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{"id":1976,"date":"2020-12-31T09:52:04","date_gmt":"2020-12-31T11:52:04","guid":{"rendered":"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1976"},"modified":"2021-03-21T13:59:30","modified_gmt":"2021-03-21T16:59:30","slug":"biblia-e-liturgia-uma-simbiose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1976","title":{"rendered":"B\u00edblia e Liturgia, uma simbiose"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 A simbiose esquecida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 A liturgia na B\u00edblia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1 A liturgia de Israel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1.1 Lugares<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1.2 Atividades cultuais<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1.3 Festas e celebra\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1.4 O calend\u00e1rio religioso<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1.5 O s\u00e1bado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2 A liturgia no NT<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2.1 Continuidade e ruptura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liturgia de Israel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2.2 A fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e o memorial da Ceia do Senhor<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2.3 Ora\u00e7\u00f5es e hinos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 A B\u00edblia na Liturgia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.1 A leitura b\u00edblica na liturgia judaica<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.2 A leitura b\u00edblica na liturgia crist\u00e3 (cat\u00f3lica)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 A forma\u00e7\u00e3o b\u00edblico-lit\u00fargica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Releva-se aqui a intr\u00ednseca liga\u00e7\u00e3o entre Liturgia e B\u00edblia, numa abordagem principalmente hist\u00f3rica. A reflex\u00e3o teol\u00f3gica, sobretudo da parte da Igreja Cat\u00f3lica, pode ser encontrada nas constitui\u00e7\u00f5es <em>Sacrosanctum<\/em> <em>Concilium<\/em> (<em>SC<\/em>) e <em>Dei Verbum<\/em> (<em>DV<\/em>) do Conc\u00edlio Vaticano II, nas exorta\u00e7\u00f5es apost\u00f3licas <em>Evangelii Nuntiandi<\/em> (<em>EN<\/em>) de Paulo VI e <em>Verbum Domini<\/em> (<em>VD<\/em>) de Bento XVI e na enc\u00edclica <em>Evangelii <\/em><em>Gaudium<\/em> (<em>EG<\/em>) do papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde suas origens, a B\u00edblia e a tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica judaica e crist\u00e3 est\u00e3o intimamente interligadas, e o reconhecimento dessa \u201csimbiose\u201d fornece a chave de interpreta\u00e7\u00e3o tanto de alguns epis\u00f3dios b\u00edblicos como dos grandes atos lit\u00fargicos. N\u00e3o s\u00f3 no Novo Testamento (NT), mas tamb\u00e9m no Antigo (AT) a liturgia \u00e9 \u201clugar de cristaliza\u00e7\u00e3o\u201d das tradi\u00e7\u00f5es b\u00edblicas (no NT, cf. BASURKA; GOENAGA, 1990, p.41). Isso tem consequ\u00eancias para a leitura e o estudo da B\u00edblia e para a forma\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is e dos agentes de pastoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salvo exce\u00e7\u00f5es, usamos o termo \u201cB\u00edblia\u201d para significar os escritos registrados no c\u00e2non cat\u00f3lico do AT e do NT, assinalando, quando necess\u00e1rio, o uso de outras igrejas crist\u00e3s e do juda\u00edsmo. Quanto ao AT, lembramos a distin\u00e7\u00e3o entre a B\u00edblia hebraica (BH) ou Tanakh, normativa para o juda\u00edsmo, e a tradu\u00e7\u00e3o grega, a Septuaginta (LXX), que \u00e9 mais extensa que a BH e \u00e0s vezes considerada como \u201ccrist\u00e3\u201d por causa de seu uso nas Igrejas Orientais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao falar de \u201cliturgia\u201d, olhamos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 liturgia cat\u00f3lica renovada depois do Conc\u00edlio Vaticano II, mas, no decorrer do estudo, recorreremos com frequ\u00eancia a conceitos ou figuras do culto religioso em geral, particularmente no mundo b\u00edblico. No contexto b\u00edblico, antes que \u201cculto\u201d preferimos o termo \u201cliturgia\u201d, no sentido de a\u00e7\u00e3o (<em>\u00e9rgon<\/em>) do &#8220;povo&#8221; (<em>la\u00f3s<\/em>)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, no caso, o povo de Deus reunido na Alian\u00e7a, da qual o evento do Sinai (Ex 19,1\u201324,11) \u00e9 a \u201crefer\u00eancia memor\u00e1vel\u201d e que encontra sua plenitude na Nova Alian\u00e7a do \u201cevento Jesus Cristo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 A simbiose esquecida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da origem profana de alguns de seus componentes, a B\u00edblia como tal pertence ao espa\u00e7o-tempo sagrado. A cole\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos livros b\u00edblicos no juda\u00edsmo come\u00e7ou a partir do s\u00e9culo V aC, nos c\u00edrculos sacerdotais, em fun\u00e7\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es no \u201cSegundo Templo\u201d e nas sinagogas, as quais fizeram da pr\u00e1tica da leitura o centro do culto. Durante a Antiguidade e a Idade M\u00e9dia, era evidente a simbiose de liturgia e B\u00edblia, tanto nos ambientes judaicos como crist\u00e3os. A Modernidade, por\u00e9m, \u201cautonomizou\u201d a B\u00edblia. Fez dela uma autoridade religiosa aut\u00f4noma e um objeto de investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, liter\u00e1ria etc. Segundo sua constitui\u00e7\u00e3o \u00edntima, por\u00e9m, a B\u00edblia n\u00e3o \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, nem um fim em si, mas um testemunho da comunidade que celebra sua vida diante da face de Deus, Senhor da vida e da hist\u00f3ria. Livro da vida aberto na presen\u00e7a de Deus, a B\u00edblia tem seu <em>Sitz im Leben<\/em> na liturgia. Arrancando a B\u00edblia da celebra\u00e7\u00e3o da vida na comunidade dos fi\u00e9is condenamo-la \u00e0 esterilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 A liturgia na B\u00edblia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1 A liturgia de Israel<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><em>[2]<\/em><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.1 Lugares<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos iniciar a descoberta do culto do antigo Israel a partir dos territ\u00f3rios\/lugares sagrados, dedicados \u00e0 divindade protetora da coletividade, a casa patriarcal ou tribo.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> No tempo dos patriarcas, s\u00e3o mencionados sobretudo: Siqu\u00e9m (Gn 12,6-7), Betel (Gn 12,8), Mambr\u00e9 (Gn 13,18), Beersheba (Gn 21,22-31; 26,33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tempo do \u00caxodo, o lugar santo por excel\u00eancia ser\u00e1 a Tenda, o santu\u00e1rio do deserto, chamado Tenda do Encontro ou da Reuni\u00e3o (<em>\u2019ohel mo\u2018ed<\/em>), lugar do encontro do povo, mas logo visto como lugar de encontro com Deus, onde, inclusive, Deus fala com Mois\u00e9s face a face (Ex 33,11) (DE VAUX, 1973, p. 294-295). Ali, Mois\u00e9s funciona como intermedi\u00e1rio entre Deus e povo. \u00c9 o lugar dos or\u00e1culos. Outro nome \u00e9 <em>mishkan<\/em>, morada (como as tendas dos hebreus n\u00f4mades), sugerindo a presen\u00e7a de Deus no meio das tendas de seu povo, acompanhando-o pelo deserto. A presen\u00e7a de Deus \u00e9 reconhecida pela nuvem escura que desce sobre a Tenda.