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{"id":2566,"date":"2021-12-30T08:17:34","date_gmt":"2021-12-30T11:17:34","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2566"},"modified":"2022-01-09T16:04:25","modified_gmt":"2022-01-09T19:04:25","slug":"exequias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2566","title":{"rendered":"Ex\u00e9quias"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 A morte faz parte da vida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Celebrar por ocasi\u00e3o da morte: uma tradi\u00e7\u00e3o da Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1 Rituais de ex\u00e9quias da Igreja latina<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2 Considera\u00e7\u00f5es acerca do ritual de ex\u00e9quias de 1969<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Para melhor celebrar por ocasi\u00e3o da morte: sugest\u00f5es pastorais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>1 A morte faz parte da vida \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Francisco de Assis conclui o c\u00e9lebre \u201cC\u00e2ntico das criaturas\u201d louvando a \u201cirm\u00e3 morte\u201d: \u201cLouvado sejas, meu Senhor, pela nossa irm\u00e3, a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar. [&#8230;] Bem-aventurados os que ela encontrar na tua sant\u00edssima vontade, porque a morte segunda n\u00e3o lhes far\u00e1 mal\u201d. O santo de Assis foi coerente com esse motivo inusitado de louvor. Seus bi\u00f3grafos relatam que, no momento extremo de sua vida, ele entoou o salmo 141, juntamente com os irm\u00e3os que o acercavam. Ali\u00e1s, o momento da morte de s\u00e3o Francisco foi t\u00e3o expressivo que, at\u00e9 nossos dias, a fam\u00edlia franciscana se re\u00fane, a cada ano, na v\u00e9spera de sua festa, \u00e0 noite, para celebrar o <em>transitus<\/em> do ser\u00e1fico pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte faz parte da vida. N\u00e3o por acaso, em diversas culturas e religi\u00f5es, s\u00e3o celebrados ritos f\u00fanebres, no intento de honrar, reverenciar, agradecer, despedir-se, \u201crecomendar\u201d o ente querido \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da divindade. Trata-se de uma esp\u00e9cie de conclus\u00e3o dos \u201critos de passagem\u201d. Esses ritos abarcam est\u00e1gios significativos da vida humana, como: o nascimento, a inf\u00e2ncia, a idade adulta, a inicia\u00e7\u00e3o religiosa etc. Os ritos f\u00fanebres evidenciam, por um lado, a despedida do defunto deste mundo terrestre e, por outro, buscam reintegr\u00e1-lo em outro lugar, que \u00e9 o da mem\u00f3ria. S\u00e3o igualmente importantes no processo de luto, pois, al\u00e9m de \u201chomenagearem\u201d o defunto, exercem um efeito restaurador nas pessoas que deles participam, ou seja: refor\u00e7am a comunh\u00e3o, estreitam os la\u00e7os de solidariedade, de cumplicidade e de compaix\u00e3o m\u00fatuas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, nos tempos atuais, \u00e9 percept\u00edvel o paradoxo da nega\u00e7\u00e3o e da banaliza\u00e7\u00e3o da morte. Ao mesmo tempo que se oculta a realidade da morte, s\u00e3o veiculadas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o not\u00edcias com excessivas doses de sensacionalismo, dando-nos a impress\u00e3o de estarmos assistindo a um aterrorizante espet\u00e1culo. E, para agravar a situa\u00e7\u00e3o, o mundo inteiro, a partir do final do ano de 2019, se viu mergulhado num oceano de tormentas, provocado pela pandemia do Sars-CoV-2. Mesmo sabendo que o isolamento social tem sido um dos meios mais seguros para conter a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, igualmente se constata que essa medida preventiva provocou graves efeitos colaterais em boa parte da popula\u00e7\u00e3o do planeta. A impossibilidade de as pessoas visitarem seus parentes e amigos enfermos e de celebrarem dignamente os ritos f\u00fanebres, em mem\u00f3ria de seus entes queridos falecidos, tem causado danos irrepar\u00e1veis em muitas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O alto \u00edndice de patologias oriundas de um \u201cluto complicado\u201d, nesses tempos de pandemia, tem despertado a aten\u00e7\u00e3o de psic\u00f3logos e psiquiatras, \u201cpor se tratar de uma situa\u00e7\u00e3o adversa, na qual muitos est\u00e3o perdendo muitas coisas, n\u00e3o s\u00f3 pessoas, o tempo da elabora\u00e7\u00e3o desse momento poder\u00e1 ser ainda mais longo e lento, e em esfera coletiva, j\u00e1 que toda a sociedade est\u00e1 sofrendo\u201d (MELO, 2020, p. 1). O c\u00e9lebre te\u00f3logo portugu\u00eas J. Tolentino Mendon\u00e7a aponta as principais fases que devem ser respeitadas no trabalho de luto, nestes termos:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisar\u00edamos primeiro chorar a nossa impossibilidade de consola\u00e7\u00e3o (extraordin\u00e1ria frase do Antigo Testamento em que S\u00e3o Mateus recupera, para seu Evangelho, a cena da morte dos inocentes: \u201cOuviu-se uma voz em Ram\u00e1, uma lamenta\u00e7\u00e3o e um grande pranto: \u00e9 Raquel que chora os seus filhos e n\u00e3o quer ser consolada\u201d \u2013 Mt 2,18). Precisar\u00edamos depois chorar e ser consolados, em pequenos passos. E integrar ent\u00e3o, progressivamente, a aus\u00eancia numa nova compreens\u00e3o desse mist\u00e9rio que \u00e9 a presen\u00e7a dos outros na nossa vida. (MENDON\u00c7A, 2016, p. 16-17)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 consenso que a pandemia tenha colocado a popula\u00e7\u00e3o mundial numa enigm\u00e1tica encruzilhada. O importante \u00e9 que se decida por um caminho por onde o trabalho de luto seja menos traum\u00e1tico.