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{"id":203,"date":"2014-12-27T08:14:47","date_gmt":"2014-12-27T10:14:47","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=203"},"modified":"2016-04-10T09:25:54","modified_gmt":"2016-04-10T12:25:54","slug":"experiencia-religiosa-abordagem-das-ciencias-da-religiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=203","title":{"rendered":"Experi\u00eancia religiosa: abordagem das ci\u00eancias da religi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 O olhar sociol\u00f3gico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 O olhar fenomenol\u00f3gico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 O olhar psicol\u00f3gico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 O olhar teol\u00f3gico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Um campo sem\u00e2ntico em discuss\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 A busca pela experi\u00eancia espiritual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abordar a quest\u00e3o da experi\u00eancia religiosa \u00e9 adentrar-se por caminhos extremamente complexos e cada vez mais problematizados nesse tempo de crise das institui\u00e7\u00f5es tradicionais de sentido. A pr\u00f3pria categoria \u201creligi\u00e3o\u201d ganha uma pletora de significados, assim como o \u201ccampo religioso\u201d abrange hoje outros aspectos que n\u00e3o se enquadram precisamente no \u00e2mbito das religi\u00f5es. Como assinalaram Carlos Steil e Rodrigo Toniol, o conceito mesmo de religi\u00e3o torna-se hoje inadequado para \u201cdesignar um <em>habitus<\/em> que se expressa por meio de espiritualidades, filosofias de vida e experi\u00eancias do sagrado que comp\u00f5em determinado regime de crer\u201d (STEIL, TONIOL, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A no\u00e7\u00e3o de experi\u00eancia veio definida com o rigor necess\u00e1rio pelo fil\u00f3sofo Henrique Cl\u00e1udio de Lima Vaz, em cl\u00e1ssico artigo do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970. Justificava, na ocasi\u00e3o, a pertin\u00eancia de uma n\u00e3o oposi\u00e7\u00e3o entre experi\u00eancia e pensamento. Em sua argumenta\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia vem definida como \u201ca face do pensamento que se volta para a presen\u00e7a do objeto\u201d (LIMA VAZ, 1974, p.76). A experi\u00eancia envolve assim um campo de rela\u00e7\u00e3o ativa entre a consci\u00eancia e o fen\u00f4meno, suscitando sua tradu\u00e7\u00e3o em linguagem, apesar de toda dificuldade que acompanha esta opera\u00e7\u00e3o, sobretudo em raz\u00e3o da <em>inefabilidade da presen\u00e7a<\/em>. A linguagem busca, por\u00e9m, traduzir a presen\u00e7a, mesmo com o limite de sua formalidade: \u201cA presen\u00e7a sem a linguagem \u00e9 opaca, a linguagem sem a presen\u00e7a \u00e9 vazia\u201d (LIMA VAZ, 1974, p.79).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia religiosa diz respeito ao envolvimento com o sagrado, evocando na consci\u00eancia quest\u00f5es que tocam o \u00e2mbito essencial do sentido. Na busca de situar a peculiaridade desta experi\u00eancia religiosa vinculando-a \u00e0 estrutura da experi\u00eancia, pode-se dizer que<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\">na experi\u00eancia do sagrado o polo da presen\u00e7a define-se pela particularidade de um fen\u00f4meno cujas caracter\u00edsticas provocam, no polo da consci\u00eancia, essas formas de sentimento e emo\u00e7\u00e3o que formam como que um halo em torno do n\u00facleo cognoscitivo da experi\u00eancia e que an\u00e1lises cl\u00e1ssicas como as de Rudof Otto procuram descrever (LIMA VAZ, 1974, p.82).