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conflui com a tradi\u00e7\u00e3o da Tenda a venera\u00e7\u00e3o da Arca, ba\u00fa no qual Mois\u00e9s guardou as t\u00e1buas da Lei (Ex 31,18; 25,16; 40,20). A tradi\u00e7\u00e3o deuteronomista (Dt 10,1-5) guarda ainda a mem\u00f3ria da pequena arca original, contendo somente as t\u00e1buas da Lei e chamada Arca da Alian\u00e7a, <em>ber\u00eet<\/em> (na tradi\u00e7\u00e3o sacerdotal: Arca do Documento, <em>edut<\/em>) (DE VAUX, 1973, p. 301). Mais tarde ela \u00e9 associada \u00e0 Tenda, pela tradi\u00e7\u00e3o sacerdotal que tem diante dos olhos o templo de Salom\u00e3o e o Segundo Templo depois do ex\u00edlio. Por causa da associa\u00e7\u00e3o \u00e0 Arca, a Tenda \u00e9 tamb\u00e9m chamada Tenda do Testemunho (Nm 9,15; 17,22; 18,2). Conforme a historiografia deuteronomista, a Arca foi posta no Debir, a \u201ccapela\u201d ou <em>cella<\/em> do Templo (o \u201cSanto dos Santos\u201d da tradi\u00e7\u00e3o sacerdotal), onde ela se encontrava coberta com uma bandeja para o sangue sacrifical, ladeada de dois querubins.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, devemos lembrar que havia santu\u00e1rios em todo o territ\u00f3rio das tribos: Guilgal (Js 4,19 etc.), Silo (onde Deus \u00e9 chamado YHWH Sabaot; segundo Js 18, o lugar de encontro das tribos), Mispa (Masfa) em Benjamim (Jz 20\u201321), Guibeon (Gabaon), que ser\u00e1 o lugar de ora\u00e7\u00e3o de Salom\u00e3o (1Rs 1,4-15), Ofra, D\u00e3; e Jebus-Jerusal\u00e9m, conquistado por Davi (2Sm 6) e lugar do futuro templo constru\u00eddo por seu filho Salom\u00e3o (1Rs 6,37-38; cf. 6,1). Desde o tempo de Salom\u00e3o, o Templo comportava tr\u00eas espa\u00e7os principais: o \u00e1trio\/p\u00e1tio (<em>\u2019ul\u00e2m<\/em>), o Santo (<em>hekal<\/em>) e o Santo dos Santos (<em>debir<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O templo de Salom\u00e3o tornou-se o centro religioso de Israel apesar do prest\u00edgio dos antigos santu\u00e1rios e apesar do templo rival constru\u00eddo por Jerobo\u00e3o (Ierobeam) em Betel (1Rs 12,29). O Templo era a sede da presen\u00e7a divina, e tamb\u00e9m o sinal de elei\u00e7\u00e3o, o lugar escolhido por Deus (j\u00e1 antes de sua constru\u00e7\u00e3o, cf. 2Sm 24,16). Tornou-se at\u00e9 um s\u00edmbolo c\u00f3smico em Ezequiel e na literatura apocal\u00edptica. Existiu, por\u00e9m, sempre certa relativiza\u00e7\u00e3o do Templo, como na profecia de Nat\u00e3 (2Sm 7,5-7), nos recabitas (Jr 35), e mesmo na vis\u00e3o p\u00f3s-ex\u00edlica de Is 66,1: \u201cO c\u00e9u \u00e9 meu trono e a terra o estrado dos meus p\u00e9s; que casa construireis para mim?\u201d \u2013 que chega ao c\u00famulo na vis\u00e3o da nova Jerusal\u00e9m que dispensa o Templo (Ap 21,22). Essa relatividade do Templo foi certamente decisiva para que o juda\u00edsmo sobrevivesse sem o Templo, tanto na sinagoga rab\u00ednica como no cristianismo (cf. Jo 2,21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.2 Atividades cultuais<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembramos <em>per transennam<\/em> os ministros do culto \u2013 sacerdotes e levitas \u2013 em vista da ressignifica\u00e7\u00e3o do sacerd\u00f3cio no NT (DE VAUX, 1973, p. 345-414). Eles est\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es cultuais, sacrif\u00edcios e preces, que deixaram profunda marca na liturgia crist\u00e3.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A. Sacrif\u00edcios<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO sacrif\u00edcio era o ato principal do culto de Israel\u201d (DE VAUX, 1973, p. 414). Realizava-se no altar (<em>mizb\u00eaa\u1e25<\/em>, derivado de <em>zaba\u1e25<\/em>, imolar\/oferecer sacrif\u00edcio), que era uma plataforma, de pedra natural ou constru\u00edda, inclusive com uma grelha para os sacrif\u00edcios queimados e um rego por onde escorria o sangue. O nome mais comum para os sacrif\u00edcios \u00e9 <em>\u2018olah<\/em>, \u201caquilo que sobe\u201d \u2013 a v\u00edtima que sobe ao altar ou o \u201cpresente\u201d (<em>min\u1e25ah<\/em>) que sobe at\u00e9 Deus. A tradu\u00e7\u00e3o grega <em>holokauston<\/em> visa principalmente os sacrif\u00edcios consumidos pelo fogo do altar. O car\u00e1ter de doa\u00e7\u00e3o livre a Deus, portanto n\u00e3o m\u00e1gica, \u00e9 bem acentuado no rito lev\u00edtico. Muitas vezes \u00e9 entendido como uma retribui\u00e7\u00e3o a Deus por seus dons. Isto se mostra especialmente na efus\u00e3o do sangue sobre o altar, porque o sangue \u00e9 vida e a vida pertence a Deus (DE VAUX, 1973, p. 417). Nos rituais mais tardios \u00e9 muito acentuada a <em>min\u1e25ah<\/em>, o \u201cpresente\u201d, um alimento ou liba\u00e7\u00e3o acompanhando a <em>\u2018olah<\/em> (DE VAUX, 1973, p. 417). Outro termo para diversos tipos de sacrif\u00edcios \u00e9 <em>qorban<\/em>, que significa \u201caproxima\u00e7\u00e3o\u201d, oferta.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro tipo, importante para a ulterior liturgia crist\u00e3, \u00e9 o sacrif\u00edcio de paz, <em>zeba\u1e25 shelamim<\/em>, no qual o acento est\u00e1 na comunh\u00e3o entre o(s) oferente(s), o sacerdote e Deus, e que, por isso, \u00e9 chamado sacrif\u00edcio de comunh\u00e3o (DE VAUX, 1973, p. 417). H\u00e1 tr\u00eas tipos: o sacrif\u00edcio de louvor, o sacrif\u00edcio volunt\u00e1rio e o sacrif\u00edcio votivo (obrigado por um voto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, temos o sacrif\u00edcio expiat\u00f3rio, chamado sacrif\u00edcio pelo pecado (<em>\u1e25a\u1e6d\u1e6dat<\/em>) ou de repara\u00e7\u00e3o da culpa (<em>\u2019asham<\/em>). Este tipo ocupa quase a metade do c\u00f3digo sacrifical do Segundo Templo (no Lv) e \u00e9 important\u00edssimo para a teologia do NT, que fica incompreens\u00edvel quando se cede a certa tend\u00eancia a depreciar o sacrif\u00edcio de expia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da oferta vegetal (<em>min\u1e25ah,<\/em> traduzido por \u201cpresente\u201d ou \u201cmanjar\u201d), \u00e9 queimada sobre o altar uma parte chamada <em>\u2019azkarah<\/em> (em grego <em>zikkaron<\/em>), que significa \u201cmemorial\u201d e \u00e9 vista como um meio para que Deus se lembre do oferente. Uma variante desse simbolismo consiste nos \u201cp\u00e3es da proposi\u00e7\u00e3o\u201d, oferta exposta na mesa juntamente com incenso, que (pela fuma\u00e7a e pelo \u201csuave odor\u201d) cumpre a fun\u00e7\u00e3o de <em>\u2019azkarah, <\/em>memorial. Os p\u00e3es de proposi\u00e7\u00e3o eram reservados aos sacerdotes (cf. Mc 2,26), que os consumiam ao final da semana.