
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":1768,"date":"2019-12-22T18:43:12","date_gmt":"2019-12-22T20:43:12","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1768"},"modified":"2021-11-09T20:18:47","modified_gmt":"2021-11-09T23:18:47","slug":"cartas-catolicas-ou-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1768","title":{"rendered":"Cartas cat\u00f3licas ou gerais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Carta de Tiago<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.1 Origem e destinat\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.2 Conte\u00fado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>1.3 Destaques<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Primeira Carta de Pedro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.1 Origem e destinat\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.2 Conte\u00fado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.3 Destaques<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Segunda Carta de Pedro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.1 Origem e destinat\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.2 Conte\u00fado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>3.3 Destaques<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Primeira Carta de Jo\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.1 Origem e destinat\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.2 Conte\u00fado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.3 Destaques<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Segunda Carta de Jo\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Terceira Carta de Jo\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Carta de Judas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>7.1 Origem e destinat\u00e1rios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>7.2 Conte\u00fado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>7.3 Destaques<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<a name=\"_ftnref1\"><\/a><a href=\"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1768#_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os escritos comumente chamados \u201cCartas Cat\u00f3licas\u201d devem seu nome ao voc\u00e1bulo grego\u00a0<em>katholik\u00f3s<\/em>, que significa \u201cuniversal, geral, para todos\u201d, pois na forma recebida no c\u00e2non n\u00e3o se destinam a uma comunidade em particular. As igrejas oriundas da Reforma Protestante preferem cham\u00e1-las de \u201cGerais\u201d \u2013 ou tamb\u00e9m \u201cUniversais\u201d, mas este termo \u00e9 pouco adequado, pois n\u00e3o se dirigem ao mundo universal e sim a ambientes concretos, cuja situa\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rica tem relev\u00e2ncia para a interpreta\u00e7\u00e3o. Por serem escritas em diversos momentos do primeiro s\u00e9culo crist\u00e3o, para ambientes diversificados, elas revelam uma variedade de quest\u00f5es que sensibilizavam as primeiras comunidades e que, muitas vezes, s\u00e3o relevantes ainda hoje. Mostram que, desde suas origens, a teologia crist\u00e3 se concebe como di\u00e1logo aberto e plural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando, no decorrer do segundo s\u00e9culo, os primeiros escritos crist\u00e3os foram progressivamente acolhidos no c\u00e2non do Novo Testamento, essas cartas foram atribu\u00eddas aos ap\u00f3stolos Tiago, Pedro, Jo\u00e3o e Judas (Tadeu). Como \u00e9 o caso de outros escritos b\u00edblicos, a \u201cautoria\u201d significa antes a autoridade \u00e0s quais s\u00e3o atribu\u00eddas do que a autoria t\u00e9cnica. Em quase todas elas encontram-se reflexos do judeu-cristianismo, um cristianismo que n\u00e3o esqueceu a tradi\u00e7\u00e3o de Israel, mas a integrou na ades\u00e3o a Jesus de Nazar\u00e9 como Cristo-Messias e Salvador \u2013 \u00e0 diferen\u00e7a dos \u201cjudaizantes\u201d, que admitiam Jesus como profeta ou taumaturgo, por\u00e9m situavam a salva\u00e7\u00e3o na observ\u00e2ncia da Lei de Mois\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Carta de Tiago<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.1 Origem e destinat\u00e1rios<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora os exegetas em geral n\u00e3o considerem como autor efetivo aquele a quem o escrito \u00e9 atribu\u00eddo pela tradi\u00e7\u00e3o, conv\u00e9m esclarecer quem foi o Tiago a quem a carta \u00e9 atribu\u00edda, porque pode ser um ind\u00edcio de seu ambiente, um judeu cristianismo de l\u00edngua grega tendo conservado os la\u00e7os com a comunidade m\u00e3e de Jerusal\u00e9m (KOESTER, 2005, t.II, p.172-173). A atribui\u00e7\u00e3o a Tiago remete, de fato, ao l\u00edder da primeira comunidade crist\u00e3 em Jerusal\u00e9m (At 1,13; 12,17; 15,13; 21,18; 1Cor 15,7; Gl 1,19; 2,9.12), contado entre os \u201cirm\u00e3os do Senhor\u201d (termo de significado amplo, usado em Mt 12,46-49; 13,55; 28,10; Mc 3,31-35; Lc 8,19-21; Jo 2,12; 7,3-20; At 1,14; 1Cor 9,5; cf. Jo 20,17). Em Mc 6,3, ele \u00e9 mencionado como primeiro dos irm\u00e3os de Jesus, filhos de certa Maria (Maria de Tiago, mencionada como a \u201coutra Maria\u201d em Mt 27,56.61; 28,1). Em Gl 1,19, Paulo o chama explicitamente \u201co irm\u00e3o do Senhor\u201d. Na lista dos ap\u00f3stolos, ele aparece como \u201cTiago (filho) de Alfeu\u201d (Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13). Na forma lucana da lista (Lc 6,15; At 1,13), ele est\u00e1 na vizinhan\u00e7a de \u201cJudas de Tiago\u201d, que seria o Tadeu de Mt 10,3\u2016Mc 3,18. Por isso ele foi identificado com o Tiago mencionado como \u201cirm\u00e3o\u201d de Jesus, ao lado de Judas e Sim\u00e3o, em Mc 6,3. Por\u00e9m, nem todos os estudiosos aceitam a identifica\u00e7\u00e3o do \u201cTiago Menor\u201d de Mc 15,40 com o \u201cTiago de Alfeu\u201d de Mt 10,3\u2016Mc 3,18\u00a0(quest\u00e3o sucintamente tratada em K\u00dcMMEL,1982). De toda maneira, a insist\u00eancia de Mc 15,40.47; 16,1 em mencionar, como testemunha da cruz e do sepulcro vazio, \u201cMaria (m\u00e3e) de Tiago, o Menor\u201d \u2013 a \u201coutra Maria\u201d de Mt 27,61; 28,1 \u2013 parece apontar para o lugar de destaque que esse Tiago ia exercer na comunidade Jerusal\u00e9m. Ele deve certamente ser distinguido de Tiago Maior, filho de Zebedeu, irm\u00e3o de Jo\u00e3o (os Boanerges de Mc 3,17), que morreu em 44 dC por ordem de Herodes Agripa (At 12,2), enquanto Tiago, o chefe da comunidade de Jerusal\u00e9m, morreu em 66 dC, segundo informa\u00e7\u00e3o do historiador judeu Fl\u00e1vio Josefo (1992, p. 465).