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{"id":1803,"date":"2019-12-26T18:05:16","date_gmt":"2019-12-26T20:05:16","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1803"},"modified":"2020-02-05T22:35:38","modified_gmt":"2020-02-06T00:35:38","slug":"segunda-carta-aos-corintios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1803","title":{"rendered":"Segunda Carta aos Cor\u00edntios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Relev\u00e2ncia da carta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Canonicidade, autenticidade e unidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Local e data<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Ocasi\u00e3o e finalidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Estrutura, temas e destaque teol\u00f3gico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, ao instruir o disc\u00edpulo Ananias acerca do chamado de Paulo, o Senhor Jesus afirma: \u201cPois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome\u201d (At 9,16). Ao longo do cumprimento de sua miss\u00e3o, diante de seu empenho em tornar vis\u00edvel o Evangelho, o ap\u00f3stolo se deparou com o sofrimento em formas e intensidades variadas. Embora suas cartas indiquem epis\u00f3dios de ang\u00fastia e tribula\u00e7\u00e3o, \u00e9 na Segunda Carta aos Cor\u00edntios que Paulo descreve especificamente a natureza dos sofrimentos enfrentados. \u201c\u00c9 notavelmente em 2 Cor\u00edntios que o alcance e a seriedade de seu sofrimento recebem a sua express\u00e3o mais clara\u201d (DUNN, 2003, p.562).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo defende sua autoridade apost\u00f3lica diante de seus oponentes na comunidade e destaca o sofrimento como elemento distintivo do verdadeiro apostolado. Al\u00e9m disto, ao se considerar participante nos sofrimentos de Cristo, o ap\u00f3stolo se identifica com seu Senhor, discernimento que se estende a todos os crist\u00e3os (MURPHY-O\u2019CONNOR, 2000, p.318).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, \u00e9 tamb\u00e9m na Segunda Carta aos Cor\u00edntios que Paulo evidencia a efic\u00e1cia do consolo divino sobre as agruras sofridas no minist\u00e9rio. \u00c9 no contexto de suas afli\u00e7\u00f5es que o poder da consola\u00e7\u00e3o proveniente de Deus se faz vis\u00edvel. Portanto, ele estabelece, j\u00e1 de in\u00edcio na carta, uma teologia da consola\u00e7\u00e3o (2Co 1,3-7) e oferece um exemplo concreto de seu dinamismo a partir do relato de seu encontro com Tito na Maced\u00f4nia (2Co 7,4-13), tendo como pano de fundo a conflituosa rela\u00e7\u00e3o com a comunidade cor\u00edntia. \u00c9 curioso que, de todas as ocorr\u00eancias no Novo Testamento da terminologia <em>parakale\u014d\/parakl\u0113sis<\/em> no sentido de consolo-encorajamento, a maior parte se concentre em 2 Cor\u00edntios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Relev\u00e2ncia da carta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Segunda Carta aos Cor\u00edntios faz parte da intera\u00e7\u00e3o entre Paulo e a comunidade crist\u00e3 da Acaia e, ainda que com lacunas de informa\u00e7\u00f5es acerca dos acontecimentos, mostra a atitude do ap\u00f3stolo diante dos desafios enfrentados no relacionamento com os fi\u00e9is de Corinto (THRALL, 2004, p.1). Essa carta permite que se perceba o encorajamento e ang\u00fastia, o consolo e a indigna\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo na rela\u00e7\u00e3o com os cor\u00edntios. \u00c9 nessa correspond\u00eancia que Paulo descreve com maior intensidade suas dores e alegrias, temores e convic\u00e7\u00f5es, for\u00e7a e fraqueza (FURNISH, 2005, p.3). Paulo, em seu minist\u00e9rio, n\u00e3o \u00e9 imune a cr\u00edticas, oposi\u00e7\u00f5es e adversidades, mas reage a elas a partir de seu relacionamento com Deus em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora 2 Cor\u00edntios seja a carta mais pessoal do ap\u00f3stolo Paulo, n\u00e3o seria adequado interpret\u00e1-la apenas a partir da perspectiva autobiogr\u00e1fica, pois a defesa que ele faz de si mant\u00e9m como foco o apostolado crist\u00e3o (LAMBRECHT, 1999, p.1). Sua import\u00e2ncia reside na reflex\u00e3o significativa que Paulo faz do minist\u00e9rio apost\u00f3lico. Portanto, \u201cn\u00e3o \u00e9 exagero ver nela a mais desenvolvida reflex\u00e3o de f\u00e9 sobre o \u2018minist\u00e9rio\u2019 (<em>diakonia<\/em>) eclesial no Novo Testamento\u201d (BARBAGLIO, 1993a, p.135).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Canonicidade, autenticidade e unidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito aos testemunhos sobre a canonicidade de 2 Cor\u00edntios, destaca-se o cat\u00e1logo que Marci\u00e3o, aproximadamente no ano 150, redigiu acerca das cartas paulinas e em cujo elenco se encontram as correspond\u00eancias destinadas \u00e0 comunidade de Corinto (1Co e 2Co). Elas tamb\u00e9m est\u00e3o presentes nas dez ep\u00edstolas paulinas mencionadas no Papiro 46, aproximadamente do ano 200, bem como no fragmento publicado por A. Muratori em 1740, redigido em latim e datado provavelmente do final do segundo s\u00e9culo (BARBAGLIO, 1993b, p.224-225; FURNISH, 2005, p.29).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As indica\u00e7\u00f5es mais claras da presen\u00e7a de 2 Cor\u00edntios no <em>corpus paulinum<\/em> s\u00e3o da metade do segundo s\u00e9culo. Mesmo que n\u00e3o haja, anterior a este per\u00edodo, evid\u00eancia de que 2 Cor\u00edntios fosse conhecida pela Igreja, isto n\u00e3o implica o questionamento da autenticidade da carta. Ela \u00e9 um escrito paulino em forma, estilo e conte\u00fado (FURNISH, 2005, p.30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, sua leitura e interpreta\u00e7\u00e3o est\u00e3o ligadas \u00e0s solu\u00e7\u00f5es propostas aos problemas de cr\u00edtica liter\u00e1ria colocados pela pr\u00f3pria carta (CINEIRA, 2002, p.249). As decis\u00f5es tomadas a este respeito trazem consigo implica\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 exegese do texto (THRALL, 2004, p.2). A quest\u00e3o-chave que se imp\u00f5e diante de 2 Cor\u00edntios \u00e9: estamos diante de um escrito paulino unit\u00e1rio destinado aos fi\u00e9is de Corinto ou de v\u00e1rias cartas para tal comunidade que foram reunidas e unificadas por volta do fim do primeiro s\u00e9culo? (BARBAGLIO, 1993a, p.119). A integridade liter\u00e1ria de 2 Cor\u00edntios \u00e9 uma quest\u00e3o complexa, na qual as respostas t\u00eam que se apoiar, de alguma forma, na especula\u00e7\u00e3o (FURNISH, 2005, p.34; BARBAGLIO, 1993a, p.126).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem interrup\u00e7\u00f5es da narrativa, mudan\u00e7as de vocabul\u00e1rio e tom da argumenta\u00e7\u00e3o que sugerem que a ordem presente em 2 Cor\u00edntios pode n\u00e3o representar uma \u00fanica carta, mas um compilado de fragmentos de outras cartas. Os pontos principais que suscitam questionamentos entre os estudiosos s\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) Em 2Co 2,14-7.4, Paulo apresenta uma defesa do minist\u00e9rio apost\u00f3lico que interrompe o fluxo da narra\u00e7\u00e3o sobre os acontecimentos em Tr\u00f4ade e Maced\u00f4nia, e estes s\u00e3o retomados a partir de 7.5;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) O trecho de car\u00e1ter judaico em 2Co 6,14-7,1;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) Os