
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":2578,"date":"2021-12-30T08:20:30","date_gmt":"2021-12-30T11:20:30","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2578"},"modified":"2022-01-28T17:01:44","modified_gmt":"2022-01-28T20:01:44","slug":"liturgia-das-horas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2578","title":{"rendered":"Liturgia das horas"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Desenvolvimento Hist\u00f3rico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1 A ora\u00e7\u00e3o das horas no Novo Testamento<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1.1 Jesus orava e recomendava a ora\u00e7\u00e3o incessante<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1.2 Ora\u00e7\u00e3o das horas na Igreja Apost\u00f3lica<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2 A evolu\u00e7\u00e3o do Of\u00edcio Divino do s\u00e9c. II ao s\u00e9c. V\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.3 O Of\u00edcio Divino da Idade M\u00e9dia ao Vaticano II<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Estrutura e elementos do rito da Liturgia das Horas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Simbolismo e Teologia da Liturgia das Horas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Pastoral<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considera\u00e7\u00f5es conclusivas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia das Horas \u00e9 uma das v\u00e1rias formas de ora\u00e7\u00e3o da Igreja, que visa santificar o dia inteiro atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o ininterrupta. Composta por hinos, salmos, c\u00e2nticos, ant\u00edfonas, leituras b\u00edblicas e textos de grandes escritores eclesi\u00e1sticos e documentos do Magist\u00e9rio, ela \u00e9 rezada em horas determinadas: Horas Maiores: Laudes (ao amanhecer) e V\u00e9speras (ao entardecer); Horas Menores: Ter\u00e7a (\u00e0 metade da manh\u00e3), Sexta (ao meio-dia), Nona (\u00e0 metade da tarde) e Completas (antes do repouso noturno). Assim sendo, j\u00e1 se pode perceber que seu simbolismo \u00e9 c\u00f3smico e que, por causa dos diferentes fusos hor\u00e1rios das diversas regi\u00f5es do nosso planeta, a cada hora a Terra \u00e9 banhada por uma onda de ora\u00e7\u00e3o. Essas horas t\u00eam tamb\u00e9m um valor simb\u00f3lico-sacramental, uma vez que remetem a determinados eventos importantes na vida de Jesus de Nazar\u00e9 e dos Ap\u00f3stolos, portanto, um car\u00e1ter salv\u00edfico (cf. AUG\u00c9, 2005, p. 230).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Liturgia das Horas, como j\u00e1 sugere o pr\u00f3prio nome, insere-se na din\u00e2mica ritual e teol\u00f3gica do espa\u00e7o e do tempo lit\u00fargicos. Essa din\u00e2mica, por sua vez, enra\u00edza-se no fato da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo eterno do Pai, Jesus Cristo. De fato, com a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo, Deus irrompe na hist\u00f3ria humana e, de modo indel\u00e9vel, se une \u00e0 humanidade assumindo a nossa carne na pessoa de Jesus de Nazar\u00e9. O Eterno entra no espa\u00e7o e no tempo e, com esse fato, transforma o <em>kr\u00f3nos<\/em> em <em>Kair\u00f3s<\/em>, ou seja, em tempo de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, essa din\u00e2mica da encarna\u00e7\u00e3o do Verbo eterno recebe sua luz do Mist\u00e9rio Pascal de Cristo. De fato, no centro de toda a vida da Igreja \u2013 estrutura, culto, a\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, espiritualidade, teologia, \u00e9tica etc. \u2013 est\u00e1 a P\u00e1scoa do Cristo. Disso se conclui que a Liturgia das Horas \u00e9 um tipo de ora\u00e7\u00e3o essencialmente pascal, todas as horas referem-se ao Mist\u00e9rio Pascal de Cristo. Ali\u00e1s, \u00e9 esse \u00faltimo que est\u00e1 no centro, n\u00e3o s\u00f3 da Liturgia das Horas, mas de toda a vida lit\u00fargica da Igreja.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Desenvolvimento hist\u00f3rico<\/strong><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1 A ora\u00e7\u00e3o das horas no Novo Testamento<\/em><\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente aqui n\u00e3o \u00e9 nossa inten\u00e7\u00e3o encontrar a estrutura da Liturgia das Horas, conforme a conhecemos hoje ou o mais pr\u00f3ximo disso, mas simplesmente encontrar as ra\u00edzes b\u00edblicas do costume da Igreja de rezar em horas determinadas, algo que sempre esteve presente na sua vida desde os seus prim\u00f3rdios. A Liturgia das Horas, embora tenha suas ra\u00edzes na ora\u00e7\u00e3o de Jesus e dos seus santos Ap\u00f3stolos que, por sua vez, seguiam os costumes de sua religi\u00e3o, o juda\u00edsmo, conheceu um longo e profundo desenvolvimento ao longo da hist\u00f3ria da Igreja, o que veremos a seguir.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.1 Jesus orava e recomendava a ora\u00e7\u00e3o incessante<\/em><\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos evangelhos podemos encontrar informa\u00e7\u00f5es sobre a ora\u00e7\u00e3o de Jesus. Ele, seguindo os costumes da religi\u00e3o de seus pais, o juda\u00edsmo, observava as suas prescri\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas al\u00e9m de se dirigir a Deus na intimidade ao Pai. Assim sendo, Jesus, desde a inf\u00e2ncia, na companhia de seus pais, frequentava anualmente o templo nas grandes festas pascais (cf. Lc 2,41), e tamb\u00e9m na idade adulta (cf. Jo 2,13-14). Costumava frequentar a sinagoga em dia de s\u00e1bado (cf. Mt 12,9; Mc 3,1; Lc 4,16). Afastava-se sozinho para rezar em lugares desertos (cf. Lc 5,16) e, \u00e0s vezes, \u00e0 noite (Mc 1,35). A ora\u00e7\u00e3o era um h\u00e1bito na vida de Jesus; o evangelista Lucas cita v\u00e1rias vezes a ora\u00e7\u00e3o de Jesus (cf. 5,16; 6,12; 9,18.28-29 passim); e nesses momentos ele se dirigia a Deus na intimidade filial (cf. Lc 10,21; 22,42; 23,43.46; Jo 11,41-42; 17,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica da ora\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o se restringia a ele, pois ensinava seus disc\u00edpulos a orar (cf. Mt 6,5-13); e recomendava vivamente aos seus disc\u00edpulos a ora\u00e7\u00e3o incessante (Lc 18,1-7; 21,36)). Ensinava-lhes, al\u00e9m da ora\u00e7\u00e3o pessoal, a ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria (Mt 18,19-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, sabemos que os evangelhos n\u00e3o s\u00e3o a biografia de Jesus, sen\u00e3o uma cristologia das comunidades dos seus redatores. Portanto, \u00e9 de se imaginar que as ora\u00e7\u00f5es que os evangelistas atribuem a Jesus s\u00e3o tamb\u00e9m as ora\u00e7\u00f5es praticadas pelas comunidades, no seio das quais surgiram esses tratados baseados nas experi\u00eancias que