
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":1690,"date":"2018-12-25T11:55:09","date_gmt":"2018-12-25T13:55:09","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1690"},"modified":"2019-02-09T17:25:01","modified_gmt":"2019-02-09T19:25:01","slug":"fe-crista-e-praxis-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1690","title":{"rendered":"F\u00e9 Crist\u00e3 e pr\u00e1xis social"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Autocompreens\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 A f\u00e9 crist\u00e3 como caminho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 A f\u00e9 crist\u00e3 como testemunho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.3 A f\u00e9 crist\u00e3 como modo de vida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Pr\u00e1xis social crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 Uma caracter\u00edstica essencial, n\u00e3o opcional<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 Uma pr\u00e1xis individual e coletiva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3 Uma pr\u00e1xis transformadora<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.4 Dimens\u00f5es da pr\u00e1xis crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 A pr\u00e1xis social crist\u00e3 na hist\u00f3ria e na atualidade<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.1 A pr\u00e1xis crist\u00e3 como programa de a\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.2 Movimentos hist\u00f3ricos inspirados na pr\u00e1xis crist\u00e3<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3.3 O magist\u00e9rio social inspirador do papa Francisco<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O prop\u00f3sito deste verbete \u00e9 elucidar as rela\u00e7\u00f5es entre f\u00e9 crist\u00e3 e pr\u00e1tica social. Trata-se, por um lado, de mostrar a autocompreens\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 enquanto hist\u00f3rica e prof\u00e9tica, cuja consist\u00eancia se verifica atrav\u00e9s da pr\u00e1tica de seus seguidores. Por outro lado, coloca-se a quest\u00e3o: o que se entende por pr\u00e1xis social crist\u00e3? Como essa pr\u00e1xis social se realizou nos caminhos da hist\u00f3ria, na busca de concretizar sua aspira\u00e7\u00e3o de ser uma pr\u00e1xis transformadora? Como se articulam a f\u00e9 crist\u00e3 e a pr\u00e1xis social?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto b\u00edblico que nos pode acompanhar nesta reflex\u00e3o \u00e9 o do ap\u00f3stolo S. Tiago em sua carta \u00e0s primeiras comunidades crist\u00e3s, questionando uma f\u00e9 sem obras, que, segundo o ap\u00f3stolo, \u00e9 morta em si mesma:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que proveito h\u00e1, meus irm\u00e3os, se algu\u00e9m disser que tem f\u00e9 e n\u00e3o tiver obras? Porventura essa f\u00e9 pode salv\u00e1-lo?\u00a0Se um irm\u00e3o ou uma irm\u00e3 estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano e algum de v\u00f3s lhes disser: \u2018Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos\u2019; e n\u00e3o lhes derdes as coisas necess\u00e1rias para o corpo, que proveito h\u00e1 nisso? Assim tamb\u00e9m a f\u00e9, se n\u00e3o tiver obras, \u00e9 morta em si mesma. Mas dir\u00e1 algu\u00e9m: Tu tens f\u00e9, e eu tenho obras; mostra-me a tua f\u00e9 sem as obras, e eu te mostrarei a minha f\u00e9 pelas minhas obras\u201d (Tg 2, 14-18).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>1\u00a0Autocompreens\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>1.1 A f\u00e9 crist\u00e3 como caminho<\/em> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suas ra\u00edzes, a f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9, em primeiro lugar, um culto ou rito, ou um conjunto de verdades, mas um caminho, uma f\u00e9 voltada para uma pr\u00e1xis de vida. Texto emblem\u00e1tico para o discipulado crist\u00e3o \u00e9 o da cura do cego Bartimeu, que pede a Jesus que o fa\u00e7a ver. Jesus lhe disse: \u201cVai, a tua f\u00e9 te salvou\u201d. A resposta do cego, curado de sua cegueira \u2013 de falta de f\u00e9 \u2013 foi o seguimento de Jesus: \u201cNo mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho\u201d\u00a0(Mc 10,52). A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 um caminho que conduz \u00e0 vida, que leva \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Isso a torna uma boa not\u00edcia para o homem todo e todos os homens, pois ela \u00e9 o cumprimento de uma promessa de salva\u00e7\u00e3o, feita por Deus a seu povo, que ele acompanhou como pedagogo at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do prometido pela chegada do \u201cSalvador, que \u00e9 o Cristo Senhor\u201d (Lc 2,11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.2 A f\u00e9 crist\u00e3 como testemunho<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As primeiras comunidades crist\u00e3s se reuniam para dar testemunho do ressuscitado, para celebrar a ceia do Senhor, memorial de sua paix\u00e3o. \u201cEles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos ap\u00f3stolos, na comunh\u00e3o fraterna, na fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e nas ora\u00e7\u00f5es\u201d (At 2,42). \u00a0A comunh\u00e3o fraterna inclu\u00eda o cuidado com as vi\u00favas e com os pobres. Repartiam os bens entre todos, \u201cconforme a necessidade de cada um\u201d (At 2,45). As Escrituras Sagradas eram importantes para eles, mas eles n\u00e3o se caracterizavam como uma \u201creligi\u00e3o do livro\u201d (como se considera, por exemplo, o Isl\u00e3o), mas do testemunho vivo dos ap\u00f3stolos. Segundo atesta o livro dos Atos, Jesus envia os seus como suas testemunhas: \u201cmas recebereis o poder do Esp\u00edrito Santo que vir\u00e1 sobre v\u00f3s para serdes minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, por toda a Judeia e Samaria e at\u00e9 os confins da terra\u201d (At 1,8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro repete essa convic\u00e7\u00e3o em sua segunda carta, considerada seu testamento pastoral: \u201cpois n\u00e3o foi seguindo f\u00e1bulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim por termos sido testemunhas oculares de sua grandeza\u201d (2Pd 1,16). A confirma\u00e7\u00e3o do testemunho \u00e9 a entrega da pr\u00f3pria vida, o mart\u00edrio como testemunho definitivo na vida do disc\u00edpulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>1.3 A f\u00e9 crist\u00e3 como modo de vida<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o s\u00f3 anuncia o Reino de Deus, mas prop\u00f5e o Reinado de Deus no mundo, o que requer convers\u00e3o e ades\u00e3o das pessoas ao projeto de Deus, traduzido em obras virtuosas. As obras revelam a autenticidade da f\u00e9, n\u00e3o a justificam. A f\u00e9 crist\u00e3 se inspira no modo de ser e agir de Jesus, em sua vida, seus gestos, suas a\u00e7\u00f5es e prega\u00e7\u00f5es. Jesus tinha como grande miss\u00e3o a vida plena das pessoas, sobretudo dos pequenos, dos exclu\u00eddos e marginalizados da sociedade. Sua prega\u00e7\u00e3o se centralizava no an\u00fancio do Reino de Deus e sua justi\u00e7a. Seus gestos mais frequentes eram o ensino e o servi\u00e7o aos doentes, que ele tocava e pelos quais ele se deixava tocar. Assim, o evangelista Lucas relata que \u201ctodos os que tinham doentes, com diversas enfermidades, os levavam a Jesus. E ele impunha as m\u00e3os sobre cada um deles e os curava\u201d (Lc 4,40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus era movido por sentimentos de compaix\u00e3o pelo povo: \u201cAo sair do barco, Jesus viu uma grande multid\u00e3o e encheu-se de compaix\u00e3o por eles, porque eram como ovelhas que n\u00e3o t\u00eam pastor. E come\u00e7ou ent\u00e3o a ensinar-lhes muitas coisas\u201d (Mc 6,34). Percebia suas necessidades n\u00e3o s\u00f3 materiais mas tamb\u00e9m espirituais. N\u00e3o s\u00f3 lhes deu um ensino, mas tamb\u00e9m p\u00e3o material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus resumiu o modo de vida de seus seguidores na pr\u00e1tica do amor fraterno, o \u201cmandamento novo\u201d: \u201cNisto conhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos, se vos amardes uns aos outros\u201d (Jo 13,35). O amor se traduz no dom da pr\u00f3pria vida, n\u00e3o s\u00f3 no mart\u00edrio, mas no servi\u00e7o quotidiano, inspirado na f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa compreens\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 como caminho, testemunho e modo de vida se manteve, com acentua\u00e7\u00f5es diversas ao longo da hist\u00f3ria. A vida de Jesus continua sendo a grande norma de vida dos crist\u00e3os. O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, express\u00e3o atualizada dessa f\u00e9, formula assim esse seguimento:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Incorporados a Cristo pelo Batismo, os crist\u00e3os est\u00e3o \u2018mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus\u2019 (Rm 6,11), participando assim da vida do Ressuscitado. Seguindo a Cristo e em uni\u00e3o com ele, podem \u201ctornar-se imitadores de Deus como filhos amados e andar no amor\u201d (Ef 5,1-2), conformando seus pensamentos, palavras e a\u00e7\u00f5es aos \u201csentimentos de Cristo Jesus\u201d (Fil 2,5) e seguindo seus exemplos (CIC \u00a7 1.694).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2\u00a0Pr\u00e1xis social crist\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>2<\/em><\/strong><em><strong>.1 Uma caracter\u00edstica essencial, n\u00e3o opcional<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o pode prescindir, de modo algum, do compromisso social, algo intr\u00ednseco ao modo de ser crist\u00e3o. \u00c9 algo professado e vivido ao longo da hist\u00f3ria do cristianismo. O Conc\u00edlio Vaticano II buscou atualizar a f\u00e9 crist\u00e3 para os nossos tempos. Essa f\u00e9 leva os crist\u00e3os a fazer suas as alegrias e as ang\u00fastias da humanidade de nosso tempo, como dimens\u00e3o essencial de sua mensagem de salva\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">As alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo. N\u00e3o se encontra nada verdadeiramente humano que n\u00e3o lhes ressoe no cora\u00e7\u00e3o. Com efeito, a sua comunidade se constitui de homens que, reunidos em Cristo, s\u00e3o dirigidos pelo Esp\u00edrito Santo, na sua peregrina\u00e7\u00e3o para o Reino do Pai. Eles aceitaram a mensagem da salva\u00e7\u00e3o que deve ser proposta a todos. Portanto, a comunidade crist\u00e3 se sente verdadeiramente solid\u00e1ria com o g\u00eanero humano e com sua hist\u00f3ria (<em>GS<\/em> n.1).