dois cap\u00edtulos sobre a coleta para Jerusal\u00e9m em 8 e 9;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) A mudan\u00e7a de tom na defesa do apostolado nos cap\u00edtulos 10-13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m destes pontos, em 2Co 2,3-4 e 7,8, o ap\u00f3stolo menciona uma carta escrita entre l\u00e1grimas, provavelmente fruto de um incidente desagrad\u00e1vel ocorrido em uma de suas visitas \u00e0 comunidade. Esta carta, cujo objetivo era provar a obedi\u00eancia dos cor\u00edntios (2,9), e que entristecera os destinat\u00e1rios, tamb\u00e9m faz parte dos debates sobre a unidade de 2 Cor\u00edntios. Alguns acreditam que a chamada \u201ccarta entre l\u00e1grimas\u201d se perdeu e outros defendem que ela esteja parcial ou integralmente inserida em 2 Cor\u00edntios nos cap\u00edtulos 10\u201313. Por exemplo, os comentaristas Thrall, Furnish e Lambrecht acreditam que n\u00e3o temos mais esta carta. Barbaglio, em sua obra <em>S\u00e3o Paulo<\/em>, afirma o mesmo. No entanto, em sua obra <em>1-2 Cor\u00edntios<\/em>, ele concorda com R. Pesch que a identifica, sem endere\u00e7o e introdu\u00e7\u00e3o, nos cap\u00edtulos de 10 a 13.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito \u00e0 integridade, a maior parte dos exegetas defende que a 2 Cor\u00edntios can\u00f4nica \u00e9 o resultado da compila\u00e7\u00e3o de diversas cartas do ap\u00f3stolo Paulo aos cor\u00edntios. As diverg\u00eancias variam em torno da quantidade de cartas, ou trechos de cartas, presentes na 2 Cor\u00edntios conforme conhecemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um consenso crescente de que ela pode ser dividida em duas cartas, sendo a primeira os cap\u00edtulos 1\u20139, e a segunda, de 10\u201313. Por\u00e9m, h\u00e1 os que sugerem a compila\u00e7\u00e3o de tr\u00eas ou mais cartas. E, al\u00e9m destes, existe uma minoria que sustenta a hip\u00f3tese de unidade da carta (HAFEMANN, 2008, p.286).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira sugest\u00e3o de que 2 Cor\u00edntios seja resultado da combina\u00e7\u00e3o de diversas cartas paulinas distintas procede de J. S. Semler em 1776 (THRALL, 2004, p.4). Ele parte da an\u00e1lise dos cap\u00edtulos 8 e 9 que tratam da coleta e defende que Paulo n\u00e3o abordaria o mesmo assunto duas vezes na mesma carta, utilizando praticamente os mesmos argumentos. Portanto, ele conjectura que 2 Cor\u00edntios conteria diversas cartas mais curtas enviadas por Paulo a outras cidades da Acaia. Dessa forma, o esquema de Semler comporta tr\u00eas cartas em 2 Cor\u00edntios assim divididas: primeira carta de 1\u20138 + 13,11-13; segunda carta, cap\u00edtulo 9; terceira carta, 10\u201313.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Furnish, por sua vez, tamb\u00e9m parte do trabalho de Semler e sustenta a hip\u00f3tese de que 2 Cor\u00edntios resulte da uni\u00e3o das partes majorit\u00e1rias de duas cartas distintas: primeiramente os cap\u00edtulos 1\u20139 e, mais tarde os cap\u00edtulos 10\u201313.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barbaglio, na obra <em>S\u00e3o Paulo<\/em>, sugere a exist\u00eancia de tr\u00eas ou cinco cartas em 2 Cor\u00edntios, dependendo da hip\u00f3tese adotada quanto aos cap\u00edtulos 8 e 9: em primeiro lugar, encontra-se a carta apolog\u00e9tica (2,14-7.4) em resposta \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos oponentes que tentavam minar a autoridade apost\u00f3lica paulina juntos aos fi\u00e9is de Corinto; em seguida, diante do agravamento deste conflito tem-se a carta pol\u00eamica com tom mais austero (10,1\u201313.10); posteriormente, tendo em vista as boas