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{"id":1526,"date":"2017-12-28T13:29:07","date_gmt":"2017-12-28T15:29:07","guid":{"rendered":"http:\/\/theologicalatinoamericana.com\/?p=1526"},"modified":"2018-06-28T22:10:26","modified_gmt":"2018-06-29T01:10:26","slug":"consciencia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/?p=1526","title":{"rendered":"Consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sum\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1 \u201cConsci\u00eancia de si\u201d e \u201cconsci\u00eancia\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1 Perspectiva psicol\u00f3gica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.2 Perspectiva \u00e9tica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.3 Perspectiva teol\u00f3gica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2 Perspectiva b\u00edblica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.1 Antigo Testamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2.2 Novo Testamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3 Perspectiva hist\u00f3rica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4 Desenvolvimento e maturidade da consci\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5 Consci\u00eancia em uma chave personalista, comunit\u00e1ria e prof\u00e9tica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.1 Consci\u00eancia moral aut\u00f4noma e autotranscendente<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.2 Consci\u00eancia moral comunit\u00e1ria e eclesial<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5.3 Consci\u00eancia moral prof\u00e9tica e libertadora<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6 Encontro de moralidade e espiritualidade na consci\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na experi\u00eancia da consci\u00eancia, a pessoa livre percebe sua capacidade de discernir entre o bem e o mal para decidir de forma respons\u00e1vel. Na consci\u00eancia crist\u00e3 se juntam a experi\u00eancia moral humana da responsabilidade e a experi\u00eancia espiritual crist\u00e3 de viver a f\u00e9 e caminhar no Esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1 \u201cConsci\u00eancia de si\u201d e \u201cconsci\u00eancia\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cConsci\u00eancia de si\u201d (em ingl\u00eas <em>consciousness<\/em>, em alem\u00e3o <em>Bewusstsein<\/em>) e \u201cconsci\u00eancia\u201d (ingl\u00eas, <em>Conscience<\/em>, alem\u00e3o, <em>Gewissen<\/em>) referem-se \u00e0 etimologia latina da <em>conscientia<\/em>: <em>cum scientia, simul scire<\/em> e \u00e0 grega de <em>syn-eidesis<\/em> : \u201cconhecer-com\u201d ou conhecimento autorreflexo, concomitante ao conhecimento de algo ou de algu\u00e9m. A \u201cconsci\u00eancia de si\u201d \u00e9 dita em um sentido fisiol\u00f3gico e psicol\u00f3gico de estar em um estado consciente, desperto e capaz de reconhecer-se em suas a\u00e7\u00f5es e no meio ambiente. \u201cConsci\u00eancia\u201d se diz, em sentido moral ou religioso, da apreens\u00e3o respons\u00e1vel do valor moral e espiritual. Desde os tempos antigos, em culturas distantes uma da outra no espa\u00e7o e no tempo, h\u00e1 express\u00f5es da vida di\u00e1ria sobre a satisfa\u00e7\u00e3o pelo bem e remorso pelo mal, como mostram, por exemplo, essas inscri\u00e7\u00f5es: \u201cO cora\u00e7\u00e3o \u00e9 testemunha; voc\u00ea n\u00e3o deve agir contra ele\u201d (cultura eg\u00edpcia); \u201cUm Deus invis\u00edvel habita dentro de n\u00f3s&#8221; (cultura hindu); &#8220;O melhor de cada humano, seu cora\u00e7\u00e3o bom e firme, para ter Deus em seu cora\u00e7\u00e3o&#8221; (cultura n\u00e1uatle).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.1 Perspectiva psicol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na consci\u00eancia psicol\u00f3gica, a pessoa, que n\u00e3o \u00e9 uma coisa a mais entre as coisas, percebe seus pr\u00f3prios estados an\u00edmicos e retorna reflexivamente sobre si mesma, reconhecendo-se conscientemente como sujeito de sua vida ps\u00edquica no mundo, no tempo e em rela\u00e7\u00e3o a outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.2 Perspectiva \u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consci\u00eancia moral percebe o chamado para realizar os valores morais e cumprir as normas; julga, exercendo com prud\u00eancia a raz\u00e3o pr\u00e1tica, sobre o que deve ou n\u00e3o ser feito para realizar esses valores e aplicar as normas nas circunst\u00e2ncias concretas da vida di\u00e1ria. S\u00f3crates se refere \u00e0 voz do<em> daimon<\/em> que o aconselha. S\u00eaneca a chama de \u201cobservador vigilante do bem e do mal no nosso interior\u201d. Conf\u00facio disse que sempre viveu \u201couvindo a voz do c\u00e9u\u201d. Para Kant \u00e9 o \u201ctribunal da justi\u00e7a no interior do homem\u201d. Considerada a partir do objeto do ju\u00edzo, a consci\u00eancia \u00e9 verdadeira ou err\u00f4nea. Considerada a partir do sujeito, \u00e9 sincera ou insincera. Somos chamados a seguir o chamado da consci\u00eancia e, ao mesmo tempo, reconhecer a possibilidade do erro e a necessidade de formar ou corrigir a consci\u00eancia. A consci\u00eancia antecedente convida a fazer o bem e a evitar o mal. A consci\u00eancia consequente confirma a satisfa\u00e7\u00e3o pelo bem feito e reprova o mal