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{"id":1914,"date":"2020-02-11T13:00:55","date_gmt":"2020-02-11T15:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1914"},"modified":"2021-02-10T15:52:01","modified_gmt":"2021-02-10T17:52:01","slug":"oficio-divino-das-comunidades-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1914","title":{"rendered":"Of\u00edcio Divino das Comunidades"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Como tudo come\u00e7ou<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Breve hist\u00f3ria da Liturgia das Horas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 Origens<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 A reforma da Liturgia das Horas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Da Liturgia das Horas ao Of\u00edcio Divino das Comunidades<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.1 Alguns princ\u00edpios norteadores<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.2 A sacramentalidade do Of\u00edcio Divino das Comunidades<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.3. A santifica\u00e7\u00e3o do tempo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.4. O lucern\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.5 Ora\u00e7\u00e3o da Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Uma palavra final<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Como tudo come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reforma da Liturgia das Horas empreendida pela Igreja cumpriu a importante tarefa de recuperar o sentido eclesial da ora\u00e7\u00e3o, seu car\u00e1ter celebrativo, e a mais genu\u00edna tradi\u00e7\u00e3o de associar a ora\u00e7\u00e3o, pelas horas do dia, ao mist\u00e9rio pascal (cf. IGLH, p.33.38-39). Contudo, \u00e9 consenso que a vers\u00e3o oficial do Of\u00edcio Divino no rito romano manteve caracter\u00edsticas predominantemente clericais e mon\u00e1sticas (TAFT, 1999, p.303-305; JOIN-LAMBERT, 2009, p.83-90; p.99-100). No Brasil, a sua vers\u00e3o traduzida tardou a chegar na capilaridade do tecido eclesial, dificultando ainda mais a recep\u00e7\u00e3o do of\u00edcio reformado no per\u00edodo p\u00f3s-conciliar (LIMA, 2011, p.31-34). Mas as dificuldades converteram-se em oportunidade, pois iniciou-se um processo genu\u00edno de recep\u00e7\u00e3o a partir da experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontram-se registros na CNBB, que datam de 1986, sobre a forma\u00e7\u00e3o de um grupo que se encarregaria de elaborar uma proposta alternativa e popular de Of\u00edcio, visando a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is na Ora\u00e7\u00e3o da Igreja. Mas a ideia de um of\u00edcio divino popular come\u00e7ou bem antes, na d\u00e9cada de 1970, por iniciativa de Geraldo Leite Bastos, presb\u00edtero da arquidiocese de Olinda e Recife, ent\u00e3o p\u00e1roco da Comunidade de Ponte dos Carvalhos, na periferia do Recife. Padre Geraldo havia iniciado uma pr\u00e1tica di\u00e1ria de ora\u00e7\u00e3o, sob o impulso do Conc\u00edlio Vaticano II. Em 1987, em uma entrevista, ele fala dessa experi\u00eancia:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 17 anos, n\u00f3s, da comunidade de Ponte dos Carvalhos, j\u00e1 cant\u00e1vamos o Of\u00edcio. Eu deixei escrito no Livro de Tombo da par\u00f3quia o in\u00edcio de quando come\u00e7amos a fazer uma ora\u00e7\u00e3o diferente da missa. Acho que a nossa experi\u00eancia come\u00e7ou por dois motivos: primeiro porque a missa tinha se tornado um tanto formal. Era necess\u00e1rio encontrar um outro jeito de rezar que n\u00e3o fosse s\u00f3 missa. (&#8230;) Outro motivo foi o contato com os irm\u00e3os de Taiz\u00e9, que haviam chegado a Olinda. Participei diversas vezes com eles e notei que tinham uma experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o diferente do Mosteiro de S\u00e3o Bento. Comecei a pensar que o povo poderia rezar o Of\u00edcio. Naqueles tempos dif\u00edceis da Igreja, muitas vezes eu ficava at\u00e9 de madrugada rezando um Of\u00edcio mal rezado, lendo aquela salmodia toda&#8230; Isso me levou a imaginar um brevi\u00e1rio simplificado, popular, de modo que eu, que tinha tanta dificuldade de rezar sozinho, encontrasse um jeito de rezar essa ora\u00e7\u00e3o com o povo. (LEITE BASTOS, 1988, p.56)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Nesse tempo, a Igreja do Brasil vivia o impulso da recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, assumida, sobretudo, pela confer\u00eancia do episcopado latino-americano, em Medell\u00edn. Sentia-se, nesse contexto, a necessidade de uma refer\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o que melhor correspondesse \u00e0 experi\u00eancia das Comunidades Eclesiais de Base, que emergiam como express\u00e3o concreta da Igreja povo de Deus. Atentas aos princ\u00edpios e proposi\u00e7\u00f5es conciliares, as CEBs queriam aprofundar o caminho aberto pela piedade popular que custodiou tesouros da tradi\u00e7\u00e3o como o Of\u00edcio parvo da Bem-aventurada Virgem Maria e o costume de rezar em determinadas horas do dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, em 1986, o padre Marcelo Barros, ent\u00e3o prior do mosteiro da Anuncia\u00e7\u00e3o em Goi\u00e1s, assessor das Comunidades de Base, reuniu um grupo de pessoas para elaborar um Of\u00edcio Divino acess\u00edvel \u00e0s comunidades. Tomou como inspira\u00e7\u00e3o a experi\u00eancia do padre Geraldo Leite e como refer\u00eancia imediata a Liturgia das Horas reformada pelo Conc\u00edlio Vaticano II, que j\u00e1 estava traduzida desde 1971. Al\u00e9m disso, foi decisiva nesse processo a conviv\u00eancia com a pequena comunidade do mosteiro da Anuncia\u00e7\u00e3o, como lugar de experimentar a celebra\u00e7\u00e3o do Of\u00edcio com a participa\u00e7\u00e3o dos vizinhos. Em dezembro de 1988, foi publicada a primeira edi\u00e7\u00e3o do Of\u00edcio Divino das Comunidades (ODC), que, em 2018, completou 30 anos com sua terceira edi\u00e7\u00e3o, ocasi\u00e3o