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{"id":1788,"date":"2019-12-25T17:30:55","date_gmt":"2019-12-25T19:30:55","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1788"},"modified":"2020-02-05T22:27:11","modified_gmt":"2020-02-06T00:27:11","slug":"santa-teresa-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1788","title":{"rendered":"Santa Teresa de Jesus  \u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pre\u00e2mbulo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Contexto e biografia de Santa Teresa de Jesus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.1 Vida em fam\u00edlia: 1515-1535<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.2 Carmelita no mosteiro da Encarna\u00e7\u00e3o: 1535-1562<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.3 Escritora e fundadora do novo Carmelo: 1562-1582<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Obras de Santa Teresa de Jesus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1 Livro da Vida<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2. Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.3 Castelo Interior ou Moradas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.4 Funda\u00e7\u00f5es, Cartas e escritos menores<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Eixos principais da m\u00edstica teresiana<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.1 A ora\u00e7\u00e3o como amizade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.2 O recolhimento<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.3 A centralidade da \u201csagrada humanidade\u201d de Cristo <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.4 A presen\u00e7a de Deus na pessoa humana<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.5 M\u00edstica e amor concreto\u00a0 <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Santa Teresa e os pobres<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pre\u00e2mbulo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santa Teresa de Jesus, ou Santa Teresa de \u00c1vila, carmelita espanhola, \u00e9 uma das grandes figuras da Igreja e da m\u00edstica crist\u00e3 do Ocidente. Destaca-se pela experi\u00eancia intensa e humanizadora do amor de Deus, fonte de uma vida e obra que se tornaram luz e sabedoria das coisas divinas e das coisas humanas. Mulher atuante no seu tempo hist\u00f3rico, empenhou-se na reforma do Carmelo e na funda\u00e7\u00e3o dos Carmelitas Descal\u00e7os. Prop\u00f4s um estilo de vida crist\u00e3 simples, comprometido e orante, baseado na amizade com Deus. Escreveu obras liter\u00e1rias de g\u00eaneros diversos, tanto doutrinais quanto autobiogr\u00e1ficas, hist\u00f3ricas, legislativas e po\u00e9ticas, al\u00e9m de um espetacular epistol\u00e1rio. Sua influ\u00eancia irradia para al\u00e9m do \u00e2mbito do cristianismo ocidental. Em 1970, o papa Paulo VI conferiu-lhe o t\u00edtulo de Doutora da Igreja. Foi a primeira mulher a ter recebido este t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir ser\u00e3o tratados os temas: contexto e biografia de Santa Teresa de Jesus; suas obras; os principais eixos da m\u00edstica teresiana; e Santa Teresa de Jesus e os pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Contexto e biografia de Santa Teresa de Jesus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O s\u00e9culo XVI espanhol \u00e9 considerado o \u201cs\u00e9culo de ouro\u201d. D\u00e1-se a inser\u00e7\u00e3o da Espanha unificada na Europa, expans\u00e3o atrav\u00e9s da conquista da Am\u00e9rica \u2013 \u00cdndias<em> \u2013<\/em>, guerras vencidas e manifesta\u00e7\u00f5es culturais extraordin\u00e1rias, especialmente de car\u00e1ter filos\u00f3fico e liter\u00e1rio. Poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Mas, como toda realidade, \u00e9 um s\u00e9culo de luzes e sombras, com persegui\u00e7\u00f5es inquisitoriais, conflitos entre correntes de espiritualidades, quebra da cristandade conhecida, guerras de religi\u00e3o. Para Santa Teresa, com sua lucidez esperan\u00e7ada, eram tempos <em>recios<\/em>, dif\u00edceis. Os males na Igreja a levam a dizer que \u201co mundo est\u00e1 sendo tomado pelo fogo\u201d (SANTA TERESA, C 1,5, 1995, p.303)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>; ela denuncia a situa\u00e7\u00e3o social e eclesial das mulheres como de submiss\u00e3o, desqualifica\u00e7\u00e3o e \u201cencurralamento\u201d (SANTA TERESA, CE 4,1, 1994, p.531); tece cr\u00edticas ao sistema de poder estruturado sobre o dinheiro e a honra (SANTA TERESA, V 20,26, 1995, p.135). Afirma que, naqueles tempos, \u201cs\u00e3o necess\u00e1rios amigos fortes de Deus para sustentar os fracos\u201d (SANTA TERESA, V 15,5, 1995, p.99). Abertura cr\u00edtica \u00e0 realidade, ora\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o corajosa a caracterizam (PEDROSA-P\u00c1DUA, 2011a, p.114).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira bi\u00f3grafa de Santa Teresa \u00e9 ela mesma. Aos 50 anos de idade, escrever\u00e1 sua autobiografia, o <em>Livro da Vida<\/em>, complementada por seu livro <em>Funda\u00e7\u00f5es<\/em>, conclu\u00eddo meses antes de sua morte, aos 67 anos. Tamb\u00e9m as <em>Cartas <\/em>fornecem dados autobiogr\u00e1ficos de Teresa. Al\u00e9m disso, a autora realiza interpreta\u00e7\u00f5es e releituras do que ela viveu (ALVAREZ, 2000a, p.188). Tudo isso, aliado a outros registros hist\u00f3ricos, faz com que se tenha dados abundantes sobre a vida dessa santa, tanto de sua biografia exterior quanto de sua hist\u00f3ria interior de ora\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel organizar cronologicamente os principais acontecimentos da vida de Santa Teresa (ALVAREZ, 2000b, p.1302-1326) em tr\u00eas per\u00edodos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00ba Vida de Teresa em fam\u00edlia: 1515-1535;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00ba Carmelita no convento da Encarna\u00e7\u00e3o: 1535-1562;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3\u00ba Escritora e fundadora do novo Carmelo: 1562-1582.