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{"id":1697,"date":"2018-12-30T16:51:51","date_gmt":"2018-12-30T18:51:51","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1697"},"modified":"2018-12-30T16:51:51","modified_gmt":"2018-12-30T18:51:51","slug":"o-tempo-liturgico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1697","title":{"rendered":"O tempo lit\u00fargico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 O tempo na experi\u00eancia humana<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 A dimens\u00e3o objetiva e a dimens\u00e3o subjetiva do tempo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 A \u201chumaniza\u00e7\u00e3o\u201d do tempo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 O tempo na experi\u00eancia crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 O tempo na Sagrada Escritura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 O culto como memorial<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3 A compreens\u00e3o lit\u00fargica do tempo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3.1 O objeto da celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3.2 Na hist\u00f3ria, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 plenitude do Reino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3.3 C\u00edrculo, linha, espiral<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3.4 Ano, m\u00eas, dia e hora<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 O ano lit\u00fargico crist\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 A reforma do Vaticano II<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 A atual estrutura do ano lit\u00fargico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1.1 O ciclo ou tempo de Natal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1.2 O ciclo ou tempo pascal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1.3 O tempo comum<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1.4 Outras festas do ano lit\u00fargico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2\u00a0 O tempo lit\u00fargico como mistagogia da Igreja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 O tempo na experi\u00eancia humana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo \u00e9, acima de tudo, uma <em>experi\u00eancia fundamental e determinante do ser humano<\/em>. Junto com o espa\u00e7o, s\u00e3o as duas coordenadas fundantes de sua experi\u00eancia: estamos e nos movemos em um lugar e em um devir. Todo ser humano \u00e9 gestado, nasce e vive, at\u00e9 sua norte, imerso nessas duas dimens\u00f5es. Desde o espa\u00e7o protegido, quente e nutritivo do \u00fatero materno, dr\u00e1sticamente abandonado no nascimento, para dar entrada no grande espa\u00e7o do mundo, muito menos am\u00e1vel que o seio da m\u00e3e, o ser humano transita, habita e domestica o espa\u00e7o natural ou o que ele mesmo constr\u00f3i para viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso acontece de modo an\u00e1logo com o tempo, que o homem experimenta como uma evolu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua (um cont\u00ednuo devir), sem movimento para tr\u00e1s, percept\u00edvel na mudan\u00e7a, renova\u00e7\u00e3o e envelhecimento das coisas e das pessoas, imposs\u00edvel de parar. \u201cMuda, tudo muda\u201d, diz uma conhecida can\u00e7\u00e3o popular latino-americana, que expressa n\u00e3o apenas a experi\u00eancia da inevit\u00e1vel mudan\u00e7a, mas tamb\u00e9m a da persist\u00eancia da mem\u00f3ria e dos valores humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo \u00e9 a experi\u00eancia de que tudo pode ser medido em termos de sua dura\u00e7\u00e3o. D\u00e1 ao ser pensante um passado, um presente e um futuro, que \u00e9 tanto individual quanto social. O tempo e o espa\u00e7o determinam o homem como indiv\u00edduo e como ser social, possibilitando e limitando, ao mesmo tempo, sua exist\u00eancia, que \u00e9 radicalmente espa\u00e7o-temporal. O homem n\u00e3o pode escapar da realidade de estar situado em ambas as dimens\u00f5es, e pode experiment\u00e1-las como \u00e1reas de liberdade ou, tamb\u00e9m, de limita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia do tempo est\u00e1 na mente e nas emo\u00e7\u00f5es, mais do que nos sentimentos. \u00c9 mais dif\u00edcil apreender, definir, medir e controlar do que o espa\u00e7o. \u00c9 uma experi\u00eancia que desperta a sensa\u00e7\u00e3o de fragilidade, de desamparo, de depend\u00eancia de for\u00e7as incontrol\u00e1veis. Por isso, o ser humano sempre procurou control\u00e1-lo, domin\u00e1-lo e super\u00e1-lo, colidindo com a impossibilidade objetiva de faz\u00ea-lo, porque \u00e9 como um rio caudaloso que n\u00e3o pode ser detido. Essa experi\u00eancia leva ao sentimento religioso. A religi\u00e3o tem a capacidade de inclinar em favor do homem um devir que amedronta, dando-lhe significado; ou construir, atrav\u00e9s de sua ritualidade, a ilus\u00e3o de control\u00e1-lo e domin\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira e mais difundida a\u00e7\u00e3o de controle do tempo pelo homem \u00e9 sua mensura\u00e7\u00e3o e, para isso, tem a ajuda da pr\u00f3pria natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.1 A dimens\u00e3o objetiva e a dimens\u00e3o subjetiva do tempo<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem ritmos que ajudam o ser humano a medir o tempo. Entre aqueles que pertencem \u00e0 pr\u00f3pria natureza humana, est\u00e3o os biol\u00f3gicos: as batidas do cora\u00e7\u00e3o e a respira\u00e7\u00e3o s\u00e3o caracter\u00edsticas de sua corporeidade. Entre aqueles que o homem observa na natureza est\u00e3o os c\u00f3smicos, como o caminho di\u00e1rio do sol de leste a oeste, a sucess\u00e3o do dia e da noite, os meses determinados pelas fases da lua e o movimento das estrelas que, ligado \u00e0s esta\u00e7\u00f5es da natureza, determina a dura\u00e7\u00e3o de um ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baseado nesses ritmos naturais, o homem criou ritmos sociais como a hora, a semana e o m\u00eas, que, em sua dura\u00e7\u00e3o objetiva, variaram muito de tempos em tempos e de cultura para cultura. O ser humano n\u00e3o precisa apenas medir o tempo. Tamb\u00e9m \u00e9 capaz de gerar um horizonte temporal e distinguir, em sua consci\u00eancia, entre o momento presente, o passado e o futuro. Este horizonte depende da idade e do desenvolvimento intelectual e \u00e9 determinado pela situa\u00e7\u00e3o social de cada pessoa. Da mesma forma, o