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{"id":2582,"date":"2021-12-30T16:51:44","date_gmt":"2021-12-30T19:51:44","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2582"},"modified":"2022-02-10T04:54:58","modified_gmt":"2022-02-10T07:54:58","slug":"mistica-laica-e-secular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2582","title":{"rendered":"M\u00edstica laica e secular"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Tens\u00e3o entre m\u00edstica e modernidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Princ\u00edpios da seculariza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Literatura e cultura moderna<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Etapas da seculariza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Tens\u00e3o entre m\u00edstica e modernidade<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe-se que existe uma m\u00edstica crist\u00e3. Seus grandes frutos est\u00e3o localizados especialmente entre os s\u00e9culos XI e XVII, isto \u00e9, o que corresponde aos per\u00edodos da historiografia de l\u00edngua inglesa da <em>High Middle Ages<\/em> (XI ao XIII) e <em>Late Middle Ages<\/em> (XIII ao XV), acrescentando Renascimento e Barroco, mas \u00e9 claro que tem suas funda\u00e7\u00f5es na Antiguidade, seu desenvolvimento na primeira m\u00edstica medieval (V ao XI) e o \u00e1pice no monasticismo do s\u00e9culo XII, como periodiza Bernard Mcginn (1996, p. ix-xvi). \u00c9 poss\u00edvel discordar \u00e0 vontade de periodiza\u00e7\u00f5es como essa e da pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de m\u00edstica. H\u00e1 quem justifique o uso do termo, h\u00e1 quem implique com ele. Houve uma pol\u00eamica alem\u00e3 nos anos 1980 na qual Kurt Flash nega que Eckhart seja m\u00edstico (FLASCH, 1988, p. 94-110) e Alois Haas considera tal caracteriza\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel (ver o artigo de Haas, \u201cWas ist Mystik?\u201d, em RUH, 1986, p. 319-342, e a discuss\u00e3o em seguida em RUH, 1986, p. 342-346). Alain de Libera concorda com Flasch (LIBERA, 1999, p. 278, 288-290), mas a maior parte dos especialistas, como Bernard Mcginn, n\u00e3o viram sentido na provoca\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 levou a uma renova\u00e7\u00e3o dos estudos e problematiza\u00e7\u00f5es em torno do conceito (MCGINN, 2005, p. 108, 527). Por tr\u00e1s dessa pol\u00eamica, h\u00e1 uma clara tentativa de historiadores da filosofia medieval (\u00e9 o caso de Flasch e Libera) de legitimar a autoralidade de Eckhart como fil\u00f3sofo (ou te\u00f3logo-fil\u00f3sofo) negando-o enquanto m\u00edstico, como se n\u00e3o fosse poss\u00edvel existir as duas coisas num mesmo autor, numa mesma obra, num mesmo pensamento. No fundo, a briga secular das faculdades de filosofia e teologia encontrou mais um epis\u00f3dio nessa querela em torno da heran\u00e7a do pensador renano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se mesmo a um dos autores centrais da m\u00edstica crist\u00e3 medieval \u00e9 negado, por alguns, o pertencimento nesse espa\u00e7o contradit\u00f3rio do saber, o que se dir\u00e1, ent\u00e3o, da vaga hip\u00f3tese da exist\u00eancia de uma m\u00edstica na modernidade? A controv\u00e9rsia em torno desse termo t\u00e3o amado e odiado n\u00e3o \u00e9 nova: ela come\u00e7a no surgimento de sua substantiva\u00e7\u00e3o, no s\u00e9culo XVII. Ele j\u00e1 servia para demarcar o lugar de uma espiritualidade artificialmente separada de outras \u00e1reas da teologia, isto \u00e9, convinha ao isolamento e ao distanciamento da experi\u00eancia religiosa (CERTEAU, 2015, p. 168-170). \u00c0 medida que a modernidade foi se desenrolando, chamar algo de m\u00edstico se tornou sin\u00f4nimo de antigo, medieval, extremamente devoto. No momento do surgimento dos textos de relatos de vis\u00f5es, experi\u00eancias inef\u00e1veis e tratados de condu\u00e7\u00e3o da alma, a m\u00edstica era vista como algo estranho, extravagante, diferente e suspeito. Passou-se o tempo e o termo adquire, para progressistas que desgostam dele, sinal de velharia, conservadorismo, arca\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse ponto que identificamos as curiosas peculiaridades do conceito, que est\u00e3o diretamente ligadas ao destino da pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de \u201cOcidente\u201d: um dos maiores te\u00f3ricos da poesia do s\u00e9culo XVII, Nicolas Boileau (1636-1711), afirma: \u201cOs m\u00edsticos s\u00e3o modernos; n\u00e3o se via deles na Antiguidade\u201d (LESCURE, 1863, p. 23; CERTEAU, 2015, p. 173), o que significa, para o ju\u00edzo de valor dele, algo como desenraizados, perdidos, desprez\u00edveis. Naquele momento, chamar algu\u00e9m de moderno era, para uma maioria de conservadores, sin\u00f4nimo de xingamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem-se dois tra\u00e7os bem curiosos da hist\u00f3ria do termo: primeiro, aqueles que foram caracterizados como m\u00edsticos foram, em seu tempo, vistos como demasiadamente