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{"id":1818,"date":"2019-12-31T16:22:33","date_gmt":"2019-12-31T18:22:33","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1818"},"modified":"2021-01-29T12:27:13","modified_gmt":"2021-01-29T14:27:13","slug":"canon-da-sagrada-escritura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1818","title":{"rendered":"C\u00e2non da sagrada escritura"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Etimologia, defini\u00e7\u00e3o e pressupostos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 O c\u00e2non do Antigo Testamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1 C\u00e2non do Antigo Testamento antes do evento Cristo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2 Ap\u00f3s o evento Cristo por judeus n\u00e3o crist\u00e3os<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.3 Ap\u00f3s o evento Cristo por crist\u00e3os<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 O c\u00e2non do Novo Testamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.1 Reconhecimento dos escritos crist\u00e3os como sagrados<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.2 A evolu\u00e7\u00e3o das listas de textos sagrados crist\u00e3os<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00e2non da Escritura \u00e9 um tema tradicionalmente abordado pela Teologia Fundamental e comp\u00f5e assunto cl\u00e1ssico desse tratado teol\u00f3gico. Sua abordagem pressup\u00f5e a do verbete <strong>Inspira\u00e7\u00e3o e inerr\u00e2ncia<\/strong>. De fato, o estudo do c\u00e2non vincula-se ao estudo do conceito teol\u00f3gico de inspira\u00e7\u00e3o. Cronologicamente a inspira\u00e7\u00e3o da Escritura veio antes da elabora\u00e7\u00e3o do c\u00e2non b\u00edblico, que est\u00e1, portanto, vinculado \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o dos livros por ele reconhecidos (O\u2019COLLINS, 1991, p.292). Encontram-se no c\u00e2non aqueles escritos que tiveram Deus como autor, isto \u00e9, que foram divinamente inspirados (GIBERT; THEOBALD, 2007, p.39). Est\u00e3o fora dele aqueles escritos que, apesar de seu valor espiritual ou hist\u00f3rico, n\u00e3o s\u00e3o inspirados, n\u00e3o tiveram Deus como autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s an\u00e1lise da etimologia da palavra \u201cc\u00e2non\u201d, de sua defini\u00e7\u00e3o como conceito teol\u00f3gico e da explicita\u00e7\u00e3o de seus pressupostos, ser\u00e1 estudado o c\u00e2non b\u00edblico do Antigo e do Novo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Etimologia, defini\u00e7\u00e3o e pressupostos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Sagrada Escritura foi redigida por in\u00fameros autores humanos ao longo da hist\u00f3ria do antigo Israel at\u00e9 o s\u00e9culo\u00a0I depois de Cristo. Tais autores compuseram livros que, embora constituam a \u00fanica Sagrada Escritura, eram distinguidos entre si j\u00e1 na \u00e9poca da origem de cada um. Os diversos livros foram sendo acolhidos como refer\u00eancia de f\u00e9 por comunidades de crentes seja no antigo Israel, seja no cristianismo. Isso deu-se primeiramente pelo uso, especialmente em \u00e2mbito lit\u00fargico. S\u00f3 posteriormente o acolhimento passou a ser expresso mediante a elabora\u00e7\u00e3o formal de listas de escritos. A palavra grega para designar uma lista de escritos desse tipo \u00e9 \u03ba\u03b1\u03bd\u03ce\u03bd (kan\u00f3n) na sua acep\u00e7\u00e3o derivada que significa \u201cregra\u201d ou \u201cnorma\u201d. Em sentido pr\u00f3prio, tal termo designava uma vara-padr\u00e3o utilizada por um pedreiro ou carpinteiro para medir espa\u00e7os. Trata-se de um voc\u00e1bulo pr\u00f3ximo e relacionado a outro termo grego antigo, \u03ba\u03ac\u03bd\u03bd\u03b1 (k\u00e1nna), que significava \u201cjunco\u201d. Na origem remota desse voc\u00e1bulo est\u00e1 o idioma sum\u00e9rio, que entraria em l\u00ednguas sem\u00edticas com a raiz <em>Qnh<\/em> (PERANI, 2000, p.390), a qual nessa forma haveria de influenciar l\u00ednguas como o ac\u00e1dio, o ugar\u00edtico, o antigo hebraico e o \u00e1rabe (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1035). Em nossa l\u00edngua, por translitera\u00e7\u00e3o, existem com o mesmo sentido as formas \u201cc\u00e2non\u201d e \u201cc\u00e2none\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Teologia, o c\u00e2non \u00e9 a lista completa dos livros que comp\u00f5em a B\u00edblia e que constituem \u201cregra\u201d ou \u201cnorma\u201d para a f\u00e9. Os escritos sagrados, tanto os que foram produzidos no tempo dos ap\u00f3stolos como os que eles receberam de sua heran\u00e7a judaica, comp\u00f5em uma lista que se encontra fechada e que foi formalizada posteriormente no tempo dos ap\u00f3stolos. A lista completa dos livros \u00e9 tamb\u00e9m um reconhecimento de que os demais escritos que ali n\u00e3o se encontram n\u00e3o possuem autoria divina. Por terem neles reconhecida a exclusiva origem divina, os Escritos Sagrados servem aos fi\u00e9is de maneira inigual\u00e1vel como guia e instru\u00e7\u00e3o no encontro com Jesus Cristo vivo que \u00e9 a Palavra \u2013 <em>Verbum<\/em> \u2013 por excel\u00eancia de Deus e que dialoga \u2013 real e n\u00e3o simbolicamente \u2013 com os fi\u00e9is de cada gera\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Por isso a lista desses livros \u00e9 \u201cregra\u201d e \u201cnorma\u201d para a f\u00e9. Os livros que se encontram no c\u00e2non da Sagrada Escritura t\u00eam para a f\u00e9 e a vida das pessoas uma autoridade exigente a ser reconhecida de modo definitivo (CAMPENHAUSEN, 1971, p.6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro pressuposto do c\u00e2non da Escritura \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o divina. Tal elemento constitui fundamento hermen\u00eautico no acesso feito pela comunidade de f\u00e9 aos livros que est\u00e3o no c\u00e2non (AUWERS; DE JONGE, 2003, p.lxxxi). A exist\u00eancia do c\u00e2non tem como pressuposto a recep\u00e7\u00e3o, por parte da comunidade de f\u00e9, daquele processo personalista da revela\u00e7\u00e3o do \u201cAlgu\u00e9m\u201d divino verificado em Israel, tendo Cristo como \u00e1pice, processo esse que, como evento vivo, transcende e est\u00e1 al\u00e9m do \u201calgo\u201d que \u00e9 a B\u00edblia. A ado\u00e7\u00e3o, feita com tal pressuposto, de uma determinada lista de livros como medida-padr\u00e3o foi resultado da consci\u00eancia, por parte da comunidade de f\u00e9, do vivo processo revelativo no qual Deus revelava <em>sobretudo<\/em> a si mesmo ao longo da hist\u00f3ria do antigo Israel e que atingiu a m\u00e1xima profundidade poss\u00edvel no evento de Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00e2non, a lista completa de livros que comp\u00f5em a Sagrada Escritura, n\u00e3o aparece no conte\u00fado de nenhum dos livros da B\u00edblia. Por isso, o segundo pressuposto do c\u00e2non \u00e9 a autoridade revelativa extrab\u00edblica que o estabeleceu. A decis\u00e3o que reconheceu a lista de livros inspirados n\u00e3o \u00e9 ela mesma garantida pelo carisma da inspira\u00e7\u00e3o b\u00edblica (GIBERT; THEOBALD, 2007, p.50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A elabora\u00e7\u00e3o de um c\u00e2non com esse s\u00e9rio reconhecimento de f\u00e9 representou historicamente um processo complexo, cuja considera\u00e7\u00e3o fica facilitada ao se examinarem separadamente os processos de reconhecimento das duas grandes partes da B\u00edblia: Antigo e Novo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 O c\u00e2non do Antigo Testamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja cat\u00f3lica romana e v\u00e1rias Igrejas ortodoxas reconhecem o c\u00e2non do Antigo