horizonte de tempo de um grupo humano depende, entre outros fatores, de seu desenvolvimento econ\u00f4mico, social e cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso distinguir, portanto, entre o tempo subjetivamente experimentado e o tempo objetivamente medido. Em ambos os casos, se trata do tempo <em>para o ser humano<\/em>, uma vez que sua percep\u00e7\u00e3o e medi\u00e7\u00e3o est\u00e3o intimamente ligadas \u00e0 consci\u00eancia e intelig\u00eancia do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo medido objetivamente pode ser determinado tanto pelos ritmos biol\u00f3gicos e c\u00f3smicos, quanto pelos sistemas de medida concebidos pelo ser humano. O tempo subjetivamente experimentado, no entanto, \u00e9 determinado pelos eventos que resultam em vida humana pessoal ou social. Qualquer per\u00edodo da vida de uma pessoa \u00e9 experimentado como \u201ccurto\u201d ou \u201clongo\u201d, dependendo se \u00e9 divertido ou chato, importante ou banal, feliz ou doloroso. Quem n\u00e3o experimenta como intermin\u00e1veis os dez minutos de espera em uma fila de banco, e como curt\u00edssimos \u00a0os mesmos dez minutos que compartilhamos com a pessoa amada? Portanto, n\u00e3o \u00e9 o tempo em si, mas o que acontece nele, que determina a experi\u00eancia temporal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.2 A \u201chumaniza\u00e7\u00e3o\u201d do tempo<\/strong><\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano tenta dominar o fluxo impar\u00e1vel do tempo atrav\u00e9s de sua medi\u00e7\u00e3o e sua organiza\u00e7\u00e3o. No entanto, todas as formas de medi\u00e7\u00e3o de tempo s\u00e3o baseadas em uma concep\u00e7\u00e3o pr\u00e9via dele mesmo; essas concep\u00e7\u00f5es s\u00e3o basicamente duas: a <em>c\u00edclica<\/em> e a <em>linear<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A c\u00edclica, expressa graficamente pelo c\u00edrculo, \u00e9 t\u00edpica das culturas mais arcaicas, j\u00e1 que sua origem est\u00e1 nos ritmos da natureza. Isso explica por que as categorias do ano, do m\u00eas e do dia existem em todo o mundo: elas s\u00e3o facilmente apreens\u00edveis na experi\u00eancia cotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma linear percebe o tempo como um devir permanente, sem a possibilidade de retroceder, representado graficamente por uma linha que sempre avan\u00e7a. Sua medi\u00e7\u00e3o consiste na segmenta\u00e7\u00e3o dessa linha em per\u00edodos. Nela, adquire uma import\u00e2ncia fundamental o objetivo, o \u201cat\u00e9 onde\u201d a linha vai, ou onde termina. A tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 adere basicamente a esta concep\u00e7\u00e3o do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A altern\u00e2ncia do dia e da noite \u00e9 o padr\u00e3o mais imediato para medir o tempo. Mas a dura\u00e7\u00e3o da luz e da escurid\u00e3o a que est\u00e3o ligados varia muito de uma regi\u00e3o para outra e de uma esta\u00e7\u00e3o para outra. Assim, a engenhosidade humana inventou instrumentos que medem as horas do dia, independentemente do fator claro-escuro: rel\u00f3gios solares, rel\u00f3gios de \u00e1gua e, finalmente, somente no s\u00e9culo XIV, o rel\u00f3gio mec\u00e2nico. Esse massificou-se no s\u00e9culo XIX pela produ\u00e7\u00e3o em massa de rel\u00f3gios de bolso e de pulso. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o sistema temporal foi universalizado ao se estabelecer o hor\u00e1rio de Greenwich (GMT &#8211; <em>Greenwich Mean Time<\/em>) como o padr\u00e3o de tempo, o que favoreceu a organiza\u00e7\u00e3o do tempo para um mundo cada vez mais globalizado nas \u00e1reas da produ\u00e7\u00e3o, transporte e mobilidade humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00eas, por outro lado, \u00e9 uma unidade complexa. Apesar de ter evidente apoio natural nas fases da lua, \u00e9 vivenciado como parte de um segmento maior, que \u00e9 o ano. No entanto, a dura\u00e7\u00e3o do ciclo solar, que chamamos de ano, n\u00e3o se encaixa com a divis\u00e3o em meses com base no ciclo lunar. Isto levou a diferentes solu\u00e7\u00f5es: o calend\u00e1rio isl\u00e2mico padronizou o ciclo solar e dividiu o ano em doze meses lunares, de modo que o ano \u00e9 dez dias mais curto que o ano solar, ou como fez o calend\u00e1rio juliano, que tomou o ciclo solar como base e os doze ciclos lunares foram padronizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A semana \u00e9 diferente do dia, m\u00eas e ano, porque n\u00e3o est\u00e1 relacionada a ciclos naturais, exceto nas culturas em que se imp\u00f4s a semana de sete dias, que \u00e9 quase um quarto do tempo do ciclo lunar, que tem 29,5 dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A semana \u00e9 de origem cultural. Portanto, nos tempos antigos, era diferente em diversas sociedades. Na Mesopot\u00e2mia e em Israel a semana tinha sete dias. Os antigos romanos tinham uma semana de oito dias, os chineses, uma de dez, e em v\u00e1rias culturas da \u00c1frica Ocidental, do Sudeste Asi\u00e1tico e da Am\u00e9rica Central havia semanas com cerca de tr\u00eas e seis dias. O que era comum em todas elas era o padr\u00e3o sempre recorrente de certos dias, provavelmente para regular certas atividades repetitivas, como os dias de mercado. Muitas sociedades conheciam, no sistema semanal, um dia de especial al\u00edvio, geralmente com fundamento religioso: o shabat do juda\u00edsmo, o domingo do cristianismo e a sexta-feira do islamismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 O tempo na experi\u00eancia crist\u00e3<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia humana do tempo e sua organiza\u00e7\u00e3o social est\u00e3o intimamente relacionadas com a consci\u00eancia religiosa do homem. Em todas as religi\u00f5es, o tempo desempenha um papel importante, mas a concep\u00e7\u00e3o do tempo e o comportamento religioso e cultual em rela\u00e7\u00e3o a ele, que derivam desse entendimento, s\u00e3o muito variados. A concep\u00e7\u00e3o b\u00edblica e lit\u00fargica crist\u00e3 \u00e9 apenas uma delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.1 O tempo na Sagrada Escritura<\/strong><\/em><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia b\u00edblica do tempo est\u00e1 na base do significado que a liturgia crist\u00e3 atribui a ela. O Deus crist\u00e3o \u00e9 o Deus-homem, o Deus-conosco, o Deus que encarna e assume n\u00e3o apenas a beleza de sua cria\u00e7\u00e3o e de suas criaturas, mas tamb\u00e9m suas