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{"id":1770,"date":"2019-12-22T19:35:54","date_gmt":"2019-12-22T21:35:54","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1770"},"modified":"2019-12-22T19:35:54","modified_gmt":"2019-12-22T21:35:54","slug":"mistica-e-espiritualidade-espiritualidades-na-historia-do-cristianismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1770","title":{"rendered":"M\u00edstica e Espiritualidade \u2013 Espiritualidades na hist\u00f3ria do cristianismo  \u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 As grandes correntes da espiritualidade crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.1 As espiritualidades no cristianismo antigo e medieval<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.2 As espiritualidades da miss\u00e3o na modernidade<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.3 As espiritualidades de comunh\u00e3o na Igreja contempor\u00e2nea <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de percorrer as diferentes etapas e express\u00f5es da espiritualidade crist\u00e3 ao longo da hist\u00f3ria, \u00e9 importante se ater, primeiramente, ao que \u00e9 a espiritualidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A espiritualidade crist\u00e3 \u00e9 uma din\u00e2mica vital que nos coloca em sintonia com a a\u00e7\u00e3o de Deus e nos faz trabalhar de acordo com o Esp\u00edrito de Deus revelado na pessoa de Jesus. Portanto, a espiritualidade crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 algo abstrato, elevado, desencarnado. A espiritualidade \u00e9 um estilo de vida que pode ser visto e verificado em obras muito concretas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, as diferentes espiritualidades s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito de Deus, que est\u00e1 sempre curando as feridas do corpo de Cristo. Os carismas e manifesta\u00e7\u00f5es das espiritualidades s\u00e3o dons de Deus para edificar o corpo de Cristo, que \u00e9 a Igreja. As espiritualidades, no plural, t\u00eam a miss\u00e3o de construir a comunh\u00e3o, e a comunh\u00e3o se realiza em torno das feridas. Em cada \u00e9poca da hist\u00f3ria, surgiram express\u00f5es da espiritualidade crist\u00e3, e todas elas t\u00eam sido respostas aos desafios de cada momento e \u00e0s necessidades do corpo do Senhor ressuscitado na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo como aquela que torna poss\u00edvel o sair de si (ex<em>-tasis<\/em>) e o permanecer unido. O Esp\u00edrito Santo torna poss\u00edvel que o Pai e o Filho se comuniquem e se abram, n\u00e3o s\u00f3 dentro da comunidade divina, mas frente ao homem, ao mundo e ao tempo (MOLTMANN, 1978, p.79). Deus, uno e trino, comunidade de amor, vive o mist\u00e9rio da intera\u00e7\u00e3o entre as pessoas\u00a0 que se necessitam em sua diferen\u00e7a e n\u00e3o se anulam em uma uniformidade nem em uma individualidade est\u00e9ril. Santo Agostinho quis expressar essa fun\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo dentro da comunidade divina como o Amor. Ao falar da Trindade, afirma: \u201cAqui temos tr\u00eas coisas: o Amante, o Amado e o Amor\u201d (AGOSTINHO, 1948, p.529-535 apud FORTE, 1996, p.36); um Pai Amante, um Filho Amado e o v\u00ednculo que os mant\u00eam unidos, o Esp\u00edrito do Amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o do Esp\u00edrito, como tamb\u00e9m a miss\u00e3o do Filho, consiste na glorifica\u00e7\u00e3o de Deus e na liberta\u00e7\u00e3o do mundo. Deus \u00e9 glorificado na liberta\u00e7\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o de toda a cria\u00e7\u00e3o; Ele n\u00e3o quer ser glorificado sem que sua cria\u00e7\u00e3o e a humanidade sejam liberadas ao mesmo tempo (MOLTMANN, 1978, p. 79). Deste modo, esta participa\u00e7\u00e3o na vida de Deus a que nos referimos e o processo de comunh\u00e3o que ela implica s\u00e3o fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo dessa primeira defini\u00e7\u00e3o da espiritualidade a partir da compreens\u00e3o do mist\u00e9rio trinit\u00e1rio, apresentaremos uma aproxima\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria \u00e0s diversas formas de