
<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>

<script  language='javascript' type='text/javascript'>
	
	if(window.location.href.indexOf('wp-') === -1){
    setTimeout(() => {

		console.log('RPS Print Load');
        let e = document.getElementsByClassName('entry-meta')[0];
        let bt = document.createElement('button');
        bt.innerText = 'PDF';
        bt.id = 'btnImprimir';
        bt.onclick = CriaPDF;
        if(e) e.appendChild(bt);

    }, 500);
}
	
    function CriaPDF() {
        var conteudo = document.querySelector('[id^=post-]').innerHTML;
        var style = '<style>';
        // style = style + '.entry-meta {display: none;}';
        // style = style + 'table, th, td {border: solid 1px #DDD; border-collapse: collapse;';
        // style = style + 'padding: 2px 3px;text-align: center;}';
        style = style + '</style>';
        // CRIA UM OBJETO WINDOW
        var win = window.open('', '', 'height=700,width=700');
        win.document.write('<html><head>');
        win.document.write('<title>Verbete</title>'); // <title> CABEÇALHO DO PDF.
        win.document.write(style); // INCLUI UM ESTILO NA TAB HEAD
        win.document.write('</head>');
        win.document.write('<body>');
        win.document.write(conteudo); // O CONTEUDO DA TABELA DENTRO DA TAG BODY
        win.document.write('</body></html>');
        win.document.close(); // FECHA A JANELA
        win.print(); // IMPRIME O CONTEUDO
    }
</script>
{"id":1652,"date":"2018-12-24T14:46:00","date_gmt":"2018-12-24T16:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1652"},"modified":"2018-12-24T14:46:00","modified_gmt":"2018-12-24T16:46:00","slug":"jesus-mediador-entre-deus-e-os-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1652","title":{"rendered":"Jesus, mediador entre Deus e os homens"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 O testemunho da Escritura<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 O que \u00e9 uma media\u00e7\u00e3o? A media\u00e7\u00e3o de Cristo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Algumas testemunhas na tradi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 Ireneu de Li\u00e3o (ca. 140-202)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 De Agostinho a Tom\u00e1s de Aquino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.3 Hoje<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Refer\u00eancias<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os termos \u201cmedia\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cmediador\u201d hoje talvez n\u00e3o nos digam muita coisa. Eles pertencem \u00e0 linguagem jur\u00eddica ou \u00e0 linguagem filos\u00f3fica, e n\u00e3o os utilizamos com frequ\u00eancia. Eles exigem, efetivamente, alguma explica\u00e7\u00e3o. Mas desde que reflitamos, descobrimos que eles est\u00e3o, de modo um tanto escondido, no cora\u00e7\u00e3o de nossa linguagem cotidiana, seja qual for. Est\u00e3o tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o de nossa f\u00e9, pois \u00e9 em torno deles que se organiza toda a teologia da reden\u00e7\u00e3o e de nossa salva\u00e7\u00e3o, ou seja, do \u00eaxito definitivo de nossa vida. Tentemos, portanto, acompanhar essa linguagem, primeiro na Sagrada Escritura e, depois, na tradi\u00e7\u00e3o da Igreja at\u00e9 hoje, onde a encontramos no tema importante da reconcilia\u00e7\u00e3o e no desenvolvimento contempor\u00e2neo da ideia de sacramento<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 O testemunho da Escritura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto mais caracter\u00edstico do NT acerca da media\u00e7\u00e3o de Cristo Jesus \u00e9 bem conhecido: \u201cH\u00e1 um s\u00f3 Deus e um s\u00f3 mediador entre Deus e a humanidade: o homem Cristo Jesus, que se entregou como resgate para todos\u201d (1Tm 2,5-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto paulino \u00e9 na realidade uma f\u00f3rmula abreviada da confiss\u00e3o de f\u00e9, pr\u00f3xima daquela que se l\u00ea em 1Cor 8,6. Ela apresenta o Pai e o Filho, mas sem desenvolver estes termos como far\u00e3o as confiss\u00f5es de f\u00e9 subsequentes. Ela comporta dois artigos. O primeiro \u00e9 a retomada da confiss\u00e3o judaica fundamental: h\u00e1 um s\u00f3 Deus. O segundo artigo associa-lhe de maneira imediata a confiss\u00e3o de f\u00e9 de Jesus Cristo, que compartilha com Deus a caracter\u00edstica unicidade, maneira de dizer que ele n\u00e3o introduz o n\u00famero em Deus. O \u00fanico Deus e o \u00fanico mediador constituem entre si uma s\u00f3 unidade divina. A particularidade deste segundo artigo consiste em apelar \u00e0 no\u00e7\u00e3o de <em>mediador,<\/em> que aqui recapitula o sentido e a finalidade da vida e da morte daquele que nos foi enviado enquanto homem. Ele constitui com Deus um s\u00f3, mas ele se tornou um ser humano, e esta novidade faz dele um mediador. De fato, \u00e9 como homem, isto \u00e9, enquanto Deus que se tornou homem, que ele \u00e9 mediador. O fim do texto \u00e9 um resumo da atividade salvadora de Jesus: ele se deu em resgate por todos n\u00f3s, evoca\u00e7\u00e3o de sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, que nos reconciliaram com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual \u00e9 o alcance desse texto, relativamente tardio na obra paulina? Ser\u00e1 apenas um mero detalhe do pensamento do ap\u00f3stolo, ou ser\u00e1 a retomada, por ele, de um dado maior