elas fizeram do encontro com Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.2 Ora\u00e7\u00e3o das horas na Igreja Apost\u00f3lica<\/em><\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, os outros escritos neotestament\u00e1rios \u2013 al\u00e9m dos quatro evangelhos \u2013 nos d\u00e3o informa\u00e7\u00f5es sobre a ora\u00e7\u00e3o das primeiras comunidades crist\u00e3s. Podemos ver Pedro e Jo\u00e3o subirem ao Templo para a ora\u00e7\u00e3o das tr\u00eas horas da tarde (At 3,1), isto \u00e9, a hora nona. Mas, ao que tudo indica, tamb\u00e9m toda a comunidade da Igreja nascente tinha o costume da ora\u00e7\u00e3o incessante. De fato, \u201celes eram ass\u00edduos ao ensinamento dos ap\u00f3stolos e \u00e0 comunh\u00e3o fraterna, \u00e0 fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e \u00e0s ora\u00e7\u00f5es\u201d (At 2,42); tamb\u00e9m \u201cde comum acordo iam diariamente ao Templo com assiduidade: partiam o p\u00e3o em casa, tomando o alimento com alegria e simplicidade de cora\u00e7\u00e3o\u201d (At 2,46). O ap\u00f3stolo Tiago recomenda \u00e0 sua comunidade: \u201cAlgum de v\u00f3s est\u00e1 sofrendo? reze\u201d \u2013 aqui se trata da ora\u00e7\u00e3o pessoal, mas logo a seguir se refere \u00e0 ora\u00e7\u00e3o da Igreja (TEB, nota vers\u00e3o): \u201cAlgum de v\u00f3s est\u00e1 doente? Mande chamar os anci\u00e3os da Igreja e estes orem\u201d (Tg 5,14).<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2 A evolu\u00e7\u00e3o do Of\u00edcio Divino do s\u00e9c. II ao s\u00e9c. V<\/em><\/strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse h\u00e1bito da ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria incessante passar\u00e1 \u00e0s comunidades p\u00f3s-apost\u00f3licas e acompanhar\u00e1 a Igreja ao longo de toda a sua hist\u00f3ria, at\u00e9 os nossos dias. J\u00e1 no final do s\u00e9c. I ou in\u00edcio do s\u00e9c. II, na <em>Didach\u00e8<\/em>, cap\u00edtulo IX, recomenda-se rezar a ora\u00e7\u00e3o do Pai Nosso tr\u00eas vezes ao dia. No norte da \u00c1frica, onde muito cedo se formaram fervorosas e bem estruturadas comunidades crist\u00e3s, temos o testemunho de Clemente Alexandrino (<em>Stromata<\/em>); tamb\u00e9m temos informa\u00e7\u00f5es do primeiro escritor eclesi\u00e1stico de l\u00edngua latina de que se tem not\u00edcia, Tertuliano (<em>De oratione; De ieiuno<\/em>), passando por Cipriano (<em>De oratione dominica<\/em>) a Agostinho de Hipona (<em>Sermones ad competenti<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atribu\u00edda a Hip\u00f3lito de Roma, temos tamb\u00e9m a <em>Traditio Apost\u00f3lica <\/em>(in\u00edcio do s\u00e9c. III) que nos d\u00e1 informa\u00e7\u00f5es das horas de ora\u00e7\u00e3o: ao amanhecer antes de come\u00e7ar qualquer atividade (esta hora na Igreja); \u00e0 hora ter\u00e7a, \u00e0 hora sexta e \u00e0 hora nona, onde quer que esteja; antes do repouso noturno; e, por fim, \u00e0 meia-noite. No final do s\u00e9c. IV, a peregrina Eg\u00e9ria, que passou tr\u00eas anos na Palestina, d\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre a liturgia de Jerusal\u00e9m, especialmente, sobre as ora\u00e7\u00f5es das horas na Igreja da <em>An\u00e1stasis<\/em>: Vig\u00edlia (monges, virgens e leigos) entoam hinos, salmos, aos quais se responde com ant\u00edfonas; depois que chegam dois ou tr\u00eas presb\u00edteros e os di\u00e1conos, d\u00e1-se in\u00edcio \u00e0 ora\u00e7\u00e3o da manh\u00e3. O bispo chega com seus presb\u00edteros e reza uma ora\u00e7\u00e3o e d\u00e1 a b\u00ean\u00e7\u00e3o aos que indicam seus nomes, por detr\u00e1s das grades que fecham a gruta do t\u00famulo onde o corpo de Cristo foi depositado. Depois voltam a se reunir no mesmo lugar \u00e0 hora sexta e nona; \u00e0 d\u00e9cima hora se faz o lucern\u00e1rio, as V\u00e9speras (SCh, 2002, p. 239-241); n\u00e3o menciona uma ora\u00e7\u00e3o noturna, mas nas p\u00e1ginas seguintes relata os of\u00edcios solenes da Epifania, os quarenta dias que a seguem e os of\u00edcios das festas pascais: Quaresma, Semana Santa, P\u00e1scoa, Oitava at\u00e9 Pentecostes (SCh, 2002, p. 251-305).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dessa \u00e9poca, isto \u00e9, s\u00e9c. IV, come\u00e7am as primeiras tentativas de se organizar a ora\u00e7\u00e3o das horas. Os autores costumam distinguir dois caminhos: um primeiro seguiria numa dire\u00e7\u00e3o que chamamos Of\u00edcio Catedral, e um segundo numa outra dire\u00e7\u00e3o que chamamos Of\u00edcio Mon\u00e1stico. O Of\u00edcio Catedral \u2013 tamb\u00e9m o paroquial \u2013 j\u00e1 era constitu\u00eddo das Horas Maiores \u2013 Laudes e V\u00e9speras \u2013 sendo as Laudes precedidas de uma vig\u00edlia aos domingos e dias festivos. O Of\u00edcio Mon\u00e1stico, al\u00e9m dessas duas Horas Maiores, se constitu\u00eda de tr\u00eas horas diurnas, Ter\u00e7a, Sexta e Nona, e mais a Primeira e Completas. Al\u00e9m disso, os monges institucionalizaram as vig\u00edlias de ora\u00e7\u00e3o como of\u00edcio cotidiano, uma vez que o seu ideal era o de recitar integralmente o Salt\u00e9rio (cf. LEIKAN, 2000, p. 48).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Digna de nota \u00e9 a presen\u00e7a do Salmo 62 nas Laudes e do Salmo 140 nas V\u00e9speras em todas as Igrejas j\u00e1 desde o s\u00e9c. IV, segundo o testemunho de Eus\u00e9bio de Cesareia (<em>Coment\u00e1rio ao Salmo<\/em> 140 e 142), Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo (<em>Catequeses batismais<\/em>) e das <em>Constituitiones Apostolorum.<\/em> Esse \u00faltimo documento (fins do s\u00e9c. IV ou in\u00edcios do V) j\u00e1 registra a presen\u00e7a do <em>Nunc dimittis<\/em> (Lc 2,29-32) no of\u00edcio vespertino.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.3 O Of\u00edcio Divino da Idade M\u00e9dia ao Vaticano II<\/em><\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, o Of\u00edcio mon\u00e1stico desenvolveu-se de tal forma que acabou influenciando o Of\u00edcio catedral. Para al\u00e9m do surgimento de novas l\u00ednguas e o uso cada vez mais restrito do latim, outras raz\u00f5es \u2013 que n\u00e3o vem ao caso serem expostas aqui \u2013 fizeram com que o povo n\u00e3o tivesse mais acesso \u00e0 liturgia em geral, passando o of\u00edcio a ser de \u201cm\u00e3o de obra especializada\u201d, ou seja, do clero e dos monges. A partir do s\u00e9c. IX, em muitas Igrejas locais, impunha-se ao clero a obriga\u00e7\u00e3o de recitar o of\u00edcio, ent\u00e3o, fortemente influenciado pelo Of\u00edcio mon\u00e1stico que, por sua vez, previa mais horas e textos mais longos: ao longo do curso de uma semana, recitava-se todo o salt\u00e9rio e, em um ano, lia-se toda ou quase toda a B\u00edblia, e mais os hinos, c\u00e2nticos, ant\u00edfonas, respons\u00f3rios etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui n\u00e3o se pode deixar de mencionar a Regra de S\u00e3o Bento que, principalmente por obra de Carlos Magno, se imp\u00f4s em quase todos os mosteiros do Ocidente. Na <em>Regula Monasteriorum Sancti Benedicti Abbatis<\/em> prescrevem-se sete ora\u00e7\u00f5es das horas por dia citando o Salmo 118,164: \u201cEu vos louvo sete vezes cada dia\u201d (Cap. XVI). Essas horas s\u00e3o: Laudes, Prima, Ter\u00e7a, Sexta, Nona, V\u00e9speras e Completas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a Hora Noturna, durante o Inverno (in\u00edcio de novembro at\u00e9 a Pascoa), s\u00e3o previstos 6 salmos precedidos do vers\u00edculo \u201cAbre, Senhor, os meus l\u00e1bios e minha boca anunciar\u00e1 o vosso louvor\u201d, ao qual segue o Salmo 3, o Gl\u00f3ria, o Salmo 94 com ant\u00edfona, seis salmos com ant\u00edfonas, tr\u00eas leituras b\u00edblicas com respons\u00f3rio, mais 6 salmos com aleluia, leitura do Ap\u00f3stolo, e conclui-se com a s\u00faplica lit\u00e2nica, ou seja, <em>Kyrie eleison<\/em> (Cap. IX). A Hora Noturna \u00e9 rezada na metade da noite por causa do Salmo 118,62: \u201cAlta noite eu me levanto e vos dou gra\u00e7as\u201d. Para o restante do ano, por causa da brevidade das noites, se faz apenas uma leitura do Antigo Testamento, permanecendo todo o resto como no per\u00edodo de Inverno (Cap. X). Aos domingos, por\u00e9m, leem-se quatro leituras com respons\u00f3rio depois dos seis primeiros salmos e mais quatro depois dos outros seis salmos; tr\u00eas c\u00e2nticos do Antigo Testamento com Aleluia; mais quatro leituras com respons\u00f3rio, <em>Te Deum laudamus<\/em>, leitura do Evangelho, <em>Te decet laus<\/em> e b\u00ean\u00e7\u00e3o final (Cap. XI).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As laudes, por sua vez, se compunham do Salmo 66 com ant\u00edfona, seguido do Salmo 50 com Aleluia, o Salmo 117 e 62, o <em>Benedictus<\/em>, \u201cLaudes\u201d, uma leitura do Apocalipse, com respons\u00f3rio, hino ambrosiano, um vers\u00edculo, c\u00e2ntico evang\u00e9lico e se conclu\u00edam com a litania (Cap. XII). Para as demais horas, as composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o as seguintes: Prima: tr\u00eas salmos com um \u00fanico Gl\u00f3ria, hino, depois o vers\u00edculo <em>Deus<\/em>, <em>in<\/em> <em>adiuntorium<\/em> <em>meu&#8230;, <\/em>tr\u00eas salmos, uma leitura, um vers\u00edculo, <em>Kyrie eleison<\/em> e conclus\u00e3o; a Ter\u00e7a, a Sexta e a Nona, o Of\u00edcio segue a mesma ordem para as tr\u00eas: vers\u00edculo, o hino pr\u00f3prio da hora, tr\u00eas salmos, as leituras, o <em>Kyrie eleison<\/em> e as preces finais (Cap. XVII). Aqui se recomenda que, se a comunidade for numerosa, recitem-se os salmos com ant\u00edfona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As V\u00e9speras se comp\u00f5em de quatro salmos com as ant\u00edfonas, a leitura, respons\u00f3rio, hino, vers\u00edculo, c\u00e2ntico evang\u00e9lico, a prece lit\u00e2nica e se concluem com o Pai Nosso. Nas Completas, se recitam os tr\u00eas salmos seguidamente sem ant\u00edfona, o hino, uma \u00fanica leitura, o vers\u00edculo, o <em>Kyrie eleison<\/em> e se concluem com a b\u00ean\u00e7\u00e3o (Cap. XVII).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da influ\u00eancia das regras dos mosteiros romanos no Of\u00edcio catedral surgir\u00e1 uma esp\u00e9cie de Of\u00edcio mon\u00e1stico-eclesi\u00e1stico; uma dessas novas regras ser\u00e1 adotada pelo papa e os seus curiais a partir dos finais do s\u00e9c. X ou in\u00edcio do s\u00e9c. XI, o que ficou conhecido como Brevi\u00e1rio da C\u00faria romana (cf. RAFFA, 2004, p. 655). Na primeira metade do s\u00e9c. XIII, S\u00e3o Francisco de Assis adotar\u00e1 esse Of\u00edcio para sua ordem, o que, por sua vez, contribuir\u00e1 para sua grande difus\u00e3o em quase todo o Ocidente, se tornando a forma predominante (cf. RAFFA, 2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na reforma tridentina do Brevi\u00e1rio Romano, Pio V, com a bula <em>Quod a nobis<\/em> (1568), reduziu o n\u00famero de salmos, mas introduziu o Of\u00edcio de Santa Maria no S\u00e1bado; reduziu ainda os textos hagiogr\u00e1ficos. A bula n\u00e3o contempla os leigos, quando elenca os grupos de pessoas que est\u00e3o obrigadas a rezar o of\u00edcio, e compromete o simbolismo das horas ao prever a recita\u00e7\u00e3o privadamente, chega mesmo a equipar\u00e1-la \u00e0 comunit\u00e1ria com a consequente recita\u00e7\u00e3o na hora que se pudesse. Doravante, o Brevi\u00e1rio de Pio V ser\u00e1 praticamente a \u00fanica regra em toda a Igreja do Ocidente. Uma nova reforma s\u00f3 viria j\u00e1 no s\u00e9c. XX, por obra de Pio X, com a bula <em>Divino afflatu<\/em>: reduziu o n\u00famero de salmos em todas as horas, mas manteve a recita\u00e7\u00e3o do salt\u00e9rio no curso de uma semana fazendo uma nova distribui\u00e7\u00e3o dos salmos. Pio X fez essa reforma tendo em vista, sobretudo, as exig\u00eancias do trabalho pastoral do clero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da reforma promovida pelo Vaticano II surge a Liturgia das Horas de Paulo VI, promulgada em 1\u00ba de novembro de 1970, a que usamos hoje. As grandes novidades aqui s\u00e3o: distribui\u00e7\u00e3o dos salmos em quatro semanas (cf. SC 91); a supress\u00e3o da Hora Prima (SC 89); a possibilidade de a hora chamada Matinas ser recitada a qualquer hora do dia, embora conserve no coro a \u00edndole de louvor noturno, e reduz-se o n\u00famero de salmos, mas prop\u00f5e leituras mais longas; para as chamadas Horas Menores, a saber, Ter\u00e7a, Sexta e Nona, pode-se escolher uma delas fora do coro (SC 90) e, por fim, o uso da l\u00edngua vern\u00e1cula (SC 101). Recomenda-se ainda devolver fidelidade hist\u00f3rica aos mart\u00edrios ou \u00e0s vidas dos Santos (SC 92) e que \u201csejam retiradas ou mudadas aquelas coisas que sabem a mitologia ou s\u00e3o menos condizentes com a piedade crist\u00e3\u201d (SC 93).