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia religiosa pode ser captada por oculares diversificadas, envolvendo campos distintos de saber, que se inter-relacionam e dialogam, favorecendo perspectivas din\u00e2micas para a sua compreens\u00e3o. Ao lado de um olhar sociol\u00f3gico, outras contribui\u00e7\u00f5es se somam, como as advindas da perspectiva fenomenol\u00f3gica, psicol\u00f3gica e teol\u00f3gica, de forma a abrir o campo da discuss\u00e3o em terreno t\u00e3o complexo e removido como este da experi\u00eancia religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a01 O olhar sociol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A peculiaridade do olhar sociol\u00f3gico sobre o fen\u00f4meno religioso consiste em trazer a quest\u00e3o para suas formas concretas de inser\u00e7\u00e3o no tempo. O fen\u00f4meno est\u00e1 a\u00ed, acontecendo em express\u00f5es efetivas. S\u00e3o representa\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as, s\u00e3o ritos espec\u00edficos que traduzem, como indica Emile Durkheim, um <em>sistema de for\u00e7as<\/em> bem vivo. Esse sentimento n\u00e3o pode ser ilus\u00f3rio, pois esteve sempre acompanhando a din\u00e2mica da humanidade: tem correspond\u00eancia com algo no real. Trata-se de um sentimento <em>demasiado geral<\/em> e que traduz a presen\u00e7a no humano de uma for\u00e7a dinamog\u00eanica inusitada, que o ajuda a suportar as dificuldades da exist\u00eancia e tamb\u00e9m super\u00e1-las. Como pontua Durkheim, a religi\u00e3o tem como fun\u00e7\u00e3o ajudar a viver, suscitar um agir, tudo isso animado por um sentimento peculiar de <em>poder<\/em> que eleva o ser humano acima de suas potencialidades, auxiliando-o a fazer frente \u00e0s provas do dia a dia. Ela \u00e9 mais um sistema de for\u00e7as que de ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que irmana as diversas cren\u00e7as religiosas, indica Durkheim, \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de classifica\u00e7\u00e3o das coisas como sagradas ou profanas. As coisas sagradas envolveriam um c\u00edrculo de objetos de extens\u00e3o infinitamente vari\u00e1vel, tendo como peculiaridade uma percep\u00e7\u00e3o de <em>dignidade<\/em> singular \u2013 e superioridade \u2013 com respeito \u00e0s coisas profanas. \u00a0O car\u00e1ter sagrado, por sua vez, n\u00e3o \u00e9 algo intr\u00ednseco a uma coisa reconhecida como sagrada, mas \u00e9 um dado <em>acrescentado<\/em>. Quando se fala em <em>for\u00e7a religiosa<\/em> o que est\u00e1 em jogo \u00e9 um sentimento inspirado pela coletividade em seus membros e que vem projetado e objetivado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo movimento que estreita o la\u00e7o do fiel com seu Deus, firmam-se tamb\u00e9m os la\u00e7os que unem o indiv\u00edduo \u00e0 sociedade de que \u00e9 membro. Isso acontece de forma precisa nas pr\u00e1ticas do culto. Ali ocorre n\u00e3o apenas um <em>sistema de signos<\/em> que traduzem a express\u00e3o da f\u00e9, mas uma \u201ccole\u00e7\u00e3o de meios pelos quais ela se cria e se recria periodicamente\u201d (DURKHEIM, 1989, p.494). A religi\u00e3o vem definida como um sistema solid\u00e1rio de cren\u00e7as e pr\u00e1ticas relacionadas \u00e0s coisas sagradas, que congregam seus aderentes numa mesma comunidade moral (DURKHEIM, 1989, p.79).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tra\u00e7o dinamog\u00eanico da religi\u00e3o veio tamb\u00e9m sublinhado por Peter Berger em sua reflex\u00e3o sociol\u00f3gica. A religi\u00e3o vem concebida como empreendimento fundamental na manuten\u00e7\u00e3o da plausibilidade do sentido, com deriva\u00e7\u00e3o ainda mais substantiva por relacionar-se a uma fonte poderosa. Trata-se de uma \u201ccosmifica\u00e7\u00e3o\u201d pontuada pela qualidade desse poder misterioso e envolvente que \u00e9 o sagrado. Na medida em que transcende e envolve o ser humano nessa din\u00e2mica de ordena\u00e7\u00e3o da realidade, o cosmos sagrado \u201cfornece o supremo escudo do homem contra o terror da anomia. Achar-se numa rela\u00e7\u00e3o \u2018correta\u2019 com o cosmos sagrado \u00e9 ser protegido contra o pesadelo da amea\u00e7a do caos\u201d (BERGER, 1985, p.40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizia com raz\u00e3o Durkheim que as cren\u00e7as \u201cs\u00f3 s\u00e3o ativas quando compartilhadas\u201d. \u00c9 tamb\u00e9m o que reitera a soci\u00f3loga francesa Dani\u00e8le Hervieu-L\u00e9ger ao destacar uma import\u00e2ncia singular ao exerc\u00edcio da cren\u00e7a numa tradi\u00e7\u00e3o ou linha de continuidade do dispositivo devocional. A tradi\u00e7\u00e3o ganha em sua reflex\u00e3o um lugar singular, enquanto lugar de conserva\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o da cren\u00e7a. Ela \u00e9 \u201cgeradora de continuidade\u201d.