2017-06-08T16:44:24","modified_gmt":"2017-06-08T19:44:24","slug":"especificidade-da-historia-do-cristianismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=263","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria do cristianismo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Temas, processos e per\u00edodos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Um sadio relativismo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do cristianismo \u00e9 diferente da eclesiologia, que \u00e9 a reflex\u00e3o teol\u00f3gica sobre a Igreja. Curiosamente, esta hist\u00f3ria \u00e9 um campo do saber comum a crentes e n\u00e3o crentes. Os crentes podem produzir historiografia do cristianismo, desde que tenham rigor no m\u00e9todo e n\u00e3o se deixem levar por impulsos apolog\u00e9ticos acr\u00edticos. Os n\u00e3o crentes tamb\u00e9m a podem produzir, desde tenham cultura religiosa necess\u00e1ria para entender esta cren\u00e7a, afinidade com seus temas e o mesmo rigor metodol\u00f3gico. Os crentes podem ficar perplexos diante de certas realidades do passado, quando s\u00e3o conhecidas com mais profundidade. Mas se eles acolherem a pr\u00f3pria perplexidade, podem superar ingenuidades e alcan\u00e7ar uma f\u00e9 mais amadurecida. Os n\u00e3o crentes, por sua vez, podem ir al\u00e9m de um agnosticismo do senso comum, que n\u00e3o raramente se baseia em simplifica\u00e7\u00f5es do passado. Ambos podem ampliar horizontes, crescendo no conhecimento e na sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 no desenrolar da hist\u00f3ria que pessoas e coletividades, incluindo os crist\u00e3os e suas institui\u00e7\u00f5es, tornaram-se o que s\u00e3o atualmente. Por isso, muito se pode aprender com ela. Por\u00e9m, hoje n\u00e3o se considera rigorosamente a hist\u00f3ria como mestra, pois ela n\u00e3o tem um sentido un\u00edvoco como uma professora ensinando li\u00e7\u00f5es em sala de aula. H\u00e1 muitas perspectivas poss\u00edveis, que podem ser igualmente v\u00e1lidas. Toda hist\u00f3ria sempre nasce das perguntas formuladas no presente a respeito do passado. Sem interroga\u00e7\u00f5es n\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3ria. Os seus diversos campos est\u00e3o intimamente conectados. Por isso, a hist\u00f3ria do cristianismo est\u00e1 ligada \u00e0 hist\u00f3ria social, cultural e das mentalidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Temas, processos e per\u00edodos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do s\u00e9culo XX, a escrita da hist\u00f3ria viveu mudan\u00e7as em seus temas e interesses. Ela j\u00e1 se voltou para grandes eventos, biografias de personalidades ilustres e cr\u00f4nica pol\u00edtica, com o foco em sujeitos e acontecimentos que atra\u00edam muito a aten\u00e7\u00e3o. Depois, ela se voltou para as estruturas da vida cotidiana, como sociedades, pessoas comuns, economias, vida material e mentalidades. Temas como alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, moradia, transporte, vida privada, mulheres, inf\u00e2ncia, medo, seguran\u00e7a e esperan\u00e7a passaram a ser de interesse da hist\u00f3ria. Esta mudan\u00e7a de foco tamb\u00e9m afeta a hist\u00f3ria do cristianismo. Ela j\u00e1 se voltou muito para a institui\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, conc\u00edlios ecum\u00eanicos, documentos papais, cria\u00e7\u00e3o de bispados e hagiografias (vidas de santos). Contribuiu para isso a autocompreens\u00e3o da Igreja como sociedade perfeita, uma sociedade em que n\u00e3o falta qualquer elemento para ser completa. O componente institucional prevaleceu. Mas com o Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965), que definiu a Igreja como povo de Deus, passaram a ter mais \u00eanfase o laicato e o cristianismo vivido. Temas