<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Estrutura e elementos do rito da Liturgia das Horas<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Instru\u00e7\u00e3o Geral sobre a Liturgia das Horas (IGLH), no Cap\u00edtulo II, muito apropriadamente, apresenta o rito com o t\u00edtulo \u201cA santifica\u00e7\u00e3o do dia ou as diversas Horas do Of\u00edcio Divino\u201d. S\u00e3o sete os momentos de ora\u00e7\u00e3o (cf. Sl 118,164): Of\u00edcio das Leituras, Laudes, tr\u00eas Horas M\u00e9dias, V\u00e9speras e Completas. A Introdu\u00e7\u00e3o do Of\u00edcio \u00e9, na primeira hora rezada (Laudes ou Of\u00edcio da Leituras), o Invitat\u00f3rio \u201cAbri os meus l\u00e1bios, \u00f3 Senhor. E minha boca anunciar\u00e1 o vosso louvor\u201d, com o que \u201cos fi\u00e9is s\u00e3o convidados cada dia a cantar os louvores de Deus e a escutar sua voz&#8230;\u201d (ILGH 34); segue-se o Sl 94(95), que pode ser substitu\u00eddo pelos salmos 99(100), 66(67) ou 23(24) com suas respectivas ant\u00edfonas. O salmo de abertura \u00e9 rezado de forma responsorial, ou seja, a ant\u00edfona se comporta como um refr\u00e3o, mas, se for rezado individualmente, basta dizer a ant\u00edfona no seu in\u00edcio e seu fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hora chamada \u201cMatinas\u201d comparece na Liturgia das Horas de Paulo VI sob o t\u00edtulo \u201cOf\u00edcio das Leituras\u201d que, como prev\u00ea a <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> \u2013 j\u00e1 o mencionamos mais acima \u2013 pode ser rezado a qualquer hora do dia, embora conserve seu car\u00e1ter de ora\u00e7\u00e3o noturna (cf. SC 89; ILGH 57). Quando se abre o Of\u00edcio, reza-se no in\u00edcio o Invitat\u00f3rio, como dito no par\u00e1grafo anterior. Diferentemente da salmodia do ordin\u00e1rio do rito, o Salmo Invitat\u00f3rio \u00e9 recitado de forma responsorial, ou seja, a ant\u00edfona se comporta como um refr\u00e3o, e o mesmo se diga para as outras op\u00e7\u00f5es de salmos previstos para esta hora. Quando o Of\u00edcio das Leituras n\u00e3o abre o of\u00edcio cotidiano, ele \u00e9 aberto como as demais horas, ou seja, vers\u00edculo de abertura e, logo em seguida o Hino. A salmodia, como nas demais horas, \u00e9 composta de tr\u00eas salmos com as ant\u00edfonas correspondentes; a isso segue o vers\u00edculo, que faz a transi\u00e7\u00e3o da salmodia para a escuta da Palavra de Deus. De fato, logo a seguir se l\u00ea uma leitura b\u00edblica seguida de seu respons\u00f3rio. A segunda leitura \u00e9 tomada das obras dos Santos Padres ou de outros escritores eclesi\u00e1sticos. Aos domingos, dias de solenidade ou festa, entoa-se o <em>Te Deum<\/em>. O Of\u00edcio \u00e9 encerrado com a Ora\u00e7\u00e3o Conclusiva e o \u201cBendigamos ao Senhor. Gra\u00e7as a Deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Horas Maiores, ou seja, Laudes e V\u00e9speras, s\u00e3o abertas com o vers\u00edculo introdut\u00f3rio \u201cVinde, \u00f3 Deus, em meu aux\u00edlio. Socorrei-me sem demora\u201d. As Laudes, por\u00e9m, se forem a primeira ora\u00e7\u00e3o do dia, s\u00e3o abertas com o Invitat\u00f3rio, seguido do Gl\u00f3ria ao Pai, o hino pr\u00f3prio da hora, a salmodia com as respectivas ant\u00edfonas com Aleluia \u2013 exceto no tempo da Quaresma \u2013 ditas no in\u00edcio e no fim, neste \u00faltimo caso, s\u00e3o precedidas do Gl\u00f3ria ao Pai&#8230; Segue-se a recita\u00e7\u00e3o do hino, dos dois salmos, entre os quais, recita-se um c\u00e2ntico do Antigo Testamento, cada qual destes tr\u00eas elementos com suas respectivas ant\u00edfonas no in\u00edcio e no final. Em prosseguimento, se l\u00ea a leitura breve com seu respons\u00f3rio \u2013 caso seja oportuno, pode-se fazer uma homilia ou um breve tempo de sil\u00eancio antes do respons\u00f3rio; essa leitura pode ser substitu\u00edda por uma mais longa escolhida \u00e0 vontade. Ent\u00e3o recita-se o C\u00e2ntico evang\u00e9lico <em>Bendictus<\/em> \u2013 O Messias e o seu precursor (Lc 1,68-79) \u2013 com a sua ant\u00edfona. Seguem as preces para consagrar o dia e o trabalho a Deus; a ora\u00e7\u00e3o do Pai Nosso e, concluindo a of\u00edcio, a ora\u00e7\u00e3o conclusiva e a despedida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As V\u00e9speras t\u00eam uma estrutura muito semelhante. Nunca se abrem com o Invitat\u00f3rio porque n\u00e3o \u00e9 a primeira ora\u00e7\u00e3o do dia. O Hino \u00e9 o pr\u00f3prio dessa hora e outra diferen\u00e7a est\u00e1 na salmodia, ou seja, em vez de se rezar um c\u00e2ntico do Antigo Testamento, como nas Laudes, reza-se um do Novo Testamento. Outra diferen\u00e7a ainda est\u00e1 no C\u00e2ntico evang\u00e9lico: aqui se recita o <em>Magnificat<\/em>. Tudo o mais \u00e9 feito como nas Laudes, evidentemente com os conte\u00fados pr\u00f3prios de cada hora. Observe-se aqui que nos s\u00e1bados n\u00e3o h\u00e1 V\u00e9speras porque, nesta hora, rezam-se as primeiras V\u00e9speras do domingo, que \u00e9 sempre solenidade; exce\u00e7\u00e3o a isto que acabamos de dizer \u00e9 o S\u00e1bado Santo, porque n\u00e3o se rezam as primeiras V\u00e9speras do Domingo de P\u00e1scoa que n\u00e3o pode ter outra ora\u00e7\u00e3o antes da grande Vig\u00edlia Pascal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Horas M\u00e9dias t\u00eam uma estrutura bem mais simples: abertura como as Horas Maiores \u2013 nunca o vers\u00edculo \u201cAbre meus l\u00e1bios, Senhor&#8230;\u201d \u2013; o hino pr\u00f3prio de cada hora; salmodia \u2013 quando se rezam as tr\u00eas horas, somente uma usa os salmos distribu\u00eddos no Salt\u00e9rio com suas ant\u00edfonas, para as outras duas tomam-se dos Salmos Complementares, os assim chamados \u201cSalmos Graduais\u201d; leitura breve com seu respons\u00f3rio, ora\u00e7\u00e3o conclusiva e despedida: \u201cBendigamos ao Senhor. Gra\u00e7as a Deus\u201d. Observe-se que nestas tr\u00eas horas n\u00e3o se faz men\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria dos Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes do repouso noturno, a Igreja convida seus fi\u00e9is a elevarem suas mentes a Deus, em ritmo de ora\u00e7\u00e3o. Para tanto, recitam-se as Completas que, como o pr\u00f3prio nome sugere, conclui o of\u00edcio cotidiano. De todas as horas, as Completas s\u00e3o as mais simples e breves em sua estrutura. Esta hora antes do repouso noturno \u00e9 iniciada como as demais horas, \u2013 exceto a primeira ora\u00e7\u00e3o do dia, isto \u00e9, Of\u00edcio das Leituras ou Laudes \u2013, continua com o Hino, a salmodia composta de apenas um salmo, salvo quando s\u00e3o rezadas depois das primeiras v\u00e9speras dos domingos e solenidades, quando se rezam os salmos 4 e 133(134). Depois da salmodia se faz a Leitura Breve com o respons\u00f3rio \u201cSenhor em vossas m\u00e3os entrego meu esp\u00edrito&#8230; V\u00f3s sois o Deus fiel que salvastes vosso povo. Gl\u00f3ria ao Pai&#8230;\u201d; logo em seguida entoa-se o <em>Nunc Dimittis<\/em>, o C\u00e2ntico de Sime\u00e3o (Lc 2,29-32), com sua ant\u00edfona. Essa hora termina com a Ora\u00e7\u00e3o Conclusiva seguida da b\u00ean\u00e7\u00e3o \u201cO Senhor todo-poderoso nos conceda uma noite tranquila e, no fim da vida, uma morte santa\u201d; e, por fim, reza-se uma das ant\u00edfonas de Nossa Senhora propostas na Liturgia das Horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de passarmos ao pr\u00f3ximo ponto \u00e9 \u00fatil lembrar que a Liturgia das Horas segue o Ano Lit\u00fargico e o Calend\u00e1rio Romano. Deste modo, o conte\u00fado eucol\u00f3gico varia de acordo com o teor teol\u00f3gico de cada tempo (Advento, Natal, Quaresma, P\u00e1scoa e Tempo Comum) \u2013 eis porque n\u00e3o se diz o Aleluia no final das ant\u00edfonas na Quaresma \u2013; e do mesmo modo celebram-se as solenidades, as festas e a mem\u00f3ria dos Santos.