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim a f\u00e9 crist\u00e3 \u201c[&#8230;] torna-se luz para iluminar as rela\u00e7\u00f5es sociais\u201d (<em>GS<\/em> n.40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papa Francisco reafirma a incid\u00eancia social da f\u00e9 crist\u00e3 como caracter\u00edstica imprescind\u00edvel:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>querigma<\/em> possui um conte\u00fado inevitavelmente social: no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o do Evangelho, aparece a vida comunit\u00e1ria e o compromisso com os outros. O conte\u00fado do primeiro an\u00fancio tem uma repercuss\u00e3o moral imediata, cujo centro \u00e9 a caridade (<em>EG<\/em> n.177).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 crist\u00e3 tem uma dimens\u00e3o pessoal, eclesial e hist\u00f3rica, que lhe \u00e9 intr\u00ednseca. A pr\u00f3pria f\u00e9 crist\u00e3, pela sua natureza testemunhal, gera uma pr\u00e1xis transformadora. Tem impacto na vida social e exerce influ\u00eancia nas estruturas que d\u00e3o forma \u00e0 sociedade. Os crist\u00e3os s\u00e3o incentivados, por sua f\u00e9, a praticar a caridade social, n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o ao pr\u00f3ximo, sobretudo aos mais necessitados, mas atrav\u00e9s de pessoas que exercem uma fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sociotransformadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A enc\u00edclica <em>Octogesima Adveniens<\/em>, de Paulo VI, afirma que a pol\u00edtica \u00e9 uma forma exigente de viver o compromisso crist\u00e3o: \u201cA pol\u00edtica \u00e9 uma maneira exigente, se bem que n\u00e3o seja a \u00fanica, de viver o compromisso crist\u00e3o, a servi\u00e7o dos outros\u201d (<em>OA<\/em> n.46). Tamb\u00e9m poder\u00edamos formular assim essa afirma\u00e7\u00e3o: \u201cA pol\u00edtica \u00e9 forma sublime de exercer a caridade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.2 Uma pr\u00e1xis individual e coletiva<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1xis social crist\u00e3, para ser eficaz, ser\u00e1 simultaneamente individual e coletiva. A dimens\u00e3o individual, expressa em uma op\u00e7\u00e3o de vida, se traduz em a\u00e7\u00f5es e h\u00e1bitos bons. Em linguagem tradicional, s\u00e3o virtudes ou h\u00e1bitos virtuosos, \u201cdisposi\u00e7\u00f5es habituais e firmes de fazer o bem\u201d (cf. CIC 1883), e que tem val\u00eancia social. Trata-se de virtudes humanas e teologais. Como virtudes cardeais temos a prud\u00eancia, a justi\u00e7a, a fortaleza e a temperan\u00e7a. Virtudes teologais s\u00e3o a f\u00e9, a esperan\u00e7a e a caridade, esta \u00faltima chamada por Paulo de \u201cv\u00ednculo da perfei\u00e7\u00e3o\u201d (Cl 3,14) e \u201ca maior entre todas\u201d as virtudes (1Cor 13,13). Esses h\u00e1bitos nascem e se fortalecem no contexto familiar e comunit\u00e1rio e d\u00e3o uma fei\u00e7\u00e3o crist\u00e3 ao exerc\u00edcio da profiss\u00e3o e da vida social de cada um. Um profissional crist\u00e3o usar\u00e1 de prud\u00eancia e de fortaleza para p\u00f4r em pr\u00e1tica a\u00e7\u00f5es que modifiquem situa\u00e7\u00f5es injustas. Uma pessoa que pratica a justi\u00e7a e a verdade suscita esperan\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o. Disso falou o papa Francisco, em sua homilia em Villavicenzio, Col\u00f4mbia, convidando \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o e \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o da vingan\u00e7a: \u201cBasta uma pessoa boa para que haja esperan\u00e7a. E cada um de n\u00f3s pode ser esta pessoa! Isto n\u00e3o significa ignorar ou dissimular as diferen\u00e7as e os conflitos. N\u00e3o \u00e9 legitimar as injusti\u00e7as pessoais ou estruturais\u201d (papa Francisco, 8 set 2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1xis crist\u00e3 individual tende a se difundir, a se coletivizar, e articulada com outros pode desencadear mudan\u00e7as. Ela pode desencadear a\u00e7\u00f5es transformadoras realizadas em coletivos, que atuam no campo da economia, da pol\u00edtica ou da cultura. Ser\u00e3o grupos de cidad\u00e3os, em movimentos organizados, inspirados nos valores da justi\u00e7a e da solidariedade, e que privilegiem o di\u00e1logo como forma de busca do consenso. Da\u00ed pode nascer um novo ordenamento jur\u00eddico, mais justo e mais humano. Leis que traduzam aspira\u00e7\u00f5es de minorias e combatam a discrimina\u00e7\u00e3o. No campo pol\u00edtico, grupos e movimentos de um povo organizado podem construir um novo pacto social, mais democr\u00e1tico e participativo. Falando do di\u00e1logo social como contribui\u00e7\u00e3o para a paz, a <em>Evangelii Gaudium <\/em>formula assim esse processo de pr\u00e1xis social realizada pelo povo com sua cultura e n\u00e3o por elites ou minorias iluminadas:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor principal, o sujeito hist\u00f3rico deste processo, \u00e9 a gente e a sua cultura, n\u00e3o uma classe, uma fra\u00e7\u00e3o, um grupo, uma elite. N\u00e3o precisamos de um projeto de poucos para poucos, ou de uma minoria esclarecida ou testemunhal que se aproprie de um sentimento coletivo. Trata-se de um acordo para viver juntos, de um pacto social e cultural (<em>EG<\/em> n.239).