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{"id":189,"date":"2014-12-19T07:59:38","date_gmt":"2014-12-19T09:59:38","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=189"},"modified":"2016-04-10T09:36:14","modified_gmt":"2016-04-10T12:36:14","slug":"grandes-figuras-da-mistica-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=189","title":{"rendered":"Grandes figuras da m\u00edstica crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Figuras da m\u00edstica no cristianismo antigo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Figuras da m\u00edstica na Idade M\u00e9dia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Figuras da m\u00edstica na \u00e9poca moderna<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Figuras da m\u00edstica na \u00e9poca contempor\u00e2nea<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do Cristianismo, de mais de vinte s\u00e9culos, apresenta uma imensa riqueza de figuras protag\u00f4nicas que viveram a experi\u00eancia m\u00edstica em suas vidas. Desde os primeiros tempos do Cristianismo, podemos encontrar homens e mulheres cujas vidas foram reconfiguradas pela experi\u00eancia de gozosa uni\u00e3o com o Deus de Jesus Cristo, do qual n\u00e3o hesitaram em dar testemunho inclusive com suas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Figuras da m\u00edstica no cristianismo antigo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra m\u00edstica n\u00e3o se encontra nem no NT nem nos Padres Apost\u00f3licos e aparece pela primeira vez ao longo do s\u00e9culo III. Por outra parte, a figura de Jesus presente nos Evangelhos, sobretudo nos Sin\u00f3ticos, coincide mais com a de um profeta do Reino de Deus do que com a de um vision\u00e1rio. Os sin\u00f3ticos parecem acentuar as condi\u00e7\u00f5es morais e as virtudes que preparam a vinda do Reino. A mesma \u201cvis\u00e3o de Deus\u201d ser\u00e1 atribu\u00edda, no Serm\u00e3o da montanha, aos \u201cpuros de cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso n\u00e3o s\u00e3o raros os autores que excluem a experi\u00eancia m\u00edstica das fontes crist\u00e3s e explicam o surgimento da m\u00edstica a partir de influxos externos, sobretudo a gnose e o neoplatonismo, tal como sucedeu com o juda\u00edsmo. Na mesma dire\u00e7\u00e3o orientam-se algumas vis\u00f5es da hist\u00f3ria da m\u00edstica crist\u00e3 que op\u00f5em uma m\u00edstica psicol\u00f3gica, introspectiva, que se haveria desenvolvido sobretudo a partir dos m\u00edsticos espanh\u00f3is do s\u00e9culo XVI, \u00e0 m\u00edstica <em>objetiva<\/em>, escritur\u00edstica, eucar\u00edstica dos tempos anteriores (VELASCO, 1999, p.211).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente de outras religi\u00f5es, o Cristianismo nunca equiparou seu ideal de santidade, sobretudo ou principalmente, com o atingimento dos estados m\u00edsticos. Nem tampouco encorajou a busca de tais estados por si mesmos. No entanto, se vamos buscar em suas origens, vamos encontrar a\u00ed uma experi\u00eancia religiosa forte, uma experi\u00eancia m\u00edstica, enfim. Foi um impulso m\u00edstico que inegavelmente propalou aquilo que inicialmente era visto como um movimento a mais dentro da globalidade sinagogal e foi ganhando dimens\u00f5es universais.\u00a0 Certamente a profundidade m\u00edstica do novo caminho proposto por Jesus de Nazar\u00e9, iluminado por sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, determinou muito de seu desenvolvimento posterior. <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A qualidade\u00a0 m\u00edstica da vida de Jesus \u00e9 muito claramente afirmada nos evangelhos, mas \u2013 segundo L. Dupr\u00e9 &#8211; \u00e9 sobretudo no Quarto Evangelho, escrito tardiamente, no final do s\u00e9culo I, que encontra sua plena express\u00e3o (cf. DUPR\u00c9, 1987, p.251). Neste Evangelho,\u00a0 as duas principais correntes do misticismo crist\u00e3o t\u00eam sua fonte: primeiro, na teologia da imagem divina , que chama o crist\u00e3o \u00e0 conforma\u00e7\u00e3o (com Cristo, adorado como Deus e atrav\u00e9s d\u2019 Ele, com Deus), e segundo na teologia que apresenta a intimidade com Deus como rela\u00e7\u00e3o com o amor em termos universais (cf. DUPR\u00c9, 1987, p.251).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cartas de Paulo de Tarso \u2013 anteriores inclusive ao Evangelho, que testemunham o surgimento das primeiras comunidades crist\u00e3s &#8211;\u00a0 desenvolvem a ideia da vida no Esp\u00edrito (2 Cor 3,18).\u00a0 O principal dom do Esp\u00edrito, no entendimento de Paulo, consiste na \u201cgnose\u201d, aquele <em>insight<\/em> que faz penetrar no interior do mist\u00e9rio de Cristo, e capacita o crente a entender as Escrituras em um sentido mais profundo, <em>revelado<\/em>. Este <em>insight,<\/em> que mergulha no interior do sentido escondido das escrituras, leva \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o alexandrina do termo m\u00edstico discutido abaixo (cf. DUPR\u00c9, 1987, p.251).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Antiguidade cl\u00e1ssica, quando o Cristianismo j\u00e1 havia rompido com a sinagoga e feito suas primeiras s\u00ednteses com o mundo grego, h\u00e1 algumas figuras que se destacam n\u00e3o apenas pela profundidade de sua experi\u00eancia m\u00edstica como pela reflex\u00e3o acurada que sobre ela fizeram. Assim, tamb\u00e9m aqueles que abriram novos continentes na hist\u00f3ria da experi\u00eancia m\u00edstica crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Or\u00edgenes <\/em>\u00e9 um desses. Figura de primeira grandeza nos primeiros s\u00e9culos da vida da Igreja, compara a vida espiritual ao \u00eaxodo dos judeus atrav\u00e9s do deserto do Egito.\u00a0 Havendo deixado para tr\u00e1s os \u00eddolos pag\u00e3os do v\u00edcio, a alma cruza o mar vermelho num novo batismo de convers\u00e3o. \u00a0Passa perto das \u00e1guas amargas da tenta\u00e7\u00e3o e das vis\u00f5es distorcidas da utopia at\u00e9 que, totalmente purgada e iluminada, alcan\u00e7a Terah, o lugar da uni\u00e3o com Deus.\u00a0 Seu coment\u00e1rio tamb\u00e9m apresenta a primeira teologia da imagem que foi desenvolvida: a alma <em>\u00c9<\/em> uma imagem de Deus porque abriga a imagem primal de Deus, que \u00e9 a Palavra divina.