Testamento com 46 livros. As Igrejas reformadas e o juda\u00edsmo o aceitam uma vers\u00e3o encurtada de 39 livros, nesse caso dispostos em sequ\u00eancias diferentes e tamb\u00e9m agrupados diferentemente. A diferen\u00e7a de sete obras entre o c\u00e2non de 46 livros e o de 39 verifica-se pelo reconhecimento ou rejei\u00e7\u00e3o como textos inspirados dos livros de Tobias, Judite, 1\u00a0Macabeus, 2\u00a0Macabeus, Sabedoria, Eclesi\u00e1stico (Sir\u00e1cida) e Baruc, mais partes dos livros de Daniel (Dn 3,24-90; 13-14) e de Ester. Nesse \u00faltimo, tal parte reconhecida ou rejeitada corresponde, segundo a numera\u00e7\u00e3o da Vulgata, a Est 10,4-16,24. Contudo na numera\u00e7\u00e3o da Nova Vulgata essa parte aparece fracionada como: Est 1,1a-1k; 3,13a-13h; 3,15a-15i; 4,17a-17kk; 5,2a-2p; 8,12a-12cc; 9,19a; 10,3a-3k. Os sete livros em quest\u00e3o, mais essas partes dos livros de Daniel e Ester, s\u00e3o denominados pelos cat\u00f3licos de deuterocan\u00f4nicos e pelos protestantes de ap\u00f3crifos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma tese cl\u00e1ssica para explicar a diferen\u00e7a entre o c\u00e2non de 46 livros e o de 39 foi lan\u00e7ada por Herbert Ryle em 1892 na obra <em>The Canon of the Old Testament<\/em>. Segundo Ryle, no final do s\u00e9culo I\u00a0dC j\u00e1 existiriam no juda\u00edsmo duas listas oficiais de livros sagrados. A primeira, o c\u00e2non veterotestament\u00e1rio de 46 livros, seria pr\u00e9-crist\u00e3 do s\u00e9culo II\u00a0aC. Tratar-se-ia do c\u00e2non de Alexandria, que se encontra na B\u00edblia dos Setenta ou Septuaginta. A segunda, o c\u00e2non veterotestament\u00e1rio de 39 livros, s\u00f3 teria sido fechada por judeus n\u00e3o crist\u00e3os ap\u00f3s o evento de Jesus Cristo. Tratar-se-ia do c\u00e2non palestinense, com apenas livros em hebraico, estabelecido por rabinos na cidade de J\u00e2mnia ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o do Templo de Jerusal\u00e9m em 70 dC. Praticamente todos os detalhes da tese de Ryle foram submetidos a s\u00e9rias cr\u00edticas e modifica\u00e7\u00f5es (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1037). O estudo mais acurado da forma\u00e7\u00e3o do c\u00e2non do Antigo Testamento reparte-se em tr\u00eas fases: 1) antes do evento Cristo; 2) ap\u00f3s Cristo, mas fora da f\u00e9 crist\u00e3; 3) por crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1 O c\u00e2non do Antigo Testamento antes do evento Cristo<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 antes de Jesus Cristo houve esfor\u00e7os por parte do povo hebreu em estabelecer alguma cole\u00e7\u00e3o de escritos denominada Sagrada Escritura. A mais antiga defini\u00e7\u00e3o de um c\u00e2non \u00e9 fornecida pelo antigo tradutor grego do Eclesi\u00e1stico (Sir\u00e1cida), originalmente redigido em hebraico (MANNUCCI, 1983, p.191). Em 130 aC, aquele venerando tradutor menciona por tr\u00eas vezes no pr\u00f3logo do livro os tr\u00eas grupos ou categorias da divis\u00e3o can\u00f4nica da B\u00edblia hebraica: \u201ca Lei, os Profetas e os outros Escritos\u201d, ou ainda na forma \u201cLei, Profetas e os outros livros\u201d (Eclo, <em>pr\u00f3logo<\/em>). Conhecia-se ent\u00e3o essa divis\u00e3o tripartite sem, contudo, que as tr\u00eas categorias j\u00e1 se encontrassem fechadas quanto ao elenco das obras que as compunham (SCHNIEDEWIND, 2011, p.260).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro grupo era a Lei (<em>Tor\u00e1<\/em>) ou Pentateuco, que estava definida pelo menos desde o tempo de Esdras (Esd 7,25-26), por volta de 420 ou 400\u00a0aC, embora em grande parte j\u00e1 se encontrasse redigida antes do ex\u00edlio na Babil\u00f4nia em 597\u00a0aC (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1037). O estudo dos manuscritos antigos mostra que tais textos da B\u00edblia hebraica em uso no per\u00edodo do Segundo Templo de Jerusal\u00e9m (entre 520\u00a0aC e 70\u00a0dC) nem sempre s\u00e3o absolutamente id\u00eanticos ao posterior texto massor\u00e9tico, havendo por vezes proximidade maior com o texto grego da B\u00edblia dos Setenta e com o Pentateuco samaritano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo grupo era aquele que o tradutor grego do Eclesi\u00e1stico chama de \u201cProfetas\u201d (<em>Nebi\u2019im<\/em>). Essa categoria inclui o que o juda\u00edsmo designa de \u201cprofetas anteriores\u201d e os modernos chamam de \u201cobra deuteronomista de hist\u00f3ria\u201d: os livros de Josu\u00e9, Ju\u00edzes, 1-2\u00a0Samuel e 1-2\u00a0Reis (MANNUCCI, 1983, p.191). Trata-se de uma cole\u00e7\u00e3o de natureza pr\u00e9-ex\u00edlica. Nos <em>Nebi\u2019im<\/em> inclu\u00eda-se tamb\u00e9m aquilo que o juda\u00edsmo designa de \u201cprofetas posteriores\u201d: Isa\u00edas, Jeremias, Ezequiel e os \u201cDoze profetas\u201d. Esses \u00faltimos englobam aquilo que os crist\u00e3os designam de \u201cprofetas menores\u201d com a exce\u00e7\u00e3o de Baruc. Os \u201cProfetas\u201d como um todo, compostos pelos textos como hoje conhecemos, compunham um c\u00e2non bem assente pelo menos desde o tempo em que o original hebraico do livro do Eclesi\u00e1stico (n\u00e3o o pr\u00f3logo grego escrito posteriormente pelo tradutor) foi redigido, por volta de 180\u00a0aC (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1037).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro grupo era aquele dos \u201cEscritos\u201d (<em>Ketubim<\/em>). Essa categoria refere-se a um conjunto cujo conte\u00fado na \u00e9poca pr\u00e9-crist\u00e3 \u00e9 dif\u00edcil de definir com exatid\u00e3o, e \u00e9 a que causa mais celeumas no que diz respeito \u00e0 sua fixa\u00e7\u00e3o (MANNUCCI, 1983, p.191). A tese cl\u00e1ssica de Herbert Ryle, proposta em 1892, sustentava que a tradu\u00e7\u00e3o grega denominada B\u00edblia dos Setenta refletiria um c\u00e2non judaico alexandrino mais longo, estabelecido antes do evento de Jesus Cristo. Segundo Ryle, esse c\u00e2non alexandrino compreenderia os livros deuterocan\u00f4nicos junto com os \u201cEscritos\u201d \u00a0pouco tempo e se a lista original de seus livros estivesse dispon\u00edvel. Contudo a tese de Ryle precisa ser alterada devido ao longo tempo requerido para a tradu\u00e7\u00e3o da Septuaginta, somado ao fato que a rela\u00e7\u00e3o exata dos livros que a compunham na \u00e9poca pr\u00e9-crist\u00e3 n\u00e3o pode ser determinada com exatid\u00e3o (MANNUCCI, 1983, p.192). A imprecis\u00e3o das refer\u00eancias aos \u201cEscritos\u201d no juda\u00edsmo at\u00e9 mesmo no s\u00e9culo I\u00a0dC \u00e9 um sinal a mais de que, nesse \u00e2mbito, o c\u00e2non dos \u201cEscritos\u201d n\u00e3o estava definido com rigor antes do evento de Jesus Cristo (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1039).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2 Ap\u00f3s o evento Cristo por judeus n\u00e3o crist\u00e3os<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o evento de Jesus Cristo, judeus n\u00e3o crist\u00e3os continuaram a organizar a cole\u00e7\u00e3o de textos sagrados. Especialistas sugerem que a hostilidade aos crist\u00e3os teria representado est\u00edmulo a esse trabalho de defini\u00e7\u00e3o do c\u00e2non judaico ap\u00f3s Cristo. Outros sugerem que o impulso para a defini\u00e7\u00e3o teria provindo das disputas internas no juda\u00edsmo entre fariseus e seitas judaicas de tend\u00eancia apocal\u00edptica como a de Qumran (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1040).