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{"id":1786,"date":"2019-12-25T16:14:14","date_gmt":"2019-12-25T18:14:14","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1786"},"modified":"2020-02-24T15:30:58","modified_gmt":"2020-02-24T18:30:58","slug":"genero-e-orientacao-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1786","title":{"rendered":"G\u00eanero e Orienta\u00e7\u00e3o Sexual"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">1 Defini\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">2 G\u00eanero: entre estudos e ideologia<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">3 A discrimina\u00e7\u00e3o e seu enfrentamento<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">4 Judith Butler e a controv\u00e9rsia sobre g\u00eanero<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">5 Gestos e palavras do papa Francisco<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">6 Entre bons e maus caminhos a trilhar<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Refer\u00eancias<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>1 Defini\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Tradicionalmente, g\u00eanero \u00e9 definido como o que\u00a0identifica e diferencia homens e mulheres. \u00c9 sin\u00f4nimo de sexo, referindo-se ao que \u00e9 pr\u00f3prio do sexo masculino, assim como do feminino. Por\u00e9m, a partir do ponto de vista das ci\u00eancias sociais e da psicologia, g\u00eanero \u00e9 entendido como o que diferencia socialmente as pessoas, considerando padr\u00f5es hist\u00f3rico-culturais atribu\u00eddos a homens e a mulheres.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os estudos de g\u00eanero t\u00eam se relacionado tamb\u00e9m com orienta\u00e7\u00e3o sexual. N\u00e3o raramente servem de base para um not\u00e1vel ativismo sociopol\u00edtico e para a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. S\u00e3o pesquisas e reflex\u00f5es que evidenciam o papel da cultura e das estruturas sociais na configura\u00e7\u00e3o e na rela\u00e7\u00e3o entre os g\u00eaneros, questionam a subalternidade de um g\u00eanero a outro e contemplam a realidade da popula\u00e7\u00e3o LGBT+, que recentemente adquiriu ampla visibilidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A sigla LGBT+ se refere a l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e outros. Para o esclarecimento de alguns termos, travestis s\u00e3o pessoas que vivenciam pap\u00e9is femininos, mas n\u00e3o se reconhecem como homens e nem como mulheres. O termo deve ser usado sempre no feminino: as travestis. Transexuais, por sua vez, s\u00e3o pessoas que n\u00e3o se identificam com o sexo que lhes \u00e9 atribu\u00eddo ao nascerem, e sim com o outro sexo. Pode haver homem transexual, que reivindica o reconhecimento social e legal como homem, e mulher transexual, que reivindica o reconhecimento social e legal como mulher. Tanto travestis como transexuais s\u00e3o transg\u00eanero (ou simplesmente trans), isto \u00e9, pessoas que n\u00e3o se identificam com o sexo que lhes \u00e9 atribu\u00eddo ao nascerem. O contr\u00e1rio de transg\u00eanero \u00e9 cisg\u00eanero, que se refere a pessoas identificadas com o sexo atribu\u00eddo ao nascerem (JESUS, 2012, p.14).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Uma conven\u00e7\u00e3o internacional estabeleceu princ\u00edpios para aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o sobre direitos humanos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero. S\u00e3o os chamados Princ\u00edpios da Yogyakarta, cujas defini\u00e7\u00f5es foram amplamente aceitas inclusive pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Considera-se:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">I &#8211; Orienta\u00e7\u00e3o sexual \u201ccomo uma refer\u00eancia \u00e0 capacidade de cada pessoa de ter uma profunda atra\u00e7\u00e3o emocional, afetiva ou sexual por indiv\u00edduos de g\u00eanero diferente, do mesmo g\u00eanero ou de mais de um g\u00eanero, assim como ter rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas e sexuais com essas pessoas\u201d, e<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">II &#8211; Identidade de g\u00eanero como<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">a profundamente sentida, experi\u00eancia interna e individual do g\u00eanero de cada pessoa, que pode ou n\u00e3o corresponder ao sexo atribu\u00eddo no nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modifica\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia ou fun\u00e7\u00e3o corporal por meios m\u00e9dicos, cir\u00fargicos ou outros) e outras express\u00f5es de g\u00eanero, inclusive vestimenta, modo de falar e maneirismos (Resolu\u00e7\u00e3o, 2014, Art. 1\u00ba).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Com esta classifica\u00e7\u00e3o, l\u00e9sbicas, gays, homossexuais, bissexuais ou heterossexuais s\u00e3o conceitos que se referem \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual. Por sua vez, travestis, transexuais, transg\u00eanero e cisg\u00eanero se referem a identidade de g\u00eanero. Muitos, por\u00e9m, n\u00e3o aceitam tal classifica\u00e7\u00e3o. Argumentam que a orienta\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o define a pessoa e que a inclina\u00e7\u00e3o homossexual pode ser uma tend\u00eancia transit\u00f3ria. Por isso, falam simplesmente de atra\u00e7\u00e3o pelo mesmo sexo (<em>same-sex attraction<\/em>). Em ambientes cat\u00f3licos, n\u00e3o raramente os que t\u00eam essa atra\u00e7\u00e3o s\u00e3o encaminhados \u00e0 \u201cora\u00e7\u00e3o de cura e liberta\u00e7\u00e3o\u201d para elimin\u00e1-la ou, ao menos, viverem a contin\u00eancia sexual. Algumas igrejas evang\u00e9licas fazem regularmente exorcismo de homossexuais e transg\u00eanero. H\u00e1 pa\u00edses e prov\u00edncias em que ainda s\u00e3o permitidas terapias de revers\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o homossexual e da identidade de g\u00eanero, \u00e0s quais essas pessoas s\u00e3o submetidas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>2 G\u00eanero: entre estudos e ideologia<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Em alocu\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o papa Francisco falou sobre fam\u00edlia e a inquieta\u00e7\u00e3o que lhe trazem os estudos de g\u00eanero. Conforme a tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, a institui\u00e7\u00e3o familiar \u00e9 um grande dom que Deus deu \u00e0 humanidade, criando o ser humano homem e mulher e instituindo o sacramento do matrim\u00f4nio. A diferen\u00e7a sexual est\u00e1 presente em v\u00e1rias formas de vida, mas somente no homem e na mulher essa diferen\u00e7a traz a imagem e a semelhan\u00e7a divina. A sua finalidade n\u00e3o \u00e9 a oposi\u00e7\u00e3o ou a subordina\u00e7\u00e3o, mas a comunh\u00e3o e a gera\u00e7\u00e3o. O ser humano precisa da reciprocidade entre homem e mulher para se conhecer bem e crescer harmonicamente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Recentemente, prossegue o papa, a cultura abriu novos espa\u00e7os, liberdades e profundidades que enriquecem a compreens\u00e3o dessa diferen\u00e7a, mas tamb\u00e9m trouxe muitas d\u00favidas e bastante ceticismo. E fez esta interroga\u00e7\u00e3o: \u201cpergunto-me se a chamada teoria do\u00a0<em>gender<\/em>\u00a0n\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m express\u00e3o de uma frustra\u00e7\u00e3o e resigna\u00e7\u00e3o, que visa cancelar a diferen\u00e7a sexual porque j\u00e1 n\u00e3o sabe confrontar-se com ela\u201d (FRANCISCO, 2015b). Para ele, corre-se o risco de se dar um passo atr\u00e1s. A remo\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a seria verdadeiramente o