ousados, estranhos, idiossincr\u00e1ticos (s\u00e9culo XII ao XVI); depois, o aparecimento do voc\u00e1bulo foi ligado \u00e0 primeira caracteriza\u00e7\u00e3o de temperamentos <em>modernos<\/em>. \u00c9 preciso insistir que sua substantiva\u00e7\u00e3o, significando n\u00e3o s\u00f3 indiv\u00edduos contemplativos, santos, mas personalidades apaixonadas que buscam o contato direto com Deus, \u00e9 moderna? Logo, tanto o objeto quanto a origem do termo s\u00e3o vistos, pelo menos at\u00e9 o s\u00e9culo XVIII, como modernos. O gosto pelos m\u00edsticos como pertencentes a uma nost\u00e1lgica Idade M\u00e9dia \u00e9 inven\u00e7\u00e3o do romantismo e o desgosto por eles como algo supersticioso e ultrapassado \u00e9 introduzido pelo racionalismo e iluminismo e consagrado pelo positivismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O adjetivo, desde o s\u00e9culo XVI, granjeia uma tens\u00e3o entre o querer saber e o querer esconder e mobiliza \u201cuma er\u00f3tica no campo do conhecimento\u201d (CERTEAU, 2015, p. 150-151), segundo Certeau: ele se prestava a significar o lado oculto e espiritual de algo (CERTEAU, 2015, p. 148-165). Denotava j\u00e1 um valor sobrenatural para qualquer coisa. Por causa desse sentido, foi desde o in\u00edcio exagerado por uns e ridicularizado por outros. Ao longo da modernidade, a dupla conviv\u00eancia da atra\u00e7\u00e3o e do descr\u00e9dito s\u00f3 aumentou. Os defensores do valor existencial da experi\u00eancia colidiam com o aborrecimento da complei\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica e realista ou com os psic\u00f3logos positivistas que patologizavam a experi\u00eancia m\u00edstica de mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caracteriza\u00e7\u00e3o do \u201cOcidente\u201d como o lugar de desenvolvimento da racionalidade cient\u00edfica e econ\u00f4mica, como execu\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio t\u00e9cnico da natureza, colocou a \u201cm\u00edstica\u201d no espa\u00e7o contr\u00e1rio de todo \u00eaxito objetivo, logo, como antiocidental. Quem se inquieta com a m\u00edstica n\u00e3o v\u00ea nela sen\u00e3o um traste, um inc\u00f4modo; quem \u00e9 atra\u00eddo por ela encontra em seu ninho de fantasia e entusiasmo um ref\u00fagio acalentador. Da\u00ed as frequentes aproxima\u00e7\u00f5es dela com a poesia. Octavio Paz (1982) afirma: \u201cconstruiu-se o edif\u00edcio das \u2018ideias claras e distintas\u2019 que, se tornou poss\u00edvel a hist\u00f3ria do Ocidente, tamb\u00e9m condenou a uma esp\u00e9cie de ilegalidade todas as tentativas de apreender o ser por caminhos que n\u00e3o fossem os desses princ\u00edpios\u201d. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma validade naquilo que n\u00e3o \u00e9 leg\u00edvel, consequente e \u00fatil. O que ocorre com as pr\u00e1ticas que n\u00e3o se enquadram nesse modelo cartesiano? \u201cM\u00edstica e poesia viveram assim uma vida subsidi\u00e1ria, clandestina e diminu\u00edda\u201d (PAZ, 1982, p. 123). N\u00e3o s\u00e3o poucos os cr\u00edticos que caracterizam a poesia ou mais especificamente a l\u00edrica como uma esp\u00e9cie de contempla\u00e7\u00e3o natural (STAIGER, 1975, p. 60-61). Ainda assim, a irrita\u00e7\u00e3o positivista contra os m\u00edsticos n\u00e3o deixou de influenciar boa parte da pr\u00f3pria cr\u00edtica liter\u00e1ria. Autores que est\u00e3o demasiadamente pr\u00f3ximos de caracter\u00edsticas detectadas como m\u00edsticas tendem a ser vistos como antiquados, atrasados, defasados, devotos e mesmo obedientes a dogmas, logo, menores, pois o que qualifica, por excel\u00eancia, um escritor moderno \u00e9 a ruptura com a autoridade e a ousadia formal (que tende a se confundir com a ousadia comportamental). Contudo, deve-se recordar que, no seu surgimento, o m\u00edstico fora notado como estranho, extravagante e mesmo moderno. Se examinassem a hist\u00f3ria do termo e das obras \u00e0s quais ele se refere, encontrariam nos m\u00edsticos exatamente o que procuram: ousadia formal e comportamental, a maior prova \u00e9 que inovaram a escrita liter\u00e1ria de sua \u00e9poca com novos modos de dizer. Tais cr\u00edticos n\u00e3o se d\u00e3o conta da ignor\u00e2ncia que conservam dessa hist\u00f3ria e de como s\u00e3o v\u00edtimas de um t\u00edpico senso comum acad\u00eamico, estabelecido pelo positivismo, que tem sido repetido e reproduzido at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, verifica-se uma tens\u00e3o permanente na modernidade com o conceito de m\u00edstica. H\u00e1 uma moderniza\u00e7\u00e3o triunfante, burguesa, ocidental, e h\u00e1 uma modernidade cr\u00edtica, antiburguesa, intelectual e liter\u00e1ria que \u00e0s vezes adota o termo afirmativamente para defender seu potencial cr\u00edtico contra a racionalidade, \u00e0s vezes n\u00e3o encontra nele sen\u00e3o dogmatismo, supersti\u00e7\u00e3o e crendice. Inclusive, a maior parte dos usu\u00e1rios da palavra n\u00e3o conhecem nem sua teoria, nem sua cr\u00edtica, nem sua hist\u00f3ria, muito menos os autores e as obras dessa hist\u00f3ria, pois, de