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{"id":2026,"date":"2020-12-31T12:48:01","date_gmt":"2020-12-31T14:48:01","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2026"},"modified":"2021-02-10T15:58:23","modified_gmt":"2021-02-10T17:58:23","slug":"pastoral-social-reflexao-praxico-teorica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2026","title":{"rendered":"Pastoral social. Reflex\u00e3o pr\u00e1xico-te\u00f3rica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Especificidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Desenvolvimento hist\u00f3rico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>pastoral social<\/em> ou o desenvolvimento pr\u00e1xico-te\u00f3rico da <em>dimens\u00e3o social da f\u00e9<\/em> \u00e9 sem d\u00favida nenhuma uma das caracter\u00edsticas mais importantes e mais impactantes da Igreja latino-americana na segunda metade do s\u00e9culo XX. Ela marca decisivamente a recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio na Am\u00e9rica Latina. N\u00e3o por acaso, a Igreja latino-americana \u00e9 conhecida e destacada por seu compromisso com a justi\u00e7a social e por seu engajamento nas lutas populares. E esta imagem est\u00e1 sempre vinculada \u00e0 atua\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica de bispos como Oscar Romero, Helder C\u00e2mara, Pedro Casald\u00e1liga etc. e das pastorais sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para uma melhor compreens\u00e3o da <em>pastoral social<\/em>, \u00e9 necess\u00e1rio considerar tanto sua <em>especificidade<\/em> quanto seu <em>desenvolvimento hist\u00f3rico<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1<\/strong> <strong>Especificidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <em>pastoral social<\/em> tem a ver fundamentalmente com a dimens\u00e3o socioestrutural da caridade crist\u00e3. \u00c9 a diaconia ou colabora\u00e7\u00e3o organizada da Igreja na realiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social, isto \u00e9, nos processos de reestrutura\u00e7\u00e3o da sociedade a partir e em vista das necessidades e dos direitos dos pobres e marginalizados. Ela se constitui, assim, como fermento evang\u00e9lico nas estruturas sociais. E num duplo sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por um lado, como <em>den\u00fancia<\/em> e enfrentamento de toda forma de injusti\u00e7a, explora\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o e marginaliza\u00e7\u00e3o, bem como dos mecanismos que produzem essas situa\u00e7\u00f5es; como afronta a um modo de estrutura\u00e7\u00e3o e institucionaliza\u00e7\u00e3o de nossa vida coletiva, que nega a grandes setores da popula\u00e7\u00e3o at\u00e9 as condi\u00e7\u00f5es materiais b\u00e1sicas de sobreviv\u00eancia, impedindo-as de viverem com dignidade e de se realizarem como pessoas. Trata-se, aqui, em \u00faltima inst\u00e2ncia, do enfrentamento do pecado que se materializa e se institucionaliza nas estruturas da sociedade ou do que, desde Medell\u00edn e Puebla, convencionou-se chamar \u201cpecado social\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, como <em>an\u00fancio<\/em> eficaz de uma nova forma de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, isto \u00e9, como convoca\u00e7\u00e3o a uma reinven\u00e7\u00e3o e reestrutura\u00e7\u00e3o da vida social: insistindo na inaceitabilidade da injusti\u00e7a social; mobilizando pessoas e grupos a lutarem por seus direitos e a buscarem e criarem alternativas de vida; articulando e projetando essas lutas e alternativas; fortalecendo as lutas populares concretas com a for\u00e7a social da Igreja; explicitando e potencializando seu car\u00e1ter salv\u00edfico. Trata-se, aqui, em \u00faltima inst\u00e2ncia, da dimens\u00e3o socioestrutural da gra\u00e7a, isto \u00e9, da a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica e (re)criadora do Esp\u00edrito de Deus no mundo. Tamb\u00e9m a estrutura\u00e7\u00e3o de nossa vida coletiva deve se dar na for\u00e7a, no dinamismo e no poder do Esp\u00edrito de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s nos deparamos, aqui, com a dimens\u00e3o socioestrutural do pecado e da gra\u00e7a. Nossa f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 indiferente ao modo como organizamos nossa vida coletiva (cf. Puebla n.513-520). A organiza\u00e7\u00e3o da sociedade pode estar mais ou menos de acordo com o