not\u00edcias trazidas por Tito sobre a rea\u00e7\u00e3o da comunidade cor\u00edntia, Paulo escreve a carta de reconcilia\u00e7\u00e3o (1,1\u20132,13 + 7,5-16); e, finalmente, ap\u00f3s a reconcilia\u00e7\u00e3o ou simultaneamente, o ap\u00f3stolo envia as duas cartas acerca da coleta, uma para Corinto (8) e outra para as igrejas da Acaia (9). Desta forma, a 2 Cor\u00edntios, conforme se conhece, seria fruto de um trabalho posterior de unifica\u00e7\u00e3o desse interc\u00e2mbio realizado entre os anos 54 e 55. Por\u00e9m, na obra <em>1-2 Cor\u00edntios<\/em>, Barbaglio (1-2) adere ao argumento de R. Pesch que atribui o cap\u00edtulo 8 \u00e0 carta apolog\u00e9tica e o 9 \u00e0 carta de reconcilia\u00e7\u00e3o, optando pela presen\u00e7a de tr\u00eas cartas em 2 Cor\u00edntios. Ele afirma que a hip\u00f3tese de Pesch \u201cevita multiplicar sem necessidade as cartas paulinas reunidas pelo compilador em nossa 2 Cor\u00edntios\u201d (BARBAGLIO, 1993a, p.126).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os comentaristas, Lambrecht (1999, p.2) se encontra entre os que tratam a carta como texto unit\u00e1rio, embora reconhe\u00e7a as dificuldades que ela imp\u00f5e pelas quest\u00f5es j\u00e1 mencionadas, pela falta de informa\u00e7\u00e3o precisa sobre o que de fato aconteceu na rela\u00e7\u00e3o entre o ap\u00f3stolo e a comunidade, e tamb\u00e9m pelo tom emocional que dificulta seguir sua linha de argumenta\u00e7\u00e3o. Hafemann (2008, p.286) que tamb\u00e9m adota em seu coment\u00e1rio a hip\u00f3tese da unidade da carta, afirma que esta posi\u00e7\u00e3o costuma ser sustentada, entre outros argumentos, a partir de uma no\u00e7\u00e3o de heterogeneidade presente na igreja de Corinto. Assim, os cap\u00edtulos 1\u20139 seriam dirigidos \u00e0 maior parte da igreja que havia se reconciliado com Paulo. E os cap\u00edtulos 10\u201313 destinados aos oponentes que insistiam em atacar o ap\u00f3stolo e tentar influenciar a comunidade. Estes dois \u201cp\u00fablicos\u201d explicariam as mudan\u00e7as de tema e tom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 data, segundo Lambrecht, a 2 Cor\u00edntios situa-se entre a segunda e a terceira visita de Paulo a Corinto, ap\u00f3s a \u201ccarta entre l\u00e1grimas\u201d, aproximadamente no ano 54, de acordo com o esquema abaixo:<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"566\">Primeira visita de Paulo a Corinto (49-51)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"566\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (A) Carta pr\u00e9via (53)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"566\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (B) 1 Cor\u00edntios (primavera de 54; cf. 16.8)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"566\">Segunda visita: a visita dolorosa (54)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"566\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (C) Carta entre l\u00e1grimas (54)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"566\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (D) 2 Cor\u00edntios (54)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"566\">Terceira visita (54-55)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lambrecht acredita que nem a \u201ccarta entre l\u00e1grimas\u201d mencionada em 2 Cor\u00edntios e nem a \u201ccarta pr\u00e9via\u201d citada em 1Co 5,9 chegaram at\u00e9 n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Local e data<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo esteve primeiramente em Corinto quando da funda\u00e7\u00e3o desta comunidade por volta de 49-51. O relato de 2Co 1,23-2,1 pressup\u00f5e uma segunda visita que acabou por