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{"id":1760,"date":"2019-12-22T16:57:24","date_gmt":"2019-12-22T18:57:24","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1760"},"modified":"2019-12-26T12:36:33","modified_gmt":"2019-12-26T14:36:33","slug":"o-livro-do-profeta-oseias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1760","title":{"rendered":"O livro do profeta Oseias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 O profeta<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 \u00c9poca da atividade prof\u00e9tica e da reda\u00e7\u00e3o do livro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 A linguagem do livro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Estrutura do livro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Principais pontos de teologia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>5.1 A imagem de Deus<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>5.2 O pecado do povo e o ju\u00edzo de Deus<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>5.3 A cr\u00edtica ao culto e \u00e0 monarquia<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>5.4 Possibilidade de salva\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Lendo o texto hoje<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 O profeta<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome \u201cOseias\u201d \u00e9 forma abrevida de <em>Y<sup>e<\/sup>h\u00f4\u0161ua\u2018<\/em>, Yhwh \u00e9 salvador, ou <em>H\u00f4\u0161a\u2018yah<\/em>, Yhwh traz a salva\u00e7\u00e3o. Sendo em Nm 10,24; 13,8 e 1Cr 27,20 associado \u00e0 tribo de Efraim, pode-se suspeitar ter o profeta Oseias pertencido a esta tribo do Reino do Norte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados biogr\u00e1ficos s\u00e3o escassos. A fonte para conhecimento da vida do profeta se reduz a alguns vers\u00edculos dos c. 1-3 do livro que leva o seu nome. A partir desses textos, sabemos o nome de seu pai, Beeri, e de sua esposa, Gomer, filha de Diblay\u00eem (Os 1,3). Segundo o texto do livro, teve tr\u00eas filhos (Os 1,2-9). De sua vida durante o minist\u00e9rio prof\u00e9tico, conhecemos apenas os dados, envoltos em imprecis\u00f5es, a respeito de seu matrim\u00f4nio e das vicissitudes que o cercaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da mulher e dos filhos de Oseias \u00e9 discutida. Com efeito, o livro apresenta duas narrativas sobre o tema, que n\u00e3o podem com facilidade ser harmonizadas. Na primeira, Os 1,2-9, um relato em terceira pessoa, o profeta recebe a ordem de casar-se com uma \u201cmulher de prostitui\u00e7\u00e3o\u201d; na segunda, Os 3,1-5, um relato autobiogr\u00e1fico, o profeta recebe a ordem de \u201camar novamente uma mulher que \u00e9 amada por outro e comete adult\u00e9rio\u201d. Al\u00e9m disso, discute-se a realidade do matrim\u00f4nio e a situa\u00e7\u00e3o da mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As diversas hip\u00f3teses acerca da quest\u00e3o do matrim\u00f4nio de Oseias podem ser agrupadas pelo modo como \u00e9 considerada a forma dos relatos (aleg\u00f3rica ou real) e a rela\u00e7\u00e3o entre eles. A concep\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica do matrim\u00f4nio de Oseias (como simples s\u00edmbolo e n\u00e3o realidade) entrou na hist\u00f3ria da interpreta\u00e7\u00e3o pelo car\u00e1ter ins\u00f3lito da ordem de Deus ao profeta, de que ele despose uma meretriz (Os 1,2). A maior parte dos estudiosos, contudo, considera que se trata de um fato real, mesmo que denso de sentido simb\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os autores que consideram somente o sentido aleg\u00f3rico, os relatos seriam apenas a roupagem liter\u00e1ria de uma mensagem de amea\u00e7a (c. 1) que entrev\u00ea uma salva\u00e7\u00e3o futura (c. 3). Entre os que consideram os relatos como acontecimentos reais, h\u00e1 diferentes interpreta\u00e7\u00f5es acerca do que teria realmente ocorrido:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Em rela\u00e7\u00e3o ao relato do c. 1, tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es se apresentam: o fato real corresponderia ao texto atual expurgado dos elementos censur\u00e1veis, ou seja, Oseias teria tido um matrim\u00f4nio normal e \u00edntegro; ou diria respeito a um casamento com uma mulher fiel, que se teria prostitu\u00eddo somente ap\u00f3s o matrim\u00f4nio; ou ainda ao matrim\u00f4nio real com uma meretriz.