Evangelho de Jesus Cristo; pode estar mais ou menos em sintonia com o dinamismo de vida suscitado por Jesus e seu Esp\u00edrito: pode tanto permitir ou facilitar (dinamismo gracioso), quanto impedir ou dificultar (dinamismo pecaminoso), adquirindo, assim, um car\u00e1ter estritamente teologal. As estruturas da sociedade n\u00e3o s\u00e3o simplesmente estruturas econ\u00f4micas, pol\u00edticas, sociais, culturais, de g\u00eanero etc. S\u00e3o tamb\u00e9m e sempre estruturas teologais, enquanto objetiva\u00e7\u00e3o (institucionaliza\u00e7\u00e3o) e media\u00e7\u00e3o (poder dinamizador) da gra\u00e7a ou do pecado. Da\u00ed sua import\u00e2ncia central para a f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na medida em que a sociedade est\u00e1 organizada ou estruturada de tal forma que priva uma grande parte da humanidade at\u00e9 das condi\u00e7\u00f5es materiais b\u00e1sicas de sobreviv\u00eancia; que mant\u00e9m a domina\u00e7\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o dos homens sobre as mulheres, dos brancos sobre os negros; que discrimina e marginaliza idosos, homossexuais, pessoas com defici\u00eancia etc.; que destr\u00f3i a natureza, causa desequil\u00edbrios socioambientais e compromete o futuro da pr\u00f3pria esp\u00e9cie no planeta; ela \u201cdes-figura\u201d a presen\u00e7a de Deus no mundo e se constitui como um obst\u00e1culo ao dinamismo de vida fraterna suscitado por Jesus e seu Esp\u00edrito. Suas estruturas t\u00eam, assim, um car\u00e1ter intrinsecamente pecaminoso. Enquanto tais, elas se apresentam e se imp\u00f5em como um dos maiores desafios para a viv\u00eancia da f\u00e9 e para a a\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento dessa dimens\u00e3o estrutural da f\u00e9 confere \u00e0 pastoral social um car\u00e1ter bem peculiar, nem sempre compreendido e aceito na sociedade em geral nem na pr\u00f3pria comunidade eclesial. Mesmo entre pessoas que estimam, valorizam e at\u00e9 praticam as chamadas \u201cobras de miseric\u00f3rdia\u201d, h\u00e1 muita resist\u00eancia \u00e0 pastoral social em sentido estrito. \u00c9 famosa a afirma\u00e7\u00e3o de Dom Helder C\u00e2mara: \u201cse dou comida aos pobres me chamam de santo; se pergunto por que eles s\u00e3o pobres me chamam de comunista\u201d. E o papa Francisco, falando de \u201cterra, casa e trabalho\u201d no encontro com os movimentos populares no Vaticano, dizia: \u201c\u00c9 estranho, mas se falo disto para alguns, o papa \u00e9 comunista. N\u00e3o se compreende que o amor pelos pobres est\u00e1 no centro do Evangelho. Terra, casa e trabalho, aquilo porque lutais, s\u00e3o direitos sagrados. Exigi-lo n\u00e3o \u00e9 estranho, \u00e9 a doutrina social da Igreja\u201d (FRANCISCO, 2014, p. 1). Mas aqui est\u00e1 a peculiaridade da pastoral social, enquanto dimens\u00e3o socioestrutural da caridade crist\u00e3. Essa peculiaridade se mostra, sobretudo, em tr\u00eas de suas principais caracter\u00edsticas: di\u00e1logo com as ci\u00eancias, articula\u00e7\u00e3o com os movimentos populares e conflitividade social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) Para transformar a sociedade \u00e9 necess\u00e1rio saber minimamente como ela funciona, como ela est\u00e1 organizada e estruturada e quais as reais possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o social em cada momento. Para isto \u00e9 necess\u00e1rio analisar a realidade, recorrendo \u00e0 <em>sabedoria popular<\/em> gestada e testada na experi\u00eancia cotidiana e hist\u00f3rica de pessoas, comunidades e povos, e \u00e0s <em>ci\u00eancias<\/em> que procuram explicar os fen\u00f4menos sociais e que investigam as possibilidades e os caminhos de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) Enquanto servi\u00e7o \u00e0 causa dos pobres e marginalizados, a pastoral social est\u00e1 estreitamente vinculada \u00e0s lutas e organiza\u00e7\u00f5es populares, sem que isso comprometa sua identidade eclesial; \u00e9 aliada e parceira de todas as for\u00e7as sociais (na medida em) que defendem e lutam pelos direitos dos pobres e marginalizados, independentemente de sua profiss\u00e3o de f\u00e9 e de seu v\u00ednculo eclesial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) Na medida em que luta pela transforma\u00e7\u00e3o das estruturas da sociedade, a Igreja acaba, direta ou indiretamente, se confrontando com os grupos que se beneficiam com a ordem social