
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":1654,"date":"2018-12-24T14:56:04","date_gmt":"2018-12-24T16:56:04","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1654"},"modified":"2018-12-24T14:57:36","modified_gmt":"2018-12-24T16:57:36","slug":"simbolo-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1654","title":{"rendered":"S\u00edmbolo da f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Do Evangelho \u00e0s primeiras f\u00f3rmulas de confiss\u00e3o de f\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Das f\u00f3rmulas de confiss\u00e3o de f\u00e9 ao S\u00edmbolo da F\u00e9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 O S\u00edmbolo Niceno-Constantinopolitano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O S\u00edmbolo da F\u00e9 \u00e9 o conte\u00fado resumido da f\u00e9 dos crist\u00e3os. \u00c9 o Credo crist\u00e3o. Como tal, ele re\u00fane as verdades centrais do ser-crist\u00e3o e do para ser crist\u00e3o. Ele expressa a f\u00e9 que se professa no batismo, \u00e9 a base de todo ensinamento catequ\u00e9tico crist\u00e3o e princ\u00edpio normativo-doutrinal de toda a ortodoxia crist\u00e3. Sup\u00f5e-se, portanto, que todo crist\u00e3o n\u00e3o somente saiba recitar o S\u00edmbolo da F\u00e9, mas que saiba viver e orientar sua vida de acordo com o que na f\u00e9 professa. Sempre \u00e9 bom lembrar que o ato de f\u00e9 (<em>fides qua<\/em>) n\u00e3o termina nos enunciados sobre Deus do S\u00edmbolo da F\u00e9, mas em Deus mesmo: \u201c<em>Actus credentis non terminatur ad enuntiabile, sed ad rem<\/em>\u201d (TOM\u00c1S DE AQUINO, STh II-II, q.1, a.2, ad 2m). A \u201ccoisa\u201d (<em>res<\/em>) do ato de f\u00e9 \u00e9 o Deus Uno e Trino a quem o fiel existencialmente se dirige no ato mesmo de f\u00e9. O saber recitar o S\u00edmbolo n\u00e3o faz de algu\u00e9m necessariamente um crist\u00e3o. O S\u00edmbolo da F\u00e9 tem, pois, um car\u00e1ter performativo. Ele cont\u00e9m uma rica antropologia teol\u00f3gica impl\u00edcita, de modo que o que ali se diz expressamente de ou sobre Deus tem repercuss\u00f5es imediatas na autocompreens\u00e3o de quem \u00e9 o ser humano para Deus desde a perspectiva crist\u00e3 da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que aqui oferecemos acerca do S\u00edmbolo da F\u00e9 n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o um resumido desenvolvimento hist\u00f3rico-teol\u00f3gico-fundamental da f\u00e9 crist\u00e3 at\u00e9 a formula\u00e7\u00e3o do S\u00edmbolo que foi adotado oficialmente para toda a Igreja crist\u00e3: o S\u00edmbolo Niceno-Constantinopolitano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Do Evangelho \u00e0s primeiras f\u00f3rmulas de confiss\u00e3o de f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00facleo da prega\u00e7\u00e3o de Jesus est\u00e1 resumido na f\u00f3rmula: \u201cCumpriu-se o tempo, o Reino de Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo; convertei-vos e crede no Evangelho\u201d (Mc 1,15). Crer no Evangelho \u00e9 abrir-se para acolher confiantemente o Reino ou Reinado de Deus, cuja proximidade se anunciava e j\u00e1 se fazia sentir e experimentar nos gestos e palavras do pr\u00f3prio Jesus. No n\u00facleo do an\u00fancio p\u00f3s-pascal dos ap\u00f3stolos (<em>kerigma<\/em>) e seus sucessores encontra-se Jesus Cristo e sua obra: \u201cE cada dia, no Templo e pelas casas, n\u00e3o cessavam de ensinar e de anunciar a Boa Nova do Cristo Jesus\u201d (At 5,42). A Boa Nova <em>do<\/em> Cristo \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o, nele, do Reinado de Deus (Mc 1,1s). A Palavra que eles \u201cevangelizavam\u201d (At 8,4.25.40; 14,7.15.21; 16,10), ou o \u201cevangelho\u201d (At 15,7; 20,24), concretiza-se na pessoa de Jesus (At 8,35), ressuscitado por Deus (At 13,32s; 17,18; cf.2,23; 9,20) e feito Filho de Deus com poder (cf. Rm 1,1s), Cristo (At 5,42; 8,12; c.f.9,22) e Senhor (At 10,36;11,20;15,35; cf. 2,36s). O Senhor Jesus Cristo feito Filho de Deus jamais \u00e9 anunciado separado de Deus, o Pai, a quem o Reino \u00e9 atribu\u00eddo. \u201cA todos que o receberam [o Verbo de Deus, do Pai], deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que<em> creem <\/em>em seu nome\u201d (Jo 1,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A f\u00e9 \u00e9 um assentimento pessoal a Deus mediante a acolhida de sua Palavra, seu Filho, Jesus Cristo. A f\u00e9 \u00e9, portanto, resposta humana ao amor de Deus, o Pai, manifestado em