em que j\u00e1 somava 21 reimpress\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma experi\u00eancia nascida no Brasil, em contexto de recep\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II na Am\u00e9rica Latina, \u00e0 luz das Confer\u00eancias Latino-americanas de Medell\u00edn e Puebla. Embora o ODC tenha sido adotado em assembleias da Pastoral da Juventude e outros movimentos eclesiais, no contexto de Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o existem iniciativas similares ao ODC em outros pa\u00edses do Continente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Breve hist\u00f3ria da Liturgia das Horas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1 Origens<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Of\u00edcio Divino \u00e9 uma concretiza\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o que remonta aos in\u00edcios da Igreja. Nos Atos dos Ap\u00f3stolos, encontram<span style=\"text-decoration: line-through;\">&#8211;<\/span>se alus\u00f5es de uma pr\u00e1tica de ora\u00e7\u00e3o nas horas do dia, em continuidade com o ritmo di\u00e1rio da ora\u00e7\u00e3o judaica. No s\u00e9culo IV, esse tipo de liturgia havia alcan\u00e7ado estabilidade: laudes e v\u00e9speras eram celebradas diariamente, em comunidade (ELBERTI, 2011, p.166). Segundo Et\u00e9ria, a peregrina que relatou a liturgia em Jerusal\u00e9m nesse mesmo s\u00e9culo, tratava-se de uma pr\u00e1tica di\u00e1ria, ligada \u00e0s horas, sobretudo ao entardecer e ao amanhecer, em mem\u00f3ria do crucificado-ressuscitado. Contava-se com a participa\u00e7\u00e3o do povo, homens e mulheres e at\u00e9 crian\u00e7as. Era uma liturgia expressiva, n\u00e3o s\u00f3 com salmos e hinos, mas com gestos e s\u00edmbolos, de maneira simples e popular (cf. ET\u00c9RIA, 1977, n.24,1-7). Esse modelo de of\u00edcio celebrado nas catedrais, com toda a densidade b\u00edblica e teol\u00f3gica, simples e acess\u00edvel ao povo, tendia a alimentar a vida do crist\u00e3o comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, com o tempo, a ora\u00e7\u00e3o da Igreja sofreu um encolhimento at\u00e9 o ponto de restringir-se a uma determinada parcela do povo de Deus, o que ocorreu por v\u00e1rios motivos, como a fixa\u00e7\u00e3o do latim como l\u00edngua lit\u00fargica, a multiplica\u00e7\u00e3o das horas em alguns contextos, a complica\u00e7\u00e3o e satura\u00e7\u00e3o dos ritos, que excluiu o povo da participa\u00e7\u00e3o e da compreens\u00e3o das palavras. Segundo Pietro Sorci, a causa principal do desaparecimento da ora\u00e7\u00e3o hor\u00e1ria se deve \u00e0 <em>eucaristiza\u00e7\u00e3o<\/em> (celebra\u00e7\u00e3o de missas cotidianas e, \u00e0s vezes, de mais de uma; ocorr\u00eancia de horas santas de adora\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo) e a tudo o que a ela diz respeito (clericaliza\u00e7\u00e3o, eclesiologia de eleitos, sacramentaliza\u00e7\u00e3o), em detrimento da evangeliza\u00e7\u00e3o, incluindo a insuficiente forma\u00e7\u00e3o nos semin\u00e1rios. Al\u00e9m disso, o apagamento dessa forma de ora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se deveu \u00e0 recita\u00e7\u00e3o individual imposta ao clero, que deixou de reunir o povo para celebrar comunitariamente o Of\u00edcio (SORCI apud PEREIRA SILVA, 2015, p.15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa realidade trouxe para o Of\u00edcio Divino consequ\u00eancias celebrativas, como o empobrecimento da gestualidade, a transforma\u00e7\u00e3o do que era express\u00e3o de gratuidade em peso, infligido pela \u201cobriga\u00e7\u00e3o\u201d. A desconex\u00e3o com a hora, j\u00e1 que, a recita\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o era muitas vezes, feita em qualquer momento do dia, levou a uma diminui\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter pascal do Of\u00edcio. Nos ambientes mon\u00e1sticos, ao contr\u00e1rio, o Of\u00edcio manteve seu estilo comunit\u00e1rio, ligado \u00e0s horas e ao ano lit\u00fargico, mas em latim e com acr\u00e9scimos requeridos pela condi\u00e7\u00e3o da vida mon\u00e1stica. Dessa forma, o que era simples e popular tornou-se complexo e com sobrecarga de elementos, com salmos, hinos, leituras, litanias, of\u00edcios di\u00e1rios em honra da Virgem Maria e dos defuntos, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povo, em sua grande maioria entregue, muitas vezes, \u00e0 pr\u00f3pria sorte, sem qualquer oportunidade de uma verdadeira inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 e de celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio, buscou criativamente nas devo\u00e7\u00f5es o alimento da f\u00e9 crist\u00e3 como atesta o <em>Diret\u00f3rio sobre liturgia e piedade popular<\/em>:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do s\u00e9culo VII at\u00e9 a metade do s\u00e9culo XV, determina-se e acentua-se, progressivamente, a diferencia\u00e7\u00e3o entre liturgia e piedade popular, at\u00e9 se criar um dualismo celebrativo: paralelamente \u00e0 liturgia, oficiada em latim, desenvolve-se uma piedade popular comunit\u00e1ria, que se expressa em l\u00edngua vern\u00e1cula. (CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA O CULTO DIVINO, 2003, n.29)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o ao Of\u00edcio, o ros\u00e1rio, com 150 Ave-Marias, substitui os 150 salmos; o <em>Angelus<\/em>, rezado tr\u00eas vezes ao dia, ocupa as horas do Of\u00edcio<em>;<\/em> o Of\u00edcio de Nossa Senhora re\u00fane os hinos de todas as horas do Of\u00edcio da M\u00e3e do Senhor e \u00e9 rezado numa hora s\u00f3, imitando o clero na desconex\u00e3o com a hora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2 A reforma da Liturgia das Horas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O prop\u00f3sito da reforma do Conc\u00edlio Vaticano II a respeito do Of\u00edcio Divino foi o de fazer essa pr\u00e1tica voltar \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de \u201cora\u00e7\u00e3o p\u00fablica e comum do povo de Deus\u201d (IGLH, n.1), recuperando sua dimens\u00e3o de a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, ora\u00e7\u00e3o de Cristo ao Pai e ora\u00e7\u00e3o da Igreja com Cristo (e a Cristo, segundo santo Agostinho), fazendo mem\u00f3ria da sua p\u00e1scoa. Al\u00e9m disso, o Conc\u00edlio mudou a linguagem rubricista e clerical da Liturgia das Horas para uma linguagem eclesial e pascal, gratuita e espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destacamos, a seguir, quatro aspectos da reforma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O Of\u00edcio Divino \u00e9 liturgia.