como religiosidade popular, associa\u00e7\u00f5es leigas e recep\u00e7\u00e3o dos conc\u00edlios nas igrejas locais ganharam import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os processos de perman\u00eancias e mudan\u00e7as em sociedades e civiliza\u00e7\u00f5es, amplamente pesquisados pelo historiador Fernand Braudel, tamb\u00e9m se aplicam ao cristianismo. Ele desenvolveu o conceito de \u201clonga dura\u00e7\u00e3o\u201d. No centro da realidade social, h\u00e1 uma oposi\u00e7\u00e3o viva, \u00edntima, repetida incessantemente entre o que muda e o que insiste em permanecer, uma dial\u00e9tica da dura\u00e7\u00e3o (BRAUDEL, 1992a, p.41-78). Nos movimentos que afetam a massa da hist\u00f3ria atual h\u00e1 uma fant\u00e1stica heran\u00e7a do passado. O passado lambuza o tempo presente. Toda sociedade \u00e9 atingida pelas \u00e1guas do passado. Este movimento n\u00e3o \u00e9 uma for\u00e7a consciente, \u00e9, de certa forma inumana, o inconsciente da hist\u00f3ria. O passado, sobretudo o passado antigo, invade o presente e de certo modo toma nossa vida. O presente \u00e9, em grande parte, a presa de um passado que teima em sobreviver; e o passado, por suas regras, diferen\u00e7as e semelhan\u00e7as, \u00e9 a chave indispens\u00e1vel para qualquer compreens\u00e3o s\u00e9ria do tempo presente. Em geral, n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7as sociais r\u00e1pidas. As pr\u00f3prias revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o rupturas totais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma revolu\u00e7\u00e3o t\u00e3o profunda quanto a Francesa est\u00e1 longe de ter mudado tudo de um dia para o outro. A mudan\u00e7a sempre comp\u00f5e com a n\u00e3o mudan\u00e7a. Assim como as \u00e1guas de um rio condenado a correr entre duas margens, passando por ilhas, bancos de areia e obst\u00e1culos; a mudan\u00e7a \u00e9 surpreendida numa cilada. Se ela consegue suprimir uma parte consider\u00e1vel do passado, \u00e9 necess\u00e1rio que essa parte n\u00e3o tenha uma resist\u00eancia forte demais, e que j\u00e1 esteja desgastada por si mesma. A mudan\u00e7a adere \u00e0 n\u00e3o mudan\u00e7a, segue suas fragilidades e utiliza suas linhas de menor resist\u00eancia. Ao lado de querelas e conflitos, h\u00e1 compromissos, coexist\u00eancias e ajustes. Em frequentes divis\u00f5es entre o a favor e o contra, h\u00e1, de um lado, o que se move; do outro, o que teima em ficar no mesmo lugar (BRAUDEL, 1992b, p.356-7). No cristianismo, as perman\u00eancias e mudan\u00e7as est\u00e3o sempre presentes e interagindo mutuamente, ora se opondo, ora se articulando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na periodiza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do cristianismo, pode-se adotar a divis\u00e3o em quatro unidades de Hubert Jedin sobre a hist\u00f3ria da Igreja:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 o cristianismo na esfera cultural helen\u00edstico-romana (s\u00e9culo I a VII);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u2013 o cristianismo como fundamento dos povos crist\u00e3os ocidentais (cerca de 700 a 1300);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 \u2013 a dissolu\u00e7\u00e3o do mundo crist\u00e3o ocidental e a passagem para a miss\u00e3o do mundo (1300 a 1750);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 \u2013 o cristianismo na era industrial (s\u00e9culos 19 e 20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra periodiza\u00e7\u00e3o semelhante \u00e9 a de Marcel Chappin:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u2013 at\u00e9 400: um cristianismo distante do mundo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u2013 Entre 400 e 1800: cristianismo quase plenamente identificado com o mundo; onde