Jesus Cristo, seu Filho. \u201cDeus amou tanto o mundo que enviou seu Filho ao mundo, a fim de que todo aquele que nele crer n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna\u201d (Jo 3,16). O Pai \u00e9 o Senhor da vida e da morte, \u00e9 aquele que ressuscitou Jesus, o Filho feito homem, dentre os mortos (At 2,32; 5,13; 10,40; 13,30.32.37; 1Cor 6,14; 15,15; 2Cor 4,14; Cl 2,12; Gl 1,1; 1Pd 1,21). E assim, ao modo de Jesus Cristo, \u00e9 ao Pai que se dirige inicialmente o ato da f\u00e9 dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <em>kerigma<\/em> era um resumo muito condensado da f\u00e9 crist\u00e3. Mas o mission\u00e1rio crist\u00e3o, em seu exerc\u00edcio de comunicar a f\u00e9, deveria tamb\u00e9m poder explicar de modo mais distendido e compreens\u00edvel o conte\u00fado nuclear do an\u00fancio, instruir as pessoas, oferecer-lhes orienta\u00e7\u00f5es pr\u00e1tico-morais. Assim, os primeiros sum\u00e1rios ou f\u00f3rmulas da f\u00e9 tinham uma inten\u00e7\u00e3o claramente catequ\u00e9tica, eram desdobramentos instrutivo-explicativos do <em>kerigma<\/em>, expressavam as verdades que constitu\u00edam a base da f\u00e9 por refer\u00eancia \u00e0 vida, paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. Elas se reportar\u00e3o a Jesus Cristo, a Jesus Cristo com Deus Pai e com o Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Das primeiras f\u00f3rmulas de f\u00e9 ao S\u00edmbolo da F\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde suas origens, a Igreja crist\u00e3 apost\u00f3lica exprimiu e transmitiu a sua pr\u00f3pria f\u00e9 em f\u00f3rmulas breves e normativas para todos, em resumos org\u00e2nicos e articulados. Essas s\u00ednteses da f\u00e9 foram chamadas \u201cprofiss\u00f5es de f\u00e9\u201d, porque resumiam a f\u00e9 confessada, professada e testemunhada pelos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a confiss\u00e3o neotestament\u00e1ria de f\u00e9 n\u00e3o possu\u00eda um modelo \u00fanico. O primeiro modelo \u00e9 denominado \u201ccristol\u00f3gico\u201d. As confiss\u00f5es cristol\u00f3gicas de f\u00e9 trazem simplesmente o nome de Jesus associado a um t\u00edtulo, tais como: Jesus \u00e9 o Senhor (cf. Rm 10,9; Fl 2,11; 1Cor 12,3); Jesus \u00e9 o Cristo (At 18,5; 1Jo 2,22); Jesus \u00e9 o Filho de Deus (At 8,36-38), ou narram de modo mais ou menos desenvolvido o advento de Jesus sublinhando seu mist\u00e9rio de morte e ressurrei\u00e7\u00e3o (<em>kerigma<\/em> primitivo)<em>.<\/em> O segundo modelo, denominado bin\u00e1rio, \u00e9 aquele que se refere a Deus-Pai e a Cristo e que encontra sua f\u00f3rmula t\u00edpica em 1Cor 8,6: \u201cPara n\u00f3s, s\u00f3 h\u00e1 um Deus, o Pai, de quem tudo procede, e para o qual n\u00f3s vamos, e um s\u00f3 Senhor, Jesus Cristo, pelo qual tudo existe e pelo qual n\u00f3s existimos\u201d (de modo similar em 1Tm 2,5-6; 6,13). O terceiro modelo, finalmente, \u00e9 tern\u00e1rio, e o encontramos mais explicitamente na sauda\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo Paulo \u00e0 comunidade de Corinto: \u201cA gra\u00e7a do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo estejam com todos v\u00f3s\u201d (2Cor 13,13); no texto de 1Cor 12,4-6, onde se l\u00ea: \u201cH\u00e1 diversidade de dons da gra\u00e7a, mas o Esp\u00edrito \u00e9 o mesmo; diversidade de minist\u00e9rios, mas \u00e9 o mesmo Senhor; diversos modos de a\u00e7\u00e3o, mas o mesmo Deus que realiza tudo em todos\u201d; e muito especialmente na ordem mission\u00e1rio-batismal do ressuscitado ao final do Evangelho de Mateus: \u201cIde, pois; de todas as na\u00e7\u00f5es fazei disc\u00edpulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo, ensinando-as a guardar tudo o que vos ordenei\u201d (Mt 28,19-20). Esta passagem de Mateus tornou-se a \u201cc\u00e9lula-m\u00e3e\u201d dos v\u00e1rios S\u00edmbolos da F\u00e9 empregados nas igrejas crist\u00e3s dos primeiros s\u00e9culos (cf. SESB\u00d6U\u00c9, 2002, p. 75-79; DENZINGER, 2007, n. 10-76).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <em>Didach\u00e9<\/em> (finais do s\u00e9culo I) encontra-se a seguinte instru\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que se refere ao Batismo, batizai deste modo: uma vez expostas todas essas coisas, batizai em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo em \u00e1gua corrente. Se n\u00e3o tiveres \u00e1gua corrente, batizai em outra \u00e1gua (&#8230;).