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Celebrar por ocasi\u00e3o da morte: uma tradi\u00e7\u00e3o da Igreja\u00a0 <\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito da f\u00e9 crist\u00e3, a morte \u00e9 tida como coroamento de uma experi\u00eancia pascal da vida. Os sacramentos de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, sobretudo o batismo, inserem a pessoa nessa experi\u00eancia. Nas \u00e1guas do batismo, se d\u00e1, sacramentalmente, a passagem da morte \u00e0 vida, da sepultura \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo batismo, fomos sepultados juntamente com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos por meio da gl\u00f3ria do Pai, assim tamb\u00e9m n\u00f3s caminhemos em uma vida nova. Com efeito, se nos tornamos unidos a ele por uma morte semelhante \u00e0 sua, seremos semelhantes a ele tamb\u00e9m pela ressurrei\u00e7\u00e3o. (Rm 6,4-6)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida crist\u00e3 consiste numa progressiva configura\u00e7\u00e3o a Cristo, como bem expressa o Ap\u00f3stolo: \u201cCristo ser\u00e1 engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Para mim, o viver \u00e9 Cristo e o morrer, lucro\u201d (Fl 1,20-21). Nesse dinamismo pascal, a morte corporal \u00e9 encarada como plenitude da vida. Uma vez incorporado \u00e0 comunidade dos que renasceram pelas \u00e1guas batismais, o crist\u00e3o n\u00e3o vive mais para si mesmo, mas para aquele que o livrou das trevas e o transferiu para o reino do Filho amado (cf. Cl 1,13). Assim, momentos marcantes da vida da comunidade, como a morte de um irm\u00e3o ou irm\u00e3, s\u00e3o celebrados por toda a Igreja, o corpo vivo de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 sabido que os crist\u00e3os dos primeiros s\u00e9culos incorporaram, nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, diversos elementos da cultura dos povos da \u00e9poca. Em outras palavras, os ritos crist\u00e3os s\u00e3o fruto de uma sadia \u201cincultura\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, da m\u00fatua fecunda\u00e7\u00e3o de elementos pr\u00f3prios da cultura com a f\u00e9 crist\u00e3. No caso dos ritos relacionados com a morte, costumes \u201cpag\u00e3os\u201d foram adaptados pelos crist\u00e3os, por exemplo: a) o vi\u00e1tico (comunh\u00e3o oferecida ao moribundo para fortalec\u00ea-lo na \u201c\u00faltima viagem\u201d) substitui a moeda que gregos e romanos punham na boca do defunto, para que este pudesse pagar o \u201cped\u00e1gio\u201d da sua viagem para o al\u00e9m; b) os salmos substituem as lamenta\u00e7\u00f5es, comuns no mundo romano; c) o <em>refrigerium<\/em> (refei\u00e7\u00e3o f\u00fanebre \u201cpag\u00e3\u201d que se realizava sobre o t\u00famulo do defunto, no terceiro, s\u00e9timo, trig\u00e9simo dia e no anivers\u00e1rio depois da morte) fez com que alguns crist\u00e3os celebrassem a eucaristia junto ao t\u00famulo de seus entes queridos. Tal pr\u00e1tica, pouco a pouco, foi transferida para os espa\u00e7os das igrejas, dando origem \u00e0s \u201cmissas pelos fi\u00e9is defuntos\u201d.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1 Rituais de ex\u00e9quias da Igreja latina<\/em> <\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num breve percurso, ser\u00e3o apontadas algumas caracter\u00edsticas teol\u00f3gico-lit\u00fargicas extra\u00eddas dos principais rituais de ex\u00e9quias da Igreja latina, a saber: o ritual romano do s\u00e9culo VII, os rituais romano-galicanos dos s\u00e9culos VIII-IX, o ritual romano de 1614 e o ritual romano de 1969 (cf. ROUILLARD, 1993, p. 237-242).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ritual romano do s\u00e9culo VII \u00e9 tido como o mais antigo e, por isso, merece uma aten\u00e7\u00e3o especial. Aqui, se encontra um itiner\u00e1rio sucinto sobre os procedimentos dispensados ao moribundo, no seu leito de morte, bem como as orienta\u00e7\u00f5es para a celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias. Eis o texto (com tradu\u00e7\u00e3o nossa) do \u201cOrdin\u00e1rio de como agir em favor dos defuntos\u201d:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Logo que o vejas aproximar-se da morte, o doente dever\u00e1 comungar do santo sacrif\u00edcio, mesmo que tenha comido naquele dia, pois a comunh\u00e3o ser\u00e1 para ele uma ajuda e defesa na ressurrei\u00e7\u00e3o dos justos. Ela o ressuscitar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-indent: 36px;\">2. Ap\u00f3s receber a comunh\u00e3o, ser\u00e1 lida por um presb\u00edtero ou di\u00e1cono a <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Paix\u00e3o do Senhor<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> diante do corpo de enfermo, at\u00e9 quando a alma sair do corpo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-indent: 36px;\">3. Antes, por\u00e9m, que a alma tenha sa\u00eddo do corpo, diz-se: R\/. \u201cSantos de Deus, socorrei-o. V\/. Acolha-te Cristo\u201d. <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Salmo 113<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> (Quando o povo de Israel saiu do Egito). <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Ant\u00edfona:<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> \u201cO coro dos anjos te acolha\u201d. O sacerdote diz a ora\u00e7\u00e3o como nos sacramentos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-indent: 36px;\">4. Em seguida, o corpo \u00e9 lavado e colocado no caix\u00e3o. E depois que o corpo estiver no caix\u00e3o, antes de sair da casa, se diz a <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">ant\u00edfona<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\">: \u201cFormastes-me da terra e vestiste-me de carne, meu Redentor; ressuscitai-me no \u00faltimo dia\u201d. <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Salmo 96<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> (O Senhor reinou).