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{"id":2075,"date":"2020-12-31T17:13:17","date_gmt":"2020-12-31T19:13:17","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2075"},"modified":"2021-02-12T09:29:06","modified_gmt":"2021-02-12T11:29:06","slug":"cartas-paulinas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2075","title":{"rendered":"Cartas Paulinas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 O ap\u00f3stolo Paulo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.1 Paulo nos Atos dos Ap\u00f3stolos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.2 Paulo nas cartas paulinas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 O epistol\u00e1rio Paulino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1 As cartas aut\u00eanticas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2 As cartas discutidas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 A teologia paulina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.1 O poder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.2 Novos seres humanos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.3 O corpo da Igreja<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Interpreta\u00e7\u00e3o das cartas paulinas na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 O ap\u00f3stolo Paulo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando e onde nasceu Paulo? Em que momento se tornou um seguidor de Cristo? A cronologia da vida de Paulo tem duas fontes: os Atos dos Ap\u00f3stolos e seus pr\u00f3prios escritos. Essas duas fontes nem sempre coincidem. A descri\u00e7\u00e3o dos Atos \u00e9 atribu\u00edda a Lucas e corresponde \u00e0 perspectiva evangelizadora de toda a sua obra. Paulo, por sua vez, n\u00e3o nos oferece uma autobiografia completa, mas eventos isolados a partir dos quais algumas partes de sua vida podem ser reconstru\u00eddas. Existem dois tipos de cronologias, relativas e absolutas. As relativas s\u00e3o entendidas como &#8220;relacionadas a Lucas&#8221; e &#8220;relacionadas \u00e0s cartas de Paulo&#8221;. De acordo com essa abordagem, cada obra liter\u00e1ria reflete uma &#8220;hist\u00f3ria&#8221; diferente do ap\u00f3stolo. A cronologia absoluta busca combinar em um \u00fanico quadro hist\u00f3rico os dados de Atos, das cartas e de alguns acontecimentos extrab\u00edblicos que poderiam coincidir com aqueles mencionados no Novo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.1 Paulo nos Atos dos Ap\u00f3stolos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo \u00e9 o protagonista da segunda parte dos Atos dos Ap\u00f3stolos; a sua caracteriza\u00e7\u00e3o corresponde ao projeto narrativo e mission\u00e1rio da obra lucana: \u201ce sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, em toda a Judeia e a Samaria, e at\u00e9 os confins da terra\u201d (At 1,8; cf. Is 41, 9). Lucas narra tr\u00eas viagens mission\u00e1rias do ap\u00f3stolo e tr\u00eas vezes o encontro do ap\u00f3stolo com Jesus ressuscitado na estrada para Damasco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As viagens de Paulo descritas na segunda parte do livro descrevem um ap\u00f3stolo que se dedica a levar o Evangelho de Jesus Cristo \u00e0s fronteiras da di\u00e1spora judaica. A rota da primeira viagem leva Pablo e Bernab\u00e9, enviados pela igreja de Antioquia, a Lica\u00f4nia, Listra e Derbe (14,1-6), centro-sul da Turquia. Sua prega\u00e7\u00e3o ocorre inicialmente na sinagoga judaica (14,1) e resulta em rejei\u00e7\u00e3o e at\u00e9 apedrejamento (14,19). Diante da rejei\u00e7\u00e3o dos judeus, eles se voltam para os gentios (13,46). A rota da segunda viagem leva Paulo, Silas e Tim\u00f3teo, em parte, \u00e0 antiga Gal\u00e1cia, um pouco mais ao norte da primeira viagem. As dificuldades (16,6-10) empurram-nos para a Maced\u00f4nia, passando por Ne\u00e1polis e Filipos, centros urbanos romanos. Esta transi\u00e7\u00e3o marca um momento crucial no projeto mission\u00e1rio lucano: a evangeliza\u00e7\u00e3o da Europa. A jornada da terceira viagem leva Paulo de Antioquia a Corinto, passando pela maioria das igrejas fundadas na \u00c1sia Menor e nas costas da Tess\u00e1lia, e de volta a Jerusal\u00e9m. O an\u00fancio evang\u00e9lico ao longo dessas viagens geralmente \u00e9 feito na sinagoga judaica; Lucas tamb\u00e9m reitera os obst\u00e1culos