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{"id":1776,"date":"2019-12-24T15:33:48","date_gmt":"2019-12-24T17:33:48","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1776"},"modified":"2019-12-24T15:33:48","modified_gmt":"2019-12-24T17:33:48","slug":"espiritualidade-cosmica-e-holistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1776","title":{"rendered":"Espiritualidade c\u00f3smica e hol\u00edstica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>1 Religi\u00e3o sem culpas<\/p>\n<p>2 O tempo sem tempo do amor<\/p>\n<p>3 Cosmologias e espiritualidades<\/p>\n<p>4 Do determinismo \u00e0 indetermina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>5 Realidades excludentes e, no entanto, complementares<\/p>\n<p>6 Espiritualidade c\u00f3smica e hol\u00edstica<\/p>\n<p>7 Uma vis\u00e3o hol\u00edstica do real, onde diferen\u00e7a n\u00e3o coincide com diverg\u00eancia<\/p>\n<p>8 Resgate qu\u00e2ntico do sujeito hist\u00f3rico<\/p>\n<p>9 A era da m\u00edstica<\/p>\n<p>10 Espiritualidade na p\u00f3s-modernidade<\/p>\n<p>11 Diafania<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XX, a arte cinematogr\u00e1fica nos introduziu em um novo conceito de tempo. N\u00e3o mais o conceito linear, hist\u00f3rico, que perpassa a B\u00edblia e, tamb\u00e9m, as obras de Aleijadinho ou <em>Sagarana<\/em>, de Guimar\u00e3es Rosa. No filme, predomina a simultaneidade. Suprimem-se as barreiras entre tempo e espa\u00e7o. O tempo adquire car\u00e1ter espacial e, o espa\u00e7o, car\u00e1ter temporal. No cinema, no v\u00eddeo e demais recursos da era imag\u00e9tica, o olhar da c\u00e2mara e do espectador passa, com toda a liberdade, do presente ao passado e, deste, ao futuro. N\u00e3o h\u00e1 continuidade ininterrupta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A TV, cujo advento oficial ocorreu em 1939, levou isso ao paroxismo. Frente \u00e0 simultaneidade de tempos distintos, a \u00fanica \u00e2ncora \u00e9 o aqui-e-agora do (tele)espectador. N\u00e3o h\u00e1 durabilidade nem dire\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel. A linha de fundo da historicidade &#8211; na qual se apoiam o relato b\u00edblico e os paradigmas da modernidade, incluindo um de seus frutos diletos, a psican\u00e1lise &#8211; dilui-se no coquetel de eventos onde todos os tempos se fundem. Elis Regina, Gonzaguinha e Tom Jobim aparecem mortos e, sobre seus caix\u00f5es, os clipes os exibem vivos, interpretando seus \u00eaxitos musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, aos poucos, o horizonte hist\u00f3rico se apaga, como as luzes de um palco ap\u00f3s o espet\u00e1culo. A utopia sai de cena, o que permitiu Fukuyama vaticinar: &#8220;O fim da hist\u00f3ria&#8221; (FUKUYAMA, 1992). Ao contr\u00e1rio do que adverte Co\u00e9let, no <em>Eclesiastes 3<\/em>, n\u00e3o h\u00e1 mais tempo para construir e tempo para destruir; tempo para amar e tempo para odiar; tempo para fazer a guerra e tempo para estabelecer a paz. O tempo \u00e9 agora. E nele se sobrep\u00f5em constru\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o, amor e \u00f3dio, guerra e paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A felicidade, que em si resulta de um projeto temporal, reduz-se ent\u00e3o ao mero prazer instant\u00e2neo derivado, de prefer\u00eancia, da dilata\u00e7\u00e3o do ego (poder, riqueza, proje\u00e7\u00e3o pessoal etc.) e dos &#8220;toques&#8221; sensitivos (\u00f3tico, epid\u00e9rmico, gustativo etc). Ela resulta, supostamente, da soma de prazeres (BETTO; BOFF; CORTELLA, 2016). \u00a0A utopia \u00e9 privatizada. Resume-se ao \u00eaxito pessoal. A vida j\u00e1 n\u00e3o se move por valores e ideais nem se justifica pela nobreza das causas abra\u00e7adas. Basta ter acesso ao consumo que propicia seguran\u00e7a e conforto: o apartamento de luxo, a casa na praia ou na montanha, o carro novo, o kit eletr\u00f4nico de comunica\u00e7\u00f5es (telefone celular, computador etc), as viagens de lazer. Uma ilha de prosperidade e paz imune \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es circundantes de um mundo movido a viol\u00eancia. Enquanto a Igreja prega o C\u00e9u al\u00e9m da vida nesta Terra, o consumismo acena com o C\u00e9u na Terra &#8211; \u00e9 o que prometem a publicidade, o turismo, o novo equipamento eletr\u00f4nico, o banco, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito etc. O novo aforismo p\u00f3s-moderno \u00e9 \u201cconsumo, logo existo\u201d (LIPOVETSKY, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem a f\u00e9 escapa \u00e0 subtra\u00e7\u00e3o da temporalidade. O Reino de Deus deixa de situar-se &#8220;l\u00e1 na frente&#8221; para ser esperado &#8220;l\u00e1 em cima&#8221;. Nessa perspectiva, como mero consolo subjetivo a f\u00e9 \u00e9 reduzida \u00e0 esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o individual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Impelido pelas novas tecnologias da era imag\u00e9tica, agora o tempo est\u00e1 confinado ao car\u00e1ter subjetivo. Experiment\u00e1-lo \u00e9 ter consci\u00eancia t\u00f3pica do presente. Se na Idade M\u00e9dia o sobrenatural banhava a atmosfera que se respirava e, no Iluminismo, era a esperan\u00e7a de futuro que justificava a f\u00e9 no progresso, agora o que importa \u00e9 o presente imediato. Busca-se, avidamente, a eterniza\u00e7\u00e3o do presente. Michael Jackson era eternamente jovem, e multid\u00f5es malham o corpo como quem sorve o elixir da juventude. Morreremos todos saud\u00e1veis e esbeltos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pulverizam-se os projetos, mesmo porque, na cabe\u00e7a de muitos, o tempo \u00e9 c\u00edclico. No mesmo rio corre sempre a mesma \u00e1gua. Outrora, havia namoro, noivado e casamento. Agora, fica-se. Ap\u00f3s anos de casado, pode-se voltar ao tempo de namoro e, de novo, ao de casado. Ganha espa\u00e7o, na cultura ocidental, a cren\u00e7a na reencarna\u00e7\u00e3o. Tudo \u00e9 pass\u00edvel de recome\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Religi\u00e3o sem culpas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A destemporaliza\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia e a desistoriza\u00e7\u00e3o do tempo aliam-se \u00e0 desculpabiliza\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. Este o segredo dos templos eletr\u00f4nicos: n\u00e3o h\u00e1 culpa pessoal ou social. Cercados de anjos por todos os lados, somos amados por um Deus que j\u00e1 n\u00e3o exige mudan\u00e7as ou convers\u00f5es, comunidades e doutrinas. Basta a emo\u00e7\u00e3o de saber-se amado por ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma mesma pessoa vive diferentes experi\u00eancias sem se perguntar por princ\u00edpios morais ou religiosos, pol\u00edticos ou ideol\u00f3gicos. N\u00e3o h\u00e1 pastores e bispos corruptos? N\u00e3o h\u00e1 utopias que resultaram em opress\u00e3o? A TV n\u00e3o mostra o honesto ontem e vigarista hoje fazendo gestos humanit\u00e1rios? Onde reside a fronteira entre o bem e o mal, o certo e o errado, o passado e o futuro? &#8220;Tudo que \u00e9 s\u00f3lido se desmancha no ar&#8221; (ARANTES, 1998).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ar irrespir\u00e1vel desse in\u00edcio de s\u00e9culo, cuja temporalidade fragmenta-se em cortes e dissolv\u00eancias, <em>close-ups<\/em> e <em>flash-backs<\/em>, com muitas nostalgias e poucas utopias. Enquanto as Igrejas tentam chegar \u00e0 modernidade, o mundo naufraga sob os ventos da p\u00f3s-modernidade (LOVELOCK, 1991).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2<\/strong> <strong>O tempo sem tempo do amor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, contudo, algo de positivo nessa simultaneidade, nesse aqui-e-agora que se nos imp\u00f5e como nega\u00e7\u00e3o do tempo. \u00c9 a busca da interioridade. Do tempo m\u00edstico como tempo absoluto. Tempo s\u00edntese\/supress\u00e3o de todos os tempos. <em>Kair\u00f3s<\/em>. Eis que irrompe a eternidade &#8211; eterna idade. Pura frui\u00e7\u00e3o. Onde a vida \u00e9 terna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O per\u00edodo medieval suscitou uma espiritualidade de submiss\u00e3o merit\u00f3ria, baseada na obedi\u00eancia \u00e0queles que representavam Deus no mundo &#8211; papas, reis, abades e pr\u00edncipes. Os crentes viviam enclausurados nesta Terra considerada o centro do Universo (GUITTON, 1992).