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.1 Vida em fam\u00edlia: 1515-1535<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teresa de Ahumada nasceu em \u00c1vila (Espanha) no dia 28 de mar\u00e7o de 1515, filha de D. Alonso S\u00e1nchez de Cepeda com sua segunda esposa, D. Beatriz de Ahumada. Foi batizada no dia 4 de abril. Viveu em fam\u00edlia numerosa. Eram dois irm\u00e3os do primeiro casamento de seu pai e nove (?) do segundo casamento. Seus pais s\u00e3o descritos por ela como \u201cvirtuosos e tementes a Deus\u201d (SANTA TERESA, V 1,1, 1995, p.27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No <em>Livro da Vida<\/em>, Teresa nos narra que foi despertada pela leitura \u201ccom a idade de seis ou sete anos\u201d (V 1,1, p. 27) e lia a vida dos santos, com seu irm\u00e3o \u2013 Rodrigo, poucos anos mais velho. Com ele, decide fugir de casa para a \u201cterra dos mouros\u201d, com o intuito de morrerem m\u00e1rtires e experimentarem a gl\u00f3ria eterna do c\u00e9u. Gostavam de repetir juntos: \u201cpara sempre, sempre, sempre!\u201d (V 1,4, p.28). Mais tarde, ao relembrar estes acontecimentos, Teresa identificar\u00e1 a presen\u00e7a de Deus a conduzi-la: \u201cficava impresso em mim, em t\u00e3o tenra idade, o caminho da verdade\u201d (V 1,4, p.28).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adolescente, lia livros de cavalaria com sua m\u00e3e e deixava-se absorver por essa leitura (SANTA TERESA, V 2,1, 1995, p.30). A morte de D. Beatriz foi um duro baque. Teresa contava treze anos (embora, num lapso de mem\u00f3ria, escreva que tinha doze) e, ao perceber \u201co que havia perdido\u201d (SANTA TERESA, V 1,7, 1995, p.29), escolhe para si \u201coutra m\u00e3e\u201d (SCIADINI, 2015, p.29). Dirige-se a uma imagem de Nossa Senhora, N. Sra. da Caridade, e lhe suplica que fosse ela a sua m\u00e3e. Aos 16 anos, ap\u00f3s alguns acontecimentos familiares, em que entram em cena uma parenta de car\u00e1ter duvidoso, mas da qual Teresa passa a gostar para conversas e entretenimentos, e um incipiente amor que poderia \u201cresultar em casamento\u201d (SANTA TERESA, V 2,9, 1995, p.33), seu pai decide intern\u00e1-la no col\u00e9gio das freiras agostinianas. Ali, pouco a pouco, a voca\u00e7\u00e3o religiosa de Teresa amadurece (SANTA TERESA, V 3,2, 1995, p.34).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com 18 anos Teresa decide entrar como carmelita no mosteiro da Encarna\u00e7\u00e3o, mas, ao diz\u00ea-lo a seu pai, recebe forte oposi\u00e7\u00e3o. Decide esperar um pouco, por\u00e9m, sem mudar de ideia. No mesmo ano em que seu irm\u00e3o Rodrigo, grande amigo desde a inf\u00e2ncia, parte para a Am\u00e9rica, Teresa leva adiante o seu prop\u00f3sito \u2013 sai de casa tamb\u00e9m ela, \u201cbem de manh\u00e3\u201d (SANTA TERESA, V 4,1, 1995, p.37), sem o conhecimento do pai, e entra para a Encarna\u00e7\u00e3o. Tinha ent\u00e3o 20 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.2 Carmelita no mosteiro da Encarna\u00e7\u00e3o: 1535-1562<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi na Encarna\u00e7\u00e3o, mosteiro da Ordem Carmelita que chegou a ter quase 200 pessoas, que Santa Teresa passou 27 anos, a maior parte de sua vida, dos 20 aos 47 anos de idade. Ali recebeu sua forma\u00e7\u00e3o como religiosa, sofreu anos de enfermidade e viveu um processo espiritual de lutas e amadurecimento, n\u00e3o isento de incoer\u00eancias e mediocridade. Ali iniciou a vida m\u00edstica intensa, com gra\u00e7as extraordin\u00e1rias e projetou a funda\u00e7\u00e3o de um novo Carmelo. Mais tarde, voltar\u00e1 \u00e0 Encarna\u00e7\u00e3o como priora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns acontecimentos s\u00e3o ressaltados por ela mesma. Contrai grave doen\u00e7a (com cerca de 23 anos), cujo processo de cura levar\u00e1 quase cinco anos. No momento mais grave, ap\u00f3s um tratamento doloroso com uma curandeira nas proximidades de \u00c1vila, chegam a lhe abrir uma sepultura no convento da Encarna\u00e7\u00e3o. Teresa nos narra como, por\u00e9m, as irm\u00e3s \u201creceberam viva quem esperavam morta; o corpo, no entanto, estava pior do que morto\u201d (SANTA TERESA, V 6,2, 1995, p.47). A partir da\u00ed lhe sobrev\u00e9m grande fraqueza, da qual vai melhorando aos poucos, mas fica \u201cparal\u00edtica por quase tr\u00eas anos\u201d (SANTA TERESA, V 6,2, 1995, p.47). Neste tempo, desenvolve grande devo\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Jos\u00e9 e sente-se curada gra\u00e7as a ele (SANTA TERESA, V 7,8, 1995, p.50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte do pai lhe sobrev\u00e9m logo depois, ao final de 1543. D. Alonso morre assistido por Teresa (SANTA TERESA, V 7,16, 1995, p.58).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segue-se um processo tumultuado na ora\u00e7\u00e3o e nas buscas por realiza\u00e7\u00e3o, em que Teresa se v\u00ea singrando \u201cum mar tempestuoso, caindo e levantando\u201d (SANTA TERESA V 8,2, 1995, p.62). A ora\u00e7\u00e3o convive com incoer\u00eancias pessoais e o ambiente na Encarna\u00e7\u00e3o n\u00e3o propicia ajuda consistente e solid\u00e1ria para viver as dificuldades espirituais e existenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa vive uma convers\u00e3o diante de um \u201cCristo com grandes chagas\u201d (SANTA TERESA, V 9,1, 1995, p.66), fato que a fortalece por dentro. Inicia-se novo per\u00edodo de vida, com coer\u00eancia \u00e9tica e gra\u00e7as m\u00edsticas. Experimenta grande sentimento da presen\u00e7a de Deus em si mesma e da presen\u00e7a dela, Teresa, em Deus: \u201cn\u00e3o podia duvidar de que o Senhor estivesse dentro de mim ou que eu estivesse toda mergulhada