problema, n\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">As ressalvas do papa sobre os estudos de g\u00eanero refletem as manifesta\u00e7\u00f5es da alta hierarquia cat\u00f3lica a este respeito nas \u00faltimas d\u00e9cadas. H\u00e1 um conjunto de proposi\u00e7\u00f5es consideradas inaceit\u00e1veis, para o qual se cunhou a express\u00e3o \u201cideologia de g\u00eanero\u201d. O S\u00ednodo dos Bispos sobre a Fam\u00edlia reiterou esta oposi\u00e7\u00e3o, ratificada pelo papa em sua Exorta\u00e7\u00e3o P\u00f3s-sinodal sobre a institui\u00e7\u00e3o familiar. Afirma-se que essa ideologia:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(&#8230;) nega a diferen\u00e7a e a reciprocidade natural de homem e mulher. Prev\u00ea uma sociedade sem diferen\u00e7as de sexo, e esvazia a base antropol\u00f3gica da fam\u00edlia. Esta ideologia leva a projetos educativos e diretrizes legislativas que promovem uma identidade pessoal e uma intimidade afetiva radicalmente desvinculadas da diversidade biol\u00f3gica entre homem e mulher. A identidade humana \u00e9 determinada por uma op\u00e7\u00e3o individualista, que tamb\u00e9m muda com o tempo. Preocupa o fato de algumas ideologias deste tipo, que pretendem dar resposta a certas aspira\u00e7\u00f5es por vezes compreens\u00edveis, procurarem impor-se como pensamento \u00fanico que determina at\u00e9 mesmo a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. \u00c9 preciso n\u00e3o esquecer que sexo biol\u00f3gico (<em>sex<\/em>) e fun\u00e7\u00e3o sociocultural do sexo (<em>gender<\/em>) podem-se distinguir, mas n\u00e3o separar (AL n.56).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este conjunto de proposi\u00e7\u00f5es chamado ideologia de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 defendido por um autor espec\u00edfico, mas se trata sim de um agrupamento de afirma\u00e7\u00f5es consideradas inaceit\u00e1veis, oriundas de mais de um autor. Algo semelhante aconteceu com a condena\u00e7\u00e3o do modernismo, feita pela alta hierarquia cat\u00f3lica no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. N\u00e3o havia um autor que, ao mesmo tempo, defendesse todas as proposi\u00e7\u00f5es ent\u00e3o condenadas sob o t\u00edtulo de modernismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na verdade, os estudos de g\u00eanero s\u00e3o conhecidos em ingl\u00eas como <em>gender theory<\/em>, comumente traduzido como teoria de g\u00eanero. Mas, neste caso, teoria n\u00e3o \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o apropriada porque esses estudos s\u00e3o bastante heterog\u00eaneos. N\u00e3o h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o unificadora e abrangente, como \u00e9 o caso de uma teoria. O que h\u00e1 \u00e9 um acordo geral em considerar os complexos comportamentos, direta ou indiretamente ligados \u00e0 esfera sexual, como fruto de dimens\u00f5es diferentes, n\u00e3o totalmente independentes e, por sua vez, complexas: o sexo anat\u00f4mico, o reconhecimento de si como homem ou mulher, o papel de g\u00eanero e a orienta\u00e7\u00e3o sexual. Nem sempre h\u00e1 uma coer\u00eancia necess\u00e1ria entre o sexo atribu\u00eddo ao nascer, o reconhecimento e a viv\u00eancia da pr\u00f3pria identidade como homem ou mulher, o desejo e a pr\u00e1tica sexuais. As diferentes identidades que comp\u00f5em a sigla LGBT+ mostram isto e expressam a complexa diversidade entre homem e mulher. Tal \u00e9 o denominador comum dos estudos de g\u00eanero. Portanto, como n\u00e3o h\u00e1 propriamente uma teoria, conv\u00e9m se falar de estudos. N\u00e3o se deve supor que todas as pessoas sejam cisg\u00eanero e heterossexuais, como no modelo bin\u00e1rio em que s\u00f3 h\u00e1 homem e mulher sem mais especifica\u00e7\u00f5es. E n\u00e3o se deve tampouco ignorar as diversas formas de discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia que oprimem e devastam a popula\u00e7\u00e3o LGBT+.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Sobre as suspeitas a respeito da ideologia de g\u00eanero, conv\u00e9m considerar que h\u00e1 pesquisas de neuroci\u00eancia indicando que a biologia da sexualidade n\u00e3o se reduz \u00e0 genit\u00e1lia e \u00e0 anatomia. O c\u00e9rebro tem um papel importante na identidade de g\u00eanero e na orienta\u00e7\u00e3o sexual. No caso da pessoa transg\u00eanero, o c\u00e9rebro e a percep\u00e7\u00e3o de si n\u00e3o correspondem \u00e0 genit\u00e1lia e ao restante do corpo. A pessoa se sente homem em um corpo de mulher, ou se sente mulher em um corpo de homem. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual, h\u00e1 odores ligados \u00e0 masculinidade e \u00e0 feminilidade, os ferom\u00f4nios, que, quando inalados, s\u00e3o identificados pelo c\u00e9rebro e influem na percep\u00e7\u00e3o e no comportamento. No mundo animal, esses odores s\u00e3o fundamentais na aproxima\u00e7\u00e3o entre os sexos e no acasalamento. Tomografias especializadas revelam que o c\u00e9rebro de mulheres homossexuais responde aos ferom\u00f4nios de forma diferente do c\u00e9rebro de mulheres heterossexuais, e de forma similar ao de homens heterossexuais. Ou seja, tanto as mulheres homossexuais quanto os homens heterossexuais se sentem atra\u00eddos por outras mulheres. Experimentos semelhantes com homens homossexuais chegaram a resultados opostos e sim\u00e9tricos. O c\u00e9rebro destes homens responde aos ferom\u00f4nios de forma diferente do c\u00e9rebro de homens heterossexuais, e de forma similar ao de mulheres heterossexuais. Ou seja, homens homossexuais e mulheres heterossexuais se sentem atra\u00eddos por outros homens (HERCULANO-HUZEL, 2006, p.46-51). Mesmo que haja tamb\u00e9m fatores psicossociais incidindo nessa realidade, ser LGBT+ n\u00e3o \u00e9 escolha e nem uma op\u00e7\u00e3o individualista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nos estudos de g\u00eanero, h\u00e1 tamb\u00e9m perspectivas situadas no horizonte teol\u00f3gico crist\u00e3o. Giannino Piana, por exemplo, prop\u00f5e n\u00e3o renunciar \u00e0 diferen\u00e7a entre homem e mulher e \u00e0 sua fundamental import\u00e2ncia, que tem raiz no sexo anat\u00f4mico e constitui o arqu\u00e9tipo do qual se origina a humanidade. Que se evidenciem os processos sociais e culturais sem prescindir inteiramente do componente biol\u00f3gico, da estrutura gen\u00e9tica e neuronal do sujeito humano. Todavia, que se considere tamb\u00e9m o papel da cultura e das estruturas sociais, reconhecendo o m\u00e9rito dos estudos de g\u00eanero em captar a relev\u00e2ncia das viv\u00eancias pessoais na defini\u00e7\u00e3o da identidade de g\u00eanero (PIANA, 2014). Isso contribui para a supera\u00e7\u00e3o de preconceitos causadores de graves discrimina\u00e7\u00f5es, que levaram e ainda levam \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o dos LGBT+.