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{"id":1564,"date":"2017-12-30T17:26:23","date_gmt":"2017-12-30T19:26:23","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1564"},"modified":"2018-12-23T15:09:06","modified_gmt":"2018-12-23T17:09:06","slug":"espaco-liturgico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1564","title":{"rendered":"Espa\u00e7o lit\u00fargico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 Defini\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Evolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 Compreens\u00e3o neotestament\u00e1ria de templo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 Era pr\u00e9-nicena<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.3 Igrejas paleocrist\u00e3s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.4 Igrejas no Oriente crist\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.5 A era carol\u00edngia e o rom\u00e2nico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.6 O g\u00f3tico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.7 O Renascimento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.8 O barroco<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.9 O p\u00f3s-barroco<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 O lugar da assembleia celebrante<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Teologia do espa\u00e7o lit\u00fargico<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.1 Qualidades identificadoras<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.2 O amb\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.3 A fonte batismal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4.4 O altar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 Defini\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O espa\u00e7o lit\u00fargico \u00e9 aquele edif\u00edcio onde a Igreja realiza o seu culto e que, por feliz meton\u00edmia, recebe o seu mesmo nome, igreja. Esse edif\u00edcio possui caracter\u00edsticas pr\u00f3prias que o qualificam como lugar de culto, o que chamamos de qualidades identificadoras ou monumentos pascais, sendo os principais o altar, o amb\u00e3o e a fonte batismal. Para al\u00e9m dessas qualidades identificadoras, o espa\u00e7o lit\u00fargico recebe em sua est\u00e9tica aspectos que lhe conferem a mistagogia crist\u00e3. Disso decorre que o espa\u00e7o lit\u00fargico tem uma teologia, para al\u00e9m de uma hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o dos estilos arquitet\u00f4nicos. Essa teologia e evolu\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica revelam uma eclesiologia, em que a Igreja se compreende como imagem da Trindade atrav\u00e9s das tr\u00eas categorias eclesiol\u00f3gicas: Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.1<\/strong> <strong>Compreens\u00e3o neotestament\u00e1ria de templo<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros crist\u00e3os tinham uma forte consci\u00eancia de que o verdadeiro espa\u00e7o sagrado era a comunidade dos disc\u00edpulos de Cristo e cada fiel individualmente a exemplo do Mestre. De fato, em Jo 2,19-21, Jesus declara solenemente ser ele o verdadeiro templo que, destru\u00eddo, erguer-se-ia em tr\u00eas dias, e Jo\u00e3o explica que Jesus falava do templo do seu Corpo. Tendo Jesus morrido, ressuscitado e subido aos c\u00e9us, o seu Corpo \u00e9 a Igreja (Ef 1,22-23; 4,15-16; 5,23; Cl 1,18; cf. 1Cor 12,12). Eles n\u00e3o tinham, portanto, a preocupa\u00e7\u00e3o de possuir um lugar espec\u00edfico de culto como o tinham os judeus e muitos pag\u00e3os. De fato, o lugar de adorar Deus n\u00e3o \u00e9 mais sobre a montanha de Sicar, na Samaria, e tampouco em Jerusal\u00e9m, mas em esp\u00edrito e verdade (Jo 4,21-23). Assim sendo, os disc\u00edpulos de Jesus se reuniam na casa de algum deles que possu\u00eda um im\u00f3vel capaz de abrigar bom n\u00famero de pessoas (Lc 22,7-13; At 2,46; 12,12; At 20,7-12; 1Cor 16,19; Fm 1,2). Contudo, isso era principalmente para o caso espec\u00edfico do culto crist\u00e3o, porque, por algum tempo, eles costumavam ir diariamente ao templo de Jerusal\u00e9m (At 2,46) e os ap\u00f3stolos pregavam tamb\u00e9m nas sinagogas (At 9,20) at\u00e9 serem delas expulsos. \u00c9 preciso, por\u00e9m, considerar que algumas sinagogas, onde tenha havido convers\u00e3o em massa de judeus, inclusive dos chefes, tenham se tornado lugares de culto crist\u00e3o (Mc 5,22; Tg 2,2; o Sacrament\u00e1rio Gelasiano Antigo traz ora\u00e7\u00f5es de consagra\u00e7\u00e3o de lugares de culto que antes foram sinagogas (GeV 724-729).