limita\u00e7\u00f5es e condicionamentos. \u00c9 o Deus que se fez carne, fr\u00e1gil, limitada e corrupt\u00edvel, localizada nas coordenadas fundamentais do tempo e do espa\u00e7o. Isso determina radicalmente a liturgia, assim como o mist\u00e9rio pascal de Cristo, que representa a supera\u00e7\u00e3o de todo o condicionamento, tamb\u00e9m do tempo: o Ressuscitado introduz a humanidade na nova eternidade, em um novo tempo, que aguarda sua segunda vinda, a definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na B\u00edblia predomina uma ideia de tempo que considera o \u00e2mbito da a\u00e7\u00e3o de Deus e da revela\u00e7\u00e3o do des\u00edgnio divino na hist\u00f3ria. \u00c9 fundamentalmente uma concep\u00e7\u00e3o linear do tempo, com a exce\u00e7\u00e3o do livro Qohelet, que introduz uma concep\u00e7\u00e3o c\u00edclica e fatalista, caracter\u00edstica do mundo hel\u00eanico, cuja cultura dominou a Palestina a partir das conquistas de Alexandre, o Grande, no s\u00e9culo IV aC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de tudo, o tempo \u00e9, na B\u00edblia, a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. O tempo \u00e9 a hist\u00f3ria na qual Deus revela seu projeto salv\u00edfico, manifesta sua vontade chamando pessoas concretas, convoca e re\u00fane um povo de sua propriedade, libertando-o permanentemente da escravid\u00e3o e do pecado, conduzindo-o at\u00e9 o cumprimento de suas promessas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa promessa \u00e9 plenamente cumprida em Jesus Cristo, a irrup\u00e7\u00e3o de Deus na hist\u00f3ria humana, na encarna\u00e7\u00e3o e em sua vida hist\u00f3rica. Esta irrup\u00e7\u00e3o, o dia favor\u00e1vel da salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o termina com a vida humana de Jesus de Nazar\u00e9, mas inaugura a eternidade definitiva, o tempo da plenitude que s\u00f3 aguarda sua consuma\u00e7\u00e3o na parusia, a vinda definitiva do Cristo glorioso. O conceito de \u201creino\u201d de Deus, inaugurado por Jesus Cristo, \u00e9 um conceito temporal e n\u00e3o precisamente geogr\u00e1fico. \u00c9 equivalente ao \u201creinado\u201d de Deus, isto \u00e9, \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o de sua soberania. Jesus afirmou que este reinado j\u00e1 estava no meio de seu povo por causa de suas interven\u00e7\u00f5es salvadoras (Lc 11,20). Sua pr\u00f3pria irrup\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria j\u00e1 era o come\u00e7o do reinado, e a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos abriu a porta do tempo definitivo, lan\u00e7ando assim a linha para a consuma\u00e7\u00e3o de sua vinda escatol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.2 O culto como memorial<\/strong><\/em><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta ideia de tempo, o culto adquire um significado particular. Os grandes festivais anuais do Antigo Testamento, que em sua origem eram festas da natureza, c\u00edclicas, foram <em>historicizadas<\/em>. Seu conte\u00fado original foi substitu\u00eddo por a\u00e7\u00f5es salv\u00edficas de Deus na hist\u00f3ria. As festividades se transformaram em festas memoriais, que recordavam fatos salv\u00edficos do passado. Atrav\u00e9s de palavras e a\u00e7\u00f5es rituais, esses eventos atualizavam (tornavam presente) a salva\u00e7\u00e3o de Deus e, ao mesmo tempo, prometiam a salva\u00e7\u00e3o definitiva para o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ritual tornou-se um sinal memorial do que acontecera em algum momento, uma express\u00e3o de fidelidade aos preceitos divinos e um sinal de esperan\u00e7a no cumprimento futuro da promessa de Deus. \u00c9 a sua fidelidade que atualiza no presente a salva\u00e7\u00e3o j\u00e1 realizada e promete para o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta compreens\u00e3o do tempo e da a\u00e7\u00e3o cultual ao longo dele se d\u00e1 tanto na liturgia da sinagoga como na liturgia da nossa Igreja crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.3 A compreens\u00e3o lit\u00fargica do tempo<\/strong><\/em><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo \u00e9 obra de Deus e a Ele pertence, como tudo criado por Ele. Deus existe desde sempre e para sempre, isto \u00e9, fora do tempo e n\u00e3o sujeito ao seu dom\u00ednio. O \u201ctempo\u201d de Deus \u00e9 chamado <em>eternidade<\/em>. Ele \u00e9 autor, criador e senhor do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tempo, a vida humana se desenvolve, tomando consci\u00eancia do devir, fazendo dele hist\u00f3ria. O cristianismo \u00e9 uma religi\u00e3o hist\u00f3rica. Tamb\u00e9m sua liturgia \u00e9 hist\u00f3rica, num duplo sentido: celebra <em>a<\/em> hist\u00f3ria e \u00e9 celebrada <em>na<\/em> hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.3.1 O objeto da celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O qu\u00ea, precisamente, da hist\u00f3ria celebra nossa liturgia? O foco principal da liturgia crist\u00e3 \u00e9 o <em>mist\u00e9rio pascal de Cristo<\/em>, isto \u00e9, os eventos hist\u00f3ricos de sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Eles constituem o \u00e1pice e a articula\u00e7\u00e3o do tempo crist\u00e3o. Na liturgia, celebra-se um Deus que, segundo a revela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 apenas o criador de tudo o que existe, mas tamb\u00e9m se manifesta libertando e salvando o homem na hist\u00f3ria, porque ele mesmo se fez hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As interven\u00e7\u00f5es libertadoras de Deus na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, passada, presente e futura, concentram-se no evento Cristo, no seu <em>mist\u00e9rio pascal<\/em>. E \u00e9 precisamente este mist\u00e9rio pascal que a Igreja celebra sempre em todas as liturgias. Como o mist\u00e9rio pascal \u00e9 a s\u00edntese da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, a liturgia \u00e9 seu \u201cmomento\u201d privilegiado, sua atualiza\u00e7\u00e3o. Ela celebra essa hist\u00f3ria na medida em que \u00e9 preenchida pelas interven\u00e7\u00f5es libertadoras de Deus, antes e depois da encarna\u00e7\u00e3o. Celebra n\u00e3o s\u00f3 a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, mas toda a sua vida, a terrena, a preexistente e a gloriosa, a sua mensagem e os seus pr\u00f3prios atos salv\u00edficos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.3.2 Na hist\u00f3ria, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 plenitude