nele\u201d (SANTA TERESA, V 10,1, 1995, p.70). Locu\u00e7\u00f5es internas, \u00eaxtases, vis\u00f5es se sucedem. A \u201cgra\u00e7a do dardo\u201d, conhecida como transverbera\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, concede a ela especial experi\u00eancia do amor de Deus (SANTA TERESA, V 29,13, 1995, p.194). No processo de discernimento das experi\u00eancias, Teresa sempre dialoga com te\u00f3logos e pessoas experientes na ora\u00e7\u00e3o, de v\u00e1rias ordens religiosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As gra\u00e7as m\u00edsticas acontecem concomitantemente ao nascimento do projeto de funda\u00e7\u00e3o de um novo mosteiro, cuja g\u00eanese se d\u00e1 num pequeno grupo de amigas e familiares (SANTA TERESA, V 32,10, 1995, p.217). Teresa vai, firme e decididamente, dando corpo a esse projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deste tempo \u00e9 tamb\u00e9m a reda\u00e7\u00e3o dos primeiros escritos teresianos: as primeiras <em>Rela\u00e7\u00f5es<\/em> e a primeira reda\u00e7\u00e3o do <em>Livro da Vida<\/em>, hoje perdida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.3 Escritora e fundadora do novo Carmelo: 1562-1582<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este per\u00edodo compreende os \u00faltimos 20 anos da vida de Teresa, dos 47 anos de idade at\u00e9 sua morte, aos 67 anos, em sua \u00faltima viagem. \u00c9 o tempo da maturidade humana e espiritual de Santa Teresa, em que ela exerce intensa atividade como escritora e empreende a funda\u00e7\u00e3o dos Carmelitas Descal\u00e7os. Tudo o que hoje temos da Santa de \u00c1vila \u2013 funda\u00e7\u00f5es e obras \u2013 foi realizado neste per\u00edodo. Ao fundar o novo Carmelo, adota o nome Teresa de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teresa de Jesus funda dezessete mosteiros, quinze deles pessoalmente: S\u00e3o Jos\u00e9 de \u00c1vila (1562), onde Teresa permanece cinco anos, \u201cos anos mais calmos da minha vida\u201d (SANTA TERESA, F 1,1, 1995, p. 597); Medina del Campo (1567); Malag\u00f3n (1568); Valladolid (1568); Toledo (1569); Pastrana (1569); Salamanca (1570); Alba de Tormes (1571); Segovia (1574); Beas (1575); Sevilla (1575); Villanueva de la Jara (1580); Palencia (1580); Soria (1581); Burgos (1582). Outorga a Ana de Santo Alberto a funda\u00e7\u00e3o em Caravaca (1576) e, a Ana de Jesus, em Granada (1582). Sonha fundar em Madri, projeto n\u00e3o realizado em vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A decis\u00e3o de fundar inclui tamb\u00e9m mosteiros masculinos \u2013 \u201ceu n\u00e3o parava de pensar nos mosteiros dos frades (&#8230;). Resolvi ent\u00e3o tratar do caso sigilosamente com o prior de Medina\u201d (SANTA TERESA, F 3,16, 1995, p.609). Para isso, associa S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz \u00e0 sua obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada funda\u00e7\u00e3o \u00e9 envolta em intrincada rede de decis\u00f5es, provid\u00eancias e circunst\u00e2ncias. Envolve autoriza\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas, problemas jurisdicionais, contatos com a popula\u00e7\u00e3o civil, compras e reformas de casas, aquisi\u00e7\u00e3o de objetos de culto e mobili\u00e1rios. H\u00e1 dificuldade de transporte nas viagens, condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas, rela\u00e7\u00f5es humanas facilitadoras, conflitos comunit\u00e1rios \u2013 para exemplificar alguns dos desafios encontrados pela fundadora. Grande parte desta grande empreitada est\u00e1 registrada no <em>Livro da Vida<\/em> (funda\u00e7\u00e3o do Carmelo de S\u00e3o Jos\u00e9) e, particularmente, em <em>Funda\u00e7\u00f5es<\/em>. Escrita sempre com vida, gra\u00e7a e riqueza de detalhes. Em sua atividade fundadora, Teresa \u201cpercorre os caminhos de Castela, La Mancha e Andaluzia. Associa Frei Jo\u00e3o da Cruz \u00e0 sua obra. Amplia sua rede de rela\u00e7\u00f5es humanas nos diversos estratos da vida social. (&#8230;) Enfrenta corajosamente situa\u00e7\u00f5es conflitivas\u201d (ALVAREZ, 2000b, p.1310). A vida de Teresa de Jesus se desdobra em miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Concomitantemente \u00e0 atividade fundadora, Teresa de Jesus redige seus livros e cartas (vide abaixo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No retorno de sua \u00faltima funda\u00e7\u00e3o, Burgos, em dire\u00e7\u00e3o a \u00c1vila, \u00e9 obrigada a passar por Alba de Tormes. Em sua \u00faltima eucaristia exclama: \u201c\u00e9 chegada a hora, esposo meu, de que nos vejamos\u201d (ALVAREZ, 2000b, p.1325). \u00a0Ali morre, no Carmelo de Alba, no dia 4 de outubro de 1582, aos 67 anos. Segundo a reforma gregoriana do calend\u00e1rio, o dia seguinte \u00e9 15 de outubro \u2013 dia em que a Igreja celebra a grande Santa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 24 de abril de 1614, Teresa de Jesus \u00e9 beatificada pelo papa Paulo V; em 12 de mar\u00e7o de 1622, canonizada na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, em Roma, pelo papa Greg\u00f3rio XV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 27 de setembro de 1970, o papa Paulo VI proclama Santa Teresa de Jesus Doutora da Igreja (PAULUS PP VI, 1970).