<\/em> Como toda a liturgia, o Of\u00edcio Divino \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o ritual, comunit\u00e1ria, eclesial, e n\u00e3o uma a\u00e7\u00e3o particular (cf. SC n.26). Trata-se, de uma lit-URGIA (<em>lit <\/em>= povo; <em>urgia<\/em> = a\u00e7\u00e3o, of\u00edcio, trabalho): a\u00e7\u00e3o do povo e a\u00e7\u00e3o de Deus (divina) a servi\u00e7o do povo. \u00c9 a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica como qualquer outra. Nela, os mesmos elementos que fazem parte das demais celebra\u00e7\u00f5es da Igreja (hinos, salmos, leituras b\u00edblicas, sil\u00eancio, ora\u00e7\u00f5es, m\u00fasica, gestos simb\u00f3licos) foram organizados levando em conta a sua peculiaridade: a mem\u00f3ria do mist\u00e9rio pascal ligado \u00e0s horas no ritmo di\u00e1rio, articulando-se tamb\u00e9m com o ritmo semanal e anual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O povo como sujeito. O Conc\u00edlio Vaticano II quis devolver a todo o povo o direito de celebrar o Of\u00edcio Divino, embora tenha ficado mais no \u00e2mbito do clero e da vida consagrada. Mas recomendou que os leigos \u201crecitem o Of\u00edcio Divino, quer juntamente com os sacerdotes, quer reunidos entre si, e at\u00e9 cada um em particular\u201d (SC n.100). A Instru\u00e7\u00e3o Geral sobre a Liturgia das Horas enfatiza que \u201co louvor da Igreja n\u00e3o \u00e9 reservado aos cl\u00e9rigos e monges, nem por sua origem, nem por sua natureza, mas pertence a toda comunidade crist\u00e3\u201d (IGLH n.270). O Of\u00edcio Divino \u00e9 a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica se o povo se torna sujeito orante, no exerc\u00edcio do sacerd\u00f3cio batismal oferecendo o sacrif\u00edcio de louvor (cf. GARCIA, 2015, p.78).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A verdade das horas.<\/em> A reforma do Conc\u00edlio Vaticano II chamou a aten\u00e7\u00e3o para a finalidade espec\u00edfica do Of\u00edcio Divino: \u201cconsagrar, pelo louvor a Deus, o curso diurno e noturno do tempo\u201d (SC n.84). Enfatizou a verdade das horas (SC n.94), destacando, como horas principais, <em>Laudes<\/em>, rezadas ao chegar a luz do dia, em mem\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, e <em>V\u00e9speras<\/em>, celebradas ao p\u00f4r-do-sol, hora que lembra a \u00faltima Ceia de Jesus e a cruz (Lc 22,53). A Liturgia das Horas \u00e9 a Ora\u00e7\u00e3o da Igreja, unida ao Cristo em sua ora\u00e7\u00e3o de louvor, a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e intercess\u00e3o, fazendo mem\u00f3ria da sua p\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi o pr\u00f3prio Salvador quem vinculou o nosso tempo \u00e0 reden\u00e7\u00e3o: \u201cHoje se cumpriu esta palavra das Escrituras\u201d (Lc 4,21), em outras palavras, hoje a Palavra proclamada transforma o tempo em liberta\u00e7\u00e3o e gra\u00e7a (cf. GARCIA, 2015, p.77). Na Liturgia das Horas, a palavra de Deus pronunciada, proclamada, ouvida, vivida e atualizada, interpreta o tempo como <em>kair\u00f3s<\/em>, evento de salva\u00e7\u00e3o, tempo favor\u00e1vel, memorial da nova alian\u00e7a (cf. GARCIA, 2015, p.72). H\u00e1, no ato de celebrar, uma profunda rela\u00e7\u00e3o entre as horas de Jesus e as horas da comunidade que ora, entre a sua paix\u00e3o e as marcas da paix\u00e3o que as pessoas trazem em seus corpos (cf. SC n.12; 2Cor 4,10-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fonte de piedade.<\/em> A inten\u00e7\u00e3o da reforma do Of\u00edcio Divino foi a de torn\u00e1-lo fonte de piedade e alimento da ora\u00e7\u00e3o pessoal (SC n.90). A liturgia das horas \u00e9 express\u00e3o de alian\u00e7a e, consequentemente, fonte de transforma\u00e7\u00e3o pascal. \u00c9 glorifica\u00e7\u00e3o e santifica\u00e7\u00e3o. Por isso \u00e9 determinante que participemos com inteireza e acompanhemos com a mente [e o cora\u00e7\u00e3o] as palavras [e os gestos], e cooperemos com a gra\u00e7a divina para n\u00e3o a recebermos em v\u00e3o (cf. SC n.11 e 90).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar desses avan\u00e7os, a liturgia das horas se manteve bastante \u201cmon\u00e1stica\u201d em sua forma. H\u00e1 quem diga que dos pontos fracos da reforma lit\u00fargica o mais evidente \u00e9 a reforma da Liturgia das Horas. No movimento de volta \u00e0s fontes, a reforma n\u00e3o conseguiu restaurar a simplicidade e a ritualidade da pr\u00e1tica primitiva do Of\u00edcio das Catedrais, com toda a riqueza de minist\u00e9rios, de s\u00edmbolos e ritos, celebrada com a participa\u00e7\u00e3o do povo, como observado acima. A reforma levou mais em conta o clero e a vida consagrada do que o povo. Al\u00e9m disso, devido ao peso hist\u00f3rico da obriga\u00e7\u00e3o, na pr\u00e1tica, h\u00e1 dificuldade em passar da recita\u00e7\u00e3o \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o. A vers\u00e3o brasileira da Liturgia das Horas (LH) \u00e9 primorosa do ponto de vista da tradu\u00e7\u00e3o, sobretudo dos salmos, adaptados ao canto. Mas carrega em si esses limites da edi\u00e7\u00e3o t\u00edpica, como o fato, inclusive, de n\u00e3o ter avan\u00e7ado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 incultura\u00e7\u00e3o, t\u00e3o desejada pelo pr\u00f3prio Conc\u00edlio (cf. SC n.37-40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Da Liturgia das Horas ao Of\u00edcio Divino das