<\/li>\n<li>Quanto ao relato do c. 3, este \u00e9 visto como um fato real paralelo ao c. 1, narrado, por\u00e9m, pelo pr\u00f3prio profeta; ou como continua\u00e7\u00e3o da narra\u00e7\u00e3o do c. 1. Nesse \u00faltimo caso, cada uma das narra\u00e7\u00f5es indicaria uma fase de um mesmo matrim\u00f4nio, seja uma mulher que, tornando-se infiel ao casamento, teria ficado em m\u00e3os estranhas, por fuga ou expuls\u00e3o, sendo depois resgatada por Oseias, seja uma mulher desposada com Oseias e que se teria submetido aos ritos dos santu\u00e1rios israelitas influenciados pelo culto cananeu, seja ainda como um segundo matrim\u00f4nio com a mesma mulher, Gomer, ou com duas mulheres diferentes.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do horizonte teol\u00f3gico do livro e do sentido da alegoria matrimonial (o profeta como representante de Deus e a mulher, do povo de Israel), deve-se pensar que se trata de uma \u00fanica mulher (pois \u00e9 um s\u00f3 o povo de Israel).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece certo que Oseias era oriundo do Reino do Norte e exerceu neste territ\u00f3rio sua miss\u00e3o. Pois n\u00e3o s\u00f3 seu an\u00fancio se dirige preponderantemente a Efraim e demonstra um conhecimento minucioso da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, social e religiosa do Reino do Norte (ver, por exemplo, Os 5,1.3.8-14; 7,1.8-11; 8,5; 9,15-16), como tamb\u00e9m sua linguagem apresenta particularidades daquilo que seria um dialeto israel\u00edtico. Al\u00e9m disso, Oseias nunca menciona Jerusal\u00e9m ou qualquer outra cidade de Jud\u00e1. Ao contr\u00e1rio, cita frequentemente a cidade real de Samaria e os centros de culto de Betel e Guilgal (Os 4,15; 5,8; 7,1; 8,5-6; 9,15; 10,5; 12,2.5; 14,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acerca do ambiente social e cultural imediato em que viveu o profeta, em raz\u00e3o de sua linguagem elevada, seu conhecimento do passado e clareza ao julgar a hist\u00f3ria, bem como seu conhecimento do mundo que o rodeia, ele poderia ser situado na classe dos eruditos de Israel. Nada de certo, por\u00e9m, se pode afirmar quanto a isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 \u00c9poca da atividade prof\u00e9tica e da reda\u00e7\u00e3o do livro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro deixa perceber poss\u00edveis alus\u00f5es \u00e0 \u00e9poca hist\u00f3rica de atua\u00e7\u00e3o do profeta. O t\u00edtulo nomeia os reis de Jud\u00e1 (Ozias: 781-740; Joat\u00e3o: 740-736; Ezequias: 716-687) e de Israel (Jerobo\u00e3o II: 783-743), localizando a atividade do profeta no s\u00e9culo VIII. Alguns textos deixam entrever uma \u00e9poca de prosperidade e bem-estar (Os 2,4-5; 10,1-2.13-15), que se coadunaria com o reinado de Jerobo\u00e3o II. Outros dados apontam para a segunda metade do s\u00e9culo VIII: as numerosas alus\u00f5es a dist\u00farbios na sucess\u00e3o mon\u00e1rquica (Os 6,7-7,2; 8,4; 7,3-7), que ocorreram, de fato, ap\u00f3s a morte de Jerobo\u00e3o II; o pagamento de tributos (Os 8,9-10; 10,6), que sup\u00f5e o tempo do rei Mena\u00e9m (743-738) ou do rei Oseias\u00a0 (732-724); e a pol\u00edtica externa de busca de alian\u00e7as (Os 7,8-16; 9,3.6; 8,8-10; 12,2), que teve lugar na \u00e9poca do rei Oseias. Em 13,10, se entrev\u00ea a falta de um rei, e, em 14,1, a queda da capital, Samaria, nas m\u00e3os dos ass\u00edrios, o que ocorreu em torno dos anos 722\/721.