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.2 Era pr\u00e9-nicena<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O n\u00famero dos fi\u00e9is aumentava entre a paz ou as persegui\u00e7\u00f5es; fizeram-se, ent\u00e3o, necess\u00e1rios lugares maiores para abrigar as comunidades crist\u00e3s, o que j\u00e1 come\u00e7ava a ganhar certos aspectos da nova realidade. Que os crist\u00e3os se reunissem nas catacumbas para celebrarem o culto dominical em \u00e9pocas de persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 um tanto controverso, porque suas condi\u00e7\u00f5es eram t\u00e3o insalubres que os impediriam de ali permanecer por muitas horas, al\u00e9m de suas dimens\u00f5es n\u00e3o acolherem sequer cinquenta pessoas (KRAUTHEIMER, 1986, p.30). De modo que j\u00e1 come\u00e7am a surgir, no s\u00e9c. II, edif\u00edcios com uma sala ampla, com espa\u00e7os definidos para o clero e para os demais fi\u00e9is, o que ficou conhecido como domus ecclesiae. A mais conhecida \u00e9 o domus ecclesiae de Dura Europos, atualmente Qalat es Salyhiye, na S\u00edria, datada entre os anos 231 a 265 (KRAUTHEIMER,1986, p.27; LASSUS, 11863; HOPKINS, p.116).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.3 Igrejas paleocrist\u00e3s<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9c. IV, os crist\u00e3os conquistam liberdade de culto, reconhecida pelo imperador Constantino, com Edito de Mil\u00e3o, de 313. Por ordem do imperador, v\u00e1rias igrejas s\u00e3o edificadas por quase todo o Imp\u00e9rio Romano. A mais antiga que se tem not\u00edcia \u00e9 a Catedral de Tiro, na Fen\u00edcia, inaugurada aproximadamente em 316, da qual Eus\u00e9bio de Cesareia nos fornece uma descri\u00e7\u00e3o pormenorizada, inclusive com uma interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lico-teol\u00f3gica. Entretanto, nesse momento de liberdade, a grande quest\u00e3o era que arquitetura adotar na edifica\u00e7\u00e3o das igrejas. A escolha cai sobre a bas\u00edlica romana, uma adapta\u00e7\u00e3o da bas\u00edlica grega para abrigar grandes multid\u00f5es. A bas\u00edlica romana se caracteriza por sua forma retangular e com dupla simetria: na longitudinal, duas filas de colunas uma frente \u00e0 outra e, nas transversais, duas absides, tamb\u00e9m uma frente \u00e0 outra, criando assim um centro \u00fanico e precioso. O arquiteto crist\u00e3o, por\u00e9m, suprime uma das absides, eliminando aquele centro \u00fanico, que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio, propondo-lhe um caminho, o do homem (ZEVI, 2009, p.71). Por caminho do homem entende-se a trajet\u00f3ria do observador, ou seja, o crist\u00e3o deu aos esquemas da bas\u00edlica romana uma alma e uma fun\u00e7\u00e3o, de modo que o eixo do edif\u00edcio se tornou uma met\u00e1fora do caminho a ser percorrido pelo homem rumo \u00e0 parusia, representada pela abside \u00fanica. A organiza\u00e7\u00e3o interna da bas\u00edlica, por\u00e9m, segue o esquema sinagogal (BOUYER, p.15). Contudo, advirta-se que o estilo basilical n\u00e3o foi o \u00fanico, embora predominante; a bas\u00edlica de S\u00e3o Vital, em Ravena, por exemplo, tem planta redonda. A todo esse conjunto de estilos, hoje, se chama paleocrist\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.4 Igrejas no Oriente crist\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na S\u00edria, as bas\u00edlicas se distinguiam fortemente das de tradi\u00e7\u00e3o ocidental pelo amb\u00e3o. Este era uma constru\u00e7\u00e3o monumental no centro do edif\u00edcio, com a cadeira presidencial para o bispo, ladeada por assentos para os presb\u00edteros e demais ministros e, de cada lado, uma estante para a leitura da ep\u00edstola e do Evangelho. Toda a liturgia da Palavra se dava nesse amb\u00e3o, que se costuma chamar de Bema; na tradi\u00e7\u00e3o ocidental, o amb\u00e3o, embora tamb\u00e9m central, era de dimens\u00f5es menores e servia apenas como lugar da proclama\u00e7\u00e3o da Palavra, a homilia se dava no presbit\u00e9rio. Terminada a liturgia da Palavra nas igrejas s\u00edrias, o bispo e seus presb\u00edteros se dirigiam, atrav\u00e9s de uma passarela, para o presbit\u00e9rio-abside para a liturgia eucar\u00edstica. O altar ficava muito pr\u00f3ximo dos fundos da abside e escondido por um pesado cortinado, de modo que a assembleia ouvia, mas n\u00e3o via o que se passava. Na tradi\u00e7\u00e3o bizantina, esse cortinado deu lugar \u00e0 