\u00a0 Da mesma forma pela qual essa palavra \u00e9 uma imagem do Pai atrav\u00e9s de sua presen\u00e7a frente a ele, a alma \u00e9 uma imagem atrav\u00e9s da presen\u00e7a da palavra que nela habita, isto \u00e9, atrav\u00e9s de sua (ao menos parcial) identidade com ela.\u00a0 Todo este processo m\u00edstico vem a consistir numa convers\u00e3o \u00e0 imagem, isto \u00e9, numa convers\u00e3o a uma sempre maior identidade com a Palavra \u00edntima.\u00a0 O lugar privilegiado que Or\u00edgenes d\u00e1 ao amor ser\u00e1 o elemento que vai distinguir a teologia de Or\u00edgenes da filosofia neoplat\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Greg\u00f3rio de Nissa <\/em>e <em>Evagrio Pontico<\/em> tem uma trajet\u00f3ria derivada da de Or\u00edgenes.\u00a0 O primeiro descreve a vida m\u00edstica como um processo de gnose iniciado por um Eros divino, que resulta na plenifica\u00e7\u00e3o do desejo natural da alma para com Deus, de quem ela carrega a imagem.\u00a0 Ainda que aparentada a Deus desde o come\u00e7o, a ascens\u00e3o m\u00edstica da alma \u00e9 um lento e doloroso processo que termina em um n\u00e3o conhecimento obscuro \u2013 a noite m\u00edstica do amor.\u00a0 Essa teologia da escurid\u00e3o, ou \u201cteologia negativa\u201d, seria desenvolvida at\u00e9 os seus extremos limites por um misterioso s\u00edrio que escreveu em grego no sexto s\u00e9culo e que se apresentou a si mesmo como o <em>Dion\u00edsio<\/em> a quem Paulo converteu no Are\u00f3pago.\u00a0 Neoplat\u00f4nico como nenhum te\u00f3logo crist\u00e3o jamais ousou ser, ele identificou Deus como o Uno n\u00e3o nome\u00e1vel. (&#8230;) Atrav\u00e9s da constante nega\u00e7\u00e3o, a alma ultrapassa o mundo criado, que previne a mente de alcan\u00e7ar seu \u00faltimo destino.\u00a0 A Teologia M\u00edstica de Dion\u00edsio \u00e9 mais ext\u00e1tica do que introspectiva em seu conceito: a alma pode alcan\u00e7ar sua voca\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o com Deus somente perdendo-se a si mesma nos recessos da divina superess\u00eancia.\u00a0 A este respeito, ele difere do misticismo ocidental, o qual influenciou t\u00e3o profundamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo \u2013 Evagrio \u2013 busca a vida mon\u00e1stica e, como tal, sua aproxima\u00e7\u00e3o do deserto se d\u00e1 por etapas.\u00a0 Progride at\u00e9 ficar em completa solid\u00e3o, dedicado apenas a contempla\u00e7\u00e3o. \u00a0Para Evagrio a ascens\u00e3o espiritual consiste em contemplar Deus em si mesmo, de modo que se v\u00ea Deus como num espelho. O caminho consiste em despojar-se dos pensamentos apaixonados, depois, mesmo dos pensamentos simples, at\u00e9 a completa nudez de imagens e conceitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma forma, n\u00e3o se pode esquecer a import\u00e2ncia da m\u00edstica crist\u00e3 oriental.\u00a0 O oriente crist\u00e3o foi pr\u00f3digo em pr\u00e1ticas importantes que tiveram seu impacto inclusive no Ocidente.\u00a0 Como, por exemplo, a prece do cora\u00e7\u00e3o, a ora\u00e7\u00e3o de Jesus, o hesicasmo, que tem sua origem em Santo Ant\u00e3o, monge do deserto e pai do monarquismo oriental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ant\u00e3o, Dion\u00edsio, M\u00e1ximo o Confessor, Pac\u00f4mio, Serafim de Sarov,<\/em> entre outros, s\u00e3o grandes figuras m\u00edsticas que marcaram a hist\u00f3ria do Cristianismo e mostram uma forma de viv\u00ea-lo que \u00e9 muito mais centrada na espiritualidade do que na reflex\u00e3o intelectual e na a\u00e7\u00e3o, como algumas vezes o foi a m\u00edstica ocidental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Agostinho,<\/em> no s\u00e9culo IV, abre uma nova e decisiva etapa na m\u00edstica crist\u00e3. Descreveu a divina imagem antes em termos psicol\u00f3gicos, usando os termos das tr\u00eas potencias da alma \u2013 mem\u00f3ria, intelig\u00eancia e vontade \u2013 para explicar sua percep\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de Deus.\u00a0 Deus permanece presente \u00e0 alma ao mesmo tempo como origem e como meta suprema.\u00a0 A presen\u00e7a de Deus neste reino interior convida a alma a voltar-se para dentro e converter a semelhan\u00e7a ext\u00e1tica em uma uni\u00e3o ext\u00e1tica. (&#8230;) A alma vai sendo ent\u00e3o gradualmente unida a Deus. At\u00e9 hoje Agostinho \u00e9 considerado o pai da m\u00edstica contemplativa que se eleva para abismar-se na verdade de Deus e que, ao mesmo tempo, se d\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o. Foi algu\u00e9m que uniu a genialidade intelectual \u00e0 profundidade m\u00edstica profunda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Figuras da m\u00edstica na Idade M\u00e9dia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Idade M\u00e9dia foi de uma riqueza impressionante em termos de m\u00edstica. No s\u00e9culo XII <em>Bernardo de Claraval<\/em>, ainda muito jovem, decide ser monge da Ordem dos Cistercienses \u2013 novo ramo da antiga Ordem de S\u00e3o Bento (os beneditinos). Contempor\u00e2neo de Pedro Abelardo (1079-1142), bebe sua forma\u00e7\u00e3o na B\u00edblia e nos Padres da Igreja. Para Bernardo, a aquisi\u00e7\u00e3o dos elementos da doutrina crist\u00e3 n\u00e3o deveria acontecer racionalmente, por meio do m\u00e9todo dial\u00e9tico, mas atrav\u00e9s de uma experi\u00eancia imediata com Deus, isto \u00e9, atrav\u00e9s de uma experi\u00eancia m\u00edstica. A experi\u00eancia era baseada na f\u00e9 e essa era entendida como antecipa\u00e7\u00e3o da vontade. A m\u00edstica de Bernardo n\u00e3o foi desenvolvida em tratados, antes ela se espalha pelos seus serm\u00f5es. Trata-se de um misticismo de amor, que tem no <em>C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos<\/em> a fonte inesgot\u00e1vel que irriga sua teologia e que \u00e9 combinada com a linguagem po\u00e9tica na qual formula seu pensamento. A experi\u00eancia m\u00edstica, para Bernardo de Claraval, \u00e9, portanto, a uni\u00e3o amorosa entre a alma e Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Master Eckhart<\/em> \u2013 m\u00edstico ousado, posto mesmo em suspeita pela hierarquia eclesi\u00e1stica \u2013 experimenta e afirma que Deus \u00e9 ser e ser no sentido estrito apenas Deus \u00e9.