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em s\u00edntese, o per\u00edodo da profecia de Oseias abrange, de um lado, um tempo de prosperidade (o reinado de Jerobo\u00e3o II); de outro, conhece um tempo de instabilidade na monarquia, que poderia ser identificado com o per\u00edodo posterior a Jerobo\u00e3o II, sem que se possa indicar com precis\u00e3o se ele conheceu ou n\u00e3o a queda da Samaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito do conte\u00fado do livro se enquadra dentro da \u00e9poca acima apontada, de modo que sua reda\u00e7\u00e3o pode-se ter iniciado j\u00e1 na \u00e9poca do profeta ou pouco distante dela. H\u00e1, no entanto, certas passagens que demonstram ter sido o livro relido e atualizado em Jud\u00e1. Com a queda da Samaria, de fato, tradi\u00e7\u00f5es e escritos j\u00e1 existentes no Reino do Norte foram levados para o Reino do Sul (Jud\u00e1), sendo l\u00e1 retrabalhados at\u00e9 sua reda\u00e7\u00e3o final. Aqui se reconhecem particularmente algumas que mencionam Jud\u00e1 (Os 1,1.7; 4,15; 5,5; 6,11; 8,14; 12,3), al\u00e9m de outros textos que n\u00e3o se enquadram bem seja no pensamento seja no estilo do livro, ou que apresentam perspectivas que sup\u00f5em um tempo posterior (Os 2,18-25; 3,5; 4,16-19; 11,10-11; 13,1-9; 14,2-9.10). A \u00e9poca de finaliza\u00e7\u00e3o deste processo \u00e9 controvertida e vai desde os anos pr\u00f3ximos \u00e0 queda do Reino do Sul (\u00e9poca de Josias, com seu florescimento) at\u00e9 o tempo ex\u00edlico ou p\u00f3s-ex\u00edlico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 A linguagem do livro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro \u00e9 o \u00fanico escrito prof\u00e9tico oriundo do Reino do Norte e, provavelmente por peculiaridades da linguagem desta regi\u00e3o, com diferen\u00e7as frente ao hebraico dos escritos do sul, apresenta por vezes quest\u00f5es que dificultam sua compreens\u00e3o gramatical e sint\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estilo \u00e9 elevado, com utiliza\u00e7\u00e3o de diversos recursos lingu\u00edsticos (jogos de palavras: Os 4,14b; 8,7b; 5,15-16; 9,16; 11,3) e ainda dois casos de rimas, t\u00e3o raros no hebraico b\u00edblico (Os 2,7; 8,7b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mensagem \u00e9 expressa com intensidade e veem\u00eancia, com predomin\u00e2ncia do uso do \u201cEu\u201d de Yhwh e abundante emprego de imagens que n\u00e3o s\u00f3 enriquecem o texto por sua beleza e for\u00e7a expressiva (Os 14,6-8), mas tamb\u00e9m servem a demonstrar, seja a situa\u00e7\u00e3o de Israel seja a profundidade da for\u00e7a e santidade de Deus. A met\u00e1fora que mais caracteriza o livro \u00e9 a do matrim\u00f4nio entre Yhwh e Israel (Os 1,2; 2,4-17; 3,15). O povo aparece como meretriz (Os 4,11-14; 5,3-4; 9,1-6), pomba tola (Os 7,11-12), mas tamb\u00e9m como filho amado (Os 11,1) e excelentes plantas (Os 14,7-8). Deus, em contraposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 m\u00e9dico (Os 5,12-14; 11,3; ainda: Os 7,1-2; 14,5), pus e tra\u00e7a (Os 5,12), le\u00e3o, pantera, urso (Os 5,14; 13,7-8), mas tamb\u00e9m orvalho e \u00e1rvore verdejante (Os 14,6.9), pastor (Os 13,6) e pai (Os 11,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Estrutura do livro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando a repeti\u00e7\u00e3o do termo \u201cprocesso\u201d (<em>r\u00eeb<\/em>) em Os 2,4; 4,1 e 12,3, ao lado de palavras de salva\u00e7\u00e3o que ocorrem nos tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos e ainda em Os 11,10-11 e 14,2-9, alguns estudiosos dividem o livro em tr\u00eas partes, respectivamente: cap\u00edtulos 1-3; 4-11 e 12-14. No entanto, a finaliza\u00e7\u00e3o promissora em 11,10-11 refere-se propriamente aos vers\u00edculos anteriores (Os 11,1-9), enquanto que a de Os 14,2-9 retoma temas e terminologia de todo o livro. Por isso, embora em Os 12,3 tamb\u00e9m se anuncie um processo (<em>r\u00eeb<\/em>) contra Israel, este an\u00fancio n\u00e3o \u00e9 um indicador un\u00edvoco para distinguir os cap\u00edtulos 12 a 14 dos que os precedem. Al\u00e9m disso, os cap\u00edtulos 4 a 14 podem ser considerados um bloco na medida em que o chamado inicial a ouvir (Os 4,1), que proclama o processo entre Deus e os \u201chabitantes da terra\u201d, chega a sua grande conclus\u00e3o somente no or\u00e1culo final (Os 14,2-9). Em outras palavras, o livro encontra-se organizado em duas partes: cap\u00edtulos 1-3 e 4-14.