\u00a0 Derramai \u00e1gua sobre a cabe\u00e7a por tr\u00eas vezes, em nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo. (<em>Didach\u00e9<\/em>, VII, 1-3)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em pleno s\u00e9culo II, S\u00e3o Justino fala dos que \u201creceberam o banho da \u00e1gua em nome do Pai e Senhor Deus do universo, em nome do Senhor Jesus Cristo e em nome do Esp\u00edrito Santo\u201d. Neste tempo j\u00e1 est\u00e1 em uso no batismo a forma interrogativa: \u201cCr\u00eas em Deus Pai, Senhor do universo? Cr\u00eas em Jesus Cristo, nosso Senhor, que foi crucificado sob P\u00f4ncio Pilatos? Cr\u00eas no Esp\u00edrito Santo, que falou pelos profetas?\u201d (JUSTINO, <em>I Apol<\/em>. 13,1-3). Embora at\u00e9 o s\u00e9culo III n\u00e3o haja f\u00f3rmula \u00fanica fixada para as igrejas crist\u00e3s, as v\u00e1rias f\u00f3rmulas existentes apresentam, contudo, a estrutura trinit\u00e1ria fiel ao contexto lit\u00fargico-batismal (RITTER, 1984, p. 405-408).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira colet\u00e2nea de regulamenta\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas e lit\u00fargicas desde a<em> Didach\u00e9<\/em> encontramos nos in\u00edcios do s\u00e9culo III na Igreja de Roma. \u00c9 a <em>Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica<\/em>, de Hip\u00f3lito de Roma, o ancestral direto e mais remotamente atestado daquilo que a Igreja ocidental chama at\u00e9 hoje de \u201cS\u00edmbolo dos Ap\u00f3stolos\u201d. Este consiste basicamente na passagem da forma interrogativa dialogal (profiss\u00e3o de f\u00e9 batismal) para a forma declarativa (SESBO\u00dc\u00c9, 2002, p. 84).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir dos in\u00edcios do s\u00e9culo IV, multiplicaram-se os s\u00ednodos locais e o uso normativo das f\u00f3rmulas trinit\u00e1rias de f\u00e9 tornou-se uma pr\u00e1tica comum. Muitas foram as formula\u00e7\u00f5es do S\u00edmbolo da F\u00e9 utilizadas pelas diversas igrejas crist\u00e3s da \u00e9poca: Roma, Cesareia, Jerusal\u00e9m, Antioquia, \u00c9feso, Constantinopla, Salamina, Mopsu\u00e9stia, Cartago, Mil\u00e3o, entre outras. A unifica\u00e7\u00e3o do S\u00edmbolo da F\u00e9 tem seu in\u00edcio com o Conc\u00edlio de Niceia (325), se completa no Conc\u00edlio de Constantinopla I (381) e \u00e9 oficialmente promulgada como o Credo oficial dos crist\u00e3os pelos Conc\u00edlios posteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A g\u00eanese dos S\u00edmbolos \u00e9 significativa da passagem do discurso das Escrituras \u00e0 literatura p\u00f3s-apost\u00f3lica. Na medida em que o S\u00edmbolo condensa numa unidade simples a rica diversidade do testemunho do Primeiro e do Segundo Testamentos, ele se apresenta como um ato de interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras e, ao mesmo tempo, como a matriz do ensinamento catequ\u00e9tico e ponto de partida do discurso dogm\u00e1tico, j\u00e1 que as primeiras defini\u00e7\u00f5es de f\u00e9 tomar\u00e3o a forma de adendos ao S\u00edmbolo (SESBO\u00dc\u00c9, 2002, p. 73).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra <em>s\u00edmbolo<\/em> (lat. <em>symbolum<\/em>; gr. <em>\u03a3\u03cd\u03bc\u03b2\u03bf\u03bb\u03bf\u03bd<\/em>) reportava \u00e0 forma antiga de as pessoas fazerem contratos ou alian\u00e7as. O \u201cs\u00edmbolo\u201d significava a jun\u00e7\u00e3o de duas metades de um objeto partido (uma pe\u00e7a ou um selo) por ocasi\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de um contrato, pacto ou alian\u00e7a. A partir de ent\u00e3o, o objeto simb\u00f3lico cumpria a fun\u00e7\u00e3o de identificar os portadores e a rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre eles. A verdade da rela\u00e7\u00e3o estabelecida se mostrava na justaposi\u00e7\u00e3o das duas partes do objeto. Um segundo significado de \u201cs\u00edmbolo\u201d \u00e9 resumo, colet\u00e2nea ou sum\u00e1rio, que re\u00fane enunciados significativos devidamente organizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crist\u00e3os utilizaram o termo \u201cs\u00edmbolo\u201d como sinal de identifica\u00e7\u00e3o e de comunh\u00e3o, tendo como centro a confiss\u00e3o de f\u00e9 em Jesus, o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16). A este sum\u00e1rio das principais verdades da f\u00e9 crist\u00e3, duas ideias est\u00e3o essencialmente relacionadas: a do princ\u00edpio e a do efeito do simbolismo. O princ\u00edpio nos remete \u00e0 liga\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre elementos distintivos cuja combina\u00e7\u00e3o \u00e9 significativa; e o efeito aponta para a liga\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre sujeitos que se reconhecem comprometidos um para com o outro num pacto, numa alian\u00e7a, numa lei de fidelidade (cf. ORTIGUES, 1962, p. 60-61).