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{"id":183,"date":"2014-12-19T07:41:57","date_gmt":"2014-12-19T09:41:57","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=183"},"modified":"2016-04-10T09:42:33","modified_gmt":"2016-04-10T12:42:33","slug":"fe-e-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=183","title":{"rendered":"F\u00e9 e Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Quest\u00f5es introdut\u00f3rias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 Import\u00e2ncia do tema<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 A dimens\u00e3o social da f\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.3 Rela\u00e7\u00e3o f\u00e9 e justi\u00e7a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.4 Justi\u00e7a na perspectiva b\u00edblica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 O Reino de Deus e a pr\u00e1tica da justi\u00e7a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Justi\u00e7a: sinal e instrumento do Reino nas estruturas da sociedade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 A Igreja e a luta pela justi\u00e7a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 A op\u00e7\u00e3o da Igreja latino-americana e sua repercuss\u00e3o social e eclesial<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 Desafios e perspectivas atuais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Quest\u00f5es introdut\u00f3rias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.1 Import\u00e2ncia do tema<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tem\u00e1tica \u201cf\u00e9 e justi\u00e7a\u201d \u00e9 como um fio de ouro que perpassa, articula e costura as muitas p\u00e1ginas da B\u00edblia. N\u00e3o \u00e9 apenas um tema entre outros, por mais importante que seja. Nem muito menos algo secund\u00e1rio e preter\u00edvel. Ela constitui o n\u00facleo fundamental da experi\u00eancia judaico-crist\u00e3 de Deus: caracteriza e\/ou descreve tanto o Deus de Israel e de Jesus quanto o Povo de Deus em sua m\u00fatua rela\u00e7\u00e3o e <em>inter-a\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, \u201ca preocupa\u00e7\u00e3o com a justi\u00e7a foi constante entre os povos do Antigo Oriente Pr\u00f3ximo. E, dentro de Israel, a sabedoria tribal, o culto, as leis, desde antanho procuraram inculcar [&#8230;] o interesse e o afeto pelas pessoas mais fracas\u201d (SICRE, 2008, p.357). A tal ponto que se pode afirmar que \u201ca mensagem da B\u00edblia est\u00e1 centrada fundamentalmente em torno da justi\u00e7a inter-humana, isto \u00e9, das justas rela\u00e7\u00f5es com os demais em todos os \u00e2mbitos\u201d (ALONSO D\u00cdAZ, 1976, p.98).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A justi\u00e7a constitui o \u201ccora\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o de Israel e de Jesus\u201d (AGUIRRE, 1994, p.541), a \u201cideia central unificadora da teologia b\u00edblica de Israel\u201d (CODINA, 2008, p.133). \u00c9 \u201cum destes conceitos-matriz em torno do qual pode estruturar-se todo o cristianismo\u201d (GONZ\u00c1LEZ FAUS, 1999, p.394). A f\u00e9 crist\u00e3 \u201cencontra na categoria b\u00edblica de justi\u00e7a uma de suas express\u00f5es mais adequadas\u201d (VITORIA, 1994, p.562). Deste modo, sem cair em nenhum tipo de reducionismo, podemos afirmar seguramente que, ao tratar da problem\u00e1tica da rela\u00e7\u00e3o <em>f\u00e9 e justi\u00e7a<\/em>, nos situamos no cora\u00e7\u00e3o mesmo da f\u00e9 e da teologia judaico-crist\u00e3s, tocando em \u201cum dos temas mais graves da pr\u00e1xis crist\u00e3\u201d (ELLACUR\u00cdA, 2002, p.307) e em um dos problemas \u201cmais urgentes, importantes e decisivos para a reta orienta\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o da Igreja\u201d (ELLACUR\u00cdA, 2002, p.308).