se tornar dolorosa em fun\u00e7\u00e3o de um conflito, motivando a chamada \u201ccarta entre l\u00e1grimas\u201d (2,3.4.9; 7,8.12) que foi levada por Tito aos Cor\u00edntios (LAMBRECHT, 1999, p.9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, a 2 Cor\u00edntios can\u00f4nica seria posterior \u00e0 carta que Paulo menciona ter sido escrita em meio \u00e0 afli\u00e7\u00e3o, ang\u00fastia de cora\u00e7\u00e3o e entre l\u00e1grimas. Nos vers\u00edculos 2,12-13, o ap\u00f3stolo relata ter chegado a Tr\u00f4ade. No entanto, mesmo com a promissora oportunidade mission\u00e1ria naquele local, a inquietude de Paulo \u00e0 espera de informa\u00e7\u00f5es o conduziu \u00e0 Maced\u00f4nia. Portanto, \u00e9 desta regi\u00e3o que ele teria escrito 2 Cor\u00edntios ap\u00f3s o recebimento das boas not\u00edcias trazidas por Tito sobre a rea\u00e7\u00e3o da comunidade (7,5-16; 9,4), provavelmente no outono de 54.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Ocasi\u00e3o e finalidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da Primeira Carta aos Cor\u00edntios, Paulo declara seus planos de viagem (16,5-9). Entretanto, pelas explica\u00e7\u00f5es que ele presta na Segunda Carta, pode-se perceber que o planejamento n\u00e3o aconteceu conforme o esperado (1,15-2,1). Houve, em sua segunda visita aos cor\u00edntios, um incidente desagrad\u00e1vel no qual Paulo foi ofendido. Embora n\u00e3o existam dados suficientes para precisar quem foi o ofensor e a natureza da ofensa, sabemos que Paulo lhes enviou uma \u201ccarta entre l\u00e1grimas\u201d (2,3-4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, diante da chegada de Tito com o relato positivo acerca da rea\u00e7\u00e3o dos cor\u00edntios \u00e0 referida carta, o ap\u00f3stolo escreve a 2 Cor\u00edntios. E mesmo que Paulo tenha demonstrado otimismo com as not\u00edcias (7,4-16), \u00e9 poss\u00edvel pensar que a reconcilia\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha sido un\u00e2nime, ainda existia oposi\u00e7\u00e3o. Isto explicaria a ambival\u00eancia de sua atitude na carta, em que ora elogia, ora exorta com dureza. \u00c9 por isto que ele justifica seu itiner\u00e1rio de viagem e os motivos de n\u00e3o ter voltado a Corinto como prometera (1,15-17 e 1,23-2,1); e tamb\u00e9m defende seu minist\u00e9rio diante dos opositores que questionam a legitimidade de seu apostolado (2,14\u20133,6; 4,1-16; 5,11-12; 6,4-10). O desejo de Paulo parece ser o de \u201cfortalecer os que se arrependeram e reconquistar a minoria recalcitrante\u201d (HAFEMANN, 2008, p.286).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o tom apolog\u00e9tico em 2 Cor\u00edntios pode refletir a busca pela reconcilia\u00e7\u00e3o com os cor\u00edntios que tinham cedido \u00e0 influ\u00eancia dos advers\u00e1rios. No empenho pela restaura\u00e7\u00e3o do relacionamento com a comunidade, Paulo se dirige a eles como um pai a seus filhos. No entanto, n\u00e3o deixa de marcar, em tom severo, a diferen\u00e7a entre o verdadeiro e o falso ap\u00f3stolo, de forma que a comunidade possa identificar e assumir posi\u00e7\u00e3o ao seu lado. E assim o faz na esperan\u00e7a de que os cor\u00edntios mudem de atitude antes de sua terceira visita, a fim de que ele n\u00e3o tenha que usar com rigor a autoridade que Deus lhe conferiu (13,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Estrutura, temas e teologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esquema estrutural a seguir \u00e9 proposto por Lambrecht (1999, p.10):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sauda\u00e7\u00e3o aos santos (1,1-2)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bendi\u00e7\u00e3o a Deus (1,3-11)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I. Credibilidade de Paulo (1,12-2,13)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II. Apostolado de Paulo (2,14-7,4)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">III. Retorno de Tito (7,5-16)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IV. Coleta (8-9)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V. Autodefesa de Paulo (10,1-13,10)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exorta\u00e7\u00e3o final, sauda\u00e7\u00f5es e ben\u00e7\u00e3o (13,11-13)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema relacionado \u00e0 defesa do apostolado permeia 2 Cor\u00edntios, sendo mais evidente em dois momentos: o primeiro no trecho 2,14-7,4, no qual h\u00e1 uma apologia em tom mais brando; e depois nos cap\u00edtulos 10\u201313, nos quais o ap\u00f3stolo se defende de maneira mais severa, opondo-se aos ataques de seus advers\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A defesa do apostolado traz consigo o tema do servi\u00e7o e, dentro dele, o contraste \u201cfraqueza humana\/poder divino\u201d (BARBAGLIO, 1993, p.175). Ele apresenta com mais detalhes as circunst\u00e2ncias que envolvem a identidade apost\u00f3lica: os sofrimentos enfrentados, a oposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e a press\u00e3o interna sofrida em fun\u00e7\u00e3o do cuidado com as comunidades (LAMBRECHT, 1999, p.1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro tema que se destaca em 2 Cor\u00edntios \u00e9 a \u201crela\u00e7\u00e3o entre o sofrimento e a gl\u00f3ria, a forma como a experi\u00eancia apost\u00f3lica paulina determina e exemplifica esta rela\u00e7\u00e3o\u201d (HAFEMANN, 2008, p.288). E tendo os argumentos baseados em sua escatologia e cristologia, Paulo demonstra que seu sofrimento n\u00e3o \u00e9 algo que deponha contra sua legitimidade, antes \u00e9 a plataforma que evidencia a manifesta\u00e7\u00e3o do poder de Deus em seu minist\u00e9rio (2Cor 12,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O destaque teol\u00f3gico se refere a este \u00faltimo tema e \u00e9 introduzido na carta com a teologia da consola\u00e7\u00e3o. Como Paulo apresenta nesta carta seus sofrimentos provenientes de v\u00e1rias fontes, especialmente de seus opositores na comunidade (CINEIRA, 2002), ele mostra como responde a eles por meio do consolo divino. Al\u00e9m disto, demonstra que o sofrimento n\u00e3o o desautoriza como ap\u00f3stolo, \u00e9 a plataforma que evidencia o poder de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teologia da consola\u00e7\u00e3o pode ser sintetizada a partir das tr\u00eas dimens\u00f5es que ela contempla: teol\u00f3gica, cristol\u00f3gica e soteriol\u00f3gica. O t\u00edtulo dado a Deus logo no in\u00edcio da carta \u201cDeus de toda consola\u00e7\u00e3o\u201d marca o agente prim\u00e1rio por tr\u00e1s do consolo. Deus est\u00e1 na origem da consola\u00e7\u00e3o experimentada em meio ao sofrimento, mesmo que a instrumentalidade humana esteja presente. A a\u00e7\u00e3o humana que redunda na consola\u00e7\u00e3o \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, uma interven\u00e7\u00e3o iniciada nele. Deus consola tendo em vista as suas miseric\u00f3rdias em face das afli\u00e7\u00f5es a que seus filhos est\u00e3o sujeitos. O Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo \u00e9 bendito, e todos os que s\u00e3o por ele consolados tamb\u00e9m s\u00e3o convidados a bendiz\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teologia da consola\u00e7\u00e3o tem sua raz\u00e3o de ser no contexto da afli\u00e7\u00e3o, pois esta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o que confronta