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta distin\u00e7\u00e3o \u00e9 confirmada pela tem\u00e1tica. Enquanto os tr\u00eas primeiros cap\u00edtulos s\u00e3o fortemente marcados pela met\u00e1fora matrimonial, nos restantes, embora possam ser entrevistos alguns ecos desta met\u00e1fora, ela j\u00e1 n\u00e3o retorna com a mesma for\u00e7a. Nos tr\u00eas cap\u00edtulos iniciais h\u00e1 uma altern\u00e2ncia entre palavras de ju\u00edzo e de salva\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 de in\u00edcio est\u00e1 a indicar ao leitor a linha mestra de interpreta\u00e7\u00e3o da totalidade da profecia de Oseias: a condena\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a \u00faltima palavra de Deus; o Senhor est\u00e1 pronto a perdoar e prepara para o povo um futuro favor\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo grande bloco do livro, podem ser distinguidas algumas se\u00e7\u00f5es, sobretudo pelo tema que \u00e9 abordado. O primeiro tema diz respeito \u00e0s faltas cultuais e \u00e0 responsabilidade dos sacerdotes, com duas se\u00e7\u00f5es paralelas entre si (Os 4,4-19 e 5,1-7). A partir de 5,8 h\u00e1 duas subse\u00e7\u00f5es que tratam da fraqueza da monarquia na condu\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o, apresentando este tema em forma paralela (Os 5,8-7,16 e 8,1-14), finalizadas pela s\u00edntese de Os 9,1-9, que aponta quest\u00f5es cultuais e aspectos pol\u00edticos. T\u00eam lugar, a seguir, palavras que aludem a fatos passados da hist\u00f3ria de Israel, para, a partir deles, mostrar aonde pode levar a conduta do povo, de seus sacerdotes e governantes. Em toda essa parte, desde Os 4,1, h\u00e1 somente acusa\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as, com uma breve pausa no cap\u00edtulo 11 (Os 11,10-11). O livro, no entanto, termina com uma grandiosa perspectiva de futuro (Os 14,2-9), que transforma as palavras de condena\u00e7\u00e3o anteriores em fase provis\u00f3ria do agir divino com vistas a fazer Israel retornar \u00e0 fidelidade ao seu Deus e, com isso, aos seus bens salv\u00edficos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A senten\u00e7a sapiencial final (Os 14,10: \u201cquem \u00e9 s\u00e1bio, que compreenda estas coisas&#8230;\u201d) faz o leitor pensar sobre tudo o que foi anunciado, refletindo sobre os caminhos de Deus para com seu povo e, finalmente, sobre quem \u00e9 este Deus que com tanto amor se debru\u00e7a sobre Israel e, apesar da infidelidade do povo, busca sempre de novo abrir-lhe a porta da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Principais pontos de teologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.1 A imagem de Deus<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto central da teologia do livro reside na imagem de Deus que ele apresenta. Ela pode ser mais bem compreendida a partir do panorama religioso da \u00e9poca do profeta, no qual ao lado, talvez, propriamente de um culto referido a baal, \u00e9 praticado um culto israelita seja misturado a elementos cananeus (sincretismo: Os 4,17) seja celebrado sem comunh\u00e3o com Deus (Os 5,6; 8,5; 10,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oseias conhece o nome pr\u00f3prio do Deus de Israel, Yhwh (Os 12,10), mas chama-o tamb\u00e9m \u201cDeus\u201d, <em>\u2019El<\/em><em>\u014dh\u00eem<\/em>, sobretudo ligado a um sufixo possessivo: \u201cteu Deus\u201d (Os 4,6; 9,1; 12,7.10; 13,4; 14,2), \u201cvosso Deus\u201d (Os 3,5; 4,12; 5,4; 7,10; 14,1), \u201cnosso Deus\u201d (Os 14,4). Esta maneira de falar estabelece uma estreita rela\u00e7\u00e3o entre Yhwh e o povo de Israel. Em algumas passagens, a designa\u00e7\u00e3o de Deus como <em>\u2019El<\/em> est\u00e1 ligada \u00e0 \u00eanfase em sua santidade e poder (Os 11,9; 2,1; 8,6). No final do livro, apresenta-se a prerrogativa de Yhwh como \u00fanico Deus de Israel (Os 13,4; 14,4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fortes imagens utilizadas pelo profeta (Os 5,12.14; 13,7.8) servem muitas vezes para veicular a ideia de santidade, exclusividade e poder do Senhor. Mas \u00e9 sobretudo a imagem matrimonial utilizada nos cap\u00edtulos iniciais do livro (c. 1-3) e que deixa ainda tra\u00e7os nos cap\u00edtulos sucessivos (Os 4,12-16; 5,3-4; 6,10; 9,1 etc.) que distingue a apresenta\u00e7\u00e3o de Deus com a caracter\u00edstica do amor e da fidelidade. Yhwh \u00e9 como um esposo fiel tra\u00eddo e esquecido pela esposa (Israel) (Os 2,15). Mas \u00e9 tamb\u00e9m o pai negligenciado, que se inclinara para o filho e dele cuidara com todo amor (Os 11,1-4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, Ele, que \u00e9 o Deus de Israel (ver os possessivos no nome de Deus), amea\u00e7a quebrar a rela\u00e7\u00e3o com seu povo.