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos supor que a carta surgiu no ambiente de Jerusal\u00e9m ou do juda\u00edsmo palestino, que mantinha contato com as comunidades da S\u00edria (Damasco, Antioquia). Ao examinar a fundo, percebe-se uma proximidade forte com a mais antiga tradi\u00e7\u00e3o a respeito de Jesus. A Carta de Tiago lembra o Serm\u00e3o da Montanha (Mt 5\u20137) ou da Plan\u00edcie (Lc 6,20-49), a ponto de se pensar que o autor tenha conhecido a cole\u00e7\u00e3o de senten\u00e7as de Jesus usada por Mateus e Lucas, a\u00a0<em>Logienquelle<\/em>\u00a0ou \u201cFonte Q\u201d (cf. VOUGA, 1995, p.18; sobre Q: KLOPPENBORG, 2005). Todavia, essa semelhan\u00e7a pode tamb\u00e9m ser explicada pela mem\u00f3ria viva, pelos contatos dos pregadores e pela tradi\u00e7\u00e3o oral, principal canal de transmiss\u00e3o naquele tempo. Visto o conte\u00fado genuinamente \u201cjesuano\u201d e a forma prof\u00e9tico-sapiencial judaica, a carta parece datar da segunda gera\u00e7\u00e3o crist\u00e3, antes da destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m (70 dC), \u00e0 qual ela n\u00e3o faz alus\u00e3o. Contudo, h\u00e1 quem o situe bem mais tarde, por causa da evolu\u00edda forma liter\u00e1ria (VOUGA, 1995, p.19). A carta cita o Antigo Testamento segundo a tradu\u00e7\u00e3o grega (a Septuaginta) e \u00e9 escrita em grego\u00a0<em>koin\u00e9<\/em>\u00a0fluente, l\u00edngua corriqueira dos judeus na \u201cdi\u00e1spora dos gregos\u201d (Jo 7,35) e tamb\u00e9m em Jerusal\u00e9m, como atestam o letreiro da cruz (Jo 19,20) e a \u201csinagoga dos libertos\u201d, \u00e0 qual pertenciam Est\u00eav\u00e3o e os di\u00e1conos, todos portadores de nomes gregos (At 6,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma obje\u00e7\u00e3o que se faz \u00e0 origem apost\u00f3lica da carta \u00e9 que ela n\u00e3o cont\u00e9m quase nada de especificamente crist\u00e3o. Essa obje\u00e7\u00e3o prov\u00e9m do preconceito que contrap\u00f5e o judaico ao crist\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 essa a mentalidade, por exemplo, da Primeira Carta de Jo\u00e3o, que apresenta ao leitor o \u201cmandamento antigo\u201d, o qual, por\u00e9m, \u00e9 \u201cum mandamento novo, que \u00e9 verdadeiro nele (Cristo) e em v\u00f3s\u201d (1Jo 2,7-8).\u00a0 Ou seja, o cristianismo n\u00e3o \u00e9 o contr\u00e1rio do juda\u00edsmo, mas a sua plenifica\u00e7\u00e3o (poss\u00edvel sentido de Rm 10,4) \u2013 e \u00e9 assim que se deve entender a rela\u00e7\u00e3o entre a antiga e a nova Alian\u00e7a, conforme Jr 31,31-34. Tiago representa a tradi\u00e7\u00e3o da sabedoria judaica, a qual agora se torna crist\u00e3, n\u00e3o por um novo conte\u00fado, mas por um novo esp\u00edrito e uma nova pr\u00e1tica, \u201cem Cristo\u201d (Tg 2,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.2 Conte\u00fado<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 uma carta formal, nem termina com uma f\u00f3rmula de encerramento. A estrutura lembra o livro dos Prov\u00e9rbios: uma cole\u00e7\u00e3o de exorta\u00e7\u00f5es (cap. 1), que nos cap. 2\u20135 s\u00e3o retomadas e aprofundadas, incluindo talvez alguns trechos homil\u00e9ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1,1-27 Sauda\u00e7\u00e3o e temas (exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 const\u00e2ncia na prova\u00e7\u00e3o, ora\u00e7\u00e3o, ouvir e praticar)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2,1\u20135,6 Desenvolvimentos:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>amor fraterno, sem discrimina\u00e7\u00e3o 2,1-13<\/li>\n<li>a f\u00e9 sem as a\u00e7\u00f5es \u00e9 morta 2,14-26<\/li>\n<li>o poder da l\u00edngua 3,1-12<\/li>\n<li>a rivalidade (vs. a sabedoria do alto) 3,13-18<\/li>\n<li>a cobi\u00e7a e a maledic\u00eancia 4,1-12<\/li>\n<li>a autossufici\u00eancia e a riqueza 4,13\u20135,6<\/li>\n<li>5,7-20 Exorta\u00e7\u00f5es finais (5,7-11 retomando o come\u00e7o: a const\u00e2ncia; 5,12-20 juramento, ora\u00e7\u00e3o, corre\u00e7\u00e3o fraterna), sem f\u00f3rmula de encerramento ou sauda\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.3 Destaques<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 F\u00e9 e obras.