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Simbolismo e teologia da Liturgia das Horas<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, se verifica uma forte tend\u00eancia de fazer teologia da liturgia em geral e de suas celebra\u00e7\u00f5es \u201ca partir da <em>Lex Orandi\u201d<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, ou seja, comentar a teologia dos sacramentos e demais celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas a partir, principalmente, do rito e de seus conte\u00fados. Para a Liturgia das Horas n\u00e3o poderia ser diferente, tendo em vista a riqueza simb\u00f3lica e espiritual de suas diversas horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito \u00fatil para a sua compreens\u00e3o \u00e9 come\u00e7ar pela nomenclatura. \u201cLiturgia das Horas\u201d \u00e9 um t\u00edtulo surgido em 1959 e \u00e9 muito apropriado, porque expressa a finalidade dessa ora\u00e7\u00e3o da Igreja, a saber, a santifica\u00e7\u00e3o do curso do dia, em que o fiel se santifica \u2013 no rito bizantino se diz \u201crel\u00f3gio\u201d pelo mesmo motivo. \u201cOf\u00edcio Divino\u201d, usado ainda hoje ao lado de Liturgia das Horas, este termo foi usado outrora para designar todo ato de culto e, depois, para designar a celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Igreja, mas parece que visa tamb\u00e9m acenar para o car\u00e1ter obrigat\u00f3rio, can\u00f4nico, (<em>Officium<\/em>, dever) de sua recita\u00e7\u00e3o (cf. RAFFA, 2004, p. 652). \u201cBrevi\u00e1rio\u201d parece-nos um tanto pobre para designar t\u00e3o rica express\u00e3o lit\u00fargica da Igreja, uma vez que foi usado para designar compila\u00e7\u00e3o, abrevia\u00e7\u00e3o etc. dos diversos livros lit\u00fargicos usados para a ora\u00e7\u00e3o das horas na Idade M\u00e9dia. Ainda ao longo da hist\u00f3ria da liturgia foram usados os seguintes nomes: <em>cursus, preces horariae, opus Dei, horae canonicae<\/em> (cf. RAFFA, 2004, p. 652).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Originalmente, o Oficio das Leituras \u2013 na <em>Sacrassanctum Concilium<\/em> ainda se usa a express\u00e3o \u201cMatinas\u201d \u2013 tem car\u00e1ter noturno. Rezava-se na metade da noite, sobretudo nos mosteiros, uma refer\u00eancia ao Salmo 118(119),62. O simbolismo dessa hora \u00e9 o das \u201ctrevas\u201d, das quais Cristo nos arrancou. Podemos encontrar um exemplo no hino \u201cA noite escura apaga\u201d. J\u00e1 na primeira estrofe se diz: \u201cA noite escura apaga da treva toda cor&#8230;\u201d sugerindo que as trevas nos impedem a vis\u00e3o f\u00edsica, met\u00e1fora da vis\u00e3o beat\u00edfica. E segue \u201cJuiz dos cora\u00e7\u00f5es a v\u00f3s nosso louvor\u201d sugerindo que o nosso louvor ao Cristo \u00e9 incessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso que acabamos de dizer parece ser refor\u00e7ado pela par\u00e1bola das \u201cdez virgens\u201d (Mt 25,1-10), que se insere num quadro liter\u00e1rio de teor marcadamente escatol\u00f3gico: a vinda do Filho do Homem (Mt 24,26-35); desconhecimento do dia do ju\u00edzo final (Mt 24,36-51); os talentos (Mt 25,14-30); o ju\u00edzo final (Mt 25,31-46). O simbolismo das l\u00e2mpadas com \u00f3leo suficiente para serem acesas \u00e0 chegada do esposo sugere n\u00e3o s\u00f3 uma atitude de vigiar (cf. Mt 24,42), mas sobretudo o estar preparado para a \u201chora\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Laudes t\u00eam um simbolismo natural, o sol, pelo fato de serem rezadas \u00e0s primeiras luzes. O sol, \u201co astro nascente\u201d, de fato, \u00e9 uma refer\u00eancia b\u00edblica ao Messias (para indicar o descendente de Davi: Jr 23,5; Zc 3,8; 6,12; o verbo correspondente para indicar o do astro messi\u00e2nico: Nm 24,17; cf. Ml 3,20; Mt 2,2; Lc 1,78). O sol, portanto, a luz, \u00e9 um simbolismo j\u00e1 presente tanto no Antigo como no Novo Testamento, aqui especialmente na literatura joanina:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens, e a luz brilha nas trevas, e as trevas n\u00e3o a compreenderam. Houve um homem enviado por Deus; o seu nome era Jo\u00e3o. \u00a0Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por ele. Ele n\u00e3o era a luz, mas devia dar testemunho da luz. O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem (Jo 1,4-9).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o volta a insistir neste simbolismo: \u201cNovamente Jesus lhes dirigiu a palavra: \u2018Eu sou a luz do mundo. Aquele que vem em meu seguimento n\u00e3o andar\u00e1 nas trevas; ele ter\u00e1 a luz que conduz \u00e0 vida\u2019\u201d (Jo 8,12); e mais adiante escreve: \u201cpor quanto tempo eu estiver no mundo, eu sou a luz do mundo\u201d (Jo 9,5); e ainda:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus lhes respondeu:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luz ainda est\u00e1 entre v\u00f3s por pouco tempo. Caminhai enquanto tendes a luz, para que as trevas n\u00e3o se apoderem de v\u00f3s; pois quem caminha nas trevas n\u00e3o sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, para vos tornardes filhos da \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 luz. (Jo 12,35-36)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mais: \u201cEu, a luz, vim ao mundo a fim de que todo aquele que cr\u00ea em mim n\u00e3o pere\u00e7a nas trevas\u201d (Jo 12,46). Notemos que, em todos esses vers\u00edculos, Jesus se autoidentifica com a luz, s\u00edmbolo da salva\u00e7\u00e3o, enquanto \u00e0 treva \u00e9 identificado o pecado, o n\u00e3o estar e andar na presen\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, Jo\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a usar o simbolismo da luz aplicado ao Cristo e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o que Ele nos alcan\u00e7ou em seu mist\u00e9rio pascal. Podemos tamb\u00e9m encontrar esse simbolismo nos escritos paulinos: \u201cDai gra\u00e7as ao Pai que vos permitiu partilhar da heran\u00e7a dos santos da luz. Ele nos arrancou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do Filho do seu amor\u201d (Cl 1,12-13; cf. 1Ts 5,5; Hb 6,4; 10,32).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Robert Taft observa que o simbolismo da luz, ao ser aplicado aos que vivem em Cristo (Ef 5 e 1Jo 1,5-7; 2,8-11), tem uma dimens\u00e3o moral e comunit\u00e1ria, bem como observa que o livro do Apocalipse \u00e9 conclu\u00eddo com um belo hino que faz refer\u00eancia \u00e0 luz do Cordeiro na Cidade Santa da Jerusal\u00e9m celeste (Ap 21,22-26) (TAFT, 2000, p. 157).