do Reino<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia \u00e9 celebrada <em>na<\/em> hist\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o atemporal, n\u00e3o pretende \u201csuperar\u201d o tempo. N\u00e3o \u00e9 celebrada de costas, mas imersa na hist\u00f3ria real, porque atualiza as irrup\u00e7\u00f5es salv\u00edficas passadas de Deus <em>na hist\u00f3ria presente<\/em>, que \u00e9, tamb\u00e9m ela, a continua\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia crist\u00e3 n\u00e3o pretende, portanto, nem superar nem dominar o tempo, mas, ao contr\u00e1rio, nele, que \u00e9 o cen\u00e1rio da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, \u201crenasce\u201d a hist\u00f3ria real dos seres humanos, submergindo-a no mist\u00e9rio de Cristo para que os crentes celebrem as interven\u00e7\u00f5es libertadoras de Deus como um permanente <em>dia<\/em> de salva\u00e7\u00e3o: o <em>hoje<\/em> do mist\u00e9rio pascal que se faz presente na vida concreta da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.3.3 C\u00edrculo, linha, espiral<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na liturgia, re\u00fanem-se os tr\u00eas tempos que distinguem nossa consci\u00eancia: o <em>passado<\/em>, com toda sua riqueza de interven\u00e7\u00f5es de Deus, o <em>presente<\/em>, com as circunst\u00e2ncias concretas e determinantes da assembleia que celebra, e o <em>futuro<\/em>, como meta escatol\u00f3gica que mobiliza a esperan\u00e7a e o compromisso dos crist\u00e3os: \u201cAnunciamos a sua morte, proclamamos a sua ressurrei\u00e7\u00e3o. Venha, Senhor Jesus!\u201d, dizemos na aclama\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s o relato da institui\u00e7\u00e3o da eucaristia. A liturgia \u00e9 celebrada na tens\u00e3o de uma linha que avan\u00e7a para o encontro definitivo com o Senhor da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tempo lit\u00fargico crist\u00e3o h\u00e1 uma s\u00edntese dos dois grandes sistemas de organiza\u00e7\u00e3o temporal, o c\u00edclico e o linear. Organizado em torno dos ciclos naturais do dia, do m\u00eas e do ano e, acima de tudo, como o Conc\u00edlio Vaticano II enfatizou, em torno do ciclo cultural-religioso da semana de sete dias, com o domingo como o dia principal. O mundo ocidental, influenciado pelo cristianismo, determinou o in\u00edcio de seu calend\u00e1rio, o ano zero, de acordo com o nascimento de Jesus Cristo. Hoje, gra\u00e7as a estudos que corrigiram c\u00e1lculos do passado, sabemos que o nascimento de Jesus foi, de fato, entre os anos 4 e 7 antes do ano 0.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a concep\u00e7\u00e3o c\u00edclica, a liturgia crist\u00e3 \u00e9 ordenada pelas horas do dia, na sequ\u00eancia semanal marcada pelo domingo, e no ano, que recebe v\u00e1rios nomes: \u201cano lit\u00fargico\u201d, \u201cano eclesial\u201d, \u201cano do Senhor\u201d. \u00a0Para distribuir a riqueza da B\u00edblia nas leituras das v\u00e1rias celebra\u00e7\u00f5es, organiza-se o tempo lit\u00fargico, desde a reforma do Conc\u00edlio Vaticano II, num ciclo de tr\u00eas anos: A, B e C. A liturgia das horas organiza os textos b\u00edblicos do of\u00edcio de leituras em um ciclo de dois anos, Par e \u00cdmpar. A Igreja universal estabeleceu um ano jubilar a cada 50 anos. Todos esses padr\u00f5es se repetem circularmente, uma unidade ap\u00f3s a outra, sem mudan\u00e7a. Eles representam a continuidade da concep\u00e7\u00e3o c\u00edclica no tempo lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, a tens\u00e3o subjacente do tempo lit\u00fargico \u00e9 claramente constitu\u00edda por um entendimento linear: a Igreja, povo de Deus que nasce da P\u00e1scoa de Cristo, peregrina em dire\u00e7\u00e3o ao \u201cfim dos tempos\u201d, \u00e0 plenitude do Reino de Deus que ser\u00e1 definitivamente instalado na segunda vinda de Cristo: a parusia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da s\u00edntese do c\u00edrculo e da linha, surge a imagem mais apropriada do tempo da Igreja, que \u00e9 o tempo lit\u00fargico: a espiral ascendente. Cont\u00e9m tanto o movimento circular, de ciclos que se repetem sem mudan\u00e7a, como o movimento linear da hist\u00f3ria que avan\u00e7a sem nunca voltar atr\u00e1s. Cada evolu\u00e7\u00e3o da espiral ao mesmo tempo repete e renova, volta sobre si mesma e se move em dire\u00e7\u00e3o ao que nunca foi percorrido antes. O que se repete no ano lit\u00fargico, de fato, nunca se repete como no ciclo anterior, mas sempre em um n\u00edvel superior, em um contexto novo e diferente, porque o mundo e a humanidade, os crist\u00e3os e aqueles que celebram n\u00e3o s\u00e3o os mesmos de um ano antes, e nem mesmo de um m\u00eas, de uma semana ou de um dia antes. Embora tudo na liturgia se repita, tamb\u00e9m \u00e9 sempre novo, porque o mundo e a humanidade \u201cmudam, tudo muda\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>2.3.4 Ano, m\u00eas, dia e hora<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como na sociedade civil, a principal unidade do tempo lit\u00fargico \u00e9 o \u201cano\u201d, embora seja um \u201cano\u201d particular, cujo in\u00edcio e fim n\u00e3o coincidem temporariamente com o ano civil. Seu valor \u00e9 teol\u00f3gico, e n\u00e3o organizacional. N\u00e3o \u00e9 definido como uma mera magnitude temporal, mas como s\u00edmbolo de uma realidade sobrenatural. Para o cristianismo, \u00e9 a analogia de uma realidade espiritual muito mais profunda do que os dados cosmol\u00f3gicos de uma virada da Terra ao redor do sol. Tem profundas ra\u00edzes b\u00edblicas, cristalizadas nas express\u00f5es \u201cano da gra\u00e7a de Yahweh\u201d (Is 61,2), \u201cano da gra\u00e7a do Senhor\u201d (Lc 4,19), \u201cplenitude dos tempos\u201d (Gl 4,4; Ef 1,10), \u201cReino dos C\u00e9us\u201d (Mt 3,2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fundamento crist\u00e3o do ano \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor Jesus Cristo. O <em>ano da gra\u00e7a do Senhor<\/em> \u00e9 o tempo da presen\u00e7a de Cristo que dura para sempre. O ano lit\u00fargico \u00e9 o s\u00edmbolo da eternidade definitiva inaugurada por Jesus Cristo com a sua ressurrei\u00e7\u00e3o e, por essa raz\u00e3o, torna-se um s\u00edmbolo da vida plena do ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia, celebrando o mist\u00e9rio pascal de Cristo ao longo dos anos, meses, semanas, dias e horas, <em>pascoaliza<\/em> o tempo, colocando-o explicitamente na linha