se pode subdividir:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) 400-1000: imperadores e reis dominam;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) 1000-1500: o clero domina;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) 1500-1800: o Estado absoluto domina;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 \u2013 1800-1960: certo isolamento diante do mundo que hostiliza a Igreja, com o sonho de retorno \u00e0 situa\u00e7\u00e3o anterior;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 \u2013 Do Vaticano II em diante: inser\u00e7\u00e3o no mundo como inst\u00e2ncia cr\u00edtica (CHAPPIN, 1990, p.127-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Um sadio relativismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O olhar retrospectivo da hist\u00f3ria mostra as diferentes compreens\u00f5es de um mesmo conceito ao longo do tempo. A santidade, por exemplo, que \u00e9 a fidelidade a Deus no cumprimento da Sua Palavra, foi entendida no antigo Israel como a estrita observ\u00e2ncia da Lei de Mois\u00e9s, incluindo a absten\u00e7\u00e3o de carne de animais, r\u00e9pteis e aves considerados impuros (Lev 20,25-26). J\u00e1 no Novo Testamento, a santidade \u00e9 a vida em Cristo, acess\u00edvel aos pag\u00e3os convertidos, prescindindo daquela Lei. Na Idade M\u00e9dia, S\u00e3o Lu\u00eds, rei da Fran\u00e7a, lan\u00e7ou-se nas cruzadas contra os mouros, onde veio a falecer. Santo In\u00e1cio de Loyola, no s\u00e9culo 16, foi um feroz opositor da Reforma Protestante, urgindo os governantes a aplicarem todas as leis existentes contra as heresias, incluindo a pena de morte l\u00e1 onde houvesse (LOYOLA, 1963, p. 877-84). O papa Jo\u00e3o XXIII, recentemente canonizado, afirmou a \u201calt\u00edssima relev\u00e2ncia\u201d da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, feita pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas em 1948, contendo a liberdade de consci\u00eancia e a liberdade religiosa, (JO\u00c3O XXIII, 1963, n.141-144). Este papa contrariou o ensinamento de muitos de seus predecessores. Em tudo isto, fica claro que o genu\u00edno esp\u00edrito do Evangelho \u00e9 compreendido diferentemente em cada \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ci\u00eancia hist\u00f3rica permite superar o senso comum a respeito das cruzadas, da coloniza\u00e7\u00e3o, da inquisi\u00e7\u00e3o e das guerras religiosas. O devido enquadramento das leis, das sociedades e das mentalidades em suas respectivas \u00e9pocas evita o anacronismo perverso, o patrulhamento ideol\u00f3gico do passado e o linchamento moral dos indiv\u00edduos. Para a teologia, a hist\u00f3ria \u00e9 um \u201clugar teol\u00f3gico\u201d, uma fonte de conhecimento neste campo do saber. Segundo Yves Congar, a hist\u00f3ria abre o caminho para um \u201csadio relativismo\u201d. Esse \u00e9 algo bem diferente do ceticismo; \u00e9 a devida percep\u00e7\u00e3o da relatividade do que \u00e9 efetivamente relativo, de modo a qualificar como absoluto somente aquilo que verdadeiramente o \u00e9. Gra\u00e7as \u00e0 hist\u00f3ria, pode-se compreender a exata propor\u00e7\u00e3o das coisas, evitando-se considerar como <em>a Tradi\u00e7\u00e3o<\/em> o que data de anteontem, e que mudou mais de uma vez no decorrer dos tempos. Pode-se enfrentar o drama de muitas inquieta\u00e7\u00f5es trazidas pelo surgimento de ideias e formas novas. Com a hist\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel situar-se melhor no presente, com uma consci\u00eancia mais l\u00facida do que se desenrola realmente, e do significado das tens\u00f5es que se vive (CONGAR, 1970, p.886-94).