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{"id":1748,"date":"2019-12-22T11:36:42","date_gmt":"2019-12-22T13:36:42","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1748"},"modified":"2019-12-26T12:34:51","modified_gmt":"2019-12-26T14:34:51","slug":"o-livro-do-profeta-habacuc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1748","title":{"rendered":"O livro do profeta Habacuc"},"content":{"rendered":"<p><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>1 O profeta e seu tempo \u2013 \u00e9poca da reda\u00e7\u00e3o do livro<\/p>\n<p>2 Teor do livro<\/p>\n<p>3 Estrutura<\/p>\n<p>4 Principais pontos de teologia<\/p>\n<p><em>4.1 A quest\u00e3o do mal e a justi\u00e7a de Deus<\/em><\/p>\n<p><em>4.2 A fidelidade do justo<\/em><\/p>\n<p>5 Lendo o texto hoje<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p><strong>1 O profeta e seu tempo \u2013 \u00e9poca de reda\u00e7\u00e3o do livro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro identifica Habacuc como \u201cprofeta\u201d (<em>n<\/em><em>\u0101b\u00ee\u2019<\/em>: Hab 1,1), t\u00edtulo que, no per\u00edodo mon\u00e1rquico, era conferido frequentemente aos personagens prof\u00e9ticos que atuavam junto ao rei, como parte do corpo de funcion\u00e1rios da corte. Os tra\u00e7os cultuais do escrito posto sob sua autoridade \u2013 sobretudo a presen\u00e7a de lamentos e or\u00e1culos (Hab 1,2 \u2013 2,5), a linguagem e as imagens utilizadas, aparentadas com o Salt\u00e9rio, bem como sua qualifica\u00e7\u00e3o como \u201csentinela\u201d (Hab 2,1; Ez 40,45-46) \u2013 fazem supor que se tratasse de um profeta que atuasse no culto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A men\u00e7\u00e3o aos \u201ccaldeus\u201d (Hab1,6), que v\u00eam contra Jud\u00e1, permite localizar o livro na \u00e9poca do imp\u00e9rio neobabil\u00f4nico, que se estabeleceu na segunda metade do s\u00e9culo VII aC e chegou ao seu maior esplendor no reinado de Nabucodonosor II (605-562 aC). Em sua \u00e9poca, os babil\u00f4nios dominaram Jud\u00e1, primeiramente deportando o rei Joiakin e uma parte da popula\u00e7\u00e3o mais bem colocada socialmente (cerca de 598 aC; 2Rs 24,1-17). Alguns anos mais tarde (cerca de 587\/6), tomaram completamente o pa\u00eds, destruindo a cidade e o templo de Jerusal\u00e9m, e levando cativos o rei Sedecias, os membros proeminentes da na\u00e7\u00e3o e muitos trabalhadores qualificados (2Rs 25,1-21). Num per\u00edodo t\u00e3o turbulento, o profeta atua. Como o livro deixa transparecer a viol\u00eancia dos babil\u00f4nios e seu dom\u00ednio, mas n\u00e3o menciona a ru\u00edna de Jerusal\u00e9m e do templo, pode ser localizado antes da segunda investida babil\u00f4nica contra Jud\u00e1, ou seja, em torno da primeira deporta\u00e7\u00e3o (598 aC), alguns anos antes ou ap\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O escrito apresenta tens\u00f5es de estilo e vocabul\u00e1rio, sobretudo entre os cap\u00edtulos iniciais e o cap\u00edtulo final, o que faz supor um processo redacional que teria ao menos inserido o salmo do cap\u00edtulo 3. No entanto, h\u00e1 grande consenso no sentido de que, mesmo tendo-se formado paulatinamente, chegou a uma forma final bem unificada, formando um conjunto com sentido unit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 \u00a0O teor do livro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compreens\u00e3o do livro depende da interpreta\u00e7\u00e3o de suas palavras iniciais (Hab 1,2-4) e sua rela\u00e7\u00e3o com o restante do escrito. Trata-se fundamentalmente de entender quem \u00e9 o \u201c\u00edmpio\u201d e o \u201cjusto\u201d a\u00ed mencionados. A refer\u00eancia \u00e0 Lei e ao direito faz pensar na sociedade judaica, de modo que o \u00edmpio seria o rei Joaquim, pai de Joiakin, e seus apoiadores, que perverteriam a vontade de Deus com sua pol\u00edtica (2Rs 23,36-37)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Joaquim foi colocado no trono pelos eg\u00edpcios, para o que destronaram e deportaram o rei Joacaz, que seria considerado no livro, ent\u00e3o, \u201cjusto\u201d.