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-indent: 36px;\">5. Em seguida, o corpo \u00e9 colocado no interior da igreja. Diz-se: <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Ant\u00edfona<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\">: \u201cSenhor, ordenastes que eu nascesse\u201d. <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Salmo 41<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> (Como a cor\u00e7a suspira). <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Ant\u00edfona:<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> \u201cOs anjos te levem ao para\u00edso de Deus; na tua chegada, os m\u00e1rtires te recebam, e te levem \u00e0 cidade santa de Jerusal\u00e9m\u201d. <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Salmo 4<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> (Quando eu chamo, respondei-me!).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-indent: 36px;\">6. Enquanto \u00e9 levado para a sepultura: <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Ant\u00edfona:<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> \u201cAquele que chamou a tua alma para a vida\u201d. <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Salmo 14<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> (Senhor, quem morar\u00e1?). <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Ant\u00edfona:<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> \u201cSenhor, que tomastes a alma do corpo, faze-a alegrar-se com vossos santos em vossa gl\u00f3ria\u201d. <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Salmo 50<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> (Tende piedade, \u00f3 meu Deus). <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Ant\u00edfona:<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> \u201cVede, Senhor, a minha humildade e o meu sofrimento, perdoai todos os meus pecados\u201d. <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Salmo 24<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> (Senhor, meu Deus, a v\u00f3s elevo a minha alma). <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Ant\u00edfona:<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> \u201cOs anjos te conduzam para o reino de Deus com gl\u00f3ria; os m\u00e1rtires te recebam no vosso reino, Senhor. Da terra o moldastes e o revestistes de carne, meu Redentor, ressuscitai-o no \u00faltimo dia. <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Salmo 50<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> (Tende piedade, \u00f3 meu Deus).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-indent: 36px;\">7. E quando for colocado na igreja, todos rezam por esta mesma alma sempre, sem parar, at\u00e9 que o corpo seja sepultado. Cantem salmos ou respons\u00f3rios, digam ora\u00e7\u00f5es ou se fa\u00e7am leituras do livro de J\u00f3 e, quando chegar a hora das vig\u00edlias, ao mesmo tempo, celebrem a vig\u00edlia, digam salmos com as ant\u00edfonas sem aleluia. O sacerdote, por\u00e9m, diz a ora\u00e7\u00e3o, enquanto cantam a <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">ant\u00edfona:<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> \u201cAbri-me as portas da justi\u00e7a e, entrando por elas, cantarei ao Senhor\u201d. <\/span><em style=\"text-indent: 36px;\">Salmo 117<\/em><span style=\"text-indent: 36px;\"> (Dai gra\u00e7as ao Senhor).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num olhar panor\u00e2mico sobre este <em>Ordo <\/em>do s\u00e9culo VII, facilmente se percebe seu car\u00e1ter pascal. Os salmos pascais 113 e 117 que emolduram o ritual deixam entrever que h\u00e1 uma correspond\u00eancia tipol\u00f3gica entre as ex\u00e9quias e o \u00eaxodo, ou seja: \u201co defunto experimenta a sua sa\u00edda do Egito e o seu ingresso na terra prometida, onde \u00e9 acolhido pelos anjos e pelos santos\u201d (ROUILLARD, 1993, p. 239). Isso aparece expl\u00edcito no rito descrito acima. O cortejo f\u00fanebre \u2013 da casa do defunto, passando pela igreja, at\u00e9 \u00e0 sepultura \u2013 possui um sentido escatol\u00f3gico: a comunidade \u201cacompanha\u201d o ente querido, na \u201cviagem\u201d at\u00e9 sua morada definitiva, a \u201cJerusal\u00e9m celeste\u201d. Aqui, ser\u00e3o acolhidos pelos habitantes do c\u00e9u aqueles que \u201cvenceram a grande tribula\u00e7\u00e3o\u201d (Ap 7,14). Enfim, no presente ritual, predomina a certeza de que o defunto entrar\u00e1 na gl\u00f3ria, sem maiores empecilhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos rituais romano-galicanos dos s\u00e9culos seguintes, a eucologia muda substancialmente. A mentalidade dos povos franco-germ\u00e2nicos influenciou, de forma decisiva, no conte\u00fado das ora\u00e7\u00f5es e moni\u00e7\u00f5es, a saber: a) os insistentes pedidos da miseric\u00f3rdia e do perd\u00e3o de Deus em favor do defunto, bem como a prote\u00e7\u00e3o contra todos os perigos a que ele se acha exposto, na sua \u201cviagem\u201d para o al\u00e9m; b) a inseguran\u00e7a da parte dos fi\u00e9is quanto ao destino eterno da pessoa que acabou de falecer; c) a eucaristia, que passa a ocupar o lugar central nos funerais, e a consequente mentalidade de \u201csacrif\u00edcio de propicia\u00e7\u00e3o e de sufr\u00e1gio\u201d em favor dos defuntos. S\u00e9culos mais tarde, o reducionismo chegar\u00e1 a tal ponto de, na missa de ex\u00e9quias, os fi\u00e9is n\u00e3o comungarem, a fim de reverter ao defunto os \u201cm\u00e9ritos\u201d obtidos com tal celebra\u00e7\u00e3o; d) a falta de clareza na rela\u00e7\u00e3o entre a morte do fiel e o mist\u00e9rio pascal de Cristo. Ali\u00e1s, Cristo e o Esp\u00edrito Santo s\u00e3o pouco mencionados, exceto na conclus\u00e3o trinit\u00e1ria das ora\u00e7\u00f5es. As ora\u00e7\u00f5es s\u00e3o dirigidas a Deus, mas n\u00e3o explicitam que ele enviou seu Filho para a salva\u00e7\u00e3o dos humanos. \u201cEm suma, esta teologia do al\u00e9m parece quase toda inspirada no Antigo Testamento e pouco animada pela boa nova do Evangelho. [&#8230;] N\u00e3o \u00e9 nem cristol\u00f3gica nem pascal\u201d (ROUILLARD, 1993, p. 241).