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A modernidade deslocou o eixo da Terra para o Sol, estabeleceu dist\u00e2ncia entre o ser humano e o conjunto da natureza, e instaurou a espiritualidade da conquista e &#8211; no resgate do classicismo grego &#8211; do her\u00f3i capaz de escalar montanhas atrav\u00e9s dos degraus das virtudes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, a p\u00f3s-modernidade restaura a comunh\u00e3o hol\u00edstica entre o ser humano e a natureza, e nos convida a uma espiritualidade sem media\u00e7\u00f5es institucionais, centrada na subjetividade aberta ao Transcendente (RUMI, 1993). Isso porque descobrimos que n\u00e3o fomos caprichosamente criados pelas m\u00e3os de Jav\u00e9. Somos filhos de s\u00edmios, e o nosso corpo \u00e9 tecido de \u00e1tomos produzidos h\u00e1 13,7 bilh\u00f5es de anos no calor das estrelas. A Terra em que habitamos \u00e9 apenas um diminuto ponto na periferia de uma estrela de quinta grandeza, o Sol &#8211; uma entre as 100 bilh\u00f5es de estrelas que iluminam a Via L\u00e1ctea, gal\u00e1xia que se espalha pelo espa\u00e7o c\u00f3smico em companhia de mais de 200 bilh\u00f5es de gal\u00e1xias semelhantes a ela (BETTO, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estaremos perdidos, sem eira nem beira? Sim, caso busquemos o nosso eixo em algum ponto geogr\u00e1fico, \u201cem Jerusal\u00e9m ou no monte Garizim\u201d, como indagou de Jesus a mulher samaritana (<em>Jo\u00e3o<\/em> 4). E ele respondeu que, agora, trata-se de adorar \u201cem esp\u00edrito e verdade\u201d. A dimens\u00e3o subjetiva (despojamento) e a dimens\u00e3o objetiva (coer\u00eancia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, n\u00e3o h\u00e1 risco de ficarmos perdidos se acreditamos, como disse Santo Agostinho, que \u201cDeus \u00e9 mais \u00edntimo a n\u00f3s do que n\u00f3s a n\u00f3s mesmos\u201d (AGOSTINHO, 2017). E a teoria da relatividade vem em nossa ajuda para precisar que o centro do Universo \u00e9 sempre o ponto em que se encontra o observador. Assim, de uma cosmologia geoc\u00eantrica, passou-se a uma cosmologia helioc\u00eantrica e, agora, vivemos o advento de uma mundivid\u00eancia antropoc\u00eantrica. Isso traz consequ\u00eancias importantes para a espiritualidade. Aquela crian\u00e7a de rua, babenta, raqu\u00edtica, \u00e9 o centro do Universo. E, segundo o Evangelho, morada viva de Deus (<em>Jo\u00e3o<\/em> 14,23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Cosmologias e espiritualidades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez que muda a cosmologia, muda a nossa ideia de mundo, de ser humano e de Deus. Assim ocorreu quando a modernidade abandonou a concep\u00e7\u00e3o geoc\u00eantrica de Ptolomeu para abra\u00e7ar a concep\u00e7\u00e3o helioc\u00eantrica de Cop\u00e9rnico. Michelangelo, em seu afresco no teto da Capela Sistina, bem retratou essa passagem do teocentrismo para o antropocentrismo. Jav\u00e9, coberto de mantos e barbas, estende o dedo ao Ad\u00e3o nu magneticamente atra\u00eddo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra, e Ad\u00e3o se esfor\u00e7a, tamb\u00e9m com o dedo estendido, em n\u00e3o perder contato com a fonte origin\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Deus inef\u00e1vel e pleno de atributos gregos do tomismo cedeu lugar ao Deus amoroso cantado como &#8220;O Amado&#8221; por Teresa de \u00c1vila e Jo\u00e3o da Cruz e, pouco antes, pelo an\u00f4nimo ingl\u00eas de <em>A Nuvem do N\u00e3o-Saber<\/em> (AN\u00d4NIMO, 1998). Como em Elias, o fogo que abalava os alicerces do mundo foi suplantado pela brisa suave (1 <em>Reis<\/em> 19,10-15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, somos contempor\u00e2neos de uma nova mudan\u00e7a de paradigmas cosmol\u00f3gicos. A mec\u00e2nica celeste da f\u00edsica de Newton, que muito bem explica o infinitamente grande, cede lugar \u00e0 teoria da relatividade de Einstein e, sobretudo, \u00e0 f\u00edsica qu\u00e2ntica de Planck, Bohr e Heinseberg, para melhor explicar o infinitamente pequeno. Teilhard de Chardin teria gostado de presenciar a confirma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de suas intui\u00e7\u00f5es quanto ao cora\u00e7\u00e3o do Universo e ao estofo da mat\u00e9ria (BETTO, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Universo, mat\u00e9ria e esp\u00edrito s\u00e3o um s\u00f3 tecido feito de linhas at\u00f4micas, nas quais os m\u00edsticos decifram o desenho do rosto de Deus. \u00c9 <em>le milieu divin<\/em>, o meio divino, centrado no Ponto \u00d4mega, o eixo magn\u00e9tico que banha de energia divina toda a Cria\u00e7\u00e3o (CHARDIN, 1980).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Do determinismo \u00e0 indetermina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os paradigmas da modernidade sustentam-se na filosofia de Descartes e na f\u00edsica de Newton. Racionalismo e determinismo seriam as chaves para se chegar ao conhecimento cient\u00edfico, livre de interfer\u00eancias subjetivas, preconceitos e supersti\u00e7\u00f5es. Levada ao paroxismo, a mec\u00e2nica cl\u00e1ssica &#8211; que descreve as leis determin\u00edsticas que regem o macrocosmo &#8211; sugeriu ao pensamento marxista a ideia, tida como inelut\u00e1vel e cient\u00edfica, de que o determinismo hist\u00f3rico regeria as sociedades para formas mais perfeitas de conviv\u00eancia humana. Assim, o materialismo hist\u00f3rico explicaria o avan\u00e7o do feudalismo ao capitalismo e, deste, ao socialismo, sem ind\u00edcios de retrocessos substanciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, o Muro de Berlim caiu tamb\u00e9m sobre essa transposi\u00e7\u00e3o da mec\u00e2nica cl\u00e1ssica \u00e0s ci\u00eancias sociais, soterrando o determinismo hist\u00f3rico e, com ele, os paradigmas que davam uma aparente consist\u00eancia \u00e0 modernidade. Para salvar-nos das hipot\u00e9ticas teorias do caos e do acaso, a formula\u00e7\u00e3o de novos paradigmas deve levar em conta dois par\u00e2metros fundamentais, derivados da f\u00edsica qu\u00e2ntica (que trata do microcosmo ou das part\u00edculas &#8211; <em>quanta<\/em> &#8211; existentes no interior do \u00e1tomo): o<em> princ\u00edpio da indetermina\u00e7\u00e3o ou da incerteza<\/em>, de Werner Heisenberg, e o <em>princ\u00edpio da complementaridade<\/em>, de Niels Bohr (HEISENBERG, 1961).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carteira de identidade qu\u00edmica do \u00e1tomo encontra-se no n\u00famero de pr\u00f3tons contidos em seu n\u00facleo. S\u00e3o eles que determinam a carga el\u00e9trica do n\u00facleo que, por sua vez, fornece o n\u00famero de el\u00e9trons em \u00f3rbita em torno do n\u00facleo. Um \u00e1tomo simples de hidrog\u00eanio possui um \u00fanico pr\u00f3ton &#8211; que \u00e9 tamb\u00e9m o seu n\u00facleo &#8211; cercado por um el\u00e9tron. Os \u00e1tomos mais pesados possuem mais pr\u00f3tons e n\u00eautrons, e tamb\u00e9m mais el\u00e9trons que coroam o n\u00facleo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medir a localiza\u00e7\u00e3o e a trajet\u00f3ria de bilh\u00f5es de part\u00edculas e, com os resultados, prever o movimento dos pr\u00f3tons, \u00e9 f\u00edsica cl\u00e1ssica. Heisenberg pretendeu demonstrar que jamais poderemos conhecer tudo sobre os movimentos de uma part\u00edcula. Mesmo conscientes de que em ci\u00eancia todo resultado \u00e9 provis\u00f3rio, n\u00e3o se pode deixar de admitir que o princ\u00edpio da indetermina\u00e7\u00e3o revolucionou a vis\u00e3o que a f\u00edsica newtoniana tinha do mundo. Agora, a f\u00edsica qu\u00e2ntica desafia a nossa l\u00f3gica. Quando um f\u00f3ton &#8211; que \u00e9 um quantum &#8211; atinge um \u00e1tomo e obriga o el\u00e9tron a passar instantaneamente da \u00f3rbita inferior \u00e0 superior, o el\u00e9tron, qual um acrobata, o faz sem atravessar o espa\u00e7o intermedi\u00e1rio. \u00c9 o que se chama <em>salto qu\u00e2ntico<\/em> que, al\u00e9m de desafio cient\u00edfico, \u00e9 tamb\u00e9m um problema filos\u00f3fico. \u00c9 essa mesma incerteza qu\u00e2ntica que explica a colis\u00e3o de pr\u00f3ton com pr\u00f3ton no seio das estrelas &#8211; o que, \u00e0 luz da f\u00edsica cl\u00e1ssica, parece t\u00e3o imposs\u00edvel quanto um boi voar (ZOHAR, 1991).