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{"id":1931,"date":"2020-02-24T13:54:32","date_gmt":"2020-02-24T16:54:32","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1931"},"modified":"2021-02-10T15:52:29","modified_gmt":"2021-02-10T17:52:29","slug":"fe-e-praxis-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1931","title":{"rendered":"F\u00e9 e pr\u00e1xis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Problem\u00e1tica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 F\u00e9 como pr\u00e1xis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Aspectos ou dimens\u00f5es da f\u00e9-pr\u00e1xis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.1 Dinamismo trinit\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.2 Eclesialidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.3 Historicidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.4 Ecologia integral<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.5 Tens\u00e3o escatol\u00f3gica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.6 Dimens\u00e3o intelectual<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.7 Parcialidade pelos pobres, marginalizados e sofredores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Relev\u00e2ncia e atualidade da problem\u00e1tica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Problem\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente, ningu\u00e9m nega de modo absoluto que exista algum v\u00ednculo entre \u201cf\u00e9 <em>e<\/em> pr\u00e1xis\u201d e desde o Conc\u00edlio Vaticano II tornou-se comum e constante a den\u00fancia de que o \u201cdiv\u00f3rcio entre a f\u00e9 professada e a vida cotidiana de muitos crentes deve ser enumerado entre os erros mais graves do nosso tempo\u201d (<em>GS<\/em> n.43). O problema reside na natureza desse v\u00ednculo. O \u201ce\u201d de \u201cf\u00e9 <em>e<\/em> pr\u00e1xis\u201d indica um v\u00ednculo meramente <em>externo e consecutivo<\/em> (rela\u00e7\u00e3o entre relatos autossuficientes e independentes) ou, antes e mais radicalmente, um v\u00ednculo <em>interno e constitutivo<\/em> (pr\u00e1xis como dinamismo pr\u00f3prio da f\u00e9 e f\u00e9 como forma de vida)? Noutras palavras: \u201cf\u00e9 <em>e<\/em> pr\u00e1xis\u201d s\u00e3o realidades completamente diferentes ou a f\u00e9 tem uma estrutura e um dinamismo pr\u00e1xicos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que o desenvolvimento da intelig\u00eancia da f\u00e9 segundo os c\u00e2nones da raz\u00e3o grega (<em>theo-logia<\/em> como <em>intellectus fidei<\/em>) foi levando a uma vis\u00e3o excessivamente intelectual da f\u00e9. Isso tanto no que diz respeito ao <em>objeto da f\u00e9<\/em> \u2013 \u201c<em>verdade<\/em> primeira\u201d (cf. <em>ST II-II<\/em>, q. 1, a. 1), quanto no que diz respeito ao <em>ato de crer<\/em> \u2013 \u201c<em>cogitar<\/em> com assentimento\u201d (<em>ST II-II<\/em>, q. 2, a. 1) e \u201c<em>confiss\u00e3o<\/em> das verdades da f\u00e9\u201d (<em>ST II-II<\/em>, q. 3, a. 1). E, se nos grandes te\u00f3logos medievais, como Tom\u00e1s de Aquino, a fineza e o rigor das distin\u00e7\u00f5es e das defini\u00e7\u00f5es ainda evitavam reducionismos e garantiam certo equil\u00edbrio na compreens\u00e3o da f\u00e9, isso vai se perdendo nos s\u00e9culos posteriores. Aos poucos foi se desenvolvendo e se impondo uma compress\u00e3o excessivamente intelectualista e intelectualizada da f\u00e9, entendida simplesmente como <em>assentimento a uma verdade<\/em>, como se a f\u00e9 fosse um ato meramente intelectual (assentimento) e como se o conte\u00fado da f\u00e9 fosse algo meramente intelectual (verdade). N\u00e3o por acaso, ainda hoje, a compreens\u00e3o mais comum de f\u00e9 tem a ver com ades\u00e3o a e confiss\u00e3o de doutrina. Nessa perspectiva, claro, a f\u00e9 aparece como algo completamente diferente de e anterior \u00e0 pr\u00e1xis (assentimento a uma verdade ou doutrina), ainda que se possa ou mesmo se deva estabelecer alguma rela\u00e7\u00e3o com ela (ilumina\u00e7\u00e3o da pr\u00e1xis ou aplica\u00e7\u00e3o na pr\u00e1xis). Trata-se, aqui, em todo caso, de um v\u00ednculo meramente externo e consecutivo: <em>rela\u00e7\u00e3o<\/em> entre <em>relatos<\/em> (f\u00e9 e pr\u00e1xis) que, em si e por si, nada t\u00eam a ver um com ou outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por tr\u00e1s dessa problem\u00e1tica est\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o excessivamente intelectualista e intelectualizada da f\u00e9 e uma concep\u00e7\u00e3o excessivamente emp\u00edrico-pragm\u00e1tica da pr\u00e1xis. E, no fundo, essas concep\u00e7\u00f5es reducionistas de f\u00e9 e de pr\u00e1xis se enra\u00edzam no dualismo ou na oposi\u00e7\u00e3o mais ou menos radical entre \u201cinteligir\u201d <em>e<\/em> \u201csentir\u201d que constitui e caracteriza a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental desde o in\u00edcio at\u00e9 os nossos dias e est\u00e1 na origem de muitos outros dualismos (cf. ZUBIRI, 2006a, p.19-26). Mas isso n\u00e3o faz <em>jus<\/em> \u00e0 f\u00e9, tal como \u00e9 vivida, compreendida e narrada na Sagrada Escritura e que tem em Jesus Cristo seu autor e realizador (cf. Hb 12,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 F\u00e9 como