participa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os na vida de Deus, que \u00e9 o que denominamos espiritualidade. Esta participa\u00e7\u00e3o torna as pessoas capazes de entrar na din\u00e2mica vital pr\u00f3pria de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 As grandes correntes da espiritualidade crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As grandes correntes da espiritualidade crist\u00e3 s\u00e3o express\u00f5es da a\u00e7\u00e3o de Deus no meio de seu povo, para responder aos desafios pr\u00f3prios de cada momento hist\u00f3rico. Os carismas s\u00e3o presentes de Deus para a constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o. Nunca s\u00e3o propriedades exclusivas de pessoas ou grupos particulares. Por isso, \u00e9 fundamental conhecer a hist\u00f3ria espec\u00edfica em que cada carisma \u00e9 dado \u00e0 Igreja, para saber a quais necessidades da comunidade respondeu e qual pode ser seu alcance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aproxima\u00e7\u00e3o que queremos oferecer \u00e0 hist\u00f3ria da espiritualidade crist\u00e3 destaca tr\u00eas grandes din\u00e2micas que descobrimos na hist\u00f3ria da Igreja, cada uma delas com uma \u00eanfase particular, mas n\u00e3o exclusiva nem excludente, na rela\u00e7\u00e3o com Deus: atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o (o Pai), na realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o (o Filho) e na constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o (o Esp\u00edrito Santo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma primeira din\u00e2mica, que acentua a busca de Deus na ora\u00e7\u00e3o, na solid\u00e3o, no encontro \u00edntimo e pessoal, pode ser vista de modo mais claro, mas n\u00e3o exclusivo, nas origens da espiritualidade crist\u00e3 e nas escolas da Igreja Antiga e Medieval. Uma segunda din\u00e2mica espiritual, que procura Deus sobretudo na miss\u00e3o e no servi\u00e7o aos mais fracos e mais necessitados de nossa sociedade, \u00e9 mais t\u00edpica das express\u00f5es da espiritualidade moderna. E, finalmente, uma din\u00e2mica que procura Deus sobretudo na constru\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o com os outros seres humanos e com toda a cria\u00e7\u00e3o, mais caracter\u00edstica do per\u00edodo p\u00f3s-Conc\u00edlio Vaticano II.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, estas tr\u00eas express\u00f5es da espiritualidade crist\u00e3 n\u00e3o podem ser entendidas a partir da exclus\u00e3o m\u00fatua, especialmente quando correspondem \u00e0 din\u00e2mica existente entre as pessoas divinas e \u00e0 forma como n\u00f3s podemos participar da vida de Deus. A partir dessa tripla compreens\u00e3o das express\u00f5es da espiritualidade crist\u00e3, vamos propor um caminho pela hist\u00f3ria da espiritualidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.1<\/em><\/strong> <strong><em>As espiritualidades no cristianismo antigo e medieval<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira express\u00e3o da vida espiritual crist\u00e3 tem uma rela\u00e7\u00e3o muito estreita com a prega\u00e7\u00e3o dos ap\u00f3stolos e o que poder\u00edamos chamar de espiritualidade evang\u00e9lica ou apost\u00f3lica, que foi se desenvolvendo em meio \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es da segunda metade do primeiro s\u00e9culo. O fruto dessa experi\u00eancia espiritual e da vida crist\u00e3 dessas comunidades primitivas foram os escritos do Novo Testamento. Esse primeiro desenvolvimento da\u00a0 espiritualidade crist\u00e3 propunha as interpreta\u00e7\u00f5es iniciais do que significa seguir o Senhor e as implica\u00e7\u00f5es para a vida das comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, no segundo e terceiro s\u00e9culos, os padres apost\u00f3licos e apologistas tinham a tarefa de explicar a f\u00e9 crist\u00e3 e a forma como o evangelho deveria ser incorporado \u00e0s culturas grega e romana, no meio das quais o cristianismo nasceu. Essa \u00e9poca tamb\u00e9m foi marcada pelas persegui\u00e7\u00f5es e pelo mart\u00edrio. Al\u00e9m disso, deve-se ter em mente que se tratava de uma proposta de vida