\u00a0 Sua defini\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o \u00e9 bem precisa: \u201cUma \u2018religi\u00e3o\u2019 \u00e9 um dispositivo ideol\u00f3gico, pr\u00e1tico e simb\u00f3lico mediante o qual se forma, se mant\u00e9m, se desenvolve e se controla a consci\u00eancia (individual e coletiva) da perten\u00e7a a uma descend\u00eancia crente espec\u00edfica\u201d (HERVIER-L\u00c9GER, 1996, p.129).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o advento da modernidade e das sociedades p\u00f3s-tradicionais, ocorre uma crise de credibilidade dos sistemas religiosos e a emerg\u00eancia crescente de novas formas de cren\u00e7a. O que caracteriza o tempo atual n\u00e3o \u00e9 a mera indiferen\u00e7a com respeito \u00e0 cren\u00e7a, mas a perda de sua <em>regulamenta\u00e7\u00e3o<\/em> por parte das institui\u00e7\u00f5es tradicionais produtoras de sentido. O que ocorre \u00e9 uma \u201cbricolagem de cren\u00e7as\u201d, uma individualiza\u00e7\u00e3o e liberdade na din\u00e2mica de constru\u00e7\u00e3o dos sistemas de f\u00e9. Como sublinha Hervier-L\u00e9ger,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">o principal problema, para uma sociologia da modernidade religiosa \u00e9, portanto, tentar compreender conjuntamente o movimento pelo qual a Modernidade continua a minar a credibilidade de todos os sistemas religiosos e o movimento pelo qual, ao mesmo tempo, ela faz surgirem novas formas de cren\u00e7a (HERVIER-L\u00c9GER, 2008, p.41)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Torna-se impr\u00f3prio falar simplesmente de um <em>retorno<\/em> ou <em>revanche<\/em> do religioso no tempo atual. O processo \u00e9 mais complexo. H\u00e1 de um lado a desqualifica\u00e7\u00e3o das \u201cgrandes explica\u00e7\u00f5es religiosas do mundo\u201d que forneciam o sentido e plausibilidade para as pessoas e grupos religiosos. Mas, por outro, essa mesma modernidade secularizada n\u00e3o consegue responder \u00e0s demandas de nomiza\u00e7\u00e3o, acumulando n\u00e3o s\u00f3 utopia mas tamb\u00e9m opacidade, e com isso gerando simultaneamente \u201cas condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis \u00e0 expans\u00e3o da cren\u00e7a\u201d (HERVIER-L\u00c9GER, 2008, p.41).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a02 O olhar fenomenol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia religiosa foi objeto de muita reflex\u00e3o tamb\u00e9m na fenomenologia da religi\u00e3o e na teologia, buscando resgatar o desejo de transcend\u00eancia presente na din\u00e2mica humana. Cl\u00e1ssica \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o do pensador romeno Mircea Eliade, na busca de uma ess\u00eancia do fen\u00f4meno religioso, visando encontrar na experi\u00eancia do sagrado o tra\u00e7o fundamental da experi\u00eancia religiosa. Para Eliade, o sagrado n\u00e3o pode ser entendido como uma <em>fase<\/em> na hist\u00f3ria da consci\u00eancia, mas um \u201celemento na estrutura da consci\u00eancia\u201d (ELIADE, 1978, p.13). Nesse sentido, o dado religioso seria constitutivo do ser humano como tal. Segundo essa vis\u00e3o mais essencialista, o sagrado seria \u201co real por excel\u00eancia\u201d, fonte de vitalidade e fecundidade. Estar em rela\u00e7\u00e3o com o sagrado, ou viver marcado por essa presen\u00e7a, \u00e9 propiciar uma inser\u00e7\u00e3o na realidade objetiva (ELIADE. s\/d, p.42). Nesse quadro