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{"id":179,"date":"2014-12-19T07:31:07","date_gmt":"2014-12-19T09:31:07","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=179"},"modified":"2016-04-10T09:47:42","modified_gmt":"2016-04-10T12:47:42","slug":"simbolo-e-sacramento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=179","title":{"rendered":"S\u00edmbolo e sacramento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Signo, s\u00edmbolo, linguagem, corpo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p><strong style=\"text-align: justify;\">1 Signo, s\u00edmbolo, linguagem, corpo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cIsoladas\/ as palavras s\u00e3o mudas.\/ Homem, mulher,\/ amor\/, \u00e9 som em linha reta\/ e a Terra \u00e9 redonda;\/o som se perde em nada.\/ As palavras sobrevivem unidas umas \u00e0s outras numa for\u00e7a de ponte para alcan\u00e7ar o ritmo no horizonte\u201d Estes versos do poema <em>A palavra \u00e9 carente<\/em>, de Lupe Cotrim Garaude, podem ser uma boa introdu\u00e7\u00e3o, em linguagem simb\u00f3lica, para compreender os sacramentos como \u201cs\u00edmbolos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua atividade simb\u00f3lica o ser humano configura o mundo e, ao mesmo tempo, \u00e9 configurado por ela. O s\u00edmbolo se distingue do simples <em>sinal<\/em> ou <em>signo<\/em>, ou seja, da mera a\u00e7\u00e3o significativa das palavras enquanto usadas para designar os diversos objetos do mundo. A palavra grega <em>symbolon<\/em> literalmente significa p\u00f4r junto, reunir. Pr\u00f3prio do s\u00edmbolo \u00e9 reunir, p\u00f4r em comum, criar comunh\u00e3o. A palavra \u201crosa\u201d designa um objeto da natureza. A rosa oferecida como presente \u00e0 pessoa amada torna-se s\u00edmbolo. A significa\u00e7\u00e3o do s\u00edmbolo n\u00e3o reside isoladamente na rosa, nem no gesto de entregar a rosa, nem na pessoa que a oferece ou a recebe, mas na atividade mediante a qual os seres humanos intercambiam um objeto, uma palavra, ou um gesto e desse modo se relacionam, manifestam seus sentimentos rec\u00edprocos, ao mesmo em tempo que descobrem sua identidade. Ou seja, na linguagem. A ordem simb\u00f3lica \u00e9 o meio pelo qual as pessoas se encontram e se revelam e assim se constroem e constroem o seu mundo.\u00a0 \u00c9 nessa ordem que o voc\u00e1bulo como signo dos objetos se torna s\u00edmbolo, palavra que une e comunica as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica faz parte da <em>linguagem<\/em>, entendida n\u00e3o como mero instrumento para designar os objetos, mas como meio ou ambiente no qual a pessoa humana se descobre, se constr\u00f3i e acontece. A linguagem p\u00f5e em jogo a pessoa humana enquanto\u00a0 <em>corpo<\/em> \u2012 o \u201ceu-corpo\u201d \u2012 o eu que somente enquanto corporeidade pode relacionar-se com os outros e com Deus. O corpo \u00e9 o lugar da articula\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, diferenciada segundo as orienta\u00e7\u00f5es do desejo, do tr\u00edplice corpo \u2012 social, ancestral e c\u00f3smico \u2012 que constitui o ser humano como sujeito. No corpo se articulam o eu e o outro, a natureza a cultura, o desejo e a palavra. Para a f\u00e9 crist\u00e3, o corpo de Cristo na tr\u00edplice dimens\u00e3o \u2012 terrena, eclesial e celeste \u2012 \u00e9 o lugar da manifesta\u00e7\u00e3o da Palavra eterna de Deus, que, por n\u00f3s e por nossa salva\u00e7\u00e3o, se fez carne em Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sacramentos s\u00f3 podem ser bem compreendidos quando pensados como <em>a\u00e7\u00f5es <\/em>ou<em> interc\u00e2mbios simb\u00f3licos<\/em> que envolvem sempre o eu-corpo do homem, o corpo eclesial e o corpo de