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A posi\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica, ainda segundo Piana, tem se caracterizado por uma defesa radical do dado biol\u00f3gico, inserindo-o na ordem da cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o raramente a Igreja considerou a cr\u00edtica a esse dado como um atentado \u00e0 soberania divina. N\u00e3o se pode negar nesta posi\u00e7\u00e3o um aspecto de verdade: o compromisso em defender a base do humano, que ficaria gravemente comprometido pela radical desconstru\u00e7\u00e3o da identidade biol\u00f3gica. Mas isto n\u00e3o deve significar recusa \u00e0 reflex\u00e3o sobre a natureza humana e sobre a\u00a0lei natural, que assumiu por muito tempo conota\u00e7\u00f5es rigidamente f\u00edsico-biol\u00f3gicas. A hist\u00f3ria do pensamento crist\u00e3o traz valiosas contribui\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Tom\u00e1s de Aquino, te\u00f3logo escol\u00e1stico, afirma com clareza que os conceitos de natureza e de lei natural s\u00f3 s\u00e3o aplicados ao ser humano analogicamente. Este tem uma dupla natureza: enquanto animal, que \u00e9 comum aos outros animais; e enquanto homem, que \u00e9 pr\u00f3pria do homem, na medida em que, segundo a raz\u00e3o, distingue o torpe do honesto. Tal natureza \u00e9 <em>natura ut ratio<\/em> (natureza como raz\u00e3o), sendo a raz\u00e3o o dado qualificante (AQUINO, livro V, li\u00e7\u00e3o 12, n.1019). Hoje se diria a cultura. Isto introduz a possibilidade de interven\u00e7\u00e3o sobre din\u00e2micas naturais. Assim, se superou uma vis\u00e3o do pensamento patr\u00edstico, herdada do dualismo plat\u00f4nico e do naturalismo estoico, que havia introduzido na moral crist\u00e3 uma posi\u00e7\u00e3o absolutista e est\u00e1tica. A escol\u00e1stica introduziu a aten\u00e7\u00e3o ao fator cultural, ao aspecto din\u00e2mico e evolutivo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os estudos de g\u00eanero, conclui Piana, s\u00e3o uma significativa provoca\u00e7\u00e3o a tomar consci\u00eancia da riqueza do humano, a pensar a identidade partindo de uma maior consci\u00eancia de si e da pr\u00f3pria liberdade, considerando a import\u00e2ncia de decis\u00f5es subjetivas e de estilos de vida pessoais. Isto evita formas de achatamento da realidade em torno de paradigmas universalistas, que n\u00e3o respeitam as diversidades individuais. A \u00e9tica, incluindo a sua vertente de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3, deve estar atenta a esta nova interpreta\u00e7\u00e3o do mundo humano e fundamentar suas orienta\u00e7\u00f5es em bases mais amplas, levando em conta as complexas din\u00e2micas que presidem a constru\u00e7\u00e3o dos comportamentos, ligadas a processos estruturais e culturais da sociedade em que se est\u00e1 imerso (PIANA, 2014).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>3 A discrimina\u00e7\u00e3o e seu enfrentamento<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e de jovens, delineia-se um ponto de converg\u00eancia entre a Igreja Cat\u00f3lica e os que defendem os LGBT+. \u00c9 o alerta contra o <em>bullying<\/em>: pr\u00e1tica de atos de viol\u00eancia f\u00edsica ou verbal, intencionais e repetidos, contra uma pessoa indefesa, podendo causar-lhe danos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos, seja no ambiente escolar ou familiar. A escola deve ser um lugar de inclus\u00e3o e sadia pluralidade, educando para a cidadania ativa e respons\u00e1vel em que se respeita cada pessoa na sua condi\u00e7\u00e3o diferente e peculiar. Que ningu\u00e9m seja v\u00edtima de viol\u00eancia, insultos e discrimina\u00e7\u00f5es (CEC, 2019, n.16; CNBB, 2019, p.24). Os bispos cat\u00f3licos brit\u00e2nicos produziram e divulgaram nas escolas de suas dioceses um bom manual para o enfrentamento do <em>bullying <\/em>homof\u00f3bico, bif\u00f3bico e transf\u00f3bico (CES, 2017). Isso \u00e9 muito importante, pois muitas vezes crian\u00e7as e jovens LGBT+ s\u00e3o duramente oprimidos. N\u00e3o \u00e9 raro a escola e at\u00e9 a pr\u00f3pria fam\u00edlia tornarem-se um inferno para eles e elas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No ambiente familiar, conv\u00e9m observar que estes atos de viol\u00eancia verbal e f\u00edsica s\u00e3o parte da avers\u00e3o presente na sociedade, com forte eco na escola. H\u00e1 pais de fam\u00edlia que dizem: \u201cPrefiro um filho morto a um filho gay\u201d! H\u00e1 m\u00e3es que dizem: \u201cPrefiro uma filha prostituta a uma filha sapat\u00e3o\u201d! N\u00e3o s\u00e3o raros trans, gays e l\u00e9sbicas expulsos de casa por seus pais. Entre os palavr\u00f5es mais ofensivos em portugu\u00eas, constam a refer\u00eancia \u00e0 condi\u00e7\u00e3o homossexual (veado!) e ao sexo anal, comum no homoerotismo masculino. Ou seja, \u00e9 xingamento. Muitas vezes, quando se diz: \u201cfulano n\u00e3o \u00e9 homem\u201d, entende-se que \u00e9 gay; ou \u201cfulana n\u00e3o \u00e9 mulher\u201d, que \u00e9 l\u00e9sbica. Ou seja, ser homem ou mulher supostamente exclui a pessoa homossexual. Esta avers\u00e3o se enra\u00edza profundamente na cultura e tem consequ\u00eancias determinantes na vida dessas pessoas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Relat\u00f3rios da ONU e de organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos mostram que, em muitos pa\u00edses, s\u00e3o muito frequentes os homic\u00eddios, sobretudo de pessoas trans. Muitas destas abandonaram a escola precocemente por causa de <em>bullying<\/em> e, por falta de op\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, foram impelidas \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o raramente tais homic\u00eddios s\u00e3o cometidos com requintes de crueldade. H\u00e1 tamb\u00e9m suic\u00eddios de muitos adolescentes que se descobrem LGBT, e mesmo de adultos. Eles chegam a esta atitude extrema por sentirem a hostilidade da pr\u00f3pria fam\u00edlia, da escola e da sociedade. Calcula-se que o \u00edndice de suic\u00eddio nessa popula\u00e7\u00e3o \u00e9, em m\u00e9dia, cinco vezes maior que no restante. Toda esta hostilidade, com in\u00fameras formas de discrimina\u00e7\u00e3o, mesmo quando n\u00e3o leva \u00e0 morte, traz frequentemente tristeza profunda ou depress\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">No enfrentamento da viol\u00eancia e da discrimina\u00e7\u00e3o, o Estado tamb\u00e9m tem um papel imprescind\u00edvel. No Brasil, o governo federal determinou que nos boletins de ocorr\u00eancia, emitidos pelas autoridades policiais, se incluam os itens \u201corienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d, \u201cidentidade de g\u00eanero\u201d e \u201cnome social\u201d. E se considera nome social aquele pelo qual travestis e transexuais se identificam e s\u00e3o identificados pela sociedade. A raz\u00e3o apresentada \u00e9 a necessidade de dar visibilidade aos crimes violentos contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT (Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba11, 2014), e assim favorecer a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas p\u00fablicas para enfrent\u00e1-los.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) estabeleceu que, na elabora\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de propostas curriculares e projetos pedag\u00f3gicos, os sistemas de ensino e as escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica devem assegurar diretrizes e pr\u00e1ticas com o objetivo de \u201ccombater quaisquer formas de discrimina\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero\u201d (MEC, 2018, Art.1\u00ba) de estudantes, professores, gestores, funcion\u00e1rios e respectivos familiares. O objetivo \u00e9 impedir a evas\u00e3o escolar, decorrente dos casos de discrimina\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio e viol\u00eancia nas escolas, pois essa evas\u00e3o constitui grave atentado contra o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o (MEC, 2018). A isto se soma a decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalizar as condutas homof\u00f3bicas e transf\u00f3bicas, que envolvem avers\u00e3o odiosa \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual ou \u00e0 identidade de g\u00eanero de algu\u00e9m, enquadrando-as na Lei de Racismo (STF, 2019).