interpretativo, \u00e9 o sagrado que possibilita a orienta\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de mundo, firmando propriamente a ordem c\u00f3smica. N\u00e3o se poderia conceber a exist\u00eancia humana fora dessa comunica\u00e7\u00e3o com o numinoso, pois ele \u00e9 por excel\u00eancia o dossel protetor contra a amea\u00e7a de car\u00eancia de sentido ou do caos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No olhar fenomenol\u00f3gico, o \u00e2mbito do sagrado circunscreve o \u201cmundo do definitivo\u201d e do necess\u00e1rio. Diante dele todas as realidades da vida ordin\u00e1ria e todas as criaturas passam a ser percebidas como pen\u00faltimas, envolvidas por um sentimento vivo de depend\u00eancia. O sagrado traduz uma realidade que denota majestade, superioridade e transcend\u00eancia. Diante dele n\u00e3o h\u00e1 sentimento poss\u00edvel sen\u00e3o o de criatura. \u00c9 algo <em>simultaneamente<\/em> fascinante e tremendo, como mostrou com acuidade Rudof Otto. Por um lado, arrebata, desconcerta e comove, por sua qualidade de <em>tremendum<\/em> e de \u201ctotalmente outro\u201d. Isto pelo fato de estar fora da al\u00e7ada do dom\u00ednio das coisas familiares e habituais, t\u00edpicas do mundo profano. Por outro, provoca fasc\u00ednio, encanto e atra\u00e7\u00e3o. Como sublinha Otto, \u201cprovoca na alma um interesse que n\u00e3o se pode dominar\u201d (OTTO, 1992, p.41). \u00c9 esse sentimento do numinoso, do totalmente outro, que est\u00e1 na base do sentimento religioso e da experi\u00eancia religiosa, como indicam os autores da fenomenologia da religi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa abordagem fenomenol\u00f3gica vem sendo objeto de cr\u00edtica de autores das ci\u00eancias da religi\u00e3o, sobretudo em raz\u00e3o de sua perspectiva essencialista e sua tend\u00eancia \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o (GASBARR0, 2013, p.93 e 95). Como assinala Frank Usarski, um dos mais fortes cr\u00edticos a tal perspectiva no Brasil,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">o maior desafio que o mundo complexo das religi\u00f5es representa para um fenomen\u00f3logo \u201ccl\u00e1ssico\u201d \u00e9 o da abstra\u00e7\u00e3o da complexidade dos fatos reais para chegar ao \u201cconhecimento\u201d do sagrado o mais imediatamente poss\u00edvel, ou seja, da suposta ess\u00eancia de qualquer \u201cverdadeira\u201d religi\u00e3o que repercute no interior de um ser humano sens\u00edvel para tal \u201c\u00faltima realidade\u201d [&#8230;]. Enquanto os fenomen\u00f3logos pretendiam ir al\u00e9m dos aspectos particulares que constituem uma religi\u00e3o no cont\u00ednuo tempo-espa\u00e7o, para chegar \u00e0 ess\u00eancia da religi\u00e3o em si, as gera\u00e7\u00f5es posteriores dos cientistas da religi\u00e3o defendem o car\u00e1ter multidisciplinar dos seus estudos e a necessidade de uma colabora\u00e7\u00e3o entre especialistas formados em diferentes subdisciplinas e interessados em todas as dimens\u00f5es que comp\u00f5em qualquer religi\u00e3o concreta (USARSKI, 2006, p.41-43).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o se pode desconhecer a import\u00e2ncia do aporte da fenomenologia da religi\u00e3o para acessar a experi\u00eancia religiosa, sobretudo o destaque dado \u00e0 import\u00e2ncia do \u201ctato religioso\u201d para o pesquisador que se disponha a adentrar-se no dom\u00ednio complexo desse fen\u00f4meno. Em casos particulares, a perspectiva contr\u00e1ria, animada pelo \u201cate\u00edsmo metodol\u00f3gico\u201d, n\u00e3o consegue aproximar-se com profundidade do mundo do outro, ou o que \u00e9 mais grave, acaba por favorecer uma cogni\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica, quando n\u00e3o miser\u00e1vel sobre a experi\u00eancia da alteridade (POND\u00c9, 2001, p.54-9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a03 O olhar psicol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 como captar