\u00a0 Para Eckhart, a criatura <em>qua<\/em> n\u00e3o existe. (&#8230;) Assim, Deus \u00e9 totalmente imanente na criatura como sua pr\u00f3pria ess\u00eancia, ainda que totalmente transcendendo-a como o \u00fanico ser (&#8230;) Apenas a auto express\u00e3o ilimitada de Deus em sua eterna Palavra (o Filho) \u00e9 sua perfeita imagem (&#8230;) A mente (&#8230;) atualiza plenamente esta iman\u00eancia (&#8230;) Antes que presen\u00e7a, Eckhart fala de identidade (&#8230;) O ser da alma \u00e9 gerado em um eterno agora com (na verdade, dentro de) a divina Palavra. (&#8230;) Na verdade a alma espiritual n\u00e3o mais prepara um <em>lugar<\/em> para Deus, pois \u201cDeus \u00e9 ele mesmo o lugar onde Ele trabalha\u201d (DUPR\u00c9, 1987, p.253). Teve muitos seguidores, dos quais um dos mais ilustres foi <em>Johannes Tauler<\/em>. \u00a0Durante sua juventude como monge dominicano, Tauler manteve estreito contato com Mestre Eckhart, cuja atividade foi intensa em Estrasburgo entre os anos 1313 e 1326.\u00a0 A teologia m\u00edstica de Tauler tem como suporte a m\u00edstica Eckhartiana centrada na no\u00e7\u00e3o do <em>grunt, <\/em>a fus\u00e3o do humano em Deus.\u00a0 Difere desse, entretanto, no acento menor sobre as explora\u00e7\u00f5es filos\u00f3fico-teol\u00f3gicas de tem\u00e1ticas como a divina natureza. E mant\u00e9m certa originalidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00edstica Eckhartiana por enraiz\u00e1-la na vida da Igreja, sobretudo em sua din\u00e2mica sacramental.\u00a0 Entendeu o seguimento de Cristo como processo que abarca uma experi\u00eancia m\u00edstica de abandono por Deus que, embora estranha a Eckhart, pode ser encontrada em outros m\u00edsticos medievais, sobretudo mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra m\u00edstica muito influenciada por Eckhart foi <em>Marguerite Porete<\/em>, \u00a0que viveu entre a segunda metade do s\u00e9culo XIII e in\u00edcio do s\u00e9culo XIV. Pertenceu ao Movimento Beguinal, que se desenvolveu como alternativa de vida religiosa leiga na Ren\u00e2nia e Pa\u00edses Baixos. A \u00fanica obra de sua autoria que conhecemos \u2013 <em>O Espelho das almas simples &#8211; <\/em>\u00a0\u00e9 uma alegoria m\u00edstica sobre o caminho que conduz a alma \u00e0 uni\u00e3o perfeita com seu Criador e Senhor e estrutura-se como um di\u00e1logo em que os principais interlocutores s\u00e3o Amor, Raz\u00e3o e a Alma aniquilada personificados. Seu grande tema \u00e9 o aniquilamento, descrito como o estado em que as almas simples adquirem a mais plena liberdade e o saber mais alto. De Deus, recebe mais saber do que o contido nas escrituras, mais compreens\u00e3o do que a que est\u00e1 no alcance, capacidade ou no trabalho humano de alguma criatura. A alma, sendo nada, possui tudo e n\u00e3o possui nada, v\u00ea tudo e n\u00e3o v\u00ea nada, sabe tudo e n\u00e3o sabe nada. Marguerite Porete foi condenada \u00e0 fogueira por heresia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hildegard de Bingen<\/em> inaugura um outro tipo de m\u00edstica, que faz fronteira bem pr\u00f3xima com a ci\u00eancia. Sua m\u00edstica combinava percep\u00e7\u00f5es sensoriais de v\u00e1rias esp\u00e9cies com um conte\u00fado aleg\u00f3rico-teol\u00f3gico intenso e profundo. Suas vis\u00f5es lhe surgiam em plena consci\u00eancia desperta, vendo-as atrav\u00e9s de seus sentidos espirituais enquanto permanecia de posse de seus sentidos corporais, e tamb\u00e9m eram-lhe causa de sofrimento ou exaust\u00e3o f\u00edsicos, muito agravados quando ela se recusava ou tardava a coloc\u00e1-las por escrito. A obra m\u00edstica de Hildegard se constr\u00f3i a partir de suas vis\u00f5es: primeiro, s\u00e3o descritas e, depois, interpretadas. Trata-se de vis\u00f5es cosmol\u00f3gicas, nas quais se assiste \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o e ao fim dos tempos. A ambival\u00eancia pr\u00f3pria do s\u00edmbolo e a polival\u00eancia significativa estreitam-se na interpreta\u00e7\u00e3o, sempre conforme a teologia crist\u00e3, mas, nas descri\u00e7\u00f5es, sua intensidade e riqueza ficam patentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O maior nome da m\u00edstica medieval \u00e9, sem d\u00favida, <em>Francisco de Assis<\/em>.\u00a0 \u00c9 ele o primeiro a explicitar a liga\u00e7\u00e3o entre m\u00edstica e conduta moral. Sua m\u00edstica tem como centro a pobreza \u2013 a quem ele chama de Dama e com quem diz estar desposado \u2013 e o servi\u00e7o aos pobres. Abandona tamb\u00e9m o estilo de Igreja organizada fortemente na sua hierarquiza\u00e7\u00e3o piramidal para se tornar <em>frater<\/em>, irm\u00e3o de todos, sem nenhum t\u00edtulo hier\u00e1rquico. Francisco construir\u00e1 toda uma fraternidade com os pobres, vivendo com eles e como eles.\u00a0 Estabelecer\u00e1 com os \u00faltimos da terra uma comunh\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de ajuda material, mas de sentidos: \u201c(&#8230;) toca-os, beija-os, come com eles da mesma panela, sente a sua pele (&#8230;)\u201d (cf. a proximidade sensorial de Francisco dos pobres\u00a0 2Celano 85. Ver tamb\u00e9m coment\u00e1rio em BOFF, 1988, p.142). E seu caminho autenticamente pascal, j\u00e1 que passa por uma ascese crucificante que de tudo se despoja chegando \u00e0 nudez mais radical em comunh\u00e3o com o Crucificado, recebe como gra\u00e7a uma dilata\u00e7\u00e3o interior que lhe permite comungar em maior profundidade com a beleza do mundo at\u00e9 sentir-se em comunh\u00e3o com o universo inteiro.\u00a0 Disso d\u00e3o testemunho alguns de seus escritos, como o C\u00e2ntico do Irm\u00e3o Sol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta do s\u00e9culo XIV, o mundo ocidental mergulhou em um per\u00edodo de crise econ\u00f4mica, demogr\u00e1fica e de valores.\u00a0 O clero cat\u00f3lico havia enriquecido e mostrava costumes dissolutos. Nos Pa\u00edses Baixos, surgiram grupos de homens e mulheres que viviam em recolhimento e praticavam a pobreza, a humildade, a obedi\u00eancia e a abnega\u00e7\u00e3o.