da primeira prega\u00e7\u00e3o, da orienta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo e do exemplo de Paulo como primeiro testemunho pessoal de identifica\u00e7\u00e3o com o destino de Jesus. As datas dessas viagens s\u00e3o muito discutidas. Se a men\u00e7\u00e3o a Gali\u00e3o (18,12-17) e seu tempo como proc\u00f4nsul na Acaia s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o, pode-se conjecturar a cerca dos seguintes prazos: primeira viagem entre 47-48 dC, segunda entre 49-52 dC e a terceira entre 53-57 dC. Tamb\u00e9m se discute se a quarta viagem, ou o cativeiro, pode ser considerada uma viagem apost\u00f3lica. \u00c9 bem poss\u00edvel que essas viagens correspondam mais a um &#8220;esquema teol\u00f3gico&#8221; de divulga\u00e7\u00e3o do testemunho sobre Jesus ressuscitado, partindo de Antioquia e Jerusal\u00e9m, passando por Roma e dali at\u00e9 os confins da terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os relatos de convers\u00e3o de Paulo constituem um tr\u00edptico. Cada cena prop\u00f5e uma imagem diferente do ap\u00f3stolo, com um objetivo espec\u00edfico. O primeiro \u00e9 narrado na terceira pessoa, o segundo, como testemunho pessoal e o terceiro, como defesa perante o tribunal de Agripa. Em Atos 9,1-19, Lucas descreve um encontro entre Paulo e Jesus ressuscitado. Este relato termina com o batismo de Paulo por Ananias. Em Atos 22,1-21, o pr\u00f3prio Paulo descreve o que aconteceu na estrada para Damasco como um testemunho pessoal. Neste caso, o &#8220;Deus dos nossos pais&#8221; o fez uma testemunha privilegiada da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. Este relato termina com uma vis\u00e3o no templo em Jerusal\u00e9m (vv.17-21), na qual sua miss\u00e3o como testemunha \u00e9 confirmada. Em Atos 26,12-23, Paulo se defende das acusa\u00e7\u00f5es de alguns judeus perante o tribunal de Agripa. Ainda que essa defesa seja feita perante um tribunal romano, Paulo usa argumentos caracter\u00edsticos dos profetas. Sua defesa consiste em reafirmar sua voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica. O objetivo dessas tr\u00eas diferentes narrativas \u00e9 mostrar, de forma gradual, como Paulo tomou consci\u00eancia de sua voca\u00e7\u00e3o a ser testemunha de Jesus ressuscitado. Os cap\u00edtulos 9, 22 e 26 descrevem suas atividades mission\u00e1rias e, o mais importante, as persegui\u00e7\u00f5es e rejei\u00e7\u00f5es a que foi submetido. A imagem de Paulo que Lucas nos d\u00e1 \u00e9 a de um ap\u00f3stolo mission\u00e1rio, testemunha pessoal da persegui\u00e7\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, porque ele mesmo assim o experimentou durante o seu caminho apost\u00f3lico e espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.2 Paulo nas cartas paulinas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Paulo se descreve em suas cartas? Como um servo in\u00fatil semelhante ao descrito no Evangelho (Lc 17,10)? Como ap\u00f3stolo e evangelizador? Paulo fala de si mesmo nas seguintes passagens: Gl 1,15\u20132,14; Fl 3,5-6; 1Cor 7,7. O seu testemunho escrito mostra que foi um homem de f\u00e9 enraizado em duas culturas, a do juda\u00edsmo da di\u00e1spora e a greco-romana do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Fl 3,5-6, Paulo parece definir-se como algu\u00e9m que subverte a ordem estabelecida. \u201cViver em Cristo\u201d determina um antes e um depois; tudo antes \u00e9 considerado uma perda quando comparado ao valor de conhec\u00ea-lo. Entre alguns judeus, a fidelidade \u00e0 Lei de Mois\u00e9s era de import\u00e2ncia inigual\u00e1vel; um m\u00e9rito que Paulo questiona ap\u00f3s seu encontro com o Senhor. Na esfera greco-romana, o prest\u00edgio ou a capacidade de se gabar eram essenciais. Os motivos mais significativos eram a linhagem, a educa\u00e7\u00e3o, os \u00eaxitos alcan\u00e7ados. Paulo relativiza sua linhagem, sua forma\u00e7\u00e3o farisaica e seu zelo como perseguidor, mostrando com seu exemplo que a f\u00e9 em Cristo constitui uma fonte incompar\u00e1vel de orgulho e, assim, introduz uma nova forma de ser no mundo. Em Rm 1,1, Paulo se apresenta como escravo \u2013 de Cristo Jesus \u2013 e em 1Cor 9,19, como um homem livre que se tornou escravo. Ele voluntariamente renuncia a seus direitos para dar o exemplo de como uma assembleia deve ser