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O S\u00edmbolo da F\u00e9 se compreende na comunidade de f\u00e9 e na f\u00e9 da comunidade. Com ele se confessa a f\u00e9 da comunidade, na comunidade e perante a comunidade de f\u00e9 (profiss\u00e3o) para ser inserido nela e tornar-se um membro dela, da Igreja do Filho, Jesus Cristo, reunida pelo (seu) Esp\u00edrito. A primeira profiss\u00e3o de f\u00e9 do crist\u00e3o tem lugar no seu batismo. Fundamental era a profiss\u00e3o de f\u00e9 em Jesus Cristo, o Filho de Deus (cf. At 8,37-38). Contudo, a difus\u00e3o e ado\u00e7\u00e3o do modelo trinit\u00e1rio (cf. Mt 28,19) pelas diversas comunidades a partir do s\u00e9culo II referiu a profiss\u00e3o de f\u00e9 batismal \u00e0s tr\u00eas pessoas da Sant\u00edssima Trindade. As verdades da f\u00e9, ternariamente confessadas\/professadas no batismo, fornecer\u00e3o a estrutura fundamental do S\u00edmbolo: a primeira trata do Pai e da obra admir\u00e1vel da cria\u00e7\u00e3o; a segunda, do Filho e do mist\u00e9rio da reden\u00e7\u00e3o dos homens; a terceira, do Esp\u00edrito Santo, fonte e princ\u00edpio da santifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso do termo \u201cs\u00edmbolo\u201d se generalizar\u00e1 no Ocidente, onde passar\u00e1 da tr\u00edplice interroga\u00e7\u00e3o trinit\u00e1rio-batismal aos Credos declarat\u00f3rios. No Oriente, o termo surgir\u00e1 mais discretamente a partir do s\u00e9culo IV (Conc\u00edlio de Laodiceia, em 364, C\u00e2n.7). Ali verifica-se um relativo sil\u00eancio a respeito das formula\u00e7\u00f5es do S\u00edmbolo da F\u00e9. O principal motivo de tal sil\u00eancio atribui-se comumente \u00e0 <em>disciplina do arcano<\/em>, segundo a qual a chave dos mist\u00e9rios crist\u00e3os n\u00e3o deveria ser posta por escrito para que n\u00e3o viesse a cair nas m\u00e3os de pag\u00e3os. Em todo caso, \u00e9 no contexto do s\u00e9culo IV que a necessidade de unificar as antigas f\u00f3rmulas de f\u00e9 se imp\u00f5e. O S\u00edmbolo de Niceia (325) condensou e expressou a f\u00e9 em Jesus Cristo em confronto com o gnosticismo e o arianismo, enquanto o S\u00edmbolo de Constantinopla (381) desenvolveu e expressou a f\u00e9 no Esp\u00edrito Santo em confronto com os macedonianos (ou pneumat\u00f4macos). E assim, o S\u00edmbolo que recolheu o ensinamento de Niceia e de Constantinopla passou a ser conhecido pouco a pouco em toda a Igreja crist\u00e3 como \u201cS\u00edmbolo Niceno-Constantinopolitano\u201d (DENZINGER, 2007, n. 125-126; 150-151). O Conc\u00edlio de \u00c9feso (431) o reconhece como oficial e decreta que n\u00e3o mais se fa\u00e7a adendos a esse S\u00edmbolo, anatematizando quem o viesse a fazer. Fiel a este princ\u00edpio, a c\u00e9lebre <em>defini\u00e7\u00e3o cristol\u00f3gica<\/em> do Conc\u00edlio de Calced\u00f4nia (451), acerca das duas naturezas de Cristo, ser\u00e1 expressa num texto separado (SESBO\u00dc\u00c9, 2002, p. 87). O Conc\u00edlio de Constantinopla III (681) renovou a san\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio de \u00c9feso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi a partir do s\u00e9culo VI que o Credo Niceno-Constantinopolitano foi adotado como S\u00edmbolo batismal em praticamente todo o Oriente. Progressivamente, foi sendo utilizado no Ocidente at\u00e9 ser finalmente adotado na igreja de Roma no s\u00e9culo IX. Foi nesta \u00e9poca que o uso do <em>Filioque<\/em> (o Esp\u00edrito Santo procede do Pai <em>e do Filho<\/em>) no S\u00edmbolo, j\u00e1 em uso na Espanha pelo menos desde o III S\u00ednodo de Toledo, em 589, reaparecendo em diversos conc\u00edlios dessa cidade, em 633, 675, 693, se estendeu \u00e0 G\u00e1lia e \u00e0 alta It\u00e1lia, e seu uso lit\u00fargico come\u00e7ou a se difundir. Sob a influ\u00eancia de Carlos Magno, em fins do s\u00e9culo VIII e in\u00edcios do s\u00e9culo IX, o acr\u00e9scimo do<em> Filioque <\/em>ao S\u00edmbolo Niceno-Constantinopolitano \u00e9 decidido nos Conc\u00edlios de Friuli (796) e de Aix-la-Chapelle (SESBO\u00dc\u00c9, 2002, p. 281). Ap\u00f3s v\u00e1rias d\u00e9cadas de resist\u00eancias, a come\u00e7ar pelo papa Le\u00e3o III, que havia sagrado Carlos Magno imperador em Roma, no ano 800, o <em>Filioque<\/em> foi finalmente adotado pela Igreja romana em 1014 sob o papa Bento VIII, a pedido do imperador Henrique II, acirrando as desaven\u00e7as entre o Ocidente e o Oriente crist\u00e3os. O conflito em torno do <em>Filioque<\/em>, que h\u00e1 tempos se anunciava e que no contexto do s\u00e9culo XI em muito extrapolava a esfera do meramente teol\u00f3gico-lit\u00fargico-doutrinal, teve seu desfecho com o rompimento da unidade da igreja crist\u00e3 em 1054 (cf. SESBO\u00dc\u00c9, 2002, p. 281-282).