icon\u00f3stase, uma parede ricamente decorada com \u00edcones e com tr\u00eas portas; na tradi\u00e7\u00e3o latina, por\u00e9m, o altar sempre foi vis\u00edvel \u00e0 assembleia. A fonte batismal, via de regra, era edificada fora da bas\u00edlica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.5<\/strong> <strong>A era carol\u00edngia e o rom\u00e2nico<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 era arquitet\u00f4nica paleocrist\u00e3 sucede o chamado estilo carol\u00edngio. Um belo exemplo \u00e9 a parte original da Capela Palatina de Aquisgrana (Aachen, Alemanha), encomendada por Carlos Magno no s\u00e9culo IX. A planta \u00e9 redonda, como a de S\u00e3o Vital em Ravena, mas aprofunda fortemente o presbit\u00e9rio. As colunas italianas suportam o peso da ab\u00f3bada de pedra, o que antecipa a influ\u00eancia bizantina. Em Roma segue o estilo basilical, mas j\u00e1 com grande influ\u00eancia bizantina, como \u00e9 o caso de Santa In\u00eas (s\u00e9c. VII) e Santa Praxedes (s\u00e9c. IV). Esse ambiente arquitet\u00f4nico serviu de prepara\u00e7\u00e3o para o famoso e imponente estilo rom\u00e2nico, que se imporia por quase todo o Ocidente a partir do s\u00e9c. X. De fato, trata-se da combina\u00e7\u00e3o dos diferentes estilos que surgiram na Europa Central na segunda metade do primeiro mil\u00eanio e, sobretudo, da evolu\u00e7\u00e3o das constru\u00e7\u00f5es difundidas na It\u00e1lia setentrional por influ\u00eancia da arquitetura bizantina a partir do s\u00e9c. VII. O rom\u00e2nico foi, primeiro, acolhido nas igrejas mon\u00e1sticas e, devido a grande presen\u00e7a dessas na vida eclesial, espalhou-se por toda a Europa. Essas igrejas mon\u00e1sticas tinham tr\u00eas naves e, nas laterais, constru\u00eda-se uma abside um pouco menor do que aquela central. As igrejas rom\u00e2nicas tinham paredes muito espessas e cegas, porque todo o peso da ab\u00f3bada se descarregava sobre elas; sobre a porta principal e ou na abside, abria-se uma ros\u00e1cea que projetava a luz do sol sobre o altar. J\u00e1 n\u00e3o mais se constru\u00eda o amb\u00e3o, pois, nessa \u00e9poca, o latim j\u00e1 deixava de ser l\u00edngua vern\u00e1cula, passou apenas a ser de uso lit\u00fargico, de modo que o povo j\u00e1 n\u00e3o compreendia a liturgia, mas apenas participava assistindo passivamente aos ritos sagrados. O amb\u00e3o continuou em uso apenas na pen\u00ednsula it\u00e1lica, como \u00e9 o caso da catedral de Pisa, na It\u00e1lia. Com o desuso do amb\u00e3o, toda a aten\u00e7\u00e3o da assembleia recai sobre o altar do sacrif\u00edcio eucar\u00edstico. Doravante, o que mais importa \u00e9 a presen\u00e7a real de Cristo na h\u00f3stia consagrada que todos os fi\u00e9is querem ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.6 O g\u00f3tico<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O g\u00f3tico surge na Fran\u00e7a, no s\u00e9c. XII e, como nessa \u00e9poca o pa\u00eds despontava como grande pot\u00eancia cultual e pol\u00edtica, esse estilo se difundir\u00e1 rapidamente por quase toda a Europa. Na pen\u00ednsula it\u00e1lica teve pouca influ\u00eancia e na ib\u00e9rica, devido \u00e0 dif\u00edcil transposi\u00e7\u00e3o dos Pirineus e forte dom\u00ednio isl\u00e2mico, s\u00f3 chegou no s\u00e9c. XIV. Eram tempos de constantes guerras e duras pestes; neste ambiente, o g\u00f3tico foi a melhor express\u00e3o da espiritualidade medieval. De fato, a necessidade humana de pedir prote\u00e7\u00e3o a Deus e aos seus Santos e de lhes render gra\u00e7as e louvores fizera com que tudo apontasse para o alto, \u00e0s moradas celestes. Por isso, o g\u00f3tico \u00e9 agudo, lan\u00e7a para o alto com a leveza das estruturas vazadas, conseguindo encher o interior de luz atrav\u00e9s de seus grandes vitrais. A estrutura g\u00f3tica \u00e9 o resultado da fus\u00e3o de duas t\u00e9cnicas arquitet\u00f4nicas h\u00e1 tempo conhecidas, de modo que os mestres de obra franceses conseguem plasmar o perfil desse novo estilo dando solidez \u00e0s suas realiza\u00e7\u00f5es. Disso surgem os dois tra\u00e7os principais do g\u00f3tico, ou seja, o arco ogival, que livra os construtores das dificuldades da ab\u00f3bada de base quadrada e o fato de n\u00e3o serem mais as paredes que suportam o peso do teto e das ab\u00f3badas, pois o delgado esqueleto dos contrafortes, que se prolonga nas nervuras das meias-colunas e dos arcobotantes, transfere a carga para os contrafortes externos, de modo que as espessas paredes dos estilos precedentes se