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Obras de Santa Teresa de Jesus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teresa \u00e9 verdadeira escritora. Possuiu bagagem teol\u00f3gica e liter\u00e1ria adquiridas por leituras, liturgias e di\u00e1logos frequentes com te\u00f3logos. Ela mesma escreve que, na adolesc\u00eancia, \u201cse n\u00e3o tivesse um livro novo, em mais nada encontrava contentamento\u201d (SANTA TERESA, V 2,1, 1995, p.30). A isso se soma sua observa\u00e7\u00e3o sens\u00edvel do cotidiano, da vida, das pessoas e da natureza. \u00c9 escritora com forte estilo pessoal e pluralidade de g\u00eaneros, segundo o contexto concreto das reda\u00e7\u00f5es. Grande parte de seu \u00eaxito editorial deve-se \u00e0 persuas\u00e3o de sua linguagem, rica em beleza e eleg\u00e2ncia, criativa em s\u00edmbolos, estimulante sem ser moralista e fina em bom humor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 a experi\u00eancia de Deus que determina a urg\u00eancia prof\u00e9tica da sua escrita, suas inspira\u00e7\u00f5es mais profundas, o discernimento dos conte\u00fados e a linguagem m\u00edstica, sempre aqu\u00e9m da realidade sobrenatural experimentada, em si mesma inef\u00e1vel (PEDROSA-P\u00c1DUA, 2011b, p.33-34). A a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a na interioridade humana, nas rela\u00e7\u00f5es e no cosmos \u2013 isto \u00e9 o que Santa Teresa tenta comunicar. Ela \u00e9 profeta dos \u201csegredos de Deus\u201d (SANTA TERESA, 5M 1,4, 1995, p.489).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, s\u00e3o apresentadas suas principais obras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1 Livro da Vida<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O<em> Livro da Vida<\/em> \u00e9 o primeiro grande livro de Santa Teresa, escrito provavelmente em 1565, tendo a autora 50 anos de idade e estando no Mosteiro de S\u00e3o Jos\u00e9. H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre uma reda\u00e7\u00e3o anterior, que n\u00e3o chegou a n\u00f3s. \u00c9 escrito em primeira pessoa, rico em dados autobiogr\u00e1ficos e, por isso, tamb\u00e9m conhecido como sua autobiografia. Nele, narra o processo de sua vida m\u00edstica e o come\u00e7o de sua atividade fundadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma autobiografia pouco convencional, em que o objetivo de Teresa de Jesus n\u00e3o \u00e9 propriamente narrar sua vida. Sequer s\u00e3o mencionados os nomes dos seus pais e irm\u00e3os. S\u00e3o exce\u00e7\u00f5es, referidas explicitamente, S\u00e3o Francisco de Borja \u2013 jesu\u00edta, citado como \u201cPadre Francisco, que era duque de Gandia\u201d (SANTA TERESA, V 24,3, 1995, p.157) e S\u00e3o Pedro de Alc\u00e2ntara \u2013 franciscano, referido como \u201csanto homem de grande esp\u00edrito, Frei Pedro de Alc\u00e2ntara\u201d (SANTA TERESA, V 27,3, 1995, p.173), com os quais Teresa se encontrou pessoalmente; no Pr\u00f3logo, cita S\u00e3o Jo\u00e3o de \u00c1vila, como o \u201cPadre Mestre \u00c1vila\u201d (SANTA TERESA, 1995, p.291).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O objetivo principal de Santa Teresa ao escrever o livro \u00e9 narrar a hist\u00f3ria de seu encontro com Deus pela ora\u00e7\u00e3o e os dinamismos que esse encontro provoca. Trata-se do relato de sua vida enquanto hist\u00f3ria pessoal de salva\u00e7\u00e3o e envio em miss\u00e3o. Este \u00e9 o cerne da exist\u00eancia e da obra teresiana. O encontro com Deus se d\u00e1 como uma aventura que se inicia na inf\u00e2ncia, atravessa a adolesc\u00eancia e passa \u00e0 vida adulta, com buscas, desencontros, anos em luta pela coer\u00eancia entre ora\u00e7\u00e3o e vida, momentos dram\u00e1ticos de discernimento, entrada na vida m\u00edstica intensa e profunda, com experi\u00eancias sobrenaturais purificadoras \u2013 locu\u00e7\u00f5es, \u00eaxtases, vis\u00f5es, a transverbera\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e o encontro com a humanidade de Cristo, \u201clivro vivo\u201d (SANTA TERESA, V 26,5, 1995, p.171). Trata-se de um encontro dinamizador de seu pr\u00f3prio ser mulher e de seu envio na miss\u00e3o escritora e fundadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio \u00e0 narrativa de sua vida, a autora discorre alguns temas doutrinais, sendo os mais importantes: os graus da ora\u00e7\u00e3o, em que Teresa utiliza o s\u00edmbolo da alma como um jardim e da ora\u00e7\u00e3o como forma de reg\u00e1-lo (cap\u00edtulos 11 a 21); a centralidade da sagrada humanidade de Cristo em todos os graus da vida m\u00edstica (cap\u00edtulo 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2. Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o<\/em> foi redigido duas vezes. Ambas as reda\u00e7\u00f5es s\u00e3o conservadas e sua leitura \u00e9 acess\u00edvel ao leitor contempor\u00e2neo. A primeira, o c\u00f3dice de El Escorial, encontra-se na Biblioteca do Real Monast\u00e9rio de El Escorial. Trata-se de um livro mais espont\u00e2neo, com linguagem familiar. O primeiro leitor censurou o aut\u00f3grafo teresiano com cerca de 50 rasuras ou observa\u00e7\u00f5es. Teresa preferiu reescrever o livro, ao inv\u00e9s de simplesmente acertar a primeira reda\u00e7\u00e3o (MAROTO, 1978, p.269-310). Assim temos o c\u00f3dice de Valladolid, conservado nas Carmelitas Descal\u00e7as na cidade de Valladolid. Trata-se de uma reda\u00e7\u00e3o mais cuidada, pensada para um p\u00fablico maior. A reda\u00e7\u00e3o das duas vers\u00f5es foi feita, provavelmente, no ano de 1566, estando Teresa de Jesus no mosteiro de S\u00e3o Jos\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro \u00e9 escrito em perspectiva pedag\u00f3gica e endere\u00e7ado \u00e0quelas e \u00e0queles que se determinam a levar uma vida de ora\u00e7\u00e3o. Neste livro ecoam as vicissitudes da Reforma e o sentido militante e eclesial do novo Carmelo: \u201cDecidi-me ent\u00e3o a fazer o pouco que posso (&#8230;) ajudar\u00edamos no que pud\u00e9ssemos a esse Senhor meu\u201d (SANTA TERESA, C 1,2, 1995, p.302). Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, <em>Caminho<\/em> denuncia a situa\u00e7\u00e3o subordinada em que se encontravam e tra\u00e7a forte defesa teol\u00f3gica da sua dignidade (SANTA TERESA, CE 4,1, 1994, p.531).