fato, por um lado, a m\u00edstica n\u00e3o se reduz aos seus grandes escritores e pensadores (assim como a poesia n\u00e3o se reduz \u00e0 obra dos maiores poetas), mas n\u00e3o conhecer nada de nenhum deles \u2013 de Teresa de \u00c1vila, Jo\u00e3o da Cruz e Silesius \u2013 \u00e9 desconsiderar n\u00e3o s\u00f3 as melhores express\u00f5es do fen\u00f4meno, como qualquer express\u00e3o qualitativa dele. Aquele que fala de filosofia sem ter lido um fil\u00f3sofo, ou de poesia sem ter lido um poeta, por exemplo, geralmente ser\u00e1 motivo de zombaria nos espa\u00e7os profissionais do conhecimento, no entanto, n\u00e3o \u00e9 o caso quando o objeto em quest\u00e3o \u00e9 a m\u00edstica: a melhor prova de compet\u00eancia no assunto \u00e9 desdenhar dele. Portanto, h\u00e1 um descompasso entre o fen\u00f4meno e suas express\u00f5es, entre o vago conhecimento do conceito e os sistemas filos\u00f3ficos, teol\u00f3gicos e espirituais que deram forma a ele ao longo da hist\u00f3ria. J\u00e1 que a m\u00edstica n\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea do saber como a filosofia e a teologia, ningu\u00e9m tem a obriga\u00e7\u00e3o e poucos manifestam interesse em tomar conhecimento de algo de suas diferentes express\u00f5es ou de se demorar um bocado nas armadilhas conceituais de sua problem\u00e1tica, isto \u00e9, de se precaver um pouco em tomar conhecimento da sua <em>teoria <\/em>(interdisciplinar por natureza), que existe faz tempo e cuja bibliografia \u00e9 numerosa. Em suma: a palavra suscita \u00f3dios e paix\u00f5es; de qualquer modo, no campo acad\u00eamico, \u00e9 rejeitada por uma maioria que ignora estudos a seu respeito, acarinhada por alguns entusiastas que tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam muita no\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria e examinada por uma minoria especialista, geralmente estudiosa de Idade M\u00e9dia e quest\u00f5es de espiritualidade em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 inevit\u00e1vel constatar a rejei\u00e7\u00e3o e o fasc\u00ednio da m\u00edstica na modernidade; mais dif\u00edcil \u00e9 examinar as suas contradi\u00e7\u00f5es. Uma vez posto o n\u00facleo nervoso dos afetos que a palavra e o fen\u00f4meno suscitam, agora \u00e9 preciso entender o longo percurso hist\u00f3rico n\u00e3o da m\u00edstica propriamente dita (do s\u00e9culo XII ao XVI), mas do que diferentes historiadores e te\u00f3ricos chamaram de m\u00edstica da modernidade, neom\u00edstica ou m\u00edstica secularizada, sendo o \u00faltimo conceito o de minha prefer\u00eancia, empregado por Theodor Adorno a respeito do compositor Arnold Sch\u00f6nberg (ADORNO, 1978, p. 460; ADORNO, 2018, p. 328).<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Princ\u00edpios da seculariza\u00e7\u00e3o <\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se se reflete sobre a chamada <em>m\u00edstica vernacular<\/em>, isto \u00e9, aquela que foi escrita nas l\u00ednguas nascentes da Europa, chamadas vulgares, observa-se como se iniciou o pr\u00f3prio conflito de m\u00edsticos com a Igreja a partir da interessante tese de Niklaus Largier. Os m\u00edsticos em geral (como Eckhart) e as m\u00edsticas beguinas em particular aspiravam se aproximar de um maior n\u00famero de leitores escrevendo nas l\u00ednguas que eram faladas. Fora de um vocabul\u00e1rio latino que j\u00e1 estava bem codificado, o v\u00ednculo que tais autores ostentavam com o divino, no plano espiritual, se dava, ironicamente, num plano mais concreto enquanto contato direto com o leitor comum (que n\u00e3o precisava, inclusive, ser alfabetizado, pois o livro podia ser lido por uma pessoa e ouvido por v\u00e1rias).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um ponto de vista midi\u00e1tico, a comunica\u00e7\u00e3o vernacular \u00e9 a grande prova de que mesmo o florescimento da m\u00edstica hoje vista como tradicional j\u00e1 era secularizado, no sentido estrito de que as experi\u00eancias religiosas sa\u00edam do espa\u00e7o mon\u00e1stico para se impregnar no mundo cosmopolita nascente. Tal desejo de se comunicar com um p\u00fablico inexplorado era motivo de desconfian\u00e7a e temor das autoridades eclesi\u00e1sticas: o novo meio precisava ser controlado. Livros de m\u00edsticas, como os de Marguerite Porete, foram queimados. Os cr\u00edticos autorizados assinalaram que a teologia selvagem das beguinas n\u00e3o conhecia o seu assunto e elaboraram formas de \u201cdiscernimento dos esp\u00edritos\u201d para corrigir prega\u00e7\u00f5es desviantes. Tais cr\u00edticos da m\u00edstica vernacular (como Jean Gerson, 1363\u20131429) foram alguns dos primeiros antim\u00edsticos da hist\u00f3ria \u2013 e n\u00e3o h\u00e1 como entender a hist\u00f3ria da m\u00edstica sem eles (ANDERSON, 2011, p. 13-16, 81-89).