a experi\u00eancia religiosa desconhecendo a <em>extraordin\u00e1ria polimorfia<\/em> que a caracteriza. Trata-se de uma realidade que vem carregada por m\u00faltiplos e complexos significados. A abordagem psicol\u00f3gica da religi\u00e3o busca uma aproxima\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno tendo em conta suas tens\u00f5es e polariza\u00e7\u00f5es constitutivas. O objetivo proposto \u00e9 o de <em>observar<\/em> a conduta dos sujeitos e das institui\u00e7\u00f5es, com particular aten\u00e7\u00e3o aos aspectos subjetivos. Como indicou com acerto Ed\u00eanio Valle, ainda que reconhecendo os in\u00fameros <em>desacordos<\/em> que dividem os praticantes dessa disciplina, a aproxima\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica ao fen\u00f4meno religioso guarda alguns tra\u00e7os importantes:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As defini\u00e7\u00f5es deixam claro que as religi\u00f5es reais \u2013 com seu peso institucional e s\u00f3cio-hist\u00f3rico \u2013 e a religiosidade, sua face subjetiva, acontecem no jogo das m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre o sujeito religioso, o grupo religioso ao qual se afilia e o universo das cren\u00e7as e valores vigentes naquela dada sociedade, grupo ou \u00e9poca, considerados, inclusive, seus respectivos modelos civilizat\u00f3rios e respectivos est\u00e1gios de desenvolvimento tecnol\u00f3gico-cient\u00edfico e pol\u00edtico-organizativo. Neste contexto de extraordin\u00e1ria complexidade, o psic\u00f3logo tenta chegar \u00e0 op\u00e7\u00e3o vivencial e \u00e0 realidade psicol\u00f3gica e humana dos indiv\u00edduos, assim como essa aparece em seu comportamento religioso (VALLE, 1998, p.260).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O olhar psicol\u00f3gico, aninhado num ramo espec\u00edfico das ci\u00eancias da religi\u00e3o, busca examinar os fen\u00f4menos e manifesta\u00e7\u00f5es religiosas tendo em vista a polifonia de suas dimens\u00f5es comportamentais. \u00c9, por\u00e9m, um olhar que se encontra ainda em <em>est\u00e1gio de constru\u00e7\u00e3o<\/em>, mesmo com uma hist\u00f3ria que j\u00e1 soma quase cento e cinquenta anos. Esse caminho veio recentemente tra\u00e7ado por Jacob Belzen, da Universidade de Amsterd\u00e3, que sintetiza de forma muito feliz os passos at\u00e9 agora percorridos pela Psicologia da Religi\u00e3o. A forma como se concebeu ou se exerceu esse campo tem\u00e1tico foi muito diversificada: ora se firmou a servi\u00e7o do religioso, ou ent\u00e3o a servi\u00e7o da cr\u00edtica \u00e0 religi\u00e3o ou do conhecimento cient\u00edfico. Perspectivas que se vinculam a um dos tr\u00eas caminhos s\u00e3o recorrentes. Mas uma outra perspectiva, sublinhada por Belzen, vem tamb\u00e9m se firmando, e \u00e9 bem sugestiva. Trata-se do caminho nomeado como \u201cParecerista\u201d (do alem\u00e3o <em>Rezensentin<\/em>). Para usar uma met\u00e1fora do mundo da m\u00fasica, esta perspectiva tem como foco principal a <em>aten\u00e7\u00e3o<\/em> desperta para os que praticam a m\u00fasica, no caso, os executantes da religi\u00e3o. E o autor justifica esta posi\u00e7\u00e3o: \u201cOs psic\u00f3logos da religi\u00e3o que exercem sua profiss\u00e3o como <em>Pareceristas<\/em> sobre uma religi\u00e3o ou comportamento religioso n\u00e3o se sentem chamados a escrever sobre religi\u00e3o em geral, mas sim sobre um comportamento religioso concreto\u201d (BELZEN, 2013, p.326-7). Esse modo de procedimento \u00e9 distinto de certa concep\u00e7\u00e3o exteriorista ou neutra, bem vigente neste campo, que destaca o pesquisador do objeto de seu estudo em vista de uma maior cientificidade. Ao contr\u00e1rio, os que seguem a nova orienta\u00e7\u00e3o est\u00e3o bem cientes da import\u00e2ncia de uma maior aproxima\u00e7\u00e3o da religiosidade particular para uma interpreta\u00e7\u00e3o correta das manifesta\u00e7\u00f5es subjetivas do exerc\u00edcio da religiosidade. Esta nova ocular