da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, o <em>santifica<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decorrer do <em>dia<\/em>, a Igreja celebra a eucaristia e a <em>liturgia das horas<\/em>. Com a liturgia das horas, a Igreja <em>santifica<\/em> os momentos do come\u00e7o e do fim do dia \u2013 o nascer do sol e seu poente \u00ad\u2013 com as ora\u00e7\u00f5es das Laudes e das V\u00e9speras, que considera \u201co duplo eixo sobre o qual se volta o Of\u00edcio di\u00e1rio\u201d \u2013 e as horas principais, e tamb\u00e9m o meio-dia ou tempo intermedi\u00e1rio, com as horas menores da Terceira, Sexta e Nona. Agrega o of\u00edcio de leituras e uma ora\u00e7\u00e3o breve \u2013 as Completas \u2013 antes do descanso noturno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A semana \u00e9 marcada principalmente pelo domingo, que \u00e9 a primeira festa dos crist\u00e3os, como enfatizou o Vaticano II. O ritmo semanal representa de maneira mais evidente a santifica\u00e7\u00e3o do tempo lit\u00fargico. A <em>P\u00e1scoa semanal<\/em> \u00e9 a sequ\u00eancia fundamental do tempo lit\u00fargico crist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano est\u00e1 claramente organizado no calend\u00e1rio romano, que foi inteiramente reformado pelo Conc\u00edlio Vaticano II. O conceito b\u00edblico e lit\u00fargico de \u201cano santo\u201d foi incorporado \u00e0 Igreja no costume de instituir regularmente, a cada 25 anos, e tamb\u00e9m por ocasi\u00e3o de algum evento extraordin\u00e1rio, um ano festivo com esse nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 O ano lit\u00fargico crist\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo lit\u00fargico crist\u00e3o adquiriu forma concreta, como parte da liturgia e como organiza\u00e7\u00e3o concreta das v\u00e1rias celebra\u00e7\u00f5es, como um \u201cano lit\u00fargico\u201d. Isso n\u00e3o se criou ou desenvolveu a partir de teoria, mas foi se formando a partir da pr\u00e1tica em celebrar e aprofundar as verdades teol\u00f3gicas dos crist\u00e3os de v\u00e1rios lugares. Estabeleceu, desde o in\u00edcio, usos distintos e diferen\u00e7as, que em parte foram unificados posteriormente para afirmar a comunh\u00e3o da Igreja e em parte foram mantidos, alguns deles at\u00e9 hoje, como pr\u00e1ticas distintas dentro da comunh\u00e3o eclesial. Por exemplo, as Igrejas Orientais, mesmo aquelas em comunh\u00e3o com Roma, celebram a P\u00e1scoa, a principal festa dos crist\u00e3os, em data diferente da cat\u00f3lica romana. E a mesma coisa acontece com outras datas e tempos lit\u00fargicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como foi no come\u00e7o? A partir da eucaristia semanal \u2013 os primeiros crist\u00e3os celebravam todos os \u201coitavos d\u00edas\u201d, que hoje chamamos de domingo (de <em>dominica dies<\/em>, \u201cdia do Senhor\u201d) \u2013 e da p\u00e1scoa anual (celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o uma vez por ano ), um rico ciclo de celebra\u00e7\u00f5es foi se desenvolvendo ao longo do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As igrejas crist\u00e3s dos primeiros s\u00e9culos, submetidas por longos per\u00edodos \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es do Imp\u00e9rio Romano, come\u00e7aram a venerar seus m\u00e1rtires, que entregavam suas vidas e derramavam seu sangue por causa do evangelho, participando assim, do mist\u00e9rio pascal do Senhor. A recorr\u00eancia anual da data dessas mortes deu origem ao que chamamos \u201cmartirol\u00f3gio\u201d, isto \u00e9, a lista de todos os santos que veneramos na liturgia. O martirol\u00f3gio \u00e9 enriquecido permanentemente por meio da beatifica\u00e7\u00e3o e canoniza\u00e7\u00e3o de novos homens e mulheres, como aconteceu recentemente com monsenhor Oscar Romero, de El Salvador (canonizado em 14 de outubro de 2018, em Roma).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No quarto s\u00e9culo, surgiu a festa do nascimento de Jesus, como consequ\u00eancia l\u00f3gica da aten\u00e7\u00e3o dada a toda sua vida e obra, desde o momento de sua concep\u00e7\u00e3o e nascimento. Nos s\u00e9culos subsequentes, outros eventos na vida de Jesus foram adquirindo o estatuto de festas lit\u00fargicas. No mesmo s\u00e9culo, a figura de Maria entrou na liturgia com grande for\u00e7a, na medida em que a teologia e a espiritualidade iam definindo e aprofundando seu papel essencial na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o Conc\u00edlio de Trento, no s\u00e9culo XVI, o ano lit\u00fargico, como toda a liturgia, estava formado em todas as suas estruturas fundamentais, que permaneceram sem mudan\u00e7as de grande relev\u00e2ncia at\u00e9 o Conc\u00edlio Vaticano II em 1965. O CVII foi precedido por mais de um s\u00e9culo de estudos lit\u00fargicos cient\u00edficos, que pouco a pouco foram questionando uma s\u00e9rie de aspectos da liturgia que seriam reformados profundamente a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 A reforma do Vaticano II<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o Conc\u00edlio Vaticano II, temos um ano lit\u00fargico muito renovado sobre o passado. O enorme n\u00famero de festas obrigat\u00f3rias de santos que foram se acumulando ao longo da hist\u00f3ria levou gradualmente \u00e0 perda da centralidade do mist\u00e9rio pascoal de Cristo e da import\u00e2ncia do domingo. A consci\u00eancia da import\u00e2ncia fundamental da Sagrada Escritura para a f\u00e9 e para a catequese da Igreja, tornou necess\u00e1rio repensar a sua presen\u00e7a na liturgia. O mesmo pode ser dito do uso das l\u00ednguas de cada pa\u00eds ou grupo humano, chave para a compreens\u00e3o e, acima de tudo, para a participa\u00e7\u00e3o mais ativa das pessoas na celebra\u00e7\u00e3o. A participa\u00e7\u00e3o da assembleia foi uma das principais quest\u00f5es da reforma, que concebeu a liturgia n\u00e3o como uma fun\u00e7\u00e3o sagrada a que os fi\u00e9is assistem passivamente, ouvindo e repetindo gestos pr\u00e9-definidos, mas sim como uma festa do povo de Deus, presidida pelo pr\u00f3prio Cristo <em>em<\/em> seus ministros, e caracterizada pela participa\u00e7\u00e3o ativa de toda a assembleia lit\u00fargica, cada qual segundo sua condi\u00e7\u00e3o e fun\u00e7\u00e3o, e com maior espontaneidade e presen\u00e7a da vida concreta dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levando em considera\u00e7\u00e3o estes e outros aspectos que necessitavam urgentemente de uma reforma, o