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns temas doutrinais merecem destaque: os pressupostos existenciais e \u00e9ticos para ser uma pessoa de ora\u00e7\u00e3o: uma vida pautada pelo amor, pelo desapego e pela humildade (cap\u00edtulos 4 a 15); a defesa da ora\u00e7\u00e3o de recolhimento e v\u00e1rios conselhos para colocar-se no caminho dessa ora\u00e7\u00e3o (cap\u00edtulos 19 a 26); o coment\u00e1rio \u00e0 ora\u00e7\u00e3o do Pai Nosso (cap\u00edtulos 27 a 42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.3 Castelo Interior ou Moradas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Castelo Interior<\/em> \u00e9 o livro da maturidade humana e espiritual de Teresa de Jesus e completa a trilogia doutrinal da Santa: <em>Livro da Vida<\/em>, <em>Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o<\/em>, <em>Castelo Interior ou Moradas<\/em>. \u00c9 tamb\u00e9m um livro s\u00edntese de suas grandes convic\u00e7\u00f5es. Foi escrito em 1577, quando a autora contava 62 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O t\u00edtulo j\u00e1 cont\u00e9m a natureza, autora e destinat\u00e1rias do livro. Tudo de pr\u00f3prio punho: \u201cEste tratado, chamado Castelo Interior, foi escrito por Teresa de Jesus, monja de Nossa Senhora do Carmo, para suas irm\u00e3s e filhas, as monjas carmelitas descal\u00e7as\u201d (SANTA TERESA, 1995, p.438). Apesar desta dedicat\u00f3ria familiar, o livro \u00e9, como ela mesma o chama, um \u201ctratado\u201d de teologia espiritual e m\u00edstica, e desde o in\u00edcio foi cercado de interesse por parte de te\u00f3logos e pessoas de outras \u00e1reas do conhecimento, como a literatura. Castellano Cervera o considera um modelo indutivo de antropologia teol\u00f3gica (1981, p.117-131).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00edmbolo do <em>castelo interior<\/em> se articulam quem \u00e9 a pessoa humana diante de Deus, quem \u00e9 o Deus que a habita e o desenvolvimento da din\u00e2mica do encontro entre \u201cDeus e a alma\u201d (SANTA TERESA, 1M 1,3, 1995, p.442). Esta din\u00e2mica \u00e9 narrada em termos de graus de intensidade ou moradas, sendo a primeira a mais exterior e a s\u00e9tima a mais interior. Nessa \u00faltima, encontramos a experi\u00eancia, ainda n\u00e3o acontecida quando da reda\u00e7\u00e3o das grandes obras anteriores, do matrim\u00f4nio espiritual, como uni\u00e3o forte e permanente com Deus, atrav\u00e9s de Jesus Cristo (SANTA TERESA, 7M 2,1, 1995, p.570). A s\u00e9tima morada \u00e9 a culmin\u00e2ncia da din\u00e2mica j\u00e1 presente nas moradas anteriores. Nela h\u00e1, simultaneamente, maior experi\u00eancia e conhecimento de Deus e da sagrada humanidade de Cristo, profundo autoconhecimento, convers\u00e3o \u00e9tica e desenvolvimento das capacidades de amor e servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00edmbolo menos abrangente, por\u00e9m de grande import\u00e2ncia no livro, \u00e9 o da metamorfose do bicho-da-seda numa \u201cborboletinha branca\u201d (SANTA TERESA, 5M 2,7, 1995, p.495), indicando a vida nova em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.4 Funda\u00e7\u00f5es, Cartas e escritos menores<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro das <em>Funda\u00e7\u00f5es <\/em>\u00e9 iniciado em 1570, quando Teresa de Jesus empreende sua segunda funda\u00e7\u00e3o, e finalizado no ano de sua morte, 1582. Ali est\u00e3o registradas as motiva\u00e7\u00f5es e as principais circunst\u00e2ncias que envolvem o trabalho fundacional de Teresa. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso, tamb\u00e9m a narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias das pessoas envolvidas, nomes em profus\u00e3o, gest\u00e3o das quest\u00f5es financeiras, acontecimentos eclesi\u00e1sticos, vicissitudes trazidas pelo sol, chuvas e neve naquelas dif\u00edceis estradas. A obra adquire caracter\u00edsticas de novela e cr\u00f4nica. Na narrativa h\u00e1 doutrina, h\u00e1 humor, h\u00e1 interesse pelas pessoas e pelas coisas de Deus. \u00c9 poss\u00edvel acompanhar o processo de discernimento, espiritual e pr\u00e1tico, necess\u00e1rio para levar a cabo cada funda\u00e7\u00e3o teresiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As <em>Cartas<\/em> acompanham todo o processo das funda\u00e7\u00f5es e a reda\u00e7\u00e3o dos demais livros. As edi\u00e7\u00f5es modernas trazem em torno de 450 cartas escritas pela Santa, no per\u00edodo de 1561 at\u00e9 menos de um m\u00eas antes de sua morte, em 1582. Sabemos que elas podem ter chegado a 15.000 ou mais. O teor destas cartas come\u00e7ou a ser valorizado apenas no s\u00e9culo XX, em que as pequenas coisas, como o cotidiano, o afeto, as rela\u00e7\u00f5es, a sa\u00fade e os neg\u00f3cios, passaram a ser consideradas fonte importante de conhecimento hist\u00f3rico e antropol\u00f3gico. Para a espiritualidade, esta valoriza\u00e7\u00e3o significou uma formid\u00e1vel virada teol\u00f3gica em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus no prosaico da vida. A santidade \u00e9 resgatada como viv\u00eancia do amor concreto e voca\u00e7\u00e3o de todos, vivida no interior das rela\u00e7\u00f5es humanas. O epistol\u00e1rio teresiano oferece um excelente material para o conhecimento da pessoa de Teresa, de sua santidade no cotidiano, al\u00e9m de ser um testemunho do contexto hist\u00f3rico em que ela viveu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m desses livros, Teresa se dedica a textos sobre sua experi\u00eancia de Deus, como <em>Exclama\u00e7\u00f5es da alma a Deus<\/em>,<em> Conceitos do amor de Deus (Medita\u00e7\u00e3o sobre o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos<\/em>) e<em> Rela\u00e7\u00f5es. <\/em>Em <em>Certame <\/em>e <em>Resposta a um desafio <\/em>sobressaem o bom humor e a habilidade de Teresa em estabelecer articula\u00e7\u00e3o entre as pessoas. As <em>Poesias<\/em> s\u00e3o escritas por motivos variados, da experi\u00eancia profunda de Deus \u00e0 recrea\u00e7\u00e3o em festas lit\u00fargicas e circunst\u00e2ncias da vida conventual. H\u00e1 tamb\u00e9m textos legislativos, como <em>Constitui\u00e7\u00f5es<\/em> e <em>Modo de visitar