Cristo em sua rela\u00e7\u00e3o com o universo. Os sacramentos s\u00e3o <em>a\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas<\/em> da Igreja, A assembleia lit\u00fargica, enquanto personifica\u00e7\u00e3o da Igreja, corpo de Cristo, em um lugar e um tempo determinados, \u00e9 o sujeito primordial dos sacramentos. Cada um dos sacramentos envolve e manifesta a a\u00e7\u00e3o sacramental da Igreja, sacramento fundamental (<em>Grund-sakrament<\/em>) que, por sua vez, reenvia ao <em>Uhr-sakrament<\/em> ou proto-sacramento: o Cristo, a palavra de Deus feita carne (TABORDA, 2005, p.73 nota 56).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto sacramento da uni\u00e3o dos homens entre si e com Deus, toda a a\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 sacramental, mediante o culto espiritual que consiste em apresentar a Deus o pr\u00f3prio corpo como sacrif\u00edcio vivo e espiritual para o servi\u00e7o dos irm\u00e3os (cf. Rm 12, 1ss.), seguindo o exemplo de Cristo que se ofereceu por n\u00f3s na cruz. As a\u00e7\u00f5es sacramentais do culto crist\u00e3o, encontram seu sentido, seu acabamento e sua verifica\u00e7\u00e3o no viver dos crist\u00e3os ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os na vida cotidiana. Elas fazem que \u201co viver para\u201d os irm\u00e3os seja recebido gratuitamente de Deus como dom e gra\u00e7a ao mostr\u00e1-lo ritualmente, porque o sacramento como s\u00edmbolo n\u00e3o remete a algo exterior a si mesmo, mas introduz numa ordem da qual ele faz parte: a vida no corpo de Cristo. Os sacramentos celebrados na liturgia s\u00e3o, por isso, momentos culminantes da vida crist\u00e3, enquanto vida em Cristo para o servi\u00e7o do mundo. Introduzem, no Mist\u00e9rio Pascal, o Mist\u00e9rio do corpo de Cristo, morto na cruz e ressuscitado por n\u00f3s e para nossa salva\u00e7\u00e3o, mediante o dom do Esp\u00edrito que faz parte desse Mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tentar compreender a efic\u00e1cia divina dos sacramentos, a teologia escol\u00e1stica lan\u00e7ou m\u00e3o das categorias filos\u00f3ficas de causalidade eficiente e causalidade instrumental. O Verbo encarnado \u2012 afirmava-se \u2012 age mediante os sacramentos, de modo semelhante ao art\u00edfice que esculpe uma est\u00e1tua servindo-se de instrumentos apropriados. A afirma\u00e7\u00e3o era verdadeira e \u00fatil para afirmar que a efic\u00e1cia do sacramento prov\u00e9m de ser Deus o seu autor. Tom\u00e1s de Aquino construiu uma reflex\u00e3o muito rica sobre os sacramentos, servindo-se da analogia com os conceitos de causalidade emprestados da filosofia, embora n\u00e3o deduzindo-a deles, sen\u00e3o dos dados da revela\u00e7\u00e3o em Cristo. Mas a utiliza\u00e7\u00e3o de causalidades que dificilmente escapam a representa\u00e7\u00f5es de tipo produtivista n\u00e3o chega a tocar o mais essencial do agir sacramental, a ordem simb\u00f3lica. N\u00e3o \u00e9 de estranhar que a teologia posterior, presa \u00e0queles conceitos, n\u00e3o conseguisse desenvolver a forma espec\u00edfica do agir sacramental, como linguagem e corpo humanos assumidos por Deus em Jesus Cristo para se relacionar conosco. Consequ\u00eancia desse tipo de reflex\u00e3o, aliada a outras conjunturas hist\u00f3ricas, foi\u00a0 uma vis\u00e3o do agir dos sacramentos, em n\u00e3o poucos setores da Igreja, de forma quase m\u00e1gica. N\u00e3o foi o fato de pensar os sacramentos a partir da causalidade eficiente o que os exp\u00f4s a serem considerados como a\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas (Tom\u00e1s de Aquino n\u00e3o caiu na armadilha), mas o fato de a teologia posterior e a pr\u00e1tica sacramental n\u00e3o se deixarem guiar constantemente pela