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.2 A dimens\u00e3o social da f\u00e9<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 \u00e9 o ato pelo qual se adere confiante e fielmente a Deus e ao seu projeto de salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 resposta humana \u00e0 proposta de Deus. A iniciativa \u00e9 de Deus (proposta). Mas, para tornar-se real e efetiva, precisa ser assumida por uma pessoa e\/ou um povo (resposta). A f\u00e9 \u00e9 um <em>dom<\/em> (Ef 2,8), mas um dom que, uma vez acolhido, recria-nos, inserindo-nos ativamente em seu pr\u00f3prio dinamismo: \u201cCriados por meio de Cristo Jesus para realizarmos as boas a\u00e7\u00f5es que Deus nos confiara como tarefa\u201d (Ef 2,10). \u00c9, portanto, <em>dom-tarefa<\/em>: algo que <em>recebemos<\/em> para <em>realizar<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ela diz respeito \u00e0 <em>vida humana em sua totalidade<\/em>. Deve configurar todas as dimens\u00f5es da vida segundo a vontade e os des\u00edgnios de Deus: tanto a dimens\u00e3o pessoal, quanto a dimens\u00e3o socioestrutural. Exige tanto a <em>convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o<\/em>, quanto a <em>transforma\u00e7\u00e3o da sociedade<\/em>; pessoas novas e sociedade nova. A f\u00e9 n\u00e3o pode jamais ser reduzida ao \u00e2mbito da individualidade, como se ela n\u00e3o tivesse nada a ver com o modo como nos vinculamos uns aos outros e interagimos. Ela tem uma <em>dimens\u00e3o social<\/em> constitutiva (cf. AQUINO J\u00daNIOR, 2011, p.15-28). E num duplo sentido: diz respeito ao modo como nos relacionamos uns com os outros, isto \u00e9, \u00e0s <em>rela\u00e7\u00f5es interpessoais<\/em> (fam\u00edlia, vizinhos, amigos, colegas, namorados, pessoas desconhecidas etc.); e diz respeito ao modo como organizamos e estruturamos nossa vida coletiva, isto \u00e9, \u00e0s <em>estruturas da sociedade<\/em> (sistemas econ\u00f4micos, pol\u00edticos, jur\u00eddicos, culturais etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.3 Rela\u00e7\u00e3o f\u00e9 e justi\u00e7a<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto confian\u00e7a, ades\u00e3o e fidelidade ao Deus que se revela em Israel e, na <em>plenitude dos tempos<\/em>, em Jesus Cristo, a f\u00e9 crist\u00e3 est\u00e1 constitutivamente referida, determinada e configurada pelo jeito de ser\/agir desse Deus na hist\u00f3ria de Israel e na pr\u00e1xis de Jesus de Nazar\u00e9. N\u00e3o se pode compreender a f\u00e9 crist\u00e3 sen\u00e3o a partir e em fun\u00e7\u00e3o do Deus de Israel e de Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse <em>Deus<\/em> se revela agindo como <em>Go\u2019el<\/em> que resgata seus parentes da escravid\u00e3o, como <em>Rei<\/em> que faz justi\u00e7a ao pobre, ao \u00f3rf\u00e3o, \u00e0 vi\u00fava e ao estrangeiro, como <em>Pastor<\/em> que apascenta suas ovelhas e as protege dos lobos, como <em>Pai<\/em> que cuida de seus filhos e os socorre em suas necessidades, para usar algumas das imagens\/met\u00e1foras que a Escritura usa para falar de Deus. Todas elas revelam a centralidade dos pobres e oprimidos na a\u00e7\u00e3o de Deus. E a rela\u00e7\u00e3o com ele, a <em>f\u00e9<\/em>, passa necessariamente pelo cuidado e pela pr\u00e1tica da justi\u00e7a com os pobres: o Deus que escuta o clamor do povo e o liberta da escravid\u00e3o \u201cdeseja que Israel se constitua em uma sociedade alternativa ao Egito, em um povo onde reina a justi\u00e7a e a solidariedade\u201d (CODINA, 2008, p.133); \u201cO Deus da b\u00edblia aparece necessariamente mediado por uma exig\u00eancia de amor incondicional que se expressa em categorias como o reino, o \u00e1gape ou a justi\u00e7a\u201d (GONZALEZ FAUS, 1999, p.289); \u201cA justi\u00e7a \u00e9 um atributo central de Deus, \u00e9 um elemento constitutivo da salva\u00e7\u00e3o; a justi\u00e7a inter-humana \u00e9 a exig\u00eancia central que Jav\u00e9 inculca e que deve caracterizar essencialmente o seu povo\u201d (AGUIRRE, 1994, p.541).