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">B. Atividades secund\u00e1rias<\/span><\/h4>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">a. Culto, ora\u00e7\u00e3o e canto<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celebra\u00e7\u00f5es que consistiam <em>exclusivamente<\/em> de ora\u00e7\u00e3o e canto s\u00e3o mencionadas apenas em Ne 9 e Jl 1-2, ambos ritos penitenciais, mas a literatura sapiencial, sobretudo Sir\u00e1cida, insistem no sacrif\u00edcio de louvor ou \u201cdos l\u00e1bios\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto dos sacrif\u00edcios, s\u00e3o mencionadas f\u00f3rmulas de b\u00ean\u00e7\u00e3o (Nm 6,22-27) e de maldi\u00e7\u00e3o (Nm 5,21-22; Dt 27,14-26). O Deuteron\u00f4mio formula ora\u00e7\u00f5es para a oferta das prim\u00edcias (26,1-10) e do d\u00edzimo trienal (26,13-15) e para a P\u00e1scoa (6,20-25; cf. Ex 12,26-27), bem como para o caso de n\u00e3o localiza\u00e7\u00e3o do homicida (Dt 27,1-8). Am 5,23 menciona os hinos acompanhando os sacrif\u00edcios. No livro das Cr\u00f4nicas, encontramos toda a organiza\u00e7\u00e3o dos cantores que acompanhavam os sacrif\u00edcios e prociss\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lugar de maior considera\u00e7\u00e3o para a ora\u00e7\u00e3o era o Templo (cf. a par\u00e1bola de Jesus em Lc 18,10), mas \u00e9 evidente que n\u00e3o era exclusivo. Inspirou o costume de orar em dire\u00e7\u00e3o do Templo (Sl 5,8; 28,2; 138,2) ou de Jerusal\u00e9m (1Rs 8,44.48; Dn 6,11). Podia-se orar em qualquer lugar e tempo, mas alguns momentos eram especiais, como a ora\u00e7\u00e3o \u00e0 noite (Sl 4) e pela manh\u00e3 (Sl 5), em horas e dias fixos (Jt 9,1; Dn 6,11). Orava-se em p\u00e9, inclinado ou ajoelhado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importante \u00e9 que a ora\u00e7\u00e3o no AT \u00e9 dirigida diretamente a Deus, sem divindades intercessoras (monote\u00edsmo!), embora depois do ex\u00edlio, aos poucos, apare\u00e7am os anjos mediadores (p.ex. Tb 12,12). Em 2Mc 15,14 \u00e9 dito que Jeremias ora pelo povo e a Cidade Santa.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">b. Os salmos<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Merecem considera\u00e7\u00e3o especial os Salmos, que constituem praticamente 1\/10 do volume do Tanakh. O salt\u00e9rio, cujos trechos mais antigos remontam at\u00e9 o tempo do nomadismo, \u00e9 concebido em fun\u00e7\u00e3o do culto. Especialmente os salmos \u201cgraduais\u201d ou \u201cde subida\u201d acompanhavam as peregrina\u00e7\u00f5es ao Templo (Sl 120\u2013134). Mesmo os salmos individuais s\u00e3o muitas vezes individuais apenas na sua formula\u00e7\u00e3o, mas com \u00edndole coletiva e lit\u00fargica. Os cabe\u00e7alhos dos Salmos nos informam sobre o uso lit\u00fargico. Reunindo diversos g\u00eaneros liter\u00e1rios, foram subdivididos em cinco livros (como os cinco livros de Mois\u00e9s). Os salmos, como diz Tom\u00e1s de Aquino, cont\u00eam a B\u00edblia toda: eles lembram orando o que os outros textos b\u00edblicos exp\u00f5em narrando ou exortando.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">c. Ritos de purifica\u00e7\u00e3o e de dessacraliza\u00e7\u00e3o<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um senso primordial que vem \u00e0 tona no culto de Israel \u00e9 o horror ao que \u00e9 intoc\u00e1vel, seja pelo \u201cexcesso\u201d de santidade (o santo), seja pelo car\u00e1ter de mistura perturbadora (o impuro): a Arca da Alian\u00e7a, as vestes do sacerdote, os fluidos do corpo, o sangue do parto&#8230; Tratava-se de impureza cultual, n\u00e3o moral. Depois de um contato assim era preciso uma purifica\u00e7\u00e3o para voltar ao estado normal. De modo que o rito de purifica\u00e7\u00e3o podia tamb\u00e9m significar a neutraliza\u00e7\u00e3o do contato com o santo, portanto, dessacraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para essa finalidade existiam sacrif\u00edcios e ablu\u00e7\u00f5es, e \u00e9 preciso perceber a <em>hermen\u00eautica da pureza<\/em> nesta mat\u00e9ria. A purifica\u00e7\u00e3o depois do parto era \u201ctabelada\u201d como holocausto e sacrif\u00edcio <em>\u1e25a\u1e6d\u1e6dat<\/em> (= pelo pecado) (Lv 14,10-32), embora n\u00e3o houvesse falta moral alguma, pois um parto era coisa aben\u00e7oada por Deus! Para um nazireu, no t\u00e9rmino de sua consagra\u00e7\u00e3o, a tarifa pela \u201cdessacraliza\u00e7\u00e3o\u201d consistia num sacrif\u00edcio pelo pecado e outro, de repara\u00e7\u00e3o (Nm 6,13-20; cf. At 21,23-24). Na mesma linha, temos os m\u00faltiplos ritos de purifica\u00e7\u00e3o de objetos, vasilhas, roupas etc. (cf. DE VAUX, 1973, p. 460-461). Havia at\u00e9 um rito especial para preparar \u00e1gua purificadora, a \u00e1gua lustral, com as cinzas de uma novilha vermelha (Nm 19,1-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um tabu forte era a lepra. Lv 13\u201314 se esgota em descrever o diagn\u00f3stico e os ritos purificat\u00f3rios para os \u201cintoc\u00e1veis\u201d que eram os leprosos. A constata\u00e7\u00e3o era feita pelo sacerdote (Lv 14,3; cf. Mt 8,4 par.; Lc 17,14).<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observa De Vaux que, depois do ex\u00edlio,<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">os judeus se tornaram sempre mais conscientes da necessidade de pureza, e o medo da impureza podia se tornar uma obsess\u00e3o. Da\u00ed, os autores do C\u00f3digo Sacerdotal multiplicaram os casos de impureza e prescreveram todos os rem\u00e9dios necess\u00e1rios [&#8230;]. O juda\u00edsmo p\u00f3s-b\u00edblico enveredou ainda mais longe na mesma dire\u00e7\u00e3o. (1973, p. 464)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">E apesar da cr\u00edtica de Jesus e de Paulo, n\u00e3o poucos crist\u00e3os continuaram na mesma linha&#8230;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">d. Ritos de consagra\u00e7\u00e3o<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">Purifica\u00e7\u00e3o tinha a ver com a santidade, que se procurava seja neutralizando o contato com o santo ou numinoso (cf. supra), seja dispondo-se para receber a santidade (cf. a seguir), de modo que os termos purificar e santificar\/consagrar \u00e0s vezes se tornam sin\u00f4nimos (cf. Jo 11,55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santifica\u00e7\u00e3o ou consagra\u00e7\u00e3o \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o de algo ou algu\u00e9m para o santo ou sagrado. Nem sempre se precisava de um rito para isso; um contato ou situa\u00e7\u00e3o podia ser o suficiente. Os soldados para a guerra santa eram santificados e os despojos conquistados tamb\u00e9m. Mas ritos de consagra\u00e7\u00e3o havia, e muitos. Embora os sacerdotes fossem consagrados pela pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio, havia tamb\u00e9m a consagra\u00e7\u00e3o dos sacerdotes amplamente descrita em Lv 8\u201310. Aqui entra a un\u00e7\u00e3o com \u00f3leo especial (<em>crisma<\/em>), aplicada ao sumo sacerdote, ao santu\u00e1rio, ao altar, aos utens\u00edlios (Ex 30,26-29; 40,9-11; Lv 8,10). A un\u00e7\u00e3o era essencial para o rito de entroniza\u00e7\u00e3o do rei, o \u201cungido\u201d por excel\u00eancia, caracterizado pelo <em>nezer<\/em>, a parte n\u00e3o raspada do cabelo (Sl 89,39).<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma forma muito expl\u00edcita de consagra\u00e7\u00e3o \u00e9 o voto, pelo qual se \u201cdevota\u201d algo a Deus: um d\u00edzimo (Gn 28,22); uma pessoa (Jz 11,30-31; 1Sm 1,11) etc. A inten\u00e7\u00e3o do voto \u00e9 estreitar o la\u00e7o com Deus. Como os votos eram constringentes (Dt 22,22-24), melhor era n\u00e3o fazer quando n\u00e3o se tinha certeza (Ecl 5,3-5). Certas circunst\u00e2ncias tornavam o voto automaticamente inv\u00e1lido (Dt 23,19; Nm 30,4-17), e sempre podia ser comutado por uma doa\u00e7\u00e3o em dinheiro (Lv 27,1-25). O rito do voto de nazireato \u00e9 descrito explicitamente, no AT, s\u00f3 para Sans\u00e3o (Jz 13,4-5.7.13-14), mas mencionado no NT (At 18,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.3 Festas e celebra\u00e7\u00f5es<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Israel gostava de festas e a vida da natureza as provocava: desmame de uma crian\u00e7a (Gn 21,8), casamento (Gn 29,22-23), enterro (Gn 23,2), tosa do rebanho (1Sm 25,2-38) etc. Ocasi\u00f5es p\u00fablicas: coroa\u00e7\u00e3o do rei, vit\u00f3ria na guerra (com canto e dan\u00e7a: Ex 15!). At\u00e9 o jejum tinha car\u00e1ter festivo (Zc 7,1-3; Jl 1\u20132; Lm). Havia as peregrina\u00e7\u00f5es a Betel (Gn 35,1-4), a Silo (Jz 21,19-21; 1Sm 1,3-4), mais tarde incorporadas no culto \u00fanico no templo de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os servi\u00e7os ordin\u00e1rios no Templo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; o holocausto di\u00e1rio de dois cordeiros, um pela manh\u00e3 e outro ao entardecer (Ex 29,38-42; Nm 28,2-8), chamado de \u201dsacrif\u00edcio perp\u00e9tuo\u201d (Ex 19,42; Nm 28 etc.), interrompido durante a persegui\u00e7\u00e3o de Ant\u00edoco (Dan 11,13 etc.) e restabelecido por Judas Macabeu (1Mc 4,36-58). No tempo do NT, o sacrif\u00edcio \u00e9 celebrado em plena tarde (Mt 27,46-30 par.