\u00a0<\/em>Quis-se ver neste texto uma pol\u00eamica entre Tiago e Paulo em torno da quest\u00e3o das \u201cobras\u201d. Tg 2,14-26 ensina que a f\u00e9 sem as obras \u00e9 morta. \u201cComo \u00e9 morto o corpo sem o esp\u00edrito, assim tamb\u00e9m a f\u00e9, sem as obras, \u00e9 morta\u201d (2,26). \u00a0Nesta compara\u00e7\u00e3o, Tiago associa as obras ao esp\u00edrito, mas a f\u00e9, sem as obras, ao cad\u00e1ver. Isso \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 antropologia grega (que op\u00f5e o esp\u00edrito\/a alma ao que \u00e9 material), mas corresponde perfeitamente \u00e0 mentalidade b\u00edblica, para o qual o esp\u00edrito serve para animar o corpo: as obras revelam o dinamismo conferido pelo esp\u00edrito divino \u00e0 pessoa ou \u00e0 comunidade, como na vis\u00e3o de Ezequiel 37. Por\u00e9m, sem o dinamismo das obras inspiradas e dinamizadas por Deus (o \u201cfruto\/produto do Esp\u00edrito\u201d, Gl 5,22), a f\u00e9 que a comunidade confessa torna-se um cad\u00e1ver. Ora, em aparente oposi\u00e7\u00e3o a Tiago, lemos em Paulo que ningu\u00e9m \u00e9 justificado pelas obras, mas sim pela f\u00e9 (Rm 3,20.28; Gl 2,16 etc.). Paulo, por\u00e9m, n\u00e3o fala, nesses textos, das obras inspiradas por Deus, mas do esfor\u00e7o autossuficiente por observar as obriga\u00e7\u00f5es da lei de Mois\u00e9s (em sua interpreta\u00e7\u00e3o estreita), principalmente a circuncis\u00e3o (n\u00e3o mencionada em Tg), como express\u00e3o do humano gloriar-se (k\u00e1ukhesis). De fato, os mesmos judaizantes que, vindos do ambiente de Tiago (Gl 2,12), convenceram Pedro a n\u00e3o ter comunh\u00e3o de mesa com os gentios, instigavam os g\u00e1latas pag\u00e3os a assumirem o prestigioso status dos judeus, mediante a circuncis\u00e3o e a observ\u00e2ncia dos rituais judaicos. Para Paulo, isso s\u00e3o obras da \u201ccarne\u201d, isto \u00e9, da autossufici\u00eancia humana, n\u00e3o do esp\u00edrito da liberdade. Tais obras n\u00e3o tornam ningu\u00e9m justo diante de Deus. Mas quem pela f\u00e9 se entrega a Jesus, morto por amor na cruz, e assume as consequ\u00eancias pr\u00e1ticas disso, \u00e9 declarado justo por Deus e seguir\u00e1 a \u201clei do Esp\u00edrito da vida, em Cristo\u201d (Rm 8,2); e produzir\u00e1, segundo a lei \u00fanica do amor, o fruto que vem do Esp\u00edrito (Gl 5, 14.22-23). Tamb\u00e9m Paulo ensina que \u00e9 justificado quem p\u00f5e a lei em pr\u00e1tica (Rm 2,13) e que \u201ca f\u00e9 atua pelo amor\u201d (Gl 5,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fundo, esses textos de Paulo ensinam a mesma coisa que Tg 2,26. N\u00e3o \u00e9 preciso supor um contato entre Paulo e o autor da carta de Tiago. Escrevem em contextos diferentes. Temos aqui um exemplo interessante de \u201chermen\u00eautica plural\u201d, por\u00e9m, n\u00e3o contradit\u00f3ria. Ambos, \u00e0 maneira dos rabinos, buscam um sentido (<em>derash<\/em>,\u00a0<em>midrash<\/em>) a partir de um importante texto da Tor\u00e1, G\u00eanesis 15,6: \u201cAbra\u00e3o creu no Senhor e isso lhe foi creditado como justi\u00e7a\u201d. Paulo interpreta que Abra\u00e3o foi justificado pela f\u00e9, sem as obras da Lei (Rm 4,3.9.22; Gl 3,6). Tiago diz que Abra\u00e3o foi justificado porque p\u00f4s a f\u00e9 \u00e0 obra, a ponto de querer oferecer seu filho, se tal fosse a vontade de Deus (como acreditava a arcaica religi\u00e3o cananeia). A interpreta\u00e7\u00e3o de Paulo n\u00e3o exclui a de Tiago, ambas se completam. Paulo nega a for\u00e7a salv\u00edfica das prescri\u00e7\u00f5es cultuais da Lei mosaica, principalmente a circuncis\u00e3o (almejada pelos g\u00e1latas pag\u00e3os para se equipararem aos judeus), enquanto Tiago real\u00e7a a pr\u00e1tica \u00e9tica que comprova a obedi\u00eancia \u00e0 palavra de Deus, a verdadeira religiosidade (Tg 1,27), como j\u00e1 fora dito pelos s\u00e1bios do Antigo Testamento (Sr 35,1-2[1-4]).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A\u00a0<em>\u201clei r\u00e9gia\u201d<\/em>\u00a0(2,8), que consiste na primazia do amor fraterno, \u00e9 tamb\u00e9m a \u201clei da liberdade\u201d (2,12). Essas express\u00f5es refletem a expectativa do Reino de Deus e da liberta\u00e7\u00e3o de Israel, j\u00e1 reinterpretadas em sentido crist\u00e3o, dando a entender que esse Reino j\u00e1 est\u00e1 em fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A\u00a0<em>paci\u00eancia, const\u00e2ncia ou firmeza permanente<\/em>\u00a0(1,2-18; 5,7-11). Em imagens sugestivas, tomadas da vida dos santos e dos profetas, da natureza e da vida agr\u00edcola, a carta ensina a const\u00e2ncia na espera da nova vinda do Senhor. De fato, j\u00e1 havia passado muito tempo desde a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, e a espera de sua volta come\u00e7ava a pesar. Tiago ensina a estar sempre pronto para o ju\u00edzo de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A\u00a0<em>sabedoria como dom de Deus\u00a0<\/em>est\u00e1 presente na carta inteira. Em 3,15.17, a \u201csabedoria do alto\u201d \u00e9 contraposta \u00e0 perigosa e, muitas vezes, venenosa orat\u00f3ria humana. A carta reage contra a tend\u00eancia, existente na \u201csinagoga crist\u00e3\u201d, de todos quererem ser mestres. Desde o in\u00edcio ensina a necessidade de pedir a sabedoria (1,5), expondo em seguida seu valor (3,13-18; cf. 1,17). Trata-se da sabedoria pr\u00e1tica, ensinada tamb\u00e9m no Antigo Testamento (J\u00f3, Pr, Ecl, Sr, Sb), mas agora posta sob a luz de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A\u00a0<em>riqueza<\/em>, que torna presun\u00e7oso e, muitas vezes, \u00e9 fruto de injusti\u00e7a (4,13\u20135,6). Por tr\u00e1s dessas admoesta\u00e7\u00f5es e censuras percebemos a estrutura sociol\u00f3gica da(s) comunidade(s) \u00e0s quais a carta \u00e9 dirigida, comunidades da di\u00e1spora, onde se misturam, dentro da popula\u00e7\u00e3o de origem judaica, comerciantes que viajam de cidade em cidade, propriet\u00e1rios que devem ser instados a pagar o devido sal\u00e1rio, e pobres (os que \u201cn\u00e3o tiveram sorte\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Ao falar do\u00a0<em>cuidado dos enfermos<\/em>, o texto real\u00e7a a import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o eclesial, da m\u00fatua\u00a0<em>confiss\u00e3o dos pecados<\/em>\u00a0e da\u00a0<em>corre\u00e7\u00e3o fraterna<\/em>\u00a0(5,13-20). Aqui aparece o valor terap\u00eautico da ora\u00e7\u00e3o e da confiss\u00e3o, o abrir-se diante de Deus na presen\u00e7a de irm\u00e3os e irm\u00e3s, para receber a seguran\u00e7a do perd\u00e3o e a paz da alma, e at\u00e9 a sa\u00fade do corpo (v.15). Est\u00e3o a\u00ed