\u00a0 No entanto, a partir de 1,6, com a men\u00e7\u00e3o da vinda dos caldeus e sua descri\u00e7\u00e3o (Hab 1,6-11), o \u00edmpio citado em 1,4 seria mais bem identificado com os babil\u00f4nios e o justo, com Israel. De fato, a cr\u00edtica aos babil\u00f4nios ocupa lugar proeminente no livro. O inconveniente de que dificilmente Jud\u00e1 poderia ser qualificado simplesmente como \u201cjusto\u201d \u00e9 relativizado na medida em que \u00e9 comparado com Babil\u00f4nia. Em rela\u00e7\u00e3o a este povo, Jud\u00e1 poderia ser considerado como \u201cmais justo\u201d (Hab 1,13), j\u00e1 que os babil\u00f4nios s\u00e3o id\u00f3latras (Hab 1,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse dado \u00e9 confirmado por diversos ind\u00edcios. A men\u00e7\u00e3o aos caldeus em Hab 1,6 d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 descri\u00e7\u00e3o da sua maneira de agir, sem que haja nenhuma indica\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a do sujeito de refer\u00eancia at\u00e9 1,17. De outra parte, a imagem do pescador e da rede que apanha peixes (Hab 1,14-17) pertence ao imagin\u00e1rio babil\u00f4nico, que, no poema Enuma Elish, apresenta o deus Marduk aprisionando numa rede a deusa Tihamat. Al\u00e9m disso, o livro sup\u00f5e um contexto internacional, pois se refere a outros povos (Hab 2,8.10.13.17), e sua apresenta\u00e7\u00e3o como \u201cproclama\u00e7\u00e3o\u201d (hebraico <em>ma<\/em><em>\u0161\u0161a\u2019<\/em>: Hab 1,1), termo usado no t\u00edtulo de or\u00e1culos contra as na\u00e7\u00f5es (Is 13,1; 15,1; 17,1; 19,1; Na 1,1; Zc 9,1), apoia a interpreta\u00e7\u00e3o de que o livro seja sobretudo uma palavra contra um poder estrangeiro. Ou seja, o livro visa, em primeira inst\u00e2ncia, o poder babil\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma via m\u00e9dia para a solu\u00e7\u00e3o da identifica\u00e7\u00e3o do \u00edmpio e do justo em Hab 1,2-4 seria considerar somente esses vers\u00edculos como atinentes a uma amea\u00e7a interna a Jud\u00e1 (Hab 1,2-4) e o livro, a partir de 1,6, \u00e0 amea\u00e7a babil\u00f4nica. Diante dos desmandos que t\u00eam lugar na sociedade judaica (Hab 1,2-4), Deus enviaria essa na\u00e7\u00e3o (Hab 1,5-6) para puni\u00e7\u00e3o do povo eleito. O profeta refletiria sobre isso, dirigindo ent\u00e3o perguntas ao Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 \u00a0Estrutura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro est\u00e1 organizado em duas partes, cada qual encabe\u00e7ada por um t\u00edtulo: or\u00e1culo e vis\u00e3o (Hab 1,1-2,20) e uma prece s\u00e1lmica (Hab 3,1-19). As duas formam, pelo sentido, uma unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira parte apresenta lamentos do profeta e respostas de Deus (Hab 1,1-2,4), seguidos por cinco \u201cais\u201d contra o opressor (Hab 2,5-20). A primeira palavra do profeta dirige-se a Deus; \u00e9 um lamento pela situa\u00e7\u00e3o existente em Jud\u00e1 (Hab 1,2-4). Deus lhe responde, indicando a vinda dos caldeus como puni\u00e7\u00e3o para o povo pecador (Hab 1,5-6). Os babil\u00f4nios s\u00e3o descritos como poderosos e violentos, capazes de tudo dominar, um povo que humilha outros (Hab 1,6-11). O profeta toma ent\u00e3o a palavra, para compreender como \u00e9 poss\u00edvel que Deus se sirva dessa na\u00e7\u00e3o id\u00f3latra para punir seu povo (Hab 1,12-17). Deus novamente lhe dirige a palavra, indicando o princ\u00edpio a que o profeta se deve ater (Hab 2,1-4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cinco \u201cais\u201d que seguem s\u00e3o apresentados como uma \u201cs\u00e1tira\u201d contra o agir soberbo de Babil\u00f4nia (Hab 2,5-6). O primeiro aponta a ambi\u00e7\u00e3o que leva os caldeus a investirem contra seus vizinhos (Hab 2,7-8) e \u00e9 continuado pela cr\u00edtica ao orgulho pelo