o crist\u00e3o com sua fraqueza e necessidade do poder de Deus, al\u00e9m de apontar para uma expectativa quanto \u00e0 consola\u00e7\u00e3o definitiva. Portanto, o sofrimento \u00e9 a circunst\u00e2ncia a partir da qual a consola\u00e7\u00e3o se destaca, ressaltando a a\u00e7\u00e3o divina e n\u00e3o poder humano na supera\u00e7\u00e3o dos reveses. A consola\u00e7\u00e3o \u00e9 o contraponto do sofrimento que \u00e9 parte integrante da exist\u00eancia crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, a consola\u00e7\u00e3o divina n\u00e3o \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o misteriosa, mas ganha concretude nos indicadores que a tornam vis\u00edvel e promovem al\u00edvio na dimens\u00e3o externa ou interna do crist\u00e3o, conforme ilustra Paulo nos perigos e confrontos que passou. Por\u00e9m, a consola\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa apenas o al\u00edvio ou cessar imediato da situa\u00e7\u00e3o aflitiva, mas est\u00e1 orientada para a perseveran\u00e7a (2 Co 1.6) (FURNISH, 2005, p.121).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deus que oferece consola\u00e7\u00e3o emprega o princ\u00edpio da reciprocidade, isto \u00e9, os consolados s\u00e3o capacitados a estender consola\u00e7\u00e3o a outros aflitos. A consola\u00e7\u00e3o compartilhada \u00e9 coerente com o Evangelho que leva cada crist\u00e3o a viver al\u00e9m de si mesmo, e tamb\u00e9m contribui para aumentar o coro daqueles que bendizem a Deus e declaram seu poder em meio ao sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entrando na dimens\u00e3o cristol\u00f3gica, merece destaque a forma com a qual Paulo enfrenta os sofrimentos, pois ela oferece um paradigma aos crist\u00e3os. A constata\u00e7\u00e3o de que o crist\u00e3o tamb\u00e9m participa nos sofrimentos de Cristo se conecta \u00e0 consola\u00e7\u00e3o e amplia a perspectiva daquele que sofre. Pois se o sofrimento \u00e9 uma realidade inescap\u00e1vel, a consola\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m o \u00e9. A compreens\u00e3o destes dois lados da moeda tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para o entendimento do processo de morte e vida que ocorre na experi\u00eancia do seguidor de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por esta l\u00f3gica, entende-se que Paulo n\u00e3o questiona a legitimidade de seu apostolado por causa dos sofrimentos nele presentes, pois n\u00e3o os concebia como elementos estranhos ao seu chamado ou que indicassem aus\u00eancia da a\u00e7\u00e3o divina, mas justamente o oposto (HAFEMANN, 2008, p.1180). Paulo sofre as circunst\u00e2ncias pr\u00f3prias da exist\u00eancia e tamb\u00e9m do desempenho de seu minist\u00e9rio, mas convida cada crist\u00e3o a viver na certeza de que a participa\u00e7\u00e3o na consola\u00e7\u00e3o, por meio de Cristo, \u00e9 t\u00e3o abundante quanto a participa\u00e7\u00e3o nos sofrimentos de Cristo. Portanto, da mesma forma que Paulo, cada crist\u00e3o participa da consola\u00e7\u00e3o, assim como do sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dimens\u00e3o cristol\u00f3gica da teologia da consola\u00e7\u00e3o logo abre espa\u00e7o para a soteriol\u00f3gica, pois a consola\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem em mira apenas o sofrimento terreno, mas est\u00e1 situada no arco que compreende o presente e o futuro. O processo de salva\u00e7\u00e3o envolve esta tens\u00e3o escatol\u00f3gica. Paulo tanto se refere \u00e0 consola\u00e7\u00e3o presente quanto \u00e0 definitiva ao explicitar o efeito que a consola\u00e7\u00e3o divina deseja produzir no crist\u00e3o: perseveran\u00e7a. O horizonte escatol\u00f3gico permite continuidade n\u00e3o obstante o sofrimento, como afirma Lambrecht, \u201cem meio \u00e0 fraqueza h\u00e1 for\u00e7a, j\u00e1 no presente, antes da morte f\u00edsica. A despeito da afli\u00e7\u00e3o, perplexidade, persegui\u00e7\u00e3o e ataques sem fim, gra\u00e7as a Deus n\u00e3o h\u00e1 desespero e nem destrui\u00e7\u00e3o total\u201d (1999, p.60).