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica do nome de Deus, Jav\u00e9 (Ex 3,14), significa \u201ceu estarei a\u00ed convosco\u201d. Deus \u00e9 o Deus vivo, que se manifesta em suas obras, na hist\u00f3ria que s\u00f3 se encerrar\u00e1 no fim. Cristo n\u00e3o \u00e9 somente o Alfa, \u00e9 tamb\u00e9m o \u00d4mega (Ap 1,8). A sua verdade ainda est\u00e1 por se realizar. H\u00e1 algo n\u00e3o expresso, n\u00e3o dito, de sua Palavra que para ser dito requer a variedade da hist\u00f3ria e dos povos, variedade esta ainda n\u00e3o adquirida. A Palavra divina, em gestos ou expressa, comporta um aprofundamento ilimitado. Ela \u00e9 proposta aos seres humanos na diversidade dos tempos e lugares, das experi\u00eancias, dos problemas e das culturas. A hist\u00f3ria humana, com sua novidade e seu in\u00e9dito permanente, de um lado, reclama sempre uma resposta a quest\u00f5es ainda desconhecidas e, de outro lado, contribui com meios de express\u00e3o que ainda n\u00e3o existiam (CONGAR, <em>ibidem<\/em> dec 8, 2014). A plenitude de Cristo se manifesta no desenrolar da hist\u00f3ria e exige a hist\u00f3ria para se manifestar. Da\u00ed a import\u00e2ncia de se reconhecer os \u201csinais dos tempos\u201d, como ensina o Conc\u00edlio Vaticano II (<em>Gaudium et Spes<\/em>, 1965, n.44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia de s\u00e9culos passados, os progressos cient\u00edficos, as riquezas culturais de diversos povos, que manifestam a condi\u00e7\u00e3o humana e abrem novos caminhos para a verdade, tamb\u00e9m beneficiam a Igreja. Desde o in\u00edcio de sua hist\u00f3ria, a Igreja formula a mensagem de Cristo por meio dos conceitos e das l\u00ednguas dos povos, recorrendo inclusive ao saber filos\u00f3fico, com a finalidade de adaptar o Evangelho \u00e0 capacidade de compreens\u00e3o das gentes e \u00e0s exig\u00eancias dos s\u00e1bios. Tal maneira adaptada de propagar a mensagem crist\u00e3, afirma o Conc\u00edlio, deve ser a lei de toda a evangeliza\u00e7\u00e3o. Deste modo, em cada na\u00e7\u00e3o surge a possibilidade de exprimir esta mensagem em sua maneira pr\u00f3pria, fomentando-se um interc\u00e2mbio intenso entre a Igreja e as diversas culturas dos povos. Para este interc\u00e2mbio, que se faz ao longo da hist\u00f3ria, a Igreja necessita de pessoas inseridas no mundo que conhe\u00e7am bem o esp\u00edrito e o conte\u00fado das v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es e saberes, sejam elas crentes ou n\u00e3o (<em>GS n.44<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povo crist\u00e3o, especialmente os seus pastores e te\u00f3logos, \u00e9 exortado a ouvir, discernir e interpretar as v\u00e1rias linguagens e express\u00f5es dos tempos atuais, e a julg\u00e1-las \u00e0 luz da palavra de Deus, com a ajuda do Esp\u00edrito Santo, a fim de que a Revela\u00e7\u00e3o divina possa ser cada vez mais intimamente percebida, melhor compreendida e apresentada de um modo conveniente. Como a Igreja tem uma estrutura social vis\u00edvel, tamb\u00e9m pode ser enriquecida com a evolu\u00e7\u00e3o da vida social na hist\u00f3ria. Todos os que promovem o bem da comunidade humana em diversos \u00e2mbitos tamb\u00e9m ajudam a comunidade eclesial, na medida em que esta depende das realidades exteriores. Em tudo isto, reconhece o Conc\u00edlio, h\u00e1 uma ajuda que a Igreja recebe do mundo. Al\u00e9m disso, ela muito se beneficiou, e pode se beneficiar, com a oposi\u00e7\u00e3o de seus advers\u00e1rios e perseguidores (<em>GS n.44<\/em>). Esta rica intera\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o mundo, no decorrer do tempo, \u00e9 um vasto campo de pesquisa e estudo para o historiador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sadio relativismo de Congar tamb\u00e9m diz respeito \u00e0 mutabilidade das formula\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias. Para ele, a \u00fanica maneira de dizer a mesma coisa em um