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Com rela\u00e7\u00e3o a essas formas de discrimina\u00e7\u00e3o e \u00f3dio, conv\u00e9m refletir sobre a posi\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9 na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em 2008, quando a Fran\u00e7a prop\u00f4s a descriminaliza\u00e7\u00e3o da homossexualidade em todo o mundo. A proposta inclu\u00eda o fim da discrimina\u00e7\u00e3o por orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero. A delega\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9 na ONU manifestou apre\u00e7o pela proposta francesa de condenar todas as formas de viol\u00eancia contra pessoas homossexuais, e exortou os Estados, inclusive os mu\u00e7ulmanos, a tomarem as medidas necess\u00e1rias para p\u00f4r fim a todas as penas criminais contra elas (INTERVEN\u00c7\u00c3O, 2008). Para a Igreja Cat\u00f3lica, baseando-se em uma \u201cs\u00e3 laicidade do Estado\u201d, as rela\u00e7\u00f5es sexuais livremente consentidas entre pessoas adultas n\u00e3o devem ser consideradas delito pelo poder civil. Contudo, o fim da discrimina\u00e7\u00e3o por identidade de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o foi aceito por ela. Alegou-se que isso poderia tornar-se um instrumento de press\u00e3o contra os que consideram o comportamento homossexual moralmente inaceit\u00e1vel, n\u00e3o reconhecem a uni\u00e3o homossexual como fam\u00edlia, nem a sua equipara\u00e7\u00e3o \u00e0 uni\u00e3o heterossexual, nem o seu direito \u00e0 ado\u00e7\u00e3o e \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o assistida (DIFESA, 2008).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Para uma s\u00e3 laicidade do Estado, que \u00e9 valor para a Igreja Cat\u00f3lica, cabe ent\u00e3o considerar o alcance e as implica\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o em vigor sobre orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero. \u00c9 pertinente a acusa\u00e7\u00e3o de ideologia de g\u00eanero? A Resolu\u00e7\u00e3o sobre os boletins de ocorr\u00eancia quer dar visibilidade a certos crimes para melhor enfrent\u00e1-los. A Resolu\u00e7\u00e3o do MEC tem por objetivo evitar o <em>bulliyng <\/em>e a evas\u00e3o escolar. A Decis\u00e3o do STF esclarece na pr\u00f3pria senten\u00e7a que \u201cn\u00e3o alcan\u00e7a nem restringe ou limita o exerc\u00edcio da liberdade religiosa\u201d. A fi\u00e9is e ministros \u00e9 assegurado o direito de pregar e de divulgar, bem como o de ensinar segundo sua orienta\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria ou teol\u00f3gica, \u201cdesde que tais manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o configurem discurso de \u00f3dio, assim entendidas aquelas exterioriza\u00e7\u00f5es que incitem a discrimina\u00e7\u00e3o, a hostilidade ou a viol\u00eancia contra pessoas em raz\u00e3o de sua orienta\u00e7\u00e3o sexual ou de sua identidade de g\u00eanero\u201d (STF, 2019). Portanto, tal legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um instrumento de press\u00e3o contra o direito de igrejas ou confiss\u00f5es religiosas ensinarem pacificamente sobre sexualidade, matrim\u00f4nio e fam\u00edlia, mas \u00e9 uma maneira de defender pessoas vulner\u00e1veis que n\u00e3o raramente s\u00e3o humilhadas, hostilizadas e at\u00e9 massacradas. N\u00e3o cabe aqui, ent\u00e3o, a acusa\u00e7\u00e3o de ideologia de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>4 Judith Butler e a controv\u00e9rsia sobre g\u00eanero<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ao se falar dos defensores da ideologia de g\u00eanero, especialmente em institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas bem representativas, cita-se com frequ\u00eancia a fil\u00f3sofa Judith Butler, por propor uma \u201cconstru\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel da identidade\u201d. Uma de suas afirma\u00e7\u00f5es mais controvertidas \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 identidade de g\u00eanero por tr\u00e1s das express\u00f5es do g\u00eanero. Essa identidade \u00e9 performativamente constitu\u00edda atrav\u00e9s das express\u00f5es tidas como seus resultados. Neste ponto, ela se baseia na suposi\u00e7\u00e3o de Nietzsche de que n\u00e3o h\u00e1 ser por tr\u00e1s do fazer, do realizar e do tornar-se. O fazedor \u00e9 uma mera fic\u00e7\u00e3o acrescentada \u00e0 obra. Essa \u00e9 tudo. Para ela, g\u00eanero \u00e9 um conceito antissubstancialista com o qual se pretende derrotar a metaf\u00edsica da identidade (CNBB, 2019, p.17-18; BUTLER, 2008, p.47-48).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Por mais question\u00e1veis que sejam essas posi\u00e7\u00f5es, seu pensamento n\u00e3o se resume a isto. Butler tamb\u00e9m afirmou que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio imaginar um futuro em que a norma bin\u00e1ria \u2013 em que todos s\u00e3o necessariamente heterossexuais e cisg\u00eanero \u2013 tenha se dilu\u00eddo, porque isso de alguma maneira j\u00e1 aconteceu. O desafio para ela \u00e9 encontrar um melhor vocabul\u00e1rio para maneiras de viver o g\u00eanero e a sexualidade que n\u00e3o se encaixe t\u00e3o facilmente na norma bin\u00e1ria. \u00c9 preciso emitir a palavra em que a complexidade existente possa ser reconhecida, em que o medo da marginaliza\u00e7\u00e3o, da patologiza\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia seja radicalmente eliminado. E arrisca dizer que talvez n\u00e3o seja t\u00e3o importante produzir novas formula\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, mas sim construir um mundo em que as pessoas possam viver e respirar dentro de sua pr\u00f3pria sexualidade e de seu pr\u00f3prio g\u00eanero (BUTLER, 2009). O seu pensamento est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o. Em certo momento recorreu a Nietzsche e a uma perspectiva antimetaf\u00edsica, mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ela reconhece a complexidade do g\u00eanero, envolvendo natureza, cultura e indiv\u00edduo, sem posi\u00e7\u00f5es taxativas irreconcili\u00e1veis com a antropologia de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3:<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 entre o homem e a mulher diferen\u00e7as hormonais, fisiol\u00f3gicas, nos cromossomos. Mas embora trabalhemos com pensamento bin\u00e1rio h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es, um <em>continuum<\/em> entre um e outro. Pesquisas revelam que biologia n\u00e3o \u00e9 determina\u00e7\u00e3o, que o g\u00eanero resulta de uma combina\u00e7\u00e3o \u00fanica, em cada um de n\u00f3s, de fatores biol\u00f3gicos, sexuais, de fun\u00e7\u00e3o social, do autoentendimento, da representa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.\u00a0Descobriu-se que os horm\u00f4nios s\u00e3o interativos e h\u00e1 v\u00e1rias maneiras em que podem ser ativados. Inclusive o desenvolvimento dos neur\u00f4nios est\u00e1 ligado ao ambiente. O que acontece depende em parte da vida que se vive (CASTILHO, 2015).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pensamento de Butler tampouco rejeita elementos inatos que impregnam a realidade do g\u00eanero nas pessoas e na percep\u00e7\u00e3o de si, mas \u00e9 muito cuidadoso em captar a especificidade dos que, por algum motivo, n\u00e3o se enquadram no modelo bin\u00e1rio:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Pode-se debater quais aspectos do g\u00eanero s\u00e3o inatos ou adquiridos, mas \u00e9 mais importante reconhecer o efeito involunt\u00e1rio da designa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e a resist\u00eancia profundamente consolidada [de alguns] a tal designa\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Eu aceito que algumas pessoas tenham um sentimento profundo de seu g\u00eanero e que isso deva ser respeitado. Eu n\u00e3o sei explicar esse sentimento profundo, mas ele existe para muitos. Pode ser uma limita\u00e7\u00e3o para minha an\u00e1lise eu pessoalmente n\u00e3o ter esse sentimento profundo de g\u00eanero. Pode ser que essa aus\u00eancia seja o que motivou minha teoria (BUTLER, 2015).