instru\u00edda. Essa compreens\u00e3o de seu minist\u00e9rio, como humilde servidor da mensagem de Cristo, e de sua obra evangelizadora, como servi\u00e7o a uma comunidade, modifica os par\u00e2metros do discipulado greco-romano, cujo objetivo era superar o mestre. O fato de estar \u201cseparado\u201d para a difus\u00e3o do Evangelho (Rm 1,1) segue tamb\u00e9m o padr\u00e3o de consagra\u00e7\u00e3o de Israel caracter\u00edstico da tradi\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica do AT (cf. Ez 45,1.4; 48,9.20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Gl 1,15\u20132,14 Paulo descreve sua transforma\u00e7\u00e3o de perseguidor da Igreja a evangelizador dos gentios. Ele justifica seu minist\u00e9rio e seu ser ap\u00f3stolo por um chamado divino, sem interven\u00e7\u00e3o humana. Depois de ter tido essa experi\u00eancia do Senhor, ele menciona um intervalo de tr\u00eas anos (1,18), antes de uma breve visita a Jerusal\u00e9m, e depois outro intervalo de quatorze anos at\u00e9 uma nova visita a Jerusal\u00e9m (2,1), identificada com o Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m. Estes dezessete anos n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de explicar, se for atribu\u00eddo valor hist\u00f3rico aos itiner\u00e1rios propostos nos Atos dos Ap\u00f3stolos. Para conciliar esses anos com os anteriores \u00e0 primeira viagem mission\u00e1ria, seria necess\u00e1rio for\u00e7ar um pouco o c\u00e1lculo dos anos. Apesar das dificuldades apontadas em estabelecer uma cronologia absoluta, as duas fontes principais, a carta aos G\u00e1latas (2,1-10) e os Atos dos Ap\u00f3stolos (15,2-29), coincidem em mencionar o encontro de Paulo e Barnab\u00e9 com os ap\u00f3stolos, pilares de Jerusal\u00e9m, assim como os acordos ali estabelecidos: n\u00e3o impor a circuncis\u00e3o aos crist\u00e3os de origem pag\u00e3 \u2013 n\u00e3o judeus \u2013 e cuidar especialmente dos pobres. Se levarmos em conta tamb\u00e9m algumas fontes hist\u00f3ricas extrab\u00edblicas (Suet\u00f4nio e T\u00e1cito) e o c\u00e1lculo retroativo dos anos passados \u200b\u200bpor Paulo em Corinto conforme Atos 18,11-22, antes de comparecer perante o proc\u00f4nsul L. Junio G\u00e1li\u00e3o na Acaia (aproximadamente 52 dC), sua participa\u00e7\u00e3o no Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m pode ser datada por volta dos anos 49-50 dC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 O epistol\u00e1rio paulino<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cartas paulinas podem ser agrupadas de muitas maneiras: protopaulinas, deuteropaulinas, tritopaulinas. Alguns tamb\u00e9m distinguem suas cartas de cativeiro das pastorais, ou seja, as que mencionam suas cadeias (Filipenses, Fil\u00eamon, Ef\u00e9sios e Colossenses) e as que se dirigem aos ministros da Igreja (Tim\u00f3teo e Tito). Por raz\u00f5es de clareza e brevidade, ser\u00e3o apresentadas em dois grandes grupos: aquelas cuja autenticidade \u00e9 praticamente un\u00e2nime e as discutidas ou atribu\u00eddas \u00e0 escola paulina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1 As cartas aut\u00eanticas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.1 Romanos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta aos Romanos foi escrita no final de 57 dC ou no in\u00edcio de 58 dC, de Acaia (Maced\u00f4nia) ou de Corinto. \u00c9 considerada a &#8220;suma teol\u00f3gica&#8221; do ap\u00f3stolo. Explica como e porque Deus transforma os seres humanos pela f\u00e9 em Cristo. De acordo com as promessas feitas a Israel, Deus capacita os crentes a agir com justi\u00e7a e retid\u00e3o. A justi\u00e7a pela f\u00e9 em Cristo est\u00e1 dispon\u00edvel para judeus e n\u00e3o judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.2 Primeira Cor\u00edntios<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira carta aos Cor\u00edntios foi escrita entre 54-56 dC, durante a \u201cterceira viagem mission\u00e1ria\u201d (cf. At 18,18-28) e possivelmente de \u00c9feso. Nesta carta, Paulo questiona duramente a comunidade por causa das divis\u00f5es que a afligem. A disc\u00f3rdia sobre o tipo de batismo recebido ou os carismas que abundam na comunidade indicam que os destinat\u00e1rios eram ne\u00f3fitos ou ainda imaturos na f\u00e9. O ap\u00f3stolo instrui todos eles na verdadeira sabedoria do