de f\u00e9 que estava lentamente abrindo caminho em meio a comunidades simples no contexto do mundo mediterr\u00e2neo. No entanto, o crescimento cont\u00ednuo do cristianismo nesses anos deveu-se, sem a menor d\u00favida, \u00e0s radicais exig\u00eancias que supunha o seguimento. Esta realidade paradoxal foi reconhecida no ditado popular que afirma: \u201cSangue dos m\u00e1rtires, semente de crist\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois dos longos anos de persegui\u00e7\u00e3o e mart\u00edrio, sobretudo ap\u00f3s o Edito de Mil\u00e3o (313), promulgado pelo Imperador Constantino, e a consequente integra\u00e7\u00e3o progressiva dos crist\u00e3os nas estruturas do Imp\u00e9rio romano, muitos crist\u00e3os buscaram, na solid\u00e3o dos desertos, novas formas de viver a f\u00e9 de acordo com as exig\u00eancias evang\u00e9licas. Primeiro de modo individual, com uma vida erem\u00edtica, e mais tarde com uma vida em comum. Os Pais e as M\u00e3es do Deserto acompanharam o caminho de muitos crentes e reuniram suas pr\u00e1ticas em regras que estabeleciam condi\u00e7\u00f5es e modos de encontrar com Deus na ora\u00e7\u00e3o e na vida comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode-se dizer que a era constantiniana n\u00e3o \u00e9 simplesmente um tempo determinado da hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m um modo de ser Igreja no mundo; se desenvolveu uma forma de ser Igreja que se confundia com o poder do Estado; crist\u00e3o passou a ser sobrenome para a economia, a cultura, a pol\u00edtica, a filosofia e para a sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de 313 se iniciam as convers\u00f5es em massa; das pessoas, especialmente das altas classes econ\u00f4micas e intelectuais, e das fam\u00edlias de relev\u00e2ncia pol\u00edtica; foi um tempo de heresias; o esp\u00edrito mundano foi abrindo espa\u00e7o na Igreja, tanto entre os fi\u00e9is como no meio da hierarquia.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA partir do s\u00e9culo IV em diante, abre-se espa\u00e7o para um tremendo contraste em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 etapa anterior da Igreja: durante as persegui\u00e7\u00f5es, se batizavam somente os convertidos; a partir de agora a Igreja ter\u00e1 de converter os batizados\u201d (GOMEZ, 1987, p.168).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale a pena recordar, aqui, um texto de Hil\u00e1rio de Poitiers (c. 315-367), escrito na \u00e9poca do imperador Const\u00e2ncio, filho de Constantino, que indica a armadilha que o Imp\u00e9rio colocou para a vida crist\u00e3:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oh Deus todo poderoso, quem me dera que o Senhor tivesse me concedido viver nos tempos de Nero ou de D\u00e9cio\u2026! Pela miseric\u00f3rdia de Nosso Senhor Jesus Cristo, Seu Filho, eu n\u00e3o teria medo dos tormentos, sabendo que Isa\u00edas havia sido mutilado\u2026 Eu teria me considerado feliz ao lutar contra seus inimigos declarados, j\u00e1 que em tais casos n\u00e3o haveria d\u00favida sobre aqueles que incitaram a renegar\u2026 Mas agora temos que combater um perseguidor insidioso, contra um inimigo enganador, contra o anticristo Const\u00e2ncio. Este nos apunhala pelas costas, mas nos acaricia o ventre. N\u00e3o confisca nossos bens, dando-nos assim a vida, mas nos enriquece para a morte. N\u00e3o nos joga na cadeia, mas nos honra em seu pal\u00e1cio para sermos escravizados. N\u00e3o rasga nossa carne, mas destr\u00f3i nossa alma com seu ouro. N\u00e3o nos amea\u00e7a publicamente com a fogueira, mas nos prepara sutilmente para o fogo do inferno. N\u00e3o luta, pois tem medo de ser vencido. Ao contr\u00e1rio, bajula para poder reinar. Confessa Cristo para neg\u00e1-lo. Ele trabalha a unidade para sabotar a paz. Reprime as heresias para destruir os crist\u00e3os. Honra os sacerdotes para que n\u00e3o haja bispos. Ele constr\u00f3i igrejas para demolir a f\u00e9. Em todos os lugares ele carrega o seu nome nos l\u00e1bios e em seus discursos, mas ele faz absolutamente tudo o que pode para que ningu\u00e9m acredite que Voc\u00ea \u00e9 Deus. (\u2026) \u00a0Seu g\u00eanio supera o do