\u00a0 O texto de Os 1,9 expressa esta ideia de maneira profunda ao explicar o nome dado ao terceiro filho (\u201cN\u00e3o [sois] meu povo\u201d): \u201cporque v\u00f3s n\u00e3o sois meu povo e <em>Eu n\u00e3o sou<\/em> para v\u00f3s\u201d. Com a formula\u00e7\u00e3o \u201cEu n\u00e3o sou\u201d, nega-se o nome divino (\u201cEu sou\u201d) revelado em Ex 3,14 e, com isso, a fundamental rela\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus para com Israel, retirando-o da escravid\u00e3o do Egito, dando-lhe a Lei (alian\u00e7a) e introduzindo-o em sua terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.2 O pecado do povo e o ju\u00edzo de Deus<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desta imagem de Deus, o pecado de Israel \u00e9 tematizado, como em nenhum outro profeta, diretamente a partir da rela\u00e7\u00e3o de amor. O pecado n\u00e3o \u00e9 para Oseias somente transgress\u00e3o dos mandamentos (tamb\u00e9m o \u00e9: Os 4,1-2). O profeta vai mais longe, decifrando as ra\u00edzes do agir pecaminoso e, com isso, chegando ent\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de pecado como uma ruptura do amor (Os 2,7). \u00c9 a partir da\u00ed que se entende o tom de lamenta\u00e7\u00e3o presente em diversos momentos do livro: por ver seu amor tra\u00eddo, Yhwh se lamenta por aquela que ele ama e que desejaria que lhe fosse fiel (Os 2,10; 13,5-6), recorda seu agir cheio de ternura para com o filho que, todavia, o abandona (Os 11,3-4). Ligada \u00e0 met\u00e1fora nupcial, a pecaminosidade de Israel \u00e9 caracterizada como \u201cprostitui\u00e7\u00e3o\u201d (Os 2,4; 5,4). Israel traiu seu esposo, andou atr\u00e1s de \u201camantes\u201d (os baals; Os 2,7.9; 3,1; 4,18), afastando-se de Deus (Os 1,2; 7,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse contexto, o pecado \u00e9 tamb\u00e9m tematizado como \u201cesquecimento\u201d de Deus (Os 2,15; 8,14; 13,6), ou seja, por uma desaten\u00e7\u00e3o e neglig\u00eancia frente a um amor fortemente manifestado. \u00c9 algo que fere, portanto, a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o de amor. Atinge algu\u00e9m concreto: \u00e9 \u201ccontra Mim\u201d (Os 7,13-15; 14,1; 2,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, \u00e9 ponto central na teologia do profeta o conceito de <em>conhecimento de Deus<\/em>. Trata-se n\u00e3o s\u00f3 de um conhecimento intelectual da vontade de Deus, de seus preceitos, mas inclui a \u00edntima comunh\u00e3o de vida, a confian\u00e7a total. Principais acusados s\u00e3o os sacerdotes, que negligenciam sua tarefa de instruir o povo, conduzindo-o na rela\u00e7\u00e3o com Deus. Oseias os acusa de rejeitarem o \u201cconhecimento\u201d, o que trar\u00e1 consequ\u00eancias negativas tamb\u00e9m para o povo (Os 4,6). Deixam de instruir o povo no conhecimento da vontade divina, que, por isso, n\u00e3o recebe os elementos necess\u00e1rios para viver a f\u00e9 e a comunh\u00e3o com Deus. A partir da\u00ed, o livro pode afirmar, num veredito global, que \u201cn\u00e3o h\u00e1 conhecimento de Deus no pa\u00eds\u201d (Os 4,1). Tal aus\u00eancia se reflete numa vida em que predominam os delitos de toda esp\u00e9cie (Os 4,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante da busca de aproxima\u00e7\u00e3o de Deus com a oferta de sacrif\u00edcios (Os 5,6; 8,13), o profeta anuncia o grande princ\u00edpio: de nada valem os sacrif\u00edcios se n\u00e3o h\u00e1 real comunh\u00e3o com Deus. O Senhor deseja o \u201cconhecimento\u201d mais do que gestos sacrificiais que se reduzam a atos exteriores (Os 6,6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto com o \u201cconhecimento\u201d, falta ao povo tamb\u00e9m o \u201camor\u201d, expresso em Oseias, por seis vezes, com o termo <em>\u1e25esed<\/em> (Os 2,21; 4,1; 6,4.6; 10,12; 12,7). Trata-se do amor em seu car\u00e1ter espont\u00e2neo, que surge n\u00e3o a partir de uma exig\u00eancia que algu\u00e9m pudesse fazer, mas somente a partir da decis\u00e3o daquele que ama e n\u00e3o daquele que recebe amor. Mesmo no caso de haver expectativa de um comportamento conforme o <em>\u1e25esed<\/em>, este n\u00e3o \u00e9 derivado de uma rela\u00e7\u00e3o de dever. O conceito de <em>\u1e25esed<\/em> est\u00e1 ligado tamb\u00e9m \u00e0 ideia de superlativo, de algo que ultrapassa todas as medidas. \u00c9 um comportamento para al\u00e9m das medidas esperadas ou exigidas: uma rela\u00e7\u00e3o de bondade magn\u00e2nima, que ultrapassa a simples obriga\u00e7\u00e3o e as medidas impostas por uma rela\u00e7\u00e3o de dever. Como tal, pode referir-se tanto ao amor de Deus para com Israel e de Israel para com Deus como \u00e0 rela\u00e7\u00e3o dos membros do povo entre si. As duas dimens\u00f5es caminham juntas: o pecado \u00e9 a um tempo contra Deus e contra os irm\u00e3os (4,1-2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o pecado de Israel, em Oseias, n\u00e3o se reduz a atos isolados. \u00c9 uma realidade globalizante. Ao pecar, Israel identifica-se com o seu pecado, assimila-se a ele (Os 9,10), torna-se ele mesmo diferente do que era antes. Mais do que marcado pelo pecado, o povo \u00e9 caracterizado pela dureza do cora\u00e7\u00e3o, pela qual Israel rejeita admitir seu pecado e n\u00e3o reconhece sua culpa (Os 12,9). Com isso, sua \u00edndole pecaminosa se constitui numa for\u00e7a interior que impele sempre mais ao pecado. Torna-se um \u201cesp\u00edrito de prostitui\u00e7\u00e3o\u201d (Os 5,4). \u00c9, dessa maneira, uma for\u00e7a que prende Israel, uma teia que o emaranha (Os 11,7). Por isso, para o profeta, o povo, por si s\u00f3, tornou-se incapaz de retornar a Deus, de se converter (Os 7,10; 10,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta p\u00f5e em relevo, nesse contexto, a \u00edndole pecadora de Israel j\u00e1 desde o in\u00edcio de sua hist\u00f3ria. Para isso serve a rememora\u00e7\u00e3o de eventos das tradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas que ocorrem a partir do cap\u00edtulo 9 (Os 9,10.15; 10,9; 11,1-4; 12,3-5.13). Demonstrando que desde sempre Israel \u00e9 culpado, o livro enfatiza ainda mais como o povo, mesmo em \u00e9pocas posteriores, tende ao pecado. E, por outro lado, evidenciando que o amor de Deus est\u00e1 presente desde que o povo est\u00e1 no Egito (Os 11,1), tamb\u00e9m no tempo do deserto (Os 13,4-6), bem como no seu estabelecimento nele (Os 9,10), sublinha a falta de correspond\u00eancia de Israel para com o seu Deus. Justifica, desse modo, a puni\u00e7\u00e3o tantas vezes anunciada no livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na base do amor divino, pode-se melhor compreender a mensagem de condena\u00e7\u00e3o que perpassa o livro. O ju\u00edzo de Deus \u00e9 o reverso do seu amor tra\u00eddo e expressa assim sua justa ira. Como esposo que poderia dar carta de div\u00f3rcio \u00e0 sua esposa infiel, Deus tem o direito de p\u00f4r fim \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o salv\u00edfica para com Israel. Deus amea\u00e7a o povo (Os 2,11; 9,12.16; 12,15) e chega a dizer, como que numa palavra final: \u201cn\u00e3o os amarei mais\u201d (Os 9,15). Com isso, prepara-se o fim da na\u00e7\u00e3o, representado pela invas\u00e3o ass\u00edria, que aniquilar\u00e1 o pa\u00eds e deportar\u00e1 seus habitantes (Os 9,17; 13,15\u201314,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.3 A cr\u00edtica ao culto e \u00e0 monarquia<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As faltas que est\u00e3o no centro da condena\u00e7\u00e3o feita por Oseias pertencem, em primeiro lugar, ao \u00e2mbito cultual. Ao menos dois aspectos s\u00e3o considerados: o recurso \u00e0 religi\u00e3o cananeia, com seus baals e cultos de fertilidade (Os 2,4-15; 4,10-11.13-14; 9,1.11.14 etc.), em si mesma ou unindo-a a elementos da f\u00e9 javista, numa esp\u00e9cie de sincretismo; e o culto a