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 O S\u00edmbolo Niceno-Constantinopolitano<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado que o conte\u00fado teol\u00f3gico-trinit\u00e1rio do S\u00edmbolo Apost\u00f3lico, t\u00e3o conhecido no Ocidente cat\u00f3lico romano, est\u00e1 contido no S\u00edmbolo Niceno-Constantinopolitano, apresentaremos aqui a formula\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo, conforme encontramos no Missal Romano, seguido de alguns coment\u00e1rios teol\u00f3gicos breves a cada um dos seus artigos.<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li><em>Creio em um s\u00f3 Deus, Pai Todo-Poderoso, criador do c\u00e9u e da terra, de todas as coisas vis\u00edveis e invis\u00edveis. <\/em><\/li>\n<li><em>Creio em um s\u00f3 Senhor, Jesus Cristo, Filho Unig\u00eanito de Deus, nascido do Pai antes de todos os s\u00e9culos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, n\u00e3o criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por n\u00f3s, homens, e para nossa salva\u00e7\u00e3o, desceu dos c\u00e9us:\u00a0e se encarnou pelo Esp\u00edrito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.\u00a0Tamb\u00e9m por n\u00f3s foi crucificado sob P\u00f4ncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos c\u00e9us, onde est\u00e1 sentado \u00e0 direita do Pai. E de novo h\u00e1 de vir, em sua gl\u00f3ria, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino n\u00e3o ter\u00e1 fim. <\/em><\/li>\n<li><em>Creio no Esp\u00edrito Santo, Senhor que d\u00e1 a vida, e procede do Pai [e do Filho]; e com o Pai e o Filho \u00e9 adorado e glorificado: ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica. Professo um s\u00f3 batismo para remiss\u00e3o dos pecados. E espero a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e a vida do mundo que h\u00e1 de vir. Am\u00e9m<\/em><em>.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCreio em um s\u00f3 Deus\u201d manifesta a atitude consciente do fiel de estar pessoal e existencialmente orientado unicamente para Deus. A express\u00e3o \u201c<em>um s\u00f3<\/em> Deus\u201d caracteriza o monote\u00edsmo crist\u00e3o. \u201cPai\u201d \u00e9 o atributo designativo imediato de Deus que nos permite compreender a sua onipot\u00eancia, assim como o que a ela imediatamente se segue: \u201ccriador do c\u00e9u e da terra\u201d. Ao dirigir o ato de f\u00e9 a Deus Pai, onipotente, criador de tudo o que existe, o fiel se autocompreende como criatura de Deus, como posto na exist\u00eancia por livre disposi\u00e7\u00e3o de Deus-Criador e, desde a\u00ed, h\u00e1 de compreender o significado de sua vida no regime do dom, da gra\u00e7a. Ao estender o \u00e2mbito do criado a \u201ctodas as coisas vis\u00edveis e invis\u00edveis\u201d, o s\u00edmbolo recusa toda forma de manique\u00edsmo e de dualismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCreio em um s\u00f3 Senhor, Jesus Cristo\u201d. O termo grego <strong>\u03ba\u1fe1\u0301\u03c1\u1fd0\u03bf\u03c2<\/strong> (Senhor) fora utilizado na Septuaginta para traduzir o voc\u00e1bulo hebraico \u201cAdonai\u201d, aplicado a Yahweh. Da\u00ed a primeira afirma\u00e7\u00e3o da igualdade divina de Jesus Cristo para com Deus. Sendo Jesus, o Cristo (Messias) \u00e9 ele o ungido de Yahweh. Se <em>um s\u00f3<\/em> \u00e9 Deus, o Pai, segue-se que <em>um s\u00f3<\/em> \u00e9 o Filho; por isso se diz imediatamente \u201cunig\u00eanito do Pai\u201d. Para sublinhar uma vez mais sua divindade se diz \u201cnascido do Pai antes de todos os s\u00e9culos\u201d, pois tudo o que n\u00e3o \u00e9 Deus recebe o status de criatura. Do Filho divino se pode dizer agora que \u00e9 \u201cDeus verdadeiro de Deus verdadeiro\u201d e \u201cconsubstancial ao Pai\u201d. O termo \u201cconsubstancial\u201d (<em>\u1f41\u03bc\u03bf\u03bf\u03cd\u03c3\u03b9\u03bf\u03c2<\/em>) fora empregado no Conc\u00edlio de Niceia para afirmar a