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 mais f\u00e1cil acreditar no boi voador que acolher sem interroga\u00e7\u00f5es a teoria qu\u00e2ntica. O pr\u00f3prio Einstein, um dos pioneiros desta teoria e que formulou a hip\u00f3tese do f\u00f3ton como quantum de luz, chegou a afirmar que estava intimamente persuadido de que os f\u00edsicos n\u00e3o poderiam se contentar por muito tempo com essa &#8220;descri\u00e7\u00e3o insuficiente da realidade&#8221;. Discordou da interpreta\u00e7\u00e3o probabil\u00edstica da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica. S\u00f3 que, em geral, a insufici\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 na natureza, e sim em nossas cabe\u00e7as, o que n\u00e3o significa que possamos alimentar a pretens\u00e3o de penetrar todos os segredos da natureza. Mo\u00e7a pudica, ela preservar\u00e1 para sempre certos mist\u00e9rios, como argumenta a Escola de Copenhague ao demonstrar que certos acessos n\u00e3o est\u00e3o permitidos pela pr\u00f3pria natureza (DAVIES, 1994).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, quando Aristarco afirmou, dezessete s\u00e9culos antes de Cop\u00e9rnico, que a Terra gira em torno do Sol, os gregos apelaram para o bom senso e convocaram os nossos sentidos como testemunhas fidedignas de que a Terra n\u00e3o se move, mesmo porque, se tal ocorresse, os habitantes de Atenas seriam atirados pela ventania em dire\u00e7\u00e3o ao Leste, e os atletas de Ol\u00edmpia dariam um salto maior que as pernas. S\u00e9culos depois, a mesma l\u00f3gica foi aplicada, em v\u00e3o, para tentar descartar as teorias de Cop\u00e9rnico e Galileu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Realidades excludentes e, no entanto, complementares <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ruptura decisiva da f\u00edsica qu\u00e2ntica com a f\u00edsica cl\u00e1ssica ocorreu em 1927, quando Heisenberg estabeleceu o <em>princ\u00edpio da indetermina\u00e7\u00e3o<\/em> &#8211; pode-se conhecer a posi\u00e7\u00e3o exata de uma part\u00edcula &#8211; um el\u00e9tron, por exemplo &#8211; ou a sua velocidade, mas n\u00e3o as duas coisas ao mesmo tempo (HEISENBERG, 1961).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imposs\u00edvel saber, simultaneamente, onde um el\u00e9tron se encontra e para onde ele se dirige. Pode-se saber onde ele se encontra, mas jamais captar, ao mesmo tempo, a sua velocidade. Pode-se medir sua trajet\u00f3ria, nunca sua localiza\u00e7\u00e3o exata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa c\u00e2mara \u00famida podemos observar a dire\u00e7\u00e3o na qual um pr\u00f3ton se move, at\u00e9 que ele passe pelo vapor d&#8217;\u00e1gua, quando sua desacelera\u00e7\u00e3o impedir\u00e1 que saibamos onde se encontra. A alternativa \u00e9 irradiar o pr\u00f3ton, tomando uma foto dele, mas a luz ou qualquer outra radia\u00e7\u00e3o usada em fotografia o desviar\u00e1 de sua trajet\u00f3ria, de modo que jamais saberemos qual seria seu percurso se n\u00e3o tivesse sido incomodado pelo cientista-<em>paparazzo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio do que supunha Einstein, Deus parece jogar dados com o Universo. As imut\u00e1veis e previs\u00edveis leis da natureza em sua dimens\u00e3o macrosc\u00f3pica n\u00e3o se aplicam \u00e0 dimens\u00e3o microsc\u00f3pica &#8211; eis a descoberta fundamental da f\u00edsica qu\u00e2ntica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na esfera do infinitamente pequeno, segundo o princ\u00edpio qu\u00e2ntico da indetermina\u00e7\u00e3o, o valor de todas as quantidades mensur\u00e1veis &#8211; velocidade e posi\u00e7\u00e3o, momento e energia, por exemplo &#8211; est\u00e1 sujeito a resultados que permanecem no limite da incerteza. Isso significa que jamais teremos pleno conhecimento do mundo subat\u00f4mico, onde os eventos n\u00e3o s\u00e3o, como pensava Newton, determinados necessariamente pelas causas que os precedem. Todas as respostas que, naquela dimens\u00e3o, a natureza nos fornece, estar\u00e3o inelutavelmente comprometidas por nossas perguntas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa limita\u00e7\u00e3o do conhecimento n\u00e3o estaria atualmente condicionada pelos recursos tecnol\u00f3gicos de que dispomos? N\u00e3o se poderia criar, no futuro, um aparelho capaz de acompanhar o movimento do pr\u00f3ton sem interferir na sua trajet\u00f3ria? A incerteza qu\u00e2ntica n\u00e3o depende da qualidade t\u00e9cnica dos equipamentos utilizados na observa\u00e7\u00e3o do mundo subat\u00f4mico. Esta \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o absoluta (CAPRA, 1996).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo qu\u00e2ntico, a natureza \u00e9, portanto, dual e dial\u00f3gica. Dual, e n\u00e3o dualista, no sentido plat\u00f4nico, mas sim, como ressaltava o f\u00edsico dinamarqu\u00eas Niels Bohr, numa intera\u00e7\u00e3o de complementaridade. Foi tamb\u00e9m em 1927 que Niels Bohr formulou o <em>princ\u00edpio da complementaridade<\/em>. No interior do \u00e1tomo, a mat\u00e9ria apresenta-se com aparente dualidade, ora comportando-se como part\u00edculas, que possuem trajet\u00f3rias bem definidas, ora comportando-se como onda, interagindo sobre si mesma. Ela \u00e9 ser e n\u00e3o ser, a ponto de os f\u00edsicos tomarem emprestado conceitos da espiritualidade oriental para tentar definir os novos dados cient\u00edficos (ZOHAR, 1991).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, no mundo qu\u00e2ntico onda e part\u00edcula n\u00e3o s\u00e3o excludentes, embora o sejam \u00e0 luz de nossa linguagem que ainda n\u00e3o consegue se desprender dos par\u00e2metros da f\u00edsica cl\u00e1ssica. Ao estabelecer o princ\u00edpio da complementaridade, Bohr articulou duas concep\u00e7\u00f5es que, \u00e0 luz da f\u00edsica cl\u00e1ssica, s\u00e3o contradit\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bohr demonstrou que a no\u00e7\u00e3o de complementaridade pode ser aplicada a outras \u00e1reas do conhecimento, como a psicologia, que revela a complementaridade entre raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o; a linguagem (entre o uso pr\u00e1tico de uma palavra e sua defini\u00e7\u00e3o etimol\u00f3gica); \u00e9tica (entre justi\u00e7a e compaix\u00e3o) etc. Em suma, h\u00e1 mais conex\u00f5es do que exclus\u00f5es entre fen\u00f4menos que o racionalismo cartesiano pretende distintos e contradit\u00f3rios. Eis o advento da hol\u00edstica! (BOHR, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se um el\u00e9tron se apresenta ora como onda, ora como part\u00edcula, energia e mat\u00e9ria, <em>Yin<\/em> e <em>Yang<\/em>, isso significa que cessa a autonomia do reino da objetividade: h\u00e1 uma interrela\u00e7\u00e3o entre observador e observado. Desmorona-se, assim, o dogma da imaculada concep\u00e7\u00e3o da neutralidade cient\u00edfica (JAPIASSU, 1975). A natureza responde \u00e0s quest\u00f5es que levantamos. A consci\u00eancia do observador influi na defini\u00e7\u00e3o e, at\u00e9 mesmo, na exist\u00eancia do objeto observado. Entre os dois reina um \u00fanico e mesmo sistema. Olho o olho que me olha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1926, em conversa com Heisenberg, Einstein disse-lhe: &#8220;Observar significa que constru\u00edmos alguma conex\u00e3o entre um fen\u00f4meno e a nossa concep\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno&#8221;. Assim, a f\u00edsica qu\u00e2ntica afirma que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel separar cartesianamente, de um lado, a natureza e, de outro, a informa\u00e7\u00e3o que se tem sobre ela. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, predomina a intera\u00e7\u00e3o entre o observado e o observador. \u00c9 dessa intera\u00e7\u00e3o sujeito-objeto que trata o princ\u00edpio da indetermina\u00e7\u00e3o. E, sobre ele, ergue-se a vis\u00e3o hol\u00edstica do Universo: h\u00e1 uma \u00edntima e indestrut\u00edvel conex\u00e3o entre tudo o que existe &#8211; das estrelas ao sorvete saboreado por uma crian\u00e7a, dos neur\u00f4nios de nosso c\u00e9rebro aos neutrinos no interior do Sol. Meu eu \u00e9 constitu\u00eddo pela mesma energia primordial do Tudo. Portanto, tudo que existe pr\u00e9-existe, subsiste e coexiste (BRAND\u00c3O, 1991).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6<\/strong> <strong>Espiritualidade c\u00f3smica e hol\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os <em>Atos dos Ap\u00f3stolos<\/em>, \u201cnele vivemos, nos movemos e existimos\u201d (17,28). O Deus de Jesus \u00e9 o mesmo Deus criador e libertador. A f\u00edsica qu\u00e2ntica nos permite saber que, no interior do \u00e1tomo, mat\u00e9ria \u00e9 energia e energia \u00e9 mat\u00e9ria. Como percebeu Teihard de Chardin, todo o Universo \u00e9 express\u00e3o sens\u00edvel de uma profunda densidade espiritual (CHARDIN, 1963). \u00a0Toda a mat\u00e9ria que tece o estofo da natureza n\u00e3o passa de energia condensada. N\u00e3o se trata, pois, de ceder ao pante\u00edsmo e crer que todas as coisas s\u00e3o deuses. Melhor o panente\u00edsmo, ou seja, Deus se manifesta em todas as coisas, conforme capta o olhar do m\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez haja uma \u00fanica tristeza, a de n\u00e3o fazer do Amor a \u00fanica religi\u00e3o. O que mais importa? N\u00e3o h\u00e1 nada substancialmente importante al\u00e9m desse movimento ascendente engendrado no \u00fatero da natureza, l\u00e1 onde o caos foi fecundado pela luz, capaz de congregar a mat\u00e9ria infinitesimal e agreg\u00e1-la em quarks, el\u00e9trons, pr\u00f3tons, \u00e1tomos, mol\u00e9culas e c\u00e9lulas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa emerg\u00eancia, t\u00e3o bem celebrada por Teilhard de Chardin em seus textos, torna a natureza gr\u00e1vida de hist\u00f3ria, com seu ventre farto ofertando todas as formas poss\u00edveis de vida, e confirmando a intui\u00e7\u00e3o primordial de que todo o Universo n\u00e3o busca outra coisa al\u00e9m do Amor (CHARDIN, 1962).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o faz diferen\u00e7a se o movimento parte da m\u00f4nada que estremece em contato com a \u00e1gua ou da mulher que geme sob o corpo r\u00edgido do amado. H\u00e1, em todo esse percurso, uma sede insaci\u00e1vel de fus\u00e3o, de comunh\u00e3o, que nos faz sentir uma compulsiva atra\u00e7\u00e3o pela beleza, pela unidade, por tudo isso que nos devolve a harmonia interior e exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o Amor sempre nos escapa, como se quis\u00e9ssemos segurar com as m\u00e3os a \u00e1gua nutriente da fonte. E, ao escapar, abre fissuras em nosso ser e em nossa conviv\u00eancia social. A nostalgia do Amor gera desilus\u00e3o e, com ela, esta forma atenuada de desespero que consiste em querer institucionalizar a fluidez encantadora da vida. J\u00e1 que n\u00e3o podemos voar e nem sabemos apreciar o voo livre dos p\u00e1ssaros, fabricamos gaiolas. Elas cont\u00eam p\u00e1ssaros, mas nos impedem de apreciar a beleza do voo (CARDENAL, 1989).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim ocorre nas rela\u00e7\u00f5es contaminadas pela rotina, onde o dever substitui o prazer e o beijo \u00e9 sempre despedida, nunca encontro. Ou nas Igrejas que acreditam aprisionar nos sacr\u00e1rios a for\u00e7a revolucion\u00e1ria da presen\u00e7a de Jesus. Ora, a pujante ascend\u00eancia da vida rompe necessariamente todos os limites impostos pela raz\u00e3o implac\u00e1vel, ind\u00f3cil frente \u00e0 impossibilidade de produzir, dentro da gaiola, a curva sincronizada do voo que risca de infinito o horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rosto da crian\u00e7a nunca corresponde ao sonho dos pais e n\u00e3o h\u00e1 dois p\u00e3es, feitos pelas mesmas m\u00e3os, com igual sabor. No ato verdadeiramente criativo h\u00e1 um ponto de ruptura com o projeto inicial: \u00e9 quando jorra e se expande o que h\u00e1 de divino em cada criador, n\u00e3o importa se a luz branca que envolve de silente sossego o restaurante <em>La Sirene<\/em>, no tra\u00e7o de Van Gogh, ou o feto que adquire forma no ventre materno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esse salto que tanto assusta a raz\u00e3o institucionalizada (COX, 1974).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos aplicar tais princ\u00edpios \u00e0 hist\u00f3ria das religi\u00f5es. Outrora, n\u00e3o se tinha consci\u00eancia da intera\u00e7\u00e3o entre os fen\u00f4menos da natureza. O mundo era uma realidade fragmentada. A luz do dia se opunha \u00e0s trevas da noite, assim como tempestades e rel\u00e2mpagos, terremotos e vulc\u00f5es eram tidos como manifesta\u00e7\u00f5es da ira dos deuses. Princ\u00edpios antag\u00f4nicos regiam a morada dos vivos. Esse aparente antagonismo entre for\u00e7as contr\u00e1rias da natureza criou o caldo de cultura favor\u00e1vel ao polite\u00edsmo e \u00e0 multiplicidade de divindades gregas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 monote\u00edsta de Abra\u00e3o corresponde a uma nova vis\u00e3o do Universo. Fecha-se o leque. Agora, tudo depende de um princ\u00edpio \u00fanico &#8211; Jav\u00e9. \u00c9 ele o criador de todas as coisas que, atrav\u00e9s de sua palavra, surgem na sucess\u00e3o paradigm\u00e1tica dos sete dias da Cria\u00e7\u00e3o. Na cultura semita, 7 significa &#8220;muitos&#8221;, como o s\u00edmbolo matem\u00e1tico \u221e significa &#8220;infinito&#8221;. Por isso os nossos pecados ser\u00e3o perdoados &#8220;setenta vezes sete&#8230;&#8221; O relato do <em>G\u00eanesis<\/em> preconiza a evolu\u00e7\u00e3o da natureza que a ci\u00eancia constataria muitos s\u00e9culos depois (HAWKING, 1988).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a cren\u00e7a em um Deus \u00fanico e criador nos induza a perceber a correla\u00e7\u00e3o entre todas as coisas criadas, a raz\u00e3o instrumental abriu uma cis\u00e3o entre a natureza e o ser humano. Ao contr\u00e1rio dos povos ind\u00edgenas ainda tribalizados, n\u00e3o vemos a natureza como sujeito, mas como objeto. A <em>Mona Lisa<\/em>, de Leonardo da Vinci, simboliza esse distanciamento do ser humano em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza. Nas pinturas medievais, as figuras humanas aparecem inseridas na paisagem. S\u00fabito, vemos um rosto de mulher, o da <em>Mona Lisa,<\/em> retratada por Leonardo da Vinci, sem que sequer apare\u00e7a o resto do corpo. Inicia-se o processo que desembocaria no <em>Cogito ergo sum<\/em> de Descartes, que rompe os v\u00ednculos que unem mundo interior e mundo exterior. Fora da raz\u00e3o, capaz de desvendar o mundo exterior sem apoiar-se em supersti\u00e7\u00f5es e crendices, n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o, proclamaram os pais da modernidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 Uma vis\u00e3o hol\u00edstica do real, onde diferen\u00e7a n\u00e3o coincide com diverg\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Descartes, o mundo era uma m\u00e1quina, da qual os seres humanos s\u00e3o mestres e propriet\u00e1rios. A f\u00edsica de Newton permitir\u00e1 o conhecimento cient\u00edfico dessa m\u00e1quina, basta desmont\u00e1-la em suas partes constituintes. Francis Bacon dir\u00e1 que devemos &#8220;arrancar pela tortura os segredos da natureza&#8221; (1653). Assim, a ruptura entre um dado da natureza &#8211; o ser humano &#8211; e o conjunto da Cria\u00e7\u00e3o, fez com que se perdesse a apreens\u00e3o qualitativa da natureza, prevalecendo sua dimens\u00e3o quantitativa, mensur\u00e1vel (WEBER, 