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{"id":2510,"date":"2021-12-24T15:01:04","date_gmt":"2021-12-24T18:01:04","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2510"},"modified":"2021-12-24T15:01:04","modified_gmt":"2021-12-24T18:01:04","slug":"escritura-tradicao-e-magisterio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2510","title":{"rendered":"Escritura, Tradi\u00e7\u00e3o e Magist\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 A pol\u00eamica das duas fontes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 O salto \u00e0 frente no Conc\u00edlio Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 A rela\u00e7\u00e3o entre a Tradi\u00e7\u00e3o e a Escritura na <em>Dei Verbum<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 O car\u00e1ter hist\u00f3rico da Tradi\u00e7\u00e3o e da Escritura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 A rela\u00e7\u00e3o entre Escritura, Tradi\u00e7\u00e3o e Magist\u00e9rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo da rela\u00e7\u00e3o entre Escritura, Tradi\u00e7\u00e3o e Magist\u00e9rio, por mais que tenha sido fartamente posto em evid\u00eancia durante e ap\u00f3s o Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965), revela-se sempre atual. Pois se trata de clarear mentes e cora\u00e7\u00f5es no que diz respeito aos meios como chegam a n\u00f3s os bens da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resposta \u00e0 pol\u00eamica protestante, que p\u00f4s em d\u00favida a fundamenta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica da Tradi\u00e7\u00e3o e do Magist\u00e9rio, insistindo no <em>sola Scriptura<\/em> como caminho de revela\u00e7\u00e3o divina e de salva\u00e7\u00e3o humana, a Igreja Cat\u00f3lica se viu constringida a debater em maior profundidade a rela\u00e7\u00e3o entre essas tr\u00eas realidades. No decorrer do Conc\u00edlio de Trento (1545-1563), evitando a express\u00e3o <em>partim&#8230; partim<\/em> em favor do <em>et<\/em>, os Padres conciliares puseram as bases para melhor entendimento da rela\u00e7\u00e3o entre Escritura e Tradi\u00e7\u00e3o, deixando claro que a revela\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encontra um pouco naquela e um pouco nessa, mas conjuntamente em ambas, e que \u00e9 preciso salientar a interdepend\u00eancia entre elas, vendo-as n\u00e3o como duas fontes distintas da revela\u00e7\u00e3o, mas como dois caminhos pelos quais Deus revela o seu ser e o seu des\u00edgnio salv\u00edfico \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II deu um salto \u00e0 frente. Firmou com maior clareza a conex\u00e3o entre ambas, demonstrando o car\u00e1ter hist\u00f3rico-salv\u00edfico da revela\u00e7\u00e3o divina. Mais que promulga\u00e7\u00e3o de decretos e doutrinas, como se pensava a partir de Trento e do Vaticano I, a revela\u00e7\u00e3o constitui-se numa hist\u00f3ria de gestos e palavras pelos quais Deus age em meio ao povo. Nessa hist\u00f3ria, Deus revela-se salvando e salva revelando-se. Todo o complexo hist\u00f3rico de a\u00e7\u00f5es pelas quais Deus manifesta seu ser e seu agir, animando, corrigindo e educando o povo, forma um rio caudaloso por onde vai passando a Tradi\u00e7\u00e3o. No interior dessa Tradi\u00e7\u00e3o, quando alguns hagi\u00f3grafos p\u00f5em por escrito elementos da vida do povo, nascem as Escrituras, as quais passam a ser fator unificador do pensamento e dos ideais populares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja como um todo e o Magist\u00e9rio como seu guia entram nessa caudalosa corrente da revela\u00e7\u00e3o e s\u00e3o, ao mesmo tempo, receptores e transmissores do Evangelho, tornando-se, pois, benefici\u00e1rios e servidores da Palavra de vida. Cabe ao Magist\u00e9rio o servi\u00e7o respons\u00e1vel pela acolhida, guarda e interpreta\u00e7\u00e3o oficial da revela\u00e7\u00e3o presente nas Escrituras e na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>1 A pol\u00eamica das duas fontes <\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Reforma Protestante questionou profundamente a Tradi\u00e7\u00e3o (ARENAS, 1995, p. 170-172), assegurando que toda a verdade revelada est\u00e1 contida na Sagrada Escritura e que esta n\u00e3o precisa de nenhum int\u00e9rprete autorizado, uma vez que, segundo Paulo, a justifica\u00e7\u00e3o se d\u00e1 pela gra\u00e7a do Evangelho mediante a f\u00e9. Cada fiel, no livre exame das Escrituras, assistido pelo Esp\u00edrito Santo, tem acesso direto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com Cristo. E pode, s\u00f3 pela f\u00e9, s\u00f3 pela gra\u00e7a de Deus, baseado s\u00f3 na Escritura, encontrar a justifica\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 garantida s\u00f3 por Cristo. Para Lutero, o Evangelho \u00e9 praticado pelo \u201cesp\u00edrito\u201d (pela f\u00e9 do fiel) em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cletra\u201d (\u00e0s regras morais). Por isso, diz ele, n\u00e3o contavam penit\u00eancias, romarias, indulg\u00eancias, devo\u00e7\u00f5es, rituais sacramentais, pr\u00e1ticas morais, como meios que garantissem a salva\u00e7\u00e3o. Contava a confian\u00e7a no amor de Deus, tal como registrada nas Escrituras, na s\u00edntese de Paulo, que cita Habacuc: \u201cNele [no Evangelho] a justi\u00e7a de Deus se revela da f\u00e9 para a f\u00e9, como est\u00e1 escrito: \u2018O justo viver\u00e1 pela f\u00e9\u2019\u201d (Rm 1,17). Acentuava-se o momento individual da f\u00e9, a acolhida da justifica\u00e7\u00e3o atribu\u00edda ao pecador por Deus, e o livre exame das Escrituras, com menos aten\u00e7\u00e3o ao aspecto objetivo. Basta confiar nessa justi\u00e7a que vem pela f\u00e9 e conduz \u00e0 f\u00e9. Desse modo, rejeitava-se a Tradi\u00e7\u00e3o, seja como fonte de revela\u00e7\u00e3o e de salva\u00e7\u00e3o, seja como crit\u00e9rio de interpreta\u00e7\u00e3o da Escritura. Lutero questionava tamb\u00e9m o Magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico, que se arrogava, segundo ele, a plena autoridade na interpreta\u00e7\u00e3o e no ensino da Sagrada Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em decorr\u00eancia dessa problem\u00e1tica gerada por Lutero, o Conc\u00edlio de Trento (1545-1563) achou por bem defender a posi\u00e7\u00e3o que considerava a Escritura e a Tradi\u00e7\u00e3o em conjunta interdepend\u00eancia, para o alcance da completa compreens\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o (ARENAS, 1995, p. 172-174). Mas, dado o desapre\u00e7o de Lutero por aquilo que n\u00e3o cabia nas Escrituras, o Conc\u00edlio e, sobretudo, a teologia e a pr\u00e1tica eclesial posterior, ressaltaram de modo especial, ainda que de forma germinal, a Tradi\u00e7\u00e3o e, com ela, o Magist\u00e9rio. Essa op\u00e7\u00e3o levou muitos a um certo exagero em considerar Escritura e Tradi\u00e7\u00e3o como duas fontes da mesma revela\u00e7\u00e3o. Todavia, o bom senso e a sobriedade prevaleceram e os Padres Conciliares, ao inv\u00e9s de aprovarem o texto previsto com duplo <em>partim <\/em>(<em>parte<\/em> da revela\u00e7\u00e3o estaria na Escritura e <em>parte<\/em> na Tradi\u00e7\u00e3o), aprovaram um texto com um simples <em>et <\/em>(livros escritos <em>e<\/em> tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o escritas), deixando claro que o Evangelho \u00e9 a \u00fanica fonte da revela\u00e7\u00e3o. O Decreto<em> De canonicis scripturis <\/em>sobre os livros sagrados e as tradi\u00e7\u00f5es a serem acolhidas, de 1546, assim se expressa:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">[O Conc\u00edlio] tendo sempre diante dos olhos sua inten\u00e7\u00e3o de que, extirpados os erros, se conserve na Igreja a pureza do Evangelho que, prometido primeiramente pelos profetas nas sagradas Escrituras, nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, promulgou por sua pr\u00f3pria boca e ent\u00e3o mandou a seus Ap\u00f3stolos preg\u00e1-lo a toda criatura (Mc 16,15) como fonte de toda verdade salutar e de toda ordem moral, vendo claramente que essa verdade e essa ordem est\u00e3o contidas em livros escritos e tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o escritas que, recebidas pelos Ap\u00f3stolos da boca do pr\u00f3prio Cristo ou transmitidas como que de m\u00e3o em m\u00e3o pelos Ap\u00f3stolos, sob o ditado do Esp\u00edrito Santo, chegaram at\u00e9 n\u00f3s, seguindo o exemplo dos Padres ortodoxos, recebe e venera, com igual sentimento de piedade e igual rever\u00eancia, todos os livros tanto do Novo como Antigo Testamento, j\u00e1 que o mesmo Deus \u00e9 autor de ambos; e recebe e venera igualmente as tradi\u00e7\u00f5es concernentes tanto \u00e0 f\u00e9 quanto aos costumes, como provenientes da boca de Cristo ou ditadas pelo Esp\u00edrito Santo e conservadas na Igreja cat\u00f3lica por sucess\u00e3o cont\u00ednua. (DH 1501)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo do documento \u00e9 mostrar que o Evangelho \u00e9 a \u201cfonte de toda verdade salutar e de toda regra moral\u201d. Contudo, essa \u00fanica fonte nos \u00e9 transmitida atrav\u00e9s de duas vias, dois canais: \u201clivros escritos e tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o escritas\u201d. Estas tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o escritas, que em conjunto formam a Tradi\u00e7\u00e3o, os ap\u00f3stolos as receberam do pr\u00f3prio Cristo ou lhes foram ditadas pelo Esp\u00edrito Santo, e foram conservadas e transmitidas pela Igreja ao longo dos s\u00e9culos at\u00e9 chegar a n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trento conclui a quest\u00e3o, conferindo igual valor, rever\u00eancia e respeito \u00e0s duas vias de transmiss\u00e3o do \u00fanico Evangelho, fonte de toda salva\u00e7\u00e3o e fundamento de todo modo de conduta do homem novo, em Cristo. A Escritura e a Tradi\u00e7\u00e3o, constitu\u00edda pelas tradi\u00e7\u00f5es recebidas do pr\u00f3prio Cristo ou da inspira\u00e7\u00e3o do Par\u00e1clito, s\u00e3o vistas como dois canais de transmiss\u00e3o da Boa-Nova, a \u00fanica fonte da revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse posicionamento tridentino parece muito formal e de pura defesa da posi\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. Por\u00e9m, no fundo dessa problem\u00e1tica, devemos identificar uma quest\u00e3o muito superior \u00e0 mera defesa. Nas entrelinhas, Trento afirma que o Evangelho, em sua atesta\u00e7\u00e3o primig\u00eania, foi confiado a uma comunidade viva de f\u00e9. E a separa\u00e7\u00e3o entre a express\u00e3o escrita e a express\u00e3o oral e viva do Evangelho seria uma aberra\u00e7\u00e3o, visto que todo escrito deve ser interpretado no seio da comunidade onde \u00e9 gerado e nasce. Romper essa unidade seria o mesmo que trair a verdade fundamental intr\u00ednseca ao pr\u00f3prio Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os posicionamentos posteriores a Trento n\u00e3o foram os mesmos registrados no decreto de 1546. Na mente da maioria dos Padres e, depois, na reflex\u00e3o teol\u00f3gica e nos ensinamentos catequ\u00e9ticos, o conceito que vigorou foi o das duas fontes da verdade evang\u00e9lica e n\u00e3o o das duas vias de sua transmiss\u00e3o. Isso ainda era comum no s\u00e9culo XX e se tornou bem expl\u00edcito no in\u00edcio das discuss\u00f5es do Conc\u00edlio Vaticano II acerca do documento sobre a divina revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>2 O salto \u00e0 frente no Conc\u00edlio Vaticano II<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965) ainda se ressente do dr\u00e1stico conflito das duas fontes. Mas, mais uma vez, tamb\u00e9m nesse conc\u00edlio prevalece o bom senso e o equil\u00edbrio. A Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica <em>Dei Verbum, <\/em>promulgada em 18 de novembro de 1965, \u00e9 resultado de