revela\u00e7\u00e3o divina em Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teologia busca, hoje, no <em>modo de agir simb\u00f3lico<\/em> um instrumental epistemol\u00f3gico mais apropriado para compreender o agir divino mediante os sacramentos. N\u00e3o com a pretens\u00e3o de deduzir o agir sacramental de uma no\u00e7\u00e3o previa do s\u00edmbolo. Construir-se-ia, por esse caminho, uma nova escol\u00e1stica incapaz de dar raz\u00e3o da pr\u00e1tica sacramental. Mas olhando, com ajuda da reflex\u00e3o sobre a linguagem e o corpo como lugares privilegiados das rela\u00e7\u00f5es entre os humanos, a revela\u00e7\u00e3o singular e escandalosa de Deus no Mist\u00e9rio Pascal, para reencontrar o sentido dos sacramentos que a Igreja recebe do Cristo na tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corpo de Cristo, morto na cruz, ressuscitado e exaltado por Deus por m\u00e9rito dessa mesma morte, fonte do Esp\u00edrito que suscita para Cristo o corpo eclesial, \u00e9 o fundamento dos sacramentos. Sacramentos do amor \u201ctrinit\u00e1rio de Deus\u201d, eles nos introduzem na ordem <em>simb\u00f3lica<\/em> criada pelo Mist\u00e9rio Pascal, sacramento da <em>humanidade<\/em> de Deus. O modo do agir simb\u00f3lico nos ajuda a pensar esse agir divino, sem a pretens\u00e3o de desvelar o Mist\u00e9rio santo do pr\u00f3prio Deus, revelado no Mist\u00e9rio Pascal, ao permitir-nos articular os dados da Revela\u00e7\u00e3o com nossa experi\u00eancia cotidiana de ser no mundo em rela\u00e7\u00e3o de alteridade com todos os humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00edmbolo age significando e pelo mesmo ato de significar que conduz \u00e0 comunh\u00e3o entre as pessoas, envolvendo, mediante a corporeidade, a verdade do ser: ser para, ser em rela\u00e7\u00e3o. Um exemplo f\u00e1cil de compreender: o abra\u00e7o da m\u00e3e a uma crian\u00e7a, enquanto envolve todo o seu afeto, entregando-se a ela sem reservas, d\u00e1 a esta a consci\u00eancia de ser querida e cria la\u00e7os imperec\u00edveis. O gesto aparentemente id\u00eantico de algu\u00e9m que, pretendendo abusar de uma crian\u00e7a, tenta iludi-la para conseguir seu perverso prop\u00f3sito, produzir\u00e1 um efeito desastroso, deixando marcas indel\u00e9veis por toda a sua vida, porque o gesto significou uma coisa estranha, n\u00e3o fazia parte de uma ordem simb\u00f3lica verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte do Cristo na cruz, coroando toda uma vida de doa\u00e7\u00e3o incondicional a quantos se encontraram com ele, contemplada no interior da tradi\u00e7\u00e3o de f\u00e9 de Israel e \u00e0 luz da f\u00e9 crist\u00e3, revela o amor de Deus n\u00e3o apenas aos disc\u00edpulos do Nazareno, mas aos homens e mulheres de todos os tempos. Amor divino que, no corpo do Filho, se entrega incondicionalmente a todos os humanos para que no Filho e com o Filho renas\u00e7am para uma vida nova e imperec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreender o gesto de Cristo na cruz como gesto de amor do Pai para a humanidade toda, simbolizado nos sacramentos, requer um processo lento e progressivo de comunh\u00e3o, como o que deve haver entre m\u00e3e e filho para que seu abra\u00e7o se torne s\u00edmbolo de amor. A pr\u00e1tica da Igreja e o surgimento progressivo dos sacramentos mostram bem isso. Os sacramentos nascem em torno \u00e0 mesa em que se celebra a mem\u00f3ria da entrega de Cristo por n\u00f3s, e s\u00e3o sempre acompanhados do sacramento da Palavra que os torna significativos, at\u00e9 o ponto de revelar, na morte de um judeu crucificado, o dom \u2012 a autocomunica\u00e7\u00e3o \u2012 do pr\u00f3prio Deus \u00e0 humanidade. Para compreender isso n\u00e3o basta narrar os eventos da