\u00a0 Tinham o objetivo de reformar a Igreja oficial com sua vida e seu ensino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas atitudes deram in\u00edcio ao movimento chamado <em>Devotio Moderna<\/em> que se espalhou por toda a Europa Ocidental e cuja obra de refer\u00eancia \u00e9 um pequeno livro chamado <em>A Imita\u00e7\u00e3o de Cristo. <\/em>A obra destinava-se a todos, sem exce\u00e7\u00e3o, mas principalmente \u00e0queles desejosos de transformar e santificar o seu quotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Figuras da m\u00edstica na \u00e9poca moderna<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Idade Moderna, com seu movimento de seculariza\u00e7\u00e3o e autonomia do ser humano em rela\u00e7\u00e3o ao mundo teoc\u00eantrico da Idade M\u00e9dia, produziu, no entanto, grandes m\u00edsticos.\u00a0 Em primeiro lugar estariam os do Siglo de Oro espanhol: Jo\u00e3o da Cruz e Teresa de \u00c1vila.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Juan de La Cruz<\/em> nasceu Juan de Yepes Alvarez em 1542, em Fontiveros, Espanha. Oriundo de uma fam\u00edlia de aristocratas empobrecidos, ingressa na Ordem Carmelita aos 21 anos, certamente impulsionado pelos ideais de solid\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o absoluta dos primeiros eremitas fundadores da ordem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua m\u00edstica tem como uma das categorias centrais a noite escura, a qual, em clara contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 met\u00e1fora da luz, tantas vezes relacionada ao <em>insight <\/em>cognitivo que emancipa o humano das trevas da ignor\u00e2ncia, fala da nega\u00e7\u00e3o das possibilidades de conhecimento que \u00e9 assumida como m\u00e9todo para uma experi\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 nem sens\u00edvel nem intelig\u00edvel, n\u00e3o sendo catalog\u00e1vel pelo nosso sistema de cogni\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3stolo do absoluto desprendimento e do absoluto amor, Jo\u00e3o da Cruz conjuga essas duas caracter\u00edsticas em uma m\u00edstica que se encontra na esfera da passividade, onde a dic\u00e7\u00e3o m\u00edstica assume-se feminina, discurso apaixonado de quem experimenta o pathos da Presen\u00e7a divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Teresa de \u00c1vila<\/em> foi a primeira mulher a receber o t\u00edtulo de doutora da igreja, por decreto de Paulo VI. Ao lado de Jo\u00e3o da Cruz, foi a reformadora da Ordem do Carmo, fundando as Carmelitas Descal\u00e7as, mais pr\u00f3ximas do ideal m\u00edstico contemplativo que originalmente orientava a Ordem. H\u00e1 em Teresa uma profunda consci\u00eancia de que o corpo \u00e9 essencial n\u00e3o apenas para a experi\u00eancia m\u00edstica, mas para a pr\u00f3pria espiritualidade crist\u00e3. Em sua autobiografia, Teresa defende firmemente a valoriza\u00e7\u00e3o do corpo contra teorias platonizantes que pregavam uma espiritualidade <em>et\u00e9rea<\/em>, diz-nos a Santa: \u201c(&#8230;) n\u00f3s n\u00e3o somos anjos, ao contr\u00e1rio, temos corpo. Querer fazer-nos anjos estando na terra (&#8230;) \u00e9 desatino. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 preciso ter apoio, o pensamento, para a vida normal. (&#8230;) em tempo de secura, \u00e9 muito bom amigo Cristo, porque o vemos Homem, e o vemos com fraquezas e tormentos, e faz companhia\u201d (JESUS, 1997, p.203-4). Essa consci\u00eancia do corpo como l\u00f3cus onde a experi\u00eancia m\u00edstica se d\u00e1 aparece tanto em sua prosa, notavelmente na autobiografia <em>Vida<\/em>, como em sua l\u00edrica, que se destaca pelo <em>pathos <\/em>que a atravessa. Esses s\u00e3o versos que impressionam pelo erotismo m\u00edstico, pois s\u00e3o, como a pr\u00f3pria Teresa o confessa em um de seus poemas, \u201cnacidos del fuego del amor de Dios que em s\u00ed ten\u00eda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contempor\u00e2neo dos dois m\u00edsticos acima citados, <em>I\u00f1igo L\u00f3pez, <\/em>posteriormente In\u00e1cio de Loyola, inaugurou uma m\u00edstica mais sintonizada com a modernidade e seu novo estilo de vida. \u00a0Como cortes\u00e3o, levou at\u00e9 os 26 anos vida de vaidades e mundanidade. Foi em uma batalha contra os franceses, em Pamplona, no ano de 1521, que uma bala de canh\u00e3o atingiu-lhe gravemente uma das pernas e ele foi obrigado a recolher-se ao castelo de Loyola, onde viviam seu irm\u00e3o e sua cunhada, pessoa muito religiosa.\u00a0 Durante a longa convalescen\u00e7a, como n\u00e3o houvesse livros de cavalaria que o entretivessem, come\u00e7ou a ler a <em>Vita Christi<\/em> do cartuxo Ludolfo de Sax\u00f4nia e a <em>Legenda \u00c1urea<\/em> sobre a vida dos santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez curado, dep\u00f4s suas armas de cavaleiro e vestiu o burel de peregrino, passando a andar pelos caminhos da Espanha em penit\u00eancia e ora\u00e7\u00e3o, e analisando e refletindo sobre as experi\u00eancias que Deus lhe fazia viver. Em suas andan\u00e7as teve experi\u00eancias luminosas e tamb\u00e9m passou por longos per\u00edodos de trevas e afli\u00e7\u00e3o.\u00a0 Isso lhe deu grande conhecimento sobre a vida no Esp\u00edrito e passou a anotar suas experi\u00eancias e sistematiz\u00e1-las, a fim de que servissem a outros.