Evangelho de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.3 Segunda Cor\u00edntios<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda carta aos Cor\u00edntios foi possivelmente escrita em meados de 57 dC, da Maced\u00f4nia, ap\u00f3s o reencontro de Paulo com Tito (2Cor 7,6-7) e antes de viajar novamente para Jerusal\u00e9m (cf. At 19,21-22). Os temas de consola\u00e7\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o aparecem como os fios comuns de grande parte da carta. Nas se\u00e7\u00f5es 8\u20139, Paulo promove uma cole\u00e7\u00e3o para a comunidade de Jerusal\u00e9m e, em 10\u201313, ele se defende anunciando sua \u00fanica fonte de orgulho: pregar Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.4 G\u00e1latas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta aos G\u00e1latas foi escrita em algum momento entre 55-57 dC, de Corinto ou de \u00c9feso, depois do &#8220;Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m&#8221;, mas antes da carta aos Romanos. Nessa carta, Paulo reprova a incoer\u00eancia e a tolice dos membros da comunidade que querem ceder \u00e0 press\u00e3o de um grupo de agitadores judaizantes. O ap\u00f3stolo lembra-lhes que, como disc\u00edpulos de Cristo, foram chamados \u00e0 liberdade. A verdadeira liberdade \u00e9 reconhecida porque permite amar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.5 Filipenses<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta aos Filipenses \u00e9 atribu\u00edda a um &#8220;velho&#8221; e prisioneiro Paulo. A men\u00e7\u00e3o de &#8220;minhas correntes&#8221; (1,7.14.17) indica que o ap\u00f3stolo escreveu esta carta de Roma, aproximadamente entre 60-62 dC. Nela, Paulo prop\u00f5e dois exemplos a seguir, o de Cristo que se humilha e o do pr\u00f3prio Paulo que se despoja de seus privil\u00e9gios anteriores. O convite \u00e0 alegria completa este comp\u00eandio de vida crist\u00e3 que sintoniza o crente com os mesmos sentimentos de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.6 Primeira Tessalonicenses<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira carta aos Tessalonicenses \u00e9 considerada a escrita mais antiga do epistol\u00e1rio paulino e em todo o NT; pode ter sido escrita por volta de 50-51 dC. Nela, Paulo tenta responder ao medo daqueles que esperavam a vinda do Senhor como um evento iminente: se aqueles que morreram antes dessa vinda participariam do &#8220;dia do Senhor&#8221;. O ap\u00f3stolo responde aos crentes lembrando-lhes que n\u00e3o se sabe o dia nem a hora e os exorta \u00e0 sobriedade no presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.7 Fil\u00eamon<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Discute-se se esta carta foi escrita em 56-57 dC, de \u00c9feso (cf. Aristarchus em Fl 34 e Atos 19,29), ou por volta de 60 dC, de Roma. O ap\u00f3stolo pede a Fil\u00eamon que receba o escravo On\u00e9simo como se fosse o pr\u00f3prio Paulo. \u00c9 uma pequena obra-prima de persuas\u00e3o em que Paulo procura formar a consci\u00eancia do crist\u00e3o, para que se comporte de acordo com o amor e a f\u00e9 em Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><strong><em>2.2 As cartas discutidas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.1 Ef\u00e9sios<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta aos Ef\u00e9sios foi escrita entre 60-90 dC, em algum lugar da \u00c1sia Menor, em torno de uma \u201cescola Paulina\u201d que preservou o pensamento e o estilo do ap\u00f3stolo. Nele, a condi\u00e7\u00e3o de Paulo \u00e9 mencionada como um \u201cprisioneiro\u201d (4,1), um \u201cembaixador entre cadeias\u201d (6,20). O cora\u00e7\u00e3o da carta \u00e9 o mist\u00e9rio de Cristo, que se define como a unidade indissol\u00favel entre a cabe\u00e7a, que \u00e9 Cristo, e seu corpo, que \u00e9 a Igreja. A carta tamb\u00e9m promove coer\u00eancia moral com o conhecimento desse mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.2 Colossenses<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta aos Colossenses foi escrita entre 60-90 dC, em algum lugar na \u00c1sia Menor, talvez um pouco antes da carta aos Ef\u00e9sios. \u00c9 atribu\u00edda a uma &#8220;escola paulina&#8221; que preservou o estilo e o ensino do ap\u00f3stolo. Esta carta compartilha muitas caracter\u00edsticas com a carta aos