tornam sup\u00e9rfluas e, no lugar delas, enormes janelas estendem seus vitrais de um pilar a outro, elevando-se at\u00e9 as ab\u00f3badas. Enquanto espa\u00e7o de culto, o g\u00f3tico traz a novidade dos p\u00falpitos, por influ\u00eancia das ordens mendicantes que, preocupadas com a ignor\u00e2ncia dos fi\u00e9is, os usam para instru\u00ed-los, enquanto um sacerdote dizia a missa a baixa voz. Tamb\u00e9m leva a fonte batismal para dentro da igreja, numa capela pr\u00f3xima \u00e0 porta frontal, uma vez que o batismo de grande n\u00famero de pessoas, sobretudo adultas, era uma realidade h\u00e1 s\u00e9culos quase inusitada. Doravante, mormente, batizam-se crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.7<\/strong> <strong>O<\/strong> <strong>Renascimento<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9c. XV surge, na It\u00e1lia, o estilo renascentista, que se caracteriza culturalmente pelo antropocentrismo, o classicismo e a liga\u00e7\u00e3o com o mecenato. O antropocentrismo busca, nas artes, as devidas propor\u00e7\u00f5es dos componentes do edif\u00edcio e das representa\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas e estatu\u00e1rias. Deste modo, o artista renascentista prefere os edif\u00edcios de planta centrada aos de forma basilical. Os renascentistas se inspiram no templo pag\u00e3o romano antigo, estilo rejeitado pelos crist\u00e3os antigos. O ideal de beleza do classicismo antigo volta com toda a sua for\u00e7a na essencialidade da arquitetura renascentista, no equil\u00edbrio e no nu dos her\u00f3is idealizados, exaltando a anatomia e o vigor muscular como, por exemplo, nas est\u00e1tuas de Davi, em Floren\u00e7a, e de Mois\u00e9s, em Roma. Em tudo isso se percebe que as igrejas renascentistas n\u00e3o s\u00e3o pensadas em primeiro lugar como espa\u00e7o para acolher a assembleia dos fi\u00e9is para o louvor de Deus, mas para a exalta\u00e7\u00e3o das artes e a satisfa\u00e7\u00e3o do gosto do mecenas. Al\u00e9m disso, os vitrais, t\u00e3o caros ao g\u00f3tico, considerados como \u201cB\u00edblia dos iletrados\u201d, d\u00e3o lugar \u00e0s janelas transparentes, com o intuito de conseguir mais luz para o destaque da decora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.8<\/strong> <strong>O barroco<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m em solo italiano, surge o estilo barroco, que ganha grande impulso no mundo cat\u00f3lico depois da Reforma de Martinho Lutero e, sobretudo, com o Conc\u00edlio de Trento (1545-1563). A Reforma tridentina rejeita o estilo renascentista devido \u00e0 influ\u00eancia do paganismo do classicismo romano, mas os arquitetos n\u00e3o tardariam em retomar os edif\u00edcios de planta centrada que sobrevive e, \u00e0s vezes, se funde com a planta basilical. Com sua suntuosa ostenta\u00e7\u00e3o, o barroco serviu bastante ao triunfalismo cat\u00f3lico p\u00f3s-Trento. O barroco se preocupa muito com a apar\u00eancia, conferindo assim uma import\u00e2ncia cada vez maior \u00e0 fachada com a sobreposi\u00e7\u00e3o de est\u00e1tuas, pilares, colunas e pilastras, altern\u00e2ncia e mescla de superf\u00edcies de paredes c\u00f4ncavas e convexas que lhe conferem um aspecto alegre e imponente, al\u00e9m de formar ondula\u00e7\u00f5es, que vibram ritmicamente, transmitindo seus movimentos ao espa\u00e7o interno. Essas formas arquitet\u00f4nicas se juntam \u00e0 abund\u00e2ncia pict\u00f3rica e estatu\u00e1ria criando um movimento sempre ascendente, para o destino dos fi\u00e9is em Cristo. O dourado \u00e9 abundante e as demais cores s\u00e3o vivas nas pinturas que, ao contr\u00e1rio dos estilos paleocrist\u00e3os e medievais, preferentemente anamn\u00e9ticos (cenas b\u00edblicas, aspectos da vida de Cristo, da Virgem e dos santos), preferem temas escatol\u00f3gicos tais como a assun\u00e7\u00e3o da Virgem e dos santos e a representa\u00e7\u00e3o do para\u00edso. A representa\u00e7\u00e3o teatral se mostra em uma esp\u00e9cie de espet\u00e1culo sagrado, um jogo entre o vis\u00edvel e o invis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cruzeiro, que separa o presbit\u00e9rio com seu altar-mor da nave central, no barroco, muitas vezes, se comp\u00f5e de quatro arcos, sobre os quais se apoia a c\u00fapula. Esta c\u00fapula \u00e9 algo bem particular, porque recebe, em sua base, um tambor cheio de janelas e, em seu cume, uma lanterna tamb\u00e9m com janelas que deixam entrar abundante luz. Esta se projeta sobre o altar-mor, foco da aten\u00e7\u00e3o da