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; no s\u00e1bado, havia uma oferenda suplementar de mais dois cordeiros, um manjar e uma liba\u00e7\u00e3o (Nm 28,9-10), mas Ezequiel prev\u00ea isso muito maior (Ez 46,1-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; o sacrif\u00edcio da lua-nova (Nm 28,11-15), ou neom\u00eania, iniciava cada novo m\u00eas do calend\u00e1rio lunar. Essa festa \u00e9 muito arcaica, mencionada juntamente com o s\u00e1bado em Os 2,13. Como o s\u00e1bado, \u00e9 dia de repouso (Am 8,5), dia de consultar o \u201chomem de Deus\u201d (2Rs 4,23), dia de festa para o rei Saul (1S, 20,5 etc.), mas objeto de indiferen\u00e7a para Paulo em Cl 2,16. S\u00f3 o repouso da lua-nova do s\u00e9timo m\u00eas ganhou uma lei pr\u00f3pria em Lv 23,24-24; Nm 29,1-6 (Dia da Aclama\u00e7\u00e3o, preparando o Yom Kippur).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.4 O calend\u00e1rio religioso<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao lado dos s\u00e1bados e neom\u00eanias, Israel tem reuni\u00f5es (<em>mo\u2018ed<\/em>) em diversas oportunidades, principalmente nas tr\u00eas grandes festas anuais de peregrina\u00e7\u00e3o, com prociss\u00e3o e dan\u00e7as (<em>\u1e25ag<\/em>). S\u00e3o elas: 1) \u00c1zimos (<em>ma\u1e63\u1e63ot<\/em>), em Dt combinado com P\u00e1scoa (<em>p\u00e9sa\u1e25<\/em>), ambas lembrando a sa\u00edda do Egito; 2) Sega\/Ceifa (<em>qa\u1e63\u00eer<\/em>), no Javista e em Dt chamada Semanas (<em>shabuot<\/em>); 3) Colheita (<em>\u2019asiph<\/em>), em Dt chamada Sukkot, Tendas. Em Dt o car\u00e1ter agropastoril fica dilu\u00eddo e a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa fixada num lugar \u00fanico, Jerusal\u00e9m (reforma de Josias, cf. 2Rs 23,21-23).<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"312\">\n<p style=\"text-align: right;\"><em>tradi\u00e7\u00f5es<\/em>:<\/p>\n<\/td>\n<td rowspan=\"2\" width=\"85\">Elo\u00edsta<\/p>\n<p>Ex 23,14-17<\/td>\n<td rowspan=\"2\" width=\"85\">Javista<\/p>\n<p>Ex 34,18-23<\/td>\n<td rowspan=\"2\" width=\"85\">Deuteron.<\/p>\n<p>Dt 16,1-17<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"312\"><em>defini\u00e7\u00f5es<\/em>:<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"312\">comparecer 3 vezes ao ano<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">&#8211;<\/td>\n<td width=\"85\">&#8211;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"312\">no m\u00eas de <em>abib<\/em> \u2013 mem\u00f3ria da sa\u00edda do Egito<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"312\">\u00e1zimos (<em>ma\u1e63\u1e63ot<\/em> ) no m\u00eas de abib, 7 dias<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"312\">p\u00e1scoa (<em>p\u00e9sa\u1e25<\/em>) de YHWH \u2013 mem\u00f3ria da sa\u00edda do Egito<\/td>\n<td width=\"85\">&#8211;<\/td>\n<td width=\"85\">&#8211;<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"312\">no lugar que Deus tiver escolhido (Jerusal\u00e9m)<\/td>\n<td width=\"85\">&#8211;<\/td>\n<td width=\"85\">&#8211;<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"312\">oferta dos primog\u00eanitos<\/td>\n<td width=\"85\">&#8211;<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">&#8211;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"312\">sega\/ceifa (<em>qa\u1e63\u00eer<\/em>) depois de 7 semanas<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">+ (&gt;<em>shabuot<\/em>, semanas)<\/td>\n<td width=\"85\">+ (&gt;sete semanas)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"312\">colheita (<em>\u2019asiph<\/em>) na sa\u00edda\/ no fim do ano<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">+ (&gt;<em>sukkot<\/em>, tendas)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"312\">presen\u00e7a de todos os masculinos<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<td width=\"85\">+<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito mais detalhado \u00e9 o c\u00f3digo sacerdotal, na Lei da Santidade, Lv 23, seguido pelo juda\u00edsmo at\u00e9 hoje.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> Adota o ano babil\u00f4nio, considerando <em>abib<\/em> o primeiro m\u00eas (primavera, mar\u00e7o-abril) (23,5). A primeira festa \u00e9 a P\u00e1scoa, combinada com \u00c1zimos, no dia 15 de <em>abib<\/em> (iniciando 14 \u00e0 noite; 23,5-6), com \u201csanta convoca\u00e7\u00e3o\u201d no primeiro e no s\u00e9timo dias (23,7-8). A segunda, sem nome pr\u00f3prio, \u00e9 no quinquag\u00e9simo dia (de onde, em grego, Pentecostes). A terceira, com o nome de <em>Sukkot<\/em>, Tendas, \u00e9 no dia 15 do \u201cs\u00e9timo m\u00eas\u201d, mas o calend\u00e1rio inclui, antes disso, na lua-nova (primeiro dia) do m\u00eas de <em>tishr\u00ee<\/em> (set-out), a festa do <em>chofar<\/em> (dia da Aclama\u00e7\u00e3o, ou Ano Novo, <em>Rosh Hashan\u00e1<\/em>) e, no dia 10, o <em>Yom Kippur<\/em> (Expia\u00e7\u00e3o, descrito em Lv 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O calend\u00e1rio ut\u00f3pico de Ez 45,18-25 nem menciona a festa das Semanas e transforma a P\u00e1scoa e Tendas em celebra\u00e7\u00f5es penitenciais. A legisla\u00e7\u00e3o abrangente de Nm 28\u201329, por\u00e9m, desconsidera o projeto de Ezequiel e completa com outros ritos aqueles de Lv 23, apresentando a lista completa dos sacrif\u00edcios no tempo de Esdras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve ainda outras festas, mas conservam-se somente <em>Purim<\/em> (Sortes, cf. Est 10,3k), 14 de <em>adar <\/em>(fev-mar), e Dedica\u00e7\u00e3o (do Templo por Judas Macabeu, cf. 1Mc 4,56), 25 de <em>kisleu<\/em> (nov-dez).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1.5 O s\u00e1bado<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considera\u00e7\u00e3o especial merece o s\u00e1bado.