1991). Deus tornou-se um fabricante de m\u00e1quinas. O Relojoeiro Invis\u00edvel de Newton, capaz de dotar o Universo de leis t\u00e3o l\u00f3gicas quanto o mundo de sociedades t\u00e3o perfeitas como, supostamente, a institui\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o princ\u00edpio da indetermina\u00e7\u00e3o &#8211; que sup\u00f5e o da complementaridade &#8211; h\u00e1 uma intr\u00ednseca conex\u00e3o entre consci\u00eancia e realidade. Assim como se chega \u00e0 plenitude espiritual tamb\u00e9m pela abstin\u00eancia, renunciando ao imp\u00e9rio dos sentidos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender a teoria qu\u00e2ntica sem abdicar do conceito tradicional de mat\u00e9ria como algo s\u00f3lido e palp\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos umbrais desse novo paradigma &#8211; que um dia tamb\u00e9m ser\u00e1 velho &#8211; devemos deixar para tr\u00e1s ideias que, no decorrer de gera\u00e7\u00f5es, foram tidas como universais e imut\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo os pais da teoria qu\u00e2ntica, Heisenberg e Bohr, na esfera subat\u00f4mica, conceitos sensatos como dist\u00e2ncia e tempo, e a divis\u00e3o entre consci\u00eancia e realidade, deixam de existir. De modo que os cientistas s\u00e3o obrigados a abrir m\u00e3o da simetria que tanto os seduz para se dobrarem \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o da natureza, pois quem governa o \u00e1tomo n\u00e3o \u00e9 a mec\u00e2nica newtoniana, mas a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na esfera do infinitamente pequeno, a ci\u00eancia \u00e9 obrigada a ingressar no imprevis\u00edvel e obscuro reino das probabilidades. O <em>princ\u00edpio da indetermina\u00e7\u00e3o<\/em> revoluciona nossa percep\u00e7\u00e3o da natureza e da hist\u00f3ria. E nos faz tomar consci\u00eancia de que, na natureza, a incerteza qu\u00e2ntica n\u00e3o se faz presente apenas nas part\u00edculas subat\u00f4micas. Bilh\u00f5es de anos ap\u00f3s a predomin\u00e2ncia qu\u00e2ntica no alvorecer do Universo, um estranho e inteligente fen\u00f4meno despontaria dotado de imprevisibilidade inerente a seu livre-arb\u00edtrio: os seres humanos (CHARDIN, 1955).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>8 Resgate qu\u00e2ntico do sujeito hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O princ\u00edpio da indetermina\u00e7\u00e3o aplica-se tamb\u00e9m \u00e0 hist\u00f3ria. A liberdade humana \u00e9 um reduto qu\u00e2ntico. Muitas vezes observamos pessoas que poder\u00edamos qualificar de &#8220;part\u00edculas&#8221;, como os pol\u00edticos, e outras que mais parecem &#8220;ondas&#8221;, como os artistas. Em cada um de n\u00f3s essa dimens\u00e3o dual tamb\u00e9m se manifesta, sobrepondo-se, como an\u00e1lise e intui\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o e cora\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia e f\u00e9. Uma express\u00e3o humana tipicamente qu\u00e2ntica \u00e9 o jazz, onde cada m\u00fasico improvisa dentro das leis da harmonia, interpretando com o seu instrumento a sua pr\u00f3pria melodia. N\u00e3o se pode prever exatamente a intensidade e o ritmo de cada improviso e, no entanto, o resultado \u00e9 sempre harm\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 leis ou c\u00e1lculos que prevejam o que far\u00e1 um ser humano, ainda que seja um escravo. L\u00e1 no n\u00facleo central de nossa liberdade &#8211; a consci\u00eancia &#8211; ningu\u00e9m pode penetrar. Nem mesmo \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o da verdade o ser humano pode ser obrigado. Tom\u00e1s de Aquino, que nada entendia de f\u00edsica qu\u00e2ntica, mas muito sabia da condi\u00e7\u00e3o humana, chega a afirmar que \u00e9 &#8220;il\u00edcito at\u00e9 mesmo o ato de f\u00e9 em Cristo feito por quem, por absurdo, estivesse convencido de agir mal ao faz\u00ea-lo&#8221; (LIMA VAZ, 1999).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resgate da liberdade humana pela \u00f3tica qu\u00e2ntica e, por conseguinte, o abandono dos velhos esquemas deterministas, reinstaura o ser humano como sujeito hist\u00f3rico, superando toda tentativa de atomiza\u00e7\u00e3o e real\u00e7ando a sua inter-rela\u00e7\u00e3o com a natureza e com os seus semelhantes. Essa vis\u00e3o hol\u00edstica descarta tamb\u00e9m as tentativas de encarcerar o indiv\u00edduo em um mundo sem hist\u00f3ria, ideais e utopias, restrito aos meios de sobreviv\u00eancia e submisso \u00e0s implac\u00e1veis leis do mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda s\u00edntese incomoda a quem se situa num dos extremos. A reintrodu\u00e7\u00e3o da subjetividade na esfera da ci\u00eancia mexe com bloqueios emocionais arvorados em profundas ra\u00edzes hist\u00f3ricas. Em nome da f\u00e9 &#8211; uma experi\u00eancia subjetiva &#8211; in\u00fameros cientistas, taxados de hereges ou bruxos, foram condenados \u00e0 fogueira da Inquisi\u00e7\u00e3o. Em pleno Renascimento, Giordano Bruno morreu queimado e Galileu viu-se obrigado a retratar-se. Com o Iluminismo, no s\u00e9culo XVIII, os cientistas assumiram a hegemonia do saber e o controle das universidades, identificando criatividade e liberdade com objetividade, e relegando \u00e0 subjetividade tudo que parecesse irracionalidade e intoler\u00e2ncia (EINSTEIN, 1981).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr\u00e1tica, ainda estamos longe do resgate da unidade. No Ocidente, as universidades continuam fechadas a m\u00e9todos de conhecimento e viv\u00eancia simb\u00f3lica como a intui\u00e7\u00e3o, a premoni\u00e7\u00e3o, a astrologia, o tar\u00f4, o I Ching e, no caso da Am\u00e9rica Latina, \u00e0s religi\u00f5es e aos ritos e mitos de origem ind\u00edgena e africana. Tais &#8220;supersti\u00e7\u00f5es&#8221; s\u00e3o ignoradas pelos curr\u00edculos acad\u00eamicos, embora haja te\u00f3logos que leem as m\u00e3os e frequentam terreiros e m\u00e3es-de-santo, bem como professores e alunos que consultam o I Ching, as cartas do Zod\u00edaco e os b\u00fazios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, nas escolas de forma\u00e7\u00e3o religiosa ou teol\u00f3gica ainda n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a atualiza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, nem se olha o c\u00e9u pelas lentes da astronomia ou a intimidade da mat\u00e9ria pelas equa\u00e7\u00f5es qu\u00e2nticas. A pluridisciplinaridade, rumo \u00e0 epistemologia hol\u00edstica, permanece como desafio e meta. Por\u00e9m, h\u00e1 raz\u00f5es para otimismo quando se constata a abertura cada vez maior da cartesiana medicina ocidental \u00e0 acupuntura e o interesse de renomados cientistas pela sabedoria contida nas culturas da \u00cdndia e da China. E h\u00e1 raz\u00f5es para j\u00fabilo quando se l\u00ea na enc\u00edclica socioambiental <em>Laudato Si<\/em>, do papa Francisco, que \u201ctodo o Universo material \u00e9 uma linguagem do amor de Deus, de seu ilimitado carinho para conosco. O Sol, a \u00e1gua, as montanhas, tudo \u00e9 car\u00edcia de Deus\u201d (LS 84).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teologia ensina que h\u00e1 tr\u00eas fontes de revela\u00e7\u00e3o divina: a B\u00edblia, o magist\u00e9rio e a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. O papa Francisco ousa incluir uma quarta, a natureza: \u201cJunto \u00e0 Revela\u00e7\u00e3o propriamente dita, contida na Sagrada Escritura, ocorre uma manifesta\u00e7\u00e3o divina quando brilha o sol e quando cai a noite\u201d (LS 85).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pol\u00edtica fala-se cada vez mais em \u00e9tica e, nas religi\u00f5es, recupera-se a dimens\u00e3o m\u00edstica. A ecologia reumaniza a rela\u00e7\u00e3o entre os seres humanos e a natureza, e as comunica\u00e7\u00f5es reduzem o mundo a uma aldeia global. Resta enfrentar o grande desafio de fazer com que o capital &#8211; na forma de dinheiro, tecnologia e saber &#8211; esteja a servi\u00e7o da felicidade humana, rompendo as barreiras das discrimina\u00e7\u00f5es raciais, sociais, \u00e9tnicas e religiosas. Ent\u00e3o, reencontraremos as veredas que conduzem ao jardim do \u00c9den.