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{"id":2024,"date":"2020-12-31T12:44:33","date_gmt":"2020-12-31T14:44:33","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2024"},"modified":"2021-02-10T15:57:59","modified_gmt":"2021-02-10T17:57:59","slug":"pastoral-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=2024","title":{"rendered":"Pastoral da terra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Nascimento em tempo germinal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Pr\u00e1tica que den\u00fancia a grande mentira da propriedade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Os fundamentos desta Pastoral<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Rosto rural da Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 A busca do Bem Viver<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 A mem\u00f3ria dos m\u00e1rtires<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Salvar a Amaz\u00f4nia para salvar a vida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trabalhos pastorais junto a camponeses j\u00e1 existiam h\u00e1 mais tempo, mas por motivos que explicitaremos a seguir, o servi\u00e7o evang\u00e9lico aos que tinham sua vida ligada ao cultivo da terra, e aos que viviam a amea\u00e7a de perder essa possibilidade de vida por causa das viol\u00eancias dos poucos que sempre desejaram apropriar-se de todas as terras do Brasil, nasceu em 1975, tomou o nome de Pastoral da Terra e contou com a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra como sua articula\u00e7\u00e3o dinamizadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos tempos atuais, em que vivemos a recep\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo da Amaz\u00f4nia que, no <em>Documento Final<\/em> e na Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica <em>Querida Amaz\u00f4nia, <\/em>prop\u00f5e como parte das pr\u00e1ticas eclesiais a \u201cconvers\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d, necess\u00e1ria para assumir a \u201cecologia integral\u201d proposta na enc\u00edclica <em>Laudato S\u00ed<\/em> \u2013 sobre o cuidado da Casa Comum, do papa Francisco, o nome <em>pastoral da terra<\/em> pode sugerir ter sido uma profecia em favor de colocar em pr\u00e1tica o Conc\u00edlio Vaticano II, retomado agora de forma criativa. E se tivermos presente a realidade da estrutura hier\u00e1rquica de ent\u00e3o e de hoje, a pr\u00e1tica da pastoral da terra foi, com certeza, uma profecia da ainda necess\u00e1ria necessidade de a Igreja ser <em>uma igreja em sa\u00edda<\/em>. No caso, foi uma op\u00e7\u00e3o e uma pr\u00e1tica de ir ao encontro dos povos, das comunidades e das pessoas ligadas aos territ\u00f3rios origin\u00e1rios e ao cultivo da terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se deseja agora em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a da Igreja na Amaz\u00f4nia, a pastoral da terra foi certamente uma profecia na dire\u00e7\u00e3o de que a presen\u00e7a e o servi\u00e7o eclesial precisam libertar-se de qualquer pretens\u00e3o colonialista, partindo da escuta atenta aos irm\u00e3os e irm\u00e3s para, junto com eles, fazer o que sentiam necess\u00e1rio para defender seus direitos. E de escutar a todas e todos sem distin\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o, de forma ecum\u00eanica e macroecum\u00eanica, com pr\u00e1ticas iluminadas na par\u00e1bola do Bom Samaritano, definidas a partir das necessidades e realizadas com os recursos dispon\u00edveis, como t\u00e3o bem mostrou a enc\u00edclica <em>Fratelli tutti<\/em>, sobre a fraternidade e a amizade social, do papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Nascimento em tempo germinal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, como servi\u00e7o eclesial aos povos da terra, nasceu em junho de 1975. Foi uma das conclus\u00f5es o Encontro de Pastoral da Amaz\u00f4nia Legal, realizado em Goi\u00e2nia, Goi\u00e1s. Mas sua gesta\u00e7\u00e3o come\u00e7ou antes, e vale destacar algumas das iniciativas e o ambiente sociopol\u00edtico e eclesial em que ela foi sendo gestada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil enfrentava o per\u00edodo mais duro de uma longa ditadura, iniciada em 1964 e que findaria somente em 1985. Com a imposi\u00e7\u00e3o do Ato Institucional n\u00ba 5, o governo militar podia governar at\u00e9 acobertado por decretos secretos, sempre a servi\u00e7o da doutrina de seguran\u00e7a nacional, e isso possibilitou multiplicar as pr\u00e1ticas de persegui\u00e7\u00e3o a toda e qualquer pessoa ou organiza\u00e7\u00e3o que fosse identificada como subversiva, contr\u00e1ria \u00e0 ordem nacional favor\u00e1vel \u00e0s elites dominantes. Nesse contexto, s\u00f3 foram para o ex\u00edlio as lideran\u00e7as dos partidos que contestavam a ditadura e o sistema econ\u00f4mico que sobraram da persegui\u00e7\u00e3o e do massacre. E at\u00e9 os movimentos que promoviam educa\u00e7\u00e3o e pastoral popular entraram no rol das atividades suspeitas, e muitas de suas lideran\u00e7as foram presas, enfrentaram torturas e algumas chegaram a ser mortas. Acobertados pelo aparato militar que controlava as inst\u00e2ncias do Estado, grupos de exterm\u00ednio, no campo e nas cidades, completavam o servi\u00e7o repressivo atrav\u00e9s do assassinato de quem as elites definiam ser amea\u00e7as aos seus interesses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi nesse contexto, nascido do golpe dentro do golpe militar<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, com a vit\u00f3ria dos setores mais radicais e violentos, que foram sendo dados os passos que resultaram na cria\u00e7\u00e3o da CPT, na renova\u00e7\u00e3o do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), na multiplica\u00e7\u00e3o de Comunidades Eclesiais de Base CEBs), na gesta\u00e7\u00e3o de muitos outras pastorais sociais. E o que provocou o primeiro desses passos foi a pris\u00e3o da Equipe Pastoral e do pr\u00f3prio bispo Dom Pedro Casald\u00e1liga, em S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia, MT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, a reflex\u00e3o sobre o que se deveria fazer para evitar que o isolamento em que se encontravam as iniciativas populares facilitassem a repress\u00e3o levou a assumir a estrat\u00e9gia de visitar e convidar diretamente um conjunto de bispos que acolhiam e apoiavam esse tipo de pr\u00e1ticas em suas dioceses para um encontro nacional. Tendo como dinamizador Dom Tom\u00e1s Balduino, bispo da Diocese de Goi\u00e1s, e apoio direto de Dom Helder C\u00e2mara, as visitas