as ra\u00edzes do Sacramento dos Enfermos da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Primeira Carta de<\/strong>\u00a0<strong>Pedro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.1 Origem e destinat\u00e1rios<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 1\u00aa Carta de Pedro \u00e9 dirigida a um ambiente geogr\u00e1fico bem circunscrito: a regi\u00e3o norte da \u00c1sia Menor, hoje Turquia (1,1: Ponto, Gal\u00e1cia, Capad\u00f3cia, Prov\u00edncia \u00c1sia e Bit\u00ednia, regi\u00f5es povoadas com os \u201cb\u00e1rbaros\u201d locais, com os gregos da classe dominante e com os \u201ccolonos\u201d do Imp\u00e9rio Romano; al\u00e9m de outros povos \u2013 judeus, s\u00edrios\u2026). A carta se respalda na autoridade de Pedro, \u201cap\u00f3stolo de Jesus Cristo\u201d (1,1) e chefe da igreja de Roma, talvez j\u00e1 martirizado. Na \u00faltima parte, transparece a rela\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica com as autoridades civis; de modo significativo, o autor assina a carta como se estivesse em Babil\u00f4nia (5,13), codinome de Roma (cf. Ap 17\u201318) e s\u00edmbolo do desterro do povo de Deus (o ex\u00edlio babil\u00f4nico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura do novo povo de Deus no desterro permeia o texto inteiro. N\u00e3o \u00e9 apenas uma lembran\u00e7a do Antigo Testamento ou uma refer\u00eancia \u00e0 verdadeira p\u00e1tria no c\u00e9u (como em Hb 11,14-16).\u00a0 Os crist\u00e3os, em boa parte oriundos do juda\u00edsmo, parecem ser considerados cidad\u00e3os de segunda categoria, estrangeiros residentes (e nem sequer como os outros judeus, dos quais eles v\u00e3o se distanciando). H\u00e1 tamb\u00e9m fi\u00e9is que v\u00eam do paganismo (cf. a alus\u00e3o em 4,3), por\u00e9m conhecedores da mem\u00f3ria e dos s\u00edmbolos de Israel. A esse audit\u00f3rio, a carta apresenta a comunidade crist\u00e3 como um lar para os que n\u00e3o t\u00eam casa na sociedade (ELLIOTT, 1985). Eles constituem a verdadeira casa e povo de Deus, desde que vivam a dignidade do batismo e se sustentem mutuamente pelo amor fraterno, firmes na f\u00e9 e na esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para \u201cresponder a quem pergunta pela raz\u00e3o de sua esperan\u00e7a\u201d (1Pd 3,15), os fi\u00e9is devem mostrar ao mundo a\u00a0<em>diferen\u00e7a crist\u00e3<\/em>, que consiste em esperar a salva\u00e7\u00e3o no nome de Cristo (com tudo o que esse nome implica). N\u00e3o baseiam sua esperan\u00e7a no poder do Imp\u00e9rio ou no bem-estar que a vida no mundo mediterr\u00e2neo lhes poderia oferecer. Dar as raz\u00f5es da esperan\u00e7a em Cristo n\u00e3o consiste em apolog\u00e9tica verbal ou te\u00f3rica, mas na mansid\u00e3o e na recusa da viol\u00eancia, atitude que os torna semelhantes a Cristo, o Servo Sofredor, o justo que sofre pelos injustos, pois \u00e9 melhor sofrer praticando o bem do que fazendo o que \u00e9 mau (3,16-18). A verdadeira apolog\u00e9tica n\u00e3o prov\u00e9m dos argumentos teol\u00f3gicos, mas do exemplo da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.2 Conte\u00fado<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00facleo da carta \u00e9 essencialmente cristoc\u00eantrico: o testemunho crist\u00e3o pela configura\u00e7\u00e3o da vida com o Cristo Servo. A carta evoca inicialmente a dignidade crist\u00e3, recebida no Batismo (pedras vivas, com Cristo como pedra angular: 1,13\u20132,10), para depois aplicar isso \u00e0s diversas situa\u00e7\u00f5es da vida (2,11\u20134,12). Enfim, seguem-se considera\u00e7\u00f5es diversas para a vida em meio ao conflito com a sociedade (4,13\u00ad\u20135,11).<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>1,1-12 Sauda\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as<\/li>\n<li>1,13\u20132,10 O santo estilo de vida como povo e casa de Deus<\/li>\n<li>2,11\u20134,12 A exist\u00eancia crist\u00e3 exemplar no mundo<\/li>\n<li>4,13\u00ad\u20135,11 No meio do conflito com a sociedade<\/li>\n<li>5,12-14 Sauda\u00e7\u00e3o final<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2.3 Destaques<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Estrangeiros no mundo<\/em>. A carta aplica aos leitores os termos que lembram, ao mesmo tempo, os israelitas do Antigo Testamento enquanto migrantes ou estrangeiros (no Egito e na Babil\u00f4nia) e os \u201cestrangeiros residentes\u201d (com deveres, mas sem direitos) nas cidades do Imp\u00e9rio Romano. Esta parece ter sido a realidade sociol\u00f3gica desses crist\u00e3os e tamb\u00e9m sua experi\u00eancia como fi\u00e9is em face de um mundo estranho ao projeto de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<em>A comunidade eclesial \u00e9 povo de Deus e casa de Deus<\/em>, feita com pedras vivas edificadas sobre a pedra angular que \u00e9 Cristo (2,1-10). Para que essas pedras sejam realmente vivas e a casa realmente casa (fam\u00edlia), \u00e9 preciso praticar a fraternidade no dia a dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Essa exist\u00eancia de \u201cestrangeiros residentes\u201d no mundo caracteriza-se pela dignidade e a amabilidade na sociedade e na fam\u00edlia. As \u201ct\u00e1buas dom\u00e9sticas\u201d, em 2,13\u20133,7, ensinam a\u00a0<em>moral p\u00fablica e familiar<\/em>. Aconselha-se a lealdade para com as autoridades humanas (se forem leg\u00edtimas), mas sem diviniza\u00e7\u00e3o. Respeito para todos, com inclus\u00e3o do Imperador, mas para os irm\u00e3os, amor, e para Deus, temor (2,17). Ao Imperador se deve honra como a todos os demais, n\u00e3o adora\u00e7\u00e3o. As mulheres s\u00e3o, como de costume, convidadas a subordinar-se \u00e0 autoridade do marido, mas os maridos t\u00eam tamb\u00e9m deveres de respeito e carinho para com as mulheres (3,1-7). Virtudes semelhantes devem