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> O termo <em>shabbat<\/em> ou, mais enf\u00e1tico, <em>shabbat\u00f4n<\/em> \u00e9 provavelmente derivado do verbo <em>shabat<\/em>, cessar (o trabalho, cf. Gn 2,3), de onde, repousar. Suas origens se perdem nos tempos arcaicos, e sua obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 mencionada nos c\u00f3digos legais elo\u00edsta e javista (Ex 23,12; 34,21), no Dec\u00e1logo (Dt 5,12-14\u2016Ex 20,8-10) e no C\u00f3digo Sacerdotal (Ex 31,12-17). Era praticado desde a ocupa\u00e7\u00e3o de Cana\u00e3 (por volta de 1100 aC). Matematicamente, n\u00e3o cabia na divis\u00e3o qu\u00e1drupla do m\u00eas lunar de 29 1\/2 dias; simplesmente se descansava a cada sete dias, pois sete \u00e9 o n\u00famero da completude&#8230; Desconsiderando os poucos casos em que outros dias eram designados para descanso festivo, o s\u00e9timo dia sustenta como um <em>basso continuo<\/em> de santidade todo o ritmo da comunidade. Por isso aparece nos textos que se referem \u00e0 Alian\u00e7a, e a teologia sacerdotal o associou \u00e0 pr\u00f3pria obra da cria\u00e7\u00e3o (Gn 1,1\u20132,3). \u00c9 o dia dedicado\/consagrado a YHWH (Lv 23,3.38; Ex 31,15), consagrado por YHWH mesmo (Ex 20,11). Associado \u00e0 Alian\u00e7a, sua observ\u00e2ncia \u00e9 vista como garantia de Salva\u00e7\u00e3o (Is 58, 13-14; cf. 56,2; Jr 17,19-27), e a n\u00e3o observ\u00e2ncia causava exclus\u00e3o da comunidade (Ex 31,14; 35,2; Nm 15,32-26) e castigo de Deus (Ex 20,13; Ne 13,17-18). Depois do ex\u00edlio, quando era imposs\u00edvel observar as outras festas, o s\u00e1bado tornou-se a marca do judeu fiel. Entretanto, as regras se tornaram sempre mais estritas. No tempo dos Macabeus, os soldados preferiam morrer a combater no s\u00e1bado (1Mc 2,39-41; 9,43-39). Mais severos ainda s\u00e3o o livro dos Jubileus e os monges de Qumran. Estava na hora de aparecer Jesus&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2 A liturgia no NT<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe mostrar aqui a continuidade e a descontinuidade da liturgia do NT com a do AT, bem como a novidade decisiva da fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e do memorial da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto de ruptura entre o AT e o NT se chama Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua vis\u00e3o prof\u00e9tico-apocal\u00edptica, como porta-voz\/revelador<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> de que o reino de Deus chegou, Jesus n\u00e3o procurava continuar, muito menos restaurar as institui\u00e7\u00f5es religiosas do juda\u00edsmo, e sim derramar sobre o povo o esp\u00edrito da purifica\u00e7\u00e3o e do reavivamento anunciado por Jeremias e Ezequiel, repetindo as censuras contra o culto pronunciadas por Am\u00f3s, Oseias e Isa\u00edas. Isso, acompanhando suas palavras com sinais de sua autoridade (<em>exousia<\/em>), no estilo de Elias e Eliseu. N\u00e3o estava preocupado em restaurar o Templo e sim a \u201ctenda arruinada de Davi\u201d, o reinado instaurado por Deus mesmo mediante seu servo Davi (Am 9,11-12, cf. At 15,16), em outras palavras: o povo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos duas orienta\u00e7\u00f5es para compreender a atitude de Jesus em rela\u00e7\u00e3o ao culto e \u00e0 Lei em geral (que no entendimento dos fariseus e escribas se tinha tornado uma esp\u00e9cie de culto):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) a exig\u00eancia prof\u00e9tica do cora\u00e7\u00e3o puro na observ\u00e2ncia da Lei e do culto, priorizando o amor a Deus e, portanto, ao pr\u00f3ximo<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>, realizando a justi\u00e7a (<em>\u1e63edeq<\/em>), a fidelidade (<em>\u2019emet<\/em>) e a miseric\u00f3rdia (<em>\u1e25esed<\/em>);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) a cr\u00edtica \u00e0 falsidade em geral (hipocrisia) e, de modo especial, no culto (Mc 7, Mt 23), culminando no gesto e nas palavras prof\u00e9ticos (reveladores do <em>kair\u00f3s<\/em> de Deus) em rela\u00e7\u00e3o ao Templo (Mc 11,15-18; 13,1-37 e par.) \u00a0\u2013 o estopim de sua condena\u00e7\u00e3o por parte dos chefes religiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.1 Continuidade e ruptura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liturgia de Israel<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal continuidade entre a religi\u00e3o de Israel e a crist\u00e3 consiste no car\u00e1ter memorial, \u00e0 diferen\u00e7a do car\u00e1ter naturista ou cosmol\u00f3gico das religi\u00f5es circundantes: \u201cA religi\u00e3o judeu-crist\u00e3 refere-se fundamentalmente a acontecimentos hist\u00f3ricos, sendo a coluna vertebral do seu culto o conceito de mem\u00f3ria (<em>zikkaron<\/em>)\u201d (BAZURKO, 1990, p. 42). Por\u00e9m, \u00e9 uma continuidade \u201cinterpretada\u201d: os momentos e atos do culto de Israel recebem <em>sentido<\/em> <em>novo <\/em>nas comunidades crist\u00e3s. Ali\u00e1s, j\u00e1 em Israel os profetas e os s\u00e1bios insistiram em criticar o formalismo que consistia em realizar o culto por realiz\u00e1-lo, sem compromisso com o projeto de Deus: \u201cEste povo se aproxima de mim s\u00f3 com a boca e me honra s\u00f3 com os l\u00e1bios, mas o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de mim, e seu temor para comigo \u00e9 como preceito humano, aprendido de rotina\u201d (Is 29,13) \u2013 cr\u00edtica retomada por Jesus mesmo (Mc 7,6-7 par.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus e os seus disc\u00edpulos\/seguidores n\u00e3o criaram um novo culto. Viveram os costumes de Israel, por\u00e9m, seletiva e criticamente, abandonando alguns, ressignificando outros. Jesus frequenta a sinagoga aos s\u00e1bados, participa do culto do Templo e das peregrina\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m transgride a ordem cultual, manifestando sua soberania sobre o s\u00e1bado (Mc 2,23-28 par.) e sobre as leis da pureza alimentar (Mc 7,1-23 par.). Assim como reinterpreta a Lei em fun\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da miseric\u00f3rdia de Deus (Serm\u00e3o da Montanha), o culto \u00e9 para ele uma ocasi\u00e3o para revelar a miseric\u00f3rdia de Deus (Mc 3,1-6 par.), do mesmo modo como a revela fora do culto, nas refei\u00e7\u00f5es, nos encontros. Jesus prolonga a tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica dos profetas (Mc 11,15-17 cf. Is 56,7 e Jr 7,3-11; Mt 9,13 cf. Os 6,6). Subordina o sacrif\u00edcio ao perd\u00e3o fraterno (Mt 5,23-24). Ensina a simplicidade na ora\u00e7\u00e3o (Mt 6,7-13\u2016 Lc 11,1-4). Tudo isso est\u00e1 condensado em Jo 4,21-23: \u201cVem a hora, e \u00e9 agora, em que os verdadeiros adoradores adorar\u00e3o o Pai em esp\u00edrito e verdade\u201d. O lugar do culto n\u00e3o tem import\u00e2ncia. Por isso, a prega\u00e7\u00e3o prof\u00e9tico-apocal\u00edptica (= reveladora) de Jesus pode anunciar a destrui\u00e7\u00e3o do Templo (Mc 13 par.), e o \u201capocal\u00edptico de Patmos\u201d mostra a vis\u00e3o da Jerusal\u00e9m Celeste sem templo, pois a presen\u00e7a de Deus e do Cordeiro \u00e9 imediata (Ap 21,22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.2 A fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e o memorial da Ceia do Senhor<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande novidade na liturgia crist\u00e3 \u00e9 a fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e a Ceia do Senhor. A fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o tem um sinal precursor num gesto prof\u00e9tico de Jesus, a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es. Gesto prof\u00e9tico, porque tamb\u00e9m Elias (1Rs 17,8-16) e sobretudo Eliseu (2Rs 4,42-44) realizaram sinais de sua miss\u00e3o da parte de Deus por gestos semelhantes. Neste t\u00f3pico, conv\u00e9m valorizar alguns tra\u00e7os do relato joanino, que, embora baseado na forma marcana, talvez represente melhor a import\u00e2ncia desta tradi\u00e7\u00e3o no conjunto da mem\u00f3ria crist\u00e3. Em todas as cinco vers\u00f5es sin\u00f3pticas<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>, aparecem dois detalhes que sugerem o car\u00e1ter ritual da \u201cfra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o\u201d, que \u00e9 uma das caracter\u00edsticas da primeira comunidade crist\u00e3 segundo At 2,42-42: a fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o com a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as (cf. tamb\u00e9m Lc 24,30.35). Outro tra\u00e7o que sugere o rito da comunidade \u00e9 o papel de cooperadores\/distribuidores confiado aos disc\u00edpulos. Alus\u00f5es \u00e0s doze tribos sugerem o car\u00e1ter messi\u00e2nico atribu\u00eddo a esse fato. A vers\u00e3o joanina, que n\u00e3o cont\u00e9m o termo \u201cfra\u00e7\u00e3o\u201d nem o papel de media\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos, por outro lado usa esse relato como base para o discurso do \u201cp\u00e3o da vida\u201d com n\u00edtidas alus\u00f5es \u00e0quilo que Paulo chama \u201ca ceia do Senhor\u201d (KONINGS, 2020).