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando houve a Reforma, a impress\u00e3o de panfletos (<em>Flugschriften<\/em>) possibilitou o advento de uma grande revolu\u00e7\u00e3o. Martinho Lutero (1483-1546) se beneficiou da dissemina\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica de suas ideias. Quando, por\u00e9m, observou que os m\u00edsticos entusiastas se aproveitavam dos mesmos meios para divulgarem sua interpreta\u00e7\u00e3o livre das Escrituras, resolveu control\u00e1-los. A argumenta\u00e7\u00e3o de Lutero levou a substituir a pr\u00e1tica medieval de discernimento dos esp\u00edritos pela institucionaliza\u00e7\u00e3o de uma ordem secular (<em>weltliche oberkeit<\/em>; LUTHER, 2016, p. 211) absolutamente dissociada da religiosa, em que a express\u00e3o da f\u00e9 deve ser regularizada pelo uso correto da lei e da raz\u00e3o. Nesse sentido, a exegese inspirada dos \u201centusiastas\u201d passou a ser coibida (LUTHER, 2016, p. 74-76, 169, 282). A ordem secular se tornou uma institui\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica que controla as formas pelas quais a B\u00edblia pode ser lida. Ela possu\u00eda um car\u00e1ter normativo que limitava a comunica\u00e7\u00e3o religiosa (LARGIER, 2009, p. 38-42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O modo como novos entusiastas burlaram essa proibi\u00e7\u00e3o foi sair, paulatinamente, do dom\u00ednio religioso e perscrutar outro: a natureza, empregando os mesmos \u201ctropos m\u00edsticos\u201d num discurso po\u00e9tico. Foi basicamente esse o deslocamento de Silesius (1624-1677). Se a escrita das beguinas utilizava um paradigma vision\u00e1rio num ambiente lit\u00fargico, os pensadores e poetas do s\u00e9culo XVI e XVII buscaram rela\u00e7\u00f5es entre o mundo material e o mundo espiritual. Agora a experi\u00eancia do mundo \u00e9 o palco dos tropos m\u00edsticos \u2013 unidade, amor, sofrimento, delicadeza. A partir dos saberes de tradi\u00e7\u00f5es alqu\u00edmicas, a imagina\u00e7\u00e3o passa a ganhar o primeiro plano ao produzir toda uma <em>cosmopoiesis<\/em> (MAZZOTTA, 2001, p. 74) e ensinar uma pedagogia da percep\u00e7\u00e3o (LARGIER, 2009, p. 48-52).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse dom\u00ednio da percep\u00e7\u00e3o da natureza que um livro seminal do romantismo, <em>Os disc\u00edpulos de Sais <\/em>(escrito entre 1798-1799, publicado postumamente em 1802), de Novalis (1772-1801), quer intervir. A filosofia herm\u00e9tica renascentista construiu bab\u00e9is de sistemas anal\u00f3gicos, demonstrando minuciosamente que a semelhan\u00e7a entre as coisas (entre plantas, pedras, animais, deuses, planetas) segredava uma semelhan\u00e7a mais fundamental com regi\u00f5es espirituais. A grande tarefa era encontrar a <em>assinatura das coisas<\/em>, isto \u00e9, a marca divina essencial que d\u00e1 sentido aos objetos. Novalis, grande leitor de Paracelso (1493-1541) e Jakob B\u00f6hme (1575\u20131624), busca nesse mundo m\u00e1gico das semelhan\u00e7as o reflexo narc\u00edsico de um eu infinito, rom\u00e2ntico, e quer chegar a uma s\u00edntese entre o saber medieval, herm\u00e9tico e iluminista. Quem vai produzir tal s\u00edntese \u00e9 o poeta e fil\u00f3sofo erudito alem\u00e3o (NOVALIS, 1991, p. 39-44; NOVALIS, 1989, p. 39; B\u00d6HME, 1988, p. 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dificilmente se entende os anseios espirituais do romantismo, isto \u00e9, do in\u00edcio da literatura moderna, sem examinar a liga\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca dele com o hermetismo. Se Novalis desenvolveu tal nexo umbilical com Paracelso e B\u00f6hme, William Blake (1757-1827), Honor\u00e9 de Balzac (1799-1850) e Charles Baudelaire (1821-1867) preferiram um outro autor. N\u00e3o \u00e9 exagero afirmar que n\u00e3o h\u00e1 pensador mais influente para a literatura imaginativa do s\u00e9culo XIX do que o controverso \u201ciluminado\u201d chamado Emmanuel Swedenborg (1688-1772). Sua teoria das correspond\u00eancias n\u00e3o \u00e9 original: na verdade, n\u00e3o passa de uma vers\u00e3o oitocentista da doutrina da semelhan\u00e7a renascentista. Por\u00e9m, foi especialmente lendo-o que a maior parte dos nomes mais importantes da poesia moderna nascente a conheceu e foi especialmente por causa dele que ficaram fascinados por ela e a incorporaram em suas po\u00e9ticas. Aqui tem-se um ponto intrincado a observar: assim como muitos se referem \u00e0 m\u00edstica sem conhecer, especialmente quando prop\u00f5em ou recusam uma rela\u00e7\u00e3o entre m\u00edstica e modernidade, de fato n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil localizar com precis\u00e3o nem qual a influ\u00eancia de fundo que uma corrente liter\u00e1ria moderna est\u00e1 mobilizando nem que tipo de rela\u00e7\u00e3o de transmiss\u00e3o j\u00e1 existia dentro daquilo que est\u00e1 sendo periodizado em algum momento da m\u00edstica anterior \u00e0 modernidade e que vai ser relevante para ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tropos m\u00edsticos sa\u00edram do contexto de uma m\u00edstica vernacular \u2013 mas ela ainda estava diretamente ligada \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, seja seguindo o modelo lit\u00fargico, seja o modelo ascensional do tratado \u2013 para