longa discuss\u00e3o, que durou praticamente todo o tempo do Conc\u00edlio (LATOURELLE, 1985, p. 366-368; ARENAS, 1995, p. 174-177). O esquema <em>De fontibus revelationis<\/em>, preparado anteriormente pela Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica, apresentado e discutido em novembro de 1962, foi rejeitado pela maioria conciliar. Numa vota\u00e7\u00e3o explorat\u00f3ria em vista do prosseguimento dos debates, a maioria pediu que esse esquema fosse retirado. Como n\u00e3o se chegou \u00e0 maioria de 2\/3 para isso, o papa Jo\u00e3o XXIII ordenou a retirada do texto e a forma\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o mista para sua reelabora\u00e7\u00e3o, na qual se inclu\u00edssem elementos que vinham sendo debatidos no Secretariado para a Uni\u00e3o dos Crist\u00e3os. Os debates realizados ao redor do tema da revela\u00e7\u00e3o produziram mudan\u00e7as profundas e substanciais, que mostram uma mudan\u00e7a de rumo do pr\u00f3prio Conc\u00edlio e n\u00e3o apenas desse documento. Um dos motivos de discuss\u00e3o foi precisamente o tema pol\u00eamico das duas fontes. Estava em jogo uma nova vis\u00e3o do fen\u00f4meno da tradi\u00e7\u00e3o, que se tinha anunciado no s\u00e9culo anterior: mais que de tradi\u00e7\u00e3o material importava a ideia de um processo de tradi\u00e7\u00e3o. Essa ideia de uma tradi\u00e7\u00e3o como realidade viva, al\u00e9m de superar de vez a teoria das duas fontes, servia para colaborar com o di\u00e1logo ecum\u00eanico, um tema que atravessava toda a assembleia conciliar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de diversas reda\u00e7\u00f5es, a <em>Dei Verbum <\/em>entra para a hist\u00f3ria como um dos documentos mais significativos do Vaticano II, por demonstrar a compreens\u00e3o cat\u00f3lica da revela\u00e7\u00e3o como um di\u00e1logo pedag\u00f3gico entre Deus e a humanidade. O Conc\u00edlio Vaticano II expressa na <em>Dei Verbum<\/em> o mesmo pensamento do Conc\u00edlio de Trento; nisso os Padres Conciliares provam estar inseridos na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, visto que defendem a mesma linha de pensamento de toda a hist\u00f3ria da Igreja, como foi firmemente defendida h\u00e1 quatrocentos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 pol\u00eamica quest\u00e3o das duas fontes, o texto final do Conc\u00edlio Vaticano II, mesmo n\u00e3o tocando explicitamente no assunto, deixa claro que h\u00e1 uma s\u00f3 fonte da revela\u00e7\u00e3o: a Boa Nova da salva\u00e7\u00e3o em Cristo. Os Padres Conciliares aprovaram o texto final da <em>Dei Verbum<\/em>, em que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o aparece refer\u00eancia \u00e0s duas fontes, mas fica clara a consci\u00eancia da Igreja de que temos uma s\u00f3 fonte da revela\u00e7\u00e3o: o desejo divino de vir a n\u00f3s e a realiza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica desse desejo com seu movimento interessado na busca do ser humano para com ele se entreter como com um amigo. Citando o Conc\u00edlio Tridentino, a <em>Dei Verbum <\/em>reafirma que Cristo \u201ccomunicou aos ap\u00f3stolos os dons divinos e os encarregou de pregar a todos o Evangelho prometido aos profetas, por ele cumprido e promulgado por sua pr\u00f3pria boca, como a fonte de toda verdade salutar e a express\u00e3o da correta maneira de viver\u201d. A <em>Dei Verbum<\/em> continua afirmando que os ap\u00f3stolos proclamaram fielmente esse Evangelho \u201cpela prega\u00e7\u00e3o, pelo exemplo e pelas institui\u00e7\u00f5es que criaram\u201d, transmitindo o que aprenderam diretamente \u201ccom as palavras, o conv\u00edvio e a atua\u00e7\u00e3o de Cristo e pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo\u201d. Por fim, afirma-se que a Tradi\u00e7\u00e3o e a Escritura \u201cs\u00e3o o espelho em que a Igreja peregrina contempla a Deus, de quem tudo recebeu, enquanto n\u00e3o chega a v\u00ea-lo face a face\u201d (DV 7). A insist\u00eancia da <em>Dei Verbum<\/em> em que Escritura e Tradi\u00e7\u00e3o constituem uma \u00fanica fonte da revela\u00e7\u00e3o aparece ainda numa outra formula\u00e7\u00e3o: \u201cA Sagrada Tradi\u00e7\u00e3o e a Sagrada Escritura constituem um s\u00f3 sagrado dep\u00f3sito da Palavra de Deus confiado \u00e0 Igreja\u201d (DV 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerado em rela\u00e7\u00e3o ao texto inicial, as modifica\u00e7\u00f5es mais importantes s\u00e3o as dos dois primeiros cap\u00edtulos. O novo texto n\u00e3o come\u00e7a com um cap\u00edtulo sobre a dupla fonte da revela\u00e7\u00e3o. A vis\u00e3o pol\u00eamica e antiecum\u00eanica do primeiro esquema foi profundamente modificada. N\u00e3o se trata mais de sustentar a tese antiprotestante de que a revela\u00e7\u00e3o divina tem uma dupla fonte, no sentido de que ela est\u00e1 contida em parte na Escritura e em parte na Tradi\u00e7\u00e3o, mas de expor o sentido de revela\u00e7\u00e3o numa perspectiva hist\u00f3rico-salv\u00edfica. O Conc\u00edlio deixa claro que, antes de falar em Escritura e Tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso falar de uma quest\u00e3o mais b\u00e1sica da qual depende teologicamente tanto o sentido de Escritura como o de Tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preocupa\u00e7\u00e3o do Vaticano I (1870) havia sido a de afirmar a exist\u00eancia de uma revela\u00e7\u00e3o sobrenatural. O Vaticano II assume um tom diferente. N\u00e3o est\u00e1 preocupado apenas com o fato da revela\u00e7\u00e3o e com o car\u00e1ter sobrenatural da revela\u00e7\u00e3o, mas sobretudo com o sentido da revela\u00e7\u00e3o e com a perspectiva hist\u00f3rico-salv\u00edfica em que a revela\u00e7\u00e3o deve ser entendida. A <em>Dei Verbum<\/em> torna-se, assim, o primeiro documento do Magist\u00e9rio da Igreja que se ocupa com a natureza e o sentido da revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras iniciais do