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.3 Uma pr\u00e1xis transformadora<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ser transformadora, a a\u00e7\u00e3o deve ter car\u00e1ter de uma verdadeira pr\u00e1xis, isto \u00e9, uma forma de a\u00e7\u00e3o que liga a teoria com a pr\u00e1tica, de modo a se tornarem interdependentes. Teoria e pr\u00e1tica questionam-se e se constroem reciprocamente. A teoria \u00e9 um momento necess\u00e1rio da pr\u00e1xis. Na pr\u00e1xis, a teoria se torna realidade transformadora. A pr\u00e1xis se distingue de um modo de agir puramente repetitivo. A pr\u00e1xis \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o refletida e que faz refletir. O questionamento orienta \u00e0 busca de coer\u00eancia com os valores crist\u00e3os, como o amor, a justi\u00e7a e a solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1xis crist\u00e3 tem assim um car\u00e1ter \u00e9tico. Pretende provocar transforma\u00e7\u00f5es, de situa\u00e7\u00f5es menos justas para situa\u00e7\u00f5es mais justas. Pr\u00e1xis \u00e9 um modo de agir cr\u00edtico, reflexivo, com finalidade transformadora. A compreens\u00e3o da pr\u00e1xis social crist\u00e3 foi estimulada pelas discuss\u00f5es em torno da filosofia da pr\u00e1xis (Gramsci). Aprender a refletir, criar o h\u00e1bito da reflex\u00e3o, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e1xis transformadora, que liga estrategicamente conceitos ou valores com a\u00e7\u00f5es, articulando a teoria com a pr\u00e1tica. A reflex\u00e3o cr\u00edtica \u00e9 fundamental para uma pr\u00e1xis transformadora consistente e duradoura. Podemos dizer, em resumo, que a pr\u00e1xis crist\u00e3 \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o refletida que produz significado em termos de uma transforma\u00e7\u00e3o ideada ou planejada e eticamente desej\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.4 Caracter\u00edsticas da pr\u00e1xis crist\u00e3<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1xis crist\u00e3 busca levar a uma compreens\u00e3o do caminho da mudan\u00e7a e a um compromisso com a pr\u00e1tica desse caminho, no contexto da comunidade eclesial. Implica um compromisso com a vida plena para todos e com a pr\u00e1tica de rela\u00e7\u00f5es sociais humanas e humanizadoras. Desta forma, empenha-se por superar uma vis\u00e3o fatalista diante da vida, de situa\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria, injusti\u00e7a ou exclus\u00e3o e criar horizontes de esperan\u00e7a, desejos de uma nova realidade. Esse modo de agir caracteriza a pr\u00e1xis crist\u00e3 como hist\u00f3rica, eclesial e prof\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, \u00e9 uma <em>pr\u00e1xis hist\u00f3rica,<\/em> situada, contextualizada, e que se vale da media\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias sociais e da filosofia para alcan\u00e7ar um melhor conhecimento da realidade (media\u00e7\u00e3o socioanal\u00edtica e hermen\u00eautica). Toma consci\u00eancia da mudan\u00e7a de \u00e9poca que vivemos, dos conflitos e das transforma\u00e7\u00f5es do contexto de vida. O crist\u00e3o se assume como sujeito dessa hist\u00f3ria, e como membro de um povo, com la\u00e7os familiares e perten\u00e7as a grupos, a movimentos ou a agremia\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. Se expressa na participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, consciente e criativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo, \u00e9 uma <em>pr\u00e1xis eclesial,<\/em> adulta e correspons\u00e1vel. Compromete-se com uma Igreja aberta ao mundo e ao di\u00e1logo social, ecum\u00eanico e inter-religioso. Esse di\u00e1logo tem duas m\u00e3os: no sentido de que a pr\u00f3pria Igreja d\u00ea conta que precisa mudar; e no sentido da responsabilidade da Igreja (como povo de Deus) influenciar essas mudan\u00e7as na linha de uma \u00e9tica crist\u00e3. \u00c9 importante que, hierarquia e povo, tenham consci\u00eancia do papel da Igreja, de suas potencialidades e limites, da justa autonomia das realidades terrestres, mas sobretudo do papel do povo crist\u00e3o na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, do bem comum e da defesa dos direitos dos mais fracos e exclu\u00eddos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em terceiro lugar, a pr\u00e1xis crist\u00e3 \u00e9 <em>prof\u00e9tica<\/em>, no duplo sentido de den\u00fancia e de an\u00fancio. Den\u00fancia de situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, estruturas mentais, h\u00e1bitos e leis que agridem a dignidade e a integridade da vida humana, em todas as suas fases, situa\u00e7\u00f5es ou leis nocivas ao bem comum ou que distorcem a fun\u00e7\u00e3o social da propriedade. Implica na den\u00fancia de privil\u00e9gios, da corrup\u00e7\u00e3o e da apatia