Comunidades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.1 Alguns princ\u00edpios norteadores<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Of\u00edcio Divino das Comunidades (ODC), tomando como refer\u00eancia imediata para a sua elabora\u00e7\u00e3o a Liturgia das Horas renovada, buscou oferecer ao povo uma vers\u00e3o popular da tradi\u00e7\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um lado, foi fiel \u00e0 Liturgia das Horas (LH), porque obedeceu a mesma estrutura, a mesma teologia e a mesma sequ\u00eancia ritual. Como na LH, toda a elabora\u00e7\u00e3o ritual do ODC se destina a expressar o mist\u00e9rio do crucificado-ressuscitado nas horas do dia, seguindo o ritmo di\u00e1rio, semanal e anual, com hinos, salmos, c\u00e2nticos b\u00edblicos, preces e ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De outro lado, tomando como ponto de partida a experi\u00eancia eclesial do Brasil, o ODC foi capaz de deixar de lado o que pesa na estrutura da Liturgia das Horas e ousou ser criativo na medida em que incorporou elementos novos: o jeito novo de celebrar das Comunidades Eclesiais de Base e o anseio de ora\u00e7\u00e3o do catolicismo popular.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata de propor \u00e0s comunidades o of\u00edcio tal qual no Rito Romano, mesmo simplificado ou abreviado. Trata-se de um estilo brasileiro novo no campo mais amplo da fam\u00edlia lit\u00fargica romana. N\u00e3o bastaria tamb\u00e9m repetir ou publicar as costumeiras ora\u00e7\u00f5es e c\u00e2nticos da religi\u00e3o popular, ou mesmo dos encontros de ora\u00e7\u00e3o dos grupos da caminhada. O Of\u00edcio Divino das Comunidades quer ser uma s\u00edntese real e inteligente, fiel \u00e0 grande tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e \u00e0 sensibilidade e cultura do nosso povo (BARROS, 1988, p.30).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da tradi\u00e7\u00e3o eclesial latino-americana, o ODC herdou a Recorda\u00e7\u00e3o da Vida, que \u00e9 express\u00e3o mais sens\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o entre a liturgia e a vida. Segundo Libanio, as liturgias que emergiram no cen\u00e1rio de Igreja de Medell\u00edn respondem ao desafio de vincular liturgia com pr\u00e1xis libertadora \u201csem quebrar a coluna vertebral da gratuidade, da liberdade e da beleza contemplativa\u201d (LIBANIO, 2001, p.107-108). O Of\u00edcio come\u00e7a sem nenhum coment\u00e1rio, com uma invoca\u00e7\u00e3o de Deus e convite ao louvor. S\u00f3 ent\u00e3o, quem preside convida os participantes a trazerem experi\u00eancias que marcaram suas vidas.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida, os acontecimentos de cada dia, as pessoas, suas ang\u00fastias e esperan\u00e7as, suas tristezas e alegrias, as conquistas e revezes da caminhada, as lembran\u00e7as marcantes da hist\u00f3ria, da comunidade, das Igrejas e dos povos, os pr\u00f3prios fen\u00f4menos da natureza s\u00e3o sinais de Deus para quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Por a\u00ed come\u00e7a a nossa escuta da Palavra de Deus. Recordar a vida, traz\u00ea-la de volta ao cora\u00e7\u00e3o, partilhar lembran\u00e7as e preocupa\u00e7\u00f5es, \u00e9 ajudar a tornar a ora\u00e7\u00e3o verdadeira (ODC, 2018, p.11).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a vida est\u00e1 latente em todo o of\u00edcio: na linguagem das ora\u00e7\u00f5es e das preces, nos salmos, nos hinos da caminhada, na mem\u00f3ria dos m\u00e1rtires defensores da vida em nosso continente. Cabe lembrar, ainda, o cuidado com a dimens\u00e3o ecum\u00eanica no ODC, expresso em elementos como o Pai-nosso ecum\u00eanico, os hinos das Igrejas irm\u00e3s, a inclus\u00e3o de imagens de Deus (de ternura, bondoso, compassivo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande m\u00e9rito do Of\u00edcio das Comunidades \u00e9 que ele conseguiu viabilizar, na pr\u00e1tica, o que a Liturgia das Horas prop\u00f5e: que o of\u00edcio, como qualquer outra a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, n\u00e3o \u00e9 a\u00e7\u00e3o particular, mas a\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas culturas populares brasileiras, o jeito para dar a cada of\u00edcio um car\u00e1ter mais celebrativo, \u00e9 integrar todo o corpo e o universo que nos cerca na ora\u00e7\u00e3o. Na B\u00edblia os salmos cont\u00eam muitas atitudes corporais de ora\u00e7\u00e3o, como voltar-se para a montanha, elevar o olhar e as m\u00e3os, se curvar, se ajoelhar, caminhar em prociss\u00e3o (BARROS, 1994, p. 30).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo sem que estivesse determinado por escrito, a pr\u00e1tica foi criando um estilo de celebrar que prima pela valoriza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, do canto, dos minist\u00e9rios, dos gestos (acender velas, reunir-se ao redor do amb\u00e3o para a escuta do evangelho, ofertar incenso&#8230;). Tudo para conduzir ao sil\u00eancio e favorecer a participa\u00e7\u00e3o externa e interna, consciente e frutuosa. Nesse sentido, a grande p\u00e9rola no ODC \u00e9 o lucern\u00e1rio na vig\u00edlia dos domingos e solenidades. Esse rito que, nas comunidades das origens, pertencia ao Of\u00edcio cotidiano das V\u00e9speras, foi colocado na abertura do Of\u00edcio de Vig\u00edlia, enfatizando o domingo como p\u00e1scoa semanal, em analogia com o rito da luz na vig\u00edlia pascal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A respeito da intera\u00e7\u00e3o com o catolicismo popular, o ODC \u00e9 um exemplo bem-sucedido da \u201cm\u00fatua fecunda\u00e7\u00e3o\u201d entre liturgia e piedade popular, t\u00e3o desejada pela reforma lit\u00fargica (cf. SC n.13) e t\u00e3o evocada pelos documentos do CELAM e da CNBB (CNBB, 1984, p.30). O trabalho n\u00e3o consistiu tanto em agregar elementos externos do catolicismo popular, mas em fazer com que o Of\u00edcio corresponda \u00e0 \u201cpiedade\u201d\u2019 do povo, ao seu \u201canseio de ora\u00e7\u00e3o