documento, <em>Dei Verbum<\/em>, indicam que o Conc\u00edlio adota a respeito da revela\u00e7\u00e3o uma linguagem concreta; n\u00e3o intenciona falar da revela\u00e7\u00e3o como transmiss\u00e3o de verdades eternas de um Deus imut\u00e1vel a uma Igreja institucional, mas de um di\u00e1logo em que Deus com sua Palavra viva se dirige \u00e0 Igreja viva. N\u00e3o se nega que a revela\u00e7\u00e3o dada nessa Palavra comporta verdades sobre o Deus eterno e imut\u00e1vel, que s\u00e3o reveladas \u00e0 Igreja institucional. Contudo, o texto conciliar se prop\u00f5e a falar de realidades concretas numa linguagem muito mais pr\u00f3xima de nossa hist\u00f3ria. Ao tratar da revela\u00e7\u00e3o divina, o Conc\u00edlio n\u00e3o se refere a uma palavra distante, alcan\u00e7ada s\u00f3 por meio de abstra\u00e7\u00f5es, mas a uma palavra encarnada em nossa hist\u00f3ria, que o pr\u00f3prio Conc\u00edlio, como toda a Igreja, escuta e proclama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esse respeito \u00e9 bastante caracter\u00edstica a cita\u00e7\u00e3o, logo no Pro\u00eamio, da Primeira Ep\u00edstola de S\u00e3o Jo\u00e3o (1Jo 1,2-3). \u00c9 de notar que essa f\u00f3rmula introdut\u00f3ria do pro\u00eamio em que se coloca um acento dominante na Palavra de Deus como a Palavra encarnada diante da qual a Igreja est\u00e1 em atitude de escuta e de proclama\u00e7\u00e3o, entrou para o texto s\u00f3 em sua \u00faltima reformula\u00e7\u00e3o. O pro\u00eamio \u00e9 uma introdu\u00e7\u00e3o magn\u00edfica n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica <em>Dei Verbum<\/em> sobre a divina revela\u00e7\u00e3o, apresentando o tema e a linguagem do seu desenvolvimento, mas justifica-se logicamente (se n\u00e3o cronologicamente) \u201ccomo o primeiro dos grandes documentos do Vaticano II; realmente este <em>prooemium<\/em> \u00e9 uma introdu\u00e7\u00e3o ao conjunto da obra conciliar\u201d. E mostra que o Vaticano II ao mesmo tempo \u201ccontinua e amplia o trabalho iniciado pelos conc\u00edlios Tridentino e Vaticano I\u201d (LATOURELLE, 1985, p. 369. 370).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa orienta\u00e7\u00e3o do texto conciliar para o car\u00e1ter hist\u00f3rico da revela\u00e7\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia, entre outros fatores, de sua \u00edndole profundamente b\u00edblica. Nesse ponto, apesar da inten\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de levar adiante os ensinamentos dos conc\u00edlios de Trento e do Vaticano I, o Vaticano II se distingue profundamente de ambos. Basta fazer uma ligeira compara\u00e7\u00e3o entre os diversos textos quanto \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o que fazem da B\u00edblia. O Decreto<em> De canonicis scripturis <\/em>do Conc\u00edlio de Trento cita apenas uma passagem b\u00edblica (Mt 16,15) e a Constitui\u00e7\u00e3o <em>Dei Filius<\/em> do Vaticano I cita pouco mais de vinte. A <em>Dei Verbum<\/em> est\u00e1 apinhada de cita\u00e7\u00f5es b\u00edblicas, que mostram a origem profunda das argumenta\u00e7\u00f5es que v\u00e3o sendo desfiadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o \u00e9 colocada, sobretudo no primeiro cap\u00edtulo, em \u00edntima conex\u00e3o com a hist\u00f3ria e com a salva\u00e7\u00e3o dos seres humanos. O Vaticano II, al\u00e9m de desenvolver e afinar os passos iniciados por Trento e Vaticano I, promove no campo da revela\u00e7\u00e3o um salto qualitativo e desvela, em forma germinal, a robusta densidade que ir\u00e3o marcar a reflex\u00e3o teol\u00f3gica e a pr\u00e1tica pastoral dos anos posteriores. A revela\u00e7\u00e3o como tal \u00e9 apresentada como di\u00e1logo e amizade, conv\u00edvio e intimidade, que Deus prop\u00f5e ao ser humano, aguardando uma resposta proveniente de um cora\u00e7\u00e3o livre. Para o acolhimento dessa revela\u00e7\u00e3o, em que Deus manifesta o seu ser e o seu agir, h\u00e1 todo um jogo preparat\u00f3rio que vai desde a cria\u00e7\u00e3o, passa pela hist\u00f3ria de Israel, at\u00e9 atingir a inteira humanidade, que, em Cristo, a plenitude da revela\u00e7\u00e3o, encontra o caminho de sua plena realiza\u00e7\u00e3o na participa\u00e7\u00e3o da natureza divina.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>3 A rela\u00e7\u00e3o entre a Tradi\u00e7\u00e3o e a Escritura na <em>Dei Verbum<\/em><\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>\u00c9 interessante observar que no cap\u00edtulo II da <em>Dei Verbum<\/em>, sobre a transmiss\u00e3o da divina revela\u00e7\u00e3o, o Conc\u00edlio Vaticano II nos abre a pista para compreender a rela\u00e7\u00e3o entre a Escritura e a Tradi\u00e7\u00e3o (LATOURELLE, 1985, p. 387-395; SESBOU\u00c9; TH\u00c9OBALD, 2005, p. 419-423; M\u00dcLLER 2015, p. 60-80). Trata-se de um c\u00edrculo hermen\u00eautico que se inicia com a Tradi\u00e7\u00e3o. Antes de referir-se mais explicitamente \u00e0 Escritura (n. 11-25), o documento det\u00e9m-se a explicitar o lugar da Tradi\u00e7\u00e3o na vida da Igreja (n. 7-8), para depois falar sobre a rela\u00e7\u00e3o entre ambas (n. 9-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por Tradi\u00e7\u00e3o entende-se todo o contexto social, hist\u00f3rico e cultural em que \u201ca revela\u00e7\u00e3o destinada a todos os povos\u201d se mant\u00e9m \u201cna sua integridade atrav\u00e9s dos tempos\u201d e \u00e9 \u201ctransmitida a todas as gera\u00e7\u00f5es\u201d (DV 7). V\u00ea-se aqui um conceito que permeia toda a espiritualidade e a teologia do Conc\u00edlio: a universalidade. Para todos os povos, em todos os tempos, toda a revela\u00e7\u00e3o \u00e9 transmitida pelos ap\u00f3stolos e, em seguida, pelos seus sucessores. A <em>Dei Verbum<\/em> exp\u00f5e ent\u00e3o, em grandes linhas, a integridade do conte\u00fado da Tradi\u00e7\u00e3o, fazendo um amplo apanhado dos seus significados: a) o encargo dos ap\u00f3stolos, que aprenderam \u201cdiretamente com as