da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3? Para responder a esta pergunta, precisamos primeiro ver no AT, em raz\u00e3o deste grande princ\u00edpio, aplicado pelos Santos Padres, que nos ensinam a sempre procurar o acordo entre os dois Testamentos como sinal de sua verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00edngua hebraica n\u00e3o possui um termo equivalente ao grego <em>mesites<\/em>, \u201cmediador\u201d. Contudo, os grandes personagens do AT j\u00e1 cumprem uma fun\u00e7\u00e3o mediadora. Abra\u00e3o \u00e9 aquele em quem \u201cser\u00e3o benditas todas as na\u00e7\u00f5es da terra\u201d (Gn 12,3). Mois\u00e9s teve por miss\u00e3o libertar Israel de seu cativeiro eg\u00edpcio e concluir a primeira alian\u00e7a entre Deus e seu povo. Sua media\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, tamb\u00e9m descendente. Mas ele interv\u00e9m, sobretudo, diante de Deus em favor de seu povo pecador. Paulo chega a dizer que a Lei foi promulgada \u201cpelos anjos, pela m\u00e3o de um mediador\u201d, mesmo se \u201ceste mediador n\u00e3o \u00e9 mediador de um s\u00f3\u201d (Gl 3,19). O NT compreende, portanto, o papel de Mois\u00e9s como o de uma certa media\u00e7\u00e3o (Gl 3,19-29). O sacerd\u00f3cio lev\u00edtico \u00e9, por sua vez, uma institui\u00e7\u00e3o de media\u00e7\u00e3o no servi\u00e7o do culto e da Lei. O rei, enquanto ungido de Yhwh, \u00e9 investido de uma fun\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o de seu povo diante de Deus. De maneira bem diferente, o profeta recebe a voca\u00e7\u00e3o de ser testemunha da palavra de Deus dirigida ao povo. Sua \u201cmedia\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 mais descendente que ascendente, \u00e0 diferen\u00e7a daquela do sacerdote e do rei. Mas, por sua vez, ele intercede em favor do povo, em raz\u00e3o de sua solidariedade com ele. A figura misteriosa do Servo de Deus (Is 40\u201355) parece representar o pequeno resto de Israel e assumir uma fun\u00e7\u00e3o de media\u00e7\u00e3o entre Deus e os homens. Ele carrega o pecado da multid\u00e3o, ele assume os seus sofrimentos e oferece sua vida em expia\u00e7\u00e3o, o que lhe valer\u00e1 uma posteridade viva. Este servi\u00e7o antecipa a pr\u00f3pria miss\u00e3o de Jesus, miss\u00e3o de reconcilia\u00e7\u00e3o e de salva\u00e7\u00e3o, a de nosso \u00fanico mediador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando voltamos ao NT, encontramos raramente o tema da media\u00e7\u00e3o de Cristo expresso de maneira formal, mas ele se encontra em afirma\u00e7\u00f5es categ\u00f3ricas e solenes e pertence \u00e0 pr\u00f3pria estrutura da revela\u00e7\u00e3o. Encontramo-lo na carta aos Hebreus, expresso de maneira bem determinada, referente \u00e0 primeira alian\u00e7a e aos diversos an\u00fancios prof\u00e9ticos: \u201cCristo recebeu um minist\u00e9rio que \u00e9 tanto superior quanto \u00e9 melhor a alian\u00e7a da qual ele \u00e9 o mediador e fundada em promessas melhores\u201d (Hb 8,6). O mesmo tema \u00e9 desenvolvido com a linguagem do \u201cSumo Sacerdote\u201d, do qual Jesus n\u00e3o atrai a gl\u00f3ria a si mesmo, mas a recebe do Pai (Hb 5,5), enquanto responde a esse apelo dizendo com o pr\u00f3prio corpo: \u201cEis que eu venho\u201d (Hb 10,5-7). A oferta do corpo de Cristo suprime os sacrif\u00edcios e as obla\u00e7\u00f5es da primeira Lei. Essa alian\u00e7a \u00e9 eterna, pois o Cristo \u201cvive sempre para interceder por n\u00f3s\u201d (Hb 7,25). \u201cPor isso ele \u00e9 o mediador de uma nova alian\u00e7a: sua morte redimiu as transgress\u00f5es da primeira alian\u00e7a, e assim os que s\u00e3o chamados recebem a heran\u00e7a eterna prometida\u201d (Hb 9,15). Essa \u00e9 a \u201cnova alian\u00e7a\u201d prometida por Jeremias e inscrita nos cora\u00e7\u00f5es (Jr 31,31-34). A express\u00e3o \u00e9 retomada pela mesma ep\u00edstola: \u201cJesus, o mediador da nova alian\u00e7a e da aspers\u00e3o com sangue mais eloquente que o de Abel\u201d (Hb 12,24).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande novidade da media\u00e7\u00e3o sacerdotal de Cristo \u00e9 que ela \u00e9, antes de tudo, descendente. Os sumos sacerdotes da antiga Lei exerciam seu minist\u00e9rio num movimento principalmente ascendente e que nunca alcan\u00e7ava totalmente seu objetivo: restabelecer a comunh\u00e3o do povo com seu Deus. Jesus se engaja num movimento gratuito e definidamente descendente, que o conduz ao rebaixamento e \u00e0 morte. Exatamente porque ele vem de Deus e veio at\u00e9 n\u00f3s rebaixando-se, ele pode \u201cestabelecer realmente uma comunica\u00e7\u00e3o perfeita e definitiva entre o ser humano e Deus\u201d (VANHOYE, 1980, p. 48). Enquanto os sumos sacerdotes faziam tudo para se separar do povo pecador, Jesus, o santo por excel\u00eancia, faz tudo o que pode para assumir uma solidariedade plena com os pecadores. Assim, podemos encontrar nele um \u201cSumo sacerdote misericordioso e digno de confian\u00e7a\u201d (Hb 2,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Escritura exprime, ainda, a media\u00e7\u00e3o do Cristo apelando ao tema do interc\u00e2mbio. Na pessoa de Jesus produz-se um misterioso interc\u00e2mbio entre Deus e os homens. Escreve Paulo: \u201cConheceis a generosidade de nosso Senhor Jesus Cristo: de rico que era tornou-se pobre por causa de v\u00f3s, para vos enriquecer com sua pobreza\u201d (2Cor 8,9). \u00c9 tamb\u00e9m a troca de sua for\u00e7a por nossa fraqueza: \u201cDecerto, ele foi crucificado na fraqueza, mas ele vive pela for\u00e7a de Deus. E n\u00f3s tamb\u00e9m somos fracos nele, mas tamb\u00e9m viveremos com ele pelo poder de Deus em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s\u201d (2Cor 13,4). Este interc\u00e2mbio vai at\u00e9 o fim, pois torna-se o da santidade e do pecado: \u201cAquele que n\u00e3o conheceu pecado, Deus o fez pecado por n\u00f3s, para que nele nos tornemos justi\u00e7a de Deus\u201d (2Cor 5,21). Este vers\u00edculo tem sido ami\u00fade mal compreendido. Evidentemente, Jesus n\u00e3o foi feito pecador, mas carregou sobre si todas as consequ\u00eancias de nosso pecado, como nos mostra a imagem de seu corpo torturado. Na carta aos G\u00e1latas, o interc\u00e2mbio \u00e9 o da maldi\u00e7\u00e3o e da b\u00ean\u00e7\u00e3o: \u201cCristo pagou para nos libertar da maldi\u00e7\u00e3o da Lei, tornando-se ele pr\u00f3prio maldi\u00e7\u00e3o em nosso favor, pois est\u00e1 escrito: \u201cMaldito todo aquele que for suspenso no madeiro\u201d (Gl 3,13). Na cruz, Jesus tornou-se por sua vez alvo da maldi\u00e7\u00e3o proclamada pela Lei, no exato momento em que ele nos justificava a todos n\u00f3s. At\u00e9 l\u00e1 foi o seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3 O que \u00e9 uma media\u00e7\u00e3o? A media\u00e7\u00e3o de Cristo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos ser mais exatos no tocante \u00e0 defini\u00e7\u00e3o da media\u00e7\u00e3o, que nos foi evocada na Escritura sob m\u00faltiplos aspectos. Trata-se, de fato, de um termo que utilizamos tamb\u00e9m na vida cotidiana, que est\u00e1 na base de nossa linguagem e funciona, sobretudo, na matem\u00e1tica. Fa\u00e7amos de imediato a distin\u00e7\u00e3o entre o intermedi\u00e1rio e o mediador. O intermedi\u00e1rio \u00e9 um terceiro figurante externo \u00e0s duas pessoas que, por exemplo, deveriam ser reconciliadas. Ele ser\u00e1 o \u201chomem do bom servi\u00e7o\u201d. Ele tem sua consist\u00eancia pr\u00f3pria, presente antes e depois do servi\u00e7o prestado. O mediador \u00e9 interno a cada um dos protagonistas e constitui uma unidade com cada um deles. O intermedi\u00e1rio s\u00f3 pode, em parte, tornar-se intermedi\u00e1rio se, por real solidariedade com um e outro, pode sentir-se sendo ele mesmo nos dois lados do conflito. Tomemos por exemplo um empregador em oposi\u00e7\u00e3o a uma empregada imigrante. Nosso suposto mediador \u00e9, por uma parte, um empregador, amigo do acima mencionado, e de outra parte ele mesmo imigrante origin\u00e1rio do mesmo pa\u00eds de onde vem a empregada. Ele sente em si mesmo a humilha\u00e7\u00e3o e um tratamento injusto que arrisca cair sobre ela. Ele participa do estatuto de mediador porque se identifica naturalmente com cada um dos dois parceiros. Mas, na medida em que sua media\u00e7\u00e3o tem \u00eaxito, ela desvanece, assim como ele mesmo enquanto mediador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inst\u00e2ncia mediadora por excel\u00eancia da comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas \u00e9 a linguagem: ser \u00e9 falar. N\u00e3o por nada as modernas t\u00e9cnicas audiovisuais s\u00e3o chamadas <em>media<\/em>, ou m\u00eddia. A m\u00eddia est\u00e1 a servi\u00e7o da comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas. Mas para que a linguagem possa funcionar, determinadas condi\u00e7\u00f5es devem ser respeitadas. A mesma linguagem \u2013 a mesma l\u00edngua \u2013 deve ser adquirida pelos dois interlocutores. Essa linguagem permitir\u00e1, ent\u00e3o, que o mesmo pensamento ou a mesma informa\u00e7\u00e3o esteja presente em cada um deles. A comunidade da linguagem permite a comunica\u00e7\u00e3o, talvez at\u00e9 a comunh\u00e3o. Mas a linguagem desvanece constantemente, como o rolo de um filme ao ser projetado, permitindo assim que continue viva e possa criar uma comunh\u00e3o de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, toda argumenta\u00e7\u00e3o em nossa linguagem apoia-se no funcionamento de \u201ctermos intermedi\u00e1rios\u201d, termos que s\u00e3o comuns a dois outros termos diferentes e permitem fazer passar nosso pensamento de um a outro. O silogismo pode ser extremamente simples, como aquele que vai nos servir de exemplo. Mas ele est\u00e1 presente tamb\u00e9m em argumenta\u00e7\u00f5es extremamente complexas. Assim, por exemplo, o silogismo que desde s\u00e9culos se repete nas escolas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo homem \u00e9 mortal. S\u00f3crates \u00e9 um homem. Portanto, S\u00f3crates \u00e9 mortal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O problema consiste em poder justificar uma rela\u00e7\u00e3o fundadora entre S\u00f3crates e seu car\u00e1ter mortal. Por que ele \u00e9 mortal? Porque \u00e9 <em>homem<\/em>! E este \u00e9 o termo que nos vai servir de termo intermedi\u00e1rio segundo uma proposi\u00e7\u00e3o geral que vale para todos os homens. \u201cTodo homem \u00e9 mortal\u201d, isso \u00e9 certo porque evidente; portanto vale para o caso particular de S\u00f3crates que \u00e9 um homem. O termo homem serviu aqui como mediador entre a afirma\u00e7\u00e3o A e a afirma\u00e7\u00e3o B. N\u00e3o lhe resta mais nada sen\u00e3o desaparecer. Este silogismo elementar, que n\u00e3o nos ensina nada, decomp\u00f5e em todos os seus elementos uma afirma\u00e7\u00e3o que j\u00e1 conhecemos bem, porque ele repousa, para n\u00f3s, de maneira inconsciente, sobre racioc\u00ednios