vigente. Todo processo de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade \u00e9 tenso e conflitivo, pois envolve interesses muito concretos de grupos muito concretos. O conflito, aqui, \u00e9 algo inevit\u00e1vel (Cf. Jo 15,20). \u00c9 inerente \u00e0 miss\u00e3o da Igreja lutar pelo direito dos pobres e marginalizados da sociedade. E acaba sendo tamb\u00e9m um teste ou uma prova da miss\u00e3o, pois estar \u201cbem e em paz\u201d com os exploradores e opressores do povo \u00e9 sempre um sinal de infidelidade \u00e0 miss\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 neutralidade aqui&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Desenvolvimento hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consci\u00eancia expl\u00edcita dessa problem\u00e1tica e desse desafio \u00e9 relativamente recente na Igreja. Certamente, podemos encontrar ind\u00edcios disso na Escritura e na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. Pensemos, por exemplo, na den\u00fancia dos profetas contra a acumula\u00e7\u00e3o de riquezas, contra o sal\u00e1rio n\u00e3o pago dos trabalhadores, contra a viola\u00e7\u00e3o do direito das vi\u00favas nos tribunais, contra a espolia\u00e7\u00e3o dos bens dos pequenos, contra um culto aliado \u00e0 injusti\u00e7a social e, sobretudo, em sua defesa radical do direito do pobre, do \u00f3rf\u00e3o, da vi\u00fava e do estrangeiro. Pensemos tamb\u00e9m nas reflex\u00f5es sobre a destina\u00e7\u00e3o universal dos bens e sobre a pol\u00edtica como arte do bem comum, desenvolvidas na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. Tudo isso \u00e9 ind\u00edcio do que estamos chamando aqui de dimens\u00e3o socioestrutural da f\u00e9 ou de pastoral social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas sua consci\u00eancia expl\u00edcita come\u00e7a a se desenvolver na Europa no s\u00e9culo XIX, no contexto da complexifica\u00e7\u00e3o da sociedade (revolu\u00e7\u00e3o industrial, revolu\u00e7\u00e3o francesa, revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica) e do desenvolvimento das ci\u00eancias sociais. Ela se consolida na Am\u00e9rica Latina com as confer\u00eancias de Medell\u00edn e Puebla e com as teologias da liberta\u00e7\u00e3o. E, aos poucos, vai sendo assumida pelo conjunto da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um marco importante no surgimento da consci\u00eancia da dimens\u00e3o estrutural da f\u00e9 \u00e9, n\u00e3o obstante suas ambiguidades e contradi\u00e7\u00f5es, o chamado \u201ccatolicismo social\u201d que se desenvolveu na Europa no contexto da revolu\u00e7\u00e3o industrial e da situa\u00e7\u00e3o da classe e do movimento oper\u00e1rios nascentes. \u00c9 neste contexto que se insere a enc\u00edclica <em>Rerum novarum:<\/em> <em>Sobre a condi\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios,<\/em> do papa Le\u00e3o XIII (1891). \u00c9 a primeira interven\u00e7\u00e3o oficial do magist\u00e9rio romano sobre a \u201cquest\u00e3o social\u201d e chegou a ser considerada como \u201ccarta magna\u201d da atividade crist\u00e3 no campo social (Pio XII) e como \u201ctexto fundador\u201d da doutrina ou do ensino social da Igreja (Jean-Marie Mayeur). Ela pode ser tomada, em todo caso, como \u201cponto de partida\u201d de uma tradi\u00e7\u00e3o recente do pensamento social cat\u00f3lico. Seja em rela\u00e7\u00e3o ao magist\u00e9rio dos bispos de Roma que publicaram uma s\u00e9rie de enc\u00edclicas sociais por ocasi\u00e3o dos sucessivos anivers\u00e1rios do texto de Le\u00e3o XIII; seja em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento da reflex\u00e3o social e teol\u00f3gica sobre as quest\u00f5es sociais por parte de te\u00f3logos e cientistas cat\u00f3licos; seja, ainda, no que diz respeito \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de muitos cat\u00f3licos no campo social e pol\u00edtico, tudo isso vai se desenvolvendo ao longo do s\u00e9culo XX e ganha novo impulso, novas perspectivas e novas dimens\u00f5es com o Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965) e a Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et spes<\/em> sobre <em>A Igreja no mundo de hoje<\/em> (1965).