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ritual romano de 1614 faz parte do conjunto de livros lit\u00fargicos promulgados pela Igreja, depois do Conc\u00edlio de Trento. O desenrolar dos funerais obedece ao antigo costume processional, a saber: da casa do defunto at\u00e9 \u00e0 igreja; da igreja para o cemit\u00e9rio. Quanto \u00e0 teologia, esse ritual traz no seu bojo influ\u00eancias diretas dos rituais anteriores, sobretudo daqueles advindos do imp\u00e9rio carol\u00edngio. Tais influ\u00eancias s\u00e3o percept\u00edveis nas ambiguidades ali presentes: ao lado de uma eucologia, advinda dos antigos sacrament\u00e1rios romanos, que revela a plena confian\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o, convive outra, que expressa a incerteza e o terror diante da morte e do \u201cdestino da alma\u201d. A t\u00edtulo de exemplo, vale citar o respons\u00f3rio que segue \u00e0 ora\u00e7\u00e3o do Pai-nosso:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\/. E n\u00e3o nos deixes cair em tenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-indent: 36px;\">R\/. Mas livra-nos do mal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-indent: 36px;\">V\/. Da porta do inferno.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-indent: 36px;\">R\/. Arrebata, Senhor, a sua alma&#8230;<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se pode observar, o texto sugere que todos os defuntos correm o perigo de confundir a \u201cporta\u201d do inferno com a do c\u00e9u. Ali\u00e1s, a concep\u00e7\u00e3o atemorizante da morte e da d\u00favida quanto ao destino do defunto era largamente veiculada na reflex\u00e3o e prega\u00e7\u00e3o da Igreja, cujo \u00e1pice se deu nos s\u00e9culos XVI e XVII. Outros impasses teol\u00f3gicos s\u00e3o percept\u00edveis como: a) a inexpressiva refer\u00eancia ao mist\u00e9rio pascal; b) a aus\u00eancia de v\u00ednculo com o sacramento do batismo; c) uma eucologia exclusiva para o defunto. Nas ora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 qualquer men\u00e7\u00e3o aos vivos que choram a perda de seus entes queridos; e) um ritual para ser executado exclusivamente pelo clero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica ritual de ex\u00e9quias \u00e9, igualmente, pouco pascal. A sequ\u00eancia \u201c<em>Dies irae<\/em>\u201d e o \u201cOfert\u00f3rio\u201d da \u201cMissa de <em>R\u00e9quiem<\/em>\u201d s\u00e3o bons exemplos disso. Nestas duas pe\u00e7as musicais, dentre outros aspectos, v\u00eam expressos o medo do inferno, o pessimismo diante da vida e a cren\u00e7a generalizada de que \u201cpoucos se salvam\u201d. H\u00e1 quem afirme que a ant\u00edfona \u201c<em>Domine Jesu Christe<\/em>\u201d (Ofert\u00f3rio) seja o texto mais enigm\u00e1tico \u2013 n\u00e3o s\u00f3 da liturgia de ex\u00e9quias como de toda a liturgia romana \u2013, devido ao pedido para que Cristo \u201cliberte as almas de todos os defuntos das penas do inferno\u201d. A rigor, trata-se de algo paradoxal, pelo fato de a teologia sustentar que \u00e9 imposs\u00edvel passar do inferno ao para\u00edso, portanto, um conflito com o princ\u00edpio <em>lex credendi lex suplicandi<\/em> (cf. SORESSI, 1947, p. 245-252).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados quatro s\u00e9culos de uso desse ritual pela Igreja latina, a Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino publicou, em 1969, um novo ritual de ex\u00e9quias. A <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> havia pedido, expressamente, que o novo ritual de ex\u00e9quias exprimisse com mais clareza a \u00edndole pascal da morte crist\u00e3 e que melhor correspondesse \u00e0s condi\u00e7\u00f5es das diversas regi\u00f5es, tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cor lit\u00fargica e ao rito de ex\u00e9quias de crian\u00e7as (cf. SC, n. 81-82).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse ritual \u00e9 composto de uma introdu\u00e7\u00e3o geral (Observa\u00e7\u00f5es preliminares), em que s\u00e3o apresentadas suas bases teol\u00f3gicas e pastorais e de oito cap\u00edtulos, assim constitu\u00eddos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>a) Vig\u00edlia pelo defunto e ora\u00e7\u00e3o quando o corpo \u00e9 colocado no caix\u00e3o (cap. I)<\/em>. Trata-se de uma celebra\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, sob a presid\u00eancia de um presb\u00edtero ou ministro(a) leigo(a). No momento da deposi\u00e7\u00e3o do corpo no caix\u00e3o, \u00e9 previsto um breve rito constitu\u00eddo de salmos, leitura breve e ora\u00e7\u00e3o conclusiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>b) Primeiro tipo de ex\u00e9quias: celebra\u00e7\u00f5es na casa do defunto, na igreja e no cemit\u00e9rio (cap. II). <\/em>Aqui, conserva-se a tradi\u00e7\u00e3o dos antigos rituais, com duas prociss\u00f5es, interligando tr\u00eas esta\u00e7\u00f5es, a saber: da casa do defunto at\u00e9 \u00e0 igreja, e desta ao cemit\u00e9rio. Nesses tr\u00eas locais, est\u00e3o previstas ora\u00e7\u00f5es, salmos, respons\u00f3rios etc., e a eucaristia (na igreja).