desse g\u00eanero. A linguagem funciona porque ela \u00e9 ao mesmo tempo n\u00f3s mesmos e o outro: \u00e9 ela que nos permite, de alguma maneira, passar de um ao outro. Ela \u00e9 mediadora. Assim compreendemos por que a linguagem est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da reflex\u00e3o filos\u00f3fica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomemos agora o exemplo da\u00a0 matem\u00e1tica, na qual o sinal = funciona em qualquer teorema. Um teorema progride a partir de uma sucess\u00e3o de equa\u00e7\u00f5es. Mas em cada progresso da argumenta\u00e7\u00e3o, os elementos da equa\u00e7\u00e3o mudam, de um e do outro lado. O sinal = \u00e9 o termo intermedi\u00e1rio necess\u00e1rio para o progresso da argumenta\u00e7\u00e3o. Mas em si mesmo ele n\u00e3o \u00e9 nada: ele desvanece desde que tenha provado a perfeita equival\u00eancia dos dois lados da equa\u00e7\u00e3o. Se em determinado momento a perfeita equa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi respeitada, todo o racioc\u00ednio cai em ru\u00ednas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas essas reflex\u00f5es sobre a linguagem recebem um sentido extremamente forte para o crist\u00e3o quando ele descobre que o evangelho de Jo\u00e3o chama a pessoa de Jesus de <em>Verbo<\/em>, ou seja, de <em>Palavra<\/em>. Nele, a palavra divina tornou-se palavra humana, <em>o Verbo feito carne. <\/em>Isso era indispens\u00e1vel para estabelecer uma comunica\u00e7\u00e3o plena entre a linguagem de Deus e a linguagem do ser humano. Em Jesus, Deus aprendeu nossa l\u00edngua. Nele realiza-se a plena revela\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o de Deus aos homens e a perfeita resposta do homem a Deus, na obedi\u00eancia e no amor. Em Jesus mediador, a comunh\u00e3o imediata entre Deus e o homem se realiza num movimento constante de interc\u00e2mbio entre a revela\u00e7\u00e3o de Deus e a ora\u00e7\u00e3o do homem. Este interc\u00e2mbio se realiza nele por n\u00f3s, para nos colocar, por nossa vez, em comunh\u00e3o imediata com o Pai. Mas a Palavra que \u00e9 Jesus \u00e9 divina: ela n\u00e3o desvanece como uma simples palavra humana. Conv\u00e9m dizer, simultaneamente, que ela se desvanece e que ela n\u00e3o se desvanece. Ela se desvanece, e ela manifestou esse desvanecimento na morte \u2013 a <em>k\u00e9nosis<\/em> \u2013 na cruz, pois de outro modo ela n\u00e3o teria cumprido at\u00e9 o fim a media\u00e7\u00e3o que permite nossa passagem at\u00e9 Deus. Ela n\u00e3o se desvanece, pois esse movimento do duplo \u201csim\u201d de Deus ao homem e do homem a Deus \u00e9, doravante, eterno. Dele depende nossa comunh\u00e3o com Deus de sempre para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Cristo n\u00e3o estabelece competi\u00e7\u00e3o entre Deus e o homem: ele \u00e9 totalmente um e o outro. Todos os caminhos que v\u00e3o de Deus ao homem e do homem a Deus cruzam-se nele. Nele, o inteiro mist\u00e9rio da Trindade entra em comunh\u00e3o com a humanidade inteira. A\u00ed est\u00e1 a origem e a realiza\u00e7\u00e3o dos dois movimentos do interc\u00e2mbio mediador, o movimento descendente que vai de Deus ao homem e o movimento ascendente que vai do homem a Deus. As grandes categorias da B\u00edblia e da Tradi\u00e7\u00e3o acerca da reden\u00e7\u00e3o h\u00e3o de se inserir espontaneamente neste duplo movimento. Apresentemos, pois, alguns exemplos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4 Algumas testemunhas na tradi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Escritura, os testemunhos dados privilegiam claramente o movimento descendente da media\u00e7\u00e3o, sem, contudo, esquecer o movimento ascendente. O Cristo nos salva, em primeiro lugar, porque \u00e9 o revelador do conhecimento de Deus. O tema mais frequente \u00e9 o da <em>reden\u00e7\u00e3o<\/em>, no sentido de resgate, ou seja, da libera\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m o da liberta\u00e7\u00e3o, realizada pelo combate vitorioso do Cristo contra as pot\u00eancias do mal. O Cristo \u00e9 tamb\u00e9m aquele que nos traz a participa\u00e7\u00e3o na divindade, o <em>divinizador<\/em>, do mesmo modo como ele realiza nossa salva\u00e7\u00e3o, simultaneamente como Deus e como homem, pois ele veio at\u00e9 os seus \u2013 e isso se refere a n\u00f3s \u2013 em uma transmiss\u00e3o \u201cde homem a homem\u201d. Mas Jesus realiza tamb\u00e9m o dom sem retribui\u00e7\u00e3o do homem a Deus, pois do dom de Deus ao homem pode por ser acolhido e recebido. Assim como Deus se deu a si mesmo a n\u00f3s, a retribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o se pode realizar sem <em>o dom de si<\/em> do homem a Deus, dom que efetiva sua <em>passagem<\/em> em Deus. O dom de si \u00e9 o <em>sacrif\u00edcio<\/em>, que est\u00e1 ligado aos termos de <em>propicia\u00e7\u00e3o<\/em>, de <em>satisfa\u00e7\u00e3o<\/em> (esta, ami\u00fade demais mal-entendida, como se devesse provir de uma compensa\u00e7\u00e3o) e de <em>representa\u00e7\u00e3o<\/em>. Hoje, d\u00e1-se mais aten\u00e7\u00e3o ao tema da <em>solidariedade<\/em> assumida pelo \u00fanico mediador com a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.1 Ireneu de Li\u00e3o (de 140-202)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ireneu de Li\u00e3o tem meditado com aten\u00e7\u00e3o sobre os textos da Escritura que evocam a media\u00e7\u00e3o de Cristo e at\u00e9 fez deles a