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descoberta dos manuscritos do Mar Morto a partir de 1947 permitiu lan\u00e7ar um olhar acurado \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do c\u00e2non do Antigo Testamento por volta do ano 70\u00a0dC, quando aqueles manuscritos foram ali escondidos. \u201cA biblioteca de Qumran d\u00e1 a impress\u00e3o de uma certa seletividade, mas dificilmente de uma precisa distin\u00e7\u00e3o entre um c\u00e2non fechado e os demais textos\u201d (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1041). Encontram-se em Qumran tanto a Lei como os Profetas e os Escritos, faltando o livro de Ester. H\u00e1 in\u00fameros livros extracan\u00f4nicos. Dos deuterocan\u00f4nicos est\u00e3o presentes parte de Baruc, assim como Tobias e Eclesi\u00e1stico. Sobre esse \u00faltimo, foi ainda descoberto em 1964 nas ru\u00ednas da fortaleza de Massada um rolo em hebraico, o que indica sua grande import\u00e2ncia para aqueles judeus (MANNUCCI, 1983, p.194).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do s\u00e9culo I\u00a0dC, o historiador Fl\u00e1vio Josefo manifestava que os judeus da \u00e9poca possu\u00edam livros sagrados tidos como tal devido a sua origem divina (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1039). Josefo \u00e9 testemunho de que, nessa altura, havia um c\u00e2non judaico acolhido com venera\u00e7\u00e3o, mas que este ainda n\u00e3o se encontrava definido com absoluta precis\u00e3o (MANNUCCI, 1983, p.193).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A afirma\u00e7\u00e3o da tese cl\u00e1ssica de Herbert Ryle de que um c\u00e2non judaico palestinense mais curto (correspondente ao atual c\u00e2non de 39 livros) teria sido fixado por rabinos em J\u00e2mnia ap\u00f3s 70 dC tamb\u00e9m precisa ser alterada. Em J\u00e2mnia funcionou de fato uma escola destinada ao estudo da <em>Tor\u00e1<\/em>, e ali rabinos tinham fun\u00e7\u00f5es diretivas dentro da comunidade judaica. Contudo n\u00e3o aconteceu ali um s\u00ednodo de rabinos, um \u201cconc\u00edlio de J\u00e2mnia\u201d (THEOBALD, 1990, p.140). Tampouco h\u00e1 evid\u00eancias de que tenha sido ali elaborada uma lista de livros sagrados (MANNUCCI, 1983, p.195). A posi\u00e7\u00e3o atualmente mais segura \u00e9 a de que, at\u00e9 o final do s\u00e9culo II\u00a0dC, em \u00e2mbito judaico, n\u00e3o foi estabelecido nenhum c\u00e2non equivalente aos 39 livros do atual c\u00e2non veterotestament\u00e1rio abreviado e que exclu\u00edsse escritos em grego (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1040). Al\u00e9m do mais, a hip\u00f3tese da origem grega dos deuterocan\u00f4nicos ficou comprometida ao se demonstrar que parte relevante deles havia sido redigida originalmente em hebraico e que a maioria dessas obras havia sido aceita por uma parcela dos judeus palestinenses n\u00e3o crist\u00e3os (AUWERS; DE JONGE, 2003, p.xviii).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse modo, a fixa\u00e7\u00e3o do c\u00e2non por judeus n\u00e3o crist\u00e3os n\u00e3o se verificou at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo II dC (PERANI, 2000, p.399). O motivo \u00faltimo para que o juda\u00edsmo n\u00e3o crist\u00e3o limitasse seu c\u00e2non apenas aos livros mais antigos pode ter sido o embate com os crist\u00e3os, com o prop\u00f3sito de estabelecer uma contraposi\u00e7\u00e3o judaico-palestinense mais efetiva \u00e0 empreitada dos crist\u00e3os que ao longo do s\u00e9culo II\u00a0dC assumiram um c\u00e2non mais amplo com base na vers\u00e3o grega da B\u00edblia dos Setenta (MANNUCCI, 1983, p.195).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.3 Ap\u00f3s o evento Cristo por crist\u00e3os<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esfor\u00e7os para definir a lista dos livros sagrados pr\u00e9-crist\u00e3os passaram a ser feitos por parte dos crist\u00e3os, tanto de origem judaica como pag\u00e3. Eles utilizavam nesse trabalho o evento de Jesus como chave de leitura, o que conduzia a uma inflex\u00e3o hermen\u00eautica (GIBERT; THEOBALD, 2007, p.18). Para eles, \u201co fato constitu\u00eddo por Cristo [era\u00a0&#8230;] como uma chave escrita no in\u00edcio da partitura e que determina tudo\u201d (LOHFINK, 1964, p.172). Uma passagem do Evangelho de Jo\u00e3o \u2013 \u201cExaminais as Escrituras, pensando ter nelas a vida eterna, e s\u00e3o elas que d\u00e3o testemunho de mim\u201d (Jo 5,39) \u2013 reflete apropriadamente essa \u00f3tica dos antigos crist\u00e3os ao considerarem a Lei, os Profetas e os Escritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manifesta-se desde essa mais remota origem o paradigma personalista de revela\u00e7\u00e3o com o qual os crist\u00e3os dos primeiros s\u00e9culos concebiam a autocomunica\u00e7\u00e3o de Deus e interpretavam os Livros Sagrados. Para eles, a Palavra de Deus por excel\u00eancia era Jesus Cristo, <em>Christus praesens<\/em> \u2013 Cristo presente \u2013 na vida das comunidades e dos fi\u00e9is. Em rela\u00e7\u00e3o a Ele, qualquer Livro Sagrado era apenas analogicamente referido como Palavra de Deus. A Sagrada Escritura como Palavra de Deus anal\u00f3gica encontrava-se totalmente subordinada \u00e0quele que \u00e9 a Palavra de Deus em sentido estrito e rigoroso, a segunda pessoa divina invocada nas aclama\u00e7\u00f5es ao \u201cPai, Filho e Esp\u00edrito Santo\u201d. Estava-se ali longe do paradigma coisificado de revela\u00e7\u00e3o que, no segundo mil\u00eanio, predominaria no cristianismo em geral e traria consigo a preocupa\u00e7\u00e3o de determinar as letras exatas, a grafia e a fraseologia do texto b\u00edblico, quando este passaria tardiamente a ser compreendido como imenso dep\u00f3sito de palavras divinamente reveladas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o final do s\u00e9culo\u00a0II, n\u00e3o h\u00e1 entre os crist\u00e3os um c\u00e2non veterotestament\u00e1rio exato e universalmente acolhido. A partir da\u00ed, paralelamente \u00e0 progressiva fixa\u00e7\u00e3o do c\u00e2non hebraico entre os judeus n\u00e3o crist\u00e3os, os crist\u00e3os foram tomando duas vias no estabelecimento do c\u00e2non do AT (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1042). De um lado, isso se deu por repercuss\u00e3o oposta, incluindo-se no AT tanto os livros protocan\u00f4nicos como os deuterocan\u00f4nicos com base na B\u00edblia dos Setenta. Um exemplo \u00e9 Justino M\u00e1rtir, que n\u00e3o tinha origem judaica. Ele afirmava que se deve ter como parte da Sagrada Escritura tudo aquilo que se encontra em grego na B\u00edblia dos Setenta, mesmo aquilo que os judeus n\u00e3o crist\u00e3os exclu\u00edam (<em>Dialogus cum Thryphone<\/em>, n.71). Or\u00edgenes, conforme o relato de Eus\u00e9bio de Cesareia, inclu\u00eda na lista de livros sagrados os deuterocan\u00f4nicos Ester e 1-2\u00a0Macabeus (<em>Historiae Ecclesiasticae<\/em> VI, 25). O <em>C\u00f3dice Vaticano<\/em>, manuscrito da B\u00edblia grega do in\u00edcio do s\u00e9culo\u00a0IV, apresenta os livros de Tobias, Judite, Baruc, Eclesi\u00e1stico e Sabedoria. O <em>C\u00f3dice Sina\u00edtico<\/em>, da metade do s\u00e9culo\u00a0IV, \u00e9 fragment\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao Antigo Testamento, mas inclui os deuterocan\u00f4nicos livros de Tobias, Judite, 1\u00a0Macabeus, Eclesi\u00e1stico e Sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De outro lado, em \u00e2mbitos crist\u00e3os que viviam em contato com comunidades judaicas n\u00e3o crist\u00e3s, verificou-se por vezes uma repercuss\u00e3o em sintonia. Nesses ambientes, encaminhou-se para uma concep\u00e7\u00e3o abreviada do c\u00e2non do AT na qual um dos crit\u00e9rios era a presumida originalidade em l\u00edngua hebraica do livro. Melit\u00e3o, judeu convertido ao cristianismo e bispo de Sardes, forneceu no final do s\u00e9culo\u00a0II o primeiro c\u00e2non veterotestament\u00e1rio crist\u00e3o que conhecemos, ainda mais restrito que