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O seu livro <em>Problemas de g\u00eanero <\/em>(2008) recebeu fortes cr\u00edticas, bem como sua suposta nega\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a natural entre os sexos. Suas palestras no Brasil foram alvo de protestos p\u00fablicos hostis. Butler explicitou suas pr\u00f3prias motiva\u00e7\u00f5es e comentou:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Algumas pessoas vivem em paz com o g\u00eanero que lhes foi atribu\u00eddo, mas outras sofrem quando s\u00e3o obrigadas a se conformar com normas sociais que anulam o senso mais profundo de quem s\u00e3o e quem desejam ser. Para essas pessoas \u00e9 uma necessidade urgente criar as condi\u00e7\u00f5es para uma vida poss\u00edvel de viver. (&#8230;) De fato, algo que me preocupa \u00e9 a frequ\u00eancia com que pessoas que n\u00e3o se enquadram nas normas de g\u00eanero e nas expectativas heterossexuais s\u00e3o assediadas, agredidas e assassinadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">(&#8230;) O livro negou a exist\u00eancia de uma diferen\u00e7a natural entre os sexos? De maneira nenhuma, embora destaque a exist\u00eancia de paradigmas cient\u00edficos divergentes para determinar as diferen\u00e7as entre os sexos e observe que alguns corpos possuem atributos mistos que dificultam sua classifica\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m afirmei que a sexualidade humana assume formas diferentes e que n\u00e3o devemos presumir que o fato de sabermos o g\u00eanero de uma pessoa nos d\u00e1 qualquer pista sobre sua orienta\u00e7\u00e3o sexual (BUTLER, 2017).<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o raramente, trechos de Butler s\u00e3o citados de modo a se fazer um recorte reducionista de sua obra. Identificar simplesmente esta autora com ideologia de g\u00eanero \u00e9 desqualificar indevidamente sua pesquisa e reflex\u00e3o, pois ideologia \u00e9 uma ideia que toma conta do pensamento das pessoas de maneira acr\u00edtica. Ao vincularem Butler \u00e0 ideologia de g\u00eanero, fazem recair sobre ela as seguintes acusa\u00e7\u00f5es: de querer negar o corpo como leg\u00edtima express\u00e3o da identidade do indiv\u00edduo, como capaz de exprimir tal identidade de modo adequado, de querer eliminar todas as diferen\u00e7as e todas as estruturas sociais, e de querer demolir o fundamento prim\u00e1rio da sociedade constitu\u00eddo pela fam\u00edlia, conforme se diz em certa publica\u00e7\u00e3o (CNBB, 2019, p.27 e 32). Com base em seu pensamento, n\u00e3o cabem estas acusa\u00e7\u00f5es. Isto \u00e9 p\u00e2nico moral. Tal p\u00e2nico se caracteriza por uma rea\u00e7\u00e3o coletiva desproporcional de medo diante de demandas por mudan\u00e7a social, frente a uma suposta amea\u00e7a percebida como algo que p\u00f5e em risco um componente crucial da sociedade, que \u00e9 a pr\u00f3pria ordem social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>5 Gestos e palavras do papa Francisco<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ainda que os documentos magisteriais n\u00e3o expressem uma posi\u00e7\u00e3o mais positiva sobre as pessoas LGBT+, gestos p\u00fablicos e palavras do papa Francisco no acolhimento destas pessoas t\u00eam sido exemplos positivos e inspiradores. No in\u00edcio de 2015, ele recebeu em sua casa a visita do transexual espanhol Diego Neria e de sua companheira Macarena. A hist\u00f3ria de vida de Diego tornou-se ent\u00e3o conhecida, mostrando o preconceito atroz que muitos transexuais sofrem e como se pode enfrent\u00e1-lo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ele nasceu com genital feminino, mas desde crian\u00e7a sentia-se homem. Seu c\u00e9rebro e sua autopercep\u00e7\u00e3o n\u00e3o correspondiam ao restante do corpo. No Natal, Diego escrevia aos reis magos pedindo como presente tornar-se menino. Ao crescer, resignou-se \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o. \u201cMinha pris\u00e3o era meu pr\u00f3prio corpo, porque n\u00e3o correspondia absolutamente ao que minha alma sentia\u201d, confessa. Ele escondia esta realidade o quanto podia. Sua m\u00e3e pediu-lhe que n\u00e3o mudasse o seu corpo enquanto ela vivesse. E ele acatou este desejo at\u00e9 a morte dela. Quando ela morreu, Diego tinha 39 anos. Um ano depois, ele come\u00e7ou o processo transexualizador. Na igreja que frequentava, despertou a indigna\u00e7\u00e3o de pessoas: \u201ccomo se atreve a entrar aqui na sua condi\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 digno\u201d. Certa vez, chegou a ouvir de um padre em plena rua: \u201cvoc\u00ea \u00e9 filha do diabo\u201d! Mas felizmente teve o apoio do bispo de sua diocese, que lhe deu \u00e2nimo e consolo. Isto encorajou Diego a escrever ao papa Francisco e a pedir um encontro com ele. O papa o recebeu e o abra\u00e7ou no Vaticano, na presen\u00e7a da sua companheira, com palavras que lhe trouxeram grande conforto. Hoje, Diego Neria \u00e9 um homem em paz (HERN\u00c1NDEZ, 2015).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Nos Estados Unidos, o papa Francisco recebeu na nunciatura apost\u00f3lica o seu antigo aluno e amigo gay Yayo Grassi, e o companheiro dele. Grassi j\u00e1 tinha apresentado o seu companheiro ao papa dois anos antes. Este relacionamento nunca foi problema na amizade entre Grassi e Francisco. Na viagem do Brasil a Roma, o papa havia dito: \u201cSe uma pessoa \u00e9 gay, procura o Senhor e tem boa vontade, quem sou eu para julg\u00e1-la? (&#8230;) N\u00e3o se deve marginalizar estas pessoas por isso\u201d (FRANCISCO, 2013a). Seus exemplos mostram o que \u00e9 acolher e n\u00e3o julgar, e valem ainda mais que muitas palavras. Se todos os pais e familiares de homossexuais e transg\u00eanero seguissem o exemplo do papa, recebendo-os em suas casas com seus respectivos companheiros, v\u00e1rios problemas dessa popula\u00e7\u00e3o seriam resolvidos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Certa vez, um jornalista perguntou ao papa o que ele diria a uma pessoa transg\u00eanero, e se ele como pastor e ministro a acompanharia. O papa respondeu que tem acompanhado pessoas homossexuais e transg\u00eanero, lembrando o caso de Diego, e exortou: \u201cas pessoas devem ser acompanhadas como as acompanha Jesus. (&#8230;) em cada caso, acolh\u00ea-lo, acompanh\u00e1-lo, estud\u00e1-lo, discernir e integr\u00e1-lo. Isto \u00e9 o que Jesus faria hoje\u201d (FRANCISCO, 2016a). A hist\u00f3ria de Diego n\u00e3o \u00e9 exalta\u00e7\u00e3o do individualismo liberal, nem busca desenfreada do prazer e nem autossufici\u00eancia humana que se rebela contra a obra do Criador. Mas mostra a verdade interior da pessoa que vem \u00e0 tona, como na vida de tantos LGBT.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>6 Entre bons e maus caminhos a trilhar<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Os bispos brasileiros tamb\u00e9m abrem caminho para o acolhimento e a inclus\u00e3o de pessoas homossexuais, seus companheiros e filhos, ao publicarem um documento sobre a renova\u00e7\u00e3o pastoral das par\u00f3quias, levando em conta as novas situa\u00e7\u00f5es familiares. Entre tais situa\u00e7\u00f5es, afirmam os bispos, h\u00e1 crian\u00e7as adotadas por pessoas do mesmo sexo, que vivem em uni\u00e3o est\u00e1vel. Constata-se que muitos se afastaram e continuam se afastando das comunidades porque se sentiram rejeitados, porque a primeira orienta\u00e7\u00e3o que receberam consistia em proibi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o em viver a f\u00e9 em meio \u00e0 dificuldade. Na renova\u00e7\u00e3o paroquial, exortam eles, deve haver convers\u00e3o pastoral para n\u00e3o se esvaziar a Boa Nova anunciada pela Igreja e, ao mesmo tempo, n\u00e3o deixar de se atender \u00e0s novas situa\u00e7\u00f5es da vida familiar. \u201cAcolher, orientar e incluir nas comunidades aqueles que vivem numa outra configura\u00e7\u00e3o familiar s\u00e3o desafios inadi\u00e1veis\u201d (CNBB, 2014, n. 217-218).