pol\u00edtica. A defesa dos mais fracos exige lucidez em perceber e coragem para denunciar situa\u00e7\u00f5es, decis\u00f5es e propostas prejudiciais aos pobres, \u00e0s minorias, a setores ou grupos fragilizados. Requer tamb\u00e9m o apoio a iniciativas que promovam o bem comum e a sustentabilidade ambiental. O profetismo da Igreja ganha for\u00e7a atrav\u00e9s de gestos concretos que realizem no \u00e2mbito interno da Igreja aquilo que ela prega para os outros, por exemplo, pela observ\u00e2ncia dos direitos dos trabalhadores e o pagamento dos impostos e tributos devidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 A pr\u00e1xis social crist\u00e3 na hist\u00f3ria e na atualidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3<\/strong><strong>.1 A pr\u00e1xis social como um programa de a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reflex\u00e3o e pr\u00e1xis social da Igreja ao longo dos \u00faltimos cento e cinquenta anos ganhou express\u00e3o em um corpo doutrin\u00e1rio pr\u00f3prio, original e sempre aberto \u2013 a chamada Doutrina Social da Igreja ou pensamento social crist\u00e3o. Trata-se de um ensinamento evolutivo, respondendo a desafios hist\u00f3ricos e incorporando reflex\u00f5es e experi\u00eancias, recebidas e formuladas em uma s\u00e9rie de Enc\u00edclicas Sociais, textos do Conc\u00edlio e outros documentos oficiais. A s\u00e9rie de onze enc\u00edclicas sociais foi inaugurada pela <em>Rerum Novarum<\/em>, de Le\u00e3o XIII (1891), sobre a Condi\u00e7\u00e3o dos Oper\u00e1rios. O Magist\u00e9rio da Igreja abra\u00e7ou a miss\u00e3o de refletir sobre as grandes quest\u00f5es nos v\u00e1rios momentos da hist\u00f3ria, sempre \u00e0 luz do Evangelho de Cristo, do ensinamento dos Santos Padres e da filosofia crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mais recentes s\u00e3o as enc\u00edclicas de Bento XVI <em>Caritas in Veritate<\/em>, \u201csobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade\u201d (2009), e a <em>Laudato S\u00ec,<\/em> do papa Francisco, \u201csobre o Cuidado da Casa Comum\u201d (2015), que analisa a crise ecol\u00f3gica intimamente conectada com a crise ambiental. Inserido nessa corrente de pensamento e conferindo autoridade m\u00e1xima a esse ensinamento, temos o documento do Conc\u00edlio Vaticano II <em>Gaudium et Spes<\/em>, \u201csobre a Igreja no Mundo de Hoje\u201d (1965). Foram definidos seis grandes princ\u00edpios e quatro valores b\u00e1sicos da vida social. Eis os princ\u00edpios: a dignidade da pessoa humana; o bem comum; a destina\u00e7\u00e3o universal dos bens; a subsidiariedade; a participa\u00e7\u00e3o e a solidariedade. E os quatro valores: a verdade, a liberdade, a justi\u00e7a e o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ensino social crist\u00e3o nasce e se enriquece nas comunidades crist\u00e3s, desde os tempos dos ap\u00f3stolos. Face \u00e0 diversidade das situa\u00e7\u00f5es, como escreve o papa Paulo VI na <em>OA<\/em>, o magist\u00e9rio n\u00e3o quer \u201cpropor uma solu\u00e7\u00e3o que tenha valor universal\u201d. Na verdade, \u201c\u00e9 \u00e0s comunidades crist\u00e3s que cabe analisar, com objetividade, a situa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de seu pa\u00eds e procurar ilumin\u00e1-la, com a luz das palavras do Evangelho; a elas cumpre haurir princ\u00edpios de reflex\u00e3o, normas para julgar e diretrizes para a a\u00e7\u00e3o na doutrina social da Igreja, como ela foi sendo elaborada no decurso da hist\u00f3ria\u201d. A essas comunidades cabe discernir \u201cas op\u00e7\u00f5es e os compromissos que conv\u00e9m tomar, para as mudan\u00e7as que se apresentam como necess\u00e1rias, com urg\u00eancia, em n\u00e3o poucos casos\u201d, em di\u00e1logo com a hierarquia, \u201ccom os outros irm\u00e3os crist\u00e3os e com todas as pessoas de boa vontade\u201d (<em>OA <\/em>\u00a0n. 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto atual, de uma sociedade pluralista e p\u00f3s-moderna, \u00e9 importante que as comunidades crist\u00e3s dialoguem com os diversos grupos e movimentos presentes na sociedade. Levando com clareza sua proposta em rela\u00e7\u00e3o aos valores fundamentais da vida em comum, as comunidades crist\u00e3s est\u00e3o dispostas a buscar, de forma conjunta, a proposta que melhor sirva ao interesse coletivo, como prop\u00f5e a <em>Evangelii Gaudium<\/em>:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No di\u00e1logo com o Estado e com a sociedade, a Igreja n\u00e3o tem solu\u00e7\u00f5es para todas as quest\u00f5es espec\u00edficas. Mas, juntamente com as v\u00e1rias for\u00e7as sociais, acompanha as propostas que melhor correspondam \u00e0 dignidade da pessoa humana e ao bem comum. Ao faz\u00ea-lo, prop\u00f5e sempre com clareza os valores fundamentais da exist\u00eancia humana, para transmitir convic\u00e7\u00f5es que possam depois traduzir-se em a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas (n.241).