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>c) Segundo tipo de ex\u00e9quias: celebra\u00e7\u00f5es na capela do cemit\u00e9rio e junto \u00e0 sepultura (cap. III)<\/em>. Aqui, o ritual n\u00e3o prev\u00ea a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia. Na capela do cemit\u00e9rio, celebra-se uma liturgia da Palavra de Deus, seguida da \u201cencomenda\u00e7\u00e3o e despedida\u201d. Junto \u00e0 sepultura, rezam-se as ora\u00e7\u00f5es indicadas e canta-se algum \u201ccanto apropriado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>d) Terceiro tipo de ex\u00e9quias: celebra\u00e7\u00f5es na casa do defunto (cap. IV)<\/em>. Esta terceira possibilidade de celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 similar \u00e0 da \u201cVig\u00edlia\u201d (cap. I), seguida da \u201cencomenda\u00e7\u00e3o e despedida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>e) Ex\u00e9quias para crian\u00e7as (cap. V)<\/em>. Para este tipo de ex\u00e9quias, h\u00e1 textos pr\u00f3prios (ora\u00e7\u00f5es e leituras b\u00edblicas), al\u00e9m da recomenda\u00e7\u00e3o de que a cor lit\u00fargica seja \u201cfestiva e pascal\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>f) Textos diversos: para<\/em> <em>ex\u00e9quias de adultos (cap. VI), ex\u00e9quias de crian\u00e7as batizadas (cap. VII), ex\u00e9quias de crian\u00e7as n\u00e3o batizadas (cap. VIII).<\/em><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.2 Considera\u00e7\u00f5es acerca do ritual de ex\u00e9quias de 1969<\/strong><\/em><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem sombra de d\u00favidas, o novo ritual de ex\u00e9quias constitui um expressivo avan\u00e7o frente ao antigo. A t\u00edtulo de exemplo, podem-se destacar os seguintes pontos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>a) O restabelecimento da perspectiva pascal e eclesial.<\/em> Essa perspectiva constitui o fio condutor de todo o ritual. J\u00e1 no in\u00edcio das \u201cObserva\u00e7\u00f5es preliminares\u201d, lemos:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja celebra com profunda esperan\u00e7a o mist\u00e9rio pascal de Cristo nas ex\u00e9quias de seus filhos, para que eles, incorporados pelo batismo a Cristo defunto e ressuscitado, passem com ele da morte \u00e0 vida. [&#8230;] Por isso a santa M\u00e3e Igreja oferece o sacrif\u00edcio eucar\u00edstico da P\u00e1scoa de Cristo e eleva a Deus suas ora\u00e7\u00f5es e sufr\u00e1gios pela salva\u00e7\u00e3o de seus defuntos, para que, pela comunh\u00e3o existente entre os membros de Cristo, o que para um serve de sufr\u00e1gio a outros sirva de consolo e esperan\u00e7a. (n. 1)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00ea-se, com clareza, a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o entre as ex\u00e9quias e os sacramentos primordiais: o batismo e a eucaristia. Pode-se afirmar, igualmente, que a celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias constitui o arremate de uma vida tecida no seio da comunidade eclesial e alimentada pelos sacramentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>b) Uma eucologia mais abrangente.<\/em> Vale destacar nas ora\u00e7\u00f5es e nos pref\u00e1cios a presen\u00e7a de diversos \u201ctemas\u201d pouco explicitados no ritual tridentino, como: a esperan\u00e7a e a certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o, vinculadas \u00e0 P\u00e1scoa de Cristo; o perd\u00e3o e a miseric\u00f3rdia divina; o valor escatol\u00f3gico da eucaristia, definida como \u201cvi\u00e1tico na peregrina\u00e7\u00e3o terrena\u201d e \u201cpenhor da p\u00e1scoa eterna do c\u00e9u\u201d; a profiss\u00e3o de f\u00e9 na vit\u00f3ria pascal de Cristo; maior aten\u00e7\u00e3o aos enlutados etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>c) Um amplo lecion\u00e1rio.<\/em> Assim como os demais livros lit\u00fargicos, elaborados p\u00f3s-Conc\u00edlio Vaticano II, o ritual de ex\u00e9quias traz um rico lecion\u00e1rio. As \u201cObserva\u00e7\u00f5es preliminares\u201d apontam as raz\u00f5es para tal, nestes termos:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todas as celebra\u00e7\u00f5es pelos defuntos, tanto nas ex\u00e9quias como nas outras, d\u00e1-se muita import\u00e2ncia \u00e0 liturgia da Palavra de Deus. Estas leituras proclamam o mist\u00e9rio pascal, despertam a esperan\u00e7a de um novo encontro no Reino de Deus, ensinam-nos uma atitude crist\u00e3 para com os mortos e nos exortam a dar, por toda parte, o testemunho de uma vida crist\u00e3. (n. 11)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lecion\u00e1rio contempla um significativo acervo de leituras do Antigo e do Novo Testamento. Os textos v\u00eam apresentados na ordem em que s\u00e3o proclamados na a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica (primeira leitura \u2013 salmo responsorial \u2013 segunda leitura \u2013 aclama\u00e7\u00e3o ao evangelho \u2013 evangelho), e v\u00eam distribu\u00eddos em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es: \u201cEx\u00e9quias de adultos\u201d, \u201cEx\u00e9quias de crian\u00e7as batizadas\u201d e \u201cEx\u00e9quias de crian\u00e7as n\u00e3o batizadas\u201d.<\/p>\n<blockquote><p><em>d) A amplia\u00e7\u00e3o do acervo de salmos.