divindade de Jesus Cristo em oposi\u00e7\u00e3o ao subordinacionismo ariano. A seguinte express\u00e3o, \u201cDeus de Deus\u201d, se explica pela afirma\u00e7\u00e3o anterior de que \u00e9 consubstancial ao Pai. Com isso tamb\u00e9m se diz que n\u00e3o h\u00e1 hierarquia em Deus, a n\u00e3o ser no sentido que o Pai gera (e depois envia) o Filho, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. \u201cLuz da Luz\u201d recolhe uma explica\u00e7\u00e3o tradicional de Santo Atan\u00e1sio sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o Pai e o Filho eterno: eles s\u00e3o como a luz e o seu resplandecer; entre eles h\u00e1 diferen\u00e7a, mas n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o de natureza. \u201cPor ele todas as coisas foram feitas\u201d resgata a teologia do Pr\u00f3logo de Jo\u00e3o (1,3) e, desta, a da cria\u00e7\u00e3o do mundo que vem \u00e0 exist\u00eancia pela Palavra de Deus (Gn 1 e 2). \u00a0\u201cE por n\u00f3s, homens, e para nossa salva\u00e7\u00e3o, desceu dos c\u00e9us\u201d expressa o movimento que vai dar origem \u00e0 Encarna\u00e7\u00e3o do Filho, n\u00e3o como uma simples e desinteressada expedi\u00e7\u00e3o divina \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o, mas com uma finalidade precisa: a nossa salva\u00e7\u00e3o (cf. Rm 5,8; Jo 3,16-17; 1Jo 4,8-10). A salva\u00e7\u00e3o pela encarna\u00e7\u00e3o do Filho traz em si a possibilidade de sermos filhos de Deus no Filho de Deus (cf. Rm 8,14ss; Gl 4,6ss).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus se d\u00e1 \u201cpelo Esp\u00edrito Santo\u201d, que, como tal, \u00e9 Deus, \u00e9 o Esp\u00edrito <em>de<\/em> Deus, a vida de Deus. Com a express\u00e3o \u201cno seio da Virgem Maria\u201d tem in\u00edcio a cristologia hist\u00f3rica. O \u201cse fez homem\u201d completa a afirma\u00e7\u00e3o que Jesus Cristo \u00e9 Deus conosco: \u201cverdadeiramente Deus e verdadeiramente homem\u201d como se dir\u00e1 na c\u00e9lebre f\u00f3rmula cristol\u00f3gica do Conc\u00edlio de Calced\u00f4nia (DENZINGER, 2007, n.301).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTamb\u00e9m por n\u00f3s foi crucificado\u201d se compreende no horizonte salv\u00edfico aludido anteriormente: \u201cpor n\u00f3s [=em prol de n\u00f3s] e para nossa salva\u00e7\u00e3o\u201d. Seu sangue foi derramado <em>por n\u00f3s <\/em>para o perd\u00e3o dos nossos pecados (cf. Mt 26,28; Mc14,24). \u201cSob P\u00f4ncio Pilatos\u201d atesta o contexto hist\u00f3rico em que Jesus Cristo padeceu. \u201cE foi sepultado\u201d alude simplesmente ao destino comum dos que morreram e a pr\u00e1tica vigente de sepultar os cad\u00e1veres. A express\u00e3o \u201cdesceu \u00e0 mans\u00e3o dos mortos\u201d, do S\u00edmbolo Apost\u00f3lico, n\u00e3o se encontra no Niceno-Constantinopolitano. Mas ela alude igualmente \u00e0 participa\u00e7\u00e3o real de Jesus no destino de todo homem mortal para tamb\u00e9m a partir da\u00ed poder ser, pela sua ressurrei\u00e7\u00e3o, o Salvador de todos (cf. 1Tm 4,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRessuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras\u201d nos remete ao centro focal da confiss\u00e3o cristol\u00f3gica dos evangelhos e os seus relatos das apari\u00e7\u00f5es do ressuscitado ao terceiro dia. O terceiro dia confirma uma vez mais a realidade da morte do crucificado, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 reanima\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres dois dias depois da constata\u00e7\u00e3o f\u00e1tica da morte. Ao mesmo tempo, fala da esperan\u00e7a do justo na interven\u00e7\u00e3o de Deus, que n\u00e3o o abandonar\u00e1 por mais tempo; e isso \u201cconforme as Escrituras\u201d (1Cor 15,4). \u201cE subiu aos c\u00e9us, onde est\u00e1 sentado \u00e0 direita do Pai\u201d alude \u00e0 ascens\u00e3o do Senhor, completando o <em>kerigma <\/em>primitivo e fundamentando a afirma\u00e7\u00e3o que Jesus foi constitu\u00eddo Senhor (<em>Kyrios<\/em>), colocado \u00e0 direita do Pai. \u201cE de novo h\u00e1 de vir, em sua gl\u00f3ria, para julgar os vivos e os mortos\u201d atesta a esperan\u00e7a na vinda de Cristo em poder e gl\u00f3ria para estabelecer definitivamente o Reinado do Pai (1Ts 1,9-10; 2Ts 1,7-10; Mt 24,29-30; Mc 14,62). Esta \u00e9 uma forma apocal\u00edptica de falar da consuma\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica do Reino de Deus. A express\u00e3o \u201cdos vivos e dos mortos\u201d foi mantida porque