cometido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1.3 Perspectiva teol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consci\u00eancia moral crente \u00e9 identificada com a f\u00e9 que internaliza o chamado divino e expressa a resposta respons\u00e1vel para viver praticando o amor da caridade (\u00e1gape) com a ajuda da gra\u00e7a. A consci\u00eancia \u00e9 voz, luz e for\u00e7a para responder \u00e0 realidade a partir da f\u00e9; capacita, guia e apoia o julgamento prudencial e a decis\u00e3o respons\u00e1vel (CURRAN, 2004, p.7). \u00c9 <em>voz<\/em> que chama a deixar-se conduzir pelo Esp\u00edrito. \u00c9 <em>luz<\/em> que acompanha os processos de discernimento e delibera\u00e7\u00e3o sobre valores, normas e circunst\u00e2ncias. \u00c9 <em>for\u00e7a<\/em> para decidir e curar, ou reconciliar depois de reconhecer os erros na decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2 Perspectiva b\u00edblica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.1 Antigo Testamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na B\u00edblia hebraica, \u201ccora\u00e7\u00e3o e entranhas\u201d s\u00e3o met\u00e1foras da consci\u00eancia. Na profundidade da interioridade, a f\u00e9 reconhece se \u201co cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o a reprova\u201d (J\u00f3 27,6). Davi \u201csentiu bater-lhe o cora\u00e7\u00e3o\u201d de remorso por um comportamento injusto (1Sm 24,6; 2Sm 24,10). O salmista arrependido clama: \u201cCria em mim, \u00f3 Deus, um cora\u00e7\u00e3o puro, e renova em mim um esp\u00edrito reto (&#8230;) um cora\u00e7\u00e3o arrependido e humilhado, n\u00e3o o desprezas, \u00f3 Deus\u201d (Sl 51,12-18). A\u00ed Deus promete gravar sua palavra: \u201cPorei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu cora\u00e7\u00e3o\u201d (Jr 31,33, cf. Dt 4,39). Jeremias anuncia que \u201co pecado est\u00e1 gravado na t\u00e1bua do cora\u00e7\u00e3o\u201d (Jr 17,1). J\u00f3 se defende: \u201cmeu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o me reprova nenhum de meus dias\u201d (J\u00f3 27,6). A promessa do Esp\u00edrito \u00e9: \u201cEu lhes darei um cora\u00e7\u00e3o novo e lhes infundirei um esp\u00edrito novo. Arrancarei o cora\u00e7\u00e3o de pedra e lhes darei um cora\u00e7\u00e3o de carne\u201d (Ez 11,19; 18,31; 36,26). O Criador, que \u201cv\u00ea o cora\u00e7\u00e3o\u201d (1Sm 16,7), \u00e9 o \u201cDeus justo que sonda o cora\u00e7\u00e3o e as entranhas\u201d (Sl 7,10; Sl 139,1-7; cf. Sl 26,2; Jr 11,20; 17,10; 20,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2.2 Novo Testamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus prega a disposi\u00e7\u00e3o interior do bom cora\u00e7\u00e3o, em vez da exterioridade da consci\u00eancia moral farisaica (Mt 15,7-20, Lc 11,37-42). \u201cO que sai de dentro do cora\u00e7\u00e3o humano \u00e9 o que mancha\u201d (Mc 7,21-23). \u201cO homem bom tira coisas boas do bom tesouro que est\u00e1 em seu cora\u00e7\u00e3o\u201d (Lc 6,45). Chegou o tempo a viver com um cora\u00e7\u00e3o novo: Deus o transformar\u00e1, derramando sem limites seu Esp\u00edrito (Lc 4,14-21; Jo 7,39, cf. Jl, 3,1-2). Paulo integrou a tradi\u00e7\u00e3o hel\u00eanica sobre a consci\u00eancia (<em>syneidesis<\/em>) com a presen\u00e7a interior e ativa do Esp\u00edrito. \u201cAqueles que se deixam guiar pela sabedoria do Esp\u00edrito tendem ao que \u00e9 pr\u00f3prio do Esp\u00edrito\u201d (Rm 8,5), que ilumina o discernimento (Rm 14,16-23; 1Tm 1,5; 1Cor 2,6-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autonomia da consci\u00eancia moral do homem consiste em ser uma lei (<em>nomos<\/em>) para si mesmo (<em>autos<\/em>): uma lei n\u00e3o escrita, gravada nos cora\u00e7\u00f5es (Rm 2,14-15), que se explicita na consci\u00eancia moral crist\u00e3 como autonomia teon\u00f4mica, que coincide com o sentido de viver e caminhar no Esp\u00edrito. Paulo levanta as quest\u00f5es morais para uma f\u00e9 e consci\u00eancia adultas, em contraste com o modo de agir da crian\u00e7a por medo de castigo ou esperan\u00e7a de recompensa (Rm 14,1-4), e enfatiza a coer\u00eancia da a\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria convic\u00e7\u00e3o, acentuando o aspecto comunit\u00e1rio e a repercuss\u00e3o de nossa maneira de agir em outros membros da comunidade (Rm 14,12). Nesse texto, a palavra-chave \u00e9 \u201cconvic\u00e7\u00e3o interna de f\u00e9\u201d (<em>pistis<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo integrou a no\u00e7\u00e3o popular e filos\u00f3fica de consci\u00eancia (<em>syneidesis<\/em>) na era hel\u00eanica com a da f\u00e9 crist\u00e3, centrada na atividade do Esp\u00edrito que ilumina o discernimento e fortalece a decis\u00e3o. Mas o direito e o dever de agir em consci\u00eancia se conjugam com o respeito pela consci\u00eancia dos outros (1Cor 8,1-13 e 10,23-33).