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o basta reconhecer que a f\u00e9 tem uma <em>dimens\u00e3o social constitutiva<\/em>. \u00c9 preciso levar a s\u00e9rio a exig\u00eancia b\u00edblica de estrutura\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o social da vida segundo <em>o direito e a justi\u00e7a<\/em>, cujo crit\u00e9rio e cuja medida s\u00e3o sempre o pobre, o \u00f3rf\u00e3o, a vi\u00fava e o estrangeiro \u2013 s\u00edmbolo dos marginalizados de todos os tempos. De modo que \u201co compromisso com justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um elemento adicional, importado qui\u00e7\u00e1 por modas recentes, mas surge da entranha mesma da f\u00e9 em Deus\u201d; \u201ca pergunta pela justi\u00e7a nos leva diretamente ao mist\u00e9rio de Deus e ao seu projeto para a humanidade\u201d (AGUIRRE, 1994, p.541). \u201cPode-se dizer com absoluta verdade que sem op\u00e7\u00e3o pela justi\u00e7a n\u00e3o h\u00e1 convers\u00e3o a Deus (Jon Sobrino) ou, pelo menos, que tal op\u00e7\u00e3o age como teste negativo de toda convers\u00e3o\u201d (GONZALEZ FAUS, 1999, p.390). Assim como Deus se revela e \u00e9 conhecido na pr\u00e1tica da justi\u00e7a, o povo se constitui e \u00e9 reconhecido como povo de Deus na pr\u00e1tica da justi\u00e7a; assim como a justi\u00e7a caracteriza e descreve o Deus de Israel e de Jesus, deve caracterizar e definir tamb\u00e9m o povo de Deus. Em s\u00edntese, a f\u00e9 no Deus de Israel e de Jesus tem uma dimens\u00e3o social constitutiva e essa dimens\u00e3o social da f\u00e9 deve ser vivida e dinamizada segundo a l\u00f3gica da justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.4 Justi\u00e7a na perspectiva b\u00edblica<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso compreender bem o que significa justi\u00e7a na B\u00edblia. Estamos acostumados com uma id\u00e9ia de justi\u00e7a que perpassa toda a tradi\u00e7\u00e3o ocidental, mas que \u00e9 bem diferente da concep\u00e7\u00e3o b\u00edblica (cf. COMBLIN, 2008, p.33). Segundo essa concep\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a \u00e9 cega, surda e imparcial. Ela est\u00e1 cristalizada na imagem\/s\u00edmbolo da <em>deusa T\u00eamis<\/em>: uma imponente figura feminina com os olhos vendados (imparcialidade), carregando em uma das m\u00e3os uma balan\u00e7a (equil\u00edbrio) e na outra uma espada (poder\/for\u00e7a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na B\u00edblia, por sua vez, o justo por excel\u00eancia \u00e9 <em>Jav\u00e9<\/em>. E, ao contr\u00e1rio da deusa T\u00eamis, nem \u00e9 cego\/surdo nem imparcial. Pelo contr\u00e1rio. \u00c9 um Deus que <em>v\u00ea<\/em> a opress\u00e3o do seu povo, <em>escuta<\/em> seus clamores contra os opressores e <em>desce<\/em> para libert\u00e1-lo da opress\u00e3o dos eg\u00edpcios e conduzi-lo a uma terra que \u201cmana leite e mel\u201d (cf. Ex 3,7-9). Toma o partido das v\u00edtimas. \u00c9 parcial. Por isso mesmo, \u00e9 conhecido como o Deus dos pobres e dos oprimidos. Na boca de Judite: \u201cDeus dos humildes, socorro dos pequenos, protetor dos fracos, defensor dos desanimados, salvador dos desesperados\u201d (Jd 9,11). Na boca de Maria: o Deus que \u201cderruba do trono os poderosos e exalta os humildes; cumula de bens os famintos e despede vazios os ricos\u201d (Lc 1,52s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na perspectiva b\u00edblica, a justi\u00e7a n\u00e3o diz respeito \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o cega e imparcial de regras e leis estabelecidas. Ela tem a ver fundamentalmente com o direito dos pobres e oprimidos. \u201cPara os semitas, a justi\u00e7a \u00e9 n\u00e3o tanto uma atitude passiva de imparcialidade, quanto um empenho do juiz em favor do que tem direito\u201d, (GUILLET, 2009, p.501) que, segundo os profetas, quase sempre \u00e9 \u201cum pobre e uma v\u00edtima da viol\u00eancia\u201d (GUILLET, 2009, p.500). De modo que a justi\u00e7a est\u00e1 intrinsecamente vinculada \u00e0 problem\u00e1tica do direito e, mais concretamente, \u00e0 problem\u00e1tica do direito do pobre, do \u00f3rf\u00e3o, da vi\u00fava e do estrangeiro. Fazer justi\u00e7a \u00e9 respeitar e fazer valer o direito dos pobres, oprimidos e fracos (cf. COMBLIN, 