diabo, com um triunfo novo e in\u00e9dito: consegue ser perseguidor sem fazer m\u00e1rtires. (DE POITIERS, PL 10, p. 580-581, apud G\u00d3MEZ, 1987, p. 170)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, acontece o movimento de <em>fuga mundi<\/em>, que levou milhares de crist\u00e3os aos desertos. Este modo de vida foi sistematizado a partir da <em>Vita Antonii<\/em> (c. 360), escrita por Santo Atan\u00e1sio e, em seguida, por figuras como Santo Agostinho (354-430), Cassiano (c. 360-435), o pseudo Dion\u00edsio (s\u00e9culos V e VI) e S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno (540-604). Mas talvez a s\u00edntese mais completa da proposta mon\u00e1stica seja a de S\u00e3o Bento (480-547), autor de uma regra para os seus monges, que se espalhou por toda a Europa como um modo de vida e como um caminho espiritual que tem o \u00fanico prop\u00f3sito da busca de Deus (S\u00c3O BENTO, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento exato que indica a passagem da Antiguidade para a Idade M\u00e9dia \u00e9 uma discuss\u00e3o que n\u00e3o foi definitivamente resolvida, comumente entendida como um processo que ocorreu desde a segunda metade do s\u00e9culo V e o in\u00edcio do VI, particularmente a partir da queda do \u00faltimo imperador romano do Ocidente, R\u00f4mulo Augusto, deposto pelos alem\u00e3es no ano 476. Esta transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Europa, que seguiu\u00a0\u00e0 queda do Imp\u00e9rio Romano no Ocidente, foi acompanhada por processos culturais, sociais e religiosos que foram interpretados como o in\u00edcio da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As express\u00f5es da espiritualidade crist\u00e3 nesse per\u00edodo foram uma continuidade do caminho da vida mon\u00e1stica. Manteve-se a tradi\u00e7\u00e3o segundo a qual homens e mulheres buscavam um encontro cada vez mais profundo com Deus atrav\u00e9s da conviv\u00eancia, do trabalho, da vida austera e, acima de tudo, da ora\u00e7\u00e3o em comum. Consequentemente, ao longo deste per\u00edodo, que para alguns se estende at\u00e9 o s\u00e9culo XV, houve muitos destaques na espiritualidade crist\u00e3, mas vale a pena\u00a0mencionar\u00a0os processos mission\u00e1rios na Irlanda (s\u00e9c. V) e Inglaterra (s\u00e9c. VI), e os movimentos de renova\u00e7\u00e3o do monacato, como o que aconteceu em Cluny (s\u00e9culo X).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais tarde, aparecem a figura de Bernardo de Claraval (1091-1153) e a reforma cisterciense, que buscava um novo rigor na viv\u00eancia da Regra de S\u00e3o Bento, dando mais for\u00e7a \u00e0 segrega\u00e7\u00e3o do mundo, \u00e0 solid\u00e3o, ao sil\u00eancio, \u00e0 austeridade na vida pessoal e comunit\u00e1ria e ao trabalho simples. Um s\u00e9culo depois (XII), veio a funda\u00e7\u00e3o da Cartuxa e um renascimento do eremitismo na Europa, insistindo mais na ora\u00e7\u00e3o e ascese pessoais e na pobreza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que em termos hist\u00f3ricos n\u00e3o se tenha conclu\u00eddo o ciclo da Baixa Idade M\u00e9dia, h\u00e1 um fen\u00f4meno que faz pensar em uma nova etapa do caminho espiritual crist\u00e3o. At\u00e9 aqui, o destaque, ainda que n\u00e3o de modo exclusivo, esteve orientado \u00e0 busca de Deus atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e de outras pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas e espirituais, incluindo a vida em comum. A partir do s\u00e9culo XII, com o surgimento dos c\u00f4negos regulares e, logo depois, com a cria\u00e7\u00e3o das ordens mendicantes, no s\u00e9culo XIII, aparece um elemento que vai ocupar o centro da espiritualidade crist\u00e3: a miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.2 <\/strong><strong>As espiritualidades da miss\u00e3o na modernidade<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reforma gregoriana iniciada na passagem do mil\u00eanio produziu, entre outras coisas, um processo de renova\u00e7\u00e3o da vida do clero e da vida mon\u00e1stica, que j\u00e1 destacamos. Esse processo teve como efeito uma transforma\u00e7\u00e3o na vida da Igreja e dos c\u00e2nones regulares que