entrar numa cosmologia da semelhan\u00e7a. Quando tal esquematiza\u00e7\u00e3o do universo chega ao s\u00e9culo XVIII, com Swedenborg, ele cria sua pr\u00f3pria <em>ordo rerum cretarum <\/em>(ordem das coisas criadas \u2013 por exemplo, a forma do c\u00e9u descrito por ele obedece ao corpo humano) dentro desse modelo, sem disputar uma poss\u00edvel reforma da Igreja, ao contr\u00e1rio, ele \u00e9 totalmente ridicularizado pela teologia e pela academia, mas se torna um <em>best seller<\/em>, circulando inclusive na aristocracia da \u00e9poca (SWEDENBORG, 2008, p. 9-24). Isso parece lembrar a literatura de autoajuda atual, mas \u00e9 um caso muito diferente, pois \u00e9 considerado pelos melhores autores do s\u00e9culo XIX e XX como um \u00f3timo escritor (ver a enorme admira\u00e7\u00e3o que Jorge Luis Borges (1899-1986) tem por ele, por exemplo; BORGES, 1985, p. 185). Swedenborg inspira a po\u00e9tica de muitos poetas e, no caso de Baudelaire, especialmente, o poema \u201cCorrespondances\u201d vai se tornar a ponta de lan\u00e7a de todo o simbolismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, h\u00e1 uma rede complexa de transmiss\u00f5es de motivos nupciais, anal\u00f3gicos e apof\u00e1ticos que v\u00e3o mudando de natureza e fun\u00e7\u00e3o em cada momento hist\u00f3rico, mas, ao mesmo tempo, v\u00e3o delineando grandes condutos simb\u00f3licos que atravessam os s\u00e9culos. Tanto uma abordagem filol\u00f3gica ultrapassada quanto uma historiografia muito restrita n\u00e3o saberiam examinar o emaranhado denso, movente, vari\u00e1vel, mas que tamb\u00e9m cont\u00e9m certas invariantes (da\u00ed Claudio Willer, um dos maiores pesquisadores do assunto, advogar o exame das continuidades; WILLER, 2010, p. 30-32). N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil entender nem perscrutar tais liga\u00e7\u00f5es \u00edntimas entre neoplatonismo, m\u00edstica, hermetismo, romantismo, simbolismo e modernismo; inversamente, \u00e9 sempre mais simples neg\u00e1-las como se n\u00e3o existissem. O fato \u00e9 que tais nexos s\u00e3o patentes, gritantes, ao mesmo tempo que s\u00e3o muito menos examinados do que se deveria, pois, justamente, como a m\u00edstica e, mais ainda, o esoterismo s\u00e3o marcados pela rejei\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, pouca gente se disp\u00f5e a examin\u00e1-los. H\u00e1 tanto o desleixo, muito comum, em ignor\u00e1-los e menosprez\u00e1-los quanto o perigo, tamb\u00e9m, de projetar neles uma tradi\u00e7\u00e3o perene que cont\u00e9m a verdade eterna e est\u00e1 por tr\u00e1s dos grandes g\u00eanios da humanidade, o que \u00e9 igualmente falso. Logo, o bom pesquisador deve ser um equilibrista diante de dois lados do abismo: nem subestimar, nem superestimar, devendo, contudo, deixar claro que, se n\u00e3o se pode supervalorar ontologicamente como o fazem os perenialistas, \u00e9 preciso apontar a for\u00e7a filos\u00f3fica e est\u00e9tica real que tal pensamento anal\u00f3gico teve em diferentes \u00e9pocas, e n\u00e3o menos em tempos seculares, modernos; por conseguinte, \u00e9 preciso dar o valor que ela merece, isto \u00e9, <em>estim\u00e1-la<\/em>.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Literatura e cultura moderna<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse caso, o movimento liter\u00e1rio que de fato incorporou, em toda a sua po\u00e9tica, a teoria das correspond\u00eancias foi o simbolismo. A pr\u00e1tica da musicalidade verbal, das sutilezas, sugest\u00f5es, sinestesias, o anseio pelo ambiente vivido na superestesia, em outras palavras, uma busca espiritual feita da pompa dionis\u00edaca de est\u00edmulos sensoriais harm\u00f4nicos e mel\u00f3dicos encontrou no simbolismo um ponto de converg\u00eancia. A altern\u00e2ncia baudelairiana entre<em> spleen<\/em> e <em>ideal<\/em>, ou a mallarmiana entre vontade de nada e vontade de eternidade (MICHAUD, 1961, p. 190) foi traduzida entre a primeira fase decadentista, pessimista, e a segunda propriamente espiritualista, positiva. \u00c9 no per\u00edodo do nascimento do simbolismo propriamente dito que a m\u00edstica da modernidade toma de fato consci\u00eancia de si mesma: \u201co momento privilegiado onde todas as rela\u00e7\u00f5es se descobrem, onde todas as coisas se revelam como solid\u00e1rias, como unidas num universo infinito que as ordena\u201d (MICHAUD, 1961, p. 412 \u2013 a tradu\u00e7\u00e3o de todos os textos citados de outras l\u00ednguas \u00e9 minha). Tal compreens\u00e3o \u00e9 exposta precisamente no livro manifesto de Charles Morice, <em>La litt\u00e9rature de Tout \u00e0 l\u2019heure<\/em>:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 que a ci\u00eancia tenha decidido alcan\u00e7ar o Misticismo (<em>Mysticisme<\/em>), as intui\u00e7\u00f5es do Sonho superam a Ci\u00eancia e celebram esta alian\u00e7a ainda futura e j\u00e1 definitiva do Sentido religioso e do Sentido cient\u00edfico em uma festa est\u00e9tica onde se exalta o desejo muito humano de uma reuni\u00e3o de todos os poderes humanos, retornando \u00e0 simplicidade original. (MORICE, 1889, p. 287)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a poesia que chega a uma s\u00edntese das contradi\u00e7\u00f5es entre ci\u00eancia e religi\u00e3o, ao reconhecer no sonho e na m\u00edstica a superioridade da intui\u00e7\u00e3o em face da objetividade e da raz\u00e3o. Tal intui\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica desvenda a solidariedade fundamental de todas as coisas. \u201cA arte \u00e9 a reconstru\u00e7\u00e3o do real segundo as correspond\u00eancias secretas e a harmonia soberana da cria\u00e7\u00e3o\u201d (MICHAUD, 1961, p. 418).