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, a literatura paulina deixa entrever nas reuni\u00f5es das comunidades um momento para a ceia do Senhor, entendida como memorial da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Nos evangelhos sin\u00f3pticos, esta ceia \u00e9 descrita de modo extenso, com ind\u00edcios de diversas tradi\u00e7\u00f5es. O conte\u00fado espec\u00edfico do memorial \u00e9 a morte de Jesus, vista como pren\u00fancio de sua volta na gloria escatol\u00f3gica. Este tra\u00e7o escatol\u00f3gico \u00e9 claro sobretudo na vers\u00e3o de Lc 22,15-18 (composto de duas tradi\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um segundo elemento da Ceia do Senhor \u00e9 o car\u00e1ter sacrifical. N\u00edtida \u00e9 a refer\u00eancia ao sacrif\u00edcio da Alian\u00e7a em Ex 24,1-11, pelas palavras de Jesus \u201ceste \u00e9 meu sangue da (nova) Alian\u00e7a\u201d. Em Mt 26,29 l\u00ea-se \u201cpara o perd\u00e3o dos pecados\u201d. Ser\u00e1 que isso acrescenta algo \u00e0 f\u00f3rmula \u201cpor v\u00f3s\u201d ou \u201cpelos muitos\u201d (= todos) que ocorre nas diversas tradi\u00e7\u00f5es? A forma de Mateus parece aproximar a morte de Jesus do sacrif\u00edcio pelo pecado, o que n\u00e3o \u00e9 necessariamente o sentido original de \u201cpor v\u00f3s\/pelos muitos\u201d, que pode ter o sentido da funda\u00e7\u00e3o da nova Alian\u00e7a, um sacrif\u00edcio de comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelho joanino (que n\u00e3o traz as palavras da institui\u00e7\u00e3o da Ceia e liga a eucaristia \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es\/\u201cp\u00e3o da vida\u201d) parece unir na morte de Jesus a refer\u00eancia ao cordeiro oferecido pelo pecado (Jo 1,29.36) e o cordeiro pascal (19,36). Nas cartas joaninas, Jesus \u00e9 chamado de v\u00edtima de expia\u00e7\u00e3o (1Jo 2,2; 4,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 Paulo que usa a linguagem sacrifical para tornar compreens\u00edvel a obra de Jesus, mas num sentido bastante geral, acess\u00edvel aos gentios que constitu\u00edam parte de seu leitorado. Entretanto, a Carta aos Hebreus (que n\u00e3o \u00e9 de Paulo!) descreve, para um p\u00fablico eminentemente judeu e sacerdotal, a vida e a morte de Jesus mediante uma releitura de toda a tradi\u00e7\u00e3o sacrifical da teologia sacerdotal do AT. Observe-se, por\u00e9m, que isso \u00e9 tipologia e n\u00e3o pode servir para uma interpreta\u00e7\u00e3o clerical do sacerd\u00f3cio ministerial na comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2.3 Ora\u00e7\u00f5es e hinos<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eliminando toda verbosidade, Jesus deu aos simples a ora\u00e7\u00e3o cotidiana, o Pai-nosso, que, segundo Agostinho, cont\u00e9m tudo o que se pode pedir a Deus. Por isso, ela ocupa o lugar matematicamente central no Serm\u00e3o da Montanha (5,1\u20136,8|6,9-13|6,14\u20137,28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As comunidades nascidas de Jesus n\u00e3o deixaram de continuar a tradi\u00e7\u00e3o hinol\u00f3gica do AT, criando os hinos que exprimem a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e o louvor a Cristo e ao Pai. Por exemplo, Fl 2,6-11; Cl 1,15-20; Ef 1,3-14; 1Pd 2,21-24; Lc 1,68-79; 1,46-55; 2,29-32; os c\u00e2nticos do Apocalipse; a forma original do pr\u00f3logo joanino Jo 1,1-5.9-14; entre outros (GOURGUES, 1995; MAREANO, 2018).<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 A B\u00edblia na Liturgia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A simbiose de B\u00edblia e Liturgia n\u00e3o significa apenas que a liturgia tem um lugar permanente nos escritos b\u00edblicos, como acabamos de descrever, mas, vice-versa, que a B\u00edblia tem um lugar permanente na Liturgia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.1 A leitura b\u00edblica na liturgia judaica<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O culto do Israel Antigo conhecia ritos sacrificais, divinat\u00f3rios, expiat\u00f3rios, apotropaicos etc., que foram progressivamente concentrados na adora\u00e7\u00e3o do Deus \u00fanico, YHWH, culminando na unifica\u00e7\u00e3o do culto em torno do Templo de Jerusal\u00e9m, pelo rei Josias por volta de 620 aC, pouco antes de Jud\u00e1 ser golpeado pelo ex\u00edlio babil\u00f4nico (597-538 aC). Depois do ex\u00edlio, com o desenvolvimento do culto sinagogal, a liturgia judaica se transformou paulatinamente numa liturgia da Palavra. Durante o dom\u00ednio persa, instaurou-se a pr\u00e1tica da leitura p\u00fablica da Lei, na liturgia do dia da Aclama\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio do s\u00e9timo m\u00eas (hoje festa do ano novo), provavelmente em 397 aC (Ne 7,52\u20138,3). A B\u00edblia menciona tamb\u00e9m em diversas ocasi\u00f5es anteriores uma leitura diante do povo ou das autoridades de um texto legislativo ulteriormente assumido na Tor\u00e1:<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> \u00a0a solene leitura da Lei em Ex 24,7, a leitura da Lei em 2Rs 23,3 e a institui\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica setenal em Dt 31,9-13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que os escritos b\u00edblicos de Israel iam sendo reunidos, tornaram-se refer\u00eancia para a identidade confessional, como mem\u00f3ria dos <em>magnalia Dei <\/em>e como regra de vida para a comunidade. Esse significado complexo se resume no termo hebraico <em>torah<\/em>, \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d, traduzido no grego como <em>nomos,<\/em> \u201clei\u201d (entendida como disciplina ou educa\u00e7\u00e3o, compar\u00e1vel \u00e0 <em>paideia <\/em>dos gregos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essa dupla finalidade de rememora\u00e7\u00e3o e de educa\u00e7\u00e3o, a sinagoga adotou a leitura lit\u00fargica dos cinco livros chamados \u201cde Mois\u00e9s\u201d (a prele\u00e7\u00e3o da <em>torah<\/em> no sentido restrito), al\u00e9m dos trechos memor\u00e1veis dos \u201cprofetas\u201d (a <em>haftarah<\/em>), tudo isso emoldurado pelos \u201clouvores\u201d (os <em>tehillim,<\/em> salmos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca da atua\u00e7\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9, essa \u201cleitura da Lei\u201d era praticada, dependendo do costume local, num ciclo de um ou de tr\u00eas anos, ou tamb\u00e9m de modo mais livre (TREBOLLE BARRERA, 1996, p. 141-144). Al\u00e9m disso havia outras celebra\u00e7\u00f5es que s\u00e3o descritas em estudos espec\u00edficos sobre a liturgia da Palavra no juda\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente da liturgia sacrifical, reservada ao Templo de Jerusal\u00e9m, a liturgia sinagogal (de leitura) pode ser realizada em todas as comunidades, at\u00e9 na di\u00e1spora, sendo sustentada pela observ\u00e2ncia do <em>shabbat,<\/em> repouso do s\u00e9timo dia, que garante espa\u00e7o para a sinaxe ou reuni\u00e3o sinagogal \u2013 exemplo imitado pelo domingo crist\u00e3o. A liturgia do Templo, depois da unifica\u00e7\u00e3o deuteronomista, ficava longe do povo disperso, apesar da prescri\u00e7\u00e3o das \u201csubidas\u201d em