<\/em> O novo ritual resgata um expressivo repert\u00f3rio de salmos que remontam \u00e0 antiga tradi\u00e7\u00e3o de celebra\u00e7\u00f5es exequiais, sobretudo aqueles de conte\u00fado pascal e de confian\u00e7a. Afinal, a linguagem po\u00e9tica, expressa nos diversos g\u00eaneros dos salmos, propicia \u00e0 comunidade de f\u00e9 solidarizar-se com quem est\u00e1 enfermo, aflito, inseguro, abandonado etc.: \u201cNa minha ang\u00fastia eu clamei pelo Senhor, e o Senhor me atendeu e libertou! O Senhor severamente me provou, mas n\u00e3o me abandonou \u00e0s m\u00e3os da morte\u201d (Sl 118\/117, 5.18).<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>e) A revis\u00e3o das ex\u00e9quias de crian\u00e7as.<\/em> O novo ritual contemplou o pedido da <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> para que fossem revisadas as ex\u00e9quias de crian\u00e7as, incluindo a cria\u00e7\u00e3o de formul\u00e1rio para uma \u201cmissa pr\u00f3pria\u201d (cf. SC n. 82). Tamb\u00e9m foram elaborados textos para ex\u00e9quias de crian\u00e7as n\u00e3o batizadas, ou seja, daquelas cujos pais desejavam t\u00ea-las batizadas, mas foram impedidos pela morte precoce. Uma caracter\u00edstica da eucologia dessas celebra\u00e7\u00f5es \u00e9 o fato de se confiar a crian\u00e7a (n\u00e3o batizada) \u00e0 miseric\u00f3rdia divina, sem fazer men\u00e7\u00e3o ao seu ingresso na gl\u00f3ria celeste; pede-se sobretudo pelos seus pais. Por tr\u00e1s dessa \u201comiss\u00e3o\u201d, se esconde a controvertida quest\u00e3o referente \u00e0 sorte das crian\u00e7as que morrem sem batismo. Vale recordar que, na ocasi\u00e3o em que tais ora\u00e7\u00f5es foram redigidas, predominava a doutrina comum de que as \u201calmas\u201d das crian\u00e7as n\u00e3o batizadas estavam impossibilitadas de desfrutar da \u201cvis\u00e3o beat\u00edfica\u201d de Deus. Essa quest\u00e3o foi discutida, quatro d\u00e9cadas depois, pela <em>Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional<\/em>. Em 2007, o papa Bento XVI aprovou e autorizou a publica\u00e7\u00e3o do documento \u201cA esperan\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o para as crian\u00e7as que morrem sem batismo\u201d, elaborado pela referida Comiss\u00e3o. O estudo chega \u00e0 seguinte conclus\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa conclus\u00e3o \u00e9 que os muitos fatores que antes consideramos oferecem s\u00e9rias raz\u00f5es teol\u00f3gicas e lit\u00fargicas para esperar que as crian\u00e7as que morrem sem batismo ser\u00e3o salvas e poder\u00e3o gozar da vis\u00e3o beat\u00edfica. Sublinhamos que se trata, aqui, de raz\u00f5es de <em>esperan\u00e7a<\/em> na ora\u00e7\u00e3o mais do que de conhecimento certo. Existem muitas coisas que simplesmente n\u00e3o foram reveladas (cf. Jo 16,12). Vivemos na f\u00e9 e na esperan\u00e7a no Deus de miseric\u00f3rdia e de amor que nos foi revelado em Cristo, e o Esp\u00edrito nos impele a orar em gratid\u00e3o e alegria constantes (cf. 1Ts 5,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"text-indent: 36px;\">O que nos foi revelado \u00e9 que o caminho ordin\u00e1rio de salva\u00e7\u00e3o passa atrav\u00e9s do sacramento do batismo. Nenhuma das considera\u00e7\u00f5es expostas anteriormente pode ser adotada para minimizar a necessidade do batismo, nem para retardar a sua administra\u00e7\u00e3o. Ainda mais, como queremos, aqui, reafirmar em conclus\u00e3o, existem fortes raz\u00f5es para esperar que Deus salvar\u00e1 essas crian\u00e7as, j\u00e1 que n\u00e3o se pode fazer por elas o que se teria desejado fazer, isto \u00e9, batiz\u00e1-las na f\u00e9 e na vida da Igreja. (CTI, 2008, n. 102-103)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ritual de ex\u00e9quias de 1969 inova tamb\u00e9m em outros aspectos, como: a admiss\u00e3o \u00e0 crema\u00e7\u00e3o (n. 15); o ministro das ex\u00e9quias, excetuando a eucaristia, pode ser um leigo (n. 19); a sensibilidade ecum\u00eanica da parte de quem prepara e preside as ex\u00e9quias, uma vez que \u00e9 comum nos vel\u00f3rios a presen\u00e7a de pessoas de outros credos ou mesmo sem nenhuma pr\u00e1tica religiosa (n. 18); a possibilidade de adapta\u00e7\u00f5es do ritual, pelas confer\u00eancias episcopais (n. 21-22) etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rematando estas considera\u00e7\u00f5es acerca do ritual de ex\u00e9quias de 1969, \u00e9 pertinente tamb\u00e9m apontar seus limites, como a exist\u00eancia de vest\u00edgios de uma escatologia dualista (corpo x alma) e a n\u00e3o adapta\u00e7\u00e3o do ritual da parte da maioria das confer\u00eancias episcopais. Estas e outras arestas poder\u00e3o ser aplainadas, \u00e0 medida que as igrejas se empenharem na elabora\u00e7\u00e3o de rituais que, al\u00e9m de uma boa teologia, levem em conta a realidade cultural das comunidades de f\u00e9.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Para melhor celebrar por ocasi\u00e3o da morte: sugest\u00f5es pastorais <\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como foi dito no in\u00edcio deste texto, a Igreja, em sua solicitude pastoral, sempre buscou encorajar e consolar seus filhos e filhas no momento extremo da exist\u00eancia, preparando-os para o \u00faltimo e decisivo combate espiritual, travado entre a vida e a morte. Bons exemplos disso s\u00e3o o rito da \u201cencomenda\u00e7\u00e3o da alma\u201d (1614) e o da \u201cencomenda\u00e7\u00e3o dos agonizantes\u201d (1969). Tais ritos \u2013 compostos de ora\u00e7\u00f5es, breves per\u00edcopes b\u00edblicas, jaculat\u00f3rias, responsos etc. \u2013 s\u00e3o realizados junto ao moribundo no seu leito de morte. Uma vez acontecido o desenlace, celebram-se as ex\u00e9quias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao celebrar a \u201cp\u00e1scoa\u201d de seus filhos e filhas, a Igreja continua sua nobre miss\u00e3o de consolar e confortar os enlutados, como bem exorta o Ap\u00f3stolo: \u201cSe cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos igualmente que Deus, por meio de Jesus, reunir\u00e1 consigo os que adormeceram. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras\u201d (1Ts 4,14.18). Nessa esteira de long\u00ednqua tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 urgente que a Igreja crie meios eficazes para a sedimenta\u00e7\u00e3o de uma \u201cpastoral da esperan\u00e7a\u201d, que sirva de contraponto ao paradoxal fen\u00f4meno de camuflagem e\/ou banaliza\u00e7\u00e3o da morte, t\u00edpico da sociedade hodierna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para maior efic\u00e1cia dessa \u201cpastoral da esperan\u00e7a\u201d, dentre outras coisas, deve-se levar em conta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>a) Uma a\u00e7\u00e3o conjunta com a \u201cpastoral da sa\u00fade\u201d.<\/em> O conforto espiritual dispensado ao enfermo, bem como \u00e0s pessoas da fam\u00edlia e a todos aqueles que se ocupam dos doentes, constitui um verdadeiro minist\u00e9rio da consola\u00e7\u00e3o. Esse \u201cminist\u00e9rio\u201d tende a se potencializar na vida das pessoas, sobretudo quando estas t\u00eam de enfrentar a dor da morte do ente querido e o consequente trabalho de luto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>b) Uma adequada forma\u00e7\u00e3o para agentes da \u201cpastoral da esperan\u00e7a\u201d<\/em>. A celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias e a consequente assist\u00eancia espiritual \u00e0s fam\u00edlias enlutadas requerem cuidadosa prepara\u00e7\u00e3o. Trata-se de um aprendizado que privilegiar\u00e1 a escuta da pessoa que sofre. Sem a cultura da escuta, torna-se imposs\u00edvel a abertura do canal da consola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escutar significa dar a palavra, dar tempo e espa\u00e7o ao outro, acolh\u00ea-lo tamb\u00e9m naquilo que ele recusa de si, dar-lhe direito de ser quem ele \u00e9 e de sentir aquilo que sente e fornecer-lhe a possibilidade de se exprimir. Escutar \u00e9 ato que humaniza o homem e que suscita a humanidade do outro. (MANICARDI, 2017, p. 15)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas ex\u00e9quias e nas celebra\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0s fam\u00edlias enlutadas, a escuta tem espa\u00e7o privilegiado no momento da \u201crecorda\u00e7\u00e3o da vida\u201d. Aqui, as pessoas s\u00e3o convidadas a expressar seus sentimentos e fazer a mem\u00f3ria da \u201cpassagem\u201d do ente querido, \u00e0 luz do mist\u00e9rio pascal de Cristo. Fatos, palavras e a\u00e7\u00f5es do(a) defunto(a) se convertem num verdadeiro \u201ctestamento\u201d a ser cumprido por todos. Igualmente, a escuta da Palavra de Deus e sua vincula\u00e7\u00e3o com o que foi dito na \u201crecorda\u00e7\u00e3o da vida\u201d se converter\u00e3o em substancioso alimento para a vida e rem\u00e9dio eficaz no combate da tristeza e da dor da separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros conte\u00fados estudados, ao longo do processo formativo, dever\u00e3o corroborar tal \u201cescuta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>c) A cria\u00e7\u00e3o de roteiros exequiais adaptados \u00e0s necessidades pastorais de cada regi\u00e3o<\/em>. O ritual de ex\u00e9quias de 1969 deixa ampla margem para que as confer\u00eancias episcopais fa\u00e7am adapta\u00e7\u00f5es, conforme as necessidades pastorais de cada regi\u00e3o (cf. n. 21-22). Infelizmente, a grande maioria das confer\u00eancias episcopais optou pela simples tradu\u00e7\u00e3o do ritual. O liturgista Greg\u00f3rio Lutz \u2013 de saudosa mem\u00f3ria \u2013, enquanto tecia considera\u00e7\u00f5es sobre um novo ritual de ex\u00e9quias para o Brasil, lamentou o fato de o ritual de 1969 ter sido apenas traduzido, sem qualquer adapta\u00e7\u00e3o, nestes termos:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que ele exprime a f\u00e9 aut\u00eantica crist\u00e3 com respeito \u00e0 morte, mas esta f\u00e9 \u00e9 expressa numa linguagem que, aqui, dificilmente se entende. \u00c9 por isso que este novo ritual n\u00e3o foi t\u00e3o bem aceito como o teria sido um ritual adaptado, eventualmente com sugest\u00f5es diferentes para as regi\u00f5es com as tradi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e para ambientes diversificados. (LUTZ, 1998, p. 33)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa opini\u00e3o de Lutz pode ser aplicada a outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. No caso do Brasil, o que tem acontecido, na pr\u00e1tica, s\u00e3o publica\u00e7\u00f5es de subs\u00eddios alternativos para celebra\u00e7\u00f5es exequiais que s\u00e3o adotadas em par\u00f3quias e dioceses. A t\u00edtulo de exemplo, pode-se destacar: \u201cNossa P\u00e1scoa: subs\u00eddios para a celebra\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a\u201d e \u201cCelebrando por ocasi\u00e3o da morte: subs\u00eddio para vel\u00f3rio, \u00faltima encomenda\u00e7\u00e3o e sepultamento\u201d. O primeiro foi preparado pela Comiss\u00e3o Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB. Este subs\u00eddio \u00e9 composto de quatro cap\u00edtulos e dois ap\u00eandices. O primeiro cap\u00edtulo cont\u00e9m tr\u00eas celebra\u00e7\u00f5es da Palavra; o segundo traz uma celebra\u00e7\u00e3o para a encomenda\u00e7\u00e3o; o terceiro apresenta um rito pr\u00f3prio para o momento em que o corpo \u00e9 depositado na sepultura; o quarto traz uma proposta para celebra\u00e7\u00f5es relacionadas com a crema\u00e7\u00e3o (uma no cremat\u00f3rio e outra para a deposi\u00e7\u00e3o da urna com as