reinar na comunidade dos fi\u00e9is, concebida como uma fam\u00edlia (3,8-12). Isso parece \u201cburgu\u00eas\u201d, mas o esp\u00edrito e as motiva\u00e7\u00f5es apontam mais para uma \u201cestrat\u00e9gia evangelizadora\u201d: dar um exemplo aos gentios (3,12), conquistar o marido para a f\u00e9 (3,1-2), dar as raz\u00f5es de nossa esperan\u00e7a a quem pergunta (3,15); enfim, imitar Cristo, pois nisso consiste a novidade crist\u00e3 (2,21-25; 3,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<em>A perspectiva do fim<\/em>\u00a0(4,7) d\u00e1 for\u00e7a para suportar essa vida \u201cestranha\u201d. Tamb\u00e9m hoje devemos marcar a diferen\u00e7a crist\u00e3, pois n\u00e3o podemos concordar com tudo o que se imp\u00f5e no mundo. Para isso, \u00e9 bom sabermos que nossa realiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende de nosso sucesso neste mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 Segunda Carta de Pedro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.1 Origem e destinat\u00e1rios<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este escrito (2Pd) se apresenta como \u201ca segunda carta que vos escrevo\u201d (3,1). \u00c9 o testamento pastoral de Pedro (o que 2Tm \u00e9 para Paulo). Com a inten\u00e7\u00e3o de corroborar a f\u00e9 na vinda de Cristo, cita o testemunho ocular de Pedro. Os destinat\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o definidos. Preocupado com a reta doutrina e a interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras, inclusive das cartas de Paulo, o texto mostra que, naquele momento, n\u00e3o s\u00f3 o Antigo Testamento, mas tamb\u00e9m as mais antigas partes do Novo j\u00e1 eram consideradas Escritura Sagrada. Muitos consideram a carta bem posterior \u00e0 Primeira Carta de Pedro; pode ser situada por volta do ano 100 dC. Seria, pois, o \u00faltimo escrito da B\u00edblia crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.2 Conte\u00fado<\/em><\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>1,1-2 Sauda\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>1,3-21 A verdade a n\u00f3s transmitida<\/li>\n<li>2,1-22 Os falsos mestres<\/li>\n<li>3,1-16 Des\u00e2nimo e vigil\u00e2ncia: Deus n\u00e3o tarda<\/li>\n<li>3,17-18 Exorta\u00e7\u00e3o final<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de recordar aos destinat\u00e1rios a fidelidade (1,12), a carta mostra que a tradi\u00e7\u00e3o que Pedro representa \u00e9 garantida (1,16-18: ele foi testemunha ocular da gl\u00f3ria de Cristo, quando da Transfigura\u00e7\u00e3o, cf. Mc 9,2-10 e par.). Respaldado por essa autoridade, o autor exige confian\u00e7a nas palavras dos profetas, que se cumpriram em Cristo, pois a profecia \u00e9 inspirada por Deus (1,21). Ora, h\u00e1 quem n\u00e3o respeite as profecias. Usando trechos da Carta de Judas (expurgados de alguns elementos ap\u00f3crifos), o cap. 2 denuncia os falsos profetas que se introduziram na comunidade. Depois, traz \u00e0 mem\u00f3ria as profecias e as palavras do Senhor a respeito de sua nova vinda. Esta \u00e9 a quest\u00e3o central desta carta, escrita no fim do primeiro ou no in\u00edcio do segundo s\u00e9culo dC. H\u00e1 quem desmoralize a comunidade, ensinando que Jesus n\u00e3o voltar\u00e1. A resposta de Pedro \u00e9: diante de Deus, mil anos s\u00e3o como um dia (3,8). A palavra de Jesus n\u00e3o engana: seu dia vem como um ladr\u00e3o (3,10; cf. Mt 24,43-44). Tamb\u00e9m Paulo escreveu isso (3,16, cf. 1Ts 5,2; 1Cor 15 etc.). Os falsos mestres, por\u00e9m, deturpam os escritos de Paulo como deturpam as antigas Escrituras (3,15-16). Estas frases mostram que, para este autor, representante da Igreja de Roma, Paulo j\u00e1 est\u00e1 sendo reconhecido como autoridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>3.3 Destaques<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A quest\u00e3o da\u00a0<em>Parusia<\/em>. A comunidade parece cansada de esperar. Desde a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, durante setenta anos, os crist\u00e3os se firmaram na esperan\u00e7a da volta do Senhor (cf. ainda 1Pd 4,9). Agora, por\u00e9m, alguns come\u00e7am a se cansar e a ironizar. A rea\u00e7\u00e3o de 2Pd consiste em apelar \u00e0 mem\u00f3ria, lembrando as profecias que anunciaram o Messias e o Ju\u00edzo, e recordando o testemunho ocular do ap\u00f3stolo Pedro e os escritos de Paulo. At\u00e9 hoje, esta quest\u00e3o continua objeto de uma hermen\u00eautica aberta. Jesus n\u00e3o voltou no prazo e no modo que imaginavam. Entretanto, muitos textos no Novo Testamento, sobretudo da linha joanina, mostram que Jesus j\u00e1 est\u00e1 presente no meio de n\u00f3s e que, na f\u00e9 e na caridade, j\u00e1 vivemos a vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Ortodoxia e magist\u00e9rio<\/em>. Esta carta, provavelmente o \u00faltimo escrito do Novo Testamento (e da B\u00edblia inteira), mostra a incipiente sistematiza\u00e7\u00e3o da doutrina, bem como o recurso \u00e0 autoridade dos profetas e dos ap\u00f3stolos para garantir sua conserva\u00e7\u00e3o fiel. Fala para todas as igrejas, sem destinat\u00e1rio espec\u00edfico. Corresponde a uma necessidade nova para a Igreja, que est\u00e1 entrando na quarta gera\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is. A \u201cIgreja primitiva\u201d chegou ao fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Primeira Carta de Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.1 Origem e destinat\u00e1rios<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Primeira Carta de Jo\u00e3o (1Jo) n\u00e3o tem forma de carta: faltam-lhe endere\u00e7o e assinatura. Parece uma homilia ou medita\u00e7\u00e3o, divulgada por escrito. Com boas raz\u00f5es, \u00e9 tradicionalmente atribu\u00edda ao autor do Quarto Evangelho. O estilo e o pensamento