conjugaram, de forma in\u00e9dita, a vida mon\u00e1stica e o minist\u00e9rio clerical, buscando a presen\u00e7a de uma f\u00e9 mais aberta no mundo. Junto a essa novidade no caminho espiritual crist\u00e3o est\u00e1 o nascimento das ordens mendicantes, que s\u00e3o um desenvolvimento desta din\u00e2mica espiritual que busca sair da clausura do monast\u00e9rio para viver em meio \u00e0 sociedade, atendendo suas necessidades mais urgentes. As ordens mendicantes t\u00eam como caracter\u00edsticas uma vida de pobreza pessoal e comunit\u00e1ria, uma atividade apost\u00f3lica ou mission\u00e1ria, uma vida fraterna menos estruturada e uma maior mobilidade, o que contrasta com a estabilidade da vida mon\u00e1stica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As escolas franciscana, dominicana e carmelita s\u00e3o as mais conhecidas e representam uma novidade que modifica a din\u00e2mica espiritual crist\u00e3. N\u00e3o se pode perder de vista que o nascimento dessas ordens religiosas ocorreu sem que as formas de vida mon\u00e1stica e as espiritualidades que as alimentavam deixassem de existir. As novas formas de vida e de busca de Deus, agora mais centradas na miss\u00e3o, abrem caminho em meio a um mundo que tamb\u00e9m foi se modificando, em dire\u00e7\u00e3o a uma sociedade menos rural e mais centrada nas aldeias que foram surgindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa fase da hist\u00f3ria surgiram tamb\u00e9m as ordens militares, os Cavaleiros de Malta, a Ordem dos Cavaleiros Teut\u00f4nicos, a Ordem dos Templ\u00e1rios e dos Cavaleiros do Santo Sepulcro. Da mesma forma, surgiram ordens hospitalares, como a da Sant\u00edssima Trindade e a dos Merced\u00e1rios. Todas elas, com a inten\u00e7\u00e3o de responder \u00e0s necessidades de sua \u00e9poca, para as quais n\u00e3o havia resposta dentro da Igreja a partir da perspectiva da espiritualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A din\u00e2mica de transforma\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural deste per\u00edodo propiciou uma maior comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas, criando propaga\u00e7\u00e3o maior das devo\u00e7\u00f5es populares e das associa\u00e7\u00f5es de crentes, em torno de projetos comuns, ordens terceiras, irmandades, gr\u00eamios, associa\u00e7\u00f5es e movimentos espirituais com maior autonomia frente \u00e0s grandes institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas. Os leigos se tornaram independentes dos mosteiros, par\u00f3quias e conventos e buscaram novas fontes de alimento espiritual. Nesse tempo, movimentos como os begardos, as beguinas, os Irm\u00e3os do Esp\u00edrito Livre e outras formas de vida espiritual floresceram sob a prote\u00e7\u00e3o dos religiosos das novas ordens mendicantes. Pelo seu esp\u00edrito independente e seu afastamento de fontes cl\u00e1ssicas da vida espiritual, alguns destes movimentos se tornaram suspeitos de heresia e foram condenados pela Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve-se notar, nesse per\u00edodo, a contribui\u00e7\u00e3o da escola renano-flamenga, com figuras como os dominicanos Eckhart (c. 1260-1327), Taulero (c. 1300-1361) e Suso (c. 1295-1365), que viveram e sistematizaram experi\u00eancias espirituais muito profundas que serviram de guia para a busca de um povo simples. Essa escola, unida \u00e0 figura de Jo\u00e3o de Ruysbroek (1293-1382), deu origem ao que se conhece como a <em>Devotio Moderna, <\/em>que \u00e9 \u201cuma reinterpreta\u00e7\u00e3o de toda a vida crist\u00e3 no meio desse contexto de rupturas com tudo o que havia constitu\u00eddo a estrutura da cristandade medieval\u201d (G\u00d3MEZ, 1987, p.28-29). Essa corrente renovadora da espiritualidade propunha \u00eanfase maior na pr\u00e1tica das virtudes, chegando a apresentar uma ruptura entre a vida de piedade e a teologia. O caminho em dire\u00e7\u00e3o a Deus n\u00e3o era a reflex\u00e3o te\u00f3rica, mas a vida de penit\u00eancia e caridade pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos destacar como caracter\u00edsticas da <em>Devotio Moderna<\/em> a grande import\u00e2ncia que \u00e9 dada \u00e0 interioridade, que