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9 A era da m\u00edstica\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andr\u00e9 Malraux sugeriu que o s\u00e9culo XXI seria a era da m\u00edstica. O te\u00f3logo Karl Rahner previu que o homem do futuro ser\u00e1 m\u00edstico, algu\u00e9m que experimenta algo, ou n\u00e3o poder\u00e1 ser religioso. Como dizia Newman, uma f\u00e9 passiva, de heran\u00e7a familiar, corre o risco de desembocar, nas pessoas cultas, em indiferen\u00e7a; nas pessoas simples, em supersti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus se comunica conosco atrav\u00e9s das fontes de sua revela\u00e7\u00e3o e de seu Esp\u00edrito. N\u00f3s nos comunicamos com Deus mediante os sacramentos, a ora\u00e7\u00e3o, a abertura \u00e0 sua gra\u00e7a. Isso \u00e9 religiosidade. Uma comunica\u00e7\u00e3o intensa transforma-se em comunh\u00e3o. Isso \u00e9 m\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus \u00e9, na experi\u00eancia fundante de Elias, uma brisa suave (1 <em>Rs<\/em> 19,10-15). Para Jesus, o Esp\u00edrito divino \u00e9 como o vento que sopra onde quer; ouvimos o seu ru\u00eddo, mas ningu\u00e9m sabe de onde ele vem nem para onde ele vai (<em>Jo <\/em>3,8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espiritualidade \u00e9 fazer a experi\u00eancia desse Ser. Portanto, a espiritualidade exige algo mais do que a ades\u00e3o da intelig\u00eancia \u00e0s verdades reveladas. Exige abertura ao Transcendente e, nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, pr\u00e1tica do amor, inclusive ao inimigo (<em>Mt<\/em> 5,43-44); e, nas rela\u00e7\u00f5es sociais, partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano. Raiz e fruto n\u00e3o podem estar separados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o religiosa oferece-nos um vasto leque de espiritualidades: hindu\u00edsta, judaica, crist\u00e3, isl\u00e2mica; e, dentro do cristianismo, cat\u00f3lica, ortodoxa, protestante; e, dentro do catolicismo, beneditina, franciscana, dominicana, jesu\u00edtica, carmelitana, vicentina etc. O que identifica essas diversas espiritualidades \u00e9 abrir aos seres humanos a possibilidade de transformarem o cora\u00e7\u00e3o de pedra em cora\u00e7\u00e3o de carne, livrarem-se de medos e ego\u00edsmos, tornarem-se melhores, mais compassivos e solid\u00e1rios, despojados dos apegos e das ilus\u00f5es que dificultam uma exist\u00eancia marcada pela preval\u00eancia do espiritual. Por sua vez, o que caracteriza a espiritualidade crist\u00e3 \u00e9 tudo isso centrado no seguimento de Jesus (BETTO, 2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao entrar em uma livraria cat\u00f3lica, encontramos uma se\u00e7\u00e3o de espiritualidade. Ali, estampas exibem fotos de montanhas ao alvorecer, lagos paradis\u00edacos, bosques outonais cobertos de folhas e atravessados por raios dourados do Sol. Assim tamb\u00e9m costumam ser as capas dos livros de espiritualidade crist\u00e3. O que aquelas imagens sugerem \u00e9 que estaremos tanto mais pr\u00f3ximos de Deus quanto mais distantes do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao observar aquelas fotos, penso nos trabalhadores e desempregados que durante anos assessorei na Pastoral Oper\u00e1ria do ABC paulista. A considerar as tribula\u00e7\u00f5es de suas vidas, sempre amea\u00e7adas pela pobreza, s\u00f3 presenteando-os com uma passagem \u00e0 Su\u00ed\u00e7a para que possam se aproximar de Deus&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizmente, aquelas sugest\u00f5es mon\u00e1sticas pouco t\u00eam a ver com o paradigma da espiritualidade crist\u00e3: Jesus de Nazar\u00e9. O que o Evangelho nos comunica est\u00e1 mais pr\u00f3ximo das fotos de Sebasti\u00e3o Salgado. Jesus \u00e9 aquele que viveu a espiritualidade do conflito. A conflitividade marcou toda a sua exist\u00eancia, da fase pr\u00e9-natal, devido \u00e0 desconfian\u00e7a de adult\u00e9rio de Maria, \u00e0 morte como maldito na cruz. Portanto, enganam-se os que buscam uma espiritualidade desencarnada em nome do Verbo encarnado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pautas da espiritualidade de Jesus est\u00e3o muito bem demarcadas no <em>Serm\u00e3o da Montanha<\/em>, em especial nas <em>Bem-Aventuran\u00e7as<\/em>, no cap\u00edtulo 25 de <em>Mateus<\/em>, e nos cap\u00edtulos 13 a 17 de <em>Jo\u00e3o<\/em>. Dois aspectos as caracterizam: a abertura \u00e0queles que necessitam dos dons imprescind\u00edveis \u00e0 vida, e a intimidade com Deus, sobretudo em momentos especialmente reservados para orar a s\u00f3s (<em>Lucas<\/em> 6,12; 9,18). Jesus deixa-se permanentemente desinstalar pelo pr\u00f3ximo e pelo Pai. O Esp\u00edrito de Deus n\u00e3o cabe nos limites geom\u00e9tricos de nossos apegos e projetos, j\u00e1 que, no caminho que conduz de Jerusal\u00e9m a Jeric\u00f3, h\u00e1 sempre algu\u00e9m que requer a nossa mudan\u00e7a de rota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os pedidos que Jesus ouve se resumem a dois: &#8220;Senhor, o que devo fazer para merecer a vida eterna?&#8221; Esta primeira indaga\u00e7\u00e3o jamais sai da boca de um pobre. \u00c9 o que perguntam aqueles que j\u00e1 t\u00eam assegurada a vida terrena &#8211; Nicodemos, Zaqueu, o homem rico e o doutor da lei na par\u00e1bola do Bom Samaritano. A esses Jesus responde com desagrado e ironia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo pedido \u00e9 o que brota da boca dos pobres: Senhor, minha m\u00e3o est\u00e1 seca e preciso trabalhar; minha filha agoniza e a quero viva; meu servo est\u00e1 enfermo e quero v\u00ea-lo com sa\u00fade; meu olho est\u00e1 cego e desejo enxergar etc. A esses, que pedem vida nesta vida, Jesus responde com compaix\u00e3o e carinho. Porque ele veio &#8220;para que todos tenham vida e vida em plenitude&#8221; (<em>Jo<\/em> 10,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10 Espiritualidade na p\u00f3s-modernidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, homens e mulheres da modernidade, somos filhos de pais separados: a cultura semita, n\u00e3o dualista, e a cultura grega, dualista, cujo casamento foi aben\u00e7oado por Santo Agostinho. A leitura da B\u00edblia pelos \u00f3culos gregos favoreceu uma espiritualidade onde a ades\u00e3o a um cat\u00e1logo de verdades predominava sobre a <em>conversio cordis<\/em> e a <em>conversio morum<\/em>: mudan\u00e7a de valores, h\u00e1bitos e atitudes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Plat\u00e3o havia situado as ideias em um mundo \u00e0 parte, avesso \u00e0 nossa sensibilidade. Arist\u00f3teles teve o m\u00e9rito de encarn\u00e1-las no cora\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. N\u00e3o h\u00e1 ideias sen\u00e3o pela porta dos sentidos. Ora, n\u00e3o haveria algo de plat\u00f4nico numa espiritualidade que pretende prescindir dos sentidos? A asc\u00e9tica medieval, influenciada por Plotino, criou o antagonismo entre C\u00e9u e Terra, sobrenatural e natural, corpo e esp\u00edrito e, em consequ\u00eancia, Igreja e mundo. O racionalismo moderno delimitou campos entre o profano e o sagrado, a religi\u00e3o e a pol\u00edtica, a Igreja e o Estado. A Deus o que \u00e9 de Deus, e a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A p\u00f3s-modernidade faz a experi\u00eancia religiosa desbordar dos limites das institui\u00e7\u00f5es religiosas e irromper nos meios cient\u00edficos e pol\u00edticos. O mundo se reencanta, suprimindo as media\u00e7\u00f5es entre o humano e o sagrado. F\u00edsicos buscam \u00e1vidos o que h\u00e1 na mente de Deus, e pol\u00edticos, como Gandhi, Luther King e Mandela, extraem de suas experi\u00eancias e convic\u00e7\u00f5es religiosas a \u00e9tica que norteia suas atividades pol\u00edticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o jogo de busca de Wally, hoje ningu\u00e9m mais d\u00e1 ouvidos ao an\u00fancio de Nietzsche, de que Deus est\u00e1 morto, e todos perguntam: Onde