esplendor de Babil\u00f4nia, conseguido pelo depauperamento de outros povos (Hab 2,9-11). O motivo da cidade \u00e9 desenvolvido no terceiro \u201cai\u201d e culmina com a afirma\u00e7\u00e3o da gl\u00f3ria do Senhor que se impor\u00e1 a todas as na\u00e7\u00f5es (Hab 2,12-14). O quarto \u201cai\u201d toca o tema do vinho e da embriaguez, que indica a humilha\u00e7\u00e3o imposta por Babil\u00f4nia aos outros povos (Hab 2,15-17). O \u00faltimo \u201cai\u201d representa o cl\u00edmax ao tocar a idolatria dos babil\u00f4nios (Hab 2,18-20). Os \u201cais\u201d culminam na imagem da majestade de Deus que, de seu pal\u00e1cio, tudo domina (Hab 2,20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em esquema:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00edtulo: 1,1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00aa subse\u00e7\u00e3o: lamentos e or\u00e1culos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00ba lamento: o justo \u00e9 oprimido pelo \u00edmpio: 1,2-4<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1\u00aa resposta do Senhor: Deus enviou os caldeus: 1,5-11<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00ba lamento: a maldade dos caldeus: 1,12-17<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00aa resposta do Senhor: o mal cair\u00e1; \u00e9 preciso ser fiel: 2,1-4<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2\u00aa subse\u00e7\u00e3o: contra o opressor: cinco \u201cais\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o: 2,5-6<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro \u201cAi\u201d: 2,7-8: contra o dom\u00ednio ambicioso de Babil\u00f4nia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo \u201cAi\u201d: 2,9-11: a soberba e riqueza de Babil\u00f4nia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terceiro \u201cAi\u201d: 2,12-14: a viol\u00eancia de Babil\u00f4nia de nada lhe adiantar\u00e1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quarto \u201cAi\u201d: 2,15-17: Babil\u00f4nia, que humilhou, ser\u00e1 humilhada<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quinto \u201cAi\u201d: 2,18-20: a idolatria de Babil\u00f4nia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u201cais\u201d desembocam na prece do profeta, que anuncia a vinda poderosa do Senhor para julgar (Hab 3,1-19) e formam a segunda parte do livro. Ap\u00f3s um t\u00edtulo, o salmista dirige-se a Deus, pedindo uma interven\u00e7\u00e3o sua. Seguem-se duas descri\u00e7\u00f5es da vinda poderosa do Senhor, as quais se distinguem por se referirem a Deus indireta (em 3\u00aa pessoa) ou diretamente (em 2\u00aa pessoa). O motivo do lamento \u00e9 retomado juntamente com uma s\u00faplica a Deus e, por fim, o salmo conclui com uma confiss\u00e3o de confian\u00e7a no agir do Senhor e uma nota para sua execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em s\u00edntese:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00edtulo: 3,1<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o: pedido do salmista para que o Senhor demonstre seu poder: 3,2<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teofania: 3,3-15:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 hino teof\u00e2nico (que se refere a Deus em 3\u00aa pessoa): 3,3-7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 hino teof\u00e2nico (que se refere a Deus em 2\u00aa pessoa): 3,8-15<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prece e lamento: 3,16-17<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o: confiss\u00e3o de confian\u00e7a: 3,18-19a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instru\u00e7\u00e3o ao mestre do coro: 3,19b<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Principais pontos de teologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.1 A quest\u00e3o do mal e a justi\u00e7a de Deus<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o central abordada por Habacuc \u00e9 a do mal no mundo. O livro se constitui