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consci\u00eancia \u00e9 a <em>voz, guia<\/em> e <em>for\u00e7a<\/em> do Esp\u00edrito: uma <em>voz<\/em> que n\u00e3o vem de fora, mas \u00e9 ouvida na interioridade; <em>guia<\/em> para discernir com prud\u00eancia. \u201cBem-aventurado aquele que examina as coisas e faz um ju\u00edzo (&#8230;) o que n\u00e3o vem da convic\u00e7\u00e3o \u00e9 pecado\u201d (Rm 14,23); <em>for\u00e7a<\/em> para decidir de forma respons\u00e1vel, denunciar profeticamente e testemunhar bravamente (Mt 10,19-20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3<\/strong> <strong>Perspectiva hist\u00f3rica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o patr\u00edstica pregava a resposta fiel ao chamado de uma consci\u00eancia que era, ao mesmo tempo, humana ou natural e crist\u00e3 ou espiritual; mas os latinos acentuaram mais as imagens da consci\u00eancia como tribunal, juiz ou testemunho interior, enquanto os gregos preferiam a compara\u00e7\u00e3o com o pedagogo, guia e acompanhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica e m\u00edstica cultivou o discernimento segundo a consci\u00eancia que se deixa guiar pelo Esp\u00edrito; mas, nas controv\u00e9rsias medievais sobre f\u00e9 e raz\u00e3o, discorre, por raz\u00f5es diferentes, sobre a moral vivida a partir da f\u00e9 pelo caminho asc\u00e9tico-m\u00edstico e a moral pensada nas disputas escol\u00e1sticas. O exemplo disso \u00e9 a controv\u00e9rsia sobre os aspectos subjetivo e objetivo da consci\u00eancia (Bernardo vs. Abelardo), que desembocou na s\u00edntese tomista de uma consci\u00eancia iluminada pela lei nova e interior do Esp\u00edrito, para viver a primeira virtude teologal da caridade, atrav\u00e9s do discernimento pr\u00e1tico de acordo com a primeira virtude cardinal da prud\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tradi\u00e7\u00e3o escol\u00e1stica distinguiu a consci\u00eancia como capacidade de discernir o bem e o mal (<em>synderesis<\/em>) e como aplica\u00e7\u00e3o concreta (<em>syneidesis<\/em>, <em>conscientia<\/em>). Tom\u00e1s de Aquino (<em>In 2<\/em> <em>Sent<\/em>., disp. 24, q.2, a.4) exp\u00f4s isso em forma silog\u00edstica: a premissa maior, fruto da <em>synderesis<\/em>; a menor, da <em>ratio<\/em>, que determina o motivo de tal a\u00e7\u00e3o ser m\u00e1; a conclus\u00e3o, fruto do julgamento da <em>conscientia<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca dos manuais de teologia moral, a partir do s\u00e9c. XVII, tendeu-se a reduzir o papel da consci\u00eancia para aplicar princ\u00edpios de forma dedutiva, com clareza e certeza para impor normas e censurar falhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas controv\u00e9rsias sobre sistemas morais laxistas, rigoristas ou equilibrados (probabilismo, probabiliorismo, equiprobabilismo) para superar d\u00favidas no julgamento e na decis\u00e3o moral, a consci\u00eancia parecia ser reduzida a um instrumento para captar a lei moral e aplic\u00e1-la. Este enfoque come\u00e7ou no s\u00e9culo XIV (Ockham), pela mentalidade voluntarista, legalista e extrinsecista, que via a consci\u00eancia como um simples \u00e1rbitro do encontro entre lei objetiva e decis\u00e3o subjetiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os debates do s\u00e9c. XX, sobre a \u00e9tica da situa\u00e7\u00e3o, provocaram a rea\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria do magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico, mas redescobriram o discernimento espiritual, esquecido ap\u00f3s o div\u00f3rcio entre teologia moral e teologia m\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Conc\u00edlio Vaticano II reafirmou a tradi\u00e7\u00e3o do discernimento e assumiu a autonomia de uma consci\u00eancia madura, que n\u00e3o deve ser confundida com um superego ou um impulso inconsciente freudiano (<em>Gaudium et spes<\/em> n.16-17, <em>Dignitatis humanae,<\/em> n.3 e 14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento renovador da moral teol\u00f3gica p\u00f3s-conciliar avan\u00e7ou paralelamente \u00e0 crise de consci\u00eancia suscitada pela rejei\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos anticoncepcionais considerados \u201cn\u00e3o naturais\u201d na enc\u00edclica <em>Humanae vitae<\/em>. Muitos dos bispos e te\u00f3logos questionaram a \u00eanfase excessiva no relacionamento entre o magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico e a consci\u00eancia obediente (H\u00c4RING, 1981; MCCORMICK, 1989, p.38-41). Mas essa crise favoreceu a reflex\u00e3o sobre a fun\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia capaz de dissentir de forma respons\u00e1vel: n\u00e3o dissentir \u201cda\u201d igreja, mas dissentir \u201cna\u201d igreja, sentindo-se igreja, para colaborar dessa maneira com a evolu\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o da f\u00e9 e de sua pr\u00e1tica. Por outro lado, desenvolveu-se, nas d\u00e9cadas seguintes, uma rea\u00e7\u00e3o oposta, de tend\u00eancia restauracionista, para retornar ao modo de entender a consci\u00eancia na teologia p\u00f3s-tridentina, como foi exposto pelo esquema <em>De ordine morali<\/em>, escrito pela comiss\u00e3o preparat\u00f3ria, mas rejeitado pelo Conc\u00edlio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A enc\u00edclica de Jo\u00e3o Paulo II, <em>Veritatis Splendor<\/em> (<em>VS<\/em>, 1993), estava preocupada em evitar a crescente oposi\u00e7\u00e3o entre as abordagens renovadoras, que buscavam recuperar a melhor tradi\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia (cf. <em>VS<\/em> n.38, 41, 42) e as tend\u00eancias antirrenovadoras, que enfatizavam o autoritarismo do magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico (ver <em>VS<\/em> n.53, 59, 82). Mas, afetada pelo medo do relativismo e do subjetivismo dessas duas d\u00e9cadas, essa enc\u00edclica