\u00a0 Assim nasceram as primeiras medita\u00e7\u00f5es do famoso livro que escrever\u00e1 e que se chamar\u00e1 <em>Exerc\u00edcios Espirituais<\/em>, um dos mais importantes livros de espiritualidade do ocidente crist\u00e3o, que ser\u00e1 um instrumento de forma\u00e7\u00e3o de muitos e muitas que desejam crescer na vida espiritual. \u00a0Fundou a Companhia de Jesus, ordem mission\u00e1ria que presta especial obedi\u00eancia ao Papa para o maior servi\u00e7o de Deus e das almas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00c2ngelus Silesius<\/em> nasceu na Pol\u00f4nia, em 1624, dentro de uma tradicional fam\u00edlia luterana, tendo como nome de batismo Johannes Scheffer. O pseud\u00f4nimo veio depois, com a convers\u00e3o ao catolicismo (em 1653, aos 28 anos), e faz refer\u00eancia \u00e0 Sil\u00e9sia, sua terra natal. Em 1653, em circunst\u00e2ncias n\u00e3o muito claras, Scheffer converte-se ao catolicismo, come\u00e7ando a escrever sua grande e \u00fanica obra m\u00edstica <em>O Peregrino Querub\u00ednico<\/em>. Pertencendo \u00e0 mesma tradi\u00e7\u00e3o apof\u00e1tica de Eckhart, as imagens des\u00e9rticas comparecem nos poemas de Silesius como figuras de uma necess\u00e1ria aporia: a necessidade de ir al\u00e9m Deus, ultrapassando toda forma de rela\u00e7\u00e3o objetal entre um eu humano e um Tu divino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aparecem, a partir da\u00ed, n\u00e3o tanto grandes figuras individuais m\u00edsticas, mas correntes espirituais destinadas a ajudar as pessoas a crescer na sua rela\u00e7\u00e3o com Deus, como a \u201cIntrodu\u00e7\u00e3o \u00e0 vida devota\u201d de <em>S\u00e3o Francisco de Sales<\/em> e outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os s\u00e9culos XVII e XVIII na Fran\u00e7a conheceram algumas figuras m\u00edsticas um tanto at\u00edpicas, mas cuja contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria mesma do cristianismo, n\u00e3o se pode ignorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Blaise Pascal<\/em> nasceu em Clermont-Ferrand, Fran\u00e7a, em 1623.\u00a0 O talento precoce para as ci\u00eancias f\u00edsicas\u00a0levou a fam\u00edlia a Paris, onde ele se consagra ao estudo da matem\u00e1tica, notabilizando-se nessa ci\u00eancia para a qual deu not\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o. Convertido ao jansenismo, desenvolve enorme fervor religioso. Na sequ\u00eancia de uma experi\u00eancia m\u00edstica, em finais de 1654, faz a sua &#8220;segunda convers\u00e3o&#8221; e abandona as ci\u00eancias para se dedicar exclusivamente \u00e0 filosofia\u00a0e \u00e0 teologia, num per\u00edodo marcado pelo conflito entre jansenistas e jesu\u00edtas. Recolhe-se posteriormente \u00e0 abadia de Port-Royal-des-Champs, centro do jansenismo.\u00a0 Grande cr\u00edtico de Descartes, Pascal desenvolve uma m\u00edstica do cora\u00e7\u00e3o, sendo sua a c\u00e9lebre frase \u201cO cora\u00e7\u00e3o tem raz\u00f5es que a pr\u00f3pria raz\u00e3o desconhece.\u201d Sua vis\u00e3o jansenista faz com que sua m\u00edstica seja muito impregnada de um rigorismo moral que o faz ser marcado por uma obsess\u00e3o da culpa e da condena\u00e7\u00e3o. Moderno, Pascal \u00e9 herdeiro de Agostinho quanto \u00e0 m\u00edstica e tamb\u00e9m ao rigor moral, al\u00e9m de fazer da ci\u00eancia parte integrante de sua m\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Jean Joseph Surin<\/em> nasceu em 1600 e morreu em 1665. Era jesu\u00edta e um grande diretor espiritual.\u00a0 De temperamento obsessivo, a vida espiritual o consumia. Sua miss\u00e3o de ser exorcista no convento das ursulinas de Ludun, atormentadas pelo dem\u00f4nio, tanto o afetou que o fez oferecer-se a si mesmo para ser possu\u00eddo pelo dem\u00f4nio a fim de expiar os crimes terr\u00edveis que ali se cometiam por sua mal\u00e9fica a\u00e7\u00e3o. Foi assim atormentado at\u00e9 o fim de sua vida, mergulhando em profundas desola\u00e7\u00f5es e vivendo em uma t\u00eanue fronteira entre a m\u00edstica e a loucura. Quando pregava, no entanto, Deus falava por sua boca. Nos \u00faltimos anos de sua vida viveu verdadeira santidade, permanecendo absorvido na abund\u00e2ncia das divinas comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso,\u00a0 ainda no s\u00e9culo XVII, surgiu na Fran\u00e7a uma devo\u00e7\u00e3o particular que teve origem nas experi\u00eancias de uma m\u00edstica: <em>Margarida Maria Alacocque,<\/em> uma religiosa da Ordem da Visita\u00e7\u00e3o.\u00a0 Ela recebeu grandes revela\u00e7\u00f5es por parte de Jesus Cristo, que lhe mostrou os segredos de seu cora\u00e7\u00e3o e a incumbiu de propagar esta devo\u00e7\u00e3o ao Cora\u00e7\u00e3o de Jesus pelo mundo inteiro. Esta devo\u00e7\u00e3o propagou-se rapidamente, recebendo apoio de papas e bispos e tamb\u00e9m o ativo suporte da Companhia de Jesus, que ajudou a divulg\u00e1-la e pratic\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>4 Figuras da m\u00edstica na \u00e9poca contempor\u00e2nea<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O assim chamado s\u00e9culo sem Deus \u2013 o s\u00e9culo XX \u2013 n\u00e3o est\u00e1 vazio da presen\u00e7a e da experi\u00eancia de Deus por parte das pessoas. Mas essa presen\u00e7a e essa experi\u00eancia acontecem e se fazem vis\u00edveis de maneira diferente.\u00a0 Os m\u00edsticos n\u00e3o mais s\u00e3o encontrados principalmente dentro dos claustros ou das ordens religiosas. Podem ser vistos em f\u00e1bricas, em meio ao ritmo barulhento e estressante das m\u00e1quinas e ind\u00fastrias. Ou nas ruas com os mais pobres e deserdados do assim chamado &#8220;progresso&#8221;. Ou na pris\u00e3o, devido a sua atividade e compromisso, considerado perigoso por autoridades estabelecidas. Ou no inferno dos lagers e gulags de todas as origens e formas. Ou seja, em situa\u00e7\u00f5es muito seculares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Thomas Merton<\/em> nasceu em 1915, no Sul da Fran\u00e7a, filho de artistas, Owen e Ruth: ele, neozeland\u00eas; ela, norte-americana. Ainda em meados dos anos 1930, Merton interessou-se por assuntos religiosos \u2013 na inf\u00e2ncia, passara por denomina\u00e7\u00f5es protestantes, n\u00e3o criando v\u00ednculos. Ap\u00f3s manifestar curiosidade por religi\u00f5es orientais, voltou-se aos cl\u00e1ssicos da espiritualidade crist\u00e3. Em 1938, converteu-se ao catolicismo romano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de 1941 optou pela vida mon\u00e1stica, sendo admitido entre os trapistas da Abadia do Geths\u00eamani, no Kentucky. No claustro, Merton foi autorizado a escrever, passando a ser autor de sucesso. \u00a0Al\u00e9m da teologia e da profunda espiritualidade que se pode encontrar em seus escritos, tratou de diversas quest\u00f5es candentes da cada vez mais plural sociedade contempor\u00e2nea: direitos civis e segrega\u00e7\u00e3o racial, n\u00e3o viol\u00eancia, pacifismo e o risco de uma hecatombe nuclear, despertar da consci\u00eancia ecol\u00f3gica no planeta, di\u00e1logo ecum\u00eanico e as rela\u00e7\u00f5es entre culturas ocidentais e orientais. Sua preocupa\u00e7\u00e3o era unir contempla\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o e fazer dialogar a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 com outras. Neste esp\u00edrito, viajou para o Oriente, em 1968, visitando a \u00c1sia. Faleceu eletrocutado em Bangkok, quando tomava parte de encontro inter-religioso entre crist\u00e3os e budistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Charles de Foucauld<\/em> nasceu em Estrasburgo, Fran\u00e7a, em 1858.