assembleia por ser o lugar da transubstancia\u00e7\u00e3o, portanto da presen\u00e7a real de Cristo. A cobertura das igrejas barrocas recebe rica representa\u00e7\u00e3o pict\u00f3rica e, gra\u00e7as \u00e0 sua perspectiva, os artistas conseguem substituir a eleva\u00e7\u00e3o do g\u00f3tico por uma ilus\u00e3o de \u00f3tica de uma pintura que d\u00e1 o mesmo sentido, ou seja, elevar \u00e0 morada divina. Essa eleva\u00e7\u00e3o em perspectiva da igreja faz com que o c\u00e9u se abra sobre a terra, de modo que Deus, com seus anjos e santos, des\u00e7a \u00e0 igreja, que se torna casa de Deus. Contemplando o c\u00e9u e o gozo futuro, o crist\u00e3o barroco cresce no desejo de um dia l\u00e1 chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas Am\u00e9ricas, o barroco foi o primeiro estilo eclesial conhecido. Longe das disputas entre cat\u00f3licos e protestantes, o barroco nas Am\u00e9ricas, sobretudo na que hoje chamamos Latina, n\u00e3o tem conota\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas. Teve que encontrar novas t\u00e9cnicas e adapta\u00e7\u00e3o ao material aqui encontrado, como, por exemplo, o uso abundante de pedra sab\u00e3o na regi\u00e3o central do estado de Minas Gerais no Brasil, ou de outro tipo de pedra em cidades importantes das col\u00f4nias lusitana e espanhola. Usou-se, tamb\u00e9m, a madeira, e a douradura foi semelhante a da Europa, devido \u00e0 abund\u00e2ncia do precioso metal. Uma particularidade do barroco, tanto no velho quanto no novo Continente, foi a perten\u00e7a dos altares laterais \u00e0s confrarias ou ordens terceiras ligadas a alguma ordem religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>2.9<\/strong> <strong>O p\u00f3s-barroco<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do s\u00e9c. XVIII, por influ\u00eancia do Iluminismo europeu, o barroco caiu em desuso na constru\u00e7\u00e3o de novas igrejas, cedendo lugar aos temas cl\u00e1ssicos da Gr\u00e9cia antiga, ber\u00e7o da filosofia ocidental. Surge, ent\u00e3o, o estilo que ficou conhecido como neocl\u00e1ssico. A rea\u00e7\u00e3o a este estilo n\u00e3o tardaria no mundo cat\u00f3lico, de modo que, no s\u00e9c. XIX, os tradicionais estilos europeus voltariam na forma de neog\u00f3tico e neorrom\u00e2nico e, por vezes, um h\u00edbrido desses estilos que resultaria no ecl\u00e9tico. Hoje, sobretudo depois do Conc\u00edlio Vaticano II, reina a liberdade e a criatividade dos arquitetos e o di\u00e1logo com a \u00edndole dos povos crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>3 O lugar da assembleia celebrante<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na antiguidade, a preocupa\u00e7\u00e3o primeira ao conceber o espa\u00e7o lit\u00fargico era a assembleia que celebra, embora a hierarquia dos minist\u00e9rios j\u00e1 estivesse bem concebida. Toda a assembleia de iniciados participava da celebra\u00e7\u00e3o, mas os catec\u00famenos e os penitentes participavam somente da liturgia da Palavra e eram despedidos antes do in\u00edcio da celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia, o que ficou conhecido como \u201cdisciplina do arcano\u201d. Na Idade M\u00e9dia, por\u00e9m, d\u00e1-se uma separa\u00e7\u00e3o entre cl\u00e9rigos e monges, de um lado, e leigos, de outro. Esses primeiros eram o pessoal especializado do culto e os leigos, meros espectadores. Surge, ent\u00e3o, uma balaustrada que separava essas duas classes de crist\u00e3os: leigos espalhados pela nave central e cl\u00e9rigos ou monges no presbit\u00e9rio-santu\u00e1rio. Tudo isso foi consequ\u00eancia do esquecimento da categoria eclesiol\u00f3gica \u201cPovo de Deus\u201d, t\u00e3o cara ao Novo Testamento e \u00e0 era patr\u00edstica. Do fim da Idade M\u00e9dia at\u00e9 o Movimento Lit\u00fargico, precursor do Vaticano II, somente a categoria \u201cCorpo de Cristo\u201d reinaria absoluta, mas, mesmo assim, ela se concentrava mais na eucaristia, de modo que toda a aten\u00e7\u00e3o da assembleia era projetada ao altar do sacrif\u00edcio. Era natural que, nesse ambiente eclesiol\u00f3gico, a devo\u00e7\u00e3o dos leigos \u00e0 Virgem e aos santos crescesse muito e os altares laterais surgissem ao longo das naves laterais para servir a essa devo\u00e7\u00e3o. O espa\u00e7o lit\u00fargico se reduz, portanto, ao presbit\u00e9rio-santu\u00e1rio: lugar onde se reza o of\u00edcio divino e se celebra a eucaristia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4 Teologia do espa\u00e7o