e de vida crist\u00e3\u201d, \u00e0 \u201csede de Deus, que somente os pobres e os simples podem experimentar\u201d (cf. <em>Evangelii Nuntiandi,<\/em> n48). Destaca-se, nessa sintonia com a piedade popular, o estilo orante, a forma de repeti\u00e7\u00e3o nos cantos, sobretudo nas aberturas, a linguagem simples e afetuosa, a aus\u00eancia de coment\u00e1rios, o que facilita a participa\u00e7\u00e3o e estabelece uma rela\u00e7\u00e3o amorosa, de alian\u00e7a entre Deus e o seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.2 A sacramentalidade do Of\u00edcio Divino das Comunidades<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II apresenta toda a liturgia \u2013 n\u00e3o somente os sete sacramentos \u2013 como evento sacramental, em que Jesus Cristo se faz presente, no exerc\u00edcio do seu sacerd\u00f3cio, para glorificar o Pai e santificar a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No artigo 7 da Constitui\u00e7\u00e3o lit\u00fargica entre <em>os sinais sens\u00edveis que significam e que realizam o que significam<\/em>, est\u00e1 a assembleia que ora e salmodia, porque nela Cristo se faz presente e age com a for\u00e7a do seu Esp\u00edrito. Podemos dizer que a assembleia reunida, o tempo, a m\u00fasica, os salmos e c\u00e2nticos, a ora\u00e7\u00e3o, os gestos e as palavras, s\u00e3o sinais sens\u00edveis que atingem a corporeidade dos participantes, evocam o mist\u00e9rio invis\u00edvel de Jesus Cristo e pelo agir do Esp\u00edrito realizam a transforma\u00e7\u00e3o pascal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.3 A santifica\u00e7\u00e3o do tempo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomemos a categoria tempo, t\u00e3o importante para a compreens\u00e3o da liturgia hor\u00e1ria do Of\u00edcio Divino. Nas Escrituras, os termos <em>chronos<\/em>, <em>kair\u00f3s<\/em> e <em>ai\u00f4n<\/em> relacionam respectivamente o tempo da vida humana em curso, o tempo da atua\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria da humanidade e o tempo humano como intercess\u00e3o entre o dado hist\u00f3rico e o seu sentido escatol\u00f3gico. Em todas as acep\u00e7\u00f5es, o tempo \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o fortemente identificada ao ser humano (AUG\u00c9, 2019, p.36-38). De tal modo que a no\u00e7\u00e3o de santifica\u00e7\u00e3o de tempo, outra coisa n\u00e3o diz, sen\u00e3o a santifica\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio ser humano pela sua inser\u00e7\u00e3o memorial na pr\u00f3pria experi\u00eancia temporal do Verbo encarnado, a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. O tempo \u00e9 santificado pela Liturgia das Horas porque, juntamente com o Ano Lit\u00fargico, ela contribui para dar novo sentido ao tempo da vida humana (PINELL, 2005, p.216).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo como sinal sens\u00edvel torna-se mais evidente no amanhecer e no entardecer por causa da incid\u00eancia da luz. Esses momentos foram estabelecidos como mem\u00f3ria e renova\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a. Sem a palavra, a luz n\u00e3o significa; sem a luz, o verbo n\u00e3o se faz vis\u00edvel (cf. GARCIA, 2015, p.150). A palavra narra o mist\u00e9rio pascal de Cristo e da Igreja, na luz que ilumina o escuro da noite, ou no sol que clareia o amanhecer. A palavra invis\u00edvel, mas aud\u00edvel nos salmos, nas leituras, nos hinos, nas ora\u00e7\u00f5es, interpreta o sinal sens\u00edvel, tornando vis\u00edvel o Verbo (cf. GARCIA, 2015, p.72). Por isso, o cuidado com a verdade da hora \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para que a Palavra possa interpretar a luz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.4 O lucern\u00e1rio<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rito do lucern\u00e1rio, na vig\u00edlia do domingo e das festas maiores, comp\u00f5e-se da abertura e do hino lucernar. O of\u00edcio de vig\u00edlia come\u00e7a no escuro, em sil\u00eancio. Entoa-se, a meia voz, um refr\u00e3o meditativo, para despertar no cora\u00e7\u00e3o o anseio pelo Deus vivo. Como de costume, sem qualquer coment\u00e1rio, quem preside se levanta e come\u00e7a os versos da Abertura, que a assembleia repete:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0\u00a0 Venham, \u00f3 na\u00e7\u00f5es, ao Senhor cantar! (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao Deus do universo, venham festejar! (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0\u00a0 Seu amor por n\u00f3s, firme para sempre! (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua fidelidade dura eternamente. (bis)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Acendem-se velas <\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0\u00a0 Para ti, Senhor, toda noite \u00e9 dia. (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escurid\u00e3o mais densa logo se alumia. (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0 \u00c9s a luz do mundo, \u00e9s a luz da vida! (bis)]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo Jesus resplende: \u00e9s nossa alegria! (bis)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Oferta-se incenso ou ervas cheirosas <\/em><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0\u00a0 Suba nosso incenso a ti, \u00f3 Senhor! (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este louvor pascal, oferta de amor. (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0\u00a0 Nossas m\u00e3os orantes para os c\u00e9us subindo! (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cheguem como oferenda ao som deste hino! (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0\u00a0 Gl\u00f3ria ao Pai e ao Filho e ao Santo Esp\u00edrito. (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gl\u00f3ria \u00e0 Trindade Santa, gl\u00f3ria ao Deus bendito. (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0\u00a0 Aleluia, irm\u00e3s, aleluia, irm\u00e3os! (bis)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Povo