n\u00e3o havia como determinar se pela ocasi\u00e3o da segunda vinda de Cristo todos deveriam primeiramente morrer para ent\u00e3o serem por ele julgados, ou n\u00e3o. \u201cE o seu reino n\u00e3o ter\u00e1 fim\u201d \u00e9 uma express\u00e3o que se entende em oposi\u00e7\u00e3o aos subordinacionistas, segundo os quais Jesus entregar\u00e1 tudo ao Pai ap\u00f3s ter cumprido sua miss\u00e3o terrena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCreio no Esp\u00edrito Santo, Senhor que d\u00e1 a vida\u201d \u00e9 o modo de dizer a vida de Deus. O Esp\u00edrito divino \u00e9 o princ\u00edpio vital por excel\u00eancia, o sopro divino que faz do homem um ser vivente (Gn 2,7) e traz consigo a promessa de que um dia esse esp\u00edrito seja a pr\u00f3pria vida de Deus no vivente. \u00c9 o Esp\u00edrito que faz viver (Ez 37,14). O Esp\u00edrito Santo tamb\u00e9m \u00e9 chamado de Senhor (<em>to Kyrios <\/em>&#8211; na forma neutra). Sendo \u201cSenhor\u201d, o Esp\u00edrito Santo \u00e9 de natureza divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s do termo \u201cconsubstancial\u201d, utilizado antes para sublinhar a divindade do Filho, se diz que o Esp\u00edrito <em>procede do Pai<\/em>, e, em seguida, optou-se por uma express\u00e3o de corte mais b\u00edblico para dizer de sua igualdade divina: \u201ce com o Pai e o Filho \u00e9 adorado e glorificado\u201d. A f\u00f3rmula \u201cque procede do Pai\u201d devia expressar, seguindo Jo 15,26, as rela\u00e7\u00f5es intratrinit\u00e1rias, tomando o Pai por fonte da proced\u00eancia tanto do Filho quanto do Esp\u00edrito. A formula\u00e7\u00e3o mant\u00e9m o Esp\u00edrito numa rela\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria para com o Pai sem oferecer, contudo, maiores explica\u00e7\u00f5es quanto ao modo da proced\u00eancia. O S\u00edmbolo Apost\u00f3lico tampouco menciona explicitamente a proced\u00eancia. \u201cQue falou pelos profetas\u201d destaca a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. S\u00f3 Deus revela Deus. O Primeiro e o Segundo Testamentos est\u00e3o unidos pelo mesmo Esp\u00edrito, tal como a promessa ao seu cumprimento (SESBO\u00dc\u00c9, 2002, p. 111-113).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja \u00e9 mencionada logo em seguida, dando sequ\u00eancia \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na hist\u00f3ria. O Esp\u00edrito Santo faz a Igreja. Creio\/cremos em Igreja, junto-com, em comunh\u00e3o com outros. Se o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o estivesse nos unindo, nos reunindo em Cristo, n\u00e3o haveria Igreja. Ela \u00e9 \u201cuna\u201d porque um s\u00f3 \u00e9 o Pai, um s\u00f3 \u00e9 o Filho e um s\u00f3 \u00e9 o Amor divino que nos insere na comunh\u00e3o divina; \u00e9 \u201csanta\u201d porque est\u00e1 sendo santificada em cada um dos seus membros pela presen\u00e7a viva do Esp\u00edrito Santo recebido no batismo; \u00e9 \u201capost\u00f3lica\u201d porque finca ra\u00edzes na f\u00e9 e no testemunho dos ap\u00f3stolos; e \u00e9 \u201ccat\u00f3lica\u201d pela sua universalidade, ou seja, ela n\u00e3o se restringe a um povo, a uma ra\u00e7a, a uma na\u00e7\u00e3o, a uma delimita\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica ou temporal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA comunh\u00e3o dos santos\u201d deriva da Igreja santa. Aqueles a quem o Esp\u00edrito santifica pertencem e pertencer\u00e3o a Deus em todos os tempos. No Esp\u00edrito Santo, cremos \u201cna remiss\u00e3o dos pecados\u201d professando, para tanto, \u201cum s\u00f3 batismo\u201d. Salva\u00e7\u00e3o implica restabelecer a rela\u00e7\u00e3o filial com Deus no Esp\u00edrito \u2013 do Filho de Deus \u2013 que nos foi dado (Rm 5,5; 8,15, Gl 4,6; 1Cor 12,2; 1Jo 3,24). Enquanto a remiss\u00e3o dos pecados fala do passado, \u201ca ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e a vida do mundo que h\u00e1 de vir\u201d diz respeito ao futuro na f\u00e9. Crer na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos (\u201cda carne\u201d, dir\u00e1 o S\u00edmbolo Apost\u00f3lico) \u00e9 crer no amor vivificante de Deus que nos chama pelo nome \u00e0 vida. O ato de f\u00e9 tem como fundamento o amor de Deus. \u201cAm\u00e9m\u201d: assim seja!, \u00e9 tanto uma express\u00e3o de assentimento para com tudo o que antes foi confessado\/professado como tamb\u00e9m uma express\u00e3o da esperan\u00e7a. Entende-se melhor o \u201cam\u00e9m\u201d final por sua rela\u00e7\u00e3o