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas vejamos agora como esse tema da luz, no seu simbolismo natural, o sol, aparece no rito das Laudes, com uma clara refer\u00eancia \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. De in\u00edcio, observemos que este tema \u00e9 constante nessa hora por causa do hino <em>Benedictus<\/em>, tamb\u00e9m conhecido como \u201cCanto de Zacarias\u201d. No hino do Advento, proposto para essa hora, podemos ler: \u201cEm meio \u00e0 treva escura, ressoa clara voz. Os sonhos maus se afastem, refulja o Cristo em n\u00f3s. Despertem os que dormem feridos de pecado. Um novo sol j\u00e1 brilha, o mal vai ser tirado\u201d. No hino proposto para o tempo de Natal, o sol aparece como marcador da dura\u00e7\u00e3o do louvor, mas n\u00e3o \u00e9 aplicado ao Cristo tampouco \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o salvadora. Para o tempo da Quaresma, curiosamente o simbolismo da luz\/sol n\u00e3o aparece no hino proposto para o domingo, o dia do sol, mas est\u00e1 no hino proposto para os dias da semana: \u201c\u00d3 Cristo, sol de justi\u00e7a, brilhai nas trevas da mente. Com for\u00e7a e luz, reparai a cria\u00e7\u00e3o novamente\u201d. No hino das Laudes da Semana Santa, o tema \u00e9 mais ligado aos mist\u00e9rios da paix\u00e3o de Cristo e n\u00e3o faz refer\u00eancia ao simbolismo luz\/sol. Para os domingos de P\u00e1scoa, por\u00e9m, o simbolismo aparece sob a imagem da \u201crutilante aurora\u201d e, para os dias da semana, o simbolismo luz\/sol aparece mais explicitamente: \u201cA fiel Jerusal\u00e9m canta um hino triunfal, celebrando, jubilosa, Jesus Cristo, a Luz pascal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas solenidades que ocorrem fora do Tempo Pascal, o tema vai aparecer no hino das Laudes da Sant\u00edssima Trindade e \u00e9 igualmente atribu\u00eddo \u00e0 Trindade: \u201c\u00d3 Trindade, num s\u00f3lio supremo que brilhais, num intenso fulgor\u201d;\u00a0 e ao Filho: \u201cEsplendor e espelho da luz sois, \u00f3 Filho, que irm\u00e3os nos chamais\u201d; e o Esp\u00edrito Santo: \u201cPiedade e amor, fogo ardente, branda luz, poderoso clar\u00e3o, renovai nossa mente, \u00f3 Esp\u00edrito, e aquecei o fiel cora\u00e7\u00e3o\u201d. Na solenidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, esse simbolismo aparece na quinta estrofe do hino das Laudes: \u201cFicai conosco, Senhor, nova manh\u00e3 que fulgura e vence as trevas da noite, trazendo ao mundo a do\u00e7ura\u201d. Esta estrofe deixa claro que nas Laudes se celebram a presen\u00e7a do Cristo-Luz entre os fi\u00e9is e a vit\u00f3ria de Cristo sobre as trevas do pecado e da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos s\u00e3o os exemplos que aqui poder\u00edamos citar, mas estes nos bastam para percebermos que o tema luz\/sol, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 treva, \u00e9 central no of\u00edcio das Laudes. Esta centralidade do simbolismo do sol, para al\u00e9m de nos remeter \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, nos lembra uma das grandes maravilhas da cria\u00e7\u00e3o, fonte de luz e calor, de vida de alimento, o que nos leva ao louvor e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as (cf. TAFT, 2000, p. 158) por tantos dons recebidos da bondade do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo h\u00e1 outros elementos na estrutura das Laudes, que nos proporcionam o seu conte\u00fado teol\u00f3gico. O primeiro desses elementos \u00e9 a santifica\u00e7\u00e3o do per\u00edodo da manh\u00e3, mas, antes de iniciar qualquer atividade do dia, o fiel \u00e9 convidado a voltar a sua mente para o Senhor (cf. IGLH 38). Assim, o crist\u00e3o estar\u00e1 seguindo o conselho de Paulo quando diz \u201cPortanto, quer v\u00f3s comais quer bebais ou fa\u00e7ais qualquer outra coisa, fazei tudo para a gl\u00f3ria de Deus\u201d (1Cor 10,31), ou seja, toda a sua jornada bem como todas as suas atividades temporais ser\u00e3o feitas diante e para a gl\u00f3ria de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As V\u00e9speras e as Laudes s\u00e3o chamadas de Horas Maiores. As V\u00e9speras, por\u00e9m, s\u00e3o celebradas ao despontar do entardecer. Como nas Laudes, o simbolismo central \u00e9 o tema da luz em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 treva. Ao p\u00f4r-do-sol, acendem-se as l\u00e2mpadas; isto significa a luz de Cristo que treva alguma pode vencer. Para al\u00e9m de evocar as trevas da paix\u00e3o de Cristo, as V\u00e9speras nos fazem meditar sobre a transitoriedade da nossa vida e de toda Cria\u00e7\u00e3o. Isto que acabamos de dizer nos abre para a dimens\u00e3o escatol\u00f3gica da ora\u00e7\u00e3o vespertina, uma vez que tal transitoriedade da vida deve nos abrir para a esperan\u00e7a da vida eterna. Outros grandes temas que aparecem neste of\u00edcio s\u00e3o a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelos benef\u00edcios recebidos, o trabalho realizado e o bem que pudemos fazer ao longo do dia. Contudo, o tema das trevas nos faz recordar a nossa condi\u00e7\u00e3o pecadora e, por isso, nos leva ao arrependimento e pedido de perd\u00e3o pelos pecados que, porventura, tenhamos cometido. Ainda o tema da treva nos convida a pedir prote\u00e7\u00e3o divina contra os perigos que ela oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vimos que, nas Laudes, o simbolismo sol\/luz, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 treva, nos recorda a salva\u00e7\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o ao mal e ao pecado em v\u00e1rias passagens b\u00edblicas. Algo semelhante acontece nas V\u00e9speras, por exemplo, no hino proposto para estas horas at\u00e9 o dia 16 de dezembro no Tempo do Advento, o simbolismo luz (reden\u00e7\u00e3o) versus trevas (pecado) aparece explicitamente: \u201cEterna luz dos homens, dos astros Criador, ouvi as nossas preces, de todos Redentor\u201d (1\u00aa estrofe); \u201cSe a sombra do pecado a tudo escurecia, Esposo, v\u00f3s sa\u00edstes do seio de Maria\u201d (3\u00aa estrofe). Ap\u00f3s o dia 16 at\u00e9 as v\u00e9speras do Natal, o hino proposto liga o tema da luz, na sua forma verbal \u201ciluminar\u201d \u00e0 concep\u00e7\u00e3o virginal de Maria por obra do Esp\u00edrito Santo. No tempo do Natal at\u00e9 a Epifania, Jesus \u00e9 \u201cDo Pai luz e esplendor\u201d (2\u00aa estrofe).