Conc\u00edlio renovou a liturgia e o ano lit\u00fargico de maneira profunda. Reavaliou a centralidade do domingo, a celebra\u00e7\u00e3o da \u201cP\u00e1scoa semanal\u201d e o ritmo fundamental do ano lit\u00fargico. Outra grande riqueza da reforma \u00e9 a presen\u00e7a renovada da B\u00edblia nas celebra\u00e7\u00f5es. Para a eucaristia aos domingos, foi elaborado um ciclo de tr\u00eas anos, no decorrer dos quais foram distribu\u00eddas leituras de toda a B\u00edblia, que permitem \u00e0s comunidades conhecer os fundamentos da Sagrada Escritura nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.1 A atual estrutura do ano lit\u00fargico<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atual organiza\u00e7\u00e3o do ano lit\u00fargico tem \u201ctempos\u201d e celebra\u00e7\u00f5es para a Igreja universal. Come\u00e7a, na Igreja Cat\u00f3lica, com as Primeiras V\u00e9speras do Primeiro Domingo do Advento (isto \u00e9, no s\u00e1bado depois da festa de Cristo Rei, \u00e0 tarde). A data deste dia n\u00e3o \u00e9 fixa, mas muda ligeiramente todos os anos. Uma vez que h\u00e1 quatro domingos de prepara\u00e7\u00e3o para o Natal, retrocede-se do \u00faltimo domingo antes de 25 de dezembro para determinar a data do primeiro domingo do Advento. \u00c9 sempre entre os \u00faltimos dias de novembro e os primeiros dias de dezembro. Com o Advento, inicia-se o ciclo de Natal (tamb\u00e9m chamado de ciclo de Manifesta\u00e7\u00e3o do Senhor), que continua at\u00e9 a festa do batismo do Senhor, no primeiro domingo depois de 6 de janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo tempo \u00e9 o tempo comum, que inicia ap\u00f3s a festa do batismo de Jesus e se estende at\u00e9 o in\u00edcio de Quaresma, tempo de prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa da ressurrei\u00e7\u00e3o. Nem mesmo essa data \u00e9 fixa, pois \u00e9 determinada pela data da P\u00e1scoa, estabelecida com base no calend\u00e1rio lunar, e n\u00e3o no solar: a P\u00e1scoa \u00e9 sempre no primeiro domingo que se segue \u00e0 lua cheia, ap\u00f3s o equin\u00f3cio da primavera. Oscila entre 22 de mar\u00e7o e 25 de abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7a ent\u00e3o o ciclo pascal, que \u00e9 constitu\u00eddo pela Quaresma, pela Semana Santa e a P\u00e1scoa, culminando com a solenidade de Pentecostes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda-feira ap\u00f3s o Pentecostes, o tempo comum \u00e9 retomado e dura at\u00e9 o s\u00e1bado posterior \u00e0 solenidade de Cristo Rei. O tempo comum tem 33 ou 34 semanas e \u00e9 o mais longo do ano lit\u00fargico. Com as primeiras V\u00e9speras no domingo posterior a essa festa, um novo ano lit\u00fargico come\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.1.1 O ciclo ou tempo de Natal<\/em><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este ciclo ou tempo, o segundo em import\u00e2ncia do ano lit\u00fargico, \u00e9 tamb\u00e9m chamado de \u201cciclo da manifesta\u00e7\u00e3o do Senhor\u201d, porque celebramos Cristo que se revela a n\u00f3s em suas manifesta\u00e7\u00f5es na hist\u00f3ria humana. \u00c9 organizado em torno da segunda grande festa do Senhor, o Natal, que celebra seu nascimento em Bel\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cencarna\u00e7\u00e3o\u201d de Deus, o fazer-se \u201ccarne\u201d ou pessoa humana, \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que historicamente possa viver e morrer. O mist\u00e9rio pascal foi poss\u00edvel porque Deus se tornou humano. Este ciclo inicia o ano lit\u00fargico da Igreja, o primeiro domingo do Advento. Seus principais momentos s\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; os quatro domingos do Advento, que constituem a prepara\u00e7\u00e3o para o Natal e nos sensibilizam para a esperan\u00e7a da vinda definitiva do Senhor;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; o Natal, festa do nascimento de Jesus Cristo em Bel\u00e9m;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; a Oitava do Natal, semelhante \u00e0 da P\u00e1scoa, que continua a festa durante uma semana inteira; ela inaugura o \u201ctempo de Natal\u201d, que dura at\u00e9 o come\u00e7o do tempo comum;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; a festa da Sagrada Fam\u00edlia, no domingo depois do Natal;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; o dia da Oitava, 1\u00ba de janeiro e in\u00edcio do ano civil em grande parte do mundo, celebrando a solenidade de Santa Maria M\u00e3e de Deus;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; a Epifania, em 6 de janeiro ou no segundo domingo ap\u00f3s o Natal, que recorda a manifesta\u00e7\u00e3o do rec\u00e9m-nascido a todas as na\u00e7\u00f5es, representadas nos magos do oriente;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; o batismo do Senhor, no domingo depois da Epifania, que faz mem\u00f3ria do in\u00edcio do seu minist\u00e9rio messi\u00e2nico, manifestando-se assim ao seu povo, Israel. Com esta festa, o \u201ctempo de Natal\u201d termina e a primeira semana do \u201ctempo comum\u201d come\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.1.2 O ciclo ou tempo pascal<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ciclo, ou tempo, da P\u00e1scoa \u00e9 o mais importante do ano lit\u00fargico, porque no seu centro est\u00e1 a principal festa crist\u00e3, a P\u00e1scoa da Ressurrei\u00e7\u00e3o. O ciclo come\u00e7a na Quarta-feira de Cinzas, com a Quaresma, um tempo de convers\u00e3o e reflex\u00e3o que dura 40 dias e est\u00e1 orientado para a prepara\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa. No final da Quaresma, vem a Semana Santa, a mais intensa do ano lit\u00fargico, cujos dias mais importantes s\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Domingo de Ramos, quando se inicia e comemora a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m antes de morrer e ressuscitar;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Quinta-feira Santa, em que se celebra a \u201cmissa crismal\u201d do bispo com todos os seus colaboradores no minist\u00e9rio (sacerdotes e di\u00e1conos) e os \u00f3leos s\u00e3o benzidos para os batismos, confirma\u00e7\u00f5es, un\u00e7\u00f5es dos enfermos e ordena\u00e7\u00f5es do ano (existem dioceses em que esta missa \u00e9 transferida para outro dia da Semana Santa); e, na noite da Quinta-feira Santa, a Ceia do Senhor em que celebramos a institui\u00e7\u00e3o da eucaristia e o sacerd\u00f3cio