o c\u00e2non abreviado de 39 livros por excluir o livro de Ester. A descri\u00e7\u00e3o a respeito de Melit\u00e3o \u00e9 fornecida por Eus\u00e9bio de Cesareia na <em>Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica<\/em>, na qual a lista vem reproduzida (<em>Historiae Ecclesiasticae<\/em> IV, 26). Autores crist\u00e3os entre o s\u00e9culo\u00a0IV e in\u00edcio do s\u00e9culo\u00a0V, como Cirilo de Jerusal\u00e9m, Atan\u00e1sio e Jer\u00f4nimo, favorecem o c\u00e2non abreviado, mas de uma maneira que precisa ser matizada. Cirilo de Jerusal\u00e9m (EB\u00a09) e Atan\u00e1sio (EB 14) elencam o c\u00e2non abreviado, mas incluem o deuterocan\u00f4nico Baruc. Jer\u00f4nimo cita muitas vezes os livros deuterocan\u00f4nicos, o que mostra o valor que esses livros tinham para ele (MANNUCCI, 1983, p.197). Jer\u00f4nimo, al\u00e9m disso, comenta no pref\u00e1cio da tradu\u00e7\u00e3o do livro de Tobias: \u201cJulgo ser melhor desagradar \u00e0 decis\u00e3o dos fariseus e servir ao que foi determinado pelos bispos\u201d (<em>Praefatio in Tobiam<\/em>, c.25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As determina\u00e7\u00f5es dos bispos aludidas por Jer\u00f4nimo haviam sido tomadas em diversos conc\u00edlios e refletiam o <em>sensus fidelium<\/em> do per\u00edodo. Na maior parte das vezes, iam na dire\u00e7\u00e3o de um c\u00e2non longo. Em 360\u00a0dC, o s\u00ednodo de Laodiceia promulgou uma s\u00e9rie de decretos. No \u00faltimo deles, de n\u00famero 60, o s\u00ednodo definiu um c\u00e2non abreviado, mas que, diferentemente de Melit\u00e3o, inclu\u00eda o livro de Ester e tamb\u00e9m o deuterocan\u00f4nico livro de Baruc (EB\u00a011). O exame hist\u00f3rico lan\u00e7a hoje d\u00favidas sobre a autenticidade desse sexag\u00e9simo decreto de Laodiceia (GONZAGA, 2019, p.90). Pouco depois, em 382, o S\u00ednodo de Roma definiu com o <em>Decretum Damasi<\/em> um c\u00e2non longo com os deuterocan\u00f4nicos, mas sem Ester nem Baruc (DH\u00a0179). Ainda no final do s\u00e9culo\u00a0IV, a tradu\u00e7\u00e3o da Vulgata comissionada pelo Papa D\u00e2maso a Jer\u00f4nimo traz todos os deuterocan\u00f4nicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemporaneamente, na \u00c1frica, os s\u00ednodos de Hipona, em 393, e de Cartago, em 397 (DH\u00a0186) e 419 (GONZAGA, 2019, p.180), seguiram a linha da Vulgata, mas n\u00e3o mencionam o livro de Baruc. Essa era a posi\u00e7\u00e3o de Agostinho, cuja autoridade contribuiu decididamente para determinar as discuss\u00f5es a respeito do c\u00e2non no \u00e2mbito ocidental (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1036). Agostinho enumera as obras do c\u00e2non com os livros deuterocan\u00f4nicos sem Baruc (AGOSTINHO, <em>De doctrina christiana<\/em> II, 8,13). A mesma linha de aceita\u00e7\u00e3o dessas obras no seio do AT manifesta-se em 405 na carta do Papa Inoc\u00eancio\u00a0I a Exup\u00e9rio, bispo de Toulouse, na Fran\u00e7a. Sobre os profetas, a carta de Inoc\u00eancio\u00a0I fala genericamente de \u201cdezesseis livros dos profetas\u201d, o que parece excluir Baruc e incluir unicamente Isa\u00edas, Jeremias, Ezequiel, Daniel e os doze profetas menores (DH\u00a0213). Em aproximadamente 495, o <em>Decretum Gelasii<\/em> elenca no AT os deuterocan\u00f4nicos, tamb\u00e9m com a exce\u00e7\u00e3o de Baruc (EB\u00a026).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos s\u00e9culos do primeiro mil\u00eanio, verificou-se no cristianismo uma mudan\u00e7a na compreens\u00e3o do paradigma de revela\u00e7\u00e3o, a qual ter\u00e1 efeitos na considera\u00e7\u00e3o do c\u00e2non b\u00edblico. Passa-se do paradigma personalista de revela\u00e7\u00e3o para o paradigma coisificado. Agora, seguindo o paradigma coisificado de revela\u00e7\u00e3o, esta era concebida como o resultado da transmiss\u00e3o de um imenso conjunto de palavras (algo) de origem divina que se encontraria dispon\u00edvel como revela\u00e7\u00e3o aos fi\u00e9is no tempo antes da morte. Tal era o paradigma de revela\u00e7\u00e3o, por exemplo, da Teologia escol\u00e1stica. Essa mudan\u00e7a na concep\u00e7\u00e3o de revela\u00e7\u00e3o acarretar\u00e1 transforma\u00e7\u00f5es na compreens\u00e3o do c\u00e2non b\u00edblico. Mais do que encontrar de modo vivo Aquele que \u00e9 a Palavra de Deus por excel\u00eancia, Cristo, mediante a fiel orienta\u00e7\u00e3o do registro da revela\u00e7\u00e3o na Sagrada Escritura, entraria em vigor a preocupa\u00e7\u00e3o de esclarecer rigorosamente os livros, em suas letras, grafias e fraseologias exatas que comporiam o dep\u00f3sito de palavras divinamente reveladas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A respeito do c\u00e2non b\u00edblico, um marco no segundo mil\u00eanio foi o padre cat\u00f3lico ingl\u00eas John Wycliffe. Em 1378, ele afirmou o princ\u00edpio da sufici\u00eancia revelativa da Sagrada Escritura (WYCLIFFE, 1905, p.181; 1906, p.131). Concebido segundo os moldes do paradigma coisificado de revela\u00e7\u00e3o, esse princ\u00edpio da sufici\u00eancia revelativa da B\u00edblia (ou <em>sola Scriptura<\/em>, como seria posteriormente chamado) rejeitava como revela\u00e7\u00e3o divina qualquer outra coisa que n\u00e3o estivesse na B\u00edblia. Com isso em mente, Wycliffe empreendeu a primeira tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia (a partir da Vulgata) para o ingl\u00eas com o prop\u00f3sito de tornar a revela\u00e7\u00e3o divina mais acess\u00edvel. Sua tradu\u00e7\u00e3o inclu\u00eda no AT os deuterocan\u00f4nicos, mas no pr\u00f3logo trazia apenas a lista do c\u00e2non abreviado de 39 livros, com a afirma\u00e7\u00e3o de que qualquer livro do AT al\u00e9m daqueles deveria ser tido como ap\u00f3crifo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John Wycliffe n\u00e3o se deu conta da incoer\u00eancia l\u00f3gica de que tais ju\u00edzos sobre o c\u00e2non extrapolam o princ\u00edpio da sufici\u00eancia revelativa da B\u00edblia, ou <em>sola Scriptura<\/em>. J\u00e1 que o pr\u00f3prio texto sagrado n\u00e3o traz em nenhum de seus livros o elenco dos t\u00edtulos que devem fazer parte da B\u00edblia, quem sustenta a exclus\u00e3o de qualquer livro da categoria de Escritura Sagrada vale-se de uma autoridade revelativa que n\u00e3o se encontra na B\u00edblia, mas fora dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos s\u00e9culos posteriores, a discuss\u00e3o sobre o c\u00e2non do AT estaria novamente reaberta (46 livros ou 39?), mas agora acoplada \u2013 mesmo que de maneira logicamente incoerente \u2013 a um argumento t\u00edpico do paradigma coisificado de revela\u00e7\u00e3o: o da revela\u00e7\u00e3o como <em>sola Scriptura<\/em>. No s\u00e9culo XVI, as ideias de John Wycliffe ganhariam vigor com Martinho Lutero. O pensamento de Lutero era motivado, entre outros elementos, pela ideia da sufici\u00eancia da B\u00edblia como revela\u00e7\u00e3o divina. Com o objetivo de tornar essa revela\u00e7\u00e3o divina mais acess\u00edvel, Martinho Lutero publicou em Wittenberg a B\u00edblia traduzida para o alem\u00e3o. A primeira edi\u00e7\u00e3o do conjunto completo dos livros b\u00edblicos aconteceu em 1534, embora impress\u00f5es contendo partes da B\u00edblia tivessem sido feitas nos anos anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <em>B\u00edblia de Lutero<\/em>, os sete livros deuterocan\u00f4nicos mais os trechos deuterocan\u00f4nicos de Daniel e Ester encontravam-se deslocados de posi\u00e7\u00e3o, agrupados e colocados como ap\u00eandice numa se\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria entre o Antigo e o Novo Testamento. Tais escritos eram ali designados como <em>apocrypha<\/em>, ao que se seguia a explica\u00e7\u00e3o que se tratava de escritos que n\u00e3o eram iguais \u00e0 Sagrada Escritura, mas que ainda assim eram \u00fateis e apropriados para leitura (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1042). Posteriormente, tal ap\u00eandice passou a ser exclu\u00eddo das edi\u00e7\u00f5es protestantes da B\u00edblia. Na Reforma, o c\u00e2non abreviado aparece detalhadamente expresso como lista de 39 livros em confiss\u00f5es nacionais como a <em>Confessio Fidei Gallicana,<\/em> de 1559, a <em>Confessio Belgica,<\/em> de 1561, a <em>Confessio Anglicana,<\/em> de 1563, e a <em>Confiss\u00e3o de F\u00e9 de Westminster,<\/em> de 1646.