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tempo da Quarema, o hino de V\u00e9speras tamb\u00e9m n\u00e3o traz o tema da luz, mas nos dias da semana sim: \u201cA abstin\u00eancia quaresmal v\u00f3s consagrastes, \u00f3 Jesus, pelo jejum e pela prece, nos conduzis da treva \u00e0 luz\u201d. Aqui notemos, entretanto, que o simbolismo treva e luz \u00e9 aplicado ao pecado (treva) e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o (luz), ou seja, a luz \u00e9 simbolismo da a\u00e7\u00e3o salvadora de Cristo e treva da a\u00e7\u00e3o pecaminosa da humanidade. Para o Tempo Comum, tomemos como exemplo o hino das primeiras V\u00e9speras do domingo da primeira semana: \u201c\u00d3 Deus, autor de tudo, que a terra e o c\u00e9u guiais, de luz vestis o dia, \u00e0 noite o sono dais\u201d (1\u00aa estrofe); \u201cSenhor vos damos gra\u00e7as no ocaso deste dia. A noite vem caindo, mas vosso amor nos guia\u201d (3\u00aa estrofe); \u201cE assim, chegando a noite, com grande escurid\u00e3o, a f\u00e9, em meio \u00e0s trevas, espalhe o seu clar\u00e3o\u201d (5\u00aa estrofe). Aqui tampouco o simbolismo da luz \u00e9 aplicado ao Cristo, mas os termos luz, dia, noite, ocaso, escurid\u00e3o, trevas e clar\u00e3o indicam a origem da luz em Deus e sua difus\u00e3o em meio \u00e0s trevas como obra da f\u00e9. Al\u00e9m de indicar com muita precis\u00e3o a hora do of\u00edcio de V\u00e9speras, celebra a confian\u00e7a da f\u00e9 na luz divina para atravessar a escurid\u00e3o da noite, met\u00e1fora do pecado e da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas segundas V\u00e9speras do primeiro domingo, se celebra o Deus da cria\u00e7\u00e3o e da autoria dos tempos: \u201cCriador generoso da luz, que criastes a luz para o dia, com os primeiros raios da luz, sua origem o mundo inicia\u201d (1\u00aa estrofe); \u201cV\u00f3s chamastes de \u2018dia\u2019 o decurso da manh\u00e3 luminosa ao poente. Eis que as trevas j\u00e1 descem \u00e0 terra: escutai nossa prece, clemente\u201d. Em seguida aparecem os temas do arrependimento e do perd\u00e3o pelos pecados cometidos ao longo do dia: \u201cPara que sob o peso dos crimes nossa mente n\u00e3o fique oprimida, e, esquecendo as coisas eternas, n\u00e3o se exclua do pr\u00eamio da vida\u201d (3\u00aa estrofe); \u201cSempre \u00e0 porta celeste batendo, alcancemos o pr\u00eamio da vida, evitemos do mal o cont\u00e1gio e curemos da culpa a ferida\u201d (4\u00aa estrofe).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Horas Menores ou Hora M\u00e9dia, a saber Ter\u00e7a (\u00e0s nove horas), Sexta (ao meio-dia) e Nona (\u00e0s quinze horas), t\u00eam um car\u00e1ter simb\u00f3lico-sacramental, pelo fato de fazerem refer\u00eancia aos momentos chave do mist\u00e9rio de Cristo e da a\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica dos Doze (cf. IGLH 75). Seu intuito \u00e9 que os crist\u00e3os interrompam suas atividades e orem para a santifica\u00e7\u00e3o do dia e de suas pr\u00f3prias atividades. Mas vejamos como os temas ligados ao mist\u00e9rio da paix\u00e3o de Cristo aparecem no rito, especificamente, nos hinos dessas tr\u00eas horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Ora\u00e7\u00e3o das Nove Horas, o hino proposto para o Tempo de Quarema \u00e9 exemplar, porque confirma o que acabamos de dizer no par\u00e1grafo precedente. A primeira estrofe \u00e9 um louvor \u00e0s tr\u00eas virtudes teologais, dons que nos s\u00e3o oferecidos pelos m\u00e9ritos da paix\u00e3o de Cristo: \u201cNa f\u00e9 em Deus, por quem vivemos, na esperan\u00e7a do que cremos, no dom da santa caridade, de Cristo as gl\u00f3rias entoemos\u201d. A confirma\u00e7\u00e3o do que acabamos de fazer bem como a refer\u00eancia \u00e0 paix\u00e3o de Cristo aparecem na estrofe seguinte: \u201cAo sacrif\u00edcio da Paix\u00e3o na hora ter\u00e7a conduzido, Jesus levando a cruz \u00e0s costas, arranca \u00e0s trevas o perdido\u201d. Essa refer\u00eancia \u00e0 reden\u00e7\u00e3o sobressai mais nitidamente na terceira estrofe: \u201cV\u00f3s nos livrastes do decreto duma total condena\u00e7\u00e3o; do mundo mau livrai o povo, fruto da vossa reden\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Ora\u00e7\u00e3o das Doze Horas a refer\u00eancia \u00e0 paix\u00e3o de Cristo j\u00e1 aparece de modo expl\u00edcito na primeira estrofe: \u201cNa mesma hora em que Jesus, o Cristo, sofreu a sede, sobre a cruz pregado, conceda a sede de justi\u00e7a e gra\u00e7a a quem celebra o seu louvor sagrado\u201d. A estrofe seguinte \u00e9 importante pelo fato de veicular a Liturgia das Horas ao sacramento da eucaristia: \u201cAo mesmo tempo ele nos seja a fome e o P\u00e3o divino que a si mesmo d\u00e1; seja o pecado para n\u00f3s fastio, s\u00f3 no bem possa o nosso gozo estar\u201d. Aqui se concebe a eucaristia como sacramento do sacrif\u00edcio de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ora\u00e7\u00e3o das Quinze Horas, por sua vez, usa do simbolismo num\u00e9rico para evocar o mist\u00e9rio da morte redentora de Cristo: \u201cO n\u00famero sagrado, tr\u00eas vezes tr\u00eas das horas, abrindo um novo espa\u00e7o, nos chama \u00e0 prece, agora. Ao nome de Jesus, perd\u00e3o seu povo implora\u201d (1\u00aa estrofe). A terceira estrofe celebra a vit\u00f3ria da cruz sobre a morte e o retorno da luz ap\u00f3s as densas trevas, uma clara refer\u00eancia \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo: \u201cAgora morre a morte, vencida pela cruz; ap\u00f3s as trevas densas, serena, volta a luz; o horror do mal se quebra, nas mentes Deus reluz\u201d.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Pastoral da Liturgia da Horas<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia em geral, j\u00e1 bem antes do final do primeiro mil\u00eanio e devido a v\u00e1rios fatores, deixou de ser acess\u00edvel ao povo crist\u00e3o, j\u00e1 o dissemos, tornando-se \u201cof\u00edcio\u201d de \u201cm\u00e3o de obra especializada\u201d, isto \u00e9, monges e clero. \u00c0 eucaristia o povo assistia, mas n\u00e3o participava; ia \u00e0 missa apenas para ver o \u201cmilagre eucar\u00edstico\u201d. O famoso Decreto de Graciano (1140-1150) deixa muito clara a distin\u00e7\u00e3o entre os \u201cespirituais\u201d (os monges e o clero), classe destinada ao of\u00edcio divino, e os \u201ccarnais\u201d, aqueles que se casam e podem depositar suas oferendas no altar, pagar os d\u00edzimos&#8230; (THION, 2005, p. 342). Uma situa\u00e7\u00e3o que perdurou na Igreja Cat\u00f3lica at\u00e9 o Conc\u00edlio Vaticano II. Isso j\u00e1 aponta para o desafio de uma mudan\u00e7a de mentalidade, consolidada por s\u00e9culos de hist\u00f3ria. Para agravar esse desvio, a Igreja precisa lidar com a quest\u00e3o do estilo de vida moderno, que deixa as pessoas cada vez mais sem tempo para cuidar de sua vida pessoal e, aqui, a dimens\u00e3o espiritual \u00e9 a mais prejudicada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas iniciativas t\u00eam sido tomadas: o reconhecimento oficial da Igreja que a liturgia \u00e9 culto p\u00fablico, inclusive a Liturgia da Horas:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exemplo