2008, p.33). Nas palavras do profeta Jeremias: \u201cAssim diz o Senhor: praticai o direito e a justi\u00e7a. Livrai o explorado da m\u00e3o do opressor; n\u00e3o oprimais o estrangeiro, o \u00f3rf\u00e3o ou a vi\u00fava; n\u00e3o os violenteis nem derrameis sangue inocente neste lugar\u201d (Jr 22,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso, al\u00e9m de uma exig\u00eancia ou pr\u00e1tica moral, \u00e9 uma quest\u00e3o estritamente religiosa: justo (piedoso, servo) \u00e9 o que se adequa ou se ajusta ao Justo que \u00e9 Deus, isto \u00e9, o que faz a vontade de Deus. E a vontade de Deus, isto \u00e9, a pr\u00e1tica da justi\u00e7a, como recorda o Evangelho de Mateus (tido muitas vezes por espiritualista&#8230;), tem a ver fundamentalmente com as necessidades e os direitos dos pobres, oprimidos e fracos (cf. Mt 25,31-46). \u00c9 Deus que nos justifica e nos torna justos, mas mediante a \u201cf\u00e9 ativada pelo amor\u201d (Rm 13,8): \u201cO amor \u00e9 o cumprimento pleno da lei\u201d (Rm 13,10). De modo que o sentido religioso da justi\u00e7a, t\u00e3o enfatizado depois do ex\u00edlio (ajustar-se a Deus, fazer sua vontade), n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o prescinde nem relativiza o sentido social da justi\u00e7a enfatizado pelos profetas (observar e defender o direito do pobre, do \u00f3rf\u00e3o, da vi\u00fava e do estrangeiro), mas o implica\/sup\u00f5e e encontra nele sua medida permanente. Para Jesus, agir com miseric\u00f3rdia, praticar a justi\u00e7a \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para herdar a vida eterna (cf. Lc 10,25-37), para tomar parte no banquete escatol\u00f3gico (cf. Mt 15,31-46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 O Reino de Deus e a pr\u00e1tica da justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia n\u00e3o fala de Deus em termos abstratos e <em>universais<\/em> (onipotente, onipresente, onisciente, absoluto, imut\u00e1vel etc.), mas em termos hist\u00f3ricos e concretos (redentor, libertador, pastor, rei, pai etc.). De muitos modos e com muitas imagens ela descreve a atua\u00e7\u00e3o de Deus e sua rela\u00e7\u00e3o com o povo. Uma dessas imagens, e que se torna central na vida de Jesus, particularmente nos evangelhos sin\u00f3ticos, \u00e9 reino ou reinado de Deus \u2013 uma imagem proveniente do mundo pol\u00edtico. Deus aparece como <em>rei<\/em>, cujo <em>reinado<\/em> consiste em fazer justi\u00e7a aos pobres e oprimidos (cf. Ex 15,18, Sl 72, Mt 6,33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, \u201co tema central da proclama\u00e7\u00e3o p\u00fablica de Jesus foi o reinado de Deus\u201d (JEREMIAS, 2008, p.160) e \u201csua marca principal \u00e9 que Deus est\u00e1 realizando o ideal da justi\u00e7a real, sempre ansiado, mas nunca cumprido na terra\u201d (JEREMIAS, 2008, p.162).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa Boa Not\u00edcia do reinado de Deus s\u00f3 pode ser compreendia em refer\u00eancia ao \u201cideal r\u00e9gio\u201d do Antigo Oriente Pr\u00f3ximo, no qual \u201co rei, por sua pr\u00f3pria miss\u00e3o, \u00e9 o defensor daqueles que s\u00e3o incapazes de se defender por si mesmos\u201d; \u201c\u00e9 o protetor do pobre, da vi\u00fava, do \u00f3rf\u00e3o e do oprimido\u201d (DUPONT, 1976, p.37). Na perspectiva de Israel, \u201ca justi\u00e7a real n\u00e3o consistia primordialmente numa aplica\u00e7\u00e3o imparcial do direito, mas na prote\u00e7\u00e3o que o rei estende aos desamparados, fracos e pobres, \u00e0s vi\u00favas e aos pobres\u201d (JEREMIAS, 2008, p.162). Por isso, n\u00e3o dev\u00edamos nos surpreender e\/ou escandalizar com a afirma\u00e7\u00e3o de que \u201co an\u00fancio do advento do Reino de Deus constitui uma Boa Nova precisamente para os pobres e para os desgra\u00e7ados. Eles devem ser os beneficiados do Reino\u201d (DUPONT, 1976, p.54). Nem sequer com a afirma\u00e7\u00e3o mais radical de que o reinado de Deus \u201cpertence <em>unicamente<\/em> aos pobres\u201d (JEREMIAS, 