est\u00e1 Deus? (BETTO, 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma multiplicidade de respostas. A Nova Era apressa-se a sugerir movimentos religiosos sem Igrejas, sem mandamentos, sem Deus, bem adequados ao individualismo que marca a sociedade atual. Haveria uma esp\u00e9cie de conspira\u00e7\u00e3o universal, c\u00f3smica, que faz convergir energias positivas atrav\u00e9s da ioga, da medita\u00e7\u00e3o transcendental, da medicina alternativa, da alimenta\u00e7\u00e3o macrobi\u00f3tica. A rela\u00e7\u00e3o entre os seres humanos e a natureza deixa de ser conflitiva; a serenidade favorece o amor; a paz interior torna-se o bem maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso \u00e9 bom, desde que n\u00e3o se caia na cilada do sistema de domina\u00e7\u00e3o, que visa isolar em ilhas de utopias aquelas energias que poderiam convergir para transform\u00e1-lo. Modifico meus h\u00e1bitos, mas n\u00e3o transformo o mundo. Salvo as baleias, mas n\u00e3o me empenho em libertar da fome as crian\u00e7as da \u00c1frica subsaariana. Busco a minha serenidade, sem amea\u00e7ar as estruturas sociais que perpetuam desigualdades e engendram viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema n\u00e3o \u00e9 indiferente a tais manifesta\u00e7\u00f5es. Por isso, procura coopt\u00e1-las. O consumismo ergue shopping-centers com linhas arquitet\u00f4nicas de catedrais estilizadas; transfere os \u00edcones para os objetos de consumo; faz do mercado um templo; e os \u00edndices da Bolsa e as oscila\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar tornam-se os or\u00e1culos que decidem a nossa salva\u00e7\u00e3o ou perdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na falta de utopias e alternativas hist\u00f3ricas, \u00e9 a experi\u00eancia religiosa que imprime sentido \u00e0 vida das pessoas. Ainda que essa experi\u00eancia venha invertidamente contida no valor agregado a uma mercadoria: o carro que me torna mais importante; a roupa de griffe que me faz mais not\u00e1vel; os h\u00e1bitos de consumo que me introduzem no estreito c\u00edrculo dos que, em vida, s\u00e3o canonizados pelo status que desfrutam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A religi\u00e3o, hoje, tem que ser uma elei\u00e7\u00e3o do sujeito, o que implica certa experi\u00eancia. J\u00e1 n\u00e3o se nasce religioso. Adere-se a uma das propostas do mercado da credulidade. Adota-se um estilo de religiosidade deliberadamente sincretista, com elementos oriundos de m\u00faltiplas tradi\u00e7\u00f5es. Converte-se a comunidades capazes de configurar entre si seus sistemas de cren\u00e7as, pr\u00e1ticas, atitudes e ritos, que se constituem no corpo de media\u00e7\u00f5es de cada religi\u00e3o. A era da subjetividade desloca o centro da religi\u00e3o para a experi\u00eancia pessoal &#8211; o que exige o fator m\u00edstico, como personaliza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desafio, agora, \u00e9 resgatar a dimens\u00e3o c\u00f3smica e hist\u00f3rica da revela\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 e romper o dualismo entre Marta e Maria. Nosso Deus n\u00e3o \u00e9 um deus qualquer. Tem marca hist\u00f3rica, curr\u00edculo, \u00e9 o &#8220;Deus de Abra\u00e3o, Isaac e Jac\u00f3&#8221;. \u00c9 o Deus de Jesus e dos ap\u00f3stolos. \u00c9 o Deus criador. Por sua vez, a a\u00e7\u00e3o tem que surgir da contempla\u00e7\u00e3o e a contempla\u00e7\u00e3o abastecer a a\u00e7\u00e3o. &#8220;Marta e Maria devem estar juntas para hospedar o Senhor&#8230;&#8221; (Teresa de \u00c1vila, <em>Moradas<\/em> 4, 12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos que aprender com os m\u00edsticos a relativizar as media\u00e7\u00f5es que nos conduzem \u00e0 uni\u00e3o com Deus. O templo n\u00e3o \u00e9 melhor do que a rua; a vida religiosa n\u00e3o \u00e9 melhor que a profana; a liturgia n\u00e3o \u00e9 melhor que o trabalho; o bosque banhado pelo alvorecer n\u00e3o \u00e9 melhor do que as f\u00e1bricas do ABC paulista. O encontro com Deus n\u00e3o se faz por arroubos ou emo\u00e7\u00f5es piedosas. Faz-se pelo caminho do samaritano, quando damos de comer ao faminto e de beber ao sedento. D\u00e1-se pelo sentido hist\u00f3rico que nos conduz ao l\u00e1 na frente &#8211; o Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11 Diafania<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Identificar o ideal de vida crist\u00e3 com a figura tradicional do m\u00edstico, do anacoreta, do monge, \u00e9 propor ao povo de Deus uma dedica\u00e7\u00e3o ao universo religioso e uma radicalidade asc\u00e9tica incompat\u00edvel com a vida atual, a fam\u00edlia, a profiss\u00e3o. \u00c9 cindir a vida crist\u00e3 entre um pequeno grupo de seletos chamados \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o e os demais, obrigados a contentarem-se com uma vida med\u00edocre. Rahner falava em &#8220;m\u00edstica da cotidianidade&#8221; e &#8220;experi\u00eancia intensa da Transcend\u00eancia&#8221;. J.B. Metz enfatiza a &#8220;m\u00edstica dos olhos abertos&#8221;. Levinas ressaltava o car\u00e1ter \u00e9tico da espiritualidade ao afirmar que &#8220;a voz de Deus \u00e9 o rosto do pr\u00f3ximo&#8221; (RAHNER, 1969).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos, pois, que aprender com Jesus a conciliar a proclama\u00e7\u00e3o do Reino em meio \u00e0 multid\u00e3o e os momentos de intimidade solit\u00e1ria com o Pai. Ora\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o como faces da mesma moeda. Assim, se formos capazes de reconhecer o car\u00e1ter sacramental da natureza e encontrar o tesouro escondido na face daquele que se identificou com os condenados da Terra (<em>Mt<\/em> 25,31), ent\u00e3o teremos encontrado a \u00c1gua Viva que brota de nosso pr\u00f3prio po\u00e7o (BETTO, 2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo o que est\u00e1 dito acima me parece resumido neste texto de <em>A missa sobre o mundo<\/em>, que Teilhard de Chardin escreveu na China, em 1923, no deserto de Ordos:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCristo glorioso, influ\u00eancia secretamente difusa no seio da Mat\u00e9ria e Centro deslumbrante\u00a0em que se ligam todas as fibras in\u00fameras do M\u00faltiplo;\u00a0Pot\u00eancia implac\u00e1vel\u00a0como o Mundo e quente como a Vida; V\u00f3s que tendes a fronte de neve, os olhos de fogo, os p\u00e9s mais irradiantes que o ouro em fus\u00e3o; V\u00f3s cujas m\u00e3os aprisionam as estrelas; V\u00f3s que sois o primeiro e o \u00faltimo, o vivo, o morto e o ressuscitado; V\u00f3s que reunis em vossa unidade todos os encantos, todos os gostos, todas as for\u00e7as, todos os estados: \u00e9 por V\u00f3s que meu ser chama com um desejo mais vasto do que o Universo \u2013 V\u00f3s sois verdadeiramente meu Senhor e meu Deus!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSenhor, encerrai-me no mais profundo das entranhas de vosso Cora\u00e7\u00e3o. E, quando a\u00ed me tiverdes, abrasai-me, purificai-me, inflamai-me, sublimai-me, at\u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o perfeita de vossos gostos, at\u00e9 a mais completa aniquila\u00e7\u00e3o de mim mesmo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cToda minha alegria e meu \u00eaxito, toda a minha raz\u00e3o de ser e meu gosto de viver, meu Deus, est\u00e3o suspensos a essa vis\u00e3o fundamental de vossa conjun\u00e7\u00e3o com o Universo. Que outros anunciem os esplendores de vosso puro Esp\u00edrito! Para mim, dominado por uma voca\u00e7\u00e3o que penetra at\u00e9 \u00e1s \u00faltimas fibras de minha natureza, eu n\u00e3o quero, n\u00e3o posso dizer outra coisa que os in\u00fameros prolongamentos de vosso Ser encarnado atrav\u00e9s da mat\u00e9ria &#8211; jamais poderia pregar sen\u00e3o o mist\u00e9rio de vossa Carne,\u00a0\u00f3 Alma que transpareceis em tudo o que nos rodeia!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAo vosso corpo em toda a sua extens\u00e3o, ao Mundo tornado por vosso poder e por minha f\u00e9 o crisol magn\u00edfico e vivo em que tudo aparece para renascer,\u00a0eu me entrego para dele viver e dele morrer, \u00f3 Jesus!