Ef\u00e9sios, mas, ao contr\u00e1rio desta, n\u00e3o enfatiza tanto o papel da Igreja como o de Cristo. Pode ter sido a resposta a alguns equ\u00edvocos que proliferaram nas comunidades de Colossos e Laodiceia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.3 Segunda Tessalonicenses<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda carta aos Tessalonicenses foi escrita entre 80-90 dC, em algum lugar da \u00c1sia Menor dentro de uma &#8220;comunidade paulina&#8221;. Esta carta foi constru\u00edda nos moldes da primeira e aparentemente trata do mesmo assunto: a vinda do Senhor e o fim dos tempos. No entanto, ao contr\u00e1rio da primeira, enfatiza a preven\u00e7\u00e3o dos enganos do maligno e de qualquer outra forma de mal. Discute-se muito se o seu conte\u00fado apocal\u00edptico \u00e9 paulino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.4 Primeira Tim\u00f3teo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira carta a Tim\u00f3teo foi escrita no final do s\u00e9culo 1 dC, em algum lugar da \u00c1sia Menor. Paulo associou Tim\u00f3teo \u00e0 sua obra apost\u00f3lica, de acordo com o testemunho de Atos 16,1-3; 18,5; 2Cor 1,19. A carta reflete uma comunidade em transi\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o para a institucionaliza\u00e7\u00e3o. Caracteriza a conduta irrepreens\u00edvel dos ministros (bispos, di\u00e1conos, presb\u00edteros) e do resto da comunidade. A f\u00e9 \u00e9 entendida como uma luta que envolve amor, paci\u00eancia e bondade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.5 Segunda Tim\u00f3teo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda carta a Tim\u00f3teo foi escrita no final do s\u00e9culo I dC, em algum lugar da \u00c1sia Menor. Esta carta \u00e9 considerada o testamento e a despedida do ap\u00f3stolo no final da sua vida: \u201cCombati o bom combate, acabei a carreira, guardei a f\u00e9\u201d (4,7). Nela, exorta-se a fidelidade, a firmeza e a for\u00e7a diante das adversidades. A persegui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 prevista para todos aqueles que desejam levar uma vida aut\u00eantica em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.6 Tito<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta a Tito foi escrita no final do s\u00e9culo I dC. Tito aparece como companheiro apost\u00f3lico de Paulo em algumas de suas cartas (2Cor 2,13; Gl 2,1-3), no contexto da miss\u00e3o \u00e0 Maced\u00f4nia (2Cor 7,6.13) e da coleta pelos pobres de Jerusal\u00e9m (2Cor 8,6.16). Por esta raz\u00e3o, a reda\u00e7\u00e3o da carta est\u00e1 localizada entre as igrejas da Maced\u00f4nia ou Acaia. A carta oferece um resumo da reden\u00e7\u00e3o e do batismo crist\u00e3os; a reden\u00e7\u00e3o entendida como purifica\u00e7\u00e3o e o batismo como renova\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.7 Hebreus<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da Primeira Ep\u00edstola de Clemente (no final do s\u00e9culo I ou in\u00edcio do s\u00e9culo II dC) j\u00e1 se refere a esta carta como parte do NT; sua data de composi\u00e7\u00e3o, entretanto, \u00e9 incerta (entre 65 e 90 dC). A autoria paulina da carta foi aceita nas igrejas do Oriente, mas foi questionada nas do Ocidente; n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00edda, por exemplo, no C\u00e2non de Muratori (s\u00e9culo II dC aproximadamente). Seu conte\u00fado se assemelha muito ao de uma homilia antiga extra\u00edda de textos do AT, a fim de demonstrar a primazia do sacerd\u00f3cio de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 A teologia paulina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;<\/strong><strong><em>3.1 O poder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo descreve em suas cartas a a\u00e7\u00e3o de Deus em favor dos homens por meio de certas no\u00e7\u00f5es conhecidas no AT. Deus, por exemplo, justifica, salva, perdoa, expia os pecados da humanidade. A essas no\u00e7\u00f5es o ap\u00f3stolo acrescenta outras mais t\u00edpicas do mundo greco-romano. Deus reconcilia, concede paz, une esp\u00edritos. A teologia de Paulo, entretanto, n\u00e3o difere substancialmente de sua cristologia, porque todas as a\u00e7\u00f5es de Deus s\u00e3o realizadas <em>por meio<\/em> de Jesus Cristo. Al\u00e9m disso, todos os seres humanos, independentemente de sua