2008, p.187). N\u00e3o por acaso, ao falar da proximidade do reinado de Deus, os evangelhos referem-se precisamente \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Jesus em favor dos pobres, doentes, impuros, pecadores etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de Jesus sem falar do reinado de Deus tampouco \u00e9 poss\u00edvel falar do reinado de Deus sem falar da justi\u00e7a aos pobres e oprimidos. Jesus, o Reino e a justi\u00e7a aos pobres s\u00e3o insepar\u00e1veis. O <em>tra\u00e7o decisivo<\/em> do reinado de Deus consiste precisamente na \u201coferta de salva\u00e7\u00e3o feita por Jesus aos pobres\u201d (JEREMIAS, 2008, p.176). De modo que o reinado de Deus, centro da vida e miss\u00e3o de Jesus, tem a ver fundamentalmente com a justi\u00e7a, isto \u00e9, com a garantia do direito do pobre, do \u00f3rf\u00e3o, da vi\u00fava e do estrangeiro; \u00e9 reino de justi\u00e7a e, por isso mesmo, \u00e9 boa not\u00edcia para os pobres, oprimidos e fracos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Justi\u00e7a: sinal e instrumento do Reino nas estruturas da sociedade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder-se-ia pensar que a justi\u00e7a \u00e9 uma caracter\u00edstica e uma exig\u00eancia da f\u00e9 judaica e n\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3; que \u00e9 central no Antigo Testamento, mas n\u00e3o no Novo Testamento; que enquanto os profetas de Israel exigiam a pr\u00e1tica do direito e da justi\u00e7a (enfoque sociopol\u00edtico), Jesus exige a pr\u00e1tica da caridade (enfoque individual e assistencial); consequentemente, que a luta pela justi\u00e7a n\u00e3o \u00e9 tarefa pr\u00f3pria dos crist\u00e3os enquanto tais, muito menos da Igreja \u2013 a caridade, sim; a justi\u00e7a, n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 preciso recordar que Jesus \u00e9 judeu; que o Deus de Jesus \u00e9 o Deus de Israel; que o Antigo Testamento faz parte das escrituras crist\u00e3s; que a a\u00e7\u00e3o de Deus e a rela\u00e7\u00e3o com ele s\u00e3o ditas\/narradas na B\u00edblia de muitas formas, com muitas imagens e muitos conceitos (justi\u00e7a, direito, paz, miseric\u00f3rdia, amor etc.); que essas formas, imagens e conceitos n\u00e3o se contrap\u00f5em, pelo menos na perspectiva b\u00edblica; e que, embora a justi\u00e7a n\u00e3o seja a \u00fanica forma de se referir \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus e \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3, \u00e9 uma forma privilegiada: seja porque constitui o cora\u00e7\u00e3o do evangelho do reinado de Deus (conceito central na B\u00edblia), seja por ser menos pass\u00edvel de interpreta\u00e7\u00f5es e\/ou manipula\u00e7\u00f5es subjetivistas (conceito adequado ao nosso tempo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consci\u00eancia da dimens\u00e3o estrutural da vida humana proporcionada pelo desenvolvimento das ci\u00eancias sociais e a tenta\u00e7\u00e3o (bem ou mal intencionada) de tomar as express\u00f5es \u201camor\u201d e \u201cmiseric\u00f3rdia\u201d em um sentido meramente interpessoal e\/ou assistencial (obras de miseric\u00f3rdia, solidariedade etc.), tornam a express\u00e3o \u201cjusti\u00e7a\u201d ainda mais importante e necess\u00e1ria em nosso tempo para designar a exig\u00eancia e o crit\u00e9rio fundamentais da a\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (direitos, sociedade nova, mundo novo etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, v\u00e1rios autores t\u00eam se esfor\u00e7ado por encontrar uma forma adequada de expressar e articular em nosso mundo o sentido b\u00edblico de justi\u00e7a em sua rela\u00e7\u00e3o com o amor. Por um lado, tratam a justi\u00e7a como express\u00e3o do amor ou como a dimens\u00e3o estrutural do amor: \u201cn\u00e3o se pode esquecer a dimens\u00e3o estrutural do amor crist\u00e3o\u201d (AGUIRRE, 1994, p.561); \u201camar em um mundo injusto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sen\u00e3o construindo a justi\u00e7a\u201d (GONZ\u00c1LEZ FAUS, 1999, p.392); \u201ca justi\u00e7a \u00e9 aquela forma que o amor adota em um mundo de opress\u00e3o e pecado\u201d (ELLACURIA, 2002, p.316). Por outro lado, falam do especificamente crist\u00e3o da justi\u00e7a, referindo-se \u00e0 l\u00f3gica amorosa da gratuidade e do perd\u00e3o: n\u00e3o se pode confundir \u201ca fome de justi\u00e7a com a sede de vingan\u00e7a\u201d, \u201ca pr\u00e1tica crist\u00e3 da justi\u00e7a deve aproximar-se mais do perd\u00e3o que da vingan\u00e7a\u201d (GONZ\u00c1LEZ FAUS, 1999, p.394); a \u201cexperi\u00eancia da f\u00e9 familiariza a justi\u00e7a com o perd\u00e3o\u201d (VITORIA, 1994, p.576). Noutras palavras, a justi\u00e7a \u00e9 tomada aqui como a pr\u00e1tica socioestrutural do amor crist\u00e3o ou como sinal e instrumento do Reino nas estruturas da sociedade. Enquanto tal, ela tem que ser realizada e dinamizada segundo a l\u00f3gica do amor e n\u00e3o segundo a l\u00f3gica do \u00f3dio e da vingan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todo caso, n\u00e3o h\u00e1 nem pode haver contradi\u00e7\u00e3o entre amor e justi\u00e7a na f\u00e9: ambas aparecem na Escritura como caracter\u00edsticas e express\u00f5es fundamentais de Deus e de seu povo; ambas dizem respeito fundamentalmente \u00e0 humanidade sofredora e \u00e0 exig\u00eancia de socorr\u00ea-la em suas necessidades; e ambas referem-se ao homem em sua totalidade, em todas as suas dimens\u00f5es, incluindo o que chamamos dimens\u00e3o socioestrutural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 A\u00a0 Igreja e a luta pela justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.1 A op\u00e7\u00e3o da Igreja latino-americana e sua repercuss\u00e3o social e eclesial<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como bem reconhece o Documento de Aparecida, \u201ca op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres \u00e9 uma das peculiaridades que marca a fisionomia da Igreja latino-americana e caribenha\u201d (Aparecida n.391). Certamente, a preocupa\u00e7\u00e3o com os pobres n\u00e3o \u00e9 algo novo na vida da Igreja. Nem \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o da Igreja da Am\u00e9rica Latina. Mas ela foi retomada de modo muito fecundo e criativo pelo Conc\u00edlio Vaticano II, com Jo\u00e3o XXIII e com o grupo \u201cIgreja dos pobres\u201d, e, particularmente, pela Igreja latino-americana, com as confer\u00eancias de Medell\u00edn e Puebla e com a teologia da liberta\u00e7\u00e3o, nos termos de \u201cIgreja dos pobres\u201d e\/ou \u201cop\u00e7\u00e3o pelos pobres\u201d (cf. AQUINO J\u00daNIOR, 2014, p.119-50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas provavelmente o que mais caracteriza e distingue a Igreja da Am\u00e9rica Latina seja o modo como tem compreendido e vivido o compromisso com os pobres: n\u00e3o apenas na assist\u00eancia imediata e na solidariedade cotidiana, como sempre se deu ao longo da hist\u00f3ria da Igreja, mas tamb\u00e9m e de modo muito particular na luta pela justi\u00e7a. J\u00e1 na Confer\u00eancia de Medell\u00edn, os bispos se deram conta do car\u00e1ter institucional\/estrutural da injusti\u00e7a e da viol\u00eancia, bem como da necessidade de mudan\u00e7as nas estruturas da sociedade. Por isso mesmo n\u00e3o falaram apenas de <em>caridade<\/em>, mas tamb\u00e9m de <em>justi\u00e7a<\/em>. Ali\u00e1s, o primeiro Documento de Medell\u00edn trata precisamente da <em>justi\u00e7a<\/em>. E a problem\u00e1tica reaparece com muita for\u00e7a no Documento de Puebla (cf. Puebla n.63-70, 87-109, 1134-1165, 1254-1293) e nas demais confer\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso tem repercutido muito no conjunto da sociedade latino-americana e no conjunto da Igreja. Negativamente, pode-se constatar essa repercuss\u00e3o atrav\u00e9s dos conflitos e persegui\u00e7\u00f5es vividos na sociedade e mesmo no interior da Igreja. O martirol\u00f3gio latino-americano \u00e9 a prova maior&#8230; Positivamente, temos a