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1546 o Conc\u00edlio de Trento tratou da quest\u00e3o do c\u00e2non b\u00edblico. Na ocasi\u00e3o, ele promulgou sua decis\u00e3o a favor do c\u00e2non veterotestament\u00e1rio longo. O Conc\u00edlio de Trento, contudo, manteve o mesmo paradigma coisificado de revela\u00e7\u00e3o que, caracter\u00edstico da Escol\u00e1stica, assinalavam tamb\u00e9m John Wycliffe e os reformadores do s\u00e9culo\u00a0XVI. O texto do decreto apresenta o elenco dos livros que comp\u00f5em o c\u00e2non longo do AT com todos os deuterocan\u00f4nicos (DH\u00a01502).<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao aceitar o c\u00e2non longo, Trento parece ter preservado a aut\u00eantica mem\u00f3ria do tempo das origens crist\u00e3s, enquanto que os outros grupos crist\u00e3os [reformados], numa tentativa de retornar ao cristianismo primitivo, contentaram-se com o c\u00e2non abreviado dos judeus [n\u00e3o crist\u00e3os] que, se pesquisadores protestantes como A. C. Sundberg e J. P. Lewis estiverem corretos, havia sido cria\u00e7\u00e3o de um per\u00edodo posterior. (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1042)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de tr\u00eas s\u00e9culos depois, em 1870, o Conc\u00edlio Vaticano\u00a0I confirmaria a decis\u00e3o do Conc\u00edlio de Trento a respeito do c\u00e2non longo (DH\u00a03006 e 3029). Em 1965, o Conc\u00edlio Vaticano\u00a0II teria como pac\u00edfica a decis\u00e3o de Trento a respeito do c\u00e2non do AT e por isso n\u00e3o viu necessidade de explicitar seu conte\u00fado. Tendo, entretanto, deixado de lado a concep\u00e7\u00e3o de revela\u00e7\u00e3o divina coisificada, o Vaticano\u00a0II resgatou, na Constitui\u00e7\u00e3o <em>Dei Verbum,<\/em> o paradigma personalista de revela\u00e7\u00e3o caracter\u00edstico do \u201cdep\u00f3sito da f\u00e9\u201d, isto \u00e9, do pr\u00f3prio Cristo e dos ap\u00f3stolos, assim como da Igreja nos primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3. Tendo agora novamente essa concep\u00e7\u00e3o personalista de revela\u00e7\u00e3o em mente, o Vaticano\u00a0II alude ao fato de que o texto sagrado redigido na Antiguidade n\u00e3o traz em si o elenco dos livros do c\u00e2non b\u00edblico e que, para determinar tal elenco, \u00e9 inevit\u00e1vel valer-se de uma autoridade revelativa viva que n\u00e3o se encontra na Sagrada Escritura, mas fora dela: \u201cmediante a Tradi\u00e7\u00e3o, a Igreja conhece o c\u00e2non inteiro dos livros sagrados [&#8230;\u00a0pois] Deus, que outrora falou, dialoga sem interrup\u00e7\u00e3o com a esposa do seu amado Filho\u201d (<em>Dei Verbum<\/em> n.8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 O c\u00e2non do Novo Testamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As primeiras comunidades crist\u00e3s tinham escritos que consideravam sagrados, recebidos de sua heran\u00e7a judaica. Na sua hermen\u00eautica desses escritos, valiam-se da chave de leitura proporcionada pelo evento da vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Gradualmente essas primeiras comunidades passaram a redigir seus pr\u00f3prios textos \u00e0 luz do evento de Jesus Cristo. A defini\u00e7\u00e3o de um c\u00e2non desses novos escritos significou a escolha de alguns e a exclus\u00e3o de outros. H\u00e1 s\u00e9culos o cristianismo em geral \u2013 ortodoxo, cat\u00f3lico e reformado \u2013 reconhece o c\u00e2non de 27 livros do Novo Testamento: quatro evangelhos mais Atos dos Ap\u00f3stolos, catorze cartas espec\u00edficas no <em>corpus paulinum<\/em>, sete cartas cat\u00f3licas ou universais (de Tiago, Pedro, Jo\u00e3o e Judas) e o Apocalipse de Jo\u00e3o. Houve um processo fora da Sagrada Escritura cujo resultado \u2013 o c\u00e2non \u2013 n\u00e3o foi redigido por nenhum dos hagi\u00f3grafos e n\u00e3o se encontra no interior de nenhum dos livros da B\u00edblia. A hist\u00f3ria desse processo nos seis primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3 \u00e9 complexa. Uma hip\u00f3tese simplista deve ser exclu\u00edda por ter sido demonstrada falsa: a de que no princ\u00edpio teria havido uma fase de reconhecimento pac\u00edfico dos 27 livros, mas que teria sido seguida de um per\u00edodo de d\u00favidas, para enfim ter-se de novo retornado ao reconhecimento inicial (MANNUCCI, 1983, p.205).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.1 Reconhecimento dos escritos crist\u00e3os como sagrados<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O substantivo grego \u03b4\u03b9\u03b1\u03b8\u1f75\u03ba\u03b7 (<em>diath\u00e9ke<\/em>) pode ser traduzido como \u201calian\u00e7a\u201d ou \u201ctestamento\u201d, e \u03ba\u03b1\u03b9\u03bd\u1f74 (<em>kain\u00e9<\/em>) \u00e9 o adjetivo \u201cnova\u201d. A <em>kain\u00e9 diath\u00e9ke<\/em> (Nova Alian\u00e7a ou Novo Testamento) \u00e9 uma f\u00f3rmula importante utilizada pelos crist\u00e3os desde o in\u00edcio para se referirem ao acontecimento revelativo total que se manifestou no evento de Jesus Cristo. Nos primeiros s\u00e9culos a express\u00e3o \u201cNova Alian\u00e7a\u201d ou \u201cNovo Testamento\u201d possu\u00eda envergadura mais vasta do que a designa\u00e7\u00e3o dos 27 livros do c\u00e2non do NT, e significavam o evento da vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Por exemplo, Paulo fala de sua atividade mission\u00e1ria dizendo ser \u201ccapaz de exercer o minist\u00e9rio da Nova Alian\u00e7a [<em>kain\u00e9 diath\u00e9ke<\/em>]\u201d (2Cor 3,6), referindo-se com essa express\u00e3o \u00e0 realidade ampla manifestada no evento de Jesus Cristo. Em seguida, ele recorda o acontecimento revelativo do antigo Israel e a Alian\u00e7a mosaica registrados nos livros que comp\u00f5em a <em>Tor\u00e1<\/em>: \u201cAt\u00e9 o dia de hoje, quando [os israelitas] leem o Antigo Testamento [<em>palai\u00e1 diath\u00e9ke<\/em>, no sentido de Antiga Alian\u00e7a\u00a0&#8230;]\u201d (2Cor 3,14). Nessa passagem, a express\u00e3o \u201cAntigo Testamento\u201d ou \u201cAntiga Alian\u00e7a\u201d \u00e9 um \u201ctermo para designar a Lei [que] foi inventado por Paulo para sublinhar o car\u00e1ter ultrapassado da revela\u00e7\u00e3o feita a Mois\u00e9s\u201d (MURPHY-O\u2019CONNOR, 1990, p.820).