faz com que se desenvolva uma piedade mais privada e subjetiva e se rechace o sacramental e o lit\u00fargico; a solid\u00e3o, o sil\u00eancio e o desprezo do mundo s\u00e3o mais importantes. Frente a uma tend\u00eancia mais racional e especulativa, a <em>Devotio Moderna<\/em> desenvolve o aspecto afetivo e d\u00e1 mais relev\u00e2ncia ao que vem do \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d. Ao buscar a proximidade com Deus, leva-se em considera\u00e7\u00e3o a vontade, o cora\u00e7\u00e3o e a devo\u00e7\u00e3o, e menos a reflex\u00e3o e a raz\u00e3o. Neste sentido, a ascese \u00e9 fundamental; valoriza-se mais o esfor\u00e7o da vontade do que a a\u00e7\u00e3o direta da gra\u00e7a, que faz com que a <em>Devotio Moderna <\/em>desenvolva um moralismo pr\u00e1tico. Por outro lado, concentram-se na medita\u00e7\u00e3o das virtudes e exemplos de Jesus, tal como se encontram em uma leitura simples (e sens\u00edvel) dos Evangelhos. Da\u00ed a import\u00e2ncia e centralidade da \u201cimita\u00e7\u00e3o de Cristo\u201d como um modelo da vida do crente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguindo os passos desta proposta de espiritualidade popular, espalhada por toda a Europa, acontece na Espanha um per\u00edodo de grandes reformas, lideradas inicialmente por membros das ordens mendicantes, mas dando lugar, mais tarde, a grandes figuras como In\u00e1cio de Loyola (1491-1556), Juan de \u00c1vila (1499-1569), Teresa de Jesus (1515-1582) e Jo\u00e3o da Cruz (1542-1591). Este per\u00edodo significou um fortalecimento da experi\u00eancia espiritual a partir de uma perspectiva eclesial e mission\u00e1ria em um contexto europeu que vivia o rompimento da Reforma protestante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XVII, o dinamismo da espiritualidade crist\u00e3 esteve centrado na Fran\u00e7a, onde floresceram propostas como a de Francisco Sales (1567-1662), conhecida como o \u201chumanismo devoto\u201d, ou a do cardeal B\u00e9rulle (1575-1629) e alguns de seus seguidores \u2013 \u00a0Jo\u00e3o\u00a0Jacobo Olier (1608-1657), Jo\u00e3o Eudes (1601-1680) e Vicente de Paula \u2013, reconhecidos tamb\u00e9m como representantes da \u201cEscola francesa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um cap\u00edtulo \u00e0 parte poderia ser escrito com o desenvolvimento, durante os s\u00e9culos XVI e XVII, da espiritualidade da Reforma protestante, que tinha sua pr\u00f3pria din\u00e2mica sob a lideran\u00e7a de Martinho Lutero, Jo\u00e3o Calvino e da escola Anglicana, para mencionar apenas os autores mais proeminentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os s\u00e9culos XVIII e XIX permitiram o nascimento de uma espiritualidade iluminista, desenvolvida no ritmo das transforma\u00e7\u00f5es desses s\u00e9culos. Surgiram escolas espirituais que responderam \u00e0s necessidades da juventude, como a de Jo\u00e3o Bosco (1815-1888); da pastoral paroquial, com figuras como Jo\u00e3o Maria Vianney (1786-1859) e Antonio Maria Claret (1807-1870); de fortalecimento dos leigos com uma proposta de contempla\u00e7\u00e3o ativa, como a de Charles de Foucauld (1858-1916); e de um sentido c\u00f3smico de salva\u00e7\u00e3o, como proposto por Teilhard de Chardin (1881-1955).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poder\u00edamos sintetizar a din\u00e2mica da espiritualidade crist\u00e3 desde o final da Idade M\u00e9dia at\u00e9 o fim da era Moderna como uma infinidade de buscas para realizar a miss\u00e3o de Cristo no mundo. A busca por Deus atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o continuou sendo base de todas as propostas, mas a miss\u00e3o de Cristo no meio do mundo tornou-se o centro das buscas espirituais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imposs\u00edvel apontar datas exatas ou momentos espec\u00edficos de mudan\u00e7as hist\u00f3ricas, nem \u00e9 poss\u00edvel dividir os momentos na hist\u00f3ria da espiritualidade crist\u00e3 com precis\u00e3o. Mas, com o Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II, vemos o nascimento de uma nova etapa no desenvolvimento da espiritualidade crist\u00e3, que tentaremos caracterizar para