\u00a0 De meio aristocr\u00e1tico, ficou \u00f3rf\u00e3o cedo e tornou-se militar.\u00a0 Perdeu a f\u00e9 e levou uma vida dissipada, at\u00e9 deixar o Ex\u00e9rcito e ir ao Marrocos.\u00a0 Ali, o testemunho da f\u00e9 mu\u00e7ulmana o levou a recolocar-se a quest\u00e3o: Deus existe? Converteu-se aos 28 anos e come\u00e7ou uma vida de sempre maior busca de Deus, em um processo de descida <em>ken\u00f3tica<\/em> ao lugar mais pobre e mais dif\u00edcil.\u00a0 Entrou na Trapa e saiu.\u00a0 Tornou-se eremita e viveu em Nazar\u00e9 trabalhando como carpinteiro para seguir Jesus em sua vida oculta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua m\u00edstica est\u00e1 centrada no amor por Jesus, na devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e no aniquilamento da pobreza e da obscuridade para seguir Jesus mais radicalmente.\u00a0 Instala-se na Arg\u00e9lia e leva uma vida isolada do mundo numa zona de Tuaregues, em um di\u00e1logo testemunhal com a popula\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana. N\u00e3o procurava converter ningu\u00e9m, mas apenas amar, \u201cgritar o Evangelho&#8221; com sua vida. Tem a inten\u00e7\u00e3o de criar uma nova ordem religiosa, o que sucede apenas depois da sua morte: os Irm\u00e3ozinhos de Jesus. Morre assassinado por assaltantes de passagem em 1\u00ba de dezembro de 1916. Foi beatificado pelo Papa Bento XVI em 13 de novembro de 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Edith Stein <\/em>\u00a0\u00a0nasce em Breslau, Alemanha, no dia 12 de outubro de 1891. \u00c9 a filha mais nova de uma fam\u00edlia de 12 irm\u00e3os. Seus pais s\u00e3o judeus praticantes e Edith bebe toda essa f\u00e9 israelita no seio de sua fam\u00edlia. Muito capaz intelectualmente, estuda psicologia e depois filosofia e torna-se a disc\u00edpula predileta do grande fil\u00f3sofo alem\u00e3o Edmund Husserl.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Converte-se ao catolicismo, em 1921, a partir da leitura do <em>Livro da Vida,<\/em> de Santa Teresa d\u2019\u00c1vila.\u00a0 Afirma: \u201ca Verdade que buscava era precisamente aquele Deus de quem e para quem a santa havia vivido\u201d. Tornando-se cat\u00f3lica e religiosa carmelita, o cristianismo reaviva sua f\u00e9 judaica e seu amor pelo povo judeu. Jesus Cristo \u00e9 aquele que vem concretizar as promessas salv\u00edficas do Deus de Israel, o verdadeiro e \u00fanico Deus, conforme as Escrituras judaicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro do juda\u00edsmo e do cristianismo em Edith Stein a conduz ao lugar teol\u00f3gico por excel\u00eancia desse encontro: a cruz de Cristo. Esta cruz retrata a imagem n\u00e3o apenas de todo o sofrimento do povo judeu, como tamb\u00e9m o sacrif\u00edcio do pr\u00f3prio Cristo, e o de sua Igreja. Quando a persegui\u00e7\u00e3o nazista recrudesce, sente que seu destino est\u00e1 ligado ao deste povo no seio do qual nasceu e que nunca deixou de amar apesar de sua convers\u00e3o. Escreve: <em>\u201c<\/em>N\u00e3o \u00e9 a atividade humana que nos salva, mas somente a Paix\u00e3o de Cristo. Participar dela \u00e9 a minha \u00fanica aspira\u00e7\u00e3o<em>\u201d.<\/em> Pede \u00e0 superiora a permiss\u00e3o de oferecer sua vida pela reden\u00e7\u00e3o de seu povo e o faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela \u00e9 tirada de seu convento pelas SS e levada ao campo de concentra\u00e7\u00e3o. Depois, \u00e9 deportada com outros judeus em trem em dire\u00e7\u00e3o ao campo de exterm\u00ednio de Auschwitz. Edith Stein morreu como todos os judeus que a acompanhavam, na c\u00e2mara de g\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Dietrich Bonhoeffer<\/em> nasceu em 4 de fevereiro de 1906, em Breslau na Alemanha. Estudou Teologia na It\u00e1lia, em Berlim e T\u00fcbingen, onde bacharelou-se aos 21 anos. Trabalhou como pastor em v\u00e1rias igrejas de l\u00edngua alem\u00e3 em outros lugares da Europa, como Barcelona e Londres. A partir de 1939, ap\u00f3s recusar a oportunidade de permanecer nos EUA, oferecida quando foi ministrar um curso, engaja-se firmemente na resist\u00eancia ao nazismo e participa de uma conspira\u00e7\u00e3o contra a vida de Hitler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A opera\u00e7\u00e3o da qual participava foi descoberta e, em 1943, ele foi preso em Berlim. No entanto, mesmo na pris\u00e3o, ao se comunicar com parentes e amigos atrav\u00e9s de cartas, elabora sua teologia, que ganha ainda mais um acento testemunhal. Essas cartas da pris\u00e3o foram publicadas ap\u00f3s a sua morte, com o t\u00edtulo de <em>Resist\u00eancia e submiss\u00e3o. <\/em>Foi morto aos 39 anos, em 1945, j\u00e1 quase no final da guerra.\u00a0 Ao ser conduzido ao julgamento sum\u00e1rio que o levou \u00e0 forca, escreveu: \u201cIsso \u00e9 o fim.\u00a0 Mas para mim \u00e9 o in\u00edcio da vida!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pastor, te\u00f3logo e m\u00edstico, Bonhoeffer deixou um legado precioso. Em sua vida, integrou experi\u00eancia de Deus e testemunho, a\u00e7\u00e3o e contempla\u00e7\u00e3o \u2013 at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias \u2013, como fica evidente nas instru\u00e7\u00f5es dadas, no semin\u00e1rio clandestino, aos alunos que n\u00e3o aceitavam a instru\u00e7\u00e3o da Igreja evang\u00e9lica oficial alem\u00e3. Considerava a experi\u00eancia de Deus o crit\u00e9rio fundamental e determinante para a tomada de decis\u00e3o do sujeito dentro de um contexto espec\u00edfico que o chama \u00e0 responsabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos deixar de mencionar, entre os m\u00edsticos crist\u00e3os do s\u00e9culo XX, \u00a0uma mulher que \u00e9 uma m\u00edstica de fronteira: <em>Simone Weil.