colocou, de fato, um freio \u00e0 renova\u00e7\u00e3o p\u00f3s-conciliar, criticando as correntes teol\u00f3gicas dessa linha (<em>VS<\/em> n.4, 5, 67, 90, 115). As exorta\u00e7\u00f5es p\u00f3s-sinodais do Papa Francisco (<em>Evangelii gaudium<\/em> \u2013 <em>EG<\/em> e <em>Amoris laetitia<\/em> \u2013 <em>AL<\/em>) recuperaram a mudan\u00e7a de paradigma p\u00f3s-conciliar reafirmando uma moral de discernimento (<em>AL<\/em> n.300-312), que fala mais de gra\u00e7a do que de lei (<em>EG<\/em> n.38), focada na caridade e na miseric\u00f3rdia (<em>EG<\/em> n.37), respeitando a gradualidade e as limita\u00e7\u00f5es no crescimento e matura\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia (<em>EG<\/em> n.44-45), acompanhando o discernimento e ajudando a formar as consci\u00eancias, mas sem pretender substitu\u00ed-las (<em>AL<\/em> n.37) nem proibi-las de pensar, decidir e amar por e a partir de si mesmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4<\/strong> <strong>Desenvolvimento e maturidade da consci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A psicologia evolutiva e a psicopedagogia (Piaget, Kohlberg) exploraram o desenvolvimento da consci\u00eancia moral no indiv\u00edduo. A antropologia cultural, a sociologia e a psican\u00e1lise (Durkheim, Freud) estudaram a evolu\u00e7\u00e3o do sentido moral na diversidade de \u00e9pocas e culturas. Essas abordagens sugeriram est\u00e1gios de crescimento, tanto na consci\u00eancia individual como na hist\u00f3ria da esp\u00e9cie: prenomia, tabus, condicionamentos heteron\u00f4micos, subjetividade auton\u00f4mica, reciprocidade e objetividade universalizadoras. Mas, tanto biogr\u00e1fica quanto historicamente, a complexidade dos avan\u00e7os e retrocessos impede a organiza\u00e7\u00e3o desses est\u00e1gios de crescimento de acordo com uma sequ\u00eancia ideal homog\u00eanea. Em vez disso, eles expressam a aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 maturidade de uma consci\u00eancia moral vista a partir do auge de reflex\u00f5es atuais. A psicoterapia aplicada \u00e0 espiritualidade apresentou o desenvolvimento para a matura\u00e7\u00e3o em \u201ccinco n\u00edveis de consci\u00eancia\u201d; 1) sensorial (um ego indiferenciado e dependente); 2) individual (um ego autocentrado independente); 3) pessoal (um sujeito interdependente, um \u201cn\u00f3s\u201d); 4) c\u00f3smica (interdependente com solidariedade universal); e 5) eterna (em comunh\u00e3o com o absoluto) (S\u00c1NCHEZ-RIVERA, 1981).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas propostas diversas sobre a g\u00eanese e o desenvolvimento da consci\u00eancia convergem em uma no\u00e7\u00e3o din\u00e2mica e hol\u00edstica de consci\u00eancia moral, que concebe a tarefa e o m\u00e9todo de educ\u00e1-la. Em vez de reduzir a consci\u00eancia moral a reconhecer mandatos ou proibi\u00e7\u00f5es e recompensar o cumprimento ou reprovar a infra\u00e7\u00e3o, ela se revela como a semente da capacidade de captar valores morais pessoais e transcendentes. Se a voz da consci\u00eancia diz: torne-se o que voc\u00ea \u00e9 e est\u00e1 chamado a ser, a educa\u00e7\u00e3o moral ter\u00e1 de facilitar o dinamismo do crescimento humano para compreender e responder aos valores pessoais, espirituais e totais como, por exemplo, amar e se deixar amar, perdoar e se deixar perdoar, agradecer e se deixar agradecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5<\/strong> <strong>A c<\/strong><strong>onsci\u00eancia em uma chave pessoal, comunit\u00e1ria e prof\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teologia moral p\u00f3s-tridentina, at\u00e9 meados do s\u00e9c. XX, al\u00e9m de continuar distanciando-se da teologia espiritual, tamb\u00e9m permaneceu isolada das correntes filos\u00f3ficas da consci\u00eancia na modernidade e na p\u00f3s-modernidade, n\u00e3o dialogando com o pensamento moderno sobre a autoconsci\u00eancia (Descartes), nem com a autonomia, a categoriza\u00e7\u00e3o e a universalidade da moral cr\u00edtica (Kant); nem com as suspeitas p\u00f3s-modernas contra a consci\u00eancia (Nietsche e Freud); nem com a abordagem sobre a voz da consci\u00eancia na fenomenologia existencial e hermen\u00eautica (Sartre, Heidegger). Esses esquecimentos e distanciamentos foram recuperados nas reflex\u00f5es sobre a consci\u00eancia feitas por aqueles que t\u00eam relido a tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, espiritual e o melhor de Santo Tom\u00e1s e Kant, articulando-a com as contribui\u00e7\u00f5es da fenomenologia existencial (Rahner, Fuchs, Lonergan), a antropologia hermen\u00eautica (Ricoeur) e as teorias cr\u00edticas da sociedade (Metz, Guti\u00e9rrez, Boff), dando origem \u00e0 abordagem personalista, comunit\u00e1ria e libertadora para a qual se encaminha o atual modo de entender a consci\u00eancia. Esta concep\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia amadureceu ao longo das controv\u00e9rsias p\u00f3s-conciliares: moral da f\u00e9 vs. autonomia (GAZIAUX, 1995), o magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico vs. assentimento e dissenso individual (MIETH, 1994) e sobre as teorias da liberta\u00e7\u00e3o (VIDAL, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5.1 Consci\u00eancia moral aut\u00f4noma e autotranscendente<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consci\u00eancia \u00e9 express\u00e3o do melhor de si mesmo no n\u00facleo \u00edntimo da pessoa, chave de sua dignidade. Para a teologia, a consci\u00eancia somos n\u00f3s mesmos, ultimamente vinculados a Deus pela f\u00e9 em atitude de escuta. Para a antropologia moral, a consci\u00eancia \u00e9 a voz da autenticidade que nos chama a sermos n\u00f3s mesmos. A voz que escutamos como chamado \u00e0 autenticidade de nossa autonomia \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, voz de Deus (teonomia), mas de um Deus que, por seu Esp\u00edrito, est\u00e1 em nossa intimidade, n\u00e3o para se impor de maneira heter\u00f4noma, mas para fazer com que sejamos aut\u00f4nomos (autonomia teon\u00f4mica) (CAFFARENA, 1983, p.244). Se a consci\u00eancia moral capta o bem e o mal nos atos livres como imperativo de autorrealiza\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o radical de \u201cquem eu quero ser\u201d ser\u00e1 mais importante do que a pergunta \u201co que devo fazer\u201d; ao optar em consci\u00eancia pelo bem, eu me escolho como um projeto de personaliza\u00e7\u00e3o e humaniza\u00e7\u00e3o (L\u00d3PEZ AZPITARTE, 1994, p.52-54).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A consci\u00eancia, \u00e0 escuta do chamado do Esp\u00edrito que a capacita para responder, \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o pessoal da resposta apropriada. A profundidade na resposta seria a op\u00e7\u00e3o fundamental, e a falha na resposta seria o pecado. A consci\u00eancia \u00e9 o centro da nossa interioridade, o pano de fundo dos julgamentos e decis\u00f5es que exercitam a prud\u00eancia. \u00c9 assim que o senso de consci\u00eancia esteve intimamente relacionado com o fato de perceber explicitamente suas pr\u00f3prias atitudes b\u00e1sicas e op\u00e7\u00f5es fundamentais, chave para a coer\u00eancia e continuidade da vida moral do sujeito. \u201cO sujeito autenticamente pessoal, convertido intelectual, moral, emocional e religiosamente, atua no mais alto n\u00edvel de consci\u00eancia existencial, moral e respons\u00e1vel\u201d (LONERGAN, 1973, p.5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5.2 Consci\u00eancia moral comunit\u00e1ria e eclesial\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro significado do prefixo <em>con<\/em> de \u201ccons-ci\u00eancia\u201d, sugere o aspecto social do discernimento moral. Embora o \u00faltimo passo de um processo de discernimento seja um ju\u00edzo e decis\u00e3o, cuja responsabilidade \u00e9 pessoal e intransfer\u00edvel, a contribui\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria \u00e9 inevit\u00e1vel ao longo do caminho para a tomada de decis\u00f5es, assim como na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. As faces do poliedro da consci\u00eancia que discerne s\u00e3o: a) atitudes b\u00e1sicas, b) dados sobre as circunst\u00e2ncias, c) interpreta\u00e7\u00e3o-reflex\u00e3o, d) contraste-conselho, e e) decis\u00e3o pessoal, prudente e respons\u00e1vel (MASI\u00c1, 2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos passos pr\u00e9vios \u00e0 decis\u00e3o, o ponto de vista comunit\u00e1rio desempenha um papel importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) A comunidade eclesial ajuda a configurar atitudes b\u00e1sicas da f\u00e9, influenciando a maneira de perceber a realidade, gerando h\u00e1bitos de pensar, valorizar e agir, influenciando, assim, nos ju\u00edzos morais e nas decis\u00f5es. Aquele que cr\u00ea foi educado em uma tradi\u00e7\u00e3o na qual recebeu algumas orienta\u00e7\u00f5es e crit\u00e9rios. As normas transmitidas tradicionalmente s\u00e3o refer\u00eancia importante; mas n\u00e3o excluem a necessidade de pensar e decidir por si mesmo. A comunidade ajuda a formar a consci\u00eancia e a acompanha no discernimento, mas n\u00e3o a substitui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) A consci\u00eancia n\u00e3o funciona bem sem bons dados de experi\u00eancia de vida e das ci\u00eancias. Ao manter os mesmos valores e princ\u00edpios, diferentes conclus\u00f5es podem ser deduzidas de acordo com a mudan\u00e7a nos dados. Somente com dados n\u00e3o podemos discernir, mas sem eles n\u00e3o podemos fazer um bom discernimento. A comunidade de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, tanto dentro como fora da Igreja, ajuda a garantir esses dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">c) A partir das atitudes b\u00e1sicas diante dos valores e com dados suficientes, um julgamento deve ser emitido em cada caso. Aqui entra em jogo o papel de um pensar honesto que pergunta, analisa os dados, interpreta e n\u00e3o cessa de buscar criativa e criticamente as respostas. Esse pensar n\u00e3o evita nem substitui a f\u00e9, nem a ci\u00eancia ou a experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) N\u00e3o estamos sozinhos diante da urg\u00eancia da decis\u00e3o. Precisamos da ajuda de outras pessoas para contrastar as interpreta\u00e7\u00f5es. Diversas comunidades de pessoas podem ajudar: por exemplo, a comunidade de pesquisadores cient\u00edficos; a comunidade do di\u00e1logo de pensamento; a comunidade de rela\u00e7\u00f5es humanas dentro de uma sociedade plural; as comunidades que compartilham convic\u00e7\u00f5es religiosas etc. No \u00e2mbito destas ajudas, se enquadra o papel orientador destas \u00faltimas \u2013 que nunca deve ser dominante ou autorit\u00e1rio \u2013 a partir das respectivas tradi\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, culturais ou religiosas. Ajuda-nos a corrigir a passagem do tempo e a rela\u00e7\u00e3o com as outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os debates, no final do s\u00e9culo passado, na Igreja, sobre o sentir e dissentir ajudaram a amadurecer a consci\u00eancia eclesial, para al\u00e9m das velhas oposi\u00e7\u00f5es entre consci\u00eancia individual e\u00a0 magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico, na compreens\u00e3o do papel do acompanhamento pastoral como aux\u00edlio ao discernimento da consci\u00eancia, mas sem substitu\u00ed-la para decidir em seu lugar. \u00c9 papel da comunidade eclesial ajudar a educar o ju\u00edzo moral e a forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia dos fi\u00e9is. Como portadora de uma tradi\u00e7\u00e3o em quest\u00f5es morais, a Igreja acumulou, ao longo dos s\u00e9culos, uma riqueza de sabedoria pr\u00e1tica que fornece importantes orienta\u00e7\u00f5es na hora de discernir. A consci\u00eancia as respeitar\u00e1 de forma cr\u00edtica, mas sem consider\u00e1-las como um armaz\u00e9m de respostas pr\u00e9-fabricadas. A comunidade de f\u00e9 torna-se o lugar onde seus membros podem dialogar, estudar e discernir em comum os problemas morais. O papel da igreja, mais do que o de legislar, \u00e9 o de iluminar, a partir de uma dimens\u00e3o elevada, com propostas de valores. \u00c0s vezes, ter\u00e1 que assumir uma posi\u00e7\u00e3o oficial sobre problemas concretos, cumprindo, perante a sociedade, uma fun\u00e7\u00e3o que pode ser, de acordo com os casos, terap\u00eautica ou prof\u00e9tica. Quanto mais concretos forem os problemas, menos radicalmente assertivas poder\u00e3o ser as tomadas de posi\u00e7\u00e3o. Respeitar essas tomadas de posi\u00e7\u00e3o oficiais da igreja n\u00e3o significa segui-las cegamente, como se elas eximissem de pensar e decidir conscientemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e) Uma decis\u00e3o respons\u00e1vel (que n\u00e3o \u00e9 o mesmo que correta ou com cem por cento de certeza) seria a que levasse devidamente em considera\u00e7\u00e3o as quatro etapas anteriores. Talvez, depois de algum tempo, analisemos a decis\u00e3o e descubramos que estava errada; mas isso n\u00e3o significa que tenha sido irrespons\u00e1vel. Nesse sentido, foi uma decis\u00e3o eticamente correta. A consci\u00eancia antecedente ter\u00e1 que pressupor atitudes b\u00e1sicas de resposta aos valores, antes do mencionado processo de informar-se, pensar e debater. Durante o processo, a consci\u00eancia tamb\u00e9m deve ser uma consci\u00eancia acompanhada comunit\u00e1ria e eclesialmente. Depois de passar pelo processo, \u00e9 necess\u00e1rio responsabilidade para adotar resolu\u00e7\u00f5es prudentes conscientes, que n\u00e3o precisam depender cem por cento de certezas, nem podem ser impostas a outras pessoas. Quando queremos conjugar o respeito \u00e0s pessoas com a fidelidade \u00e0s normas, os conflitos s\u00e3o inevit\u00e1veis. Nessas ocasi\u00f5es, a sabedoria pr\u00e1tica deve intervir como mediadora. \u201cA sabedoria pr\u00e1tica\u201d, diz Ricoeur, \u201cconsiste em inventar as condutas que melhor satisfa\u00e7am \u00e0s exce\u00e7\u00f5es exigidas pela nossa solicitude para com as pessoas, traindo o menos poss\u00edvel as normas\u201d (RICOEUR, 1990, p.312).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5.3 Consci\u00eancia moral prof\u00e9tica e libertadora<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teologia da liberta\u00e7\u00e3o tem revalorizado o papel prof\u00e9tico e libertador da consci\u00eancia, ao mesmo tempo em que promove o chamado \u00e0 a comunidade crente para converter-se em voz dos sem voz e consci\u00eancia social que denuncie a manipula\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica das consci\u00eancias, a opress\u00e3o e exclus\u00e3o das pessoas, al\u00e9m fomentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre tal situa\u00e7\u00e3o. O clamor do povo injusti\u00e7ado (Ex 3,7), as den\u00fancias de injusti\u00e7a pelos profetas (Am 5,18-24) e a mensagem evang\u00e9lica de proximidade e miseric\u00f3rdia (Lc 10 e Mt 25) se atualizam no contexto de teologias libertadoras como responsabilidade da consci\u00eancia prof\u00e9tica, para reconhecer as injusti\u00e7as sist\u00eamicas e males estruturais que exigem ser denunciados pela comunidade solid\u00e1ria com as v\u00edtimas. Esta consci\u00eancia prof\u00e9tica chama n\u00e3o s\u00f3 aliviar a dor e a pobreza, mas a quebrar as suas causas sociais, estruturais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas. Essa consci\u00eancia atualiza, a partir da f\u00e9, o amor ao pr\u00f3ximo na luta contra toda viol\u00eancia, racismo, exclus\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o etc. N\u00e3o o faz pedindo paternalmente que se inclua o pobre no sistema, mas exigindo a mudan\u00e7a do sistema que exclui o pobre. Esta consci\u00eancia ouve Deus escutando o clamor do pobre, o que a levar\u00e1 a orientar seu discernimento e motivar\u00e1 suas decis\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>6 Encontro de moralidade e espiritualidade na consci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A