vem assim recuperar a dimens\u00e3o hermen\u00eautica da Psicologia da Religi\u00e3o, instrumentando-a com novos atributos para conhecer o sujeito religioso tanto a partir <em>de fora<\/em> como <em>de dentro<\/em> de sua pr\u00e1tica religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a04 O olhar teol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo de transcend\u00eancia, j\u00e1 presente na ocular fenomenol\u00f3gica, vem tamb\u00e9m trabalhado em \u00e2mbito teol\u00f3gico, sendo destacado com \u00eanfase por autores como Karl Rahner. Esse grande arquiteto da teologia cat\u00f3lica dedicou-se a compreender os tra\u00e7os dessa \u201cexperi\u00eancia transcendental\u201d que, a seu ver, opera em todos os seres humanos. Para ele, n\u00e3o h\u00e1 como desvencilhar-se desse dinamismo que atua na consci\u00eancia subjetiva, como tra\u00e7o necess\u00e1rio e insuprim\u00edvel, mesmo que ocorra de forma an\u00f4nima ou atem\u00e1tica. Cada consci\u00eancia subjetiva estaria assim animada por esse \u201ccar\u00e1ter ilimitado de abertura\u201d. Enquanto ser de transcend\u00eancia, o ser humano est\u00e1 sempre, e antes de qualquer ato de liberdade, situado e orientado na atmosfera de um \u201cmist\u00e9rio santo e absolutamente real\u201d. \u00c9 esse mist\u00e9rio, simultaneamente transcendente e familiar, o que existe \u201cde mais evidente\u201d, colocado sempre \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Rahner, esta experi\u00eancia transcendental do sujeito vem marcada por universalidade, podendo ocorrer de forma atem\u00e1tica e mesmo \u201carreligiosa\u201d, independente de uma experi\u00eancia religiosa expl\u00edcita. \u00c9 uma experi\u00eancia original, ontologicamente fundada. \u00a0Ela acontece de fato onde quer que o sujeito atue de forma livre e profunda a sua exist\u00eancia. \u00c9 algo que se disponibiliza para todos, e que pode ocorrer \u201cat\u00e9 mesmo em formas e conceitua\u00e7\u00e3o que aparentemente nada t\u00eam de religioso\u201d (RAHNER, 1989, p.164). Ocorre quando o sujeito se v\u00ea defrontado, no \u00e2mbito de suas atividade cotidianas, com o \u201cabismo de sua exist\u00eancia\u201d, com a profundidade que escapa ao burburinho tranquilo das coisas familiares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a05 Um campo sem\u00e2ntico em discuss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Torna-se cada vez mais complicado querer hoje caracterizar a religi\u00e3o como uma atividade espec\u00edfica do ser humano, como definido em alguns campos da fenomenologia da religi\u00e3o. \u00c9 verdade que alguns autores como Keiji Nishitani e Paul Tillich buscaram ampliar esse campo sem\u00e2ntico, visando identificar um sentido mais lato de religi\u00e3o. Nesse caso, a express\u00e3o envolveria uma dimens\u00e3o mais ampla, associada \u00e0 met\u00e1fora da profundidade. Religi\u00e3o seria assim a \u201cdimens\u00e3o da realidade suprema nos diferentes campos do encontro do homem com a realidade\u201d (TILLICH, 1968, p.96). Igualmente Nishitani, da Escola de Kyoto, apresenta um conceito de religi\u00e3o mais amplo, que a associa \u00e0 \u201creal consci\u00eancia da realidade\u201d. Para ele, a exig\u00eancia religiosa envolveria a \u201cbusca humana da verdadeira realidade de um modo real\u201d, para al\u00e9m de uma express\u00e3o exclusivamente teor\u00e9tica (NISHITANI, 2004, p.35-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nas experi\u00eancias do sagrado ou espirituais que n\u00e3o se encaixam exclusivamente no conceito tradicional de religi\u00e3o, h\u00e1 que problematizar certa ideia rotineira de religi\u00e3o que a enquadra como um tra\u00e7o do humano. Estudiosos da hist\u00f3ria das religi\u00f5es e das mitologias, como Jean-Pierre Vernant lan\u00e7am suspeitas sobre os procedimentos anal\u00edticos habituais com respeito \u00e0 cobertura da no\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o. H\u00e1 povos