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<em><strong>3.2 Movimentos<\/strong><strong> hist\u00f3ricos inspirados na pr\u00e1xis crist\u00e3<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1xis social da f\u00e9 crist\u00e3 deixou sua marca ao longo da hist\u00f3ria de muitas sociedades, nas quais ela esteve presente, atuando de formas variadas, mas sempre no sentido de concretizar valores crist\u00e3os. Desde que nada do que humano lhe \u00e9 alheio, a pr\u00e1xis crist\u00e3, no contexto de cristandade, se concretizou em obras nas \u00e1reas de sa\u00fade (santas casas), educa\u00e7\u00e3o (escolas e universidades) e cultura (canto sacro, belas artes, meios de comunica\u00e7\u00e3o). Num mundo secularizado, mesmo continuando sua a\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de institui\u00e7\u00f5es, sua presen\u00e7a tornou-se mais difusa, seja atrav\u00e9s de movimentos sociais, seja atrav\u00e9s do debate p\u00fablico (teologia p\u00fablica).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os movimentos no campo econ\u00f4mico e social podemos citar, por exemplo, a economia popular e solid\u00e1ria, centrada na pessoa, no atendimento das necessidades humanas e no cuidado com o meio ambiente, que se apresenta como uma alternativa para o capitalismo liberal, que \u00e9 centrado no capital, na busca do lucro privado, na base da competi\u00e7\u00e3o e na pr\u00e1tica do desperd\u00edcio. No surgimento do moderno movimento cooperativista, \u00e9 not\u00f3ria a motiva\u00e7\u00e3o religiosa de seus fundadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num mundo dominado pela economia de mercado e pelo capitalismo financeiro, no qual cresce a concentra\u00e7\u00e3o da riqueza, a competi\u00e7\u00e3o, a desigualdade, a exclus\u00e3o e o descarte da \u00e9tica, propostas que buscam ativamente uma economia centrada na pessoa, num sistema de economia solid\u00e1ria, na busca da igualdade, da participa\u00e7\u00e3o, da inclus\u00e3o e da sustentabilidade, podem parecer como utopia, uma proposta incapaz de atender a demanda por bens e servi\u00e7os de sete bilh\u00f5es de habitantes do planeta. Fica aberta a quest\u00e3o at\u00e9 quando a humanidade poder\u00e1 sobreviver neste sistema, que leva ao esgotamento de recursos naturais n\u00e3o renov\u00e1veis e \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental, numa corrida para o colapso de um sistema suicida. Cabe aqui lembrar essa advert\u00eancia da Enc\u00edclica <em>Laudato S\u00ec, sobre nossa casa comum<\/em>:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ritmo de consumo, desperd\u00edcio e altera\u00e7\u00e3o do meio ambiente superou de tal maneira as possibilidades do planeta, que o estilo de vida atual \u2013 por ser insustent\u00e1vel \u2013 s\u00f3 pode desembocar em cat\u00e1strofes, como ali\u00e1s j\u00e1 est\u00e1 acontecendo periodicamente em v\u00e1rias regi\u00f5es (n.161).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em apoio a muitos desses movimentos ou a\u00e7\u00f5es na base, a Igreja \u2013 sobretudo a partir do Vaticano II \u2013 criou pastorais espec\u00edficas, de assessoria e promo\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o social das bases. As \u201cpastorais sociais\u201d constituem, assim, tentativas de resposta hist\u00f3rica articulada, no \u00e2mbito eclesial, do compromisso social crist\u00e3o nas mais variadas frentes. Com acompanhamento da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), contamos no Brasil com (ao menos) onze pastorais sociais nacionais, todas voltadas para a a\u00e7\u00e3o com grupos vulner\u00e1veis ou setores que pedem aten\u00e7\u00e3o especial: Pastoral da Crian\u00e7a, Carcer\u00e1ria, da Mulher Marginalizada, da Sa\u00fade, do Menor, do Povo de Rua, dos Migrantes, dos N\u00f4mades, dos Pescadores, Pastoral Oper\u00e1ria, da Terra. Outros setores s\u00e3o muito pr\u00f3ximos a essas pastorais, como a pastoral da educa\u00e7\u00e3o, da cultura, o CIMI (Conselho Indigenista Mission\u00e1rio), a CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra), a Comiss\u00e3o Brasileira Justi\u00e7a e Paz e a C\u00e1ritas Brasileira. A pr\u00f3pria Campanha da Fraternidade, em sua fase atual, prop\u00f5e temas de car\u00e1ter social, abordados anualmente em n\u00edvel nacional. Em 2017, o tema foi: \u201cFraternidade, biomas e defesa da vida\u201d e o lema<strong>:<\/strong> \u201cCultivar e guardar a cria\u00e7\u00e3o\u201d (Gn 2,15). Em 2018, refletiu-se sobre \u00a0\u201cFraternidade e supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia\u201d, com o lema: \u201cV\u00f3s sois todos irm\u00e3os\u201d (cf. Mt 23,8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3.3 O magist\u00e9rio social inspirador do papa Francisco<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1xis social crist\u00e3 recebeu ultimamente uma forte inspira\u00e7\u00e3o no magist\u00e9rio do papa Francisco. Os grandes temas do seu magist\u00e9rio t\u00eam uma profunda orienta\u00e7\u00e3o social: uma \u201cIgreja em sa\u00edda\u201d, que sai de sua autorreferencialidade e vai \u00e0s periferias geogr\u00e1ficas, sociais e existenciais; a op\u00e7\u00e3o pelos pobres e marginalizados por uma cultura da indiferen\u00e7a e do descarte; a acolhida de migrantes e refugiados, que ningu\u00e9m quer; o cuidado da casa comum, com a aposta em uma ecologia integral; a busca da paz, fruto do perd\u00e3o, da reconcilia\u00e7\u00e3o e da cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es dignas de vida para todos. Para sair de si, a Igreja deve assumir riscos: \u201cPrefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter sa\u00eddo pelas estradas, do que uma Igreja enferma pela oclus\u00e3o e pela comodidade de se agarrar \u00e0s pr\u00f3prias seguran\u00e7as\u201d\u00a0(<em>EG<\/em> n.49).