palavras, o conv\u00edvio e a atua\u00e7\u00e3o de Cristo e pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo\u201d, transmitiram o Evangelho \u201cpela prega\u00e7\u00e3o, pelo exemplo e pelas institui\u00e7\u00f5es que criaram\u201d (DV 7); b) a miss\u00e3o dos autores sagrados, que \u201cescreveram a mensagem da salva\u00e7\u00e3o\u201d (DV 7); c) a caminhada hist\u00f3rica dos sucessores dos ap\u00f3stolos, cuja miss\u00e3o \u00e9 \u201cconservar o Evangelho \u00edntegro e vivo na Igreja\u201d (DV 7) e que perdurar\u00e1 at\u00e9 o fim dos tempos (DV 8); d) o conjunto das tradi\u00e7\u00f5es que os fi\u00e9is recebem \u201coralmente ou por escrito\u201d e que devem guardar (DV 8); e) \u201ctudo o que contribui para que o povo de Deus leve uma vida santa e cres\u00e7a na f\u00e9\u201d (DV 8); f) tudo o que \u201ca Igreja, na sua doutrina, na sua vida e no seu culto, perpetua e transmite a todas as gera\u00e7\u00f5es\u201d, tudo o que a Igreja \u00e9 e tudo em que ela cr\u00ea (DV 8); g) os ensinamentos dos Santos Padres (DV 8); h) a defini\u00e7\u00e3o do c\u00e2non das Escrituras, para que sejam mais bem compreendidas e postas em pr\u00e1tica (DV 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>Dei Verbum<\/em> tamb\u00e9m mostra que, diferentemente das Escrituras, que s\u00e3o fixas seja em sua reda\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria seja em sua defini\u00e7\u00e3o can\u00f4nica, a Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 viva (SESBOU\u00c9, 2006, p. 435-440). Ela desenvolve-se na Igreja com a assist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo, com a amplia\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o das realidades e das palavras, pela contempla\u00e7\u00e3o, pelo estudo, pela compreens\u00e3o espiritual, pela prega\u00e7\u00e3o, at\u00e9 chegar \u00e0 plenitude da verdade divina (DV 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, percebe-se que sem Tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 Escritura. A Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 o ch\u00e3o onde nascem os livros b\u00edblicos, \u00e9 a caminhada hist\u00f3rica e a experi\u00eancia vital das pessoas e das comunidades, em sua rela\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo amorosa e conflituosa com Deus, que v\u00e3o sendo postas por escrito em determinados livros; \u00e9 o rio caudaloso da exist\u00eancia, com seus avan\u00e7os e recuos, suas ang\u00fastias e esperan\u00e7as, que vai deixando por escrito em suas margens, nos mais diversos g\u00eaneros liter\u00e1rios, registros dos acontecimentos e cargas de seus sentimentos e emo\u00e7\u00f5es; \u00e9 \u201co caos dos acontecimentos hist\u00f3ricos como palco, no qual Deus se revela como ele \u00e9\u201d (BLANK, 2005, p. 8). A Escritura registra a Tradi\u00e7\u00e3o, a qual, nesse sentido, \u00e9 materialmente mais rica que aquela. Pois \u00e9 imposs\u00edvel p\u00f4r por escrito tudo o que se vive. O Evangelho de Jo\u00e3o, por exemplo, termina dizendo que seria imposs\u00edvel registrar tudo o que Jesus foi, disse e fez (Jo 20,30; 21,25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s essa ampla exposi\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da Tradi\u00e7\u00e3o, o Conc\u00edlio reflete resumidamente sobre a rela\u00e7\u00e3o entre ambas: \u201cse articulam estreitamente e se comunicam entre si; ambas t\u00eam a mesma origem divina, formam de certo modo uma unidade e tendem para o mesmo fim\u201d; \u201ca ambas deve-se receber e venerar com o mesmo amor e o mesmo respeito\u201d (DV 9); \u201cconstituem um \u00fanico dep\u00f3sito sagrado da palavra de Deus\u201d e p\u00f5em pastores e fi\u00e9is sob a mesma inspira\u00e7\u00e3o divina (DV 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, estes n\u00fameros da <em>Dei Verbum<\/em> parecem apenas uma amplia\u00e7\u00e3o do que Trento j\u00e1 havia dito. Aqui aparece claro o desejo de Deus de conservar \u00edntegra a revela\u00e7\u00e3o feita para a salva\u00e7\u00e3o: Cristo, em quem se plenifica a revela\u00e7\u00e3o, ordenou aos ap\u00f3stolos que o Evangelho, prometido aos profetas, completado e promulgado por ele mesmo, fosse pregado a todos os seres humanos de todos os tempos, como a fonte \u00fanica de toda salva\u00e7\u00e3o e do comportamento \u00e9tico do crist\u00e3o, seu <em>modus vivendi<\/em>, cujo modelo \u00e9 a vida do pr\u00f3prio Cristo. Ambas est\u00e3o profundamente interpenetradas, t\u00eam a mesma origem, formam como que um todo e tendem \u00e0 mesma finalidade ou t\u00eam o mesmo objetivo: a salva\u00e7\u00e3o da humanidade. Ambas s\u00e3o Palavra de Deus (<em>Dei Verbum<\/em>), a Escritura, na sua express\u00e3o escrita, inspirada pelo Esp\u00edrito Santo, e a Tradi\u00e7\u00e3o, na sua express\u00e3o oral recebida de Cristo e do Esp\u00edrito. A verdade revelada recebida pela Igreja est\u00e1 presente nestas duas vias que devem receber dos fi\u00e9is igual respeito, venera\u00e7\u00e3o e ades\u00e3o da f\u00e9 pela intelig\u00eancia e pela vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00a0padres conciliares tinham consci\u00eancia de que a transmiss\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o na Tradi\u00e7\u00e3o se d\u00e1 em tr\u00eas momentos: a) a tradi\u00e7\u00e3o divina, que \u00e9 a entrega do Filho \u00e0 humanidade por parte do Pai, a entrega que Cristo, o primeiro objeto e sujeito da revela\u00e7\u00e3o, faz de si mesmo e a entrega do Esp\u00edrito Santo para a vida dos fi\u00e9is; b) a tradi\u00e7\u00e3o divino-apost\u00f3lica, que \u00e9 a recep\u00e7\u00e3o e a transmiss\u00e3o da pessoa e da obra de Cristo pelos ap\u00f3stolos, que contam sempre com a assist\u00eancia especial do Esp\u00edrito Santo; c) a tradi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, que \u00e9 a transmiss\u00e3o continuadora pelos s\u00e9culos afora da Tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, original e fundadora de toda a tradi\u00e7\u00e3o eclesial (ARENAS, 1995, p. 177-180).