conseguiram a reuni\u00e3o volunt\u00e1ria de 28 bispos em S\u00e3o Paulo. Com assessorias competentes, fizeram an\u00e1lise cr\u00edtica da situa\u00e7\u00e3o vivida pelo povo nas diversas regi\u00f5es do pa\u00eds e decidiram publicar diversos textos sobre a realidade, criticando a ditadura e seu servi\u00e7o a interesses contr\u00e1rios ao povo, deixando claro que n\u00e3o era justo e aceit\u00e1vel sacrificar a liberdade de iniciativa e de organiza\u00e7\u00e3o popular das pessoas que decidiam defender seus direitos. Assumiram, por isso, o compromisso de apoiar e defender esses direitos dos povos e das pessoas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas e comunidades, foram publicados dois textos: <em>Eu ouvi os clamores do meu povo<\/em>, assinado por bispos e superiores religiosos do Nordeste, e <em>Marginaliza\u00e7\u00e3o de um Povo, o Grito das Igrejas<\/em>, assinado por bispos do Centro Oeste. Em rela\u00e7\u00e3o aos povos ind\u00edgenas, o texto foi denominado <em>Y-Juca-Pirama, o \u00cdndio, Aquele que deve morrer, <\/em>de bispos e religiosos mission\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essa determina\u00e7\u00e3o do grupo de bispos denominado <em>n\u00e3o grupo<\/em>, para deixar claro que n\u00e3o atuavam separados da CNBB, e sim como miss\u00e3o pessoal e coletiva, foi poss\u00edvel iniciar o mapeamento de pr\u00e1ticas de educa\u00e7\u00e3o e pastoral popular, consultando as pessoas sobre seu interesse em articular-se com iniciativas semelhantes. Foi realizado, como fruto, o 1\u00ba Encontro Nacional de Articula\u00e7\u00e3o, em Salvador, BA, em fevereiro de 1974. O planejado segundo encontro n\u00e3o aconteceu porque, em atividades realizadas durante o ano, a estrat\u00e9gia de articula\u00e7\u00e3o foi redefinida: como j\u00e1 existia o CIMI, a servi\u00e7o da pastoral indigenista em \u00e2mbito nacional, percebeu-se ser mais realista promover a regionaliza\u00e7\u00e3o de suas atividades e, ao mesmo tempo, dar passos para que se articulassem as pr\u00e1ticas realizadas no mundo agr\u00e1rio e no mundo urbano. Foi por isso que se deu in\u00edcio ao caminho que resultou no Encontro de Pastoral da Amaz\u00f4nia Legal, em que nasceu a Pastoral da Terra, e logo em seguida, em 1976, foram dados passos para a cria\u00e7\u00e3o da Pastoral Oper\u00e1ria, e depois, da Pastoral dos Migrantes, da Mulher Marginalizada&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse mesmo per\u00edodo, multiplicaram-se, em algumas regi\u00f5es e dioceses, as CEBs, criando a possibilidade da realiza\u00e7\u00e3o de seu 1\u00ba Encontro Intereclesial, em 1975, j\u00e1 contando com rela\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas e com o apoio fundamental da leitura popular da B\u00edblia e da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Pastoral da Terra foi fruto desse <em>tempo germinal<\/em>: as pr\u00e1ticas que tinham como objetivo submeter as pessoas, povos e igrejas aos interesses de grandes grupos econ\u00f4micos geraram, ao mesmo tempo, o seu contr\u00e1rio: constru\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de liberta\u00e7\u00e3o. Vale consultar, nessa perspectiva, o livro <em>Nas Pegadas do Povo da Terra \u2013 25 anos da CPT <\/em>(POLETTO; CANUTO, 2002), em que foi publicada uma documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica sobre a funda\u00e7\u00e3o da CPT com depoimentos de participantes do Encontro de Goi\u00e2nia, e tem um cap\u00edtulo sobre esse <em>tempo germinal<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Pr\u00e1tica que denuncia a grande mentira da propriedade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Pastoral da Terra nasceu como um servi\u00e7o evang\u00e9lico e eclesial \u00e0s mulheres e homens do campo da Amaz\u00f4nia, de modo especial aos que enfrentavam a nega\u00e7\u00e3o e agress\u00f5es aos seus direitos \u00e0 terra em que viviam e cultivavam. O CIMI j\u00e1 realizava isso em favor dos povos ind\u00edgenas, ao seu direito ao territ\u00f3rio em que viviam h\u00e1 mil\u00eanios. A CPT foi ao encontro, inicialmente, dos <em>posseiros<\/em>, camponeses que viviam em sua terra sem ter t\u00edtulo legal de propriedade, mas que, segundo princ\u00edpios constitucionais e conquistas deles pr\u00f3prios e de sua organiza\u00e7\u00e3o sindical, tinham direito de usucapi\u00e3o, e por isso, prioridade em rela\u00e7\u00e3o a outros pretendentes desde que estivessem pacificamente na terra h\u00e1 mais de um ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a ditadura, atrav\u00e9s do Estatuto da Terra, prometera realizar a reforma agr\u00e1ria e, ao mesmo tempo, favorecer a moderniza\u00e7\u00e3o do campo, generalizaram-se os conflitos pela terra ao limitar a iniciativas de coloniza\u00e7\u00e3o com camponeses pobres, e ao privilegiar a entrega de grandes \u00e1reas a empresas nacionais e internacionais atuantes no pa\u00eds para integrar o Centro-oeste e a Amaz\u00f4nia \u00e0 economia nacional. Na verdade, ao entregar t\u00edtulos de propriedade \u00e0s empresas a partir do escrit\u00f3rio do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agraria \u2013 INCRA, autorizou e comprometeu-se a defender esses novos direitos legais quando foram demarcar as suas \u00e1reas. Ao encontrar nelas povos ind\u00edgenas, comunidades quilombolas, comunidades de camponeses de diferentes tipos: produtores de alimentos, ribeirinhos, seringueiros, pescadores, os novos propriet\u00e1rios usaram todo tipo de autoritarismo e viol\u00eancia, sempre com o objetivo de expuls\u00e1-los das terras a que tinham direito, mesmo sem terem t\u00edtulos legais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra fonte de conflitos foi a coloniza\u00e7\u00e3o oficial. Os estudos sociol\u00f3gicos detectaram que seu real objetivo, ao contr\u00e1rio da propaganda, era o de orientar os sem-terra que lutavam por terra em suas regi\u00f5es a migrarem para as \u00e1reas selecionadas. E que migrassem em n\u00famero maior do que as vagas ocupadas pelas fam\u00edlias selecionadas, para, com isso e com o abandono em que seriam deixados os assentados, houvesse m\u00e3o-de-obra abundante e barata para os projetos das grandes empresas \u2013 essas, sim, promovidas como portadoras de tecnologias para modernizar a produ\u00e7\u00e3o. Em Rond\u00f4nia e nas beiras das grandes rodovias de \u201cintegra\u00e7\u00e3o nacional\u201d, para cada fam\u00edlia selecionada e assentada, certamente duas ou mais tiveram que estabelecer-se por conta pr\u00f3pria. Nascem, ent\u00e3o, os n\u00facleos de colonos em