cinzas). No ap\u00eandice I, se encontra um pequeno lecion\u00e1rio, e no ap\u00eandice II, uma colet\u00e2nea de cantos apropriados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O subs\u00eddio \u201cCelebrando por ocasi\u00e3o da morte: subs\u00eddio para vel\u00f3rio, \u00faltima encomenda\u00e7\u00e3o e sepultamento\u201d, por sua vez, comp\u00f5e-se de seis roteiros. Cada roteiro contempla uma circunst\u00e2ncia diferente de morte, a saber: de um membro atuante na comunidade; de uma pessoa falecida ap\u00f3s longa enfermidade; de um(a) jovem; de um(a) religioso(a); de algu\u00e9m v\u00edtima da viol\u00eancia; de uma crian\u00e7a. Cada um dos roteiros \u00e9 composto de tr\u00eas partes: a) \u201cVel\u00f3rio\u201d (celebra\u00e7\u00e3o no formato do <em>Of\u00edcio Divino das Comunidades<\/em>: chegada, abertura, recorda\u00e7\u00e3o da vida, salmo, leituras b\u00edblicas, medita\u00e7\u00e3o, preces, louva\u00e7\u00e3o); b) \u201cEncomenda\u00e7\u00e3o e despedida\u201d; c) \u201cSepultamento \/ crema\u00e7\u00e3o\u201d. H\u00e1, tamb\u00e9m, dois pequenos ritos para o momento da crema\u00e7\u00e3o e da deposi\u00e7\u00e3o das cinzas, bem como um \u201cOf\u00edcio de apoio \u00e0s fam\u00edlias enlutadas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, o que se espera \u00e9 que as diversas igrejas encontrem a melhor forma de celebrar a p\u00e1scoa de seus filhos e filhas e que essas celebra\u00e7\u00f5es sejam momentos privilegiados de proclamar a f\u00e9 no \u201cCristo primog\u00eanito dentre os defuntos\u201d (Cl 1,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Joaquim Fonseca, OFM. <\/em>\u00a0ISTA\/FAJE. Texto original em portugu\u00eas. Enviado: 08\/12\/2021. Aprovado: 20\/12\/2021. Publicado: 30\/12\/2021.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">BROVELLI, F. Ex\u00e9quias. In: SARTORE, D.; TRIACCA, A. M. <em>Dicion\u00e1rio de Liturgia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1992. p. 426-436.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARPANEDO, P.; FONSECA, J.; GUIMAR\u00c3ES, I. R. <em>Celebrando por ocasi\u00e3o da morte<\/em>: subs\u00eddio para vel\u00f3rio, \u00faltima encomenda\u00e7\u00e3o e sepultamento. 4.ed. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CNBB. <em>Nossa p\u00e1scoa:<\/em> subs\u00eddios para a celebra\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a. 2.ed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COMISSS\u00c3O TEOL\u00d3GICA INTERNACIONAL. <em>A esperan\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as que morrem sem batismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2008. Documentos da Igreja, 22.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FONSECA, J. <em>M\u00fasica ritual de ex\u00e9quias<\/em>: uma proposta de encultura\u00e7\u00e3o. Belo Horizonte: O Lutador, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LUTZ, G. Pensando um novo ritual de ex\u00e9quias para o Brasil. <em>Revista de Liturgia<\/em>, S\u00e3o Paulo, n. 149, p. 31-34, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MANICARDI, L. <em>O humano sofrer<\/em>: evangelizar as palavras sobre o sofrimento. Bras\u00edlia: Edi\u00e7\u00f5es CNBB, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MELO, La\u00eds de. Como lidar com o luto em tempos de pandemia. <em>Jornal da Cidade.net.<\/em>, Aracaju, 20 maio 2020. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.jornaldacidade.net\/cidades\/2020\/05\/317677\/como-lidar-com-o-luto-em-tempos-de-pandemia.html. Acesso em: 4 nov 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MENDON\u00c7A, J. Tolentino. <em>A m\u00edstica do instante<\/em>: o tempo e a promessa. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2016. p. 16-17.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RITUAL DE EX\u00c9QUIAS. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RITUALE ROMANUM Pauli V Pontificis Maximi. Editio septima post typicam. Sanctae Sedis Apostolicae e Sacrae Rituum Congregationis Typographorum, 1949.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROUILLARD, Ph. Os ritos dos funerais. In: VV.AA. <em>Os sacramentos e as b\u00ean\u00e7\u00e3os<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1993. p. 225-265.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SORESSI, M. L\u2019offertorio della messa dei defunti e l\u2019escatologia orientale. <em>Ephemerides Liturgicae<\/em>, Citt\u00e1 del Vaticano, n. 61, p. 245-252, 1947.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOUZA, Christiane P. de; SOUZA, Airle M. de. Ritos f\u00fanebres no processo de luto: significados e fun\u00e7\u00f5es. <em>Psicologia: Teoria e Pesquisa<\/em>, 2019, v. 25, p. 1-7. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.scielo.br\/j\/ptp\/a\/McMhwzWgJZ4bngpRJL4J8xg\/?lang=pt&amp;format=pdf Acesso em: 6 nov 2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 A morte faz parte da vida 2 Celebrar por ocasi\u00e3o da morte: uma tradi\u00e7\u00e3o da Igreja 2.1 Rituais de ex\u00e9quias da Igreja latina 2.2 Considera\u00e7\u00f5es acerca do ritual de ex\u00e9quias de 1969 3 Para melhor celebrar por ocasi\u00e3o da morte: sugest\u00f5es pastorais Refer\u00eancias 1 A morte faz parte da vida \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Francisco de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-2566","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2566"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2566\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2621,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2566\/revisions\/2621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}