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como Henri Bremond detectou, entre o s\u00e9culo XVI e XVII, um despontar de interesse por guias de espiritualidade m\u00edstica (uma <em>vague<\/em> ou <em>invasion mystique<\/em>, BREMOND, 1923, p. 582-584), no per\u00edodo de explos\u00e3o do simbolismo, depois das preliminares decadentistas, se inicia o que Jules Sageret chamou de \u201conda m\u00edstica\u201d (<em>vague mystique<\/em>, SAGERET, 1920, p. 7-21), quer dizer, a gera\u00e7\u00e3o de nost\u00e1lgicos foi seguida da gera\u00e7\u00e3o de buscadores do ideal, sendo que estes ficaram especialmente fascinados pelo esoterismo (MICHAUD, 1961, p. 466). A magia invadiu os sal\u00f5es, v\u00e1rias revistas ocultistas e simbolistas surgiram e os poetas reconhecem um irm\u00e3o em Jos\u00e9phin P\u00e9ladan, poeta e fil\u00f3sofo esot\u00e9rico que foi organizador das famosas exposi\u00e7\u00f5es\u00a0 dos Sal\u00f5es da Rosa-Cruz, entre 1892 e 1897 (MERCIER, 1969; sobre os sal\u00f5es, ver p. 188 e 200; sobre os encontros que Catulle Mend\u00e8s e sua filha Judith organizaram entre o mago Eliphas Levi e o meio liter\u00e1rio em 1873, especialmente apresentando-o a Victor Hugo, ver p. 70; sobre a influ\u00eancia de Josephin Peladan no meio po\u00e9tico e art\u00edstico, ver p. 222-225). O que eles fizeram nessa linha na Fran\u00e7a ocorreu pouco tempo depois, no engajamento ma\u00e7\u00f4nico e pitag\u00f3rico de um dos maiores poetas brasileiros do fim do s\u00e9culo: Dario Vellozo, editor de v\u00e1rias revistas simbolistas e esot\u00e9ricas entre as d\u00e9cadas de 1890 e 1900 (BEGA, 2013, p. 213-251).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tais movimentos eram anticlericais e buscavam uma esp\u00e9cie de renova\u00e7\u00e3o do gnosticismo. A trajet\u00f3ria de Joris-Karl Huysmans (1848-1907) acompanha precisamente o destino de parte significativa do movimento: come\u00e7ou satanista (decadentista), atravessou o ocultismo e terminou se convertendo ao catolicismo (MICHAUD, 1961, p. 266, 469-470). Charles P\u00e9guy (1873-1914) tamb\u00e9m se iniciou anticlerical e depois de converteu (MICHAUD, 1961, p. 584-588). Parte da fase final do simbolismo foi, surpreendentemente, cat\u00f3lica, especialmente no caso de Paul Claudel (1868-1955) (MICHAUD, 1961, p. 595-629). No Brasil, n\u00e3o houve convers\u00e3o da primeira (dos anos 1890) e da segunda gera\u00e7\u00e3o simbolista (dos anos 1900), quase todos anticlericais, mas a gera\u00e7\u00e3o da revista Festa, de Tasso da Silveira e Andrade Muricy, tornou-se cat\u00f3lica (BEGA, 2013, p. 212 e 478). Sabe-se que no <em>fin de si\u00e8cle<\/em> houve um forte movimento republicano de defesa do Estado laico, que atingiu boa parte dos intelectuais. Em seguida, houve uma rea\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica de retomada desses espa\u00e7os culturais. No Brasil, ela se traduziu na milit\u00e2ncia de Jackson de Figueiredo (1891-1928), fundador do Centro Dom Vital, e na convers\u00e3o que ele conseguiu produzir em Alceu Amoroso Lima (1893-1983), que se tornou o seu presidente (DIAS, 1996, p. 69-85). No Brasil, a renova\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria cat\u00f3lica esteve no auge do modernismo e produziu dois dos maiores poetas nacionais: Murilo Mendes (1901-1975) e Jorge de Lima (1893-1953). Cec\u00edlia Meireles (1901-1964) estava do lado da Escola Nova e distante do ativismo de n\u00facleos cat\u00f3licos, mas suas leituras da m\u00edstica crist\u00e3, especialmente de Jo\u00e3o de Cruz e Teresa de \u00c1vila, foram intensas (ver GOUV\u00caA, 2004, p. 124 e GOUV\u00caA, 2008, p. 48-49).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o pendor anticlerical gn\u00f3stico, ocultista ou orientalista teve seus desdobramentos em v\u00e1rios movimentos de vanguarda em geral e em especial no surrealismo nos anos 1920 a 1950. Sua tend\u00eancia libert\u00e1ria (ora anarquista, ora socialista, ver L\u00d6WY, 2002, p. 31-36) se desdobrou nos <em>beats<\/em> americanos nos anos 1950 a 1970. Eles foram os precursores do modo de vida contracultural, <em>hippie<\/em>, dos anos 1960 e 1970, que conseguiu a proeza de atingir toda a juventude da \u00e9poca e produzir a grande revolu\u00e7\u00e3o comportamental do s\u00e9culo XX (WILLER, 2014, p. 165, 189-190). Os experimentos com \u00e1cido de Timothy Leary (1920-1996) e Ram Dass (1931-2020) n\u00e3o existiriam sem leituras do <em>Livro tibetano dos mortos<\/em> e a busca de gurus indianos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se dizer que se o romantismo foi o in\u00edcio da modernidade anal\u00f3gica, o simbolismo foi a primeira grande onda, as vanguardas e os <em>beats<\/em> foram o desenvolvimento e a contracultura foi o \u00e1pice pol\u00edtico e hist\u00f3rico, em que as leituras da filosofia perene de Aldous Huxley (1894-1963), de Timothy Leary, Ram Dass e Alan Watts (1915-1973) v\u00e3o dar no <em>best seller<\/em> de Carlos Castaneda (1925-1998), no rock psicod\u00e9lico e progressivo. A moda da Nova Era dos anos 1980 e 1990, embora tenha sido um enorme sucesso lucrativo, dando inclusive impulso \u00e0s leituras de cl\u00e1ssicos esot\u00e9ricos e mesmo m\u00edsticos, j\u00e1 pode ser considerada um sinal de decad\u00eancia.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Etapas da seculariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao sumarizar o percurso feito aqui, pode-se, por fim, ponderar sobre as etapas hist\u00f3ricas do processo de seculariza\u00e7\u00e3o da m\u00edstica. Primeiro, a novidade da escrita vernacular m\u00edstica se exp\u00f5e para leitores comuns e incomoda as autoridades, que a pro\u00edbem e a corrigem estipulando a retifica\u00e7\u00e3o do discernimento dos esp\u00edritos. Segundo, Lutero estabelece a conquista do espa\u00e7o secular vernacular e p\u00fablico de leitura, propondo um controle racional e autorizado dos entusiastas espirituais mesmo dentro dele, motivo pelo qual a express\u00e3o da espiritualidade encontra uma recusa dentro da institucionaliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico. Terceiro, a filosofia e a poesia renascentistas se deslocam das disputas doutrinais teol\u00f3gicas, utilizam os tropos m\u00edsticos na observa\u00e7\u00e3o da natureza e prop\u00f5em sistemas cosmopo\u00e9ticos de leitura do mundo que buscam a transforma\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quarto, o pr\u00e9-romantismo alem\u00e3o de Novalis emprega a po\u00e9tica anal\u00f3gica renascentista da assinatura das coisas deslocando a pr\u00f3pria magia natural para o reino da linguagem, que, a partir da\u00ed, serve para express\u00e3o de um eu infinito refletido narcisicamente no universo. A seculariza\u00e7\u00e3o chega ao cerne da subjetividade moderna. Quinto, o simbolismo toma consci\u00eancia privilegiada do emprego da analogia na linguagem liter\u00e1ria agora sem o centro dominante do eu. A centralidade do s\u00edmbolo busca uma ambi\u00eancia vaga e sugestiva de rela\u00e7\u00f5es sinest\u00e9sicas e on\u00edricas dentro de uma linguagem po\u00e9tica imantada de musicalidade harm\u00f4nica e mel\u00f3dica. A teoria das correspond\u00eancias de Swedenborg se torna base da po\u00e9tica liter\u00e1ria que cria uma busca espiritual no n\u00facleo da t\u00e9cnica formal po\u00e9tica e de uma vida plenamente art\u00edstica. A seculariza\u00e7\u00e3o chega ao cerne da linguagem po\u00e9tica anal\u00f3gica. Neste momento, explicita-se um conflito entre ocultistas anticlericais e conservadores cat\u00f3licos, de modo que s\u00f3 numa gera\u00e7\u00e3o posterior o simbolismo tenha se tornado tamb\u00e9m uma po\u00e9tica apropriada para a rea\u00e7\u00e3o de um movimento modernista intelectual cat\u00f3lico. A seculariza\u00e7\u00e3o da m\u00edstica se torna parte tanto de uma associa\u00e7\u00e3o entre meio liter\u00e1rio e ocultismo quanto de rea\u00e7\u00e3o renovadora cat\u00f3lica modernista. Ela se torna ainda mais consciente de sua voca\u00e7\u00e3o antiburguesa, mesmo entre cat\u00f3licos, mas especialmente entre os anticlericais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sexto, o surrealismo explode o sentido verbal e explora as rela\u00e7\u00f5es anal\u00f3gicas mais distantes e dissonantes entre as coisas, provocando a revolu\u00e7\u00e3o da antiarte e do acaso objetivo, que \u00e9 uma forma de seculariza\u00e7\u00e3o metropolitana da magia do destino. A seculariza\u00e7\u00e3o chega \u00e0 viol\u00eancia da imagem inconsciente e aprofunda seu modo de vida bo\u00eamio e antiburgu\u00eas. Simbolismo e surrealismo s\u00e3o diferentes modos de transforma\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o a partir de uma incorpora\u00e7\u00e3o da busca espiritual dentro de experimentos radicais de linguagem. Se a m\u00edstica come\u00e7ou experimentando a l\u00edngua vernacular empregando modos de dizer estranhos, com ox\u00edmoros, hip\u00e9rboles e nega\u00e7\u00f5es, nesse momento ela chegou ao extremo do experimento antil\u00f3gico e antirracional, em que o sonho se impregna no n\u00facleo da forma po\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e9timo, com os <em>beats<\/em> e a contracultura, finalmente o impulso libert\u00e1rio da m\u00edstica liter\u00e1ria moderna promove um modo de vida antimetropolitano (<em>drop out<\/em>, cair fora da cidade e do sistema, ver COHN, 2008, p. 138-181) que invade a cultura de massa com experimentos vanguardistas e atinge n\u00e3o mais s\u00f3 