terras j\u00e1 destinadas ou que deveriam ser entregues \u00e0s empresas, multiplicando as \u00e1reas conflitadas. As demais constitu\u00edram as novas cidades, ao lado das rodovias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atua\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos locais e regionais da CPT, visitando, dialogando, abrindo processos de forma\u00e7\u00e3o e possibilitando apoios jur\u00eddicos aos povos e comunidades atingidas e agredidas pela leva de grandes propriet\u00e1rios criados pela ditadura, revelou e tornou p\u00fablica a informa\u00e7\u00e3o sobre o comprometimento do Estado com os novos senhores da Amaz\u00f4nia. Eles chegavam n\u00e3o s\u00f3 com t\u00edtulos de milhares e at\u00e9 milh\u00f5es de hectares de terra, e sim com recursos, provindos de privil\u00e9gios, como a libera\u00e7\u00e3o de impostos e taxas para criaram fundos a serem investidos nas novas propriedades \u2013 ou para desviar para outras iniciativas mais lucrativas, como aconteceu em quase todos os casos investigados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a coloniza\u00e7\u00e3o promovida com recursos p\u00fablicos n\u00e3o tinha o objetivo de criar \u00e1reas de pequenos propriet\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Ela esteve sempre a servi\u00e7o dos grandes projetos, j\u00e1 que, sem a atra\u00e7\u00e3o de gente pela propaganda falsa da coloniza\u00e7\u00e3o, eles n\u00e3o teriam m\u00e3o-de-obra barata e sempre dispon\u00edvel. Para quem se colocou ao lado dos colonos e dos que n\u00e3o conseguiram terra, como a CPT, atrav\u00e9s das pessoas e grupos que assumiram esta pastoral, a coloniza\u00e7\u00e3o viabilizou nova tomada de consci\u00eancia e novas iniciativas. As fam\u00edlias sem-terra que se deslocaram em grande n\u00famero para as \u00e1reas de coloniza\u00e7\u00e3o revelaram o que impediu a efetiva\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria nas demais regi\u00f5es do pa\u00eds: a terra estava em m\u00e3os de poucos e grandes propriet\u00e1rios em todas as regi\u00f5es, e muita terra defendida como propriedade n\u00e3o passava de grilagem, roubo, fruto de agress\u00f5es violentas aos que viviam nelas. E a pr\u00f3pria coloniza\u00e7\u00e3o na distante Amaz\u00f4nia foi implementada com o objetivo de consolidar e regularizar a situa\u00e7\u00e3o legal dos senhores de terra no Nordeste, no Sudeste e no Sul do pa\u00eds. Foi medida estrat\u00e9gica para evitar a luta por reforma agr\u00e1ria, que se aprofundava desde os anos 1950.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora mesmo, algo parecido est\u00e1 acontecendo, s\u00f3 que na Amaz\u00f4nia. O atual governo federal, aliado carnal da grilagem, do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o, e inimigo dos povos ind\u00edgenas, quilombolas e comunidades tradicionais, est\u00e1 tentando de todas as formas a regulamenta\u00e7\u00e3o de \u201cpropriedades sem t\u00edtulo legal\u201d, isto \u00e9, terras griladas, que ocupam uma \u00e1rea imensa da regi\u00e3o, algo pr\u00f3ximo a 27,8 milh\u00f5es de hectares de terra, e com preju\u00edzo calculado em 118 bilh\u00f5es de reais (IMAZON, 2019). E o faz com o discurso de que isso \u00e9 necess\u00e1rio para evitar conflitos e para dar seguran\u00e7a jur\u00eddica aos empreendedores. Em outras palavras, isso prova que, como em toda a hist\u00f3ria do Brasil desde a chegada dos colonizadores, em 1500, a grilagem \u00e9 a porta de entrada das grandes propriedades. Isso nos ajuda a entender por que, dos cinco milh\u00f5es de ind\u00edgenas existentes em 1500, s\u00f3 restam pouco mais de 830 mil, e mesmo estes continuam submetidos aos novos decretos de exterm\u00ednio, de que os grileiros e seus grupos de exterm\u00ednio s\u00e3o executores. Dos t\u00edtulos legais escorre sangue humano, junto com sangue dos demais seres vivos que foram mortos para implantar projetos genocidas e ecocidas de crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao dialogar, nas demais regi\u00f5es, sobre os motivos para que tantas fam\u00edlias migrassem para as \u00e1reas de coloniza\u00e7\u00e3o, foi tomada a decis\u00e3o de que a Pastoral da Terra era necess\u00e1ria tamb\u00e9m nelas. Por isso, no final de 1977, a CPT j\u00e1 contava com equipes regionais em 16 estados e, nos anos seguintes, tornou-se um servi\u00e7o eclesial presente em todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Os fundamentos desta Pastoral<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio, e isso pode ser constatado na sequ\u00eancia dos Boletins da CPT, que teve seu primeiro n\u00famero mensal publicado em janeiro de 1976, houve permanente necessidade e cuidado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fundamenta\u00e7\u00e3o b\u00edblica e teol\u00f3gica desta nova pastoral. N\u00e3o tanto com o objetivo de publicar teses e livros, e sim para alimentar a espiritualidade, manter uma m\u00edstica profunda, fundamentar a esperan\u00e7a. Afinal, como e por que viver a f\u00e9 crist\u00e3 no meio dos conflitos pela terra que afetavam povos e comunidades? Por outro lado, se os conflitos, com massacres e assassinatos, existiam e eram conhecidos, poderia permanecer indiferente a eles quem vive e anuncia a f\u00e9 crist\u00e3? Mais ainda, se a constata\u00e7\u00e3o foi a de que os que provocavam os conflitos e usavam da viol\u00eancia para aumentar o tamanho de suas propriedades mentiam ao dizer que os povos ind\u00edgenas e camponeses eram pac\u00edficos, quando na verdade os for\u00e7avam a n\u00e3o falar e denunciar, e mesmo matavam quem resistia, o n\u00e3o envolver-se nesses conflitos n\u00e3o significaria grave infidelidade ao seguimento de Jesus de Nazar\u00e9? O que faria o samaritano da par\u00e1bola de Jesus de Nazar\u00e9? Por isso tudo, qual a miss\u00e3o que Deus confiava \u00e0 Pastoral da Terra, aos seus agentes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que essa dimens\u00e3o da vida e da miss\u00e3o tivesse fundamentos firmes e seguros, foi muito importante a entrada do beneditino Marcelo Barros na CPT. Por estar na origem da leitura popular e orante da B\u00edblia, junto com Frei Carlos Mesters e tantas e tantos outros, sua contribui\u00e7\u00e3o foi a de relacionar a realidade da vida e da f\u00e9 dos que enfrentavam conflitos pela terra com as mensagens da B\u00edblia, dos Santos Padres, do Conc\u00edlio, de Medell\u00edn e da teologia da liberta\u00e7\u00e3o nascente. Isso resultou num refor\u00e7o aos envolvidos nos conflitos e aos agentes da Pastoral da Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse caminho de busca, de reflex\u00e3o e de celebra\u00e7\u00e3o foi se aprofundando, ao ponto de levar Marcelo Barros unir-se ao padre Jos\u00e9 Caravias, mission\u00e1rio no Paraguai, para escrever e publicar o livro <em>Teologia da Terra<\/em>, fazendo parte da cole\u00e7\u00e3o Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, publicado pela Vozes em 1988. Antes disso, em 1981, Marcelo j\u00e1 havia publicado, pela Vozes, o livro <em>A B\u00edblia e a luta pela Terra<\/em> (outros livros em: <a href=\"http:\/\/www.marcelobarros.com\/page\/lista-de-livros-publicados\/\">http:\/\/www.marcelobarros.com\/page\/lista-de-livros-publicados\/<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fundamental destacar duas coisas. A primeira \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do que acusavam pessoas que n\u00e3o concordavam com os trabalhos da Pastoral da Terra, seus agentes sempre apreciaram, aprofundaram e alimentaram sua vida e miss\u00e3o na busca de uma fundamentada fidelidade ao seguimento de Jesus de Nazar\u00e9, mesmo quando as \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o os levavam a atuar junto com irm\u00e3s e irm\u00e3os de outras igrejas crist\u00e3s e de outras religi\u00f5es. Al\u00e9m disso, novamente contradizendo os acusadores, a Pastoral da Terra sempre foi promotora de celebra\u00e7\u00f5es, fossem ligadas aos desafios das lutas, \u00e0s vit\u00f3rias conquistadas, \u00e0s iniciativas de est\u00edmulo \u00e0 solidariedade com as pessoas injusti\u00e7adas, e de modo particular e mais desafiador, ao enfrentar os assassinatos, procurando buscar a mensagem presente no mart\u00edrio de irm\u00e3s e irm\u00e3os. Poucas pastorais realizaram tantas Romarias da Terra e, depois de um tempo, Romarias da Terra e das \u00c1guas, quase sempre em \u00e1reas de conflito, com o objetivo de levar a mensagem e o convite para que mais e mais pessoas refor\u00e7assem esta Pastoral, para que a conquista da terra fosse, ao mesmo tempo, avan\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o do Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar do tempo, e fruto da escuta e da acolhida da presen\u00e7a e a\u00e7\u00e3o de Deus em cada povo e comunidade, a CPT vai se tornando macroecum\u00eanica de forma permanente, ao ponto de mudar sua rela\u00e7\u00e3o com a CNBB para definir-se como entidade ecum\u00eanica. Ao contr\u00e1rio de isso significar abandono da busca de fundamentos para sua espiritualidade, a acolhida da vis\u00e3o e da viv\u00eancia espiritual dos povos ind\u00edgenas e negros em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 terra, fez com que a Terra passasse a ser reconhecida como Pachamama, M\u00e3e Terra, e as rela\u00e7\u00f5es com ela tomassem a caracter\u00edstica de <em>territ\u00f3rio<\/em>, e n\u00e3o mais de propriedade. Por isso, a luta pela terra tomou outro sentido, e a contesta\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter reducionista da propriedade capitalista passou a ter um sentido de viv\u00eancia espiritual. De fato, para estes povos o territ\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 nem pode ser uma propriedade. Ele \u00e9 o espa\u00e7o coletivo destinado a um povo, dado pela M\u00e3e Terra. \u00c9 nele e com ele que se constr\u00f3i a identidade de cada povo. Por isso, a propriedade, de modo especial quando \u00e9 usada para extrair os bens criados pela Terra e para enriquecer, n\u00e3o passa de uma ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada pela M\u00e3e, uma usurpa\u00e7\u00e3o de algum territ\u00f3rio que a Terra havia destinado a um povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Rosto rural da Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A CPT sempre evitou assumir o que muitas pessoas desejavam: ser a entidade que atuaria em lugar das comunidades eclesiais. Ela procurou, com diferentes iniciativas, ser mobilizadora dessas comunidades para que assumissem a defesa dos direitos dos empobrecidos do campo. Junto com as demais pastorais sociais, articuladas pela Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil \u2013 CNBB, contribuiu para que a dimens\u00e3o social da f\u00e9 fosse assumida por todas e todos os seguidores de Jesus de Nazar\u00e9 (CNBB, 2001).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma contribui\u00e7\u00e3o significativa \u00e0 viv\u00eancia dessa dimens\u00e3o social da f\u00e9 foi dada pela CPT na assessoria \u00e0 CNBB na elabora\u00e7\u00e3o do documento <em>Igreja e Problemas da Terra<\/em>, debatido e aprovado na Assembleia Geral de 1980, especialmente na fundamenta\u00e7\u00e3o para incluir a diferencia\u00e7\u00e3o entre \u201cterra de explora\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cterra de trabalho\u201d:<\/p>\n<blockquote><p>84. Terra de explora\u00e7\u00e3o \u00e9 a terra de que o capital se apropria para crescer continuamente, para gerar sempre novos e crescentes lucros. O lucro pode vir tanto da explora\u00e7\u00e3o do trabalho daqueles que perderam a terra e seus instrumentos de trabalho, ou que nunca tiveram acesso a eles, quanto da especula\u00e7\u00e3o, que permite o enriquecimento de alguns \u00e0 custa de toda a sociedade.<\/p>\n<p>85. Terra de trabalho \u00e9 a terra possu\u00edda por quem nela trabalha. N\u00e3o \u00e9 terra para explorar os outros nem para especular. Em nosso pa\u00eds, a concep\u00e7\u00e3o de terra de trabalho aparece fortemente no direito popular de propriedade familiar, tribal, comunit\u00e1ria e no da posse. (CNBB, 1980)<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso possibilitou que a Igreja se posicionasse em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o \u00e9tica e social da propriedade, evitando os equ\u00edvocos produzidos a partir da afirma\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de que a doutrina social da Igreja aprovava a propriedade de terra. A rea\u00e7\u00e3o dos grandes propriet\u00e1rios de terra e de seus aliados, cuja riqueza \u00e9 assentada sobre outras formas de propriedade privada e sobre a explora\u00e7\u00e3o do trabalho e a especula\u00e7\u00e3o, foi reveladora: isso seria infidelidade ao ensino da Igreja, que sempre defendeu a propriedade. Evidentemente, a pr\u00e1tica e a boa nova de Jesus nunca deixaram d\u00favida em rela\u00e7\u00e3o a quem explora os irm\u00e3os e irm\u00e3s e a quem usa a propriedade apenas para seu enriquecimento: ningu\u00e9m pode servir a dois senhores: a Deus \u2013 presente no irm\u00e3o e irm\u00e3 \u2013 e ao dinheiro\/riqueza (Mt 6,24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi motivo de alegria o reconhecimento de ser o rosto rural da Igreja, mais ainda quando veio de Dom Pedro Casald\u00e1liga, um dos que praticavam essa pastoral antes de seu nascimento como articula\u00e7\u00e3o nacional, um dos seus geradores. Mas a alegria \u00e9 mais completa quando se torna pr\u00e1tica qualitativa de cada comunidade crist\u00e3, e quando inspira tamb\u00e9m pessoas de boa vontade que n\u00e3o comungam a f\u00e9 crist\u00e3, mas amam a humanidade e a M\u00e3e Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 A busca do Bem Viver<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Pastoral da Terra contribuiu para que se aprofundasse a consci\u00eancia de que \u201ca Terra \u00e9 de Deus\u201d, confiada \u00e0 humanidade e a todos os seres vivos, e por isso n\u00e3o podem ser legitimadas as pr\u00e1ticas de apropria\u00e7\u00e3o que dividem e geram pobreza e mis\u00e9ria das pessoas, fam\u00edlias, comunidades e povos que ficam sem acesso a ela. Esse tem sido o motivo para que a CPT buscasse de forma mais concreta caminhos de supera\u00e7\u00e3o do que foi produzido pelas sociedades determinadas hegemonicamente pela economia capitalista, assentada na apropria\u00e7\u00e3o privada dos bens que servem para multiplicar sua riqueza, inclusive a for\u00e7a de trabalho criativo dos seres humanos. E \u00e9 para que essa qualidade humana esteja dispon\u00edvel que a propriedade da terra sem limites \u00e9 defendida como um absoluto. Para que tome a forma aparente de um direito, leis s\u00e3o formuladas e aprovadas pelas institui\u00e7\u00f5es estatais, e o sistema judici\u00e1rio as assume como se fossem assentadas num alegado direito natural, e por isso, inquestion\u00e1veis. Na verdade, perderiam esse car\u00e1ter se o Estado fosse administrado de fato por representantes de toda a popula\u00e7\u00e3o e seu funcionamento tivesse como objetivo a garantia de todos os direitos de todas as pessoas, a come\u00e7ar pelo direito \u00e0 vida, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 moradia, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao trabalho, \u00e0 renda justa, \u00e0 cultura, ao lazer&#8230; E para isso, que contasse com uma pol\u00edtica de distribui\u00e7\u00e3o justa da renda e riqueza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na busca desse caminho, ou caminhos, a articula\u00e7\u00e3o mais direta com os povos ind\u00edgenas significou um profundo aprendizado. De fato, antes de ser um an\u00fancio te\u00f3rico, o Bem Viver \u00e9 um rico sistema de vida que os povos ind\u00edgenas praticam h\u00e1 mil\u00eanios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez reconhecido, o Bem Viver se torna ponto de refer\u00eancia para avaliar tanto as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas, como as rela\u00e7\u00f5es com a M\u00e3e Terra e o Cosmos. Torna-se, por isso, possibilidade de cr\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es destru\u00eddas pelo sistema dominante capitalista, e alternativa de caminho para a constru\u00e7\u00e3o de sociedades p\u00f3s-capitalistas. Ele possibilita a releitura cr\u00edtica da hist\u00f3ria, invertendo os atores: em vez de buscar os feitos dos diferentes construtores das sociedades comandadas pelos que foram implementando a destrui\u00e7\u00e3o de bens naturais para gerar crescimento econ\u00f4mico concentrado e desigualdade, torna-se poss\u00edvel v\u00ea-los como portadores do poder que impediu que a humanidade avan\u00e7asse contando com os valores presentes nas comunidades e povos ind\u00edgenas. N\u00e3o ter\u00edamos, com certeza, os terr\u00edveis desafios do aquecimento global e do anunciado colapso clim\u00e1tico, j\u00e1 que s\u00e3o exatamente frutos do sistema que exige crescimentismo, produtivismo e consumismo, pr\u00e1ticas que j\u00e1 n\u00e3o as aguentam nem os pobres nem a Terra, como repete o papa Francisco. Ter\u00edamos, mais uma vez com certeza, outra civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defesa dos diferentes biomas brasileiros significa que a CPT vai abandonando a vis\u00e3o antropoc\u00eantrica, e vai aprendendo a sentir-se parte da hist\u00f3ria da pr\u00f3pria Terra. Ao lutar em favor de formas agroecol\u00f3gicas e agroflorestais de produ\u00e7\u00e3o, significa que est\u00e1 reaprendendo a cuidar da terra, mas deixando-se, ao mesmo tempo, ser cuidada por ela. A vida humana depende da vida da Terra, e o conjunto dos seres vivos constituem uma grande comunidade da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhar na dire\u00e7\u00e3o de sociedades de Bem Viver significa, na ess\u00eancia, reconstruir rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e de coopera\u00e7\u00e3o nas comunidades e entre as comunidades dos diferentes povos que constituem a humanidade, e rela\u00e7\u00f5es harmoniosas com todos os seres vivos e com a pr\u00f3pria M\u00e3e Terra. S\u00f3 constroem esse caminho as pessoas que, como o papa Francisco, colocam em pr\u00e1tica um processo constante de convers\u00e3o ecol\u00f3gica, avan\u00e7ando na espiritualidade da ecologia integral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 A mem\u00f3ria dos m\u00e1rtires<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto a busca do Bem Viver \u00e9 perseguida pelos que comandam e se servem do sistema dominante, centrado num tipo de economia que idolatra a propriedade \u2013 na forma de solo, min\u00e9rio, \u00e1gua, ind\u00fastria, t\u00edtulos de cr\u00e9dito e de d\u00edvidas, dinheiro, mercadorias \u2013 e coisifica tamb\u00e9m os seres humanos; que promove o consumismo, o desperd\u00edcio e prop\u00f5e o ego\u00edsmo e a indiferen\u00e7a como valores m\u00e1ximos; enquanto a guerra e o assassinato de lideran\u00e7as s\u00e3o assumidos como estrat\u00e9gias v\u00e1lidas para impedir quem luta pelo direitos das pessoas e da Terra, a CPT mant\u00e9m a miss\u00e3o de documentar e tornar p\u00fablico o n\u00famero, as caracter\u00edsticas e a injusti\u00e7a presente em cada amea\u00e7a \u00e0 vida, em cada morte violenta de irm\u00e3s e irm\u00e3os por causa da luta pela terra, que os pobres identificam com a luta pela vida, e que os ricos tentam justificar como garantia e amplia\u00e7\u00e3o de seus privil\u00e9gios. Desde os anos 1980 at\u00e9 hoje, esse servi\u00e7o prestado pela CPT, mesmo combatido pelos que se beneficiariam com o esquecimento, tornou-se refer\u00eancia e mem\u00f3ria. Refer\u00eancia para quem estuda a dura realidade da luta pela terra no Brasil. Mem\u00f3ria para quem continua na luta popular