uma reflex\u00e3o sobre o agir de Deus na hist\u00f3ria humana, a permiss\u00e3o divina e sua provid\u00eancia: como pode Deus permitir que o mal prevale\u00e7a sobre o bem, o \u00edmpio domine o justo? Em rela\u00e7\u00e3o a Babil\u00f4nia, a quest\u00e3o se p\u00f5e da seguinte forma: os caldeus s\u00e3o suscitados por Deus (Hab 1,5-6) para punir os pecados de Jud\u00e1; mas eles agem com grande viol\u00eancia e soberba (Hab 1,9-10). Como um povo t\u00e3o pecador como os babil\u00f4nios pode ser instrumento de Deus? Uma pergunta que o profeta dirige ao Senhor tematiza o problema com que ele se defronta: \u201cPor que contemplas os que agem trai\u00e7oeiramente, silencias quando o \u00edmpio devora um mais justo do que ele?\u201d (Hab 1,13). Como pode Deus permitir isso, deixando que aconte\u00e7a a injusti\u00e7a sem intervir na hist\u00f3ria?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ocorre com certa frequ\u00eancia no Antigo Testamento que na\u00e7\u00f5es estrangeiras sejam tomadas por Deus como instrumento de puni\u00e7\u00e3o (Is 10,2-34; Jr 20,4-5). Elas, por\u00e9m, s\u00e3o, por sua vez, punidas, e o motivo aduzido \u00e9 que ultrapassaram sua miss\u00e3o e se aproveitaram do povo dominado (Is 10,7-8.12-19). Caracter\u00edstico de Habacuc \u00e9 ir al\u00e9m, questionando o porqu\u00ea da pr\u00f3pria permiss\u00e3o divina, uma vez que os povos estrangeiros tamb\u00e9m mereceriam ser punidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta, o profeta a recebe em uma revela\u00e7\u00e3o: Babil\u00f4nia ser\u00e1 castigada. Ponto central, na resposta de Deus, \u00e9 2,4, ao mostrar que, embora possa tardar, sua a\u00e7\u00e3o acontecer\u00e1 infalivelmente. Desse modo, o Senhor se mostrar\u00e1 como Ele realmente \u00e9: senhor de todos os imp\u00e9rios e de toda a hist\u00f3ria. Deus \u00e9 senhor de todos os acontecimentos; ele tem a \u00faltima palavra. Por isso, o povo pode esperar confiantemente nele, que n\u00e3o falhar\u00e1. Os babil\u00f4nios ser\u00e3o aniquilados e humilhados; o que fizeram, suportar\u00e3o (Hab 2,6.8.10.16-17). Deus se manifestar\u00e1 poderosamente (Hab 3,3-6) e os aniquilar\u00e1 (Hab 3,16). Seu poder sobrepuja mesmo as na\u00e7\u00f5es que parecem invenc\u00edveis (Is 14,3-23). Explica-se, desse modo, tanto a proemin\u00eancia de Babil\u00f4nia no plano internacional (ela foi instrumento da puni\u00e7\u00e3o divina) como sua queda (ela ser\u00e1 julgada pelo Senhor).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.2 A fidelidade do justo<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hab 2,4 enuncia um princ\u00edpio que serve de orienta\u00e7\u00e3o diante da quest\u00e3o colocada pelo livro e, ao mesmo tempo, coloca uma condi\u00e7\u00e3o para a interven\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus para com seu povo: \u201cEis que sucumbe quem n\u00e3o \u00e9 reto, mas o justo, na sua fidelidade, viver\u00e1\u201d. Duas atitudes s\u00e3o contrapostas: a soberba, a viol\u00eancia e a idolatria de \u201cquem n\u00e3o \u00e9 reto\u201d, descritas em 1,6-11.15-17, e a fidelidade do justo. Esta consiste em manter-se firme na promessa de Deus, a qual, mesmo se tarda a se realizar, n\u00e3o falhar\u00e1 (Hab 2,3). A justi\u00e7a divina ocorrer\u00e1 a seu tempo; faz parte da fidelidade do justo n\u00e3o desanimar diante da demora de Deus, crer que ele agir\u00e1, e, assim, superar o momento de prova e incerteza: os babil\u00f4nios, contra todas as evid\u00eancias humanas, ter\u00e3o o seu fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Salmo do final do livro (Hab 3) pede que Deus intervenha (Hab 3,2) e sintetiza a atitude do profeta em correspond\u00eancia \u00e0 exig\u00eancia feita em Hab 2,4: \u201cEstou tranquilo no dia de ang\u00fastia que se levantar\u00e1 contra o povo que nos ataca\u201d (Hab 3,16) \u2013 a certeza da interven\u00e7\u00e3o divina, a confian\u00e7a no cumprimento da palavra de Deus. Com isso, ele se mant\u00e9m inabal\u00e1vel: \u201cO Senhor, meu senhor, \u00e9 minha for\u00e7a, torna meus p\u00e9s como as gazelas e \u00e0s alturas me conduz\u201d (Hab 3,19).