teologia m\u00edstica de Boaventura viu na consci\u00eancia, capaz de captar o bem, um movimento amoroso da vontade, ao inv\u00e9s de um julgamento cognitivo. Mas a conjuga\u00e7\u00e3o da delibera\u00e7\u00e3o \u00e9tica e do discernimento espiritual enfraqueceu-se \u00e0 medida que se acentuava a desconex\u00e3o entre a moralidade e a espiritualidade. Do s\u00e9c. XVII ao s\u00e9c. XIX cresceu a dist\u00e2ncia entre moral de preceitos e espiritualidade dos conselhos evang\u00e9licos. Em meados do s\u00e9culo XX, chegam com atraso as tentativas de recuperar o di\u00e1logo da moral teol\u00f3gica com a espiritualidade. A recupera\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica de discernimento e da tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica reflexiva ajudam a relacionar, ao mesmo tempo em que as diferenciam, as fun\u00e7\u00f5es respectivas da experi\u00eancia moral e da experi\u00eancia religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A voz da consci\u00eancia, que dita o que deve ser feito ou n\u00e3o ser feito, \u201csai das profundezas de mim mesmo (&#8230;) \u00e9 o clamor da realidade no caminho do absoluto (ZUBIRI, 2007, p.101-104). A experi\u00eancia metaf\u00edsico-religiosa da religa\u00e7\u00e3o e a experi\u00eancia moral da obriga\u00e7\u00e3o s\u00e3o diversas, mas relacionadas. \u201cEstamos obrigados a algo porque anteriormente estamos religados ao poder que nos faz ser\u201d. (ZUBIRI, 2007, p.93). A experi\u00eancia da religa\u00e7\u00e3o \u00e9 o fundamento da consci\u00eancia moral da obriga\u00e7\u00e3o. O fen\u00f4meno da consci\u00eancia n\u00e3o se reduz a uma obriga\u00e7\u00e3o moral. A consci\u00eancia n\u00e3o se reduz a um fen\u00f4meno moral. Nela, duas experi\u00eancias diferentes, a moral e a religiosa, est\u00e3o intimamente relacionadas. \u201cA voz da consci\u00eancia \u00e9 (&#8230;) a palpita\u00e7\u00e3o e a batida da divindade no seio do esp\u00edrito humano\u201d (ZUBIRI, 1997, p.66-67). A experi\u00eancia filos\u00f3fico-religiosa da \u201creliga\u00e7\u00e3o\u201d fundamenta a experi\u00eancia moral da obriga\u00e7\u00e3o. \u201cDeus est\u00e1 manifesto nas profundezas de cada homem (&#8230;) na voz absoluta da consci\u00eancia\u201d (ZUBIRI, 1997, p.72-73). A dimens\u00e3o religiosa da realidade pessoal se desvela na consci\u00eancia, lugar de encontro de moralidade e espiritualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Juan Masi\u00e1, SJ<\/em>. Universidad Cat\u00f3lica Santo Tom\u00e1s, Osaka (Jap\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>7 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0CURRAN, C. (ed.). <em>Conscience<\/em>. New York: Paulist Press,\u00a0 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">G\u00d3MEZ CAFFARENA, J. <em>El teismo moral de Kant<\/em>. Madrid: Cristiandad. 1983.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GAZIAUX, E. <em>Morale de la foi et morale naturelle.<\/em> Louvain: Ephem. Theol. Louvain. n.119, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00c4RING, B. <em>Libertad y fidelidad en Cristo. <\/em>Barcelona: Herder, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LONERGAN, B. <em>Method in Theology<\/em>. London: Darton, Longman, 1973.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00d3PEZ AZPITARTE, E. <em>Fundamentaci\u00f3n de la \u00e9tica cristiana. <\/em>M\u00e9xico: San Pablo, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">______. <em>Hacia un nuevo rostro de la moral Cristiana<\/em>. M\u00e9xico: Universidad Iberoamericana, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">McCORMICK, R. <em>The critical calling<\/em>. Washington: Georgetown Univ. Press, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MAHONEY J. <em>The Making of Moral Theology<\/em>. Oxford: Clarendon Press, 1987.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MASI\u00c1, J. <em>Animal vulnerable<\/em>. Madrid: Trotta, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MIETH, D. <em>La teolog\u00eda moral fuera de juego<\/em>.\u00a0 Barcelona: Herder, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">RICOEUR, P. <em>Soi m\u00eame comme un autre<\/em>. Paris: Seuil, 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00c1NCHEZ RIVERA, J. M. <em>Integraci\u00f3n ps\u00edquica y psicolog\u00eda human\u00edstica<\/em>. Madrid: Marova, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIDAL, M. <em>Nueva moral fundamental. El hogar teol\u00f3gic de la \u00e9tica<\/em>. Bilbao: Descl\u00e9e De Brouwer, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">ZUBIRI, X. <em>El problema filos\u00f3fico de la historia de las religiones<\/em>. Madrid: Alianza y Fundaci\u00f3n Xavier Zubiri, 1993.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____. <em>El hombre y Dios.<\/em> Madrid: Alianza y Fundaci\u00f3n Xavier Zubiri, 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Bockle, Franz. <em>Hacia una conciencia cristiana<\/em>: conceptos basicos de la moral. Estella: Verbo Divino, 1981.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">MAJORANO, S. <em>A Consci\u00eancia<\/em>. Uma vis\u00e3o crist\u00e3. Aparecida: Santu\u00e1rio, 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ruf, Karl. <em>Curso Fundamental de teologia moral<\/em>: consci\u00eancia e decis\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Loyola, 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Bur\u00f3n%20Orejas,%20Javier&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">BUR\u00d3N OREJAS, Javier.