encerrar a s\u00edntese proposta neste texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.3 <\/em><\/strong><strong><em>As espiritualidades de comunh\u00e3o na Igreja contempor\u00e2nea<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Vaticano II centrou seu trabalho na recupera\u00e7\u00e3o das fontes originais da f\u00e9 e, portanto, tamb\u00e9m da espiritualidade. Essas fontes, Palavra de Deus (<em>Dei Verbum<\/em>), a Igreja (<em>Lumen Gentium<\/em>), a liturgia (<em>Sacrosanctum Concilium<\/em>) e a hist\u00f3ria (<em>Gaudium et Spes<\/em>), foram definitivas na configura\u00e7\u00e3o de uma proposta nova no \u00e2mbito espiritual. Poder\u00edamos dizer que o termo que melhor caracteriza esse momento vivido pela espiritualidade crist\u00e3, muito coerente com a din\u00e2mica trinit\u00e1ria que quer\u00edamos seguir nesta escrita, \u00e9 \u201ccomunh\u00e3o\u201d, um termo amplamente utilizado no Novo Testamento como express\u00e3o pr\u00f3pria das primeiras comunidades crist\u00e3s. Nos documentos do Conc\u00edlio Vaticano II, a palavra \u201ccomunh\u00e3o\u201d aparece 112 vezes e o termo \u201ccomunidade\u201d, 183 vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comunh\u00e3o e comunidade se destacam, pois, como conceitos-chave nos ensinamentos do Conc\u00edlio, termos que n\u00e3o se referem a um problema de <em>estrutura<\/em> da Igreja, nem a uma quest\u00e3o <em>administrativa<\/em>, ainda que isso n\u00e3o seja descartado. O que o Conc\u00edlio quer salientar \u00e9 a <em>natureza<\/em> da Igreja, ou, como diz o pr\u00f3prio Conc\u00edlio, o <em>mysterium<\/em> da Igreja. Muda a \u00eanfase de uma eclesiologia mais preocupada com as formas externas da organiza\u00e7\u00e3o eclesial para uma concep\u00e7\u00e3o mais voltada para seu interior, para a sua constitui\u00e7\u00e3o fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta caracter\u00edstica da eclesiologia conciliar, que determina uma nova forma de compreender e viver a espiritualidade, convida a orientar o olhar em tr\u00eas dire\u00e7\u00f5es: a comunh\u00e3o com Deus, a comunh\u00e3o na Igreja e a comunh\u00e3o com toda a cria\u00e7\u00e3o. Por esta raz\u00e3o, as novas express\u00f5es de espiritualidade buscam a participa\u00e7\u00e3o na vida de Deus, condi\u00e7\u00e3o que possibilita a fraternidade entre os homens e com a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez este aspecto eclesiol\u00f3gico de comunh\u00e3o seja o que mais se desenvolveu, tanto nos estudos teol\u00f3gicos do p\u00f3s-Conc\u00edlio, como nas propostas espirituais desse tempo. Um esp\u00edrito de corresponsabilidade foi gerado em todos os n\u00edveis da vida da Igreja: conselhos paroquiais e diocesanos; s\u00ednodos diocesanos e de bispos; confer\u00eancias episcopais, confer\u00eancias de superiores e religiosos; associa\u00e7\u00f5es, movimentos e organiza\u00e7\u00f5es de leigos que buscam um objetivo comum. Essas estruturas facilitaram a participa\u00e7\u00e3o de todos os grupos e minist\u00e9rios da Igreja na tentativa de criar la\u00e7os verdadeiros de comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o estruturas colegiais em que se buscou uma aut\u00eantica participa\u00e7\u00e3o dos leigos, que tinham atividade e iniciativa bastante limitadas nos modelos eclesiais anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A participa\u00e7\u00e3o e a corresponsabilidade tornaram-se a forma mais clara de expressar a prioridade da comunidade no novo modelo eclesial que se desenvolveu a partir do Vaticano II. Tomando as palavras de Jean Marie Tillard, poder\u00edamos dizer que nada escapa ao <em>abra\u00e7o comunit\u00e1rio,<\/em> no qual somos introduzidos atrav\u00e9s do batismo e que tem seu \u00e1pice na eucaristia. A partir do Conc\u00edlio, a comunidade, tanto como express\u00e3o como por seu conte\u00fado, tornou-se um elemento central da teologia e da pr\u00e1tica da Igreja, reavivando, assim, a consci\u00eancia de todo o povo de Deus como sujeito. Isso significou, como j\u00e1 sugerimos, uma transforma\u00e7\u00e3o na forma de compreender a unidade da Igreja, mais preocupada com a comunidade trinit\u00e1ria, em