P\u00e1scoa, Pentecostes e Tabern\u00e1culos. A liturgia de leitura na sinagoga remediava a dist\u00e2ncia do Templo. Assim, a instru\u00e7\u00e3o da comunidade, as festas de \u201ctodo o Israel\u201d e a piedade cotidiana do israelita se alimentam da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica e, por sua vez, a realimentam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da destrui\u00e7\u00e3o do Segundo Templo, em 70 dC. o culto sab\u00e1tico, com a prele\u00e7\u00e3o da Lei e dos Profetas acompanhada de hinos e ora\u00e7\u00f5es, tornou-se a espinha dorsal da religi\u00e3o judaica, ocupando praticamente o lugar do Templo. Sinal disso \u00e9 que o presidente ganha o t\u00edtulo de <em>qoh\u00ean<\/em>, sacerdote. Quando o sacrif\u00edcio do Templo perdeu seu lugar central, cresceu a acentua\u00e7\u00e3o, j\u00e1 no juda\u00edsmo, mas sobretudo no cristianismo, do sacrif\u00edcio de louvor e do sacrif\u00edcio espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.2 A leitura b\u00edblica na liturgia crist\u00e3 (cat\u00f3lica)<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda parte da <em>Dei Verbum <\/em>(\u201cVerbum in Ecclesia\u201d, n. 52-89) oferece as principais refer\u00eancias para a compreens\u00e3o do uso da B\u00edblia na liturgia cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Herdeira da liturgia judaica, a liturgia crist\u00e3 desde os in\u00edcios dedicou amplo espa\u00e7o \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus encontrada na B\u00edblia. As celebra\u00e7\u00f5es crist\u00e3s inclu\u00edam desde sua a origem a leitura das Escrituras (Justino, <em>Apol<\/em>. 67), embora em alguns ambientes as leituras se limitassem ao NT (JUNGMANN, 1958, p. 337). \u00c9 prov\u00e1vel que os judeu-crist\u00e3os assistissem \u00e0 leitura b\u00edblica sinagogal no s\u00e1bado e, ao p\u00f4r do sol, quando se iniciava \u201co primeiro dia da semana\u201d, celebravam a ceia memorial do mist\u00e9rio pascal (morte e ressurrei\u00e7\u00e3o) de Jesus. Pode-se supor que a combina\u00e7\u00e3o da leitura das Escrituras e da celebra\u00e7\u00e3o da refei\u00e7\u00e3o fraterna, com a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as (eucaristia) celebrando o mist\u00e9rio pascal de Cristo, tenha se dado bem cedo, como sugerem tamb\u00e9m outros textos do NT (Lc 24) e os primeiros escritos patr\u00edsticos (<em>Didaqu\u00e9, Carta a Diogneto<\/em>). Certamente n\u00e3o faltavam os louvores, os hinos crist\u00e3os e os salmos do AT, muitas vezes interpretados como profecia do evento Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cConsiderando a Igreja como \u2018casa da Palavra\u2019 deve-se antes de tudo dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Liturgia sagrada\u201d (<em>VD<\/em> n. 52). \u201cCada a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica est\u00e1, por sua natureza, impregnada da Sagrada Escritura\u201d (<em>VD<\/em> n. 52).\u00a0<em>A leitura b\u00edblica na Liturgia \u00e9 uma forma de o Cristo estar presente <\/em>(cf. <em>VD<\/em> n. 51; <em>DV<\/em> n. 8) \u2013 abrindo as Escrituras (cf. Lc 24,32). Esta express\u00e3o de Lucas e a frequente presen\u00e7a de alus\u00f5es, aplica\u00e7\u00f5es, sentidos plenos das Escrituras de Israel mostra que n\u00e3o se pode dispensar a presen\u00e7a do AT na liturgia crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso se aplica em primeiro lugar \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Palavra na missa (ou sem Eucaristia) e no Divino Of\u00edcio. \u201cAqui se v\u00ea tamb\u00e9m a s\u00e1bia pedagogia da Igreja que proclama e escuta a Sagrada Escritura seguindo o ritmo do ano lit\u00fargico. Vemos a Palavra de Deus distribu\u00edda ao longo do tempo, particularmente na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e na Liturgia das Horas\u201d (<em>VD<\/em> n. 52). Nessas duas formas de liturgia est\u00e1 presente, a princ\u00edpio, a B\u00edblia toda do AT e do NT. O ciclo trienal das leituras dominicais apresenta o NT inteiro e, do AT, aqueles trechos que ilustram de alguma maneira as leituras do NT (principalmente os evangelhos), lembrando textos an\u00e1logos ou temas prof\u00e9ticos que encontram no NT seu sentido pleno. J\u00e1 no ciclo bienal das celebra\u00e7\u00f5es nos dias de semana l\u00ea-se a B\u00edblia integralmente. O mesmo deve ser dito do Divino Of\u00edcio (o Brevi\u00e1rio), que inclui, al\u00e9m da leitura da B\u00edblia inteira, as exegeses dos Santos Padres e dos mestres espirituais at\u00e9 os dias de hoje. Al\u00e9m disso, o Divino Of\u00edcio tem o grande m\u00e9rito de, atrav\u00e9s do dia todo, manter a Igreja em contato com os Salmos, express\u00e3o por excel\u00eancia da heran\u00e7a espiritual de Israel, partilhada pelo pr\u00f3prio Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de primeira import\u00e2ncia o nexo entre a leitura b\u00edblica e o sacramento da Eucaristia: os disc\u00edpulos de Ema\u00fas reconheceram o Ressuscitado pela fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o depois que lhes havia explicado as Escrituras (Lc 24,32.35). A palavra e a a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Jesus encontram-se unidas na mesma mem\u00f3ria. Se as leituras b\u00edblicas tornam presente o ensino de Jesus (inclusive suas refer\u00eancias ao AT), o memorial de sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o traz presente a verdade desse ensinamento no dom da pr\u00f3pria vida em amor at\u00e9 o fim, recebido em comunh\u00e3o pelos seus fi\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa articula\u00e7\u00e3o da Palavra com a a\u00e7\u00e3o de Jesus apresenta-se, de alguma forma, tamb\u00e9m nos demais Sacramentos, agora que a reforma lit\u00fargica do Vaticano II incluiu em todos eles uma \u201cliturgia da Palavra\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhando esse panorama, pode-se concluir que, para o crist\u00e3o cat\u00f3lico, a fiel participa\u00e7\u00e3o da Liturgia, desde que bem preparada e apresentada, \u00e9 uma imers\u00e3o b\u00edblica, que o torna espiritualmente preparado para desfrutar plenamente a mem\u00f3ria de Cristo que \u00e9 o cerne de sua f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 A forma\u00e7\u00e3o b\u00edblico-lit\u00fargica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 evidente que o desfrute da riqueza b\u00edblica em nossa cultura n\u00e3o se d\u00e1 espontaneamente. Se o pr\u00f3prio Jesus depois de ter ensinado em par\u00e1bolas, que deviam falar por si mesmas, se viu obrigado a dar explica\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de seus disc\u00edpulos (Mc 4,33-34), essa exig\u00eancia se torna mais premente em nosso tempo, t\u00e3o afastado do mundo de Jesus. Desde os primeiros tempos do cristianismo conhecemos a homilia ou explica\u00e7\u00e3o das Escrituras que, ali\u00e1s, j\u00e1 existia na sinagoga judaica. O pr\u00f3prio NT, tanto nos evangelhos como nas cartas, revela essa pr\u00e1tica. A explica\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola do semeador, os discursos de revela\u00e7\u00e3o no Quarto Evangelho, as homilias batismais na Carta aos Ef\u00e9sios e na 1\u00aa de Pedro confirmam esse costume. Consciente da necessidade de explica\u00e7\u00e3o, a <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> recomenda que a leitura b\u00edblica na Liturgia da Palavra seja acompanhada de breve explica\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o de homilia extensa. Uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es do papa Francisco \u00e9 a homilia (<em>EG<\/em> n. 135-144).