<\/em> Nasceu em Paris no dia 3 de fevereiro de 1909, em uma fam\u00edlia abastada de origem judia.\u00a0 Irm\u00e3 de Andr\u00e9 Weil, um dos grandes matem\u00e1ticos do s\u00e9culo, Simone buscou o estudo da filosofia. Mas, apesar de seus not\u00e1veis dotes intelectuais, seu processo interior come\u00e7a a entrela\u00e7ar-se inequivocamente com a realidade da opress\u00e3o e injusti\u00e7a do mundo; da viol\u00eancia da qual s\u00e3o v\u00edtimas muitos milhares de seres humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s participar por algum tempo de lutas pol\u00edticas partid\u00e1rias de esquerda, toma a decis\u00e3o de trabalhar em uma f\u00e1brica, durante um ano, para partilhar por dentro a vida dos oper\u00e1rios.\u00a0 Ao sair da f\u00e1brica, acontecem tr\u00eas experi\u00eancias que v\u00e3o lev\u00e1-la ao encontro do Cristianismo (em P\u00f3voa do Varzim, Portugal; em Assis e em Solesmes, Fran\u00e7a).\u00a0 Ap\u00f3s isso, um poema chamado \u201cLove\u201d (Amor) do ingl\u00eas George Herbert a faz ter uma experi\u00eancia m\u00edstica definitiva: sentir-se tomada para si por Cristo. A guerra recrudesce e ela deve deixar Paris com os pais.\u00a0 Em Marselha, conhece o padre dominicano Joseph Marie Perrin, com quem conversa.\u00a0 Ele lhe prop\u00f5e o Batismo, mas ela recusa, por dificuldades que tem com a Igreja e por n\u00e3o querer separar-se do que h\u00e1 de verdade nas outras religi\u00f5es. Vai a Nova York com os pais e volta \u00e0 Inglaterra, esperando poder entrar na Fran\u00e7a para ali trabalhar na Resist\u00eancia. N\u00e3o lhe \u00e9 permitido e ela morre sozinha, em Londres, aos 34 anos. Uma amiga a batiza, em seus \u00faltimos dias, com \u00e1gua da torneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua m\u00edstica, profunda e verdadeira, inclui um grande amor por Jesus Cristo crucificado, vendo nele a revela\u00e7\u00e3o perfeita de Deus.\u00a0 E ao mesmo tempo uma grande identifica\u00e7\u00e3o com os pobres e os desventurados a quem sua compaix\u00e3o se dirige de maneira especial. A m\u00edstica de Simone Weil, como ela mesma diz, \u00e9 crist\u00e3, mas permanecendo no umbral da institui\u00e7\u00e3o e da perten\u00e7a oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Am\u00e9rica Latina, tamb\u00e9m encontram-se figuras m\u00edsticas de grande import\u00e2ncia, desde os tempos da col\u00f4nia portuguesa e espanhola at\u00e9 os dias de hoje. \u00a0Uma delas \u00e9 <em>Santa Rosa de Lima,<\/em> nascida em 1586. De fam\u00edlia rica, renunciou a tudo para fazer-se Terceira Dominicana, vivendo em grande pobreza.\u00a0 Recebeu imensas gra\u00e7as m\u00edsticas e tinha o dom dos milagres, de forma que muitas pessoas vinham v\u00ea-la para obt\u00ea-los. Dela, disse o Cardeal Ratzinger, em homilia no Santu\u00e1rio de Santa Rosa de Lima, no Peru, em 19 de julho de 1986:\u00a0\u201cDe certa forma, essa mulher \u00e9 uma personifica\u00e7\u00e3o da Igreja da Am\u00e9rica Latina: imersa em sofrimentos, desprovida de meios materiais e de um poder significativos, mas tomada pelo \u00edntimo ardor causado pela proximidade de Jesus Cristo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos mais recentes, no continente latino-americano, outras grandes figuras m\u00edsticas apareceram no contexto de uma Igreja que se voltou para os pobres,\u00a0 e uniu indissoluvelmente Evangelho e justi\u00e7a social. Entre eles destacamos <em>Ernesto Cardenal<\/em> (1925-), que sempre foi mais identificado como poeta e ativista revolucion\u00e1rio com fortes v\u00ednculos com a teologia da liberta\u00e7\u00e3o. Mas o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o hoje em sua pessoa e sua obra \u00e9 o seu perfil espiritual e m\u00edstico, detectado precocemente por Thomas Merton, seu mestre de novi\u00e7os na Trapa, entre os anos de 1957 e 1959.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algo profundamente significativo ocorreu com ele em 1956, e que por ele \u00e9 considerado como uma convers\u00e3o. Foi um profundo \u00eaxtase m\u00edstico que transformou sua vida. Significou uma inaugural experi\u00eancia contemplativa, que se conjugava com um projeto solid\u00e1rio ao servi\u00e7o de seu povo. A partir da\u00ed decidiu entrar na Trapa, onde sob a guia de Merton desenvolveu uma sintonia entre vida contemplativa e vida ativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por raz\u00f5es de sa\u00fade, teve que abandonar a Trapa e, depois de v\u00e1rias mudan\u00e7as de lugar, estabeleceu-se no arquip\u00e9lago de Solentiname, na Nicar\u00e1gua, onde criou uma comunidade mon\u00e1stica que visava a uma presen\u00e7a espiritual distinta, com envolvimento vivo na comunidade dos pobres. Sua m\u00edstica \u00e9 uma \u201cm\u00edstica c\u00f3smica\u201d, de abertura ao mundo e de sensibiliza\u00e7\u00e3o ao real. Tem uma perspectiva que envolve um olhar profundamente aberto para a realidade, para o cosmos e para o seu tempo. \u00c9 tamb\u00e9m uma m\u00edstica centrada na experi\u00eancia do Deus da vida, n\u00facleo de sua \u00a0trajet\u00f3ria espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma linha de Cardenal, h\u00e1 que citar outros m\u00edsticos, que n\u00e3o optaram pela vida contemplativa, mas que se destacaram por um profetismo ardente em favor dos pobres e das v\u00edtimas de toda injusti\u00e7a, oriundo de sua viv\u00eancia m\u00edstica.\u00a0 S\u00e3o eles: <em>Dom Oscar Romero<\/em>, arcebispo de San Salvador, que com suas homilias mobilizava o pa\u00eds inteiro e contrariava os interesses dos poderosos, nacional e internacionalmente, e terminou morto enquanto celebrava missa, no momento da consagra\u00e7\u00e3o, por um atirador de elite contratado por um mandante interessado em cal\u00e1-lo. Seus di\u00e1rios e homilias s\u00e3o um precioso exemplo de um homem inteiramente d\u00f3cil \u00e0 vontade de Deus e cuja \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o era construir seu Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil h\u00e1 outros m\u00edsticos inteiramente comprometidos com os pobres.