de sacerdotes, a Deus louva\u00e7\u00e3o. (bis)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0As primeiras palavras da abertura s\u00e3o convoca\u00e7\u00e3o para o louvor, com versos do salmo 117. Nestas palavras ouvimos o pr\u00f3prio Cristo chamando a comunidade a participar de sua ora\u00e7\u00e3o ao Pai, como tantas vezes ele fez em sua vida terrena (cf. Mc 6,30-31). Tra\u00e7amos o sinal da cruz sobre o corpo no primeiro verso, recordando o nosso batismo, pelo qual Cristo nos associa ao seu mist\u00e9rio pascal e \u00e0 sua ora\u00e7\u00e3o. O canto da abertura continua, com palavras que se juntam ao gesto do acendimento do c\u00edrio e das velas para narrar a vit\u00f3ria da luz sobre as trevas que correspondem \u00e0s afli\u00e7\u00f5es do povo. A fun\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o das horas \u00e9 gritar, \u00e9 colocar sob o olhar de Deus o que acontece no mundo. Deus escuta o clamor, olha o cora\u00e7\u00e3o dos que sofrem, e desce para salvar (cf. Ex 3,7-8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um recipiente com brasas acesas est\u00e1 colocado sobre ao altar. Ainda na escurid\u00e3o, mas agora iluminada com as chamas acesas na m\u00e3o da assembleia, faz-se a oferta do incenso, sinal do sacrif\u00edcio espiritual do povo sacerdotal, acompanhada dos versos cantados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terminada a abertura, quem preside, convida os participantes a trazerem as mem\u00f3rias que identificam as luzes do caminho ou as noites que persistem&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, entoa-se o hino \u201cLuz Radiante\u201d. Este hino, mais antigo que o Gl\u00f3ria, remonta ao s\u00e9culo II e \u00e9 citado por S\u00e3o Bas\u00edlio (BAS\u00cdLIO, 2003, p.403). No ODC (p.265), a vers\u00e3o \u00e9 de Reginaldo Veloso, em forma responsorial, para garantir a participa\u00e7\u00e3o da assembleia por meio de um refr\u00e3o que se repete a cada estrofe.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luz radiante, luz de alegria,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">luz da gl\u00f3ria, Cristo Jesus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00c9s do Pai imortal e feliz<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o clar\u00e3o que em tudo reluz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Quando o sol vai chegando ao ocaso<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">avistamos da noite a luz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00f3s cantamos o Pai e o Filho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e o Divino que nos conduz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Tu mereces o canto mais puro,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00f3 Senhor da vida, \u00e9s a luz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Tua gl\u00f3ria, \u00f3 Filho de Deus,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o universo todo seduz!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Cante o c\u00e9u, cante a terra e os mares,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a vit\u00f3ria, a gl\u00f3ria da cruz!<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras do hino continuam a narrar o mist\u00e9rio manifestado nas luzes que rompem o escuro. Fazem com que a assembleia reconhe\u00e7a, nessa imagem da noite iluminada, a presen\u00e7a do Cristo Ressuscitado, a quem o hino se dirige. Diante do dia que morre, a comunidade crente contempla a luz que n\u00e3o morre. O texto identifica no \u201cclar\u00e3o do Pai que tudo reluz\u201d, o filho unig\u00eanito que procede do Pai, que \u00e9 fonte da vida. O canto mais puro \u00e9 devotado ao Cristo, Senhor da vida, que seduz o universo com sua gl\u00f3ria, pela qual o c\u00e9u, a terra e os mares entoam o seu cantar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A efic\u00e1cia sup\u00f5e a consci\u00eancia da assembleia de estar inserida em um evento de salva\u00e7\u00e3o, no qual o Cristo, pela atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, realiza nela o mist\u00e9rio da sua p\u00e1scoa. Ao transformar o tempo em <em>kair\u00f3s<\/em>, realiza-se, na Igreja, a passagem da morte \u00e0 vida. Afinal, o fim \u00faltimo da liturgia \u00e9 a santifica\u00e7\u00e3o (SC n.10 e 33). Assim, pouco a pouco, cada pessoa \u00e9 levada \u00e0 supera\u00e7\u00e3o de tudo o que \u00e9 velho para alcan\u00e7ar a estatura da \u201ccriatura nova\u201d em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.5 Ora\u00e7\u00e3o da Igreja<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reunir-se para rezar \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o primordial e uma exig\u00eancia vital da comunidade crist\u00e3. Quando os pais da Igreja enfatizam a import\u00e2ncia da assembleia crist\u00e3 n\u00e3o pensam somente na eucaristia, mas tamb\u00e9m em outros momentos comuns de ora\u00e7\u00e3o e de louvor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo 83 da <em>Sacrosanctum Concilio<\/em> faz uma afirma\u00e7\u00e3o que retoma a LH como parte estruturante de toda a liturgia da Igreja:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Cristo une a si toda a humanidade e a associa ao seu c\u00e2ntico de louvor. E continua exercendo este sacerd\u00f3cio, na Igreja, que louva o Senhor sem cessar e intercede pela salva\u00e7\u00e3o do mundo, n\u00e3o s\u00f3 com a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, mas de v\u00e1rios outros modos, especialmente pelo Of\u00edcio Divino.