vida de Jesus. Era necess\u00e1rio escutar o pr\u00f3prio Deus dizendo neles o seu amor por Israel e por toda a humanidade. Compreende-se por que a mem\u00f3ria da entrega de Jesus na cruz, celebrada na liturgia, foi sempre precedida pela leitura das Escrituras judaicas e por que s\u00e3o lidas tamb\u00e9m as cartas dos ap\u00f3stolos. Os ap\u00f3stolos, iluminados pela mem\u00f3ria de Jesus, viram-se obrigados a reinterpretar as escrituras antigas ao se deparar com pessoas que n\u00e3o eram judias e procuravam em Jesus a salva\u00e7\u00e3o. Como Deus poderia agir por meio de Jesus se a sua mem\u00f3ria n\u00e3o se tornasse significativa para os que participavam das celebra\u00e7\u00f5es da Igreja?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensar um sacramento implica pensar o seu ritual como verdadeiro interc\u00e2mbio simb\u00f3lico entre Deus e o ouvinte da sua Palavra, que \u00e9 tocado por ele como gesto divino de salva\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o sacramental n\u00e3o pode ser reduzida ao que a escol\u00e1stica considerava a mat\u00e9ria e a forma, sob pena de cair no sacramentalismo m\u00e1gico. Para agir mediante o sacramento, o rito lit\u00fargico deve introduzir quem o recebe, de forma real, na ordem simb\u00f3lica do Mist\u00e9rio Pascal, como transparece da pr\u00e1tica lit\u00fargica. Essa manifesta melhor o sentido dos sacramentos do que uma reflex\u00e3o teol\u00f3gica que n\u00e3o se deixa guiar pela pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o. Todo o ritual da celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos faz parte deles e n\u00e3o pode ser considerado como acess\u00f3rio dispens\u00e1vel sem negar a sua ess\u00eancia, que \u00e9 serem a\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas cujos atores s\u00e3o o pr\u00f3prio Deus a Igreja. Recupera-se assim, na reflex\u00e3o teol\u00f3gica, a sacramentalidade da liturgia da Palavra, esquecida durante s\u00e9culos pela teologia sacramental, como protestou Lutero. A proclama\u00e7\u00e3o da palavra acompanha sempre o gesto sacramental e faz parte dele, n\u00e3o podendo ser compreendia como uma palavra humana, preparat\u00f3ria ou explicativa do gesto sacramental, mas como Palavra do pr\u00f3prio Deus e do seu Filho Jesus Cristo na comunh\u00e3o criada pelo Esp\u00edrito na a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A renova\u00e7\u00e3o conciliar da Liturgia, que ainda dever\u00e1 percorrer um longo e \u00e1rduo caminho, n\u00e3o \u00e9 inova\u00e7\u00e3o. Ela devolver\u00e1 progressivamente aos sacramentos o seu lugar origin\u00e1rio, a Liturgia da assembleia dominical que celebra a P\u00e1scoa do Senhor. Assim, transparecer\u00e3o como momentos culminantes do encontro dos homens com o Deus que vem ao seu encontro em Jesus Cristo, no corpo eclesial que o Esp\u00edrito d\u00e1 ao Senhor ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso, por\u00e9m, n\u00e3o se tornar\u00e1 transparente em um mundo onde uma infinidade de seres humanos \u00e9 v\u00edtima da viol\u00eancia e da injusti\u00e7a, se as comunidades n\u00e3o vivem o que celebram: Deus revelado, proclamado e cultuado em um crucificado, v\u00edtima da viol\u00eancia do mundo por ter anunciado a escandalosa not\u00edcia que a invoca\u00e7\u00e3o do verdadeiro Deus s\u00f3 pode nascer da procura do seu rosto nos pobres e nos exclu\u00eddos pelos poderes do mundo. Exclu\u00eddos at\u00e9 pelas religi\u00f5es, quando s\u00e3o constru\u00eddas \u00e0 imagem dos poderes mundanos. Rosto de Deus revelado escandalosamente num homem declarado maldito em nome da religi\u00e3o (cf. Gal 3,10-13)! Por isso o sacramento, enquanto introdu\u00e7\u00e3o do homem na ordem simb\u00f3lica pela