lit\u00fargico<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defini\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica da Trindade \u00e9 bem posterior aos escritos neotestament\u00e1rios, mas \u00e9 nesses escritos que ela encontra os seus s\u00f3lidos fundamentos. Ora, a comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus \u00e9 concebida como imagem da Trindade atrav\u00e9s das tr\u00eas categorias eclesiol\u00f3gicas: Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Esp\u00edrito Santo; e o edif\u00edcio eclesial, por sua vez, \u00e9 concebido \u00e0 imagem da comunidade que ele abriga. O mist\u00e9rio trinit\u00e1rio s\u00f3 pode ser concebido a partir do mist\u00e9rio pascal, que se revela na morte-ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e Pentecostes, pois o Esp\u00edrito Santo \u00e9 o grande dom da P\u00e1scoa. A igreja edif\u00edcio eclesial, por ser imagem da Igreja comunidade dos disc\u00edpulos, n\u00e3o pode ser concebida apenas como uma edifica\u00e7\u00e3o que visa a proteger os fi\u00e9is das intemp\u00e9ries, mas deve sempre levar em considera\u00e7\u00e3o que \u00e9 lugar de reuni\u00e3o da assembleia do Povo de Deus, do Corpo de Cristo e do Templo do Esp\u00edrito Santo para celebrar o mist\u00e9rio pascal, n\u00e3o somente na eucaristia, mas tamb\u00e9m nos demais sacramentos, na Liturgia das horas e nos sacramentais. O espa\u00e7o lit\u00fargico \u00e9, portanto, o lugar onde os fi\u00e9is celebram o mist\u00e9rio do Deus Trindade revelado na P\u00e1scoa de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.1<\/strong> <strong>Qualidades identificadoras <\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O arquiteto, ao projetar o edif\u00edcio eclesial, salvaguardada a sua liberdade criativa e deve, imprescindivelmente, ter em mente os seguintes crit\u00e9rios: o conforto e participa\u00e7\u00e3o da assembleia nos sagrados mist\u00e9rios, os lugares dos ministros (cadeira presidencial, bancos para os ac\u00f3litos e leitores, lugar dos cantores), funcionalidade para o desenvolvimento do culto, ac\u00fastica e ilumina\u00e7\u00e3o; mas, respeitado tudo isso, o que qualifica o edif\u00edcio como lugar do culto crist\u00e3o s\u00e3o o amb\u00e3o, a fonte batismal e o altar. S\u00e3o esses tr\u00eas elementos lit\u00fargicos que, com sua mistagogia, ajudam os fi\u00e9is a se autocompreenderem como Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Esp\u00edrito Santo, povo renascido e congregado na P\u00e1scoa de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.2 O amb\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amb\u00e3o \u00e9 o lugar da proclama\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, que encontra o seu \u00e1pice com o evento Cristo (Hb 1,1-2), especialmente sua P\u00e1scoa. Por ser o lugar da proclama\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, o amb\u00e3o acentua teologicamente a categoria eclesiol\u00f3gica Povo de Deus. \u00c9 o povo da nova Alian\u00e7a, convocado e reunido pela Palavra. Este fato o p\u00f5e em continuidade com o povo da antiga Alian\u00e7a que, por sua vez, tinha como centro de sua f\u00e9 a Lei e os Profetas, portanto a Palavra de Deus. O amb\u00e3o, enquanto lugar por excel\u00eancia da proclama\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa, remete ao sepulcro vazio, de onde os anjos anunciam \u00e0s piedosas mulheres a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Esse fato diz que a ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma mera interpreta\u00e7\u00e3o do sinal do sepulcro vazio, mas sim que se trata de uma revela\u00e7\u00e3o divina. Isso explica por que, em muitas igrejas, o amb\u00e3o recebe como \u00edcone a imagem de um ou dois anjos (Mt 28,6; Mc 16,5-6 e Lc 24,23 respectivamente). Por ser lugar da proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho, cume da liturgia da Palavra, o amb\u00e3o pode tamb\u00e9m receber esculturas dos quatro animais do Apocalipse: (homem, le\u00e3o, touro e \u00e1guia), segundo a interpreta\u00e7\u00e3o patr\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Cristo, todo o batizado \u00e9 profeta, sacerdote e rei; o amb\u00e3o \u00e9, pois, o lugar onde ele exerce o seu ser profeta. De fato, a proclama\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus na liturgia n\u00e3o \u00e9 uma mera leitura que o ministro faz para a assembleia, mas um verdadeiro e pr\u00f3prio di\u00e1logo entre Deus e a assembleia de seus fi\u00e9is: Deus fala a seu povo pelo profeta (leitor) e a assembleia responde com salmos e ora\u00e7\u00f5es. No amb\u00e3o se d\u00e1, pois, esse di\u00e1logo. N\u00e3o se trata, portanto, de uma simples narrativa de fatos passados, mas de uma verdadeira atualiza\u00e7\u00e3o da manifesta\u00e7\u00e3o de Deus aos seus eleitos. Nesse sentido, o amb\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m lugar anamn\u00e9tico da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, uma vez que na anamnese lit\u00fargica o passado se atualiza, no aqui e agora da celebra\u00e7\u00e3o, e desponta para a parusia. Isso d\u00e1 ao amb\u00e3o caracter\u00edsticas de monumento, lugar do n\u00e3o esquecimento, da mem\u00f3ria e, como o momento culminante da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 o mist\u00e9rio pascal, o amb\u00e3o \u00e9 monumento pascal. Esta estrutura teol\u00f3gica sugere para o amb\u00e3o uma estrutura f\u00edsica \u2013 forma e robustez \u2013 de um verdadeiro monumento. Sua eleva\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao piso da nave revela que a Palavra vem do alto refor\u00e7ando, assim, a ideia de di\u00e1logo e, portanto, da for\u00e7a perform\u00e1tica da Palavra proclamada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.3 A fonte batismal<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fonte batismal atrai para si a categoria eclesiol\u00f3gica \u201cTemplo do Esp\u00edrito Santo\u201d, pois, como outrora o Cristo recebeu o Esp\u00edrito ao ser batizado nas \u00e1guas do Jord\u00e3o, hoje o crist\u00e3o o recebe ao sair da fonte batismal. \u00c9 na fonte de \u00e1gua viva que ele se torna Templo do Esp\u00edrito Santo (1Cor 3,16-17), o que equivale dizer que, doravante, ele andar\u00e1 sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, pois foi enxertado no Corpo de Cristo e introduzido no Povo de Deus. Na Carta aos Romanos, Paulo faz uma bela e profunda reflex\u00e3o sobre o batismo, sugerindo que se trata de morte e ressurrei\u00e7\u00e3o com Cristo (Rm 6,1-14), de modo que, na fonte batismal, o fiel experimenta sacramentalmente o que Cristo viveu em sua P\u00e1scoa. Assim sendo, o gesto de entrar na \u00e1gua e dela sair simboliza a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o. Esta estrutura teol\u00f3gica requer que a fonte batismal tenha dimens\u00e3o capaz de receber uma pessoa mesmo adulta em seu interior, porque o batismo por imers\u00e3o \u00e9 o s\u00edmbolo mais eloquente, embora a Igreja admita tamb\u00e9m a forma da ablu\u00e7\u00e3o. Em seu Evangelho, Jo\u00e3o fala de \u00e1gua viva (Jo 4,10-11; 7,37-38), o que se expressa melhor pela \u00e1gua corrente e n\u00e3o a parada. De fato, j\u00e1 no AT a \u00e1gua corrente \u00e9 sinal de vida, enquanto a parada \u00e9 sinal de morte (Jr 2,13). Isso sugere que na fonte batismal haja uma instala\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica para o movimento da \u00e1gua: \u00e9 a estrutura f\u00edsica a servi\u00e7o da estrutura teol\u00f3gica. Por seu car\u00e1ter de lugar anamn\u00e9tico da P\u00e1scoa de Cristo (o que acontece na experi\u00eancia do catec\u00fameno-ne\u00f3fito), a fonte batismal \u00e9 tamb\u00e9m monumento pascal e requer, assim como o amb\u00e3o, dimens\u00e3o e solidez pr\u00f3prias de um monumento. Batismo e crisma, embora hoje sejam ministrados em momentos diferentes, no caso da inicia\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, na realidade s\u00e3o dois sacramentos intimamente associados, a un\u00e7\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia do banho, por isso pode-se dizer que \u00e9 na fonte batismal que o crist\u00e3o \u00e9 ungido rei em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>4.4 O altar<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O altar atrai para si a categoria eclesiol\u00f3gica \u201cCorpo de Cristo\u201d. Esta categoria se expressa na dupla dimens\u00e3o do altar, mesa da ceia e lugar do sacrif\u00edcio, portanto \u00e9 elemento mim\u00e9tico e anamn\u00e9tico (Lc 22,19; 1Cor 11,25-26). Enquanto lugar mim\u00e9tico, o altar \u00e9 onde os crist\u00e3os se alimentam com o corpo e o sangue do Senhor, e como lugar anamn\u00e9tico se faz mem\u00f3ria de seu sacrif\u00edcio redentor, de sua P\u00e1scoa, corpo entregue e sangue derramado no altar da cruz. Mesa e altar s\u00e3o duas realidades que se completam, pois na \u00faltima ceia, Jesus desvela a seus disc\u00edpulos o sentido do evento do dia seguinte, sua morte. A crueldade da sexta-feira ganha