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0O artigo 84 diz que nesta ora\u00e7\u00e3o \u201cCristo se dirige ao Pai, mediante o seu corpo\u201d. Ou seja, esta ora\u00e7\u00e3o pertence a todo o corpo de Cristo. A ora\u00e7\u00e3o da comunidade e de cada pessoa que ora \u00e9 sacramento da ora\u00e7\u00e3o de Cristo. Ele \u00e9 o mediador da nova alian\u00e7a, por ele a humanidade tem acesso ao Pai. O Pai sempre escuta a voz do Filho (Jo 11,42). <em>\u201c<\/em>\u00c9 necess\u00e1rio, pois, que ao celebrarmos o Of\u00edcio Divino, reconhe\u00e7amos o eco de nossas vozes na voz do Cristo, e a sua em n\u00f3s\u201d (PAULO VI, 1971, n.20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos m\u00e9ritos do ODC \u00e9 justamente o de proporcionar que o povo das comunidades tenha acesso \u00e0 ora\u00e7\u00e3o que lhe pertence e possa participar ativa, consciente e frutuosamente. N\u00e3o s\u00f3, mas tem desencadeado um processo de aprender a rezar com a Igreja, de descobrir os salmos como escola de ora\u00e7\u00e3o, de reconhecer neles a voz de Cristo e de fazer da ora\u00e7\u00e3o uma experi\u00eancia de gratuidade e amorosa alian\u00e7a. \u00c9 algo que n\u00e3o se d\u00e1 automaticamente. \u00c9 necess\u00e1rio aprender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Bento oferece uma \u201cregra de ouro\u201d, que a <em>Sacrosanctum Concilium<\/em> assumiu e aplicou a toda a Igreja: Que a mente concorde com a voz\u201d (SC n.90; RB n.19). A mente \u201cn\u00e3o equivale somente \u00e0 raz\u00e3o, mas \u00e0 pessoa interior com seu conhecimento, sua vontade e seu sentimento. \u00c9 quase id\u00eantica a cora\u00e7\u00e3o, especialmente a parte dominante da alma (cf. GR\u00dcN, 2019, p.30-31). A voz refere-se \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, \u00e9 a voz de Deus que devemos ouvir. O cora\u00e7\u00e3o deve estar em sintonia com a voz (cf. GR\u00dcN, 2019, p.30-31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensemos no salmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crit\u00e9rio geral de escolha de um salmo no of\u00edcio \u00e9 a hora. A pessoa n\u00e3o escolhe o salmo, ele \u00e9 oferecido. Tomemos o salmo 30(29) no of\u00edcio da tarde (ODC, p.52).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cai a tarde, vem a noite<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a tristeza, o pranto a dor,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">de manh\u00e3 renasce o sol,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">novo dia alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Senhor, grandes coisas direi eu de ti,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque me livraste e n\u00e3o permitiste<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que os maus rissem, fazendo pouco de mim<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Senhor, eu por ti clamei e me curaste;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha vida, do lugar onde os mortos residem,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 tu me tiraste e me libertaste!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Cantai, santos todos, dai gl\u00f3ria ao Senhor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua raiva \u00e9 um momento e logo acabou;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bondade, toda a vida perdura o amor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Seguro, eu dizia: Jamais tremerei!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Favor, me cobriste de honra e poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teu rosto escondeste e eu me apavorei&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Piedade a meu Deus eu estou a implorar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vantagem, por acaso, na morte haver\u00e1?&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00f3 dos meus ossos ir\u00e1 te louvar?!&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Senhor, piedade, vem me socorrer!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha dor e meu pranto mudaste em prazer;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teu nome para sempre eu irei bendizer!<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O salmo est\u00e1 a\u00ed, com uma letra em vers\u00e3o popular em perfeita simbiose com a melodia. Tudo nele aponta para o final de um dia de trabalho e de luta. Fala da tristeza da noite que chega, mas promete a luz de um novo dia: <em>Cai a tarde, vem a noite, a tristeza, o pranto a dor, de manh\u00e3 renasce o sol, novo dia alegria. <\/em>Ao cantar as estrofes, a pessoa encontra a express\u00e3o da sua gratid\u00e3o pelo dia que passou, pelas lutas superadas, pela firmeza apesar das dificuldades. A gratid\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 no seu cora\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes sufocada pelo cansa\u00e7o, \u00e9 despertada pelas palavras do salmo. A pessoa se identifica com o salmo como se ela pr\u00f3pria o tivesse gerado (cf. CASSIANO, 2003, p.984).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao encontrar no salmo a express\u00e3o da pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, une-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as do Filho, que fez de toda a sua vida uma oferta de louvor. Como n\u00e3o escutar a voz de Cristo quando se canta: <em>Minha vida, do lugar onde os mortos residem, S\u00f3 tu me tiraste e me libertaste <\/em>(estrofe 2)<em>.<\/em> A\u00ed a voz do orante e a voz de Cristo se faz uma s\u00f3 voz<em>. <\/em>Portanto \u201cn\u00e3o sou eu que fa\u00e7o algo com a palavra, mas \u00e9 a palavra que faz algo comigo\u201d (GR\u00dcN, 2019, p.32), a palavra que \u00e9 Cristo, muda a voz de quem salmodia na sua pr\u00f3pria voz, o Esp\u00edrito que renova todas as coisas o transforma naquilo que est\u00e1 rezando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Uma palavra final<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No atual cen\u00e1rio de Igreja, de modo geral, a missa, pr\u00f3pria do domingo, que por tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00e1pice de todas as a\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, parece ter se tornado a \u00fanica celebra\u00e7\u00e3o da Igreja: repetida todos os dias, em todo lugar e, muitas vezes, de qualquer jeito, quando n\u00e3o instrumentalizada para fins duvidosos. Ao lado da missa, est\u00e1 o ter\u00e7o, a devo\u00e7\u00e3o aos