Yhwh, por\u00e9m celebrado por motivo interesseiro e sem duas condi\u00e7\u00f5es fundamentais: amor e conhecimento (Os 6,6). Nesse contexto, a cr\u00edtica se dirige fortemente contra os sacerdotes: por negligenciarem o ensino da f\u00e9 javista e abrirem, assim, caminho para a difus\u00e3o da religi\u00e3o cananeia (Os 4,6.12); por se aproveitarem do culto para proveito pr\u00f3prio (Os 4,8; 8,13); enfim, como parte das classes dirigentes, por utilizarem a religi\u00e3o como meio para conseguir vantagens (Os 8,4.10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grande relevo ganha, no livro, tamb\u00e9m a cr\u00edtica pol\u00edtica. A monarquia \u00e9 duramente acusada, seja por suas decis\u00f5es em \u00e2mbito interno, na condu\u00e7\u00e3o mesma do povo (Os 10,3.15; 13,10-11), seja, sobretudo, pela pol\u00edtica de alian\u00e7a com as pot\u00eancias estrangeiras (Os 5,8-14; 7,11-12; 8,8-9; 12,1-2). Esta \u00faltima, feita sem considerar Yhwh e sua vontade, na pr\u00e1tica se torna consequ\u00eancia da neglig\u00eancia para com a religi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do pecado no \u00e2mbito da justi\u00e7a social, Oseias fala somente em poucos textos (Os 4,1-2; a fraude no com\u00e9rcio: Os 12,8). A \u00eanfase que seu contempor\u00e2neo, Am\u00f3s, d\u00e1 a este \u00e2mbito pode ter influenciado os redatores do livro de Oseias a sublinharem outros aspectos n\u00e3o t\u00e3o enfatizados em Am\u00f3s. Nesse sentido, os dois livros prof\u00e9ticos em conjunto auxiliam a se ter uma vis\u00e3o mais completa da sociedade e seus problemas, bem como da religi\u00e3o de meados do s\u00e9culo VIII at\u00e9 a queda do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.4 Possibilidade de salva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre este panorama, Deus poderia, ainda uma vez, ter miseric\u00f3rdia deste povo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro mostra como o povo \u00e9 incapaz, por si s\u00f3, de retornar a Deus. O texto de Os 6,1-3 descreve uma poss\u00edvel volta do povo a Deus, mas com atitudes em que a confian\u00e7a no aux\u00edlio divino n\u00e3o \u00e9 acompanhada por uma real contri\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nestes vers\u00edculos, de fato, nenhuma men\u00e7\u00e3o de arrependimento da culpa; espera-se t\u00e3o somente que Deus, como que automaticamente, venha em socorro de Israel. Deus reconhece que o povo tem certo \u201camor\u201d, mas este \u00e9 fugaz, n\u00e3o preenchendo, portanto, as exig\u00eancias divinas (Os 6,4). Tamb\u00e9m em Os 10,12-13 mostra-se que o povo n\u00e3o sabe responder \u00e0s exig\u00eancias divinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, a restaura\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o quebrada s\u00f3 se pode dar na base do pr\u00f3prio Deus, que, com seu amor fiel, abre ainda uma oportunidade (Os 11,8-9). \u00c9 no mais profundo de si mesmo (\u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d, \u201centranhas\u201d: Os 11,8) e em virtude de sua pr\u00f3pria santidade (Os 11,9), que Deus n\u00e3o deixa que ocorra a Israel a destrui\u00e7\u00e3o total (Os 11,6). A puni\u00e7\u00e3o ocorre, pois, ao mencionar o retorno do estrangeiro, Os 11,10-11 mostra que houve, com efeito, o desterro. Mas guarda-se ainda uma esperan\u00e7a de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta, no entanto, deve incluir tamb\u00e9m a reestrutura\u00e7\u00e3o mental e espiritual do povo. Yhwh deve preparar Israel, curar a dureza do cora\u00e7\u00e3o, que o impede de ver os pr\u00f3prios desvios e, portanto, de converter-se (Os 14,5). Somente assim o povo ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de responder adequadamente ao convite: \u201cvolta, Israel, ao Senhor teu Deus\u201d (Os 14,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A meta da convers\u00e3o \u00e9 descrita, no cap\u00edtulo 2, dentro da analogia matrimonial, como a celebra\u00e7\u00e3o de novas n\u00fapcias com Deus. Israel ser\u00e1 conduzido a um encontro pessoal com Deus, que lhe \u201cfalar\u00e1 ao cora\u00e7\u00e3o\u201d, abrindo-o para uma rela\u00e7\u00e3o renovada. Ent\u00e3o