ra\u00e7a e origem, sejam judeus ou n\u00e3o judeus, acessam esses benef\u00edcios divinos por meio da f\u00e9 em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na carta aos Romanos e aos G\u00e1latas, Paulo sai de seu caminho para demonstrar, com a ajuda das mesmas Escrituras do AT, que as promessas de Deus a Israel tamb\u00e9m previam a inclus\u00e3o de n\u00e3o judeus. Para isso, o ap\u00f3stolo deve explicar sua compreens\u00e3o pessoal, ou reinterpreta\u00e7\u00e3o, da alian\u00e7a entre Deus e Israel e da lei de Mois\u00e9s. A alian\u00e7a estabelecida entre Deus e Abra\u00e3o inclu\u00eda a terra e a descend\u00eancia de todo Israel. A marca registrada de tal alian\u00e7a por parte dos israelitas consistia na circuncis\u00e3o dos homens. Paulo mostra que antes da alian\u00e7a e da prescri\u00e7\u00e3o da circuncis\u00e3o, Deus fez uma promessa incondicional a Abra\u00e3o, na qual Abra\u00e3o acreditava antes de se tornar israelita ou judeu. A preced\u00eancia da promessa (para todos os crentes) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alian\u00e7a (circunscrita aos circuncidados) \u00e9, portanto, um ponto forte da teologia paulina. A consequ\u00eancia imediata dessa compreens\u00e3o da maneira de agir de Deus \u00e9 a revoga\u00e7\u00e3o da validade da Lei de Mois\u00e9s para aqueles que acreditam em Cristo. Se Cristo \u00e9 o \u00fanico intermedi\u00e1rio entre Deus e os homens, a lei n\u00e3o pode ocupar este lugar. Paulo esclarece que a lei de Mois\u00e9s \u00e9 santa, justa e boa (Rm 7,12) e que foi a pedagoga da humanidade para ensinar-lhe o Cristo (Gl 3,24). Agora, em Cristo, todos os preceitos da lei s\u00e3o sintetizados no mandamento do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O poder do Evangelho de Cristo tem repercuss\u00f5es c\u00f3smicas. Paulo descreve a atividade de Deus em favor da humanidade como uma capacita\u00e7\u00e3o para se tornarem filhos de Deus em plenitude. Para cumprir esse objetivo, Deus, por meio de Cristo, move aqueles que est\u00e3o sob o dom\u00ednio do pecado e os coloca sob o dom\u00ednio da gra\u00e7a. Isso significa que, em Cristo, Deus vence o poder do pecado, seu antigo advers\u00e1rio. Nas cartas discutidas, especialmente em Ef\u00e9sios e Colossenses, a a\u00e7\u00e3o de Deus e a media\u00e7\u00e3o de Cristo tamb\u00e9m t\u00eam uma dimens\u00e3o c\u00f3smica. Esta dimens\u00e3o j\u00e1 \u00e9 sugerida em Rm 8,38-39 quando se afirma que nada, nem mesmo a for\u00e7a do pecado, pode nos separar do amor de Deus. Em Ef\u00e9sios e Colossenses, a soberania de Cristo, e com ela a do Deus bom, alcan\u00e7a todas as suas criaturas, tanto as que est\u00e3o na terra como no c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.2 Seres humanos novos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo explica a vida em Cristo por meio de contrastes temporais, oposi\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas e paradoxos humanos. Antes da vinda de Cristo \u00e9ramos escravos do poder do pecado, agora, em Cristo, somos &#8220;escravos&#8221; da justi\u00e7a (Rm 6,18). Antes, sob o imp\u00e9rio da lei, \u00e9ramos expostos aos caprichos do ego\u00edsmo humano (a carne), agora em Cristo, morremos para esses caprichos e podemos viver segundo o Esp\u00edrito. Paulo destaca a mudan\u00e7a entre o antes e o depois dos fi\u00e9is com a ajuda da imagem do batismo (imers\u00e3o). O que acontece com os crentes que passam de estar sob a lei, expostos ao pecado, a estarem sob a gra\u00e7a? A resposta do ap\u00f3stolo \u00e9 contundente: uma morte acontece. O crente mergulha na morte de Cristo, \u00e9 cossepultado, torna-se um com o sepultamento de Cristo e, assim, se une \u00e0 sua morte (Rm 6,3-5). A esta identifica\u00e7\u00e3o com a sua morte n\u00e3o corresponde uma identifica\u00e7\u00e3o igual com a ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor: essa \u00e9 adiada para o futuro; seremos ressuscitados, assim como seremos salvos. A reflex\u00e3o do ap\u00f3stolo concentra-se, de fato, nas consequ\u00eancias morais desta imers\u00e3o no presente: agora vivemos em vida nova (Rm 6,4). A participa\u00e7\u00e3o nesta morte separa o crente do poder do pecado, de modo que possa p\u00f4r suas qualidades a servi\u00e7o da justi\u00e7a (Rm 6,12-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1Cor 