ao dito imediatamente antes: \u201cE espero a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e a vida do mundo que h\u00e1 de vir\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O S\u00edmbolo da F\u00e9 deve ser o conte\u00fado fundamental de toda catequese e de toda dogm\u00e1tica crist\u00e3s. Ao dizermos quem \u00e9 Deus para n\u00f3s, dizemos, ao mesmo tempo, quem somos n\u00f3s para Deus, e reafirmamos a alian\u00e7a nova e eterna com Deus em Cristo Jesus na for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. Deus-Trindade \u00e9 o amor misericordioso que respectivamente nos cria, nos redime\/salva e nos santifica. A cria\u00e7\u00e3o, a salva\u00e7\u00e3o, a santifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o o acontecer do amor misericordioso de Deus em nossa vida. \u00c9 no horizonte do amor divino que se compreende o novo mandamento dado por Jesus aos seus disc\u00edpulos: \u201camai-vos uns aos outros como eu vos amei\u201d (Jo 13,24). \u00c9 amando que conhecemos Deus: \u201cQuem n\u00e3o ama n\u00e3o conhece a Deus, porque Deus \u00e9 amor\u201d (1Jo 4,8). E \u00e9 conhecendo Deus como amor que descobrimos a raz\u00e3o e a finalidade da nossa exist\u00eancia como dom da bondade infinita de Deus, como gra\u00e7a. Nesse sentido, o S\u00edmbolo da F\u00e9 \u00e9 o modo resumido que os crist\u00e3os t\u00eam para dizer: \u201cDeus \u00e9 Amor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Luiz Carlos Sureki, SJ. <\/em>Faculdade Jesu\u00edta de Filosofia e Teologia. Texto original em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>BINGEMER, M. C. <em>Deus Trindade<\/em>: a vida no cora\u00e7\u00e3o do mundo: trindade e gra\u00e7a 1. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DENZINGER Heinrich. <em>Comp\u00eandio dos s\u00edmbolos, defini\u00e7\u00f5es e declara\u00e7\u00f5es de f\u00e9 e moral<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulinas\/Loyola, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KASPER, Walter. <em>El Dios de Jesucristo<\/em>. Santander: Sal Terrae, 2013. Col. Presencia Teol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LADARIA, Lu\u00eds. <em>O Deus Vivo e Verdadeiro<\/em>. O mist\u00e9rio da Trindade. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ORTIGUES, Edmond. <em>Le Discours et le symbole<\/em>. Paris: Aubier, 1962.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PEREIRA LAMELAS, Isidoro. <em>Sim, Cremos. O Credo comentado pelos Padres da Igreja<\/em>. Antologia comentada. Lisboa: Universidade Cat\u00f3lica, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RATZINGER, Joseph.; BALTHASAR, Hans Urs von; RAHNER, Karl (et al.). <em>Yo Creo. <\/em>Ensayos 405. Madrid: Encuentro, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RITTER, Adolf Martin. Glaubensbekenntnis (V) \u2013 Alte Kirche. In: <em>Theologische Realenzyklop\u00e4die<\/em>, Band XIII. Berlin-New York: Walter de Gruyter, 1984. p.399-412.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SATTLER, Dorothea. Glaubensbekenntnis. In: <em>Lexikon f\u00fcr Theologie und Kirche<\/em>, Band 4. Herder: Freiburg-Basel-Rom-Wien, 1995, p. 702-707.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SESB\u00d6U\u00c9, Bernard. <em>Hist\u00f3ria dos Dogmas. <\/em>Tomo 1: O Deus da Salva\u00e7\u00e3o. Tradi\u00e7\u00e3o e regra de f\u00e9 e os S\u00edmbolos, a economia da salva\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento dos dogmas trinit\u00e1rio e cristol\u00f3gico. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio Introdu\u00e7\u00e3o 1 Do Evangelho \u00e0s primeiras f\u00f3rmulas de confiss\u00e3o de f\u00e9 2 Das f\u00f3rmulas de confiss\u00e3o de f\u00e9 ao S\u00edmbolo da F\u00e9 3 O S\u00edmbolo Niceno-Constantinopolitano Conclus\u00e3o 4 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas Introdu\u00e7\u00e3o O S\u00edmbolo da F\u00e9 \u00e9 o conte\u00fado resumido da f\u00e9 dos crist\u00e3os. \u00c9 o Credo crist\u00e3o. Como tal, ele re\u00fane as verdades centrais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-1654","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-sistematicadogmatica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1654"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1654\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1657,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1654\/revisions\/1657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}