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja dos sonhos do papa \u00e9 uma igreja pobre e para os pobres. Justificando a escolha do nome de Francisco \u2013 lembrando o pobre de Assis, Francisco, \u2013 declarou Jorge Mario Bergoglio: \u201cAh, como gostaria de uma Igreja pobre e pelos pobres!\u201d (RV, 16 mar 2013).\u00a0 Claramente, a cr\u00edtica mais forte do papa \u00e9 contra uma economia que serve ao deus dinheiro e que mata: \u201cDigamos N\u00c3O a uma economia de exclus\u00e3o e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destr\u00f3i a M\u00e3e Terra\u201d (papa Francisco aos Movimentos Sociais em S. Cruz de la Sierra, Bol\u00edvia, 10 jul 2015). A mudan\u00e7a das estruturas do atual sistema econ\u00f4mico \u00e9 condi\u00e7\u00e3o fundamental para a solu\u00e7\u00e3o dos grandes problemas sociais do nosso mundo:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto n\u00e3o forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando \u00e0 autonomia absoluta dos mercados e da especula\u00e7\u00e3o financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, n\u00e3o se resolver\u00e3o os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum. A desigualdade \u00e9 a raiz dos males sociais. A dignidade de cada pessoa humana e o bem comum s\u00e3o quest\u00f5es que deveriam estruturar toda pol\u00edtica econ\u00f4mica (&#8230;) \u00a0(<em>EG<\/em> n.202-203)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A supera\u00e7\u00e3o da desigualdade, da pobreza e da explora\u00e7\u00e3o, assim como a inclus\u00e3o social dos pobres, s\u00f3 ser\u00e3o poss\u00edveis se for resolvida, simultaneamente, a quest\u00e3o ambiental. Na vis\u00e3o de Francisco, n\u00e3o existem duas crises separadas, mas uma \u00fanica e complexa crise socioambiental:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fundamental buscar solu\u00e7\u00f5es integrais que considerem as intera\u00e7\u00f5es dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. N\u00e3o h\u00e1 duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma \u00fanica e complexa crise socioambiental. As diretrizes para a solu\u00e7\u00e3o requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos exclu\u00eddos e, simultaneamente, cuidar da natureza (<em>LS<\/em> n.139)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema f\u00e9 crist\u00e3 e pr\u00e1xis social nos reporta ao n\u00facleo central do pr\u00f3prio cristianismo: o mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o. Desde que o Filho de Deus se tornou homem, nada do que \u00e9 humano \u00e9 alheio \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3. Mais que isso: o pr\u00f3prio Senhor quer ser identificado na pessoa do menor dos seus irm\u00e3os, como lemos no texto de Mateus sobre o julgamento das na\u00e7\u00f5es: \u201cTodas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que s\u00e3o meus irm\u00e3os, foi a mim que o fizestes\u201d (Mt 25, 40). Esse texto n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a tradu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do duplo mandamento do amor. Para o crist\u00e3o, a pr\u00e1xis social \u00e9 parte essencial no exerc\u00edcio de sua identidade crist\u00e3, na viv\u00eancia do amor-caridade. Sem a pr\u00e1xis social, a f\u00e9 \u00e9 morta, como lembramos no in\u00edcio deste verbete: \u201cPorque, assim como o corpo sem esp\u00edrito \u00e9 morto, assim tamb\u00e9m a f\u00e9 sem obras \u00e9 morta\u201d (Tg 2.26).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Matias Martinho Lenz, SJ .\u00a0<\/em>Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Pelotas, Brasil. Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a04<\/strong><strong>\u00a0Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Enc\u00edclicas sociais em ordem cronol\u00f3gica, com sigla e ano de publica\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">LE\u00c3O XIII. <em>Rerum Novarum<\/em> (<em>RN<\/em>). Sobre a condi\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios, 1891.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PIO XI. <em>Quadragesimo Anno<\/em> (<em>QA<\/em>). Sobre a restaura\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento da ordem social em conformidade com a Lei Evang\u00e9lica, 1931.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">JO\u00c3O XXIII. <em>Mater et Magistra<\/em> (<em>MM<\/em>). Sobre a evolu\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea da vida social \u00e0 luz dos princ\u00edpios crist\u00e3os, 1961.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. <em>Pacem in Terris<\/em> (<em>PT<\/em>). Sobre a paz crist\u00e3, 1963.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PAULO VI. <em>Populorum Progressio<\/em> (<em>PP<\/em>). Sobre o desenvolvimento dos povos, 1967.