e o preceito do Senhor e dos Ap\u00f3stolos de orar sempre e com insist\u00eancia n\u00e3o devem ser considerados como regra meramente legal, mas derivam da ess\u00eancia \u00edntima da pr\u00f3pria Igreja, que \u00e9 comunidade e deve expressar seu car\u00e1ter comunit\u00e1rio tamb\u00e9m ao orar. Mas a ora\u00e7\u00e3o da comunidade tem dignidade especial, j\u00e1 que o pr\u00f3prio Cristo disse: \u201cOnde dois ou tr\u00eas estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles\u201d (Mt 18,20). (IGLH 9)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">E mais adiante se reconhece que \u201cA Liturgia das Horas, como as demais a\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, n\u00e3o \u00e9 a\u00e7\u00e3o particular, mas algo que pertence a todo o Corpo da Igreja e o manifesta e atinge\u201d (IGLH 20), seguindo um princ\u00edpio vital estabelecido pelo Vaticano II (SC 26). Al\u00e9m disso, reconhece que a Liturgia das Horas \u00e9 \u00e1pice e fonte da atividade pastoral (IGLH 18), algo sobre o qual os leigos v\u00eam assumindo cada vez mais sua responsabilidade. Contudo a participa\u00e7\u00e3o dos leigos na ora\u00e7\u00e3o das horas \u00e9 ainda muito t\u00edmida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem, no Brasil, h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas surgiu o <em>Of\u00edcio Divino das Comunidades<\/em>, por\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o do povo continua t\u00edmida<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. No conjunto da Am\u00e9rica Latina, difundiu-se tamb\u00e9m a pr\u00e1tica da <em>Leitura Orante<\/em>, ligada n\u00e3o tanto \u00e0 Liturgia das Horas, mas \u00e0 pr\u00e1tica, tamb\u00e9m mon\u00e1stica, da <em>Lectio Divina<\/em>. Urge, contudo, que tais iniciativas sejam aprofundadas por peritos em liturgia e lideran\u00e7as comunit\u00e1rias, sem os quais qualquer reflex\u00e3o teol\u00f3gico-pastoral fica comprometida, e por pastores verdadeiramente comprometidos com as comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, adverte-se que seria totalmente ilus\u00f3rio esperar do crist\u00e3o contempor\u00e2neo um grau de comprometimento semelhante ao dos crist\u00e3os dos primeiros s\u00e9culos da vida da Igreja. Contudo, \u00e9 neste mundo, atrav\u00e9s de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos gigantescos que oferecem \u00e0s pessoas divers\u00f5es de todo o tipo, que a Igreja continua sendo enviada a anunciar, testemunhar e celebrar o Evangelho de Cristo.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Considera\u00e7\u00f5es conclusivas<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do texto, procuramos conceituar, mostrar a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, apresentar a teologia simb\u00f3lica e os desafios pastorais da Liturgia das Horas. Com isso, esperamos ter conseguido mostrar o verdadeiro esp\u00edrito dessa forma de ora\u00e7\u00e3o da Igreja, que lhe \u00e9 essencial. Chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que se trata de algo verdadeiramente evang\u00e9lico e vital para o caminho dos crist\u00e3os, apesar de todas as suas vicissitudes. Uma vez que \u00e9 o exerc\u00edcio sacerdotal de Cristo que une a si sua dileta Esposa, a Igreja, sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, a Liturgia das Horas conserva sua for\u00e7a de santificar o ser humano e consagrar o tempo e todas as atividades humanas ao Deus da vida, banhando o mundo, a cada hora, com uma onda de Ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Marco Antonio Morais Lima<\/em>, SJ. Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco. Texto original portugu\u00eas.\u00a0Submetido: 15\/11\/2021. Aprovado: 15\/12\/2021. Publicado: 30\/12\/2021.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">AUG\u00c9, M. <em>Liturgia.<\/em> Hist\u00f3ria, celebra\u00e7\u00e3o, teologia, espiritualidade. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO VATICANO II. <em>Sacrosanctum Concilium.<\/em> Constitui\u00e7\u00e3o sobre a sagrada liturgia. Petr\u00f3polis: Vozes, 1968.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONGREGA\u00c7\u00c3O DO CULTO DIVINO E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. <em>Liturgia das Horas<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes; S\u00e3o Paulo: Paulinas\/Paulus, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEIKAM, R. M. La Liturgia delle Ore nei primi quattro secoli. In: CHUPUNGCO, A. J. <em>Scientia Liturgica.<\/em> Manuale di liturgia V. Casale Monferrato: Piemme, 2000. p. 90-130.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAFFA, V. Liturgia das Horas. In; SARTORE, D.; TRIACCA, A. M. <em>Dicion\u00e1rio de Liturgia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2004. p. 651-670.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TAFT, R. F. Teologia della Liturgia delle Ore. In: CHUPUNGCO, A. J. <em>Scientia Liturgica<\/em>. Manuale di liturgia V. Casale Monferrato: Piemme, 2000. p. 150-165.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Veja-se a este respeito a breve, por\u00e9m profunda, exposi\u00e7\u00e3o de TABORDA, F. <em>O Memorial da P\u00e1scoa do Senhor<\/em><strong>. <\/strong>Ensaios lit\u00fargico-teol\u00f3gicos sobre a eucaristia. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2009, p. 21-37.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Sobre o Of\u00edcio Divino das Comunidades, veja-se o verbete nesta mesma Enciclop\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Muito se investiu nos \u00faltimos anos na cria\u00e7\u00e3o de aplicativos, que disponibilizam, em formato digital, o conjunto da Liturgia das Horas. Outros formatos, ligados \u00e0 Leitura Orante, tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis, como Lecionaltas, Passo a Rezar, Prayer walking etc.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Desenvolvimento Hist\u00f3rico 2.1 A ora\u00e7\u00e3o das horas no Novo Testamento 2.1.1 Jesus orava e recomendava a ora\u00e7\u00e3o incessante 2.1.2 Ora\u00e7\u00e3o das horas na Igreja Apost\u00f3lica 2.2 A evolu\u00e7\u00e3o do Of\u00edcio Divino do s\u00e9c. II ao s\u00e9c. V\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 2.3 O Of\u00edcio Divino da Idade M\u00e9dia ao Vaticano II 3 Estrutura e elementos do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-2578","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2578","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2578"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2578\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2653,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2578\/revisions\/2653"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}