<\/a> <em>Psicolog\u00eda y conciencia moral<\/em>. Santander: Sal Terrae, 2010.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">DUQUE, Roberto Esteban. La voz de la conciencia. Madrid: Encuentro, 2015.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Damasio,%20Antonio&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">DAMASIO, Ant\u00f4nio.<\/a> <em>O mist\u00e9rio da<\/em> <em>consci\u00eancia<\/em>: do corpo e das emo\u00e7\u00f5es ao conhe<\/span>cimento de si. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DI BIASE, Francisco; AMOROSO, Richard. (orgs.) <em>A revolu\u00e7\u00e3o da<\/em> <em>consci\u00eancia<\/em>: novas descobertas sobre a mente no S\u00e9culo XXI. Petr\u00f3polis: Vozes, 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Guardini,%20Romano&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">GUARDINI, Romano.<\/a> <em>La coscienza.<\/em> 4.ed. Brescia: Morcelliana, 1977.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Gurwitsch,%20Aron&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">GURWITSCH, Aron.<\/a> <em>El campo de la conciencia<\/em>: un an\u00e1lisis fenomenol\u00f3gico. Madrid: Alianza, 1979.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Habermas,%20Jurgen&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">HABERMAS, Jurgen.<\/a> <em>Conciencia moral y acci\u00f3n comunicativa<\/em>. Madrid: Trotta, 2008.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">KENNETH, Overberg. <em>Consci\u00eancia em conflito<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1999.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Lain,%20Vanderlei&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">LAIN, Vanderlei.<\/a> <em>Nova consci\u00eancia<\/em>: a autonomia religiosa p\u00f3s-moderna. Recife: Liber<\/span>tas, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VAZ, Henrique C. L. A crise e verdade da consci\u00eancia moral. <em>S\u00edntese<\/em>, v.25, n.83, 1998. p.461-476.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Lonergan,%20Bernard%20J.%20F.&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">LONERGAN, Bernard.<\/a> <em>La formazione della coscienza<\/em>. Brescia: La Scuola, 2010.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Majorano,%20Sabatino&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">MAJORANO, Sabatino.<\/a> A <em>consci\u00eancia<\/em>: uma vis\u00e3o crist\u00e3. Aparecida: Santu\u00e1rio, 2000.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">PRIVITERA, S. Consci\u00eancia. In: COMPAGNONI, F.; PIANA, G.; PRIVITERA, S. (orgs.) <\/span><em><span style=\"color: #000000;\">Dicio<\/span>n\u00e1rio de Teologia Moral<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, pg. 137-153.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Searle,%20John%20R.%20&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">SEARLE, John R.<\/a> <em>The mystery of consciousness<\/em>. New York: The New York Review of Books, 1997.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">STRECK, Lenio Luiz. <em>O que \u00e9 isto \u2013 decido conforme minha consci\u00eancia? <\/em>Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Thompson,%20William%20M.&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">THOMPSON, William M.<\/a> <em>Christ and consciousness<\/em>: exploring Christ&#8217;s contribution to huma<\/span>n consciousness: the origins and development of christian consciousness. New York: Paulist Press, 1977.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Valadier,%20Paul&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">VALADIER, Paul.<\/a> <em>Elogio da consci\u00eancia<\/em>. S\u00e3o Leopoldo: Unisinos, 2000.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/faje:81\/cgi-bin\/infoisisnet.exe\/pesq?AUTOR=Webb,%20Eugene&amp;BASEISIS=1&amp;FROM=1&amp;COUNT=50&amp;FORMAT=referencia&amp;PAGINAORIGEM=&amp;SITE=\">WEBB, Eugene.<\/a> <em>Fil\u00f3sofos da consci\u00eancia<\/em>: Polanyi, Lonergan, Voegelin, Ricoeur, Girard, Kierkegaard. S\u00e3o Paulo: \u00c9 Realiza\u00e7\u00f5es, 2013.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sum\u00e1rio 1 \u201cConsci\u00eancia de si\u201d e \u201cconsci\u00eancia\u201d 1.1 Perspectiva psicol\u00f3gica 1.2 Perspectiva \u00e9tica 1.3 Perspectiva teol\u00f3gica 2 Perspectiva b\u00edblica 2.1 Antigo Testamento 2.2 Novo Testamento 3 Perspectiva hist\u00f3rica 4 Desenvolvimento e maturidade da consci\u00eancia 5 Consci\u00eancia em uma chave personalista, comunit\u00e1ria e prof\u00e9tica 5.1 Consci\u00eancia moral aut\u00f4noma e autotranscendente 5.2 Consci\u00eancia moral comunit\u00e1ria e eclesial [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-1526","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-teologia-moraletica-teologica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1526"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1526\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1628,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1526\/revisions\/1628"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teologicalatinoamericana.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}