pr\u00e1xis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente, a f\u00e9 tem uma dimens\u00e3o intelectual irredut\u00edvel, mas n\u00e3o se reduz a essa dimens\u00e3o intelectual. Nem enquanto ato (envolve a vida humana em sua totalidade), nem quanto ao seu conte\u00fado (realidade mesma de Deus). A f\u00e9 \u00e9 o ato pelo qual, na for\u00e7a e no poder do Esp\u00edrito, nos entregamos a Deus e procuramos configurar nossa vida segundo o dinamismo e o des\u00edgnio de Deus, tais como foram manifestados na vida de Jesus Cristo. E esse ato de entrega a Deus e configura\u00e7\u00e3o da vida envolve e implica a vida do crente em todas as suas dimens\u00f5es. \u00c9 nesse sentido que falamos da f\u00e9 como <em>pr\u00e1xis<\/em>; uma pr\u00e1xis que envolve a <em>totalidade da vida<\/em> (intelec\u00e7\u00e3o, sentimento, voli\u00e7\u00e3o) (cf. ZUBIRI, 1998, p.11-41; 2006a, p.281-285).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA f\u00e9 designa o ato pelo qual a salva\u00e7\u00e3o que teve lugar em Cristo alcan\u00e7a as pessoas e as comunidades, transformando-as e iniciando uma nova cria\u00e7\u00e3o\u201d (GONZ\u00c1LEZ, 2005, p.369). Ela \u00e9, antes de tudo, obra de Deus em n\u00f3s e, enquanto tal, um \u201cdom\u201d (Ef 2,8); mas um dom que, uma vez acolhido, recria-nos, inserindo-nos ativamente em seu pr\u00f3prio dinamismo: \u201ccriados em Cristo Jesus em vista das boas obras que preparou de antem\u00e3o para que nelas caminh\u00e1ssemos\u201d (Ef 2,10). \u00c9, portanto, dom e tarefa: algo que recebemos para realizar. N\u00e3o existe contradi\u00e7\u00e3o entre o car\u00e1ter gracioso da f\u00e9 (dom) e seu car\u00e1ter ativo-pr\u00e1xico (tarefa). Sendo obra de Deus em n\u00f3s, \u00e9 tamb\u00e9m tarefa nossa em Deus. Enquanto entrega confiante a Deus e configura\u00e7\u00e3o da vida segundo Deus, a f\u00e9 \u201cn\u00e3o \u00e9 algo que acontece em uma subjetividade passiva, alheia a nossa pr\u00e1xis\u201d, mas uma \u201cestrutura\u00e7\u00e3o concreta de nossa pr\u00e1xis\u201d. Neste sentido, diz Gonz\u00e1lez, \u201co crer n\u00e3o \u00e9 algo anterior \u00e0 pr\u00e1xis humana, como se quando cremos n\u00e3o estiv\u00e9ssemos j\u00e1 tamb\u00e9m exercitando uma pr\u00e1xis (&#8230;). O crer \u00e9 sempre um p\u00f4r-se a caminho (&#8230;) para um futuro que \u00e9 de Deus\u201d (GONZ\u00c1LEZ, 2005, p.372). E esse \u201cp\u00f4r-se a caminho\u201d \u00e9, em sentido estrito, uma pr\u00e1xis: pr\u00e1xis crente ou f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na medida em que esse caminho se identifica com a vida de Jesus Cristo, a pr\u00e1xis crist\u00e3 ou a f\u00e9 crist\u00e3 se configura como seguimento de Jesus Cristo. As Escrituras falam de Jesus como o Caminho (cf. Jo 14,6) e falam dos crist\u00e3os como membros do Caminho e da vida crist\u00e3 como participa\u00e7\u00e3o no Caminho (cf. At 9,2; 18,25.26; 19,9.23; 22,4; 24,14. 22). N\u00e3o por acaso, Jon Sobrino fala do \u201cseguimento de Jesus\u201d como \u201cf\u00f3rmula breve do cristianismo\u201d (cf. SOBRINO, 1999, p.771). E n\u00e3o por acaso se tornou comum na Am\u00e9rica Latina falar da f\u00e9 crist\u00e3 como seguimento de Jesus (cf. AQUINO J\u00daNIOR, 2017, p.19-50). \u00c9 que, como diz Ellacur\u00eda, \u201cse o caminho de Deus aos homens \u00e9 Jesus de Nazar\u00e9, o caminho do homem a Deus \u00e9 o seguimento desse mesmo Jesus de Nazar\u00e9\u201d (ELLACUR\u00cdA, 2000, p.642).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Aspectos ou dimens\u00f5es da f\u00e9-pr\u00e1xis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto entrega a Deus e configura\u00e7\u00e3o da vida segundo Deus, a f\u00e9 tem um dinamismo pr\u00e1xico. Ela consiste na estrutura\u00e7\u00e3o de nossa vida em Deus e a partir de Deus. Trata-se de um dinamismo muito complexo que envolve o mist\u00e9rio de Deus e a totalidade da nossa vida; um dinamismo no qual se podem distinguir muitos aspectos, dentre os quais destacaremos seu car\u00e1ter trinit\u00e1rio, eclesial e hist\u00f3rico, sua dimens\u00e3o ecol\u00f3gica, escatol\u00f3gica e intelectual e sua parcialidade pelos pobres e marginalizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.1 Dinamismo trinit\u00e1rio<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto entrega a Deus e configura\u00e7\u00e3o da vida segundo seu pr\u00f3prio dinamismo e seu des\u00edgnio salv\u00edfico para a humanidade, a f\u00e9 crist\u00e3 est\u00e1 constitutiva e radicalmente determinada pelo modo de ser\/agir de Deus na hist\u00f3ria de Israel e, definitivamente, na vida\/pr\u00e1xis de Jesus de Nazar\u00e9. N\u00e3o se pode compreender a f\u00e9 crist\u00e3 sen\u00e3o a partir e em fun\u00e7\u00e3o do Deus de Israel e de Jesus de Nazar\u00e9. Ela \u00e9 resposta \u00e0 proposta desse Deus. A iniciativa \u00e9 dele (proposta). Mas, para se tornar real e efetiva, precisa ser assumida na for\u00e7a e no poder do Esp\u00edrito por uma pessoa e\/ou um povo (resposta).