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refletindo sobre a fun\u00e7\u00e3o da teologia da consola\u00e7\u00e3o na Segunda Carta aos Cor\u00edntios, percebe-se que essa correspond\u00eancia se encontra marcada por um movimento de for\u00e7a na fraqueza, perseveran\u00e7a na adversidade. A realidade da consola\u00e7\u00e3o \u00e9 importante na vis\u00e3o paulina da exist\u00eancia crist\u00e3, \u00e9 a partir dela que se compreende o desgaste do homem exterior, mas a renova\u00e7\u00e3o di\u00e1ria do homem interior (cf. 2Co 4.16-18). Em vez de negar sua fraqueza em resposta \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de seus oponentes, Paulo desenvolve a teologia da consola\u00e7\u00e3o justamente partindo dela, pois s\u00e3o os abatidos que precisam de consola\u00e7\u00e3o. O sofrimento n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com o servi\u00e7o apost\u00f3lico nem com a vida crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Karina Garcia Coleta,<\/em> Belo Horizonte, Brasil \u2013 Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARBAGLIO, Giuseppe. <em>1-2 Cor\u00edntios<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1993a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>S\u00e3o Paulo<\/em>: o homem do evangelho. Petr\u00f3polis: Vozes, 1993b.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CINEIRA, D. \u00c1lvarez. Los advers\u00e1rios paulinos en 2 Corintios. <em>Estudio Agustiniano<\/em>, v.32, p.249-274, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DUNN, James. <em>A teologia do ap\u00f3stolo Paulo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FURNISH, Victor. II Corinthians. <em>The Anchor Bible<\/em>. v.32A. New York: Doubleday, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HAFEMANN, S. J. Cartas aos Cor\u00edntios. In: HAWTHORNE et al. (orgs.). <em>Dicion\u00e1rio de Paulo e suas Cartas.<\/em> S\u00e3o Paulo: Vida Nova; Paulus; Loyola, 2008. p.270-289.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LAMBRECHT, Jan. <em>Second Corinthians.<\/em> Sacra Pagina Series. v.8. Minnesota: The Liturgical Press, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MURPHY-O\u2019CONNOR, Jerome. <em>Paulo<\/em>: biografia cr\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">THRALL, Margaret. <em>The Second Epistle to the Corinthians<\/em>. The international critical commentary.v.1. New York: T&amp;T Clark International, 2004.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Relev\u00e2ncia da carta 2 Canonicidade, autenticidade e unidade 3 Local e data 4 Ocasi\u00e3o e finalidade 5 Estrutura, temas e destaque teol\u00f3gico Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas Introdu\u00e7\u00e3o No livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos, ao instruir o disc\u00edpulo Ananias acerca do chamado de Paulo, o Senhor Jesus afirma: \u201cPois eu lhe mostrarei quanto lhe importa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-1803","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-biblica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1803"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1803\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1843,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1803\/revisions\/1843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}