os Conventos<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, os escritos de Santa Teresa de Jesus s\u00e3o o testemunho de algu\u00e9m que viveu intensamente a intimidade com Deus e que, como os profetas, necessita falar para que outros e outras pessoas possam tamb\u00e9m viv\u00ea-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Eixos principais da m\u00edstica teresiana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui s\u00e3o tratados os seguintes eixos: a ora\u00e7\u00e3o como amizade; o recolhimento; a centralidade da \u201csagrada humanidade\u201d de Cristo; a presen\u00e7a de Deus na pessoa humana; m\u00edstica e amor concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.1 A ora\u00e7\u00e3o como amizade<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santa Teresa d\u00e1 uma contribui\u00e7\u00e3o original ao magist\u00e9rio sobre a ora\u00e7\u00e3o, ao afirm\u00e1-la como rela\u00e7\u00e3o e amizade. O texto do <em>Livro da Vida <\/em>condensa essa no\u00e7\u00e3o de ora\u00e7\u00e3o: \u201c(&#8230;) \u00e9 tratar de amizade \u2013 estando muitas vezes tratando a s\u00f3s \u2013 com quem sabemos que nos ama\u201d (SANTA TERESA, V 8,5, 1995, p 63). A ora\u00e7\u00e3o-amizade \u00e9 uma pr\u00e1tica oracional que deve ser cultivada \u201ca s\u00f3s\u201d e de maneira frequente; \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de vida em permanente rela\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica com Deus, fonte de vida e amor. Cristo faz-se companheiro de caminho: \u201cjuntos andemos, Senhor; por onde fordes, terei de ir; por onde passardes, terei de passar\u201d (SANTA TERESA, C 26,6, 1995, p.376). Por isso, a ora\u00e7\u00e3o como amizade \u00e9 encontro pessoal, transformante e din\u00e2mico (HERRAIZ GARCIA, 2002, p.55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.2 O recolhimento<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o-amizade se realiza atrav\u00e9s do recolhimento, ou entrada dentro de si mesmo para o encontro com o Cristo mestre e amigo. \u201cChama-se recolhimento, porque a alma recolhe todas as faculdades e entra em si mesma com seu Deus; seu divino Mestre vem ensin\u00e1-la&#8230;\u201d (SANTA TERESA, C 28,4, 1995, p.381). A contempla\u00e7\u00e3o perfeita do Mestre \u00e9 uma d\u00e1diva (SANTA TERESA, C 25,2, 1995, p.373) que sinaliza o desejo de Deus em estar e se comunicar com a pessoa. Este dom deve ser acolhido e cultivado na pr\u00e1tica habitual do recolhimento, em que acontece a educa\u00e7\u00e3o progressiva do olhar, da escuta e do falar interiormente com Cristo (SANTA TERESA, C 26,3 et seq., 1995, p.375).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, h\u00e1 a necessidade de cultivo das atitudes primordiais: a humildade, o desapego e o amor concreto. Elas s\u00e3o a base do caminho do recolhimento e, sem elas, a ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontra terreno s\u00f3lido (SANTA TERESA, C 4,4, 1995, p.312).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.3 A centralidade da \u201csagrada humanidade\u201d de Cristo <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia de Cristo \u00e9 central na m\u00edstica teresiana. \u00c9 diante da imagem de Cristo, com grandes chagas, que se d\u00e1 a convers\u00e3o definitiva de Santa Teresa \u00e0 vida de ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 coer\u00eancia de vida (SANTA TERESA, V 9,1, 1995, p.66). Cristo se manifesta a ela como um \u201clivro vivo\u201d (SANTA TERESA, V 26,5, 1995, p.171) e a rela\u00e7\u00e3o com Deus implica uma experi\u00eancia cada vez mais profunda com o Cristo dos Evangelhos. Culmina numa uni\u00e3o insepar\u00e1vel, o \u201cmatrim\u00f4nio espiritual\u201d, que significa entrega a Cristo em amor concreto e servidor (SANTA TERESA, 7M 2,1, 1995, p.570). Na doutrina teresiana, a humanidade de Cristo, Filho encarnado, deve ser considerada em toda a vida espiritual, mesmo no auge da contempla\u00e7\u00e3o. \u00c9 pela vida, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo que o amor de Deus se revela, Cristo \u00e9 o caminho para Deus. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma raz\u00e3o antropol\u00f3gica para a centralidade da sagrada humanidade na vida espiritual: \u201cn\u00e3o somos anjos, pois temos um corpo\u201d (SANTA TERESA, V 22,10, 1995, p.145). Apenas na sagrada humanidade o m\u00edstico encontra apoio concreto para o pensamento, para a ora\u00e7\u00e3o e para a pr\u00f3pria din\u00e2mica da vida e do amor. A encarna\u00e7\u00e3o possibilita a valoriza\u00e7\u00e3o do corpo e das realidades corp\u00f3reas e uma m\u00edstica de integra\u00e7\u00e3o entre corpo e alma, para al\u00e9m da linguagem frequentemente dualista da \u00e9poca de Santa Teresa (PEDROSA-P\u00c1DUA, 2015, p.239 e 317).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento doutrinal sobre a centralidade da sagrada humanidade de Cristo, Filho de Deus encarnado, encontra-se em dois cap\u00edtulos centrais da obra teresiana: o cap\u00edtulo 22 do <em>Livro da Vida<\/em> e o cap\u00edtulo s\u00e9timo das sextas<em> Moradas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.4 A presen\u00e7a de Deus na pessoa humana<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a de Deus na pessoa humana \u00e9 o n\u00facleo experiencial e doutrinal que d\u00e1 sentido e unifica a m\u00edstica teresiana. A partir dela, Santa Teresa conhece um Deus pr\u00f3ximo, presente, amigo, transformante e que se revela cada vez mais como Deus comunh\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o \u2013 trinit\u00e1rio. No in\u00edcio deste processo, escreve ela no <em>Livro da Vida,<\/em> acontecia que, estando em ora\u00e7\u00e3o, colocando-se mentalmente ao lado de Cristo, outras vezes lendo, vinha-lhe um \u201csentimento da presen\u00e7a de Deus\u201d (SANTA TERESA, V10,1, 1995, p.70). A experi\u00eancia da presen\u00e7a de Deus foi t\u00e3o importante que ser\u00e1 repetida em <em>Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o<\/em>, <em>Moradas<\/em> e outros escritos. Em <em>Moradas<\/em>, a pessoa humana \u00e9 apresentada como um castelo de diamante ou de um cristal muito transparente e Deus, como o sol, est\u00e1 presente no centro irradiando sua luz (SANTA TERESA, 1M 1,1, 1995, p.441). Para Santa Teresa, o Deus vivo e comunicante se faz perceber e sentir na alma, e essa \u00e9 como \u201cuma esponja que se embebe de \u00e1gua\u201d (SANTA TERESA, R 45, 1995, p.830).