inser\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o de amplos setores da Igreja nas lutas populares em todo continente e o reconhecimento cada vez mais expl\u00edcito, pelo conjunto da Igreja, que a luta pela justi\u00e7a \u00e9 constitutiva da miss\u00e3o da Igreja. A t\u00edtulo de exemplo, basta lembrar o S\u00ednodo dos Bispos sobre <em>A justi\u00e7a no mundo<\/em> (1971) e a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica <em>Evangelii Nuntiandi<\/em> (1975). \u00c9 nessa tradi\u00e7\u00e3o que se compreende a insist\u00eancia do papa Francisco na necessidade de articular bem a pr\u00e1tica cotidiana da solidariedade com a transforma\u00e7\u00e3o das estruturas da sociedade (cf. <em>EG<\/em>, 188s) e a afirma\u00e7\u00e3o clara e precisa de que \u201cembora \u2018a justa ordem da sociedade e do Estado seja dever central da pol\u00edtica\u2019, a Igreja \u2018n\u00e3o pode nem deve ficar \u00e0 margem na luta pela justi\u00e7a\u2019\u201d (<em>EG<\/em> n.183).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.2. Desafios e perspectivas atuais<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se \u201ca promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a \u00e9 parte integrante da evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d (Puebla n.1254) e, enquanto tal, algo constitutivo e n\u00e3o opcional na vida da Igreja, o modo concreto como se d\u00e1 essa promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a depende sempre das formas reais de injusti\u00e7a e das possibilidades reais de enfrentamento da injusti\u00e7a e de efetiva\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a. Da\u00ed porque a problem\u00e1tica da justi\u00e7a n\u00e3o possa ser reduzida a meros princ\u00edpios abstratos e universais, sem muita ou nenhuma incid\u00eancia real e efetiva. Tanto as injusti\u00e7as quanto a promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a s\u00e3o reais, concretas, com rostos, nomes, endere\u00e7os, lutas etc. Neste sentido, \u00e9 preciso confrontar-se com as situa\u00e7\u00f5es reais de injusti\u00e7a e assumir as lutas concretas pela efetiva\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, n\u00e3o obstante os riscos (at\u00e9 de morte) e as ambiguidades (presentes n\u00e3o s\u00f3 na luta pela justi\u00e7a, mas na vida humana em geral e, concretamente, na vida eclesial: rela\u00e7\u00f5es de poder, express\u00f5es lit\u00fargicas, dinheiro etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de tudo, \u00e9 preciso confrontar-se com as situa\u00e7\u00f5es reais de injusti\u00e7a. Tanto as v\u00edtimas da injusti\u00e7a, quanto os que a promovem e\/ou beneficiam com ela t\u00eam nome e endere\u00e7o. Puebla j\u00e1 falava das \u201cfei\u00e7\u00f5es concret\u00edssimas\u201d da pobreza e elencava uma lista de rostos nos quais \u201cdever\u00edamos reconhecer as fei\u00e7\u00f5es sofredoras de Cristo\u201d (cf. Puebla n.31-39). Aparecida, no mesmo sentido, amplia essa lista, acrescentando alguns dos \u201cnovos rostos\u201d da pobreza (cf. Aparecida n.402). E n\u00f3s temos que continuar identificando em cada lugar ou contexto as pessoas e os grupos que t\u00eam seus direitos negados, mas tamb\u00e9m as pessoas e os grupos que produzem essa situa\u00e7\u00e3o ou se beneficiam com ela, bem como as causas e os mecanismos econ\u00f4micos, sociais, pol\u00edticos, jur\u00eddicos, culturais, religiosos etc. que produzem e sustentam essas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m assumir as lutas concretas em favor da justi\u00e7a, isto \u00e9, da garantia dos direitos dos pobres, oprimidos, pequenos e fracos. N\u00e3o basta ter compaix\u00e3o dos pobres e marginalizados, nem sequer ser solid\u00e1rio com eles \u2013 por mais importante e necess\u00e1rio que isso seja. \u00c9 preciso enfrentar os mecanismos que produzem essa situa\u00e7\u00e3o e, de alguma forma, os que a promovem ou se beneficiam com ela. Como afirma o papa Francisco, al\u00e9m dos \u201cgestos mais simples e di\u00e1rios de