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro afirma, portanto, que acima de toda a prepot\u00eancia est\u00e1 o poder de Deus. Os imp\u00e9rios mundiais n\u00e3o est\u00e3o fora de seu controle. Deus \u00e9 santo (Hab 1,12; 3,3) e se manifestar\u00e1 a seu tempo (Hab 3,4-15). Ele domina todos os povos e age com justi\u00e7a. Por isso o profeta afirma: \u201cSil\u00eancio diante dele, toda terra!\u201d (Hab 2,20).<\/p>\n<p><strong>5 Lendo o texto hoje<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro de Habacuc oferece uma resposta fundamental \u00e0 quest\u00e3o da aparente vantagem que o mal tem na hist\u00f3ria humana, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem e aos imp\u00e9rios mundiais. Deus \u00e9 s\u00f3 aparentemente inerte. Ele n\u00e3o tolera a injusti\u00e7a, tem os acontecimentos sob seu controle e agir\u00e1 a seu tempo. A f\u00e9 d\u00e1 for\u00e7a para superar os obst\u00e1culos, na certeza de que Ele \u201cderruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes\u201d (Lc 1,52). Assim, o Reino de Deus come\u00e7a a se realizar e chegar\u00e1 \u00e0 plenitude: \u201cEle reinar\u00e1 pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos\u201d (Ap 11,15).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Maria de Lourdes Corr\u00eaa Lima, PUC Rio &#8211; Texto original portugu\u00e8s.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ALONSO SCH\u00d6KEL, L.; SICRE DIAZ, J.L. <em>Profetas<\/em>. Vol. 1. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAKER, D.W.; ALEXANDER, T.D.; STURZ, R.J. <em>Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque e Sofonias: introdu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rio<\/em>. S\u00e3o Paulo: Vida Nova, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARRIOCANAL GOMEZ, J.L. <em>Diccionario del profetismo b\u00edblico<\/em>. Burgos: Monte Carmelo, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DIAS LOPES, H. <em>Habacuque<\/em>. S\u00e3o Paulo: Hagnos, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FITZMYER, J.A.; BROWN, R.E.; MURPHY, R.E. (orgs.). <em>Novo coment\u00e1rio b\u00edblico S\u00e3o Jer\u00f4nimo<\/em>. Antigo Testamento. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROBERTSON, O.P. <em>Naum, Habacuque e Sofonias<\/em>. S\u00e3o Paulo: Academia Crist\u00e3, 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">R\u00d6MER, T.; MACCHI, J-D; NIHAN, C. (orgs). <em>Antigo Testamento: hist\u00f3ria, escritura e teologia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCALABRINI, P.R. <em>Livros prof\u00e9ticos<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHMID, K. <em>Hist\u00f3ria da Literatura do Antigo Testamento<\/em>. Uma introdu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Os dois reis se sucedem no trono de Jerusal\u00e9m. Possuem nomes muito pr\u00f3ximos, aqui diferenciados, a partir da grafia hebraica, pelas consoantes finais, respectivamente <em>q-m<\/em> e <em>k-n<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 O profeta e seu tempo \u2013 \u00e9poca da reda\u00e7\u00e3o do livro 2 Teor do livro 3 Estrutura 4 Principais pontos de teologia 4.1 A quest\u00e3o do mal e a justi\u00e7a de Deus 4.2 A fidelidade do justo 5 Lendo o texto hoje Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas 1 O profeta e seu tempo \u2013 \u00e9poca de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-1748","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-biblica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1748"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1748\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1797,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1748\/revisions\/1797"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}