pela terra na forma de territ\u00f3rio de vida e conviv\u00eancia, de cuidado e cultivo de alimentos, de constru\u00e7\u00e3o de sociedades de Bem Viver. Cada mulher e homem sacrificado nessa luta \u00e9 lembrado como testemunho de que vale a pena seguir nesse caminho de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo ano \u00e9 feita a publica\u00e7\u00e3o do livro <em>Conflitos no Campo Brasil<\/em>, que em 2019, no contexto de um governo federal escandalosamente comprometido com os grandes propriet\u00e1rios e claramente contr\u00e1rio aos direitos dos camponeses, especialmente os sem-terra, tem como subt\u00edtulo: <em>Ningu\u00e9m solta a m\u00e3o de ningu\u00e9m<\/em>. Em mais de 240 p\u00e1ginas, junto com dados quantitativos, h\u00e1 an\u00e1lises cr\u00edticas e, especialmente, os nomes dos que foram assassinados, para que a sua morte seja semente de esperan\u00e7a para os que lutam para que a Terra seja de fato Casa Comum, e n\u00e3o mais campo de batalha e de nega\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 vida (CENTRO DE DOCUMENTA\u00c7\u00c3O DOM TOM\u00c1S BALDUINO, 2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse servi\u00e7o em favor da mem\u00f3ria, constam tamb\u00e9m os crist\u00e3os de comunidades, os e as religiosas, padres, que partiram mais cedo por terem assumido esse caminho de constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais humano. Mas todas e todos os sacrificados s\u00e3o m\u00e1rtires, testemunhas que tiveram o sangue derramado porque buscaram sociedades de Bem Viver, avan\u00e7ando na dire\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, vivido e anunciado por Jesus de Nazar\u00e9 como algo j\u00e1 presente e meta plena a ser alcan\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 Salvar a Amaz\u00f4nia para salvar a vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As dioceses e prelazias da Amaz\u00f4nia t\u00eam procurado, desde 1972, caminhar juntas atrav\u00e9s de encontros regionais, em que refletiram sobre a realidade e buscaram assumir formas de realiza\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o que as levassem a ter um rosto amaz\u00f4nico. Segundo Dom Moacyr Grecchi, bispo do Acre e, depois, de Porto Velho, de saudosa mem\u00f3ria, j\u00e1 o encontro de \u201cSantar\u00e9m definiu o rosto da Igreja na Amaz\u00f4nia\u201d (GRECCHI, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas agora, tendo vivido um rico processo de escuta dos povos e comunidades em prepara\u00e7\u00e3o ao S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia, convocado pelo papa Francisco, e tendo aprovado um rico documento do S\u00ednodo realizado no Vaticano (ASSEMBLEIA ESPECIAL DO S\u00cdNODO DOS BISPOS PARA A REGI\u00c3O PAN-AMAZ\u00d4NICA, 2019), abre-se o tempo de aproximar a palavra com a vida, o tempo p\u00f3s-sinodal. Trata-se de implementar um processo de convers\u00e3o nas diferentes dimens\u00f5es da miss\u00e3o eclesial, visando ser ainda mais uma igreja com rosto amaz\u00f4nico. Para ser amaz\u00f4nico, o rosto dever\u00e1 ter fei\u00e7\u00f5es populares: ind\u00edgenas, afrodescendentes, femininas, juvenis, de pessoas que vivem nas periferias urbanas, nas florestas, nas encostas dos rios. Ser de fato uma igreja em sa\u00edda, que vai ao encontro e convive com as pessoas, comunidades e povos. E para isso, ter a coragem de renovar-se, de dar os passos que a realidade exige.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caber\u00e1 especialmente \u00e0 Pastoral da Terra, junto com a Ind\u00edgena, ambas participantes da articula\u00e7\u00e3o que constitui o F\u00f3rum Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Justi\u00e7a Social, manter viva a consci\u00eancia de que ou se consegue salvar a Amaz\u00f4nia, ou se agravar\u00e3o perigosamente as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas provocadas pelo aquecimento global. O Brasil e os demais pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, e o mundo todo, de diferentes maneiras, dependem da Amaz\u00f4nia para continuar tendo relativo equil\u00edbrio h\u00eddrico. Por isso, a Ecologia integral, que se alcan\u00e7a com a convers\u00e3o ecol\u00f3gica, \u00e9 o caminho a ser seguido:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 urgente enfrentar a explora\u00e7\u00e3o ilimitada da \u201ccasa comum\u201d e dos seus habitantes. Uma das principais causas de destrui\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia \u00e9 a atividade extrativa predat\u00f3ria, que responde \u00e0 l\u00f3gica da gan\u00e2ncia, t\u00edpica do paradigma tecnocr\u00e1tico dominante (LS 101). Diante da situa\u00e7\u00e3o premente do planeta e da Amaz\u00f4nia, a ecologia integral n\u00e3o \u00e9 mais um caminho que a Igreja pode eleger para o futuro neste territ\u00f3rio, \u00e9 o \u00fanico caminho poss\u00edvel, pois n\u00e3o h\u00e1 outra estrada vi\u00e1vel para salvar a regi\u00e3o. A depreda\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio vem junto do derramamento de sangue inocente e da criminaliza\u00e7\u00e3o dos defensores da Amaz\u00f4nia. (ASSEMBLEIA ESPECIAL DO S\u00cdNODO DOS BISPOS PARA A REGI\u00c3O PAN-AMAZ\u00d4NICA n.67)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 essencial, por isso, que a decis\u00e3o do S\u00ednodo de reconhecer que a Terra \u00e9 sujeito de direitos e de que a agress\u00e3o ao meio ambiente \u00e9 pecado ecol\u00f3gico se tornem consci\u00eancia popular e motivo para ampla mobiliza\u00e7\u00e3o em favor da vida da e na Amaz\u00f4nia, assim como nos demais biomas brasileiros:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">74. Cabe a todos n\u00f3s sermos guardi\u00f5es da obra de Deus. Os protagonistas do cuidado, prote\u00e7\u00e3o e defesa dos direitos dos povos e dos direitos da natureza nesta regi\u00e3o s\u00e3o as pr\u00f3prias comunidades amaz\u00f4nicas. S\u00e3o eles os agentes de seu pr\u00f3prio destino e de sua pr\u00f3pria miss\u00e3o. Neste cen\u00e1rio, o papel da Igreja \u00e9 de aliada. Eles expressaram claramente que querem que a Igreja os acompanhe, que caminhe com eles e que n\u00e3o lhes imponha um modo particular de ser, um modo espec\u00edfico de desenvolvimento que pouco tem a ver com as suas culturas, tradi\u00e7\u00f5es e espiritualidades<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">84. (&#8230;) Comprometer-se ativamente no plantio de \u00e1rvores, buscando alternativas sustent\u00e1veis na agricultura, energia e mobilidade que respeitem os direitos da natureza e os povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">82. Propomos definir o pecado ecol\u00f3gico como uma a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o contra Deus, contra o pr\u00f3ximo, a comunidade e o meio ambiente. \u00c9 um pecado contra as gera\u00e7\u00f5es futuras e se manifesta em atos e h\u00e1bitos de contamina\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o da harmonia do ambiente, em transgress\u00f5es contra os princ\u00edpios da interdepend\u00eancia e na ruptura das redes de solidariedade entre as criaturas (cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica n.340-344) e contra a virtude da justi\u00e7a.