s\u00e3o altamente semelhantes. Se foi escrita antes, durante ou depois da elabora\u00e7\u00e3o do evangelho n\u00e3o se sabe, mas muitas vezes a carta esclarece em alguns pontos o evangelho, e vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sabemos a que comunidade a carta foi dirigida, mas o conte\u00fado sugere uma situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 das sete igrejas do Apocalipse (Ap 2\u20133). A insist\u00eancia no conhecimento e no discernimento (com frequente uso dos verbos \u201csaber\u201d e \u201cconhecer\u201d), a afirma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia \u201cem carne\u201d de Cristo e a pol\u00eamica contra os que se consideram sem pecado corroboram a hip\u00f3tese de que o autor reage a tend\u00eancias gnosticizantes (KOESTER, 2005. Ver sobre a gnose, o gnosticismo e as tend\u00eancias gnosticizantes no t.1, p.384-90).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fi\u00e9is se perguntam se est\u00e3o em comunh\u00e3o com Cristo e com Deus e, portanto, seguros para o Ju\u00edzo. O autor responde: o verdadeiro conhecimento de Cristo \u00e9 a comunh\u00e3o com ele e com Deus, que se verifica na f\u00e9 e no amor fraterno. F\u00e9 significa crer (no sentido de confiar) que Jesus \u2013 aquele mesmo que viveu \u201cem carne entre n\u00f3s\u201d (1Jo 4,2) \u2013 veio da parte do Pai; e tamb\u00e9m, guardar sua palavra, amando os irm\u00e3os e repartindo com eles os bens deste mundo (3,16-17). Isso se chama: andar na luz. Quem faz isso est\u00e1 seguro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta cont\u00e9m express\u00f5es arrojadas: Deus \u00e9 amor (4,8.16), no amor n\u00e3o h\u00e1 temor (4,18)\u2026 Ao mesmo tempo, \u00e9 l\u00facida: desmascara a conversa fiada dos pretensos impec\u00e1veis (1,6.8), ensina a distinguir os \u201cesp\u00edritos\u201d, ou seja, as inspira\u00e7\u00f5es dos que tomam a palavra na comunidade (4,1-2) e corrobora os leitores na f\u00e9 e na pr\u00e1tica, mostrando que eles t\u00eam, por Jesus e em Jesus, o verdadeiro conhecimento de Deus (4,11-12 etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os advers\u00e1rios mencionados na carta dizem ter o conhecimento de Deus e de Jesus Cristo, mas eles n\u00e3o amam seus irm\u00e3os. Isso, segundo o autor, \u00e9 negar Jesus que veio \u201cem carne\u201d e deu sua vida por n\u00f3s. Ao conhecimento gn\u00f3stico, que concebia Jesus como o Logos (Raz\u00e3o) de Deus, n\u00e3o verdadeiramente humano, a carta op\u00f5e o verdadeiro conhecimento de Deus e de Cristo, insistindo na vinda \u201cem carne\u201d de Jesus (4,2) e no amor em a\u00e7\u00f5es e de verdade (3,18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.2 Conte\u00fado<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A medita\u00e7\u00e3o avan\u00e7a em forma de espiral, voltando sempre aos mesmos temas, com novas varia\u00e7\u00f5es. Podemos real\u00e7ar os principais acentos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abertura: 1,1-4: a Palavra da Vida.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>1,5\u20132,28: a partir do tema da LUZ, o texto aponta os crit\u00e9rios para saber se temos comunh\u00e3o com Deus: a participa\u00e7\u00e3o na luz de Deus, livres do pecado, no amor e na f\u00e9. O amor \u00e9 aqui apresentado sob seu aspecto de \u201cpreceito antigo, por\u00e9m novo em Cristo e em n\u00f3s\u201d (2,3-11).<\/li>\n<li>2,29\u20134,6: aquele que cr\u00ea em Cristo e pratica a JUSTI\u00c7A e o amor-caridade, \u00e9 filho de Deus e conseguir\u00e1 preservar sua f\u00e9 e seu amor pelo \u201cdiscernimento dos esp\u00edritos\u201d. O amor \u00e9 aqui meditado \u00e0 luz de Cristo (3,11-24).<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">III. 4,7\u20135,12: o crit\u00e9rio principal de nossa certeza \u00e9 o AMOR: Deus \u00e9 amor (4,8.16). Cremos neste amor, que \u00e9 o de Cristo, e esta f\u00e9 vence o \u201cmundo\u201d, que \u00e9 o sistema oposto a Cristo (5,1-12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o: 5,13: a inten\u00e7\u00e3o do escrito (5,14-21 \u00e9 uma nota explicativa de alguns t\u00f3picos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.3 Destaques<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A\u00a0<em>cristologia<\/em>. Desde as primeiras linhas, a carta projeta a imagem do Cristo Palavra da Vida, que \u00e9 o Jesus de carne e osso \u201cque nossas m\u00e3os apalparam\u201d (1,1-3). N\u00e3o devemos ler a carta a partir de conceitos gerais ou de um discurso abstrato em torno do amor. O modelo \u00e9 Jesus Cristo na sua exist\u00eancia hist\u00f3rica (\u201ccarne\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A veracidade da\u00a0<em>Encarna\u00e7\u00e3o<\/em>. Os \u201cdocetistas\u201d (do grego\u00a0<em>dokein<\/em>, \u201cparecer\u201d) n\u00e3o aceitavam que Jesus nos tenha salvo e liberto por sua \u201ccarne\u201d, sua exist\u00eancia humana mortal, coroada com gl\u00f3ria na ressurrei\u00e7\u00e3o. Consideravam a humanidade de Jesus como mera apar\u00eancia. Jesus, o \u201cLogos\u201d (Palavra de Deus), seria um esp\u00edrito puro, que se disfar\u00e7ou em apar\u00eancia humana para trazer sua \u201crevela\u00e7\u00e3o\u201d e depois voltar \u00e0 \u00f3rbita celeste. Chegaram a dizer que quem morreu na cruz foi Sim\u00e3o de Cirene! A carta de Jo\u00e3o, bem como seu evangelho, identifica a gl\u00f3ria de Jesus com a cruz. A gl\u00f3ria n\u00e3o se d\u00e1 fora da \u201ccarne\u201d fr\u00e1gil e mortal, mas na carne. \u00c9 na carne que Cristo nos salvou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A\u00a0<em>escatologia<\/em>. \u201c\u00c9 a \u00faltima hora\u201d (1Jo 2,18). O definitivo j\u00e1 come\u00e7ou, embora ainda n\u00e3o se tenha manifestado completamente: \u201cDesde agora somos filhos de Deus, e ainda n\u00e3o se manifestou o que seremos\u201d (1Jo 3,2). O decisivo j\u00e1 est\u00e1 presente e projeta sua luz sobre o nosso agir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A\u00a0<em>eclesiologia<\/em>. Nesta carta n\u00e3o se usa o termo \u201cigreja\u201d, nem se fala em hierarquia, organiza\u00e7\u00e3o etc. O que importa \u00e9 a comunh\u00e3o, que se verifica na m\u00edstica (uni\u00e3o com Deus) e na pr\u00e1tica (amor ao irm\u00e3o). Essa presen\u00e7a da obra de Deus e de Jesus Cristo no meio de n\u00f3s \u00e9 confirmada de num modo que se pode chamar sacramental, pelo testemunho do sangue, da \u00e1gua e do Esp\u00edrito (1Jo 5,7).