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os crist\u00e3os, o mist\u00e9rio de Deus e a vida de Jesus de Nazar\u00e9 s\u00e3o insepar\u00e1veis. S\u00f3 se pode falar de um em refer\u00eancia ao outro. A confiss\u00e3o de Jesus como Filho de Deus, implica e\/ou pressup\u00f5e a confiss\u00e3o de Deus como Pai de Jesus. N\u00e3o se pode falar de Deus sen\u00e3o a partir de Jesus: \u201cEu e o Pai somos um\u201d (Jo 10,30); \u201cquem me v\u00ea, v\u00ea o Pai\u201d (Jo 14,9). Da\u00ed a confiss\u00e3o de Deus como Pai: Creio em Deus Pai&#8230; A nomea\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria de Deus nasceu desse esfor\u00e7o de falar de Deus a partir de Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus revela Deus como Pai na medida em que se relaciona com ele como Filho: atitude de confian\u00e7a, obedi\u00eancia, fidelidade at\u00e9 a morte e morte de cruz. Nisso precisamente consiste a f\u00e9. Isso faz de Jesus um homem de f\u00e9 no sentido mais aut\u00eantico e profundo da palavra (cf. VON BALTHASAR, 1964, p.57-96). E isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel na for\u00e7a e no poder do Esp\u00edrito. \u00c9 a dimens\u00e3o pneumatol\u00f3gica da revela\u00e7\u00e3o e da f\u00e9 em Jesus Cristo. \u00c9 na for\u00e7a e no poder do Esp\u00edrito (santifica\u00e7\u00e3o) que Jesus se relaciona com Deus como um Filho (filia\u00e7\u00e3o) e, assim, revela Deus como Pai (paternidade).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Jesus n\u00e3o \u00e9 apenas um exemplo ou modelo de f\u00e9. Enquanto autor e consumador da f\u00e9 (cf. Hb 12,2), \u00e9 mediador da f\u00e9 (cf. 1 Tm 2,5; Hb 12,24). A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 participa\u00e7\u00e3o na f\u00e9 de Jesus Cristo. Paulo fala muitas vezes da <em>p\u00edstis Ieso\u00fb Christo\u00fb<\/em>, relacionando-a com nossa justifica\u00e7\u00e3o (cf. Gl 2,16.20; 3,22; Fl 3,9; Rm 3,22.26; Ef 3,12). Embora a tend\u00eancia mais comum seja traduzir essa express\u00e3o por \u201cf\u00e9 em Jesus Cristo\u201d (genitivo objetivo), parece mais de acordo com a teologia paulina da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 sua tradu\u00e7\u00e3o por \u201cf\u00e9 de Jesus Cristo\u201d (genitivo subjetivo). N\u00e3o somos n\u00f3s que nos justificamos a n\u00f3s mesmos. \u00c9 Deus mesmo quem nos justifica atrav\u00e9s da f\u00e9 de Jesus Cristo e atrav\u00e9s de seu Esp\u00edrito. Nossa f\u00e9 consiste em participa\u00e7\u00e3o na f\u00e9 de Jesus que \u00e9 a f\u00e9 que nos justifica (cf. AQUINO J\u00daNIOR, 2017, p.29-32). Da\u00ed o car\u00e1ter ou o dinamismo trinit\u00e1rio de nossa f\u00e9: participa\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o de Jesus com o Pai (dimens\u00e3o cristol\u00f3gica) na for\u00e7a e no poder do Esp\u00edrito (dimens\u00e3o pneumatol\u00f3gica).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.2 Eclesialidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A participa\u00e7\u00e3o na f\u00e9 de Jesus, enquanto entrega confiante ao Pai e configura\u00e7\u00e3o da vida a partir e em fun\u00e7\u00e3o de seu des\u00edgnio salv\u00edfico, \u00e9 mediada pela Igreja e constitui-nos como Igreja \u2013 seu corpo vivo e atuante na hist\u00f3ria. \u00c9 a dimens\u00e3o eclesial da f\u00e9 em seu duplo aspecto de <em>media\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>incorpora\u00e7\u00e3o<\/em> (cf. LIBANIO, 2000, p.249-259).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 de Jesus chega a n\u00f3s <em>atrav\u00e9s da Igreja<\/em>. N\u00e3o obstante todas as suas ambiguidades e contradi\u00e7\u00f5es (pecado), \u00e9 a Igreja quem, na for\u00e7a e no poder do Esp\u00edrito, conserva e transmite a f\u00e9 de Jesus (santidade). N\u00e3o se pode falar de f\u00e9 crist\u00e3 independentemente da Igreja. A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 a f\u00e9 <em>da<\/em> Igreja. Por isso, no batismo de crian\u00e7as, ap\u00f3s a profiss\u00e3o de f\u00e9, sempre se recorda: \u201cEsta \u00e9 a nossa f\u00e9, que da Igreja recebemos e sinceramente professamos (&#8230;)\u201d. E, antes de batizar a crian\u00e7a, pergunta-se aos pais e padrinhos se querem que ela \u201cseja batizada na f\u00e9 da Igreja que acabamos de professar\u201d. A f\u00e9 \u00e9 dom\/gra\u00e7a de Deus em Jesus Cristo e no seu Esp\u00edrito atrav\u00e9s da Igreja que, \u201cna sua doutrina, na sua vida e no seu culto\u201d (<em>DV<\/em> n.8), conserva, transmite e atualiza a f\u00e9 de Jesus e, assim, constitui-se, em sentido estrito, como Tradi\u00e7\u00e3o de Jesus. E, enquanto media\u00e7\u00e3o da f\u00e9, a Igreja faz parte do des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus para a humanidade. \u00c9 obra do Esp\u00edrito, como indica o terceiro artigo do s\u00edmbolo da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 chega a n\u00f3s atrav\u00e9s da Igreja (media\u00e7\u00e3o) e <em>constitui-nos como Igreja<\/em>: povo de Deus, corpo de Cristo, templo do Esp\u00edrito (incorpora\u00e7\u00e3o). A eclesialidade da f\u00e9 diz respeito n\u00e3o apenas ao fato de ser mediada pela Igreja (f\u00e9 <em>da<\/em> Igreja), mas tamb\u00e9m ao fato de ser vivida na Igreja e como Igreja (f\u00e9 <em>em<\/em> Igreja). A f\u00e9 nos re\u00fane e nos constitui como Igreja \u2013 \u201cuna, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica\u201d, como reza o s\u00edmbolo niceno-constantinopolitano (<em>DH<\/em> n.150) \u2013 no duplo sentido ou aspecto de que fala o Conc\u00edlio Vaticano II: \u201csinal e instrumento\u201d de salva\u00e7\u00e3o ou do reinado de