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, os padres do Vaticano II assumem toda a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e nela se inserem mantendo a mesma posi\u00e7\u00e3o de sempre, com a diferen\u00e7a de que neste momento a Igreja n\u00e3o estava condenando ningu\u00e9m, mas buscando um di\u00e1logo aberto e sincero com as outras confiss\u00f5es crist\u00e3s e com a cultura moderna.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>4 O car\u00e1ter hist\u00f3rico da Tradi\u00e7\u00e3o e da Escritura<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras tradi\u00e7\u00f5es da escritura sagrada (como os Vedas e os Upanixades do hindu\u00edsmo, o Cor\u00e3o do islamismo, o Avesta do zoroastrismo) concentram o conte\u00fado em reflex\u00f5es, ensinamentos, prov\u00e9rbios, medita\u00e7\u00f5es, ora\u00e7\u00f5es, com pouco espa\u00e7o para narra\u00e7\u00f5es. Todas as religi\u00f5es, com seus ritos e mitos, carregam suas tradi\u00e7\u00f5es, as quais, por sua vez, s\u00e3o o fundamento das culturas (ARENAS, 1995, p. 168). De modo diferente e \u00fanico, a B\u00edblia judaico-crist\u00e3 transmite a Palavra de Deus como interpreta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica de uma hist\u00f3ria. A hist\u00f3ria profana de Israel, analisada \u00e0 luz da f\u00e9, torna-se hist\u00f3ria da revela\u00e7\u00e3o e da salva\u00e7\u00e3o. O profeta exerce uma mai\u00eautica hist\u00f3rica e v\u00ea os acontecimentos como a\u00e7\u00e3o de Deus que liberta e salva (TORRES QUEIRUGA, 2010, p. 447-449). Quanto mais aberto estiver o povo \u00e0 revela\u00e7\u00e3o de Deus (ARENAS, 1995, p. 169-170), mais liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 promovida pelo pr\u00f3prio povo em seu favor. E vice-versa, quanto mais a liberta\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica-cultural acontece, mais o povo conhece o Deus que a ele se revela (FELLER, 1988, p. 52-72).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na hist\u00f3ria da revela\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um grande veio religioso e cultural que apresenta Deus ao lado dos pobres, das vi\u00favas, dos \u00f3rf\u00e3os e estrangeiros suscitando neles a cren\u00e7a em sua pr\u00f3pria dignidade, o empenho por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e a esperan\u00e7a por dias melhores. H\u00e1 um fio de ouro que perpassa toda a Escritura, que mostra Deus (Jav\u00e9, no Antigo Testamento, e Jesus, no Novo) em sua op\u00e7\u00e3o pelos pobres. N\u00e3o h\u00e1 como ler as Escrituras judaico-crist\u00e3s sem considerar o lugar proeminente dos pobres e injusti\u00e7ados, pelos quais o cora\u00e7\u00e3o de Deus revela-se apaixonado. O que se l\u00ea nas Escrituras \u00e9 apenas um vislumbre da caminhada hist\u00f3rica do povo, em suas agruras e sacrif\u00edcios, em seus sonhos e esperan\u00e7as (FELLER, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, surge um denso corpo de tradi\u00e7\u00f5es orais, que posteriormente e com o tempo s\u00e3o postas por escrito (LENGSFELD, 1971, p. 219-248; LIBANIO, 1992, p. 412-418). No caso do Antigo Testamento, temos sagas, lendas, mitos, cr\u00f4nicas, poemas, ora\u00e7\u00f5es, prov\u00e9rbios etc., que primeiramente foram transmitidos oralmente, por um tempo mais ou menos longo, at\u00e9 serem compilados por escrito e constitu\u00edrem-se em escrituras sagradas. No caso do Novo Testamento, temos mem\u00f3rias sobre fatos e palavras de Jesus e, depois, f\u00f3rmulas de f\u00e9 e desdobramentos pastorais, que passaram posteriormente a serem codificados nos Evangelhos e nas Cartas dos ap\u00f3stolos. Essas tradi\u00e7\u00f5es confluem em Jesus Cristo, em quem temos a revela\u00e7\u00e3o plena de Deus e a liberta\u00e7\u00e3o integral do ser humano (BLANK, 2005, p. 244-259). \u201cNem Maom\u00e9, nem Zoroastro, nem Buda se autoapresentaram como objeto de f\u00e9 para seus disc\u00edpulos\u201d (SESBOU\u00c9, 2006, p. 425). O cristianismo v\u00ea em Cristo a plenitude de toda a revela\u00e7\u00e3o. De modo que a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja deve, pela hist\u00f3ria afora, voltar sempre a Jesus de Nazar\u00e9, para descobrir nele quem \u00e9 Deus e quem \u00e9 o ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00ea-se, assim, que a Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00e3e da Escritura, uma vez que antes de os livros serem escritos, no seu caudal hist\u00f3rico, j\u00e1 vinham acontecendo a revela\u00e7\u00e3o de Deus e a liberta\u00e7\u00e3o do povo como obra de Deus (no Antigo Testamento), e a plenitude da revela\u00e7\u00e3o em Cristo e a vontade salv\u00edfica universal de Deus. Era um rio caudaloso e rico de express\u00f5es revelat\u00f3rias e salv\u00edficas de Deus, que aconteciam nas experi\u00eancias que se fazia da presen\u00e7a e da a\u00e7\u00e3o de Deus. Este caudal vivo formou e gerou a Escritura. Nesse sentido, a Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 anterior \u00e0 Escritura, \u00e9 a sua m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 irm\u00e3 da Escritura, uma vez que continuou o seu caudaloso percurso de caminhada hist\u00f3rica e comunh\u00e3o vital enquanto a Escritura estava sendo escrita (aproximadamente dos anos 1000 aC at\u00e9 50 aC, no caso do Antigo Testamento, e do ano 30 dC at\u00e9 100 dC, no caso do Novo Testamento). Um olhar para o passado, ao fazer mem\u00f3ria das gestas libertadoras de Jav\u00e9 e de Jesus, um concentrar-se no presente, ao tomar consci\u00eancia da presen\u00e7a viva de Deus no meio do povo, um lan\u00e7ar-se para o futuro, na certa esperan\u00e7a de que tudo se encaminha para a plenitude da revela\u00e7\u00e3o e da salva\u00e7\u00e3o. Assim, Tradi\u00e7\u00e3o e Escritura foram