a \u201cesposa\u201d responder\u00e1 ao seu esposo como nos tempos do primeiro amor, quando, no caminho para a terra prometida, ainda n\u00e3o se entregara aos cultos cananeus (Os 2,16-17.19). O Senhor renova na profundidade a esposa infiel. Deus lhe oferece, como presentes do casamento, os dons necess\u00e1rios para que ela viva \u201cpara sempre\u201d em amor e fidelidade (justi\u00e7a e direito, amor e ternura, fidelidade: Os 2,21-22). A partir da\u00ed, ela poder\u00e1 chegar a corresponder totalmente ao seu amor. Deus lhe manifestar\u00e1 miseric\u00f3rdia e retomar\u00e1 a alian\u00e7a com Israel (Os 2,25). Neste ideal de comunh\u00e3o, a se realizar no futuro, estar\u00e3o presentes os elementos fundamentais da vida que faltam ao povo (amor, fidelidade, conhecimento de Deus: Os 4,2), de modo que o futuro \u00e9 idealizado como a situa\u00e7\u00e3o de total realiza\u00e7\u00e3o de todas as maiores expectativas de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com tais perspectivas de salva\u00e7\u00e3o, a puni\u00e7\u00e3o divina anunciada no livro adquire outro valor: torna-se instrumento atrav\u00e9s do qual Deus quer purificar seu povo. Recebe, assim, a fun\u00e7\u00e3o de puni\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica (Os 3,3-5; 2,16-17; 5,14-15).<\/p>\n<p><strong>6 Lendo o texto hoje<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ensinamento de Oseias sobre o culto relembra a exclusividade do verdadeiro Deus e exige a purifica\u00e7\u00e3o de todos os seus elementos ileg\u00edtimos e de toda forma de idolatria e sincretismo. O culto n\u00e3o pode se reduzir a atos externos, mas deve ser express\u00e3o da atitude interior de abertura a Deus, que inclui a comunh\u00e3o com o seu povo, a observ\u00e2ncia do amor m\u00fatuo e exclui toda forma de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua cr\u00edtica \u00e0 monarquia leva a refletir sobre os crit\u00e9rios para que a pol\u00edtica seja conduzida ainda hoje: n\u00e3o praticada em proveito pr\u00f3prio e, portanto, facilmente corrupta e corruptora. A base inalien\u00e1vel \u00e9 o respeito \u00e0 vontade divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tudo isso, permanece o chamado a retornar ao Senhor, numa convers\u00e3o que, se conta sempre com a benevol\u00eancia divina, implica atitudes concretas de mudan\u00e7a de rumo (cf. Mt 9,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Maria de Lourdes Corr\u00eaa Lima, PUC Rio \u2013 Texto original portugu\u00eas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALONSO SCH\u00d6KEL, L. A.; SICRE DIAZ, J. L. <em>Profetas<\/em>. v.1. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARRIOCANAL GOMEZ, J. L. <em>Diccionario del profetismo b\u00edblico<\/em>. Burgos: Editorial Monte Carmelo, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DIAS LOPES, H. <em>Oseias: <\/em>o amor de Deus em a\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FITZMYER, J. A.; BROWN, R. E.; MURPHY, R. E. (orgs.) <em>Novo coment\u00e1rio b\u00edblico S\u00e3o Jer\u00f4nimo<\/em>. Antigo Testamento. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">HUBBARD, D. A. <em>Oseias, introdu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rio<\/em>. 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Cordoba: El Almendro, 1993.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 O profeta 2 \u00c9poca da atividade prof\u00e9tica e da reda\u00e7\u00e3o do livro 3 A linguagem do livro 4 Estrutura do livro 5 Principais pontos de teologia 5.1 A imagem de Deus 5.2 O pecado do povo e o ju\u00edzo de Deus 5.3 A cr\u00edtica ao culto e \u00e0 monarquia 5.4 Possibilidade de salva\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-1760","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-biblica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1760","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1760"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1760\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1798,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1760\/revisions\/1798"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}