que as diferen\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o eliminadas, mas entendidas como complementos necess\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma express\u00e3o se sobressai, nessa terceira etapa do desenvolvimento da espiritualidade crist\u00e3 contempor\u00e2nea, o movimento pentecostal, que invade as igrejas crist\u00e3s com grande for\u00e7a e muitos elementos em comum. Este movimento \u00a0enfatiza a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na vida do povo e das comunidades, convidando a desenvolver os carismas particulares, que devem atuar na edifica\u00e7\u00e3o do corpo do Senhor. As curas, os exorcismos, os milagres que produzem a for\u00e7a libertadora do Esp\u00edrito e a express\u00e3o alegre da celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica s\u00e3o caracter\u00edsticos deste movimento, que se desenvolve de modo mais percept\u00edvel nos continentes mais empobrecidos como a \u00c1frica, a \u00c1sia e a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A din\u00e2mica espiritual dessa fase final do nosso percurso salienta a busca da comunh\u00e3o com Deus, com os irm\u00e3os e com a cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata apenas de buscar Deus, mas de participar com Ele em sua vida&#8230; n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de realizar muitas a\u00e7\u00f5es de caridade, de continuar a miss\u00e3o do Filho, mas comungar com Ele em sua a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 mais apenas entrar em comunh\u00e3o com Deus e com os outros, mas descobrir a import\u00e2ncia de entrar em comunh\u00e3o tamb\u00e9m com a cria\u00e7\u00e3o, tornando-nos respons\u00e1veis pelo nosso ambiente. A partir dessa perspectiva, abrem-se propostas espirituais que t\u00eam um sentido mais ecum\u00eanico, mais aberto ao di\u00e1logo com outras religi\u00f5es e outras culturas, com destaque especial para os mais vulner\u00e1veis da sociedade, os mais pobres, os marginalizados e rejeitados de nossa sociedade, tornando-nos atentos ao surgimento de novas subjetividades que se convertem em chamadas de Deus para construir a comunh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na inten\u00e7\u00e3o de reconstruir a hist\u00f3ria da espiritualidade crist\u00e3, objetivou-se seguir a din\u00e2mica que se vive no interior da Trindade, entre o Deus-Pai Criador, que est\u00e1 sempre deixando-se buscar pelo ser humano, o Deus-Filho, que se revela na hist\u00f3ria atrav\u00e9s de sua miss\u00e3o, e o Deus-Esp\u00edrito Santo, que constr\u00f3i permanentemente a comunh\u00e3o com Deus, com os outros e com a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos convencidos que esta din\u00e2mica de Deus pode ajudar a entender a hist\u00f3ria da espiritualidade crist\u00e3, mas n\u00e3o pode encerr\u00e1-la de modo definitivo. O Deus que nos busca e que se deixa buscar esteve e estar\u00e1 sempre presente ao longo da hist\u00f3ria que tentamos reunir. O Deus que convida a compartilhar sua miss\u00e3o, especialmente atendendo de modo preferencial os membros mais feridos do corpo de Cristo, sempre necessitar\u00e1 de nosso apoio para continuar essa tarefa imensa de curar os mais fracos e dar vida aos que necessitam. O Deus que constr\u00f3i sempre a comunidade e que nos faz seus instrumentos para realizar a comunh\u00e3o no meio do mundo, com Ele mesmo, com os outros e com toda a cria\u00e7\u00e3o, sempre estar\u00e1 trabalhando em n\u00f3s e conosco nesta obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Herman Rodriguez Ozorio<\/em>, SJ. <em>Pontif\u00edcia Universidade Javeriana.\u00a0Texto original em castelhano<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FELIZ, \u00c1., <em>Las grandes escuelas de espiritualidad<\/em>. Barcelona: Herder, 1963.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">G\u00d3MEZ, J. \u00c1. <em>Historia de la Vida Religiosa<\/em>. V. I: desde los Or\u00edgenes hasta la reforma cluniacense. Madrid: Publicaciones Claretianas, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. <em>Historia de la Vida Religiosa<\/em>. V. 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