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale a pena encerrar esse texto com as palavras do cacique Raoni <strong>Metuktire, do povo Kayap\u00f3, publicadas no jornal <\/strong><em>The Guardian<\/em>, desejando que o S\u00ednodo da Amaz\u00f4nia defina \u201cnovos caminhos para a igreja e para uma ecologia integral\u201d contando com a sabedoria e espiritualidade de todos os povos da regi\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por muitos anos, n\u00f3s, os l\u00edderes ind\u00edgenas e os povos da Amaz\u00f4nia, temos avisado voc\u00eas, nossos irm\u00e3os que causaram tantos danos \u00e0s nossas florestas. O que voc\u00ea est\u00e1 fazendo mudar\u00e1 o mundo inteiro e destruir\u00e1 nossa casa \u2013 e destruir\u00e1 sua casa tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos deixado de lado\u00a0nossa hist\u00f3ria dividida para nos unirmos. Apenas uma gera\u00e7\u00e3o atr\u00e1s, muitos de nossos\u00a0povos estavam lutando entre si, mas agora estamos juntos, lutando juntos contra nosso inimigo comum. E esse inimigo comum s\u00e3o voc\u00eas, os povos n\u00e3o-ind\u00edgenas que invadiram nossas terras e agora est\u00e3o queimando at\u00e9 mesmo aquelas pequenas partes das florestas onde vivemos, que voc\u00eas deixaram para n\u00f3s. O presidente Bolsonaro, do Brasil, est\u00e1 incentivando os propriet\u00e1rios de fazendas perto de nossas terras a limpar a floresta \u2013 e ele n\u00e3o est\u00e1 fazendo nada para impedir que invadam nosso territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedimos que voc\u00ea pare o que est\u00e1 fazendo, pare a destrui\u00e7\u00e3o, pare o seu ataque aos esp\u00edritos da Terra. Quando voc\u00ea corta as \u00e1rvores, agride os esp\u00edritos de nossos ancestrais. Quando voc\u00ea procura minerais, empala o cora\u00e7\u00e3o da Terra. E quando voc\u00ea derrama venenos na terra e nos rios \u2013 produtos qu\u00edmicos da agricultura e merc\u00fario das minas de ouro \u2013 voc\u00ea enfraquece os esp\u00edritos, as plantas, os animais e a pr\u00f3pria Terra. Quando voc\u00ea enfraquece a Terra assim, ela come\u00e7a a morrer. Se a Terra morrer, se nossa Terra morrer, nenhum de n\u00f3s ser\u00e1 capaz de viver, e todos n\u00f3s tamb\u00e9m morreremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que voc\u00ea faz isso? Voc\u00ea diz que \u00e9 para desenvolvimento \u2013 mas que tipo de desenvolvimento tira a riqueza da floresta e a substitui por apenas um tipo de planta ou um tipo de animal? Onde os esp\u00edritos nos deram tudo o que precis\u00e1vamos para uma vida feliz \u2013 toda a nossa comida, nossas casas, nossos rem\u00e9dios \u2013 agora s\u00f3 h\u00e1 soja ou gado. Para quem \u00e9 esse desenvolvimento? Apenas algumas pessoas vivem nas terras agr\u00edcolas; eles n\u00e3o podem apoiar muitas pessoas e s\u00e3o est\u00e9reis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea destr\u00f3i nossas terras, envenena o planeta e semeia a morte, porque est\u00e1 perdido. E logo ser\u00e1 tarde demais para mudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, por que voc\u00ea faz isso? Podemos ver que \u00e9 para que alguns de voc\u00eas possam obter uma grande quantia de dinheiro. Na l\u00edngua Kayap\u00f3, chamamos seu dinheiro de piucaprim, \u201cfolhas tristes\u201d, porque \u00e9 uma coisa morta e in\u00fatil, e traz apenas danos e tristeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando seu dinheiro entra em nossas comunidades, muitas vezes causa grandes problemas, separando nosso pessoal. E podemos ver que faz o mesmo em suas cidades, onde o que voc\u00ea chama de gente rica vive isolado de todos os outros, com medo de que outras pessoas venham tirar seu piucaprim. Enquanto isso, outras pessoas passam fome ou vivem na mis\u00e9ria porque n\u00e3o t\u00eam dinheiro suficiente para conseguir comida para si e para seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas essas pessoas ricas v\u00e3o morrer, como todos n\u00f3s vamos morrer. E quando seus esp\u00edritos forem\u00a0separados de seus corpos, seus esp\u00edritos ficar\u00e3o tristes e v\u00e3o sofrer, porque enquanto vivos\u00a0fizeram com que muitas outras pessoas sofressem em vez de ajud\u00e1-las, em vez de garantir que todos os outros tenham o suficiente para comer, antes de alimentar a si pr\u00f3prio, como \u00e9 o nosso caminho, o caminho dos Kayap\u00f3, o caminho dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea tem que mudar a sua maneira de viver porque est\u00e1 perdido, voc\u00ea se perdeu. Onde voc\u00ea est\u00e1 indo \u00e9 apenas o caminho da destrui\u00e7\u00e3o e da morte. Para viver, voc\u00ea deve respeitar o mundo, as \u00e1rvores, as plantas, os animais, os rios e at\u00e9 a pr\u00f3pria Terra. Porque todas essas coisas t\u00eam esp\u00edritos, todas elas s\u00e3o . alimentares murchar\u00e3o e morrer\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos n\u00f3s respiramos esse ar, todos bebemos a mesma \u00e1gua. Vivemos neste planeta. Precisamos proteger a Terra. Se n\u00e3o o fizermos, os grandes ventos vir\u00e3o e destruir\u00e3o a floresta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o voc\u00ea sentir\u00e1 o medo que n\u00f3s sentimos<em>.<\/em> (RAONI, 2019)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Ivo Poletto<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]. <\/a>Comiss\u00e3o Pastoral da Terra. Texto original em portugu\u00eas. Postado em dezembro de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ASSEMBLEIA ESPECIAL DO S\u00cdNODO DOS BISPOS PARA A REGI\u00c3O PAN-AMAZ\u00d4NICA. <em>Amaz\u00f4nia<\/em>:\u00a0Novos Caminhos para a Igreja e\u00a0para uma Ecologia Integral. Documento final. 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.sinodoamazonico.va\/content\/sinodoamazonico\/pt\/documentos\/documento-final-do-sinodo-para-a-amazonia.html\">http:\/\/www.sinodoamazonico.va\/content\/sinodoamazonico\/pt\/documentos\/documento-final-do-sinodo-para-a-amazonia.html<\/a> Acesso em: 4 nov 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARROS, M.