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma\u00e7\u00e3o b\u00edblico-lit\u00fargica dos ministros e dos agentes de pastoral \u00e9 uma prioridade urgente, mas n\u00e3o pode ser concebida como mero enriquecimento pessoal para a vida espiritual ou, como \u00e0s vezes acontece, para a mera erudi\u00e7\u00e3o. Ela deve ser \u201cministerial\u201d, isto \u00e9, voltada para o servi\u00e7o ao Povo de Deus. Exorta o papa Bento XVI:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso exorto os Pastores da Igreja e os agentes pastorais a fazer com que todos os fi\u00e9is sejam educados para saborear o sentido profundo da Palavra de Deus que est\u00e1 distribu\u00edda ao longo do ano na liturgia, mostrando os mist\u00e9rios fundamentais da nossa f\u00e9. Tamb\u00e9m disto depende a correta abordagem da Sagrada Escritura. (<em>VD<\/em> n. 52).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os grupos de estudo e de leitura b\u00edblica com o povo em torno de temas ou livros espec\u00edficos podem completar oportunamente a grande pedagogia b\u00edblica que \u00e9 a Liturgia, desde que n\u00e3o a suplantem. Foi gra\u00e7as a este tipo de atividades que nas d\u00e9cadas recentes, no Brasil e na Am\u00e9rica Latina, como tamb\u00e9m em outras partes do mundo, a B\u00edblia foi, por assim dizer, retirada das m\u00e3os dos especialistas ou cl\u00e9rigos e devolvida ao povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu te louvo, \u00f3 Pai, Senhor do c\u00e9u e da terra, porque escondeste estas coisas aos s\u00e1bios e entendidos e as revelaste aos pequeninos\u201d (Lc 10,21).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Johan Konings<\/em>, SJ. Faculdade Jesu\u00edta de Filosofia e Teologia. Texto original portugu\u00eas. Postado em dezembro de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BASURKA, Xabier; GOENAGA, J. A. A vida lit\u00fargico-sacramental em sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. In: BOROBIO, Dionisio (org.). <em>A Celebra\u00e7\u00e3o na Igreja. <\/em>I: Liturgia e Sacramentologia Fundamental. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1990. p. 37-160.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">B\u00cdBLIA TEB &#8211; Tradu\u00e7\u00e3o Ecum\u00eanica da B\u00edblia. 3.ed. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DE VAUX, Roland. <em>Ancient Israel<\/em>: Its Life and Institutions. London: Darton, 1973.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GOURGUES, Michel.\u00a0<em>Os hinos do Novo Testamento<\/em>.\u00a0S\u00e3o Paulo: Paulus, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JUNGMANN, Josef. A. Bibel. II. Gebrauch in der Kirche. In: <em>Lexikon f\u00fcr Theologie und Kirche<\/em>, Bd. 2. Freiburg: Herder, 1958. p. 337.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KONINGS, Johan. <em>A B\u00edblia, sua origem e sua leitura.<\/em> Introdu\u00e7\u00e3o ao estudo da B\u00edblia. 8. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KONINGS, Johan. A Palavra que \u00e9 P\u00e3o: a Eucaristia no Quarto Evangelho. <em>Fronteiras<\/em>, Recife, v. 3, n. 2, p. 478-499, jul\/dez 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MAREANO, Marcus Aur\u00e9lio Alves.\u00a0<em>Os hinos do Apocalipse:<\/em>\u00a0Mysterium tremendum et fascinans. Tese Doutorado, FAJE. Belo Horizonte, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TREBOLLE BARRERA, Julio. <em>A B\u00edblia judaica e a B\u00edblia crist\u00e3<\/em>: introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria da B\u00edblia. Petr\u00f3polis: Vozes,1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> No contexto grego, &#8220;liturgia&#8221; significa simplesmente culto ou evento p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Esta parte se baseia principalmente nas informa\u00e7\u00f5es de DE VAUX, Roland. <em>Ancient Israel<\/em>: Its Life and Institutions. London: Darton, 1973. p. 271-515 (= Part IV: Religious Institutions).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Os lugares altos (\u201caltares\u201d) mencionados no AT muitas vezes s\u00e3o relacionados com teofanias, \u00e1guas ou \u00e1rvores sagradas, pir\u00e2mides (zigurates) ou, a partir de certo momento, templos. O templo de Jerusal\u00e9m come\u00e7ou como templo privado da casa de Davi\/Salom\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Sobre algumas diferen\u00e7as na descri\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o elo\u00edsta e da sacerdotal, ver DE VAUX, 1973, p. 295.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Que ela era considerada pedestal ou trono do Deus invis\u00edvel \u00e9 um significado ulterior, que n\u00e3o aparece nas antigas tradi\u00e7\u00f5es narrativas. M\u00f3veis semelhantes aparecem tamb\u00e9m nas religi\u00f5es vizinhas (DE VAUX, 1973, p. 300).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Uma descri\u00e7\u00e3o bastante clara encontra-se na introdu\u00e7\u00e3o ao Lev\u00edtico da B\u00cdBLIA TEB &#8211; Tradu\u00e7\u00e3o Ecum\u00eanica da B\u00edblia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Lv 14 combina dois ritos: um arcaico, que v\u00ea a contamina\u00e7\u00e3o como obra do dem\u00f4nio, exigindo, portanto, um exorcismo; e um mais recente, equiparado aos ritos de purifica\u00e7\u00e3o lev\u00edtica (DE VAUX, 1973, p. 463).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Em 2Sm 1,10 a tradu\u00e7\u00e3o correta de <em>nezer<\/em> (do verbo <em>nazar<\/em>, separar) n\u00e3o \u00e9 coroa, mas sinal de consagra\u00e7\u00e3o (DE VAUX, 1973, p. 465).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> A cr\u00edtica liter\u00e1ria constata que Lv 23 \u00e9 uma confla\u00e7\u00e3o de duas tradi\u00e7\u00f5es, da\u00ed o texto ser um tanto complexo (DE VAUX, 1973, p. 473).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Resumimos aqui DE VAUX, 1973, p. 481-483.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> \u00c9 de lembrar que Jesus se apresenta como mediador da revela\u00e7\u00e3o em Mt 11,25-27\u2016Lc 10,21-22, e \u00e9 nesse papel que aparece em Ap 1,1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> O sentido da jun\u00e7\u00e3o do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo (seja quem for) \u00e9 que o amor a Deus se realiza no amor leal, generoso e justo para com o pr\u00f3ximo do qual ele \u00e9 o protetor; cf. Mc 12,28-34 par.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Marcos e Mateus trazem duas formas do relato, Lucas e Jo\u00e3o uma s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Nem sempre os hinos se deixam delinear com certeza no NT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Casos do que se chama \u201ca B\u00edblia antes da B\u00edblia\u201d (KONINGS, 2014, p. 61-62).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 A simbiose esquecida 2 A liturgia na B\u00edblia 2.1 A liturgia de Israel 2.1.1 Lugares 2.1.2 Atividades cultuais 2.1.3 Festas e celebra\u00e7\u00f5es 2.1.4 O calend\u00e1rio religioso 2.1.5 O s\u00e1bado 2.2 A liturgia no NT 2.2.1 Continuidade e ruptura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liturgia de Israel 2.2.2 A fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e o memorial [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1976","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1976"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2400,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1976\/revisions\/2400"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}