contexto que mudou \u00e9 diz\u00ea-la de modo diferente (CONGAR, 1984, p.6). Esta mesma ideia \u00e9 expressa pelo papa Jo\u00e3o XXIII, que abriu o Conc\u00edlio propondo que o ensinamento da Igreja fosse aprofundado e exposto de forma a responder \u00e0s exig\u00eancias dos tempos atuais. Uma coisa s\u00e3o as verdades contidas na doutrina, e outra \u00e9 a formula\u00e7\u00e3o com que s\u00e3o enunciadas, conservando-lhes o mesmo sentido e alcance. Dever-se-ia atribuir muita import\u00e2ncia a esta forma e insistir com paci\u00eancia na sua elabora\u00e7\u00e3o (JO\u00c3O XXIII, 1962). O dogma e a hist\u00f3ria sempre est\u00e3o intimamente ligados. A formula\u00e7\u00e3o do dogma, a preserva\u00e7\u00e3o e o aprofundamento do seu sentido e as novas formas de sua enuncia\u00e7\u00e3o dependem da hist\u00f3ria e seus contextos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0s pessoas envolvidas nos dramas e conflitos hist\u00f3ricos, conv\u00e9m a reflex\u00e3o do cardeal Carlo M. Martini a respeito do ju\u00edzo divino. Ele afirma que h\u00e1 um \u201crelativismo crist\u00e3o\u201d, que \u00e9 entender todas as coisas em rela\u00e7\u00e3o ao momento em que a hist\u00f3ria ser\u00e1 abertamente julgada. Ent\u00e3o as obras dos homens aparecer\u00e3o com seu verdadeiro valor. O Senhor ser\u00e1 o juiz dos cora\u00e7\u00f5es, e cada um receber\u00e1 dele o seu devido louvor. N\u00e3o se estar\u00e1 mais sob aplausos e vaias, aprova\u00e7\u00e3o ou desaprova\u00e7\u00e3o de outros. Ser\u00e1 o Senhor a dar o crit\u00e9rio \u00faltimo e definitivo da realidade deste mundo. Cumprir-se-\u00e1 o julgamento da hist\u00f3ria e se ver\u00e1 quem tinha raz\u00e3o. Muitas coisas se esclarecer\u00e3o, iluminar\u00e3o e se pacificar\u00e3o, tamb\u00e9m para aqueles que ainda sofrem neste mundo, envolvidos na obscuridade, ainda sem compreender o sentido do que lhes acontece. \u00c9 a partir do momento culminante em que a hist\u00f3ria ser\u00e1 julgada por Deus, que o ser humano \u00e9 convidado a interpretar a sua pequena hist\u00f3ria de cada dia. A hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 um processo infinito envolto em si mesmo, sem sentido e desembocando no nada. \u00c9 algo que Deus mesmo reunir\u00e1, julgar\u00e1 e pesar\u00e1 com a balan\u00e7a do seu amor e da sua miseric\u00f3rdia, mas tamb\u00e9m de sua justi\u00e7a (MARTINI, 2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas considera\u00e7\u00f5es de Martini encontram apoio na exorta\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo Paulo: n\u00e3o julgar antes do tempo, mas esperar que venha o Senhor, pois ele vai p\u00f4r \u00e0s claras tudo o que se esconde nas trevas e vai manifestar as inten\u00e7\u00f5es dos cora\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, cada um h\u00e1 de receber de Deus o louvor que lhe corresponde (1 Cor 4,5). Com este relativismo crist\u00e3o, pode-se olhar com mais serenidade para os complexos acontecimentos do passado e suas imbrica\u00e7\u00f5es, sem o af\u00e3 de apontar quem tinha raz\u00e3o e quem n\u00e3o tinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste modo, Martini enuncia com outro nome o sadio relativismo, enfatizando a plena manifesta\u00e7\u00e3o do absoluto no fim da hist\u00f3ria. A devida percep\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o \u00e9 absoluto ou intoc\u00e1vel, \u00e9 uma tarefa necess\u00e1ria aos que desejam mostrar a permanente atualidade do mist\u00e9rio crist\u00e3o, e torn\u00e1-lo cr\u00edvel na sociedade secularizada atual. O sadio relativismo \u00e9 inevit\u00e1vel ao se admitir que a Igreja muito se beneficiou, e pode se beneficiar,\u00a0 com a oposi\u00e7\u00e3o de seus advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Lu\u00eds Corr\u00eaa Lima, SJ,<\/em> PUC-Rio, Brasil. Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a03 <\/strong><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRAUDEL, Fernand. <em>Escritos sobre a hist\u00f3ria<\/em><strong>.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Reflex\u00f5es sobre a hist\u00f3ria<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHAPPIN, Marcel. <em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria da Igreja<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO VATICANO II, <em>Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral Gaudium et spes sobre a Igreja no mundo actual<\/em>. Roma, 1965. Dispon\u00edvel em: &lt;www.vatican.va&gt;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONGAR, Yves-Marie. A hist\u00f3ria da Igreja, \u201clugar teol\u00f3gico\u201d. <em>Concilium<\/em>: revista internacional de teologia, 1970, n.7, p. 886-94.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>La tradition et la vie de l\u2019\u00c9glise<\/em>. Paris: Cerf, 1984.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANZEN, August. <em>Breve hist\u00f3ria da Igreja<\/em>. Lisboa: Presen\u00e7a, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JO\u00c3O XXIII. <em>Discurso de sua santidade papa Jo\u00e3o XXIII na abertura solene do SS. Conc\u00edlio<\/em>. Roma, 1962. Dispon\u00edvel em: &lt;www.vatican.va&gt;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Carta enc\u00edclica Pacem in terris<\/em>. Roma, 1963, n.141-144. Dispon\u00edvel em: &lt;www.vatican.va&gt;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, Lu\u00eds Corr\u00eaa. The historian between faith and relativism. In: Ignacio Silva. (Org.). <em>Latin american perspectives on science and religion<\/em>. Londres: Pickering &amp; Chatto, 2014. p.43-55.<\/p>\n<p>LOYOLA, San Ignacio de. Al P. Pedro Canisio (Roma, 13 ago. 1554). In: <em>Obras<\/em> <em>completas de San Ignacio de Loyola<\/em>. Madri: Biblioteca de Autores Cristianos, 1963. p.877-84.<\/p>\n<p>ROGIER, L. J.; AUBERT, R.; KNOWLES, M. D. (org.). <em>Nova hist\u00f3ria da Igreja. <\/em>v.1 e 2. Petr\u00f3polis: Vozes, 1973-1976.<\/p>\n<p>BELLITTO, Christopher M. <em>Hist\u00f3ria dos 21 Conc\u00edlios da Igreja<\/em>: de Niceia ao Vaticano II. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2010.<\/p>\n<p>FR\u00d6HLICH, Roland. <em>Curso b\u00e1sico de hist\u00f3ria da Igreja<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1987.<\/p>\n<p>LINDBERG, Carter. <em>Uma breve hist\u00f3ria do cristianismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2008.<\/p>\n<p>MARTINI, Carlo Maria. <em>Omelia del cardinale Carlo Maria Martini per il XXV anniversario di episcopato<\/em>. Mil\u00e3o, 8 maio 2005. Dispon\u00edvel em: &lt;www.chiesadimilano.it&gt;.<\/p>\n<p>REMOND, Ren\u00e9 (org.). <em>As grandes descobertas do cristianismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2005.<\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong>:<\/p>\n<p>COMBY, J. <em>Para ler a hist\u00f3ria da Igreja<\/em>. v.I e II. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1996.<\/p>\n<p>LENZENWEGER, J.; STOCKMEIER, P.; AMON, K.; ZINNHOBLER, R. <em>Hist\u00f3ria da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2006.<\/p>\n<p>POTEST\u00c0, G. L.; VIAN, G. <em>Hist\u00f3ria do cristianismo.<\/em> S\u00e3o Paulo: Loyola, 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Temas, processos e per\u00edodos 2 Um sadio relativismo 3 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas A hist\u00f3ria do cristianismo \u00e9 diferente da eclesiologia, que \u00e9 a reflex\u00e3o teol\u00f3gica sobre a Igreja. Curiosamente, esta hist\u00f3ria \u00e9 um campo do saber comum a crentes e n\u00e3o crentes. 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