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A realidade de pessoas LGBT+, seus conflitos e sofrimentos est\u00e1 ausente em muitos pronunciamentos oficiais da Igreja Cat\u00f3lica. No contexto latino-americano, por exemplo, o Documento de Aparecida, ao tratar de pobres, exclu\u00eddos e dos que sofrem, menciona: migrantes, v\u00edtimas da viol\u00eancia, refugiados, v\u00edtimas de sequestro e tr\u00e1fico de pessoas, desaparecidos, portadores de HIV, v\u00edtimas de enfermidades end\u00eamicas, toxicodependentes, idosos, meninos e meninas v\u00edtimas da prostitui\u00e7\u00e3o, pornografia, viol\u00eancia ou trabalho infantil, mulheres maltratadas, v\u00edtimas de exclus\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o sexual, pessoas com defici\u00eancia, grandes grupos de desempregados, exclu\u00eddos pelo analfabetismo tecnol\u00f3gico, moradores de rua em grandes cidades, ind\u00edgenas, afro-americanos, agricultores sem terra e mineiros (DAp n.402). Infelizmente, falar de LGBT+ ainda \u00e9 inc\u00f4modo em muitos ambientes. N\u00e3o raramente, o sofrimento desta popula\u00e7\u00e3o \u00e9 ignorado ou silenciado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">H\u00e1 tamb\u00e9m casos em que esta mesma popula\u00e7\u00e3o \u00e9 hostilizada. Lamentavelmente, pessoas como o padre e os fi\u00e9is que o transexual espanhol\u00a0Diego Neria encontrou, considerando-o indigno e diab\u00f3lico, est\u00e3o por toda parte. Existem publica\u00e7\u00f5es na Igreja Cat\u00f3lica, com grande difus\u00e3o, que caricaturam quest\u00f5es de g\u00eanero e de orienta\u00e7\u00e3o sexual, como o material did\u00e1tico em v\u00e1rias l\u00ednguas distribu\u00eddo na Jornada Mundial da Juventude, em 2013. Este trazia o desenho de um homem sentado interrogando-se: \u201cque g\u00eanero eu vou escolher para este ano\u201d? Em outra p\u00e1gina, o desenho de um garoto nu olhando para o pr\u00f3prio p\u00eanis, perguntando-se: \u201cn\u00e3o sou homem? Eu? Ent\u00e3o&#8230; o que \u00e9 isto?\u201d (CNPF, 2013, p.68 e 71). Ora, ningu\u00e9m escolhe ser gay ou l\u00e9sbica como escolhe para onde viajar nas f\u00e9rias. Nenhum transg\u00eanero, quando garoto ou garota, estranhou sua pr\u00f3pria anatomia simplesmente por ouvir uma asneira vinda de terceiros. Isso \u00e9 tripudiar sobre o drama vivido por tantas pessoas. Estas caricaturas s\u00e3o injustas e cru\u00e9is. S\u00e3o exemplos de <em>bullying<\/em> homof\u00f3bico e transf\u00f3bico, combatido pelo manual dos bispos cat\u00f3licos brit\u00e2nicos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Um recente documento sobre g\u00eanero foi lan\u00e7ado pelo Vaticano, tendo como subt\u00edtulo: \u201cpara uma via de di\u00e1logo sobre a quest\u00e3o do <em>gender<\/em> na educa\u00e7\u00e3o\u201d (CEC, 2019). Basicamente reitera ensinamentos tradicionais da Igreja Cat\u00f3lica sobre antropologia e sexualidade, incluindo seus temores. Mas, ao mesmo tempo, abre alguns caminhos que podem ser promissores. Uma boa novidade \u00e9 a distin\u00e7\u00e3o que faz entre ideologia e diversas pesquisas sobre g\u00eanero realizadas pelas ci\u00eancias humanas, reconhecendo n\u00e3o faltar investiga\u00e7\u00f5es procurando aprofundar adequadamente o modo em que se vive, nas diversas culturas, a diferen\u00e7a sexual entre homem e mulher (n.6). Portanto, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para histeria toda vez que se fala de g\u00eanero. Como o documento \u00e9 uma proposta para fomentar o di\u00e1logo, e n\u00e3o um pronunciamento definitivo e inquestion\u00e1vel, cabe ouvir os demais parceiros poss\u00edveis deste di\u00e1logo. Entre eles, est\u00e3o os diversos pesquisadores e as pessoas sobre as quais se pesquisa: mulheres e homens (heterossexuais e cisg\u00eanero), bem como os LGBT+. Sua viv\u00eancia e sua consci\u00eancia n\u00e3o podem ser negligenciadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Quando a Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica argentina completou seu centen\u00e1rio, o papa Francisco fez uma exorta\u00e7\u00e3o aos te\u00f3logos que pode ajudar muito no trato de quest\u00f5es de g\u00eanero. Ele os exorta a prosseguirem no caminho do Conc\u00edlio Vaticano II, de releitura do Evangelho na perspectiva da cultura contempor\u00e2nea. Estudar e ensinar teologia deve significar \u201cviver em uma fronteira\u201d, na qual o Evangelho encontra as necessidades das pessoas \u00e0s quais deve ser anunciado de maneira compreens\u00edvel e significativa. Deve-se evitar uma teologia que se esgote em disputas acad\u00eamicas ou que contemple a humanidade a partir de um castelo de cristal. A teologia deve acompanhar os processos culturais e sociais, especialmente as transi\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, assumindo os conflitos que afetam todos. \u201cOs bons te\u00f3logos, assim como os bons pastores, t\u00eam o odor do povo e da rua e, com a sua reflex\u00e3o, derramam azeite e vinho sobre as feridas dos homens\u201d (FRANCISCO, 2015a), como o bom samaritano do Evangelho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Na abertura do Conc\u00edlio, o papa S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII fez uma advert\u00eancia en\u00e9rgica contra os profetas da cat\u00e1strofe que s\u00f3 veem prevarica\u00e7\u00e3o e ru\u00edna, sempre anunciando acontecimentos infelizes, como se o fim do mundo fosse iminente. Eles repetem que em nossa \u00e9poca, em compara\u00e7\u00e3o com as passadas, as coisas s\u00f3 pioraram; e \u201cportam-se como quem nada aprendeu da hist\u00f3ria\u201d (JO\u00c3O XXIII, 1962, IV, n.2-3). Hoje n\u00e3o faltam profetas da cat\u00e1strofe, para os quais tudo amea\u00e7a destruir a fam\u00edlia e a sociedade. S\u00f3 restaria \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica reiterar dogmas, preceitos e proibi\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Ao contr\u00e1rio disso, para ir \u00e0s fronteiras, reler o Evangelho em novas perspectivas e curar feridas em vez de aument\u00e1-las, \u00e9 necess\u00e1rio discernir os elementos dos atuais estudos de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual que contribuem para o avan\u00e7o destas quest\u00f5es no campo teol\u00f3gico e pastoral. O bom mission\u00e1rio reconhece a obra do Esp\u00edrito Santo no cora\u00e7\u00e3o dos seres humano e das culturas, mesmo em civiliza\u00e7\u00f5es e religi\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s. O Esp\u00edrito cuida e faz germinar as sementes do Verbo \u201cpresentes nas iniciativas religiosas e nos esfor\u00e7os humanos \u00e0 procura da verdade, do bem e de Deus\u201d (JO\u00c3O PAULO II, 1990, n.28). O mesmo vale para os estudos de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O papa Francisco recorda a c\u00e9lebre advert\u00eancia de seu antecessor sobre os profetas da cat\u00e1strofe, acrescentando que o olhar de quem cr\u00ea \u00e9 capaz de reconhecer a luz do Esp\u00edrito Santo irradiando na escurid\u00e3o, de entrever o vinho em que a \u00e1gua pode ser transformada, e de descobrir o trigo que cresce no meio do joio (EG n.84). \u00c9 chegado o momento de se abrir caminhos que favore\u00e7am a cidadania da popula\u00e7\u00e3o LGBT+ na sociedade e na Igreja. Que todos possam viver e respirar em seu g\u00eanero e sexualidade, sem o risco da marginaliza\u00e7\u00e3o, da patologiza\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>Lu\u00eds Corr\u00eaa Lima, <\/em>PUC-Rio &#8211; (texto original em portugu\u00eas)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>7 Refer\u00eancias<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">AQUINO, Tom\u00e1s. <em>Comentario de la \u00c9tica a Nic\u00f3maco<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.servidoras.org.ar\/CGI-BIN\/om_isapi.dll?clientID=21163308&amp;infobase=etica.nfo&amp;softpage=browse_frame_pg42\">http:\/\/www.servidoras.org.ar\/CGI-BIN\/om_isapi.dll?clientID=21163308&amp;infobase= etica.nfo&amp;softpage=browse_frame_pg42<\/a>&gt;. Acesso em: 4 nov 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BUTLER, Judith. <em>Problemas de g\u00eanero<\/em>: feminismo e subvers\u00e3o da identidade. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2008.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. La invenci\u00f3n de la palabra. Entrevista. <em>Pagina 12<\/em>, 8 mai 2009. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.pagina12.com.ar\/diario\/suplementos\/soy\/1-742-2009-05-09.html\">https:\/\/www.pagina12.com.ar\/diario\/suplementos\/soy\/1-742-2009-05-09.html<\/a>&gt;. Acesso em: 12 set 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. Sem medo de fazer g\u00eanero: entrevista com a fil\u00f3sofa americana Judith Butler. Entrevista concedida a \u00darsula Passos. <em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, edi\u00e7\u00e3o 20 set 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2015\/09\/1683172-sem-medo-de-fazer-genero-entrevista-com-a-filosofa-americana-judith-butler.shtml\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2015\/09\/1683172-sem-medo-de-fazer-genero-entrevista-com-a-filosofa-americana-judith-butler.shtml<\/a>&gt;. Acesso em: 10 jan 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. Judith Butler escreve sobre sua teoria de g\u00eanero e o ataque sofrido no Brasil. <em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>, edi\u00e7\u00e3o 19 nov 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/m.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2017\/11\/1936103-judith-butler-escreve-sobre-o-fantasma-do-genero-e-o-ataque-sofrido-no-brasil.shtml\">http:\/\/m.folha.uol.com.br\/ilustrissima\/2017\/11\/1936103-judith-butler-escreve-sobre-o-fantasma-do-genero-e-o-ataque-sofrido-no-brasil.shtml<\/a>&gt;. Acesso em: 4 fev 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CASTILHO, In\u00eas. <em>Judith Butler:\u00a0<\/em>Queer\u00a0para um mundo n\u00e3o bin\u00e1rio. 16 set 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/judith-butler-queer-para-um-mundo-nao-binario\">http:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/judith-butler-queer-para-um-mundo-nao-binario<\/a>&gt;. Acesso em: 13 fev 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA A EDUCA\u00c7\u00c3O CAT\u00d3LICA (CEC). <em>Homem e mulher os criou<\/em>: para uma via de di\u00e1logo sobre a quest\u00e3o do <em>gender<\/em> na educa\u00e7\u00e3o. Vaticano, 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.educatio.va\/content\/dam\/cec\/Documenti\/19_1000_PORTOGHESE.pdf\">http:\/\/www.educatio.va\/content\/dam\/cec\/Documenti\/19_1000_ PORTOGHESE.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 6 nov 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CELAM. <em>V Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe<\/em>: Documento Final. Aparecida: 13 a 31 mai 2007. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.dhnet.org.br\/direitos\/cjp\/a_pdf\/cnbb_2007_documento_de_aparecida.pdf\">http:\/\/www.dhnet.org.br\/direitos\/cjp\/a_pdf\/cnbb_2007_documento_de_aparecida.pdf<\/a>&gt;. Acesso em 12 set 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CATHOLIC EDUCATION SERVICE (CES) et al<em>. <\/em><em>Made in God\u2019s image<\/em>: Challenging homophobic and biphobic bullying in catholic schools. 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.dropbox.com\/s\/zlf6whj2wxl6iig\/58.17%20Attachment%20Made%20in%20God%27s%20Image-%20Challenging%20homophobic%20and%20biphobic%20bullying%20in%20Catholic%20schools.pdf?dl=0\">https:\/\/www.dropbox.com\/s\/zlf6whj2wxl6iig\/58.17%20Attachment%20Made%20in%20God%27s%20Image-%20Challenging%20homophobic%20and%20biphobic%20bullying%20in%20Catholic%20schools.pdf?dl=0<\/a>&gt;.\u00a0 Acesso em: 3 jan 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">COMISS\u00c3O NACIONAL DE PASTORAL FAMILIAR (CNPF). <em>Manual de bio\u00e9tica<\/em>: Chaves para a Bio\u00e9tica. Bras\u00edlia, 2013.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CNBB. <em>Comunidade de comunidades<\/em>: uma nova par\u00f3quia. Bras\u00edlia: CNBB, 2014.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. <em>Homem e mulher os criou<\/em>: a identidade de g\u00eanero na antropologia crist\u00e3. Orienta\u00e7\u00f5es pastorais. Bras\u00edlia: CNBB, 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Difesa dei diritti e ideologia. <em>L\u2019osservatore romano<\/em>, edi\u00e7\u00e3o 19 dez 2008. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/tuespetrus.wordpress.com\/2008\/12\/19\/difesa-dei-diritti-e-ideologia\/\">https:\/\/tuespetrus.wordpress.com\/2008\/12\/19\/difesa-dei-diritti-e-ideologia\/<\/a>&gt;. Acesso em: 5 out 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">FRANCISCO. <em>Encontro do santo padre com os jornalistas durante o voo de regresso do Brasil<\/em>, 28 jun 2013a. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2013\/july\/documents\/papa-francesco_20130728_gmg-conferenza-stampa.html\">https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2013\/july\/documents\/papa-francesco_20130728_gmg-conferenza-stampa.html<\/a>. Acesso em: 9 ago 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. <em>Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica Evangelii Gaudium<\/em>. Roma, 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html<\/a>&gt;. Acesso em: 4 nov 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. <em>Carta\u00a0do papa Francisco\u00a0por ocasi\u00e3o do centen\u00e1rio da Faculdade de Teologia\u00a0da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica argentina<\/em>. 3 mar 2015a. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2015\/documents\/papa-francesco_20150303_lettera-universita-cattolica-argentina.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2015\/documents\/papa-francesco_20150303_lettera-universita-cattolica-argentina.html<\/a>&gt;. Acesso em: 27 out 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. <em>Audi\u00eancia geral<\/em>. 15 abr 2015b. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2015\/documents\/papa-francesco_20150415_udienza-generale.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2015\/documents\/papa-francesco_20150415_udienza-generale.html<\/a>&gt;. Acesso em: 12 set 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. <em>Exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal Amoris Laetitia<\/em>. Roma, 2016. Dispon\u00edvel em:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html\">https:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html<\/a>. Acesso em: 4 out 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. <em>Confer\u00eancia de imprensa do santo padre durante o voo Baku-Roma<\/em>, 2 out 2016a. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2016\/%20october\/documents\/papa-francesco_20161002_georgia-azerbaijan-conferenza-stampa.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2016\/ october\/documents\/papa-francesco_20161002_georgia-azerbaijan-conferenza-stampa.html<\/a>&gt;. Acesso em: 4 nov 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">HERCULANO-HOUZEL, Suzana. O c\u00e9rebro homossexual. <em>Mente &amp; c\u00e9rebro<\/em>, n.165, p.46-51, 2006.