santos, a adora\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo, sem falar da avalanche de pr\u00e1ticas de um catolicismo conservador, que nada tem a ver com a piedade popular. A pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o da Palavra n\u00e3o se configura como parte org\u00e2nica da liturgia da Igreja, ocupando no m\u00e1ximo um lugar de supl\u00eancia (por falta de padre). O Of\u00edcio Divino sequer aparece nos planejamentos pastorais das Igrejas e par\u00f3quias. E bem que poderia ser uma alternativa de celebra\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3, a mais imediata depois da missa. O Of\u00edcio das Comunidades se oferece como uma fonte no caminho, enraizada na tradi\u00e7\u00e3o dos pais e m\u00e3es da Igreja, com um jeito bem brasileiro, e fiel \u00e0 eclesiologia latino-americana. N\u00e3o se imp\u00f5e como obriga\u00e7\u00e3o, ou como forma exclusiva, mas se oferece na gratuidade para as comunidades que vivem a f\u00e9 em meio \u00e0s lutas de cada dia e anseiam por alimentar sua vida espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Penha Carpanedo, PDDM. T<\/em>exto original portugu\u00eas. Postado em fevereiro de 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AUG\u00c9, Matias. <em>Ano lit\u00fargico<\/em>: \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo presente na sua Igreja. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2019. Fonte Viva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARROS de SOUZA, Marcelo. Caminhada popular e Of\u00edcio Divino. <em>Revista de Liturgia, <\/em>S\u00e3o Paulo, v.15, n.86, p.30-36, mar\/abr 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Descolonizar a ora\u00e7\u00e3o da igreja. <em>Revista de Liturgia<\/em>, S\u00e3o Paulo, v.21, n.124, p.27-32, jul\/ ago 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BASILIO DE CESAREIA. O Esp\u00edrito Santo. In: <em>Antologia Lit\u00fargica:<\/em> textos lit\u00fargicos, patr\u00edsticos e can\u00f4nicos do primeiro mil\u00eanio. F\u00e1tima: Secretariado Nacional de Liturgia, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CASSIANO, Jo\u00e3o. Confer\u00eancia X, sobre a ora\u00e7\u00e3o. In: <em>Antologia Lit\u00fargica:<\/em> textos lit\u00fargicos, patr\u00edsticos e can\u00f4nicos do primeiro mil\u00eanio. F\u00e1tima: Secretariado Nacional de Liturgia, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS. <em>Diret\u00f3rio sobre Piedade Popular e Liturgia; princ\u00edpios e orienta\u00e7\u00f5es<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2003, n.29.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CNBB. <em>Adaptar a Liturgia, tarefa da Igreja.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1984.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ELBERTI, Arturo. <em>Canto di Lodi per tuti i suoi fedeli<\/em>. Milano: San Pablo, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ET\u00c9RIA. <em>Peregrina\u00e7\u00e3o de Et\u00e9ria: <\/em>Liturgia e catequese em Jerusal\u00e9m no s\u00e9culo IV. Petr\u00f3polis: Vozes, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GARCIA L\u00d3PES-TELLO, Eduardo. <em>La liturgia mon\u00e1stica dele ore<\/em>: verso una sacramentalit\u00e1 del verbo visibile. Roma: Edizioni liturgiche, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GR\u00dcN, Anselm. <em>Liturgia das Horas e contempla\u00e7\u00e3o.<\/em> Petr\u00f3polis: Vozes, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">INSTRU\u00c7\u00c3O GERAL SOBRE A LITURGIA DAS HORAS (IGLH). Coment\u00e1rios de Aldaz\u00e1bal. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JOIN-LAMBERT, Arnaud. <em>La Liturgie des Heures par tous les baptis\u00e9s<\/em>: l\u2019exp\u00e9rience quotidienne du myst\u00e8re pascal. Leuven: Peeters, 2009. Liturgia Condenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LEITE BASTOS, Geraldo. Entrevista. <em>Revista de Liturgia<\/em>, S\u00e3o Paulo, n.86, mar\/abr 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIBANIO, Jo\u00e3o Batista. <em>Cen\u00e1rios da Igreja<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA, Danilo C\u00e9sar dos Santos. <em>A sacramentalidade e o car\u00e1ter celebrativo do Of\u00edcio Divino das Comunidades no Brasil<\/em>. Roma: Thesis ad Licentiam in Sacra Liturgia \u2013 Pontificium Athenaeum S. Anselmi de Urbe, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OF\u00cdCIO DIVINO DAS COMUNIDADES (ODC). 3.ed. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PEREIRA SILVA, Jeronimo. Semana de estudo sobre a liturgia das Horas. <em>Revista de Liturgia<\/em>, n.252, nov\/dez 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PINELL, Jordi. <em>Liturgia delle ore<\/em>. Genova-Mil\u00e3o: Casa Editrice Marietti, 2005. An\u00e0mnesis, 5.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAULO VI. Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cLaudis Canticum\u201d. In:<em> Instru\u00e7\u00e3o Geral sobre a Liturgia das Horas<\/em>. Coment\u00e1rios de Jos\u00e9 Aldazabal. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TAFT, Robert. <em>Oltre l&#8217;oriente e l&#8217;occidente<\/em><em>:\u00a0<\/em>per una tradizione liturgica viva. Roma: Lipa Edizioni, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Como tudo come\u00e7ou 2 Breve hist\u00f3ria da Liturgia das Horas 2.1 Origens 2.2 A reforma da Liturgia das Horas 3 Da Liturgia das Horas ao Of\u00edcio Divino das Comunidades 3.1 Alguns princ\u00edpios norteadores 3.2 A sacramentalidade do Of\u00edcio Divino das Comunidades 3.3. A santifica\u00e7\u00e3o do tempo 3.4. O lucern\u00e1rio 3.5 Ora\u00e7\u00e3o da Igreja [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1914","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1914"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1914\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2393,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1914\/revisions\/2393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}