se irmanando no decorrer do processo revelat\u00f3rio que se concluiu com Jesus Cristo e os \u00faltimos ap\u00f3stolos. Nesse sentido, a Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 irm\u00e3 e contempor\u00e2nea da Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a Tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o parou no ano 100 dC, com o t\u00e9rmino da composi\u00e7\u00e3o da Escritura. A Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 filha da Escritura, pois continuou tamb\u00e9m depois de a Escritura estar acabada, e continua at\u00e9 hoje. Depois de pronta, a Escritura passou a orientar o Povo de Deus, como par\u00e2metro para aprofundar a Tradi\u00e7\u00e3o, que continuou vivificando a hist\u00f3ria nas gera\u00e7\u00f5es sucessivas. Alimentada pela Escritura na cria\u00e7\u00e3o de rituais lit\u00fargicos, orienta\u00e7\u00f5es pastorais, movimentos teol\u00f3gicos, c\u00f3digos jur\u00eddicos, institui\u00e7\u00f5es sociais, institutos religiosos, devo\u00e7\u00f5es populares, caminhos de santidade etc., a Tradi\u00e7\u00e3o continua o processo de interpreta\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o divina e da salva\u00e7\u00e3o humana, \u201cenquanto n\u00e3o chega a ver a Deus face a face\u201d (DV 7). Desse modo, a Tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m filha da Escritura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resulta assim que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 atrav\u00e9s da Escritura que a Igreja deriva sua certeza a respeito de tudo o que foi revelado. Tamb\u00e9m a Tradi\u00e7\u00e3o, como o nome mesmo diz, transmite a revela\u00e7\u00e3o divina. Por isso, ambas devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e rever\u00eancia (DV 9). Nesse sentido, h\u00e1 complementaridade qualitativa entre esses dois canais de transmiss\u00e3o, raz\u00e3o pela qual \u00e9 normal que a Escritura n\u00e3o baste para gerar certeza. Por isso, essa insufici\u00eancia material da Escritura leva a admitir que a Tradi\u00e7\u00e3o tem uma extens\u00e3o maior que a Escritura.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>5 A rela\u00e7\u00e3o entre Escritura, Tradi\u00e7\u00e3o e Magist\u00e9rio<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre Tradi\u00e7\u00e3o, Escritura e Magist\u00e9rio, deve-se ter o cuidado em n\u00e3o cair no erro protestante de acusar os cat\u00f3licos de terem subordinado a Escritura ao Magist\u00e9rio (LATOURELLE, 1985, p. 395-399; SESBOU\u00c9, 2006, p.440-443). A autoridade do Magist\u00e9rio \u00e9, paradoxalmente, de obedi\u00eancia. O Magist\u00e9rio n\u00e3o paira acima da Palavra, mas submete-se \u00e0 Palavra e a serve, enquanto \u201cpor disposi\u00e7\u00e3o divina e assist\u00eancia do Esp\u00edrito Santo ensina unicamente o que foi transmitido, que procura ouvir com piedade, guardar santamente e expor com fidelidade\u201d (DV 10). O Conc\u00edlio reitera a obedi\u00eancia do Magist\u00e9rio \u00e0 Palavra de Deus, na sua forma escrita e transmitida. A autoridade do Magist\u00e9rio s\u00f3 pode ser exercida na escuta obediente \u00e0 Palavra, com o objetivo de manter o povo fiel na mesma obedi\u00eancia. \u201cA Igreja n\u00e3o \u00e9 <em>domina<\/em>, mas <em>ancilla<\/em> da Palavra de Deus. Preciosa afirma\u00e7\u00e3o no di\u00e1logo ecum\u00eanico atual: \u00e9 pela primeira vez que um texto conciliar assim se exprime\u201d (LATOURELLE, 1981, p.397).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00fanico dep\u00f3sito da revela\u00e7\u00e3o, formado pela Tradi\u00e7\u00e3o e pela Escritura, foi confiado a toda a Igreja, para o alimento da f\u00e9 de todos os fi\u00e9is. Mas cabe ao Magist\u00e9rio a guarda respons\u00e1vel, a exposi\u00e7\u00e3o fiel e a interpreta\u00e7\u00e3o oficial \u2013 fun\u00e7\u00f5es que competem somente ao Magist\u00e9rio, com o objetivo de favorecer que toda a Igreja viva do \u00fanico Evangelho. Desse modo, unido aos seus pastores, todo o povo crist\u00e3o poder\u00e1, tamb\u00e9m em nossos tempos, imitar a Igreja apost\u00f3lica na sua ades\u00e3o \u00e0 revela\u00e7\u00e3o, perseverando \u201cna doutrina dos ap\u00f3stolos, na comunh\u00e3o, na fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e nas ininterruptas ora\u00e7\u00f5es\u201d (At 2,42), de modo que \u201cna conserva\u00e7\u00e3o da f\u00e9, na sua pr\u00e1tica e no seu desenvolvimento, pastores e fi\u00e9is est\u00e3o sempre sob a mesma inspira\u00e7\u00e3o\u201d (DV 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Magist\u00e9rio da Igreja exerce a autoridade em nome de Cristo, pois lhe foi confiada a fun\u00e7\u00e3o de interpretar com a autoridade a Palavra de Deus, escrita e transmitida. O Magist\u00e9rio da Igreja define-se modestamente como servo da Palavra de Deus, nada ensinando sen\u00e3o o que lhe foi transmitido. Assim, o Magist\u00e9rio exp\u00f5e fielmente a Palavra de Deus, ouve piedosamente a voz viva do Evangelho que ressoa continuamente a seus ouvidos, pois o Magist\u00e9rio enquanto tal, tamb\u00e9m vive na f\u00e9, sendo o primeiro a prestar ouvidos \u00e0 Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota-se que a Escritura, a Tradi\u00e7\u00e3o e o Magist\u00e9rio s\u00e3o insepar\u00e1veis, est\u00e3o interligados e associados e interdependentes, de modo que um n\u00e3o pode ter consist\u00eancia sem os outros dois. Os tr\u00eas em conjunto expressam a a\u00e7\u00e3o de um s\u00f3 Esp\u00edrito, cada qual a seu modo contribuindo para a salva\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua rela\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o \u00edntima com a Escritura e a Tradi\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o a <em>norma normans<\/em> de nossa f\u00e9, a norma objetiva do que os fi\u00e9is devem crer, e por sua miss\u00e3o perante esses canais de revela\u00e7\u00e3o, o Magist\u00e9rio \u00e9 