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">JO\u00c3O PAULO II. <em>Laborem Exercens<\/em> (<em>LE<\/em>). Sobre o trabalho humano. No 90\u00ba Anivers\u00e1rio da Rerum Novarum, 1981.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. <em>Sollicitudo Rei Socialis<\/em> (<em>SRS<\/em>). Solicitude social da Igreja. No 20\u00ba Anivers\u00e1rio da <em>Populorum Progressio<\/em>, 1987.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. <em>Centesimus Annus<\/em> (<em>CA<\/em>). No Centen\u00e1rio da <em>Rerum Novarum<\/em>, 1991.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">BENTO XVI. <em>Caritas in Veritate<\/em> (<em>CV<\/em>). Sobre o desenvolvimento humano integral na caridade e na verdade, 2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">FRANCISCO. <em>Evangelii Gaudium<\/em> (<em>EG<\/em>). A Alegria do Evangelho. Sobre o An\u00fancio do Evangelho no mundo atual, 2013.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. <em>Laudato Si\u2019 (LS) \u2013 Louvado Sejas<\/em>. Sobre o cuidado da casa comum, 2015.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Outros documentos sociais oficiais da Igreja Cat\u00f3lica<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONC\u00cdLIO ECUM\u00caNICO VATICANO II. Constitui\u00e7\u00e3o Pastoral <em>Gaudium et Spes<\/em> (<em>GS<\/em>). Sobre a Igreja no Mundo de Hoje, 1965.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">______. Decreto <em>Apostolicam Actuositatem<\/em> (<em>AA<\/em>). Sobre o Apostolado dos Leigos, 1965.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">CONSELHO EPISCOPAL LATINO-AMERICANO. <em>Conclus\u00f5es da II Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano. <\/em>Documento de Puebla (DP), 1979<em>.<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>______. Conclus\u00f5es<\/em> <em>da II Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano<\/em>. Evangeliza\u00e7\u00e3o no presente e no futuro da Am\u00e9rica Latina. Documento de Aparecida (DA), 1979.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PAULO VI. <em>Octogesima Adveniens<\/em> (<em>OA<\/em>). Carta Apost\u00f3lica comemorativa dos 80 anos da Enc\u00edclica\u00a0<em><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rerum_Novarum\">Rerum Novarum<\/a><\/em>, 1971.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Textos e livros de refer\u00eancia<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">GASDA, E. E. <em>Economia e Bem Comum<\/em>. O cristianismo e uma \u00e9tica da empresa no capitalismo<em>.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulus, 2016.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">FRAN\u00c7A FILHO, G. C.; LAVILLE, J.-L. <em>Economia Solid\u00e1ria. <\/em>Uma Abordagem Internacional<em>.<\/em> Porto Alegre: UFRGS Editora, 2004.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">MORAES, C. B. <em>Cristianismo e Liberta\u00e7\u00e3o. <\/em>A F\u00e9 Crist\u00e3 e a Pr\u00e1xis Hist\u00f3rica na Teologia de Jo\u00e3o Batista Lib\u00e2nio<em>.<\/em> Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Teologia. Belo Horizonte: FAJE \u2013 Faculdade Jesu\u00edta de Filosofia e Teologia, 2014. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.faculdadejesuita.edu.br\/documentos\/171014-JVvyvVdPh2p9z.pdf\">https:\/\/www.faculdadejesuita.edu.br\/documentos\/171014-JVvyvVdPh2p9z.pdf<\/a> Acesso em: 4 nov 2018.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PIKETTY, T.\u00a0 <em>A Economia da Desigualdade<\/em>. Rio de Janeiro: Intr\u00ednseca, 2015.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PONTIF\u00cdCIO CONSELHO JUSTI\u00c7A E PAZ. <em>Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja (CDSI)<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2005.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">SOUZA, A. R.; CUNHA, G. C.; DAKUZAKU, R. Y. (Orgs) <em>Uma outra Economia \u00e9 Poss\u00edvel. <\/em>Paul Singer e a Economia Solid\u00e1ria. S\u00e3o Paulo: Contexto, 2003.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">ZACARIAS, R.; MANZINI, R. (Orgs.) <em>Magist\u00e9rio e Doutrina Social da Igreja. <\/em>Continuidade e desafios. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2016.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Autocompreens\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 1.1 A f\u00e9 crist\u00e3 como caminho 1.2 A f\u00e9 crist\u00e3 como testemunho 1.3 A f\u00e9 crist\u00e3 como modo de vida 2 Pr\u00e1xis social crist\u00e3 2.1 Uma caracter\u00edstica essencial, n\u00e3o opcional 2.2 Uma pr\u00e1xis individual e coletiva 2.3 Uma pr\u00e1xis transformadora 2.4 Dimens\u00f5es da pr\u00e1xis crist\u00e3 3 A pr\u00e1xis [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-1690","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-e-pratica-crista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1690"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1690\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1696,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1690\/revisions\/1696"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}