ou tradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o trabalham com a distin\u00e7\u00e3o sagrado\/profano, nem com no\u00e7\u00f5es como a de um Deus \u00fanico, ou mesmo de Deus. Outras tradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o trazem em seu repert\u00f3rio dogmas ou credos, um clero regular ou promessas de imortalidade. Critica-se a ideia mesma de religi\u00e3o como sendo \u201cestreitamente etnoc\u00eantrica e ocidental\u201d (GEFFR\u00c9, 2012, p.15-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como mostrou Pierre Gisel, o dado religioso n\u00e3o pode ser concebido como algo aprior\u00edstico, ou dimens\u00e3o espec\u00edfica do humano, mas \u00e9 algo que s\u00f3 se d\u00e1 em formas determinadas de cren\u00e7as ou religi\u00f5es espec\u00edficas. Trata-se, antes, de uma \u201cconstru\u00e7\u00e3o cultural\u201d. As religi\u00f5es s\u00e3o historicamente firmadas e constru\u00eddas. O termo <em>religioso<\/em>, distintamente da forma como veio concebido numa perspectiva mais substantiva ou essencialista, \u00e9 um <em>constructo<\/em>:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">o que ele circunscreve n\u00e3o se encontra em todas as culturas ou em todas as civiliza\u00e7\u00f5es, e quando ele designa um campo pr\u00f3prio \u2013 como na hist\u00f3ria ocidental permeada de cristianismo \u2013, este campo \u00e9, de fato, um \u201ccen\u00e1rio\u201d, no qual realidades antropol\u00f3gicas e sociais mais amplas v\u00eam se apresentar (GISEL, 2011, p.169).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mudan\u00e7as essenciais v\u00eam ocorrendo no \u00e2mbito da modernidade p\u00f3s-tradicional, com implica\u00e7\u00f5es bem precisas na din\u00e2mica religiosa. Junto com a desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o crescente, express\u00e3o da crise das inst\u00e2ncias s\u00f3lidas que fundavam, enquadravam e regulavam o campo das experi\u00eancias religiosas, instala-se a quebra de transmiss\u00e3o da mem\u00f3ria religiosa. As filia\u00e7\u00f5es tradicionais sofrem impacto decisivo e novas cren\u00e7as se firmam fora do circuito tradicional das religi\u00f5es tradicionais. Como pontua Pierre Sanchis, \u201cum dos problemas mais cr\u00edticos que as institui\u00e7\u00f5es religiosas ter\u00e3o de enfrentar nos pr\u00f3ximos tempos ser\u00e1 de se haver com um significado menos totalizante para a rela\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria que seus fi\u00e9is manter\u00e3o com elas\u201d (SANCHIS, 2013, p.13-4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com todas as mudan\u00e7as provocadas pela modernidade p\u00f3s-tradicional, um dado permanece vigente: a incapacidade de lidar com as incertezas antropol\u00f3gicas que permanecem acesas no tempo. Ainda que superando certos fatalismos t\u00edpicos das sociedades tradicionais, a modernidade n\u00e3o conseguiu responder \u00e0 sede de sentido de seus indiv\u00edduos. \u00c9 uma demanda que permanece viva e aguda (HERVIEU-L\u00c9GER, 1996, p.151). Isto talvez ajude a explicar a grande sede espiritual que move um importante segmento de pessoas no momento atual, suscitando novas quest\u00f5es e indaga\u00e7\u00f5es e ampliando o campo da discuss\u00e3o em torno da experi\u00eancia do sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a06 A busca pela experi\u00eancia espiritual<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que a experi\u00eancia religiosa vigore como um dado presente e singular, talvez seja mais pertinente falar em experi\u00eancia espiritual, caso se queira buscar um campo de maior universalidade. H\u00e1 que distinguir entre religi\u00e3o e espiritualidade, como t\u00e3o bem mostrou Dalai Lama. A espiritualidade est\u00e1 relacionada com \u201cqualidades do esp\u00edrito humano\u201d tais como o amor, a compaix\u00e3o, a paci\u00eancia, a hospitalidade, a aten\u00e7\u00e3o, delicadeza e doa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o