tamb\u00e9m norma de f\u00e9, norma pr\u00f3xima e segura, da qual a Escritura e a Tradi\u00e7\u00e3o, por sua vez, s\u00e3o a norma. (ARENAS, 1995, p. 191)<\/p>\n<\/blockquote>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>No amplo e intermin\u00e1vel processo de evangeliza\u00e7\u00e3o, a Igreja precisa renovar-se sempre a partir de sua fonte, o mist\u00e9rio de Deus revelado em Cristo. Evangelizar \u00e9 mais que garantir o espa\u00e7o da Igreja nos meios seculares, marcar presen\u00e7a nos are\u00f3pagos modernos, impulsionar devo\u00e7\u00f5es da religiosidade popular, arrebanhar cat\u00f3licos afastados, garantir resultados \u00e0s car\u00eancias imediatistas do povo, entre outras metas hoje amplamente propostas. Evangelizar \u00e9 propor a todas as pessoas e todos os povos, em suas distintas situa\u00e7\u00f5es, a revela\u00e7\u00e3o de Deus Pai que em Cristo e no Esp\u00edrito vem ao encontro do ser humano manifestando seu ser e seu agir. Deus revela-se como amor e comunh\u00e3o de tr\u00eas pessoas distintas que se amam tanto e t\u00e3o bem que s\u00e3o um s\u00f3 Deus. Esta marca essencial de Deus reflete-se no seu agir, na sua proposta de liberta\u00e7\u00e3o integral, de salva\u00e7\u00e3o temporal e eterna em favor de todos os seres humanos, a come\u00e7ar dos pobres, dos mais afastados desse dom divino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um fio de ouro perpassa a Tradi\u00e7\u00e3o e a Escritura do povo judeu e dos crist\u00e3os, que mostra como, de Abra\u00e3o a Jesus e at\u00e9 o \u00faltimo dos ap\u00f3stolos, Deus se p\u00f5e ao lado dos \u00faltimos. Para poder alcan\u00e7ar todos, ele come\u00e7a na base. Se o seu Reino come\u00e7asse pelos que est\u00e3o no pico da pir\u00e2mide, sua proposta salv\u00edfica n\u00e3o chegaria a todos. A partir dos \u00faltimos, pelos quais Deus-Pai e Jesus de Nazar\u00e9 manifestam predile\u00e7\u00e3o, a vontade universal salv\u00edfica abre-se a todos os povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caminhada de Israel, a hist\u00f3ria de Jesus e a vida das primeiras comunidades crist\u00e3s foram marcadas pela presen\u00e7a e atua\u00e7\u00e3o de um Deus amoroso, Deus de ternura, piedade e miseric\u00f3rdia, Deus dos pobres, \u00f3rf\u00e3os, vi\u00favas e estrangeiros, que ao final das Escrituras \u00e9 apresentado como Deus-Amor (1Jo 4,8). Assim, a interpreta\u00e7\u00e3o atual das Escrituras, para ser fiel \u00e0 revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica do ser e do agir de Deus, precisa ser feita pela Igreja, sob a condu\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio, sempre a partir da op\u00e7\u00e3o pelos pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Vitor Galdino Feller<\/em>. ITESC\/FACASC. Texto original em portugu\u00eas. Enviado: 10\/06\/2021. Aprovado: 31\/06\/2021. Publicado: 24\/12\/2021.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">ARENAS, O. R. <em>Jesus, epifania do amor do Pai<\/em>. Teologia da revela\u00e7\u00e3o. Trad. Orlando Soares Moreira. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BLANK, R. J. <em>Deus na hist\u00f3ria<\/em>. Centros tem\u00e1ticos da revela\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO VATICANO II. Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica <em>Dei Verbum<\/em> sobre a revela\u00e7\u00e3o divina. In: Vaticano II. Mensagens, discursos, documentos. Trad. Francisco Cat\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2007, p. 345-358.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FELLER, V. G. <em>O Deus da revela\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FELLER, V. G. <em>A revela\u00e7\u00e3o de Deus a partir dos exclu\u00eddos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LENGSFELD, P. Tradi\u00e7\u00e3o e Sagrada Escritura \u2013 Sua rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua. In:\u00a0 FEINER, J.; LOEHRER, M. <em>Mysterium Salutis<\/em> I\/2: Teologia Fundamental. Trad. Belchior Corn\u00e9lio da Silva. Petr\u00f3polis: Vozes, 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LATOURELLE, R. <em>Teologia da Revela\u00e7\u00e3o<\/em>. Trad. Fl\u00e1vio Cavalca de Castro. 3.ed. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIB\u00c2NIO, J. B. <em>Teologia da revela\u00e7\u00e3o a partir da modernidade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00dcLLER, G.L. <em>Dogm\u00e1tica cat\u00f3lica. <\/em>Teoria e pr\u00e1tica da teologia. Trad. Vilmar Schneider. Petr\u00f3polis: Vozes, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SESBO\u00dc\u00c9, B. A comunica\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus. In: SESBO\u00dc\u00c9, B.; THEOBALD, Ch. <em>A palavra de salva\u00e7\u00e3o<\/em> (s\u00e9culos XVIII-XX). Hist\u00f3ria dos dogmas 4. Trad. Aldo Vanucchi. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TORRES QUEIRUGA, A. <em>Repensar a revela\u00e7\u00e3o.<\/em> A revela\u00e7\u00e3o divina na realiza\u00e7\u00e3o humana. Trad. Afonso Maria Ligorio Soares. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 A pol\u00eamica das duas fontes 2 O salto \u00e0 frente no Conc\u00edlio Vaticano II 3 A rela\u00e7\u00e3o entre a Tradi\u00e7\u00e3o e a Escritura na Dei Verbum 4 O car\u00e1ter hist\u00f3rico da Tradi\u00e7\u00e3o e da Escritura 5 A rela\u00e7\u00e3o entre Escritura, Tradi\u00e7\u00e3o e Magist\u00e9rio Conclus\u00e3o Refer\u00eancias Introdu\u00e7\u00e3o O estudo da rela\u00e7\u00e3o entre Escritura, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-2510","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-fundamental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2510"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2510\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2511,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2510\/revisions\/2511"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}