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">HERN\u00c1NDEZ, Ana. El bendito encuentro entre Francisco y Diego. <em>Hoy<\/em>, edi\u00e7\u00e3o 26 jan 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.hoy.es\/extremadura\/201501\/25\/bendito-encuentro-entre-francisco-20150125003218-v.html\">http:\/\/www.hoy.es\/extremadura\/201501\/25\/bendito-encuentro-entre-francisco-20150125003218-v.html<\/a>&gt;. Acesso em: 16 jan 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">INTERVEN\u00c7\u00c3O DO REPRESENTANTE DA SANTA S\u00c9, 18 dez 2008. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/secretariat_state\/2008\/documents\/rc_seg-st_20081218_statement-sexual-orientation_po.html\">http:\/\/www.vatican.va\/roman_curia\/secretariat_state\/2008\/documents\/rc_seg-st_20081218_statement-sexual-orientation_po.html<\/a>&gt;. Acesso em: 13 fev 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">JESUS, Jaqueline. <em>Orienta\u00e7\u00f5es sobre identidade de g\u00eanero<\/em>: conceitos e termos. Bras\u00edlia, 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.sertao.ufg.br\/up\/16\/o\/ORIENTA%C3%25%2087%C3%95ES_POPULA%C3%87%C3%83O_TRANS.pdf?1334065989\">https:\/\/www.sertao.ufg.br\/up\/16\/o\/ORIENTA%C3% 87%C3%95ES_POPULA%C3%87%C3%83O_TRANS.pdf?1334065989<\/a>&gt;. Acesso em: 6 nov 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">JO\u00c3O PAULO II. <em>Carta enc\u00edclica Redemptoris Missio<\/em>. 1990. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_07121990_redemptoris-missio.html\">http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_07121990_redemptoris-missio.html<\/a>&gt;. Acesso em: 3 jan 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">JO\u00c3O XXIII. <em>Discurso de sua santidade papa Jo\u00e3o XXIII na abertura solene do SS. Conc\u00edlio<\/em>. Roma, 1962. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/speeches\/1962\/documents\/hf_j-xxiii_spe_19621011_opening-council.html\">http:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/speeches\/1962\/documents\/hf_j-xxiii_spe_19621011_opening-council.html<\/a>&gt; Acesso em: 17 dez 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">MINIST\u00c9RIO DA EDUCA\u00c7\u00c3O (MEC). Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CP 1\/2018. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 22 jan 2018, Se\u00e7\u00e3o 1, p.17. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.direito.mppr.mp.br\/arquivos\/File\/rcp001_18.pdf\">http:\/\/www.direito.mppr.mp.br\/arquivos\/File\/rcp001_18.pdf<\/a>&gt;. Acesso em 12 set 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PIANA, Giannino. Sexo e g\u00eanero: para al\u00e9m da alternativa. <em>Boletim eletr\u00f4nico IHU<\/em>, 16 jul 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/533286-sexo-e-genero-para-alem-da-alternativa-artigo-de-giannino-piana\">http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/533286-sexo-e-genero-para-alem-da-alternativa-artigo-de-giannino-piana<\/a>&gt;. Acesso em: 4 out 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">RESOLU\u00c7\u00c3O N\u00ba 11, de 18 dez 2014. Di\u00e1rio oficial da uni\u00e3o<em>,<\/em> 12 mar 2015, n\u00ba 48, Se\u00e7\u00e3o 1, p.2. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.lex.com.br\/legis_26579640_RESOLUCAO_N_11_DE_18_DE_DEZEMBRO_DE_2014.aspx\">http:\/\/www.lex.com.br\/legis_26579640_RESOLUCAO_N_11_DE_18_DE_DEZEMBRO_DE_2014.aspx<\/a>&gt;. Acesso em:13 fev 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). <em>Decis\u00e3o<\/em>, 13 jun 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/downloadTexto.asp?id=4848010&amp;ext=RTF\">http:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/downloadTexto.asp?id=4848010&amp;ext=RTF<\/a>&gt;. Acesso em: 17 dez 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Para aprofundar mais:<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONCILIUM. Revista Internacional de Teologia. <em>G\u00eanero na teologia, na espiritualidade e na pr\u00e1tica<\/em>, n. 347, 2012\/4.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONCILIUM. Revista Internacional de Teolog\u00eda (espanhol). <em>G\u00e9nero en teolog\u00eda, espiritualidad, pr\u00e1ctica<\/em>, n. 347, septiembre 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.verbodivino.es\/web\/concilium\/2012\/Concilium%20347.pdf\">http:\/\/www.verbodivino.es\/web\/concilium\/2012\/Concilium%20347.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 9 ago 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONGRAGACI\u00d3N PARA LA EDUCACI\u00d3N CAT\u00d3LICA. Var\u00f3n y mujer los cre\u00f3: para una v\u00eda de di\u00e1logo sobre la cuesti\u00f3n del <em>gender<\/em> en la educaci\u00f3n. Roma, 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.educatio.va\/content\/dam\/cec\/Documenti\/19_0998_SPAGNOLO.pdf\">http:\/\/www.educatio.va\/content\/dam\/cec\/Documenti\/19_0998_SPAGNOLO.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 1 set 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">LIMA, Lu\u00eds C. Estudos de g\u00eanero versus ideologia: desafios da teologia. <em>Mandr\u00e1gora<\/em>, v.21. n.2, p. 89-112, 2015. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.metodista.br\/revistas\/revistas-ims\/index.php\/MA\/article\/view\/6117\/5074\">https:\/\/www.metodista.br\/revistas\/revistas-ims\/index.php\/MA\/article\/view\/6117\/5074<\/a>. Acesso em: 12 set 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. O papa e as quest\u00f5es da fam\u00edlia: \u00e0s voltas com g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual. <em>Mandr\u00e1gora<\/em>, v.23, n.2, p.27-47, 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.metodista.br\/revistas\/revistas-metodista\/index.php\/MA\/article\/view\/8326\/6055\">https:\/\/www.metodista.br\/revistas\/revistas-metodista\/index.php\/MA\/article\/view\/8326\/6055<\/a>&gt;. Acesso em: 18 set 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PIANA, Giannino. <em>Sesso e genere\u00a0oltre l\u2019alternativa<\/em>. 9 ago 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.viandanti.org\/website\/sesso-e-genere-oltre-lalternativa\/\">https:\/\/www.viandanti.org\/website\/sesso-e-genere-oltre-lalternativa\/<\/a>&gt;. Acesso em: 4 nov 2019.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PIANA, Giannino. <em>Sesso e genere\u00a0oltre l\u2019alternativa<\/em>. 9 lug. 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.viandanti.org\/website\/sesso-e-genere-oltre-lalternativa\/\">https:\/\/www.viandanti.org\/website\/sesso-e-genere-oltre-lalternativa\/<\/a>&gt;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Defini\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual 2 G\u00eanero: entre estudos e ideologia 3 A discrimina\u00e7\u00e3o e seu enfrentamento 4 Judith Butler e a controv\u00e9rsia sobre g\u00eanero 5 Gestos e palavras do papa Francisco 6 Entre bons e maus caminhos a trilhar Refer\u00eancias 1 Defini\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e orienta\u00e7\u00e3o sexual Tradicionalmente, g\u00eanero \u00e9 definido [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-1786","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-moraletica-teologica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1786","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1786"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1786\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1937,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1786\/revisions\/1937"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1786"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1786"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1786"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}