qualidades que independem de uma vincula\u00e7\u00e3o religiosa, e qualquer indiv\u00edduo \u00e9 capaz de desenvolv\u00ea-las, mesmo em alto grau, mesmo n\u00e3o pertencendo a um sistema religioso determinado. Pode-se at\u00e9 dispensar a religi\u00e3o, mas n\u00e3o essas \u201cqualidades espirituais b\u00e1sicas\u201d (DALAI LAMA, 2000, p.32-3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma s\u00e9rie de autores n\u00e3o religiosos t\u00eam hoje sublinhado a import\u00e2ncia da vida espiritual como tra\u00e7o elevado do ser humano, e capaz de ser experimentado mesmo fora de uma inser\u00e7\u00e3o religiosa. \u00c9 o caso de Andr\u00e9 Comte-Sponville em seu trabalho sobre <em>O esp\u00edrito do ate\u00edsmo<\/em>. Para ele, a espiritualidade tem a ver com a abertura do esp\u00edrito e o defrontar-se com a vida em profundidade. Essa abertura ao infinito, \u00e0 eternidade, ao singular que existe no pr\u00f3prio sujeito, despertando dimens\u00f5es inusitadas, \u00e9 de fato exerc\u00edcio de vida espiritual. Se \u00e9 verdade que \u201ctoda religi\u00e3o pertence, ao menos em parte, \u00e0 espiritualidade\u201d, h\u00e1 tamb\u00e9m que afirmar que \u201cnem toda espiritualidade \u00e9 necessariamente religiosa\u201d (COMTE-SPONVILLE, 2007, p.129).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A espiritualidade, sublinha Comte-Sponville, \u00e9 algo que se d\u00e1, de forma simples e at\u00e9 mesmo banal, no dom\u00ednio da experi\u00eancia cotidiana, diante da for\u00e7a da \u201cimanensidade\u201d. Trata-se do sentimento essencial de estar diante do Todo, que se apresenta no tempo e que transborda o sujeito por todos os lados. Criando-se as condi\u00e7\u00f5es para uma tal experi\u00eancia, algo que requer aten\u00e7\u00e3o e disponibiliza\u00e7\u00e3o interior, a estupefa\u00e7\u00e3o diante do Mist\u00e9rio revela-se imediata: \u201cO mundo \u00e9 nosso lugar; o c\u00e9u, nosso horizonte; a eternidade, nosso cotidiano\u201d (COMTE-SPONVILLE, 2007, p.137).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em linha de sintonia com esta perspectiva, pode-se tamb\u00e9m assinalar a reflex\u00e3o de Pierre Hadot, que fala em \u201cexerc\u00edcio espiritual\u201d, entendido como uma pr\u00e1tica volunt\u00e1ria e pessoal de desapego e transforma\u00e7\u00e3o de si mesmo, de descentramento do ego em favor de uma alian\u00e7a superior do sujeito com a totalidade das coisas (HADOT, 2008, p.119-20; MANCUSO, 2012, p.143-4; ). Trata-se de uma experi\u00eancia que n\u00e3o est\u00e1 destacada da vida cotidiana, mas que encontra a\u00ed o cen\u00e1rio vivo de sua realiza\u00e7\u00e3o. Citando uma passagem de Wittgenstein a prop\u00f3sito da m\u00edstica, Hadot destaca essa singularidade da \u201cmaravilha pela exist\u00eancia do mundo\u201d, de ser capaz de ver o mundo como um <em>milagre<\/em>. N\u00e3o h\u00e1 como acessar a riqueza de uma tal experi\u00eancia espiritual fora do cotidiano. \u00c9 ali que os aspectos mais simples, ricos e essenciais das coisas encontram sua guarida (HADOT, 2007, p.16-7 e 77; PENA-RUIZ, 1998, p.22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Faustino Teixeira\u00a0 &#8211; <\/em>PPCIR \u2013 UFJF, Brasil. Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BELZEN, Jacob. Constitui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da Psicologia Cient\u00edfica da Religi\u00e3o. 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S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 O olhar sociol\u00f3gico 2 O olhar fenomenol\u00f3gico 3 O olhar psicol\u00f3gico 4 O olhar teol\u00f3gico 5 Um campo sem\u00e2ntico em discuss\u00e3o 6 A busca pela experi\u00eancia espiritual Abordar a quest\u00e3o da experi\u00eancia religiosa \u00e9 adentrar-se por caminhos extremamente complexos e cada vez mais problematizados nesse tempo de crise das institui\u00e7\u00f5es tradicionais de sentido. 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