Deus no mundo (cf. <em>LG<\/em> n.1, 5, 9, 48; <em>GS<\/em> n.45; <em>AG<\/em> n.1, 5). Enquanto sinal, \u00e9 lugar privilegiado de mem\u00f3ria, celebra\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia da salva\u00e7\u00e3o ou do reinado de Deus (configura\u00e7\u00e3o da vida segundo o des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus). Enquanto instrumento, \u00e9 media\u00e7\u00e3o privilegiada da salva\u00e7\u00e3o ou do reinado de Deus no mundo (fermento, sal, luz, semente, germe da salva\u00e7\u00e3o ou do reinado de Deus na sociedade). Sem esquecer, claro, que \u201cfora de sua realidade vis\u00edvel, encontram-se muitos elementos de santidade e de verdade\u201d (<em>LG<\/em> n.8). E n\u00e3o s\u00f3 nas outras Igrejas crist\u00e3s, mas tamb\u00e9m nas outras religi\u00f5es e nos v\u00e1rios setores e inst\u00e2ncias da sociedade. Da\u00ed a exorta\u00e7\u00e3o conciliar ao di\u00e1logo ecum\u00eanico (cf. <em>UR<\/em>), ao di\u00e1logo inter-religioso (cf. <em>NA<\/em>) e ao di\u00e1logo com o mundo atual (cf. <em>GS<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.3 Historicidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A historicidade da f\u00e9 diz respeito n\u00e3o apenas ao fato de ser vivida na <em>hist\u00f3ria<\/em> (tempo-espa\u00e7o-contexto), mas, tamb\u00e9m e mais radicalmente, ao fato de ser vivida de modo <em>hist\u00f3rico<\/em> (dinamismo pr\u00e1xico). A hist\u00f3ria consiste formalmente no processo de \u201centrega\u201d e \u201capropria\u00e7\u00e3o\u201d de \u201cpossibilidades\u201d de estar na realidade e de fazer a vida de uma determinada maneira (cf. ZUBIRI, 2006b, p.71-101; ELLACUR\u00cdA, 1999, p.491-602). \u00c9, em sentido estrito, \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d (entrega) e tem um car\u00e1ter ou dinamismo fundamentalmente pr\u00e1xico (apropria\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de possibilidades).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse car\u00e1ter ou dinamismo pr\u00e1xico da f\u00e9 (apropria\u00e7\u00e3o-transmiss\u00e3o) pressup\u00f5e e implica o dom da f\u00e9 (entrega) e exige ousadia e criatividade (media\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A insist\u00eancia no car\u00e1ter pr\u00e1xico da f\u00e9 n\u00e3o p\u00f5e em risco o primado da Gra\u00e7a nem, consequentemente, cai na tenta\u00e7\u00e3o da autossufici\u00eancia e autossalva\u00e7\u00e3o humanas, como se a salva\u00e7\u00e3o fosse fruto de nossa a\u00e7\u00e3o, antes que dom gratuito de Deus em Jesus e seu Esp\u00edrito. Como bem afirma Sobrino, \u201ctem sido um erro frequente situar a experi\u00eancia da gratuidade no que recebemos, como se a a\u00e7\u00e3o fosse meramente \u2018obra\u2019 do homem\u201d. Na verdade, diz ele, \u201co dom se experimenta como dom na pr\u00f3pria doa\u00e7\u00e3o\u201d (SOBRINO, 1977, p.193). Na formula\u00e7\u00e3o de Antonio Gonz\u00e1lez, \u201ca a\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o \u00e9, sem mais, \u2018obra\u2019 do homem, mas \u2018o dom se experimenta como dom na pr\u00f3pria doa\u00e7\u00e3o\u2019, enquanto [seu] fundamento\u201d. Deste modo, conclui, \u201ca f\u00e9 \u00e9 atividade humana enquanto <em>entrega<\/em> a Deus como fundamento da pr\u00f3pria vida\u201d (GONZ\u00c1LEZ, 1994, p.68 et seq.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso \u00e9 um risco ou uma aventura, na medida em que depende, em boa medida, da situa\u00e7\u00e3o ou do contexto em que nos encontramos e das reais possibilidades (materiais, biol\u00f3gicas, sexuais, ps\u00edquicas, sociais, pol\u00edticas, culturais, religiosas etc.) com que se conta em cada caso. De modo que a f\u00e9, sendo sempre a mesma (participa\u00e7\u00e3o na f\u00e9 de Jesus), \u00e9 sempre diversa (f\u00e9 dos crist\u00e3os em contextos e situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas diversas). O grande desafio, aqui, consiste em discernir e escolher em cada caso ou situa\u00e7\u00e3o, entre as possibilidades dispon\u00edveis, as mais adequadas e fecundas para a configura\u00e7\u00e3o de nossa vida e de nosso mundo segundo o dinamismo de vida suscitado por Jesus e seu Esp\u00edrito. Embora nenhuma possibilidade concreta seja absolutamente adequada, no sentido de esgotar as potencialidades desse dinamismo, algumas s\u00e3o mais (in)adequadas que outras. Da\u00ed que a f\u00e9 comporte sempre algo de risco e aposta. Mas um risco e aposta inevit\u00e1veis, sob pena de se transformar a f\u00e9 em pura abstra\u00e7\u00e3o, idealismo ou fundamentalismo. \u00c9 a problem\u00e1tica da media\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.4 Ecologia integral<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 envolve a totalidade da vida humana. E, nesse sentido, tem um car\u00e1ter ecol\u00f3gico fundamental, entendido na perspectiva da \u201cecologia integral\u201d de que fala o papa Francisco em sua Enc\u00edclica <em>Laudato Si<\/em> \u201csobre o cuidado da casa comum\u201d. Envolve as dimens\u00f5es ambiental, econ\u00f4mica, social e cultural, a vida cotidiana, o bem comum e a justi\u00e7a intergeneracional (cf. <em>LS<\/em> n.137-162). Todas as dimens\u00f5es da vida devem ser configuradas segundo o des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus manifestado em Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente, pode-se destacar um ou outro aspecto, uma ou outra dimens\u00e3o da f\u00e9. Seja na vida dos crentes e de suas comunidades, seja em diferentes situa\u00e7\u00f5es e contextos hist\u00f3ricos. Pode-se dar uma \u00eanfase maior \u00e0 dimens\u00e3o pessoal, social ou ambiental, ao car\u00e1ter de dom ou de tarefa, aos aspectos materiais ou espirituais, \u00e0 dimens\u00e3o doutrinal, lit\u00fargica ou existencial, \u00e0s quest\u00f5es eclesiais ou hist\u00f3ricas, \u00e0 dimens\u00e3o sapiencial ou prof\u00e9tica, ao presente ou ao porvir etc. Em princ\u00edpio, n\u00e3o h\u00e1 nenhum problema aqui. Isso \u00e9 poss\u00edvel, normal e at\u00e9 mesmo inevit\u00e1vel. Os contextos e as circunst\u00e2ncias pessoais, eclesiais, sociais e hist\u00f3ricas exigem e for\u00e7am uma aten\u00e7\u00e3o ou um cuidado particular a certas dimens\u00f5es da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema come\u00e7a quando essa aten\u00e7\u00e3o ou esse cuidado especial vai sendo, consciente ou inconscientemente, expl\u00edcita ou implicitamente, absolutizado. Aos poucos, a f\u00e9 vai sendo reduzida a uma de suas dimens\u00f5es ou a um departamento da vida e, assim, vai perdendo seu horizonte de totalidade e seu poder de configura\u00e7\u00e3o de toda nossa vida segundo o des\u00edgnio de Deus manifestado em Jesus Cristo e realizado na for\u00e7a do seu Esp\u00edrito. \u00c9 sempre um risco. E a situa\u00e7\u00e3o pode se complicar ainda mais quando se perde de vista que, na f\u00e9, h\u00e1 aspectos ou dimens\u00f5es que s\u00e3o mais radicais e essenciais que outros ou, pior ainda, quando se invertem as prioridades. Por a\u00ed se pode entender a insist\u00eancia dos profetas na pr\u00e1tica do direito e da justi\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao culto e a centralidade que o NT d\u00e1 \u00e0 pr\u00e1tica do amor fraterno em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas religiosas e \u00e0 gnose, bem como a \u00eanfase na operatividade da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, aqui, um tr\u00edplice desafio a ser enfrentado: a) precisamos estar atentos \u00e0s necessidades e aos imperativos dos diferentes contextos e das diversas circunst\u00e2ncias; b) as necessidades epocais e circunstanciais n\u00e3o podem nos levar a um reducionismo da f\u00e9 a um de seus aspectos ou dimens\u00f5es; c) n\u00e3o podemos perder de vista que h\u00e1 aspectos ou dimens\u00f5es que s\u00e3o mais radicais e essenciais que outros: a realiza\u00e7\u00e3o da vontade de Deus que consiste no amor fraterno e na pr\u00e1tica da justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.5 Tens\u00e3o escatol\u00f3gica<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na medida em que todos os aspectos ou dimens\u00f5es da vida humana devem ser configurados segundo o dinamismo e o des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus, nada em nossa vida \u00e9 indiferente a Deus. Tudo se realiza, em \u00faltima inst\u00e2ncia, consciente ou inconscientemente, como afirma\u00e7\u00e3o (f\u00e9) ou nega\u00e7\u00e3o (pecado) de Deus e de seu des\u00edgnio salv\u00edfico. E, nesse sentido, tudo em nossa vida tem um car\u00e1ter escatol\u00f3gico: \u00faltimo, definitivo. Mas, na medida em que nossa vida tem um dinamismo hist\u00f3rico-pr\u00e1xico, condicionado, positiva ou negativamente, pelas possibilidades pessoais, sociais, eclesiais e hist\u00f3ricas com que se conta em cada \u00e9poca e em cada momento, \u00e9 sempre um processo limitado, contingente, amb\u00edguo e n\u00e3o raras vezes contradit\u00f3rio. E isso vale tamb\u00e9m para a f\u00e9 enquanto modo de viver a vida em Deus e segundo Deus, conforme indicamos acima ao falarmos da f\u00e9 como um risco e uma aposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhuma express\u00e3o ou forma concreta de viver a f\u00e9 pode ser absolutizada, por mais leg\u00edtima e consequente que seja. Nem muito menos se pode reduzir a realidade e o des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus a uma de suas express\u00f5es hist\u00f3ricas. Se a f\u00e9 implica sempre media\u00e7\u00f5es concretas, ela n\u00e3o se esgota em nenhuma de suas media\u00e7\u00f5es que, ademais, s\u00e3o sempre limitadas e amb\u00edguas. E o mist\u00e9rio amoroso de Deus e seu des\u00edgnio salv\u00edfico para a humanidade n\u00e3o se identificam com nenhum acontecimento, experi\u00eancia ou media\u00e7\u00e3o. H\u00e1 sempre <em>um mais<\/em>, <em>um excesso<\/em>, que relativiza as experi\u00eancias e media\u00e7\u00f5es, por mais aut\u00eanticas e intensas que sejam, mantendo nossa vida e nossa hist\u00f3ria abertas para al\u00e9m de si mesmas e conduzindo-as para a plena comunh\u00e3o com Deus. Aquilo que Oscar Cullmann, ao tratar do reino ou do reinado dos c\u00e9us no Evangelho segundo Mateus, no contexto das controv\u00e9rsias escatol\u00f3gicas \u2013 \u201cescatologia consequente\u201d X \u201cescatologia realizada\u201d \u2013 formulou em termos de \u201cj\u00e1\u201d e \u201cainda n\u00e3o\u201d (cf. CULMANN, 1966, p.38-39) e que se convencionou chamar na teologia de \u201ctens\u00e3o escatol\u00f3gica\u201d: o reinado de Deus <em>j\u00e1<\/em> est\u00e1 