11,23-26 Paulo relata um dos mais antigos testemunhos da \u00daltima Ceia do Senhor e a explica como mist\u00e9rio de unidade e comunh\u00e3o com a pr\u00f3pria entrega de Jesus na cruz. Paulo tamb\u00e9m descreve essa unidade \u00edntima do crente com Cristo por meio das virtudes da f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade. A f\u00e9 em Cristo se traduz na esperan\u00e7a de ressurrei\u00e7\u00e3o com ele; essas virtudes se materializam, por sua vez, em manifesta\u00e7\u00f5es de amor pelos outros, sejam eles membros da comunidade ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas cartas discutidas, a descri\u00e7\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o com o crente muda ligeiramente. Nelas, o esquema temporal \u00e9 preservado para esclarecer os efeitos da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. No entanto, ao contr\u00e1rio das cartas aut\u00eanticas em que o &#8220;j\u00e1 e ainda n\u00e3o&#8221; \u00e9 acentuado (j\u00e1 fomos justificados, mas ainda n\u00e3o salvos), as cartas discutidas insistem na presente uni\u00e3o com Cristo: \u201cpela gra\u00e7a voc\u00eas j\u00e1 foram salvos\u201d (Ef 2,5). N\u00e3o apenas salvos, mas glorificados com Cristo, sentados \u00e0 direita de Deus Pai (Ef 2,6). Isso significa que n\u00e3o falta nada no caminho para a salva\u00e7\u00e3o? Para que o crente se torne perfeito, isto \u00e9, adulto ou maduro em Cristo, \u00e9 necess\u00e1rio que conhe\u00e7a o seu mist\u00e9rio e cres\u00e7a harmoniosamente at\u00e9 se identificar consigo mesmo (Ef 4,13-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><strong><em>3.3 O corpo da Igreja<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo define a Igreja como comunh\u00e3o no Esp\u00edrito. Ele curiosamente sublinha a diferen\u00e7a entre seus membros. Comparando-a com o corpo humano (1Cor 12,14-26), o ap\u00f3stolo mostra que cada membro \u00e9 diferente por natureza e fun\u00e7\u00e3o. Essa compara\u00e7\u00e3o permite que ele exorte seus ouvintes a protegerem cuidadosamente os membros mais fracos (1Cor 12,22-24). Durante sua experi\u00eancia mission\u00e1ria e apost\u00f3lica, Paulo teve que enfrentar muitas divis\u00f5es na comunidade; algumas por motivos religiosos e at\u00e9 espirituais, como a prolifera\u00e7\u00e3o de carismas; outras de natureza moral, como esc\u00e2ndalos (1Cor 6,12-20; 7,1-2); outras de natureza \u00e9tnica, como a discrimina\u00e7\u00e3o entre judeus-crist\u00e3os e crist\u00e3os de origem pag\u00e3; entre ricos e pobres. Em todos estes casos, o ap\u00f3stolo procura ir \u00e0s ra\u00edzes da vida crist\u00e3, muitas vezes evitando dar orienta\u00e7\u00f5es particulares. O v\u00ednculo da caridade est\u00e1 acima de qualquer divis\u00e3o. A presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo na comunidade tamb\u00e9m garante que sua unidade seja corporativa e org\u00e2nica, mais do que mera uniformidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas cartas discutidas, a compreens\u00e3o da Igreja ganha densidade. Nelas, a Igreja n\u00e3o se identifica primeiramente com as comunidades locais, mas com o corpo de Cristo, com seu corpo m\u00edstico. Se o Cristo ressuscitado \u00e9 a cabe\u00e7a, a Igreja \u00e9 seu corpo glorificado. A Igreja \u00e9, portanto, o mist\u00e9rio da unidade entre esta cabe\u00e7a e este corpo. Essas cartas se aprofundam nos m\u00faltiplos minist\u00e9rios que j\u00e1 se insinuam na segunda gera\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica: ap\u00f3stolos, profetas, evangelizadores, pastores, mestres (Ef 4,11). Nas cartas pastorais (1\u00aa e 2\u00aa Tim\u00f3teo, Tito) \u00e9 descrita uma certa organiza\u00e7\u00e3o institucional das comunidades crist\u00e3s, bem como a caracteriza\u00e7\u00e3o de certos minist\u00e9rios institu\u00eddos: bispos (1Tm 3,1-7; Tt 1,7-9) di\u00e1conos (1Tm 3,8-13), presb\u00edteros (1Tm 5,17-22; Tt 1,5-6). Ao ap\u00f3stolo \u00e9 atribu\u00edda, por exemplo, a nomea\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis \u200b\u200bda comunidade (2Tm 1,6-8). \u00c9 uma Igreja que cresce e se organiza para difundir o Evangelho e promover a caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Interpreta\u00e7\u00e3o das cartas paulinas na Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A