sentido na ceia: a entrega de Jesus \u00e9 livre e cheia de amor pela humanidade, obedi\u00eancia ao projeto salv\u00edfico do Pai at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz. Ambas as coisas s\u00e3o feitas por mandato de Cristo e s\u00e3o dois momentos de um \u00fanico mist\u00e9rio pascal, o que \u00e9 celebrado no altar da eucaristia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, surge a quest\u00e3o de saber qual das duas dimens\u00f5es deve definir a est\u00e9tica do altar: mesa ou lugar do sacrif\u00edcio. Na nomenclatura tradicional cat\u00f3lica, prevalece o termo altar, portanto lugar de sacrif\u00edcio. A Igreja faz mem\u00f3ria do sacrif\u00edcio de Jesus, deixando claro que n\u00e3o se trata de um novo sacrif\u00edcio, mas do sacramento \u00fanico de Jesus no altar da cruz (Hb 10,18); ao reapresentar ao Pai o sacrif\u00edcio de Jesus, a Igreja se une a ele e oferece a si mesma como sacrif\u00edcio vivo, santo e agrad\u00e1vel a Deus (Rm 12,1). Pode-se dizer que, pelo seu rito, os crist\u00e3os se inserem no sacrif\u00edcio \u00fanico de Cristo e, com ele, oferecem a si mesmos. Essa obla\u00e7\u00e3o define o altar como lugar de sacrif\u00edcio. Isso, por\u00e9m, acontece dentro de uma ceia, mas esta se expressa no gesto de os crist\u00e3os se aproximarem do altar e se alimentarem com o corpo e sangue de Cristo. O altar se expressa como lugar de sacrif\u00edcio por sua est\u00e9tica e como mesa pela gestualidade do comer e beber. Em ambos os casos, o altar se imp\u00f5e como monumento pascal: ceia e sacrif\u00edcio em mem\u00f3ria de Cristo. Na defini\u00e7\u00e3o da forma e do material vale, pois, o que anteriormente foi dito para o amb\u00e3o e retomado para a fonte batismal. Vale ainda dizer que a situa\u00e7\u00e3o do altar e a acessibilidade a ele s\u00e3o o que vai expressar aos fi\u00e9is o exerc\u00edcio de seu sacerd\u00f3cio batismal em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Marco Antonio<\/em> Morais Lima, SJ &#8211; UNICAP. Texto original portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BOUYER, L. <em>Architettura e liturgia<\/em>. Magnano: Qiqajon, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BRACONS, J. <em>Saber ver a arte g\u00f3tica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CRONIN, D. P. O espa\u00e7o celebrativo. In: CELAM. <em>Manual de liturgia II<\/em>. 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S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MENEZES, I. P. <em>Arquitetura Sagrada<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>Bens Culturais da Igreja. <\/em>S\u00e3o Paulo: Loyola, 2006.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MORAES, F. F. <em>O espa\u00e7o do culto \u00e0 imagem da Igreja<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PANOFSKY, E. <em>Arquitetura G\u00f3tica e Escol\u00e1stica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PASTRO, C. <em>Guia do espa\u00e7o sagrado<\/em>. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>A arte no Cristianismo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RAMALLO, G. <em>Saber ver a arte rom\u00e2nica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes,1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>SACRAMENTARIUM Gelasianum Vetus<\/em>. Liber Sacramentorum Romanae Aeclesiae Ordinis Anni Circuli. L. C. Mohlberg (Moderante). Roma: Herder, 1960. (Rerum Ecclesiasticarum Documenta. Series Maior Fontes IV).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ZEVI, B. <em>Saber ver a arquitetura<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 Defini\u00e7\u00e3o 2 Evolu\u00e7\u00e3o 2.1 Compreens\u00e3o neotestament\u00e1ria de templo 2.2 Era pr\u00e9-nicena 2.3 Igrejas paleocrist\u00e3s 2.4 Igrejas no Oriente crist\u00e3o 2.5 A era carol\u00edngia e o rom\u00e2nico 2.6 O g\u00f3tico 2.7 O Renascimento 2.8 O barroco 2.9 O p\u00f3s-barroco 3 O lugar da assembleia celebrante 4 Teologia do espa\u00e7o lit\u00fargico 4.1 Qualidades identificadoras 4.2 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1564","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sacramento-e-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1564","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1564"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1564\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1640,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1564\/revisions\/1640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}