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco a pouco esta presen\u00e7a de Deus no interior humano vai se revelando como presen\u00e7a trinit\u00e1ria (SANTA TERESA, R 54, 1995, p.833). Na experi\u00eancia m\u00edstica teresiana, Deus habita o humano, \u00e9 amor que se comunica pessoalmente, atrav\u00e9s das pessoas divinas. Teresa de Jesus \u00e9 \u201ctrinificada\u201d (CUARTAS, 2008, p.163). O aprofundamento no conhecimento de si mesma \u00e9, ao mesmo tempo, abertura \u00e0 alteridade de Deus, do mundo, do pr\u00f3ximo (SANCHO, 2012, p.75).\u00a0\u00a0 Deus, comunidade de pessoas que se amam, comunicam e conhecem, volta-se \u00e0 pessoa humana para faz\u00ea-la participar desta comunidade pelo conhecimento, comunica\u00e7\u00e3o-experi\u00eancia, amor e servi\u00e7o (PEDROSA-P\u00c1DUA, 2015, p.175).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.5 M\u00edstica e amor concreto \u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inter-rela\u00e7\u00e3o entre a m\u00edstica e o amor concreto, vivida na pr\u00e1tica, \u00e9 clara na doutrina de Santa Teresa. O amor concreto \u00e9 crit\u00e9rio da verdadeira m\u00edstica: \u201c\u00e9 nos efeitos posteriores que se conhecem essas verdades na ora\u00e7\u00e3o, pois eles s\u00e3o o melhor crisol para prov\u00e1-las\u201d (SANTA TERESA, 4M 2,8, 1995, p.479). Por outro lado, a m\u00edstica tem por objetivo a pr\u00e1tica do amor concreto. A verdadeira uni\u00e3o com Deus \u00e9 o amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, afirma Teresa nas quintas <em>Moradas<\/em>, em suas grandiosas p\u00e1ginas sobre a pedagogia do amor crist\u00e3o (SANTA TERESA, 5M 3,7, 1995, p.501 et seq.). Tanto o itiner\u00e1rio da experi\u00eancia ordin\u00e1ria do seguimento de Cristo, quanto o itiner\u00e1rio da experi\u00eancia m\u00edstica da uni\u00e3o com Cristo, no matrim\u00f4nio espiritual, desembocam no imperativo do servi\u00e7o e das obras, como fica claro nas s\u00e9timas <em>Moradas<\/em>: \u201cPois isto \u00e9 ora\u00e7\u00e3o, filhas minhas; para isto serve este matrim\u00f4nio espiritual: para fazer nascer obras, sempre obras\u201d (SANTA TERESA, 7M 4,6, 1995, p.583). Mais adiante: \u201cDesejo, irm\u00e3s minhas, que procuremos alcan\u00e7ar exatamente esse alvo. Apreciemos a ora\u00e7\u00e3o e ocupemo-nos dela, n\u00e3o para nos deleitar, mas para ter essas for\u00e7as para servir\u201d. E acrescenta<em>: \u201c<\/em>Marta e Maria devem andar sempre juntas\u201d (SANTA TERESA, 7M 4,12, 1995, p.584-585).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Santa Teresa e os pobres\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A contempla\u00e7\u00e3o e o seguimento de Cristo realizam em Teresa uma convers\u00e3o progressiva aos pobres e \u00e0 viv\u00eancia da pobreza evang\u00e9lica. Trata-se de um caminho espiritual, enraizado em sua experi\u00eancia crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida de Cristo se radicaliza em sua vida. Encontramos em seus escritos um testemunho que se assemelha ao de S\u00e3o Francisco: \u201cSinto em mim uma grande l\u00e1stima e desejo de remediar a sua situa\u00e7\u00e3o [dos pobres], a ponto de, se seguisse a minha vontade, dar-lhes minha pr\u00f3pria roupa. Nenhum asco tenho deles; trato com eles e os toco\u201d (SANTA TERESA, R 2,4, 1995, p.783). Uma solidariedade lhe brota de dentro, de um cora\u00e7\u00e3o que passa a sentir diferente e uma mente que passa a pensar diferente. Vive uma verdadeira convers\u00e3o, <em>metanoia<\/em>, cuja fonte \u00e9 Deus: \u201cvejo que \u00e9 um dom de Deus\u201d (SANTA TERESA, R 2,4, 1995, p.783).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o apenas isso. A pobreza torna-se para ela um compromisso de novas rela\u00e7\u00f5es, pautadas na igualdade e na solidariedade. Atualizando esta exig\u00eancia para o seu contexto hist\u00f3rico e eclesial, institui em suas comunidades uma forma de vida n\u00e3o pautada pela diferen\u00e7a que vem das origens familiares e de riqueza: \u201cQuem tiver a linhagem mais nobre deve ter o nome do pai menos vezes na boca\u201d. Teresa advoga a igualdade: \u201ctodas devem ser iguais\u201d (SANTA TERESA, C 27,6, 1995, p.380). A vida comunit\u00e1ria era caracterizada por estrita pobreza: \u201ca pobreza que Santa Clara institui em seus mosteiros tamb\u00e9m est\u00e1 presente neste (&#8230;)\u201d (SANTA TERESA, V 33,13, 1995, p.228).