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 na Igreja da Am\u00e9rica Latina e a partir dela que essa consci\u00eancia se torna mais expl\u00edcita e \u00e9 levada \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, tanto em termos teol\u00f3gicos, quanto em termos pastorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Confer\u00eancia de Medell\u00edn (1968), por exemplo, j\u00e1 falava de \u201cestruturas opressoras\u201d (introdu\u00e7\u00e3o), \u201cestruturas injustas\u201d (Justi\u00e7a, I), \u201cviol\u00eancia institucionalizada\u201d (Paz, 2, II) e apontava para a necessidade de \u201cnovas e renovadas estruturas\u201d (Justi\u00e7a, II). E a Confer\u00eancia de Puebla (1979) reconhece que a pobreza \u201cn\u00e3o \u00e9 uma etapa casual, mas sim o produto de determinadas situa\u00e7\u00f5es e estruturas econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas\u201d (n. 30) e chega a falar explicitamente de \u201cdimens\u00e3o social do pecado\u201d, de \u201cestruturas de pecado\u201d ou de \u201cpecado social\u201d (cf. n. 28, 70, 73, 281, 282, 452, 487, 1258).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da percep\u00e7\u00e3o dessa dimens\u00e3o estrutural da injusti\u00e7a e de seu car\u00e1ter pecaminoso, Medell\u00edn afirmava claramente que \u201ccriar uma ordem social justa, sem a qual a paz \u00e9 ilus\u00f3ria, \u00e9 uma tarefa eminentemente crist\u00e3\u201d e que \u201ca justi\u00e7a e consequentemente a paz conquistam-se por uma a\u00e7\u00e3o din\u00e2mica de conscientiza\u00e7\u00e3o e de organiza\u00e7\u00e3o dos setores populares\u201d (Paz 2, II).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas intui\u00e7\u00f5es, que depois v\u00e3o sendo aprofundadas e desenvolvidas na reflex\u00e3o teol\u00f3gico-pastoral na Am\u00e9rica Latina e assumidas, em grande medida, pelo magist\u00e9rio romano para o conjunto da Igreja, est\u00e3o na base do engajamento de crist\u00e3os, comunidades, grupos e mesmo da Igreja enquanto institui\u00e7\u00e3o nos mais diversos processos de organiza\u00e7\u00e3o e luta populares ou do que se convencionou chamar <em>pastoral social<\/em>, enquanto dimens\u00e3o socioestrutural da caridade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse engajamento da Igreja nos processos de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade d\u00e1-se tanto atrav\u00e9s da atua\u00e7\u00e3o de <em>crist\u00e3os<\/em> em diversos movimentos e organiza\u00e7\u00f5es sociais; quanto atrav\u00e9s de <em>servi\u00e7os, pastorais e organismos<\/em> de apoio, acompanhamento e defesa de setores marginalizados e de suas lutas e organiza\u00e7\u00f5es populares; quanto, ainda, pela tomada de posi\u00e7\u00e3o da <em>Igreja enquanto institui\u00e7\u00e3o e for\u00e7a social<\/em> atrav\u00e9s de seus ministros e de seus organismos de anima\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o pastoral. E adquire configura\u00e7\u00f5es diversas segundo os lugares e as circunst\u00e2ncias. Em termos gerais, pode-se dizer que at\u00e9 os anos 1980 deu-se uma \u00eanfase maior nas quest\u00f5es de ordem econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica. A partir dos anos 1990, v\u00e3o emergindo e se impondo com mais for\u00e7a as quest\u00f5es de g\u00eanero, \u00e9tnico-raciais e ecol\u00f3gicas. E, mais recentemente, as quest\u00f5es inter-religiosas e (de modo muito conflitivo) as quest\u00f5es de diversidade sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso concreto do Brasil, as pastorais sociais nasceram na d\u00e9cada de 1970 como resposta pastoral aos desafios sociais do campo e da cidade. Surgiram para responder aos desafios que os povos ind\u00edgenas e camponeses enfrentavam na Amaz\u00f4nia: o Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI) foi criado em 1972 e a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) em 1975. A partir da segunda metade dos anos 1970, como resposta aos desafios provenientes do processo acelerado de urbaniza\u00e7\u00e3o, foram surgindo v\u00e1rias pastorais e organismos sociais: Centros de Defesa dos Direitos Humanos, Comiss\u00e3o de Justi\u00e7a e Paz, Pastoral Oper\u00e1ria, Pastoral da Mulher, Servi\u00e7o Pastoral dos Migrantes, Conselho Pastoral dos Pescadores, Pastoral Carcer\u00e1ria, Pastoral do Menor, Pastoral da Crian\u00e7a, Pastoral do Povo da Rua, Pastoral Afro-brasileira, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral dos N\u00f4mades etc. E, mais recentemente, a Pastoral da AIDS e, de forma muito t\u00edmida e conflitiva, a Pastoral da Diversidade Sexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se