presente no mundo, mas <em>ainda n\u00e3o<\/em> se realizou plenamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto entrega a Deus e configura\u00e7\u00e3o da vida segundo Deus, a f\u00e9 se constitui como <em>sinal e media\u00e7\u00e3o<\/em> do reinado de Deus no mundo (<em>j\u00e1<\/em>). Enquanto processo hist\u00f3rico, sempre limitado e nunca isento de ambiguidades e contradi\u00e7\u00f5es, a f\u00e9 tem sempre algo de <em>relativo e provis\u00f3rio<\/em> e sempre aponta e conduz para o mist\u00e9rio inesgot\u00e1vel de Deus at\u00e9 que \u201cDeus seja tudo em todos\u201d (cf. 1Cor 15,28) (<em>ainda n\u00e3o<\/em>). \u00c9 a tens\u00e3o escatol\u00f3gica que caracteriza a f\u00e9 enquanto dinamismo pr\u00e1xico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.6 Dimens\u00e3o intelectual<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o se reduza a um ato meramente intelectual, a f\u00e9 tem uma dimens\u00e3o intelectual fundamental e irredut\u00edvel. E n\u00e3o se trata apenas de relacionar f\u00e9 <em>e<\/em> raz\u00e3o, como se fosse poss\u00edvel pensar uma f\u00e9 completamente desprovida de raz\u00e3o, mesmo que depois se pudesse ou devesse estabelecer alguma rela\u00e7\u00e3o entre elas. N\u00e3o existe f\u00e9 sem raz\u00e3o. S\u00f3 um animal inteligente-livre \u00e9 capaz de optar por entregar-se a Deus e fazer a vida segundo Deus. Se a <em>op\u00e7\u00e3o<\/em> (f\u00e9) se concretiza como <em>apropria\u00e7\u00e3o<\/em> de algo como possibilidade de vida (liberdade), ela pressup\u00f5e e implica sua <em>apreens\u00e3o<\/em> como realidade (intelig\u00eancia). S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel apropriar-se de algo como <em>possibilidade<\/em> de vida (f\u00e9), na medida em que esse algo \u00e9 apreendido como <em>realidade<\/em>, isto \u00e9, como alteridade radical (dimens\u00e3o intelectual). De modo que, vale insistir e repetir, a f\u00e9 tem uma dimens\u00e3o intelectual fundamental e irredut\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas essa dimens\u00e3o intelectual da f\u00e9 \u00e9 muito mais complexa do que pode parecer \u00e0 primeira vista. Tanto em seu dinamismo interno, quanto em sua configura\u00e7\u00e3o e em seu desenvolvimento hist\u00f3ricos (cf. AQUINO J\u00daNIOR, 2016, p.262-263).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de tudo, \u00e9 preciso ter presente que essa dimens\u00e3o intelectual da f\u00e9, por mais irredut\u00edvel e aut\u00f4noma que seja, n\u00e3o consiste em mera opera\u00e7\u00e3o mental (cogita\u00e7\u00e3o e confiss\u00e3o) que se desenvolve \u00e0 margem e\/ou em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 sua dimens\u00e3o corp\u00f3rea e ao seu car\u00e1ter pr\u00e1xico. Enquanto momento constitutivo da a\u00e7\u00e3o humana (intelig\u00eancia-sentimento-voli\u00e7\u00e3o), a intelec\u00e7\u00e3o tem a ver com sentimento (<em>intelig\u00eancia sentinte<\/em>) e com voli\u00e7\u00e3o (<em>intelig\u00eancia determinante<\/em>). O desenvolvimento da intelig\u00eancia da f\u00e9 \u00e9 insepar\u00e1vel da viv\u00eancia da f\u00e9 como realidade corp\u00f3reo-pr\u00e1xica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do mais, n\u00e3o se pode identificar a dimens\u00e3o intelectual da f\u00e9 com sua forma ocidental, desenvolvida no encontro e na intera\u00e7\u00e3o com a filosofia grega. A <em>intelig\u00eancia da f\u00e9<\/em> (teologia num sentido lato) \u00e9 algo bem mais amplo e complexo que a <em>intelig\u00eancia racional da f\u00e9<\/em> (teologia no sentido cl\u00e1ssico estrito). A teo-<em>logia<\/em> como discurso racional da f\u00e9 nunca foi a \u00fanica nem a forma predominante de intelig\u00eancia da f\u00e9. Nem sequer no Ocidente (cf. BEVANS, 2004, p.44-45). Na verdade, a intelig\u00eancia da f\u00e9 se desenvolveu e se desenvolve muito mais de modo narrativo-simb\u00f3lico-lit\u00fargico-experiencial que de modo te\u00f3rico-conceitual. N\u00e3o se trata de contrapor a <em>forma te\u00f3rico-conceitual<\/em> \u00e0 <em>forma simb\u00f3lico-sapiencial<\/em> de intelig\u00eancia da f\u00e9. Trata-se simplesmente de atentar para a diversidade de formas de intelig\u00eancia da f\u00e9 e seu m\u00fatuo enriquecimento (cf. AQUINO J\u00daNIOR, 2018, p.98-103).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.7 Parcialidade pelos pobres, marginalizados e sofredores<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na medida em que a f\u00e9 diz respeito \u00e0 atitude global de entrega, confian\u00e7a, obedi\u00eancia e fidelidade a Deus e ao dinamismo vital que essa atitude desencadeia, alimenta e conduz e na medida em que Deus se revela na hist\u00f3ria de Israel e na vida de Jesus Cristo como partid\u00e1rio pelos pobres, marginalizados e sofredores, a f\u00e9 nesse Deus \u00e9 essencial e constitutivamente parcial pelos pobres, marginalizados e sofredores. Entregar-se a Deus e configurar a vida a partir e em fun\u00e7\u00e3o dele implica entrar em seu dinamismo salv\u00edfico no mundo que, por mais escandaloso que seja ou pare\u00e7a, d\u00e1-se a partir e em fun\u00e7\u00e3o dos pobres, marginalizados e sofredores. A f\u00e9 em um Deus parcial implica participa\u00e7\u00e3o em sua parcialidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o por