\u00a0 <em>A B\u00edblia e a luta pela terra<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Tierra de la Fraternidad.<\/em> Quito: Cuenca, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>A festa dos pequenos.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Os pequenos possuir\u00e3o a terra<\/em>. S\u00e3o Paulo: CONIC\/CESE, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARROS, M.; CARAVIAS, J. <em>Teologia da Terra<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CENTRO DE DOCUMENTA\u00c7\u00c3O DOM TOM\u00c1S BALDUINO. Goi\u00e2nia: CPT Nacional, 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/cedoc-dom-tomas-balduino-da-cpt\/81-banner\/banner-cedoc\">https:\/\/www.cptnacional.org.br\/cedoc-dom-tomas-balduino-da-cpt\/81-banner\/banner-cedoc<\/a>. Acesso em: 4 nov 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CNBB. Setor de pastoral social. <em>O que \u00e9 a pastoral social?<\/em> Bras\u00edlia: CNBB, 2001. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.dhnet.org.br\/dados\/cartilhas\/dht\/cartilha_pastoral_social.pdf\">http:\/\/www.dhnet.org.br\/dados\/cartilhas\/dht\/cartilha_pastoral_social.pdf<\/a>. Acesso em: 4 nov 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CNBB. <em>Igreja e problemas da terra<\/em>. Bras\u00edlia: CNBB, 1980. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pstrindade.files.wordpress.com\/2015\/01\/cnbb-doc-17-igreja-e-problemas-da-terra.pdf\">https:\/\/pstrindade.files.wordpress.com\/2015\/01\/cnbb-doc-17-igreja-e-problemas-da-terra.pdf<\/a>. Acesso em: 4 nov 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO. <em>Enc\u00edclica Laudato si\u2019<\/em>. Sobre o cuidado da casa comum. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal Querida Amaz\u00f4nia.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Enc\u00edclica Fratelli tutti<\/em>. Sobre a fraternidade e a amizade social. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GRECCHI, M. Santar\u00e9m definiu o rosto da Igreja na Amaz\u00f4nia. <em>IHU On-line<\/em>. Entrevista, 4 julho 2012. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/511154-dom-moacyr-grecchi-santarem-definiu-o-rosto-da-igreja-na-amazonia-\">http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/511154-dom-moacyr-grecchi-santarem-definiu-o-rosto-da-igreja-na-amazonia-<\/a> Acesso em: 12 set 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IMAZON. Estudo indica preju\u00edzo de R$ 118 bilh\u00f5es ao pa\u00eds com a privatiza\u00e7\u00e3o de terras na Amaz\u00f4nia. Publica\u00e7\u00e3o site em 17 jun 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/imazon.org.br\/imprensa\/estudo-indica-prejuizo-us-118-bilhoes-ao-pais-com-privatizacao-de-terras-na-amazonia\/\">https:\/\/imazon.org.br\/imprensa\/estudo-indica-prejuizo-us-118-bilhoes-ao-pais-com-privatizacao-de-terras-na-amazonia\/<\/a> Acesso em: 6 nov 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">POLETO, I.; CANUTO, A. <em>Nas pegadas do povo da terra<\/em>. 25 anos da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAONI. N\u00f3s, povos da Amaz\u00f4nia estamos cheios de medo. Em breve voc\u00eas tamb\u00e9m ter\u00e3o. <em>The Guardiam<\/em>. 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/midianinja.org\/news\/nos-povos-da-amazonia-estamos-cheios-de-medo-em-breve-voces-tambem-terao-diz-cacique-raoni\/\">http:\/\/midianinja.org\/news\/nos-povos-da-amazonia-estamos-cheios-de-medo-em-breve-voces-tambem-terao-diz-cacique-raoni\/<\/a> Acesso em: 3 jan 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILVA, D. A. Ato institucional n\u00ba 5. <em>Mundo Educa\u00e7\u00e3o UOL<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/o-ato-institucional-n-5-ai-5.htm\">https:\/\/mundoeducacao.bol.uol.com.br\/historiadobrasil\/o-ato-institucional-n-5-ai-5.htm<\/a>. Acesso em: 4 fev 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> SILVA, D. A. (Mundo Educa\u00e7\u00e3o \u2013 UOL): <em>O ano de 1968 ficou marcado na hist\u00f3ria como um ano de manifesta\u00e7\u00f5es pelo mundo todo. Na Europa, nos Estados Unidos e na China milhares foram \u00e0s ruas protestar contra as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e educa\u00e7\u00e3o e contra a Guerra no Vietn\u00e3, por exemplo. No Brasil, uma onda de revolta e resist\u00eancia \u00e0 ditadura civil-militar ocorreu em todo o pa\u00eds. Para cont\u00ea-la, o general Costa e Silva decretou o <strong>Ato Institucional n\u00ba 5, o AI-5<\/strong>, considerado como um golpe dentro do golpe, fortalecendo o poder autorit\u00e1rio dos militares.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>IVO POLETTO, fil\u00f3sofo, te\u00f3logo e cientista social. Foi o primeiro secret\u00e1rio executivo da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, entre 1975 e 1980, continuando como assessor nacional at\u00e9 1992. De 1093 a 2002 foi assessor da C\u00e1ritas Brasileira. Foi membro da equipe de educa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 do Programa Fome Zero em 2003 e 2004. Assessorou as pastorais sociais entre 2005 at\u00e9 2010, e assumiu a assessoria do F\u00f3rum Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Justi\u00e7o Socioambiental em 2010, e nele atua at\u00e9 os dias atuais. \u00c9 autor do livro <em>Brasil: oportunidades perdidas \u2013 Meus dois anos no governo Lula.<\/em> Ed. Garamond, Rio de Janeiro, 2005, e organizou a publica\u00e7\u00e3o, entre outros, do livro <em>Uma Vida a Servi\u00e7o da Humanidade \u2013 Di\u00e1logos com Dom Tom\u00e1s Balduino. Editora Lpyola: S\u00e3o Paulo, 2002.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Nascimento em tempo germinal 2 Pr\u00e1tica que den\u00fancia a grande mentira da propriedade 3 Os fundamentos desta Pastoral 4 Rosto rural da Igreja 5 A busca do Bem Viver 6 A mem\u00f3ria dos m\u00e1rtires 7 Salvar a Amaz\u00f4nia para salvar a vida Refer\u00eancias Introdu\u00e7\u00e3o Trabalhos pastorais junto a camponeses j\u00e1 existiam h\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-2024","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-e-pratica-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2024","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2024"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2024\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2406,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2024\/revisions\/2406"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}