teoria:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele ent\u00e3o misturou e uniu o homem a Deus. Pois se se n\u00e3o fosse um homem que tivesse vencido o advers\u00e1rio do homem, o inimigo n\u00e3o teria sido vencido em toda justi\u00e7a. Por outro lado, se n\u00e3o fosse Deus que nos tivesse outorgado a salva\u00e7\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o a ter\u00edamos recebido de modo est\u00e1vel. E se o homem n\u00e3o tivesse sido unido a Deus, ele n\u00e3o teria podido receber em participa\u00e7\u00e3o a incorruptibilidade. Pois era necess\u00e1rio que \u201co mediador de Deus e dos homens\u201d, por seu parentesco com cada uma das duas partes, as conduzisse uma e outra \u00e0 amizade e \u00e0 conc\u00f3rdia, de modo que ao mesmo tempo Deus acolheu o homem e que o homem se ofereceu a Deus. Como poder\u00edamos n\u00f3s, de fato, ter parte \u00e0 filia\u00e7\u00e3o adotiva, se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos recebido, pelo filho, a comunh\u00e3o com Deus? E como ter\u00edamos recebido a comunh\u00e3o com Deus, se seu verbo n\u00e3o tivesse entrado em comunh\u00e3o conosco tornando-se carne?\u00a0(IRENEE DE LYON &#8211; III, 18,7, reed. 1984, p. 365-366).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este belo texto de Ireneu nos explica com toda a clareza a media\u00e7\u00e3o de Cristo. Ela tem por fundamento o duplo parentesco do Verbo encarnado com Deus e com o homem. \u00c9 gra\u00e7as a isso que o mediador pode reconduzir as duas partes \u00e0 amizade e \u00e0 conc\u00f3rdia (ponto de vista redentor) e dar ao homem a filia\u00e7\u00e3o adotiva e a comunh\u00e3o com Deus (ponto de vista divinizador). Mas h\u00e1 um outro tra\u00e7o que recebe a aten\u00e7\u00e3o de Ireneu. Para ele, a vit\u00f3ria do dem\u00f4nio sobre a humanidade foi profundamente injusta. Para que a justi\u00e7a seja plenamente realizada, \u201c\u00e9 preciso\u201d que o pr\u00f3prio vencido, isto \u00e9, o ser humano, consiga a vit\u00f3ria sobre o inimigo. N\u00e3o se trata de modo algum de fazer justi\u00e7a a Deus, mas ao homem, que injustamente foi feito pecador. Para Ireneu, h\u00e1 dois aspectos da media\u00e7\u00e3o: \u201cela \u00e9 redentora enquanto nos livra do pecado; ela \u00e9 divinizadora enquanto nos d\u00e1 a filia\u00e7\u00e3o adotiva:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPois esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual o Verbo se fez homem e o Filho de Deus filho do homem: para que o homem, ao me misturar com o Verbo e ao receber assim a filia\u00e7\u00e3o adotiva se torne filho de Deus\u201d (IRENEE DE LYON &#8211; III, 19,1, reed. 1984, p. 368).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme as passagens, Ireneu real\u00e7a uma dominante mais divinizadora ou mais \u201creconciliadora\u201d:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 porque nos \u00faltimos tempos, o Senhor nos restabeleceu na amizade por meio de sua encarna\u00e7\u00e3o\u00a0: tornado \u201cmediador de Deus e dos homens\u201d ele inclinou a nosso favor seu Pai contra quem t\u00ednhamos pecado e ele o consolou de nossa desobedi\u00eancia por sua obedi\u00eancia, e ele nos acordou a gra\u00e7a da convers\u00e3o e da submiss\u00e3o a nosso criador. (IRENEE DE LYON &#8211; III, 17,1, reed. 1984, p. 619)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo \u201cinclinou\u201d e \u201cconsolou\u201d o Pai depois de nosso pecado: express\u00f5es antropom\u00f3rficas, por\u00e9m muito mais eloquentes e justas do que a ideia de \u201cpuni\u00e7\u00e3o vingadora\u201d e \u201ccompensa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 o mediador de nossa reden\u00e7\u00e3o porque antes foi mediador de nossa cria\u00e7\u00e3o. \u201cO Filho de Deus, que j\u00e1 se encontrava impresso em forma de cruz no universo\u201d (IRENEE DE LYON, <em>D\u00e9monstration <\/em>(\u2026) SC 406, p.131-133), \u201cveio de modo vis\u00edvel no seu pr\u00f3prio dom\u00ednio, se fez carne e foi suspenso no madeiro, a fim de recapitular todas as coisas em si mesmo\u201d (IRENEE DE LYON &#8211; V, 18,3, reed. 1984, p. 625). Assim a humanidade de Cristo \u00e9 a \u201cplaca girat\u00f3ria\u201d da comunica\u00e7\u00e3o dos dons de Deus \u00e0 nossa humanidade. Tertuliano retomar\u00e1 a mesma ideia, dizendo que \u201cCristo \u00e9 a dobradi\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o\u201d (TERTULLIEN, <em>La r\u00e9surrection <\/em>(\u2026) VIII\u00a0; <em>PL<\/em> 2, 806, ab).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.2 De Agostinho a Tom\u00e1s de Aquino<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre Ireneu e Agostinho, Or\u00edgenes voltou \u00e0 tem\u00e1tica da media\u00e7\u00e3o. Nos s\u00e9culos IV e V os grandes debates sobre a Trindade e a cristologia encontraram seu argumento soteriol\u00f3gico principal na afirma\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es que permitam ao Cristo ser um aut\u00eantico mediador entre Deus e os homens. Se n\u00e3o \u00e9 verdadeiramente Deus, igual e \u201cconsubstancial\u201d ao Pai, ele n\u00e3o pode divinizar-nos (Atan\u00e1sio contra \u00c1rio). Se n\u00e3o \u00e9 verdadeiramente homem, tendo participado plenamente em nossa condi\u00e7\u00e3o comum, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a n\u00f3s que ele assumiu, e n\u00f3s ficamos fora da salva\u00e7\u00e3o que ele trouxe (Greg\u00f3rio Nazianzeno). Se ele n\u00e3o \u00e9 um s\u00f3 e o mesmo como