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na exposi\u00e7\u00e3o paulina, a realidade designada como nova (a Nova Alian\u00e7a ou Novo Testamento na passagem de 2Cor 3,6) situa a reflex\u00e3o sobre a <em>palai\u00e1 diath\u00e9ke<\/em> (Antiga Alian\u00e7a ou Antigo Testamento) no mesmo horizonte amplo de compreens\u00e3o do termo <em>diath\u00e9ke<\/em>. Do ponto de vista da exatid\u00e3o das fontes, seria um anacronismo pensar que Paulo tivesse ali como impl\u00edcita uma \u201ccoisa\u201d, a lista dos 27 livros que depois seria designada de Novo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O horizonte mais amplo de compreens\u00e3o da express\u00e3o \u201cNovo Testamento\u201d deve ser mantido ao se considerar a elabora\u00e7\u00e3o do c\u00e2non neotestament\u00e1rio pois manteve-se nos tempos em que esse foi sendo formado. Na \u00e9poca patr\u00edstica, um autor que utiliza o horizonte mais amplo de <em>kain\u00e9 diath\u00e9ke<\/em> \u00e9 Ireneu de Lyon, em 180 dC na obra <em>Adversus Haereses<\/em>. No quarto e \u00faltimo livro dessa obra, o bispo de Lyon aborda frequentemente o tema das duas Alian\u00e7as. Em Ireneu, a refer\u00eancia \u00e0s duas Alian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 equivalente ao uso que hoje fazemos das f\u00f3rmulas \u201cAntigo Testamento\u201d e \u201cNovo Testamento\u201d. Ele se refere aos eventos das duas Alian\u00e7as \u2013 aquela do antigo Israel e a nova em Cristo \u2013 manifestadas na hist\u00f3ria do povo hebreu. N\u00e3o se sustenta, portanto, a tese de que Ireneu teria inventado a f\u00f3rmula \u201cNovo Testamento\u201d para se referir \u00e0 lista dos escritos crist\u00e3os reconhecidos como sagrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em meados do s\u00e9culo\u00a0II h\u00e1 atesta\u00e7\u00f5es de que escritos redigidos por crist\u00e3os eram reconhecidos como sagrados. H\u00e1, nas obras de Justino M\u00e1rtir, indica\u00e7\u00f5es claras do reconhecimento de escritos crist\u00e3os na mesma categoria de sagrados em que se encontravam os escritos judaicos pr\u00e9-crist\u00e3os (MANNUCCI, 1983, p.203). Ao falar de textos crist\u00e3os, ele faz refer\u00eancia a um conjunto denominado \u201cMem\u00f3rias dos Ap\u00f3stolos\u201d em cujo t\u00edtulo o genitivo indica a autoria (FIALOVA, 2016, p.169, 171). Tais \u201cMem\u00f3rias\u201d eram compostas pelos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e Jo\u00e3o (FIALOVA, 2016, p.173). Justino comenta que essas \u201cMem\u00f3rias dos Ap\u00f3stolo<em>s<\/em>\u201d s\u00e3o \u201cchamadas de Evangelhos\u201d (<em>Apologia\u00a0I<\/em>, 66).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A indica\u00e7\u00e3o do reconhecimento da natureza sagrada desses escritos encontra-se na sequ\u00eancia. Justino relata que, no \u201cdia do Sol\u201d, primeiro dia da semana, os crist\u00e3os da cidade e do campo reuniam-se e faziam \u201ca leitura das Mem\u00f3rias dos Ap\u00f3stolos e dos Escritos dos Profetas\u201d (<em>Apologia\u00a0I<\/em>, 67). Depois dessas leituras, eram partilhados o p\u00e3o e o vinho eucar\u00edsticos pelo presidente da celebra\u00e7\u00e3o e feitas a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7as. Em Justino, v\u00ea-se que as \u201cMem\u00f3rias dos Ap\u00f3stolos\u201d ou \u201cEvangelhos\u201d tinham o mesmo car\u00e1ter sagrado das Escrituras Sagradas que haviam sido recebidas do antigo Israel (FIALOVA, 2016, p.177).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.2 A evolu\u00e7\u00e3o das listas de textos sagrados crist\u00e3os<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lista mais antiga de textos sagrados crist\u00e3os atualmente conhecida \u00e9 o <em>Fragmento de Muratori<\/em>. O documento representa o uso, no final do s\u00e9culo\u00a0II em Roma, dos escritos crist\u00e3os reconhecidos ali como Escritura Sagrada (MANNUCCI, 1983, p.204). Trata-se de um peda\u00e7o de manuscrito em latim do s\u00e9culo\u00a0VII no qual faltam a parte inicial e final. A cr\u00edtica textual indica que foi traduzido de um original grego. Data-se o <em>Fragmento de Muratori<\/em> no final do s\u00e9culo\u00a0II porque ele se refere a Pio, bispo de Roma de 140 a 155, como sendo recente. Cr\u00edticos na linha de Albert Sundberg mant\u00eam que o original do <em>Fragmento de Muratori<\/em> seria apenas do s\u00e9culo\u00a0IV, mas os argumentos n\u00e3o se sustentam (AUWERS; DE JONGE, 2003, p.315). A parte inicial do documento est\u00e1 perdida e ele n\u00e3o fala dos evangelhos de Mateus e Marcos, mas Lucas e Jo\u00e3o s\u00e3o mencionados nas primeiras linhas como terceiro e quarto evangelhos. Al\u00e9m dos quatro evangelhos e dos Atos dos Ap\u00f3stolos, a lista afirma que devem ser aceitas as treze cartas paulinas, a Primeira e Segunda Carta de Jo\u00e3o, a Carta de Judas e o Apocalipse de Jo\u00e3o. O documento relata que deve ser acolhido um <em>Apocalipse de Pedro<\/em>, mas ressalta que alguns em Roma o rejeitam. O <em>Fragmento de Muratori<\/em> n\u00e3o menciona a Carta aos Hebreus, a Carta de Tiago, a Primeira e Segunda Carta de Pedro nem a Terceira Carta de Jo\u00e3o, e indica alguns livros que n\u00e3o devem ser lidos na Igreja entre os quais o <em>Pastor<\/em> de Hermas (EB\u00a01-7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somente a partir do s\u00e9culo\u00a0IV \u00e9 que chegar\u00e1 at\u00e9 n\u00f3s uma consistente diversidade de testemunhos a respeito do c\u00e2non do NT. No in\u00edcio desse s\u00e9culo, Eus\u00e9bio de Cesareia relata a lista que teria sido reconhecida por Or\u00edgenes na primeira metade do s\u00e9culo\u00a0III (MANNUCCI, 1983, p.204). Est\u00e3o ali presentes os quatro evangelhos e Atos dos Ap\u00f3stolos, a Carta aos Hebreus, o Apocalipse, a Primeira e a Segunda Carta de Pedro (mas lan\u00e7ando d\u00favidas sobre a segunda), tr\u00eas Cartas de Jo\u00e3o (lan\u00e7ando d\u00favidas sobre as duas \u00faltimas) e um n\u00famero indeterminado de cartas de Paulo. N\u00e3o se fala da Carta de Tiago nem da Carta de Judas (<em>Historiae Ecclesiasticae<\/em> VI, 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra parte de sua obra, Eus\u00e9bio aborda o assunto dos livros crist\u00e3os que seriam fidedignos referindo-se a eles como \u201clivros do Novo Testamento\u201d (<em>Historiae Ecclesiasticae<\/em> III, 25). Ele basicamente repete o elenco acima que era reconhecido por Or\u00edgenes (MANNUCCI, 1983, p.204). A diferen\u00e7a \u00e9 que agora, falando por si, Eus\u00e9bio comenta que a Carta de Tiago e a Carta de Judas est\u00e3o tamb\u00e9m na categoria de duvidosas. Atesta, por\u00e9m, que ambas estavam sendo empregadas regularmente em diversas Igrejas (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1051). Al\u00e9m disso, alerta para uma terceira categoria de livros que, n\u00e3o obstante piedosos, n\u00e3o tinham origem no \u00e2mbito dos ap\u00f3stolos, como <em>Atos de Paulo<\/em>, <em>Pastor <\/em>de Hermas, <em>Apocalipse de Pedro<\/em>, <em>Carta de Barnab\u00e9<\/em> e as <em>Institui\u00e7\u00f5es dos Ap\u00f3stolos<\/em>. Enumera, por fim, uma quarta categoria de obras que se afastavam grosseiramente da ortodoxia e que por isso deviam ser repudiadas. Nessa categoria, ele incluiu uma s\u00e9rie de escritos que, recebendo o nome de \u201cEvangelhos\u201d, eram erroneamente atribu\u00eddos a Pedro, Tom\u00e9, Matias e Andr\u00e9 e divulgados por crist\u00e3os her\u00e9ticos (<em>Historiae Ecclesiasticae<\/em> III, 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contempor\u00e2nea a essas listas \u00e9 aquela de Cirilo de Jerusal\u00e9m, aproximadamente do ano 350, na qual ele enumera os livros crist\u00e3os que eram lidos na Igreja. Ele acautela que apenas quatro s\u00e3o os evangelhos leg\u00edtimos. Os demais escritos com esse nome, como o <em>Evangelho de Tom\u00e9<\/em>, disfar\u00e7ando-se \u201ccom a tinta externa e o perfume do nome de evangelho, enganam as almas dos mais ing\u00eanuos\u201d (EB\u00a010). Cirilo prossegue e elenca entre os demais textos leg\u00edtimos os Atos dos Ap\u00f3stolos, a Carta de Tiago, a Segunda e a Terceira Carta de Pedro, as tr\u00eas Cartas de Jo\u00e3o, a Carta de Judas e quatorze cartas paulinas (estas sem especifica\u00e7\u00e3o individual). N\u00e3o menciona o Apocalipse (EB\u00a010). Uma lista igual a essa \u00e9 aquela elaborada em 360 pelo Conc\u00edlio de Laodiceia, que silencia sobre o Apocalipse de Jo\u00e3o. O c\u00e2non de Laodiceia especifica uma a uma as catorze cartas paulinas (EB\u00a013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros testemunhos relevantes s\u00e3o do mesmo arco de tempo ao longo do s\u00e9culo\u00a0IV. O <em>C\u00f3dice Vaticano<\/em> apresenta um <em>corpus paulinum<\/em> no qual faltam a Primeira e Segunda Carta a Tim\u00f3teo, a Carta a Tito e a Carta a Fil\u00eamon, al\u00e9m de tamb\u00e9m n\u00e3o apresentar o livro do Apocalipse. O <em>C\u00f3dice Sina\u00edtico<\/em>, por sua vez, apresenta os 27 livros do NT mais a <em>Carta<\/em> <em>de Barnab\u00e9<\/em> e o <em>Pastor<\/em> de Hermas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos c\u00f3dices com o efetivo texto b\u00edblico, h\u00e1 o testemunho fornecido por listas nominais de livros b\u00edblicos sem o texto deles. Uma delas \u00e9 o <em>C\u00e2non de Mommsem<\/em>. Theodor Mommsen publicou, em 1890, a descoberta de uma lista esticom\u00e9trica dos livros b\u00edblicos utilizada por copistas africanos na metade do s\u00e9culo IV para calcular o pre\u00e7o de um exemplar da B\u00edblia crist\u00e3 (AUWERS; DE JONGE, 2003, p.154). O <em>C\u00e2non de Mommsen<\/em> nada fala da Carta aos Hebreus, de Tiago e de Judas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda metade do s\u00e9culo\u00a0IV, encontra-se em Atan\u00e1sio de Alexandria e nos S\u00ednodos de Roma, Hipona e Cartago uma concord\u00e2ncia a respeito do elenco de 27 livros de origem crist\u00e3 a serem lidos nas atividades lit\u00fargicas (MANNUCCI, 1983, p.204). A <em>Carta 39<\/em> de Atan\u00e1sio, escrita em 367, define um c\u00e2non detalhado do NT (EB\u00a015). O S\u00ednodo de Roma, em 382, com o <em>Decretum Damasi<\/em>, manifesta um c\u00e2non pormenorizado id\u00eantico. Ele consta dos quatro evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e Jo\u00e3o, dos Atos dos Ap\u00f3stolos, as catorze cartas paulinas identificadas uma a uma e com a Carta aos Hebreus, o Apocalipse de Jo\u00e3o, Primeira e Segunda Carta de Pedro, uma Carta de Tiago, as tr\u00eas Cartas de Jo\u00e3o e uma Carta de Judas (DH\u00a0180). A ordem das cartas cat\u00f3licas ou universais (de Tiago, Pedro, Jo\u00e3o e Judas) segue a ordem dos ap\u00f3stolos elencada por Paulo em Gl 2,9 \u2013 onde Tiago, Pedro e Jo\u00e3o, nessa sequ\u00eancia, s\u00e3o referidos como \u201cas colunas da Igreja\u201d \u2013, sendo a carta do ap\u00f3stolo Judas Tadeu inserida depois (AUWERS; DE JONGE, 2003, p.574). O S\u00ednodo de Hipona, em 393, estabelece o mesmo elenco de livros (EB\u00a017), que o 3<u><sup>o<\/sup><\/u> S\u00ednodo de Cartago, em 397, repete \u00e0 letra (DH\u00a0186).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros exemplos seguem-se ao longo do s\u00e9culo\u00a0V. Em 405, a carta do Papa Inoc\u00eancio\u00a0I a Exup\u00e9rio, bispo de Toulouse, al\u00e9m de elencar os 27 livros do c\u00e2non do NT, p\u00f5e de sobreaviso contra escritos n\u00e3o genu\u00ednos que circulavam com os nomes de ap\u00f3stolos como Matias, Tiago Menor, Pedro, Jo\u00e3o e Tom\u00e9 (DH\u00a0213). O <em>C\u00f3dice Alexandrino<\/em>, da primeira metade do s\u00e9culo\u00a0V, apresenta os 27 livros do NT mais a Primeira e Segunda Carta de Clemente de Roma (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1050). No final do s\u00e9culo\u00a0V, o <em>Decretum Gelasii<\/em> menciona um a um os 27 livros do NT (EB 27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do s\u00e9culo\u00a0IV as Igrejas latinas e gregas se encaminhavam, portanto, a um processo de aceita\u00e7\u00e3o do c\u00e2non neotestament\u00e1rio de 27 livros. Nesses \u00e2mbitos, tal aceita\u00e7\u00e3o estaria consumada no final desse per\u00edodo (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1050). Tal n\u00e3o era, entretanto, a situa\u00e7\u00e3o das Igrejas na S\u00edria, que usavam um c\u00e2non de 17 livros. Neste, os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e Jo\u00e3o eram substitu\u00eddos pelo <em>Diat\u00e9ssaron<\/em> de Taciano, que compunha numa \u00fanica obra a harmoniza\u00e7\u00e3o dos quatro evangelhos. Faziam-se tamb\u00e9m presentes os Atos dos Ap\u00f3stolos e um <em>corpus paulinum<\/em> de 15 obras, com a Carta aos Hebreus e uma Terceira Carta aos Cor\u00edntios. S\u00f3 ao longo do s\u00e9culo\u00a0V foi que as Igrejas na S\u00edria substitu\u00edram o <em>Diat\u00e9ssaron<\/em> pelos quatro evangelhos, suprimiram a Terceira Carta aos Cor\u00edntios e recuperaram a Carta de Tiago, a Primeira Carta de Pedro e a Primeira Carta de\u00a0Jo\u00e3o, mas permaneceram sem a Segunda Carta de Pedro, a Segunda e a Terceira Carta de\u00a0Jo\u00e3o, a Carta de Judas e o Apocalipse. Em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga estava a Igreja de Antioquia (MANNUCCI, 1983, p.205). A Igreja Copta tinha um c\u00e2non que inclu\u00eda a Primeira e a Segunda Carta de Clemente de Roma, como no <em>C\u00f3dice Alexandrino<\/em>. A Igreja Et\u00edope tinha essas duas cartas e mais oito decretos, num total de 35 livros. \u201cEssas considera\u00e7\u00f5es devem deixar claro para o estudante o quanto se est\u00e1 generalizando ao se falar de um c\u00e2non neotestament\u00e1rio na Igreja dos primeiros s\u00e9culos\u201d (BROWN;\u00a0COLLINS, 1990, p.1051).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo mil\u00eanio, com o predom\u00ednio do modelo coisificante de revela\u00e7\u00e3o, j\u00e1 se atesta o c\u00e2non como \u00e9 conhecido hoje. Essa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o em 1441, no Conc\u00edlio de Floren\u00e7a, que elenca o c\u00e2non do NT com 27 livros (DH\u00a01335). No Conc\u00edlio de Trento (1546), esta lista foi retomada e confirmada (DH\u00a01503), o mesmo se dando no Vaticano I (1870), que ratifica o c\u00e2non de Trento, mas sem enumerar os livros individuais (DH\u00a03006 e 3029). Algo parecido se deu em 1965, no Conc\u00edlio Vaticano\u00a0II (<em>Dei Verbum<\/em> n. 20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e2mbito da Reforma protestante geralmente manteve o c\u00e2non do NT com 27 livros. A <em>B\u00edblia de Lutero<\/em> traduzida para o alem\u00e3o e publicada integralmente em 1534 elenca e traz esses 27 livros. Na Inglaterra, a edi\u00e7\u00e3o da B\u00edblia em ingl\u00eas autorizada pelo rei Henrique\u00a0VIII, em 1539, intitulada a <em>Grande B\u00edblia<\/em>, tinha o n\u00famero e a sequ\u00eancia hoje usuais para o NT. Esse procedimento continua hoje em dia, quando uma t\u00edpica edi\u00e7\u00e3o da B\u00edblia protestante traz na mesma ordem os mesmos 27 livros do NT de uma B\u00edblia cat\u00f3lica. A diferen\u00e7a est\u00e1 na \u00f3tica utilizada para acessar os textos do c\u00e2non. Na Reforma, tal \u00f3tica \u00e9 o paradigma coisificado de revela\u00e7\u00e3o em que esta \u00e9 compreendida como <em>sola Scriptura<\/em>. A \u00fanica revela\u00e7\u00e3o divina que se encontra dispon\u00edvel ao fiel antes de sua morte \u00e9 o texto b\u00edblico que o leitor tem diante de si, como um imenso dep\u00f3sito de palavras divinamente reveladas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, desde sua mais remota origem, teve o car\u00e1ter do paradigma personalista, segundo o qual o que \u00e9 revelado \u00e9, sobretudo, Algu\u00e9m que na plenitude daquele processo revelativo mostrou-se na pessoa de Jesus de Nazar\u00e9. Esse era o paradigma de revela\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Cristo e dos ap\u00f3stolos. \u00c9 esse Algu\u00e9m \u2013 <em>Christus praesens<\/em>, Cristo presente \u2013 que continua se revelando posteriormente e no tempo atual, embora o que de si venha agora a mostrar j\u00e1 tenha sido revelado anteriormente no tempo da revela\u00e7\u00e3o fundamental. A Sagrada Escritura definida em base a um c\u00e2non \u00e9 o registro dessa