ordenado;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Sexta-Feira Santa, o dia em que lembramos a morte do Senhor; \u00e9 o \u00fanico dia do ano em que a eucaristia n\u00e3o \u00e9 celebrada (por isso comungamos com as h\u00f3stias consagradas na Quinta-feira Santa);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; S\u00e1bado Santo, que culmina, \u00e0 noite, com a vig\u00edlia pascal;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; e a celebra\u00e7\u00e3o dominical da ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A celebra\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o prolonga-se na Oitava da P\u00e1scoa, at\u00e9 o domingo seguinte, como \u201cum \u00fanico dia de festa\u201d. Continua, al\u00e9m disso, para todo o quinquag\u00e9simo pascal ou per\u00edodo pascal, que s\u00e3o os cinquenta dias que culminam com a festa do Esp\u00edrito Santo, Pentecostes. No 40\u00ba dia \u00e9 celebrada a Festa da Ascens\u00e3o do Senhor, que em muitos pa\u00edses \u00e9 transferida para o domingo seguinte, que \u00e9 aquele antes de Pentecostes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.1.3 O tempo comum<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todo o tempo que fica fora dos dois grandes ciclos anteriores, cuja dura\u00e7\u00e3o \u00e9 de 33 ou 34 semanas, nenhum aspecto particular do mist\u00e9rio pascal \u00e9 celebrado, a n\u00e3o ser o mist\u00e9rio de Cristo e de sua Igreja como um todo. Os domingos s\u00e3o seus principais dias; a cada sete dias acontece a festa da ressurrei\u00e7\u00e3o para os crist\u00e3os. Uma parte menor destes domingos, entre 5 e 9, se encontra\u00a0 depois do ciclo da manifesta\u00e7\u00e3o, a partir da festa do batismo do Senhor, e os restantes, depois do domingo de Pentecostes, at\u00e9 o s\u00e1bado anterior ao primeiro domingo do Advento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 leitura do evangelho, o evangelista Lucas foi designado para o ano A, os evangelistas Marcos e Jo\u00e3o para o ano B, e o evangelista Mateus para o ano C. A cada tr\u00eas anos, o ciclo recome\u00e7a, dando-nos a possibilidade de uma nova passagem pelos livros e textos mais importantes para a nossa f\u00e9. No tempo comum, os domingos e os dias da semana s\u00e3o a raz\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o, especialmente o lecion\u00e1rio. Com as leituras dos anos A, B e C se d\u00e1 sua unidade, que n\u00e3o \u00e9 cortada por estar dividida em duas partes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>4.1.4 Outras festas do ano lit\u00fargico<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tempo comum, a Igreja coloca uma s\u00e9rie de outras festividades importantes, entre as quais se destacam muitas festas da Virgem e dos santos, embora\u00a0 essas tamb\u00e9m estejam distribu\u00eddas ao longo do ano, podendo estar nos ciclos da manifesta\u00e7\u00e3o e da P\u00e1scoa. Os eventos mais importantes s\u00e3o os seguintes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o a Jesus Cristo: apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor (2 de fevereiro, na verdade, entra no complexo das festividades da manifesta\u00e7\u00e3o); Exalta\u00e7\u00e3o da Cruz (14 de setembro ou 3 de maio); Sant\u00edssima Trindade (domingo ap\u00f3s o Pentecostes; celebra o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo); Corpus Christi (Corpo e Sangue de Cristo; segunda quinta-feira ap\u00f3s Pentecostes); Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus (terceira sexta-feira ap\u00f3s Pentecostes); Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor (6 de agosto); Cristo Rei (\u00faltimo domingo do ano lit\u00fargico, isto \u00e9, antes do primeiro dia do Advento).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem Maria: Anuncia\u00e7\u00e3o do Senhor (25 de mar\u00e7o: nove meses antes do nascimento); Assun\u00e7\u00e3o de Maria (15 de agosto); Imaculada Concei\u00e7\u00e3o (8 de dezembro); Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria (terceiro s\u00e1bado ap\u00f3s Pentecostes); e muitas invoca\u00e7\u00f5es especiais, como Nossa Senhora de Lourdes (11 de fevereiro), Nossa Senhora de F\u00e1tima (13 de maio), e, especialmente na Am\u00e9rica Latina, o continente mariano por excelencia, cujos pa\u00edses veneram a Virgem Maria como padroeira em v\u00e1rias invoca\u00e7\u00f5es: Nossa Senhora de Guadalupe (padroeira da Am\u00e9rica Latina, 12 de dezembro), Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro), Virgem de Luj\u00e1n (8 de maio), Nossa Senhora do Carmo (16 de julho) e muitas outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o aos santos: Todos os santos (1\u00ba de novembro), S\u00e3o Jos\u00e9 (19 de mar\u00e7o) e S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio (1\u00ba de maio), S\u00e3o Jo\u00e3o Batista (24 de junho), S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo (29 de junho) e outros pr\u00f3prios de cada pa\u00eds. O grande n\u00famero de homens e mulheres que foram canonizados desde o pontificado de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II deve-se ao desejo de enriquecer os calend\u00e1rios particulares com santos e santas locais, al\u00e9m daqueles do calend\u00e1rio universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda muitas outras festas da Virgem Maria e dos santos. Frequentemente est\u00e3o mais ligadas \u00e0 devo\u00e7\u00e3o pessoal ou a algumas regi\u00f5es. Por sua import\u00e2ncia para muitos cat\u00f3licos, devemos lembrar tamb\u00e9m a comemora\u00e7\u00e3o de Todos os mortos (2 de novembro), um dia de grande aflu\u00eancia aos cemit\u00e9rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunh\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uniformidade, mas unidade na riqueza da diversidade. Por esta raz\u00e3o, o ano lit\u00fargico se torna local em cada Igreja particular, atrav\u00e9s de celebra\u00e7\u00f5es e festas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As celebra\u00e7\u00f5es t\u00eam suas pr\u00f3prias cores, que s\u00e3o usadas \u200b\u200bem vestes lit\u00fargicas e outros signos\/s\u00edmbolos\u00a0 do espa\u00e7o da celebra\u00e7\u00e3o: verde para o tempo comum, tanto nos domingos como em festas e dias da semana; vermelho para o Domingo de Ramos, Sexta-Feira Santa e as festas dos ap\u00f3stolos e m\u00e1rtires; roxo para o Advento, a Quaresma e as celebra\u00e7\u00f5es dos falecidos; e branco para a P\u00e1scoa, o Natal e as outras solenidades e festas de Cristo