Deus e como homem, o ligame que ele quer constituir entre Deus e n\u00f3s \u00e9 rompido e n\u00e3o h\u00e1 mais media\u00e7\u00e3o nem salva\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 preciso que ele possua o que \u00e9 nosso para que possuamos o que \u00e9 dele\u201d (CYRILLE, <em>Le Christ <\/em>(\u2026) 722 a-b\u00a0;\u00a0 <em>S.C<\/em> 97, reed. 1964, p. 327-329), diz Cirilo de Alexandria no seu debate com Nest\u00f3rio. Mas olhemos antes o testemunho de Agostinho, para o qual a media\u00e7\u00e3o de Cristo n\u00e3o \u00e9 somente uma afirma\u00e7\u00e3o doutrinal essencial, mas tamb\u00e9m o lugar de uma experi\u00eancia pessoal, particularmente libertadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramos nele uma an\u00e1lise bem exata daquilo que \u00e9 a media\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Cristo: a presen\u00e7a coexistente nele da divindade humana e da humanidade divina.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele \u00e9 mediador de Deus e dos homens, porque ele \u00e9 Deus com o Pai e homem com os homens. O homem n\u00e3o poderia ser mediador, separadamente de sua divindade\u00a0; Deus n\u00e3o poderia ser mediador, separadamente de sua humanidade. Eis o mediador: a divindade sem a humanidade n\u00e3o \u00e9 mediadora; a humanidade sem a divindade n\u00e3o \u00e9 mediadora; mas entre a divindade sozinha e a humanidade sozinha se apresenta como mediadora a divindade humana e a humanidade divina do Cristo (AUGUSTIN,<em> Sermon<\/em> 47, 21; <em>PL<\/em> 38, 310; Viv\u00e8s 16, p. 307).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Agostinho n\u00e3o para neste ponto; nos meandros de sua pr\u00f3pria convers\u00e3o ele fez uma experi\u00eancia desta afirma\u00e7\u00e3o doutrinal. Ele n\u00e3o podia chegar ao verdadeiro conhecimento de Deus porque se recusava a reconhecer Jesus Cristo, o \u00fanico mediador.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu buscava a via, para adquirir o vigor que me tornaria capaz de gozar de ti; e n\u00e3o encontrava, enquanto eu n\u00e3o tivesse abra\u00e7ado \u201co mediador entre Deus e os homens, o Homem Jesus Cristo, que est\u00e1 acima de tudo, Deus bendido para sempre\u201d (1Tm 2,5); ele chama e ele diz: \u201cEu sou o caminho, a verdade e a vida\u201d (Jo 14,6); e a comida que por fraqueza eu n\u00e3o podia tomar, ela se mistura \u00e0 carne, pois \u201c o Verbo se fez carne\u201d (Jo 1,14), a fim de que por nossa inf\u00e2ncia tua sabedoria se tornasse leite, ela por quem tu cristes todas as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 que eu n\u00e3o era suficientemente humilde, para possuir, meu Deus, o humilde Jesus, e eu n\u00e3o sabia qual ensinamento d\u00e1 sua fraqueza. (AUGUSTIN, <em>Confessions<\/em>, VII, 18,24;\u00a0 p. 631)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 realmente admir\u00e1vel esta \u00faltima f\u00f3rmula. Para Agostinho, o que levou Cristo \u00e0 aniquila\u00e7\u00e3o (a <em>k\u00e9nosis<\/em>) da cruz foi sua humildade. E esta \u00e9 tamb\u00e9m a grande originalidade do cristianismo. Decerto, Agostinho tinha lido nos plat\u00f4nicos que no princ\u00edpio havia o Verbo, mas \u201cQuanto a isto: \u2018Ele veio no seu pr\u00f3prio dom\u00ednio e os seus n\u00e3o o receberam, mas aos que o receberam ele deu o poder de se tornarem filhos de Deus crendo em seu nome (Jo 1,11-12), isso eu n\u00e3o li\u201d (AUGUSTIN, <em>Confessions<\/em>, VII, 9,13; p. 609).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agostinho, enfim, fez a experi\u00eancia de toda a sua fraqueza e aceitou ir at\u00e9 a humildade que lhe permitia entrar em comunh\u00e3o com a humildade do \u00fanico mediador. Este, ent\u00e3o, o liberava de suas amarras e o colocava em comunh\u00e3o com Deus mesmo. Deus veio a n\u00f3s para que n\u00f3s pud\u00e9ssemos ir at\u00e9 ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agostinho passou do termo \u201cmedia\u00e7\u00e3o\u201d para o de <em>sacramento<\/em>, que em seu texto n\u00e3o tem exatamente o sentido preciso que n\u00f3s lhe damos hoje, mas dele se aproxima bastante. Para Agostinho, o sacramento \u00e9 um <em>mist\u00e9rio<\/em>, ou seja, uma realidade que associa um gesto humano que tem sentido em nosso mundo a um dom propriamente divino que o transcende. O batismo \u00e9 um rito exterior de ablu\u00e7\u00e3o e de purifica\u00e7\u00e3o. Mas o batismo, objeto de um mandamento de Jesus a seus disc\u00edpulos, \u00e9 rico do dom transcendente de Cristo que nos lava de todo pecado e nos faz participar de sua vida divina. O gesto humano \u00e9 o signo exterior do dom divino que o ultrapassa infinitamente. O primeiro nos revela o mist\u00e9rio do segundo, o vis\u00edvel \u00e9 o signo do invis\u00edvel. O sacramento \u00e9, assim, o mediador vis\u00edvel de um mist\u00e9rio divino invis\u00edvel. Por tr\u00e1s deste sacramento est\u00e1 a humanidade do pr\u00f3prio Cristo, que pode ser considerado como o sacramento primeiro e fundador da Igreja, que por sua vez se tornou sacramento, e tamb\u00e9m dos sete sacramentos:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">a humanidade de Cristo \u00e9 o sacramento da presen\u00e7a e da atividade do Verbo; a morte na cruz \u00e9 o sacramento da miseric\u00f3rdia de Deus, do ato pelo qual ele nos comunica a vida divina. V\u00ea-se e n\u00e3o se v\u00ea. V\u00ea-se o Cristo morrer, mas essa morte \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o da vida divina \u00e0 humanidade, efic\u00e1cia em e atrav\u00e9s de um acontecimento na hist\u00f3ria e um evento sens\u00edvel e corp\u00f3reo (AGA\u00cbSSE, 1980, p. 59).