\u00a0 Destacam-se as figuras de <em>Dom Helder C\u00e2mara,<\/em> bispo de Olinda e Recife, que deixou uma vasta obra de escritos m\u00edsticos, po\u00e9ticos e prof\u00e9ticos.\u00a0 Silenciado pela ditadura militar, percorreu o mundo defendendo a causa dos pobres e da paz. Tamb\u00e9m <em>Dom Luciano Mendes de Almeida<\/em>, arcebispo de Mariana,\u00a0 reconhecido por sua santidade, que unia uma enorme intelig\u00eancia a uma profunda m\u00edstica e dedica\u00e7\u00e3o pessoal e amorosa aos mais pobres.\u00a0 Escolheu como lema de seu episcopado: \u201cEm nome de Jesus\u201d.\u00a0 Da mesma forma <em>Dom Pedro Casald\u00e1liga<\/em> , bispo de S\u00e3o Felix do Araguaia, que \u00e9, al\u00e9m de m\u00edstico, poeta e escritor ex\u00edmio, tendo composto duas missas, uma sobre a m\u00edstica dos povos ind\u00edgenas (Missa da terra sem males) e outra sobre a m\u00edstica dos povos afrodescendentes (Missa dos Quilombos). Seus poemas s\u00e3o todos eles prenhes de uma m\u00edstica profunda e ardente, ao mesmo tempo que prof\u00e9tica e comprometida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Clara Bingemer &#8211; PUC-Rio, Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AUCLAIR, Marcelle. <em>Teresa de \u00c1vila<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Rafael Stanziona de Moraes. S\u00e3o Paulo: Quadrante, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BINGEN, Hildefard von. <em>Flor Brilhante. <\/em>Lisboa: Ass\u00edrio e Alvim, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOFF, L. <em>S\u00e3o Francisco de Assis<\/em>: Ternura e vigor. Petr\u00f3polis: Vozes, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BONHOEFFER, D. <em>Resist\u00eancia e submiss\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Leopoldo: Sinodal, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARDENAL, E. <em>Vida no amor<\/em>. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARROUGES, M. <em>A aventura m\u00edstica de Charles de Foucauld<\/em>. S\u00e3o Paulo: Vide, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CROUZEL, Henri.\u00a0<em>Or\u00edgenes<\/em>. Madrid: BAC, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DAVY, M. M. <em>Bernardo de Claraval. <\/em>S\u00e3o Paulo: \u00c9squilo, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DUPR\u00c9, L. Mysticism (verbete). In: M. ELIADE, M. (ed.).\u00a0<em>Encyclopedia of Religion.<\/em> \u00a0New York: Macmillan, 1987. p.251.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GUERIZOLI, Rodrigo. Mestre Eckhart: misticismo ou \u201caristotelismo \u00e9tico\u201d?\u00a0<em>Cadernos de Filosofia Alem\u00e3,<\/em>\u00a0n.11, p.57-82, jan\/jun. 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IDIGORAS, J. I. Tellechea. <em>In\u00e1cio de Loyola, sozinho e a p\u00e9. <\/em>S\u00e3o Paulo: Loyola, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JESUS, Teresa de. <em>Obras Completas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Livro da Vida<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">McGINN, B. <em>Os fundamentos da m\u00edstica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MERTON, Thomas. <em>A montanha dos sete patamares<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PASCAL, Blaise. <em>Pensamentos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PONTIQUE, \u00c9vagre le. <em>Trait\u00e9 pratique<\/em>. Sources Chr\u00e9tiennes. Paris: Cerf, 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PORETE, Marguerite. <em>O Espelho das almas simples e aniquiladas e que permanecem somente na vontade e no desejo do Amor<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2008. p.185.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">QUASTEN, Johannes.\u00a0<em>Patrolog\u00eda<\/em>. Madrid: BAC, 1962.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00c3O JO\u00c3O DA CRUZ, <em>Obras Completas. <\/em>Petr\u00f3polis, Vozes, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SILESIUS, Angelus. <em>O peregrino querub\u00ednico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">STEIN, E. <em>Escritos autobiogr\u00e1ficos y cartas<\/em>. <em>Obras Completas. <\/em>v.1<em>. <\/em>Madrid: Editorial Monte Carmelo, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TAULER, Johannes. <em>Serm\u00f5es.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VELASCO,\u00a0 J. M. <em>El fen\u00f4meno m\u00edstico<\/em>: Estudio comparado. Madri: Trotta, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WEIL, S. <em>Attente de Dieu. <\/em>Paris\u00a0: Ed. du Seuil, 1977. Cole\u00e7\u00e3o Livre de vie. \u00a0(trad. Port. <em>A espera de Deus. <\/em>Lisboa: Ass\u00edrio &amp; Alvim, 2005.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Hoje h\u00e1 te\u00f3logos que discutem se seria apropriado chamar o Cristianismo de religi\u00e3o.\u00a0 Os argumentos v\u00e3o na linha de que Jesus era judeu e n\u00e3o teria pretendido fundar outra religi\u00e3o diferente da sua. Nesse sentido, seus ensinamentos, vida e pr\u00e1tica\u00a0 seriam mais vistos como um caminho , uma proposta de vida e n\u00e3o uma religi\u00e3o. Sobre isso v. a interessante reflex\u00e3o que faz J. Moingt, <em>L\u2019 homme qui venait de Dieu<\/em>, Paris:Cerf, 1997; e tamb\u00e9m, do mesmo autor, <em>Dieu qui vient a l\u2019 homme<\/em>, Paris: Cerf, 2002. v.I.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Figuras da m\u00edstica no cristianismo antigo 2 Figuras da m\u00edstica na Idade M\u00e9dia 3 Figuras da m\u00edstica na \u00e9poca moderna 4 Figuras da m\u00edstica na \u00e9poca contempor\u00e2nea 5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas A hist\u00f3ria do Cristianismo, de mais de vinte s\u00e9culos, apresenta uma imensa riqueza de figuras protag\u00f4nicas que viveram a experi\u00eancia m\u00edstica em suas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-189","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade-e-formacao-de-cristaos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=189"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1195,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/189\/revisions\/1195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}