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos assim um caminho iluminador para a m\u00edstica latino-americana: abertura ao dom do Cristo crucificado, compromisso de viver a pobreza, transforma\u00e7\u00e3o concreta das rela\u00e7\u00f5es pautadas na discrimina\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o de uns sobre os outros. N\u00e3o se trata de assistencialismo, nem de compromisso exterior, mas de um caminho espiritual e concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida e a obra de Santa Teresa de Jesus fazem dela uma m\u00edstica que transp\u00f5e os muros do cristianismo e mesmo das religi\u00f5es. Sua \u201csabedoria das coisas divinas e sabedoria das coisas humanas\u201d (PAULO VI, 1970) \u00e9 valorizada de forma universal, por outras religi\u00f5es, por agn\u00f3sticos e mesmo por ateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os eixos da m\u00edstica teresiana tratados acima \u2013 ora\u00e7\u00e3o como amizade, pr\u00e1tica do recolhimento, centralidade da sagrada humanidade de Cristo, presen\u00e7a de Deus no interior humano e inter-rela\u00e7\u00e3o entre m\u00edstica e amor \u2013 manifestam que o mist\u00e9rio de Deus se faz insepar\u00e1vel do mist\u00e9rio humano. A m\u00edstica dinamiza o interior humano e suas rela\u00e7\u00f5es na Igreja, na sociedade e no pr\u00f3prio cosmos. Leva \u00e0 vida nova em Cristo, com novas rela\u00e7\u00f5es, amor concreto e servi\u00e7o. De forma particular, a experi\u00eancia teresiana na intera\u00e7\u00e3o com o seu contexto e com os pobres inspira a teologia e o caminho espiritual latino-americanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>L\u00facia Pedrosa-P\u00e1dua, <\/em>PUC Rio, Brasil &#8211; (texto original em portugu\u00eas)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALVAREZ, T. Biograf\u00eda de Teresa. In: ALVAREZ, T. <em>Diccionario de Santa Teresa de Jes\u00fas<\/em>. Burgos: Monte Carmelo, 2000a. p. 187-194.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. Teresa de Jes\u00fas. In: ALVAREZ, T. <em>Diccionario de Santa Teresa de Jes\u00fas<\/em>. Burgos: Monte Carmelo, 2000b. p.1302-1326.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CASTELLANO CERVERA, J. <em>Guiones de doctrina teresiana<\/em>. Castell\u00f3n: Centro de Espiritualidad Santa Teresa, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CUARTAS LONDO\u00d1O, R. <em>El otro cielo<\/em>. La presencia de Dios en el hombre seg\u00fan la experi\u00eancia de Santa Teresa. Burgos: Monte Carmelo, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HERRAIZ GARCIA, M. <em>Ora\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria de amizade<\/em>. 2.ed. S\u00e3o Paulo: Carmelitanas\/Loyola, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MAROTO, D. P. Camino de Perfecci\u00f3n. In: BARRIENTOS, Alberto (dir.). <em>Introducci\u00f3n a la lectura de Santa Teresa<\/em>. Madrid: Editorial de Espiritualidad, 1978. p.269-310.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAULO VI. Homilia na Proclama\u00e7\u00e3o de Santa Teresa de Jesus Doutora da Igreja, 27 de Setembro de<span style=\"color: #000000;\"> 1970. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/homilies\/1970\/documents\/hf_p-vi_hom_19700927.html\">http:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/homilies\/1970\/documents\/hf_p-vi_hom_19700927.html<\/a>&gt; Acesso em: 6 nov 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PAULUS PP VI, Litterae Apostolicae \u2018Multiformis Sapientia Dei\u2019, 27 Sept. 1970. Dispon\u00edvel em: &lt; <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/la\/apost_letters\/documents\/hf_p-vi_apl_19700927_multiformis-sapientia.html\">http:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/la\/apost_letters\/documents\/hf_p-vi_apl_19700927_multiformis-sapientia.html<\/a>&gt; Acesso em: 4 nov 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PEDROSA-P<\/span>\u00c1DUA, L\u00facia. Santa Teresa de \u00c1vila. Dez retratos de uma mulher \u201chumana e de Deus\u201d. In: ______; CAMPOS, M. B. (Orgs.). <em>Santa Teresa<\/em>. M\u00edstica para o nosso tempo. S\u00e3o Paulo\/Rio de Janeiro: Reflex\u00e3o\/PUC-Rio, 2011. p.103-129.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. Santa Teresa de Jesus. Vida e significado de Santa Teresa de Jesus. In: ______; CAMPOS, M. B. (Orgs.). <em>Santa Teresa<\/em>. M\u00edstica para o nosso tempo. S\u00e3o Paulo\/Rio de Janeiro: Reflex\u00e3o\/PUC-Rio, 2011. p.19-53.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>Santa Teresa de Jesus<\/em>. M\u00edstica e humaniza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SANCHO FERM\u00cdN, F. J. El conocimiento de s\u00ed en la meditaci\u00f3n teresiana. In: ______. (Cord.). <em>La meditaci\u00f3n teresiana.<\/em> \u00c1vila: CITeS-Universidad de la M\u00edstica, 2012. p.51-90.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SANTA TERESA DE JESUS. <em>Obras Completas<\/em> (coord. Frei Patricio Sciadini; trad. texto estabelecido por T. \u00c1lvarez). S\u00e3o Paulo: Carmelitanas\/Loyola, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCIADINI, P. <em>Teresa de \u00c1vila<\/em>. \u00c9 tempo de caminhar. S\u00e3o Paulo: Carmelitanas\/Loyola, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> As obras teresianas ser\u00e3o indicadas pelas abreviaturas: V &#8211; <em>Livro da Vida<\/em>; C &#8211; <em>Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o<\/em>; CE &#8211; <em>Camino de Perfecci\u00f3n<\/em> (El Escorial); M &#8211; <em>Castelo Interior ou Moradas<\/em>; F \u2013 <em>Funda\u00e7\u00f5es<\/em>; R \u2013 <em>Rela\u00e7\u00f5es<\/em>; P \u2013 <em>Poesias. <\/em>A abreviatura \u00e9 seguida do n\u00famero do cap\u00edtulo e do(s) par\u00e1grafo(s). Na cita\u00e7\u00e3o de <em>Moradas<\/em>, o n\u00famero que antecede a abreviatura indica a morada correspondente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Pre\u00e2mbulo 1 Contexto e biografia de Santa Teresa de Jesus 1.1 Vida em fam\u00edlia: 1515-1535 1.2 Carmelita no mosteiro da Encarna\u00e7\u00e3o: 1535-1562 1.3 Escritora e fundadora do novo Carmelo: 1562-1582 2 Obras de Santa Teresa de Jesus 2.1 Livro da Vida 2.2. Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o 2.3 Castelo Interior ou Moradas 2.4 Funda\u00e7\u00f5es, Cartas e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-1788","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade-e-formacao-de-cristaos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1788"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1788\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1842,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1788\/revisions\/1842"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}