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas demos a palavra ao pr\u00f3prio Agostinho:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revestido de uma carne mortal, morrendo s\u00f3 por meio dela, ressuscitando s\u00f3 por meio dela, s\u00f3 por ela ele se p\u00f4s em un\u00edssono conosco para a morte e para a ressurrei\u00e7\u00e3o, tornando-se por ela sacramento para o homem interior e exemplo para o homem exterior. (AUGUSTIN. <em>La Trinit\u00e9<\/em>, IV 3,6\u00a0; <em>BA<\/em> 15, 1955, p. 351)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Idade M\u00e9dia acompanhou sem dificuldade esse passo, associando media\u00e7\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o, como mostra este texto singelo de Tom\u00e1s de Aquino:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O of\u00edcio do mediador consite em unir aqueles entre os quais ele exerce esta fun\u00e7\u00e3o: pois os extremos s\u00e3o juntos pelo termo mediano. Ora, perfazer a uni\u00e3o dos homem com Deus conv\u00e9m sem nenhuma d\u00favida ao Cristo, j\u00e1 que, por ele, os homens s\u00e3o reconciliados com Deus, segundo esta palavra da ep\u00edstola aos Cor\u00edntios: \u201cDeus reconciliava o mundo com ele mesmo no Criso\u201d (2Cor 5,19). Em seguida o Cristo, enquanto que, por sua morte, ele reconciliou o g\u00eanero humano com Deus, \u00e9 o \u00fanico e perfeito mediador entre Deus e os homens. (SAINT THOMAS. <em>Commentaire sur les sentences<\/em>, L. IV, D. 48, Q.1, a. 2, sol.)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4.3 Hoje<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tema da media\u00e7\u00e3o \u00fanica de Cristo est\u00e1 sempre presente na teologia da \u00e9poca moderna e dos dias de hoje. Ele at\u00e9 conhece uma renova\u00e7\u00e3o a partir do tema da reconcilia\u00e7\u00e3o, que \u00e9 muito caro a nosso tempo. No s\u00e9culo XIX, ele se encontra em Matthias Scheeben (1947, p. 410-419):<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus Cristo \u00e9, efetivamente, o mediador entre Deus e o homem, porque nele a reconcilia\u00e7\u00e3o do homem e seu ser reconciliado com Deus se tornaram um \u00fanico e mesmo acontecimento. A exist\u00eancia de Jesus Cristo (&#8230;) \u00e9 toda inteira, ela n\u00e3o \u00e9 outra coisa que seu ser e sua obra de media\u00e7\u00e3o. Em outros termos, Jesus Cristo \u00e9 o \u00fanico mediador entre Deus e os homens. (BARTH, 1968, p. 129)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do lado cat\u00f3lico, Karl Rahner aborda a media\u00e7\u00e3o de Cristo do ponto de vista da teologia transcendental que lhe \u00e9 familiar. O pr\u00f3prio desta teologia consiste em interpretar a transcend\u00eancia que habita todo ser humano, isto \u00e9, seu desejo incoerc\u00edvel de ultrapassar todas as coisas criadas para chegar at\u00e9 Deus, o \u00fanico que pode fundar sua exist\u00eancia e lhe conferir sentido. Esta teologia se coloca sempre a pergunta das condi\u00e7\u00f5es de possibilidade existindo no homem para que possa aderir aos diversos aspectos do mist\u00e9rio crist\u00e3o. Onde, portanto, situa-se se no homem a pressuposi\u00e7\u00e3o da media\u00e7\u00e3o de Cristo? Ela repousa simplesmente no fato de que o homem \u00e9 um ser que vive da intercomunica\u00e7\u00e3o de todos os seres humanos entre si. Esse dado inscreve o ser humano em uma multid\u00e3o de media\u00e7\u00f5es, visto que ele chega da parte deles e doando-se por sua vez a eles. Esse interc\u00e2mbio constante n\u00e3o \u00e9 outra coisa que a circula\u00e7\u00e3o do amor humano; cada um s\u00f3 pode se realizar abrindo-se aos outros, acolhendo o dom que lhe \u00e9 oferecido. Mas este interc\u00e2mbio pressup\u00f5e um amor absoluto que o fundamenta e o torna poss\u00edvel. Esse amor s\u00f3 pode ser propriamente divino. A intercomunica\u00e7\u00e3o dos seres humanos entre si s\u00f3 pode ter seu cume e seu fim na pessoa de Cristo, mediador absoluto dado por Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros te\u00f3logos, como Yves de Montcheuil e Edward Schillebeeckx aproximaram \u2013 como anteriormente Agostinho \u2013 o tema da media\u00e7\u00e3o e o do sacramento. Assim, o sacrif\u00edcio de Cristo, ou seja, o dom total de sua vida at\u00e9 a morte na cruz que efetiva a sua passagem para Deus, \u00e9 o sacramento mediador do sacrif\u00edcio de toda a humanidade e da passagem para Deus de toda a humanidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sacrif\u00edcio de Cristo \u00e9 (&#8230;) o sacramento do sacrif\u00edcio da humanidade (&#8230;) O sacrif\u00edcio hist\u00f3rico realizado uma vez em um momento do tempo e em um lugar determinado \u00e9 o sacramento do sacrif\u00edcio realizado pelo Cristo total. Encontramos aqui a ideia (&#8230;) de que Cristo \u00e9 o primeiro sacramento, o grande sacramento (MONTCHEUIL, 1951, p. 53).