interpreta\u00e7\u00e3o das cartas paulinas na Am\u00e9rica Latina (AL) caracterizou-se pelo seu teor pastoral. A leitura popular da B\u00edblia descobriu tanto nas narrativas das viagens mission\u00e1rias em Atos quanto na descri\u00e7\u00e3o de algumas cartas um modelo para a constru\u00e7\u00e3o de pequenas comunidades. Seguindo este modelo, descobre-se a palavra de Deus que chega ao continente americano (MESTERS, 2001). O convite paulino a viver a liberdade com que Cristo nos libertou constitui um desafio para as igrejas de todos os tempos. Um desafio que inclui tamb\u00e9m a afirma\u00e7\u00e3o da igualdade das mulheres em todos os n\u00edveis da sociedade e da Igreja (TAMEZ, 1999). O contexto do livro do \u00caxodo e de Mois\u00e9s, como o l\u00edder de Israel, foi igualmente inspirador para ler os textos paulinos na AL (INOSTROZA, 2000). As cartas paulinas serviram, por fim, como fonte de reflex\u00e3o para os processos de reconcilia\u00e7\u00e3o que acontecem na AL (GRANADOS ROJAS, 2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Juan Manuel Granados Rojas SJ.&nbsp;<\/em>Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico. Texto original em espanhol. Postado en diciembre del 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&nbsp;<\/em><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;<\/strong>ALETTI, J-N. Romanos. In: FARMER, W. et&nbsp; al. (eds.). <em>Comentario B\u00edblico Internacional<\/em>. Estella: Verbo Divino, 1999. p. 1416-1458.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALETTI, J-N. <em>Eclesiolog\u00eda de las cartas de San Pablo<\/em>. Estella: Verbo Divino, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BECKER, J. Cuestiones cronol\u00f3gicas sobre la vida de Pablo. In: ______. <em>Pablo, el ap\u00f3stol de los paganos<\/em>. Salamanca: S\u00edgueme, 1996. p. 31-49.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BROWN, R. <em>Introducci\u00f3n al Nuevo Testamento<\/em>. Biblioteca de Ciencias B\u00edblicas y Orientales. Madrid: Trotta, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00d3RDOVA GONZ\u00c1LEZ, E.&nbsp;<em>1 y 2 Corintios. <\/em>1 y 2 Tesalonicenses. Estella: Verbo Divino, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FITZMYER, J. A. <em>Teolog\u00eda de San Pablo: s\u00edntesis y perspectivas<\/em>. Madrid: Ediciones Cristiandad, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRANADOS ROJAS, J. M.&nbsp;<em>La teolog\u00eda de la reconciliaci\u00f3n en las cartas de San Pablo<\/em>. Estella: Verbo Divino, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">INOSTROZA LANAS, J. C.&nbsp;<em>Mois\u00e9s e Israel en el desierto: <\/em>El Midr\u00e1s Paulino de 1Cor 10,1-13. Salamanca: Publicaciones Universidad Pontificia, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MESTERS, C.&nbsp;<em>Vivir y anunciar la palabra: las primeras comunidades<\/em>. Estella: Verbo Divino, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PASTOR-RAMOS, F. <em>Para m\u00ed, vivir es Cristo: <\/em>teolog\u00eda de San Pablo: persona, experiencia, pensamiento, anuncio. Estella: Verbo Divino, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00c1NCHEZ BOSCH, J. <em>Maestro de los pueblos: <\/em>una teolog\u00eda de Pablo, el ap\u00f3stol. Estella: Verbo Divino, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TAMEZ, E. G\u00e1latas. In:&nbsp;FARMER, W.&nbsp;et&nbsp;&nbsp;al. (eds.).&nbsp;<em>Comentario B\u00edblico Internacional<\/em>. Estella: Verbo Divino, 1999. p. 1508-1520.<\/p>\n<p><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 O ap\u00f3stolo Paulo 1.1 Paulo nos Atos dos Ap\u00f3stolos 1.2 Paulo nas cartas paulinas 2 O epistol\u00e1rio Paulino 2.1 As cartas aut\u00eanticas 2.2 As cartas discutidas 3 A teologia paulina 3.1 O poder de Deus para a salva\u00e7\u00e3o 3.2 Novos seres humanos 3.3 O corpo da Igreja 4 Interpreta\u00e7\u00e3o das cartas paulinas na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-2075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-biblica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2075"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2075\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2433,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2075\/revisions\/2433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}