solidariedade\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio cooperar para \u201cresolver as causas estruturais da pobreza e promover o desenvolvimento integral dos pobres\u201d (<em>EG<\/em> n.188). \u201cA desigualdade \u00e9 a raiz dos males sociais\u201d (<em>EG<\/em> n.202). E sua supera\u00e7\u00e3o passa tanto pela convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, quanto pela transforma\u00e7\u00e3o das estruturas sociais, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s de organiza\u00e7\u00f5es sociais e da constitui\u00e7\u00e3o de for\u00e7a social capaz de enfrentar e alterar a estrutura\u00e7\u00e3o da vida coletiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, conv\u00e9m advertir que a luta contra as injusti\u00e7as e pela garantia dos direitos dos pobres, oprimidos e fracos n\u00e3o \u00e9 tarefa s\u00f3 da Igreja nem algo que ela possa realizar sozinha e por si mesma. Por um lado, a Igreja n\u00e3o disp\u00f5e dos meios econ\u00f4micos, pol\u00edticos, jur\u00eddicos, culturais etc. necess\u00e1rios para tal empreendimento. Por outro lado, h\u00e1 uma quantidade enorme de organiza\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es e for\u00e7as envolvidas nas mais diferentes lutas pela justi\u00e7a. A Igreja deve inserir-se nesse processo mais amplo e contribuir, a partir de sua miss\u00e3o (realiza\u00e7\u00e3o do reinado de Deus) e dos meios de que disp\u00f5e (comunidades, pastorais e movimentos, palavra e gesto, princ\u00edpios e valores, conscientiza\u00e7\u00e3o, den\u00fancia, mobiliza\u00e7\u00e3o popular, press\u00e3o social, articula\u00e7\u00e3o com outras for\u00e7as sociais etc.), para que a justi\u00e7a se torne realidade e os pobres, oprimidos e fracos possam viver com dignidade. A realiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, isto \u00e9, a garantia dos direitos dos pobres oprimidos e fracos \u00e9, simultaneamente, sinal e medida da realiza\u00e7\u00e3o do reinado de Deus em nosso mundo e, enquanto tal, sinal e medida da f\u00e9 crist\u00e3 (ades\u00e3o fiel e criativa ao reinado de Deus e sua justi\u00e7a) e da miss\u00e3o da Igreja (servi\u00e7o humilde e fiel ao reinado de Deus e sua justi\u00e7a).<\/p>\n<p><em>Francisco de Aquino J\u00fanior<\/em>\u00a0&#8211; FACAF e UNICAP, Brasil. Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p><strong>5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGUIRRE, R.; VITORIA, J. \u201cJusticia\u201d. In: ELLACURIA, I.; SOBRINO, J. <em>Mysterium Liberationis<\/em>. Conceptos fundamentales de la Teolog\u00eda de la Liberaci\u00f3n. San Salvador: UCA, 1994. p.539-77.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALONSO D\u00cdAZ, J. A. 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L. <em>Profetismo em Israel<\/em>. O profeta, os profetas, a mensagem. Petr\u00f3polis: Vozes, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutor em teologia pela Westf\u00e4lische Wilhelms-Universit\u00e4t de M\u00fcnster (Alemanha); professor na Faculdade Cat\u00f3lica de Fortaleza (FCF) e na Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (UNICAP); presb\u00edtero da Diocese de Limoeiro do Norte \u2013 CE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Quest\u00f5es introdut\u00f3rias 1.1 Import\u00e2ncia do tema 1.2 A dimens\u00e3o social da f\u00e9 1.3 Rela\u00e7\u00e3o f\u00e9 e justi\u00e7a 1.4 Justi\u00e7a na perspectiva b\u00edblica 2 O Reino de Deus e a pr\u00e1tica da justi\u00e7a 3 Justi\u00e7a: sinal e instrumento do Reino nas estruturas da sociedade 4 A Igreja e a luta pela justi\u00e7a 4.1 A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-183","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-e-pratica-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=183"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/183\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1197,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/183\/revisions\/1197"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}