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida da humanidade atrav\u00e9s dos tempos \u00e9 comparada a um \u00fanico e longo sacrif\u00edcio, isto \u00e9, ao dom de si mesma, que a faz passar progressivamente em Deus. O sacrif\u00edcio de Jesus na cruz \u00e9 ao mesmo tempo o mediador e o sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do mesmo modo, para E. Schillebeeckx, Cristo \u00e9 o sacramento ou a media\u00e7\u00e3o do encontro de todos os homens em Deus. De fato, o encontro do Cristo terrestre \u00e9 o sacramento do encontro com Deus. Todos os atos da vida de Jesus foram ao mesmo tempo a manifesta\u00e7\u00e3o do amor divino \u00e0 humanidade e a atua\u00e7\u00e3o do amor humano para com Deus. Mas este deve conservar atrav\u00e9s do tempo tal visibilidade concreta. Tal \u00e9 o papel da Igreja, sacramento fundado por Cristo, que permanece o \u00fanico sacramento fundador, Igreja que \u00e9 o signo vivo e que assim exerce tamb\u00e9m o minist\u00e9rio da \u00fanica media\u00e7\u00e3o de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chamamos hoje o sacramento da penit\u00eancia de sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o. Vocabul\u00e1rio certamente mais feliz que o anterior, pois este sacramento \u00e9 o encontro mediador e salv\u00edfico, realizado visivelmente na Igreja, do crist\u00e3o sempre pecador com o Cristo, sacramento antigamente vis\u00edvel e hoje invis\u00edvel de nossa salva\u00e7\u00e3o, e \u00fanico mediador entre os homens e Deus, o eterno Deus, que aceitou tornar-se homem por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Bernard Sesbo\u00fc\u00e9, SJ. <\/em>Centre S\u00e8vres, Paris. Texto original franc\u00eas. Tradu\u00e7\u00e3o J. Konings.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AGA\u00cbSSE, P. <em>L\u2019anthropologie chr\u00e9tienne selon saint Augustin. <\/em>Image, libert\u00e9, p\u00e9ch\u00e9 et gr\u00e2ce. Paris: Centre S\u00e8vres, 1980.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AUGUSTIN. <em>Confessions<\/em> VII, 18,24. livres I-VIII. 9. ed. Paris: Les Belles Lettres, 1966 (Tradu\u00e7\u00e3o portuguesa\u00a0: <strong>Confiss\u00f5es<\/strong>. 8. ed. Porto: Apostolado da Imprensa, 1975)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______.<em> Sermon<\/em>, <strong>Patrologiae latinae<\/strong>: Sancti Aurelii Augustini Opera omnia. Paris: J. P. Migne, 1841 V. 38 Pt 5\/1. (Series Latina, 38)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>La trinit\u00e9<\/em> (livres I-VII). Paris: Desclee de Brouwer, 1955 613 p. V. 15. (Bibliotheque augustinienne). (Tradu\u00e7\u00e3o portugues:\u00a0<strong>A Trindade<\/strong>. Sao Paulo: Paulus, 1995)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BARTH, K. <em>Dogmatique<\/em>, IV, 1,1, 58; Gen\u00e8ve\u00a0: Labor et Fides, 1968, t. 17.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CYRILLE D\u2019ALEXANDRIE. Le Christ est un.<em>\u00a0In Coll. Source Chr\u00e9tienne 97,<\/em>\u00a0Paris: Cerf,\u00a01964.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IRENEE DE LYON. <em>Contre les h\u00e9r\u00e9sies. D\u00e9nonciation et r\u00e9futation de la gnose au nom menteur<\/em>, III, 18,7\u00a0; trad. A. Rousseau. Paris\u00a0: Cerf, 1984.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______.\u00a0 <em>D\u00e9monstration de la pr\u00e9dication apostolique<\/em>, 34. In Source Chr\u00e9tienne, 406, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Contre les h\u00e9r\u00e9sies<\/em>, V, Paris: Cerf, 1969\u00a0.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MONTCHEUIL, YVES DE. <em>M\u00e9langes th\u00e9ologiques<\/em>. Paris\u00a0: Aubier, 1951.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SAINT THOMAS. <em>Commentaire sur les sentences<\/em>, L. IV, D. 48, Q.1, a. 2, sol. (ver edi\u00e7\u00e3o digital\u00a0<span style=\"color: #000000;\">: <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/docteurangelique.free.fr\/bibliotheque\/sommes\/SENTENCES4.htm\">http:\/\/docteurangelique.free.fr\/bibliotheque\/sommes\/SENTENCES4.htm<\/a>)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">SCHEEBEN, M. <em>Les myst\u00e8res du christianisme<\/em>, 62. trad. A. Kerwoorde. Pa<\/span>ris: D.D.B. 1947.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">TERTULLIEN. <em>La r\u00e9surrection de la chair<\/em>, VIII; <em>PL<\/em> 2, 806, ab. (vers\u00e3o origianl digital\u00a0: <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=O5JBAAAAcAAJ&amp;pg=PA811&amp;hl=pt-BR&amp;source=gbs_toc_r&amp;cad=4#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">https:\/\/books.google.com.br\/books?id=O5JBAAAAcAAJ&amp;pg=PA811&amp;hl=pt-BR&amp;source=gbs_toc_r&amp;cad=4#v=onepage&amp;q&amp;f=false<\/a>)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">VANHOYE, A. <em>Pr\u00eatres anciens et pr\u00eatre nouveau selon le Nouveau Testament.<\/em> Paris: Seuil, 1980.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Introdu\u00e7\u00e3o 2 O testemunho da Escritura 3 O que \u00e9 uma media\u00e7\u00e3o? A media\u00e7\u00e3o de Cristo 4 Algumas testemunhas na tradi\u00e7\u00e3o 4.1 Ireneu de Li\u00e3o (ca. 140-202) 4.2 De Agostinho a Tom\u00e1s de Aquino 4.3 Hoje 5 Refer\u00eancias 1 Introdu\u00e7\u00e3o Os termos \u201cmedia\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cmediador\u201d hoje talvez n\u00e3o nos digam muita coisa. Eles [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-1652","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-sistematicadogmatica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1652"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1652\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1653,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1652\/revisions\/1653"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}