\u201d (CHARDIN, 1994).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos s\u00e9culos antes de Teilhard de Chardin, o ap\u00f3stolo Paulo nos assegurou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00f3pria natureza criada ser\u00e1 libertada do cativeiro da degenera\u00e7\u00e3o em que se encontra, recebendo a gloriosa liberdade outorgada aos filhos de Deus. Sabemos que toda a Cria\u00e7\u00e3o geme e sofre como que dores de parto at\u00e9 o presente dia. E n\u00e3o somente ela, mas igualmente n\u00f3s, que temos os primeiros frutos do Esp\u00edrito, tamb\u00e9m gememos em nosso \u00edntimo, esperando, com ansiosa expectativa, por nossa ado\u00e7\u00e3o como filhos, e a reden\u00e7\u00e3o do nosso corpo.\u201d (<em>Rm<\/em> 8, 21-23).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Frei Betto<\/em> \u00e9(Carlos Alberto Libanio Christo) frade dominicano e escritor, assessor de movimentos pastorais e sociais. Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGOSTINHO, Santo. <em>Confiss\u00f5es<\/em>. S\u00e3o Paulo: Peguin\/Companhia das Letras, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AN\u00d4NIMO, Autor. <em>A nuvem do n\u00e3o-saber<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ARANTES, Paulo Eduardo. Nem tudo que \u00e9 s\u00f3lido se desmancha no ar. <em>Revista Estudos Avan\u00e7ados<\/em>, vol. 12, n\u00famero 34, 1998.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BACON, Francis. <em>A escada do entendimento ou o fio do labirinto.<\/em> <em>Sk\u00e9psis<\/em> 3, 197-203, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BETTO, F. <em>A obra do Artista \u2013 uma vis\u00e3o hol\u00edstica do Universo<\/em>. Rio: Jos\u00e9 Olympio, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Sinfonia universal \u2013 a cosmovis\u00e3o de Teilhard de Chardin<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Um Deus muito humano \u2013 Um novo olhar sobre Jesus. <\/em>S\u00e3o Paulo: Fontanar, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Oito vias para ser feliz.<\/em> S\u00e3o Paulo: Planeta, 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Fome de Deus \u2013<\/em> <em>f\u00e9 e espiritualidade no mundo atual.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paralela, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>F\u00e9 e Afeto \u2013 Sobre vida e pr\u00e1ticas espirituais. <\/em>Petr\u00f3polis: Vozes, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BETTO, Frei; BOFF, Leonardo, CORTELLA, Mario S\u00e9rgio. <em>Felicidade foi-se embora?<\/em> Petr\u00f3polis: Vozes, 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOHR, Nils. <em>F\u00edsica at\u00f4mica e conhecimento humano<\/em>. Rio: Contraponto, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRAND\u00c3O, D\u00eanis M.S. e CREMA, Roberto (org.). <em>O novo paradigma hol\u00edstico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Summus, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CAPRA, Fritjof. <em>O Ponto de Muta\u00e7\u00e3o<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>O Tao da F\u00edsica<\/em>, S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARDENAL, Ernesto. <em>C\u00e2ntico C\u00f3smico<\/em>. Man\u00e1gua: Nueva Nicar\u00e1gua, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CHARDIN, Teilhard de. <em>L\u2019activation de l\u2019\u00e9nergie<\/em>. Paris: Seuil, 1963.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>L\u2019\u00e8nergie humaine<\/em>. Paris: Seuil, 1962.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>Meu Universo e a energia humana. <\/em>S\u00e3o Paulo: Loyola, 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>O fen\u00f4meno humano<\/em>. S\u00e3o Paulo: Herder, 1955.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____.\u00a0<em>\u00a0<\/em><em>Hino do universo:<\/em><b>\u00a0<\/b>a missa sobre o mundo, tr\u00eas hist\u00f3rias no estilo Benson, a pot\u00eancia espiritual da mat\u00e9ria, pensamentos escolhidos por Fernande Tardivel. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COX, Harvey. A <em>festa dos foli\u00f5es<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1974.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DAVIES, Paul. <em>A Mente de Deus, a ci\u00eancia e a busca do sentido \u00faltimo<\/em>. Rio: Ediouro, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>Os Tr\u00eas \u00daltimos Minutos &#8211; conjeturas sobre o destino final do Universo<\/em>. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EINSTEIN, Albert. <em>Como vejo o mundo<\/em>. Rio: Nova Fronteira, 1981 (9\u00aa ed.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>Escritos da maturidade<\/em>. Rio: Nova Fronteira, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Francis_Fukuyama\">FUKUYAMA, Francis<\/a>.\u00a0<em>O fim da hist\u00f3ria e o \u00faltimo homem<\/em>. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">GUITTON, Jean; Bogdanov, Grichka e Igor. <em>Deus e a Ci\u00eancia.<\/em> Rio: Nova Fronteira, 1992<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HAWKING, Stephen W. <em>Uma breve hist\u00f3ria do tempo<\/em>, Rocco: Rio, 1988.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HEISENBERG, Werner. <em>Physique et philosophie \u2013 la sciense moderne em r\u00e9volution<\/em>. Paris: Albin Michel, 1961.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HEISENBERG, Werner. <em>Panghysique et philosophie &#8211; la science moderne en r\u00e9volution<\/em>. Paris: Albin Michel, 1961.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JAPIASSU, Hilton. <em>O mito da neutralidade cient\u00edfica<\/em>. Rio: Imago, s\/d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIMA VAZ, H. C. <em>Escritos de filosofia IV \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c9tica Filos\u00f3fica<\/em> 1. S\u00e3o Paulo: Loyola; 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LIPOVETSKY, Gilles. <em>A felicidade paradoxal \u2013 ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo.<\/em> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LOVELOCK, James. <em>As eras de Gaia<\/em>. Rio: Campus, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OLIVEIRA, Bernardo Jefferson de. <em>Francis Bacon e a fundamenta\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia como tecnologia<\/em>, UFMG, Belo Horizonte, 1965.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PRIGOGINE, Ilya e STENGERS, Isabelle. <em>Entre o tempo e a eternidade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAHNER, Karl. <em>Espiritualidad Antigua y actual<\/em>, em <em>Escritos de teologia<\/em> VII. Madri: Taurus, \u00a01969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RUMI. <em>Fihi-Ma-Fihi &#8211; o livro do interior<\/em>. Rio de Janeiro: Dervish, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">WEBER, Ren\u00e9e. <em>Di\u00e1logos com cientistas e s\u00e1bios \u2013 a busca da Unidade<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ZOHAR, Danah. <em>O Ser Qu\u00e2ntico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Best Seller, 1991.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Religi\u00e3o sem culpas 2 O tempo sem tempo do amor 3 Cosmologias e espiritualidades 4 Do determinismo \u00e0 indetermina\u00e7\u00e3o 5 Realidades excludentes e, no entanto, complementares 6 Espiritualidade c\u00f3smica e hol\u00edstica 7 Uma vis\u00e3o hol\u00edstica do real, onde diferen\u00e7a n\u00e3o coincide com diverg\u00eancia 8 Resgate qu\u00e2ntico do sujeito hist\u00f3rico 9 A era [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-1776","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade-e-formacao-de-cristaos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1776"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1776\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1777,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1776\/revisions\/1777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}