acaso a defesa e o cuidado dos pobres, marginalizados e sofredores ocupam um lugar t\u00e3o central na Escritura e na Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. Como recorda o papa Francisco, \u201ctodo o caminho da nossa reden\u00e7\u00e3o est\u00e1 assinalado pelos pobres\u201d (<em>EG<\/em> n.179), \u201cexiste um v\u00ednculo indissol\u00favel entre nossa f\u00e9 e os pobres\u201d (<em>EG<\/em> n.48). E a tal ponto que ficar \u201csurdo\u201d ao clamor dos pobres \u201ccoloca-nos fora da vontade do Pai e do seu projeto\u201d; \u201ca falta de solidariedade, nas suas necessidades, influi diretamente sobre nossa rela\u00e7\u00e3o com Deus\u201d (<em>EG<\/em> n.187). Dito positivamente, o \u201clembrar-se dos pobres\u201d (Gl 2, 10) ou \u201ca op\u00e7\u00e3o pelos \u00faltimos, por aqueles que a sociedade descarta e lan\u00e7a fora\u201d continua sendo o \u201ccrit\u00e9rio-chave de autenticidade\u201d eclesial (<em>EG<\/em> n.195). Ou ainda, como afirmava Jo\u00e3o Paulo II em sua Carta Apost\u00f3lica <em>Novo Millennio Ineunte<\/em>, Mt 25, 35-36 \u201cn\u00e3o \u00e9 um mero convite \u00e0 caridade, mas uma p\u00e1gina de cristologia que projeta um feixe de luz sobre o mist\u00e9rio de Cristo. Nesta p\u00e1gina, n\u00e3o menos do que faz com a vertente da ortodoxia, a Igreja mede sua fidelidade de Esposa de Cristo\u201d (<em>NMI<\/em> n.49).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como tantas vezes insistiu Gustavo Guti\u00e9rrez, embora possam existir outras raz\u00f5es importantes e leg\u00edtimas (an\u00e1lise social, compaix\u00e3o humana, experi\u00eancia direta da pobreza), \u201co motivo \u00faltimo do que se chama \u2018op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres\u2019 encontra-se no Deus em quem cremos\u201d (GUTI\u00c9RREZ, 2000a, p.27). Trata-se, portanto e em sentido estrito, de \u201cuma op\u00e7\u00e3o teoc\u00eantrica e prof\u00e9tica que deita ra\u00edzes na gratuidade do amor de Deus\u201d (GUTI\u00c9RREZ, 2000b, p.25); uma op\u00e7\u00e3o que \u201cest\u00e1 impl\u00edcita na f\u00e9 cristol\u00f3gica naquele Deus que se fez pobre por n\u00f3s, para enriquecer-nos com sua pobreza\u201d (BENTO XVI, 2007, p.255); uma op\u00e7\u00e3o que \u201cfaz parte de nossa f\u00e9 pneumatol\u00f3gica\u201d (CODINA, 2015, p.183).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Relev\u00e2ncia e atualidade da problem\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na medida em que diz respeito \u00e0 estrutura e ao dinamismo da f\u00e9 em sua complexidade e globalidade, a problem\u00e1tica f\u00e9-pr\u00e1xis ou o dinamismo pr\u00e1xico da f\u00e9 \u00e9 algo extremamente relevante e decisivo na viv\u00eancia da f\u00e9. Nisso se joga em boa medida sua efic\u00e1cia e sua relev\u00e2ncia hist\u00f3rico-salv\u00edficas. E na medida em que esse dinamismo pr\u00e1xico da f\u00e9 \u00e9 comprometido por um \u201cdiv\u00f3rcio entre a f\u00e9 professada e a vida cotidiana\u201d (<em>GS<\/em> n.43) ou por uma oposi\u00e7\u00e3o entre Deus e o homem ou por algum reducionismo doutrinal, ritual, individualista, espiritualista ou materialista etc. da f\u00e9, essa problem\u00e1tica torna-se ainda mais atual e relevante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em boa medida, pode-se dizer que todo movimento de reforma eclesial desencadeado pelo Conc\u00edlio Vaticano II e sua recep\u00e7\u00e3o latino-americana e retomado com vigor e criatividade pelo papa Francisco gira em torno dessa problem\u00e1tica. O movimento de abertura e di\u00e1logo com o mundo moderno (Vaticano II), de inser\u00e7\u00e3o no mundo dos pobres (Am\u00e9rica Latina), de sa\u00edda para as periferias do mundo (papa Francisco) tem no dinamismo pr\u00e1xico da f\u00e9 seu fundamento e sua raz\u00e3o de ser. Est\u00e1 em jogo, aqui, nada menos que \u201ca voca\u00e7\u00e3o universal \u00e0 santidade\u201d (cf. <em>LG<\/em> n.39-42) ou a \u201cchamada \u00e0 santidade no mundo atual\u201d (cf. <em>GE<\/em>) que, sendo <em>dom de Deus<\/em> em Jesus Cristo e no seu Esp\u00edrito, \u00e9 <em>tarefa nossa<\/em>, vivida sempre nos limites de nossas possibilidades e na for\u00e7a do Esp\u00edrito que nos foi dado. Nesse sentido, como afirmamos acima, a f\u00e9 \u00e9 um <em>dom<\/em> (Ef 2, 8), mas um dom que, uma vez acolhido, recria-nos, inserindo-nos ativamente em seu pr\u00f3prio <em>dinamismo<\/em> (Ef 2, 10); \u00e9 um <em>dom<\/em> que s\u00f3 se vive na <em>doa\u00e7\u00e3o<\/em> de si. Nisso, precisamente, consiste o car\u00e1ter pr\u00e1xico da f\u00e9 que tem no Deus de Jesus Cristo sua fonte e seu dinamismo, que envolve todos os \u00e2mbitos e todas as dimens\u00f5es da vida, que se vive sempre em situa\u00e7\u00f5es e contextos bem concretos, que n\u00e3o se esgota em nenhuma situa\u00e7\u00e3o e em nenhum momento da vida e que mant\u00e9m nossa vida e nossa hist\u00f3ria abertas para al\u00e9m de si mesmas, conduzindo-as, nos passos de Jesus e na for\u00e7a e no poder do Esp\u00edrito, para a plena comunh\u00e3o com Deus&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Francisco Aquino J\u00fanior &#8211;\u00a0<\/em>Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco. Texto original portugu\u00eas. Postado em fevereiro de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AQUINO J\u00daNIOR, Francisco. Quest\u00f5es fundamentais de teologia da liberta\u00e7\u00e3o. <em>Perspectiva Teol\u00f3gica<\/em> n.48, p.245-268, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Nas periferias do mundo<\/em>: F\u00e9 \u2013 Igreja \u2013 Sociedade. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Teologia e filosofia<\/em>: Problemas de fronteira. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BENTO XVI. Discurso Inaugural. In: CELAM. <em>Documento de Aparecida<\/em>. Bras\u00edlia: CNBB \/ S\u00e3o Paulo: Paulinas; Paulus, 2007. p.249-266.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BEVANS, Stephen. <em>Modelos de teolog\u00eda contextual<\/em>: edici\u00f3n revisada y aumentada. Quito: Verbo Divino \u2013 Spiritus, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CODINA, V\u00edctor. <em>El Esp\u00edritu del Se\u00f1or act\u00faa desde abajo<\/em>. Malia\u00f1o: Sal Terrae, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CULLMANN, Oscar. <em>Einf\u00fcrung in das Neue Testament<\/em>. M\u00fcnchen: Siebenstern Taschenbuch, 1968.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ELLACUR\u00cdA, Ignacio. <em>Filosof\u00eda de la realidad hist\u00f3rica<\/em>. San Salvador: UCA, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Esbozo para una carta pastoral. In: ______. <em>Escritos Teol\u00f3gicos II<\/em>. San Salvador: UCA, 2000. p.623-661.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FRANCISCO. <em>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Evangelii gaudium<\/em>: Sobre o an\u00fancio do Evangelho no mundo atual. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Carta Enc\u00edclica Laudato si\u2019<\/em>: Sobre o cuidado da casa comum. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Gaudete et exsultate<\/em>: Sobre a chamada \u00e0 santidade no mundo atual. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GONZ\u00c1LEZ, Antonio. <em>Trinidad y liberaci\u00f3n<\/em>. La teolog\u00eda trinitaria considerada desde la perspectiva de la teolog\u00eda de la liberaci\u00f3n. San Salvador: UCA, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. F\u00e9. In: TAMAYO, Juan Jos\u00e9 (dir.). <em>Nuevo diccionario de teolog\u00eda<\/em>. Madrid: Trotta, 2005. p.369-376.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUTI\u00c9RREZ, Gustavo. <em>A Verdade vos libertar\u00e1<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2000a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Olhar longe: Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 nova edi\u00e7\u00e3o. In: ______. <em>Teologia da liberta\u00e7\u00e3o<\/em>: Perspectivas. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2000b. p.11-50.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JO\u00c3O PAULO II. <em>Carta Apost\u00f3lica Novo Millennio Ineunte<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIBANIO, Jo\u00e3o Batista. <em>Eu creio, n\u00f3s cremos<\/em>. Tratado da f\u00e9. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SOBRINO, Jon. <em>Cristolog\u00eda desde Am\u00e9rica Latina<\/em>: Esbozo a partir del seguimiento del Jes\u00fas hist\u00f3rico. M\u00e9xico: CRT, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Seguimento de Jesus. In: FLORIST\u00c1N-SAMANES, Cassiano; TAMAYO-ACOSTA, Juan-Jos\u00e9. <em>Conceitos Fundamentais do Cristianismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1999. p.771-775.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TOM\u00c1S DE AQUINO. <em>Suma Teol\u00f3gica<\/em>. II-II Parte. v.V. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VATICANO II. <em>Mensagens, discursos, documentos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VON BALTHASAR, Hans-Urs. Fides Christi. In: ______. <em>Ensayos teol\u00f3gicos II<\/em>. Sponsa Verbi. Madrid: Guaderrama, 1964. p.57-96.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ZUBIRI, Xavier. <em>Sobre el hombre<\/em>. Madrid: Alianza Editorial, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Inteligencia sentiente<\/em>: Inteligencia y verdad. Madrid: Alianza Editorial, 2006a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Tres dimensiones del ser humano<\/em>: individual, social, hist\u00f3rica. Madrid: Alianza Editorial, 2006b.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Problem\u00e1tica 2 F\u00e9 como pr\u00e1xis 3 Aspectos ou dimens\u00f5es da f\u00e9-pr\u00e1xis 3.1 Dinamismo trinit\u00e1rio 3.2 Eclesialidade 3.3 Historicidade 3.4 Ecologia integral 3.5 Tens\u00e3o escatol\u00f3gica 3.6 Dimens\u00e3o intelectual 3.7 Parcialidade pelos pobres, marginalizados e sofredores 4 Relev\u00e2ncia e atualidade da problem\u00e1tica Refer\u00eancias 1 Problem\u00e1tica Certamente, ningu\u00e9m nega de modo absoluto que exista algum v\u00ednculo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-1931","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-fundamental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1931","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1931"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1931\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2394,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1931\/revisions\/2394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}