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<em>O conceito do crist\u00e3o como filho de Deus<\/em>, gerado e nascido de Deus. Na medida em que, desde j\u00e1, \u00e9 filho de Deus (3,1), o crist\u00e3o ama os outros filhos de Deus (5,1), e o pecado j\u00e1 n\u00e3o toma conta dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O\u00a0<em>discernimento crist\u00e3o.<\/em>\u00a0Exprimindo, repetidamente, crit\u00e9rios para nossa vida e salva\u00e7\u00e3o em Cristo (\u201cnisto sabemos\/conhecemos\u201d, 2,5; 3,1.24; 4,10.13, e.o.), a carta ensina uma vida crist\u00e3 consciente (cf. o \u201cdiscernimento dos esp\u00edritos\u201d, 4,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A vida crist\u00e3 como\u00a0<em>atitude permanente e op\u00e7\u00e3o fundamental<\/em>. 1Jo n\u00e3o ensina regras particulares. Ensina a guardar os mandamentos (o amor fraterno, sem entrar em detalhes, 2,3-11) e a discernir a atitude crist\u00e3 fundamental, o \u201cpermanecer em Cristo\u201d, isto \u00e9, em seu ensinamento, em sua comunidade e em sua pr\u00e1tica de vida (cf. Jo 15,1-17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Segunda Carta de Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Segunda Carta de Jo\u00e3o (2Jo) \u00e9 um bilhete de amizade da parte do \u201cAnci\u00e3o\u201d (ou Presb\u00edtero), dirigido a outra comunidade, que ele quer bem e chama de \u201cSenhora Eleita\u201d (t\u00edtulo que se refere \u00e0 elei\u00e7\u00e3o do povo de Deus). O Anci\u00e3o se mostra preocupado com os falsos mestres que se apresentam \u00e0 comunidade com um discurso que n\u00e3o promove a comunh\u00e3o fraterna, nem a pr\u00e1tica da justi\u00e7a. Isso foi denunciado tamb\u00e9m na Primeira Carta de Jo\u00e3o, da qual a Segunda parece ser um resumo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 Terceira Carta de Jo\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Terceira Carta de Jo\u00e3o (3Jo), o \u201cAnci\u00e3o\u201d (o mesmo de 2Jo) escreve a uma pessoa influente da comunidade, Gaio, para que continue a oferecer hospitalidade aos mission\u00e1rios itinerantes, aos quais um certo Di\u00f3trefes p\u00f5e obst\u00e1culos, impondo-se, inclusive, aos demais fi\u00e9is. No fim, o autor louva a atitude de Dem\u00e9trio, possivelmente um desses mission\u00e1rios itinerantes. Como a segunda, tamb\u00e9m esta terceira carta se destaca pelo tom carinhoso com que se dirige aos fi\u00e9is \u201cna verdade\u201d \u2013 termo usado em diversos sentidos. Como a carta de Paulo a Fil\u00eamon, 3Jo \u00e9 um valioso testemunho das rela\u00e7\u00f5es pessoais entre os primeiros crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>7 Carta de Judas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>7.1 Origem e destinat\u00e1rios<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Carta de Judas (Jd) deve ser situada perto da Carta de Tiago, como mostra o sobrescrito: \u201cirm\u00e3o de Tiago\u201d (Tiago Menor, veja Mc 6,3par e a exposi\u00e7\u00e3o sobre Tiago feita anteriormente). Trata-se de \u201cJudas, n\u00e3o o Iscariote\u201d (Jo 14,11). Na lista dos ap\u00f3stolos segundo Lucas (Lc 6,16 e At 1,13), aparece com o nome de \u201cJudas [irm\u00e3o?] de Tiago\u201d, no lugar onde os outros evangelistas trazem o nome de Tadeu (Mc 3,18 e Mt 10,3-4) \u2013 da\u00ed ser chamado de Judas Tadeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A carta se destina aos \u201celeitos, amados em Deus e guardados para Jesus Cristo\u201d em geral (1,1) e cont\u00e9m veemente cr\u00edtica aos \u201c\u00edmpios\u201d que se introduziram sorrateiramente na comunidade e a desmoralizam. Judas usa de toda a for\u00e7a ret\u00f3rica para desmoraliz\u00e1-los, por sua vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>7.2 Conte\u00fado<\/em><\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>1-2 Sauda\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>3-4 Objetivo: combater os \u201cintrusos\u201d<\/li>\n<li>5-16 Os tr\u00eas castigos cl\u00e1ssicos do Antigo Testamento (v. 5-7) devem ser aplicados a eles (v. 8-16)<\/li>\n<li>17-23 Exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade<\/li>\n<li>24-25 Um \u201cbendito\u201d para terminar<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>7.3 Destaques<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A\u00a0<em>doutrina dos intrusos<\/em>\u00a0mencionados no v. 4 n\u00e3o nos \u00e9 conhecida com exatid\u00e3o. Eles dividiam e desmoralizavam a comunidade, al\u00e9m de se entregarem \u00e0 imoralidade. A pr\u00f3pria palavra \u201cheresia\u201d significa divis\u00e3o. N\u00e3o s\u00e3o tanto as ideias que causam heresia, mas o comportamento pr\u00e1tico que divide a comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O\u00a0<em>uso de escritos ap\u00f3crifos<\/em>\u00a0na argumenta\u00e7\u00e3o da carta. Estes escritos, muito populares no 1\u00ba s\u00e9culo, tratam de assuntos b\u00edblicos, sem pertencerem \u00e0 Sagrada Escritura lida na sinagoga. Jd 6 e 12-16 aludem ao livro de Henoc, Jd 6-7 aos Testamentos dos Doze Patriarcas e Jd 9 \u00e0 