revela\u00e7\u00e3o fundamental culminada em Cristo. Ela \u00e9 o registro que guia e orienta com seguran\u00e7a o encontro atual com o pr\u00f3prio Cristo vivo. Incertezas eventuais sobre alguns de seus trechos n\u00e3o dep\u00f5em contra seu car\u00e1ter sagrado. Antes, atestam que a B\u00edblia, enquanto Palavra de Deus subordinada, encontra-se numa rela\u00e7\u00e3o de total depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele Algu\u00e9m que \u00e9 a Palavra de Deus por excel\u00eancia, Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo do c\u00e2non da Sagrada Escritura ganha em qualidade ao ser deixado de lado o paradigma coisificado de revela\u00e7\u00e3o, segundo o qual aquilo que Deus teria feito passar do \u00e2mbito divino para o humano seriam palavras exatas contendo seus textos revelados em uma precisa grafia e fraseologia. Ainda que o estudo dos manuscritos antigos demonstre que os textos da Sagrada Escritura n\u00e3o sofreram mudan\u00e7as fundamentais desde a Antiguidade, ele demonstra tamb\u00e9m que havia diferentes vers\u00f5es dos textos sagrados utilizadas pelos judeus no per\u00edodo do Segundo Templo (entre 520\u00a0aC e 70\u00a0dC), bem como entre os crist\u00e3os do primeiro s\u00e9culo. Os textos daquela \u00e9poca nem sempre s\u00e3o absolutamente id\u00eanticos a textos posteriores como o texto massor\u00e9tico e os pergaminhos gregos. Alguns s\u00e3o mais pr\u00f3ximos do texto grego presente na B\u00edblia dos Setenta, e mesmo do Pentateuco samaritano. Tais diferen\u00e7as, longe de serem tidas como erros, falsifica\u00e7\u00f5es ou inven\u00e7\u00f5es de copistas ou tradutores, apenas indicam a inadequa\u00e7\u00e3o do paradigma coisificado de revela\u00e7\u00e3o. \u00c9 a concep\u00e7\u00e3o plasmada por tal paradigma \u2013 que n\u00e3o era aquele de Cristo e dos ap\u00f3stolos \u2013 que exigiria um absoluto rigor de letras, grafias e fraseologias determinadas pelo c\u00e2non de livros sagrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>C\u00e9sar Andrade Alves SJ. <\/em>Faculdade Jesu\u00edta de Filosofia e Teologia \u2013 Belo Horizonte, Brasil. Texto original em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGOSTINHO DE HIPONA. <em>De doctrina christiana<\/em>. Paris, 1845, col. 15-122. (<em>Migne Patrologiae Cursus Completus<\/em>, PL 34).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AUWERS, J.-M.; DE JONGE, H. (orgs.). <em>The Biblical Canons<\/em>. Leuven: Leuven University, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BROWN, R.; COLLINS, R. Canonicity. In: BROWN, R. et al. (org.). <em>The New Jerome Biblical Commentary<\/em>. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1990. p.1034-1054.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAMPENHAUSEN, H.\u00a0F.\u00a0V. <em>La formation de la Bible chr\u00e9tienne<\/em>. Neuch\u00e2tel: Delachaux et Niestl\u00e9, 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CONC\u00cdLIO VATICANO\u00a0II. <em>Constitui\u00e7\u00e3o Dei Verbum<\/em>. Roma, 1965. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index.htm. Acesso em: 4 nov 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DH\u00a0=\u00a0DENZINGER, H.;\u00a0H\u00dcNERMANN, P. (orgs.).\u00a0<em>Comp\u00eandio dos s\u00edmbolos, defini\u00e7\u00f5es e declara\u00e7\u00f5es de f\u00e9 e moral<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas; Loyola, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EB\u00a0=\u00a0ENCHIRIDION BIBLICUM. Documenti della Chiesa sulla Sacra Scrittura. 2.ed. Bologna: EDB, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EUS\u00c9BIO. <em>Historiae Ecclesiasticae<\/em>. Paris, 1857, col. 9-906. (<em>Migne Patrologiae Cursus Completus.<\/em> PG 20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FIALOVA, R. Scripture and the Memoirs of the Apostels. Justin Martyr and His Bible. In: DU\u0160EK, J;\u00a0ROSKOVEC, J. (orgs.). <em>The Process of Authority<\/em>. Berlin: De Gruyter, 2016. p.165-178.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GIBERT, P.; THEOBALD, C. (orgs.). <em>La r\u00e9ception des \u00c9critures inspir\u00e9es. <\/em>Ex\u00e9g\u00e8se, histoire et th\u00e9ologie<em>. <\/em>Paris: Bayard, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GONZAGA, W. <em>Comp\u00eandio do C\u00e2non B\u00edblico<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes; Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JER\u00d4NIMO. <em>Commentaria in Epistolam ad Galata<\/em>s. Paris, 1845, col. 307-438. (<em>Migne Patrologiae Cursus Completus<\/em>. PL 26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Commentaria in Epistolam ad Ephesios<\/em>. Paris, 1845, col. 439-554. (<em>Migne Patrologiae Cursus Completus.<\/em> PL 26).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Praefatio in Librum Tobiae<\/em>. Paris, 1846, col. 23-26. (<em>Migne Patrologiae Cursus Completus.<\/em> PL 29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JUSTINO. <em>Apologia I pro christianis<\/em>. Paris, 1857, col. 327-442. (<em>Migne Patrologiae Cursus Completus<\/em>, PG 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Dialogus cum Thryphone<\/em>. Paris, 1857, col. 471-800. (<em>Migne Patrologiae Cursus Completus<\/em>, PG 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LOHFINK, N. \u00dcber die Irrtumslosigkeit und die Einheit der Schrift. <em>Stimmen der Zeit<\/em>, n.174, p. 161-181, 1964.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MANNUCCI, V. <em>Bibbia come Parola di Dio. <\/em>Introduzione generale alla Sacra Scrittura. 2.ed. Brescia: Queriniana, 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MURPHY-O\u2019CONNOR, J. The Second Letter to the Corinthians. In: BROWN, R. et al<em>.<\/em> (org.). <em>The New Jerome Biblical Commentary<\/em>. Englewood Cliffs: Prentice Hall, 1990. p.816-829.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u2019COLLINS, G. <em>Teologia Fundamental<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PERANI, M. Il processo di canonizzazione della Bibbia ebraica. Nuove prospettive metodologiche. <em>Rivista Biblica<\/em>, n.48, p.385-400, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHNIEDEWIND, W. <em>Como a B\u00edblia tornou-se um livro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">THEOBALD, C. (org.). <em>Le canon des \u00c9critures<\/em>. Paris: Cerf, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WICKS, J. C\u00e2non b\u00edblico. In: LATOURELLE, R.;\u00a0FISICHELLA, R. (org.). <em>Dicion\u00e1rio de Teologia Fundamental<\/em>. 2.ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2017. p.115-120.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WYCLIFFE, J. <em>De veritate Sacrae Scripturae<\/em>. 3v. London: Tr\u00fcbner, v.1, 1905. v.2, 1906. v.3, 1907.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Etimologia, defini\u00e7\u00e3o e pressupostos 2 O c\u00e2non do Antigo Testamento 2.1 C\u00e2non do Antigo Testamento antes do evento Cristo 2.2 Ap\u00f3s o evento Cristo por judeus n\u00e3o crist\u00e3os 2.3 Ap\u00f3s o evento Cristo por crist\u00e3os 3 O c\u00e2non do Novo Testamento 3.1 Reconhecimento dos escritos crist\u00e3os como sagrados 3.2 A evolu\u00e7\u00e3o das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-1818","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-fundamental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1818","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1818"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1818\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2380,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1818\/revisions\/2380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}