e da Virgem Maria. Em v\u00e1rios lugares, a cor azul foi popularizada pelas festas da Virgem. O significado das cores \u00e9 convencional, pode mudar de cultura para cultura: vermelho para paix\u00e3o, ap\u00f3stolos e m\u00e1rtires que deram seu sangue, como Jesus Cristo, pelo evangelho. Branco, a cor por excel\u00eancia de santidade e pureza, para as grandes solenidades do ano e para as festas da Virgem. P\u00farpura, cor originalmente penitencial, de recorda\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o, para os tempos de prepara\u00e7\u00e3o e para as celebra\u00e7\u00f5es da morte dos crist\u00e3os. Verde, a cor mais comum, para o tempo normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.2 O tempo lit\u00fargico como mistagogia da Igreja<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ano lit\u00fargico n\u00e3o \u00e9 uma mera organiza\u00e7\u00e3o das celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas da Igreja no tempo. Muito mais do que uma estrutura simples, \u00e9 na verdade uma <em>mistagogia<\/em> da Igreja, isto \u00e9, um itiner\u00e1rio formativo que introduz o mist\u00e9rio de Cristo e conduz para um aprofundamento cada vez maior do evangelho e de toda a doutrina crist\u00e3 e, portanto, a um crescimento no compromisso dos fi\u00e9is com sua f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comemora-se toda a riqueza do mist\u00e9rio de Cristo: seu nascimento, sua vida, sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, suas palavras e atos, sua M\u00e3e Maria, os efeitos de sua mensagem sobre tantas testemunhas e m\u00e1rtires a partir das leituras b\u00edblicas, a riqueza e a beleza dos textos lit\u00fargicos elaborados pela Igreja, a experi\u00eancia de celebrar em comunidade e participar ativamente de celebra\u00e7\u00f5es, de cantar e dialogar em ambientes fraternos, de experimentar os desafios a que o Senhor nos chama da celebra\u00e7\u00e3o da f\u00e9; tudo isso \u00e9 um caminho \u00fanico de crescimento e aprofundamento da vida crist\u00e3 para todos os fi\u00e9is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver conscientemente o desenvolvimento do ano lit\u00fargico, n\u00e3o s\u00f3 por um ano, mas pelos tr\u00eas anos do ciclo dominical, nos permite percorrer os fundamentos da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 atrav\u00e9s das leituras b\u00edblicas, e tamb\u00e9m ajuda a gerar, na Igreja, a aut\u00eantica comunh\u00e3o na diversidade e, em cada crist\u00e3o, a consci\u00eancia de uma f\u00e9 e um compromisso que n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticos. S\u00e3o aut\u00eanticas \u201chist\u00f3rias da salva\u00e7\u00e3o\u201d vividas na evolu\u00e7\u00e3o do tempo, sempre desafiadas a uma maior fidelidade ao evangelho e sempre atra\u00eddas pela esperan\u00e7a do Reino, \u00e1pice do tempo e do ano lit\u00fargico.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Guillermo Rosas<\/em>. Pontif\u00edcia Universidad Cat\u00f3lica de Chile. Texto original em espanhol.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALENDARIO ROMANO GENERAL, 1969. Tamb\u00e9m a edi\u00e7\u00e3o que cont\u00e9m o Missal Romano, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o t\u00edpica, 2002.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CALENDARIA PARTICULARIA, <em>Instrucci\u00f3n de la Sagrada Congregaci\u00f3n para el Culto divino<\/em>, 24 junio 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PAULO VI. <em>Msterii Paschalis<\/em>, Motu proprio, 1969.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BERGAMINI, Augusto. Verbete A\u00f1o lit\u00fargico. In: <em>Nuevo diccionario de liturgia<\/em>. Madrid: Paulinas, 1987, p. 136-144.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CASTELLANO, Jes\u00fas. <em>El a\u00f1o lit\u00fargico. <\/em>Memorial de Cristo y mistagog\u00eda de la Iglesia<em>. <\/em>Barcelona: Biblioteca lit\u00fargica 1, Centre de Pastoral lit\u00fargica, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DALMAIS I. H. El tiempo en la liturgia. In: MARTIMORT, A. G. <em>La Iglesia en oraci\u00f3n. <\/em>Introducci\u00f3n a la liturgia. Nueva edici\u00f3n actualizada y aumentada, parte IV. Barcelona: Herder, 1987, p.889-895.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GO\u00d1I, Jos\u00e9 Antonio. <em>Historia del a\u00f1o lit\u00fargico y del calendario romano, <\/em>Biblioteca lit\u00fargica 40. Barcelona: Centre de Pastoral lit\u00fargica, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00d3PEZ MART\u00cdN, Juli\u00e1n. La voz: Calendario lit\u00fargico. In: <em>Nuevo diccionario de liturgia<\/em>. Madrid: Paulinas, 1987, p.258-264.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ROSAS, Guillermo. El a\u00f1o lit\u00fargico<em>. <\/em>In: \u00a0CELAM. <em>Manual de Liturgia<\/em>, v. IV: La celebraci\u00f3n del misterio pascual. Otras expresiones celebrativas del misterio pascual y la liturgia en la vida de la Iglesia. Bogot\u00e1: CELAM, 2002, p.19-58.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_____. El hoy de la salvaci\u00f3n en la liturgia<em>.<\/em> <em>Revista Medell\u00edn<\/em>, v.XXIX, n.116, CELAM-ITEPAL, p.699-718, diciembre 2003.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. El tiempo en la liturgia<em>. <\/em>In: CELAM. <em>Manual de Liturgia<\/em>, v. III: La celebraci\u00f3n del misterio pascual. Fundamentos teol\u00f3gicos y elementos constitutivos. Bogot\u00e1: CELAM,\u00a0 2003, p.545-57.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TRIACCA A. M. Verbete: Tiempo y liturgia. In: <em>Nuevo diccionario de liturgia<\/em>. Madrid: Paulinas, 1987.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 O tempo na experi\u00eancia humana 1.1 A dimens\u00e3o objetiva e a dimens\u00e3o subjetiva do tempo 1.2 A \u201chumaniza\u00e7\u00e3o\u201d do tempo 2 O tempo na experi\u00eancia crist\u00e3 2.1 O tempo na Sagrada Escritura 2.2 O culto como memorial 2.3 A compreens\u00e3o lit\u00fargica do tempo 2.3.1 O objeto da celebra\u00e7\u00e3o crist\u00e3 2.3.2 Na hist\u00f3ria, em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1697","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1697","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1697"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1697\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1698,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1697\/revisions\/1698"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}