assun\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s. Jd trata assim a religiosidade extrab\u00edblica divulgada entre os judeu-helenistas com naturalidade e respeito, sem por isso canoniz\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O autor compartilha a imagina\u00e7\u00e3o geral daquele tempo acerca da proximidade do Fim, e v\u00ea nos conflitos surgidos nas comunidades o sinal dos \u00faltimos tempos (v. 17-23). Apesar da severidade e dos termos violentos, transparece uma atitude pastoral prudente: quem \u00e9 fraco deve ser tratado com compaix\u00e3o, mas quem \u00e9 orgulhoso, nem sequer se toque na roupa! (v. 22-23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u201cCartas Cat\u00f3licas\u201d oferecem uma amostra da \u201cunidade na diversidade\u201d no \u00e2mbito das primeiras igrejas crist\u00e3s e s\u00e3o tamb\u00e9m hoje um exemplo da verdadeira catolicidade, unidade sem uniformiza\u00e7\u00e3o. Seu \u00e2mbito abrange igrejas desde Jerusal\u00e9m e a S\u00edria (Tiago) at\u00e9 Roma (1-2Pedro), passando pelo mundo da \u00c1sia Menor (as cartas joaninas). Neste sentido, v\u00eam completar a percep\u00e7\u00e3o que se colhe das cartas de Paulo e dos Atos dos Ap\u00f3stolos. Para completar o panorama, cabe acrescentar a Carta aos Hebreus como amostra do aprofundamento da f\u00e9 crist\u00e3 no ambiente judeu-alexandrino culto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A verdadeira catolicidade n\u00e3o \u00e9 uniformidade, mas diversidade teol\u00f3gica e eclesiol\u00f3gica em torno do \u00fanico Salvador Jesus Cristo e de seu \u00fanico mandamento do amor a Deus encarnado no amor fraterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Johan Konings, SJ, \u00a0FAJE, Brasil \u2013 original portugu\u00eas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>9 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A CARTA de Tiago: leitura sociolingu\u00edstica. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BROWN, Raymond.\u00a0<em>The\u00a0Epistles of John<\/em>. Garden City: Doubleday, 1982.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CARREZ, Maurice et al.\u00a0<em>As cartas de Paulo, Tiago, Pedro e Judas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">COTHENET, Edouard.\u00a0<em>As Ep\u00edstolas de Pedro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ELLIOTT, John H.\u00a0<em>Um lar para quem n\u00e3o tem casa<\/em>: interpreta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica da primeira carta de Pedro. S\u00e3o Paulo: Paulinas 1985.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FELDMEIER, Reinhard.\u00a0<em>A Primeira Carta de Pedro<\/em>. S\u00e3o Leopoldo: Sinodal, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GABARR\u00d3N, Jos\u00e9 (org.).<em>\u00a0As cartas de Pedro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JOSEFO, Fl\u00e1vio. Antiguidades judaicas, XX, 8. In: ______.\u00a0<em>Hist\u00f3ria dos hebreus<\/em>. 8.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KOESTER, Helmut.\u00a0<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Novo Testamento.<\/em>\u00a0S\u00e3o Paulo: Paulus, 2005. 2v.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">K\u00dcMMEL, Werner G.\u00a0<em>Introdu\u00e7\u00e3o ao Novo Testamento<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1982.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NOGUEIRA, Paulo A. de Souza.\u00a0<em>O Evangelho dos Sem-Teto<\/em>: uma leitura da primeira carta de Pedro. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHWANK, Benedikt.\u00a0<em>A Primeira Ep\u00edstola de Pedro Ap\u00f3stolo<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1984.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ST\u00d6GER, A.\u00a0<em>A Ep\u00edstola de Judas Ap\u00f3stolo.\u00a0<\/em>A Segunda Carta de Pedro Ap\u00f3stolo. Petr\u00f3polis: Vozes, 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TAMEZ, Elsa.\u00a0<em>Tiago:<\/em>\u00a0leitura latino-americana da ep\u00edstola. S\u00e3o Leopoldo: Sinodal, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">THEVISSEN, G.; KAHMANN, J. J. A.; DEHANDSCHUTTER, B.\u00a0<em>As cartas de Pedro, Jo\u00e3o e Judas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TU\u00d1I VANCELLS, Josep-Oriol; ALEGRE, Xavier.\u00a0<em>Escritos Joaninos e Cartas Cat\u00f3licas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ave Maria, 2009. (Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo da B\u00edblia 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VOUGA, Fran\u00e7ois.\u00a0<em>A Carta de Tiago<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1996.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"http:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1768#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0Este texto cont\u00e9m alguns trechos, com modifica\u00e7\u00f5es, das introdu\u00e7\u00f5es publicadas pelo mesmo autor na B\u00edblia Sagrada \u2013 Tradu\u00e7\u00e3o Oficial, da CNBB (Bras\u00edlia: Ed. CNBB, 2018).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Carta de Tiago 1.1 Origem e destinat\u00e1rios 1.2 Conte\u00fado 1.3 Destaques 2 Primeira Carta de Pedro 2.1 Origem e destinat\u00e1rios 2.2 Conte\u00fado 2.3 Destaques 3 Segunda Carta de Pedro 3.1 Origem e destinat\u00e1rios 3.2 Conte\u00fado 3.3 Destaques 4 Primeira Carta de Jo\u00e3o 4.1 Origem e destinat\u00e1rios 4.2 Conte\u00fado 4.3 Destaques 5 Segunda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-1768","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-biblica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1768"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2479,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1768\/revisions\/2479"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}