sempre, em todas as pastorais sociais, de responder pastoralmente a desafios provenientes de e vinculados ao modo de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade (valores, costumes, leis, pol\u00edticas, institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais, pol\u00edticas, culturais etc.), o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel a partir das v\u00edtimas (sujeito) e mediante constitui\u00e7\u00e3o de for\u00e7a social (sujeito coletivo) capaz de afrontar esses mecanismos e provocar uma reestrutura\u00e7\u00e3o da sociedade a partir das necessidades e dos direitos dos pobres e marginalizados. \u00c9 a dimens\u00e3o socioestrutural da f\u00e9. A evangeliza\u00e7\u00e3o tem uma dimens\u00e3o estritamente social, no sentido de que o Evangelho deve configurar n\u00e3o apenas o cora\u00e7\u00e3o das pessoas (convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o), mas tamb\u00e9m a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade (transforma\u00e7\u00e3o das estruturas sociais). E, nesse sentido, a <em>pastoral social<\/em> se constitui e se configura como <em>fermento evang\u00e9lico das estruturas da sociedade<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Francisco Aquino Junior. <\/em>Facaf\/Unicap. Texto original em portugu\u00eas. Postado em dezembro de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AQUINO J\u00daNIOR, Francisco de. <em>Pastoral social<\/em>: dimens\u00e3o socioestrutural do reinado de Deus. Bras\u00edlia: CNBB, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>A dimens\u00e3o socioestrutural do reinado de Deus<\/em>: escritos de teologia social. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Nas periferias do mundo<\/em>. F\u00e9 \u2013 Igreja \u2013 Sociedade. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Teologalidade das resist\u00eancias e lutas populares<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/teopublica\/126_cadernosteologiapublica.pdf\">http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/teopublica\/126_cadernosteologiapublica.pdf<\/a> Acesso em: 4 nov 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARDENAL, R.; MART\u00cdN-BAR\u00d3, I.; SOBRINO, J. <em>La voz de los sin voz<\/em>: la palavra viva de Monse\u00f1or Oscar Arnufo Romero. San Salvador: UCA, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CNBB \u2013 Setor Pastoral Social. <em>O que \u00e9 pastoral social<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CNBB \u2013 Comiss\u00e3o Pastoral para o Servi\u00e7o da Caridade, da Justi\u00e7a e da Paz. <em>A miss\u00e3o da Pastoral Social. <\/em>Bras\u00edlia: CNBB, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO. <em>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii Gaudium<\/em>. Sobre o an\u00fancio do Evangelho no mundo atual. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>Carta Enc\u00edclica Laudato Si\u2019<\/em>. Sobre o cuidado da casa comum. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>Discurso do Papa Francisco aos participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares<\/em>. Bras\u00edlia: CNBB, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>Discurso do Papa Francisco no II Encontro Mundial dos Movimentos Populares<\/em>. Bras\u00edlia: CNBB, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>Discurso do Papa Francisco aos participantes do III Encontro Mundial dos Movimentos Populares<\/em>. Bras\u00edlia: CNBB, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OLIVEIRA, Pedro Ribeiro (org.). <em>F\u00e9 e pol\u00edtica<\/em>: fundamentos. Aparecida: Ideias e Letras, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PONTIF\u00cdCIO CONSELHO \u201cJUSTI\u00c7A E PAZ\u201d. <em>Comp\u00eandio de Doutrina Social da Igreja<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2011.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Especificidade 2 Desenvolvimento hist\u00f3rico Refer\u00eancias Introdu\u00e7\u00e3o A pastoral social ou o desenvolvimento pr\u00e1xico-te\u00f3rico da dimens\u00e3o social da f\u00e9 \u00e9 sem d\u00favida nenhuma uma das caracter\u00edsticas mais importantes e mais impactantes da Igreja latino-americana na segunda metade do s\u00e9culo XX. Ela marca decisivamente a recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio na Am\u00e9rica Latina. 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