qual Deus, por pura gra\u00e7a, entra em rela\u00e7\u00e3o com todos os humanos no Crucificado, s\u00f3 pode ser compreendido por quem, seguindo o caminho de Jesus, estiver disposto a perder a vida por amor aos irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aqui surge um paradoxo da f\u00e9 crist\u00e3. Os sacramentos, que criam a identidade crist\u00e3 de quantos os celebram e recebem por eles a vida verdadeira como dom de Deus, obrigam o crist\u00e3o a afirmar que o dom recebido n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio que o separa dos outros, sen\u00e3o miss\u00e3o de anunciar para todos, como boa not\u00edcia, o amor divino, experimentado no crucificado como amor a todos os humanos, sem fronteiras de religi\u00e3o. Explicar isso, sem relativizar o Mist\u00e9rio divino revelado em Cristo, e sem negar a presen\u00e7a de Deus nos caminhos das religi\u00f5es, implicaria desenvolver complexas reflex\u00f5es de Cristologia e Soteriologia. Mas \u00e9 pertinente dizer, numa simples introdu\u00e7\u00e3o ao sacramento como s\u00edmbolo, que a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, para ser significativa para os crist\u00e3os no mundo da comunica\u00e7\u00e3o globalizada, deve tamb\u00e9m tornar transparente esse aspecto mediante o pr\u00f3prio ritual.<\/p>\n<p><em>Juan Ruiz de Gopegui<\/em>\u00a0, SJ, FAJE, Brasil. Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p><strong>2 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BIRMELL\u00c9, Andr\u00e9. La articulation entre \u00c9criture et sacraments dans la lturgie lutherienne. In: BORDEYNE, Philippe; MORRILL, Bruce T. <em>Les Sacrements, r\u00e9v\u00e9lation de l&#8217;humanit\u00e9 de Dieu<\/em><strong>, <\/strong>volume offert \u00e0 Louis-Marie Chauvet. Paris: Cerf, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHAUVET, Louis-Marie. <em>Symbole et sacrement. <\/em>Une relecture sacramentelle de l&#8217;existence chr\u00e9tienne. Paris:\u00a0Cerf, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______.<em> Les sacrements. <\/em>Parole de Dieu au risque du corps. Paris: L&#8217;Atelier, 1997.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KUBICKI, Judith M.\u00a0Les symboles sacramentels en un temps de violence et de rupture. Un peuple fa\u00e7onn\u00e9 par l&#8217;esp\u00e9rance et la vision eschatologique. In: BORDEYNE, Philippe; MORRILL, Bruce T. <em>Les Sacrements, r\u00e9v\u00e9lation de l&#8217;humanit\u00e9 de Dieu<\/em><strong>, <\/strong>volume offert \u00e0 Louis-Marie Chauvet. Paris: Cerf, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TABORDA,\u00a0 Francisco, Mist\u00e9rio \u2013 S\u00edmbolo \u2013 Mist\u00e9rio. Ensaio de compreens\u00e3o da l\u00f3gica interna da teologia de Karl Rahner. In: OLIVEIRA, Pedro Rubens F.\u00a0; TABORDA, Francisco (orgs.).\u00a0<em>Karl Rahner 100 anos. <\/em>Teologia, Filosofia e Experi\u00eancia espiritual. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Signo, s\u00edmbolo, linguagem, corpo 2 Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas 1 Signo, s\u00edmbolo, linguagem, corpo \u201cIsoladas\/ as palavras s\u00e3o mudas.\/ Homem, mulher,\/ amor\/, \u00e9 som em linha reta\/ e a Terra \u00e9 redonda;\/o som se perde em nada.\/ As palavras sobrevivem unidas umas \u00e0s outras numa for\u00e7a de ponte para alcan\u00e7ar o ritmo no horizonte\u201d Estes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-179","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=179"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/179\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1200,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/179\/revisions\/1200"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}