pequenas comunidades art\u00edsticas, mas todo um movimento global de mudan\u00e7a de comportamento juvenil. Com as drogas e a espiritualidade indiana, o rock psicod\u00e9lico e progressivo, a contracultura estiliza a onda de \u00e1cido e as experi\u00eancias ext\u00e1ticas de ilumina\u00e7\u00e3o em <em>best sellers<\/em> e longas su\u00edtes musicais instrumentais que indistinguem, como nunca antes nem depois, o campo pop e o erudito, o retorno \u00e0 natureza e o futurismo, a ecologia e as utopias eletr\u00f4nicas, o protesto e o sucesso. De qualquer modo, a irrita\u00e7\u00e3o que acad\u00eamicos sempre sentiram diante dos gn\u00f3sticos e ocultistas se renova com sua penetra\u00e7\u00e3o na espiritualidade <em>hippie<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percebe-se, ent\u00e3o, duas caracter\u00edsticas centrais da seculariza\u00e7\u00e3o da m\u00edstica ao longo da Era Moderna. Primeiro, o processo de imers\u00e3o no mundo s\u00f3 se aprofundou: desde o uso da l\u00edngua vernacular, passando pela imers\u00e3o na natureza, a express\u00e3o do eu, a experimenta\u00e7\u00e3o com a linguagem po\u00e9tica, a busca pelo sugestivo e pelo inconsciente at\u00e9 a conquista da juventude global e da cultura de massa, em que arte de alto n\u00edvel virou fen\u00f4meno pop em prol da abertura das portas da percep\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a condena\u00e7\u00e3o das autoridades do discernimento dos esp\u00edritos e o banimento de Lutero do espa\u00e7o secular continuou, de forma hom\u00f3loga, vigorando em todas as etapas de aprofundamento da seculariza\u00e7\u00e3o: os gram\u00e1ticos condenaram o uso incorreto da l\u00edngua feito por simbolistas e surrealistas e tanto o Estado policial quanto a universidade fizeram de tudo para controlar os <em>hippies<\/em> no auge de seu surgimento, at\u00e9 que as pr\u00f3prias gravadoras, r\u00e1dios, est\u00fadios, grandes editoras e diferentes m\u00eddias combateram suas conquistas est\u00e9ticas at\u00e9 produzirem um retorno ao comportamento comportado e bem direcionado aos neg\u00f3cios do jovem yuppie dos anos 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do mesmo modo, diversos tipos de espiritualismos, em geral ing\u00eanuos, por\u00e9m mesmo manifesta\u00e7\u00f5es que talvez mostrem um n\u00edvel intelectual mais elaborado, em vez de ser objeto de estudo hist\u00f3rico, formal e social na universidade, mant\u00eam-se predominantemente banidos dos espa\u00e7os de saber. Portanto, o processo de seculariza\u00e7\u00e3o da m\u00edstica, por mais que n\u00e3o deixe de se estender, de se expandir e de se profanizar, est\u00e1 sempre marcado pelo banimento nos espa\u00e7os seculares institucionais. A espiritualidade, selvagem ou informada, ing\u00eanua ou elaborada, adentra-se nos sal\u00f5es, na literatura de alto n\u00edvel ou na cultura de massa, mas n\u00e3o pode ser estudada e refletida na maioria das epistemologias em vigor, por mais abertas e soltas que pretendam ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Eduardo Guerreiro Losso. <\/em>Professor de Ci\u00eancia da Literatura da UFRJ e bolsista de produtividade do CNPq. Texto original portugu\u00eas. Enviado: 15\/11\/2021; aprovado: 20\/12\/2021; publicado: 30\/12\/2021<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">ADORNO, Theodor. <em>Quasi una fantasia. <\/em>Musikalische Schriften II. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1978.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ADORNO, Theodor. <em>Quasi una fantasia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Unesp, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ANDERSON, Wendy Love. <em>The discernment of spirits: <\/em>assessing visions and visionaries in the Late Middle Ages. T\u00fcbingen: Mohr Siebeck, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BEGA, Maria Tarcisa Silva. <em>Letras e pol\u00edtica no Paran\u00e1. <\/em>Simbolistas e anticlericais na Rep\u00fablica Velha. Curitiba: Editora UFPR, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">B\u00d6HME, Hartmut. <em>Natur und Subjekt<\/em>. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BORGES, Jorge Luis. <em>Pr\u00f3logos: <\/em>com um pr\u00f3logo dos pr\u00f3logos. Rio de Janeiro: Rocco, 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BREMOND, Henri. <em>Histoire du sentiment religieux en France. <\/em>Depois la fin des guerres de religion jusqu\u2019a nos jours. 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Seus grandes frutos est\u00e3o localizados especialmente entre os s\u00e9culos XI e XVII, isto \u00e9, o que corresponde aos per\u00edodos da historiografia de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-2582","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade-e-formacao-de-cristaos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2582"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2675,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2582\/revisions\/2675"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}